AUTORAS: Camilla Ares & D@n@Scully E-MAILS: camilla_scully@zipmail.com.br; cris_scully@hotmail.com SINÓPSE: seqüência de Ox Lahun – Retorno à Fonte. Mulder e Scully vão a Nova York investigar uma série de crimes estranhos ligados à máfia italiana Desires BROOKLING 10:00 a.m. O velório estava lotado. Mulheres e homens vestidos formalmente, como a ocasião mandava, lamentavam a perda. Em pé ao lado do caixão estava uma mulher alta e muito magra que recebia as condolências pela morte do pai. Dom Grigio Legnoni , o último dos chefes da máfia. A Cosa Nostra estava fadada a ser enterrada junto com ele se sua filha não resolvesse assumir o controle de tudo. Teodora Legnoni era uma mulher esperta. Casou- se uma vez com um chefe da máfia russa, Divad Ynvohcud, mas após dez anos de um casamento cheio de turbulências foi trocada pela líder do Ira (exército Irlandês) Lillian McAnderson. Desde este dia Teodora tornou-se uma mulher rancorosa e vingativa. Seus inimigos eram punidos severamente, ela tinha prazer em torturá-los por horas a fio. Diziam as más línguas que ela tinha feito um pacto com o demônio para que seu poder de destruição fosse avassalador. Teodora depois de abandonada pelo marido não quis saber de casar-se novamente. Seu motorista , um americano de cabelos grisalhos, chamado Christopher Cartier passou a entrete-la nas noites de solidão. Logo foi promovido à guarda-costas e braço direito da chefona. Desde que Dom Grigio adoecera Teodora passou a comandar o crime organizado. O machismo italiano teve de render-se àquela mulher forte , imponente e poderosa. Dois meses haviam se passado desde a morte de Dom Grigio. A Cosa Nostra estava novamente entre as top ten do crime mundial. Mas um estranho fato ocorrido em uma noite chuvosa fez com que Teodora se interessasse por alguém que não estava lutando do mesmo lado dela. A mafiosa estava assistindo um documentário que o jornal local exibia, e em dado momento, a figura de um agente do FBI, foi mostrada junto a um pequeno texto que relatava a conclusão de um caso que ele havia solucionado. A mulher arregalou seus olhos assustada , seu coração batia acelerado, ela levantou- se e foi telefonar. GEORGETOWN 22:53 Mulder e Scully estavam de volta à velha rotina. Os arquivos- x ocupavam uma parte generosa de seus dias e as filhas terminavam por completá-los. Eles arrumaram uma babá, a senhora Wilcox, que foi recomendada por Margareth . Skinner tinha lhes entregado um caso referente a uma série de mortes estranhas acorridas em Nova York. Eles deveriam ausentar-se por alguns dias e a idéia de ficarem longe de suas filhas não era a mais agradável. Scully estava apreensiva, todo o tempo que podia ela dedicava às meninas, chegando a ficar acordada até altas horas da madrugada cuidando delas. Mulder revezava o turno com a esposa sempre que podia. Mas já há algum tempo estava sentindo-se meio abandonado por ela, que não dedicava- lhe mais atenção exclusiva. Na noite anterior à viagem eles tiveram o auxílio permanente da senhora Wilcox, que passaria a dormir na casa para cuidar das meninas. Mulder achou que talvez ele e Scully pudessem passar uma noite mais tranqüila com a babá tomando conta de Samantha e Melissa. Ele tomou um banho, fez a barba, colocou sua habitual camiseta dos Yankees e sua cueca tipo boxers. Esse era o código que ele e a esposa haviam combinado. Ele deitou-se na cama e esperou a mulher, com um sorriso no rosto. Scully entrou no quarto sem dar atenção a Mulder. Ela foi tomar um banho para relaxar e assim que acabou, vestiu sua camisola e deitou-se na cama. Ao passar pelo marido notou o figurino do mesmo. Ela sentia um forte desejo por ele, mas não se sentia pronta para ser tocada. Ao deitar-se na cama, ela desejou boa noite a Mulder, que não respondeu. Ele limitou-se a virar de costas para ela e fechou os olhos. Scully percebeu a reação do marido, e, mesmo sabendo da razão de sua apatia, resolveu conversar com ele. —Fox, você está preocupado com alguma coisa, não está? – ela perguntou colocando suavemente a mão no ombro dele —Não é nada, não... tá tudo bem... —Fox... depois de 7 anos trabalhando juntos e quase um ano dividindo o mesmo teto, eu conheço você melhor do que ninguém e sei quando alguma coisa está te incomodando... vai, diz qual o problema... – ela pegou na mão de Mulder, que sorriu e sentou-se —Eu não consigo esconder nada de você mesmo, né? Tá bom, eu falo... – ele fez uma breve pausa – é que... bom, depois que as nossas filhas vieram pra casa, eu tenho me sentido meio que "deixado de lado", sabe? Mas não estou reclamando, não, eu sei que elas precisam de muito mais atenção do que eu... Scully olhou-o com ternura e acariciou o rosto dele. Mulder no fundo era uma criança crescida, que também precisava de muita atenção. —E eu também estou sentindo falta de... – ele aproximou-se de Scully e, enquanto beijava-lhe carinhosamente os lábios, sua mão passeava pelas pernas dela e ia delicadamente levantando a camisola que ela usava —Fox...eu acho melhor não. Eu ainda não me sinto preparada... – ela gentilmente tirou a mão dele de suas pernas —Tudo bem... – ele suspirou – você deu à luz recentemente, é perfeitamente normal que se sinta assim... – ele falou num tom de voz suave, mostrando-se compreensivo, embora inegavelmente frustrado —Me desculpe. Eu quero, muito, mas algo aqui dentro não está normal. Eu preciso de algum tempo. – ela disse afagando-lhe os cabelos. —Tudo bem... não vou insistir, quando você se sentir mais segura eu vou estar aqui, ok? – ele deu um sorriso —Obrigada - ela baixou os olhos – Agora vem aqui, vamos dormir – ela fez com que ele a abraçasse e assim adormeceram. AEROPORTO J.F.K. 01:08 p.m. Mulder e Scully estavam embarcando com destino à Nova York. Pela previsão de Scully, eles deveriam passar uns cinco dias na cidade até que conseguissem resolver o caso. Entraram no avião e sentaram-se nas poltronas que ficavam na janela. Mulder sentou-se do lado do corredor e Scully na janelinha. A aeromoça veio perguntar-lhes se gostariam de algo para beber e eles aceitaram, pedindo um suco de laranja para cada. Mulder abriu a pasta com as fotos dos crimes que estavam ocorrendo e começou a notar pontos importantes nas figuras. —Scully, olha só isso aqui. – ele apontou para a foto —O que ? —Em todas as fotos pode-se perceber uma pequena marca deixada pelo assassino. Acho que ele quer que o encontremos. – ele disse com seriedade —Essa não é marca que a máfia costuma deixar? – Scully perguntou —Sim. O cabo de uma rosa é deixada pelos integrantes da máfia quando os traidores são executados. O que me intriga é o porquê da polícia ignorar este fato. Se eles não tivessem omitido este fato , nós não precisaríamos ter vindo. —É isso que eu não estou entendendo, Mulder. Nosso departamento são os Arquivos-X , então, por que nos mandar para resolver um caso paralelo? —Eu também estou intrigado, Scully. – ele terminou o suco e fechou a pasta . Chegaram em Nova York, pegaram um táxi e foram para o hotel. WALDORF-ASTORIA HOTEL 04:56 p.m. Mulder e Scully chegaram a recepção um tanto enfurecidos com o valor que o táxi lhes cobrou pela viagem. Registram-se e foram para a suíte de casal. Scully ao entrar no quarto ficou muito impressionada com a decoração. As paredes pintadas em um tom de rosa bem suave davam uma certa tranqüilidade ao local. Os poucos móveis em madeira escura funcionavam como o ponto austero do quarto. Ela colocou sua mala sobre uma cadeira própria para isto e retirou o sobretudo e a arma e os depositou em cima da mesa. Mulder fez o mesmo, só que foi jogando tudo no chão, menos a arma, esta ele colocou na mesa ao lado da outra. Eles arrumaram tudo, Scully ligou para casa e logo em seguida desceram para comerem alguma coisa. Quando chegaram ao restaurante do hotel escolheram uma mesa no canto e sentaram-se. Pediram alguma coisa leve e puseram-se a conversar sobre o caso. —Mulder, eu acho que nós deveríamos ir logo falar com o encarregado do caso aqui em Nova York e mostrarmos as indicações que descobrimos nas fotos, o que acha?- Scully perguntou – como Mulder nada respondeu, ela perguntou novamente - Mulder? Mulder, você está me ouvindo? – ela segurou no braço dele. —Hã? Ah! sim também acho. – ele sorriu timidamente —O que foi? – ela ergueu a sobrancelha —Não sei, mas acho que aquela mulher está nos vigiando. – ele olhou discretamente para que Scully visse a tal mulher. Quando Scully virou-se para ver de quem se tratava, a mulher arregalou os olhos e não conseguiu disfarçar a surpresa. —Você a conhece, Mulder? - ela disse num tom irritado —Não, nunca vi mais magra. Mas acho que ela nos conhece, porque a hora que te viu ela ficou bem espantada. – ele sorriu —Eu detesto quando isso acontece! As mulheres hoje em dia estão muito assanhadas. Não podem ver um homem bonito que já começam a dar em cima. —Você está com ciúmes?? – ele perguntou com cara de safado —Lógico que não. Estou apenas fazendo uma... uma colocação. —Tá bom... mesmo assim obrigado pelo "homem bonito"- ele passou as mãos nos cabelos da esposa, que sorriu sem jeito. Eles terminaram a refeição e foram direto para a delegacia. Ao chegarem lá, tomaram conhecimento de mais um assassinato nos mesmos moldes dos anteriores. Mas neste a rosa estava inteira. —Mas que diabos eles estão tentando nos dizer? – disse Mulder —Acho que este foi um crime passional. —Por que diz isso, Scully? —Porque a rosa vermelha indica paixão. Nosso suspeito pode ser uma mulher, Mulder. Talvez ela esteja se vingando dos amantes. —Scully, uma mulher não poderia ter matado estes homens. Você viu no resultado da autópsia que todos foram espancados, torturados e asfixiados. Só se esta mulher for a chefe da máfia. – ele sorriu —Pois é, aí é que está nosso dilema. Mulheres não comandam o crime organizado.- Scully iria continuar porém foi interrompida pelo delegado Thompson —Desculpe interrompê-los, mas existe um boato de que quem comanda a máfia aqui em Nova York é uma mulher. Vocês acham que ela pode ser a assassina? —Agora estamos achando que sim. – Mulder respondeu BROOKLING 08:17 p.m. —Bob! – gritou Teodora —Sim, senhora? —Bob, como anda o plano? —Tudo nos conformes. Amanhã mesmo, eu tenho certeza de que aquele cara do FBI vem atrás da gente. —E a mulher? Você já descobriu quem ela é? —Eu estou esperando o Genaro chegar com as informações, senhora. —Fale pra ele que eu estou na cantina. Ele deve me encontrar lá assim que chegar, capice? —Capizco.- Bob se retirou , enquanto Teodora descia as escadas e saía da casa em direção ao carro. CANTINA DO RIFFO 08:35 p.m. —Dona Teodora! – saudou um homem muito gordo —Como vai, Francesco? —Agora melhor que nunca! Venha, vamos para sua mesa! – ele indicou o caminho com as mãos —Eu estou esperando o Genaro. Assim que ele chegar mande-o para cá! – ela ordenou —Sim, senhora. Eu farei o que mandou. —Agora vá! E me traga um prato de macarrão e um bom vinho, não aquela porcaria que você me serviu da última vez! —Sim, senhora, já estou indo. O gordo se despediu e saiu gritando com um garçom. Enquanto Teodora esperava o seu pedido, Genaro chegou e foi logo à seu encontro. —Bona Note, senhora! – disse o capacho —Bona Note. Trouxe o que eu pedi? —Sim. Aqui está! – ele entregou uma pasta com a ficha de Scully para ela. —Ótimo! Agora pode ir . – ela dispensou o homem. Teodora ficou muito espantada com a semelhança de Scully e Lillian McAnderson. Aliás não só a semelhança das mulheres lhe espantava, Mulder era exatamente igual a Divad. A mafiosa começou a ler o relatório. Ao final de sua leitura ela estava convencida que o destino havia lhe dado uma segunda chance. WALDORF-ASTORIA HOTEL 10:49 p.m. Mulder e Scully haviam voltado ao hotel. Agora estavam com certeza no caminho certo. O delegado ficou de passar um fax com as informações sobre a tal chefe da máfia. Eles avisaram o gerente do hotel que chegaria uma informação destinada a eles em algumas horas e que ele deveria avisá-los imediatamente. Subiram para o quarto e ficaram a esperar. —Scully, por que será que nos designaram para o caso? —Não sei, Mulder. —Você acha que é possível uma mulher fazer o estrago que o assassino fez nas vítimas? —Se ela for a chefe da máfia, ela pode ter capangas. —Não sei, Scully. Algo me diz que esse é um Arquivo-X! – ele sorriu e foi ao banheiro —Você só pode estar brincando! Baseado em que você diz isso? – ela foi atrás dele —Intuição, minha querida, intuição! – ele bateu com a ponta do dedo indicador na têmpora. —Você é maluco, sabia? Eu não sei como posso ter me casado com você! – ela sorriu —Eu sou irresistível! – ele a abraçou por trás e beijou-lhe o pescoço —Pára com isso, Mulder! Alguém pode chegar! – ela se esquivou —Ai, Meu Deus! – ele deitou na cama visivelmente irritado Para sorte de Scully o telefone tocou e o gerente do hotel avisou que o fax estava chegando. Eles desceram correndo e ficaram lendo as informações contidas nos papéis. —Teodora Legnoni, divorciada, filha de Grigio Legnoni, conhecido por comandar o crime organizado por trinta anos. Fez faculdade de química na Itália, nunca foi presa, nem acusada de nada. Sua ficha é limpa. – disse Mulder —Olha isso aqui! – Scully mostrou uma foto para Mulder —Se isso não for uma brincadeira de mal gosto, eu diria que sou eu nesta foto, só que com bigode. – ele sorriu ironicamente —Aqui diz que este foi o marido dela durante dez anos. Mulder! Esta é a mulher que estava no restaurante nos vigiando. – ela ergueu a sobrancelha —Acho que ela armou tudo isso, Scully. —O que vamos fazer? —Vamos fazer uma visitinha para a "Toda Poderosa" - ele saiu na frente dela. – Mas que mulher feia! BROOKLING 12:05 a.m. Os agentes chegaram ao endereço que estava no relatório. A mansão parecia saída de um filme de gângsters antigo. Eles iriam tentar falar com a mulher sob o pretexto de investigar a morte de Christopher Cartier, que tinha sido empregado da casa. Tocaram a campainha. —Scully, você não está se sentindo no Poderoso Chefão? —Eu estou me sentindo é em uma produção italiana de quinta categoria. —Pois não? – uma senhora abriu a porta —Boa noite! Nós somos os agentes Fox Mulder e Dana Scully do FBI e gostaríamos de falar com a senhora Teodora , ela está? – Mulder perguntou —Sim, por favor entrem. – a mulher saiu da frente para os agentes passarem. Eles ficaram sentados no sofá enquanto a empregada foi chamar a patroa. Quinze minutos depois ela desceu as escadas trajando um robe de seda com um rasgo na perna. Ela fazia cara de atriz pornô. Sua voz não deixava por menos, com o toque do leve sotaque italiano. Scully teve que segurar o riso. —Me desculpem o traje, mas eu já ia me recolher aos meus aposentos – ela estendeu a mão para que Mulder a beijasse , mas ele apenas a apertou. —A senhora é que deve nos desculpar a hora. Mas nós não temos muito tempo, então vamos ao que interessa. – Scully falou percebendo as olhadas que a mulher dava em Mulder —Você conhecia Christopher Cartier? – perguntou Mulder —Sim – ela fez cara de choro - Ele era um ótimo funcionário. —Ele tinha algum inimigo? —Que eu saiba, não. Ele era um homem doce, de modos simples. Eu queria saber quem foi o bastardo que fez isso com ele. —Nós também gostaríamos, por isso viemos até aqui. Ele morava nesta casa? – Scully quis saber —Sim. Ele morava no fundo. —Nós podemos ir até lá? —Claro! Venham eu vou mostrar o caminho. Os três foram para o pequeno quarto onde o falecido morava. Mulder e Scully começaram a procurar evidências. Eles acharam algumas algemas e chicotinhos, alguns vídeos pornográficos, umas revistas de carros e uma arma. —Ele andava armado? – Mulder perguntou —Sim. Ele era meu guarda costas. – a mulher respondeu —Acho que não tem nada de anormal aqui. – Scully concluiu —É, vamos embora. – concordou Mulder Eles deixaram a casa com a absoluta certeza de que a mafiosa tinha alguma coisa a ver com a morte do homem. Voltaram para o hotel e foram descansar. No dia seguinte logo pela manhã, Scully estava tomando banho enquanto Mulder se arrumava para sair. O telefone tocou e ele atendeu. —Mulder. —Senhor Mulder. Aqui é Teodora. Acho que eu descobri alguma coisa importante a respeito de Christopher. —Certo. Eu e minha parceira já estamos indo. —Não! Venha só. O que eu vou lhe dizer deve ser mantido em segredo por enquanto. —Muito bem. Eu lhe encontro daqui a quinze minutos, em sua casa. —Certo. Mulder desligou o telefone e falou para Scully sobre a conversa. Ela ficou desconfiada, mas deixou o marido ir primeiro. Eles se despediram e Mulder foi até a casa de Teodora. Ao chegar lá, notou que os empregados não estavam. Ele destravou a arma e ficou a esperar a mulher. Teodora desceu as escadas vestindo um tomara que caia vermelho. Nada apropriado para aquela hora da manhã. —Senhor Mulder. Agradeço sua discrição. —Você tem alguma informação que me interesse? —Sim. Venha comigo. Eles subiram as escadas e foram para o quarto da mulher. Mulder estava desconfiado das intenções daquela italiana horrorosa, mas tentou disfarçar. Ela abriu uma pequena caixa de madeira e retirou lá de dentro uma aliança. —O senhor sabe o que é isso? —Uma aliança? – ele sorriu —É a aliança do meu casamento. —Sim, mas o que isso tem a ver? —Você sabia que eu fui trocada por outra? —Que chato, não é? Olha, por que você não e fala logo o que descobriu? —Divad era a sua cara. E a sua parceira se parece muito com aquela vagabunda que me roubou ele. —Senhora, por favor, se eu quisesse ser analista não tinha entrado para o FBI. Será que podemos voltar às mortes? —Morte? Ah...sim. – ela retirou da caixa um amuleto e colocou-o no pescoço – Você acha bonito meu amuleto? Mulder olhou para o amuleto e percebeu que ele brilhava muito. Ele ficou enfeitiçado pelo colar, seus olhos não conseguiam afastar-se da pedra. A megera foi se aproximando do agente. Em seu olhar notava-se um ar diferente do normal. Ela abraçou Mulder. —Divad, como eu sinto sua falta! – ela apertou o abraço. A mulher começou a beijar Mulder, que respondeu ao beijo. Ela empurrou-o sobre a cama e começou a despir-se. Mulder estava com o olhar parado, seus movimentos eram mecânicos. Teodora tirou a camisa dele arrancando todos os botões que se espalharam pelo chão. Ela beijava-o com voracidade e sussurrava o nome do ex-marido todo o tempo. Eles estavam a um passo de cometer um ato, digamos, libidinoso. Quando Scully entrou chutando a porta. Em seu olhar estava a surpresa de encontrar seu marido na cama com outra e raiva por ser tão ingênua. —Sai de cima dele, sua piranha! – ela gritou —Você não vai roubá-lo de mim novamente! —Ele não é o seu ex, sua burra! Agora sai de cima dele se não eu puxo o gatilho e te mando pro inferno! —Inferno? Mas é onde eu moro! – a mulher gargalhou —Mulder! Sai daí já! – Scully gritou, mas ele estava bobo por causa do colar. —Ele não te obedece mais. Ele é meu! —Cala a boca, sua desgraçada. Você está presa! —Presa, por quê? Ele está fazendo porque quer. Scully não pensou duas vezes, atirou na perna da italiana que caiu no chão gemendo de dor. Algemou a mulher e foi até Mulder. —Mulder? Você está me ouvindo? – ela olhava para ele que não esboçava reação. – Mulder? Mulder?- ela deu um tapa no rosto dele, que finalmente saiu do transe. —Ai! Por que você fez isso? – ele colocou a mão no rosto. —Essa vagabunda estava te atacando! —Scully, tira o colar dela. —O quê? —O colar! Ele é mágico! Mulder foi até a mulher que estava no chão se contorcendo de dor. Ele fechou os olhos e arrancou o colar dela. Tudo estava acabado. Scully apenas observou, sem entender. Teodora confessou ter matado os três homens para que pudesse atrair o agente até ela. Sua obsessão pelo ex-marido fez com que ela tivesse se tornado maluca a ponto de encomendar um talismã de um feiticeiro africano para que pudesse se vingar. Quando ela viu Mulder na televisão, achou, em sua mente insana, que ele fosse Divad. Bolou o plano, mas não contava com Scully para estragá-lo. Duas semanas depois, Teodora foi condenada pelas mortes. Como ela não estava bem de sua sanidade mental, o juiz decretou que ela fosse internada em uma clínica psiquiátrica. GEORGETOWN 07:38 p.m. Mulder e Scully chegaram em casa exaustos. Entraram e foram direto para o quarto das filhas e ficaram brincando com elas para matar a saudade. A senhora Wilcox foi para sua casa e voltaria no dia seguinte. Mulder estava tomando banho e Scully tinha ido colocar Melissa e Samantha para dormir. Scully pouco havia falado desde que saíram de Nova York. A cena de Mulder na cama com outra mulher não saía de sua cabeça. Pela primeira vez um medo terrível de perder Mulder invadiu seus pensamentos. E se Mulder a trocasse por outra? Afinal, embora Mulder tenha dito que entendia, ele estava se sentindo rejeitado por ela estar evitando um contato íntimo com ele. Não que realmente achasse que Mulder fosse capaz de traí-la ou algo do gênero, mas a prevenção sempre foi o melhor remédio. Scully voltou para o quarto decidida. Foi até seu guarda- roupa e pegou a camisola que ela sabia que Mulder adorava. Vestiu-a e deitou- se, esperando por Mulder. Ele chegou, viu que ela estava com a camisola que ele gostava, mas preferiu não fazer nada, para não correr o risco de levar outro "não". Enfiou-se debaixo das cobertas e se preparou para dormir. —Boa noite, Dana – ele falou e ajeitou-se na cama Scully inclinou-se sobre Mulder, que estava de costas para ela, e sussurrou no ouvido dele com uma voz extremamente sensual: —Tem certeza de que quer dormir? Mulder sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o corpo com os beijos suaves de Scully em sua orelha. Ele virou-se surpreso e Scully beijou-lhe os lábios calorosamente. Mulder retribuiu profundamente ao beijo, envolvendo-a em seu braços, e depois sorriu, entendendo o "sinal verde" de Scully. —Tem certeza de que você está pronta? – ele perguntou, só por via das dúvidas —Absoluta! – ela respondeu com um sorriso maroto Então Mulder debruçou-se sobre ela e deliciaram-se com mais beijos apaixonados, intensos, carícias e carinhos mútuos e entregaram-se a uma noite de amor maravilhosa. 04:27 a.m. Scully acordou com o choro de Melissa. Ela sabia diferenciar o choro das duas. Notou que Mulder não estava na cama e foi ao quarto. Parou na porta e ficou observando Mulder meio desengonçado tentando ninar a garotinha. Scully sorriu e aproximou-se dos dois. —Ela tá com fome, Fox.... —Ah, você tá aí? – ele sorriu – eu não queria te acordar... mas acho que ela tá com fome mesmo, eu já troquei a fralda e ela não pára de chorar... Mulder entregou Melissa para Scully, que sentou-se no pequeno sofá para amamentá-la. Não demorou muito para Samantha começar a chorar também. Mulder pegou-a no colo e ficou engambelando a filha enquanto Scully cuidava da outra. Tudo estava bem novamente. A vida não poderia ser mais generosa com aqueles dois. Eles eram uma família feliz. E mesmo trabalhando muito perto com o perigo, nada poderia ser mais gratificante do que chegar em casa e poder levar uma vida normal. Os arquivos-x continuavam, cada vez mais difíceis. Mas a vida para Mulder e Scully estava se tornando bem mais fácil... Continua...