Titulo: Depois de algum tempo Autora: Meggie Feedback para wm3@uol.com.br Resumo: E se a Scully tivesse escolhido ficar com Daniel Waterston ao invés de Mulder? E por que ela faria tal escolha? Classificação: Shipper Nota: Desconsidere tudo que aconteceu antes de Scully entrar no quarto de hospital para ultima conversa com Daniel. Depois de algum tempo "Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança..." Eu a perdi. Perdi para sempre. Não tenho certeza aonde foi que errei mas também não importa, a questão é que ela foi embora. Me deixou. Nunca pensei que isso pudesse acontecer, não desse jeito. Achei que Scully estaria sempre lá pra mim como eu sempre estarei para ela. Mas não foi o que houve. Acho que eu a estava prendendo, sufocando no meu mundo escuro e triste. Agora tudo ficou pior e não há nada que se possa fazer. Pensei que morreria ao vê-la me dar as costas, os passos firmes levando-a pra longe de mim. Mas, não faço nem idéia como, ainda estou aqui. Talvez esperando que volte. "...E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se você ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez enquanto e você precisa perdoa-la por isso..." Não vou negar que doeu. Pra falar a verdade, acho que nunca estive pior em toda a minha vida. Me senti traído pela única pessoa no mundo que não tinha o direito de fazer isso. Mas fez. Eu tinha tantos planos, queria tanto para nós, só estava esperando o momento certo, só que ele não chegou e agora estou sozinho. Mais estranho e isolado do que nunca. Parece que estou perdido e nunca mais vou achar o caminho de casa. Talvez porque minha casa esteja muito longe, em San Diego. "...Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destrui- la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E o que importa não é o que você tem na vida mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos..." Scully não pode ir embora. Foi a primeira coisa que eu pensei quando ela anunciou sua partida. Meu mundo começou a ruir naquele momento. Minha melhor amiga, a única, estava me deixando, me trocando por outro. É, por outro. Eu até que a entendo, ela queria mudar, queria uma vida. Marido, família. Então apareceu o tal Daniel, tudo que ela sempre quis, e me abandonou aqui. No começo eu pirei um pouco, uma pedaço muito importante de mim estava se partindo, aquela taça frágil da confiança maculada. Mesmo assim, mesmo contra toda lógica, não consegui me afastar. Não totalmente. Eram sentimentos demais, profundos demais para que conseguisse simplesmente desatar os laços que nos uniam. Não consigo deixar de falar com ela. Todos os dias, Scully lá, eu aqui. Pela Internet. Meia noite, sempre que podemos. Pra matar a saudade, mesmo que virtualmente. É o melhor momento das minhas vinte e quatro horas. O único que vale a pena. "...Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a ultima vez que as vejamos. Aprende que as circunstancias e os ambientes tem influencia sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve se comparar com os outros mas com o melhor que se pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas aonde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão e que ser flexível não significa ser fraco ou não Ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados..." Se eu pudesse voltaria ao passado, sete anos antes, naquele primeiro caso, no exato momento em que ela entrou assustada no meu quarto por causa das manchas em seu corpo. Voltaria para aquele minuto e faria exatamente o que todo meu corpo queria que eu fizesse. A beijaria, carregaria pra cama e depois para o altar mais próximo para que tudo ficasse bem. Mas não posso nada além de me lamentar. Devia Ter dito pra ela tudo que eu sentia...mas não disse e agora é tarde. Demorei muito para me perdoar e pra perdoa-la também, custei a ver o lado dela da situação. Acho que é porque sempre foi tão fácil pra mim conviver com Scully que nunca pensei realmente que a reciproca não fosse verdadeira. Me fechei e fiquei me torturando, imaginando o que ele teria e eu não pra faze-la se apaixonar. "... Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita pratica. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se..." Tive, porém, que usar de toda a minha força de vontade pra não enlouquecer. Trabalhei feito um doido, pesquisei mais arquivos X do que o recomendável, adiando ao máximo o momento de voltar ao apartamento. Skinner e os pistoleiros ajudaram muito a me manter são. Minhas conversas com Scully também. Estranho, não é? Procurar consolo justo nos braços da causadora de seus problemas. Mas foi exatamente isso. Até o Bill, irmão dela, me 'perdoou' por tudo que eu fiz a sua família. Acho que ficou aliviado porque sua irmazinha não estava mais trabalhando com um maluco. "Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas são as coisas tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva mas isso não te dá o direito de ser cruel." Mas ela me magoou muito e na hora eu só quis magoa-la também. Me afastei, tentei ser o mais indiferente possível. Não resolveu. Ela se chateou, disse que se eu quisesse ela ficaria mas não era realmente o que desejava e então, tive que deixa-la ir. Mas foi duro, horrível Ter que vê-la se tornar a Sra. Waterston. "...Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso..." Foi um golpe nas minhas esperanças. Sempre soube que Scully me amava, tenho certeza disso como tenho de que a amo. Está escrito lá, no fundo dos olhos dela. E o que está escrito em Scully eu sei ler. Mas sempre esperei, sinceramente, que todo esse amor, esse não sei o que grafado nas Íris azuis, se transformassem nos mesmos sentimentos que tenho por ela. Mas não foi o que houve, ela se casou, com outro, e foi embora, ser medica em um lugar tranqüilo em San Diego. Me deixou sozinho. Mesmo me amando, mesmo sabendo que ninguém nunca iria ama-la mais que eu. "...Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julgas será algum dia condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!" (William Shakespeare) Quis matá-lo, quis morrer. Fiquei arrasado, meio morto. Mas a vida continuava e eu tinha que seguir em frente. Gritei para todas as minhas paredes infelizes que ela era uma injusta, cruel e outros palavrões nada recomendáveis, mas depois percebi que não podia falar isso dela. Scully tinha direito, direito de viver como ela bem quisesse, comigo ou sem mim. Mas não vou negar que machucou e ainda dói pensar que ela está lá agora, com ele. Dói pensar que amanhã, quando eu entrar na sala úmida do porão ela não vai estar lá, nem vai estar perto de chegar. Descobri com isso tudo que sou bem mais forte do que imaginava. Tive a impressão que me acabaria sem ela por aqui, mas se ainda estou vivo é devido a uma teimosia sem tamanho e muitas conversas pelo computador. O relógio bateu meia noite. Meu coração bateu feliz. Entrei na rede, procurei por ela. Só por ela. ....... Tive que te deixar, Mulder. Se você soubesse como foi difícil, se soubesse o quanto me doeu ter que te fazer sofrer. Foi como ferir a mim mesma, ou pior. Tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida sem poder te contar, e ao contrario do que você pensa, eu é que fico perdida sem você. Um norte sem sul. Um amor sem sorriso. Mãe sem abraço. Tristeza sem lágrimas. Sem você não tem graça. Mas, por mais estranho que pareça, foi por você. Achei, e ainda acho, que foi o melhor a fazer, a única saída que consegui enxergar. Não foi fácil, como você pode estar pensando, ter de ver toda aquela tristeza nos seus olhos e ignorar e dar as costas. Foi mais que uma traição, uma covardia sem tamanho. Se você tivesse feito o mesmo comigo eu não suportaria. Não teria conseguido ser tão forte, tão digna. Foi uma surpresa. Mas volto a repetir, foi necessário. Tudo começou muito antes de Daniel, um mês pra ser precisa. CGB me procurou, ele sempre traz problemas consigo e daquela vez não foi diferente. Pastas e mais pastas, relatórios, informações desencontradas. Eles iriam te levar. Te tirar dos Arquivos X. Você estava causando confusão de novo, investigando o que não devia...Por que não me disse que estava procurando aquilo, Mulder? Por que não me contou que estava investigando aquele Arquivo X sozinho? Ao contrario do que você pensa eu não tentaria te demover dessa historia...bom, talvez tentasse mas não vem ao caso. Canceroso disse que se você continuasse com isso Eles iriam te levar, e não havia nada que nenhum de nós dois pudesse fazer. Spender pediu então pra que eu me afastasse, disse que sem mim por perto ele conseguiria te fazer desistir de procurar provas para aquele caso antigo. Tive que ir, não houve escolha. Não foi fácil confiar nele e deixar sua vida naquelas mãos nicotinadas. Mas o que mais eu poderia fazer? Daniel veio em boa hora, a desculpa perfeita e irrefutável pra me afastar. Sabia que se eu dissesse que não estava feliz ao seu lado você acabaria me deixando partir. Me sinto meio culpada por Ter usado Daniel, por Ter me casado com ele sem ama-lo realmente. Um dia ele vai perceber que não damos certo juntos, vamos acabar nos divorciando mais cedo ou mais tarde. Você é que me preocupa. Se não fosse eu poder falar com você todos os dias, e saber noticias, já teria ficado louca. Mas continuo aqui, esperando boas novas do Fumacinha, esperando que ele diga que já está tudo bem e que eu posso voltar. Voltar pra você. 1 ano depois Periferia de Washington Desisti a muito tempo de mudar o mundo, é um relógio grande demais para as minhas mãos. Continuo querendo entende-lo, porém. Os Arquivos X continuam, os ponteiros seguem girando, me levando para outro caso estranho. Ainda falo com Scully, não com a mesma freqüência mas com a mesma assiduidade, ela é meu centro, meu elo com a vida, nunca vai ser diferente. Observei o lugar enojado, era um pardieiro, um Motel de ultima categoria, as paredes pareciam prestes a ruir, tudo cheirava mal. Bem típico do Canceroso me chamar para um lugar daqueles. O que será que o CGB queria desta vez? Aquele ultimo telefonema havia sido bem estranho. Marcava um encontro e disse que eu teria um surpresa. Minha curiosidade não me permitiu faltar mas os pistoleiros estão avisados caso a surpresa não seja agradável. Como combinado entrei no quarto 16, parecia pior do que o resto do local. Uma cama suja e quebrada, baratas e formigas passeavam livres pelas paredes, e o carpete trazia um inconfundível cheiro de urina. Eu já estava até pensando em sair quando ouvi passos no corredor. Eram ritmados e vinham até mim. Puxei a arma e apontei para a porta fechada. Fosse quem fosse eu tinha de estar preparado. Meu coração começou a bater depressa quando vi a sombra que se infiltrou pela fresta entre o piso e a madeira. Respirei fundo obrigando-o a ir devagar, mas não funcionou. A maçaneta virou devagar e a porta se abriu com um gemido, dando lugar a uma forma conhecida. Todo meu corpo deve Ter se imobilizado de surpresa. Observei, ainda chocado demais para reagir, ela abandonar a arma e correr para os meus braços. Scully. ...… O que será que o Canceroso queria daquela vez? Ligava pra minha casa e dizia que tinha novas 'ordens', esperando que eu corresse ao seu encontro como um cachorrinho. Mas como sempre, não tive escolha, e estava lá, naquele antro, cercada de pessoas perigosas, andando por um corredor mal iluminado, não fazendo nem idéia do que ira encontrar atrás da porta 16. Já havia me divorciado de Daniel há algum tempo, logicamente Mulder não sabia, senão ficaria difícil explicar pra ele por que não voltei correndo pra Washington. Mas fora isso tudo continuava como antes, triste e vazio, sem ele. Com pensamentos mórbidos vagando por meu cérebro, puxei minha antiga arma e entrei devagar, sentindo um estranho calafrio ao escutar o ranger da madeira antiga. Quem eu vi, no entanto, parado em pé, me apontando uma pistola, no meio daquela bagunça não poderia Ter me deixado mais feliz. Meus olhos se encheram de lágrimas irreprimíveis quando compreendi o que Spender quis dizer com novas ordens. Nem sei o que fiz da minha própria arma, simplesmente me joguei nos braços dele. Haviam sido muitos meses de saudade. Mulder. ………… O que eu podia fazer além de abraça-la também, além de chorar com ela, além de sorrir? Nada, e foi isso que fiz. Um monte de idéias passeavam por minha cabeça mas nenhuma encontrava morada, todo meu ser estava concentrado na figura macia que tinha nos braços. Tudo nela me era estranhamente familiar, minha vida estava de volta, de certa forma. Demorei o máximo que pude em contato com seu corpo. Mas logo o peso da realidade caiu sobre meu cérebro. Eu tinha que saber o que estava acontecendo. Ela precisava me contar. Respostas, eu pedia respostas. E elas vieram. Uma profusão interminável de informações. Toda a verdade. Fumacinha, o caso que eu estava investigando sem ela, casamento, divorcio, tudo. Minha mente lutava para absorver as razões dela. Eu podia entender, todos os fatos lá expostos. Mas eu queria mais, queria os sentimentos, o que ela havia desejado e pensado durante aqueles meses. Eu a queria. Ela também parecia pensar da mesma forma. _ Foi tão dificil, Mulder. – Scully continuou ainda abraçada a mim. – Foi como estar caindo e caindo e não saber quando se vai chegar ao fundo e o pior, não saber como vai ser quando chegar lá. É tão desesperador, saber que a sua vida poderia estar em risco sem poder fazer nada. E você tão louco, te deixar sozinho é um perigo. Eu ri, mas ela não parou. _ Quase morri de saudade. _ E eu, Scully? Você pelo menos sabia de tudo, e eu? Eu estava sozinho, pensando que você havia me deixado... _ Eu nunca faria isso realmente, Mulder. _ Mas eu fiquei com medo. _ Desculpe. Beijei suas bochechas, afastando uma mecha de cabelo ruivo para de trás da orelha. Era minha Segunda chance, tudo que eu sempre havia desejado. A oportunidade de falar todas as coisas presas em minha alma durante anos, especialmente no ultimo, em que a tive tão afastada. Suspirei, tomei coragem...O ambiente não estava ajudando, aquele cheiro pavoroso de dejetos humanos. Mas eu não podia parar, não depois de tudo...Anda, Mulder, o difícil é começar...talvez seja mais fácil se eu a induzir a falar...Não, melhor eu acabar com o assunto de vez. Ela está tão perto, tão minha...Seus olhos mostravam tanto...tanta...não sei, felicidade, quem sabe?...Acho que é mais que isso...Saudade? Confiança? Arrependimento? Ela sorriu, um sorriso magnifico, de cumplicidade e duvida. De amor e medo. Sorri também. _ Vamos voltar pra casa, Scully. De mãos dadas. Tínhamos todo o tempo do mundo. It's over PS: Gente, o texto em itálico é de Shakespeare. O meu predileto, insuperável, estupendo...Tenho copias dele espalhados por todo lugar. A fic foi feita exclusivamente para aproveita-lo então ficou meio sem graça, sem sentido, insossa, mas perdoem, a historia era só coadjuvante. Ah, relevem também o final Half, é que eu tinha feito a fic mas meu PC quebrou e eu perdi TUDO que já havia escrito. Uma fic perdida pra sempre. E como rescrever é sempre chato decidi encurtar e deu no que deu. Sorry...Mandem feed, ok? Eu adoro. É muito importante.