Título: Crises Autora: Meggie Feedback: wm3@uol.com.br Classificação: Shipper Resumo: Mulder em crise Nota: Gente, ontem eu fui à favela, levar camisinha para as pessoas já que é carnaval, sabe? Foi horrivel, eu nunca antes havia estado lá e é tão triste. Encontrei garotinhos que nunca haviam sido sequer abraçados na vida, pessoas sem absolutamente nada. São tão carentes de tudo, de comida, de afeição, que quando você os põe no colo eles não querem te deixar nunca mais. Fiquei deprimida, não que eu não soubesse que eles estavam lá mas mesmo assim, é tanta miséria e ao vivo tudo é mais colorido... Pequenos, barrigudos, de olhinhos tristes e brinquedos quebrados. O futuro da nossa nação. Deu vontade de sair correndo e esquecer que eles existiam. Mas não consegui. Fiquei lembrando das palavras do meu professor de Biologia " Eu sei, gente, não tem isso no Shopping". As pessoas não reparam porque não existem crianças magricelas nos Shoppings...parece lógico. Cheguei em casa e não conseguia nem olhar pra minha cadelinha, ela com certeza é bem melhor tratada que aqueles meninos. Me arrependi de Ter levado as camisinhas para o Carnaval, deveria Ter levado arroz. Fica pra próxima. Nota II. Se a historia sair esquisita e sem nexo não liguem, a Lizzie acha que eu costumo descontar tudo no Mulder ( Talvez seja verdade) Dedicatória: Para Lizzie ( SETH) que me manda os mais deliciosos feedfics, me faz morrer de rir e consegue me deixar de bom humor a semana inteira, também te amo Lizzie. Especialmente pra você poder por no colo – dessa vez sem bebedeira, que eu estou tentando parar - ( B-jim, minha carona predileta) e para os menininhos que não tem ninguém pra abraçar, de qualquer idade. PSI: Essa fic devia se chamar Abraço. Fica a critério de vocês. Brejo da Cruz A novidade que tem no Brejo da Cruz É a criançada se alimentar de luz Alucinados, meninos ficando azuis E desencarnando Lá no Brejo da Cruz Eletrizados, cruzam os céus do Brasil Nas rodoviárias, assumem formas mil Uns vendem fumo Tem uns que viram Jesus Muito sanfoneiro cego tocando Blues Uns tem saudades e dançam maracatus Uns atiram pedras, outros passeiam nus Mas a milhões desses seres Que se disfarçam tão bem Que ninguém pergunta De onde essa gente vem São jardineiros, guarda noturnos, casais São passageiros, bombeiros e babás Já nem se lembram que existe um Brejo da cruz Que eram crianças e que comiam luz São faxineiros Balançam nas construções São bilheteiras, baleiros e garçons Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz Que eram crianças e que comiam luz. (Chico Buarque de Holanda, o maravilhoso) Bom, pessoal, existe um Brejo da Cruz na sua cidade também, pode ir lá às vezes conferir, para ver a ' criançada se alimentar de luz', porque realmente eles não comem mais nada. Crises ( Ou Abraço) Mulder observou sua sala desolado. Sentia-se sufocar ali dentro, uma sensação entranha lhe oprimindo, emoções que não experimentava a muito tempo. Desânimo. Desânimo profundo com a vida e o mundo em geral. Até as paredes lhe pareciam ridículas, os moveis riam dele, debochados, a escuridão uivava. Mas não era noite. Sua imagem deveria estar demonstrando todo seu estado de estagnação, largado na cadeira, os braços pendidos, pontas dos dedos no chão, fitando o nada. Não estava conseguindo respirar direito. Tinha vontade de chorar e seu peito parecia pesado. Não queria rir, não queria falar. Suspirou tentando fazer o ar chegar ao cérebro, quebrar seu estado vegetativo, não funcionou. Uma apatia estranha lhe tomavam os sentidos. Talvez devesse voltar para casa, se enfiar debaixo dos lençóis e dormir. Quem sabe olhar pela janela ou assistir filmes antigos? Mas também não se sentia com coragem suficiente para se mover. Escutou os passos já tão familiares de sua parceira descendo as escadas, não se alegrou como normalmente aconteceria, no entanto. Queria ficar sozinho. Queria poder sentir-se leve, sorrir com vontade. Para não assusta-la ajeitou-se no assento e pegou uma folha mecanicamente. Não desejava que Scully percebesse seu estado, ela ficaria preocupada e não havia motivo. Pelo menos nenhum que ele quisesse ou soubesse explicar naquele instante. Ela abriu a porta sorrindo, cumprimentando-lhe amavelmente como todos os dias. Sorriu-lhe, esperando sinceramente que ela não dissecasse sua alma com os olhos azuis como fazia às vezes. Não se sentia forte o suficiente para suportar. Ela sentou-se a sua frente, franziu a testa. - Aconteceu alguma coisa que eu deva saber? – Perguntou, lançando-lhe seu olhar mais inquisitivo. - Não, por que? Deveria? – Sabia não havia conseguido engana-la, mal sinal. Mas também, tinha o direito de pensamentos privados, porque ela tinha sempre que perceber tudo? - Não sei, você está esquisito. - Eu sou esquisito, Scully. Ela deu de ombros, se ele não queria contar, tudo bem, mas magoava-se um pouco com isso. Só queria saber o que estava havendo, ficava triste quando via Mulder com aquela expressão de quem não tem ninguém no mundo. Ele tinha a ela, gostaria de poder dizer-lhe isso, mas não era do seu feitio esses arroubos. Além do que a relação entre eles era muito confusa. E ela ficava chateada quando via o amigo fingir que estava normal quando podia sentir, em seu intimo, que algo o perturbava. Decidida a não falar mais sobre o assunto, levou a conversa para outros tópicos, os habituais. O dia passou lentamente, Mulder estava inerte, sem a costumeira energia a lhe correr pelas veias. Aquilo levava Scully a ficar no mesmo estado, aos poucos, enquanto as horas se arrastavam ela foi sentindo um familiar aperto no coração se instalar. Antes de ir embora, porém, fez uma última tentativa. - Tem certeza de que está tudo bem, Mulder? - Claro, pode ir tranqüila, Scully. Como se fosse possível, vendo aquela nuvem rondar os olhos claros do homem a sua frente. Queria poder ficar com ele e lhe dar apoio mas naquele momento não era possível. Seu parceiro havia construído a sua volta fortíssimas barreiras, que normalmente Scully não precisava transpor para chegar ao colega. Mas agora estavam lá, de frente pra ela. Imponentes e sombrias. Mulder se sentiu mais aliviado ao vê-la se afastar. Sofria sabendo que havia feito Scully se entristecer. Mas não estava conseguindo fazer nada nem por si mesmo, quanto mais por ela que era tão complexa. Scully era o ser vivo mais complicado que ele já tivera o prazer de conhecer. Seus sentimentos eram tão bem guardados mas mesmo assim tão afetáveis, que por mais que tentasse não conseguia realmente entende-la. Sabia que tinha sua confiança, respeito, carinho, e porque não, amor, mas ambos tinham inventado uma forma muito elaborada e sutil de lidar com toda aquela sorte de sentimentos. Jogavam, jogavam o tempo todo. E as regras eram estranhas. Dependiam do dia, da situação, do local. Ou então apostavam alto, um jogo muito arriscado. Um que envolvia mais que amor, misturava corpo, paixões, solidão, desejo. E apesar de tudo, funcionavam bem juntos. Eram quase uma maquina compassada, que só funcionava direito se girasse com sincronia. Mulder não se sentia sincronizado, muito pelo contrario. Parecia desencontrado. Juntando todas as forças que foi capaz de reunir se levantou, pegou seus pertences e foi pra casa. Talvez de manhã já estivesse se sentindo melhor. A porta do apartamento 42 se abriu devagar, Mulder entrou arrastando os passos, os ombros caídos. Se jogou em seu conhecido sofá negro e passou a observar atentamente o teto. Nem se dignou a tirar os sapatos, a gravata, o palitó, nada. Continuava cheio do mundo, mas não sentia mais vontade de chorar. Devia ser um bom sinal, ou talvez não. Era um rematado idiota, seus anos de psicologia não serviam pra nada além de pegar bandidos, quando precisava mesmo, não tinham utilidade nenhuma...Queria se entender e entender Scully tão bem quanto faria com um psicopata. Esse era seu problema, não funcionava direito em situações normais, sua cabeça só trabalhava sob pressão. Apostava que sua melhor declaração de amor para Scully seria uma em que estivesse com uma arma apontada para sua cabeça. Era bem típico dele. Mas o que estava fazendo ali mesmo, olhando para o teto? Ah, é, não estava fazendo nada, vivendo por difusão. Tentou se lembrar do que lhe induzira aquele estado, acordara bem, como sempre, se vestira, fora até o Bureau...e.....e....não se lembrava. Sentara-se lá, em seu velho porão, sozinho, esperando Scully e de repente as paredes começaram a zombar de seus pensamentos disformes. Por que elas faziam aquilo? Por que as pessoas faziam aquilo? Não entendia realmente. Só não era igual aos outros, não precisavam afasta-lo do mundo por isso. Bem, se fosse justo consigo mesmo diria que ele havia se posto a parte da sociedade por escolha própria mas não era verdade, ninguém escolhia aquele caminho por diversão. Simplesmente não era divertido. Ele não decidira ser Spooky, mas que opção os outros o haviam deixado? Todos te forçam a seguir um padrão e quando você, por um motivo ou outro o rompe, sempre é punido. Às vezes isolado, outras com violência, física ou verbal. Eram as normas, e nunca fora bom com elas. Seria simplificar demais dizer que era aí o papel de Scully em sua vida mas ela o ajudava sim, a ficar na linha. Com ela podia ser simplesmente Mulder que ela entenderia e aceitaria. Mesmo que a magoasse como naquela tarde, quando a deixara a parte de seus sentimentos. Ela o compreendia e depois tentava traduzi-lo para o mundo. Devia ser um trabalho árduo. O transito para Georgetown estava infernal. Scully bateu com os dedos, impaciente, no volante. Aquele havia sido um dia difícil, só queria voltar pra casa e cair na banheira. Mas com aquele engarrafamento nada parecia promissor. Pra piorar o que já era ruim o carro de um adolescente começou a tocar uma música em volume alto, bem ao seu lado. Sem outra escolha, se concentrou na melodia. Se é que se podia chamar assim. "Some day my soul's confined and out of mind Sleep forever Some days I'm so outshined and out of time Have you ever" Talvez Mulder estivesse se sentindo daquela forma, confinado, preso em si mesmo. Sem brilho, sem esperança, sem nada. "Falling, I'm falling Have you ever buried your face in your hands Cause no one around you understands Or has the slightest idea what is that makes you be Have you ever felt like there was more Like someone else was keeping score And what could make you whole was simple out of reach Well I know" Scully começou a se sentir mal. Será que falhara com Mulder? Será que ele achava mesmo que tudo estava fora de alcance e que ninguém no mundo o compreendia? Será? "When the truth walks away everybory stays cause the truth about the world is that crime does pay So if you walks away Who is gonna stay Cause I'd like to think the world is a better place" Sem se preocupar com os palavrões horríveis que escutou dos outros motoristas Scully deu a volta e seguiu para Alexandria. Não podia deixar Mulder naquele estado. Tinha que faze- lo acreditar, mesmo que ela não acreditasse. A porta. Seu cérebro registrou mas não fez nada com a informação. Que batessem, não queria receber ninguém. - Mulder? Eu vou entrar, tudo bem? Scully. Sempre Scully. Claro que podia entrar. As portas da casa estavam sempre abertas para ela. - Chegue pra lá, eu quero me sentar. Encolheu as pernas pra que ela pudesse se acomodar junto a ele no sofá. - Não quer me contar o que está havendo? Não, não queria. Já estava se sentindo melhor só pelo fato de tê-la ali. - Mulder, diga alguma coisa. - Quero apenas ficar em silêncio, Scully. - Quer que eu vá embora? - Não, quero ficar em silêncio com você. E para confirmar a afirmação segurou a mão dela entre as suas, voltando novamente sua atenção para o nada. Ambos permaneceram quietos, perdidos em pensamentos vagos, até que Scully se cansou de permanecer na mesma posição e deitou- se com ele no sofá. Ambos de lado, as costas dela contra o peito masculino. Mulder abraçou-se ao corpo pequeno para que não caísse e enterrou o nariz nos cabelos vermelhos como a muito gostaria de fazer. Tinham cheiro de morango. - Scully... – Murmurou baixinho. - Sim. – Ela respondeu no mesmo tom, virando-se para ficarem frente a frente. As estranhas dele deram um nó. Ela tinha olhos incríveis. Os mais azuis e luminosos que já havia visto. Enormes; se enxergava inteiro ali dentro, refletido perfeitamente em suas pupilas. E tão de perto, fitando-o com intensidade singular, eram ainda mais magníficos. - Você tem os olhos mais lindos do mundo. – Ele não conseguiu pensar em mais nada. - Mas você não está chateado por causa disso. – Disse sorrindo. - Não. - E por que é, então? Boa pergunta. Por quê? - Não sei. As mãos dela vaguearam, suaves, por seu cabelo. - Tem que haver um motivo. Um motivo. Sim, tinha que haver um. As paredes estúpidas do Bureau eram uma razão. - As paredes estavam rindo de mim. - Por quê? Era aquilo que ele adorava em Scully, ela não achava que ele era louco. Qualquer outro teria rido dele, saído com uma resposta sarcástica. Mas não Scully, ela sabia quando era sério e quando era brincadeira ( pelo menos na maior parte das vezes), sabia o que dizer para ele, como entende-lo. - Todos aqueles casos, aquelas fotos mórbidas, os arquivos, os slides, tudo tão sem sentido Scully. Parece que o mundo fica cada dia pior e mais incompreensível. As vezes você não se sente uma inútil? Uma completa e total perda de tempo? Ele não esperou resposta. - Eu me sinto. Não importa o quanto lutemos o inimigo é tão mais forte. Os olhos dele estava cheios de uma perplexidade dolorida. - E as paredes cretinas ainda ficam rindo da minha incapacidade. - Você não é incapaz, Mulder. Mas também não é Deus, não pode fazer tudo. Encarou os olhos azuis da mulher a sua frente. Eram tão firmes e seguros, pareciam não se abalar nunca. Plácidos, diria que eram plácidos. - Não fique assim, tá? Fazemos tudo que está ao nosso alcance. Se todos fizessem o mesmo, o Mundo funcionaria direito. Os olhos dele se encheram de lágrimas. - Ei, está tudo bem. Ele sorriu e beijou os lábios dela de leve, um roçar meigo e rápido, estavam próximos demais para que se negasse esse prazer. Depois abraçou-a ainda mais apertado. Dormiram assim. Quando Mulder acordou ela já não estava mais lá. Sentindo-se melhor tomou banho e foi para o FBI. A sala no porão estava vazia. As mesmas paredes. Estranhamente, todas permaneceram silenciosas. Sorriu, elas não o incomodavam mais. Tinha que se lembrar de agradecer Scully por isso. Devia muito a ela. Todo seu carinho e dedicação. Agradece-la por ser, simplesmente. Sem ela o mundo seria mesmo muito pior e as paredes muito tagarelas. Só ela era o suficiente para fazer a vida valer a pena. Apesar de toda inutilidade. Escutou seus passos firmes vindo em sua direção, levantou-se, ficando parado em pé, de frente a porta. Scully entrou. Levantou a sobrancelha. Estacou. - Aconteceu alguma coisa? Ele sorriu. - Não, só queria te dar um abraço. Só um abraço. Por enquanto, seria o suficiente. Deixaria o passos seguintes para serem dados outro dia. Fim Espero feedback. PPS: Reli essa história mil vezes e a cada vez ela me pareceu pior. Está horrivelmente sem conteúdo. Tenho a impressão de que falei, falei e não disse absolutamente nada. Só não a deletei porque custou-me tempo e fiquei com dó...Eu avisei que não ia sair coisa que presta, não me culpe agora se você perdeu preciosos minutos que podia Ter gasto lendo outra fic mais interessante. Essa só serviu para eu me acalmar ( Sempre funciona)