FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper/Mitológica SPOILER : Vários, inclusive da 8 ª Temporada, mas apenas o que fala sobre a gravidez. SINOPSE : Uma interpretação para a vida de Mulder e Scully de ¨all things¨ a Requiem OBSERVAÇÕES : Essa é uma interpretação baseada em alguns spoilers e nos episódios da sétima temporada. Não está totalmente de acordo com o que será filmado. Espero que gostem e aguardo um feedback. AGRADECIMENTOS : Às minhas queridas amigas, Késsia, Ieda e Graça e à Thamara que que me avisou sobre algumas falhas que, agora, eu já consertei. Obrigada meninas !! De all things a Requiem Scully saiu do consultório médico arrasada. No fundo, sabia que as chances eram remotas, mas sempre alimentara alguma esperança antes de tomar coragem e sair em busca de provas. Jamais conceberia uma criança. Estas palavras caiam sobre ela como uma guilhotina, esfacelando seus sonhos. Ser mãe era algo no qual ela não pensava com freqüência até o dia em que soube que isso seria impossível. Ver Tara carregando Mathews em seu ventre, ser colocada frente a frente com Emily, uma criança que ela não gerara, mas com quem, mesmo assim, estabelecera laços muito fortes, deixavam- na ainda mais amargurada. Abrira mão de uma vida pessoal, abrira mão de uma vida normal e nada disso a havia magoado tanto como ter sido roubada do direito de gerar um filho. Ela vencia a distância dos quarteirões de cabeça baixa, lutando contra as lágrimas que denunciavam seu estado de espírito. Sua fé não a sustentava naquele momento, ao contrário, ela a repelia. Como poderia haver justiça se lhe era negado a ela, que sempre tentara manter-se dentro dos princípios religiosos que abraçara, agindo com fé e justiça; o direito de sentir os braços frágeis de uma criança ao redor de seu pescoço, pedindo-lhe o amparo de mãe ? Quantas mulheres existiam que, sem qualquer remorso, abandonavam ou maltratavam os filhos, negando-lhes o carinho e amor a que tinham direito, enquanto ela, pródiga desses sentimentos, não poderia oferecê-los a um ser gerado por ela mesma ? Seus olhos repousaram em sua barriga e ela, instintivamente, levou a mão até lá. Nunca veria a sua silhueta se distender para abarcar todo o seu afeto na forma de uma criança. A si mesma, afirmava que não seria justo trazer uma vida ao mundo para correr os perigos que ela vivenciava diariamente, mas essa vida seria a única capaz de fazê-la reavaliar as escolhas que fizera. Capaz de mudar a direção que havia tomado, muito embora, soubesse que também nunca abriria mão da companhia indispensável do parceiro. Ainda assim, seria capaz de abandonar tudo. Guardando de sua antiga vida, apenas a terna amizade que a ligava a Mulder e , para ela, só isso seria o bastante. O filho e o parceiro. Um sorriso aflorou tímido em seus lábios. Quem sabe, talvez, ligados pelos mesmos laços de sangue e destino. Porém esses castelos foram levados pelas ondas duras da realidade e ela se viu parada em frente ao prédio do FBI, a única coisa que ainda não lhe havia sido tirada. Entrou no elevador e tentou reequilibrar seu espírito. Vestir novamente a máscara de impassividade que já pesava em seus ombros e voltar ao escuro mundo do porão. A porta se abriu e ela encarou o parceiro. _ Onde estava ? _ ele perguntou dirigindo-se ao elevador _ Estava procurando por você . E dali ela foi ao inferno e novamente subiu ao céu. Não queria mostrar-se emotiva para Mulder, mas precisava de um ombro e o dele, que se mostrava preocupado e solicito, era o único ao qual ela se entregaria sem receios. Abrir-lhe o coração, tentando manter- se firme só não fora mais difícil do que ouvir a explicação que ele lhe havia escondido por tanto tempo. Mulder contou-lhe uma parte perdida da vida dela. Algo que seria inacreditável, não fosse a improvável vida a qual eles estavam acostumados. Ela tivera seus óvulos extraídos junto com a capacidade de produzi-los e Mulder os havia tido nas mãos e, surpreendentemente, ainda os tinha, numa clinica de fertilização. Mesmo com ele afirmando que não havia chance pois eles eram inviáveis, segundo a análise médica, ela sentiu brotar um tênue fio de esperança e estava disposta a agarrar-se a ele. Novamente no consultório, de posse de seu material genético, guardado pelo parceiro, ela submeteu-se a novos exames e aguardava, ansiosa, o parecer do médico. _ Dana _ o médico informava com certa alegria _ Não quero gerar falsas expectativas. Eu sei o quanto isso é importante para você e...sim...pode haver uma chance. O sorriso que ela deu , iluminou-lhe o semblante. Havia esperança. Seus olhos brilhavam. _ Não quero te iludir. É um processo complicado e pode não surtir o efeito desejado, mas acho que devemos tentar. Finalmente ela conseguiu coordenar as palavras. _ O que precisa ser feito. _ Bom, o primeiro passo e separar o material seguramente aproveitável. O tempo em que ele ficou inativo prejudicou a qualidade, mas, de qualquer maneira, o processo que eu vou utilizar é totalmente novo e o médico que o analisou tinha razão, naquela época nada seria possível . O fator tempo, então, é imprescindível para nós. Temos que começar imediatamente. Mas há outro problema... Você está saindo com alguém ? Pode pedir-lhe que seja o doador ? _ Não estou saindo com ninguém_ ela respondeu timidamente. _ É preciso dois gametas para formar um ovo, Dana...Você tem a quem pedir para ser o doador de esperma ? Ela ficou calada por alguns minutos. _ Tenho _ disse, encarando o médico _ Apenas não imagino como pedir- lhe isso. _ Seja rápida Dana. Faça isso enquanto realizo os últimos testes. Uma nova mulher saiu do consultório. Dana estava feliz. Sabia que poderia ser apenas uma tola esperança, mas não se importava. Agarrava- se a ela com todas as suas forças. O próximo passo seria bem mais complicado, pelo menos do ponto de vista emocional. Scully decidiu que o porão do FBI seria o lugar ideal para o pedido a Mulder, porque, mais do que óbvio, não imaginava mais ninguém que gostaria de ter como pai de seu filho, não tinha mais ninguém a quem pedir e a possibilidade de ter que optar por um banco de esperma, não lhe era agradável. Precisava fazer o pedido de forma neutra. Convidá- lo para sua casa ou ir até a dele, tornaria o pedido muito mais difícil, porque envolveria sentimentos dos quais ela não estava disposta a falar no momento e nem sabia quando estaria. De qualquer maneira, seria mais fácil fugir do escritório do que de sua casa, seja qual fosse a resposta dele. Era necessário que ela deixasse claro que seu pedido não tinha nada a ver com o que ela sentia por ele, que ela não queria nada além disso, apesar de que nem ela mesma acreditava no que tentava afirmar. Encontrou o parceiro lendo um relatório. _ Boa tarde, Mulder. _ Oi Scully _ ele respondeu distraído. _ O que está fazendo ? _ Terminando o relatório do caso. Quer dar uma olhada ? _ disse, estendendo a pasta para ela. Scully tomou os papéis e começou a folheá-los sem muito interesse. Mulder notou-lhe a atitude. Sabia que ela havia procurado a clinica de fertilização e que havia recuperado seus óvulos. Sua mente doía de vontade de perguntar-lhe os resultados, mas queria deixá-la livre para contar, se quisesse. Viu que ela pareça mais calma, arriscava dizer até que estava feliz, porém inquieta, por isso, temia a resposta. Foi Scully quem tomou a iniciativa de falar. Colocando a pasta sobre a mesa. Fitou o parceiro demoradamente. _ Não vai perguntar ? _ ela começou, arqueando a sobrancelha. _ Esperava que você me dissesse. Ela respirou fundo e sorriu, vendo o sorriso dele em retribuição. _ Há uma chance _ ela contou com olhos brilhantes, seu rosto se distendendo num sorriso ingênuo de pura alegria _ Talvez eu possa conceber uma criança. Mulder levantou-se sorrindo e aproximou-se dela. Tocando-lhe de leve os ombros. _ Isso me deixa muito feliz, Scully_ falou com sinceridade _ Tenho certeza de que você vai conseguir. _ Obrigada Mulder, não fosse por você isso não seria possível. _ Sempre me senti culpado por você ter perdido isso, Scully. Não sei se deveria ter lhe dito antes mas... _ Não... _ ela interrompeu _ De nada adiantaria...quer dizer...O médico disse que antes nada seria possível e... _ Sei o quanto é importante pra você _ ele continuou, passando os dedos pelos cabelos delas, num gesto carinhoso _Bom... _ falou, mudando de tom. Afastou a mão receoso, imaginando que se continuasse agindo daquela maneira, só conseguiria parar quando ela estivesse firmemente atada aos seus braços e concluiu com ar jocoso _ Agora resta saber se eu vou conseguir me acostumar com uma miniatura ruiva, me ajudando a manter a bagunça desse escritório. Teimosa como a mãe a me olhar com a sobrancelha erguida em sinal de reprovação e me chamando de Spooky. Scully sorriu, mas logo a seriedade retornou ao seu semblante. Aquele era o momento. Não poderia esperar. Sua pele afogueada e seus gestos nervosos, aliados à voz subitamente baixa, denunciaram sua emoção. _ Na verdade... _ ela começou relutante _ Não é tão simples assim...Há mais coisas envolvidas do que a recuperação dos óvulos e... Mulder franziu a testa, sem entender. _ O que quer dizer ? Há mais algum problema para que você consiga recuperar sua fertilidade ? _ Nunca vou recuperar minha fertilidade, Mulder... _ ela contou, fixando o semblante do parceiro. _ Como assim ? _ ele estava apreensivo. _ Não posso gerar filhos da maneira convencional. Meu corpo não produz e jamais voltará a produzir óvulos... _ Mas você poderá fazer uma fertilização artificial... _ Sim, claro...É isso que eu pretendo fazer e...não posso esperar muito. O material genético não está completamente seguro. O tempo é fator essencial para a concepção, nesse caso... _ Isso quer dizer que você está pensando em fazer agora ? _ a voz dele soou trêmula. Isso significaria perdê-la em pouco tempo. Sabia que ela não conseguiria conciliar trabalho e filhos... não com o mesmo desprendimento que tinha até então. E sabia qual seria a escolha dela. _ Há mais coisas, Mulder...Além da urgência do processo...Eu não sou jovem... _ Pra mim, você parece bastante bem, Scully...e jovem _ ele interrompeu. Ela sorriu novamente. Às vezes não compreendia como ele podia ser tão perspicaz num momento e em outro se tornar completamente ingênuo. Ou fingir muito bem que não estava entendendo o rumo que aquela conversa iria tomar ou, pior ainda, estar querendo obrigá-la a ser totalmente explícita. Que fosse ! Ela não podia esperar. _ Mulder _ ele respirou fundo _ É mais do que isso. Você sabe como são feitos os bebês, não sabe ? _ ela sorriu sem jeito. _ Bom..._ ele deu de ombros, ligeiramente envergonhado _ Não tenho tido muita pratica, mas acho que ainda posso me lembrar _ concluiu com ironia. _ É preciso dois gametas pra se formar um ovo, Mulder _ ela explicou séria, usando a frase do médico. Ele apenas ergueu a sobrancelha. Seu coração começando a disparar lentamente, adivinhando o que viria pela frente, embora seu pouco bom senso lhe dissesse que aquilo jamais poderia estar acontecendo. Scully tomou coragem e despejou o pedido sobre ele, temendo não ser capaz de chegar ao final se continuasse pensando. _ O que eu quero dizer, Mulder é que...tinha esperanças... de que gostasse da idéia de uma garotinha morena...ligeiramente racional e totalmente obstinada que... mesmo que nunca soubesse como foi gerada... jamais o consideraria Spooky...ou...se soubesse...sentir-se- ia orgulhosa de ser chamada ... _ ela o fitou tímida _ sua filha. A última palavra quase não pode ser ouvida, mas Mulder captou imediatamente todo o sentido dela.Compreendeu a atitude retraída da parceira e, como era estúpido! Era óbvio que ela precisaria de um pai para esse bebê. _ Quer dizer, Mulder _ ela apressou-se em explicar, ante o olhar atônito dele _ Eu...imaginei se você não se importaria... _ ela respirou fundo novamente _ É preciso um doador e...sei que não é comum, mas... seria possível que...fosse você ? Mulder permaneceu calado, os olhos grudados ao semblante dela. Não que odiasse o pedido ou qualquer coisa semelhante. Apenas fora pego completamente despreparado. Skinner veio em seu socorro ao abrir a porta e entrar na sala. _ Agente Mulder _ ele começou. sequer notando o ambiente estranho que pairava no ar _ Preciso que me acompanhe, o diretor do escritório de Chicago está aqui e quer dar uma olhada no relatório do último caso que vocês concluíram. Ambos permaneciam silenciosos. _ Precisa de mim, senhor ? _ Scully perguntou após alguns instantes, quebrando o silêncio. _ Não será necessário, agente Scully. Acredito que o Agente Mulder possa apresenta-lo sozinho. Scully levantou-se e pegou o casaco. Estava desesperada para sair dali. _ Nesse caso, vou terminar meu relatório em casa. Antes que saísse, Mulder segurou-lhe o braço. _ Depois conversamos, Scully _ disse, para que não houvesse dúvidas de que ele havia entendido o pedido dela. Scully foi para casa. Havia muitas coisas nas quais tinha que pensar, inclusive no que faria se Mulder recusasse seu pedido e, ela já imaginava, era algo bem mais que provável. Mulder não ouvia uma palavra do que os dois homens diziam. Pensava no pedido da parceira. Seus sentimentos eram um misto de orgulho e apreensão. Porque Scully pedira aquilo justamente a ele ? Para se aproximar ou distanciá-los de vez? O quê aquela criança significaria para eles? Ela não excluíra a possibilidade de contar a ela quem era seu pai, mas...Não pedira nada além de que ele fosse doador, um mero doador de esperma, não um pai como ele gostaria de ser, de um filho dela...deles. Que tivesse aqueles incríveis olhos azuis, a mesma generosidade e beleza que ela possuía. Para ele bastava apenas que fosse deles, nada mais. Um projeto realizado. Uma descoberta abençoada. Um caminho encontrado. Um elo de sentimento. Mas ela não lhe pedira isso. Precisava tão somente de um doador. Mas a dúvida ainda permanecia. Porque ele, se ela, como a pessoa mais racional que ele conhecia, poderia ter recorrido a um simples banco de esperma ? Porque pedir por essa ligação como ele ? Estava feliz por ela ter lhe pedido, não podia negar. Ela confiava nele e, tinha certeza, respeitaria a decisão que ele viesse a tomar. Mas não sabia qual seria. Não tinha a menor idéia do que lhe dizer. Com um bebê, Scully poderia afastar-se definitivamente do FBI e, quem poderia garantir, talvez dele também. Sabia que estava sendo egoísta pensando assim, mas ela também não havia sido totalmente altruísta. O quê fazer ? Como agir ? _ Agente Mulder _ Skinner trouxe-o de volta à realidade _ Algum problema ? _ Não...é que...quer dizer. Desculpe, senhor...eu..não poderia terminar o relatório primeiro? Ainda há algumas lacunas que queria discutir com a Agente Scully... O diretor deu de ombros. _ Não posso esperar _ disse _ Mande-me o relatório quando estiver pronto _ concluiu meio contrariado. Mulder saiu dali e pegou seu carro. Dirigiu sem destino. Estacionou em frente ao prédio da parceira, mas não saiu. Ficou relembrando os momentos que passaram juntos. Todos aqueles em que ela abaixara a guarda e permitira que ele penetrasse em seu mundo. E tinha sido bom...mesmo que ela logo se recuperasse, mesmo que esses momentos quase sempre estivessem relacionados à dor e perdas..era aconchegante...tranqüilo...inesquecível. Pensou nas transformações que o corpo e a mente dela sofreriam com uma criança e suspirou. O que estava fazendo? Qual a dúvida ? A resposta sempre estivera ali. Algumas horas depois, Scully ouviu as batidas na porta. Abriu-a e convidou o parceiro a entrar. Ele tinha pressa. _ Tenho que voltar ao Bureau _ disse apressadamente. Ela estava apreensiva e rompeu o constrangimento. _ Precisa pensar sobre o meu pedido... _ concluiu sem jeito. _ É que...isso...não é algo que alguém te peça todo dia e...Sinto-me absolutamente lisonjeado e..._ ele apressou-se em continuar, vendo que ela abaixava a cabeça, sem coragem de fitá-lo_ estou sendo sincero ... _ Se está procurando uma maneira educada de dizer que não, Mulder... _ ela o interrompeu, sem conseguir esconder seu desapontamento _ Eu entendo...eu... entendo. _ Eu...só não queria que ...isso ficasse entre nós e... Ela abaixou a cabeça, não queria que ele visse o quanto aquilo a entristecia. Havia feito o pedido, não estava feliz com a recusa, mas entendia o ponto de vista dele. Por mais amigos que fossem, isso era algo muito pessoal e difícil de se aceitar. Ele não queria esse vinculo com ela. Provavelmente iria querer ter filhos mas...de uma maneira natural...com uma mulher que pudesse dá-los a ele e... Notou que ele aproximava a mão de seu queixo e não queria deixá-lo ainda mais constrangido. Tratou de erguer a cabeça para fitá-lo, não podia exigir mais dele. Mulder continuava falando. _ ...mas a resposta é sim. Scully ficou perplexa. A principio, não entendeu. Tinha os olhos fixos no semblante do homem à sua frente. Sentia vontade de pular nos braços dele e não pode reprimir o gesto. Não exatamente pulando sobre ele, mas abraçando-o com força. Suas esperanças haviam renascido. Afastou- se quando o que mais desejava era permanecer ali ...beijá-lo e dizer o quanto aquela resposta a fazia feliz. Não só por ter encontrado a solução para um problema, mas sobretudo, por ser ele a ajudar na realização desse sonho. Falou coisas desconexas, sobre marcar exames e procedimentos para afastar o clima emotivo em que estava envolvida, mas percebeu que ele precisava sair. Ao fechar a porta, deu largas ao seu contentamento, tecendo planos venturosos para o futuro. Mulder realizou todos os procedimentos. Tentavam tratar o assunto da maneira mais impessoal possível e ela seguiu sozinha para o médico, a fim de acompanhar os processos de fertilização. Vários dias depois, ela comunicou a Mulder que iria pegar os resultados e saber se havia tido sucesso. Até aquele momento pareceu razoável para Mulder deixar que ela seguisse sozinha, mas agora, achou importante oferecer-se para acompanhá-la, mesmo sabendo a resposta que ela daria. _ Não é preciso, Mulder. Eu ligo pra você depois. Mas ela não ligou e ele preocupou-se. Imaginava o que havia ocorrido e saindo do FBI, passou em casa, tomou um banho rápido e seguiu para a casa dela. Não havia ninguém. Ele esperou. Acabou adormecendo no sofá até ouvir o barulho da porta. _ Scully ? _ indagou assim que a viu entrar. Já sabia a resposta e antes que ela concluísse a resposta ele a abraçou com força. As palavras dela causando-lhe uma dor quase física. _ Era a minha última chance _ ela contou entre lágrimas. Mulder beijou-lhe a testa a apoiou-se nela. _ Nunca desista de um milagre _ foi a única resposta que encontrou para lhe dar . E Scully chorou novamente, beijando o rosto dele e buscando em seus braços a força e o consolo de que tanto necessitava naquele momento. Não pareceu estranho para ela, senti-lo conduzindo-a para o sofá e sentando-se ao seu lado . Nem pareceu demais para ele mantê- la junto ao peito e secar as lágrimas que corriam abundantes pelas faces entristecidas da parceira. E, nesse, como em vários outros dias, Mulder foi o seu amparo. Chorou sem constrangimentos abraçada a ele. Somente aquele homem poderia avaliar o que ela estava sentindo, apenas ele acompanhara toda a sua luta, só no abraço dele ela conseguia obter qualquer ajuda. Ela adormeceu com a cabeça repousada sobre os ombros dele, sentindo o contato terno e cálido de suas mãos sobre os cabelos, enquanto murmurava palavras de consolo, prometendo estar com ela para tentar novamente. Ela sabia que não haveria mais chance, mesmo assim, sentia- se protegida pelas certezas dele. Procuraram esquecer esses acontecimentos. Enterraram-se mais ainda nos casos que investigavam e os dias transformaram-se em meses. Mas aqueles acontecimentos não tinham sido inúteis. Eles estavam mais próximos, não só no trabalho. Parecia que a amizade deles havia galgado mais um degrau. Crescendo em intimidade. As conversas agora deslizavam para o lado pessoal, ainda que só arranhando a camada de reserva que eles mantinham sobre seus sentimentos. Ainda assim, é a insistência das águas que perfura as pedras. E as barreiras lentamente começavam a ruir. Scully entrou no escritório com um pacote nas mãos. Estava cansada. Eles acabavam de investigar um caso em que Mulder teimava que a mulher ingerira ectoplasma, mas que, pela autópsia, não passava de um coquetel de tequila e outras bebidas. Mas ele não se preocupava mais com esse caso. Havia algo maior. Os campos na Inglaterra. Mulder gostaria que Scully o acompanhasse até lá, mas ela permaneceu irredutível. Queria, precisava de descanso. Mulder sabia que não seria a mesma coisa sem a companhia dela, mas nenhum argumento foi decisivo. Ela não estava interessada. O máximo que conseguiu foi convencê-la a pegar alguns documentos para ele. Dessa vez, porém, a parceira estava certa. Não havia nada lá, apenas uma total perda de tempo. Chegando a Washington, a primeira coisa que fez foi procurá- la, mas Scully não estava em lugar algum. Soube por Skinner que ela havia ido ao hospital e seguiu para lá. Ela pareceu feliz por vê-lo e Mulder viu, ou quis ver, nos olhos dela, um brilho diferente ao fitá-lo. Como se houvesse descoberto algo novo no tempo em que estiveram separados. E foi o que aconteceu. Ela havia feito uma descoberta e, o que o mais o agradava, havia dito a ele. Contou-lhe sobre Daniel, sobre seu passado, sobre o que sentia e as impressões que ficara do encontro. Mulder estava surpreso. Aquela confissão tão pessoal da parceira o deixou sem ação. Disse- lhe algumas frases bobas porque não conseguia encontrar nada conveniente pra dizer. E quando conseguiu coordenar as idéias, a fim de entrar e se entregar a confidências como ela havia feito, percebeu que Scully não mais o ouvia. Enquanto encaminhava-se para o banho, após deixar a parceira adormecida sobre o sofá , ele reavaliava aqueles momentos. "Como imaginar que você pudesse ter agido passionalmente algum dia ? Como esperar que em dois dias eu iria conhecer mais sobre você do que em sete anos de parceria ? Não o seu lado profissional e humano. Esses, eu arrisco dizer, que já desvendei há muito tempo, mas... sua porção mulher. O que a torna diferente de mim. O lado que eu estava sedento por descobrir. E novamente você me surpreendeu e ainda uma vez me deixou em dúvida. Surpreso por descobrir que também você pode se deixar levar pelo coração, embora eu sempre imaginasse que é justamente o seu coração que a prende a mim, porque racionalmente você jamais permaneceria ao meu lado. E daí vem a dúvida. Porque Scully ? Porque seguir comigo se existia um caminho menos tortuoso para você . Um caminho que poderia ter te levado às suas expectativas de ser mãe, profissional e esposa de uma maneira comum. Você sabia que, ao meu lado, isso dificilmente seria possível e, mesmo assim, permaneceu comigo. Porque continuar se poderia ter reunido suas perdas, dar um basta e tentar mudar, seguir adiante ? E, mesmo que eu sonhe com isso, como saber se você deseja o mesmo que eu ? Se a maneira que você me olha não é apenas como o parceiro maluco que te inspira cuidados maternais ? Sinto a água cair sobre a minha pele. Está quase gelada. Meus pêlos estão eriçados, mas me sinto em brasas. Coloco a cabeça sob o chuveiro, mas, nem mesmo a ducha fria, é capaz de alterar o rumo dos meus pensamentos. Você. Parceira, amiga, mulher. Talvez meus instintos tenham sido aguçados pela nossa conversa. Posso estar sendo ludibriado pelo meu desejo de ver em seus olhos algo mais do que amizade, algo mais que dever, um brilho de paixão, a mesma paixão que me arrasa e sustenta. Por você. Saio do quarto com o corpo úmido e sinto o arrepio subir pelos meus pés e descer da minha nuca. Encontrando-se no meio do caminho.Chocando-se sobre o meu ventre apenas coberto pela toalha. Você está aqui . Em pé. Na minha frente. E seus olhos devastam e penetram minhas entranhas. Você me observa. Sem reservas. Estremeço. Você nota. Seus lábios arqueando-se imperceptivelmente. Sorri. Não quer, mas eu sei, eu vejo. Ficamos ambos parados, sem dizer nada, apenas nos observando. Você, segura e descalça, e eu fragilmente enrolado na toalha que pouco me protege do efeito de seu olhar sobre mim. Não importa. Quero me tornar vulnerável. Pra você. O calor percorre o meu corpo em sintonia com os seus olhos, que começam um jogo perigoso de investigação. E eu quero, eu participo, ou antes, eu permito. ¨ Scully abriu os olhos. Estava coberta pela manta. O apartamento estava em silêncio, no escuro. Ela se sentou. Passou a mão pelos cabelos. Levantou descalça. Foi até a cozinha... ninguém. Na volta viu a porta do quarto aberta. Penumbra. Ela arriscou, entrou. Novamente vazio. Seus olhos percorreram o ambiente. Apenas o barulho do chuveiro atrás da porta fechada. "Imagino você lá dentro. Tantas certezas definidas no espaço de alguns dias. Seladas no conteúdo de uma conversa. Você. Aquele a quem eu sempre procurei mas de quem eu fujo. Porquê ? Nem eu mesma sei dizer. Ouço o barulho da água e a invejo. Ela percorre seu corpo. Desvenda seus mistérios. Desliza sobre a pele firme que eu apenas sonho conhecer. Penso ver o sabonete que acaricia sua pele, sinto-o em minhas mãos e, fechando os olhos, deixo que elas participem do seu banho. Eu conheço seu corpo, cada detalhe do que eu já vi e toquei está gravado em minha mente e posso imaginar todo o resto que esteve longe da minha visão, porque, nunca estiveram longe da minha percepção. O calor me envolve e excita. Não sei o que esta me levando a agir assim hoje. Talvez o desfecho que um caso mal resolvido dentro de mim. Mal consigo entender o que significou olhar para aquele homem sobre um leito de hospital e sentir nada mais do que compaixão e ternura. O ar me faltava, sentia-me sufocada pelo passado que me oprimia e, novamente, você foi a resposta. Senti o ar, represado pela angústia, ser imediatamente levado para longe quando minhas mãos repousaram sobre seus ombros e seus olhos cruzaram-se com os meus. Sei que não devo, mas aqui estou, tão perdida em você que só me dou conta da sua presença quando o vejo na minha frente. Apenas uma toalha cobrindo o esplêndido corpo molhado. Devia fugir, mas não vou. Meus olhos estão chumbados a você. Deveria correr, mas permaneço. E eu quero permanecer. Que importa ? Tarde demais para retroceder. E quem pode afirmar que eu iria ? Sem constrangimentos, percorro o complexo caminho que leva aos seus músculos.. sua pele... seu corpo. Você estremece... eu noto. Meus lábios se contraem... sorrio...você percebe. Continuo... Você permite.. imóvel. Tento reagir. É preciso acabar com isso, não quero, mas preciso. Quem sabe minha voz venha em meu socorro ? Mas o que eu digo, compromete-me ainda mais." _ Não queria ir pra casa agora _ digo com voz surpreendentemente calma e segura, apesar de como me sinto e ouso continuar _ Posso ficar ? Senti o sangue queimando nas veias. Não estou nu, mas a maneira como você me fita despe-me completamente e isso me excita, tanto que tenho certeza de que você já percebeu. Lembro-me do que perguntou e apenas abano a cabeça concordando. E vejo que você dá mais um passo para dentro do quarto. _ Onde posso conseguir um lençol ? _ fala com os olhos grudados em meu rosto e eu temo que os meus me traiam _ Lençol ? _repito sem entender. _ Pra colocar no sofá _ você explica. _ Ah ! _ respondo _ Ali _ continuo, apontando a cômoda atrás de mim _ Na segunda gaveta. Mais alguns passos... e você está parada em minha frente . _ Posso pegar ? _ Ahã _ novamente, respondo com a cabeça. Você continua o caminho. Abre a gaveta e retira algumas peças. Volta novamente para onde eu estou. _ Posso pegar um travesseiro ? _ fala apontando a cama. _ Scully... _ interrompo, saindo do transe _ Porque não fica com a cama ? Apenas um movimento de cabeça. _ Não quero atrapalhar. _ Não vai. Eu já estou acostumado com o sofá. _ Eu vou ficar bem _ você diz, seguindo para a porta. _ Espera _ você pára _ Não quer algo pra dormir ? _ ofereço _ Tem uma camiseta ? _ pergunta virando-se para mim. Finalmente, meus pés desprendem-se do chão. Vou até a gaveta, hesito entre o cinza e o branco, decido-me. Pego uma camisa de beisebol. _ É a maior que eu tenho. Você estende a mão e a pega, roçando a ponta dos dedos em minha pele. _ Posso ? _ diz apontando o banheiro. Concordo. O ar no quarto é quase sólido. Posso sentir as vibrações de meu corpo ecoando por todos os lugares. Você quer! Mal posso acreditar! Você me quer. Tiro a toalha e enfio-me imediatamente numa calça de flanela. Não acredito que estamos assim. Eu vi, eu senti. Você me quer. Por Deus, e como eu o quero ! Sinto a textura da blusa em minhas mãos. Eu me recordo dela. Você a usava quando me ensinou a jogar beisebol. Aproximo-a do rosto.Tem seu cheiro. O cheiro de Mulder. Desfaço-me das minhas roupas e imagino o que você está fazendo. Penso em manter a saia. Desisto. Não quero, não vou. Lavo meu rosto. Estou quente. Suspiro. Respiro e saio. Procuro-o pelo quarto. Vejo-o deitado sobre os lençóis, os braços cruzados na nuca. E seu corpo brilha, seus olhos repousam em mim, eu gosto. Você voltou. Agora eu a devoro com os olhos. A camisa cai no meio das coxas. A pele é muito branca. Os dois primeiros botões estão abertos e eu posso divisar o vale entre o busto. O que você quer afinal ? Vejo-a caminhando para a porta. Não deixo. _ Scully _ eu chamo. _ Sim ? _ você se volta. Mas não mais me engana. Percebo em seus olhos. Já não tenho mais dúvidas. Tarde demais para fugir. Você será minha. E será hoje. Tento mantê-la comigo. _Você não me disse como termina sua estória... Você não me deixa ir e eu não quero fugir. _ Como assim ? _ pergunto, voltando sem necessidade ao meio do quarto. _ Você dormiu no meio dela _ reclama. _ Não há mais nada _ digo, erguendo a sobrancelha e esboçando um sorriso. Não quero lembrar-me de Daniel. Vejo-o levantar-se. O peito nu. Aproxima-se de mim. Agora... eu estremeço. Você percebe. Mas não desiste. _ Não sente mais nada ? _ exige resposta Abaixo a cabeça sem jeito. Não sei fazer esse jogo e minha mente já começa a erguer os diques que suportam minhas emoções. _ Sinto por ele_ confesso, encarando-o e prossigo _ Mas não há nada que eu possa fazer. Você sorri. _ É tão difícil assim dizer se ainda o ama ou não ? Vou ter que adivinhar ? De certa forma, irrito-me com a maneira como você me pressiona. Obrigando-me a expor sentimentos. Não me sinto à vontade com isso. Fico com raiva. Será que tudo deve ser dito por palavras específicas ? Será que você está tão longe da realidade que não percebe o motivo ? Sete anos ! Impossível que não me conheça. _ Impossível que você já não saiba _ respondo com mais rispidez do que esperava. Afasto-me em direção à porta, mas algo me detém. Viro-me ao sentir a sua mão sobre meu braço. Nossos olhos se encontram, estamos agora frente a frente. _ Juro que não sei, Scully. Você nunca me disse exatamente. Mas, agora, eu quero saber. Tudo aconteceu rápido demais para que pudéssemos evitar. Sem palavras. Nenhuma recusa. Realmente nos conhecíamos profundamente, todos os sentimentos compartilhados, menos um : desejo. Mas agora... tínhamos urgência. Suas mãos cruzaram-se sobre minha cintura . Corpos colados. Ergo a cabeça, em busca de ar, mas encontro seus lábios. A sensação de prazer percorre meu corpo. Me excita, eu cedo. Sinto-lhe as mãos descendo, encontrando meus quadris. A camisa sobe quando meus braços envolvem seu pescoço, você ajuda. Sinto suas mãos quentes sobre a pele, apertando, vagando, subindo e descendo até chegar à calcinha, que se mostra peça inútil para me proteger de suas mãos curiosas. Suspiro. Num gesto, um de seus braços me eleva do chão. Sinto-me leve, enquanto a outra, corre pela minha lingerie, puxando-a e fazendo-a escorregar pelas pernas. Suas mãos se perdem em mim, seus dedos me tocam. Meus olhos se fecham, procuro seus lábios. Novamente meus pés tocam o chão. Com a mesma ousadia que você, meus dedos alcançam o cordão da calça e desfazem o laço, agora é a minha exploração que arranca gemidos de seus lábios.. Sinto seus dedos prendendo-se na ponta de blusa e eu levanto os braços, ajudo. Agora, estamos ambos nus. A cama está próxima e você, trêmulo, debruça-se sobre mim. Minhas costas encontram o colchão enquanto seu corpo me cobre. Enrosco-me em você que, qual felino, me arrasta e conduz ao meio da cama. Sem ajuda, encontra o caminho e está em mim. Exclamo seu nome. Sinto seu beijo. Finalmente, nossos últimos segredos serão desvendados. Estamos nos amando... agora... de novo... e ainda... e depois. Não há descanso... sem trégua... completamente... até o amanhecer. Scully abriu a porta do escritório e seus olhos encontraram imediatamente os do parceiro que a fitava com um brilho indefinido iluminando seu rosto. _ Bom dia, Scully _ ele cumprimentou com sorriso maroto, assim que ela entrou. _ Bom dia, Mulder _ ela respondeu, esboçando um sorriso tímido e abaixando a cabeça, evitando o olhar que caia sobre ela como se a estivesse despindo. _ Dormiu bem ? _ ele insistiu, enquanto rodava um lápis entre os dedos, para depois, joga-lo para o alto, vendo-o prender-se ao forro do teto. _ Muito bem_ ela respondeu, obrigando-se a fitá-lo _ E...você ? _ continuou em voz muito baixa. _ Teria sido perfeito, se não tivesse acordado sozinho_ ele respondeu, um leve tom de censura na voz. _ Mulder eu.... _ ela começou a justificar-se, aproximando-se dele. Mas o telefone a interrompeu. Mulder arrumou-se na cadeira e atendeu prontamente. _ Sim senhor, subiremos em seguida _ O que foi ? _ Skinner está nos chamando _ ele respondeu, levantando-se e pegando o casaco sobre a cadeira. Ao passar por ela, porém, Mulder parou. Inclinou-se até quase roçar o rosto no dela, chegou junto ao ouvido e murmurou com voz quente e macia. _ Não pense que essa conversa termina aqui, Dra. Scully. Temos muito a conversar ainda _ ele concluiu, beijando de leve o pescoço dela _ Vamos ? Ela estremeceu, virou-se e seguiu-o sem dizer nada. Entraram na sala de Skinner e encontraram uma equipe reunida. _ Agentes _ explicou Skinner _ Gostaria que integrassem a equipe de nossos agentes na elaboração de um relatório sobre as atividades de cada setor no último ano e _ ante o olhar contrariado de Mulder, arrematou _ É uma nova exigência do Bureau. Não aceito reclamações. Eles passaram o dia escondidos atrás de uma montanha de papéis, discutindo e agüentando os comentários irônicos dos outros companheiros. O toque na campainha já era conhecido. Ela relutou alguns minutos antes de atender. Ainda não sabia direito como agir, o que dizer e que rumo dar à situação criada a partir da noite anterior. _ Oi _ ela falou simplesmente, ao abrir a porta. _ Posso entrar ? _ Mulder perguntou, buscando os olhos dela. _ Claro ! _ ela respondeu, estendendo o braço num convite. Ele entrou e parou no meio da sala. Scully evitava o olhar dele. _ Scully..._ Mulder começou, mas ela o interrompeu. _ Mulder, acho que ... _ Escute _ ele disse aproximando-se e colocando a mão sobre o queixo dela, obrigando-a a fitá-lo_ eu sei como está se sentindo. Teria sido melhor se você não tivesse saído correndo hoje de manhã. Nós não precisaríamos ter esperado o dia todo para podermos conversar, ainda mais com aqueles agentes nos provocando o tempo todo. _ Não sei como ver isso, Mulder _ ela respondeu _ Se sabe como me sinto, deve imaginar que eu simplesmente não sei o que fazer com isso. _ Poderia começar me dando o bom dia que eu imaginava receber hoje de manhã quando acordei. Ela sorriu _ Bom dia Mulder_ murmurou tímida. _ Tenho certeza de que você pode fazer melhor, Scully _ Mulder também sorria. Aproximou-se dela, tocando-lhe os lábios com delicadeza _ Viu ? Não doeu. Era só isso que eu ia te pedir quando acordei. Scully afastou-se e sentou-se na poltrona. _ Eu sei que as coisas vão mudar, Mulder e...é isso que me assusta. Não sei se deveríamos ter chegado tão longe. Como você mesmo disse há algum tempo, eu não quero que isso fique entre nós, como um fantasma. _ Eu estou bem vivo, Scully _ Mulder abaixou-se em frente a ela _ E quando disse que não queria que nada ficasse entre nós, não estava me referindo a amar você. Isso já existia, nem sei ao certo desde quando. Aquela era uma situação adversa, da qual eu não gostaria de falar agora. Acho que demoramos demais pra chegar aqui. Nós somos adultos _ ele sorriu, meneando a cabeça _ Está certo, você mais do que eu _ Mas acho que saberemos lidar com um relacionamento que extravase os limites profissionais. Nós já vivíamos de certa maneira como um casal, apenas não admitíamos isso. Ou você imagina que parceiros passem tanto tempo juntos, sem procurar uma vida pessoal mais intensa, simplesmente pelo prazer do trabalho ? _ Talvez eles não tenham uma vida pessoal muito agradável e por isso não se importem. _ Talvez a vida pessoal deles só faça sentido com o outro. Ela suspirou. _ Não deixe que isso nos separe. Ao contrário, eu quero que nos aproxime ainda mais e...a menos que você não sinta o mesmo que eu e me diga isso, eu não vou abrir não de você, Scully, de todas as maneiras. Ela inclinou-se sobre ele, passando a mão pelos seus cabelos. _ Sabe o que eu sinto, jamais poderia dizer o contrário. _ Então relaxe, Scully. Isso está bom demais. Vamos aproveitar, merecemos isso_ ele concluiu, tocando-lhe os lábios para, em seguida, aprofundar o toque, colando o corpo ao dela. Mulder a ergueu nos braços, encaminhou-se para o quarto e deitou-se ao lado dela na cama. _ Acho que você ainda não faz idéia de há quanto tempo eu desejo isso. Ela sorriu, desenhando o contorno do rosto dele com os dedos _ Ontem, você me pareceu tão... tão sério...tão distante...eu...tive medo que estivesse arrependido. _ Eu apenas custei a acreditar que estava acontecendo. Eu quero você desde que entrou no meu quarto, naquele hotel, há sete anos e se despiu pra mim e me abraçou. Eu disse que você estava tremendo, mas eu acho que era apenas o reflexo do meu próprio corpo. Acho que naquele dia eu soube que seria você, somente você... Mulder a puxou para colocá-la sobre si, trazendo seus olhos para o mesmo nível e continuou. _ Desde aquele dia, eu espero sentir o peso do seu corpo assim, sobre mim. Eu desejei estar com você em cada instante que você sofreu... nas perdas que teve...nas poucas vezes que sorriu... nas muitas que, por minha causa, você chorou... quando senti seu toque sobre minha pele...nos momentos em que eu te toquei nem sempre sem querer... _ Você esteve Mulder, sempre esteve lá comigo... _ Não como eu gostaria. Não como eu queria que você soubesse que eu estava. Não como o parceiro. Não por solidariedade ou cumplicidade, isso também, mas, principalmente, como alguém que queria ser tão importante pra você como você é pra mim. Porque eu queria que você precisasse de mim, como eu preciso de você. _ Nunca quis ou precisei de ninguém como de você Mulder. Ele sorriu com ternura, levando as mãos ao rosto dela. _ Não imagina como amaldiçoei aquela abelha quando consegui dizer um pouco do que eu queria e percebi que você não me impediria de ir adiante. Não avalia meu desespero quando a vi perdida no gelo. Meu alívio quando senti que era você quem me puxava e me acomodava em seus braços, ali, no meio de um deserto gelado, para me transmitir calor...o seu calor. Mulder parou um instante, rolou sobre ela, colocando-se ao seu lado, apoiando-se num dos cotovelos para deixar a outra mão livre, que passou a percorrer o corpo dela, numa carícia lenta, calma e ardente ao mesmo tempo. _ Eu não agüentaria mais esconder o que eu sentia, Scully. Naquele navio, quando me perdi no Triângulo das Bermudas, eu me senti feliz por alguns minutos quando eu a beijei e disse que te amava. Não me importa que você não tenha acreditado, eu disse e eu estive com você. E você confiou em mim. _ Me beijou, Mulder ? _ ela perguntou franzindo a testa. _ Essa é uma longa estória, que algum dia eu vou e contar. _ Porque não agora ? _ Porque agora eu não quero mais falar de amor, quero provar dele. Mulder envolveu a cintura dela e a beijou com carinho, intensificando o contato à medida que ela o aceitava. Beijou-lhe o pescoço, o rosto, desceu aos ombros, colocando-se sobre ela, apoiando-se nos braços, enquanto as mãos dela desciam pelas costas dele. _ Eu desejei tanto que você aceitasse se deitar comigo quando estávamos em Arcádia. _ Mesmo com aquela gosma verde no rosto ? _ ela riu. _ Nem aquilo diminuiu meu desejo e eu sei que você o fez pra me afastar, mas eu te receberia mesmo assim. Queria você de qualquer maneira. Depois que você chegou nada permaneceu o mesmo. Você é muito mais do que uma amiga...uma parceira... jamais pensei que pudesse haver alguém que eu quisesse seja de que forma ela pudesse se dar pra mim. Eu daria minha vida pra te ver sorrindo como agora, como quando estávamos naquele parque, jogando beisebol... _ Não importa mais, Mulder _ ela interrompeu _ Estamos aqui, como eu também sempre quis e isso me basta. _ Eu quis morrer quando você me contou sobre Daniel e adormeceu no meu sofá, ao meu lado...Aquilo me disse tanto sobre você...sobre nós. Mas adorei que tenha acontecido, não fosse isso não estaríamos aqui..agora. Eles voltaram a se beijar, trocando carícias que terminaram com seus corpos nus, novamente extenuados e molhados sobre o lençol. Adormeceram assim. Eles tocaram suas vidas, agora revestidas de um novo sabor. Durante as viagens ou trabalhos realizados, agiam como parceiros. Cada qual no seu quarto, ansiando pela rápida resolução dos casos para que pudessem voltar aos seus lares e, aí sim, curtirem seu romance. Surpreenderam-se com a quantidade de coisa que gostavam de fazer juntos, mesmo quando Mulder suspirava por ter que ir a um museu ou assistir a um filme monótono ou quando Scully reclamava dos quilos a mais que iria adquirir acompanhando Mulder em sua dieta de porcarias, como ela chamava, ou gemia resignada quando a fita que o parceiro já vira mais de 42 vezes, estava estrategicamente colocada na entrada do vídeo. Mas nada disso tinha realmente importância, estavam juntos e isso sim era essencial, conhecendo-se de uma maneira que eles ainda não haviam pensado e, o que era melhor, adorando esse aprendizado. Formavam um casal normal quando deixavam os escuros porões do FBI. Mulder permitia até sentir-se feliz, quando via o riso tão raro dela encher o ar, durante algumas aulas de beisebol que terminavam, invariavelmente, com os dois deitados sobre o gramado, ofegantes e risonhos. Mas os melhores momentos, os que ficaram gravados em suas memórias, eram aqueles em que se abandonavam às carícias sobre os lençóis, trocando confidências e consumindo a paixão que os envolvia na entrega incondicional de seus corpos. Durante esse período, muito casos novos surgiram. Era bom para ambos estarem trabalhando juntos e, ao mesmo tempo, se convivendo de uma forma mais profunda. As discussões não tardavam, mas grande parte delas era resolvida durante a noite, após o trabalho, onde podiam se dedicar à exposição de seus pontos de vista, sem o receio e a reserva que antes os mantinha distantes. Scully passara por alguns momentos difíceis, sobretudo quanto o parceiro estivera internado sob o efeito devastador dos besouros do tabaco. Estar ao lado dele, tentando salvar-lhe a vida, era algo com o qual já estava acostumada, mas havia mais agora e ela fazia grande esforço para esconder os sentimentos que brotavam inesperadamente em seu peito. Não seria forte o bastante para perdê-lo. Felizmente, a moléstia não havia deixado seqüelas no organismo saudável do parceiro, a não ser um desejo ardente de se tornar um fumante. Desejo esse que se extinguiu sob o olhar recriminador da mulher amada. Mulder divertiu-se vendo Scully encantada com o caso de um homem invisível. Ela era a própria cientista frente a uma nova descoberta. Seus olhos brilhavam de excitação e ele gostaria de poder conservá-los assim eternamente. Com tantos desejos que, há alguns anos atrás, ele teria feito, tê-la ao seu lado era o mais impossível e, no entanto, era uma realidade tão palpável quanto deliciosa. Mais uma vez, fora ela quem lhe mostrara a verdade. Não se pode resumir as soluções para os problemas do mundo a três desejos. E ele já tinha mais do que havia pedido. Tudo o que desejava poderia ser alcançado, desde que, aquela pequena ruiva estivesse ao seu lado, sobretudo quando ela deixara escapar que estava se sentindo feliz , dando a entender que a responsabilidade por isso vinha dele. Certo dia, Skinner chamou-os até sua sala. Estava descontraído e bem humorado e tinha apenas a intenção de entregar-lhes um convite. _ Agentes, se lembram do caso do Cardeal O'Fallow ? Que vocês investigaram há cerca de um ano e meio ? _ Se me lembro ? _ Mulder perguntou irônico _ Ele nos valeu umas belas férias de um mês, não foi Scully ? Ela sorriu ligeiramente. _ Algum problema com ele, senhor ? _ Não, absolutamente nenhum. Tenho certeza de que se recordam daquele produtor de Hollywood, meu amigo... _ Uma figura inesquecível _ Mulder interrompeu _ Mas valeu pela visita aos estúdios e conhecer Tea Leoni _ ele completou, fitando Scully. _ Pois é _ Skinner continuou _ O filme está pronto. A pré- estréia será na próxima sexta e ele está nos convidando para participar. _ Nossa ! _ ironizou Scully _ Quanta gentileza da parte dele. _ Era só, agentes. Espero que possamos nos encontrar lá . _ Não sei se poderei ir, senhor _ Scully informou _ Já tenho compromisso _ explicou olhando para Mulder , que levantava a sobrancelha em sinal de dúvida. _ Tomem como um favor pessoal a mim, agentes. Eles saíram de lá e Mulder não agüentou esperar. _ O que você tem pra fazer na sexta, Scully ? _ Não acho que seja da sua conta, Mulder _ ela respondeu seca. _ O que foi ? _ ele parou no meio do corredor. _ Nada, apenas achei que você consideraria conveniente estar sozinho lá. Quem sabe alguma estrela de Hollywood não se encante com seus costumes bizarros ? _ disse sarcástica. _ Ah ! _ ele riu, puxando-a para o elevador _ Tea Leoni ? _ Acho que te faria bastante feliz, não é ? Mulder passou os braços pela cintura dela, enquanto Scully arregalava os olhos. _ Mulder me solte, estamos no FBI _ falou zangada e assustada. Ele não soltou. Aproximou os lábios do ouvido dela e sussurrou com ternura. _ Ela é magra demais para mim, Scully. Não tem o menor talento e, além disso, não tem um cheiro tão bom quanto o seu. Ela não pôde deixar de rir. _ Como você sabe sobre o cheiro dela ? _ Ah ! _ ele concluiu com serenidade, vendo que ela não estava mais zangada _ Nunca subestime o faro de uma raposa. Ela sorriu, aceitando os lábios que roçaram de leve sobre os seus e, alguns dias depois, embarcavam para a Terra dos Sonhos. Era divertido de se ver a contrariedade de Mulder durante a exibição. Tudo o que eles haviam investigado estava sendo ridicularizado em frente às câmeras e ele não se conformou, enquanto não abandonou a sala, furioso por ver, além do trabalho o relacionamento deles como motivo de riso entre os espectadores. Mas a conclusão do caso chegou minutos depois. Quanto Scully lhe informara que o Cardeal assassinara o falsificador e suicidara-se em seguida. Mulder não entendia a calma resignada da parceira. Ela mal de alterara durante a exibição do filme. A não ser por alguns arquear de sobrancelha, ela nada dissera. Quanto se reunira a ele estava até risonha. Com o cartão de crédito do FBI em mãos, eles tiveram uma noite memorável. Que só teve fim na manhã seguinte quando, exaustos, se entregaram ao prazer de um banho, num dos hotéis mais caros da cidade. Alguns meses depois, vamos encontrar Mulder em seu porão do FBI, a espera da parceira que fora buscar os laudos de um exame. O telefone começou a tocar e ele atendeu sem pressa, mas a voz que ecoou do outro lado da linha deixou-o surpreso. _ Agente Mulder ? _ É realmente quem eu estou pensando ? _ ele perguntou curioso _ Marita Covarrubias ? _ Preciso falar com você, agente. É urgente e do seu interesse. _ O que você tem a me dizer que poderia me interessar ? _ Algo relacionado à sua parceira... Mulder tornou-se sério. _ O que tem ela ? _ Nada...por enquanto...mas você poderá mudar isso...Encontre-me em uma hora no café da estação de trem. Ela desligou sem que ele pudesse entrar em detalhes. Mulder hesitou, indeciso. Mas decidindo-se, pegou o blazer e saiu apressado. _ Vejo que é pontual, agente ! Mulder fitou o semblante envelhecido da mulher. Não tinha dúvidas de que era Marita, mas as marcas dos testes pelos quais ela passara, ainda estavam vívidas em seu semblante. _ Estou curioso. _ O que fez com sua parceira ? _ Ela não virá. Diga-me logo o que quer. Marita respirou fundo e começou a falar. _ O Canceroso está morrendo, agente Mulder. _ Espera que eu chore ? _ ele interrompeu sarcástico. _ Ele está sofrendo as conseqüências de uma cirurgia no cérebro_ ela continuou impassível _ Algo pelo qual você também já passou... _ E porque você veio me contar ? Trabalham juntos agora ? _ Eu também passei por testes, agente. Testes horríveis, mas eles me fizeram ver que nossa única esperança é colaborar com eles. Mulder riu cínico. _ Devem ter arrancado seu cérebro nos testes. Colaborar com eles é assinar nossa sentença de morte. _ Seu julgamento não me preocupa, Mulder. Tenho algo a lhe oferecer... Ele apenas levantou as sobrancelhas. _ A Agente Scully também é uma abduzida. Ela passou por testes.... _ Vocês não vão mais machuca-la ! _ Ao contrário, agente Mulder. Queremos devolver algo a ela... _ O que vocês a fizeram perder não tem como ser devolvido. _ Nem a capacidade de gerar filhos ? Mulder sentiu o sangue sumir de suas faces. _ Ela já fez todos os testes...isso é impossível. _ Não para aqueles que a incapacitaram. Mulder levantou-se, agarrando o braço da mulher e puxando-a para ele. _ Vocês não irão levá-la de novo _ falou entre dentes. _ Não é ela quem nos interessa, agente Mulder. Você passou pelos testes, você sofreu a cirurgia... _ O que vocês querem exatamente. _ Seu cérebro logo estará sofrendo as conseqüências dessa intervenção. Nós precisamos fazer testes. _ Precisam de mim para salvar suas experiências ? E se eu não aceitar ? _ Você irá morrer _ ela disse friamente. Mulder ficou estático. Olhou para a mulher à sua frente e continuou sem qualquer expressão. _ Então porque me procurar ? Porque me oferecer algo se eu não tenho escolha ? _ Queremos que colabore, Agente Mulder, antes que seja muito tarde para todos nós. Por isso oferecemos a fertilidade da Agente Scully. Para que você venha de vontade própria e evite maiores embaraços. Mulder soltou o braço dela. _ Você está blefando ! Ela levantou-se, jogou um cartão sobre a mesa e falou conclusiva. _ Pense bem agente Mulder. Você não tem escolha. Se não for você...será ela. Mulder não voltou ao FBI, Scully não entendia a demora. Ele não atendia ao telefone e ela estava preocupada. Chegou ao apartamento dele e entrou sem bater. Viu-o deitado no sofá, os olhos fechados. Sabia que ele havia percebido a chegada dela, mas permanecia imóvel. _ Mulder ? _ ela chamou aproximando-se _ O que há ? Nada ainda. Scully abaixou-se ao lado dele. _ Sei que está me ouvindo, Mulder. Porque está assim ? Ele tirou o braço do rosto e a envolveu pelos ombros, puxando-a para si. Apertou-a com força, trazendo-a sobre seu peito. Scully aconchegou-se nele. _ O que foi ? _ ela perguntou olhando-o nos olhos _ Está me deixando preocupada. Mulder suspirou, beijou-a na testa e tocou-lhe os lábios. _ Não foi nada. Estava com dor de cabeça e resolvi voltar mais cedo. _ Eu te conheço, Mulder _ ela arqueou as sobrancelhas _ Não é só isso. Ele soltou os braços e afastou-se dela, levantando-se. _ Já disse que estou bem Scully. Pare de me interrogar ! _ Se não quer falar...não posso obrigá-lo. Temos que voltar ao Bureau. Estamos sendo convocados a prestar contas de nossas viagens. Skinner me chamou, quando não encontrou você. No próximo mês, haverá uma auditoria em vários departamentos, eles...estão pensando em unificar alguns e...encerrar outros. _ De novo isso _ Mulder resmungou_ Quando será que teremos paz ? _ Mulder o que há ? Confie em mim. Porque está assim ? _ Scully _ ele parou em frente a ela _ Se quer me ajudar...fique aqui comigo, só hoje. Vamos deixar o trabalho de lado. Depois faremos quantos relatórios quiser, mas...hoje...apenas permaneça ao meu lado...só nós. Ele a abraçou forte e Scully retribuiu. _ Temos que trabalhar, Mulder... _ Por favor, Scully _ ele estreitou os braços e ela cedeu. _ Ok _ ela fechou os olhos _ Eu estou aqui. Mulder não quis falar sobre o assunto. Scully o surpreendia olhando-a de maneira diferente. Havia mais ternura na maneira com que ele a tratava. Agora, raros eram os dias em que ele não a procurava após o trabalho, simplesmente para ficarem juntos. Ele viajou algumas vezes, sozinho. Pretextando problemas com alguns bens que ele havia herdado da família. Dizia que pretendia vender a casa de verão, pelas tristes lembranças que trazia e ausentou-se algumas vezes. Mulder procurou um médico. Começou a sentir dores na nuca e lembrou-se de Marita. Tinha medo, mas não queria que a parceira suspeitasse. Era imprescindível que ela estivesse em segurança. E ele acreditou que estivesse morrendo e tentava encontrar algo ou alguém que pudesse ajudá-lo. Há alguns meses, não se incomodaria tanto em procurar uma cura, mas agora, ele queria viver...por ela...pra ela. E veio a auditoria e junto com ela, um novo caso. Eles deveriam voltar ao Oregon. Onde tudo começara. Rever aquelas pessoas... aquele lugar... trouxe a Mulder mais recordações infelizes. Lembrou-se de tudo o que ele e Scully viveram durante aqueles anos. Mas a certeza sobre o que deveria fazer veio novamente pelas mãos que ele aprendera a amar. Da mulher pela qual qualquer sacrifício seria insuficiente. Mulder viu como os olhos dela brilharam ao segurar aquele bebê. Considerou-se egoísta por privá-la desse prazer. Ela merecia uma vida diferente, melhor, algo que ele nunca poderia lhe dar. E ele disse isso a ela naquela noite. Queria que ela voltasse pra casa, que seguisse outro rumo e, ele sonhava, quem sabe fosse possível devolver-lhe algo que haviam lhe roubado. Abraçou-a com força. Há alguns dias ele notara a palidez a indisposição dela. Mas Scully sempre negava, até que viera bater em sua porta, no motel. Admitiu que não se sentia bem, que tinha frio e sentia-se nauseada. Ele lhe ofereceu a cama e os braços. Queria mantê- la aquecida e ela adormeceu com ele. Pela primeira vez enquanto investigavam um caso, ela havia cedido e passado a noite com ele. Quando a viu frágil e tranqüila ressonando ao seu lado, ele se levantou. Discou o número que Marita lhe dera e ainda relutou em concordar. _ Como vou saber que você vai cumprir a sua parte ? _ ele interrogava. _ Infelizmente, Agente Mulder, terá que confiar em mim. Ele sorriu com amargura, fitando a parceira sobre o leito. _ Só há uma pessoa em quem eu confio _ ele murmurou. _ Ela vai ficar bem _ a mulher garantiu. A lua enchia o quarto de raios luminosos. Na penumbra um vulto se destacava pela alta estatura, seu semblante denotava tristeza. Ele estava imóvel, sentado numa poltrona ao canto. Fixava a cama onde se encontrava um corpo adormecido. Respirava suavemente, movimentando de leve o lençol, e ele permaneceu ali, observando-a de longe, as mãos abraçadas aos joelhos , apenas velando-lhe o sono. Os primeiros acordes da madrugada vieram clarear lentamente o quarto, invadindo o ambiente com seus raios dourados que, ao aproximarem-se do leito, harmonizaram-se com o colorido avermelhado dos cabelos que, espalhados sobre o travesseiro, contrastavam com a alvura dos lençóis. Somente neste momento o homem alto, de feições regulares marcadas pelos olhos claros e profundos decidiu se mover. Levantou mansamente e aproximou-se da cama, tocando os cabelos dela para retirar uma mecha que insistia em esconder-lhe o rosto e ele sorriu de leve, fitando-a com ternura.Parecia ter encontrado alguma resposta, um brilho determinado transparecendo em seus olhos. __ Nada vai te acontecer__ ele sussurrou muito baixo para em seguida deitar-se ao lado dela, envolvendo-lhe a cintura com o braço enquanto enterrava o rosto em seus cabelos. Adormeceu junto a ela. O barulho surgia de algum lugar, chegando aos seus ouvidos. Mulder abriu os olhos, abarcando tudo ao redor até parar ao seu lado, na cama. Um sorriso crescente surgiu em seus lábios, embora seus olhos denotassem alguma tristeza. O rádio despertara e uma nova canção começava a tocar. Ele achegou-se mais ao corpo da mulher ao seu lado que acordou ao sentir o contato, mas manteve-se quieta, sentindo-o agarrar-se a ela. Sentiu os lábios dele aproximarem-se de seu ouvido e sentiu o corpo todo tremer quando ele começou a sussurrar algo. Ela reconheceu o trecho da música que, agora invadia mansamente o quarto. _ Eu juro que estarei sempre aqui. Daria qualquer coisa, tudo... sempre me importarei. Na fraqueza e na força, na alegria e tristeza, para o melhor ou o pior. Eu amarei você com cada batida do meu coração. Scully virou-se para fitá-lo com os olhos brilhantes , emocionados, enquanto a voz calava-se por alguns instantes. _ Eu sei que não poderemos estar juntos como gostaríamos _ Mulder começou _ Sei que isso arriscaria nosso trabalho, nossas vidas, mas acho que essa música pode servir como meu juramento a você, minha Scully. E a mulher voltou a cantar. From this moment life has begun From this moment you are the one Right beside you is where I belong From this moment on From this moment I have been blessed I live only for your happiness And for your love I wouldn't give my last breath From this moment on I give my hand to you with all my heart I can't wait to live my live with you I can't wait to star You and I will never be apart My dreams came true because of you From this moment as long as live I will love you, I promise you this There is nothing I wouldn't give From this moment on You're the reason I believe in love And you're the answers to my prayers from up above All we needs is just the two of My dreams came true because of you From this moment as long as i live I will love you, I promise you this There is nothing I wouldn't give From this moment I will love you as long as l live From this moment on _ Mulder _ ela murmurou, afastando-se ligeiramente _ O que está havendo conosco ? Porque você está assim ? Isso está soando como uma despedida _ ela concluiu com voz trêmula. _ Jamais, Scully _ ele interrompeu _ Nunca deixarei de estar ao seu lado. Aqui _ ele disse conduzindo a mão dela sobre o próprio peito _ Guarde-me aqui. Ela abraçou-o com força. Sentia vontade de chorar. Seu peito estava oprimido. Queria ir embora, com ele. Voltar à segurança que eles vinham desfrutando desde que passaram a ser algo mais que parceiros. Mas ela teve medo, quando viu aquelas pessoas reunidas no escritório deles. Pessoas que haviam tramado para perdê-las. Deixá-lo ir sozinho ao encontro de uma estória tão absurda quando assustadora, não lhe parecia justo, mas…e se a levassem novamente ? E se a afastassem dele ? E ela sentiu-se culpada por não ter ido. Mulder chegou ao local ao lado de Skinner, sem o qual a parceira não o teria deixado ir. E quando ele viu aquele campo, compreendeu o que estava por acontecer. Imaginou que ainda fosse demorar para que eles lhe cobrassem a sua parte do acordo.Lembrou-se de Scully, que ultimamente não estava se sentindo bem e sentiu-se infeliz. Sabia que os abduzidos não estavam voltando. Respirou fundo e entrou no circulo. Estava selado o acordo. FIM