T'tulo: Consideraes Autora: Rosa Orofino e-mail: rosanna@ieg.com.br Categoria: shipper Disclaimer: Os personagens pertencem a Chris Carter e a Fox. No existe inteno de utiliza-los comercialmente. Spoiler: Uma seqncia para The Gift. Sinopse: O que mudou para Doggett e principalmente para Scully, depois do conhecimento da verdade de Mulder? Consideraes Uma hora depois do diretor Skinner deixar a sala, o agente John Doggett ainda estava de frente para o monitor de seu computador, onde pretendia deixar registrado o caso da criatura que se alimentava de almas e de corpos doentes e que tinha o dom de devolver as pessoas ss e vivas. Vivo como Doggett, naquele momento, mesmo esttico e inseguro, tentando fazer um relatrio da incr'vel experincia que tivera. Talvez este ato fosse mais dif'cil de executar do que a compreenso de tudo que se passara com ele prprio. Era sobrenatural demais. Era absurdo demais para seus sentidos to materialistas. Era to inexplicvel como as sensaes que a sua mente havia pregado nele, no decorrer das investigaes. Mas, no final de tudo, havia a frustrao de ter voltado ao in'cio da busca por Mulder. Doggett tinha ido atrs de poss'veis pistas para seu desaparecimento, e voltara de mos vazias, mas com uma profunda reviravolta nos seus conceitos a respeito do agente. A convivncia com Scully e o conhecimento de caracter'sticas da personalidade de Mulder o fizeram refletir sobre os motivos iniciais que o levaram a procura-lo. Doggett ainda estava confuso, mas suas desconfianas com o agente desaparecido tinham mudado de forma. No era poss'vel que um homem doente e desesperado que tinha se apiedado de uma criatura que poderia ter lhe salvado, pudesse tramar contra todos da forma como se fazia crer. Alm de tudo, Doggett estivera morto e voltara a vida, miraculosamente, ajudando a criatura a acabar com o seu sofrimento sem fim. Reflexes foram feitas enquanto o relgio movia os ponteiros, alheio a qualquer acontecimento. Pela manh, Scully entrou no escritrio do Arquivo X e viu seu parceiro dormindo sobre a mesa, em meio a papis espalhados. O micro ainda ligado exibia a folha vazia de um gabarito de relatrio do FBI. Ela se aproximou de Doggett devagar, mas o despertou. - Agente Scully? disse ele, sonolento. - Dormiu aqui, no escritrio, agente Doggett? disse Scully, surpresa. - Eu... Eu estava terminando um relatrio e... Bem, o cansao... - Terminando? Que relatrio? De que caso? ela bombardeou o colega. Doggett passou suas mos sobre o cabelo e sem olhar para a parceira, desligou o micro e pegou o palet para sair. - Ei, agente Doggett! Aonde vai? No me respondeu! Scully alertou-o. O agente voltou a sentar-se em sua cadeira, parecendo exausto e preocupando Dana. - Eu estou esperando! ela reafirmou. - Scully, Mulder esteve na Pennsylvania pouco antes de desaparecer e eu fui atrs desta pista... e Doggett tirou uma pasta debaixo de alguns papis, entregando-a a Scully Voc assinou o relatrio da sua viagem... - Deixe-me ver. ela pegou a pasta das mos do colega, olhando desconfiada para ele Eu... No tenho nada a dizer sobre isso. No sei do que se trata. - Eu imagino que no, mas sua assinatura est a'! Doggett ressaltou. - Est. verdade. Dana se afastou dele, andando pela sala e observando alguns objetos que lhe lembravam tanto Mulder Agente Doggett, eu sempre confiei em meu parceiro. Questionava muitas de suas teorias e chegava a condenar algumas de suas aes, mas sempre nos entend'amos e eu realmente confio nele. Por isso, posso ter assinado um relatrio, sem l-lo... Dana voltou-se devagar para Doggett que a olhava, preocupado. - Ok! Eu entendi e quero que saiba que... Eu no levarei este caso aos nossos superiores. No depois de tudo que vi. Eu achei que esta viagem de Mulder era suspeita e que tinha estreita ligao com seu desaparecimento. Mas, estava profundamente enganado. Scully continuou olhando para o parceiro sem entender, aguardando mais pistas, receosa de dizer algo que pudesse comprometer Mulder e a ela prpria. Ela confiava em Doggett, mas sua imagem de inquisidor ainda a incomodava. - Porque Mulder fez esta viagem? ela perguntou finalmente. - Voc sabe. Porque ele estava morrendo. E porque ele tinha descoberto uma forma de cura, que justamente, pela sua inexplicvel razo de ser o tinha atra'do para aquela cidade. - Cura. Explique-se melhor. Porque eu ainda no consigo acreditar que ele estava doente e no me contou nada, apesar das provas do seu relatrio mdico. - dif'cil eu admitir, mas eu experimentei esta cura. Eu no estaria aqui com voc, se ela algum dia no tivesse existido. - Agente Doggett. Est me deixando cada vez mais confusa. Fala logo, por favor! - Uma criatura. Um dom. O dom de curar doenas, se alimentando do corpo dos doentes, consumindo suas doenas e lhes devolvendo a vida... ele encarou Scully, como que querendo assimilar suas prprias palavras Mulder esteve l, atrs de sua cura, mas, inexplicavelmente, ele desistiu dela. - Desistiu? Scully afirmou, mexendo as mos de forma nervosa. - Sim. Ele desistiu. Ele foi capaz de um ato que eu e Skinner nunca pudemos pensar que ele fosse capaz. Mulder ficou com pena da criatura que se afligia com diversas doenas que tomavam seu corpo, sem descanso e tentou mata-la para resgata-la de seu sofrimento. Scully olhava-o com os olhos cheios de lgrimas. Acreditava em Doggett. E naquele momento teve certeza de que conhecia Mulder mais do que a si mesma. Ela teve certeza de que toda aquela histria era poss'vel, coerente com a personalidade nobre de seu parceiro. E nunca lamentou tanto a sua ausncia. Um misto de profunda tristeza e frustrao a envolvia diante da incapacidade de abraar Mulder e de mostrar a ele o quanto ela o amava. O quanto ela o considerava como pessoa, como homem. O seu homem! Doggett se aproximou de Dana, tocando-lhe gentilmente os braos, olhando- a com carinho. Ele sequer imaginava o que se passava dentro dela, mas consternou-se com sua reao. - Este ser que Mulder tanto quis poupar salvou minha vida. Eu fui baleado e ele me devolveu a vida. E eu lhe dei a morte, depois de tanto tempo de sofrimento. Eu compreendo Mulder e a partir de agora estou junto com voc, a procura de outro homem, do mesmo homem que voc aprendeu a admirar e que, pelo que vejo, ainda lhe surpreende, depois de tantos anos. Dana dirigiu seu olhar para Doggett, meneando a cabea numa confirmao. Depois passou suas mos sobre o rosto molhado e acompanhou o parceiro para fora da sala. Como na noite anterior, novamente, a presena de Mulder preencheu um espao naquela sala vazia. 9 de junho de 2001