DEAD OR ALIVE PÓS-TINH Por Lucas Zago. luxfiles@hotmail.com www.luxfiles.hpg.com.br Shipper/Drama NOTA: É muito triste, já aviso desde já. _____________________________________________________________ ____________ "No!!! This Is Not Happening!!!!!" Dana Scully, ao ver o corpo de seu parceiro estirado no chão e constatar que Jeremiah Smith não estava lá. _____________________________________________________________ ____________ Morto?????? Como podia ser?? Depois de todo esse tempo ele estava pura e simplesmente... morto??? Não, ela se recusava a aceitar. Não passava pela sua cabeça acreditar naquilo, só podia ser mentira. Não havia nada que aplacasse a dor que pungia em seu âmago ao constatar que seu sonho havia ido por água abaixo. Mulder... morto???? Não! Não podia ser! Estaria aquilo realmente acontecendo? Ou seria uma alucinação criada por sua mente, envolta num emaranhado de pensamentos e indagações que a forçavam a suspirar a cada segundo, em busca de ar. Resfolegava-se do susto imediato. Mulder... morto. Em seguida a nave e pra completar, o sumiço de Jeremiah Smith. A única chance de curar seu parceiro do detrimento em que estava seu corpo, já escorraçado pela doença. Que doença? Uma doença alienígena? Uma doença advinda dos testes que nele haviam sido realizados? Ela estava pasma. As lágrimas prenderam-se em seus olhos para em seguidas rolarem de uma vez só. Era impossível permanecer indiferente àquela cena. Aquilo era cruel demais, seu frágil coração já não mais agüentava tais emoções. Mulder... morto?? Custasse o que custasse, ela não ia desistir de sua convicção que a motivara até ali. Se Mulder partisse, ela partia também, e se esse fosse seu destino ela o faria com glória, pois preferia morrer a ter que agüentar tamanho sofrimento. Ao voltar ao local onde o cadáver era rodeado, cercado por Doggett. Skinner, Reyes e os outros policiais, ela sentia um aperto que corroía seu peito e conseqüentemente seu corpo. Mulder... Morto. Ela não cria nos seus olhos. Aqueles olhos, que tantas coisas inexplicáveis houveram de presenciar, e que raríssimas vezes ela veio a acreditar. E se ela algum dia o fez foi porque Mulder, somente ele, a fez acreditar. Ele a fez acreditar que a verdade era maior que tudo, e que custasse o que custasse eles iriam encontrá-la. Scully jurou para si mesma, ao saber da abdução do parceiro, que nunca iria desistir de encontrá-lo, nem que aquilo custasse sua vida... nem que aquilo custasse seu bebê. Ela tinha um presente enviado por Deus alojado em seu ventre, e não o teria originado não fosse por Mulder, com sua ajuda tão prontificada. A esperança petrificada, embora o amor por ele estivesse perpetuado em seu coração. Era duro demais para ser verdade. As contrações corpóreas, e faciais, de Scully vieram à toda de imediato, como lhe era característico. Os olhos, marejados, desabavam depois de tanto conter o peso das lágrimas que jorravam agora infinitamente por sobre o corpo do parceiro. Como se elas o pudessem salvar, mas infelizmente não podiam. Nada podia. Ele estava ali, nu, desnudo de seus ideais e não havia nada que resgatasse sua vontade de viver. Sua força lhe havia tomada. Os olhos, cerrados, e ainda assim a languidez presente em seu rosto, a fizeram gritar: _Por quê??? Por que ele, e não eu!!! Isso não é justo!!! Isso NÃO É JUSTO!!!!!! _ela esbravejava aos céus, em busca de um apaziguamento em seu peito. Mas era tudo em vão, ela sabia. Embora não admitisse, sabia que aquele era o fim. O fim da linha. O fim da estrada. O fim do túnel. O fim de um sonho. O fim de Mulder. O fim, que ela tanto temera e várias vezes sonhara com tal acontecimento. O fim, que seus olhos agora quase não viam, embaçados pela água jorrante de seus olhos, a vermelhidão nos globos, e a dor... sempre a dor. _Dana... _era o AD Skinner que lhe estendia a mão. Ela estava ajoelhada, inconformada e irredutível. Doggett assistia a tudo sem saber o que fazer ou dizer. Sentiu uma compaixão imensa à sua parceira, e embora quisesse ajudá-la, não sabia como. Todos a observaram, para depois de algum tempo o silêncio mórbido ser quebrado. _Venha, vamos pra casa. _O quê??? Pra casa??? E deixar ele sozinho, sem ninguém por perto???? _Scully, isso não é bom pra você e... o bebê. _ Doggett hesitou para dizer a frase, mas temia pelo filho que ela carregava. Monica Reyes, ao ouvir tais palavras, ficou comovida com a situação e ofereceu-lhe amparo, prestativa como sempre. _Agente Scully, eu... Num sobressalto, ela abriu os braços e urrou como um animal. Berrou firme com toda a sua força. Levantou-se, visivelmente abalada, enquanto o corpo era recoberto e levado dali. Ela sentiu-se injustiçada, Mulder não podia ter feito aquilo com ela, tê-la abandonado naquela circunstância. Não, aquilo não podia estar acontecendo... não estava acontecendo... ou estaria? _Aonde eles vão? O que vão fazer com ele?? Não, eu não quero que eles o levem!!!! Não, eles não podem!!!! _Ela começou a gritar freneticamente, movida pelos impulsos e correu para cima do corpo, envolto por homens que o escoltavam, e Skinner a impediu com os braços. _Dana, escute! Você não pode nem deve impedir que eles levem o corpo!! _Mas eles não podem!!! Isso não é justo!!! _Você quer que ele fique aqui, jogado no meio do nada?? _Eu quero ficar com ele, velar por ele. Eu preciso... Muldeeeerrrrrrr!!!!!! _ela gritou novamente, buscando por resposta. Estava disposta a senti-lo mais uma vez. Nem que fosse morto, ela o queria. O queria para si, e não deixaria que ninguém o tomasse. Ela estava disposta a matar se fosse preciso, mas iria tê-lo em seus braços, iria cuidar dele, tentar revivê-lo, não podia desistir assim tão fácil. Não podia, nem devia, desistir daquele milagre. _Ele está vivo!!!! _Não, Dana, o Mulder está morto!!!! _Não, eu o vi!!! A vida dele está por um fio, mas nós podemos tentar reanimá-lo!!! _Não, não há como. _Mas tem que haver uma saída!!!! Tem que haver, eu sei que há!! Eu preciso fazê-lo viver!!! Preciso que ele volte à vida!!! Ele não pode ir assim, sem ao menos... _e por um instante fixou seu olhar no horizonte e proferiu _ sem ao menos dizer adeus. _Scully, escuta. Isso deve ser muito difícil pra você, mas não há nada que você possa fazer. Ele se foi, não há mais volta. O Mulder morreu. _Não!!!!! _ela muniu-se novamente de forças inexplicáveis e gritou fortemente _ELE NÃO ESTÁ MORTO!!!!!! _DANA, PÁRE!!! Skinner gritou imperativamente. Scully surpreendeu-se ao vê- lo tão enérgico, pois raríssimas vezes o havia visto daquela maneira. E, trazendo a si novamente a plenitude, ele prosseguiu: _Você é que não está sendo justa comigo mesmo. Não há nada que possamos fazer e você sabe disso. _Eu me recuso a acreditar. _Não adianta negar, o Mulder se foi. Ele está morto e não há nada que possa trazê-lo de volta à vida. Ela lembrou-se de Jeremiah, mas não podia contar a ninguém o segredo, e agora que ele havia sido levado, ficava tudo ainda mais complicado. Por que tinha que ser tão cruel? Por que tinha que ser daquela maneira? Aquilo não era justo! Mulder não podia tê-la abandonado, com uma criança em sua barriga que ela esperava ver crescer ao lado de seu pai. _Ele está morto pra vocês, mas pra mim ele ainda está vivo... _Agente Scully, não fique assim. _Monica pronunciou-se. Ela estava com pena da agente, que se mostrava tão fraca e vulnerável aos olhos dos outros ali presentes. _Você deve ser forte. Tenho certeza que se o agente Mulder estivesse vivo, seria assim que ele iria querer vê-la. _Mas como?? Como, sabendo que eu podia ter evitado tudo isso!! _Não diga uma bobagem dessa! _Doggett se exaltou por um instante. Não achava justo que Scully se culpasse pelo que havia acontecido com Mulder. _Nós estamos aqui... e você pode contar conosco para o que precisar. Ela sentiu algo que a fez ser forte novamente, mas apenas para livrar-se da barreira humana que havia-se formado à sua volta, enquanto ela via o corpo de Mulder partir, talvez sem rumo... quem sabe até sem volta. Ela livrou-se dos braços que a impediam e correu com toda sua certeza de que ia encontrar um Mulder vivo e são. São, como sempre fora. Ela tinha que encontrá-lo, era seu dever encontrá-lo, afinal assim, somente assim, poderia acalmar o seu já tão sofrido coração, que agora sangrava por dentro e a fazia sofrer ainda mais, sem poder dizer o quanto ela o amava, o quanto ela precisava dele. Era como se alguém roubasse ar que ela respirava, era como se lhe faltassem forças para continuar, era como se a morte estivesse cada vez mais próxima, e em cada olhar ela esbarrava numa lembrança, em cada gesto ela podia senti-lo, em cada lágrima ela podia amá-lo ainda mais. Ela corria. Corria, fugaz e firme. Convicta, decidida de sua meta que, naquele momento era encontrá-lo a todo custo. No entanto, depois de muito tempo correndo, notou que havia se perdido. Doggett, Skinner e Monica já deveriam estar à sua procura. Ela indubitavelmente sentia vontade de morrer. Queria partir, ao lembrar-se da face esquálida que vira há minutos. Ela não queria ter que suportar tal dir, porque sabia que não poderia. Ela não poderia viver. Não sem o seu suporte, a sua luz, a sua vontade de viver. Não sem o alguém que ha havia feito ser ela mesmo. Não sem aquele que ela estimava acima de tudo. Não sem aquele a quem depositara sua confiança. Não sem aquele por quem ela nutria um sentimento incorrompível, eterno. Não sem aquele a quem ela havia pedido para ser o pai do seu filho, mesmo que não com essas palavras. Não sem aquele que, sem palavras, a entendia por completo, e vice-versa. Não sem aquele que a havia feito forte, íntegra. Não sem aquele a quem agora ela entregava sua vida... Ela levou a mão ao bolso e apanhou uma arma. Empunhou-a e ainda parou por um instante. Sabia que não era a melhor solução, mas era a única que lhe era cabida. Ela olhou para as estrelas por um segundo apenas, lembrando- se das palavras que havia dito a Skinner, e que Mulder a havia dito. Que o brilho das estrelas não morrem, e que talvez aquilo fosse a única coisa que não morria. Não. Ela estava equivocada. Sabia agora, somente agora, que havia algo de mais valioso e ainda mais duradouro. Constatara enfim que havia algo, além do brilho das estrelas, que era pra sempre, pra toda a eternidade: o seu amor. Seu eterno amor por Mulder, que ninguém iria matar. Ninguém poderia pôr um fim àquele sentimento tão lindo e tão verdadeiro. E por ele, somente por ele, ela havia apertado o gatilho e posto um fim a tudo aquilo. Atirou. Um tiro seco, mortal. O adeus a tudo que ela deixava, que era pouco, extremamente pouco. Ali, envolta em sangue, uma lágrima ainda escorria, teimosa e persistente. Era o símbolo maior de que ela havia feito aquilo com pesar, pois havia não só posto um fim em tudo, mas também levara consigo seu filho. Aquele era o fim. O fim de um sonho... o fim de um milagre. E logo em seguida, míseros minutos depois, chegavam os agentes liderados por Skinner, trazendo consigo um homem que poderia ser a verdadeira agonia à agonia de Scully. Jeremiah Smith, que, com os outros, via naquele momento o corpo estirado, envolto em sangue que se espalhava continuamente. Era o fim. O fim de uma vida... mas não ao amor de Scully. Afinal ela iria nutrir aquele por Mulder para sempre, não importando se ele estivesse vivo... ou morto. FIM. Feed, please?