TÍTULO – Caixa de Pandora AUTOR – Marcos F. Luder SINOPSE – Cientistas desenterram os corpos de antigas vítimas da gripe espanhola , a idéia é descobrir porque uma doença comum transformou-se numa epidemia devastadora , mas a verdade a ser descoberta é muito mais terrível do que poderiam imaginar CATEGORIA – Mitológica/Half-Shipper CLASSIFICAÇÃO – Livre E-MAIL – < ston-het@bol.com.br > ou < shelby@ig.com.br > NOTA DO AUTOR – Essa fanfic se passa na quinta temporada , pouco tempo depois dos fatos ocorridos no episódio duplo "A paciente X" , eu também faço uma série de referências a vários outros episódios mitológicos como "Procura incessante" , "Operação clip de papel" e o episódio duplo "Redux"; um agradecimento também para Angel Scully , ela é uma de minhas autoras prediletas de fanfics e tempos atrás eu pedi umas informações a respeito da sífilis para outra fanfic que escrevi , ela mandou uma pesquisa completa e ainda falando sobre outros assuntos , como DNA , e que foi muito útil para essa história , valeu mesmo Angel. DISCLAIMER – Arquivo-X e seus personagens pertencem a Fox Network , não há da parte do autor qualquer interesse em violar direitos autorais ou obter lucros com essa história CENTRO DE PESQUISAS BIOLÓGICAS SAN DIEGO , CALIFORNIA 11:40 Pm O veículo chegou acompanhado por uma escolta militar e todos entraram rapidamente nas dependências do laboratório , o nervosismo do oficial comandante contrastava com o ar neutro dos soldados e mostrava que apenas ele sabia o conteúdo do que estava no veículo , e foi com evidente alívio que ele viu essa carga sair de sua responsabilidade para ficar aos cuidados dos cientistas daquele lugar. De dentro do veículo foram retiradas quatro redomas contendo os restos mortais de seres humanos para serem levados até o nível 4 do laboratório , ali o risco de contaminação é considerado mais elevado e todos usam roupas protetoras , as redomas foram colocadas num ambiente totalmente isolado com temperatura abaixo de zero e sob o olhar atento de três cientistas - Eu ainda não sei se é uma boa idéia – disse a única mulher do trio - Calma Dra. Grace , tudo será feito debaixo de todos os cuidados – respondeu o chefe do grupo - Fico perguntado se vale mesmo apenas mexer em tudo isso de novo Dr. Craig - Francamente Dra. , nem parece que a senhora é uma cientista – disse o terceiro membro do grupo - A questão não é essa Dr. Newmam , na verdade eu me sinto uma violadora de cadáveres - Lá vem a senhora com essa ridícula questão religiosa – disse o Dr. Newmam – esse nosso trabalho poderá trazer grandes benefícios para humanidade se conseguir-mos descobrir como uma doença comum pôde transformar-se numa epidemia de escala mundial - Eu tenho plena consciência dos benefícios dessa descoberta Dr. , a minha dúvida refere-se aos métodos - Pesquisar os corpos de vítimas da gripe espanhola é o caminho mais rápido para descobrir as causas dela ter se tornado a epidemia que foi minha cara Dra. - Nem sempre o caminho mais rápido é o melhor caminho Dr. Craig - É um pouco tarde para demonstrar dúvidas a respeito do trabalho que estamos fazendo Dra. Grace – a voz do Dr. Craig soou mais ríspida do que o normal e a Dra. Grace percebeu - Eu sei disso Dr. , não se preocupe que as minhas dúvidas não irão afetar o meu trabalho - Eu espero que não Dra. – o Dr. Craig nem mesmo olha para sua colega , sua atenção voltara-se por completo para um dos cadáveres que estava pronto para ser examinado – já podemos iniciar o nosso trabalho O trio de cientistas entra no local onde será feito o primeiro exame , a roupa protetora não impede aos três de perceber a tensão existente entre eles , sem falar que a visão dos restos mortais à frente daquele trio era de certo modo aterradora pois sentiam como se estivessem diante da visão de seus próprios futuros , era um corpo de identidade indefinida , posto embaixo da terra numa cerimônia apressada por pessoas desesperadas para livrar-se de um estorvo , uma ameaça que não conseguiam combater , agora aquele corpo estava ali , depois de décadas de esquecimento , servindo como objeto de estudos , a Dra. Grace olhou para os restos que um dia foram de um ser humano e não conseguiu evitar de pensar se em seus últimos momentos de vida aquele homem não chegou a ter um vislumbre do que poderia acontecer tanto tempo depois de sua morte , mas seus pensamentos foram interrompidos pelo Dr. Craig - Está tudo bem Dra. Grace? - Sim senhor! Desculpe a distração momentânea - Pois deixe a distração de lado e faça o seu trabalho – a voz do Dr. Craig saia distorcida pela roupa especial que os protegia , não só de uma contaminação como também do frio extremo do ambiente , mesmo assim deu pra perceber o tom autoritário dela - É claro Dr. Craig – ela começa a fazer um corte numa parte dos restos mortais , a idéia é retirar o máximo de material a ser coletado para as pesquisas , principalmente nas partes próximas ao que restou do sistema respiratório - Interessante como depois de décadas enterrado esse corpo ainda conserva um certo nível de conservação , não acha Dr. Craig? – disse o Dr. Newmam A pergunta não tem tempo de ser respondida pois um estranho líquido negro sai do corte feito pela Dra. Grace e começa a mover-se como se tivesse vida própria , os três olham um para o outro sem saber o que fazer até que a Dra. começa a gritar - Santo Deus! Mas o que é isso – ela grita ao ver que o líquido negro movia-se na sua direção até parar subitamente como se algo o detivesse - Nunca vi nada parecido – disse o Dr. Newmam – é como se tivesse vida própria - Não diga bobagens Dr. Newmam – ao ver sua colega meio que paralisada o Dr. Craig tratou ele mesmo de coletar o estranho líquido negro - O que está fazendo Dr. Craig? - O seu trabalho Dra. , aquele que você não parece preparada para fazer - Que líquido estranho é esse? Ele não devia estar aí - Como é que você pode afirmar o que pode ou não ser encontrado num corpo que está enterrado a décadas minha cara – ele guarda o material colhido – vamos continuar a recolher material , ainda temos outros corpos para examinar Os outros corpos são examinados e em todos eles são encontrados o líquido negro que sai dos corpos parecendo ter vida própria para segundos depois ficar parado e ser facilmente colhido , logo fica evidente que o frio extremo do ambiente neutraliza-o , em menos de duas horas os exames são concluídos e eles vão para a sala de descontaminação , lá dentro o pensamento da Dra. Grace fervilha de perguntas sobre o trabalho que está fazendo , dúvidas que vem perseguindo-a por vários dias e que agora estão cada vez maiores , tanto que uma decisão já havia sido tomada antes mesmo de sair daquela sala. Grace Stamford anda pelos corredores do laboratório com o máximo de naturalidade possível , ela pode ver as câmaras de vigilância no alto e não quer despertar suspeitas até chegar a sala onde está guardado o material recolhido dos corpos , ao chegar lá , entretanto , ela viu o Dr. Craig com um homem a quem nunca tinha visto antes , ela não conseguia entender o que falavam mas não passou-lhe desapercebido como uma pessoa tão autoritária feito o seu chefe de pesquisa "desmanchava- se" diante do homem com quem conversava , era um sujeito alto e de aspecto envelhecido só que mesmo de onde estava a Dra. Grace podia notar a autoridade que emanava dele ; a conversa terminou e cada um foi para o seu lado , Grace acompanhou o desconhecido com os olhos até ele sumir , ela esperou uns segundos e só então usou o seu cartão de identificação para entrar na sala onde estava o material recolhido dos corpos , ela vestiu a roupa protetora pois os recipientes estavam dentro de um local com Nitrogênio , foi grande o seu espanto ao ver que estavam todos vazios , ela saiu da sala rapidamente para dar o alarme e no meio de um grande alvoroço provocado pelos seguranças do laboratório , ela tratou de procurar o homem que conversara com o Dr. Craig , só que seguindo o mesmo caminho feito pelo desconhecido tudo o que conseguiu encontrar foi uma ponta de cigarro cuja marca ainda estava bem visível: Morley "ARQUIVO-X" "A VERDADE ESTÁ LÁ FORA" "CAIXA DE PANDORA" SEDE DO FBI DUAS SEMANAS DEPOIS O Dr. Ethan Minete caminha meio perdido pelos corredores do FBI , ele está acompanhado por uma senhora de meia idade , em seu rosto percebe-se claramente um grande nervosismo que reflete-se no andar vacilante e numa certa desorientação que o faz perder-se por aquele prédio imenso até que uma voz muito familiar chama a sua atenção - Ethan? Ele já sabia quem era antes mesmo de virar-se para vê-la , mesmo assim a sua visão remeteu-lhe para uns sete anos atrás quando a viu pela primeira vez nos corredores de Quantico , o ar jovial , quase inocente , parecia não existir mais e mesmo assim ela continuava encantadora , por alguns segundos aquele homem deixou de lado as terríveis preocupações de sua mente , bem como a pessoa que o acompanhava , para lembrar-se apenas de um tempo muito bom de sua vida - O que faz por aqui Ethan? – a pergunta dela o tirou de seu quase transe devolvendo-o a realidade - Quanto tempo Dana – reencontrar alguém que já foi tão íntimo seu é sempre muito estranho pelas lembranças que isso pode trazer e eles ficaram ali num silêncio que parecia durar uma eternidade até que foram interrompidos por outra voz familiar - Você não vem Scul... – Mulder logo reconhece o homem parado diante de sua parceira – Ethan! A quanto tempo...eu espero não ter interrompido nada - Está tudo bem agente Mulder...na verdade eu...nós estávamos procurando vocês dois mesmo - Nós dois? – Mulder nota que ele está acompanhado - É uma questão profissional! Eu e a senhora Stamford precisamos de ajuda e acho que vocês são os únicos que estarão dispostos a isso - Vamos até a nossa sala então , lá poderemos conversar melhor Os quatro entram juntos no elevador , o trajeto é feito em silêncio e só quando já estão no escritório é que Ethan começa a falar - Essa é a Dra. Grace Stamford – ele mostra uma foto e Mulder não deixa de notar uma certa semelhança dela com Scully – nós trabalhamos no centro de pesquisas biológicas de San Diego e a pouco mais de dois meses atrás fomos comunicados que um de nós seria selecionado para uma importante pesquisa a respeito da gripe espanhola , creio que já ouviu falar dela agente Mulder - É claro! Ela varreu o mundo no final da I grande guerra , infectou metade da população mundial e matou mais de 20 milhões de pessoas , até hoje ninguém sabe direito porque isso aconteceu - Pois essa pesquisa visava justamente descobrir essa resposta e prevenir problemas parecidos no futuro , pelo menos era isso que pensávamos - Como assim Ethan? - A Grace foi escolhida para participar dessa pesquisa Dana , não posso negar que fiquei um pouco frustrado por ter sido preterido mas também fiquei feliz por ela - Por que você não vai direto ao motivo que o trouxe aqui – Scully procurou dar um tom puramente profissional à sua afirmação mas estava ligeiramente incomodada com a situação - É claro Dana! De uns 20 dias para cá ela já não parecia mais tão entusiasmada com a pesquisa , na verdade parecia que algo a incomodava profundamente , eu tentei que ela se abrisse comigo mas ela alegava que era algo que não podia comentar com ninguém – voltou-se para a senhora que o acompanhava – nem mesmo com a mãe ela quis se abrir , mas dava para perceber claramente que alguma coisa naquela pesquisa a estava incomodando muito - Onde está a Dra. Grace , Ethan? - Ela está escondida numa casa de campo. Está muito assustada - Porque isso? - Duas semanas atrás aconteceu alguma coisa muito séria no nível 4 do laboratório mas só os que tem acesso a ele sabem o que foi - A Dra. Grace não disse o que houve? - Ela recusa-se a falar conosco , diz que é para nossa própria segurança , tudo o que eu sei é que ela vinha dando e recebendo uns telefonemas estranhos , parecia que ela estava tentando achar algo mas eu não faço idéia do que seja - Você acha que a vida dela está em risco Ethan? - Alguém atirou nela a 4 dias atrás Dana , felizmente não foi grave mas deu pra perceber que foi um atentado - O que a polícia local disse a respeito do caso? - Eles não encontraram qualquer pista a respeito do responsável pelos tiros , na verdade eles parecem acreditar que foi um assalto frustrado - E você Ethan? Por acaso acredita nessa história de que ela está protegendo você e a senhora Stamford ao não contar nada do que está acontecendo? - Minha filha jamais inventaria isso senhori...agente Scully – a senhora Stamford mal consegue conter a emoção ao falar – ela sempre foi uma moça responsável e ama o trabalho que fazia - Eu acredito que tem alguma coisa muito suja nessa história Dana – disse Ethan – mas eu não consigo descobrir o que é , por isso que nós viemos procurar vocês , o descaso da polícia com o seu caso fez com que a Grace não contasse nada a eles também , mas o fato é que ela precisa se abrir com alguém - Porque você acha que ela se abriria conosco? - Talvez porque vocês vivam procurando conspirações governamentais por aí – Mulder dá um ligeiro sorriso ao ouvir isso – olha agente Mulder , eu não sou tão paranóico quanto você em relação a essas coisas mas também não sou nenhum ingênuo , eu sei que o nosso governo tem alguns esqueletos escondidos no armário e o meu medo é que a Grace tenha topado com algum deles e esteja numa grande encrenca , o fato é que há uma cortina de silêncio no laboratório sobre esse assunto - Diga-me uma coisa Ethan , as pessoas no lugar onde vocês trabalham tinham conhecimento do seu relacionamento com a Dra. Grace? – Mulder resolve falar sobre algo que desconfiava - Hã...bem eu... – ele parecia meio constrangido de falar na frente de Scully e ela percebeu isso - Por favor Ethan , qualquer informação é importante para que possamos ajuda-lo - É claro Dana! As coisas entre nós começaram a bem pouco tempo...a própria senhora Stanford só veio a me conhecer depois que esse pesadelo com a filha começou , duvido muito que alguém no laboratório soubesse disso , nós sempre procuramos ser muito discretos no nosso ambiente de trabalho – Scully ouviu aquilo e não conseguiu evitar de pensar como alguns hábitos nunca mudavam - Nos leve até onde está a Dra. Grace e vamos ver o que podemos fazer por ela Ethan - Está certo agente Mulder - Mas antes devemos encontrar um lugar seguro para a senhora Stamford ficar até toda essa história ser esclarecida Mulder - Isso já foi resolvido Dana , ela vai ficar na casa de uma amiga - Eu só vim aqui para garantir que a investigação de vocês tenha caráter oficial – os olhos dela praticamente suplicavam ajuda – ajudem a minha filha por favor - Faremos tudo ao nosso alcance senhora – Scully teve que esforçar-se para conter a emoção pois aquela senhora em muito lembrava a sua própria mãe RODOVIA 34* 1:25 Pm O carro com Mulder , Scully e Ethan atravessava aquela estrada em alta velocidade , era um lugar bem afastado pois em quase uma hora de trajeto não haviam visto nenhum outro veículo , o nervosismo de Ethan era cada vez maior - Droga! Porque ela não atende – ele guarda o celular – não dá para ir mais rápido agente Mulder - Isso aqui não é o Batmóvel Ethan , estou dando o máximo que posso sem ter que derrapar na estrada - Quanto tempo ainda para chegar Ethan? – pergunta Scully , na verdade , uma tentativa de acalma-lo - Mais uns 10 minutos Dana - Vocês escolheram um local bem isolado para a Dra. Grace esconder-se – disse Mulder - Achamos que seria o melhor lugar agente Mulder – ele mal terminou de falar e teve a atenção chamada para um carro vindo na direção contrária , era um furgão e não dava para ver quem estava dentro , o veículo passou pelo carro dos agentes em alta velocidade - De onde veio esse carro Mulder? – Scully estava cismada - É melhor correr-mos até a cabana onde Grace está escondida – disse Mulder Eles chegam até a cabana mas a encontram toda revirada e com sinais de luta , nervosos , eles vão para o lado de fora - Ela foi levada – disse Ethan – só pode ter sido aquele furgão que passou por nós - O que faremos Mulder? Duvido que aquele furgão tenha alguma identificação – Scully vê seu parceiro de tantos anos olhando para o céu e sabe que ele está pensando em algo – vamos lá Mulder , qual é a idéia? - A resposta está lá em cima Scully – disse ele , apontando para o céu - Do que você está falando agente Mulder? – Ethan cruza os braços irritado – espero que não seja dos seus Ets - Calma Ethan! Vamos lá Mulder , o que você quer dizer com isso? - Estou falando do serviço de rastreamento por satélites Scully , com ele nós poderemos localizar o furgão e saber onde levaram a Dra. Grace - Você não pode estar falando sério Mulder! - Eu sei que você acha meio paranóico da minha parte parceira mas eu posso garantir que hoje em dia cada centímetro desse país é monitorado por satélite 24 horas por dia – a reação meio incrédula de Scully e Ethan não passa desapercebida por Mulder , ele sorri para os dois – acham absurdo? Pois saibam que até ligações telefônicas podem ser monitoradas por satélite hoje em dia , bem como o uso de computadores – ele volta-se para sua parceira , praticamente ignorando Ethan – a moderna tecnologia tornou a privacidade um luxo cada vez mais distante - Mesmo que seja verdade Mulder – Scully , meio sem perceber , adotou o mesmo comportamento em relação a Ethan – esses são dados secretos , mesmo estando numa investigação oficial não conseguiremos acesso a eles - Nós conhecemos três pessoas que podem ter acesso a esses dados para nós parceira – Mulder dá aquele sorriso que Scully conhece bem e ela suspira por antecipação , já sabendo o que vem a seguir , seu parceiro vai fazer algo que poderá coloca-los numa grande encrenca , ela não vai convence-lo a recuar de seu objetivo , e no final , como sempre faz , decidirá ficar do seu lado , tudo tão previsível que ela até se permite um sorriso de resignação , que Mulder , o insensível , nem nota , mas que não passa desapercebido para Ethan TRÊS HORAS DEPOIS O carro deles continua parado em frente a estrada e com um mapa estendido sobre o capô , os três tentam estabelecer possíveis rotas para o furgão enquanto esperam um toque do telefone que finalmente acontece , Mulder atende já sabendo quem são - Pensei que vocês não fossem ligar mais - Desculpe Mulder – a voz de Frohike faz-se ouvir do outro lado da linha – invadir os sistemas de rastreamento por satélites costuma dar um pouco de trabalho - Conseguiram então? - É claro que sim! Pelo horário e coordenadas que você me deu o veículo que estão querendo localizar seguiu pela rodovia 44 e depois pegou uma série de estradas secundárias ao longo da fronteira com o México até passar pela fronteira do Arizona , as últimas coordenadas do veículo estão em algum ponto do deserto de Yuma ; foi o que deu para conseguir antes de sairmos do sistema – Mulder anotava tudo no mapa tentando estabelecer uma rota por onde ir , Scully acompanha tudo até decidir falar - Mulder , isso fica bem no meio do nada - Não tem mais nada além disso Frohike? - Sinto muito parceiro mas isso foi tudo o que pudemos conseguir , se ficássemos mais um minuto no sistema seríamos localizados - Tudo bem baixinho , valeu pela ajuda – Mulder desliga o telefone e evita de ouvir os impropérios de seu amigo , Frohike detesta ser lembrado de sua pouca altura , ele volta-se para Ethan – vamos deixar você na cidade mais próxima antes de seguir viagem - Acha que podem encontra-la viva? – a tensão de Ethan era visível - Se eles quisessem mata-la nós teríamos encontrado o corpo dela aqui na cabana Ethan – disse Scully – não se preocupe , nós vamos acha-la – ela toca de leve no ombro dele , logo depois os três entram no carro LOCAL DESCOHECIDO 6:12 Pm O furgão chega a um lugar que parece uma fazenda abandonada e pára em frente a uma casa , a Dra. Grace salta bastante assustada do veículo e enquanto suas algemas são retiradas ela pode notar os traços da pessoa que a seqüestrou , era um homem bonito , feições morenas , olhos verdes , e um jeito frio que ao mesmo tempo assustava e atraia a sua atenção - O que vai fazer comigo? – ela pergunta - Se eu quisesse mata-la já teria feito isso , não acha? - E o que você quer afinal? - Mostrar algo a você , algo que vem tentando descobrir a vários dias – ele faz um gesto convidando-a a entrar na casa , ela olha em volta e percebe que seria uma perda de tempo tentar fugir acabando por entrar na casa junto com seu raptor O estado de abandono no interior daquele lugar combinava com o que ela tinha visto na parte de fora até descerem ao porão , onde ela viu um moderno elevador que contrastava totalmente com tudo que havia em volta , eles entraram e o elevador começou a descer , a Dra. Grace começou a sentir-se num daqueles filmes B que ela tanto detestava e por um momento permitiu-se um ligeiro sorriso pelo inusitado da situação , o homem ao seu lado percebeu mas não disse nada , o elevador parou e eles viram-se diante de um enorme corredor por onde seguiram até chegar a uma sala imensa onde ela viu vários corpos dentro de redomas , o choque resultante daquela visão até fez com que esquecesse dos temores que sentiu nas últimas horas , até mesmo do homem que a acompanhava , ela via os vários corpos notando que quase todos estavam num estado deplorável e com uma coloração tão arroxeada que mal daria para diferenciar um negro de um branco se fosse o caso , não foi difícil para ela perceber que doença aquelas pessoas tinham e seu espanto ficou maior ainda quando viu um homem numa redoma cujo estado de saúde ainda era razoável pois ao vê- la fez um gesto de quem pede desesperadamente por ajuda , ela tenta ir até ele mas é detida por seu raptor - O que vocês fizeram para essas pessoas? - Elas estão prestando um grande serviço para humanidade Dra. Grace – disse o homem - Vocês inocularam essas pessoas com a gripe espanhola – o horror estava estampado no rosto dela – estão usando esses coitados como cobaias , que tipo de gente são vocês? - O tipo de gente que não permite que convenções morais nos impeçam de fazer o que é preciso para salvar a espécie humana da extinção - Do que está falando? Aquele homem... - Não há mais nada que possa fazer por ele agora , ele foi o último a ser inoculado - Como puderam fazer uma coisa dessas? - Nós estamos fazendo o que é necessário Dra. Grace - Necessário para que? - Você não tem a mínima idéia do que foi a gripe espanhola Dra. , quase ninguém sabe o que foi aquilo tudo , eu mesmo só vim descobrir a pouco tempo o que ela significou - Do que você está falando? - Estou falando de uma guerra Dra. , uma guerra em que a humanidade pode ser a grande vítima - Do que você está falando? – ela quase grita - Você foi uma variável não prevista em tudo isso Dra. , mas os seus gestos intempestivos nos ajudaram a perceber a traição que estava ocorrendo dentro de nosso meio - Vocês tentaram me matar! - Na verdade não fomos nós Dra. – disse o homem – o atentado contra sua vida foi obra de alguém que você viu no laboratório , alguém que deveria estar morto - O homem do cigarro! – o homem sorri ao ouvir a Dra. Grace falar aquilo - Ele mesmo Dra. , você o viu , e isso é motivo suficiente pra ele querer a sua morte - Porque isso? - Ele não pode arriscar que as pessoas para quem trabalho descubram que está vivo e conspirando contra nós - Porque me trouxe aqui? O quer comigo? - Infelizmente algumas das pessoas para quem trabalho ainda não querem acreditar que aquele homem está vivo e nos passou a perna , ficando com o material que precisamos para as pesquisas. É você que vai me ajudar a provar que estou certo - E o que eu ganho com isso? - Proteção Dra. – o homem sorri para ela , ele tinha um jeito cínico , que o tornava ainda mais atraente , uma constatação que deixa Grace perturbada – pessoas morreram por descobrir muito menos do que você sabe agora - Foi por isso que você me trouxe aqui? Para ter-me em suas mãos? – o homem limita-se a sorrir com o habitual cinismo e para Grace isso soa como uma confirmação de seus temores – o que eu tenho de fazer? - Apenas confirmar o que sabe para as pessoas certas minha cara - Não tem ninguém nesse lugar além de nós? - Esse lugar já deveria estar cheio de cientistas mas o roubo das amostras no seu laboratório fez com que o projeto fosse paralisado , mas a sua presença aqui pode ser muito útil - Como assim? - Não gostaria de examinar os corpos? ter uma idéia do trabalho que estamos fazendo aqui? – a Dra. Grace olhou para aqueles corpos estendidos e embora uma parte dela ficasse horrorizada com o que via , a sua curiosidade de cientista falou mais alto e ela aceitou a proposta do homem à sua frente DESERTO DE YUMA ESTADO DO ARIZONA 7:35 Pm O carro de Mulder e Scully pára no meio daquela estrada deserta , eles saem do carro e Mulder usa um aparelho de localização por satélite para saber onde estão , Scully apenas olha sem nada dizer - A última localização do veículo foi aqui Scully - Ele pode ter seguido por qualquer lugar Mulder , nós... – ela mal teve tempo de completar a frase pois toda a sua atenção voltou-se para o céu estrelado daquele deserto , mais precisamente para o objeto voador acima deles – meu Deus , Mulder – ela chega a gritar e seu parceiro olha também - Até que enfim Scully – Mulder disse , sorrindo – estava cansado de ser o único que via essas coisas - Eu já vi essa nave antes Mulder – o pensamento dela volta até uma certa represa em que esteve pouco tempo atrás , o mesmo lugar onde quase morreu , os dois ficaram ali , meio que paralisados , olhando aquela nave de formato triangular e cheia de luzes que ofuscavam-lhe os olhos até esta seguir sua trajetória ignorando-os por completo , Mulder recuperou-se logo do choque mas não Scully , pois a nave era idêntica a que ela lembrava de ter visto na represa - Anda logo Scully , temos que seguir essa nave – Mulder entra no carro chamando a atenção de sua parceira , ela faz o mesmo - Acorda Mulder , nós nunca vamos conseguir segui-la de carro - Algo me diz que eles estão procurando a mesma coisa que nós parceira – ele acelera o carro e entra pelo deserto a dentro em alta velocidade LOCAL DESCONHECIDO 8:57 Pm A Dra. Grace olha os registros no computador , o espanto que está gravado em seus olhos não é menor do que teve ao examinar alguns dos corpos daquele lugar pois esses registros apenas corroboravam o que viu nos exames , algo que em outras circunstancias , ela jamais acreditaria ser verdade - Tudo isso é uma loucura – ela disse - Não Dra. , tudo isso é verdade , por mais absurdo que possa parecer - Como podem esconder algo tão grave das pessoas lá fora? Se isso aqui for verdade a humanidade está sob grave risco de extinção e nem sabe disso - O que as pessoas comuns poderiam fazer com essa informação Dra.? a divulgação desses fatos provocaria uma onda de histeria que acabaria por acelerar os planos de colonização , planos esses que temos conseguido adiar até agora - Mesmo que toda essa loucura seja verdade meu caro , acha mesmo que esses...alienígenas confiam na lealdade de vocês , quem pode garantir que eles não têm seus próprios planos? - Ninguém pode Dra.! Só que no momento nós temos que fazer o jogo deles – um grande barulho chama a atenção dos dois e eles percebem que vem do local onde estão os corpos - Você não disse que estava-mos sozinhos aqui? - Estou tão surpreso quanto você – ele saca sua arma e vai ver o que é , Grace o vê sair e decide aproveitar para gravar em disquete tudo o que leu nos computadores XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Alex Krycek sempre foi um homem firme e decidido , a dura e infeliz infância na Rússia , seguida de uma adolescência não muito melhor , fez dele uma rocha , mas ao chegar no local onde estavam os corpos um pouco dessa rocha trincou ao ver aquilo à sua frente , todos os corpos nas redomas estavam sendo carbonizados por homens que não tinham rostos , apenas o homem que pedira ajuda a Grace foi poupado , pois sua redoma foi retirada do local , ele teve um segundo de pânico ao sentir uma delicada mão apertando seu ombro e tratou de sair dali com a Dra. Grace pois os homens sem rosto já os notara - Quem são eles? – pergunta Grace - São o nossa morte se não sair-mos daqui – Krycek puxou-a pelo braço e enquanto dirigia-se a outra saída do lugar , surpreendeu-se rezando para que esta não estivesse cercada por outros homens sem rosto pois isso significaria o fim para os dois XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder e Scully estavam seguindo aquele caminho a quase 30 minutos , não havia estrada , o que fazia o carro sacolejar bastante , Scully já havia desistido de pensar sobre o motivo que a fazia seguir seu parceiro por caminhos como esse , talvez fosse melhor não saber a resposta ; o carro chegou a outra estrada , na verdade era mais uma trilha , mas foi indo por essa trilha que eles viram o brilho da nave e foram na direção dele , chegando ao local onde encontraram o furgão que procuravam e que estava em chamas , eles saíram do carro e viram alguns homens carregando o que parecia ser uma redoma , Mulder e Scully aproximaram-se do grupo e sacaram suas armas - Parem aí vocês – Grita Mulder , os homens viram-se para os dois e Scully não consegue conter um grito - Meu Deus , são os homens sem rosto Mulder – as imagens daquela experiência na represa vem a cabeça de Scully de imediato , as pessoas sendo queimadas , sua própria vida correndo risco , mas naquele momento os homens sem rosto não parecem ameaçadores , eles ficam parados enquanto a nave paira acima deles e lança uma luz que deixa Mulder e Scully momentaneamente cegos , quando a luz cessa os homens sem rosto sumiram mas a nave continua pairando no céu - Para onde eles foram Mulder? - Eu não sei se você vai acreditar Scully , mas algo me diz que ainda não acabou – disse Mulder , olhando para o alto XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Krycek e Grace conseguem sair daquele lugar , mas ao chegar do lado de fora encontram o furgão destruído ao mesmo tempo que vêem os homens sem rosto chegando perto , eles correm até um outro carro parado adiante e dão de cara com Mulder e Scully - Krycek , seu desgraçado – Mulder mal conteve a fúria ao vê- lo – devia imaginar que você estava metido nisso - Vai ter que deixar a nossa rixa para outra hora Mulder – Mulder já ia falar algo quando Scully interveio - Mulder olha – disse ela – os homens sem rosto - Eles vão matar a nós todos Mulder – Krycek grita enquanto tenta pegar sua arma , Mulder é mais rápido e o desarma com um chute para em seguir algema-lo ao mesmo tempo em que grita para as mulheres - Scully , Dra. Grace , entrem no carro rápido , você dirige Scully – elas obedecem enquanto Mulder entra na parte de trás com Krycek – anda logo Scully – o grito de Mulder deixa sua parceira ainda mais nervosa pois está tendo muitas dificuldades para dar partida no carro – "se você vier com aquela piada dos pézinhos que não alcançam os pedais vai ter Mulder" – ela pensa até que consegue ligar o veículo enquanto a parte externa dele é atingida pelas chamas dos homens sem rosto DESERTO DE YUMA 11:10 Pm O carro seguia em alta velocidade pela estrada assustadoramente deserta , seus 4 ocupantes olhavam mais para o alto do que para frente até que Mulder tocou no ombro de Scully - Pare o carro Scully – disse ele - O que? – a resposta dele foi uma nova ordem , só que num tom mais ríspido que chegou até a assusta-la , a ponto de parar o carro de maneira brusca - O que deu em você? Tá querendo nos matar? – Scully não diz nada e sai do carro , Mulder logo arrepende-se do modo como havia falado com ela - Você é um desastrado quando se trata de lidar com as mulheres Mulder – disse Krycek , com o habitual sorriso cínico nos lábios , a resposta de Mulder foi uma violenta coronhada com o revólver que atingiu o Russo direto no nariz - Cala essa boca – ele sai do carro sem se importar com nada , Krycek , Grace , a sua busca , naquele momento só o que importava era a mulher que acabará de destratar – desculpe Scully eu...não devia ter gritado com você daquele jeito , ainda mais na frente de outras pessoas – ela vira-se para ele e suspira profundamente antes de falar - Tudo bem Mulder , estamos todos muito nervosos - Mesmo assim eu não... - Esquece Mulder , vamos voltar pro carro – ela faz menção de voltar mas ele ainda tenta conversar , Krycek e Grace os vêem do carro e ele percebe que a chave está na ignição - Nos tire daqui antes que eles voltem Dra. - Eles não são seus amigos? - Você é burra ou o que mulher? Olha só como eu estou - Quem são eles então? – Krycek não quer perder a chance de sair dali e decide inventar uma história – eles trabalham para o homem que quer te matar , agora nos tira daqui – ele nota a hesitação da Dra. e estranha muito o fato - Querendo ir embora tão cedo Krycek? Não gosta da nossa companhia? – Mulder abre a porta do carro – sai logo desgraçado – Krycek obedece - Vai me matar Mulder? - É o que você merece , devia te matar e largar o seu corpo no deserto para os urubus comerem - Você não entende não é? Mesmo depois do que eu disse no nosso último encontro você ainda insiste em ficar com a cabeça enterrada na areia enquanto tudo vai pelos ares – Mulder encosta a arma no rosto sujo de sangue de Krycek - Você só me diz aquilo que te interessa Krycek , mas agora chega - Calma Mulder – Scully tenta intervir - Fique com a Dra. Grace , Scully - É agente Scully , isso é um assunto de homens , coisa pessoal sabe – Krycek dizia isso enquanto era praticamente arrastado por Mulder para longe do carro , Scully via aquilo irritada com o evidente machismo da situação mas resolveu voltar para junto da Dra. Grace , que estava estranhamente tensa - Não precisa se preocupar Dra. Grace , estamos aqui para ajuda-la - Foi ele quem mandou vocês aqui para me salvar? - Exatamente! Ele nos procurou em Washington e contou toda a sua história - Você nem acredita no que descobri agente Scully , coisas que nunca imaginaria - Do que está falando? - Eu achava que tinha alguma coisa errada na pesquisa que estava fazendo mas não imaginava que fosse qualquer coisa parecida com o que eu descobri - O que foi que você descobriu? - Acho melhor deixar-mos para falar disso quando encontrar- mos a pessoa que mandou vocês aqui – Scully estranhou muito o modo como Grace falava de Ethan mas deixou isso de lado ver Mulder voltar com Krycek - Nós temos que correr Scully - O que foi Mulder? - Havia uma instalação subterrânea naquele lugar Dra. Grace? – ela responde afirmativamente e conta também sobre as pessoas inoculadas – então esse desgraçado pode estar falando a verdade Scully - Sobre o que Mulder? - Os homens sem rosto levaram uma das pessoas inoculadas com o vírus da gripe espanhola - Porque fariam uma coisa dessas? - Eles querem expor a conspiração agente Scully , lembra das pessoas queimadas vivas? – Krycek sorri – é claro que lembra , afinal você quase foi uma delas - Você está querendo dizer que vão soltar uma pessoa inoculada com a gripe espanhola num centro urbano? - Vão querer espalhar a doença Scully , e por mais que eu queira ver a conspiração exposta nós não podemos permitir que isso aconteça - Eu sei disso Mulder , mas como vamos fazer isso? - Ela tem razão agente Mulder – Grace interveio – como vamos saber para onde levaram o paciente infectado? - Do mesmo jeito que achamos você Dra. Grace – Mulder olha para Scully naquela comunicação muda que eles praticam tão bem e uma decisão é tomada , Mulder afasta-se deles e enquanto Scully fica vigiando Krycek , ele liga para os pistoleiros solitários , uma nova invasão ao sistema de rastreamento por satélites teria de ser feita por eles - Isso que você está pedindo é muito arriscado Mulder – agora quem falava do outro lado da linha era Byers – a invasão que fizemos foi detectada e quase nos pegaram - Eu não faria esse pedido se não fosse importante parceiro , nós precisamos dessa informação – Mulder podia sentir a tensão do outro lado da linha , se os pistoleiros estavam hesitantes era sinal que o risco devia ser enorme em serem descobertos - Tudo bem Mulder , nós vamos tentar – ele desliga o celular , ao mesmo tempo aliviado e preocupado , e vai para junto dos outros - E então Mulder? - Eles vão tentar Scul... – um tiro é disparado chamando a atenção de todos , Mulder , Scully e Grace entram no carro e Krycek aproveita a chance para fugir , Mulder ainda pensa em ir atrás dele mas Scully mostra-lhe o carro de onde partiu o tiro e eles saem em disparada XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Krycek não tinha muita certeza se fora uma boa idéia fugir de Mulder daquela maneira e ir de encontro ao carro que vinha atrás e que parou ao vê-lo , suas dúvidas terminaram , entretanto , quando viu sair o homem de porte elegante , extremamente bem trajado , mas cujo traço mais marcante era o estado impecável das unhas - Você está horrível Krycek – disse ele - As últimas duas horas não foram as melhores da minha vida , admito - Onde está a Dra. Grace? E o que aconteceu na instalação? - Mulder e Scully levaram a Dra. , quanto a instalação...ela foi destruída pelos rebeldes - Isso é mal , muito mal Krycek - Na verdade é muito pior , mas o que eu não entendo mesmo é como foi que aqueles dois descobriram onde eu levei a Dra. Grace - Isso eu posso responder , o sistema de rastreamento por satélites foi invadido por Hackers a poucas horas atrás e foram violados os dados a respeito do trajeto do furgão que você usou - Então eu acho que vai haver uma nova invasão - Porque haveria? - Os rebeldes não se contentaram em destruir a instalação , eles levaram um dos infectados e provavelmente vão larga-lo em um grande centro urbano - Vão espalhar a doença , vão nos expor – o homem das unhas bem feitas saca a arma e Krycek fica preocupado mas ele apenas atira nas suas algemas libertando-o para em seguir entrarem no carro - Os amigos de Mulder vão entrar no sistema para descobrir onde a nave dos rebeldes vai deixar a nossa cobaia - Isso é algo que ele não pode saber – HUBF liga para alguém e descobre que a nave rebelde estava sobre Phoenix , mas não consegue conter a irritação quando é informado da nova invasão do sistema e que os mesmos dados sobre a nave foram violados – malditos Hackers , eu sabia que essa história de popularizar os computadores ia dar problema – Krycek ouviu as imprecações daquele homem sem falar nada , ele lembrou-se de tudo o que a Dra. Grace vira naquela instalação , do que lera nos registros e que poderia estar contando tudo aquilo para Mulder e Scully , isso não estava previsto por ele XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O carro parou naquele posto de gasolina , numa cidade perdida no meio do deserto , foi apenas para encher o tanque pois nenhum dos três viajantes queria descansar , embora precisassem disso , assim que o carro foi reabastecido eles seguiram viagem , agora com um rumo definido - Será que largaram mesmo aquele pobre coitado em Phoenix , Mulder? - Espero que sim Scully , duvido que os pistoleiros consigam acessar de novo o sistema - Fiz um exame apenas superficial agente Scully , mas não tenho dúvida que aquelas pessoas estavam mesmo infectados com o vírus da gripe espanhola ; e pensar que eu estava colaborando com tudo isso - Não se culpe Dra. Grace – disse Scully – você foi usada por pessoas inescrupulosas sem saber - O tempo em que esteve naquela instalação permitiu-lhe descobrir alguma coisa mais Dra. Grace? - Pra dizer a verdade sim agente Mulder , mas é uma história tão absurda que eu ainda acho tudo um enredo de filme B da pior qualidade - Eu adoro filmes B Dra. ; "Plano 9 do espaço sideral" e "O homem mosca" são os meus favoritos - Conte-nos o que descobriu Dra. – completa Scully - Segundo o que li naqueles registros , a gripe espanhola é de origem alienígena – Scully ficou ligeiramente espantada , Mulder não – ela foi criada e disseminada para nos destruir mas a humanidade mostrou-se mais resistente a ela do que seus criadores poderiam imaginar - Isso significa que a gripe espanhola foi a primeira tentativa de colonização – disse Mulder - Calma Mulder , esses registros podem ser falsos – rebate Scully - Minha tendência é concordar com você agente Scully , mas o que eram aqueles homens sem rosto? E a nave? - Eram rebeldes que querem evitar a colonização , mas não creio que seja para salvar a humanidade - Vocês parecem saber muito mais sobre essa história do que eu - Há anos que estamos tentando expor essa gente Dra. Grace - Podem me chamar só de Grace agente Scully , afinal vocês salvaram a minha vida - Pois diga uma coisa Grace – fala Scully – baseado no que você sabe sobre a gripe espanhola , acha que uma única pessoa infectada pode causar uma grande epidemia? - Depende da quantidade de pessoas que esse pessoa infectada pode contaminar e de quantas outras pessoas podem ser contaminadas pelos primeiros infectados - Uma cidade grande como Phoenix me parece perfeita para isso – disse Mulder - Meu Deus Mulder , mal dá pra imaginar quantas pessoas podem morrer se essa doença se espalhar - Fico imaginando as pessoas na tal instalação e que foram usadas nessas experiências Scully - Eram todos indigentes agente Mulder , segundo os registros que li eles foram recolhidas de diversos abrigos por todo o país - "Pessoas invisíveis" , "gente que ninguém dá por falta" , os desgraçados acham que isso dá a eles o direito de usa-las como cobaias – Mulder esmurra o volante com indignação enquanto sente o toque suave de Scully em seu ombro , ela entende aquela indignação pois mesmo sendo uma cientista sabe que deve haver certos limites éticos em qualquer experiência , sem eles a ciência deixa de ser uma ferramenta em benefício da humanidade e pode torna-se o instrumento de sua destruição , era nisso que pensava ao ouvir tudo o que Grace dizia a respeito do que ouvira de Krycek , as palavras dele não a iludiam , ela sabia das muitas atrocidades cometidas em nome dessa teoria de que os fins justificariam os meios , ela sabia que homens como Krycek não estavam interessados em salvar a humanidade de uma possível invasão alienígena , aqueles homens queriam apenas salvar a si mesmos , eles entregariam toda a humanidade se achassem necessário , a nossa salvação jamais poderia vir das mãos deles pois o preço a pagar seria alto demais - Está tudo bem agente Scully? – o toque de Grace no seu ombro faz com que Scully volte de seus devaneios - Sim Grace eu...estava pensando em tudo o que você disse – Mulder olha para as duas e resolve falar - Porque você acha que aquelas pessoas foram inoculadas Grace? - Parece-me óbvio que iam usar aquelas pessoas para pesquisar uma cura - Uma vacina? - Acho que sim agente Mulder - Pois eu tenho as minhas dúvidas - No que está pensando Mulder? - Em todos os casos de abdução que ocorreram até hoje Scully , nas experiências que os abduzidos relatam terem feito com eles - Dá pra ser mais claro agente Mulder – Grace parecia interessada - Se a gripe espanhola foi mesmo uma tentativa frustrada de iniciar a colonização , o que os alienígenas fariam para evitar um novo fracasso? - Criar um vírus ainda mais forte? – Scully entra no jogo do parceiro - Mais para isso eles precisariam descobrir o fator que fez a humanidade ser resistente ao primeiro vírus – disse Grace , cada vez mais interessada na conversa – uma vez que a tendência dos descendentes de infectados que sobreviveram é serem ainda mais resistentes - Você está fazendo uma comparação com a ação dos antibióticos em algumas bactérias – disse Scully - Exatamente Dana , você aplica um determinado antibiótico contra um grupo de bactérias e consegue matar quase todas mas as que sobrevivem acabam gerando outras bactérias resistentes a esse antibiótico - Obrigando a criarem antibióticos mais fortes para enfrentar essa nova geração de bactérias resistentes - É verdade Dana , mas já existe uma corrente de cientistas que acredita ser mais produtivo descobrir qual o fator que faz algumas bactérias mais resistentes e tentar anula-lo - E você acha que esses alienígenas podem estar indo pelo mesmo caminho em relação a nós , por isso as experiências com os abduzidos – completa Scully , Mulder não pôde deixar de sorrir ao constatar que aquela impressão inicial ao ver o retrato de Grace era mais do que verdadeira , aquelas duas mulheres tinham muito mais em comum do que serem apenas fisicamente parecidas e isso ficava mais claro para ele a medida que a viagem seguia e as duas conversavam , Scully falou do imenso fichário que ela e Mulder encontraram dentro de uma montanha , do registro de computador com o código genético de todos os americanos que haviam tomado a vacina contra a varíola e que estava em poder de Jeremiah Smith ; ambas eram cientistas que buscavam provas para tudo , mas que tinham a mente aberta para coisas que não podiam explicar , elas tinham muito em comum e Mulder pensava se Ethan teria consciência disso , se não fora essa semelhança que o aproximara de Grace – "Ethan" – ele pensou , tinha que avisa-lo de que Grace estava bem - Acho que já podemos avisar o Ethan que você está bem Grace - Como assim? Vocês conhecem o Ethan? - Foi ele quem nos procurou em Washington , estava preocupado com você – disse Scully , ela e Mulder estavam de costas para Grace e não viram a expressão preocupada de seu rosto ao perceber que eles estavam ali por causa de seu namorado - Porque não liga para ele e diz que está tudo bem - Aproveite e diga pra ele vir até Phoenix – fala Scully – acho que vamos precisar de toda ajuda profissional que estiver disponível se houver uma epidemia – Grace liga para o número de Ethan , uma parte dela estava feliz por ouvir sua voz e dizer que estava bem , além de poder tranqüilizar sua mãe , ao mesmo tempo uma sensação de desconforto toma conta dela ao perceber que Mulder e Scully não eram quem ela pensava PHOENIX ESTADO DO ARIZONA 3:35 Pm Eles chegaram na cidade muito cansados , a longa viagem cobrava o seu preço na expressão cansada que aquelas três pessoas tinham no rosto , o carro parou em frente ao hospital local e eles entraram apressadamente , indo direto para recepção , a atendente estranhou aquelas pessoas ali mas acatou os distintivos que Mulder e Scully mostraram e mandou chamar o diretor do hospital - Tem certeza de que vai dar certo Mulder? - Seja quem for o coitado que os homens sem rosto levaram Scully , ele deve saber que está doente - E se foi solto nessa cidade na certa está procurando ajuda médica , não é agente Mulder? - Exatamente Grace! – o diretor do hospital chega , em instantes estão todos na sala dele - Ninguém deu entrada nesse hospital apresentando esses sintomas agente Mulder - O senhor não poderia verificar nos outros hospitais da cidade? – pergunta Scully - É tão grave assim senh...agente Scully? - Pode vir a ser Dr. Farmer , se não encontrar-mos essa pessoa – disse a Dra. Grace , o Dr. Farmer liga para todos os hospitais da cidade e num deles descobre um paciente em estado grave apresentando os sintomas descritos , as instruções são dadas para isola-lo enquanto Mulder , Scully e Grace partem para encontra-lo ACAMPAMENTO MILITAR PERIFERIA DE PHOENIX 4:55 Pm A movimentação dos soldados é intensa , mas não é uma guerra comum que eles vão enfrentar e isso pode-se ver pela quantidade de equipamentos médicos presente no local , um helicóptero pousa e Krycek chega com o Homem das unhas bem feitas , eles vão falar com o oficial comandante - Está tudo pronto? – pergunta HUBF - Sim senhor – o oficial comandante estranha a presença de Krycek – estamos prontos para a operação quarentena , é só dar as ordens - Temos que localizar primeiro a fonte do contágio só assim poderemos saber qual o tamanho da a área a ser isolada – HUBF olha para Krycek – quanto a você , quero que vá para a cidade e vê se localiza a Dra. Grace - Eu vou fazer isso agora mesmo - Por acaso você sabe onde encontra-los? - Basta encontrar Mulder e Scully , além do que , eles estão atrás da mesma coisa que nós – Krycek sai no mesmo instante que o telefone de HUBF toca - É você? – ele afasta-se do militar para falar – essa linha é segura mas ainda é muito arriscado um encontro entre nós – HUBF faz uma expressão contrariada com o que ouve – está bem , eu te encontro daqui a uma hora – o oficial comandante aproxima-se dele ao ver o celular sendo desligado - Alguma ordem em especial senhor? - Prepare um jipe que eu vou sair EDIFICIO GARAGEM GRAVES 5:35 Pm O jipe estaciona no local indicado e o homem das unhas bem feitas salta , ele anda alguns metros até encontrar um outro homem , está meio escuro ali mas ele reconheceria a fumaça daquele cigarro em qualquer outro lugar - Foi muita imprudência de sua parte me ligar num momento desses – disse HUBF - Por acaso os nossos antigos associados estão desconfiados de que você os traiu? – o canceroso olha para ele - Aquela médica nunca poderia tê-lo visto - Não se preocupe com a Dra. Grace , ela foi uma variável não prevista mas isso já foi contornado com sucesso - Eu tenho as minhas duvidas , ainda mais agora que ela está com os agentes Mulder e Scully - Isso aí já é fruto da incompetência de vocês , como puderam permitir a invasão do sistema de rastreamento por satélites? - Já tomamos as devidas providências para que isso não volte a repetir-se - Melhor assim – o canceroso tira um envelope do bolso – a cobaia está nesse hospital , os agentes do FBI e a Dra. Grace estão lá também - Como conseguiu essa informação? - Eu tenho minhas fontes – o canceroso sorri – porque o espanto meu caro , não foi por causa da minha competência que você voltou-se contra a ordem dada para eliminar-me? - Aquilo foi um erro com o qual não poderia compactuar , estamos em um momento decisivo e precisamos estar unidos para quando a hora marcada chegar - União é uma coisa que nunca existiu entre nós meu caro – o canceroso acende outro cigarro – tudo o que nós temos em comum é a vontade de sobreviver e a disposição de fazer qualquer coisa para isso - O problema é que nos últimos tempos esse interesse comum não tem impedido uma perigosa divisão entre nós e que pode ser o nosso fim - O problema são os idiotas que acham ser possível confiar nos alienígenas , eles acham que serão poupados quando a colonização começar - Eles apenas agarram-se ao que consideram seu último fio de esperança – o canceroso sorri ao ouvir aquilo - Nós dois sabemos muito bem que os alienígenas só estão nos usando , quando não precisarem de nós eles iniciarão a colonização e será o fim para todos - Eu sei disso – HUBF altera a voz – porque acha que o ajudei a roubar as amostras daquele laboratório? Se os infectados naquela instalação recebessem o vírus que foi extraído daqueles corpos desenterrados os alienígenas teriam conseguido o vírus super resistente que a tanto tempo buscam ; a colonização teria início - Isso eles não terão - Onde estão as amostras? - Num lugar seguro – o canceroso termina mais um cigarro e prepara-se para fumar outro – o importante agora é resolver esse problema que os rebeldes nos criaram - Eles também não são nada confiáveis - Ninguém é confiável nessa história meu caro – o canceroso afasta-se , perdendo-se nas sombras enquanto HUBF volta para o jipe HOSPITAL SANTA ELIZABETH 6:15 Pm Scully e a Dra. Grace examinam as amostras no microscópio , elas usam roupas protetoras numa improvisada área de isolamento daquele hospital , quando chegaram ali já tinham encontrado um verdadeiro caos instalado pois várias pessoas já tinham sido infectadas , essas pessoas foram isoladas antes que o mal se espalhasse mais ainda , em pouco tempo quase todos os infectados já haviam morrido , incluindo o homem que estava na instalação , várias amostras de sangue já haviam sido examinadas e cada vez mais elas tinham consciência do que estavam enfrentando , ambas estavam muito cansadas e foi com grande alívio que a chegada de Ethan permitiu-lhes um pouco de descanso. Enquanto isso , Mulder mantinha-se vigiando a entrada do hospital , ele sabia que em pouco tempo aquilo estaria cheio de militares pois o Centro de Controle de Moléstias havia sido informado da situação , sua maior preocupação , entretanto , era ver a sua parceira correndo o risco de ser contaminada , ele olhava para aquela porta , o papel pendurado nela de maneira improvisada com a inscrição de proibida a entrada devido ao risco de contaminação o instigava ainda mais a arranca-la dali , mas ele sabia que não poderia fazer isso , ela estava fazendo o certo , ela sempre fazia , ele também , por isso estavam ali , o barulho de passos ritmados tirou-o de seus pensamentos e ele foi imprensado contra a parede , sentiu o desconforto de ver seu corpo sendo apalpado até acharem sua arma , foi quando uma voz autoritária fez-se ouvir - Agente Mulder eu suponho , onde estão a sua parceira e a Dra. Grace? - Atrás daquela porta – ele sente a pressão contra ele afrouxar – mas eu não aconselho a entrarem lá sem uma roupa protetora - Não se preocupe com isso agente Mulder – o militar avisa pelo rádio que pegou Mulder e recebe ordens de tira-lo dali Sem ter idéia do que está acontecendo do lado de fora , três pessoas discutem entre si o que acabaram de descobrir ao examinar as pessoas infectadas - Você faz alguma idéia do que essa sua teoria pode significar Grace? – Ethan parecia não acreditar no que acabara de ouvir - Eu sei o que vi naquela instalação Ethan , o que li naqueles registros de computador – disse Grace – eu até gravei tudo em disquete - Você não nos contou isso Grace – disse Scully - Há outra coisa que eu não contei Dana , mas isso fica para depois - Você não está pensando em contar essa teoria pra todo mundo Grace – disse Ethan – vão rir de você - As pessoas tem que saber o que está acontecendo Ethan - Concordo com você sobre isso Grace , mas o Ethan tem razão em dizer que vão rir de você – Scully olha para alguém que tornou-se uma grande amiga em pouco tempo – eu e Mulder temos tentado expor essa gente a muito tempo e sabemos do que são capazes para manter os seus segredos - Você viu os exames Dana , se estiver-mos certas a humanidade pode estar carregando dentro de si as sementes da sua própria destruição - Nós ainda não temos certeza se esse DNA inativo que encontramos nas amostras está presente todos os seres humanos , vão ser preciso exames muito mais amplos para corroborar essa teoria - E se for verdade? E se cada ser humano desse planeta carregar o DNA inativo com o código genético do vírus da gripe espanhola? Você viu os exames das pessoas que foram infectadas pelo sujeito que estava na instalação , foi esse DNA inativo que desencadeou os sintomas ao entrar em contato o vírus ; o inimigo pode estar dentro de nós Dana , esperando , aguardando até ser ativado novamente , só que com um poder de destruição maior que antes - Eu sei o que quer dizer Grace – Scully volta a olhar no microscópio – é uma variação diferente e muito mais letal do vírus da gripe espanhola , o modo como atacou as outras pessoas e a rapidez como as matou não deixa dúvidas a respeito disso - Isso é uma loucura , porque seres humanos seriam cúmplices na destruição de sua própria espécie? - Arrogância Ethan! – disse Scully – acreditam que podem vencer o inimigo fingindo aliar-se a eles , acreditam que podem abrir uma caixa de Pandora sem deixar que o mal contido dentro dela escape A porta abre-se diante deles e homens em roupas protetoras entram , alguns deles portam armas que são apontadas para Scully , Grace e Ethan - O que significa isso? – Ethan tenta argumentar - Significa que estamos assumindo daqui por diante – a voz saia distorcida daquela roupa protetora , mas Grace a reconheceu - Dr. Newmam? O que está fazendo aqui? Onde está o Dr. Craig? - O paradeiro do Dr. Craig é desconhecido minha cara e eu estou aqui para conter um possível contágio por hantavírus – ele dá um sinal para os homens armados e Scully , Ethan e Grace são retirados do lugar , lá fora dois homens conduzem a Dra. Grace para a escadaria sob os protestos de Scully e Ethan que são arrastados para outro lugar onde encontram Mulder - Mulder – Scully o vê e fica aliviada – eles levaram a Grace - Levaram pra onde Scully? – ele volta-se para o militar , que nada diz , Mulder nota que ele parece também não saber e isso o deixa ainda mais preocupado A Dra. Grace é conduzida para as escadarias pelos dois homens engravatados até chegar na garagem onde vê alguém conhecido - Você? – ela não contém a tensão ao ver aquele homem – você me enganou , não foi pra isso que eu o avisei onde estava o paciente infectado - Apenas fiz o meu trabalho Dra. – o canceroso aproxima-se dela – acho que você tem algo que eu quero – os homens a revistam , encontrando o disquete - O que você falou para os agentes Mulder e Scully? - Nada de mais – ela mente – eu pensei que eles trabalhavam para você , que os tinha mandado me resgatar - E o que fez você pensar isso? - Na verdade fui eu que a fez pensar assim – a voz de Krycek faz-se ouvir e todos voltam-se para ele – eu sabia que estava vivo seu desgraçado - Então eles o aceitaram de volta Krycek , os idiotas cometeram mais erros na minha ausência do que eu imaginava – os homens a serviço do canceroso sacam suas armas e atiram , Krycek esconde-se atrás de uma pilastra e faz o mesmo , acertando um deles , a Dra. Grace aproveita para fugir , o tiroteio provoca pânico em outras pessoas que estão na garagem e o canceroso trata de sair dali com o disquete ; Krycek mata o outro capanga do canceroso e fica na duvida se vai atrás dele ou da Dra. Grace , decidi ir atrás dela. O desespero de Grace é grande ao fugir daqueles homens , ela sobe as escadas correndo e acaba indo para o mesmo andar de onde fora levada , ela vai em busca de Mulder e Scully , até os militares pareciam confiáveis naquela hora , ela corre pelos corredores do hospital e encontra os agentes e mais Ethan ainda discutindo com os militares , eles exigem que ela pare , Grace fica sem saber o que fazer até que é atingida por um tiro - Não! – o grito de Scully é intenso e doloroso , ela parecia ver Grace caindo em câmara lenta diante de si , com uma força insuspeita ela desvencilha-se do soldado que a segurava e vai de encontro a sua nova amiga , notando rapidamente que nada mais pode ser feito - Segurem esse homem – o militar dá essa ordem ao segurança do hospital que tenta conter Krycek mas é derrubado por ele , que foge pelas escadarias ; as lágrimas em seu rosto não impedem Scully de ver o assassino de Grace – "você mais uma vez Krycek"– ela pensa , a confusão é grande no hospital e Scully aproveita para pegar a arma do segurança que Krycek derrubara e vai atrás dele - Scully – Mulder grita , ao vê-la correr até as escadarias , mais que ninguém , ele sabe o que ela está sentindo e teme o que vá fazer , mas ao tentar ir atrás dela os soldados o seguram criando um tumulto ainda maior Krycek chega até a garagem esperando encontrar o carro onde iria fugir mas não havia carro nenhum , ele diz alguns palavrões em Russo até ver o carro da fuga entrar na garagem , vai ao encontro dele sem notar a pequena figura atrás de si , olhando-o com ódio - Parado aí Krycek – Scully aponta a arma para ele , Krycek vira-se para ela - Agente Scully , que prazer revê-la - Dessa vez você não escapa desgraçado – ela ainda não notou o carro entrando na garagem - Não seja ingênua minha querida , acha mesmo que pode me prender? – ele ri cinicamente – todos esses anos com o Mulder fizeram-lhe muito mal , pegou a mania dele por causas perdidas - Vire-se para a parede com as mãos na cabeça – ela está com a cabeça cheia de pensamentos conflitantes , sabe que dificilmente aquele homem pagaria por seus crimes e ver Grace morta em seus braços a fez lembrar-se de Melissa , uma grande revolta apoderou-se dela , ainda mais ao ver o cinismo do homem à sua frente , ele fez menção de obedecer Scully e foi virando-se lentamente para a parede mas resolveu jogar com ela até seus cúmplices chegarem - Vai Ter que atirar em mim agente Scully – ele diz - Não me provoque Krycek – ela diz , cada mais revoltada – você não é capaz de entender o que eu estou sentindo nesse momento - O único jeito de você me pegar é me matando , do mesmo jeito que eu ajudei a matar a sua irmã – ele espera ganhar tempo jogando com ela - A morte é pouco pra você Krycek – o rosto dela fica inexpressivo e o azul dos olhos perde aquele brilho que Krycek nunca deixou de notar , o sorriso cínico desaparece do rosto daquele homem ao ver que talvez tenha ido longe demais no seu jogo XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os homens no carro viram a pequena figura junto a Krycek mas só ficaram preocupados quando notaram a arma apontada para ele , o motorista fez menção de avançar com o carro mas o sujeito ao seu lado resolveu esperar para ver como o Russo sairia da situação ao ver que era uma mulher que apontava a arma para ele , a surpresa foi grande para todos ao ver o tiro disparado da arma daquela pequena figura derruba-lo , o homem ao lado do motorista percebe que super estimou a capacidade de Krycek e manda o carro avançar em direção a pequena figura. Scully vê o carro vindo em sua direção e joga-se atrás de outro veículo ao mesmo tempo que vários tiros são disparados em sua direção , Krycek é socorrido por seus cúmplices , que fogem ao ver alguns soldados chegando CEMITÉRIO MUNICIPAL DE SAN DIEGO DOIS DIAS DEPOIS 11:15 Am O silêncio solene daquele lugar era quebrado apenas pelas palavras do Padre ao fazer a elegia e pelo choro contido da mãe de Grace Stamford ao ver o caixão da filha baixando a sepultura , todos os demais permaneciam num silêncio respeitoso , cada um com seus próprios pensamentos , Scully via aquela pobre mulher chorando a perda da filha e não pôde evitar de pensar em sua mãe no enterro de Melissa , sentiu uma grande vontade de conforta-la mas algo a impedia de faze-lo , culpa talvez , ela tratou de espantar aquele pensamento , a culpa não fora dela mas de Krycek , ele a matou como ajudara a matar sua irmã , ainda assim ela não sentia-se a vontade para confortar aquela mulher , mas resolveu lutar contra esses sentimentos pois também conhecia a dor de perder uma filha , embora as circunstâncias fossem bem diferentes a dor era a mesma e ainda podia ser sentida por Scully , tão recente que era ; ela aproximou-se da senhora Stamford e tocou-a levemente no ombro , não disse absolutamente nada , ela sabia que nada do que falasse seria capaz de diminuir a dor daquele momento , o medo da rejeição era grande mas Scully resolveu enfrentar tudo isso , ela precisava , as duas olharam-se de frente e tudo o que Scully viu nos olhos daquela mulher era solidariedade , a senhora Stamford pareceu ler nos olhos de Scully a mesma dor que estava sentindo naquele momento , logo estavam abraçadas , confortando-se mutuamente RUA 46 CIDADE DE NOVA YORK DIA SEGUINTE 1:35 Pm A fumaça de cigarro parecia espalhar-se por toda a parte , ela envolvia aqueles homens engravatados , o que somado a pouca iluminação do lugar dava-lhes um aspecto sinistro , que lhes caia bem - Os colonizadores vão querer uma explicação para o fracasso da operação – disse o primeiro ancião - Diremos a verdade – fala o homem das unhas bem feitas – os rebeldes destruíram a base onde seria feito o experimento - A epidemia em Phoenix foi controlada com facilidade – disse o segundo ancião – isso significa que o vírus não era o que eles esperavam - Nós tivemos foi sorte isso sim – disse o primeiro ancião – foi um sorte aquele infeliz ter procurado logo um hospital e mais sorte ainda que aqueles agentes do FBI e a Dra. Grace terem tomados as primeiras providências antes mesmo de nós - Admito que a ação daqueles três foi de fundamental importância – disse HUBF – e que o nosso pessoal demorou a agir , mas parte da culpa nisso é de vocês por terem mandado eliminar o homem que cuidava dessa parte para nós - Não me venha com essa história – o segundo ancião levanta- se irritado – as ações dele estavam independentes demais , ele nunca poderia ter deixado o agente Mulder sair livremente do Pentágono depois de tudo o que viu e ainda por cima com a cura para sua parceira - A decisão de elimina-lo foi um erro , ele é um operativo extremamente competente e se estivesse comandando a operação nada disso estaria acontecendo - Porque você fala como se ele ainda estivesse vivo? – disse um terceiro ancião - Porque ele está vivo senhores – alguns anciões ficam chocados com a revelação mas outros não - Então é verdade o que Krycek disse – falou o segundo ancião - Ele o viu pessoalmente em Phoenix , com certeza é com ele que estão as amostras roubadas - Qual é o problema? Podemos conseguir outros corpos e nova amostras - Não é tão simples meu caro , e creio que o próprio Dr. Newmam poderá explicar melhor – HUBF passa a palavra para o Dr. Newmam , ele está muito nervoso pois era a primeira vez que estava ali com aqueles homens , tratou de disfarçar isso - Os corpos não foram escolhidos aleatoriamente , eram de pessoas em que o vírus atingiu o seu maior estágio de desenvolvimento...e hã...e por isso ainda mantinham um razoável estado de conservação - Foram necessários muitos anos de pesquisas para encontrar esses corpos – HUBF percebeu o nervosismo do Dr. Newmam e resolveu completar o seu raciocínio – temos de convencer os colonizadores de que o caminho mais rápido são os Híbridos - E quanto a ele? – o segundo ancião referia-se ao canceroso e HUBF viu que era hora de jogar a sua cartada - Acho que devemos traze-lo de volta – um burburinho forma-se entre aqueles homens ao ouvir aquilo - Você só pode ter enlouquecido – o segundo ancião era só indignação – ele não é nada confiável - Mais um motivo para traze-lo de volta , é melhor que ele fique embaixo de nossas vistas - Pois eu acho melhor encontra-lo e mata-lo – HUBF observa as reações dos outros homens e percebe que ainda não é hora de insistir com a idéia , o olhar do segundo ancião para ele demonstra a desconfiança em relação a sua pessoa , é melhor esperar uma outra oportunidade , olhou para o relógio e constatou que a essa hora a operação de Krycek estava para começar e despediu-se dos outros pois queria acompanhar tudo passo a passo , ele foi embora , e mesmo sabendo que a sua saída desencadearia muitos murmúrios entre aqueles homens , sentiu-se aliviado , pois cada vez mais essas reuniões e tudo o que dizia respeito a elas tornavam-se mais aborrecidas para aquele ele XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Alex Krycek parecia ver toda sua vida passar diante de si , ele não sabia direito se estava dormindo ou acordado mas tinha consciência de que sua vida estava sendo definida numa mesa cirúrgica , ele jamais gostou de depender de alguém mas naquele momento sua vida estava nas mãos de estranhos , como chegara até ali? Ele sabia é claro e podia ver as imagens diante si como um filme em câmara lenta , as últimas palavras que disse a Scully e a resposta dela ressoavam em sua cabeça , a partir daí as imagens pareciam vir num quadro a quadro , ele pôde contar os passos que Scully deu em sua direção , três ao todo , era a chance que precisava para tomar-lhe a arma e domina-la , poderia continuar jogando com ela , falar do prazer que teria sentido ao ver sua irmã agonizando no chão daquele apartamento , podia instigar a culpa que Scully certamente sentia por saber que a bala era pra ela e não para Melissa , seria divertido , quanto tempo seu cérebro levou para processar tudo isso? Um milésimo de segundo talvez , o mesmo tempo que levou para ordenar a seus terminais nervosos que projetasse seu corpo em direção a ela , teria sido simples se o cérebro de Scully não tivesse trabalhado numa sintonia perfeita com o dele – "a morte é pouco pra você Krycek" – podia ouvir as palavras dela , ele sabia que aquele tiro não foi apenas revolta e indignação , por trás dele havia um objetivo frio e bem definido de punir alguém que a lei não alcançaria , quanto tempo levou o cérebro dela para tomar a decisão de puni-lo daquela forma? O mesmo milésimo de segundo com certeza , o mesmo tempo que seus terminais nervosos levaram para ordenar ao dedo que pressionava o gatilho da arma pra dispara-la , era uma arma de calibre comum , mas o tiro foi a queima-roupa e atravessou-lhe a barriga para alojar-se em sua coluna cervical ; alguns poucos segundos , foi esse o tempo que levou para as pernas amolecerem , o corpo desabar , encontrando o chão duro da garagem , todo esse tempo os olhos verdes dele estavam fixos nos olhos azuis dela , os olhos azuis leram a surpresa , misturada com a agonia de dor nos olhos verdes que leram nos azuis a satisfação pelo objetivo alcançado , ainda olhando para ela , Krycek deu um longo suspiro , depois disso , só escuridão , a mesma que viu cair sobre si quando a anestesia foi aplicada SEDE DO FBI 1:55 Pm Mulder entrou em seu escritório e Scully logo percebeu a indignação estampada no rosto dele , ela não disse nada , ele sentou-se em sua cadeira , ficou alguns segundos em silêncio , e só então falou - Skinner me contou a história da carochinha que os militares inventaram para justificar tudo o que aconteceu em Phoenix – ela olha pra ele , profundamente solidária - O que foi dessa vez? - Um grupo terrorista roubou amostras de um hantavírus no laboratório de San Diego , parece que eles tinham a cumplicidade de pesquisador chefe , o Dr. Craig - Deixe-me adivinhar , ele está desaparecido - E duvido que vá aparecer , provavelmente está morto - Não há muito o que possamos fazer Mulder , eles ganharam de novo - Eu sei Scully mas...aquilo que você me disse sobre todos nós Ter-mos o DNA da gripe espanhola inativo dentro de nós... - É só uma suposição Mulder - É a verdade Scully e você sabe disso , explica muita coisa que investigamos nesses anos todos – Scully olhou para aquele homem à sua frente , parecia ler o que ia em sua mente e perguntava se ele podia fazer o mesmo com ela - Qual é a sua teoria Mulder? - Eu já disse Scully , a gripe espanhola foi uma tentativa frustrada de iniciar a colonização – ela podia sentir o entusiasmo dele e sorriu , estimulando-o – os registros históricos dizem que a gripe espanhola atingiu metade da população mundial na época - Foram mais de um bilhão de pessoas infectadas – completa Scully - Pois eu acho que toda a humanidade foi infectada Scully , embora só a metade dela tenha desenvolvido os sintomas da gripe espanhola - E porque isso Mulder? - A idéia era infectar toda a humanidade com o vírus e leva- la a extinção , mas os colonizadores não contavam que os nossos "avós" fossem tão resistentes ao vírus - Só que esse grau de resistência era variável – completa Scully – metade da humanidade era muito resistente a ponto de nem desenvolver a doença , a outra metade não tinha o mesmo grau de resistência ao vírus - Só que isso variava de pessoa a pessoa , em algumas a resistência era tão pequena que os sintomas acabavam por leva-las a morte - Se tudo isso for verdade Mulder , então a gripe espanhola não foi propriamente uma doença mas sim os sintomas resultantes da reação do organismo frente a um elemento desconhecido , no caso , o vírus alienígena - Só que o sistema imunológico humano não destruiu o vírus Scully , apenas tornou-o inativo e a medida que os infectados foram tendo filhos acabaram passando esse vírus para eles sob a forma de um DNA inativo que passou a fazer parte da sua constituição genética - E com o código genético do vírus alienígena – Mulder sorriu ao ver Scully completando o seu raciocínio , outra pessoa provavelmente estaria rindo de tudo aquilo – fico imaginando qual seria o grau de resistência que a humanidade teria hoje em dia - Você está pensando nas pessoas que morreram em Phoenix? - A resistência delas foi mínima Mulder , aquelas pessoas morreram poucas horas depois de serem infectadas - Eu tenho uma teoria sobre isso também - E qual seria? - Eu acho que aquelas pessoas que morreram tinham algum laço genético com aquela metade da humanidade que desenvolveu os sintomas , por isso o seu grau de resistência ao vírus era muito pequeno - Será que é assim com toda humanidade Mulder? - É só pensar nas ações do sindicato e você vai ver que não Scully , raciocine comigo , se um homem e uma mulher que não desenvolveram os sintomas da gripe espanhola tivessem filhos , eles herdariam a imunidade dos pais , certo? - Eu diria que sim – disse Scully - Agora imagine que esses filhos tivessem filhos com outras pessoas que também eram filhos de pessoas que também não desenvolveram os sintomas da gripe espanhola , os netos herdariam as imunidades dos pais , que já as haviam herdado dos avós , tanto maternos quanto paternos , certo? - Onde você quer chegar com esse raciocínio Mulder? - Imaginando que essa linhagem permanecesse sem se misturar com a linhagem dos que desenvolveram os sintomas , com certeza os atuais descendentes daqueles dois casais iniciais teriam um altíssimo grau de resistência ao vírus , mesmo uma versão mais forte dele , como o que vimos em Phoenix , talvez até fossem imunes - Você sabe quais as chances desse tipo de linhagem manter-se sem mistura todo esse tempo Mulder? - Uma em um milhão? – ele disse rindo – e isso significa que muitíssimo poucas pessoas podem ser realmente imunes ao vírus , encontra-las seria como procurar uma agulha num palheiro - A não ser... – Scully ficou com a aquela expressão enigmática que Mulder conhecia bem - A não ser o que? - Aquela listagem que estava com os clones de Jeremiah Smith e que continham informações , inclusive genéticas , sobre todos os americanos que tomaram a vacina contra a varíola - Ela provavelmente significa a mesma coisa que aqueles imenso arquivo que encontramos dentro de uma montanha , o sindicato sabe quem são os imunes Scully , devem haver registros como esse em todo o mundo - Tudo o que estamos conjeturando pode ser verdade Mulder , mas não temos como provar – ela deu um longo suspiro e Mulder notou a expressão cansada de quem parecia não ter dormido bem a noite - Algum problema Scully? Tenho notado você estranha desde que saímos de Phoenix e não parece que é só pelo que com o que aconteceu com a Grace - Eu não...eu não quero falar sobre isso agora Mulder – ela levanta-se da cadeira e dirige-se a porta – não me sinto bem hoje eu...eu vou pra casa , até amanhã Mulder – ela vai embora , deixando Mulder preocupado por saber que algo está atormentando sua parceira e que talvez não pudesse ajuda-la APARTAMENTO DE SCULLY 10:45 Pm Ela tentou jantar mas não conseguiu , tentava ler algo para passar o tempo mas não conseguia concentrar-se , até ouvir uma batida conhecida na porta e permitir-se um sorriso ao ir abri-la - Entra Mulder – disse ela , convidando-o a entrar - Não queria incomoda-la Scully , mas estou muito preocupado com você – ele entra e senta-se no sofá , ela faz o mesmo – está tudo bem? - Ainda estou um pouco deprimida por causa da Grace – ele afasta uma mexa de cabelo dela e ficam olhando-se em silêncio - Não é só isso Scully , pode ser pretensão minha mas eu sinto que você quer me contar algo só que não está tendo coragem – Scully olha para aquele homem que conhece a tantos anos sem nada dizer , como falar de seu ato indigno a alguém cujo opinião lhe é tão cara? Suportaria o julgamento de qualquer outra pessoa a respeito do que fez , mas será que agüentaria a decepção no olhar dele ao saber de algo que a iguala às pessoas que ele mais odeia? Talvez não , mesmo assim ela teria de contar , só não queria enfrentar o olhar dele ao dizer isso e tratou de abraça-lo , encostando a cabeça no seu peito - Eu cometi um crime em Phoenix , Mulder – ela não viu o olhar dele mas sentiu seu coração disparar com aquela revelação – atirei num homem a sangue-frio , não foi um gesto de defesa ou desespero mas uma decisão fria e meticulosamente calculada , algo que sempre esteve em meus pensamentos desde a morte da minha irmã - Não precisa falar nada se não quiser Scully – a voz dele saia tremula e o coração continuava disparado , isso deixava-a ainda mais tensa - Preciso sim Mulder , preciso muito – as primeiras lágrimas rolaram por seu rosto suave , indo parar na roupa dele – atirei em Alex Krycek! Não queria mata-lo , nada disso , a morte era muito pouco pra aquele desgraçado , queria que ele sofresse Mulder , queria que ele sofresse uma vida inteira como eu vou sofrer por causa de Melissa , pela culpa que sinto – ela se permite um estranho sorriso antes de voltar a falar – saiba Mulder , poucas coisas no mundo podem causar mais dor numa pessoa que um tiro a queima-roupa na barriga - Porque está me dizendo isso? - Porque foi com essa intenção que eu atirei nele! Além disso , pelo ângulo e a distância em que o tiro foi disparado era quase certo que a bala atravessasse o corpo até atingir a coluna cervical , o que o deixaria paralítico – ela sente que está sendo mais apertada contra o peito dele , as lágrimas caem com mais profusão , Scully ainda tenta , mas não consegue conter os soluços - Acha que eu vou condenar você por isso Scully? – ele coloca o rosto dela entre as mãos , limpa-lhe as lágrimas e olha fundo no azul dos olhos dela – você tem idéia de quantas vezes eu já sonhei fazer coisa parecida , talvez pior , com aquele filho da mãe? Acha que posso condenar você? Mesmo que pudesse , acha que eu faria? Queria é ter tido a sua coragem para fazer aquele miserável pagar por todos os crimes que cometeu - O que eu fiz não tem nada haver com coragem Mulder – disse ela , mais aliviada – na verdade tem haver com um lado sombrio que existe em todos nós , algo mais perigoso até que esse DNA alienígena inativo dentro de nós – ela procura recompor-se antes de continuar – algo que me assusta muito porque...Mulder eu senti muito prazer em fazer aquilo com o Krycek – ela fecha os olhos e dá um longo suspiro – foi uma delicioso ver a surpresa e a dor nos olhos dele por algo que ele jamais esperava que eu fizesse , e mesmo sabendo que fiz algo errado , algo que vai contra o que acredito , contra minha fé e tudo o que meus pais ensinaram , ainda assim , eu não estou arrependida , se eu tivesse mil novas oportunidades , mil vezes eu faria a mesma coisa - Eu entendo o que sente Scully , em todos esses anos jogando com as regras e enfrentando pessoas que não tem regras , acha que eu nunca me senti tentado a jogar como eles? Se eu nunca o fiz foi por sua causa , você é o meu lado honesto Scully – ele toca de leve no queixo dela , naquele rosto molhado por lágrimas que não caiam mais , sorri para ela – as vezes eu fico observando você e me pergunto , porque ela não é 10 centímetros mais alta? - Que idéia Mulder – ela sorri , e lê nos olhos dele a pergunta que deve fazer – porque eu não sou 10 centímetros mais alta Mulder? - Porque se fosse 10 centímetros mais alta você seria perfeita e não existem mulheres perfeitas – ela riu ao ouvir aquilo , um riso alegre e expansivo , quase uma gargalhada , o coração dele aqueceu-se ao vê-la reagir assim , não lembrava de tê-la visto tão alegre , e como ficava linda assim , ele também riu , contagiado pela alegria dela , até que os dois pararam de rir embora a alegria daquele momento ainda estivesse estampada em ambos os rostos - Foi a coisa mais linda que alguém já disse pra mim Mulder - Foi só a verdade Scully – ele afasta uma mexa de cabelo do rosto dela – é verdade que agora vou ter de acrescentar esse seu gesto com o Krycek na sua lista de imperfeições , mas ainda assim você está com um crédito altíssimo – ele sorri – pelo menos comigo - Fico feliz de ouvir isso – agora ela é que acaricia o rosto dele – suportaria a condenação de qualquer um , menos a sua Mulder A respiração deles era suave , bem como o compasso das batidas de seus corações , tudo começou a mudar quando seus rostos aproximaram-se lentamente , até um leve roçar de lábios , tocavam-se e afastavam-se continuamente , sentia-se o hálito quente , a respiração suspensa , o peito arfando , as mãos paradas , esperando a permissão que só os olhos podiam dar , e eles estavam abertos enquanto os lábios continuavam tocando e se afastando , o olhar fixo um no outro , esperando a permissão dela , a permissão dele , até que ela veio e os lábios tocaram-se de vez , as mãos forçaram a aproximação dos corpos , o beijo fez-se intenso XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX As primeiras imagens que vê ao acordar são disformes , a visão turva e a sonolência provocada pela anestesia ainda fazem-se presentes , mas ele consegue reconhecer o homem sentado ao lado de sua cama - Bem vindo de volta ao mundo dos vivos Krycek – disse o homem das unhas bem feitas - Deixa o papo furado de lado e diz logo se vou ou não ficar aleijado – HUBF sorri - Foi por muito pouco meu caro mas você escapou desse destino terrível - Mas... - Haverão algumas seqüelas do ferimento é claro , a principal delas é que não foi possível retirar a bala de sua coluna cervical - Porque não? - Se os médicos a retirassem aí sim você teria de passar o resto da vida numa cadeira de rodas – HUBF mostra um frasco de comprimidos a Krycek – vai ter de passar o resto da vida tomando essas coisinhas aqui para aliviar as dores que volta e meia irá sentir , foi o máximo que pudemos fazer por você meu caro. Mas anime-se Krycek , considere essa bala como um troféu de guerra do mesmo jeito que essa prótese no braço - Ora seu... – Krycek o agarra pelo terno fazendo um movimento de levantar o corpo que causa-lhe uma dor terrível , ele dá um grito lancinante , HUBF não perde a calma - Esqueci de dizer que você não vai poder fazer qualquer esforço pelos próximos dias – ele o vê se contorcendo de dor e não consegue evitar de sentir um mórbido prazer com aquilo – acho que vai precisar dos seus remédios , uma pílula por vez é o suficiente – dá o frasco a Krycek , que aos poucos sente a dor passar - Aquela cadela vai me pagar , assim que eu estiver melhor vou fazer uma visita pra ela - Vai ter de conter seus impulsos vingativos Krycek , se fizer algo contra a agente Scully eu mesmo mando tirar essa bala de você e sem anestesia - Mas o que é isso? Antes era o desgraçado do canceroso , agora é você que também vai proteger Mulder e Scully? O que esses dois tem de tão importante pro sindicato ainda não ter acabado com eles? - As razões do sindicato não são da sua conta Krycek , apenas obedeça as ordens ou então nós acabamos com você – HUBF levanta-se e vai embora , Krycek sabe que algo está por trás disso tudo e decide que é melhor deixar sua vingança pessoal de lado em nome de um objetivo maior , ele tem seus próprios planos e saber o que torna Mulder e Scully especiais para o sindicato pode ser importante para que eles dêem certo e quando isso acontecer , aí sim , todos vão pagar muito caro GARAGEM DO EDIFÍCIO WATERGATE UMA SEMANA DEPOIS Era alta madrugada e o lugar estava deserto , os poucos carros a vista somados as sombras projetadas pelas pilastras davam um ar meio sinistro que mesmo o homem que ali estava sentia um certo temor enquanto esperava a pessoa com quem marcara um encontro - Você parece nervoso – disse o canceroso , HUBF procurou disfarçar esse detalhe - Acho que estou ficando velho demais para essas coisas - Já decidiu como vai ser? - Já está tudo esquematizado , eles não terão outra escolha a não ser convocar você de volta - E quanto as amostras? - O tempo urge , temos que produzir o máximo possível de vacinas para testar nos "escolhidos" – o canceroso não pôde evitar de rir - Que nome você foi escolher - É um nome perfeito para eles , não sei se foi a sorte ou a providência divina que os fez serem os humanos com o maior grau de imunidade ao vírus alienígena , mas o fato de serem tão poucos faz deles verdadeiros "escolhidos" , não acha? - Que seja! O importante é que uma vez neles a vacina produza os anticorpos necessários para que tenhamos a arma definitiva contra os colonizadores - Vai acontecer não se preocupe , trabalhamos nisso a vida toda , fizemos sacrifícios , sujamos as mãos de sangue , inclusive o sangue de amigos – eles fazem um breve silêncio ao lembrar disso – vamos conseguir - Eu vou voltar para o meu esconderijo e esperar pelos acontecimentos – ele faz menção de ir mas lembra-se de algo – como vai o Krycek? - Bem melhor , acho até que vai participar da operação - Precisamos ter cuidado com aquele russo , ele tem seus próprios planos - Ele serve aos nossos propósitos lembra? Por isso ainda não o descartamos – eles despendem-se com um aperto de mãos e cada um segue o seu caminho IGREJA DE SÃO PATRÍCIO WASHINGTON DC 8:35 Am Era um silêncio solene que vinha daquelas paredes adornadas com imagens de santos , além vitrais que retratavam o sofrimento de Cristo e a devoção da Virgem Maria , Dana Scully sentia-se em paz ali , a confissão , feita à pouco , aliviou-lhe o coração angustiado por um sentimento que sabia ser menor e indigno , mas do qual não conseguia livrar- se , o passar dos dias não a fez arrepender-se do que havia feito a seu inimigo mas as palavras de seu confessor tiraram parte de seu fardo , ela sabia que havia uma sombra espreitando-lhe a alma , um monstro que devia manter sob controle para continuar digna perante seu Deus , ela orou com grande fervor , rogando por um perdão que no fundo , sabia ser merecedora , mas foi na humildade de seu gesto que encontrou a força que precisava para seguir o seu destino , ele estava no porão de um edifício , não muito longe dali , e pra lá ela foi , com um sorriso no rosto e a alma mais aliviada. *ESTRADA TOTALMENTE FICTÍCIA FIM