Título: "D" Day. Nome: Tayana E-mail: tay.fm@bol.com.br Categoria: Shipper e Mitológico. Classificação: Livre Spoiler: Pós – Requiem. Disclaimer: Os personagens que aparecem nesta fic são de autoria de CC, 1013 Productions e Fox Network. São utilizados única e exclusivamente para divertir os milhões de fãs. Sem fins lucrativos. Resumo: O dia D chegou, os extraterrestres voltaram, dispostos a destruir tudo e todos e iniciar a colonização. Mais do que isso, eles tirariam de Mulder a felicidade que sempre sonhou. Nota: Fanfic baseada no longa metragem Independence Day. (Todos os direitos reservados, sem fins lucrativos.) Feedbacks: por favor, são importantes para corrigirmos nossos erros e aprendermos a escrever. "D" Day Washington D.C. – Georgetown Quarta-feira – 02/07/2003 – 7:15 a.m. Apartamento da Agente Dana Katherine Scully Os primeiros raios de sol acertavam em cheio o pequeno ursinho de pelúcia caído ao lado do berço. Ela moveu-se silenciosamente da porta até o bichinho, apanhando-o e colocando-o na estante de madeira amarela. Apoiou-se no berço e sorriu ao ver Elizabeth dormindo, grande e forte. As bochechas rosadas. Seria capaz de passar horas seguidas comtemplando a filha de dois anos e meio, fruto do maior amor do mundo, e também do mais complicado. Ela sorria cada vez que se lembrava dos sete anos de trabalho ao lado de Mulder, tratando-o apenas como amigo. Até que uma gravidez impossível surgiu. Mas ele não estava aqui, havia sido levado pelos seres que sempre buscou. O bebê tinha vindo para uní-los... Mas não cumpriria seus propósitos? Mas ele voltou antes do nascimento e viu sua busca extinta. Ele já havia encontrado sua verdade e agora encontrava um novo motivo para viver. Quando Elizabeth nasceu, decidiram que a melhor maneira de criá-la seria longe das especulações do F.B.I.. Assim, Scully não deu satisfações de quem era o pai da criança e não deixou que ela fosse vista por nenhum membro do Bureau, a não ser Skinner. Ela seria criada pela mãe solteira, e então, a parceria podeira continuar sem maiores problemas. Mas, na intimidade, Mulder demonstrava um lado que Dana desconhecia. Ele era capaz de abandonar o trabalho, os casos, as discuções e o que mais aparecesse, por Liz. Era assim que ele a chamava. A afinidade entre pai e filha era imensa. Quando Scully não podia voltar para casa, ou por algum outro motivo não podia cuidar de Elizabeth, ele estava ali, trocando fraldas, fazendo mamadeiras, levantando no meio da noite, cantando músicas de ninar. Dana se perguntava se aquele era o mesmo homem que ela conhecera há mais de dez anos. A resposta era sim. Ele tinha se revelado o melhor homem do mundo, pois dava a ela todas as sensações que sempre desejou: um imenso amor, muita segurança e uma ligação, uma cumplicidade inimaginável. Eles continuavam cada um em seu apartamento, para não levantar suspeitas, mas Mulder passava todas as noites no quarto de sua mulher que, apesar de não serem casados oficialmente, era sua há muitos anos. Pelos corredores do Bureau eles continuavam grandes amigos, e pouco se falava de Elizabeth, que passava a manhã na escola e a tarde com uma babá, chamada Jennifer. No final de semana eram como uma família. Ele abraçou-a por trás tirando-a de suas divagações. "Bom-dia meu amor." Ela retribuiu com um beijo e retirou-se para preparar o café. Prédio J. Edgar Hoover – Sede do F.B.I. Quarta-feira – 02/07/03 – 8:35 a.m. Cerca de 25 agentes estavam reunidos no Salão de Reuniões do Bureau, em conferência secreta, entre eles Mulder e Scully. À frente estavam Skinner, 4 Diretores Assistentes, Kersh e mais alguns diretores. A tensão era visível, e um dos diretores tomou a palavra: "Temos sérios problemas, agentes. Fomos comunicados durante a madrugada sobre um estranho fato detectado na Base Aérea no Novo México. O técnico Adam Fernington dará maiores explicações." "Aconteceu entre 2 e 3 da manhã. Nosso satélite enviou imagens espaciais e alguns dados, que quando analisados nos levaram a uma estranha conclusão." Os slides foram expostos. Podia-se ver claramente as formas elípticas que se aproximavam da Terra. "A princípio imaginamos que fossem meteoros, o que nos causaria muitos problemas. Depois percebemos que as dimensões eram grandes e exatas demais para um pedaço de pedra. O tal objeto tem diâmetro de 600 km." O burburinho que se instalou entre os agentes fez Kersh elevar a voz e pedir ordem no recinto. O técnico prosseguiu. "Constatamos também que o tal objeto está perdendo aceleração à medida que se aproxima da órbita da Terra. Se fosse um asteróide estaria acelerando, e não, desacelerando." O clima de medo pairava entre os agentes, e Mulder olhou Scully no fundo dos olhos. O celular de um dos técnicos tocou, e este, quando desligou, comunicou algo a mesa de diretores. Depois de alguns minutos, todos os agentes do Bureau estavam no Salão, assim como dezenas de chefes de polícia e da emergência. Muitas personalidades, como prefeitos e Senadores, também estavam presentes. O imenso Salão estava lotado. O técnico voltou a pronunciar. "A decisão já foi tomada. Todos aqui presentes vão tomar conhecimento da real situação. Nós pedimos que não entrem em pânico, pois são vocês que irão dar segurança à população, o Estado, mais do que nunca exige o serviço de vocês e a nação, mais do que nunca, clama por ajuda." Uma longa pausa. "O que acabou de atingir a órbita terrestre e encontra-se em estado estacionário, é uma descomunal nave alienígena." O pânico foi geral. Mulder voltou a encarar Scully. Ambos demonstravam medo, ele apertou firmemente a mão dela. "Nada irá nos separar, Dana." "Nada..." Ela concordou, convicta. Depois de algum tempo a ordem restabeleceu-se e um plano de segurança foi explicitado. Os agentes, policiais, bombeiros, seriam divididos em dois grupos. Um trabalharia nas ruas, apoiando a população, outro trabalharia na Casa Branca. As listas saíram rapidamente e Mulder havia sido designado para as ruas. Scully para a Casa Branca. Skinner aproximou-se. "Scully, venha comigo. Haverá uma reunião antes de irmos à Casa Branca" Mulder correu em direção ao palco e tomou o microfone. "Senhores, não há o que fazer. Muitos de vocês sabem que não podemos lutar contra essa força alienígena." "Agente Mulder, desça daí." Kersh gritou enfurecido. "Eu passei minha vida tentando provar a existência deles e todos me chamavam de Estranho. Agora está aí, a verdade, pairando sobre a Terra. Não podemos combatê-los. É uma tecnologia avançada. Eu estive lá e sei o que será feito. Eles não pouparão uma única vida." Mulder olhava constantemente para Scully. "Agora surgirá a Agência Federal de Emergência e, utilizando-se de seus poderes, tomará o poder. Seremos submetidos e colonizados. É esse o plano deles. E há pessoas, inclusive nesta sala, que sabem disso a mais de 50 anos." Mulder conseguiu causar o efeito que queria, a grande discussão começou, e foi necessário varrer as pessoas do salão. Kersh aproximou- se de Mulder. "Você será demitido e processado Agente Mulder." "Processado por contar o plano sujo? Processado por falar a verdade?" "Cuidarei pessoalmente de sua demissão, assim que tudo isso acabar." "Exatamente. Vai acabar, senhor. Não sobrará nada, nem ninguém. Os que sobrarem serão colonizados, escravizados. O senhor não dita mais nada aqui dentro. Nem lá fora, nem em lugar algum." E saiu a procura de Scully, mas não conseguiu chegar a saída. Dezenas de agentes cercaram-no e encheram-no de perguntas sobre o que ele havia acabado de falar. Ele pôs-se a explicar tudo o que sabia para um círculo de pessoas, que crescia cada vez mais, e esclarecer dúvidas. Quando Scully saiu do estacionamento do prédio J. Edgar Hoover, teve a sensação de que havia saído de um pesadelo, com pessoas desesperadas, uma realidade medonha e um futuro fatídico. Mas as ruas de Washington estavam calmas, se é que se podia chamar de calmo, o trânsito das pessoas que voltavam de seu almoço para o trabalho. Dana olhou para o céu. As nuvens altas e carregadas não permitiam ver o que acontecia no espaço. Pensou em Elizabeth. A essa hora ela deveria estar chegando da escola, juntamente com a babá. Dirigiu-se a um laboratório no qual havia estado há três dias atrás. Apanhou os resultados de um exame e voltou para o carro. Abriu-o devagar pensando em tudo o que vinha acontecendo. O exame trazia uma palavra, que a fez chorar. "Positivo." Mulder saiu do Bureau, após percorrê-lo inteirinho e saber que Scully tinha saído. Ligou para o celular, mas as chamadas não completavam. Antes de chegar à casa da mulher foi que percebeu. A população já tinha notado aquele objeto pairando sobre suas cabeças, medindo 10 ou 12 km de diâmetro. Ele parou no meio do trânsito que começava a engarrafar, saiu do carro e ficou a observar aquele monstro. Lembrou-se de tudo que havia passado. Sentiu as dores da tortura percorrerem seu corpo. Apanhou o celular, seu sobretudo e, deixando o carro no meio da avenida, correu para a casa de Scully. Scully chegou ao F.B.I.. Uma reunião havia sido marcada onde decidiriam o que seria feito. O celular de Mulder não atendia. Quando entrou na sala de Kersh, todos os agentes olhavam pela janela, para o céu. "Senhor?" Ela tocou o braço de Skinner. Ele apontou para o céu. Ali estavam os homenzinhos verdes de Mulder. Eles tinham chegado. Muitos agentes permitiram o choro. Era uma cena terrível e o medo tomava a todos. Quando chegou ao apartamento de Scully, a porta estava aberta. Chamou por ela, pela babá mas tudo que obteve como resposta foi o choro de Elizabeth. Correu até o quarto dela. Ela estava de pé no grande berço tentando sair. "Papai." Ela chamou pedindo colo. "Liz. Vem. Cadê a mamãe?" Ele perguntou tirando-a do berço. Ela fez um biquinho e um sinal de que não sabia. "E Jenny?" . Ela respondeu com a mesma carinha. "Vamos sair daqui." Antes de sair ligou para o Bureau, onde confirmaram que Scully estava na reunião. Cerca de 40 minutos depois, Mulder chegava com Liz ao F.B.I.. O tumulto era gigantesco. Pessoas fugiam em desespero, todo o fluxo de carros era em direção à saída de Washington, e, consequentemente, ninguém conseguia sair. Quando entrou na sala de Kersh com Liz nos braços, o choro da menina fez com que todos os agentes presentes se virassem para a porta. Mulder ignorou a todos e dirigiu-se a Scully. Liz saltou do colo do pai. "Mamãe. Mamãe" Scully amparou-a e deu-lhe colo. Todos olhavam para a linda menina de cachos castanhos, olhos azuis e as feições do pai. Ou seja, Mulder. Eram tão parecidos que não havia o que dizer. Mas Liz disse. "Papai me pegou em casa, mamãe." E apontou para o pai. Scully deitou a cabeça da filha em seu ombro e, dirigindo-se aos agentes, pediu licença. Skinner respondeu. "Sairemos em quinze minutos para a Casa Branca. Elizabeth não poderá ir. É arriscado." E antes que Mulder pudesse abrir a boca para retrucar, Scully puxou-o para fora. "Combinamos que ela não viria nunca aqui." Ela parecia furiosa. O elevador abriu-se e os três entraram. "Não há o que esconder, Scully. Jenny deixou-a sozinha em casa. Deve ter fugido de medo. Eu tinha que trazê-la." "Não tinha. Arranjaremos sérios problemas. Pegue-a, ajunte algumas coisas e leve-a para fora da cidade" Ela disse entrando no porão e colocando a filha no chão. "Eu não vou a lugar algum. A não ser que você vá comigo." "Eu tenho o que fazer. Fui designada para a Casa Branca e não posso levá- la. Elizabeth! Não ponha a mão nisso! Aproveite que o grupo que foi designado para as ruas, ao qual você estava incluido, disperçou-se e saia daqui com ela. Tire a mão, Elizabeth! Eu terminarei meu serviço e vou ao encontro de vocês." "Acho que não entendeu ainda. Não há para onde ir! Não podemos fugir, porque não há abrigo." "Elizabeth!" Ela gritava com a menina como nunca tinha feito. "Dois aviões estão partindo rumo à Base Aérea no Novo México, nele só estarão os agentes do F.B.I. e seus parentes. Partem às 8h. Caso haja algum problema seremos levados da Casa Branca ao aeroporto de helicóptero." "Eu não irei sem você" Mulder retrucou meio incerto, olhando para a filha. "Você irá. Vai tirá-la daqui, agora! Elizabeth!" E vendo que a criança a desobedecia e puxava uma caixa de cima de uma mesa, Scully puxou-a violentamente e deu-lhe um sonoro tapa na mão. "Não me desobedeça, menina!" Elizabeth assustou-se, ela nunca havia apanhado. Olhou a mãe durante alguns segundos, deu-lhe as costas e correu em direção ao pai, sem derramar uma só lágrima. "Leve minha pasta e se for possível pegue umas roupas para mim. Eu encontrarei com vocês na Base." Ela finalizou saindo do escritório. Ele apanhou a filha e a pasta e saiu do prédio vendo os agentes sendo levados de helicóptero à Casa Branca. Elizabeth não pronunciara nenhuma palavra desde que havia apanhado. Apenas abraçou-se ao pescoço do pai, rodeu-lhe a cintura com as pernas e levantou a cebeça para observar o disco no céu. "Eles vão nos fazer mal, papai?" A pergunta surpreendeu Mulder. "Eu espero que não, querida. Talvez eles sejam bonzinhos..." "Mas mamãe está zangada por causa deles..." Mulder olhou os olhos da filha e viu os olhos de seu grande amor neles. "Sim, ela está. Mas tudo passará. Nós vamos ficar os três juntos e bem." Foi a vez da pequena olhar no olhos do pai com uma tristeza imensa. Ela parecia saber que o pai também não podia afirmar nada. Deitou-se em seu ombro e dormiu. Washington D.C. – Casa Branca. Quarta-feira – 02/07/03 – 6:15 p.m. A correria na Casa Branca devia-se, principalmente, aos pronunciamentos do presidente que pedia calma a população. Aviões e helicópteros que aproximaram-se da nave, explodiram. Isso acontecia nos quatro cantos do planeta. O conselho era de que as pessoas ficassem em casa, não jogassem nada contra a nave, e confiassem nas autoridades. Mas nada podia barrar a população que lutava para sair da cidade. A nave movia-se vagarosamente centralizando-se no prédio da Casa Branca. Os agentes escoltavam os senadores, deputados, secretários e tantos outros membros em direção aos jardins, onde embarcavam em helicópteros, desciam no aeroporto e dali seguiam para diferentes bases aéreas. Scully e Skinner permaneceram juntos todo o tempo, eles representavam o F.B.I. nas reuniões e ela foi voz forte quando votaram a decisão de abandonar o local, a cidade ou não. O trabalho era árduo e eles não perceberam o tempo passar. Mulder e a filha foram até o apartamento, prepararam uma pequena mala e saíram em direção ao aeroporto. Embarcaram às 7: 35 p.m.. Ali naquele jumbo estavam dezenas de agentes com suas famílias. A alguns quilômetros atrás uma enorme nave posicionava-se sobre a Casa Branca. Às 7:55 foi dada a ordem de decolar. Ele deixou a filha em sua poltrona e foi até um dos responsáveis pela organização do vôo. "Por favor, preciso achar uma agente que estava na Casa Branca." "Sinto muito, agente. Não vamos aguardar os que estão lá. Foi dada ordem expressa do presidente para que decolemos." "Então eu vou descer." Mulder dirigia-se para a filha para pegá-la. "Sinto muito. Já ligamos as turbinas, ningué poderá desembarcar. Ordenaram que estivessemos no ar antes das oito." "Não está entendendo. Minha mulher está lá." Todos os agentes olharam para ele, pois gritava. "Meu marido também está lá fora. Eu só cumpro ordens, agente. Agora sente. Vamos decolar." Ele pegou a filha no colo e sentou-se, olhando pela janela a cidade de Washington. Faltavam 5 minutos para as 8h quando dez helicópteros iniciaram a decolagem dos jardins da Casa Branca, abarrotados de agentes e, inclusive, o presidente. Depois que cinco deles decolaram, comportas abriram-se na nave que pairava e um intenso feixe de luz atingiu a abóbada branca, explodindo-a. Infelizmente, quatro dos dez helicópteros explodiram também e muitos agentes e políticos morreram. Ao mesmo tempo, em centenas de grandes cidades da América, Europa, África, Ásia e Oceania, feixes de luz atingiram prédios e uma onda de fogo propagava-se por um raio de mais de 30 km,destruindo e matando tudo o que encontrava pela frente. O avião dos agentes sentiu o impacto da explosão na cidade e lutou contra o fogo que corria para alcançá-lo. Quando Mulder entendeu o que acontecia, gritou deseperado "Scully! Não!" e levantou-se em direção à porta, mas foi contido por outros agentes que tentavam acalmá-lo. Ele só parou de gritar quando Elizabeth aproximou-se e olhou para ele prendendo as lágrimas e outros tantos sentimentos. Ele se deu conta de que a criança ali era ela, e de que ela demonstrava uma força imensa, um exemplo que ele deveria seguir. Calou-se, abriu os braços e recebeu a menina. Ficaram ali, os dois chorando em silêncio. Ele não conseguia deixar de imaginar o corpo de Scully sendo consumido pelo fogo. Liz falou baixinho. "Mamãe não vai estar junto com a gente?" "Vai. Ela já está aqui."e apontou para o coração da menina. Antes de amanhecer o jumbo pousou numa pista no deserto do Novo México. Dali todos foram levados para dentro da gigantesca base, onde foram mal acomodados e mal orientados. Tudo que sabiam era que não poderiam sair dali e que deveriam aguardar. Não se sabe o quê. Antes do meio-dia os helicópteros provenientes de Washington chegaram. Os familiares e agentes foram ao pátio externo e aguardaram o pouso. Pais e mães encontrando-se com seus filhos, esposas, maridos, pais. Todos choravam muito, sorriam, abraçavam-se. Finalmente estavam todos juntos. Todos não. Mulder e Liz acompanharam a cena de longe, esperando ver Scully descer a qualquer momento, com seu pequeno grande porte, voltando para sua família e seu destino. Mas não foi o que aconteceu. Quando o último dos passageiros desceu, não havia nenhuma ruiva por descer. Ela não havia sobrevivido. Liz encarou o pai que envergonhou-se da esperança que tinha alimentado nas últimas horas. Ela levou as mãos aos cabelos do pai e acariciou como Scully fazia quando queria ampará-lo. Choraram abraçados. Eles dirigiram- se à grande porta que fechava o angar onde, em seus subterrâneos, estavam instalados os cômodos de abrigo e os sistemas de controle e informação naquela situação de emergência. Elizabeth chamou a atenção de Mulder. "O que é aquilo papai?" Mulder olhou para o céu e viu dezenas de pequenas naves voando em direção a eles. Ele apanhou-a no colo e correu para a porta gritando para que fosse fechada. Desceram, mais de 2000 pessoas, para o subsolo, onde estariam protegidos. Mas, lá de baixo, era possível ouvir as explosões. Tudo que ficaram sabendo era que caças e outros aviões de guerra americanos estavam em combate aéreo naquela região, tentando destruir a força alienígena. Mulder sacudiu a cabeça quando ouviu a notícia e retirou-se para seu quarto com a filha. Os esforços eram inúteis. Aviões terráqueos não destruiriam a força extraterrestre. Finalmente Elizabeth dormia. Ela estava abalada mas era um verdadeiro poço de doçura e força. Ele apanhou um casaco na malinha e vestiu-a. O deserto era frio. Desfez a pouca bagagem com algumas roupas suas, de Liz... e de Scully. Abraçou-se às peças e chorou imaginando o quanto ela sofrera. Quando acalmou-se apanhou a pasta que ela pediu que ele trouxesse. Abriu-a. Documentos do Bureau. Autópsias. Documentos. Agenda. Caneta. Apanhou um envelope branco, abriu-o. Parecia um exame. Estava em nome de Dana Katherine Scully. Data de entrega 02/07/03. Ela havia apanhado no dia anterior, mas ele não sabia que ela havia feito um exame. Estaria doente? O resultado era positivo. Procurou pelo motivo do exame. Leu: "Teste de gravidez : Positivo". Demorou a assimilar a informação. Ela estava grávida. Esperava um filho seu... Esperava. Ela e a criança haviam morrido de uma maneira cruel, dolorosa. Não chorou porque não tinha mais lágrimas, estava em estado de choque. Ela não tinha tido tempo para lhe contar e havia morrido com uma descoberta que deve tê-la feito muito, muito feliz. Ele caminhava desolado pelos corredores já desertos da base. As cenas que passavam por sua cabeça lhe traziam a vida de seu amor, como uma luta difícil. Mas ela sempre vencia as batalhas. Mas perdeu a guerra para um inimigo que ele sempre buscara. A verdade a tinha matado. Ao passar em frente a uma grande sala, cheia de computadores, ele pôde ouvir a discussão que era travada. "Como assim não chegou? Ele é o presidente dos E.U.A. e não querem me informar onde ele está?" "Madame, é um local secreto onde as decisões estão sendo tomadas..." o técnico informava. "Eu quero saber onde está meu marido. Haviam-me dito que o helicóptero dele nem sequer tinha conseguido sair de Washington e, no entanto, ouvi quando disseram que o presidente mandou uma mensagem solicitando os soldados da força aérea que estão aqui." A primeira dama estava realmente desesperada. Mulder ouvia da porta. "Senhora, podemos conseguir um contato com ele, se insistir, mas não podemos levá-la até onde ele está." "Porque não?" "Madame, tudo será resolvido. Falaremos com ele e lhe daremos notícias. Mas tenha certeza de que ele está bem. Seu helicóptero separou-se dos que chegaram aqui ao meio-dia e pousou numa base na divisa do Texas com o Novo México. De lá, somente ele seguiu para uma base desconhecida. Teremos mais informações quando amanhecer." Ela saiu furiosa e esbarrou em Mulder que ainda tinha os olhos vermelhos. "Desculpe." Foi tudo o que ela disse. "Primeira dama!" Mulder chamou-a. Ela virou-se para ele. "Sou agente do F.B.I.. Ouvi dizer que nem todos os helicópteros chegaram durante o dia, alguns ficaram para trás." "Porque quer saber?" "Minha esposa estava em um deles. Pode ser esse." "Sua esposa é uma agente?" ele sacudiu a cabeça. "Venha comigo" ela disse. Eles sentaram-se em um banco nos corredores. Ela iniciou. "No helicóptero do meu marido haviam 50 pessoas ao todo. Agentes, policiais, políticos, seguranças. Quatro helicópteros nem sequer decolaram. É bem possível que sua esposa estivesse em um deles. Mas também é possível que ela estivesse no mesmo que o presidente." Ela podia perceber a dor nos olhos do agente. "Mas meu marido foi levado a outra base, não a do Texas, nem esta. Sinto mas não posso informar sobre o paradeiro dela. Não tenho muitas informações." "Mas se ela estivesse nesse último helicóptero ela estaria na base do Texas?" "Estaria." Ela respondeu levantando-se. Base Aérea do Novo México 04/07/03 – Sexta-feira – 2:23 p.m. Mulder passou a acessar os computadores da base e permanecer nas salas de controles como agente do F.B.I. e assim teve acesso aos planos de guerra. Naves terrestres sairiam de alguma parte do deserto em direção ao espaço, com a missão de invadir e danificar os sistemas da nave-mãe alien. Mas, como não usariam um foguete, claro estava que de terrestre as naves não tinham nada. Era a tecnologia alien combatendo a tecnologia alien. Agora talvez tivéssemos chances. Durante todo o dia a expectativa foi grande, até que os caças de todo território americano, munidos de mísseis, atacaram as gigantescas naves, que, já sem seu campo de proteção, foram derrubadas. A vida voltaria ao normal. A vitória foi comemorada em todo o mundo. As pessoas poderiam sair de seus abrigos. Agora a luta seria maior. Teriam que reconstruir países inteiros. Antes disso teriam que reconstruir suas famílias e suas vidas. Enterrar os mortos. De Washington nada havia restado, além de montes de entulhos queimados, como exemplo de outras dezenas de capitais e grandes cidades dos quatro cantos do mundo. Liz estava no colo do pai, assistindo ao pôr-do-sol, que não se escondia no horizonte e sim atrás da nave caída no deserto. Eles estavam embarcando nos helicópteros que os levariam de volta à capital ou o que havia restado dela. Pai e filha resolveram aguardar o próximo vôo. Havia poucas pessoas na base, menos do que a lotação das naves. Cerca de 15 pessoas que esperavam para embarcar. Antes de anoitecer um helicópetro pousou na base. A primeira dama que brincava com Liz, sentada ao lado de Mulder, levantou vagarosamente a cabeça e sorriu. Chorou de alegria. O presidente desembarcava e corria para ela que o recebia de braços abertos. Atrás dele, cerca de 50 pessoas desembarcavam e corriam para os pucos familiares que estavam ali. Liz olhou para o pai. Ele pegou a filha pela mão e aproximou- se da área de desembarque. Mas todos desembarcaram e Scully não. Mulder odiou a sua esperança. Era rídiculo esperar que algum dia voltásse. Deu as costas a cena de alegria das pessoas que se reencontravam. Liz reteve- o. Ele puxou-a. "Papai..." Mulder voltou-se. Assim pôde ver quando Skinner saltou ao chão e esticou os braços para dentro, apoiando a descida de Scully. "Mamãe..." foi tudo que Liz balbuciou ao vê-la, para, em seguida, sair correndo. Scully viu-a correr em sua direção e ajoelhou-se para recebê- la em seus braços. "Minha pequena, que saudade..." ela chorava muito. "Mamãe... Pensava muito em você... Como está?" A menina também chorava muito e apertava a mãe repentindo que não a desobedeceria nunca mais. Mulder manteve-se estático, olhando a cena inacreditável. Ela estava viva. Ou melhor, eles. Eram dois. Ou até mesmo três, pois se ela tivesse morrido ele também não viveria mais. Se aproximaram vagarosamente contemplando-se. Ficaram frente a frente. Ela forçou um sorriso, mas as lágrimas não permitiam. "Meu amor..."ele quebrou o silêncio. Abraçaram-se com força, deixando as lágrimas rolarem. "Nunca mais afaste-se de mim." Ele pediu. "Nunca."ela chorava. "Nunca, meus amores." E, apanhando Liz, ela deu um beijo terno e apaixonado em seu marido. Meses depois. "Washington volta a ser uma cidade. Lembro-me bem de quando chegamos aqui. Quase nenhuma construção em pé. Menos de 1% da população havia sobrevivido." Mulder lembrava. "Então recomeçamos, do zero. Enterramos todos os corpos em Arlington e tiramos todo o entulho que cobria quilômetros e quilômetros. Reunimos o material aproveitável e iniciamos a construção. Primeiro abrigos, hospitais e armazéns. Depois escolas, uma biblioteca e um parque para as crianças, que eram maioria da população. Dividimos o trabalho, e como não precisavam de agentes do F.B.I., passei a dar aulas na escola. Dana era a diretora do Hospital de Washington. Não ganhávamos nada. Principalmente porque não havia dinheiro. Era como se estivessemos na Idade Média. Passamos fome, frio, e muitos morreram de doenças simples como gripes e diarréias. Mas agora tudo melhorava. Não tinhamos energia elétrica e usávamos fogo. As notícias chegavam de navio, vindas da Europa, da América do Sul, e de outros pontos. Alguns países ainda tinham aviões e faziam intercâmbio de mercadorias, remédios e pessoas." Liz aproximou-se "Papai, vou brincar com Ellen." Mulder assentiu e viu a filha afastar-se. Já tinha 3 anos. "Discuti várias vezes com Scully o motivo da vinda dos extraterrestres. Eles talvez fossem um instrumento para refrear a ganância do homem, que invadia, cada vez mais um terreno que não lhe pertencia e deveria ser mantido obscuro. Algo que só caberia a Deus conhecer e ao homem teve que ser barrado, da pior forma possível. Até atingirmos o estágio de desenvolvimento em que nos encontrávamos vamos levar anos. Quem sabe, até lá, tenhamos desenvolvido mais o lado espiritual do que o material e entendamos que certas distâncias não foram feitas para o bicho homem percorrer. E é assim que ela pensa. Eu ainda acho que os alienígenas têm vontade própria e tinham tudo perfeitamente organizado para dominar a Terra e seus habitantes." Ele sorria. "O bom é que eu e ela mantivémos nossas discussões, nossas teorias. A experiência fez dela uma mulher ainda mais admirável. Agora, todos os fins de tarde, nós nos sentamos, lado a lado, se bem que geralmente ela deita em meu colo, cansada de um dia de trabalho, e ficamos conversando sobre nossa vida e nosso futuro, observando as estrelas. Dana é apontada na rua como uma mulher que salva vidas, pois o único hospital da região é dirigido, e muito bem dirigido, por ela. E muitas vidas tem sido salvas por causa dela..." Ele apanhou uma pequena sacola e acenou para Liz. "Mas ontem ela abandonou sua função, temporariamente, e foi internada, porque Willian e Steve nasceram. Ela já desconfiava de gêmeos, a barriga cresceu demais e ela mal podia andar nas últimas semanas. Foi difícil convencê-la a parar de trabalhar. Mas o parto foi feito sem maiores dificuldades, mesmo que de forma rudimentar, e agora eu levaria Liz para vê-la e aos irmãos." Liz pegou a mão do pai. "Papai, está chegando o natal..." "Eu sei, querida." Ele pegou-a no colo. "O que vou ganhar?" ela perguntava com um sorriso inigmático. "Acabou de ganhar dois irmãozinhos e não está satisfeita?" "Eu quero uma boneca." Ela disse fazendo bico. "Peça uma ao Papai Noel." Ela ficou séria e calada. Antes de chegarem ao hospital, perguntou: "Papai Noel não vai saber onde entregar o presente. Ele também perdeu o trenó dele no dia que todo mundo morreu?" Mulder não conteve um estremecimento. Colocou-a no chão, abaixou-se e olhou no fundo dos olhos azuis. "Não importa onde você esteja, ele virá lhe entregar seu presente. De navio, de avião, de carro, a pé... Enquanto você esperar por ele, ele virá." E esperou a pergunta que ela queria fazer... "Ele mora no Pólo Norte ainda?" "Ele mora aqui, ó."e apontou o coração da menina. Ela permaneceu séria. "Você disse isso quando a gente pensou que a mamãe tinha morrido... O Papai Noel morreu?" Mulder enrolava-se nas perguntas da menina. "É como eu lhe disse, Liz. Enquanto seu coração acreditar que algo ou alguém virá pra você, pode ter certeza de que virá, o mais rápido possível. Chega de perguntas?" ela acenou positivamente com a cabeça. Mulder respirou aliviado. Era difícil responder aos questionamentos dela. "Vamos ver a mamãe e os seus irmãos?" Ela acenou novamente e subiu no colo do pai. "Papai?" "O que é, Liz?" "Como os nenês entraram na barriga da mamãe?" Mulder não conteve o sorriso. "Pergunte a mamãe, sim querida?"