NO MULDER, NO X-FILES!! Fanfic by Angel Scully (angel_scully@uol.com.br) ICQ Number: 77089497 Classified: Scully angst, Mulder angst, suspense, shipper, inexplicável Resumo: Mulder e Scully são designados para um caso em uma estação subaquática científica, a procura de um grupo de cientistas que aparentemente estão com problemas. Porém, o rumo do acontecimentos muda, envolvendo-os em algo muito maior e perigoso. Mulder descobre o real motivo da ida deles para lá...mas poderá ser tarde demais..... Fanfic Suspense, shipper (restrição: NC-17) ANGEL PS: A continuação é dedicada às amigas do ICQ (Fabi Damasio, Lilly S. Mulder, Nic, Lara Croft, Dana K. Scully (Renata),#Dana Scully#, Lika, e_spooky (Elisa), Lyze Starbuck, Marita Covarrubias), à Luana Mulder, que sempre me liga, lembrando que meu tel não é um mero objeto de decoração, Karen Jobin, e à One e Weirdgirl. Não vivo sem essas duas! AVISO: Perguntei a algumas leitoras sobre colocar as duas fanfics juntas, para o caso de tirar alguma dúvida, ou evitar o trabalho de procurar o outro pedaço para as pessoas que não leram. Como a maioria foi categórica , decidiu-se então colocar as duas juntas. Sei que o arquivo ficou enorme, mas caso haja alguma dúvida na história, é só olhar na primeira parte. Deep Dreams 1 ............................................ A névoa desconexa que abrangia todas as dimensões do enorme laboratório era apenas uma lúgubre premissa do que acontecia. Os estrondos insuportáveis recendiam assustadoramente pelas paredes fortes de titânio, que assim mesmo, pareciam fracas e ínfimas como folhas ao vento. O som da água que invadia violentamente as peças aumentava ainda mais o pavor crescente, transformando o local em um verdadeiro pesadelo coletivo e mortal. Diane corria em desespero pelas plataformas metálicas e estranhamente translúcidas. Seus olhos em lágrimas, sua face contorcida em horror, seus pensamentos formando figuras algozes e traiçoeiras, a impediam de pensar em uma saída. Sentia seus músculos tesos, dando-lhe cãibras torpentes, e mesmo assim, a sensação de impotência e imobilidade eram tão reais quanto a dor que lhe atingia o corpo, açoitando-lhe como lâminas afiadíssimas de um bisturi invisível. Em segundos ela parou, lançando o olhar à suas costas. Conseguiu divisar seus companheiros , igualmente desesperados, correndo e fugindo de agressores invisíveis a seus olhos. No mesmo instante, a criatura surgiu em sua fronte, enorme e assustadora. Diane percebeu seu oxigênio esvair-se, seu coração pular em taquicardia dolorosa. Era nítida a sensação de sentir suas supra renais descarregarem descontroladamente a noradrenalina, que agia rapidamente em seus músculos cardíacos dando-lhe dores pungentes de desespero e agonia. Em segundos, assistia paralisada sua carne ser dilacerada tão rapidamente que as sinapses nervosas pareciam não acompanhar a violência e imediatismo com que era atacada. Gritos desesperados e assustadores tomaram conta de toda a estação, enquanto almas em pânico tentavam agarrar-se ao único fio de vida que ainda lhe restavam. Por final, apenas o silêncio mórbido, acompanhado pelo líquido vermelho espumoso que cobria as paredes como cortinas vermelhas resplendorosas. "The Truth is out There" D E E D D R E A M S i by Angel Scully OCEANO PACÍFICO - ARREDORES DAS FILIPINAS ILHAS MARIANAS – PROXIMIDADE DA FOSSA DAS MARIANAS – CHALLENGER DEEP TERRITÓRIO AMERICANO 1:45 PM O submarino movia-se lentamente pela água, suave, parecendo não perturbar o silêncio cálido da água verde azulada. Descia apaziguadoramente , e aos poucos a claridade que iluminava os peixes e as arquiteturas aquáticas esvaia-se, deixando visíveis apenas pequenos halos de luz, como listras suaves manchando o oceano plácido. Mulder observava maravilhado pela janeleta de vidro espesso, ignorando os olhares incisivos dos tripulantes. __ Scully..deveria observar isto! É maravilhoso! Scully inspirou lentamente. Parecia entediada. __ Sim Mulder...já observei tais maravilhas no aquário gigante de Montherrey... Mulder lançou um olhar desaprovador para a parceira. __ Que falta de espiritualidade Scully! Olhar em um aquário não tem a magia de ver a vida se encaminhando como na natureza! – Mulder inspira – O oceano é tão calmo....as tormentas podem sacudir a terra lá fora, porém, aqui continua na mais perfeita paz...não me admira que os primeiros microrganismos tenham ESCOLHIDO o oceano para se desenvolver....- Mulder frisou a palavra, aumentando o tom de voz. Scully contraiu o cenho em expressão inquisidora, mas decidiu não provocá-lo. Mulder a fitou curioso, esperando uma resposta indignada. Apenas recebeu um olhar perfurante. Ele voltou novamente seus olhos para a pequena janela. Sharon e Desireé observavam Mulder, enquanto, George, Ruan e Giovanni pareciam entretidos consigo mesmos. __ Pois é Scully....estamos rumando para a beira do maior abismo do planeta...a famosa Challenger Deep, fossa das Marianas, com 10.920 metros...nossa...o Everest entra inteiro por ela e ainda sobram 2.072 metros para preenchê-la.. __ Sim...a estação para onde estamos indo fora criada a partir da descoberta da Challenger Deep por Jacques Piccard e Lieutenant Don Walsh, em 1960, à bordo de um batiscafo, um pequeno submarino. A partir da data, a estação começou a ser desenvolvida, para futuras pesquisas em torno de várias áreas da ciência. Demorou 30 anos para ser concluída, porém, tornou-se um marco da história, ficando conhecida como Atlântica, a cidade subaquática, devido à arquitetura moderna e a imensidão de seu perímetro. __ Estudou o assunto hein Scully! __ Tanto quanto você Mulder. __ Desculpem-me a intromissão – perguntou George Strass – mas, quem são vocês? Mulder abriu a boca para falar, mas Scully adiantou- se, enquanto beliscava-o discretamente na perna. __ Sou Dana Scully, médica especializada em física . Este é Fox Mulder, psicólogo especializado em paranormalidade. Sharon e Desireé deram sorrisos maliciosos. Juan contraiu o cenho sem entender. __ Psicólogo??? Paranormal?? Mas o que é isso? Alias, para que ? Vai nos fazer terapia ocupacional, ou descobrir nossos segredos com uma regressão? – atirou Juan. __ Seria ótimo.... – Sharon fitou Mulder e piscou sedutora. Scully percebeu e contraiu a mandíbula, sentindo o músculo masseter saltar sob a lateral do rosto. __ Mulder...Mulder....já ouvi esse nome....não me é estranho..... – Giovanni voltou os olhos para a esquerda, acima, como se quisesse relembrar de alguma coisa. __ Sim – rebateu Scully, levemente aborrecida – Mulder está fazendo uma pesquisa sobre o comportamento humano em isolamento. __ Desculpem-me novamente. Deixe-me apresentar seus futuros companheiros: Giovanni Bordignonn, Sharon Waves, Desireé Boqueau, Juan Nigross e eu, George Strass. Respectivamente, climatologista, radioastrônoma, biológa molecular, sismólogo e oceanólogo. Como devem saber, Atlântica abrange todas as áreas da ciência. É o centro científico mundial mais importante da atualidade. Temos todos os equipamentos necessários e de última geração para qualquer pesquisa em torno da ciência. __ Sim...A cada seis meses, um grupo de 7 pessoas entra e outro sai. É sempre assim. Porém, o grupo anterior, devido à um ciclone, teve sua comunicação cortada, e quando isso ocorre, o minisubmarino volta à superfície – Scully termina de falar quase em um fio de voz. Mulder escuta, mas tem o olhar longe. Scully imita a expressão. Resignados para um caso ainda oculto, foram instruídos para não relatar suas verdadeiras identidades, isso para não causar alarme e disparar o pânico. Porém, sentiam-se traidores. Poderiam estar pondo em risco a vida de seis pessoas inocentes, que estariam ali apenas para trabalhar. E eles não sabiam ainda o que iriam encontrar pela frente. ............................................................. ... ESTAÇÃO SUBAQUÁTICA EXPERIMENTAL ATLÂNTICA NÍVEL DE DESCOMPRESSÃO – 3600 METROS ABAIXO DO NÍVEL DO MAR 2 HORAS DEPOIS Toda a subestação tinha um formato ovalado, e o nível principal mantinha uma imensa redoma de vidro especial, que dava vista para todo o negro oceano ao redor. O primeiro nível, localizado à parte da subestação, era tão grande quanto uma mansão. Os tripulantes deveriam ficar 3 dias na descompressão, e dispunham de todo material preciso para a distração. As paredes eram metálicas, porém, não tiravam o encanto do local, com requintes modernos. __ Isso aqui dá 10 vezes o meu apartamento! – Impressionava- se Mulder – além de ser mais arrumado... __ Realmente, devem Ter gastado muito para construi- la...além de demorarem 30 anos... Mulder? Você entende de computadores? – Juan perguntou. __Bem...é, eu sei ligar. __ Temos internet aqui....podemos... __ Claro, porque não? – Mulder levantou-se rapidamente e sentou-se a frente de um microcomputador, com os olhos brilhando. Scully observou-o desconfiada. __Vem cá...- sussurrou Mulder – deixe eu te mostrar as maravilhas disso aqui...tenho três amigos que procuram algumas coisas para mim e depois me avisam onde encontrar.. _ Sei...hehehehehe – sorriu Juan, malicioso. Scully ouviu Sharon e desireé a chamarem para a sala de jogos. Realmente, não sentia-se a vontade em meio a aventuras sexuais masculinas. Perguntava-se porque Mulder ainda tinha tal atitude?? Seria ele um cego, insensível, apenas preocupado em descobrir sua verdade? Será que não percebia o óbvio?? __ Dana..vamos jogar um pouco... – era Desirré, com seu sotaque francês que chamava. __ Estou indo.... – Ela continuava olhando ríspida para os dois, que davam risadas maliciosas em frente à tela insípida. Scully caminhou a passos lentos, passando pela sala de arquivos, onde Giovanni e George encontravam-se concentrados, lendo algumas pastas. George era alto, não tanto quanto Mulder, mas equivalente, atlético, com cabelos lisos, em tom de loiro sueco, olhos verde água e expressão importante. O tipo de homem que Scully sempre sonhara. Sério, respeitador, bonito. Mas agora já era tarde. "Droga..." pensou ela. Giovanni era o típico italiano, moreno de cabelos lustros, alto, com olhos castanhos penetrantes, muito elegante. Tipo de homem que encanta mais pelo charme do que pela beleza. Scully irrompeu na sala de jogos, enquanto Sharon e Desirré mantinham um jogo com baralhos. A era muito bem equipada, divisava-se até fliperamas. __ Mas o que...não pegamos o endereço errado??? Isto aqui não parece uma estação subaquática... __ Sim Dana, todos espalham tal comentário do nível de descompressão quando voltam. Mas é só aqui. Depois, somente trabalho, nada de muito conforto não. – a francesa adiantou-se. Desirré era levemente mais alta que Scully, porém, com cabelos cacheados em tom de castanho claro, um pouco abaixo dos ombros. Os olhos em tom de mel claro davam-lhe uma expressão encantadora. Tinha o corpo bem proporcionado, mas nada opulento. Sharon era alta, com os cabelos lisos, em tom de loiro prata, que chegavam no meio das costas, em corte repicado, estilo pantera. Os olhos negros mantinham-se sempre bem maquilados, dando-lhe expressão quase infame. Seu corpo de formas voluptuosas , com seios fartos era do tipo que exalava sedução por todos os poros. Sharon era o típico protótipo da californiana, o terror dos sonhos de qualquer mulher. __ Venha Dana...estamos acabando o jogo aqui... – Sharon conseguia intimidar até com a sua voz rouca e manhosa. Scully encaminhou-se até a mesa de carvalho, ordenada de cadeiras bem apanhadas. Não sentia-se muito confortável. __ Dana...- miou Sharon - ...conhece o Mulder a quanto tempo? Pergunto- lhe isso porque os achei íntimos.. Scully arqueou o supercílio direito e pressionou os lábios. __ Bem....sim, nos conhecemos a algum tempo. Desirré escutava com atenção. Sharon encostou-se mais na cadeira, cruzando os braços, pressionando os seios enormes, que saltavam como dois globos por sob o decote da blusa justa. Deu um sorriso enigmático, passando os olhos por Scully. __ Nunca teve nada com ele Dana? – Sharon encarava Scully. Scully contraiu o cenho e passou a língua nos lábios. Evitava olhar diretamente para Sharon. __ Por que pergunta Sharon? __ Sinto que ele atrai você...não precisa responder Dana..mulheres sabem dessas coisas..ainda mais com um homem daqueles ao lado... – Sharon deu uma pausa provocativa – moreno, alto, ombros largos, olhos verdes sedutores, lábios provocantes, ......ele é quente... Scully olhou cínica para Sharon, que ainda mantinha a expressão perniciosa. Desireé percebeu que a situação não estava das melhores. Sharon tinha o costume de provocar. __ Dana...vamos até a cozinha..preciso de um café.. Scully e Desireé caminharam até a cozinha, enquanto Sharon dirigiu-se até a sala onde encontravam-se Mulder e Juan. __ O que os meninos estão fazendo? Hum...vocês ainda estão na idade disso aí hein? Deixe que eu mostro algo mais interessante.. Sharon parou ao lado de Mulder, apoiando os cotovelos na mesa, deixando os seios à mostra. Mulder e Juan olhavam abobados para ela. __ Aqui Mulder.. – Sharon parou entre ambos, enlaçando o braço no ombro de Mulder, posicionando a mão direita sobre a dele, guiando o mouse. Os dois ainda continuavam como marionetes à mercê dela. __ Aqui....isso sim é didático, inteligente, interessante...licença rapazes...vou acompanhar o clube da Luluzinha lá na cozinha... __ Ei..Mulder...ela entrou no site do cama sutra! __ Droga...porque que eu não trouxe a minha coleção para cá? Acho que ela iria gostar de ver vídeos "educativos" e revistas "informativas".... .................................................. 10:00 PM A sala encontrava-se completamente escura, somente iluminada pelas imagens ululantes que vinham do enorme home theather, localizado na parede de fundo do recinto. Os sete integrantes do grupo estavam sentados no sofá em forma de meia lua, de couro cor de chumbo. Juan e Desireé conversavam animadamente numa das pontas do sofá. Sharon, entre Juan e Mulder, observava-o com o canto dos olhos, enquanto remexia o corpo, fingindo olhar para a TV. Mulder, totalmente absorto pelas imagens do documentário que passava sobre ufologia, comia algumas sementes de girassol. Scully, ao seu lado, pegara no sono e tinha a cabeça encostada no ombro de Mulder. George, ao lado de Scully, lia um livro e Giovanni uma revista. __ Ei..Scully..acorda! Olha isso! Estão passando informações sobre a montanha Skyland.. – Mulder falou baixinho. __ Hum...o quê Mulder? – Scully levantou os olhos em direção aos de Mulder, com a voz embargada em sono. – Ah..me desculpe..escorreguei. Mulder apontou para a TV, enquanto Scully olhava sem interesse. Os demais continuavam interessados no que faziam. Somente Sharon prestava atenção nos dois. __ Mulder...é apenas mais um documentário sem coerência ou provas... __ Como pode dizer isso Scully? Estão relatando o que aconteceu realmente! __ Aconteceu o que Mulder?? Eu não lembro de nada! __ Apenas olhe.. Scully sentou ereta no sofá, cruzando os braços e pressionando a mandíbula e os lábios. Mulder a observava curioso, com seu sorriso de menino. __ Scully, vou te falar uma coisa muito interessante...e não me revogue porque tem bases científicas ok? __ Sim Mulder, sou toda ouvidos – disse Scully, em tom sarcástico. __ Sabia que a possibilidade de haver planetas com civilizações inteligentes na via Láctea é de 100.000??? __ hummmmm, mesmo? – pigarreou Scully, irônica. __ Te explico....isso vem de uma fórmula de Frank Drake, o maior radioastrônomo do planeta. Olha só: Pega-se o número de estrelas da Via Láctea, em torno de 200 bilhões. A fração de estrelas com planetas ao seu redor, uma estimativa de 0,5. Então olha-se a fração de planetas com estrelas capazes de Ter vida: de 1 a 5. A fração de planetas onde a vida se desenvolveu é de 0,1 a 1,0. Os planetas onde a inteligência pode Ter- se desenvolvido é de 1,0. As civilizações que se comunicam: 0,1 a 0,9, e o tempo em que essa civilização enviou sinais é de 0,000001. Multiplica- se tudo isso e o resultado é em torno de 100.000!! E isso só na Via Láctea!! Scully começa a rir, chamando a atenção dos outros. __ Porque está rindo Scully? __ Mulder...você me diverte! Sei que esses cálculos vem de estudos, mas são totalmente improváveis, criados por homens! Agora só falta me dizer que é só construir uma nave, tendo como combustível a fusão nuclear, à velocidade da luz, que conseguiremos encontrar outros planetas com vida inteligente...Mulder, faça-me o favor.. __ Dana..... – Sharon interviu – Nunca foi provado que essa tecnologia seja viável do ponto de vista das leis da Física Aplicada atualmente. A Física não é imutável, sofre paradigmas, como Einstein o fez, com sua teoria da relatividade. Naquela época, vários cientistas o revogaram, chamaram-no de louco, mas para surpresa de todos, ele estava certo. E em toda a história da ciência foi assim! Os ditos loucos, adoradores do demônio, que eram queimados na fogueira por blasfêmia, na verdade eram gênios, verdadeiros cientistas, que descobriram muitas coisas que só conseguimos provar hoje! Portanto, não revogue as teorias de homens que são considerados inconstantes hoje....agora parecerá ficção...mas daqui a alguns anos, poderá Ter comprovação. E como sabemos se a nossa concepção de leis físicas estão corretas??? Porque temos essa visão antropocentrista, de que um planeta, para ter vida, precisa ter água, oxigênio, nitrogênio, temperaturas e atmosfera semelhantes às da Terra ??? Sabemos que existem muitos microrganismos que vivem em condições totalmente avessas às nossas. Aqui podem ser microscópicos, mas não seria improvável a possibilidade de seres inteligentes com outra forma de obter energia, não tirando do oxigênio. Pois isto é um egoísmo de nossa parte! A raça humana acha-se tão inteligente e evoluída, que espalha aos quatro ventos suas teorias....estamos rumando para um novo milênio...precisamos nos adequar às possíveis correlações que provavelmente virão para mudar isto... Mulder observava absorto o discurso de Sharon. Seus olhos brilhavam de surpresa e admiração. Ele sorria entorpecido para a loira voluptuosa a sua frente. Scully escutou impassiva, sentindo o calor subir de seus pés até chegar em seu rosto, que naquela hora devia estar denunciando o que sentia. Indignação e vergonha. Haviam subestimado a sua inteligência. __ Mulder...vou me deitar. Estou com sono. Boa noite a todos! Mulder não a escutou. Mantinha seus olhos fixos em Sharon. Ambos conversavam ansiosos sobre um assunto de interesse recíproco. Mulder gesticulava, tocava nos ombros e mãos dela, que fazia o mesmo, distribuindo sorrisos, enquanto falavam um com o outro. Scully sentiu aquilo como se fosse uma faca a enterrar-se em seu coração lentamente. Levantou-se e, despercebida, rumou para um dos dormitórios. .................................................... 2 DIAS DEPOIS... PRIMEIRO NÍVEL – LABORATÓRIOS DE CLIMATOLOGIA, RADIOASTRONOMIA E SISMOLOGIA O respaldar dos sapatos sobre as plataformas metálicas do subnível, entre o nível de descompressão e o primeiro nível de laboratórios ecoava quebrando o silêncio de semanas. Sete vultos passavam pelo corredor de acesso rapidamente, com fisionomias ansiosas. __ Provavelmente não os encontraremos no primeiro nível. Pela mensagem recebida, ficaram no terceiro. Mas como todos os níveis possuem suas instalações independentes, com reservas alimentares e de oxigênio, não haverá perigo. – George relatava de maneira profissional. Os outros escutavam atentos. __ Mas porque não enviaram buscas anteriormente?? – Mulder perguntou. __ Iríamos fazê-lo, porém, como recebemos mensagens dizendo estar tudo bem, e o prazo não estava extinguido ainda, resolvemos esperar pela hora certa. __ Quem eram? – Mulder questionou, mordendo a comissura bucal esquerda. Os outros o olharam sem entender. Mulder direcionou um olhar de ajuda para Scully. __ Ahh, desculpem-me, mas como sabem, Mulder é psicólogo...não fazia parte das pesquisas até agora.. – Mulder suspirou em alívio. __ Claro, havia me esquecido. Os tripulantes são Diane Keston, exobiologista, Joanne La Costa, bióloga molecular, Chris Coldran, perito em mergulhos profundos e mecânica submarina, Thomas Keller, biofísico e matemático, Marcus Costa, oceanólogo, Ézio Tsumoto, engenheiro espacial, Alison Smith, bioquímica. Mulder contraiu o senho, fazendo expressão de concordância. Os outros caminhavam mais à frente, observando a arquitetura do local. Scully encontrava-se junto a Mulder. Chegaram até a porta de acesso ao 1o nível, grande, feita de titânio, com dispositivos eletrônicos. George aproximou-se de um pequeno orifício à direita da porta, encostando o dedo em uma placa metálica. EM segundos a porta se abriu. __ Dispositivos por impressões digitais...interessante, mas hoje em dia, não são novidade. Qualquer prédio do governo utiliza isso... – disse Mulder, impassível. __ Engana-se Dr. Mulder... __ Só Mulder...desse jeito me sinto um velho caquético... __ Oh, desculpe-me..Mulder... mas não é por impressão digital. – George estende a mão até o nível do rosto de Mulder e mostrou o orifício na ponta do dedo indicador. __ Análise sangüínea??? Mas como...levaria mais tempo... __ Temos coisas aqui que vocês nem imaginam... Scully percebeu que Mulder começava a se entusiasmar com os relatos. E isto seria extremamente perigoso...não conseguiria manter o segredo do caso por muito tempo. Teriam que fingir trabalhar, e investigar o que aconteceu..."Se aconteceu alguma coisa....eu mato o Skinner!" Adentraram em uma enorme sala, repleta de equipamentos e computadores, que ocupavam toda a periferia. O dobo de vidro transparente, de aparência frágil, era apenas o que os separavam das profundezas do oceano ao redor, negro e assustador, dando- lhes a impressão que se partiria a qualquer momento. Mulder observava boquiaberto as instalações. Na extremidade esquerda da sala, divisou a área da radioastronomia. Dirigiu-se até lá com pressa, ignorando os olhares em pânico de Scully. Sharon seguiu-o. __ Droga...Mulder! Você vai nos por em encrencas... – sussurrou Scully, para si mesma. __ Desde a nossa conversa, percebi que tens fascínio pelo cosmos...alias, quem não tem?? Todos, só que apenas alguns veneram, outros temem.... __ Nossa... estou impressionado!! – Mulder, sentado na cadeira central, olhava com os olhos brilhantes para os terminais repletos de botões e alavancas, que ocupavam até 2 metros do chão. – Como coletam informações daqui? __ Estamos interligados com os maiores radiotelescópios do mundo, inclusive o de Arecibo, em Porto Rico, que possui a maior antena do mundo, encravada entre morros. Scully aproximou-se para ouvir melhor. __ Humm...monitoram cada pedaço do espaço por ondas de rádio...continuam usando ainda a faixa entre 1420 e 1720 megahertz?? Scully pressionou os supercílios, ouvindo estranha o relato de Mulder. __Ah...sim, continuamos usando estas. __ Como dizes Sharon... – Mulder lançou um olhar portentoso para Scully - a busca mais plausível seria usar mesmo essas freqüências...1420 Mhz é a freqüência de onda do Hidrogênio, o elemento mais abundante no universo...e 1720 Mhz é a freqüência da hidroxila OH...juntas, formam a água...o "buraco da água", o elemento vital para a evolução e existência da vida...na visão humana, claro. Mas é a mais abrangente. __ Claro, mas também usamos estas freqüências por serem as mais silenciosas , que não sofrem tanta distorção por nossos satélites. Entretanto, como disse-lhe anteriormente, considerar a água como elemento principal, mesmo não tendo como revogar tal teoria, é antropocentrista e ... __ ... e os alienígenas não tem a menor obrigação de aplicar uma lógica humana nas emissões de sinais pela galáxia. A escolha pelo buraco de Água é apenas um palpite Sharon...Não temos como adivinhar o que ELES pensam, e não temos o direito de inferir conhecimentos humanos...ainda estamos engatinhando com a ciência... __ Bom Mulder... – Sharon olhou para Scully, enquanto projetava o corpo com orgulho – O importante é que os ETs façam a ligação, e que nós sejamos capazes de recebe-la...Mesmo que seja a cobrar. Mulder abriu um lindo sorriso de contentamento, enquanto levava uma das mãos à cabeça, puxando sensualmente o cabelo para trás. Usava a sua tradicional camiseta cinza justa, que provocativamente realçava-lhe o corpo másculo. Scully percebeu suas mãos molharem e a nuca eriçar. Mulder fitou-a com um sorriso cínico, enquanto passava a língua nos lábios, provocando-a. Scully sentiu seu coração pular, bombeando litros de sangue que subiam rapidamente pelas carótidas até seu rosto. Sua face queimou, enquanto Sharon sentou-se ao lado de Mulder, com olhar sinuoso. __ Dana....- George chamou-a – venha, seu laboratório é no 2o nível, LAB 2, laboratórios da área biológica.... Enquanto George lhe relatava os detalhes, Scully mantinha sua mente distante. Mulder e ela estavam ligeiramente afastados ultimamente, tanto por divergências de opiniões, mas como pelo estresse causado pelo Bureau. Mantinham o respeito e a amizade sempre, porém, ela sentia que algo os separava. Mulder não mais a tocava, e sim ela que inferia gestos nele. Sentia-se sozinha, e com uma sensação estranha de sufocamento. A cada olhar frio que Mulder lhe lançava, parecia sentir alguma parte de sua alma esvair-se. "Droga....acalme-se Dana..Mulder é apenas um homem atraente que desperta certas sensações nas mulheres...normal, nada mais normal.." Mas ela sabia não ser somente isso. George despertou Scully de suas divagações. Parecia preocupado. __ Não tenho acesso ao terceiro nível..não sei o que ocorreu. George dirigiu-se até um dos vários terminais e acionou o microfone interno. __ Grupo C17 chamando C16..Aqui quem fala é George Strass, membro e atual líder da equipe...precisamos verificar quais as condições em que se encontram...não conseguimos acesso a níveis inferiores... O ruído espalhava-se pela sala, sem resposta. __ C17 chamando C16....Alguém na linha?? O ruído alterou-se, tornando –se mais agudo. Uma voz feminina ecoou baixa. __ Grupo C17, aqui é Diane Keston, líder do grupo C16... – ouve um tempo – estamos bem. AS portas de acesso estão com problemas, mas estamos resolvendo....há bastante suprimentos ainda, não se preocupem. Quando arrumar-mos, avisamos. E o ruído voltou. __ Bom, ao menos sabemos que estão bem. Scully concordou balançando a cabeça. .................................................. 1o NÍVEL – ÁREA DOS DORMITÓRIOS 11:45 PM Depois de conhecerem os 2 primeiros níveis de trabalho, todos dirigiam-se para seus quartos. Os dormitórios estavam dispostos como uma pizza dividida, de tal forma que as portas dos mesmos encontravam-se quase unidas umas às outras, circularmente. __ Forma engenhosa...um círculo não possui arestas, mas ocupa uma maior área em menor espaço...alias, formas "redondas" fascinam, nada possui ângulos retos na natureza... – Mulder fazia um gesto com as mãos como emoldurando um círculo – e temos tantos exemplos disso.. – mudou o gesto, como se apertasse alguma coisa no ar, fazendo biquinho com os lábios, apontando para o bumbum de Sharon que caminhava rebolativa a sua frente, enquanto olhava divertido para Juan, que começava a rir. __ Mulder!!! – Scully o puxou pelo braço, fazendo curvar-se até a altura dos lábios dela, que cochichou – Pare com isso Mulder!! Realmente, faz jus ao que te chamam no Bureau! Colocarei isso no meu relatório!! Mulder olhou para ela e formou um beiço, cara de cachorrinho pidão. Scully tentou conter o riso. __ Mulder, você não vai me fazer rir! Para com isso! Bobo! Falando sério, não pode comportar-se desta maneira! __ Adoro quando você sorri Scully...não sabes o quanto fica linda... Scully sentiu suas pernas amolecerem. Mulder sussurrava em seu ouvido...ele não sabia o que esse simples gesto lhe provocava. __ Boa Noite Scully..ah, não esquece de passar aquela sua gosma verde alienígena no rosto...alias, tem um pouco dela aqui?? __ Oras...porquê? __ Porque eu acho que o Mulder aqui está ficando velho...estou vendo umas ruguinhas aqui... – Ele se abaixou, enquanto colocava as mãos dela sobre seu rosto. Scully transpirava frio. – Já pensou Scully?? O Spooky vai virar uma ameixa seca! __ Vai dormir Mulder...você já é uma ameixa seca... __ O quê ?!?!?!?! __ É estranho, obscuro, não tem lá um "gosto muito agradável", mas é totalmente necessário para o bom funcionamento do organismo....e todo mundo que sabe disso, come!!!! Mulder arqueou as sobrancelhas e fez expressão surpresa. __ Não estou te reconhecendo Scully! Que linguagem perniciosa é essa?? Onde está agente Dana "santinha-CDF-cética" Scully que conheço?? Estou ficando com medo... __ Má influência sua Mulder...vai, vá se deitar. Amanhã teremos trabalho..anda, mexa-se! Mulder elevou a mão direita, estufou o peito e fez continência. __ Sim, senhor general! Cabo Mulder a seu inteiro dispor! Scully rebateu com um sorriso sarcástico e entrou em uma das portas. Mulder sorriu e entrou na porta ao lado. Todos já encontravam-se em seus aposentos, em uma lúgubre espera pelo desconhecido. .............................................. QUARTO 6 2:46 AM Scully remexia-se sob os lençóis azuis. Pronunciava palavras desconexas, e o suor abrangia todo o seu corpo. Em súbito, sentou-se na cama, respirando com dificuldades, os olhos estalados. __ Droga...foi muito real...preciso parar com isso.... O quarto encontrava-se completamente escuro e silencioso, apenas uma fina lâmina de claridade invadia a soleira da porta. Lá fora, tinha a nítida sensação de ouvir estalidos e murmúrios. Um frio corrente lhe percorreu a espinha. Lentamente, ela desceu da cama, tentando não rescindir ruídos. Vestia a peça superior do pijama de seda azul marinho. Foi até a porta e encostou o rosto no metal. Ouvia claramente algo que pareciam rosnar de cachorros raivosos. Scully direcionou o olhar para a soleira da porta, e uma grande sombra arrefessou. Trôpega, quase caiu no chão pelo susto. Olhava reticente para o movimento da sombra sob sua porta. Em súbito, com dificuldades, foi até seu armário de pertences e puxou o celular. Selecionou Mulder, porém, para seu desespero, a chamada não completou. __ Mulder, acorda praga!! Ouviu algo que pareciam garras arranhando de leve a sua porta, como que acarinhando-a. Seu coração batia tão rápido que parecia ouvir as bulhas saltarem sobre seus tímpanos. Sentiu todos os seus músculos retesarem-se, prontos para o possível ataque. De repente, a porta se abriu. Scully arregalou os olhos, mas só conseguiu divisar o vulto alto sobre a intensa claridade que vinha de fora. Queria gritar, se defender, mas algo mais forte a impedia de fazer tal coisa. Suas cordas vocais negavam-se a vibrar, seus músculos não obedeciam às sinapses elétricas e químicas entre os neurônios desesperados. Tinha a nítida sensação que mãos invisíveis a seguravam, enquanto machucavam sua pele enterrando-lhe agulhas afiadas. A criatura entrou, fechando a porta sobre si. Novamente a escuridão envolveu-a. Sabia o que lhe aconteceria se não reagisse, porém, não conseguia. Lágrimas sôfregas escorreram por sua face amedrontada, enquanto ela tentava em vão preparar-se para o inevitável. Em súbito, a luz iluminou a peça, e Scully divisou o agressor. __ O que??? Mulder!!!!!! Mulder continuava parado ao lado da porta, observando-a complacente. Trajava somente a surrada calça pijama. Scully foi até ele e o abraçou em desespero. __ Droga, onde você estava! Tinha alguma coisa ali fora, que não sei dizer o que é, mas tinha! __ O que Scully? Ficou maluca? Scully fitou os olhos verdes transparentes dele, singelos, que não mostravam qualquer sinal de discórdia. __ ãhh? O que disse Mulder?? Alias, o que está fazendo aqui? Como entrou? O acesso se dá com impressão digital, não teria como en... Sem ela imaginar, Mulder a envolveu nos braços, girando o corpo e pressionando-a contra a parede. Scully sentia a respiração quente e descompassada dele sobre seu pescoço. __ O que está fazen..Mu..Mulder... Ele aproximou seus lábios trêmulos sobre os dela, que respirava o ar quente que lhe saía da boca. Em reflexo, Scully tentou desvencilhar-se, mas Mulder agarrou seus pulsos, elevando seus braços acima de sua cabeça, deixando-a parcialmente imóvel. Scully sentiu sua respiração entrecortar, enquanto Mulder lhe puxava suavemente os lábios com os seus próprios. Scully não ousava se mexer. Mulder circulou a língua sobre os lábios dela, e logo após Scully sentia aos poucos suas línguas se tocarem, em um beijo intenso. O banho de serotonina que seu cérebro recebia fazia Scully arrepiar-se intensamente, sentindo que seu cérebro mandava inconscientemente sinais para as partes baixas de seu corpo, impedindo-a de relutar. Uma das mãos de Mulder segurava os braços de Scully ao alto, enquanto a outra aventurava-se pelo corpo curvilíneo, chegando aos poucos onde ela queria ser tocada. Quando percebeu, soltava gemidos impensados, ao mesmo tempo que serpenteava o corpo sobre o dele. Conseguiu soltar suas mãos, mas agora ela não queria parar. Agarrou-lhe as nádegas com força, trazendo-o para mais perto de si. __ Mul..der...não..não podemos fazer isso..uhh...não para... Mulder puxou as coxas de Scully, fazendo-a envolver o seu quadril em um abraço carnal. Scully sentia a língua quente dele descobrindo a sua, e depois percorrendo seu pescoço lentamente, enquanto ela gemia baixinho. Como era maravilhoso sentir o gosto dele, seu cheiro masculino embargando-lhe os sentidos. Scully ainda não acreditava no que acontecia. Sempre o desejou, porém, nunca teve coragem de exteriorizar esse sentimento. E ainda tinha receio. O que Mulder iria pensar de uma atitude dessas? Ela nem ao menos lhe ofereceu resistência, mas sim, entregou-se imediatamente. __ Espera Mulder...não.. Scully desprendeu suas pernas dele, trêmula, tentando lutar contra o desejo que sentia. Mulder não lhe deu ouvidos, e em um movimento rápido, abriu-lhe a camisa do pijama, esparramando os botões ao chão, como miçangas, expondo seu corpo de mulher, denunciando o desejo na pele. Scully paralisou, momentaneamente desconhecendo o homem que ali estava. Mulder ajoelhou-se, beijando-lhe ventre feminino sensualmente, o que a fez desistir de sua resistência. Com as mãos fortes, colocou uma das pernas dela sobre seu ombro direito, enquanto beijava-lhe a parte interna da coxa. Com as mãos, delicadamente retirou a langerie vermelho escura que ela vestia, deixando-a nua. Ela envolvia suas mãos nos sedosos cabelos dele, como que guiando-o para zonas mais sensíveis. Scully remexia os quadris involuntariamente, seguindo os movimentos que Mulder lhe fazia com os lábios e língua. Já quase não agüentava, tentava segurar-se em algum lugar para não gritar, mas apenas o pressionava ainda mais contra si. __ Não podemos Fazer...isso Mulder... Mulder subiu com os lábios até os seios , e mordiscava de leve os mamilos túrgidos, enquanto tinha uma das mãos sobre os lábios dela, sentindo Scully sugar-lhe os dedos avidamente. Mulder a enlouquecia, tirando-a da razão e racionalidade a que estava acostumada. Scully sentia medo por isso, mas esse sentimento apenas aumentava a sua ânsia por ele. Precisava tê-lo, imediatamente. Scully o puxou para si, puxando rapidamente a calça pijama para baixo, e com pé, levando-a ao chão. Mulder arregalou os olhos, enquanto ela o fitava com um olhar maléfico. __ Nossa Scully... __ Me provocou Mulder... Mulder novamente a enlaçou sobre si, enquanto Scully sentia a pressão viril dele sob seu corpo. Scully gemia baixo, enquanto Mulder sussurrava ao seu ouvido. Aos poucos, o sentiu adentrar-lhe, embargando-a em ondas de prazer tão intensas que teve a sensação que iria desmaiar. Mulder movia-se lentamente sob ela, enquanto a segurava firme contra a parede. Scully sentia o corpo rijo e másculo contra os seu, o suor misturando-se ao dele, os músculos contraídos em êxtase crescente. Mulder percebeu que Scully começava a soluçar, e seus músculos a tremer. Ao invés de acelerar, diminuiu o ritmo, prolongando o prazer dela. Scully, com esforço, abriu os olhos sem entender. Ele apenas sorriu cínico, enquanto sentia as mãos dela sobre suas nádegas, empurrando-o contra si. __ Mas que fome é essa? – Disse Mulder, entre expiradas difíceis. Scully não conseguiu responder, mas começava ela própria a remexer o corpo contra o dele, sentindo a parede dura bater repetidamente em suas costas. Tinha a nítida sensação de que iria explodir a qualquer momento. Sua respiração começou a ficar mais e mais difícil, extinguindo-se. Mulder novamente diminuiu seu ritmo, resultando em uma reação quase violenta dela, que lhe arranhava as costas em desespero, ao mesmo tempo que devorava os lábios avantajados dele. __ Por favor Mulder...não faz isso comigo, eu te imploro..- disse Scully, clamando entre soluços. As palavras sôfregas surtiram nele como pedidos cabalísticos. Sentiu- se poderoso, olhando maravilhado para o rosto lamurioso dela, pedindo por ele, desejando-o em todo o seu ser, necessitando de seu corpo com urgência. Ele próprio já não conseguia controlar o que fazia, percebendo sua pressão subir rapidamente. Mas queria esperar o momento certo. __ Mulder.. – continuou pesarosamente Scully - desse jeito vou acabar necrosando os meus músculos pélvicos por hiperemia...o bulbocavernoso.. isquiocavernoso.. pubovaginal... __ Credo..S..Scully...até aqui você lembra que é médica... – respondeu Mulder, já quase sem respirar – certo...vou deixar você se besuntar.. Em súbito, Mulder moveu-se até a cama, sentando de joelhos sobre o colchão, de modo que os dois pudessem mover-se ao mesmo tempo. Ambos respiravam asmaticamente. Mulder encontrava-se febril, agora aumentando o ritmo, com Scully acompanhando-o na dança extasiante. Ela já praticamente gritava, mordendo os lábios, e ele abafava os gemidos beijando-a com desespero. Mulder encontrava-se completamente dentro dela, mas Scully queria mais, mesmo que impossível. Não saberia dizer onde Mulder começava e onde ela terminava. O fato de Mulder ser muito maior do que ela só aumentava a sua excitação. Scully fazia movimentos de modo que ele a penetrasse com profundos golpes. Ele sentiu que o ápice aproximava- se, e agarrou-se às nádegas dela com força, pressionando-a contra si, de modo que a sentisse o máximo possível. Repetiu o movimento e soltou um gemido alto, enquanto Scully tinha a face contorcida em dor e prazer, mordendo os lábios e apertando os olhos. Mulder sentiu o corpo frágil dela entrar em espasmos incontroláveis, violentos. Em desespero, ela arranhou-lhe as costas musculosas, e mordeu com força seu ombro esquerdo, enquanto Mulder, enlouquecido, a pressionava violentamente contra o seu corpo. Rapidamente ambos atingiram o êxtase, que prolongou-se por longos segundos, deixando-os quase inconscientes. Caíram praticamente desfalecidos sobre o colchão. Cãibras torpentes atingiram as coxas de Mulder, que as tencionara o tempo inteiro. Ambos ainda estremeciam, um colado ao outro. __ Scully...foi a coisa mais maravilhosa que eu já presenciei – disse Mulder, sentindo seus músculos chiarem, ao ver a expressão dela durante o orgasmo. Ela apenas sorriu, sem forças, beijando-lhe suavemente os lábios molhados. Não tinha forças para falar. Scully percebeu que havia mordido Mulder com mais força que pensara ser possível, deixando uma basta área isquemiada , onde divisava a impressão de seus dentes, circulada por um grande vermelhidão inflamatório. Pensou em limpar o ferimento, mas encontrava-se exausta. O beijou novamente, sentindo-se desejada e protegida, mas ao mesmo tempo culpada. Não pelo acontecido. Mas por Ter perdido tanto tempo. ............................................... 5:40 AM __ Scully....Scully??? Acorda!! O som abafado da voz a despertou-a, sobressaltando-a. De relance, lembrou-se do acontecido, e pensou ser um sonho. Mas não fora. Encontrava-se nua sobre a cama revirada, o lençol manchado com secreções, ainda sentindo o cheiro dele sobre si, o pijama rasgado ao chão. __ Meu Deus...não lembro do que aconteceu depois...mas...como ele entrou aqui? E quando saiu??? __ Vamos Scully, descobri umas coisas estranhas aqui....o pessoal não acordou ainda...preciso falar-lhe! O tom reticente dele parecia não demonstrar o que passaram na madrugada. Scully estranhou, mas decidiu não interpelá-lo. __ Calma Mulder...preciso tomar um banho... __ Não, venha agora... Scully levantou-se, vestiu jeans e camiseta, e direcionou-se à porta. Ao abri-la, avistou Mulder com a expressão quase infantil que fazia diante a uma descoberta. Vestia uma regata branca de algodão muito justa, e um jeans que provavelmente fora de seu pai, tamanha era a destruição do tecido. Mulder abriu um sorriso, com olhos fúlgidos. Agarrou-lhe as mãos e puxou-a rapidamente para a primeira ala de laboratórios. Scully estremeceu ao toque quente das mãos dele, mas estranhou mais ainda o fato dele parecer ignorar o que acontecera. Agia normalmente, sem qualquer constrangimento, enquanto ela sentia seu sangue invadindo os capilares da face rapidamente. Pegou-se admirando-o, prestando atenção nos músculos que apareciam por sob a regata. Mulder parecia não perceber nada. Scully...você não vai acreditar no que vi essa noite...não vai mesmo!! Mas tenho como provar! Passei a noite aqui observando... Scully sentiu seu coração isquemiar. __ Como??? Passou a noite inteira aqui??? __ Claro Scully, não dormi, como de costume...o Mulder aqui não sabe o que é dormir direito a um certo tempo...porque? __ Mas voc...mas como? __ Como o quê Scully? – Mulder contraiu o semblante, não entendendo. __ Espere...- Scully foi até ele e afastou a alça esquerda da regata. Engoliu em seco. Não havia vestígio algum de agressão física, no caso, a mordida. Mulder a fitou confuso. ............................................ A água quente e relaxante incidia diretamente sobre sua nuca, onde podia-se notar a leve saliência. As paredes metálicas do banheiro pareciam rescindir o som da água. Scully continuava com a cabeça baixa, com os braços esticados sobre a parede atrás da ducha. Encontrava-se confusa, aturdida com o que acontecera. Não entendeu o que se passara. __ Mas isso é impossível...ainda o sinto em mim, seu cheiro, seu gosto, tudo...quando o mordi, lembro ainda de ter olhado para a área machucada que ficara. Não poderia ter curado tão rápido. Levaria mais de semana. Isto é cientificamente impossível...o ser humano não tem capacidade de regeneração tão intensa...nem que tivesse seu metabolismo plaquetário aumentado, e todos os seus leucócitos direcionados para a área...nem mesmo Mulder! não há como!! Scully terminou a ducha, secou-se rapidamente e vestiu-se com a mesma roupa. Teria que explicar sua reação diante dele. O que a salvaria possivelmente seria o entusiasmo de Mulder pela descoberta. "Sim...é só eu perguntar que ele vai esquecer do que falei...isso". pensou ela. Mulder a esperava no laboratório. Encontrava-se absorto com o que fazia, e isso, de certa forma, aliviou-a. __ Me mostre o que descobriste então. __ Olhe só...eu mesmo estranhei, mas me espantei depois. Gravei para lhe mostrar. Olhe para os monitores de movimento...sabes que tem sensores de movimento em todo o complexo...pois eu estava observando alguns monitores e de repente.... Mulder voltou a fita do terceiro nível de laboratórios. Tudo silencioso, e o infravermelho não mostrava nada. __ O que de tão interessante Mulder? __ Preste atenção! Em súbito, o som baixo e estridente ressoou, e várias sombras esverdeadas ressurgiram na tela escura. Scully arregalou os olhos, olhando descrente, enquanto Mulder a fitava curioso. Durante alguns minutos, a torpência de imagens continuou, com algumas realmente estranhas, sem formas humanas. Assim como surgiu, as imagens sumiram. __ Mulder....é fraude!! __ Como fraude Scully!! Eu estava aqui, eu vi!! __ Podem ter adulterado a fita, colocado outra...não, não pode! __ Bom, se somente fosse isso...tem mais coisa...não entendo muito de monitoragem radiotelescópica, mas aprendi muito com os três metralhas lá, e em convenções... __ ....e com a miss califórnia "peitowatch" Sharon Waves... – Scully não conseguiu esconder a reticência na voz. __ Nossa Scully!!! Nunca a vi assim....seria...ciuminho do Muldinho aqui?? Scully não respondeu. Limitou-se a lançar um olhar glacial, fazendo-o entender que ela não estava para brincadeiras. __ Tá..me desculpe..aqui, te mostro. Captei alguns sinais repetidos..estranhei, porque não entendo muito bem os comprimentos de onda..mas elas começaram a se repetir, como um código. Tentei localizar de onde vinham...foi daí que quase caí da cadeira... Scully o fitou com a sobrancelha direita arqueada, fazendo gestos de "o que mais?" com as mãos. __ Os sinais vem daqui Scully...ou de alguma coisa que esteja muito perto daqui. __ Você Ter visto errado Mulder! __ Não é errado não...esperarei Sharon para confirmar.. __ Vai revelar a todos??? Vai causar pânico Mulder! E eles não podem saber que somos agentes do FBI!! __ Não saberão...mas não posso esconder os dados da Sharon...ela trabalha nisso..quem sabe ela nos traduz a mensagem... ............................................................. 8:00 AM Os sete integrantes desciam pelos níveis da estação com o objetivo de chegar ao 3o e último nível. George encontrava-se visivelmente perturbado, receoso com o que veria. Mesmo tendo recebido as mensagens, algo lhe dizia que alguma coisa estava errada. Sharon conversava séria junto à Mulder e Scully, sobre os sinais recebidos por Mulder. __ Mulder..não deveria Ter entrado lá...mas agradeço, se não fosse você, não teríamos melhor indício. O problema é que preciso contatar outros radiotelescópios para saber se o sinal vingou...caso só tenha sido aqui, me desculpem, mas não adiantará nada. Pelo padrão de ondas, realmente me parece uma mensagem cifrada..o problema é descobrir o código do possível "Hamurabi" que mandou... __ Sharon...mas os sinais, pelo que vi, vieram daqui... __ Engana-se Mulder...apesar do "buraco de água" ser limpo, sempre poderão ocorrer interferências...preciso analisar melhor. Quando voltarmos, faremos isso. Caminharam até uma pesada e enorme porta de titânio, esta maior do que as outras. __ Este é o nível três...acesso ao LAB3 . Por Ter acesso ao oceano, é mais reforçada, devido ao perigo de descompressão. Nunca ocorreram problemas, mas é sempre bom prevenir. Cris Coldran, um dos tripulantes da C16 informou-me ontem que havia arrumado os sensores da porta. Só que a porta só poderia ser aberta por fora. Depois que liberar o dispositivo, não será mais problema. Os demais acenaram com a cabeça. George levou o polegar à chapa metálica, e em segundos a porta abriu. DO outro lado, apenas o silêncio. __ Onde estão eles? – interviu Desirré. __ Devem estar nos dormitórios...ainda é cedo.. – Juan tinha o hábito de mordiscar a comissura labial interna logo após falar. __ Só que o horário aqui em Atlântica começa cedo...devem estar nos laboratórios. Enquanto caminhavam pelo corredor metálico, Scully sentiu seus folículos pilosos arrepiarem-se, mesmo sem saber porque. Desirré levou a mão à nuca, e Scully pode notar a mesma reação. __ Você também Desireé... __ Não sei...me arrepiei..só que não sei o motivo. Sharon voltou o olhar para as duas e estendeu o braço. Pelos eriçados. __ Mas o que é isso? – Scully voltou o olhar para Mulder e os outros...permaneciam normais. Mulder nem sequer trocou de roupa. Continuava com a regata e o chergão jeans. Sharon limitou-se a dar de ombros em resposta. Chegaram mais perto do laboratório, mas ainda não ouviam nada. Quando irromperam na sala, avistaram os sete C16, sentados silenciosos em cadeiras. __ Diane Keston? – George pronunciou baixo, como se quisesse evitar incomodá-los. No mesmo instante, a morena alta virou-se de sua cadeira a abriu um sorriso. Chamou a atenção dos outros e foi de encontro ao grupo de George. __ Oh, que surpresa. Finalmente conseguimos. Poderemos ir para casa. – o tom era lascivo e calmo, quase sem expressão. __ Desculpe-nos pela demora! Aqui está a C17... – e George apresentou cada um do grupo à Diane, que fez o mesmo com o seu. __ Que prazer. Quanto tempo temos ainda para o retorno? – Joanne La Costa chamou atenção pela voz forte. __ Em torno de 2 dias voltarão. Na realidade, Atlântica tem espaço para até 20 pessoas. Não haverá problema. As incursões sobre LAB 3 demoraram em torno de 1h 30min. Mulder fascinava-se com tudo, e como uma criança, perguntava todos os detalhes. Giovanni e Juan observavam quietos, voltando suas atenções principalmente para Sharon e Joanne. George conversava com Diane e Marcus. Scully ainda sentia-se estranha, junto com Desireé. Observava Mulder com olhos famintos, e censurava-se a cada minuto. Parecia não controlar-se diante dele, principalmente quando ele conversava com Sharon, e agora, com Joanne, uma ruiva alta de cabelos encaracolados. ............................................ ALA RECREATIVA – NÍVEL DOS DORMITÓRIOS. Todos os 14 encontravam-se na mesa de janta, conversando animadamente. Scully estava ao lado de Mulder. Ambos estavam confusos diante do caso ministrado, pois não havia desaparecimento algum dos tripulantes. Todos estavam em perfeitas condições, assim como a própria estação. E não haviam se reunido para conversar sobre o caso. __ Scully.. – Mulder murmurava no ouvido dela - ...e o nosso caso? Onde está o mistério? Scully não respondeu. Sentia arrepios com a respiração quente dele em se pescoço. Percebeu seu corpo amolecer. __ Scully...ei, Scully! – Mulder deu-lhe um cutucão no ombro – o que está acontecendo contigo mulher? Desde hoje de manhã você está estranha! Tem me olhado de um jeito....se não te conhecesse a tanto tempo, pensaria que quisesse... Scully arregalou os olhos e o beliscou de leve no braço. __ O que Mulder? Pois não te dou o direito de pensar isto de mim! Justamente por que me conheces tanto! Pois eu digo que você está estranho! __ Scully..eu sou estranho. Alias, muito esquisito aquele seu papo de manhã...mas deixa para lá....o que acha do caso? __ Realmente Mulder, não tenho a mínima idéia! Não vejo correlação com os dados... Scully percebeu a expressão de pânico em Mulder. __ Mulder, o que foi?..Mulder!! __ Droga...não...não pode ser...como fui cego!!! __ O que criatura! Está me deixando nervosa!! __ Espere aqui Scully...não se mecha...se sairmos juntos, irão desconfiar..diga que estou com diarréia e que irei aposentar o banheiro 3, ok? __ Mas o que você irá fazer?? __ Se eu confirmar o que estou pensando...te prepara Scully...estamos em perigo..... ................................................. Depois da janta, todos já haviam se recolhido a seus aposentos. O grupo de Scully ficara onde estava, e o C16 estava um andar acima. Mulder esgueirou-se até os laboratórios, despercebido, sem ao menos Scully entender o que acontecia. Scully ainda relembrava do acontecido na noite anterior, e, completamente confusa, perguntava-se o que havia acontecido. Tinha receio do que viria pela frente. Algo lhe dizia. .................................................. 4:42 AM Giovanni acordou-se sobressaltado, com um som estranho que vinha de fora do quarto. Vestiu o hobby e, pé ante pé, encostou-se na porta. Ouvia muito ao longe sons desconexos, parecendo ser gritos humanos. Sem pestanejar, adentrou pelo corredor, e, receoso, caminhava ao encontro do som que ouvia. Tudo parecia silenciar em certos momentos, porém, de repente, algo irrompia estridente. Pensou em voltar e chamar os outros, mas algo lhe impedia. Tinha de ir em frente. Adentrou pelo LAB 1. Tudo no lugar parecia ordeiro, no inquietante silêncio. __ Agora dou razão para um psicólogo estar entre nós....estou ouvindo coisas. Começou a voltar pelo corredor de onde viera, mas um rugido o fez estaquear. Voltou os olhos para o imenso dobo que abrangia a estação, e com dificuldades, pareceu permear vultos ao redor do vidro espesso. Confuso, continuava olhando, tentando controlar o pânico, voltou-se, mas não encontrara o caminho de volta aos dormitórios. Apenas a escuridão imperava como um véu negro sobre seu corpo. Um estampido grave ecoou, e imediatamente a água passou a invadir tudo, tão violentamente que Giovanni observava apavorado todos os equipamentos serem destruídos, enquanto uma onda portentosa vinha em sua direção. Queria mover-se para fugir, correr, mas não conseguiu. Cãibras passaram a atingir-lhe todos os músculos. Assim como vinha, a água irrompeu sobre ele, com tamanha força que sentiu seus ossos partirem-se como gravetos, ao mesmo tempo que no reflexo de respirar, sentiu aterrorizado a água gélida adentrar seus pulmões como pedras cortantes. Em agonia, sentiu o único fio de vida deixar-lhe. ............................................ 4:43 AM Scully acordou completamente sem ar, em agonia. Seu corpo inteiro tremia, gélido, como se tivesse passado a noite dentro de um freezer. Seus cabelos estavam colados ao rosto e pescoço, molhados. "Possivelmente foi o suor", pensou. Levantou-se rapidamente, ainda sentindo cãibras. Abriu a porta e parou diante da porta de Mulder. Ao mesmo tempo, Desirré irrompiam de seus quartos, em igual estado. __ Desireé? Sharon? O que aconteceu? __ Não sei Dana...acordei sem ar, molhada e com frio! – disse Desireé. __ Pensei que fosse morrer – Acrescentou Sharon. Scully arregalou os olhos. __ Meu Deus....idem. Quando acordei, tive a nítida sensação de estar me afogando! E estou molhada! O que está acontecendo.... – Scully lembrou da noite com Mulder. __ Não sei...mas tenho tido sonhos estranhos.. – Sharon relatou – muito estranhos... Scully a encarou como se perguntasse "E o que mais?" Sharon desviou os olhos em censura, e ela compreendeu. Possivelmente fora algo parecido com o que lhe acontecera. Um leve torpor tomou Scully de relance. Pensava se Sharon não havia sonhado com Mulder também. "Sonho?? Aquilo não foi sonho..."pensou. Scully bateu na porta de Mulder com os nós dos dedos. Não ouve resposta. Bateu novamente. Ouviu com dificuldades algo mexer- se dentro do quarto. Segundos depois ele abriu a porta. __ O que foi Scully? Não consegue dormir? Quer que eu lhe faça um cafuné e conte carneirinhos? Scully o fitou, censurando-o, fazendo um gesto com os olhos para mostrar a presença das duas junto a eles. Mulder fez sua expressão de pânico. Sussurrou " preciso falar com você...contatei os pistoleiros..", de modo que as duas não ouvissem. Desireé ruborizou levemente, sorrindo. Sharon sorriu maliciosa. __ Mulder...tem alguma coisa errada por aqui. Pensava ser só eu, mas Desireé e Sharon relataram-me algo parecido. __ O que Scully? __ Ambas acordamos com a sensação de asfixia. E olhe para nós! Estamos molhadas! Mulder passou os olhos por ambas, retesando os sobrancelhas, sarcástico. Mas percebeu a sinceridade nos olhos azuis assustados de Scully. __ Tem algo estranho aqui....não foi a primeira vez que aconteceu... __ Scully....quem é o cético por aqui??? Isso é influência hormonal, TPM, Lua, alguma coisa, mas não é você!!! __ Cale a boca Mulder! Estou falando sério! __ Certo....vamos ver no laboratório. Tudo fica registrado por aqui. Se for alguma coisa....mas ainda penso que isso é paranóia de vocês três! Estive acordado todo esse tempo! Se acontecesse algo nos LABS, eu ouviria! __ Mulder...pense bem! Venho percebendo algo no ar desde que entramos nesses laboratórios, e elas também. Se não percebeu ainda, foram só as mulheres que estão sentindo tal coisa! Pelo que vi, vocês não perceberam nada! __ Perceber o quê Scully? Não senti nada!! __ Humf!! Homens.... Scully o puxou para fora do quarto, empurrando-o em direção ao corredor. Desireé e Sharon só observavam. Mulder caminhava à frente delas, com um sorriso cínico nos lábios. Scully caminhava ao seu lado, com os braços cruzados, porém com expressão preocupada. Sentia-se ameaçada. Precisava entender tudo o que lhe ocorria ao redor, gostava de Ter explicações para todos os fatos. Era assim que sentia-se segura. Mas agora, não sabia o que estava ocorrendo. E isso a deixava totalmente vulnerável, como se tivesse à mercê de seu próprio medo. Quando irromperam no laboratório, divisaram Giovanni, deitado no chão , em frente à um dos computadores. Os quatro correram até lá. Mulder divisou a carótida, pinçando o pescoço de Giovanni ao redor da traquéia, mas não sentiu os batimentos impulsionarem pela artéria. __ Está morto. __ mas como?? – irrompeu Scully. __ O que aconteceu ?– acrescentou Sharon. __ Isso é o que você vai descobrir Scully, colocando suas mãozinhas para trabalhar. Mas pelo que vejo, foi afogamento. Scully e Sharon se entreolham desconfiadas. Desireé está em choque. Mulder percebe e irrompe mais rápido. __ Sim, sim, eu sei....vocês sonharam com isso... esperem aqui. Vou chamar os outros. ...................................... 2 HORAS DEPOIS Todos, com exceção de Scully, encontram-se em silêncio, sentados nas cadeiras frias do laboratório, em círculo. Mulder permanecia quieto, mas sua expressão denunciava intensa atividade cerebral. Todos os outros evitavam olhar-se nos olhos. O respaldar de sapatos os tiraram da insipiência. O grupo C-16 irrompeu na primeira sala, onde todos estavam. Fisionomias alegres, vivazes. Aos poucos perceberam o clima pesado entre os outros, e diminuíram o passo. __ Aconteceu alguma coisa? – perguntou Diane. Neste mesmo momento, Scully entrou na sala onde todos se encontravam. Semblante cansado. Mulder levantou-se e foi até ela. __ O que viu Scully? __ Mais uma vez Mulder, você estava certo.... __ O quê??? Eu não estou entendendo!! Como ele pode Ter se afogado se não há um único pingo d'água aqui!!!! E a pia é muito pequena para isso! – Juan conjeturava nervoso. __ E tem mais.... – Scully estremeceu a voz, tendo receio de suas próprias palavras. Treze pessoas a fitavam incisivas, e isso a deixou desconfortável. Mulder percebeu, e lançou-lhe um olhar doce, piscando o olho esquerdo. Scully sentiu-se segura com ele ao seu lado. – Há fraturas em diversos ossos...dilaceração aórtica e traqueal, acompanhado de isquemia coronária, rompimento das lacíneas tricuspidais e discos intermedulares, conjuntamente à dilaceração das vértebras torácicas 10, 11, 12, e lombares... perfurações caseosas no epitélio externo, também chegando à mesoderme. Indícios de alguma substância ainda desconhecida sobre as marcas, algo orgânico e ácido, eu suponho. Meu Deus....é como se ele fosse esmagado por alguma coisa...., com ventosas, que se prendeu ao corpo dele. __ Scully...., você não está gravando a fita da autópsia...seja direta. E o quem mais? – Mulder insistiu. __ Não tenho como explicar isso... As marcas no corpo dele são em forma de gota, tão grandes quanto suas mãos, Mulder. E o corpo encontra-se quase exangue. Mas os pulmões estavam repletos de água....salgada. __ O quê ??????– Juan pareceu sair do transe em que se retificara. Seu rosto avermelhou rapidamente – Dr. Scully, quero explicações plausíveis disto, e não um conto de Stephen King! – disse ele, ácido. __ Porque Juan esquentadinho, não acredita nela? – antecipou- se Mulder, parando a frente de Scully, fazendo-a sumir por detrás das costas enormes. – Ela é médica, e digo, tão cética quanto você. Seus fundamentos tem bases científicas, portanto, ela não acredita em algo que não possa comprovar! Por isso, está dizendo à verdade! __ Não precisa me defender Mulder. É só ele entrar na enfermaria e ver o corpo... __ Oh, desculpe-me Dana – receou George – Juan está tão nervoso quanto todos nós. Acreditamos em você. Fora o relato, que, desculpe- me o termo, parece-me fantástico, relatou-nos que encontrou água salgada em seus pulmões. __ Sim, água oceânica, e diria, a mesma que nos circunda aqui na estação. Verifiquei os níveis de sais e planctons. Os integrantes do grupo C16 continuavam em silêncio, apenas observando o desespero crescente dos outros. Mulder tinha o olhar longe. __ Não tenho explicações para isso... – respondeu Scully, em tom recitivo. Discretamente, Mulder afastou-se dos outros e dirigiu-se até os computadores da ala de Sharon. Lembrou que os deixara ligados, monitorando sinais, sons, e as câmeras também. Enquanto a discussão começava entre os outros, Sharon dirigiu-se até ele. __ O que fazes aqui Mulder? __ Tem que estar aqui....tenho certeza. __ estar o quê? __ Sharon...- ele voltou-se na cadeira e fitou os olhos negros – se aconteceu alguma coisa aqui, as câmeras devem Ter registrado ...enquanto isso, verifique a fita conectada no "buraco d'água". __ Certo... Enquanto isso, Scully via-se em desespero, sendo interpelada por todos. Juan encontrava-se fora de si, esmurrando o ar com raiva. Desirré demonstrava apatia, possivelmente devido ao choque. George tentava acalmar a todos. Apenas os integrantes do C16 pareciam indiferentes, com expressões quase clonadas. Diane esboçou um leve sorriso. ..................................... Faltava apenas 1 dia para que o grupo C16 voltasse à terra, deixando o C17 assumir definitivamente as funções. Diane e seu grupo encontravam- se no LAB 3, enquanto o C17 mantinha-se entre os dois primeiros. Apesar do esforço, não conseguiam concentrar-se, preocupados. Mulder, junto de Sharon, verificava o conteúdo das fitas gravadas à noite. Ainda não havia descoberto nada. __ Mulder....ouça isso aqui. O ruído apareceu de repente, do nada, e assim também extinguiu-se. Mulder voltou o rosto para ouvir melhor e prestou atenção. O som continha zumbidos, intermitentes, intercalados de graves e agudos. __ Espere....volte a fita. Ela tem um padrão que se repete... – Mulder ouviu de novo – Sim, a cada 2 minutos se repete. Querem nos dizer alguma coisa Sharon. __ Querem?? Quem? Mulder, eu verifiquei a fonte do sinal...vem daqui mesmo, ou se não de algum ponto muito próximo, mas não fora do planeta! Vou passar a fita de vídeo. Sharon colocou a fita para reproduzir. Sentaram os dois lado a lado, em silêncio, prestando atenção. Tudo parecia normal. Juan encontrava-se na ala de climatologia, mas não conseguia prestar atenção no que fazia. Tinha os pensamentos longe. __ Não há nada Mulder...olhe! Iremos olhar 4 horas de fita e nada! __ Espere...verifique quantos minutos tem a duração do sinal. __ Por quê? __ Não pergunte, apenas faça. __ Machão agora é Mulder??? Ou melhor dizendo, MACHOcado, isso sim!! Mulder esboçou um sorriso amarelo, pouco confortável. Sentia-se muito nervoso para ironias. Enquanto Sharon mexia nos intermináveis botões do painel, Mulder tinha seus olhos atentos para a fita. Colocou em modo rápido, mas mesmo assim, a gravação apresentava sempre a mesma imagem insípida do laboratório. __ Em torno de 10 minutos Mulder. Um pouco menos. Alias, o que está fazendo? __ Suponho que, se aconteceu algo, foi um pouco antes de encontrarmos o corpo de Giovanni. Colocarei para o fim da fita, e veremos se há discordância. A imagem permaneceu a mesma. Sharon fitava Mulder com o semblante tedioso. Mulder, sentado em uma cadeira, ela em pé, ao lado dele, curvada sobre seu ombro. __ Nada Mulder...nada. __ Não, muito!!!! __ ãh? Onde? __ Preste atenção...não na fita, mas sim, no horário, no canto inferior esquerdo da tela. Sharon olhou, meio a contragosto, mas arregalou os olhos quando percebeu o que ele queria lhe dizer. __ Meu Deus Mulder! A fita pula de 4:24 para 4:33 sem cortes, tanto que não dá para perceber! Mas...isso é impossível!! __ Não..foi um lapso de tempo, tal como uma abdução. Só não entendo as circunstâncias! – Mulder esgueirou-se até o comunicador, com a expressão pesada – alô...Scully? Houve um ruído de estática, e logo depois uma voz feminina rescindiu metálica pelos auto falantes. __ Sim Mulder? __ Suba aqui, imediatamente! __ Não posso Mulder...preciso "fingir" que estou trabalhando. George está furioso com tudo isso! __ Por favor...você precisa ver isto! A voz piedosa dele a fez largar o que fazia, dando uma desculpa a George. Em segundos, adentrava o lAB 1. __ Quero uma boa explicação para isso Mulder! Mulder a fitou com os olhos brilhantes, alçando sua mão para puxá-la até eles. Levantou-se, fazendo-a sentar onde estava. Mulder posicionou-se em pé, com o corpo curvado sobre o ombro direito de Scully, de modo que seus rostos ficaram lado a lado. Uma corrente elétrica lhe percorreu o corpo desde a planta do pé até chegar em seu rosto. Mulder continuava absorto, apontando para a tela, enquanto falava sem parar. Scully não prestava atenção, apenas sentia o contato do rosto nele no dela, a barba começando a crescer, ainda invisível, mas perceptível na pele fina que cobria a maxila. Sharon, discretamente, prestava atenção em Scully, que tinha as pupilas dilatadas e olhar longe. "Sei...apenas conhecidos...jura!" pensou. __ Scully...ô Scully! Onde você anda criatura!!! __ O quê? Me desculpe Mulder... o que você falava? __ Ihh... tá, esquece. Sharon, PODERIA voltar as fitas? – Frisou Mulder. __ Claro, Sir Mulder! Scully direciou os olhos em direção aos de Mulder, inquisidoramente. Ele fez um ar de deboche, dizendo ser brincadeira. Scully baixou os olhos e contraiu os lábios. __ Olhe agora. Preste atenção no horário da fita. Scully olhava com tédio, até perceber os minutos engolidos. __ A fita pulou? __ Seria uma possibilidade...mas não há cortes. Passei a fita em velocidade lenta, mas nada é perceptível. E são em torno de 9 minutos Scully!! E os sinais que captamos parecem vir daqui, ou pelo menos de perto! Precisamos sair para fora! __ Não Mulder..- Sharon interviu – é perigoso... __ Todos nós tivemos treinamento para isso antes de vir para cá! Estou desconfiado que exista algo abaixo de nós, ou no abismo. __ Não Mulder, definitivamente não! Mulder tencionou o rosto em sua expressão de cãozinho pidão, fazendo beiço. Mas está decidido. Scully balança a cabeça negativamente. __ Ok....eu vou, vocês ficam. Sem problema. Afinal, eu sou o interessado. __ As regras não permitem isso...não se pode sair sozinho...se algo acontecer, quem o socorrerá? __ Quem sabe os mesmos que estão mandando esses sinais...estou me sentindo em "O Segredo do Abismo"... "Droga....Skinner, eu te mato!!!" – pensou Scully. ..................................................... O laboratório, que antes jazia silencioso, encontrava-se novamente em movimento. Os espectros ululantes que a água da piscina externa projetavam sobre os 2 andares do LAB3 apenas os distraía, dando-lhes a falsa impressão de segurança. __ Mulder...se George descobre! Vai nos trancafiar no banheiro!!! – lançou Scully. __ Isso seria ótimo...imagina, o híbrido aqui com duas humanas à disposição? Iríamos criar uma nova raça!!! Muitos Scullizinhos, Mulderzinhos e Wavezinhos! Ou uma mistura disso! Scully o fitou totalmente embaraçada, com os olhos em pânico. Sharon deu um sorriso maroto. __ Híbrido?? __ É uma longa história...vamos logo com isso..ou vocês querem o banheiro? Scully correu até os trajes especiais, enquanto Sharon continuava onde estava. __ Sharon! – gritou Scully, em tom reticente – Você não vem? Sharon, antes de mover-se, passou a língua nos lábios e piscou para Mulder. Ele soltou um selinho no ar, brincando. Alguns minutos depois, os três encontravam-se vestidos. A roupa era enorme, parecendo trajes espaciais, com vários dispositivos sobre ela. Scully sentia-se desconfortável. Não havia encontrado traje do seu tamanho. __ Você está linda Scully, está parecendo um maracujá murcho! – disse Mulder, com a voz cavernosa saindo aos ouvidos dela. Sharon desatou-se a gargalhar. Scully ruborizou. – Que dupla hein! Mulder ameixa seca e Scully maracujá murcho....pelo menos não sou azedo! Certo, vamos de uma vez. Encaminharam-se até uma portinhola de acesso. Enquanto Mulder girava com força a enorme manivela, as duas esperavam impacientes ao seu lado. Apesar da piscina dar acesso ao oceano, quando ia-se recolher algo sem utilizar os submarinos, deveria-se entrar em uma subsala antes. Mulder abriu a porta e deixou-as passar primeiro. A mesma era ínfima, tanto que até Scully teve que recolher a cabeça para passar. Mulder teve um pouco de dificuldades, tendo que curvar-se todo para entrar na sala. Desceram as escadas metálicas, e visualizaram a pequena piscina, iluminada pelas luzes externas à estação, dando uma coloração azul esverdeada brilhante ao recinto, iluminando seus rostos. __ Prontas? – falou Mulder. As duas apenas se olharam, e quando voltaram seus olhos a Mulder, este já havia pulado. Scully tomou a dianteira, pulando logo em seguida, seguida por Sharon. ......................................... Caminhavam arrastando-se pelo solo arenoso. A água naquele ponto parecia mais densa, dificultando os passos. Não enxergavam 1.50 metros a frente. As luzes da estação não tinham muito alcance, igualmente a de seus trajes. __ Esse negócio é pesado! Não consigo me mover direito! – disse Scully. __ Também, você está com uma roupa em que o Michael Jordan entraria! Não é tão ruim assim! – rebateu Mulder. __ Bom, pelo menos assim não há perigo de assédio.... – insinuou Sharon. Scully lançou-lhe um olhar portentoso. Mulder fez questão de gargalhar alto. __ Bom, viemos aqui para um propósito..precisamos encontrar o que está enviando os sinais. __ Sim Mulder, mas tenha cuidado. O abismo está próximo. Continuaram caminhando a passos débeis. Sharon carregava um pequeno localizador. Mulder estacou por um momento, sem as duas perceberem. Colocou as mãos na cabeça, mas incapaz de tocá-la, devido ao enorme capacete. __ Droga.... __ Você está bem Mulder? – preocupou-se Scully. __ Não sei..minha visão está um pouco turva, e ouço um zumbido. __ Vamos voltar...além de que não deveríamos estar aqui. Juan e George devem estar fulos, além de que daqui a poucas horas o C-16 estará partindo. __ Não...vamos em frente. – Disse Mulder, incisivo. Caminharam mais alguns metros, e Mulder parou novamente, ajoelhando- se lentamente na areia. Scully foi até ele e o segurou, nervosa. __ Vamos subir Mulder...o que está te ocorrendo! Mulder não respondeu, levantou-se, como em transe, e continuou caminhando, agora mais rapidamente. Scully o fitou em pânico, e Sharon, sem pestanejar, o seguiu. Scully conseguia ouvir pelos fones do capacete a respiração difícil dele, e tinha a nítida sensação de ouvir-lhe os batimentos cardíacos acelerados. A cada passo que ele dava, parecia sentir a tensão dele aumentar. Sua intuição racional lhe dizia que se ele continuasse, algo grave aconteceria. Precisaria parar. __ Mulder, pára. Você não está bem. Precisa voltar. Não avistavam mais a estação, mas apenas a escuridão, que lhes cobria como um manto negro assustador. A luz de seus trajes apenas os iluminava, não dando-lhes campo de visão à frente. Scully percebeu um princípio de pânico a dominar. Respirou lentamente , impregnando seus pulmões de ar puro, quase refrescante, a fim de tentar controlar seus instintos. __ Não...isso não... – soltou Sharon. __ O que foi? – disse Scully, trêmula. __ O localizador...apagou. E o reserva não funciona. Estamos perdidos! __ O quê? Perdidos no meio dessa escuridão, com um abismo à frente, sem localizador? Era só o que me faltava! E ainda o Mulder... Olharam-se ao redor e não o avistaram mais. Mulder havia desaparecido. Scully não mais ouvia o som de sua respiração. Suas pernas amoleceram, seu coração pulou em taquicardia dolorosa. __ Mulder ?!?!?!?!?! Nada. __ Responde Mulder!!!! Meu Deus! Sharon, viu para onde ele foi? __ Não vi nada! Tive a sensação de que ele simplesmente sumiu! Mulder??? As duas continuaram chamando, mas não houve resposta. Scully entrou em pânico, enquanto derramava lágrimas em desespero. Sharon tentava acalmá-la. __ Meu Deus! Ele se foi! Deve Ter caído! Não ouço sua respiração!! Sharon, por favor, não podemos voltar sem ele!!! __ Espere, vamos ir um pouco à frente, ele continuou caminhando, deve estar na frente. __ Não, ele morreu! Deve Ter tido alguma parada cardíaca, eu senti seus batimentos, sua respiração estava difícil! - Scully deixou seu corpo cair na areia, sem forças, em completo desespero. Parecia sentir cada célula de seu corpo morrer, desistindo da vida. Sua glote fechou parcialmente, e ela começou a ter dificuldades para respirar, enquanto ouvia as bulhas cardíacas escassarem. Aos poucos, sentiu sua visão turvar e um gosto amargo na garganta. Sharon não ouviu mais a respiração de Scully, enquanto assistiu em pânico o corpo dela amolecer e cair lentamente por sobre a areia fofa. TO BE CONTINUED.... ........................................................... Deep Dreams 2 ............................................................ O cheiro pútrido embargava-lhe as narinas de tal modo que sua face contraí-se em constante torpor, junto com as sensações estranhas que pereciam sobre seu corpo. Parecia não ter forças para levantar as pálpebras, mas algo lhe dizia que deveria verificar onde estava. Apesar do frio que envergava sua pele nua, ela percebia bagas de suor inundarem-lhe todo o perímetro do corpo, como se sua temperatura corporal baixasse a tal ponto que ela suava a ambientes gélidos. Moveu-se um pouco, e notou que tinha os braços estendidos ao alto, amarrados por correntes apertadas. Suas pernas também encontravam-se afastadas uma da outra, de modo que, quando deu-se conta, percebeu a dor lancinante em suas vértebras torácicas e lombares, forçadas a sustentar seu peso inerte no ar. Sentia os punhos abrindo, como se facas afiadas lhe cortassem a pele lentamente, ao mesmo tempo que lhe açoitavam as costas como chibatas. Em grande esforço, abriu os olhos, e sua visão turva lentamente foi-se adequando ao recinto pestilento. Não enxergava o perímetro da sala, mas apenas uma luz que incidia diretamente sobre o seu corpo. Assim como havia sentido, encontrava-se nua, mas coberta com alguma substância gelatinosa de cor amarelada, talvez esta que provocava o odor extremamente desagradável. De sua nuca, percebeu seus folículos pilosos pronunciarem-se ao contato do líquido quente que lhe percorria o corpo, até chegar aos pés, de onde pingava em gotículas preguiçosas. Direcionou o olhar ao chão, mas não divisou o solo. Porém, o líquido vermelho vivo serpenteava em suas pernas e pés, desenhando caminhos sinuosos como lesmas a percorrerem uma superfície lisa, deixando seu rastro pegajoso. O pânico tomou-a por completo, fazendo-a sacudir-se com violência nas correntes, ignorando os estímulos de defesa de seus músculos enfraquecidos, que pareciam querer deixar de resistir. Ela necessitava expurgar todo o horror que o ambiente lhe imputava , entretanto algo embargava a garganta, impossibilitando a vibração das cordas vocais ao ar que percorria violento sua traquéia. De súbito, uma luz arrefeceu em sua fronte, poucos metros adiante. Ao mero olhar, percebeu que seu corpo e mente não apenas vagavam no mar obsceno do medo. Ela o enxergou do mesmo modo que encontrava-se, porém, o corpo imóvel dele refletia nela dores de alguma patologia violenta . A pele pálida contrastava com o vermelho que banhava o corpo, e o rosto sem expressão, os olhos abertos e sem brilho, a cabeça pendida para o lado denotava à ela o que sabia: estava morto. Descontroladamente, com tamanha força que pensou não existir em si mesma, puxou os braços, parecendo sentir os músculos flexores dos dedos rompendo-se, a pele respondendo ao contato do sangue quente escorrer abundante pelos braços. Porém, não conseguiu soltar-se completamente, continuando presa, impossibilitada de reagir. A dor que sua alma lhe imputava era deveras infinita comparada aos estímulos de seus terminais nervosos, no frenesi inútil da defesa. Algo morria em seu interior, e o desespero sem resposta a envolvia como um manto negro espesso, embargando-lhe de sensações refutas que mergulhavam na corrente elétrica de seu cérebro enlouquecido. De seus olhos escorriam uma torrente salgada, açoitando-lhe as feridas abertas. Em um suspiro único, gritou com toda a força que sua alma lhe conferia: __ Mullldddeerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! .......................................................... "The Truth is out There" D E E P D R E A M S i i By Angel Scully CENTRO MÉDICO – LAB 2 Todos os integrantes do C17, conjuntamente com o C16, circundavam a cama onde Scully se encontrava. Sua tez, a pouco pálida, havia tornado-se vermelha rubra, e seus batimentos subiram virtinosamente, tanto que George lhe aplicava tranqüilizantes endovenosamente, ignorando o languidez do soro. Desirré passava as mãos envoltas em uma toalha felpuda sobre o rosto dela delicadamente, retirando-se o suor frio. Sharon encontrava-se do outro lado, contemplando a face aparentemente tranqüila. Entretanto, algo no rosto plácido a desconcertava. __ O que está acontecendo? Ela estava bem, e agora teve essa taquicardia súbita! Se eu injetar mais esse negócio nela, vai acabar tendo uma parada cardíaca! – denotou George. __ É claro que não! Se fosse assim, ela estaria estável! Aplique mais! O coração irá explodir dessa maneira! – interviu Sharon O bip profuso que inundava a sala apresou-se rapidamente, redundando nos 8 pares de olhos que perscrutavam cada movimento sibilante da linha esverdeada. Mesmo com os olhos fechados, podia-se notar os globos oculares de Scully revirando-se alucinados nas órbitas, junto com seus músculos que começaram a apresentar espasmos. __ Ela parece estar sonhando!! – observou Desireé. __ Não é isso!!! O que está acontecendo! Não tenho treinamento médico para isso! __ Saia George! Se não consegue forças para intranspor isto aqui, retire-se – Sharon denotava raiva, ao mesmo tempo que segurava-se com todas as forças para não gritar. De súbito, Scully ergueu o corpo com tamanha violência que Desirré desequilibrou-se e caiu no chão. Seu rosto expressava uma mistura de terror e desespero, incutindo pavor a todos. Começou a agitar o braços com força, derrubando os potes de vidro que jaziam na mesa ao lado da cama. __ Nãooo!!!!! Mulderrr, nãooo!!! Sharon tentou agarrar-lhe os braços, mas era como se ela estivesse possuída por uma força maior. Juan e Michael sobrepujaram o peso de seus corpos sobre ela, tentando segurá-la, mas não conseguiam diretamente. George fitava a cena com olhos vítreos, traído pelo próprio corpo que recusava-se a reagir. __ George!!! Te mexe criatura!! Injeta algo nesse soro antes que ela arrebente tudo aqui!!! Georrgeeee!!!!! Scully continuava gritando, esperneando, tornando-se incontrolável mesmo aos dois homens que a seguravam. __ Anda logo!! Não consigo segurar!! – gritou Juan Segundos depois, o corpo de Scully amoleceu, e seus batimentos caíram quase que derepente. Seu olhar tornou-se apático, com o rosto parecendo flácido. Juan e Michael recolocaram-na deitada na cama novamente. Encontrava- se acordada ainda, porém em total torpor. __ Eu..quero morrer..... – disse Scully, em um fio de voz tão baixo que Sharon precisou aproximar o rosto dos lábios dela. __ Calma Dana, foi um pesadelo – aliviou Desireé. __ Não...Não...mataram-no..eu vi..senti..eu sabia.. __ Espere, você não está raciocinando... __ Por favor...tem algo errado aqui...ele sabia.. O grupo entreolhou-se automaticamente. Desireé procurava acalmá-la, mas a alvidez dos olhos absurdamente azuis a desconcertava de certa maneira. A sinceridade expressa neles chegava a ser dolorida. Sharon alcançou as mãos de Scully, mas percebeu algo que não tinha visto. Marcas profundas lhe rodeavam os punhos, e suas mãos ainda tinham uma coloração arroxeada. Sharon fez um sinal para George e Desirré, mostrando o que vira __ Mas como...teríamos visto!- pigarreou George – Seriam as roupas para mergulho profundo que a marcaram assim? __ É possível... – racionalizou Sharon. Perceberam que somente eles encontravam-se na sala. O grupo C16 retirara-se sorrateiramente. Desireé afastou a camisola hospitar que Scully vestia, subindo-a sobre as pernas. Ambos viram catatônicos marcas toscas, entumecidas, adornando a pele alva. Nos tornozelos, manchas arroxeadas arrefeciam do mesmo modo que nos punhos. ...................................................... ALGUMAS HORAS DEPOIS Apesar do silêncio esmagador imperar até aquele momento, ela necessitava levantar-se, seguir a procura, entretanto, sentia que seu corpo era puxado para o abismo por centenas de toneladas. O mero esforço de erguer a cabeça incutia em um estranho e dificultoso baile de seus músculos. Mesmo sendo arrefecida de dores, abriu os olhos. Apenas nebulosas e brilhantes imagens formaram-se em sua fronte, junto com os sons abafados e cacafônicos, como se uma velha fita cassete estivesse sendo reproduzida em velocidade lenta, deformando debilmente as vozes ao redor. A tremenda cefaléia que lhe atingia todos os lobos cranianos parecia incidir lentamente sobre todos os seus músculos, como uma corrente maligna percorrendo suas artérias e veias desmedidamente, ausente de algo que lhe impedisse. __ Ela parece estar acordando. Dana...Dana? – chamava delicadamente Desireé. __ Por pouco que...... Sharon, quero novamente um resumo do que realmente aconteceu lá fora. – pediu George. __ Quando ela desmaiou, o localizador voltou a funcionar e pude voltar. Aumentei o fluxo de oxigênio na bomba, de forma que a fizesse respirar à força. Quase que a perdemos. O som das vozes recendia em seus tímpanos com vários decibéis a mais do que precisamente tinham. Não distinguia realmente, mas percebia serem vozes conhecidas. Em súbito, Scully jurou ouvir o tom rouco e lastroso que ao longo de anos ecoava na balbúrdia da sala do porão onde trabalhava. __ Mulderrr !!!!!!!! Sharon e George postaram-se ao lado dela, lhe segurando os braços com força, porém, não rudemente. __ Onde ele está? Preciso saber! Por favor!! Desireé lhe tomou o pulso, e percebeu a arritmia. O corpo frágil estava em choque. Alcançou uma seringa e despejou o conteúdo no soro administrado. __ O que estão fazendo? Estão querendo me matar!! Mulder!!!!! __ Calma Dana, isso é para você se acalmar. – dirigiu-se Sharon. Em segundos, ela sentiu um breve formigamento em seu braço direito, logo espalhando-se pelo corpo. Aos poucos, ela sentia a torpência lhe atingir o corpo. Percebeu realmente estar quase fora de controle. __ O que aconteceu? – interpelou Scully Os quatro fitaram-se apreensivos. Scully recordou-se do acontecido horas antes, tanto quando esteve fora com Mulder e Sharon, como quando presenciara o momento de tortura. Não fora sonho. Ela sabia. Direcionou os olhos para os pulsos e divisou as marcas profundas. Levou a mão à nuca, e não sentiu o pequeno volume. Seus olhos arregalaram-se, enquanto Juan e Sharon preparavam- se para segurar outro ataque. __ Por favor Dana, de novo não!!! – Juan sobrepujara um tom quase desesperado a voz. Scully levou as mãos espalmadas aos olhos, tentando conter as lágrimas. Sentia-se fraca, desistente. __ Eles tiraram tudo de mim...eu sei o que aconteceu..essas marcas...lembro de tudo! Não diretamente das experiências, deveria estar desacordada. Mas quando recobrei a consciência, vi onde me encontrava, e vi também a Mulder! Tiraram o meu chip, mataram-no...não tardarei a desfalecer... __ O que??? – perguntou Juan, confuso – Eles? Eles quem? Chip? Que chip? O que está falando Dana? __ Não poderia contar a vocês...me tachariam de insana, pois não acreditariam. Eu, sendo médica, procuro explicações plausíveis para tudo o que acontece com Mulder e eu, mas nem sempre encontro! A sensação de impotência me embarga, e eu percebo o quanto somos insignificantes diante da grandiosidade de fatos misteriosos que nos rodeiam! Mulder sempre teve razão, eu que não me dispunha a acreditar!!! – Scully continuava com o olhar baixo, evitando encarar os outros. Juan demonstrava sinais de impaciência. De algum modo, lembrava Mulder com sua impulsividade. __ Ei, espere aí! Fala como se trabalhasse com ele! O que quer dizer? E o chip? Scully inspirou longamente, buscando oxigênio. Não poderia revelar a sua identidade. Ela curvou-se na cama, expondo a nuca para eles. Podia-se ver um pequeno corte, quase imperceptível na base do pescoço. __ Aqui, nesse local, eu tive um chip implantado. Certa vez retirei-o, e uma neoplasia agressiva de origem desconhecida formou-se, metastizando-se rapidamente. Só consegui a cura com a recolocação do mesmo. __ Incrível! Mas.... __ Sim, não sei explicar. A tecnologia empregada no chip é desconhecida. Todas as tentativas de análises mais profundas fracassaram, geralmente impedidas misteriosamente – Scully percebeu que não tinha completo controle de suas faculdades mentais. Estava falando demais. Provavelmente o produto da substância administrada. Precisava controlar-se. Seu olhar perdeu-se na imensidão de seus pensamentos confusos, retratando paradoxalmente os fatos recentes, entretanto, misturados a outros do passado. Os ladrilhos do caminho a percorrer pareceram se perder no infinito de sua mente. .................................................. NÍVEL 3 – LAB 3 – ÁREA DOS SUBMARINOS 6:56 PM Apesar do silêncio profuso que englobava a mente da maioria dos presentes, a balbúrdia de sons mecânicos inundava o enorme laboratório, distraindo o clima tenso que se formara. O grupo C16 estava em vias de partida, deixando o C17 sozinho. Levaria consigo o relatório da morte de Giovanni, pois, apesar de terem mandado mensagens de ajuda, não houvera resposta. Os aparelhos todos funcionavam, todavia, pareciam restritos somente à área de Atlântica, como se algum impulso eletromagnético circulasse a estação inteira, impedindo que os sinais dali saíssem. __ Estamos prontos, câmbio. – a voz metálica saía pelas caixas dos computadores. O C16 encontrava-se dentro de um dos submarinos, já prontos para a saída. __ Ok, verifique a propulsão e as válvulas, conjuntamente com o nível de oxigênio. – mecanizou George. – Sei que essas máquinas são automáticas, mas nada como a mão humana para a verificação se rotina. – continuou ele. Scully encontrava-se encostada a uma das paredes metálicas, e tinha uma das mãos sobre a nuca, alisando-a continuamente. Lágrimas insistentes escorriam apertadas dos olhos, que ficavam de um azul transparente em contraste à córnea avermelhada. A simples menção da retirada do chip lhe provocava um pânico interno que ela continuamente reprimia. Tinha a nítida sensação de que suas células tornavam-se rapidamente malignas, alterando as mitoses, e logo espalhando-se com sua ânsia devoradora por seu corpo. Não poderia deixar-se dominar pelo desespero. Precisava encontrar Mulder. Sensações estranhas lhe dominavam, sobrepujando em seus pensamentos imagens de pesar e dor. Pensou em analisar a água administrada na estação. Mas achada a idéia um absurdo. "Estou enlouquecendo", pensou. __ Dana, você está bem? A voz rouca de Juan despertou-a do momento de divagação. Ele parecia realmente preocupado com ela, ao mesmo tempo que fascinado. Sua maneira de sentir os fatos novos, quase infantil, lembrava-lhe Mulder. A simples menção de perdê-lo fê-la sentir pontadas nauseantes na parte superior do estômago. __Um pouco nervosa, mas tudo bem. Alias, o que me injetaram? Estou apática, mas meus músculos estão pedindo esforço! __ E eu sei? Não sou médico!! Foi Sharon que providenciou tudo. Ela disse que antes de tornar-se astrônoma, havia feito medicina. Desistira depois de 1 ano de residência. __ A.... Sharon? __ Algum problema? __ Não...nada. George aproximou-se, chamando-os para a plataforma à beira da piscina. O submarino lentamente passou a descer do alto. Quando encostou na superfície da água iluminada, pareceu chiar como um pedaço de carne em uma chapa quente. George, Juan, Sharon e Desireé tinham as expressões clonadas. Scully lançava o olhar para o seu infinito mundo interior . De repente, uma corrente gelada pereceu por suas costas, provocando-lhe um breve arrepio. Ela esfregou o corpo com os braços, como se quisesse aplacar a brisa, mas não era bem isso. Era um torpor estranho, que lhe atravessava o corpo. Um barulho metálico recindiu abafado mais ao longe, tanto que somente Scully pode ouvi-lo, já que não prestava atenção no submarino que agora encontrava-se quase que completamente submergido. Ela voltou os olhos para trás, mas apenas divisou as portas de acesso aos outros níveis, alguns computadores, minisubmarinos e uma série de parafernálias eletrônicas. Pensou estar imaginando coisas. O barulho se repetiu, agora mais alto. Scully retesou o cenho, voltando o corpo em direção do som. Parecia ouvir alguns gemidos, muito ao longe. A passos lentos, para não chamar atenção dos outros, foi em direção à portinhola de acesso à subsala, onde estivera com Mulder e Sharon. Sentiu-se tonta com a lembrança dos pensamentos. Estaqueou, observando, mas nada ouviu. Quando voltou o corpo em direção ao grupo, a portilhola abriu-se rapidamente. Scully, juntamente com os outros, voltaram o rosto assustados, enquando viam estarrecidos Mulder entrar pela abertura. Ainda vestia as roupas para o mergulho, mas tinha os cabelos molhados. Seu olhar vítreo e arregalado denotava pânico, estranhamente assustador. Scully nunca o vira assim. __ Mulderr!!!!!! Mulder correu até um dos terminais computadorizados, ignorando os olhares confusos do grupo. Estava fora de si. __ Mulder, o que aconteceu? – Largou Sharon. Scully dirigiu-se até ele, com uma raiva incompreensível. Puxou-lhe pelo braço, fazendo-o virar o corpo na direção dela. __ Pois bem Mulder, quero uma boa explicação! – Scully sentiu-se estranha com o próprio ato, já que tinha vontade apenas de abraçá-lo e chorar pelo desespero que passou com o sumiço dele. Mulder soltou-se dela com violência, empurrando-a com força, fazendo-a cair no piso duro. Scully retesou-se com medo. Não o reconhecia. Poderia dizer que não era Mulder quem encontrava-se ali. Ele digitava velozmente nos teclados, apertando botões desconhecidos para a maioria. George arregalou os olhos em pânico. __ Nãããoo!!! Não pode fazer isso!!! Mulder continuava, em ritmo alucinado. George correu até ele, esbarrando em Juan e derrubando-o. Chegando a Mulder, sentiu sua maxila deslocar-se com o golpe. Mulder adiantara-se, dando-lhe um murro violento no rosto. George caiu completamente zonzo, tentando localizar-se no tempo e espaço. __ Não...vai matar... __ Mulder!! O que está fazendo!!! – Scully começava a desesperar-se. __ Quem você pensa que é, ô rapozão? O líder da matilha? – Juan dirigiu-se até Mulder, galopante. Mulder virou-se e desferiu um golpe nele, porém, errou. Juan fez o mesmo, acertando em cheio no rosto de Mulder, entretanto ele pareceu não sentir. Mulder novamente sobrepujou um golpe, acertando no estômago de Juan, que caiu gemendo. Voltou novamente para os teclados, estranhamente ignorando os protestos . Scully presenciava a cena apavorada. Com certeza não era ele quem estava ali. Correu até a porta dos níveis, tencionando chegar ao centro médico. Juan continuava gemendo no chão, quase sem ar. George levantou-se. Viu que seria melhor o diálogo. Tinha que contê-lo. Vidas estavam em suas mãos. __ Por favor Mulder, não ative a sonda de emergência! Mulder ignorou. __ De onde tirou os códigos? Só um do grupo realmente tem acesso ao código, e esse alguém sou eu! Irá matar a eles e a nós também!! Neste instante, Scully irrompeu na sala. Tinha uma seringa na mão. Mulder corria os olhos freneticamente do teclado para a tela. Finalmente parou de digitar, e apertou um dos botões do painel. Todo o perímetro da estação foi iluminada com uma cor amarelada. Das janelas do LAB 3, onde encontravam-se, puderam ver o submarino que subia lentamente desintegrar-se em uma grande massa compacta e esbranquiçada, revirando a água ao redor como grandes nuvens que espalhavam- se, logo depois voltando-se para o interior de si mesmas, ocasionando uma segunda explosão, violentíssima, que estremeceu a estação inteira. NO mesmo instante, o segundo submarino soltou-se da plataforma, caindo na piscina, e sumindo da iluminação. Mulder levantou da cadeira, com a mesma expressão aterrorante. Voltou-se para Scully, mas não tivera tempo de falar. Alguma coisa arrefeceu em sua cabeça, cortando-lhe as sensações. Juan empunhava um cilindro de extintor de incêndio, e golpeou Mulder mais uma vez, que não reagiu. __ Juan!!! Você o matou !! Scully viu no mesmo instante o brilho que sempre enxergava nos olhos verde azulados. E logo depois, o mesmo esvaiu-se, dando lugar a uma pupila extremamente dilatada, ao mesmo tempo que via o corpo dele amolecer e estatelar-se no chão. Uma estranha clautrofobia tomou-a, dando-lhe a nítida sensação de que as paredes a esmagavam. Tencionava anestesia-lo ,no centro médico, para controlá-lo melhor. Mas agora era tarde demais. ............................................................. ........... UM DIA DEPOIS 10:40 AM GABINETE DE WALTER SKINNER A porta irrompeu-se com tamanha violência que Skinner deu um salto na cadeira, sobressaltado. Três indivíduos entraram enfurecidos pela sala, com a secretária atrapalhada atrás. __ Onde você meteu Mulder e Scully!!! – Frohike parecia espumar pela boca. __ Com que direito... Frohike dirigiu-se até a mesa de Skinner, puxando-o pelo colarinho com força, de modo que quase encostavam os narizes. __ Você os colocou em sua sentença de morte!! Traidor!!! Skinner desvencilhou-se dele, e tentando manter a calma, pediu para que sentassem. Olhou para a secretária, que rapidamente fechou a porta atrás de si. Byers tentava acalmar Frohike. __ Senhor Skinner, onde colocou Mulder e Scully? Skinner envergou-se na cadeira. Apresentava-se visivelmente perturbado. __ Atlântica. __ O quê??? __ Calma, por favor. É a estação experimental subaquática Atlântica, na Challenger Deep. __ Mas qual o caso? Para que foram designados? – falou Byers. __ Para...mas porque perguntam? Aliás, como chegaram até aqui? Langly passou uma das mãos sobre a testa, retirando o suor. __ Recebemos uma mensagem de Mulder a alguns dias, antes da partida. Nos disse, meio por cima, que o objetivo principal era o resgate de um grupo de cientistas. __ Sim, é verdade. O grupo anterior havia ficado preso em um dos níveis da estação, e precisávamos ver se tudo ocorrera bem. __ Mas onde está a droga de Arquivo X nisso!!!!! – esbravejou Frohike. __ Pode me dizer qual é o motivo desse nervosismo todo? Frohike levantou-se, derrubando a cadeira. Tirou um papel do bolso da jaqueta, quase esfregando-o no rosto de Skinner. Ele alcançou o papel, que encontrava-se amaçado, com letras maiúsculas: " NÃO SEI ONDE ME ........ALGO CRESCE AQUI.......RESGATE URGENTE.... PERIGO....SALVEM OS TRIPULANTES ANTE...SALVEM SCULLY......... MULDER __ Mas o que significa isso? – conjeturou Skinner __ Recebemos um sinal estranho ontem à noite. Não sei como veio parar aqui, mas com certeza alastrou-se por todo o mundo. Estava decodificado. Porém, Mulder e Langly viviam jogando com códigos entre eles. Langly reconheceu e transcreveu. Deu nisso aí. – falou Byers – como a transmissão sofrera interferências, não conseguimos traduzir tudo. __ Tem certeza do que está escrito? Como sabem ser Mulder? __Temos certeza absoluta. E Mulder ainda não conseguiu terminar. Possivelmente por que algo o impediu. Pediu para salvarmos o resto. O que me diz disso? __ As circunstâncias para que foram designados não são interesses de vocês. Sabem que também sou subordinado aqui, portanto, não sei realmente. Mas levarei essa informação adiante, e veremos o que podemos fazer. Frohike mais uma vez levantou-se da cadeira, porém, Langly segurou-o. Olhava para Skinner fuzilando-o de ódio. Os três retiraram-se da sala. Skinner esperou até a porta fechar, para deixar o pânico perecer. Começou a suar frio, sentindo a umidade molhar a camisa em ambas as axilas. Alcançou o fone e discou um número. __ Eu sabia que iria ligar – respondeu calmamente a voz. __ Agora eu quero saber qual o motivo para mandar os dois para lá! Os Três porquinhos receberam uma mensagem de Mulder, dizendo estar em perigo! O que tem lá, seu desgraçado! __ Nem ao menos sabemos, senhor Skinner. Porque acha que Mulder e Scully foram para lá? Para descobrir! __ Como não? Vocês sabem tudo! Os mandaram justamente de cobaias para propósitos escusos! Mandarei equipes de busca para retirá-los de lá! __ Faça isso senhor Skinner. Temos um rato sedento por sangue coagulado aqui. Não esqueça que sua vida depende de minha paciência. Não me subestime. E a ligação foi cortada. .................................................... 2 DIAS DEPOIS CENTRO MÉDICO __ Rápido, desfibrilador!!!!200!! – gritou Scully – afastem-se. Scully esfregou os dois terminais do aparelho, encostando no peito nu de Mulder. Ao receber a corrente, o corpo subiu violento ao contato da corrente, ao mesmo tempo que os braços balançaram-se debilmente. Scully levou os olhos ao pequeno visor dos batimentos, mas apenas divisava um linha reta. Uma leve vertigem pereceu em seu corpo. Parecia sentir a aorta pulsar em sua boca. __ 300!!! Repetiu novamente . Pingos de suor caíam sobre a pele pálida de Mulder. Desireé tinha lágrimas nos olhos, enquanto roía as unhas nervosa. Um leve pulsar moveu a linha do aparelho, que apresentou um batimento fraco. __ Pressão subindo. Scully continuou com o aparelho nas mãos, trêmula, prevendo outro ataque. Subiu as pálpebras de Mulder. A pupila tomava a íris inteira, e o verde dos olhos não aparecia. Não tinha reação com a luz. Isso fazia Scully sentir seu cérebro formar um caleidoscópio de imagens passadas, torturando-a com a premissa. Geralmente esse sinal indicava lesão cerebral. Evitava pensar nisso, porém, lhe vinha a maior parte do tempo, tal fato que ela escondia-se continuamente no banheiro para expurgar o desespero. Não queria acreditar no que acontecera. Não entendia por que Mulder teria feito aquilo. Agora eles estavam presos na estação. O impacto da explosão os deixara com o gerador, que somente gerava força para as luzes e o centro médico. Os computadores não funcionavam. Não poderiam pedir ajuda. George, mesmo nervoso, tranquilizara a todos, dizendo que, como o submarino com o C16 não subira, eles tentariam comunicação. Vendo que não funcionava, acionariam as equipes de busca. Mas isso levaria alguns dias. __ Droga Mulder...droga... – Scully sentou na cadeira ao lado da cama, e apoiou a testa sobre o peito de Mulder, deixando as lágrimas escorrerem – porque agiu daquela maneira? Mulder, acorda!! Juan a fitava com condolência, e Desireé aninhava-se em seus braços. Sharon jazia sentada do outro lado da cama, apertando as mãos de Scully. George não estava com eles. Provavelmente estaria mediando esforços em algum laboratório tentando religar os computadores. __ Dana, vamos dormir. Você está desfalecendo, não dorme a três dias. Deixe que eu fico com ele aqui – disse Juan. __ Ah é? Para terminar de mata-lo??? - Scully lançou um olhar glacial para o mexicano, cheia de ódio. – e também não tenho sono. __ Vá Dana, deixe-me com Mulder. Quase formei-me médica, trabalhei um ano na emergência. – relatou Sharon. __ Não!!!! Será que eu preciso dizer 300 vezes que eu não quero dormir!! Quero ficar com ele! E só descansarei quando ele acordar!! __ Dana... – relutou Sharon – sabe que nessas condições...ele.. ..provavelmente não voltará.. Scully levantou-se ríspida da sala, empurrando os três porta afora. __ Não, Mulder não está morto!!! Ele não é um vegetal! É mais forte do que isso! Parem de agourar as minhas esperanças! Me deixem sozinha!! Sumam daqui! E bateu a porta com força. Voltou para a cama. Olhou novamente para Mulder. Pálido. Imóvel. Da mesma maneira que o enxergara naquele sonho. "sonho? Não fora sonho..." Seus olhos inundaram-se de novo, e ela abraçou o corpo inerte. Soluçava em espasmos, apertando Mulder contra si. O calor que emanava do corpo dele alimentava suas esperanças. Ela sabia o que Sharon dissera. Provavelmente Mulder nunca mais acordaria, tendo seu estado agravado a cada dia, precisando ficar ligado aos aparelhos para viver. Um vegetal.. Mas ela não queria acreditar nisso. E não podia. Aconteceram tantos fatos bizarros em tão pouco tempo que ela recusava- se a dar esse prognóstico. "Ele ainda respira por si. Isso indica que não há morte cerebral..."pensou .Entretanto, sua intuição médica torturava-a com a verdade. Puxou uma cadeira e encostou-a na cama, de forma que pudesse ajoelhar-se ao lado dele. Retirou sua corrente, colocando-a entre as mãos unidas de Mulder, com as dela por cima. Precisava orar. Desesperadamente. Só Deus poderia ajudá-la agora. Sua única esperança. Sua única providência. ............................................... A brisa perecia sobre seu corpo, dando-lhe a sensação de liberdade. O vento transpassava seus cabelos, de modo que um leve sorriso lhe aparecia nos lábios. Sentia-se livre. Totalmente. Mas algum fio o prendia a algum lugar, que ele não sabia dizer onde. Abriu os olhos e avistou um grande campo aberto. Sentia cheiro de flores, entretanto, não as enxergava. Olhou para o céu e viu maravilhado os tons violáceos que se formavam, misturando-se ao azul predominante. A passos lentos, caminhava sobre a grama extraordinariamente fofa, e isso lembrava a sua infância. O ar puro adentrava-lhe os pulmões quase que ferindo- os, acostumado à torrente poluída da cidade grande. De súbito, sentiu como se alguém lhe sacudisse os braços, apesar de não avistar coisa alguma. Ele queria ficar ali. Mas algo lhe pedia para que voltasse. "Voltar para onde?" pensou. "Para aquele submundo sujo ? Nunca". Levantou-se e continuou caminhando, agora mais rapidamente. Não quis olhar para trás, e a cada passo que dava, a sensação de amarras desaparecia. Rumava para um mundo novo. O passado agora jazia em algum lugar obscuro de sua mente. ............................................................. .. Scully adormecera sobre o peito de Mulder. Não sairia dali por nada, precisava zelar por ele. Acordou sobressaltada com o zumbido estridente. O aparelho dos sinais vitais apenas apresentava novamente a assustadora linha reta. Seus músculos contraíram de repente. Verificou se ele respirava. Nada. Começou a massagem cardíaca, alternando com a respiração. Mulder não reagia. __ Droga, seu desgraçado!! Você não vai morrer, entendeu! Não por que eu não vou deixar! Quer o paraíso é! Pois não vai ter agora! Tentou mais uma vez, mas a tentativa fora inútil. Percebeu as vias aéreas obstruídas. Não haveria tempo para entubá-lo. Scully foi até a bancada de instrumentos e alcançou um bisturi e um cano plástico que jazia pendurado em um suporte de soro. Foi até Mulder e fez uma pequena incisão no pescoço, logo abaixo da proeminência faríngea. Pegou um pequeno cano e inseriu na abertura. Começou a massagem cardíaca novamente. Um bip apareceu na tela do aparelho, seguido por outro. Scully permitiu-se cair sobre a cadeira. Seus músculos tencionaram-se tanto que pequenas cãibras lhe atingiam o corpo. Sentia as carótidas pularem sob a pele do pescoço, tamanha era a taquicardia. __ Não foi desta vez Mulder. E não será enquanto eu estiver aqui! Ela levantou, puxando os braços dele. __ Mulder, eu sei que podes me ouvir. Sempre me falou que pessoas em coma podem ouvir, mesmo isso sendo cientificamente improvável. Por favor, não desista! Não é você que sempre luta, não desiste até encontrar sua verdade? Vai desistir agora é? Não, você vai acordar, vai porque eu preciso de você! Ela sacudiu o corpo inerte quase que com raiva. Em desespero. George e Sharon adentraram a sala. Quando perceberam o estado de Scully, correram até ela para impedir. Estava descontrolada. __ Por favor Dana, vá se deitar! Está ficando neurótica! __ Vocês, sumam daqui! Ele precisa de mim! Somente eu posso trazê-lo de onde ele se encontra! __ Mas Dana... – resitou Sharon. Scully apenas fuzilou-os com os olhos inchados. Sharon puxou George para fora da sala. __ Deixe ela...está entrando em psicose traumática. Ela no fundo sabe que ele não mais acordará. Mas não quer acreditar. __ Não podemos deixar ela assim! __ Deixe... ................................................. ALGUMAS HORAS MAIS TARDE... Scully encontrava-se sentada ao lado de Mulder, mexendo delicadamente em seus cabelos castanhos. Os sinais estavam normais, e ele respirava por si, porém, mais lentamente. Por ela, jurava que Mulder apenas dormia profundamente. Curvou-se e o abraçou. Suas mãos passavam de leve pelo rosto dele, enquanto ela dizia palavras carinhosas em pensamento. Sentiu um leve retesamento de algum músculo sob suas mãos, o que ocasionou- lhe reflexo, dando um pulo para trás. __ Mulder??? Ele revirou de leve a cabeça, fazendo uma careta. Scully esboçou um sorriso cheio de alívio, enquanto derrubava lágrimas. __ Scully...... Ela o abraçou novamente, beijando sua testa, e logo depois seus lábios. Pode ver novamente o brilho nos olhos verdes transparentes. O brilho que ela conhecia. Que lhe transmitia tudo o que ele não dizia em palavras. __ Mulder...se você morresse...eu ia atrás para te matar de novo! __ Mesmo? Então deixa eu morrer.... Ela lhe deu um tapinha carinhoso. __ Pára! Não brinca com isso! Tive até que brincar de legista com você! __ O quê? Scully pegou uma das mãos dele e levou até a pequena incisão no pescoço. __ Scully! Você me autopsiou! __ Cale a boca Mulder! Será que só sai besteira daí é? Não precisa temer não. Suturei com carinho, não vai ficar marcas! __ Sim, essas suas mãozinhas são milagrosas... Santa Scully...meu anjo... Ela o fitou com olhos cheios de lágrimas. Mulder apoiou o corpo na cama, ficando no mesmo nível de Scully. Levou um dos braços até o pescoço dela, trazendo-a para si. Scully percebeu novamente seu corpo responder involuntariamente. Chegou a sentir a temperatura quente dos lábios dele sobre os seus, mas no mesmo instante Sharon e Desireé adentraram na sala. Scully desvencilhou-se rapidamente, lançando-lhe o mesmo olhar que ele um dia vira no corredor de seu prédio. Sharon não disfarçou o desgosto. Desireé sorriu e correu até eles. __ Mulder! Mas como.... __ Não se dirija a mim...se não fosse Scully, não teriam o estranho Mulder aqui de novo! Desireé correu em direção ao LAB 1, onde Juan e George se encontravam. Sharon dirigiu-se até eles. Tinha vontade de abraça-lo, mas a cena que vira a pouco lhe tirara a coragem. __ Mulder... sinceramente, isso foi quase um milagre! Teve paradas cardíacas e respiratórias...e agora, está aqui de novo! __ Sim Sharon, mas agradeça a Scully. Scully tornou a olhar para ele, porém sua expressão era preocupada. Mulder sabia que ela deveria lhe contar algo. __ O que foi Scully? Ela fitou Sharon, que revidou com a mesma expressão. __ Mulder.... – ela se aproximou, tocando as mãos dele, que brincavam com a corrente dourada – lembra-se de como veio parar aqui novamente? Mulder fechou os olhos e o turbilhão de imagens transpassaram desconexas em sua fronte novamente. Quando abriu-os de novo, Scully divisou a mesma expressão que vira nele lá em baixo. Suas pernas estremeceram. __ Não Mulder, de novo não...não tenha outro ataque... Mulder sobrepujou as mãos sobre a cabeça, como se quisesse lembrar. __ Droga....vejo algo, mas não lembro realmente. Ele levantou-se tão rapidamente da cama que não percebeu que estava nu sob os lençóis. Seu rosto avermelhou, enquanto puxava o lençol azul para se cobrir. Sharon fez uma expressão curiosa, depois esboçou um sorriso que Scully entendeu o significado. Scully sentiu os capilares do rosto hiperemiarem, deixando sua face quente e vermelha. __ Mulder! Fique deitado! Poderão haver seqüelas que ainda desconhecemos! Não quer que... Mulder saiu correndo pela sala, em direção aos dormitórios. Scully foi atrás. Sharon continuava com a mesma expressão abobada. __ Onde vai Mulder? Volte para a cama...o que está fazendo? __ O que você acha? Não vou andar com o "bicho solto" por aí né Scully! E não quero comentários sobre o meu traseiro branco! __ Mulder...preciso falar com você... __ Sim, estou te ouvindo. Ele caminhava tão rápido que ela resfolegava alguns metros atrás. __ Espere...mais devagar... __ Não temos tempo Scully...algo me diz que devemos sair daqui imediatamente! __ Mas o que realmente aconteceu? __ Eu não lembro realmente... __ Precisamos saber Mulder!!! George pedirá explicações de seus atos!! Mulder parou e fitou-a confuso. Scully viu o que temia em seus olhos. ............................................ 8:54 PM LAB 1 Depois do silêncio, apenas a voz de Mulder imperava ecoando no laboratório. Rostos contraídos prestavam atenção, perscrutando as palavras de Mulder. __ O quê?? Não lembra??? – soltou Juan, furioso. __ Queremos explicações para o que fez! Onde esteve? O que aconteceu lá em baixo!!! Tivemos percas honerosas por sua causa!!! Mulder o fitou com discórdia e raiva. __ Do que você está falando George? __ De que temos um psicopata aqui entre um grupo de pessoas normais!! Corremos perigo com você aqui!!! Mulder levantou-se da cadeira, jogando-a longe. Caminhou furioso sem direção. Scully foi atrás. __ Mulder...preciso ter mostrar uma coisa..venha.. Scully puxou Mulder para o segundo nível, no Lab 2, na área de laboratórios biológicos. __ O quer me mostrar Scully? Estão me taxando de maluco! Daqui a pouco vai me anestesiar de novo, preferindo que eu fique em coma! __ Mulder...lembra de Giovanni? A forma como morreu? __ Claro...se afogou com água salgada, além de Ter toxinas no corpo, marcas estranhas e "estragos internos" devido ao esmagamento, mesmo sendo isso "impossível"... __ Isso mesmo. Mulder...não sei dizer como isso aconteceu a ele...mas aconteceu alguma coisa comigo...mais de uma vez...e acredito que com Sharon e Desireé também. Scully dirigiu-se até um armário de arquivos, retirando alguns papéis. __ Mulder...não sabe a força que tenho que fazer para te mostrar isso, mas devido as circunstâncias, acredito ser necessário – ela esticou o braço e lhe entregou uma pasta – olhe isso. __ O que é? – Mulder olhou os papéis, confuso – eu não sei o que significa Scully. __ É.. – ela tomou fôlego – ..um teste para verificação de...esperma. __ Tá, e aí? __ Mulder... – Scully sentou em uma das cadeiras – esse esperma é seu. __ ãh??? __ Verifiquei também com os fios de cabelo que encontrei. São todos seus. __ Do que você está falando Scully? __ Bem...lembra quando olhei o seu ombro, quando você me chamou para olhar os sinais que tinha recebido? __ Sim...você me olhou muito estranha...e ficou estranha o dia inteiro. __ Pois bem..não sei como te contar isso..por favor, não brinque. Naquela noite, eu presenciei um momento estranhamente real. Depois, me dirigi aqui no laboratório e me examinei..... __ Scully...é isso que eu estou pensando....??? __ Sim, eu tirei suas secreções de mim mesma. Mulder arregalou os olhos e pendeu a mandíbula, incrédulo. Colocou as mãos na cabeça, começando a rodar em torno de si. __ Mulder.... __ Scully, pelo que você disse, sonhou que ..... fez amor comigo? Ela engoliu em seco, envergonhada __ Não foi sonho Mulder. Aconteceu. Realmente. Retirei fios de cabelos seus espalhados pelo meu carpete e na cama. Tudo o que "aparentemente" sonhei refletiu em meu quarto quando acordei. E como seu esperma foi parar em mim? __ Não foi eu Scully, me desculpe! Passei a noite tentando contatar os pistoleiros e monitorando os sinais! Quisera ser, mas não foi! __ Também não entendo. Com certeza são partes biológicas suas, mas não sei como foram parar lá. Mulder, estou enlouquecendo! O que está acontecendo aqui??? Mulder encostou um dos braços na parede, e com o outro sobre a testa, fazendo expressão de raciocínio. Scully o fitava confusa, enquanto Mulder caminhava de um lado para o outro, gesticulando para si mesmo, parecendo realmente insano. __ O que está fazendo Mulder... __ Não pode ser....Scully...clones? __ Não Mulder!!!!!! Eu pensei nisso quando você teve aquele ataque lá em baixo! Iria anestesiá-lo, mas Juan foi mais rápido. E não era clone!! Era você!! __ O que eu fiz lá em baixo Scully? E o que tem Juan? __ Ai meu Deus...George não vai gostar disso... ......................................................... O silêncio de segundos foi rompido com a explosão de George. __ O quê você está fazendo! Nos apavorando com relatos de ficção científica!!! Juan estava hipnotizando pelas palavras de Mulder. Parecia estar ouvindo uma história de terror, ao redor da fogueira, comendo marshmallows. __ Continue Mulder – disse Juan, empolgado. Mulder foi até ele, levantando-o pela camiseta. __ Está caçoando da minha cara!! O que pensa que falei?? Não estou brincando!! Isso não é uma histórinha de adolescentes com os hormônios a 1000!!! Juan soltou-se com um empurrão. __ Ah é? Pensa que iremos acreditar nisso? __ Espere! – gritou Sharon – Lembrei de um detalhe que talvez permute o que ele disse. Quando Dana teve um colapso, a trouxemos para o centro médico. Ela teve espasmos, e acordou em pânico. Nos relatou uma cena fantástica, que não acreditamos, até vermos com os próprios olhos as marcas em seus pulsos e nuca. É como se ela realmente presenciasse o que sonhara. E Giovanni? Como morreu? Tive sonhos estranhos, que foram espantosamente reais. E não estava dormindo, pelo que lembro. Não sei o que há por aqui, porém, me parece que estamos tendo alucinações paranóicas, mutilando-nos a si mesmos, sem perceber, para mostrar que isso realmente aconteceu! __ Vocês estão enlouquecendo! E porque matou a tripulação do C16?– perguntou George. Mulder revirou-se na cadeira, retesando as sobrancelhas, confuso. __ Não entendi. George foi até ele, enfurecido, controlando-se para não esmurrá-lo. __ Seu desgraçado!! Vai dizer que não lembra o que fez lá em baixo!!! __ O que eu fiz? – disse Mulder, completamente sem entender. __ Você matou 7 pessoas!! Aliás, como conseguiu os códigos de acesso da sonda? __ Códigos? Sonda? Do que está falando? George iniciou um murro, mas foi contido por Sharon. Ela fitou Mulder, com calma. __ Mulder... não te contaram do acontecido? NO dia da partida do C16, você, ainda desaparecido, adentrou no laboratório e foi direto aos computadores principais. Tentamos intervir, mas você estava fora de si. Esmurrou Juan e George, e quase bateu em Dana. Não sei o que fez, mas ativou a sonda de emergência do submarino que partia, implodindo-o. Isso ocasionou na quase paralisação de Atlântica. Pior: ninguém sabe do código, apenas o líder da equipe, no caso, George. Depois de tudo quer nos dizer que não lembra? Mulder tinha a expressão pensativa que tanto Scully conhecia. Estava concentrado em seus pensamentos. __ Não tem nada a nos dizer Mulder? __ Scully....examine meu sangue. __ O quê? __ Rápido! Preciso confirmar o que estou pensando... ................................................ 8:57 PM – LABORATÓRIO CENTRAL BIOLÓGICO. Scully encontrava-se concentrada no microscópio, enquanto aguardava os resultados do exame de constituintes. __ Não Mulder...está normal. Não vejo nada. __ Precisa Ter Scully...e o outro exame? __ Ele mostra os constituintes sangüíneos, percentagens de células, essas coisas. Os resultados estão para sair. Enquanto isso, vá se deitar. __ Não, não posso dormir...Scully... tenque haver um dedo manchado de nicotina nisto! __ Não comece Mulder... __ Mas claro! Skinner não nos deu maiores informações deste caso! Com certeza nem ele sabia ao certo! Conjeturamos sobre o que seria, mas fomos obrigados a vir! Deve haver alguma coisa aqui que desperte o interesse do sindicato e... __ Aii Mulder!! – Scully olhou ríspida para ele, mas foi distraída pelo bip de um aparelho. __ Os resultados saíram Mulder... – os olhos azuis acizentaram – Mulder...você tem a mesma substância que Giovanni tinha no corpo! __ Mas claro Scully! Eu previ isso! A única coisa que não entendo são essas alucinações... – Mulder fitou-a com um olhar perscrutante – Scully, examine a todos nós. Se Giovanni tinha isso no corpo, e eu também, todos nós teremos. Só precisamos confirmar. E examine a água e o ar também. Precisamos saber de onde isso está vindo. ...................................... 16o Lat 146o Long PROXIMIDADES DA ILHA SAIPAN – ILHAS MARIANAS – OCEANO PACÍFICO SUBMARINO NOMOI A luz avermelhada, misturada a tons azulados, marejava os rostos dos tripulantes, dando-lhes formas cadavéricas. Vários sons entrecortados de bips inundavam o recinto baixo e escuro, repleto de terminais computadorizados. __ Eles descobriram? – Perguntou o mais jovem, de olhos verdes, com leve sotaque. __ Estão desconfiados, mas ainda não encontraram a principal causa. Scully está fazendo testes com todos eles, junto com água e ar. Mas o que predizem encontrar? – pigarreou um homem vestido de uniforme. __ É para isso que os designamos.. sempre desconfiamos que existia algo lá, alguma coisa. Sempre conjeturamos sobre o sumiço daquele protótipo. – relatou calmamente o homem de profundos sulcos – Há algo lá. De certa forma, ainda desconhecido. E provavelmente letal, que nos poria em perigo. __ Mas como? Temos o apoio "deles". Nada nos venceria. __ Como poderíamos saber? Pode ser algum tipo de plano de ataque oculto, ou até mesmo uma nova raça, totalmente desconhecida. – o homem alcançou o maço de cigarros e calmamente acendeu um. __ Quantas vezes eu disse que é proibido fumar aqui? Canceroso caminhou até um dos dormitórios diminutos, ignorando os protestos. "Apesar de não lembrar, agradecerá a mim pela ajuda que lhe prestei. Confio no preceito de seu antigo protetor... Não confie em ninguém....Mais uma vez o salvei. Agora é a sua vez de me ajudar, Mulder." ...................................................... 9:15 PM Scully encontrava-se no laboratório analisando o que Mulder pedira. Encontrara traços da substância no sangue de todos os tripulantes. __ Mas o que é isso?? Pensou em comparar as amostras recentes com as armazenadas na sala frigorífica. Tinha esperanças de encontrar a substância nos outros grupos também, além de analisar amostras mais antigas. Adentrou a sala fria, fechando a porta atrás de si. De certa forma, era grande para os padrões conhecidos. Tinha várias encubadoras, gavetas e tubos adornando as paredes, e a névoa esbranquiçada dava uma estranha sensação fantasmagórica. Demorou até encontrar as amostras desejadas. Dirigiu-se até a porta, e antes de sair, olhou pela janela de vidro. Seus olhos estalaram e ela sentiu os músculos pronunciarem diante a descarga de adrenalina. Involuntariamente, desequilibrou-se e caiu no piso coberto pela névoa branca. Sua respiração tornou-se entrecortada. Levantou-se cambaleando, totalmente zonza. Abriu a porta lentamente e sentiu o bafo quente que vinha do laboratório. O medo tomou-a por inteiro. O laboratório encontrava-se em completa desordem, meio as escuras, e grandes manchas vermelhas adornavam o metálico das paredes, reluzindo formas dantescas sobre os balcões. ............................................ 9:22 PM Mulder tentava em vão explicar para todos os outros quais os seus motivos para acreditar no que vinha dizendo. Tinha receio em revelar que ele e Scully eram do FBI, temendo uma reação agressiva de todos, mas não teve outra escolha. __ FBI???? O que o FBI está fazendo aqui? __ Scully e eu trabalhamos em uma divisão do FBI, chamada Arquivos X. São os casos inexplicáveis. Quando nos designaram para cá, tentamos relutar, pois não vimos Arquivo X nenhum. Agora vi que estávamos completamente enganados... __ Mas como... O relato de George foi quebrado pelo chamado estridente que vinha do laboratório biológico. __ Mulderrr!!! Mulder correu até o corredor que dava acesso ao laboratório, e no meio do caminho deparou-se com Scully. Seu rosto encontrava-se contraído em expressão refuta, em choque. __ Mul..Mulder...eu vi...estava quente...sangue... __ Calma Scully, me mostre o que viu. Scully arfava, tremendo. Levou Mulder até o laboratório. Quando adentraram a sala, ele a fitou curioso. __ O que foi Scully? Está tudo normal. O laboratório encontrava-se arrumado, como se nada houvesse acontecido. __ Mas...isso é impossível!! Eu vi Mulder, eu vi!!! Nesse momento os outros chegaram alarmados pelos gritos dela. __ O que aconteceu Dana? – perguntou Sharon. __ Me conte o que viu Scully – Mulder a fitou dentro de seus olhos, recebendo a segurança que precisa nos olhos verdes transparentes. __ Mulder...eu..eu encontrei traços da substância em todos vocês. Decidi verificar amostras de sangue mais antigas. Entrei na sala fria, peguei as amostras, e quando fui sair eu vi!!!!!! __ Me conte Scully – pediu Mulder, tentanto evitar de alarmá- la mais ainda. __ O laboratório parecia Ter passado em meio a um tufão!! Havia sangue por tudo!!! Mulder, eu não imaginei isso! Senti o calor, o cheiro horrível.. __ Essa não!!! Agora temos dois lunáticos por aqui!!! Era só o que me faltava!!! – pigarreou Juan. Mulder virou-se e o agarrou pela gola da blusa, quase levantando-o. __Juan...eu já cansei desses comentários que apenas dificultam as coisas. Se continuar assim, eu que irei afundar o cilindro de oxigênio no teu crânio! Cale essa boca! Ele virou-se para Scully, que o abraçou. __ Tudo bem Scully, acredito em você. Me disse que sentiu calor, isso? __ Sim, estava muito quente lá dentro quando saí da sala fria. __ Bem, você está cansada. Precisa descansar um pouco. .................................. ÁREA DOS DORMITÓRIOS 10:46 PM A suavidade transmitida pelas mãos que acariciavam seus cabelos delicadamente era única. Somente presenciava tais sensações com ele. Somente ele. Como poderia ele saber que apenas seu toque transmitia a ela toda a segurança e carinho que necessitava. Gostaria de ficar ali o resto de seus dias. Mulder encontrava-se sentado sobre a cama de Scully, e ela com as costas encostadas em seu peito, de forma que ele enlaçava os braços pelo corpo delicado. Uma das mãos acariciava o sedoso cabelo acobreado. Scully tinha a cabeça encostada no pescoço