Cativeiro Autora: Cris E-mail: covarrubias@uol.com.br Disclaimer: Spoilers: Nenhum Categoria: MSR, ScullyAngst, MulderAngst SEDE DO FBI Já se passava das 10hs da manhã e nem sinal dele. Scully, cansada de esperar pelo parceiro, estava reclinada sobre a cadeira, sonolenta, quase adormecida. Por que demorava tanto? Onde estaria Mulder? Por um momento, ela pensou tê-lo visto entrando, sorridente, e quase que num delírio, saltou da cadeira em que se encontrava tão bem acomodada, pondo-se em pé em frente à porta, com o coração acelerado. Apenas sonho. Mulder não estava ali. Sentou-se, então, novamente, e continuou a pensar, e sentir todas as emoções que seus próprios pensamentos lhe causavam, até que finalmente seu parceiro apontou na porta, não sorridente como ela gostaria. _ Mulder, onde esteve? _ Se eu disser que meu colchão d'água furou novamente você acredita? _ Não... _ Então, não vou dizer... _ Afinal, o que queria me mostrar? Estou há horas te esperando! _ Aguarde um momento... Nesse momento, Mulder abriu uma gaveta, tirando de dentro uma pasta de arquivo. _ Dê uma olhada nisso, Scully. _ De que se trata? _ Os moradores dessa região - disse Mulder apontando no mapa - denunciaram recentemente a realização de atividades ilegais nas proximidades. _ Que tipo de atividade ilegal? _ Contrabando de armas, drogas e coisas do tipo. _ Mulder, você está bem? _ Ótimo, por quê? _ Está tentando me dizer que participaremos da investigação de um caso sem nenhum fenômeno sobrenatural, anormal, paranormal, homenzinhos verdes, cinzas, nada disso? Não posso crer... _ Posso terminar? _ Por favor... _ A denúncia oficial dos moradores dessa região é essa, mas existem rumores de que a atividade que seja de fato realizada seja de outro tipo, um tipo "extra- oficial"... _ De que está falando? _ Eu, particularmente, acredito que se tratem de artefatos para construção de naves baseadas em tecnologia alienígena sob o comando do próprio governo, que escolheu essa região por ser pouco habitada, e que adotou por política ignorar as denúncias dos moradores. _ Uuuhhhh!!!! _ Tá, eu sei que você não acredita em nada disso, você nunca acredita em mim... _ Não é verdade, Mulder, eu sempre acredito em você, eu apenas acho conveniente comprovar as suas teorias cientificamente... _ Gracinha... "Gracinha? Será que ele me acha mesmo uma gracinha?", pensava Scully quase em voz alta quando foi bruscamente interrompida: _ Em que está pensando? De repente parece que você saiu do corpo por alguns segundos... _ Lá vem você de novo... _ Partiremos esta tarde. _ Fazer o quê, né? _ Aposto que você está tão interessada nesse caso quanto eu! "Não, querido, não estou interessada no caso, estou interessada em você, eu passei a fazer parte de toda essa loucura apenas por você..." _ Scully!!! Estou falando com você! Onde você está com a cabeça hoje? "Estou com a cabeça em você, sempre em você..." _ Scully!!!! Falei com você! _ Desculpe, Mulder, estou um tanto distraída hoje... E realmente ela tinha razão, estava um tanto distraída naquela manhã, de tal forma, que ficava evidente ao seu parceiro que seus pensamentos voavam longe... Ou extremamente perto! A verdade era que ela não conseguia tirar Mulder da sua cabeça por um só segundo, mas isso não acontecia somente naquela manhã, isso acontecia já há muito tempo, há muitos anos, mas quanto mais o tempo passava, menos ela conseguia guardar seus sentimentos, cada vez mais ela acabava deixando transparecer não somente a ele, mas a todos os que estivessem a sua volta, o seu lado frágil, seu lado feminino mais profundo, todos os seus sentimentos e angústias. Certamente ela acompanharia Mulder em mais essa viagem, mesmo sem concordar novamente com suas teorias. Mais uma vez ela partiria em busca da cruzada da vida de Mulder, que passara a ser a sua própria, na qual ela foi capaz de se envolver de corpo e alma, pondo em risco a vida em troca da verdade de seu parceiro. Não que a verdade não lhe fosse importante, sendo ela uma mulher aparentemente fria e racional, a verdade é a base de sua vida. Mas sua personalidade não era exatamente essa. O que ela escondia dentro de si era exatamente o contrário. Dentro de seu coração existia uma mulher doce e emotiva, tão sensível a ponto de abrir mão da própria vida particular, de sua convivência social, enfim, do que ela costumava chamar de vida normal para sair ao encontro de uma luta que parecia ser eterna, uma busca que ela agora adotava para si mesma, a verdade que Mulder tanto queria, e que agora, ela desejava tanto quanto ele. Dentro de si ela guardava uma mulher capaz de amar tanto, a ponto de renunciar a vida que sempre havia sonhado para seguir a vida do homem que tanto amava. Agora era só isso o que importava para ela, viver lado a lado a vida de Mulder, mesmo que a situação entre eles se mantivesse da maneira que estava para sempre, ela não desistiria. O que realmente Scully mais buscava, antes mesmo do que a própria verdade, era a felicidade de Mulder, mesmo que ela não estivesse incluída. Ela o amava tanto, que seria capaz de renunciar a ele se preciso fosse para que ele tivesse a felicidade de fato. Mas, por enquanto, isso não era necessário. Então ela o seguiria, mostrando-se forte e corajosa, para apoiá-lo e amá-lo em todos os momentos, mesmo sem ter certeza se ele a amava também... Porque para ela, a vida de Mulder era tão ou mais importante do que a sua... ------------------------------------------------------------- ----------------- --------------------------------------------- _ Mulder, não aguento mais!!! - desabafou Scully num longo suspiro. _ O que foi? O que aconteceu? _ Estou cansada, estamos rodando há horas e nada de encontrar esse tal galpão! Quer saber, estou ficando irritada! _ Come algumas sementes de girassol e logo vai se sentir melhor. _ Você sempre vem com gracinhas nas horas mais impróprias! _ Fica calma, eu sei que quando chegarmos lá você vai mudar de idéia... _ Gostaria de ter esse otimismo, Mulder, mas essa situação está me deixando muito impaciente... _ Deve ser ali! - disse Mulder firmemente no exato momento em que Scully iria propor para desistirem de procurar o tal lugar. Pararam o carro e desceram os dois, com as armas em punho. O lugar era deserto, e podia se notar um clima suspeito. Era um velho galpão de madeira, enorme. Era uma localização um tanto estranha para esse tipo de estabelecimento, parecia mais um seleiro ou outro tipo de lugar ligado a zona rural, e se o lugar não fosse tão deserto, certamente teria chamado atenção muito antes. A porta estava destrancada, e parecia haver pouca luz lá dentro. Os dois adentraram, um após o outro, vagarosamente, tentando não fazer barulho. Dois homens de pé em frente a alguns caixotes pareciam discutir. Scully aproximou- se por trás das caixas para tentar ouvir sobre o que falavam. Mas de repente, um dos homens virou em sua direção, gritando: _ Quem está aí? Scully se aproveitou da penumbra para andar por trás dos caixotes, e ainda pôde sentir seu casaco enroscar em alguma coisa. Procurou ansiosa por Mulder antes de sair, quando sentiu alguém puxar seu braço, reagindo num pulo de pavor: _ Vem... Era Mulder, guiando-a pela escuridão. Finalmente saíram. Entraram no carro e dispararam na direção contrária. Os homens ainda tentaram alcançá-los, correndo atrás do carro, mas sem sucesso. ------------------------------------------------------------- ----------------- --------------------------------------------- SEDE DO FBI _ Recuperada da nossa aventura? _ Aquilo foi uma loucura, invadir um lugar ao qual não tínhamos direito, sem uma ordem judicial, não sei onde eu estava com a cabeça para te seguir... "Em você, claro'' _ Mas, afinal, você conseguiu ouvir o que falavam? _ Não muito, apenas o que pude entender era sobre uma entrega, mas não mencionaram mais nada além dessa vaga pista. E você, onde esteve o tempo todo? Quase fui pega pelos homens... Onde estava? _ Enquanto você tentava ouvir alguma coisa, eu abri uma das caixas para verificar o conteúdo. _ E o que encontrou? _ Nada do que esperávamos, eram armas ilegais, só isso. _ Esperávamos? Não era nada do que você esperava, eu não esperava muito mais do que isso. O que faremos com relação ao caso? _ Conversei com o Diretor Assistente Skinner e ele já organizou uma busca e ordem de prisão a toda quadrilha, ele nos tirou do caso. _ E por que ele nos tirou do caso? _ Eu sugeri, já que esse não era um Arquivo X. "Uma das poucas oportunidades que temos de nos envolver em um caso mais normal e ele sugere ao Skinner para nos tirar do caso!" _ Vai dizer que você não prefere os nossos Arquivos X? Mesmo que você negue, eu tenho certeza que no fundo você gostaria de acreditar nos homenzinhos cinzas tanto quanto eu. _ É, mas querer acreditar não me basta, temos que analisar racionalmente, eu preciso de provas científicas da existência de alguma forma de vida em outros planetas para a partir daí passar a acreditar que homenzinhos cinzas possam existir de fato. _ Não sei como pode ser tão racional. Estou indo pra casa, quer uma carona? _ Vamos lá... ------------------------------------------------------------- --------------- Enquanto Mulder dirigia, Scully ficava observando suas mãos no volante, mergulhada em seus pensamentos... Na verdade, a vontade que ela sentia naquele momento era de falar para ele parar o carro e de expressar todos os seus sentimentos, sem esperar mais nenhum momento. Mas lhe faltava coragem suficiente. Não que ela não fosse corajosa, era, era uma lutadora, mas diante de tudo que Mulder significava para ela, não existiam nem palavras para expressar tanto sentimento. Ela preferia deixar transparecer em seu olhar, vivendo a frágil esperança de que um dia ele notasse seus sentimentos e fizesse o que ela não tinha conseguido ainda. _ Chegamos! _ Já? _ Por que já? Corri muito? _ Não, quer dizer, acho que sim. Estou com sono, Mulder. _ Estou vendo, parece que está toda perdida. _ Boa noite! _ Boa noite, Scully! Ela entrou mais uma vez em seu apartamento tão solitário, seria mais uma noite de solidão, de pensamentos infinitos, de sonhos, sonhos com o homem que ela amava, seria mais uma noite que ela iria passar sonhando com a noite em que Mulder estaria sonhando ao seu lado. ------------------------------------------------------------- --------------- APARTAMENTO DE MULDER Ele abriu a porta, acendeu a luz, e logo foi se jogando no sofá. Seria ali mesmo que ele teria que passar o que restava da noite, já que seu quarto havia sofrido uma nova inundação na noite passada. Ligou a televisão, pegou suas sementes de girassol. Desligou a televisão. A verdade era que ele não conseguia se concentrar. Em nada. Nem mesmo o noticiário seria capaz de assistir. Seus pensamentos fluíam confusos em sua mente, sem que ele conseguisse direcioná-los. Parece que o rumo de suas idéias não lhe perteciam. E não mais lhe pertenciam mesmo, elas possuíam um endereço certo: Scully. Ele não conseguia mais tirá-la da cabeça de forma alguma, mal acabara de chegar em casa e já estava ansioso para que chegasse o dia seguinte para que pudesse encontrá-la. Mas precisava se controlar. Resolveu tomar um banho. Finalmente, Mulder deitou-se no sofá, disposto a ter algumas tranqüilas horas de sono. Mas seus pensamentos não o deixavam dormir. Fechava os olhos e não parava de ver Scully, seus olhos azuis iluminados, intensos, seus cabelos ruivos, sua pele clara, macia, suas mãos, sua boca... Não conseguia parar de ver Scully em tudo o que olhava. No começo ele acreditava que fosse pura atração física, afinal, aquela agente séria e racional tinha rosto e formas perfeitas, capazes de despertar paixões por onde passassem. Mas ele não era de se render a paixões. Ultimamente Mulder havia se fechado tanto dentro de si mesmo, que há algum tempo já não sabia o que era amor. Até que apareceu Scully. Mas ele não achou que seus sentimentos fossem crescer dessa maneira. Ele acreditava que com o tempo, com a convivência, o encanto da sua beleza se tornaria tão comum aos olhos dele, que a atração passaria. Mas as coisas não aconteceram dessa forma. A convivência apenas fez com que eles se unissem cada vez mais, com que se tornassem cada vez mais amigos e com que Mulder descobrisse que por trás da profissional séria e racional que Scully demonstra, existe uma mulher sensível e doce, com tantas qualidades, que fez com que ele ficasse cada vez mais perdido na imensidão do que agora ele sentia por ela. Hoje, ele tinha certeza de que era amor o que ele sentia por aquela mulher fantástica. Porém, as dúvidas atormentavam seus sentimentos. O que Scully sentiria por ele? Ela sempre se mostrava tão paciente e carinhosa com o parceiro, a ponto de atravessar perdas e crises pessoais terríveis, não apenas dela mesma, mas dele também, enfrentando tudo ao seu lado, sem deixar que isso ou mesmo as diferenças de personalidade entre eles os afastasse de alguma maneira. O que parecia é que mesmo as diferenças conspiravam a favor deles. As atitudes dela o faziam pensar que ela sentia os fatos da mesma forma que ele, às vezes ela agia como se concordasse com ele no fato de que eles se completavam totalmente. Mas o que realmente se passaria no coração de Scully? Ele não era muito de tomar atitudes, afinal, sempre se envolveu com mulheres de iniciativa e que tomavam as atitudes por ele. Seria Scully esse tipo de mulher? Ela parece tão forte e tão certa de seus objetivos, se o correspondesse já não teria tomado uma atitude? Mas, ao mesmo tempo, ela parece tão frágil... A dúvida o atormentava tanto, que as horas iam sendo engolidas por seus pensamentos, sem que ao menos ele percebesse... ------------------------------------------------------------- ----------------- --------------------------------------------- APARTAMENTO DE SCULLY Ela acabava de sair de um longo banho. Pronta para descansar de mais um dia. Pronta para sonhar com Mulder. Apagou as luzes, deixando apenas um abajur aceso e deitou-se finalmente. Quando estava quase adormecendo, lembrou-se repentinamente de que havia deixado sua arma no casaco, e ela tinha o costume de guardá-la numa gaveta ao seu lado enquanto dormia. Era uma prevenção, uma segurança a mais. Levantou-se e foi até a sala onde havia deixado o casaco. Abriu e pegou a arma, aliviada. Procurou por sua credencial também, mas não conseguia encontrar. Revirou o casaco e seus bolsos diversas vezes, sem sucesso. Começou a ficar preocupada. Tanto, que ligou para Mulder. _ Mulder... - atendeu sonolento _ Mulder, sou eu. _ Scully, o que aconteceu? _ Mulder, não encontro minha credencial. Ficou com você? _ Comigo? Não. Já procurou bem? _ Já. Pôde-se ouvir nesse momento, nitidamente, três batidas na porta. _ Scully, que barulho foi esse? _ Estão batendo na porta. _ Que horas são? _ Mais de duas da manhã. _ É meio cedo pra uma visitinha... _ Pára de piadas agora, Mulder! _ Está com sua arma pelo menos? _ Mulder... _ O que está acontecendo, diga... _ Acho que foram embora, não bateram mais. Eu vou dormir, então... _ Boa noite, Scully! E lembre-se: não abra a porta para estranhos... _ Que conselho, Mulder! Já sou bem grandinha... Boa noite! _ Espere! _ Diga, o que foi? _ Nada, amanhã eu falo... _ Que suspense, fale logo o que queria dizer... _ Não, é melhor amanhã... Se cuida! Boa noite! _ Boa noite, Mulder! Ela desligou o telefone, e ainda pensando em Mulder, dirigiu- se de volta ao seu quarto, disposta a finalmente repousar o cansaço daquele dia. Mas, de repente, as luzes se apagaram e a porta se rompeu num estrondo, e tudo o que a penumbra lhe permitiu ver foi um vulto, e de repente sentiu aquela forte dor de cabeça, perdendo completamente os sentidos... ------------------------------------------------------------- --------------- APARTAMENTO DE MULDER Mulder estava inquieto. Virava-se de um lado para o outro e não conseguia sequer fechar os olhos. O telefonema de Scully havia mexido com seus sentimentos. Ele estava pensando tanto nela, e de repente ela liga... A vontade que ele teve foi de revelar todos os seus sentimentos naquela hora, mas achou que assim, pelo telefone, ela não levaria a sério. Não aguentava mais esse impasse. E aquelas batidas na porta, quem seria? Seria outro homem procurando Scully? Afinal, ela tinha todo o direito de ter sua própria vida particular independente do FBI e dos Arquivos X. Mas, não, ela não tinha tempo para ter outros relacionamentos. Ou tinha? Afinal, quem a procuraria naquele horário? Ou ela estaria correndo perigo? Não, Scully sabe se defender como ninguém. Mas mesmo assim, ela não deixava de ser frágil, pelo menos aos olhos dele, às vezes ele gostava de vê-la como uma mulher comum, indefesa, e ele sabia que ela realmente era assim em alguns momentos. Não podia mais conter a vontade que estava sentindo de estar ao lado dela, de tocá- la, poder abraçá- la, senti-la, amá-la... Não podia e não se conteve mais: levantou-se imediatamente, disposto a encontrar a mulher de sua vida e lhe revelar todo seu amor, sem ter que esperar mais um segundo... ------------------------------------------------------------- --------------- APARTAMENTO DE SCULLY Finalmente chegava ao apartamento de Scully, trêmulo e ansioso, na verdade estava se sentindo como um garotinho, nem parecia ser o homem formado que era, que já havia enfrentado tantas coisas. Era engraçada a capacidade que ele tinha de enfrentar conspirações, OVNIs, extraterrestres e todos os tipos de seres, e o estado em que estava agora, o estado em que se encontrava para falar com a mulher que amava. Mas ele não pensava em desistir, custou tanto a decidir por essa atitude de finalmente revelar seu amor por Scully, que agora, que estava lá, diante do prédio em que ela morava, não voltaria atrás. Logo pôde notar que o prédio em que ela morava estava sem energia elétrica. "Hã, essa companhia de luz é de uma ineficiência... Bem, pelo menos vai ser mais romântico...". Ele estava mergulhado em seus pensamentos, sem ao menos perceber, que mal podia se equilibrar sobre suas próprias pernas, de tão trêmulas que elas estavam. Quando Mulder finalmente chegou ao apartamento de Scully, ficou atordoado ao ver que a porta estava aberta. Entrou, com sua lanterna em punho, e verificou que o local estava totalmente revirado, todos os móveis, gavetas, todas as coisas de Scully estava espalhadas pelo chão. Ele ficou transtornado, e começou a gritar por Scully desesperadamente. Até que, arrasado, sentou-se no chão, sem saber o que fazer. Nesse momento a luz voltou, e ele pôde vasculhar detalhadamente cada canto do apartamento, e apenas o que conseguiu colher foram fios de cabelo e gotas de sangue, não mais do que isso. Ligou para o FBI e depois voltou para o seu apartamento, completamente desnorteado, sem saber o que fazer... ------------------------------------------------------------- --------------- SEDE DO FBI Já faziam horas que ele estava lá, recostado àquela poltrona, era como se Scully fosse chegar a qualquer momento... Ele não sabia o que fazer, não tinha por onde começar a procurar, não tinha uma pista certa. Acabavam de chegar os resultados do laboratório, dos fios de cabelo e sangue encontrados no apartamento de Scully, e ficou comprovado que tanto um quanto outro eram da própria Dana. Ele estava completamente perdido, e desolado... Ele ficou lá sentado por mais horas e horas... Achava a vida injusta, exatamente no momento em que resolveu contar para Scully todo o amor que sentia, acontece isso, Scully some e ele não sabe nem por onde começar a procurar. Mesmo que fosse para jamais tê-la em seus braços, ele a queria bem, ele a queria viva e de preferência diante de seus olhos. Ele estava deixando o desespero tomar conta de si mesmo. Foi procurar Skinner, mas ele também não havia tido notícias de Scully. ------------------------------------------------------------- --------------- UMA SEMANA DEPOIS... Todas as manhãs, Mulder ia para o FBI como se estivesse trabalhando normalmente, mas não estava. Skinner havia lhe dado folga até que Scully fosse encontrada, ou pelo menos, enquanto ela não fosse encontrada, porque Mulder mal conseguia trabalhar direito. Até agora, os responsáveis pelo sumiço de Scully não haviam feito nenhum contato. Mulder já havia voltado várias vezes àquele galpão onde tinham ido uma noite antes, pois acreditava que tudo estava ligado. Porém não encontrou nada, no dia seguinte quando voltou a primeira vez, todos os caixotes haviam desaparecido junto com todas as evidências de qualquer tipo de movimentação que pudesse ter acontecido ali nos últimos tempos. Mulder não aguentava mais a tristeza, então resolveu fazer uma visita a sua mãe. Ao chegar em casa, foi recebido por sua mãe com um forte abraço, não conseguindo conter as lágrimas que vinham aos seus olhos. _ Eu a perdi, eu a perdi... _ Calma, meu filho, o que aconteceu? Fox, fale comigo... Ele, não conseguindo contar, se deixou abraçar e chorou em seu colo como um garotinho. Havia se passado tão pouco tempo, e ele não parecia nem sombra do homem que já havia sido... ------------------------------------------------------------- --------------- CATIVEIRO DE SCULLY Parecia que o tempo havia parado. Ela já não tinha mais noção se era dia ou noite, e nem sabia quanto tempo havia se passado desde que estava ali. Ela até tinha boas condições de sobrevivência, estava agora em um lugar que se parecia com uma casa, em um cômodo escuro, e ficava amordaçada o tempo todo. Uma vez por dia ela era conduzida para outro cômodo da casa, onde podia se banhar, e lhe eram oferecidas roupas limpas por uma mulher de meia idade, cabelos grisalhos, estatura média. Depois lhe ofereciam uma refeição, apenas uma por dia, que na maioria das vezes era constituída por frutas ou pão. No começo ela resistia aos cuidados que lhe eram oferecidos, e buscava todas as vezes que saia do quarto escuro, uma forma de fugir daquele lugar. Mas conforme os dias foram passando, ela foi perdendo as forças e as esperanças de sair de lá. Além disso, a fome foi tomando conta de seu corpo, e ela não mais poderia resistir. Estava muito fraca, e possivelmente anêmica, e sabia disso. Por isso, resolveu não resistir mais. Aparentemente ela estava até sendo bem tratada, tendo em vista que estava em poder de seqüestradores. Mas, então, começaram os maus tratos. Ela tinha os braços e o corpo cobertos de hematomas, marcas das violências que vinha sofrendo. Aqueles homens mascarados eram capazes dos atos mais terríveis, e se, de alguma forma, ela conseguiu se defender um pouco, foi por ser a mulher forte e resistente que era. Mas, mesmo assim, estava abalada. Estava profundamente abalada não apenas pelas fortes pancadas que recebia, mas principalmente pelas ameaças que lhe eram feitas. Um daqueles homens havia se encantado com a beleza de Scully, que se mantinha, mesmo em tais condições, e freqüentemente a ameaçava, dizendo que ainda a teria em seus braços. Ela havia tido sorte até ali, mas todas as vezes que um daqueles homens entrava naquele cômodo escuro, ela não sabia o que poderia acontecer. Estava muito fragilizada com a situação, e até pouco tempo não havia compreendido o por quê de tudo isso, por que aquelas pessoas a estavam submetendo a tais condições. Mas, há pouco tempo ela pôde ouvir alguns comentários daqueles homens e conseguiu reconhecer uma voz... Era a mesma voz que ela ouvira no galpão naquele dia, quando foi com Mulder para investigar os contrabandistas. Ela já nem conseguia ouvir bem, tamanho era seu desgaste físico e emocional. Não conseguia nem mais arquitetar suas idéias de forma clara. Pensava em Mulder... Como ela o queria do seu lado nesse momento, o quanto ela estava precisando dele agora, mais do que nunca. Ela tinha certeza de que ele estava atrás da sua pista, mas acreditava que seria quase impossível resgatá-la, estava quase sem esperanças de voltar a ver o amor de sua vida. E também não podia parar de pensar nos riscos que ele estava correndo também, apesar de estar tão vulnerável, ela ainda se preocupava com Mulder. Mas nada poderia fazer naquela situação... Ainda se esforçou e identificou que os homens falavam sobre as armas, e sobre uma tal encomenda que tivera que ser cancelada. _ E a mulher? _ Está sob controle. _ Quem é ela exatamente? _ É agente do FBI, encontramos sua credencial perdida lá no antigo galpão. Achamos que ela esteve por lá bisbilhotando... _ E como chegaram até ela? _ Conversamos com o chefe, ele tem contatos no Pentágono, fez com que chegássemos até ela e conduziu todo o plano de maneira que a tivéssemos em nosso poder. Parece que já há algum tempo o chefe tinha idéia de acabar com ela, para intimidar as ações de seu parceiro. _ O que vão fazer com ela? _ Vamos acabar com ela... _ Deixe então que eu faça isso... Terei o maior prazer em acabar com ela ao meu modo... _ Não temos tempo para gracinhas agora, depois nos dedicamos a esse assunto... ------------------------------------------------------------- --------------- CATIVEIRO DE SCULLY DUAS SEMANAS DEPOIS... _ Vamos nos reunir com o chefe para cuidar do assunto da entrega... _ A refém vai ficar sozinha? _ Não, um dos nossos homens vai ficar aqui com ela. _ Por que não a matamos de uma vez? _ O chefe disse que por enquanto não quer que façamos isso... ------------------------------------------------------------- --------------- SEDE DO FBI Mulder estava lá mais uma vez... Outra vez sentado naquela poltrona, esperando que Scully entrasse sorrindo e dissesse que tudo foi uma brincadeira. Mas isso jamais acontecia, e se tornava impossível evitar o desespero que ele estava sentindo. Era desesperador pensar que existia a possibilidade de que ele não visse Scully nunca mais. Depois de tantos anos de convivência, tantos anos de amor, tantos anos de luta juntos um em favor do outro, um para o outro, as chances de revê-la estavam se tornando remotas. A única conclusão que lhe restava era de que a vida é muito curta, e muito frágil, e que ele poderia ter perdido o que era a última chance de dizer a Scully o que ele sentia por ela, mesmo que ela não o quisesse, mesmo que ela o odiasse por isso (apesar de que ele achava que ela jamais o odiaria por nada), ele precisava dizer, e talvez agora, fosse tarde demais. Mulder estava tão atormentado em seus pensamentos que nem notou a presença de Skinner, que acabara de entrar na sala. Skinner o ficou observando, suas condições atuais, observando o quanto Scully lhe era importante, podia-se notar a derrota em suas feições. Mas a notícia que ele lhe daria talvez mudasse um pouco o que aquele homem estava sentindo. _ Agente Mulder? Num sobressalto, Mulder finalmente percebeu a presença de Skinner: _ Desculpe, senhor, eu estava... _ Tudo bem, agente Mulder. Posso lhe falar um instante? _ Claro. Pode dizer... _ Alguma notícia da agente Scully? _ Não, senhor, nenhuma. _ Pois eu tenho algo para você. _ Algo para mim? De que se trata? _ Através de alguns contatos no Pentágono, consegui descobrir o possível paradeiro da agente Scully. _ Como é que é? - gritou Mulder, pulando instantaneamente da cadeira. _ Parece que o homem dos cigarros é o responsável por isso... _ O Canceroso! Vou matá-lo! _ Não, agente Mulder, não há tempo para isso, Scully corre risco de vida. _ Onde ela está? Onde ela está? _ O possível cativeiro dela fica nesse endereço. - Skinner disse, entregando um papel para Mulder. _ O senhor vem comigo? _ Não posso, agente Mulder, se eu for colocarei minha carreira e minha vida em risco. Eles podem me matar... _ Eles quem? _ O Canceroso e seus homens. Parece que aquele comércio ilegal de armas e outras coisas que aconteciam lá no velho galpão eram negócios dele, e quando vocês foram investigar, ele não gostou muito... _ Não eram apenas armas, senhor, eram artefatos para construção de naves baseadas em tecnologia alienígena! _ De onde tirou isso, agente? Não havia me dito que tinha visto outra coisa lá além de armas... _ E não vi, mas tenho um pressentimento, senhor. _ Desculpe, agente Mulder, mas denúncias não podem ser feitas baseadas em pressentimentos. Vá atrás da agente Scully... Mulder saiu em disparada, deixando Skinner na sala. ------------------------------------------------------------- --------------- CATIVEIRO DE SCULLY Ela gostaria sinceramente de poder saber que dia o calendário marcava, ou pelo menos, que horas seriam. Talvez já fosse noite. Agora, para ela, todos os dias eram noites, já há tanto tempo sem ver ao menos um foco de luz. Estava se sentindo fraca. Seu corpo estava extremamente cansado de se manter na mesma posição, preso pelas cordas, naquele canto da sala. Seus braços doíam. Ela mal podia se mexer. Já faziam muitas horas que não se alimentava, aquela senhora que lhe oferecia os cuidados básicos já não aparecia há algum tempo. Não tinha forças nem ao menos para formular seus pensamentos... Nesse momento Mulder chegou à casa, naquele bairro tão suspeito. Parou o carro do outro lado da rua e ficou observando se havia algum movimento. Nada pôde notar. "Talvez ela não esteja mais aí" pensou apavorado. Respirou fundo para tentar manter a calma e saiu finalmente do carro, arma em punho. Chegou mais perto e resolveu adentrar a casa de uma vez. A porta da frente, de madeira, foi facilmente arrombada por ele, a estrutura da casa parecia ser muito velha. Foi seguindo pelo corredor, e até teve que pegar sua lanterna, tamanha era a escuridão daquele lugar. "Scully tem que estar aqui!" Seguiu em frente e chegou até uma sala, e tudo estava muito bagunçado, quase não havia móveis, havia apenas uma cadeira, uma mesa pequena e um armário. Nesse momento, Mulder sentiu-se esbarrar em alguma coisa, que se espatifou no chão. Era algo de louça, que ao cair fez barulho suficiente para o homem que vigiava Scully perceber que não estava sozinho. Scully moveu-se um pouco, e logo sentiu a presença de seu parceiro "É ele, é Mulder, tenho certeza!", pensava preocupada com o que poderia acontecer. De repente, a porta se abriu e ela apenas sentiu alguém a puxá-la pelo braço. Era um homem de meia idade, barba e bigode, cabelos pretos, estatura média. Ele a levantou pelo braço e a jogou em outro canto do quarto, mais longe da porta. Fitou-a por alguns segundos e disse: _ Ainda não havia notado que você era tão bonita... Assim que eu acabar com o seu amiguinho, vamos nos divertir muito juntos... Ela mais uma vez era ameaçada, mas o que a deixava preocupada era Mulder. Onde estaria? O homem saiu do quarto trancando novamente a porta. Mulder estava perdido entre os cômodos escuros daquele lugar. Era de fato uma casa assustadora. Escondeu-se atrás de uma parede quando sentiu que alguém vinha vindo. O homem passou por ele sem sequer notar que ele estava ali. Queria segui-lo, mas se acendesse sua lanterna, seria sua sentença de morte. Quantos estariam casa além daquele homem? Resolveu sair detrás daquela parede, e finalmente procurar Scully. Dirigia-se pela sala, e ainda pôde ouvir o homem puxar o gatilho atrás dele... Scully ouviu um estrondo, e não conseguiu conter as lágrimas. Seria Mulder quem disparou ou quem levou o tiro? A dúvida a deixava aterrorizada. Tentava em vão desatar os nós que a prendiam com os dedos que tinham alguma mobilidade entre aquelas cordas. De repente, ouviu outro barulho. Outro tiro? Não, o barulho era na porta do quarto, da qual agora ela estava um tanto distante. Outro estrondo e a porta se rompeu... Scully fechou os olhos, o terror tomava conta de seu corpo... Sentiu alguém passar as mãos pelos seus cabelos. Estava apavorada. _ Scully... Scully, sou eu... Ela abriu os olhos aliviada pelo som daquela inconfundível voz. _ Eu vou te soltar, fique calma. - dizia Mulder enquanto desamarrava as cordas e tirava a amordaça de sua boca. _ Mulder! - suspirou aliviada. _ Você está bem? Eles te machucaram? Nesse momento Scully não pôde se conter, e deixou as lágrimas rolarem livres pelo seu rosto. Mulder a tomou em seus braços, e a abraçou carinhoso. E ela se deixou soluçar baixinho, recostada ao peito do homem que tanto amava, envolvida por aqueles braços fortes e acolhedores, que agora a estavam protegendo. _ Calma, Scully, acabou... Está tudo bem... - dizia Mulder, afetuoso. _ Fique comigo, Mulder, fique comigo... _ Eu estou aqui, calma... Ele a abraçou mais forte, como se assim pudesse transmitir mais segurança a ela. Nesse momento percebeu então as cicatrizes, em seus braços e em seu rosto. Eram enormes manchas arroxeadas que marcavam a pele clara de Scully. Sentiu uma imensa dor subir pelo seu corpo, ao pensar quanto ela havia sofrido. Encostou-se em seus cabelos, e começou a acariciá- los com seus lábios, não conseguindo evitar as lágrimas que invadiam seus olhos. Entregou- se então àquele momento, e permitiu a emoção do reencontro tomar conta de si mesmo, ambos dividindo um com o outro o que estavam sentindo... ------------------------------------------------------------- --------------- SEDE DO FBI _ Scully! _ Surpreso? _ O que você está fazendo aqui? Deveria tirar uns dias de folga, depois de tudo o que passou. _ Nada melhor do que o trabalho para me fazer esquecer desse sofrimento. "Nada melhor do que você para me fazer esquecer desse sofrimento". _ Como está se sentindo? _ Um pouco fraca, ainda, mas estou me recuperando. Os hematomas ainda não haviam sumido por completo, e ela ainda não havia recuperado completamente a saúde, estando ainda também muito fragilizada emocionalmente. _ Mulder, estou curiosa... _ Com o quê? _ Me explique uma coisa: como conseguiu acertar aquele homem naquela escuridão? _ Bem, ele tentou me acertar primeiro, mas fui mais rápido e apertei o gatilho antes dele, e por sorte acertei... _ Por sorte? _ É, por pura sorte, estava muito escuro, mal podia vê-lo. "É, Scully, sorte minha que você está aqui de volta." "Sorte minha, Mulder, por ter alguém como você ao meu lado..." ------------------------------------------------------------- --------------- APARTAMENTO DE SCULLY TRÊS DIAS DEPOIS... Ela ainda estava fraca, mas se sentia bem melhor disposta. Sua saúde estava sendo recuperada pouco a pouco, mas interiormente ainda se sentia frágil, e ainda sofria quando se lembrava das ameaças daqueles homens. Ficava apavorada ao pensar que apenas um deles havia sido morto, e que os outros não haviam sido capturados e muito provavelmente nem seriam. De repente, três batidas na porta. Por um momento, se recordou da noite em que foi raptada. Com sua arma em punho, perguntou: _ Quem é? _ Sou eu, Scully. _ Mulder? - perguntou enquanto destrancava a porta. _ Oi! _ O que está fazendo aqui? Não me venha com homenzinhos cinzas, hoje é domingo. _ Nossa, que falta de senso de humor! Ela o convidou para entrar e se acomodaram no sofá da sala. _ Eu estava me lembrando de tudo o que aconteceu... _ Não pense mais nisso, Scully, já acabou... Tente esquecer... - disse Mulder, segurando as mãos de Scully ternamente. _ Oh, Mulder, obrigada por estar ao meu lado... _ Eu sempre estarei ao seu lado... Conversaram por horas. A noite foi caindo e eles nem perceberam. Como já era muito tarde, Mulder se rendeu ao cansaço e acabou adormecendo no sofá mesmo, em frações de segundos, enquanto Scully se distraiu. Ela, percebendo que o parceiro havia adormecido, buscou algo para cobri-lo. E ficou sentada ao lado dele, durante horas, velando seu sono. Mas acabou adormecendo também. Estavam muito próximos. Na manhã seguinte, Mulder acordou com Scully adormecida em seus braços. Ele não sabia explicar como, mas ela estava ali, deitada em seu colo, dormindo feito um anjo. E ele a ficou olhando, encantado. Até que não resistiu, e beijou sua testa, seu queixo, seus cabelos. Então ela abriu os olhos, e os dois ficaram fitando um ao outro por longos segundos. Até que Mulder, com o coração acelerado, a puxou para si, e eles ficaram extremamente próximos um do outro. Seus lábios se tocavam, se acariciavam, estavam sem fôlego, tamanha era a emoção daquele momento. Serraram seus olhos e o beijo finalmente aconteceu, apaixonadamente, enfim podiam sentir o gosto um do outro. E se deixaram envolver totalmente por esse adorável momento. Depois desses mágicos minutos, afastaram-se um pouco, e Mulder pôde ver uma lágrima rolando no rosto da mulher que amava. _ Desculpe, Scully, eu não queria te forçar a nada, sei que você nunca vai poder me amar, mas é que eu te amo tanto que não pude me controlar. Eu fiquei tão abalado também com tudo o que aconteceu, você não sabe o que eu senti, achei que não ia te ver nunca mais... Eu sei que mesmo assim não tinha o direito... podemos evitar que aconteça uma próxima vez, porque na realidade eu não queria te magoar, acho que... _ Mulder... _ ... acho que me precipitei... _ Mulder... Mulder, me ouça... Foi maravilhoso... _ O que você disse? _ Eu disse que foi maravilhoso... _ Sério? _ Foi maravilhoso... porque eu te amo... Tomado pela emoção, ele a trouxe para seus braços sussurrando em seu ouvido: _ Eu também te amo, muito, muito... Então eles se beijaram novamente, longa e intensamente, com toda a força do amor que sentiam um pelo outro. Agora eles estavam mais fortes, mais juntos, inseparáveis, agora eles eram um só... E uniram-se novamente, como se quisessem fundir seus corpos, num abraço eterno...