NO MULDER, NO X-FILES DEEP DREAMS 2 X-Files fanfiction by ANGEL SCULLY (angel_scully@uol.com.br) ICQ Number: 77089497 Resumo: Depois do sumiço de Mulder, Scully quase enlouquece, desesperada pelas imagens estranhas e terrificantes de que seu parceiro está morto. Depois que Mulder volta, Scully teme por sua vida. Ele está morrendo, e não há nada que ela possa fazer para salvá-lo. Novas mortes, perseguições, descobertas aterrorantes e uma inédita NC-17, que não estava na versão publicada anteriormente, culminam para o fim inevitável: o que há na Fossa das Marianas, a cratera mais profunda do pacífico, a Challenger Dei, onde a estação se encontra?? Afinal, porque os tripulantes de Atlântica presenciam sonhos espantosamente reais? E seriam mesmo sonhos? ANGEL PS: Gente, antes de acabar a Dei Dreams 2, eu havia feito uma cena NC-17. Não sei porque cargas d'água acabei retirando da versão que foi para os sites, mas a pedido de várias leitoras, que queriam ler a cena, acabei recolocando-a. A fic está igual, apenas com a cena acrescentada, ok? Caso alguém não tenha lido a fic ainda, e não tenha encontrado a Deep 1, me mande um email, que Angel atende prontamente. Ah, agradeço à Luana Mulder (passei um fim de semana na casa dela, fazendo a maior bagunça, e ficando mais de 14 horas seguidas olhando eps que não havia visto....Lu, precisamos repetir isso de novo...), que também me inferiu a vontade de ler a NC-17. Agradeço a todas as pessoas que me mandaram feedbacks, de coração, pois realmente, sinto necessidade de saber o que vocês acham (qual escritor que não precisa?) Ok, ok, chega de enrolação. Vamos à fic (Angel cruel...vou deixar que vocês procurem onde a cena está....) *************** O cheiro pútrido embargava-lhe as narinas de tal modo que sua face contraí-se em constante torpor, junto com as sensações estranhas que pereciam sobre seu corpo. Parecia não ter forças para levantar as pálpebras, mas algo lhe dizia que deveria verificar onde estava. Apesar do frio que envergava sua pele nua, ela percebia bagas de suor inundarem-lhe todo o perímetro do corpo, como se sua temperatura corporal baixasse a tal ponto que ela suava a ambientes gélidos. Moveu-se um pouco, e notou que tinha os braços estendidos ao alto, amarrados por correntes apertadas. Suas pernas também encontravam-se afastadas uma da outra, de modo que, quando deu-se conta, percebeu a dor lancinante em suas vértebras torácicas e lombares, forçadas a sustentar seu peso inerte no ar. Sentia os punhos abrindo, como se facas afiadas lhe cortassem a pele lentamente, ao mesmo tempo que lhe açoitavam as costas como chibatas. Em grande esforço, abriu os olhos, e sua visão turva lentamente foi-se adequando ao recinto pestilento. Não enxergava o perímetro da sala, mas apenas uma luz que incidia diretamente sobre o seu corpo. Assim como havia sentido, encontrava-se nua, mas coberta com alguma substância gelatinosa de cor amarelada, talvez esta que provocava o odor extremamente desagradável. De sua nuca, percebeu seus folículos pilosos pronunciarem-se ao contato do líquido quente que lhe percorria o corpo, até chegar aos pés, de onde pingava em gotículas preguiçosas. Direcionou o olhar ao chão, mas não divisou o solo. Porém, o líquido vermelho vivo serpenteava em suas pernas e pés, desenhando caminhos sinuosos como lesmas a percorrerem uma superfície lisa, deixando seu rastro pegajoso. O pânico tomou-a por completo, fazendo-a sacudir-se com violência nas correntes, ignorando os estímulos de defesa de seus músculos enfraquecidos, que pareciam querer deixar de resistir. Ela necessitava expurgar todo o horror que o ambiente lhe imputava , entretanto algo embargava a garganta, impossibilitando a vibração das cordas vocais ao ar que percorria violento sua traquéia. De súbito, uma luz arrefeceu em sua fronte, poucos metros adiante. Ao mero olhar, percebeu que seu corpo e mente não apenas vagavam no mar obsceno do medo. Ela o enxergou do mesmo modo que encontrava-se, porém, o corpo imóvel dele refletia nela dores de alguma patologia violenta . A pele pálida contrastava com o vermelho que banhava o corpo, e o rosto sem expressão, os olhos abertos e sem brilho, a cabeça pendida para o lado denotava à ela o que sabia: estava morto. Descontroladamente, com tamanha força que pensou não existir em si mesma, puxou os braços, parecendo sentir os músculos flexores dos dedos rompendo-se, a pele respondendo ao contato do sangue quente escorrer abundante pelos braços. Porém, não conseguiu soltar-se completamente, continuando presa, impossibilitada de reagir. A dor que sua alma lhe imputava era deveras infinita comparada aos estímulos de seus terminais nervosos, no frenesi inútil da defesa. Algo morria em seu interior, e o desespero sem resposta a envolvia como um manto negro espesso, embargando-lhe de sensações refutas que mergulhavam na corrente elétrica de seu cérebro enlouquecido. De seus olhos escorriam uma torrente salgada, açoitando-lhe as feridas abertas. Em um suspiro único, gritou com toda a força que sua alma lhe conferia: __ Mullldddeerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! .......................................................... "The Truth is out There" D E E P D R E A M S I I By Angel Scully CENTRO MÉDICO - LAB 2 Todos os integrantes do C17, conjuntamente com o C16, circundavam a cama onde Scully se encontrava. Sua tez, a pouco pálida, havia tornado- se vermelha rubra, e seus batimentos subiram virtinosamente, tanto que George lhe aplicava tranqüilizantes endovenosamente, ignorando o languidez do soro. Desirré passava as mãos envoltas em uma toalha felpuda sobre o rosto dela delicadamente, retirando-se o suor frio. Sharon encontrava-se do outro lado, contemplando a face aparentemente tranqüila. Entretanto, algo no rosto plácido a desconcertava. __ O que está acontecendo? Ela estava bem, e agora teve essa taquicardia súbita! Se eu injetar mais esse negócio nela, vai acabar tendo uma parada cardíaca! - denotou George. __ É claro que não! Se fosse assim, ela estaria estável! Aplique mais! O coração irá explodir dessa maneira! - interviu Sharon O bip profuso que inundava a sala apresou-se rapidamente, redundando nos 8 pares de olhos que perscrutavam cada movimento sibilante da linha esverdeada. Mesmo com os olhos fechados, podia-se notar os globos oculares de Scully revirando-se alucinados nas órbitas, junto com seus músculos que começaram a apresentar espasmos. __ Ela parece estar sonhando!! - observou Desireé. __ Não é isso!!! O que está acontecendo! Não tenho treinamento médico para isso! __ Saia George! Se não consegue forças para intranspor isto aqui, retire-se - Sharon denotava raiva, ao mesmo tempo que segurava-se com todas as forças para não gritar. De súbito, Scully ergueu o corpo com tamanha violência que Desirré desequilibrou-se e caiu no chão. Seu rosto expressava uma mistura de terror e desespero, incutindo pavor a todos. Começou a agitar o braços com força, derrubando os potes de vidro que jaziam na mesa ao lado da cama. __ Nãooo!!!!! Mulderrr, nãooo!!! Sharon tentou agarrar-lhe os braços, mas era como se ela estivesse possuída por uma força maior. Juan e Michael sobrepujaram o peso de seus corpos sobre ela, tentando segurá-la, mas não conseguiam diretamente. George fitava a cena com olhos vítreos, traído pelo próprio corpo que recusava-se a reagir. __ George!!! Te mexe criatura!! Injeta algo nesse soro antes que ela arrebente tudo aqui!!! Georrgeeee!!!!! Scully continuava gritando, esperneando, tornando-se incontrolável mesmo aos dois homens que a seguravam. __ Anda logo!! Não consigo segurar!! - gritou Juan Segundos depois, o corpo de Scully amoleceu, e seus batimentos caíram quase que derepente. Seu olhar tornou-se apático, com o rosto parecendo flácido. Juan e Michael recolocaram-na deitada na cama novamente. Encontrava- se acordada ainda, porém em total torpor. __ Eu..quero morrer..... - disse Scully, em um fio de voz tão baixo que Sharon precisou aproximar o rosto dos lábios dela. __ Calma Dana, foi um pesadelo - aliviou Desireé. __ Não...Não...mataram-no..eu vi..senti..eu sabia.. __ Espere, você não está raciocinando... __ Por favor...tem algo errado aqui...ele sabia.. O grupo entreolhou-se automaticamente. Desireé procurava acalmá-la, mas a alvidez dos olhos absurdamente azuis a desconcertava de certa maneira. A sinceridade expressa neles chegava a ser dolorida. Sharon alcançou as mãos de Scully, mas percebeu algo que não tinha visto. Marcas profundas lhe rodeavam os punhos, e suas mãos ainda tinham uma coloração arroxeada. Sharon fez um sinal para George e Desirré, mostrando o que vira __ Mas como...teríamos visto!- pigarreou George - Seriam as roupas para mergulho profundo que a marcaram assim? __ É possível... - racionalizou Sharon. Perceberam que somente eles encontravam-se na sala. O grupo C16 retirara-se sorrateiramente. Desireé afastou a camisola hospitar que Scully vestia, subindo-a sobre as pernas. Ambos viram catatônicos marcas toscas, entumecidas, adornando a pele alva. Nos tornozelos, manchas arroxeadas arrefeciam do mesmo modo que nos punhos. ...................................................... ALGUMAS HORAS DEPOIS Apesar do silêncio esmagador imperar até aquele momento, ela necessitava levantar- se, seguir a procura, entretanto, sentia que seu corpo era puxado para o abismo por centenas de toneladas. O mero esforço de erguer a cabeça incutia em um estranho e dificultoso baile de seus músculos. Mesmo sendo arrefecida de dores, abriu os olhos. Apenas nebulosas e brilhantes imagens formaram-se em sua fronte, junto com os sons abafados e cacafônicos, como se uma velha fita cassete estivesse sendo reproduzida em velocidade lenta, deformando debilmente as vozes ao redor. A tremenda cefaléia que lhe atingia todos os lobos cranianos parecia incidir lentamente sobre todos os seus músculos, como uma corrente maligna percorrendo suas artérias e veias desmedidamente, ausente de algo que lhe impedisse. __ Ela parece estar acordando. Dana...Dana? - chamava delicadamente Desireé. __ Por pouco que...... Sharon, quero novamente um resumo do que realmente aconteceu lá fora. - pediu George. __ Quando ela desmaiou, o localizador voltou a funcionar e pude voltar. Aumentei o fluxo de oxigênio na bomba, de forma que a fizesse respirar à força. Quase que a perdemos. O som das vozes recendia em seus tímpanos com vários decibéis a mais do que precisamente tinham. Não distinguia realmente, mas percebia serem vozes conhecidas. Em súbito, Scully jurou ouvir o tom rouco e lastroso que ao longo de anos ecoava na balbúrdia da sala do porão onde trabalhava. __ Mulderrr !!!!!!!! Sharon e George postaram-se ao lado dela, lhe segurando os braços com força, porém, não rudemente. __ Onde ele está? Preciso saber! Por favor!! Desireé lhe tomou o pulso, e percebeu a arritmia. O corpo frágil estava em choque. Alcançou uma seringa e despejou o conteúdo no soro administrado. __ O que estão fazendo? Estão querendo me matar!! Mulder!!!!! __ Calma Dana, isso é para você se acalmar. - dirigiu-se Sharon. Em segundos, ela sentiu um breve formigamento em seu braço direito, logo espalhando-se pelo corpo. Aos poucos, ela sentia a torpência lhe atingir o corpo. Percebeu realmente estar quase fora de controle. __ O que aconteceu? - interpelou Scully Os quatro fitaram-se apreensivos. Scully recordou-se do acontecido horas antes, tanto quando esteve fora com Mulder e Sharon, como quando presenciara o momento de tortura. Não fora sonho. Ela sabia. Direcionou os olhos para os pulsos e divisou as marcas profundas. Levou a mão à nuca, e não sentiu o pequeno volume. Seus olhos arregalaram-se, enquanto Juan e Sharon preparavam-se para segurar outro ataque. __ Por favor Dana, de novo não!!! - Juan sobrepujara um tom quase desesperado a voz. Scully levou as mãos espalmadas aos olhos, tentando conter as lágrimas. Sentia- se fraca, desistente. __ Eles tiraram tudo de mim...eu sei o que aconteceu..essas marcas...lembro de tudo! Não diretamente das experiências, deveria estar desacordada. Mas quando recobrei a consciência, vi onde me encontrava, e vi também a Mulder! Tiraram o meu chip, mataram-no...não tardarei a desfalecer... __ O que??? - perguntou Juan, confuso - Eles? Eles quem? Chip? Que chip? O que está falando Dana? __ Não poderia contar a vocês...me tachariam de insana, pois não acreditariam. Eu, sendo médica, procuro explicações plausíveis para tudo o que acontece com Mulder e eu, mas nem sempre encontro! A sensação de impotência me embarga, e eu percebo o quanto somos insignificantes diante da grandiosidade de fatos misteriosos que nos rodeiam! Mulder sempre teve razão, eu que não me dispunha a acreditar!!! - Scully continuava com o olhar baixo, evitando encarar os outros. Juan demonstrava sinais de impaciência. De algum modo, lembrava Mulder com sua impulsividade. __ Ei, espere aí! Fala como se trabalhasse com ele! O que quer dizer? E o chip? Scully inspirou longamente, buscando oxigênio. Não poderia revelar a sua identidade. Ela curvou-se na cama, expondo a nuca para eles. Podia-se ver um pequeno corte, quase imperceptível na base do pescoço. __ Aqui, nesse local, eu tive um chip implantado. Certa vez retirei-o, e uma neoplasia agressiva de origem desconhecida formou-se, metastizando-se rapidamente. Só consegui a cura com a recolocação do mesmo. __ Incrível! Mas.... __ Sim, não sei explicar. A tecnologia empregada no chip é desconhecida. Todas as tentativas de análises mais profundas fracassaram, geralmente impedidas misteriosamente - Scully percebeu que não tinha completo controle de suas faculdades mentais. Estava falando demais. Provavelmente o produto da substância administrada. Precisava controlar-se. Seu olhar perdeu-se na imensidão de seus pensamentos confusos, retratando paradoxalmente os fatos recentes, entretanto, misturados a outros do passado. Os ladrilhos do caminho a percorrer pareceram se perder no infinito de sua mente. .................................................. NÍVEL 3 - LAB 3 - ÁREA DOS SUBMARINOS 6:56 PM Apesar do silêncio profuso que englobava a mente da maioria dos presentes, a balbúrdia de sons mecânicos inundava o enorme laboratório, distraindo o clima tenso que se formara. O grupo C16 estava em vias de partida, deixando o C17 sozinho. Levaria consigo o relatório da morte de Giovanni, pois, apesar de terem mandado mensagens de ajuda, não houvera resposta. Os aparelhos todos funcionavam, todavia, pareciam restritos somente à área de Atlântica, como se algum impulso eletromagnético circulasse a estação inteira, impedindo que os sinais dali saíssem. __ Estamos prontos, câmbio. - a voz metálica saía pelas caixas dos computadores. O C16 encontrava-se dentro de um dos submarinos, já prontos para a saída. __ Ok, verifique a propulsão e as válvulas, conjuntamente com o nível de oxigênio. - mecanizou George. - Sei que essas máquinas são automáticas, mas nada como a mão humana para a verificação se rotina. - continuou ele. Scully encontrava-se encostada a uma das paredes metálicas, e tinha uma das mãos sobre a nuca, alisando-a continuamente. Lágrimas insistentes escorriam apertadas dos olhos, que ficavam de um azul transparente em contraste à córnea avermelhada. A simples menção da retirada do chip lhe provocava um pânico interno que ela continuamente reprimia. Tinha a nítida sensação de que suas células tornavam-se rapidamente malignas, alterando as mitoses, e logo espalhando- se com sua ânsia devoradora por seu corpo. Não poderia deixar-se dominar pelo desespero. Precisava encontrar Mulder. Sensações estranhas lhe dominavam, sobrepujando em seus pensamentos imagens de pesar e dor. Pensou em analisar a água administrada na estação. Mas achada a idéia um absurdo. "Estou enlouquecendo", pensou. __ Dana, você está bem? A voz rouca de Juan despertou-a do momento de divagação. Ele parecia realmente preocupado com ela, ao mesmo tempo que fascinado. Sua maneira de sentir os fatos novos, quase infantil, lembrava-lhe Mulder. A simples menção de perdê-lo fê-la sentir pontadas nauseantes na parte superior do estômago. __Um pouco nervosa, mas tudo bem. Alias, o que me injetaram? Estou apática, mas meus músculos estão pedindo esforço! __ E eu sei? Não sou médico!! Foi Sharon que providenciou tudo. Ela disse que antes de tornar-se astrônoma, havia feito medicina. Desistira depois de 1 ano de residência. __ A.... Sharon? __ Algum problema? __ Não...nada. George aproximou-se, chamando-os para a plataforma à beira da piscina. O submarino lentamente passou a descer do alto. Quando encostou na superfície da água iluminada, pareceu chiar como um pedaço de carne em uma chapa quente. George, Juan, Sharon e Desireé tinham as expressões clonadas. Scully lançava o olhar para o seu infinito mundo interior . De repente, uma corrente gelada pereceu por suas costas, provocando-lhe um breve arrepio. Ela esfregou o corpo com os braços, como se quisesse aplacar a brisa, mas não era bem isso. Era um torpor estranho, que lhe atravessava o corpo. Um barulho metálico recindiu abafado mais ao longe, tanto que somente Scully pode ouvi-lo, já que não prestava atenção no submarino que agora encontrava-se quase que completamente submergido. Ela voltou os olhos para trás, mas apenas divisou as portas de acesso aos outros níveis, alguns computadores, minisubmarinos e uma série de parafernálias eletrônicas. Pensou estar imaginando coisas. O barulho se repetiu, agora mais alto. Scully retesou o cenho, voltando o corpo em direção do som. Parecia ouvir alguns gemidos, muito ao longe. A passos lentos, para não chamar atenção dos outros, foi em direção à portinhola de acesso à subsala, onde estivera com Mulder e Sharon. Sentiu-se tonta com a lembrança dos pensamentos. Estaqueou, observando, mas nada ouviu. Quando voltou o corpo em direção ao grupo, a portilhola abriu-se rapidamente. Scully, juntamente com os outros, voltaram o rosto assustados, enquando viam estarrecidos Mulder entrar pela abertura. Ainda vestia as roupas para o mergulho, mas tinha os cabelos molhados. Seu olhar vítreo e arregalado denotava pânico, estranhamente assustador. Scully nunca o vira assim. __ Mulderr!!!!!! Mulder correu até um dos terminais computadorizados, ignorando os olhares confusos do grupo. Estava fora de si. __ Mulder, o que aconteceu? - Largou Sharon. Scully dirigiu-se até ele, com uma raiva incompreensível. Puxou-lhe pelo braço, fazendo-o virar o corpo na direção dela. __ Pois bem Mulder, quero uma boa explicação! - Scully sentiu-se estranha com o próprio ato, já que tinha vontade apenas de abraçá-lo e chorar pelo desespero que passou com o sumiço dele. Mulder soltou-se dela com violência, empurrando-a com força, fazendo-a cair no piso duro. Scully retesou-se com medo. Não o reconhecia. Poderia dizer que não era Mulder quem encontrava-se ali. Ele digitava velozmente nos teclados, apertando botões desconhecidos para a maioria. George arregalou os olhos em pânico. __ Nãããoo!!! Não pode fazer isso!!! Mulder continuava, em ritmo alucinado. George correu até ele, esbarrando em Juan e derrubando-o. Chegando a Mulder, sentiu sua maxila deslocar-se com o golpe. Mulder adiantara-se, dando-lhe um murro violento no rosto. George caiu completamente zonzo, tentando localizar-se no tempo e espaço. __ Não...vai matar... __ Mulder!! O que está fazendo!!! - Scully começava a desesperar-se. __ Quem você pensa que é, ô rapozão? O líder da matilha? - Juan dirigiu-se até Mulder, galopante. Mulder virou-se e desferiu um golpe nele, porém, errou. Juan fez o mesmo, acertando em cheio no rosto de Mulder, entretanto ele pareceu não sentir. Mulder novamente sobrepujou um golpe, acertando no estômago de Juan, que caiu gemendo. Voltou novamente para os teclados, estranhamente ignorando os protestos . Scully presenciava a cena apavorada. Com certeza não era ele quem estava ali. Correu até a porta dos níveis, tencionando chegar ao centro médico. Juan continuava gemendo no chão, quase sem ar. George levantou-se. Viu que seria melhor o diálogo. Tinha que contê-lo. Vidas estavam em suas mãos. __ Por favor Mulder, não ative a sonda de emergência! Mulder ignorou. __ De onde tirou os códigos? Só um do grupo realmente tem acesso ao código, e esse alguém sou eu! Irá matar a eles e a nós também!! Neste instante, Scully irrompeu na sala. Tinha uma seringa na mão. Mulder corria os olhos freneticamente do teclado para a tela. Finalmente parou de digitar, e apertou um dos botões do painel. Todo o perímetro da estação foi iluminada com uma cor amarelada. Das janelas do LAB 3, onde encontravam-se, puderam ver o submarino que subia lentamente desintegrar-se em uma grande massa compacta e esbranquiçada, revirando a água ao redor como grandes nuvens que espalhavam-se, logo depois voltando-se para o interior de si mesmas, ocasionando uma segunda explosão, violentíssima, que estremeceu a estação inteira. NO mesmo instante, o segundo submarino soltou-se da plataforma, caindo na piscina, e sumindo da iluminação. Mulder levantou da cadeira, com a mesma expressão aterrorante. Voltou-se para Scully, mas não tivera tempo de falar. Alguma coisa arrefeceu em sua cabeça, cortando-lhe as sensações. Juan empunhava um cilindro de extintor de incêndio, e golpeou Mulder mais uma vez, que não reagiu. __ Juan!!! Você o matou !! Scully viu no mesmo instante o brilho que sempre enxergava nos olhos verde azulados. E logo depois, o mesmo esvaiu-se, dando lugar a uma pupila extremamente dilatada, ao mesmo tempo que via o corpo dele amolecer e estatelar-se no chão. Uma estranha clautrofobia tomou-a, dando-lhe a nítida sensação de que as paredes a esmagavam. Tencionava anestesia-lo ,no centro médico, para controlá-lo melhor. Mas agora era tarde demais. ............................................................. ........... UM DIA DEPOIS 10:40 AM GABINETE DE WALTER SKINNER A porta irrompeu-se com tamanha violência que Skinner deu um salto na cadeira, sobressaltado. Três indivíduos entraram enfurecidos pela sala, com a secretária atrapalhada atrás. __ Onde você meteu Mulder e Scully!!! - Frohike parecia espumar pela boca. __ Com que direito... Frohike dirigiu-se até a mesa de Skinner, puxando-o pelo colarinho com força, de modo que quase encostavam os narizes. __ Você os colocou em sua sentença de morte!! Traidor!!! Skinner desvencilhou-se dele, e tentando manter a calma, pediu para que sentassem. Olhou para a secretária, que rapidamente fechou a porta atrás de si. Byers tentava acalmar Frohike. __ Senhor Skinner, onde colocou Mulder e Scully? Skinner envergou-se na cadeira. Apresentava-se visivelmente perturbado. __ Atlântica. __ O quê??? __ Calma, por favor. É a estação experimental subaquática Atlântica, na Challenger Deep. __ Mas qual o caso? Para que foram designados? - falou Byers. __ Para...mas porque perguntam? Aliás, como chegaram até aqui? Langly passou uma das mãos sobre a testa, retirando o suor. __ Recebemos uma mensagem de Mulder a alguns dias, antes da partida. Nos disse, meio por cima, que o objetivo principal era o resgate de um grupo de cientistas. __ Sim, é verdade. O grupo anterior havia ficado preso em um dos níveis da estação, e precisávamos ver se tudo ocorrera bem. __ Mas onde está a droga de Arquivo X nisso!!!!! - esbravejou Frohike. __ Pode me dizer qual é o motivo desse nervosismo todo? Frohike levantou-se, derrubando a cadeira. Tirou um papel do bolso da jaqueta, quase esfregando-o no rosto de Skinner. Ele alcançou o papel, que encontrava-se amaçado, com letras maiúsculas: " NÃO SEI ONDE ME ........ALGO CRESCE AQUI.......RESGATE URGENTE.... PERIGO....SALVEM OS TRIPULANTES ANTE...SALVEM SCULLY......... MULDER __ Mas o que significa isso? - conjeturou Skinner __ Recebemos um sinal estranho ontem à noite. Não sei como veio parar aqui, mas com certeza alastrou-se por todo o mundo. Estava decodificado. Porém, Mulder e Langly viviam jogando com códigos entre eles. Langly reconheceu e transcreveu. Deu nisso aí. - falou Byers - como a transmissão sofrera interferências, não conseguimos traduzir tudo. __ Tem certeza do que está escrito? Como sabem ser Mulder? __Temos certeza absoluta. E Mulder ainda não conseguiu terminar. Possivelmente por que algo o impediu. Pediu para salvarmos o resto. O que me diz disso? __ As circunstâncias para que foram designados não são interesses de vocês. Sabem que também sou subordinado aqui, portanto, não sei realmente. Mas levarei essa informação adiante, e veremos o que podemos fazer. Frohike mais uma vez levantou-se da cadeira, porém, Langly segurou-o. Olhava para Skinner fuzilando-o de ódio. Os três retiraram-se da sala. Skinner esperou até a porta fechar, para deixar o pânico perecer. Começou a suar frio, sentindo a umidade molhar a camisa em ambas as axilas. Alcançou o fone e discou um número. __ Eu sabia que iria ligar - respondeu calmamente a voz. __ Agora eu quero saber qual o motivo para mandar os dois para lá! Os Três porquinhos receberam uma mensagem de Mulder, dizendo estar em perigo! O que tem lá, seu desgraçado! __ Nem ao menos sabemos, senhor Skinner. Porque acha que Mulder e Scully foram para lá? Para descobrir! __ Como não? Vocês sabem tudo! Os mandaram justamente de cobaias para propósitos escusos! Mandarei equipes de busca para retirá-los de lá! __ Faça isso senhor Skinner. Temos um rato sedento por sangue coagulado aqui. Não esqueça que sua vida depende de minha paciência. Não me subestime. E a ligação foi cortada. .................................................... 2 DIAS DEPOIS CENTRO MÉDICO __ Rápido, desfibrilador!!!!200!! - gritou Scully - afastem-se. Scully esfregou os dois terminais do aparelho, encostando no peito nu de Mulder. Ao receber a corrente, o corpo subiu violento ao contato da corrente, ao mesmo tempo que os braços balançaram-se debilmente. Scully levou os olhos ao pequeno visor dos batimentos, mas apenas divisava um linha reta. Uma leve vertigem pereceu em seu corpo. Parecia sentir a aorta pulsar em sua boca. __ 300!!! Repetiu novamente . Pingos de suor caíam sobre a pele pálida de Mulder. Desireé tinha lágrimas nos olhos, enquanto roía as unhas nervosa. Um leve pulsar moveu a linha do aparelho, que apresentou um batimento fraco. __ Pressão subindo. Scully continuou com o aparelho nas mãos, trêmula, prevendo outro ataque. Subiu as pálpebras de Mulder. A pupila tomava a íris inteira, e o verde dos olhos não aparecia. Não tinha reação com a luz. Isso fazia Scully sentir seu cérebro formar um caleidoscópio de imagens passadas, torturando-a com a premissa. Geralmente esse sinal indicava lesão cerebral. Evitava pensar nisso, porém, lhe vinha a maior parte do tempo, tal fato que ela escondia-se continuamente no banheiro para expurgar o desespero. Não queria acreditar no que acontecera. Não entendia por que Mulder teria feito aquilo. Agora eles estavam presos na estação. O impacto da explosão os deixara com o gerador, que somente gerava força para as luzes e o centro médico. Os computadores não funcionavam. Não poderiam pedir ajuda. George, mesmo nervoso, tranquilizara a todos, dizendo que, como o submarino com o C16 não subira, eles tentariam comunicação. Vendo que não funcionava, acionariam as equipes de busca. Mas isso levaria alguns dias. __ Droga Mulder...droga... - Scully sentou na cadeira ao lado da cama, e apoiou a testa sobre o peito de Mulder, deixando as lágrimas escorrerem - porque agiu daquela maneira? Mulder, acorda!! Juan a fitava com condolência, e Desireé aninhava-se em seus braços. Sharon jazia sentada do outro lado da cama, apertando as mãos de Scully. George não estava com eles. Provavelmente estaria mediando esforços em algum laboratório tentando religar os computadores. __ Dana, vamos dormir. Você está desfalecendo, não dorme a três dias. Deixe que eu fico com ele aqui - disse Juan. __ Ah é? Para terminar de mata-lo??? - Scully lançou um olhar glacial para o mexicano, cheia de ódio. - e também não tenho sono. __ Vá Dana, deixe-me com Mulder. Quase formei-me médica, trabalhei um ano na emergência. - relatou Sharon. __ Não!!!! Será que eu preciso dizer 300 vezes que eu não quero dormir!! Quero ficar com ele! E só descansarei quando ele acordar!! __ Dana... - relutou Sharon - sabe que nessas condições...ele.. ..provavelmente não voltará.. Scully levantou-se ríspida da sala, empurrando os três porta afora. __ Não, Mulder não está morto!!! Ele não é um vegetal! É mais forte do que isso! Parem de agourar as minhas esperanças! Me deixem sozinha!! Sumam daqui! E bateu a porta com força. Voltou para a cama. Olhou novamente para Mulder. Pálido. Imóvel. Da mesma maneira que o enxergara naquele sonho. "sonho? Não fora sonho..." Seus olhos inundaram-se de novo, e ela abraçou o corpo inerte. Soluçava em espasmos, apertando Mulder contra si. O calor que emanava do corpo dele alimentava suas esperanças. Ela sabia o que Sharon dissera. Provavelmente Mulder nunca mais acordaria, tendo seu estado agravado a cada dia, precisando ficar ligado aos aparelhos para viver. Um vegetal.. Mas ela não queria acreditar nisso. E não podia. Aconteceram tantos fatos bizarros em tão pouco tempo que ela recusava-se a dar esse prognóstico. "Ele ainda respira por si. Isso indica que não há morte cerebral..."pensou .Entretanto, sua intuição médica torturava-a com a verdade. Puxou uma cadeira e encostou-a na cama, de forma que pudesse ajoelhar- se ao lado dele. Retirou sua corrente, colocando-a entre as mãos unidas de Mulder, com as dela por cima. Precisava orar. Desesperadamente. Só Deus poderia ajudá-la agora. Sua única esperança. Sua única providência. ............................................... A brisa perecia sobre seu corpo, dando-lhe a sensação de liberdade. O vento transpassava seus cabelos, de modo que um leve sorriso lhe aparecia nos lábios. Sentia-se livre. Totalmente. Mas algum fio o prendia a algum lugar, que ele não sabia dizer onde. Abriu os olhos e avistou um grande campo aberto. Sentia cheiro de flores, entretanto, não as enxergava. Olhou para o céu e viu maravilhado os tons violáceos que se formavam, misturando-se ao azul predominante. A passos lentos, caminhava sobre a grama extraordinariamente fofa, e isso lembrava a sua infância. O ar puro adentrava-lhe os pulmões quase que ferindo-os, acostumado à torrente poluída da cidade grande. De súbito, sentiu como se alguém lhe sacudisse os braços, apesar de não avistar coisa alguma. Ele queria ficar ali. Mas algo lhe pedia para que voltasse. "Voltar para onde?" pensou. "Para aquele submundo sujo ? Nunca". Levantou-se e continuou caminhando, agora mais rapidamente. Não quis olhar para trás, e a cada passo que dava, a sensação de amarras desaparecia. Rumava para um mundo novo. O passado agora jazia em algum lugar obscuro de sua mente. ............................................................. .. Scully adormecera sobre o peito de Mulder. Não sairia dali por nada, precisava zelar por ele. Acordou sobressaltada com o zumbido estridente. O aparelho dos sinais vitais apenas apresentava novamente a assustadora linha reta. Seus músculos contraíram de repente. Verificou se ele respirava. Nada. Começou a massagem cardíaca, alternando com a respiração. Mulder não reagia. __ Droga, seu desgraçado!! Você não vai morrer, entendeu! Não por que eu não vou deixar! Quer o paraíso é! Pois não vai ter agora! Tentou mais uma vez, mas a tentativa fora inútil. Percebeu as vias aéreas obstruídas. Não haveria tempo para entubá-lo. Scully foi até a bancada de instrumentos e alcançou um bisturi e um cano plástico que jazia pendurado em um suporte de soro. Foi até Mulder e fez uma pequena incisão no pescoço, logo abaixo da proeminência faríngea. Pegou um pequeno cano e inseriu na abertura. Começou a massagem cardíaca novamente. Um bip apareceu na tela do aparelho, seguido por outro. Scully permitiu-se cair sobre a cadeira. Seus músculos tencionaram-se tanto que pequenas cãibras lhe atingiam o corpo. Sentia as carótidas pularem sob a pele do pescoço, tamanha era a taquicardia. __ Não foi desta vez Mulder. E não será enquanto eu estiver aqui! Ela levantou, puxando os braços dele. __ Mulder, eu sei que podes me ouvir. Sempre me falou que pessoas em coma podem ouvir, mesmo isso sendo cientificamente improvável. Por favor, não desista! Não é você que sempre luta, não desiste até encontrar sua verdade? Vai desistir agora é? Não, você vai acordar, vai porque eu preciso de você! Ela sacudiu o corpo inerte quase que com raiva. Em desespero. George e Sharon adentraram a sala. Quando perceberam o estado de Scully, correram até ela para impedir. Estava descontrolada. __ Por favor Dana, vá se deitar! Está ficando neurótica! __ Vocês, sumam daqui! Ele precisa de mim! Somente eu posso trazê-lo de onde ele se encontra! __ Mas Dana... - resitou Sharon. Scully apenas fuzilou-os com os olhos inchados. Sharon puxou George para fora da sala. __ Deixe ela...está entrando em psicose traumática. Ela no fundo sabe que ele não mais acordará. Mas não quer acreditar. __ Não podemos deixar ela assim! __ Deixe... ................................................. ALGUMAS HORAS MAIS TARDE... Scully encontrava-se sentada ao lado de Mulder, mexendo delicadamente em seus cabelos castanhos. Os sinais estavam normais, e ele respirava por si, porém, mais lentamente. Por ela, jurava que Mulder apenas dormia profundamente. Curvou-se e o abraçou. Suas mãos passavam de leve pelo rosto dele, enquanto ela dizia palavras carinhosas em pensamento. Sentiu um leve retesamento de algum músculo sob suas mãos, o que ocasionou-lhe reflexo, dando um pulo para trás. __ Mulder??? Ele revirou de leve a cabeça, fazendo uma careta. Scully esboçou um sorriso cheio de alívio, enquanto derrubava lágrimas. __ Scully...... Ela o abraçou novamente, beijando sua testa, e logo depois seus lábios. Pode ver novamente o brilho nos olhos verdes transparentes. O brilho que ela conhecia. Que lhe transmitia tudo o que ele não dizia em palavras. __ Mulder...se você morresse...eu ia atrás para te matar de novo! __ Mesmo? Então deixa eu morrer.... Ela lhe deu um tapinha carinhoso. __ Pára! Não brinca com isso! Tive até que brincar de legista com você! __ O quê? Scully pegou uma das mãos dele e levou até a pequena incisão no pescoço. __ Scully! Você me autopsiou! __ Cale a boca Mulder! Será que só sai besteira daí é? Não precisa temer não. Suturei com carinho, não vai ficar marcas! __ Sim, essas suas mãozinhas são milagrosas... Santa Scully...meu anjo... Ela o fitou com olhos cheios de lágrimas. Mulder apoiou o corpo na cama, ficando no mesmo nível de Scully. Levou um dos braços até o pescoço dela, trazendo- a para si. Scully percebeu novamente seu corpo responder involuntariamente. Chegou a sentir a temperatura quente dos lábios dele sobre os seus, mas no mesmo instante Sharon e Desireé adentraram na sala. Scully desvencilhou-se rapidamente, lançando- lhe o mesmo olhar que ele um dia vira no corredor de seu prédio. Sharon não disfarçou o desgosto. Desireé sorriu e correu até eles. __ Mulder! Mas como.... __ Não se dirija a mim...se não fosse Scully, não teriam o estranho Mulder aqui de novo! Desireé correu em direção ao LAB 1, onde Juan e George se encontravam. Sharon dirigiu-se até eles. Tinha vontade de abraça-lo, mas a cena que vira a pouco lhe tirara a coragem. __ Mulder... sinceramente, isso foi quase um milagre! Teve paradas cardíacas e respiratórias...e agora, está aqui de novo! __ Sim Sharon, mas agradeça a Scully. Scully tornou a olhar para ele, porém sua expressão era preocupada. Mulder sabia que ela deveria lhe contar algo. __ O que foi Scully? Ela fitou Sharon, que revidou com a mesma expressão. __ Mulder.... - ela se aproximou, tocando as mãos dele, que brincavam com a corrente dourada - lembra-se de como veio parar aqui novamente? Mulder fechou os olhos e o turbilhão de imagens transpassaram desconexas em sua fronte novamente. Quando abriu-os de novo, Scully divisou a mesma expressão que vira nele lá em baixo. Suas pernas estremeceram. __ Não Mulder, de novo não...não tenha outro ataque... Mulder sobrepujou as mãos sobre a cabeça, como se quisesse lembrar. __ Droga....vejo algo, mas não lembro realmente. Ele levantou-se tão rapidamente da cama que não percebeu que estava nu sob os lençóis. Seu rosto avermelhou, enquanto puxava o lençol azul para se cobrir. Sharon fez uma expressão curiosa, depois esboçou um sorriso que Scully entendeu o significado. Scully sentiu os capilares do rosto hiperemiarem, deixando sua face quente e vermelha. __ Mulder! Fique deitado! Poderão haver seqüelas que ainda desconhecemos! Não quer que... Mulder saiu correndo pela sala, em direção aos dormitórios. Scully foi atrás. Sharon continuava com a mesma expressão abobada. __ Onde vai Mulder? Volte para a cama...o que está fazendo? __ O que você acha? Não vou andar com o "bicho solto" por aí né Scully! E não quero comentários sobre o meu traseiro branco! __ Mulder...preciso falar com você... __ Sim, estou te ouvindo. Ele caminhava tão rápido que ela resfolegava alguns metros atrás. __ Espere...mais devagar... __ Não temos tempo Scully...algo me diz que devemos sair daqui imediatamente! __ Mas o que realmente aconteceu? __ Eu não lembro realmente... __ Precisamos saber Mulder!!! George pedirá explicações de seus atos!! Mulder parou e fitou-a confuso. Scully viu o que temia em seus olhos. ............................................ 8:54 PM LAB 1 Depois do silêncio, apenas a voz de Mulder imperava ecoando no laboratório. Rostos contraídos prestavam atenção, perscrutando as palavras de Mulder. __ O quê?? Não lembra??? - soltou Juan, furioso. __ Queremos explicações para o que fez! Onde esteve? O que aconteceu lá em baixo!!! Tivemos percas honerosas por sua causa!!! Mulder o fitou com discórdia e raiva. __ Do que você está falando George? __ De que temos um psicopata aqui entre um grupo de pessoas normais!! Corremos perigo com você aqui!!! Mulder levantou-se da cadeira, jogando-a longe. Caminhou furioso sem direção. Scully foi atrás. __ Mulder...preciso ter mostrar uma coisa..venha.. Scully puxou Mulder para o segundo nível, no Lab 2, na área de laboratórios biológicos. __ O quer me mostrar Scully? Estão me taxando de maluco! Daqui a pouco vai me anestesiar de novo, preferindo que eu fique em coma! __ Mulder...lembra de Giovanni? A forma como morreu? __ Claro...se afogou com água salgada, além de Ter toxinas no corpo, marcas estranhas e "estragos internos" devido ao esmagamento, mesmo sendo isso "impossível"... __ Isso mesmo. Mulder...não sei dizer como isso aconteceu a ele...mas aconteceu alguma coisa comigo...mais de uma vez...e acredito que com Sharon e Desireé também. Scully dirigiu-se até um armário de arquivos, retirando alguns papéis. __ Mulder...não sabe a força que tenho que fazer para te mostrar isso, mas devido as circunstâncias, acredito ser necessário - ela esticou o braço e lhe entregou uma pasta - olhe isso. __ O que é? - Mulder olhou os papéis, confuso - eu não sei o que significa Scully. __ É.. - ela tomou fôlego - ..um teste para verificação de...esperma. __ Tá, e aí? __ Mulder... - Scully sentou em uma das cadeiras - esse esperma é seu. __ ãh??? __ Verifiquei também com os fios de cabelo que encontrei. São todos seus. __ Do que você está falando Scully? __ Bem...lembra quando olhei o seu ombro, quando você me chamou para olhar os sinais que tinha recebido? __ Sim...você me olhou muito estranha...e ficou estranha o dia inteiro. __ Pois bem..não sei como te contar isso..por favor, não brinque. Naquela noite, eu presenciei um momento estranhamente real. Depois, me dirigi aqui no laboratório e me examinei..... __ Scully...é isso que eu estou pensando....??? __ Sim, eu tirei suas secreções de mim mesma. Mulder arregalou os olhos e pendeu a mandíbula, incrédulo. Colocou as mãos na cabeça, começando a rodar em torno de si. __ Mulder.... __ Scully, pelo que você disse, sonhou que ..... fez amor comigo? Ela engoliu em seco, envergonhada __ Não foi sonho Mulder. Aconteceu. Realmente. Retirei fios de cabelos seus espalhados pelo meu carpete e na cama. Tudo o que "aparentemente" sonhei refletiu em meu quarto quando acordei. E como seu esperma foi parar em mim? __ Não foi eu Scully, me desculpe! Passei a noite tentando contatar os pistoleiros e monitorando os sinais! Quisera ser, mas não foi! __ Também não entendo. Com certeza são partes biológicas suas, mas não sei como foram parar lá. Mulder, estou enlouquecendo! O que está acontecendo aqui??? Mulder encostou um dos braços na parede, e com o outro sobre a testa, fazendo expressão de raciocínio. Scully o fitava confusa, enquanto Mulder caminhava de um lado para o outro, gesticulando para si mesmo, parecendo realmente insano. __ O que está fazendo Mulder... __ Não pode ser....Scully...clones? __ Não Mulder!!!!!! Eu pensei nisso quando você teve aquele ataque lá em baixo! Iria anestesiá-lo, mas Juan foi mais rápido. E não era clone!! Era você!! __ O que eu fiz lá em baixo Scully? E o que tem Juan? __ Ai meu Deus...George não vai gostar disso... ......................................................... O silêncio de segundos foi rompido com a explosão de George. __ O quê você está fazendo! Nos apavorando com relatos de ficção científica!!! Juan estava hipnotizando pelas palavras de Mulder. Parecia estar ouvindo uma história de terror, ao redor da fogueira, comendo marshmallows. __ Continue Mulder - disse Juan, empolgado. Mulder foi até ele, levantando-o pela camiseta. __ Está caçoando da minha cara!! O que pensa que falei?? Não estou brincando!! Isso não é uma histórinha de adolescentes com os hormônios a 1000!!! Juan soltou-se com um empurrão. __ Ah é? Pensa que iremos acreditar nisso? __ Espere! - gritou Sharon - Lembrei de um detalhe que talvez permute o que ele disse. Quando Dana teve um colapso, a trouxemos para o centro médico. Ela teve espasmos, e acordou em pânico. Nos relatou uma cena fantástica, que não acreditamos, até vermos com os próprios olhos as marcas em seus pulsos e nuca. É como se ela realmente presenciasse o que sonhara. E Giovanni? Como morreu? Tive sonhos estranhos, que foram espantosamente reais. E não estava dormindo, pelo que lembro. Não sei o que há por aqui, porém, me parece que estamos tendo alucinações paranóicas, mutilando-nos a si mesmos, sem perceber, para mostrar que isso realmente aconteceu! __ Vocês estão enlouquecendo! E porque matou a tripulação do C16?- perguntou George. Mulder revirou-se na cadeira, retesando as sobrancelhas, confuso. __ Não entendi. George foi até ele, enfurecido, controlando-se para não esmurrá-lo. __ Seu desgraçado!! Vai dizer que não lembra o que fez lá em baixo!!! __ O que eu fiz? - disse Mulder, completamente sem entender. __ Você matou 7 pessoas!! Aliás, como conseguiu os códigos de acesso da sonda? __ Códigos? Sonda? Do que está falando? George iniciou um murro, mas foi contido por Sharon. Ela fitou Mulder, com calma. __ Mulder... não te contaram do acontecido? NO dia da partida do C16, você, ainda desaparecido, adentrou no laboratório e foi direto aos computadores principais. Tentamos intervir, mas você estava fora de si. Esmurrou Juan e George, e quase bateu em Dana. Não sei o que fez, mas ativou a sonda de emergência do submarino que partia, implodindo-o. Isso ocasionou na quase paralisação de Atlântica. Pior: ninguém sabe do código, apenas o líder da equipe, no caso, George. Depois de tudo quer nos dizer que não lembra? Mulder tinha a expressão pensativa que tanto Scully conhecia. Estava concentrado em seus pensamentos. __ Não tem nada a nos dizer Mulder? __ Scully....examine meu sangue. __ O quê? __ Rápido! Preciso confirmar o que estou pensando... ................................................ 8:57 PM - LABORATÓRIO CENTRAL BIOLÓGICO. Scully encontrava-se concentrada no microscópio, enquanto aguardava os resultados do exame de constituintes. __ Não Mulder...está normal. Não vejo nada. __ Precisa Ter Scully...e o outro exame? __ Ele mostra os constituintes sangüíneos, percentagens de células, essas coisas. Os resultados estão para sair. Enquanto isso, vá se deitar. __ Não, não posso dormir...Scully... tenque haver um dedo manchado de nicotina nisto! __ Não comece Mulder... __ Mas claro! Skinner não nos deu maiores informações deste caso! Com certeza nem ele sabia ao certo! Conjeturamos sobre o que seria, mas fomos obrigados a vir! Deve haver alguma coisa aqui que desperte o interesse do sindicato e... __ Aii Mulder!! - Scully olhou ríspida para ele, mas foi distraída pelo bip de um aparelho. __ Os resultados saíram Mulder... - os olhos azuis acizentaram - Mulder...você tem a mesma substância que Giovanni tinha no corpo! __ Mas claro Scully! Eu previ isso! A única coisa que não entendo são essas alucinações... - Mulder fitou-a com um olhar perscrutante - Scully, examine a todos nós. Se Giovanni tinha isso no corpo, e eu também, todos nós teremos. Só precisamos confirmar. E examine a água e o ar também. Precisamos saber de onde isso está vindo. ...................................... 16o Lat 146o Long PROXIMIDADES DA ILHA SAIPAN - ILHAS MARIANAS - OCEANO PACÍFICO SUBMARINO NOMOI A luz avermelhada, misturada a tons azulados, marejava os rostos dos tripulantes, dando-lhes formas cadavéricas. Vários sons entrecortados de bips inundavam o recinto baixo e escuro, repleto de terminais computadorizados. __ Eles descobriram? - Perguntou o mais jovem, de olhos verdes, com leve sotaque. __ Estão desconfiados, mas ainda não encontraram a principal causa. Scully está fazendo testes com todos eles, junto com água e ar. Mas o que predizem encontrar? - pigarreou um homem vestido de uniforme. __ É para isso que os designamos.. sempre desconfiamos que existia algo lá, alguma coisa. Sempre conjeturamos sobre o sumiço daquele protótipo. - relatou calmamente o homem de profundos sulcos - Há algo lá. De certa forma, ainda desconhecido. E provavelmente letal, que nos poria em perigo. __ Mas como? Temos o apoio "deles". Nada nos venceria. __ Como poderíamos saber? Pode ser algum tipo de plano de ataque oculto, ou até mesmo uma nova raça, totalmente desconhecida. - o homem alcançou o maço de cigarros e calmamente acendeu um. __ Quantas vezes eu disse que é proibido fumar aqui? Canceroso caminhou até um dos dormitórios diminutos, ignorando os protestos. "Apesar de não lembrar, agradecerá a mim pela ajuda que lhe prestei. Confio no preceito de seu antigo protetor... Não confie em ninguém....Mais uma vez o salvei. Agora é a sua vez de me ajudar, Mulder." ...................................................... 9:15 PM Scully encontrava-se no laboratório analisando o que Mulder pedira. Encontrara traços da substância no sangue de todos os tripulantes. __ Mas o que é isso?? Pensou em comparar as amostras recentes com as armazenadas na sala frigorífica. Tinha esperanças de encontrar a substância nos outros grupos também, além de analisar amostras mais antigas. Adentrou a sala fria, fechando a porta atrás de si. De certa forma, era grande para os padrões conhecidos. Tinha várias encubadoras, gavetas e tubos adornando as paredes, e a névoa esbranquiçada dava uma estranha sensação fantasmagórica. Demorou até encontrar as amostras desejadas. Dirigiu-se até a porta, e antes de sair, olhou pela janela de vidro. Seus olhos estalaram e ela sentiu os músculos pronunciarem diante a descarga de adrenalina. Involuntariamente, desequilibrou-se e caiu no piso coberto pela névoa branca. Sua respiração tornou-se entrecortada. Levantou-se cambaleando, totalmente zonza. Abriu a porta lentamente e sentiu o bafo quente que vinha do laboratório. O medo tomou-a por inteiro. O laboratório encontrava-se em completa desordem, meio as escuras, e grandes manchas vermelhas adornavam o metálico das paredes, reluzindo formas dantescas sobre os balcões. ............................................ 9:22 PM Mulder tentava em vão explicar para todos os outros quais os seus motivos para acreditar no que vinha dizendo. Tinha receio em revelar que ele e Scully eram do FBI, temendo uma reação agressiva de todos, mas não teve outra escolha. __ FBI???? O que o FBI está fazendo aqui? __ Scully e eu trabalhamos em uma divisão do FBI, chamada Arquivos X. São os casos inexplicáveis. Quando nos designaram para cá, tentamos relutar, pois não vimos Arquivo X nenhum. Agora vi que estávamos completamente enganados... __ Mas como... O relato de George foi quebrado pelo chamado estridente que vinha do laboratório biológico. __ Mulderrr!!! Mulder correu até o corredor que dava acesso ao laboratório, e no meio do caminho deparou-se com Scully. Seu rosto encontrava-se contraído em expressão refuta, em choque. __ Mul..Mulder...eu vi...estava quente...sangue... __ Calma Scully, me mostre o que viu. Scully arfava, tremendo. Levou Mulder até o laboratório. Quando adentraram a sala, ele a fitou curioso. __ O que foi Scully? Está tudo normal. O laboratório encontrava-se arrumado, como se nada houvesse acontecido. __ Mas...isso é impossível!! Eu vi Mulder, eu vi!!! Nesse momento os outros chegaram alarmados pelos gritos dela. __ O que aconteceu Dana? - perguntou Sharon. __ Me conte o que viu Scully - Mulder a fitou dentro de seus olhos, recebendo a segurança que precisa nos olhos verdes transparentes. __ Mulder...eu..eu encontrei traços da substância em todos vocês. Decidi verificar amostras de sangue mais antigas. Entrei na sala fria, peguei as amostras, e quando fui sair eu vi!!!!!! __ Me conte Scully - pediu Mulder, tentanto evitar de alarmá- la mais ainda. __ O laboratório parecia Ter passado em meio a um tufão!! Havia sangue por tudo!!! Mulder, eu não imaginei isso! Senti o calor, o cheiro horrível.. __ Essa não!!! Agora temos dois lunáticos por aqui!!! Era só o que me faltava!!! - pigarreou Juan. Mulder virou-se e o agarrou pela gola da blusa, quase levantando-o. __Juan...eu já cansei desses comentários que apenas dificultam as coisas. Se continuar assim, eu que irei afundar o cilindro de oxigênio no teu crânio! Cale essa boca! Ele virou-se para Scully, que o abraçou. __ Tudo bem Scully, acredito em você. Me disse que sentiu calor, isso? __ Sim, estava muito quente lá dentro quando saí da sala fria. __ Bem, você está cansada. Precisa descansar um pouco. .................................. ÁREA DOS DORMITÓRIOS 10:46 PM A suavidade transmitida pelas mãos que acariciavam seus cabelos delicadamente era única. Somente presenciava tais sensações com ele. Somente ele. Como poderia ele saber que apenas seu toque transmitia a ela toda a segurança e carinho que necessitava. Gostaria de ficar ali o resto de seus dias. Mulder encontrava-se sentado sobre a cama de Scully, e ela com as costas encostadas em seu peito, de forma que ele enlaçava os braços pelo corpo delicado. Uma das mãos acariciava o sedoso cabelo acobreado. Scully tinha a cabeça encostada no pescoço dele, com o olhar longe. __ Mulder...fiquei intrigada.. __ Não Scully. Deixe para amanhã. Tente dormir agora. - Ele baixou a cabeça e deu- lhe um beijo na têmpora. __ Não....não posso dormir Mulder.... Mulder calou-se por instantes. __ Scully...como foi que aconteceu? __ Aconteceu o que? __ Quando você sonhou comigo.. Ela sentiu que algo lhe embargava a garganta, junto com as maçãs da face que avermelharam. __ Tudo bem, se não sente-se confortável para tal, eu entendo. __ Tudo bem Mulder. Bem... - Scully pressionou a mandíbula - ... como eu te disse aquela hora, eu presenciei realmente o que te disse. Não sei como explicar, mas a memória permanece viva e pulsante em minha mente. Não tenho como negar isso. Mulder aproximou seus lábios do ouvido dela, falando baixinho, com a voz rouca. Scully sentiu seu corpo lampejar. Sua nuca eriçou-se. Lembrou-se da cena de tortura, e da possibilidade de terem lhe retirado o chip. __ Mulder.. - disse ela, receosa - olhe para mim se o chip ainda está aí. __ Porque Scully? - sussurrou ele. __ Olhe, por favor. Mulder passou os dedos de leve pela nuca delicada, sentindo que ela correspondia ao toque. Respirou fundo e tentou controlar os pensamentos que lhe permeavam a cabeça. __ Ainda está aqui Scully. Não se preocupe. Ela aninhou-se mais entre os braços fortes, pedindo proteção. __ Me abraça Mulder....me abraça forte. Preciso de você. Scully percebeu o calor emanar do corpo dele e envolvê- la. Sentia o cheiro masculino a embargar-lhe os pensamentos. De súbito, seu estômago contraiu- se em arrepios involuntários, quase nauseantes. Ela estaria entrando em espasmos? Não. Mulder a beijada de leve o pescoço. Cada vez que ele encostava os lábios em sua pele, ela tinha reações quase involuntárias que se corpo insistia em sentir. Queria controlar o que o que o mesmo pedia, mas estava difícil. Flashs da noite extasiante que tivera com ele dias atrás ainda pereciam torturando-a. Ela puxou o lábio inferior e apertou-o contra os dentes. Scully levantou o braço direito, enlaçando-o atrás da nuca de Mulder, puxando-o para o beijo inebriante. Mulder inclinou-se sobre o rosto dela, e quando encostou nos lábios rosados, parou por segundos, fitando o desejo nos olhos azuis. Mas logo tomou os lábios dela. Deteve-se primeiramente a percrutar somente os lábios rosados, cada milímetro, o gosto que sempre quisera provar. Mas logo percebeu que ela queria mais, e sentiu subtamente ela buscar sua boca quase com urgência. Scully não entendia o que se passava com ela, sobrepujando sobre o romantismo dele a vontade selvagem que ela tinha. Mas logo Mulder retribuiu em mesma intensidade, colando seus lábios aos dela, analizando cada detalhe da boca que sempre se mostrara misteriosa o suficiente para lhe despertar estranhos pensamentos. Scully enlaçava suas mãos pelo cabelo dele, com força, as vezes mordendo os lábios dele, tamanha era tensão que sentia. Percebeu que Mulder surpriendeu-se com o beijo quase violento que ela lhe sobrepujava, mas ela precisava exteriorizar tudo o que sentira, até a raiva que muitas vezes lhe cegara, o ciúme que Mulder muitas vezes parecera provocar. Mulder entornava as mãos sobre o corpo dela, levantando a camisa branca acinturada, como que delineando uma escultura, percebendo cada detalhe, cada centímetro. Levou as duas mãos, por baixo do sutiã, sentindo o arrepio dos mamilos túrgidos a seu toque. Scully soltou um gemido baixo, enquanto perscrutava os lábios de Mulder com avidez. __ Oh Deus, Mulder....o que você faz comigo.... Como poderia o desejo ser tamanho para suplantar sua racionalidade? Scully queria pensar nas consequências do que faziam, mas seu próprio corpo lutava contra ela. Seu cérebro lhe traía, proporcionando sensações intensas demais, que ela nunca sentira. Mulder a fazia queimar. Sabia ele o que o rosto de menino, a expressão sedutora, o corpo incrível e, principalmente, sua inteligencia faziam com ela? E não somente com ela, mas sim com qualquer mulher. Mulder parecia contrariar as regras da natureza. Ele que inebriava. Seduzia sem perceber. Quando deu-se conta, sentiu a mão forte deslizar por sua barriga, passando pelo umbigo, e sumindo na obscuridade. Sem pensar, soltou um longo gemido entre os úmidos lábios dele, ao tempo que arqueou o corpo para sentir melhor o toque tão desejado. Com a outra mão, ele lhe puxou a camisa e o sutiã, deixando-a somente com as calças pretas. Scully tinha os dois braços enlaçados na nuca dele, a cabeça apoiada nos ombros largos, enquanto sentia a rigidez masculina sob suas costas. Mulder continuava estimulando- a, de forma que em pouco tempo Scully serpenteava o corpo sobre o dele. __ Pára Mulder, por favor...preciso ver seu rosto.. Antes dela virar-se, ele lhe retirou as calças, deixando-a somente com a calcinha cor de vinho. Sentia-se desproporcional , ela quase nua, e ele vestido. Mulder percebeu a intensão nos olhos dela, e deixou-se embargar passivo na vontade de Scully. Segundos depois estavam completamente nus, à merce da paixão, da lúxuria, do medo. A mente de Scully rodava tão depressa que ela sentia pequenos pontos luminosos sobre a cabeça de ambos. Quando sentiu Mulder tomá-la para si, de princípio lentamente, mas logo depois em uma ânsia desmedida, percebia o quanto era maravilhoso tê-lo. Se encaixavam tão bem, mesmo pela grande diferença de tamanho. Sabiam dar e receber prazer um ao outro. Ela pensava se Mulder ainda lia seus pensamentos......como ele conseguia fazer aquilo com ela? Parecia advinhar o jeito que ela sempre imaginara ter ele, o modo intenso de sentir o corpo clamar. Parecia adivinhar cada arrepio que sentia, enquanto movimenta-se em ritmo crescente sobre ele, que lhe apertava as nádegas com força. Mulder deitou-a de costas no colchão, sobrepujando o peso do corpo sobre ela. Receou por um segundo de lucidez em meio ao êxtase que sentiam. __ ..S.Scully...não quero te machucar... Mulder não sabia como Scully adorava sentir o peso dele sobre ela, colando seu corpo ao dele, misturando o suor que advinha de seus corpos de forma que uniam-se como um só ser em busca do prazer crescente. Ela enlaçou suas pernas ao redor do quadril dele, e sobrepujando seus braços até as nádegas firmes, o puxava ainda mais contra si. __ Mulder...por favor... Conforme ele se movimentava, via o rosto dela contrair-se em dezenas de expressões, que misturadas aos gemidos, demostrava o que aquele olhar quase desfalecido em meio ao gozo revelava. Scully sempre o quisera, o tempo todo. A dúvida quase torturante sempre pereceu em seus pensamentos. Ora ele imaginava que ela correspondia a seus sentimentos, mas em outras surpriendia-se com as atitudes frias da agente. Mas agora Scully parecia desatar todas as amarras que envolviam sua complicada forma de se expressar. Mulder previu que ela chegava ao ápice pelo estremecimento das coxas que enlaçavam seu quadril. Ela, mesmo pequena diante dele, assustadoramente largo e lindo sobre ela, conseguia fazer com que se ligassem ao máximo. Mulder parecia enlouquecer, e de súbito agarrou os quadris dela, elevando-os um pouco acima da cama, e Scully soltou um grito ao movimento. Estavam completamente unidos agora, e finalmente, Mulder sentiu a estranha e quase insuportável onda de prazer intenso que transpassou por todas as suas células, parecendo elevá-lo no ar, ignorando a força da gravidade, ao mesmo tempo que sentia os movimentos involuntários que ela fazia com o quadril, assistindo maravilhado a expressão que ela passou. Era a imagem mais linda que ele já vira. Guardaria em sua memória e coração pelo resto da vida. __ Scully... o que presenciei aqui foi mágico... Ela o puxou para si, fazendo-o deitar a cabeça entre seus seios, acariciando os cabelos castanhos, o rosto, as costas. Mulder tinha a pele quase tão macia quanto a de uma mulher. Os cabelos ainda cheiravam ao xampu de ervas, apesar do suor tê-los molhado. Ambos ainda tremiam, devido ao esforço, e Scully sentia que seu corpo permaneria ardendo por algum tempo. Não tinha palavras para definir. Não fora somente sexo. Nem somente amor. Fora uma mistura complexa de todos os tipos de sentimentos, coisa que ela nunca presenciara. Quer dizer, apenas uma vez. A dias atrás, quando tivera outra noite com Mulder. Porém, seria mesmo Mulder? Fora. Ela não sabia dizer como, mas sabia. Seus instintos lhe diziam. Aos poucos, eles sentiam que seus corpos pediam pelo descanço. Mulder ajeitou-se atrás dela, pousando um braço sobre a barriga feminina, segurando-a junto a si. Sentiu que ela adormecera rapidamente, pois a respiração era longa e pausada. Levou os lábios e beijou-lhe o pescoço, pousando o rosto ali, sentindo o perfume delicado dos cabelos acobreados. Queria protegê-la, dá-lhe segurança, fê-la feliz. Tudo o que sentia por ela explodiu de uma vez só, e isso lhe provocava outro sentimento que parecia crescer a cada vez que a via em perigo. O medo. Medo de perdê- la. Agora tinha mais do que motivos para protegê-la, e sem pensar daria sua vida por ela. Algo doía em seu interior, mas ele não entendia bem o porque. Seria alguma premissa? Mulder apertou-a mais, e de seus olhos lágrimas insistentes escorreram, caindo plácidas sobre o rosto de Scully, escorrendo preguiçosas pelo pescoço, sumindo entre seus corpos. ........................................................... 8:46 AM __ Hummmmmmmmmmm..... Ela inspirou profundamente, deixando o ar entrar e purificar seus pulmões. Sentia-se estranhamente livre e com uma felicidade quase irritante. De relance lembrou-se de Mulder. Ele estivera com ela o tempo todo? Quando forçou suas pernas para sair da cama, sentiu que algo a impedia. Olhou em torno de seu corpo e divisou um braço masculino sobre sua cintura. Um lindo sorriso esboçou em seu rosto. Sentiu o alívio acalmar seus músculos a pouco tensos. Afastou o braço com cuidado, sentando na cama. Ficou a contemplar Mulder dormindo profundamente. O rosto dele parecia demonstrar um meio sorriso, ela imaginou. Como ele era lindo. Mas não somente no contexto superficial da palavra. Apesar de ter uma beleza naturalmente sexual, Mulder era principalmente lindo por dentro. "Não, é perfeito demais. Não pode existir alguém assim. Temos nossas divergências, mas são apenas detalhes que aumentam ainda mais a minha admiração por ele. Sua personalidade decidida, a impulsividade quase infantil "pensou. Talvez estivesse sendo levada pelo momento de excitação quase adolescente ao vê-lo somente como gostaria de enxergá-lo. De início sempre era assim. Depois os defeitos invariavelmente apareciam. Porém, esse "início" perdurava por mais de 7 anos. Mas aquilo era diferente. Scully sentia conhecer cada célula de Mulder. E entendia o que cada uma dizia. Ele não era mais imprevisível. Mas não entendia porque isso não a entediava. Era exatamente o contrário. Ela queria entendê- lo mais e mais, mesmo sabendo que já o tinha feito a muito tempo. Sentia as suas próprias células despertarem para a vida cada vez que ele a tocava. "É algo totalmente único, grande demais para uma alma só". De repente, ela sentiu seu coração contrair-se diante a seus pensamentos. Doía pensar em perdê-lo. Tentou desanuviar seus pensamentos Levantou-se, dirigindo-se ao banheiro. Pensou em tomar um banho gelado para revigorar o corpo. Enquanto sentia as pequenas agulhadas que a água lhe fazia sentir na pele, pensava no acontecido. Mas pensamentos estranhos lhe invadiam a cabeça. Uma grande sensação de vazio e medo a envolveu. Tinha os olhos fechados, tentando espantar tais pensamentos. Quando os abriu, ela sentiu a respiração cortar e os músculos tencionarem. De sobressalto, quase resvalou no piso molhado. Em sua frente, observava incrédula as paredes cobertas por respingos vermelhos, que escorriam pelos ladrilhos metálicos, resultando em uma cor estranhamente arroxeada. Mulder sobresaltou-se com os gritos de Scully. Meio zonzo ainda, levantou-se e correu até o banheiro. Viu Scully encostada numa das paredes do boxe do chuveiro, na pontas dos pés. Olhar de pânico. __ Scully? O que aconteceu? - Ele chegou até ela, mas ela parecia não enxergá-lo - Scully????? Ela em fim fitou-o, abraçando-o com medo. Ele sentiu o pequeno corpo nu tremer em seus braços. Estranhou a temperatura do corpo dela. Scully não conseguia falar, mas apenas murmurava coisas desconexas. __ Meu Deus! Está com hipotermia!! A água está gélida! Rapidamente vestiu sua calça, colocando sua camiseta nela, que quase batia nos joelhos. Saiu do quarto com ela nos braços, correndo para a ala médica. No caminho encontrara Sharon e Desireé, que o acompanharam. __ O que ela tem? - perguntou Sharon __ Ela está gelada! Encontrei-a no chuveiro, em choque. Não sei o que viu para deixá-la assim. A água estava muito fria, eu não sei! Sharon encostou em Scully e sentiu a pele fria. __ Não sei como isso pode acontecer, com um banho gelado. Mas ela realmente está hipotérmica. Vamos aquecê-la ou a perderemos. Entraram na sala, colocando-a sobre a cama onde Mulder estivera por dias. Sobrepujaram cobertores que estavam guardados em uma armário, para emergência. __ Vamos tirar a temperatura. Preciso saber o quanto desceu. Demoraram alguns segundos para Sharon verificar. Fitou Mulder quase catatônica. __ O que houve Sharon??? Fale!!! __ Mulder...isso é impossível!!! __ Fale Sharon! - pediu Desireé. __ 37o !! Ela está é com febre! Mas os sinais são hipotérmicos! Não estou entendendo! Desireé observava Mulder, que parecia matutar alguma coisa. Olhar pensativo. __ Definitivamente, não sei o que fazer!! __ Não faça nada.- disse Mulder, incisivo __ ãh?? Está louco Mulder? - respondeu Sharon, estranhando a atitude dele. __ Espere alguns minutos. Pouco tempo depois, Scully voltava ao normal. __ O que aconteceu? O que estou fazendo aqui Mulder? __ Sharon, veja a temperatura de novo. __ O que quer dizer com isso Mulder? - Scully tinha a expressão confusa, procurando a resposta nos olhos verdes perscrutantes. __ Não...não é possível. Isso está errado!! Acho que a explosão danificou a máquina. Ela realmente estava hipotérmica, mas essa coisa não está funcionando!! Ela está com 40o graus!!! Scully levantou-se rapidamente, fitando-os sem compreender. __ Do que estão falando? Mulder aproximou-se dela, fazendo-a sentar novamente na cama, junto com ele. __ Scully, lembra de quando foi tomar banho? Scully retesou as sobrancelhas, tentando encontrar resposta. __ Sim...vagamente. - Mulder percebeu a face dela avermelhar, enquanto ela evitava encará-lo nos olhos. Scully percebeu estar vestida somente com a camiseta dele, nua por baixo. Sharon e Desireé sentiram o desconforto dela. __ Bem, escutei seus gritos no banheiro...quando entrei, você estava catatônica em um canto..gelada. Pensei que você estava com hipotermia. Olhamos sua temperatura, e ela constou 37o . Não era hipotermia, mas sim febre. Mas os sintomas são contrários. Sharon, olhe a minha. Sharon o fitou confusa, mas obedeceu. Olhou espantada para o aparelho, deixando- o cair no chão. __ Mulder...não pode ser!! 40o graus!!! Desireé olhou, e também possuía a mesma. Os quatro fitaram-se receosos. __ Droga.... estamos sendo caçados. Precisamos sair daqui. ............................................................. ... Passos decididos ecoavam metalicamente pelo corredor escuro. Mulder percebera o que acontecia. A substância contida em seus corpos, de alguma forma, aumentava a temperatura corporal, burlando o cérebro, sem causar danos. Estava preparando-os para alguma coisa. Não conseguia explicar, mas ele percebia que o que Scully vira, além de Giovanni, não eram alucinações. Era a realidade. Eles estavam em torpor alucinógeno no momento. Não enxergavam o que realmente se passava. Mulder ouvia os protestos de George logo atrás. Mas estava decidido. Só haveria um meio de tirá-los dali. Vendo realmente onde estavam. __ Mulder, não faça isso!!! Iremos morrer congelados!! __ Precisamos baixar a temperatura. Scully fez testes no laboratório e descobriu que a substância é destruída a 10o negativos. Está disseminada no ar e na água. E não poderemos nos agasalhar. Nossa temperatura irá baixar até que consigamos ver realmente onde estamos. __ Pelo amor de Deus! Você é totalmente insano! __ Cale a boca George! - incidiu Sharon - você mesmo viu a sua temperatura!!! E testamos todos os aparelhos disponíveis! Tem algo de errado aqui sim! Estamos vivendo alucinações!! __ George... - falou calmamente Scully - geralmente tínhamos sonhos estranhos quando dormíamos porque justamente a nossa temperatura variavelmente baixa um pouco em vigília. É realmente muito pouco, mas o suficiente para fazer com que a substância não aja em sua completa função. Quando entrei na sala fria, respirei ar refrigerado, senti um pouco de frio. Quando saí, me apavorei com o que vi, além se sentir muito calor. A temperatura aqui está realmente muito quente, mas não percebemos porque nosso corpo não percebe. __ George, me mostre onde estão as válvulas de controle. Contrariado, George apontou para uma pequena porta metálica, quase invisível no meio da maquinaria barulhenta. __ Entre ali. Passará por um corredor, e chegará à sala que recebe o oxigênio e controla a temperatura. Há uma série de válvulas. Verás qual a certa. Algum tempo depois, Mulder voltava. __ Preparem-se... ........................................................ 2 DIAS DEPOIS.... __ Mulder?????????????? Scully permeava os olhos pela sala, mas apenas enxergava os equipamentos quebrados, sangue coagulado espalhado por tudo, e ruídos estranhos. Encontrava-se no LAB 1, perto do corredor dos dormitórios. Estava à mercê de algo que não conhecia. Seu instinto lhe conferia pavor suficiente para fazê-la entrar em processo de defesa. Tremia de frio, e seus lábios estavam arroxeados e ressequidos. Parecia Ter envelhecido cinco anos. Vestia somente uma camisete de renda preta e uma boxer de Mulder. Não poderia emanar calor. Tinha nas mãos um extintor de incêndio, porém, este já com a capacidade praticamente terminada. __ Mulder....por favor...onde você está? Seus olhos permutavam apressados, passando quase que frenéticos sobre todo o perímetro que rodeava seu corpo. Tinha os pés descalços, para não ecoar ruído algum. O piso parecia congelado, repleto de estalagmites que inconscientemente perfuravam-lhe os pés. Precisava trocar de posição em poucos segundos, pois a dormência que sentia já havia alcançado seus calcanhares. Mantinha-se em pé somente pelas injeções de adrenalina. __ Mul..lder....não me deixe aqui...volte... Seus ouvidos captaram algo como um gemido rouco, vindo de trás do biombo que separava os computadores centrais do laboratório. Prontamente percebeu a sombra que arrefecia de trás dos aparelhos. Seus músculos tencionaram-se tanto que ela não conseguiu se mover. Seus lábios apenas articulavam o nome de Mulder, porém, som nenhum os atravessava. Sentia que seu coração batia acelerado, mas era algo artificial. Logo começou a sentir um leve torpor no corpo, uma sonolência desmedida. Suas pernas fraquejaram, não a sustentavam mais. Não poderia dormir. Saberia que nunca mais voltaria. Estava fraca demais. Entretanto o sono foi mais forte, e ela não teve tempo de sentir o piso duro ir de encontro ao seu rosto, nem o hálito quente da criatura que se aproximava. ............................................................. . __ Scully??? Acorda, por favor! Salvou a minha vida, e agora eu não a deixarei ir! Mulder mantinha-se abraçado a ela com toda força, esquentando-a com o pouco calor que tinha no corpo. Sharon foi de encontro a eles. Estava igualmente gelada, mas parecia resistir mais. Chegou por trás de Mulder e abraçou as costas largas, que estavam com os folículos pilosos arrepiados, devido ao frio cortante que perecia direto na pele. Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Como era bom tê- lo em seus braços. Mas ela fazia força para impedir que pensamentos de luxúria a embargassem. Estavam praticamente condenados, não sabiam como sair de lá. E Scully morria lentamente nos braços dele. Ela parecia sentir a agonia daquele homem permear pelo recinto minúsculo em que se encontravam. __ Meu Deus, me ajuda! Scully, não durma!! Volte! - Lágrimas escorriam dos olhos verdes, inundando os cabelos acobreados - Sharon, precisamos de adrenalina aqui!! Água quente, cobertores! Não conseguirei aquecê-la o suficiente! Está morrendo! Abrace-a pelas costas! Sharon abraçou Scully com força, de modo que a mesma sumia entre os dois. Sharon sobrepujou os braços pelas costas dele, puxando-o para si. Ficaram alguns minutos assim. __ Mulder...está me apertando... A alívio que pereceu sobre ele foi tão grande quanto surpreso. Mulder esboçou um sorriso cheio se preocupação e afeto. Seus olhos adquiriram um tom verde água esfuziante, que contrastava com o vermelho intenso dos finos capilares dilatados do olho. A imagem dos olhos dele confortaram-na completamente. __ Mulder, o que aconteceu? __ Precisamos sair daqui Scully. Está com pouca glicose no sangue. Isso fez sua temperatura baixar demais. Quase a perdemos. Coma isso - ele lhe ofereceu uma pequena barra disforme de chocolate, já mordida, que retirara do bolso do short. Tão dura quanto pedra - coma você também Sharon. __ Mulder...vai estragar a minha dieta... - sussurrou Scully __ Pare com isso Scully. Desse jeito só ficará gorda na reencarnação seguinte, por supressão de comida. Seu espírito pensará que passou fome a vida inteira, e compensará a vontade comendo. Não quer isso, quer? __ E você Mulder? - perguntou Sharon. __ Não se preocupem comigo. Tenho mais proteínas no corpo, e isso me sustentará por mais tempo sem comida. Vocês duas me preocupam. __ Onde estão Juan, Desireé e George? Sharon baixou o olhar, igualmente a Mulder. Scully continuou interrogativa. __ Os perdemos quando você esperava aqui em cima. Tentávamos fazer localização para fora, mas foram em vão. Os minisubmarinos estão destruídos. E quando voltávamos para cá, eles não estavam mais lá. Procuramos por todo LAB 3, mas nem rastro. Fomos até o LAB 2, e não encontramos nada. Ouvimos os gritos de Desireé, e descemos novamente... __ Tá, e o que aconteceu? Mulder engoliu em seco. Sharon adiantou-se. __ Scully...você é a perita em autópsias aqui, mas o que vimos foi dantesco. Alguma coisa os rasgou de trás para frente. Não sobrou muita coisa. Está aí a razão para enxergarmos tanto sangue espalhado por aqui quando saímos do transe. Houve uma verdadeira carnificina. - Mulder teve uma leve lembrança do que vira quando esteve desaparecido, mas não se remeteu à aquilo. O cheiro acre foi- lhe familiar.- e George simplesmente desapareceu. __ Gostaria de ver os corpos. __ Não está em condições Scully. E é suicídio descer lá em baixo. Mal sabemos se eles, ou seja lá o que for, temem o frio. Só deduzimos. Esses extintores poderão não funcionar. Não temos armas. __ Mulder...lembrei-me do que aconteceu no LAB 1, antes de apagar. Estava no quarto, como pedira, e ouvi alguma coisa no laboratório. Pensei ser você. Peguei o extintor e saí lentamente. Quando entrei no laboratório, chamei por você. Ouvi algo atrás dos biombos, um gemido. Fiquei quieta observando, mas divisei algo que estão acima das minhas conjeturas. Era grande, parecia disforme, como se não tivesse ossos. Entrei em pânico, e acho que isso me apagou. Preciso ver o que aconteceu com Desireé e Juan. E encontrar George. Vamos. Saíram da pequena sala que antecedia a sala de máquinas principais, esgueirando- se pelos corredores. O silêncio era tamanho que ambos sentiam que seriam esmagados pelo mesmo, ouvindo um zumbido produzido por seus próprios sentidos assustados. Preferiram as escadas ao invés dos elevadores. Scully parou segundos para observar Mulder. Estava sem camisa, e a pele clara apresentava uma coloração levemente anormal, somente perceptível ao olho clínico. __ Mulder...você não está bem. Porque não colocou uma camisa? Vai acabar definhando de frio, assim como nós. Seus lábios estão roxos, junto com os olhos. __ Pois Scully, você está uma perfeita figurante de "A Noite dos Mortos Vivos". Estamos ambos em mesmas condições. Abriram a porta que dava acesso ao LAB 3. Scully estaqueou ao ver a grande poça de sangue espalhada pelo chão, que aos poucos esvaía-se na piscina, dando à água uma coloração avermelhada. Pedaços dos corpos estavam por toda parte. Tudo havia sido destruído, e apenas as cadeiras ficaram intactas. Scully adiantou-se, mas foi brecada por Mulder, que a segurava no braço. __ Vamos juntos. Chegaram até o local onde provavelmente haviam sido mortos. De Juan não sobrara nada inteiro. Mas o corpo de Desireé encontrava-se em melhor estado. Mulder fechou os olhos e engoliu em seco. Não sentia mais seus pés e pernas, e sentou-se no chão, começando a massageá-los. __ Bem...ao que vejo, a primeira fornicação foi na altura da 3a vértebra lombar, abrindo-se até a 1a torácica...espinha retirada, órgãos internos também..Meu Deus Mulder! O cérebro também foi removido. Não tenho como dizer, mas as marcas aqui indicam sucção!!! __ É melhor sairmos daqui antes que a simpática criatura nos encontre! Subiram até o LAB 1. Mulder tentaria novamente comunicação. __ Mulder...percebeu que o ar está pesado? Está ficando quente de novo! - definiu Sharon. Mulder parou por instantes. Sharon estava certa. __ Mulder... - Scully incidiu - está esquentando porque o nível de monóxido de carbono está aumentando...e a sensação de ar pesado também... - Scully o fitou apreensiva - o oxigênio foi cortado. Mulder deixou-as diante aos computadores, correndo até a sala do oxigênio. Adentrou no baixo corredor, logo encontrando a sala. Os terminais de recebimento haviam sido destruídos. Nenhum controle funcionava. Mulder sentiu um vapor quente permear-lhe as costas. Virou-se e avistou a criatura, disforme como Scully havia relatado, mas estranhamente familiar. Mulder percebeu que estava em pânico, catatônico, quando foi levado ao ar por tentáculos pegajosos que lembravam- lhe dedos, e viu em desespero algo afiado encostar em suas costas, sentindo logo depois o sangue quente escorrer pelas pernas. ................................................ BASE DE RECEBIMENTO - NÍVEL DO MAR 11:23 AM Um homem de terno, acompanhando por mais 2 vestidos de uniformes da marinha perscrutavam as salas da pequena estação. O submarino emergido dava uma estranha visão futurista, delineado pela água azul escura do pacífico. __ Onde estão todos? - pergunto um deles. __ Eu é que pergunto!! O que aconteceu aqui? Parece que abandonaram! - respondeu o outro. __ Vão até a área de máquinas. Lance um submarino para a estação. __ Precisa-se de autorização do governo para casos de emergência... __ Estou acima do governo. Sabe disso. Faça. - Apesar de incisivo, o homem continuava com sua calma expressão, o leve sorriso nos lábios ressequidos. Perscrutou os bolsos em busca do maço de cigarros. .................................................. Scully percorria os teclados computadorizados rapidamente, acompanhada por Sharon. A energia parecia ter voltado parcialmente, mas os computadores foram lesados, e não funcionavam corretamente. __ Droga! Como pediremos ajuda? Iremos morrer aqui! Ou trucidados, ou por falta de oxigênio! O grito cortou o silêncio da sala. __ Mulder???? Scully e Sharon correram em direção à sala de oxigênio, mas antes de chegar, viram a silhueta que corria em sua direção. Um arrepio gélido percorreu- lhes a espinha. Porém, antes de obedecerem à vontade de seus músculos desesperados, ficaram observando o que estava na escuridão. __ Mulder????? Scully ouviu um gemido rouco, e logo depois a figura assombrosa desapareceu no corredor, afundando na escuridão do mesmo. __ Dana? Onde vai? Scully correu, e encontrou Mulder estaqueado no chão. Tocou-lhe o corpo, mas alguma coisa a fez parar. Suas mãos o contato com algum líquido. Ela direcionou as mesmas para o faço de luz que vinha da saleta. Era sangue. __ Sharon, me ajuda aqui!! Mulder, está me ouvindo? __ Vamos sair daqui Scully... - disse ele fracamente. Com dificuldades, apoiaram-no nos ombros, indo em direção aos dormitórios. __ Não Scully...desça ..precisamos sair daqui...nem que seja nadando... __ Mulder, o que aconteceu ali dentro? __ Vi a coisa que está nos perseguindo...senti o momento de morrer, mas por algum detalhe que não sei qual é, de repente me vi sozinho de novo...ai! Entraram em um dos elevadores. A tensão que permeava ambos era insuportavelmente agoniante. Seguiam Mulder à reveria. Sabiam que não teriam como sair, mas apenas esperar resgate. Que viria tarde demais. A porta do elevador abriu-se, e ambos adentraram o LAB 3. Mulder postou- se sozinho em pé, cambaleante. O ferimento em suas costas fora sério, e ele sangrava muito. Tencionava ir aos computadores. Se o relato anterior contado, de que ele conseguira o código de acesso à sonda fora real, teria uma maneira de conseguir ajuda. Estavam no meio da sala, perto da piscina, quando ouviram grunhidos. Os três pararam, um de costas para o outro, perscrutando cada centímetro do laboratório imenso. __ O que foi isso Mulder? - tremeu Sharon __ Estamos encurralados... Viram-se cercados por duas criaturas. Não eram bem distinguíveis em forma, mas tinham tentáculos e cor esbranquiçada, levemente translúcida. Scully sentia o coração bater em cada extremidade do corpo. Percebia a umidade pegajosa do sangue de Mulder empapar suas costas. Se não estacasse o sangramento, ele não resistiria por muito tempo. Sharon estava perto dos dois, completamente imóvel, sendo traída pelo próprio corpo, que ignorava os sinais de fuga que o cérebro lhe infringia. Olhava com os olhos vítreos de pânico para os dois. Mulder abraçou Scully com a pouca força que ainda lhe restava. Fechou os olhos, e no mesmo instante ouviu os gritos assustadores de Sharon, ao mesmo tempo que sentia Scully gemer de dor e desfalecer aos poucos em seus braços. ................................................. WHASHINGTON D.C. 2 SEMANAS DEPOIS GABINETE DE WALTER SKINNER Dois pares de olhos curiosos e perscrutantes incidiam sobre a figura cansada sobre a cadeira atrás da mesa. Ele sabia que teria sérios problemas se permutasse com os dois. __ Agente Mulder, é impossível corroborar com seu relatório! Mulder, já vi casos estranhos, mas esse está digno de virar filme de ficção científica!! Os dados são inconclusivos, além de não haver provas! Essa história de haver "algo" em baixo da estação não foi confirmada. Não encontraram nada. E o oxigênio, a água... as supostas amostras sangüíneas que encontram no laboratório biológico..nada confere! A única coisa que poderia aceitar é que vocês conseguiram sair de lá com um submarino! Mas não sobre a circunstância de que um submarino "simplesmente apareceu" na piscina submergível! E ainda estão com um processo nas costas!! Nenhum dos outros tripulantes do seu grupo foram encontrados. Aliás, o suposto "caos" que estaria a estação foi desmentido. Todos esses detalhes, como os sonhos estranhos, a sua amnésia, a substância desconhecida, a contaminação, as criaturas....me desculpem agentes, mas não posso entregar isso assim. E ainda precisamos explicar o desaparecimento de todo o grupo! - Skinner lançava um olhar portentoso sobre os dois, esparrando de indignação. - e se, como você disse, as "tais criaturas" eram clones ainda incompletos dos tripulantes, que matavam para retirar os órgãos e completar a mutação...Meu Deus! O que você andou bebendo!!! Mulder levantou rápido, com o rosto contraído de raiva. __ Pois escute bem Skinner! O que escrevi nessa droga de relatório é o que eu vi, presenciei e senti! Scully também foi testemunha! Viram o corte nas minhas costas, as condições que saímos de lá! Não viram nada por lá por que foram contaminados pela substância!! Isso gera uma alusão tão realista que nada se percebe! O meu estado de amnésia me impede de relatar o que vi quando desapareci, mas irei de lembrar! Algo está aflorando secretamente Skinner, e se nada deter, eu não sei o que acontecerá!! __ Senhor.... - Scully frisou, calmamente - a minha ciência realmente não fora capaz de explicar todas as coisas que presenciei. Porém, posso confirmar que Mulder está certo. Constatei a presença da tal substância, com cadeias protéicas desconhecidas. Tive um colapso ao sair da sala fria, quando vi o laboratório em condições avessas. Fiz a autópsia em Giovanni, constatando a causa da morte, que, sinceramente, seria impossível, no melhor termo da palavra. Estive em presença com a estranha forma de vida, fui ferida por uma delas, mas estranhamente a mesma se afastou, contorcendo-se e sumindo. Encontrava-me encharcada com o sangue de Mulder, e pelas circunstâncias, algo no sangue dele pareceu-me tóxico para a criatura. Ele fora atacado mais de uma vez, mas não fora morto. A única explicação plausível é esta. __ Por favor, retirem-se e refaçam isso! Não posso remeter um absurdo desses para os superiores. Sabem que também sou subordinado, então, atos de vocês permutam em problemas para mim. Mulder , num impulso, derrubou a cadeira longe e saiu galopante, enfurecido. Scully remeteu um olhar de desculpas para Skinner, constrangida. Logo depois que saíram, Skinner desabou na cadeira. Levou as mãos espalmadas no rosto, pressionando os olhos. Respirou fundo. Puxou uma das gavetas da mesa, retirando-a. Alisou a abertura por dentro, como a procura de algo. Sentou-se na cadeira novamente, contemplando o papel que havia escondido. O pedido de socorro de Mulder. Seus olhos denotaram preocupação. Sabia que os dois haviam dito a verdade. Mas teria que manter-se em silêncio. Sua vida dependia disso, assim como a deles. ............................................................. ...... ALEXANDRIA 9:15 PM A batida na porta despertou-o de seus devaneios. Tentava recordar cada detalhe presenciado a 3 semanas. Não iria mudar seu relatório. Nem que fosse intimado a comparecer ao psiquiatra do FBI. Scully adentrou no apartamento. Trazia uma sacola nas mãos. Semblante abatido. Estava preocupada com Mulder. __ Scully, eu não vou mudar nada no meu relatório!!! Ela lançou-lhe um olhar compadecido. __ Mulder, já se perguntou porque somos os "marginalizados" do FBI? Por que que as coisas parecem vir contra nós mesmos!! Tudo o que fazemos ou constatamos retorna de uma maneira contrária! __ Scully, as vezes eu não te reconheço! Parece estar corroborando com eles! Sabe que teve um dedo canceroso em tudo isso! Não podemos simplesmente escrever o que ELES querem ler!! Precisamos colocar a verdade! __ Tudo bem Mulder! - esparrou ela, com raiva - se quer dar a sua vida procurando mostrar aos outros coisas que somente você vê, e sabe que ELES fazem com que você seja o único a ver mesmo, tudo bem! Mas não vou entrar em seu jogo novamente! Eu presenciei tudo o que relataste nesse maldito papel!!! Eu vi!!! Não posso refuta- lo! Mas entrar de cabeça a pino nisso, é estupidez!!! Eles são espertos demais, além de numerosos! Conhecem todos as suas maneiras! Mulder, você é muito previsível!! Alvo fácil demais! Alias, nem sei como está vivo até hoje...e para dizer a verdade...nem eu.. Scully aproximou-se do sofá onde ele se encontrava. Sentou e o abraçou. Queria apenas protegê-lo, mesmo sabendo que os métodos não fossem os ideais. __ Mulder, ao menos me escuta... eu tenho medo. Medo por tudo o que nos aconteceu, e pelo que ainda irá por vir. Será que não entende? Ele apertou o abraço, beijando suavemente a testa dela, afastando os cabelos insistentes. __ Entendo a sua preocupação Scully. Mas não deixarei barato. Não mesmo. Vimos várias criaturas por lá. Como saberemos que não tenham subido à superfície? - ele ajeitou-se no sofá, puxando ela junto - sabe Scully...aquela noite que me contaste..que fizera os exames...realmente poderia ser eu. Scully o fitou curiosa. __ Como Mulder? Se me disse que esteve a noite inteira monitorando os sinais? __ Scully, é só pensar. Se estivemos em constante alucinação, eu poderia Ter presenciado a noite com você, e depois não lembrar, imputando em meu cérebro o que eu realmente iria fazer. Por que acha que não consegui contatar os pistoleiros? Era internet Scully!! Eu os acharia facilmente, ou eles a mim! Mas isso não aconteceu. Por isso estou convensido de que a sua versão é a correta. Scully sentiu o rosto avermelhar diante ao súbito relato dele. __ Deixe para lá Mulder...isso passou. Vamos, precisamos rebater nosso relatório. __ Scully...eu..eu ... __ Tudo bem Mulder. Outro dia. Outra hora. Scully escorregou o corpo no sofá, deitando a cabeça no colo dele. Sentia os olhos verdes sobre si, e em reflexo fitou-o. Ela conhecia aquela expressão. Não havia palavras para descrevê-la. Quando deu-se conta, sentia o contato dos lábios dele sobre os seus, em um toque que ela sentiu perecer pelo corpo. Mulder resitou por momentos, como se pedisse permissão. Ela, em resposta, puxou suavemente o lábio inferior avantajado, elameando-o entre os seus. Finalmente selaram os lábios, iniciando o beijo, doce, apaixonado, inflamado. Não haviam desencontros, mas apenas uma perfeita sincronia entre ambos, como se o conhecimento de seus corpos fosse recíproco. Ela podia sentir o quanto estava próxima dele. Como era sentir a barba ainda imperceptível visualmente despertar seu corpo para a vida, sentir a textura úmida e forte da língua dele deslizando sensualmente contra a dela. Ela sentia os músculos tensos do braço forte com as mãos e enquanto empurrava-se contra ele pela intensidade crescente do beijo, percebendo que o corpo dele reagia rapidamente. Seu corpo implorava por ele, ela o queria como nunca quisera alguém. Mas a infame racionalidade permutou em sua mente, impedindo de seguir adiante. Seria precipitado demais. Sentia ele respirar acelerado, percebendo o desejo sair como ondas a abraça-la. __ Mulder...espere...é precipitado demais. Não nos recuperamos completamente dos fatos ocorridos, e ainda teremos muitos problemas pela frente. __ Tudo bem Scully... o que me importa é que você está comigo, protegida em meus braços. Nada mais tem importância. O tempo é apenas um detalhe ínfimo para quem esperou tanto. Scully percebeu seus olhos encherem-se de lágrimas. Realmente nada mais importava. Ela encontrara sua verdade. ................................................... ... LUGAR DESCONHECIDO A mesa de carvalho delineava as silhuetas negras, como se seus próprios pensamentos estivessem projetados na algura da angústia. __ Conseguiram descobrir realmente o que tinha lá em baixo? - um dos homens perguntou. __ Bom, tínhamos completo monitoramento da estação. O fizemos quando percebemos que o grupo C16 andava desconfiado de algo. Tinham as mesmas alucinações. __ Mas o que são as criaturas? Os colonizadores nunca nos relataram nada a respeito! Seria algum projeto secreto aliado à colonização? - conjeturou um deles. O homem sentado em uma das poltronas na periferia da sala adiantou-se. Fumava seu cigarro calmamente. __ É uma possibilidade. Vimos que são frágeis aos híbridos. Somente humanos são perecíveis de clonagem para eles. Porém, não sabemos os reais motivos desse organismo, seja desconhecido ou não pelos colonizadores. Não creio estarmos preparados para mostrar a descoberta a eles. Não sabemos nada ainda. Poderíamos adiantar a colonização. É melhor deixarmos em segredo. __ Certo, certo. Mas ainda pergunto: como Mulder e Scully escaparam da estação? __ A guarda da estação percebeu o atraso na vinda do C-16 e mandou um submarino de busca. - respondeu Canceroso. __ Mas como não ficamos sabendo disso!!! - esparrou o mais jovem - é impressão minha ou tem alguém escondendo algo aqui? __ Não seja tolo. Segredos aqui seriam mortais. __ Essa história não está bem contada! Como mandaram um submarino de busca se somente quando Mulder e Scully vieram à tona que a notícia espalhou-se! Ninguém sabia! Alguém os ajudou! __ Mas isso realmente aconteceu... - Canceroso ascendeu outro cigarro - Mulder mandou uma mensagem pedindo ajuda. Skinner recebeu. Todos silenciaram. __ Quando ele mandou? - o homem gordo adiantou-se. __ Quando desapareceu do localizador - respondeu um deles. __ E porque permitiram Skinner enviar resgate? __ Porque a mensagem vazou, e acabou se espalhando. Se não fosse ele, outra pessoa o faria. __ E onde ele esteve quando desapareceu? As perguntas começaram a permear pela sala, ecoando pelas paredes, misturando-se em sons incompreensíveis. Canceroso dirigiu-se para a porta, ignorando os protestos. Saiu a passos lentos, ouvindo o lerdo ecoar dos sapatos no piso. "Eles nunca saberão." Pensou. ............................................................. ... HEALTH LIFE CLINIC - MADISON - WISCOSIN O estridente som do telefone ecoou, abafando levemente os bips profusos dos aparelhos. __ Sou eu - redundou metalicamente a voz - fizeram os testes? __ Sim, mas nem todos estão prontos. Como dissera, encontramos traços de alguma substância no sangue. Porém, a mesma está estinguindi-se rapidamente. A estranha cadeia de proteínas infere de alguma maneira sobre o metabolismo, de tal modo que precisamos mantê-lo em ambiente superaquecido para que a mesma dissolva mais lentamente, dando-nos mais tempo. Impressionante eu diria. __ Certo. Quando estiver tudo pronto, contate-me. O médico desligou e voltou sua atenção ao homem que jazia inerte sobre a cama de metal frio. __ Calma George. Em pouco tempo estará recuperado - disse o homem. ................................................. NORMANTON - TERRITÓRIO DO NORTE - AUSTRÁLIA 1 SEMANA DEPOIS O calor perecia sobre as ruas da cidade, parecendo evaporar um manto quente sobre as pessoas que passavam nas ruas. Negras e profusas nuvens, como flocos de algodão pesados, formavam-se no céu azul, esbranquiçado pela alta temperatura. Aos poucos, ruidosos rosnares que vinham das alturas indicavam que a doce chuva aproximava-se, aliviando assim a agonia da cidade febril. As pessoas fitavam aos céus, quase vibrando pela torrente aguada que agora molhava cada centímetro do asfalto escaldante. De encontro à rua, em uma velha construção de tijolos aparentes, dois pares de olhos perscrutavam o movimento alegre do povo que tentava aplacar o calor, deixando-se molhar. Era visível a preocupação, mas nada que emitisse mais do que o profundo sentimento de vitória que permutava seus corpos. Fitaram-se um ao outro, entusiasmados, mas ao mesmo tempo receosos. Tinham o destino de uma raça inteira em mãos. Precisavam perpetuar o pacto que foram submetidos. O homem moreno claro passava de leve as mãos pelos cabelos castanhos cacheados dela. Os olhos cor de mel o fitavam com devassidão, permitindo-se embargar com as sensações recém descobertas. Ele a carregou para a cama, iniciando assim carícias nervosas. Em poucos minutos seus corpos se embolavam enlouquecidos pelos lençóis emarfanhados, enquanto grunhidos desumanos ecoavam pelas paredes simples do recinto. Ela sentia algo acontecer no interior de suas vísceras, sentindo ao mesmo tempo as ondas de dor e prazer que o primeiro orgasmo lhe proporcionava. Deixou-se cair sobre ele, arfando, com o corpo ainda queimando, percebendo que ele também ardia. Em cima de uma das poltronas de couro, rasgadas pelo uso, encontravam-se as roupas emaranhadas uma às outras. Mais ao lado, podia-se perceber dois cartões, sobre a mesa do criado mudo. Em letras garrafais, juntamente com um logotipo, lia- se: DESIREÉ BOQUEOU - LAB 2 - BIOLOGIA MOLECULAR JUAN NIGROS - LAB 1 - SISMOLOGIA FIM ............................................................. .... Gente, peço desculpas pela demora da Segunda parte. Angel esteve atarefada na Universidade e encontrou-se impossibilitada de escrever. Não reparem, mas costumo falar em 3a pessoa... Parabéns a todos que conseguiram chegar até o final. Maldito detalhismo....acabo escrevendo mais do que gostaria. Sei que ficou enorme, por isso, realmente parabenizo aos aventureiros que chegaram ao final. FEEEEDDDD gente!!! Preciso saber o que vocês acharam!! 100000000 beijos Angel Scully (angel_scully@uol.com.br )