Nome da autora: Luli E-mail: luli@intime-net.com.br Título: O Castelo Irlandês Classificação: História Categoria: Mistério/ Shipper Sinopse: Mulder e Scully vão investigar um caso de misteriosos desaparecimentos em um castelo medieval na Irlanda. Scully sente que conhece o lugar e o reconhece de sonhos que vem tendo. Teriam eles estado lá em uma vida passada? Obs: Eu não me baseei necessariamente em História Medieval para escrever essa fic então, me desculpem se houver alguma discrepância nesse sentido. Em outras palavras, espero que realmente existam castelos medievais na Irlanda do Sul! Mas, se não houverem, ops...isso é ficção, né gente? Disclaimer: Esses personagens não pertencem a mim. Pertencem à Fox e ao Chris Carter. Eu apenas peguei-os emprestados para divertir os fãs de Arquivo-X, o.k.? Essa fanfic não visa a lucro. O Castelo Irlandês Uma garota ruiva com os cabelos presos em uma longa trança corre por um campo que parece ser o jardim de um castelo. Ela usa um vestido medieval que ergue para poder correr. Fugir. É só o que ela consegue pensar nesse momento. Eles não podem exigir isso dela. Não é justo. E ela continua correndo, a angústia lhe desperta lágrimas incessantes. Ela tem que sair dali... Scully acorda assustada. Há lágrimas em seus olhos. Que sonho estranho! Mas ao mesmo tempo tão real... Olha no relógio: são 3h54 a.m. Ela fecha os olhos e tenta voltar a dormir. Vinheta de abertura Sede do FBI Washington D.C. 8h30 a.m. Scully chega ao escritório com uma aparência extremamente cansada. Não conseguiu dormir direito por causa do estranho sonho. Ela não sabe o por quê daquele sonho tê-la abalado tanto. Mulder já está lá sentado em sua mesa lendo algo. _Bom dia Scully! Vc está bem? Parece abatida. _ Não dormi bem esta noite. Mas estou bem, não se preocupe. Só um pouco cansada.O que está lendo? _ Bem, parece que teremos um caso e tanto pela frente. Preparada para uma viagem de volta às origens, Scully? Estamos partindo para a Irlanda! _ Irlanda??? _ É, pessoas estão desaparecendo em um pequeno vilarejo da Irlanda do Sul e o governo deles pediu a ajuda do FBI já que a polícia local não conseguiu descobrir o que houve. E também devido as características estranhas desse caso. _ E quais são as características desse caso, Mulder? _ Bem, 5 pessoas desapareceram sem deixar pistas após irem trabalhar de caseiros em um castelo medieval. Uma após a outra. Simplesmente começavam no emprego num dia e um ou dois dias depois desapareciam.... Estranho, não acha? _ E antes da contratação dessas pessoas? Quem cuidava do castelo? _ Ele estava abandonado pelo dono, Lorde Sthirsen que morava na Inglaterra e nunca visitava esta propriedade. Havia um casal de idosos cuidando do castelo mas, eles foram encontrados mortos em sua casa mais ou menos um mês depois da morte do dono lá em Londres. Os herdeiros, dois sobrinhos do Lorde Sthirsen, contrataram os caseiros . Parece que pretendiam transformar o castelo em um hotel de luxo mas esses desaparecimentos estão sendo um péssimo marketing... _ E quando nós partimos? _ Amanhã de manhã.O Skinner nos deu o resto do dia de folga para podermos arrumar tudo. Passo no seu apartamento às 9h00, tá? _ Tudo bem. XXXXXXXX Apartamento de Scully 10h00p.m. Ela estava sentada em uma cama enorme em um quarto de castelo. Estava chorando. Eles a haviam trazido de volta. Sua tentativa de fuga fora inútil. De repente, uma mulher com um vestido inteiramente preto cuja face demonstra ternura e compaixão entra no quarto. É a sua mãe. _ Katherine, querida. Por que fugiu desse modo, minha filha? _ Eu não posso aceitar isso, mamãe. Eu nem conheço esse homem. _ Eu também não conhecia seu pai quando me casei com ele, querida. É assim que as coisas funcionam. Você precisa aprender a aceitar, arcar com as suas obrigações. _ Mas mamãe, ele nem ao menos é irlandês! _ A família dele é muito poderosa em Londres e depois da morte de seu pai as coisas não estão nada fáceis para nós, você sabe... Seu irmão está fazendo o melhor que pode para garantir seu futuro. A mulher beija-lhe o rosto com carinho e sai do aposento, apagando a vela que iluminava o quarto, deixando-a na mais absoluta escuridão... Dana sentou na cama assustada. Mais uma vez aqueles sonhos estranhos...Tão reais! Ela precisava dormir. No dia seguinte teria uma longa viagem pela frente. XXXXXXX Avião Algum lugar sobre o Atlântico Scully observava Mulder, que dormia tranqüilamente em sua poltrona. Sentia uma imensa vontade de abraça-lo e tentar dormir junto a ele mas, seria embaraçoso se ele acordasse e a visse dormindo abraçada nele...O que ele pensaria dela? Ela ficou observando as nuvens por fora da janelinha, pensava nos sonhos. Começara a tê-los há uma semana todas as noites. No início eram apenas flashs sem sentido, imagens desconexas, mas agora estavam se tornando estremamente reais, como uma lembrança. Isso a estava assustando. Talvez falasse com Mulder quando surgisse um momento propício...Mas não agora. Ela tinha esperanças que com essa viagem, mudando de ambiente esses sonhos parariam. _ Ei, no que está pensando? _ Ãh??? _ Nossa, você estava realmente distraída...O que foi? _ Estava pensando em como será bom voltar... _ Como assim? _ Voltar à Irlanda... _ Você já esteve lá então, Scully! Por que não me contou? _ Você não perguntou..._ disse ela com um leve sorriso_Eu passei as férias lá algumas vezes, na casa da minha avó irlandesa quando era criança. Depois ela morreu e eu nunca voltei. A última vez que estive lá foi para o enterro dela. _ E o seu avô? _ Ele morreu antes mesmo do Bill nascer. Nenhum de nós conheceu ele. Mas o meu pai sempre me contava histórias de sua infância na Irlanda e do meu avô... _ E em que parte da Irlanda a sua vó morava? _ Na Irlanda do Sul, mas um tanto longe do local onde vamos estar... XXXXXXXXXX Irlanda do Sul 3 horas depois No caminho que leva ao vilarejo do Castelo Scully finalmente havia conseguido dormir no carro. De repente sentiu uma freada súbita que a fez acordar. _ O que foi, Mulder? Por que parou? _ Scully, a sinalização daqui é a mais confusa que já vi... No mapa está mostrando que temos que continuar reto. Só que não há estrada nenhuma aqui na frente! Só este trevo e... _ Pegue à direita, Mulder. _ Como você sabe? _ Ãh... Eu não sei. É uma sensação estranha. Eu simplesmente sei... _ Tem certeza de que nunca esteve aqui na infância? Você sabe, algumas vezes guardamos no subconsciente memórias muito remotas de coisas que hoje nem saberíamos que... _ Tenho certeza que nunca estive aqui. Olha, eu não sei como mas eu sei o caminho até lá, Mulder! _ disse Scully olhando com atenção para toda a paisagem fora do carro. Ele ligou o carro e entrou à direita. Em pouco mais de meia hora eles adentravam no vilarejo do castelo graças as instruções extremamente precisas de uma intrigada Scully. XXXXXXXXXXX Estalagem do vilarejo 4h15 p.m. O advogado dos herdeiros do castelo veio recebê-los. Era um inglês de sotaque extremamente carregado, baixo e de cabelos muito grisalhos. _ Muito prazer, eu sou Paul Jess, advogado dos donos desse castelo. Eles pediram para lhes dizer que estão muito agradecidos por vocês terem vindo e que sentem muito não terem podido recebê-los pessoalmente. Eles estão numa reunião em Amsterdã . Sabem como é, negócios.... Os agentes esboçaram um sorriso. Os três sentaram-se a uma mesa no pequeno restaurante do local e pediram algo para comer. _ Senhor Jess, poderia nos contar algo sobre o castelo? _ disse Scully. _ Claro. Esse Castelo é datado do período medieval e pertenceu por séculos a uma família muito influente por aqui que acabou obrigada a vendê-lo devido a uma crise . O bisavô do meu antigo patrão, Lorde Sthirsen , o comprou num leilão e desde esse dia ele está na família Sthirsen. _ O que o senhor sabe sobre a família que era dona do Castelo? _ Foi a vez de Mulder perguntar. _ Bem, eu só sei que eles deixaram a Irlanda há muito tempo . Parece que a família foi se espalhando por aí afora e nunca mais se teve notícias deles por aqui... Mas há uma pessoa que poderá ajudá-los. A família dela trabalhou no Castelo desde o período medieval até a venda. Sabem né? Esses empregos que vão passando de pai para filhos ... Como eu ia dizendo, a senhora Wherlach conhece muito bem as lendas daquele lugar. Ela se formou historiadora e tudo o que ela faz na vida é estudar a história da propriedade. _ E onde poderemos encontrá-la? _ Não querem se acomodar aqui na estalagem antes? Eu mesmo reservei dois dos melhores quartos para vocês... Mulder olhou para Scully e, antes que ela pudesse dizer alguma coisa, falou: _ Na verdade, senhor Jess, pensamos na possibilidade de nos hospedarmos no castelo. Facilitaria muito o fato de não precisarmos nos deslocar até lá todos os dias para investigar... _ Olha senhor Mulder, eu realmente não acho uma boa idéia... O desaparecimento de cinco pessoas já é ruim demais para os negócios dos meus patrões, se sumirem dois agentes do FBI agora, será um desastre... _ Senhor Jess, tenha certeza de que ficaremos bem, somos treinados e estamos armados, lembra-se? Além disso, agilizaria as coisas..._insistiu Mulder. _ Bem, se é assim... Acho que podemos dar um jeito... Mas essa noite vocês ficam aqui, certo? Está tarde para vocês conhecerem o Castelo e além disso devem estar cansados da viagem... Dessa vez Scully foi mais rápida: _ É sim, amanhã pela manhã iremos falar com essa senhora e logo após iremos ao Castelo, tudo bem assim? _ Perfeito. Eu estarei no quarto número três se precisarem de mim. Fica aqui em baixo. Os de vocês são os quartos nove e dez e ficam no segundo andar._ disse o advogado entregando-lhes as chaves. Scully já foi levantando para subir. Estava exausta. Não via a hora de tomar um banho e dormir. Mulder a seguiu. Os três se despediram e foram a seus respectivos quartos. XXXXXXXXX Quarto de Scully Estalagem 23h00 Estava escuro mas a garota sabia exatamente onde estava indo. Andava com precisão por entre as folhagens do jardim em direção ao moinho. Nesse horário todos os servos já haviam se recolhido, pelo menos assim ela esperava. Não queria nem pensar no que aconteceria se fossem pegos. Provavelmente ela seria mandada para um convento longínquo, qualquer coisa que a mantivesse afastada de seu amor. Seu irmão nunca a perdoaria. Principalmente por ser ele, William. Desde que a família dele chegara da Inglaterra, após o desaparecimento de sua irmã, estavam sendo tratados como intrusos. Estavam dizendo que a mãe de William e sua irmã provavelmente eram bruxas, tudo por causa do mistério que envolvia o desaparecimento da garota. Alguém tocou seu ombro. Um arrepio percorreu sua espinha. Era William. Ele abriu um largo sorriso e beijou-lhe a mão em cumprimento. Ela sorriu para ele. _ Que bom que você pôde vir, Katherine. _ Sim. Não está muito fácil depois de eu tentar fugir. _ Como assim? Fugir de quê? Você está, bem? Parece preocupada... O olhar atencioso na face dele fez seu coração disparar. Ela não conseguiu mais fingir ser forte. Precisava contar a ele. As lágrimas começaram a molhar sua face insistentemente. Ele a puxou para si num abraço. Ela jamais sentiu tamanha segurança em sua vida. _ Oh, William! Eu não tenho saída. Meu irmão me prometeu em casamento para um homem que eu nem conheço...Não há nada que eu possa fazer.... _ Como? Quando? _ O casamento será daqui a três semanas, logo após o meu décimo oitavo aniversário! Ela sentiu que ele travava uma batalha contra um choro insistente e eles ficaram ali. Abraçados. Katherine sentiu as mãos deles levantando delicadamente seu queixo e no instante seguinte seus lábios estavam colados, num beijo tão carinhoso como deve ser o primeiro. Scully acordou ofegante. Como um sonho poderia conter tanto sentimento? Como poderia ser tão real? E agora, Mulder estava no sonho! Ele era William! Assim como ela já sabia ser Katherine! O que estava acontecendo? XXXXXXX Restaurante da estalagem 8h00 a.m. Quando Scully desceu para o café, Mulder e o advogado já estavam lá conversando em uma das mesas. _ Bom dia! _ disse Scully. Os dois homens a cumprimentaram . Jess disse: _ Eu falei com a senhora Wherlach hoje cedo e ela insistiu em nos acompanhar até o castelo. Daqui a pouco ela deve estar aqui. Minutos depois, uma senhora bem idosa entrou no restaurante. Ela usava um vestido escuro e um xale cinza . Olhou em volta e foi em direção à mesa dos agentes. _ Bom dia! Senhor Jess, estes devem ser os agentes do FBI, estou certa? _ Bom dia senhora Wherlach, está certa sim. Estes são os agentes Mulder e Scully. Todos se cumprimentaram e a senhora tomou um assento à mesa. _ Senhora Wherlach, o senhor Jess nos disse que a senhora poderia nos contar mais sobre o castelo..._ disse Mulder. _ Ah sim, meu filho. Claro. Mas o que você acha de irmos até lá? Contadas no local onde ocorreram as histórias ficarão muito mais emocionantes, não acha? Os três concordaram e foram pegar suas coisas para irem ao castelo. XXXXXXXXX Caminho que leva ao Castelo Meia hora depois _ Então senhora Wherlach, a sua família viveu no Castelo? _ perguntou Scully. _ Sim, durante séculos e eu não estou exagerando! Meus antepassados foram servos, governantas, jardineiros, enfim, todo o tipo de serviço que há num lugar como aquele. Os empregos iam passando de pai para filho. Meu tetravô, por exemplo, era mordomo lá assim como o pai dele, o avô e assim por diante...Grande parte das mulheres da minha família foram criadas e até governantas lá. Scully ouviu a explicação da mulher e olhou para o caminho à frente. Uma sensação estranha começou a tomar conta dela. Era estranho, como se estivessa voltando para casa! A agente permaneceu muda o resto do caminho, sentindo aquele estranho sentimento... _ Scully, você está bem? Nós chegamos! _ Sim, Mulder. Eu estava distraída, só isso. _ Você está estranha! Sabe que pode se abrir comigo, né? _ Estou bem, não se preocupe. XXXXXXXX Castelo Eles entraram nas grandes portas que levavam ao hall do castelo e Scully sem saber o por quê foi entrando com passos decididos. As três pessoas, sem entender nada, foram a seguindo. Tentaram chamar seu nome mas ela simplesmente continuava andando, era como se estivesse numa espécie de transe. Subiu escadas, passou por enormes corredores, como se soubesse exatamente onde estava indo. Chegou por fim a um imenso quarto. Era o quarto com o qual tinha sonhado! Estava um pouco diferente mas a grande cama e algum dos móveis eram os mesmos. Ela sentou-se na cama e começou a chorar, ainda em transe. Mulder a segurou pelos ombros e chamou seu nome até que ela despertou assustada. _ Mulder, o que houve? _ Bem Scully, acho que essa pergunta é minha. O que aconteceu com você? _ Eu não sei, eu simplesmente conheço este lugar, Mulder. O agente olhou para as duas pessoas paradas ali na porta e eles se retiraram, os deixando sozinhos. _ Como assim conhece este lugar, Scully? Você visitou este castelo na infância? _ Não, Mulder. Eu vi este castelo, este quarto, nos meus sonhos. Eu tenho tido sonhos estranhíssimos ultimamente. _ Por que não me contou? _ Eu achei que talvez fosse stress, algo assim, e que mudando de ambiente eles passariam... _ E como são esses sonhos exatamente? _ São como filmes, Mulder. Eu estou lá, minha mãe, e você! _ Eu? _ É, as pessoas que vejo não tem as mesmas fisionomia como as conheço mas eu simplesmente sei quem são... _ Scully, você acredita em reencarnação? _ Hã...não, Mulder. Além do fato de ser católica, não é algo que eu ache provável... Na verdade, nunca pensei muito nesse assunto... _ Bem, pelo que me contou, parece que você está tendo lembranças de uma vida passada através de sonhos. Acredita-se que essas lembranças ficam no subconsciente e se manifestam naturalmente através de sonhos ou pode-se trazer essas lembranças por hipnose, como aquela que fiz, lembra-se? _ Sim... Acho melhor irmos para lá. Eles devem estar nos esperando... _ Tudo bem. Depois gostaria que você me contasse estes sonhos tá? _ Depois nós conversamos sobre isso. Eu não quero falar nesse assunto agora. Eles foram até uma das grandes salas do castelo, onde os dois esperavam. _ Tudo bem, agente Scully? _ perguntou a senhora. _ Sim obrigada. Estou melhor . Eles sentaram-se no antigo sofá e Mulder falou: _ Esse lugar é realmente impressionante! Senhora Wherlach, conte-nos alguma coisa a respeito daqui. _ Claro. Esse castelo é datado da Idade Média. Foi construído pelo Conde de... _ Westminster! _ disse Scully sem pensar. _ Como sabia? _ perguntou Wherlach. _ Não sei... _ respondeu Scully pensativa. Mulder a olhava intrigado._ Continue por favor. _ O Conde Westminster mandou construir este castelo como um presente de casamento para a sua noiva Isabel de Longfield. Ela morreu pouco tempo após dar a luz ao primeiro filho deles, Richard. Após 3 anos, o Conde casou-se novamente com Anne Siemy e juntos tiveram 2 filhas e 2 filhos. Richard herdou o castelo como primogênito e assim foi ocorrendo, sucessivamente. _ Eu ouvi alguém comentar que essa Anne não gostava do castelo. _ comentou Jess. _ O senhor está certo, ela realmente não gostava desse lugar. Dizia-se que o fantasma da Lady Isabel permaneceu aqui, zelando por seu filho e pelo direito dele à herança ao castelo... _ Uau! _ disse Jess. _ O que vocês acham de conhecermos o castelo? _ convidou Wherlach. _ Seria ótimo! _ disse Mulder. Scully permanecia em silêncio enquanto eles percorriam os enormes corredores. O castelo era realmente enorme e cada salão, cada quarto, lhe provocavam uma estranha sensação de reconhecimento, de familiaridade. Os jardins, principalmente pareciam-lhe totalmente conhecidos, e ela pôde ver ali paisagens similares às de seus sonhos, similares até demais. XXXXXXXXXXXX Castelo 22h00 A senhora Wherlach se acomodou na casa que pertencia à sua família dentro da propriedade e o senhor Jess hospedou-se com ela (embora não admitisse, o advogado estava morrendo de medo de dormir dentro do castelo e pediu à senhora Wherlach que o deixasse ficar em sua casa ). Os agentes, por sua vez, ficaram no castelo. Scully escolheu o aposento em que entrara quando chegaram ao local e Mulder ficou com o aposento adjunto ao dela. Todos estavam exaustos e foram dormir já que planejavam começar as investigações de manhã bem cedo. XXXXXXXXXXXXX Eles estavam sentados no jardim, perto do velho moinho. William e ela conversavam tentando disfarçar a enorme tristeza de seus corações. O casamento de Katherine se aproximava cada mais e não havia nada que pudessem fazer para adiar. De repente ouviram um barulho por entre as folhagens. Alguém estava vindo. Não, muitas pessoas estavam se aproximando. Eles tentaram fugir ou se esconder mas era tarde demais: logo estavam cara a cara com Phill, o irmão de Katherine, sua mãe, e vários criados do castelo. Sentiram-se encurralados, haviam sido descobertos e não havia o que fazer. _ Então é assim, minha irmã, que agradece o que estou fazendo por você, pelo seu futuro? _ Phill, eu amo William mas não aconteceu nada entre nós. Não pode me fazer casar com um homem que eu nem ao menos conheço! _ Sim, eu posso. Sou responsável por garantir que tenha um casamento favorável à você. Como pôde desprezar meu empenho ? Ele deve ser bruxo como a mãe e a irmã! Deve tê-la enfeitiçado Katherine, como pode ser tão estúpida? _ Como ousa falar assim? _ gritou William. _ Mamãe, leve Katherine para o quarto dela. Eu vou resolver esse assunto e não tardarei a voltar. _ disse Phill empunhando a espada. _ Não, Phill! _ disse Katherine. _ Não se preocupe Katherine. Eu amo você! _ falou William retirando também a sua espada. A mãe e as algumas criadas foram retirando a garota em prantos do local. Ela ouviu o barulho das espadas se chocando e um tempo depois, um grito de dor , reconhecendo o emissor, gritou em desespero: _ William!!!! Enquanto era arrastada para dentro . _Não!!!!! _ gritou Scully, acordando, dessa vez o sonho havia sido real demais! Mulder entrou correndo no quarto da parceira, assustado. _ O que aconteceu? Você está bem, Scully? _ A... Acho que sim... O sonho foi terrível, Mulder. _ Quer me contar esses sonhos, Scully? _ disse ele sentando na cama ao lado dela. Scully não sabia se estava pronta para relatar os sonhos a ele mas sentia a necessidade de contar mesmo assim. _ Sim. Há um bom tempo eu venho tendo esses sonhos estranhos, Mulder. _ Que podem ser lembranças de outras vidas. Ela apenas olhou para ele e continuou: _ Bem, em todos eles eu me vejo como uma garota ruiva chamada Katherine de cabelos muito compridos, o período deve ser medieval, de acordo com as vestimentas. É como um filme e a cada noite o sonho segue uma sequência. _ Quem mais você viu nesses sonhos? _ Minha mãe, meu irmão Bill, só que com outros nomes e outras fisionomias. Eu simplesmente sei que são eles. Também vi você... _ Eu? Ela olha para ele sem jeito. Sem saber se deve continuar. _ Sim... você. Seu nome é William e você e eu... quer dizer... William e Katherine...são namorados. _Ahn, interessante... e o que mais você vê? _ Katherine está prometida em casamento para um homem rico, que nem ao menos conhece e seu irmão descobre sobre ela e William. Eles lutam e ela ouve um grito de William enquanto era arrastada para dentro do castelo por sua mãe e algumas criadas. ESSE castelo, Mulder! _ Parece que realmente você já viveu aqui, Scully. Do jeito que você entrou nesse quarto quando chegamos... Uau! E parece que eu já estive por aqui também! _ Mulder... Nesse momento eles ouviram um grito vindo de algum lugar no castelo. Scully vestiu seu robe e eles saíram correndo com uma lanterna para descobrir a origem do grito. Houve um segundo e um terceiro grito. Eles continuaram seguindo na direção do som por entre intermináveis corredores, escadarias , quartos e salas. O lugar era um verdadeiro labirinto! Até que chegaram a uma sala com um grande piano e enormes pinturas na parede. Scully sentiu um arrepio quando constatou que uma delas era de Katherine. Indicando-a ao parceiro, ela apontou a lanterna para o quadro e Mulder se aproximou da pintura: _ Katherine Ann Westminster, de acordo com o que está escrito aqui, ela era neta do Conde Westminster e de Isabel Westminster. Scully começou a ver seus sonhos misturando-se com a realidade. Isso a assustava! O quadro ao lado do de Katherine lhes chamou a atenção. Era enorme, ia do teto ao chão da sala e retratava os jardins do castelo do jeito que deveriam ser em tempos remotos. O quadro emitia uma espécie de luz, que os encantou. Os dois agentes sem pensar, foram caminhando em direção ao quadro até serem envoltos pela luz, que os puxou para dentro. XXXXXXXXXXXXXX Há muitos e muitos anos... Scully despertou e percebeu que estava dormindo sobre uma relva úmida e macia. Seus pensamentos estavam confusos. Sentou e olhou a volta: somente árvores e mais árvores. Viu Mulder a seu lado, ainda adormecido. _ Mulder! Mulder! Acorde! _ Hã?? _ Mulder. o que aconteceu, onde estamos? _ Scully, eu não tenho a mínima idéia. _disse ele olhando em volta. _ Bem, nesse caso é melhor nós tentarmos descobrir... Eles foram seguindo o que parecia ser um rastro deixado por cavalos. Eles já haviam andado mais de duas horas quando alguém se aproximou. Era um jovem que vinha à cavalo. Mulder e Scully chamaram por ele mas o rapaz pareceu não os ver. _ Mulder, ele passou por nós como se não estivéssemos aqui! _ Isso é estranho... Scully, você viu as vestimentas dele? Eu não entendo nada de história da moda mas eu poderia dizer que são medievais! _Sim, o que está acontecendo? Como viemos parar aqui? _ Scully, lembra do quadro? _ Para dizer a verdade o quadro é a última coisa de que eu lembro antes de acordar aqui... _ E se eu dissesse que nós estamos dentro dele? _ O quê? Dentro do quadro? Mas como, Mulder? _ O quadro deve ser um portal para o passado, Scully. Provavelmente foi isso que aconteceu com os caseiros desaparecidos. Eles devem estar aqui em algum lugar... _ Então nesse caso é melhor nós procurarmos por eles e darmos um jeito de voltar para o presente o mais rápido possível. _ Olhe, Scully. O castelo! Mulder apontava em direção ao castelo, que surgia por detrás da floresta. Ele parecia ainda mais grandioso e bonito . Os agentes chegaram à vila que crescia em volta da fortificação e notaram que várias pessoas se dirigiam aos portões. Até que viram alguns homens vindo na direção deles vestidos com roupas contemporâneas a eles. _ Quem são vocês? _ Bem, eu sou Mulder e ela é Scully. Vocês são? _ Eu sou Jesse, e esses são Thomas, Albert, Paul e Adam. _ Os caseiros do castelo? _ Sim! Nós não sabemos como viemos parar aqui, falando nisso, como vocês vieram parar aqui? _ Nós de alguma forma fomos puxados para dentro de um quadro, na sala do piano. Jesse dirigiu-se aos outros: _ Então foi isso mesmo... _ O que vocês faziam no castelo? _ perguntou Albert. _ Estávamos investigando o desaparecimento de vocês. Somos agentes do FBI. _ disse Scully. _ Vocês repararam que ninguém pode nos ver? _ perguntou Adam. _ Sim, parece que somos meros expectadores por aqui... _ respondeu Mulder. _ Bom, só sei que precisamos arranjar um jeito de voltar. _ disse Scully_ A propósito, vocês sabem o que está acontecendo? Qual o motivo dessa movimentação toda? _ Parece que está havendo uma festa. Por que não vamos lá para ver? Eles entraram nos grandes portões e foram surpreendidos por uma velhinha com um vestido de festa escuro, que começou a falar com Scully: _ Katherine, o que faz aqui? Você deveria estar se aprontando. O casamento é em uma hora! Scully ficou sem ação. Como aquela senhora podia enxergá- los? _ Eu não sou Katherine, senhora. Meu nome é Dana. _ Vocês não são daqui, são? Venham comigo. Eles não viram outra opção senão seguir a senhora por entre os jardins da grande propriedade. Eles chegaram a uma pequena casa e a velhinha os fez entrar. Dentro da casa haviam dezenas de potes com substâncias estranhas e livros empoeirados. _ Vocês são viajantes do quadro, não são? _ Como assim, quem é a senhora? Como nos viu? _ perguntou Paul, totalmente confuso. _ Calma, meu jovem. Tantas perguntas... Meu nome é Harriet Wherlach. Eu sou governanta no castelo. E ... bem,... eu tenho uma visão aguçada. Eu vejo o que os outros normalmente não poder ver... _ A senhora é uma bruxa? _ perguntou Thomas, que sempre falava sem pensar. _ Hehehe, realmente alguns dizem isso de mim por aqui... Já estou acostumada. Vocês vieram pelo quadro? _ Sim. Eu acho... _ disse Mulder _ Estamos procurando um jeito de voltar... A senhora, como que tomando consciência da presença de Mulder, falou: _ William! Ela tomou as mãos de Mulder e Scully nas suas e falou, sorrindo: _ William e Katherine! Então vocês voltaram a se encontrar no futuro! Fico feliz por vocês, eu sempre reconheço as almas gêmeas quando as vejo! _ Bem, senhora, deve estar havendo um engano. Ele é Fox e eu sou Dana. Somos apenas amigos. A velhinha apenas abriu um sorriso misterioso. _ A senhora saberia nos dizer como viemos parar aqui? Ela mandou-os sentar e começou: _ Vocês conhecem a história da Lady Isabel de Westminster? _ Um pouco... ela foi casada com o Conde de Westminster. Eles tiveram um filho e ela morreu logo após o parto, não foi? _ disse Mulder. _ Bem, isso foi o que disseram para explicar o seu desaparecimento... A história verdadeira é outra...Logo após o nascimento de Richard, Isabel foi presenteada com um quadro. _ Quem mandou o presente? _ perguntou Jesse. _ Correram rumores de que foi a mãe de Anne Siemy. Esse nome é familiar a vocês? _ Sim, ela foi a segunda esposa do Conde. _ Muito bem. Parece que a mãe de Anne tinha motivos para mandar à Isabel um quadro enfeitiçado... _ Enfeitiçado? _ Sim, esse quadro tem o poder de fazer com que as pessoas viajem no tempo. Mas apenas as pessoas que tem algo a ver com o passado ou futuro do castelo. E foi exatamente isso que aconteceu com Isabel. Pobrezinha... Ela era uma jovem encantadora... _ E a lenda do fantasma da Lady Isabel? _ perguntou Mulder. _ Hehehe, realmente dizem por aqui que o fantasma dela assombra o castelo. A verdade é que Anne certa vez viu Lady Isabel dentro do quadro. Isso a assustou completamente. Ela aproveitou-se do fato e criou a história do fantasma para tentar convencer o Conde a construir outro castelo para eles. Um castelo para os filhos dela. _ E não há nenhum jeito de voltarmos? _ Na verdade há apenas um jeito. Só a manifestação de um sentimento comum a duas épocas diferentes da existência do castelo poderia mandar todos os viajantes do quadro, como gosto de chamar, para o seu verdadeiro tempo. Eu não posso dizer nada além disso. _ Mas senhora, como assim? Que sentimento? _ perguntou Scully. _ Vocês saberão. _ disse ela sorrindo _ Por hora eu sugiro que compareçam ao casamento que está para acontecer na capela do castelo. Eles já iam dirigindo-se á saída quando Scully virou-se e perguntou: _ Senhora, e Lady Isabel? Ela conseguiu voltar a seu tempo? Harriet olhou-os com grande tristeza: _ Infelizmente não. Isabel perdeu-se para sempre... Dito isso, ela fechou a porta. Eles estavam confusos. A senhora deveria ter-lhes dado mais informações. Mas, em todo caso, iriam ao casamento ver o que a senhora queria que ele vissem. A capela estava lotada. Pessoas com nobres vestimentas e carregadas de jóias conversavam animadamente. Aproveitando a "invisibilidade" eles aproximaram-se do altar e ficaram esperando. O noivo entrou na capela. Era um homem idoso e ricamente trajado. Todos levantaram-se para aguardar a entrada da noiva. Ela começou a entrar na capela com um enorme vestido branco e podia- se perceber, a despeito do véu que cobria seu rosto que estava chorando. Scully, sem saber o por quê sentiu vontade de chorar também, mas controlou-se. A noiva chegou ao altar e o noivo levantou-lhe o véu. Mulder disse baixinho para Scully: _ Katherine, não é? _ Sim... _ Eu a reconheço. Nesse instante entra na capela um jovem e caminha até o altar, decidido. _ William. _ disse Scully, para Mulder. _ Eu sei, Scully. Sou eu... O jovem, sem ligar para os apelos do padre e das outras pessoas ali presentes, levanta Katherine em seus braços e a leva até o meio da capela, onde eles trocam juras de amor e então ele a beija apaixonadamente. Mulder e Scully, ambos com lágrimas nos olhos, nesse instante entendem o que a senhora Harriet havia dito. Eles olham-se nos olhos, Mulder a toma nos braços e eles se beijam, liberando todo o amor que reprimiram por tanto tempo. _ Eu te amo, Scully! _ Eu também te amo, Mulder. A última coisa que viram foi a velhinha, num canto, sorrindo para eles. XXXXXXXXXXX Castelo Sala do piano Tempo atual Mulder acordou e percebeu que estava no chão da sala do castelo onde havia o quadro. Sorriu ao perceber que Scully dormia com a cabeça apoiada em seu braço e os cinco rapazes também dormiam espalhados pela sala. O agente olhou para o lugar onde uma vez estava o grande quadro. Ele havia sumido. _ Scully, acorde. Voltamos! _ disse ele beijando-a suavemente nos lábios. Sabia agora que eles sempre ficariam juntos, vida após vida, como almas gêmeas. The End Feedback??? Yessssss!!!!!!!! Faça o meu dia mais feliz dizendo o que achou dessa história!