This Is Not Happening - Desabafo VIGNETTE ESCRITA POR: Bellefleur X (bellefleur_x@hotmail.com) DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem a seus criadores. CATEGORIA: Drama. SPOILER: O título diz tudo. SINOPSE: O que passa pela cabeça de Scully após encontrar o corpo de Mulder na cena final de This is Not Happening. PAGAMENTO: Em forma de feedbacks (positivos ou negativos) é sempre bem vindo. This Is Not Happening - Desabafo "And now there is merely silence, silence, silence, saying all we did not know." William Rose Benett Isto não está acontecendo! Não está acontecendo. Não pode estar... Não é seu aquele corpo que jaz sem vida lá fora. Não é. Embora seja seu o rosto exangue e pálido, marcado de sofrimento e cicatrizes, as pálpebras cerradas que escondem olhos que não mais verão a luz do dia. Embora eu o tenha visto com meus próprios olhos, não posso crer que seja você. Não posso... Não acredito. Não é seu aquele corpo que jaz frio e sem vida lá na colina, cercado por um bando de gente sem alma que teima em me dizer que aquele é seu corpo. Que é incapaz de compreender que aquele não é você. Não pode ser. Eu vi, mas não posso acreditar. Isto não está acontecendo! Não pode estar... Mas eu vi aquele corpo lá fora e aquela gente me disse que era você. E, por um instante, eu acreditei. E corri. Corri o mais rápido que pude, corri como o vento. Não corri de seu corpo inerte e frio e ferido ou do medo que me assaltou de nunca mais ver seu sorriso. Não corri da visão do pior de meus pesadelos. Corri por você, para você. Quis ser Mercúrio e ter asas nos pés enquanto corria. Em busca de sua salvação. Mas eles chegaram primeiro, sempre eles. Malditos sejam. Eles levaram minha única louca esperança de salvá-lo. Levaram Jeremiah, o curandeiro. Alguém que, em outros tempos, eu teria acusado de charlatão, de impostor. Engraçado... Minha única, desesperada, alucinada esperança de trazer você de volta se depositava numa figura indigna de qualquer resquício de minha confiança, levada por seres em cuja existência eu não acredito. Triste... Isto não está acontecendo! Não está. Não pode... Me ajoelho e choro diante da sala, onde antes estava o curandeiro, agora vazia e escura. Tão escura quanto o futuro que se afigura diante de mim, agora que percebo que a busca acabou. Tão vazia quanto minha alma, agora que a esperança de tê-lo de volta me abandonou. Choro lágrimas amargas da certeza de que nunca mais verei seu sorriso de menino ou o brilho de seus olhos ou o arco intrigante de sua sobrancelha. Choro lágrimas amargas da certeza de nunca mais ouvirei o som de sua voz pronunciando meu nome ou o sarcasmo de suas palavras quando discutíamos um caso ou o descarado "acordei você, Scully?" que marcava seus telefonemas no meio da madrugada. Choro minha total impotência diante dos fatos. Choro. Isto não está acontecendo! Não está acontecendo. Não é justo. Eles o tomaram de mim para sempre, para nunca mais. Nunca mais... O peso destas palavras me oprime o peito, me deixa sem fôlego. Nunca mais poderei sentir o toque de seus dedos longos em meu queixo, a suave pressão de suas mãos em meus ombros, a carícia de seus lábios em meus cabelos. Como poderei suportar a idéia de não tê-lo ao meu lado, segurando gentilmente minha mão entre as suas sempre que acordo em um quarto de hospital? Ou seus dedos longos tentando impor ordem aos meus cabelos quando me consola? Choro por tudo que o que disse e pelo que não disse. Choro pelas vezes que fui rude e o agredi com palavras porque tive medo de ser traída por meus próprios sentimentos. Choro pelas palavras doces que calei porque acreditei que você já as soubesse. Choro lágrimas amargas de dor e de perda. Mas não tenho seu peito largo para me aninhar ou seu ombro amigo para me recostar ou seus braços fortes para me proteger. Estou só. Perdi você e isso dói. Me resta apenas chorar. Isto não está acontecendo! Não está. Não pode estar... Percebo vagamente que há pessoas à minha volta. Ouço-lhes as vozes como ecos distantes. Mas não compreendo o que dizem, não quero compreender. Porque o que eles dizem não vai preencher o vazio que sinto. Ou mitigar a dor enorme da perda. Ou estancar o sangue que jorra abundante dessa ferida aberta em meu peito. "Vão embora!", quero gritar. "Deixem-me só com minha dor." Mas a voz não me sai da garganta. Talvez nunca mais saia. E, mesmo que conseguisse gritar, duvido que eles entendessem a mensagem. Abutres é o que são, alimentando-se dos restos de minha dor, regozijando-se com a carniça de meu sofrimento. Isto não está acontecendo! Não pode. Não está. "Levem-me também!", desejo por um momento, dirigindo meus pensamentos a aqueles que o tomaram de mim. "De que vale a vida se não há motivação para vivê-la? Se meu leal parceiro, meu grande amigo, a razão de minha busca, está morto, frio e inerte no topo daquela colina? Se estou só e condenada a assim permanecer?" Mas algo se move dentro de mim. Uma pontada leve em meu ventre. E outra. Com um pontapé, ele me grita "Você não está só. Nunca estará." Ele, meu filho, um delicado sopro de vida a me lembrar que algo de você sempre continuará vivo em mim. F I M