TÍTULO: DÁDIVA DO NILO AUTORA: Juli (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. SPOILERS: Nenhum (não que eu me lembre, pelo menos!) RESUMO: Mulder está no Egito com Diana. E Scully, bastante enciumada. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: A Késsia, a Ieda (small) que, com seus opiniões sinceras e suas idéias, me ajudaram a criar coragem e postar esta estória. AGRADECIMENTO ESPECIAL: A minha amiga... Não, ídolo, chamada Selma, mais conhecida como Sky. Obrigada por ter betado pra mim. Adoro você! NOTA: 1) O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. 2) Parte do diálogo final dos personagens foi escrito pela Sky. Obrigada novamente, minha amiga! CIDADE DO CAIRO SEXTA-FEIRA 13:25 H Mulder estava agora no Egito investigando a morte de diversos Palestinos que ali moravam. Não entendeu o porquê de Diana ter sido designada e, ainda, a necessidade de sua ajuda, pois segundo o relatório que lera, tratava-se de um norte-americano, que possuía o dom da mediunidade, e afirmava estar sendo guiado pelo faraó Tutancâmon, divindade egípcia que viveu aproximadamente no ano de 1.361 a.C. Ele assassinava os moradores palestinos da região, em nome do tal faraó e da defesa do povo egípcio, na maioria árabes, sua descendência. A ordem do Bureau era prendê-lo e entregá-lo para à embaixada americana onde seria julgado, nos E.U.A. Parado no saguão do hotel, Mulder encontrava-se em meio à divagações. Olhou na direção do elevador, que se abria, e viu Diana Fowley surgir dele, com seu costumeiro tailleur grafite e o porte altivo. Diana: Eu o fiz esperar muito? - perguntou com um meio sorriso. Mulder: Um pouco - respondeu sincero - Vamos? Diana: Sim. Os agentes iriam visitar o delegado da capital onde, provavelmente, encontrariam pistas do tal homem. DELEGACIA DA CIDADE DO CAIRO 13:55 H O Delegado forneceu-lhes informações sobre o perfil do homem. Segundo ele, o tal homem precisava captar e conversar com o faraó, toda vez que iria cometer um assassinato, conforme pudera investigar, mas Mulder estava intrigado. Mulder: Então ele visita o túmulo do faraó? Mas, delegado, porque uma pessoa estrangeira foi "escolhida" para aniquilar palestinos? Porque não um árabe? Delegado: Sinceramente não sei, Agente. Ele se diz médium e se isso for verdade, o fenômeno da mediunidade não escolhe pessoa, raça ou cor. Mas pelo que sei, ele é descendente de árabes. Diana: Então, devemos ir até o túmulo do faraó? Há quanto tempo fica daqui, da capital? Delegado: Há algumas horas. Fica no Vale dos Reis. Mulder: Vamos até lá - disse, decidido. VALE DOS REIS 17:00 H Em pleno deserto do Saara, os dois agentes tentavam concentrar-se nas investigações em detrimento do calor insuportável que fazia. Os ponteiros do relógio de Mulder marcavam 38 graus Celsius, uma temperatura amena, típica do crepúsculo que se aproximava. Diana: Mulder, venha ver aqui - ela o chamou. Mulder: O que foi? - perguntou, aproximando-se dela. Diana: É um tabuleiro de xadrez e há impressões digitais nas peças. Ele esteve aqui. Mulder: O tabuleiro é antigo - examinou o empoeirado objeto - Acredita que ele esteve mesmo aqui? Diana surpreendeu-se com a sua dúvida. Diana: Você não?! Mulder: Quem garante que ele realmente tenha se encontrado com o faraó? O xadrez era um divertimento típico dos povos daquela época. Diana: Os faraós eram considerados deuses na mitologia egípcia, acreditava-se que eles eram o elo entre Deus e os mortais - argumentou. Mulder: Talvez - ele não acreditava muito. Contemplou o crepúsculo - Está ficando tarde. Vamos voltar para o hotel. Ela apenas assentiu. HOTEL DO CAIRO 20:05 H Mulder: Oi, Scully, sou eu. Scully: Oi, Mulder. Como andam as investigações? Já viu o faraó? - ela ironizou. Mulder: O que é isso, Scully, não há nada de sobrenatural nesse caso. Achava isso antes e continuo achando agora! - confessou, estirado na cama. Scully: É mesmo?! - fingiu surpresa. Mulder: Droga, Scully, estou muito cansado para ainda ter que agüentar esse seu maldito sarcasmo! - ele irritou-se, ao que ela não se intimidou. Não conseguia se conter. A raiva por ele ter sido designado a viajar com Diana para resolver esse caso era maior. Ambos sabiam que não era um Arquivo X. E Diana, claro, sabia também. Scully: Cansado de quê? O que fez hoje? Mulder: Fomos visitar o túmulo de um faraó. Scully: E o que descobriram? Mulder: Que o nosso assassino esteve lá. Achamos impressões digitais em um tabuleiro de xadrez. Diana acredita que ele tenha realmente se encontrado com Tutancâmon, o faraó. Encontramos também o sarcófago dele, todo em ouro, e alguns objetos do mesmo material, mas foi só. Scully: E você acredita nisso? Mulder: Não. Acho que é realmente o que consta no relatório do FBI. Scully: Então, o que você ainda está fazendo aí? Porque não volta? - perguntou, tentando não parecer ansiosa demais. Mulder: Porque os faraós eram considerados como deuses, imortais, o elo entre deuses maiores e mortais, entende? De repente, as suspeitas dela podem fazer algum sentido. Scully: Elas não fazem nenhum sentido, Mulder - afirmou, categórica - Os faraós eram considerados deuses, mas não eram. Portanto, ninguém pode alegar que eles possuíam a imortalidade. Se assim fosse, porque seriam mumificados?! - seus argumentos faziam total sentido. Mulder: É como eu disse, não sei o que estou fazendo aqui, ou porque estou aqui – confessou, confuso. Scully: Posso imaginar o porquê? Mulder: Bom, já que vai continuar com esse sarcasmo irritante, eu vou desligar. Scully: Porque ligou, então?! - perguntou irritada. Mulder: Porque eu queria saber a sua opinião. Scully: Já está sabendo agora - o ciúme tomava conta de suas palavras, pensamentos... Não conseguia ser gentil, e muito menos, raciocinar. Mulder: É, já estou sabendo, mesmo. Melhor seria se eu não tivesse ligado. Tenha bons sonhos, minha amiga – debochou, desligando imediatamente o telefone. GEORGETOWN Scully ainda segurava o telefone na mão. Parecia que sua boca ganhara vida própria. Não conseguiu medir as palavras ao falar com Mulder. Incomodava-a o fato dele estar lá, sozinho com Diana. Ele não deveria estar lá. No caso, ele estava. Mas ela deveria estar com ele e não Diana... Não ela. HOTEL DO CAIRO 21:30 H Scully estava irritadiça, concluiu Mulder, e ele não fazia idéia alguma do porquê de tanto mau humor. Talvez ela estivesse enciumada por não estar com ele, investigando o caso, por não participar junto com ele. Talvez o fato deles estarem sempre juntos, investigando diversos casos tenha se tornado um hábito maior do que ela imaginava. Ou do que ele poderia imaginar. Não, sabia que ela fazia parte da sua vida. Só ela, somente ela. A única. Uma batida na porta o fez despertar de seus devaneios. Mulder: Quem é? Diana: Fox, sou eu... Posso entrar ? Mulder: Só um instante. Ele livrou-se da toalha de banho, vestiu rapidamente a calça do pijama de flanela e dirigiu-se à porta. Ele permitiu que ela entrasse. Diana escondia uma camisola comprida de seda e alça finas, por baixo do robe fechado de mesmo tecido. Diana: Estava pensando sobre o caso - ela disse, sentando-se na cama - E continuo dizendo que é possível que o faraó esteja vivo, considerando que os egípcios acreditavam em vida após a morte. Por isso, mumificavam seus corpos porque a alma precisava de um corpo para morar para toda a eternidade. Mulder: Muitos aqui acreditam nisso, depende de cada religião. Ele sentou-se na poltrona à frente da cama. Diana deslizou o robe pelo corpo, sensualmente e engatinhou, ronronando como uma gata para perto dele. Diana: Acho que nós dois formamos uma boa dupla. Seria bom revivermos os velhos tempos... Para sempre - sussurrou em seu ouvido. Ela, com os cotovelos apoiados em seus joelhos afastados, inclinou-se para beijá-lo. Mulder aceitou a aproximação e, instintivamente, correspondeu ao beijo. Ela deslizava as mãos pelo peito nu, numa carícia sedutora. O beijo intensificou-se, bem como o abraço que trocaram. Ele enterrou os dedos nos cabelos sedosos e escuros da mulher e a trouxe mais para junto de si. Ele sempre havia desejado o corpo pequeno. Sentia-se afortunado por ter a oportunidade de deslizar seus lábios pela pele alva, macia e pálida dela. Seus cabelos tinham um cheiro delicioso. Queria passear com as mãos, contornando as curvas sinuosas de sua envergadura delicada. Ela era fogo escondida por uma máscara de indiferença e racionalidade. Tudo isso era só uma defesa, um escudo protetor de seu coração. Uma batida na porta, interrompeu-os, fazendo-os despertar da paixão. Mulder olhou Diana assustado. Havia beijado-a, desejando outra mulher. Mais especificamente, desejando Scully. O olhar surpreso e inquiridor de Diana o deixou desconcertado. Ele desvencilhou-se delicadamente dos braços dela e levantou-se. Delegado: Agente Mulder? – gritou o delegado próximo a porta fechada - Conseguimos capturar o assassino. Na pirâmide, perto do sarcófago do faraó. WASHINGTON D.C SEGUNDA - FEIRA 7:30 H Scully: Bom dia, "Desbravador do Nilo"! – sorriu, sarcástica - Conheceu o faraó? Mulder: Bom dia, Scully! Na verdade, conheci algo melhor que o faraó - disse com a clara intenção de provocá-la. Scully: Não duvido, considerando tudo – disse com uma expressão irritada e zombeteira. Ele estava conseguindo o que queria, mas ela também o irritava com a sua interminável ironia. Scully: Não vai me dizer como foi o desfecho do caso? - perguntou pouco interessada, de verdade. Na verdade o seu interesse maior era saber o que teria acontecido de mais íntimo nessa viagem. Mulder: Não, não vou contar. Isso é segredo - sorriu, irônico levantando- se com os relatórios prontos para entregar a Skinner, em mãos. Scully: Tudo bem, não estou interessada mesmo! – ela deu de ombros, fingindo total desinteresse. Discutiam como criança, e Mulder não poderia deixar de notar o lindo rosto contrariado da parceira. Diana acreditava no sobrenatural e Scully não. Em outras circunstâncias, ficaria muito entusiasmado em ir à fundo nesse caso, mas não se sentira assim, pois, para ele era mais desafiante ter alguém que o desacreditasse. Assim, procuraria comprovar o que dizia com mais eloqüência do que nunca. Mas agora, olhando para Scully, sabia qual era o seu devido lugar. Seus lábios curvaram-se em um sorriso de satisfação, mas isso não o impediu de tentar os limites da parceira. "Não, Mulder, não seja covarde, admita, você sentiu falta da Scully. Por isso ligou para saber a opinião dela e por isso o seu desinteresse no caso!", acusou a sua consciência. Mulder : Diana estava bem interessada Scully : Que ótimo! – respondeu tentando dissimular a irritação – Porque voltou tão rápido, então? Deveria ter continuado lá, com Diana e as múmias. Elas parecem se conhecerem muito bem. Mulder não pode deixar de rir da comparação. Mulder : Você não gosta realmente dela, não é? Por quê? Acuada pela inquisição do parceiro, ela tentou desanuviar o ambiente, que estava se tornando propício à exposição de sentimentos. Scully : Sabe que não confio nela. Mulder : Só isso? Ela arqueou as sobrancelhas, encarando-o . Não lhe daria o gosto de vê-la se render. De admitir que estava com ciúme e insegura por ele ter estado esse tempo com outra mulher. Scully : Eu poderia lhe dar infinitas razões, mas contento-me só com o fato esta, que já é uma razão mais do que justa para as minhas restrições. Além disso, o que mais poderia ser, Mulder? Vá logo, Skinner o espera! Respondendo com outra pergunta e lembrando-o do compromisso, ela se achava segura para não expor o que realmente estava sentindo. Mulder perdeu-se em divagações novamente. Como seria bom se ela desse voz aos seus sentimentos. Ficar com Diana, investigar o caso com ela não tinha tido o mesmo sabor do que o de debater com aquela mente lúcida e aquele rosto lindo à sua frente, olhando-o com aquela costumeira expressão indagadora. Tinha que admitir, não era a falta de atrativos do caso. Scully: Mulder, vai ficar aí parado o tempo todo?! - ela reclamou, a cabeça inclinada para cima, devido a diferença de altura, e o rosto próximo ao dele. Saindo de seus devaneios, ele inclinou-se e depositou-lhe um leve, terno e rápido beijo em seus lábios, embalado por aquele rosto lindo e encantador da parceira. Mulder: Já vou, já vou! - disse. Scully ficou sem entender nada e um leve rubor coloriu as suas bochechas. Seu parceiro parecia feliz em voltar. Se ele tivesse ido mais a fundo, talvez até achasse o caso intrigante como ela própria achara. Quisera estar lá, mas ficou magoada por não ter sido designada em detrimento de Diana. Mulder: É uma pena que não admita. Porém, eu confesso, nada pareceu muito interessante sem você lá – deixou escapar, virando-se imediatamente e saiu sem esperar resposta. Scully ficou sem entender nada e um leve rubor coloriu as suas bochechas. Seu parceiro parecia feliz em voltar. Se ele tivesse ido mais a fundo, talvez até achasse o caso intrigante como ela própria achara. Quisera estar lá, mas ficou magoada por não ter sido designada em detrimento de Diana. "Que importa, ele está de volta! - Ela tocou os lábios onde sentira o contato do parceiro e sorriu – Voltou para o seu porão... Talvez para mim..." E, embalada por esses pensamentos, ela voltou a sentar-se para esperá-lo. De alguma forma, ele sempre voltaria, sempre estaria ali, ao lado dela. E essa certeza era suficiente para que se sentisse novamente dona de suas emoções. - FIM -