FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : pisosul@uol.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SPOILER : Closure SINOPSE : Uma discussão era tudo o que Mulder e Scully precisavam. OBSERVAÇÕES : Aguardo um Feedback, pleeeeeaseeeeee, por favor, digam o que acharam. CAUSA E EFEITO I am fine, I am free ! Agente Fox Mulder Vendo-o aqui, os olhos fixos nas estrelas, parece difícil acreditar que você realmente está bem, seu semblante porém está sereno, fico me perguntando como você consegue passar por tudo isso sem perder a sanidade ? Como sua mente consegue armazenar tantas tristezas sem colocá-las para fora ? Mas... pensando bem..., também eu não faço o mesmo ? Tento me aproximar e tirá-lo dos seus devaneios, quero ir embora, tentar esquecer esses dias amargos que passamos mas você não parece disposto a me seguir, será que gostaria de ficar só ? __ Vamos embora Mulder ? __ pergunto com medo de que me responda para me afastar quando o que eu mais quero e ficar aqui, com você. Saio dos meus devaneios para fitá-la, não queria ir embora, queria ficar e absorver totalmente os acontecimentos desses dias para, finalmente, sepultar esse passado, esquecer , começar de novo, mas será que eu ainda consigo ? Digo alguma coisa, mais para retê-la ao meu lado do que por realmente acreditar no que estou dizendo, são apenas divagações, impressões indefinidas que rodeiam meus pensamentos, sem se fixarem, como se alguém sussurrasse preces em minha mente para que eu pudesse superar o passado, sem que as cicatrizes se tornassem por demais profundas, algo em que acreditar, algo porque continuar. __ Gostaria de ficar mais um pouco__ digo, esquadrinhando seu rosto, buscando consolo no azul de seus olhos, sempre tão generosos __ Sabe, Scully ? Às vezes nos agarramos tanto aos nossos desejos, à esperança de que possamos recuperar nossos destinos, que não percebemos aonde nossas crenças podem nos levar, simplesmente seguimos, acreditando, não na verdade, mas sim nas nossas ilusões, nos nossos sonhos e quando abrimos os olhos estamos distantes demais de algum final, tampouco podemos retornar ao ponto de partida e ficamos perdidos, soltos no mundo como estas estrelas no céu. Toda a crença se dissolve e podemos ver as escolhas que fizemos e que mudaram completamente nossa vida e que, agora, não tem retorno. __ Suas escolhas, seus sonhos o trouxeram até aqui, Mulder, e, embora os fatos não tenham sido como você supunha, você encontrou a verdade, a sua verdade, encontrou os Arquivos X, pode seguir sua vida, esquecer os fantasmas... __ Ainda há muita coisa sem explicação, eu vi muita coisa, aceito a morte de minha irmã, acho que ela está num lugar melhor, preciso acreditar nisso, mas há muitas lacunas, minha mãe, não paro de pensar que ela queria me dizer algo, o Canceroso... __ Mulder ! Será que você não pode parar ? Parar para colocar as coisas em ordem, você passou por situações muito difíceis nos últimos dias, não descansou, não teve tempo para processar tudo isso, já está em busca de alguma nova conspiração, você precisa parar, aceitar a morte de sua mãe, assimilar o que aconteceu à sua irmã , precisa enterrar essas pessoas antes de continuar. Sabia que estava sendo dura demais com ele, mas era preciso, ele não havia assimilado os acontecimentos, a mãe dele estava morta e ele sequer sabia do funeral, ainda teria que enfrentar isso, descobrira a verdade sobre o desaparecimento da irmã, mas não tinha provas, apenas aceitara o fato, havia muita coisa para ser digerida, entendida, meu raciocínio se recusava a acreditar que alguém pudesse ter processado tudo isso sem parar para refletir. Apesar da mente brilhante dele, haviam muitos sentimentos envolvidos e , assim como eu, ele não era mestre em lidar com eles, o tempo era necessário para ordenar o caos em que eles estavam mergulhados. Também estava cansada, queria acompanhá-lo, mas há dias não dormia, não tomava nenhum alimento decente, estava ali para apoiá-lo mas meus sentimentos e meu corpo também ansiavam pelo repouso, estava por demais envolvida para não me afetar, meus nervos também estavam tensos, perdidos entre a busca de provas e o amparo a Mulder. Ele demonstrava nas feições, algum colapso iminente mas eu não estava preparada para a resposta que ouvi. __ São os MEUS mortos, Scully, eu devo enterrá-los, é o MEU passado, MINHA vida e eu não vou deixar de procurar as respostas para o que aconteceu com eles, você não precisa me seguir, posso me virar sozinho, sempre foi assim. Não sei porque explodi dessa forma, porque com ela, sabia que estava mentindo, precisava dela desesperadamente, sozinho não chegaria a lugar algum, mas na revolta de que fui tomado, frustrado por sempre chegar um instante após os acontecimentos, queria extravasar a minha raiva e, infelizmente, quando temos alguém muito próximo a nós, eles são os primeiros a se machucarem em nossos acessos de cólera. Somente percebi o que tinha feito quando a vi, a milímetros de distância de mim, os olhos rasos de lágrimas mas brilhando de uma forma intensa que demonstravam o quanto minha atitude a havia magoado e, na verdade, não me surpreendi quando a vi se afastar ligeiramente e senti o baque da mão dela em meu rosto, num golpe tão forte quanto poderia ser o de uma criatura fisicamente pequena e frágil como ela, mas a dor foi intensa porque vinha misturada aos sentimentos envolvidos e às palavras que ela disse em voz tão baixa e segura como só ela poderia ter dito. __ Há sete anos que tomei sua causa como parte da minha vida, uma parte tão grande que me fez perder tanto quanto você, por sete anos tenho estado ao seu lado, simplesmente porque acreditei que poderia fazer diferença em SUA vida, nunca me dediquei assim a ninguém, sofri tanto quanto você, em cada busca frustrada, cada decepção, cada ferimento, cada dor que te causaram, então não me venha dizer, MINHA busca, MINHA vida, MEUS mortos, porque, mesmo que você não queira aceitar, isso faz parte da minha vida também e você sabe, não pode seguir sozinho. Fiquei olhando-a entrar no carro, surpreso e arrependido demais para esboçar qualquer reação, fotografando em minha mente, o semblante triste e magoado da pessoa mais importante da minha vida, enquanto ela se afastava me deixando sozinho como nunca havia me sentido. Queria correr atrás dela, dizer-lhe que sentia muito, que nada do que eu havia feito seria possível se não fosse pela presença marcante, protetora e lúcida dela, que só de pensar em não tê-la ao meu lado fazia meu coração se apertar e minha cabeça doer, que tudo o que fazia sem ela não saía direito, não tinha sentido, que ficaria completamente perdido se ela fosse embora, mas limitei-me a ficar ali, em pé, o rosto ardendo de dor e tristeza, as lágrimas embaçando minha visão e simplesmente murmurando um pedido de desculpa tão baixo que somente minha solidão pôde escutar. Cheguei ao hotel, após uma maratona para conseguir um táxi que viesse me encontrar e tive que rir da situação, ironicamente sentia-me bem por saber que ela estava lutando tanto para ficar ao meu lado, que reivindicava isto como um direito, após tantas decepções, saber que ela queria estar comigo aquecia meus pensamentos ternamente, como um bálsamo sobre uma ferida. Agora eu estava realmente bem, em paz, sepultara meu passado e conseguia enxergar algum futuro, com ela, sorri ao descer do carro após, o que pareceu a mim, uma eternidade. __ Está vendo, Scully ? __ pensei __ Mal consigo me locomover sem você. Havia uma pequena luminosidade vinda do quarto dela e eu parei, inseguro, sem saber se deveria tentar conversar com ela ou esperar até o dia seguinte quando a raiva dela houvesse passado e ela guardasse novamente os seus sentimentos num lugar seguro onde não pudessem mais magoá-la e me olhasse segura e terna como se nada tivesse acontecido, mais uma vez me desculpando sem que eu nada fizesse para isso. Mas, desta vez, não parecia justo deixá-la enterrar sua mágoa. Pensei em bater mas sabia que ela não atenderia, experimentei a porta e estava aberta, fui entrando devagar, me acostumando à pouca claridade do ambiente, e me aproximei dela, deitada de bruços na cama, os cabelos espalhados no travesseiro, as mãos escondendo o rosto e, de repente, ouvi um soluço que me cortou o coração e fez ver o quanto eu havia sido cruel. Toquei-lhe o cabelo, sentando-me na cama e ela virou-se surpresa. __ O que faz aqui ? ! Sua voz estava ríspida enquanto se sentava e tentava inutilmente secar as lágrimas que teimavam em cair. __ Me perdoe __ disse muito baixo __ escute, sem você nada faz sentido pra mim, Scully, eu sei que você perdeu muito mais do que eu por escolher ficar ao meu lado e é disso que eu tenho medo, de fazer você continuar sendo prejudicada, de te ver sofrer, mas... infelizmente para você, eu não consigo me afastar, sua presença já faz parte de mim, você é parte de mim, a melhor parte__ fiquei feliz de vê-la esboçar um sorriso, a crise havia passado__ não queria te magoar, mesmo antes de tudo o que aconteceu, você era tudo o que eu tinha , só podia contar com você e, teria abandonado tudo, se não fosse por você. Por favor... não vá embora... não sem mim__ passei a mão pelo rosto dela, contendo as lágrimas que ainda caiam, acariciando-lhe o cabelo despenteado encontrando seus olhos __ Então essa é a Scully passional ? Não queria ter sido eu a despertá-la, sinto muito, mas gostei de saber o que você sente, que quer estar comigo, fazer parte das minhas loucas cruzadas, fico feliz em ver que sente o mesmo que eu, apesar do inchaço no meu rosto que pode comprometer seriamente minha bela aparência. VOCÊ ME BATEU, SCULLY!!! Não é porque eu estou completamente em suas mãos que pode abusar assim de mim__ fingi um olhar carente e indignado, deliciado por ver que ela mudava a atitude hostil de alguns minutos. __ Ah Mulder !!! Desculpe, desculpe__ agora era ela a se mostrar arrependida, fitando-me preocupada, tocando o local onde sua mão havia acertado __ Deixa eu cuidar disso. Ela levantou-se rápida e prestativa, esquecendo-se totalmente do que originara a briga para, tão somente, cuidar daquele belo rosto que demonstrava apenas um leve rubor pelo golpe que ela aplicara. Toda a mágoa desaparecera ante àquele olhar doce, meigo e sincero que a fitava, que se entregava passivo e confiante aos seus cuidados. Sorriu ao fitá-lo recostado nos travesseiros, esperando calmamente que ela voltasse, acompanhando cada um de seus movimentos com um sorriso nos lábios. Sentou- se ao lado dele, com uma bolsa de gelo improvisada. __ Desculpe, Mulder, não queria machucá-lo é que... __ nossos olhos se encontraram e pude ver que ele se divertia com a situação, voltara a ser meu garotinho crescido e abandonado em minhas mãos, com um sorriso infantil nos lábios___ Bobo! Bem...você mereceu. Não sou assim, sou uma pessoa calma, equilibrada, racional. Sabe, Mulder ? Você tira o pior de mim, acho que sente um prazer mórbido em me tirar do sério. __ Sabe o que realmente me daria prazer, Scully ? Fitei-o com olhar divertido, imaginando que o que lhe daria prazer seria retribuir o golpe, não...talvez não, talvez preferisse me enlouquecer de alguma outra forma, com alguma teoria bizarra, uma viagem maluca, uma atitude estranha. __ O que lhe daria prazer, Mulder ? __ perguntei inocente. __ Isto . E sem esperar e antes que ela pudesse esboçar qualquer reação, ela a tomou nos braços e depositou sobre seus lábios um beijo, a principio terno e vacilante mas que, devido à reciprocidade dela, foi se tornando cada vez mais ardente e profundo, deixando para trás qualquer sombra de dúvida de que eles realmente haviam se reconciliado. FIM