Blinded by white light Parte 5 Enfim essa é a última parte dessa fic. Aproveitem!!! Feedback: agentkaren@arquivo-x.com XXXXXXXXXXXXXX Ela rodava a pequena sala de um lado para o outro apertando e desapertando os punhos. Evan a observava da cadeira com uma expressão preocupada na face. Sua mente vagava tão rapidamente que não conseguia organizar seus pensamentos. Antes. Mulder. Eu o conhecia. Eu o amava. Oh, meu Deus. Ele estava certo. Meus sonhos estavam certos. Nós nos conhecíamos. Que droga... Nós nos encontramos de novo. Mulder. Era você. Era você era você todo esse tempo era você. De repente, ela encarou Evan. "Posso usar seu telefone?" ele assentiu levantando-se para dar a ela o controle remoto que estava entre uma tigela de cereal e algumas moedas. Suas mãos tremiam tanto que ela quase não conseguia digitar o número de Mulder. Oh, por favor esteja em casa, ela pensou. Ela deixou um suspiro exasperado e de pânico quando o rosto de Sarah apareceu na tela. Era o serviço de mensagens deles. Sarah sorria para a câmera e dizia "Você acessou a linha de Sarah Morelli e Fox Mulder. No momento não podemos atender sua ligação então por favor, deixe uma mensagem e retornaremos assim que possível." "Não" ela sussurrava "Atenda, Mulder." Ela cortou a conexão antes do beep de mensagem e colocou as mãos no rosto. Ela precisava falar com Mulder. Agora. E então ela teve uma idéia. "Você pode usar seu software e ver se Mulder está conectado?" Ele estava aliviado por poder fazer algo para ajudá-la. Seus dedos deslizavam pelo teclado negro. Ele virou-se e sorriu "Ele está conectado. Quer saber onde ele está?" Dana aproximou-se de Evan e seu computador, suas pernas tremiam "Eu sei exatamente onde ele está." Ela disse baixinho "Você se importa se eu navegar pelo seu computador? Ele tem um Netspace." Ela sentiu as mãos quentes de Evan nela. "Eu sei que não é da minha conta Dana mas, o que esse cara é pra você?" Uma pergunta tão simples, uma resposta tão complicada. "Ele é tudo para mim" ela disse com uma voz trêmula e ficou esperando pelas palavras de recriminação de Evan. Afinal ele conhecia John pelo mesmo tempo que a conhecia. Algumas vezes eles jogavam basquete no parque. Evan quase não balançara a cabeça " Então, você o conhecia do Antes." Ela apontou a foto dos dois na tela "Aparentemente, sim." Eu o conhecia e o amava e finalmente eu o vejo depois de cinco anos e não pude me lembrar de você. Ela não podia prender sua mente a essa idéia. Ele levantou as sobrancelhas "Wow, isso é demais." Ele entregou a ela o seu cabo para a conexão. "Vá em frente." Ela sorriu "Obrigada, Evan." Depois de alguns segundos, ela prendeu o cabo e acessou o seu sistema central da rede para conectar-se. Ela fechou os olhos tentando clarear a mente com um suspiro profundo ,mas não funcionou. Ela estava conectada. Com uns poucos comandos digitados no teclado de Evan ela estava no corredor virtual em frente a porta de Mulder. Você pode fazer isso, ela dizia a si mesma. Seja corajosa. O Netspace estava setado para um dia ensolarado. O ar quente e as ondas tocavam a areia gentilmente. Mulder estava de costas para ela sentado na areia. Ela arrastou-se até ele e tocou-o no ombro. O olhar que ele deu a ela era um que ela nunca tinha recebido dele antes. Era...penetrante. Ela abriu a boca mas nenhum som foi emitido. Oh, Deus. Eu acho que de alguma maneira ele também sabe, ela pensou. Ele ficou de pé e tirou a areia virtual da calça jeans "Eu ia ligar para você agora." Ele disse numa voz rouca. Dana pegou a mão dele e apertou "Nós precisamos conversar." Ele balançou a cabeça concordando. "Não aqui" ela disse "Pessoalmente." Ela gesticulou apontando o oceano "Isso não é real o bastante." "Nós precisamos conversar." Ele repetiu. A tentação de ficar e dizer impensadamente tudo que ela agora sabia ser verdade era grande demais. Mas, esse não era o melhor lugar. "O parque onde nos conhecemos pela primeira vez, você pode estar lá em 10 minutos?" "Eu estarei lá" Eu o conhecia o amava e o esqueci. Ela virou-se e saiu correndo pela porta do Netspace. Quando ela se desconectou, abriu os olhos e viu Evan sentado à mesa da cozinha segurando uma garrafa de água e olhando para ela. "Obrigada" e dizendo isso levantou-se da cadeira e dirigia-se para a porta "Eu tenho que correr". Ele levantou-se da mesa rapidamente "Onde você vai?" Dana parou "Eu vou descobrir a verdade. Estou indo encontrá- lo." Ele pegou a sua jaqueta de couro e disse "Deixe-me levá-la até lá." "Eu vou apenas descer um quarteirão até o parque. Não se preocupe." Ela sorri diante do gesto desnecessário e ao mesmo tempo cavalheiro dele. As ruas são seguras, ela estaria bem. "Besteira" ele disse sorrindo "Eu vou com você". As ruas estavam quase vazias. Estava anoitecendo e todas as famílias de respeitos estavam nas suas casas jantando e conversando sobre as novidades do dia de cada um. Ela estava indo para o parque acompanhada de um hacker para encontrar um homem que fora seu amante no Antes. Como sua vida tinha se tornado horrivelmente bizarra nas últimas semanas. "Você é realmente corajosa" ele disse. Mesmo sendo mais alto que ela e tendo pernas mais compridas, ele esforçava se para acompanhar o ritmo dela muito rápido. "Eu apenas preciso saber." Ela disse. "Eu sei e admiro isso. Ninguém parece querer saber. Vou lhe contar um segredinho. Eu andei procurando sobre meu passado também. Está difícil. Eu nasci em Chicago mas os registros de nascimentos estão perdidos. Porém, continuo procurando..." Dana parou e tocou o braço dele "Eu espero que encontre o que está procurando." Ele sorriu embaraçado "Eu também." Eles recomeçaram a andar. Quase lá, ela disse a si mesma. "O que isso significa para você e John?" Evan perguntou. Ela sacudiu a cabeça "eu não sei." "Bem, o que quer que aconteça, você é minha amiga. Você tem sido tão boa para mim. Eu me sinto sozinho, sabe? Eu não tenho família. Você é provavelmente a coisa mais próxima que já tive de uma irmã nesse mundo." Eles chegaram ao parque. Ela o abraçou forte e disse "Família não significa Ter o mesmo sangue." Juntos, eles andavam pelo parque. O playground estava vazio bem como os bancos que o rodeavam. Havia uma pequena fogueira onde os grupos da comunidade costumavam se reunir para cantarem juntos. Ela podia ouvir a cantoria. Sentindo como se estivesse a caça, ela andou em direção ao fogo. Evan a seguia discretamente como um detetive particular. Enquanto aproximava-se ela pode entender as palavras da música. "Amazing Grace, how sweet the sound, That saved a wretch like me . . . I once was lost, but now am found, Was blind, but now I see." Ela parou e fixou o olhar nas chamas da fogueira sem olhar para os rostos ao redor dela. Fogo. "I once was lost, but now am found, Was blind, but now I see." Ela viu tudo. Quando acordou, ela estava tossindo. Ela calçou os sapatos e saiu da barraca em direção a floresta para fazer xixi. Ao agachar-se sentiu suas pernas trêmulas, fracas. Lembrou-se do seu banheiro em Washington, sua grande banheira, a água quente. Pare, ela disse a si mesma, nem pense nisso porque você não o terá de novo. Cedo naquele dia, ela pegou madeira e acendeu uma fogueira para fazer chá. A tosse estava se tornando mais freqüente agora. Era profunda, parecia que iria quebrar suas costelas. Procurando na sua valise, encontrou uma garrafa de 44-D e tomou um bom gole. Depois de fazer o chá, ela pegou sua valise e seguiu até o topo do penhasco onde tinha uma boa vista do vale. Há pouco tempo, aquele lugar era um parque da cidade geralmente cheio de ciclistas. Seria tão simples fingir que eles estavam ali nas montanhas para um acampamento de fim de semana. Era uma linda tarde de verão, quente o bastante para usar apenas short e camiseta. Mas ela vestia calça jeans e uma camisa de manga comprida. A febre lhe dava frio. A vista do penhasco era incrível. Ela podia ver milhas além. Era espetacular se ela não olhasse para baixo e visse as ruínas da cidade situada no vale. Ela não olhava para baixo, somente para as colinas e montanhas a sua frente, o horizonte. Um mosquito a mordeu no pescoço e ela o afastou irritada por não Ter trazido o repelente. Instintivamente, tocou o local da nuca onde ela sabia que estava o chip rindo pela ironia de tudo isso. Um pequeno pedaço de metal era ao mesmo tempo sua maldição e uma bênção para ela. Isso poderia ou não Ter ajudado a diminuir seu câncer mas, foi ele que a levou até aquela ponte naquela noite incendiária terrível. No fim, ele os salvou cinco dias atrás naquele quarto de motel quando ela acordou no meio da noite gritando que eles estavam vindo. Não, esqueça isso- o chip não os salvou. Apenas adiou o inevitável. Ela olhou a cidade de Abbosville, população 2435 habitantes. Havia um sussurro vindo do mato atrás dela. Agarrou sua arma e virou-se mirando sem saber o que poderia encontrar. Era apenas Mulder. Ela soltou um pequeno suspiro de alívio e colocou a arma de volta na valise. Ele parecia exausto assim como ela. Seu rosto tinha uma leve barba crescida. Ele sentou ao seu lado. "O que você está fazendo?" ele perguntou. "apenas olhando...e pensando..." ele acariciou a bochecha dela com os dedos "No que?" ela mostrou a cidade abaixo "Em tudo isso. Já fazem três dias Mulder, porque eles não voltaram para terminar o serviço?" Ele sacudiu a cabeça, a essa altura não tinha resposta alguma assim como ela. "E se, o feito deles não fosse a colonização. Só uma espécie de vandalismo alienígena? como,hei. Vamos destruir a humanidade hoje." "De qualquer forma, o resultado é o mesmo." Disse Mulder. Eles estavam tão desligados de tudo. Não sabiam o que acontecera ao resto do mundo. Apenas tiveram tempo suficiente para juntar alguns suprimentos e avisar suas mães, os pistoleiros e Skinner com rápidos telefonemas, mas seus destinos eram desconhecidos. Essa sensação de não saber estava deixando-a louca. Os dois começaram a tossir e ela passou a garrafa do xarope vermelho. Ele tomou um gole e fez uma careta devido o gosto. Ela costumava viver num casulo negando tudo o que podia, mas agora não podia. A realidade era brutal. "Nós estamos morrendo, Mulder" ela disse. "Não" ele balançava a cabeça "Nós estamos fora de cena, dormimos duas noites numa caverna, três numa tenda. Só estamos gripados." Sua voz saiu mais exasperada do que queria "Nós vimos aquelas pessoas morrerem naquela montanha. Nós pegamos o que elas tinham." Ela levantou as mãos para que ele visse o inchaço escuro nelas. "o que quer que seja, é fatal. Eles trouxeram isso com eles." Ela queria morrer com dignidade. Lembrou-se da bolsinha secreta de remédio que carregava quando o seu câncer estava na pior fase. Ela pegou sua arma e a acariciou quase amavelmente "Eles tiveram mortes horríveis. Você viu suas convulsões, ouviu seus gritos." Quando fechava os olhos de noite, ela ainda podia ouvir os gritos agonizantes de dor. "Não tem que ser assim" ela diz. "O que você quer dizer com isso, Scully?" ela oferece a arma para ele como um presente precioso "Nós podemos terminar aqui. Morrer com dignidade." Ele agarrou gentilmente o seu pulso "Não". As lágrimas queimavam os olhos dela. "eu...eu não posso vê-lo morrer" ela suspirou "E eu não quero que me veja morrer em tamanha agonia." Sua voz era baixa e calma enquanto colocava seu braço ao redor dela e dizia "Não essa noite, Scully. Vamos manter-nos aquecidos. Só mais uma noite." Ele puxou-a para si e ela sentiu a respiração dele no seu cabelo "Eu quero ver mais uma manhã com você." Ela pensou sobre todas as manhãs do último ano. Houveram manhãs corridas onde ambos tentavam se aprontar para trabalhar sem chegarem atrasados. Algumas manhãs acordaram em um quarto de motel durante um caso, violando as regras do Bureau. E havia umas manhãs raras de fim de semana quando tinham tempo para ler o jornal na cama, beber café e se enrolar nos lençóis fazendo amor enquanto o sol brilhava pela janela. Ela nunca pensou que esse dia chegaria. Ela não acreditava nisso do mesmo modo que não acreditava em vampiros, chupa-cabra e vida extraterrestre. Como ela estava errada. "Venha, vamos voltar" ele se levantou e a ajudou. O esforço o fez tossir. Na barraca, eles despiram um ao outro. Desde o fim do mundo eles não fizeram amor. O medo da morte não ajudava a libido. Mas agora, ela precisava. Não pense que esta talvez seja a última, ela disse a si mesma. Na verdade, suas vidas eram tão perigosas que ela tinha medo toda vez que estavam juntos se poderia ser a última vez. Era devagar, bem devagar. Com várias paradas para tossir. Lado a lado, eles moviam-se juntos, beijando um ao outro onde suas bocas podiam alcançar. "Eu te amo" Mulder dizia e depois repetia constantemente "euteamo,euteamo,euteamo" Por fim, tremeram de prazer e mantiveram-se deitados e agarrados sobre os sacos de dormir. Ele acariciava preguiçosamente o cabelo dela "Eu tenho tantos arrependimentos" "Não, Mulder. Nós não podemos Ter arrependimentos. Nós fizemos o melhor que podíamos." Como duas pessoas poderiam salvar o mundo? "Não, não é sobre isso. É sobre nós dois. Eu sempre sonhei que um dia encontraríamos nossas respostas e então tudo tenderia para o melhor. Aí, nós viveríamos nossas vidas como pessoas normais, só eu e você. Aprendendo a amar um ao outro como pessoas normais." Ela revirou os olhos e pressionou sua bochecha sobre o peito dele. "O que nós tivemos foi suficiente para mim." Deus, nós já estamos falando no passado. Ele continuou "Eu queria casar com você, Scully." "Eu sei, Mulder." Ela tentou sorrir "Mas, se você pensar bem, nós já estamos casados. Um casamento arranjado no início mas depois aprendemos a amar um ao outro." "Arranjado pelo Chefe Blevins e pelo Canceroso" ele riu. "De qualquer forma, depois de um tempo, eu não imaginava viver minha vida com ninguém, só com você." Mesmo assim, o amor deles era bastante evidente e real. Eles não conversavam muito sobre sentimentos, não era o jeito deles. Mas tristemente ela percebeu que se não falassem agora, jamais falariam. Ele a puxou mais para cima a fim de olhá-la diretamente nos olhos. Os lábios dele formaram um pequeno sorriso "Scully, quer casar comigo?" ele disse. Ela deveria rir diante da proposta de casamento absurda que ele fazia, estavam às portas do apocalipse morrendo de uma praga alienígena mas ela entendia perfeitamente o significado das palavras dele. Sua testa tocou a dele "Sim, Mulder" ela sussurrou. Eles permaneceram deitados, enquanto a noite caía apenas tocando-se e beijando-se, guardando essas pequenas lembranças. Finalmente, a voz de Mulder diminuíra e ele estava quase adormecendo. Ela acariciava os seus cabelos "Durma um pouco" ela disse "Eu te amo". Ele abriu os olhos "Eu estou com medo, Scully. Eu não quero morrer." "Nem eu" ele apoiou-se em um cotovelo "Eu gostaria de acreditar como você. Acreditar que existe vida após a morte." Ela entrelaçou sua mão na dele "Eu acreditarei por nós dois." "Seria tão confortante saber que há um lugar após a morte onde poderíamos viver eternamente juntos." Ela ainda usava o colar com a pequena cruz no pescoço. Ela o usava desde os quinze anos como um testemunho da sua fé. Se havia um tempo para acreditar nisso, era agora. "Mulder" ela o beijou nos lábios "Nós estaremos juntos na próxima vida, eu prometo." Ele apenas respondeu "Eu quero acreditar." "Você não precisa, eu acredito por nós dois." E ela acreditava, esse era o milagre. "Scully, canta pra mim?" ela sorriu lembrando-se daquela noite fria e assustadora que passaram nas florestas da Flórida. Ela estava de vigia e tomava conta dele. Ele pediu para ela cantar o que a deixou envergonhada. Naquela noite ela cantara "Joy to the World" ela não cantaria essa música novamente, não parecia apropriado. Abraçada a ele, ela canta uma música que sempre a confortou com a voz suave e desafinada. "Amazing Grace, how sweet the sound, That saved a wretch like me . . . I once was lost but now am found, was blind, but now, I see. `Twas Grace that taught my heart to fear. And Grace, my fears relieved. How precious did that Grace appear . . . the hour I first believed. Through many dangers, toils and snares . . . we have already come. `Twas Grace that brought us safe thus far. . . and Grace will lead us home." Quando ela terminou a terceira estrofe, Mulder estava dormindo. Logo depois, ela adormecera também pensando eu acreditarei o suficiente por nós dois. Um grito supersônico acordou-os "Que diabo é isso?" ela perguntou. "Eles estão de volta." Seu primeiro instinto foi correr e se esconder, seguir a trilha até a caverna onde estavam durante a primeira invasão. Mas, eles se entreolharam como se perguntando pra que? Em vez disso, eles saíram da barraca para olhar o seu. Uma lua cheia e luminosa aparecera. Várias naves triangulares e negras cortavam os céus. Eles já haviam visto essas naves antes. Ele segurava a mão dela. De alguma forma, eu sempre acreditei que nós morreríamos juntos, ela pensou. Fortes como somos, não havia como um sobreviver sem o outro. Você pode imaginar tal situação? A terra começou a tremer debaixo dos seus pés. Isso não ocorrera antes. Ela olhou para Mulder em pânico. "Você pode sentir que estão vindo?" "O que?" "eu não sei, mas estão vindo" Nós estaremos juntos na próxima vida. Eu acredito. Algo enorme cruzava o céu. Parecia não Ter fim. Parecia feito de cristais multicoloridos que piscavam a luz do luar. "Olhe para o céu que lindo" Mulder dizia apontando. Apesar do medo, sua curiosidade era maior. "'É adorável" ela responde. Continue segurando minha mão, Mulder. É isso. É o fim, nós terminamos aqui. Três pequenas naves se dirigiam para a maior e começavam a se incendiar. Parecia algo saído de Guerras nas Estrelas mas a diferença é que era vida real. A nave maior começou a girar e a zumbir. Eles olhavam atônitos para o céu enquanto a nave se desintegrava em pequenos pedaços caindo sobre a terra. Que diabos? O zumbido crescia e tornava-se alto demais. Ela prendeu a respiração. Ela e Mulder se olharam. Eles se despediram com um olhar. Mas isso não é um adeus, Mulder. Nós estaremos juntos na próxima vida. Parecia tão íntimo morrermos juntos. Com um flash de luz vindo da nave, ela ficou cega e tudo parou. Dana abriu os olhos e viu que estava sentada num banco do parque com a jaqueta de Evan sobre seus ombros. Ela não se lembrava de Ter andado até aquele banco. "Dana, você ainda está aqui comigo? Você parecia estar fora daqui por um segundo." Ela ainda ouvia as pessoas cantando ao redor da fogueira. Então, foi assim que nós acabamos. Mulder, como pude me esquecer disso? "Dana?" ele tocou o ombro dela, sua voz alarmada dessa vez. "Eu estou bem" ela disse "Tive um tipo de flashback" E então ela viu Mulder atravessando o parque em largas passadas. Oh, eu me lembro de você. Eu me lembro. "Eu acho que essa é a minha chance de me retirar." Diz Evan. "Obrigada" ela disse. Ele inclinou-se para dar um beijo na cabeça dela "A qualquer hora" e cruzou o parque. Dana olhava fixo para Mulder com o novo entendimento que acabara de receber. Ele parou em frente dela, seu rosto sério. "Eu conheço você." Ela sussurrou. Você era meu parceiro, meu amigo, o amor da minha vida. "Eu sei" ele disse. Você ainda é tudo isso, Mulder. "Não" ela diz "Eu o conhecia do Antes". Ele ajoelhou-se e descansou a cabeça no colo dela. Instintivamente, ela acariciava os cabelos escuros dele. Nada mudou. Eu ainda amo você. Nunca deixei de amar. Ele levantou a cabeça e piscou, os olhos dela cheios de lágrimas "Eu sei, Scully." Ela congelou. Ele se lembrava dela então. Ele sentou ao seu lado, ambos olhavam-se pensativos. Ele segurava as mãos dela nas dele. "Hoje eu percebi que não eram sonhos diários, Scully" ele disse. Nós estaremos juntos na próxima vida. Um milagre como esse não pode ser esquecido. "Eu te fiz uma promessa a cinco anos atrás" ela não sabia se sentia vontade de rir ou chorar. O beijo dele nos lábios dela era gentil e cheio de promessa. "Conte-me sobre isso, Scully." E por um bom tempo eles permaneceram sentados no banco do parque relembrando tudo juntos. "Parecia para eles que o destino os tinha designado um para o outro, o que não entendiam era porque ela tinha um marido e ele uma esposa. Eram como pássaros migrantes, o macho e a fêmea, que de repente foram pegos e colocados em gaiolas separadas.... Parecia que estavam a um passo de tomar uma decisão e então, uma nova e linda vida estava começando. E ambos perceberam que o fim estava ainda muito, muito distante. E que o mais difícil, a parte mais complicada estava apenas começando. " Anton Chekov XXXXXXXXXXXXX Epílogo Uma noite, ela não conseguia dormir. No escuro, ela ouviu seu marido mexer-se sabia que ele não estava dormindo também. Essa era a sua hora favorita do dia. O dia de trabalho terminara, os pratos lavados e as crianças na cama dormindo. Ela às vezes ouvia a vizinha do andar de cima tocar sua flauta, mas agora tudo o que ouvia era a respiração dele e era confortante. À noite, ela permitia seu stress, sua culpa e seu medo se dissiparem enquanto ela simplesmente se colocava debaixo das cobertas sentindo o calor do corpo do seu marido. À noite, não havia dúvidas de que ela tomara a decisão certa naquele dia no parque. O dia que ela lembrou-se como ela e Mulder terminaram suas primeiras vidas. O sono virá, ela diz a si mesma, vira-se em direção a ele aconchegando-se à pele quente e nua das costas dele. Geralmente, enquanto ela sente frio durante a noite, ele está sempre quente, aquecido seu corpo parece estar sempre queimado pelo sol. Ele fez um pequeno som ao sentir o toque dela e ela sorriu contra os músculos do ombro dele. Ele cheirava a sabonete de bebê e limão que cortara para preparar o frango assado. Então, isso é felicidade doméstica ela sonhadoramente pensou enquanto beijava toda a extensão da costa dele. "Oh, isso é bom" ele sussurrou. Enquanto ela se esfregava contra o corpo dele como uma gata ela pensava nos votos que eles honraram um ao outro no dia do casamento. Ela nunca pensou que algo poderia ser tão certo. Ela segurava um pequeno buquê de lírios e dizia as palavras com uma voz calma e forte, sem dúvidas ou medo. Apesar da serenidade que aparentava, ela queria chorar devido ao momento avassalador que estava vivendo e à emoção que sentia. Mais tarde, já em casa, ela chorou. Suas mãos entrelaçadas a dele, faziam com que as alianças de ouro branco se tocassem simbolizando o que honraram juntos. No escuro, ela observava sua mão deslizando pelas costas dele e o modo como o anel parecia brilhar intensamente lembrando a ela que estariam juntos por toda eternidade. Finalmente, ele virou-se para ela "Não consegue dormir?" Ela sacudiu a cabeça "Não estou com vontade" Um risinho formou-se na face dele "Nem eu". Numa noite como essa, ela precisava ser lembrada de que ele era real. Que esse não era um daqueles sonhos que tinha durante a noite e logo acordaria. Ela precisava senti-lo fisicamente para certificar-se. Ela deixava o tempo correr enquanto sentia cada parte do corpo dele com seus lábios, a diferente textura da pele dele com seus dedos. Ela jamais queria esquecer novamente. Ele gemia quando ela deslizava seus lábios pelo corpo dele, pela barriga e o tomava com sua boca. Ele é real, ela diz a si mesma, ele elevava-se na cama sentindo o desejo e o prazer crescerem. Eu sou sua e você é meu. Quando ele já não agüentava mais, ela moveu-se de volta a cama. Ele sentou e apoiou um travesseiro contra o encosto da cama. Abriu os braços convidando-a a juntar-se a ele. Esse era o modo preferido dela de fazer amor. Ela podia controlar a ação. Podia ser selvagem e violenta ou lânguida e sonolenta. A diferença de altura não importava pois enquanto agarrava-se a ele, ela podia beijá-lo e olhar diretamente nos olhos dele. Quando ela olha nos olhos dele, ela pode ver tudo. Eles compartilham uma história e tem todo o futuro pela frente. "Scully" ele murmura enquanto ela desliza até seu pênis. Ela sorri. No dia a dia, ele a chama de Dana como em "Dana, quanto de leite precisamos?" ou "Eu tenho que buscar Adam na casa da Sarah, Dana." Mas Scully era o seu nome privado, íntimo. O modo como ele a chamava na cama. O segredo compartilhado da vida que viveram antes e que permaneceria nessa nova vida. Devagar, ela movia-se com ele. Pequenos gemidos escapavam da sua garganta enquanto sentia a felicidade tomá-la por saber que a vivenciava com Mulder. Ele movia suas mãos fortes pelo corpo dela. Uma segurava seu bumbum e a outra acariciava seus seios. Ela se aproximou para olhá-lo nos olhos. Ela gostaria de ver um filho deles com aqueles olhos verdes acinzentados e cabelos escuros. Eles já tinham discutido a idéia e como se sentiriam com a possível falha. Um fracasso valeria o risco? Mas, eles não arriscaram-se tanto na vida, certo? Um choro agudo escapou da boca dela quando os dedos dele encontraram o seu clitóris e começaram a mágica. Ele riu "Assim você vai acordar as crianças." Ela aprendera a controlar-se quando uma ou as duas crianças estavam com eles. "Eu estou tão...feliz." ela murmurou enquanto movia-se mais forte para cima e para baixo. Ele sabia exatamente o que ela queria dizer com isso "Eu também, Scully." O beijo dela era uma extensão daquela promessa feita no dia que eles morreram juntos. Nós estaremos juntos na próxima vida, Mulder. Nós estamos, ela pensa, e o prazer explode quente e doce por todo seu corpo. Oh, Deus nós estamos. Ela sabia muito bem que haviam feito algo terrível quando deixaram John e Sarah. Os olhos de John ainda olhavam-na com tom de reprovação. E Sarah recusava-se a falar com ela a menos que fosse extremamente necessário. Eles destruíram a segurança familiar dos seus filhos que talvez nem sejam capazes de lembrar quando seus próprios pais estavam casados. Sim, ela sabia. Isso a perseguia algumas vezes. Mas ela também sabia que encontrar Mulder de novo era um milagre. Ela não acreditava em destino, mas encontrar Mulder novamente não foi um acidente. Era como se tivessem planejado encontrar um ao outro. Na noite que ela lembrou-se de Mulder, foi a noite que ela voltou a acreditar. Naquela noite, ela começou a rezar de novo. Assim que colocava seus braços ao redor do pescoço de Mulder, o seu colar de ouro com a pequena cruz tocava o rosto dele. Esse foi o presente de casamento que ele dera a ela para que se lembrasse da sua fé, da sua mãe e seu pai, seus irmãos, perdidos mas não mais esquecidos. Ela gostaria de Ter algo de valor similar para dar a ele. Algo que o lembrasse da sua irmã Samantha. Mas ele não a esquecera. Ele ainda queria saber qual fora seu destino. Quando o orgasmo a atingiu, ela tremia nos braços dele. É mais do que a quente e perdoável sensação que sentira naquela noite no quarto de hotel a mais de um ano. Era prazeroso e seguro, passado, presente e futuro unidos numa sensação avassaladora. É tudo. Quando Mulder gozou, ele de alguma forma ria pela alegre sensação de alívio que ela demonstrava. Essa é a próxima vida e nós estamos juntos, Mulder. Eles voltaram para seus lugares na cama e continuaram abraçados. "Eu te amo" ele disse. Essas palavras ainda tinham o poder de fazê-la arrepiar-se. "E eu te amo" ela disse tocando os lábios dele. Ela não tinha medo da noite nem dos sonhos dela, mas tinha algo que precisava ouvir. Fechando os olhos disse "Conte-me uma história, Mulder." Era isso que faziam a noite, compartilhavam histórias que se lembravam. No outro dia pela manhã, ela as escrevia em seus diários. O vermelho continha lembranças de Julia e Adam para que quando eles crescessem pudesse saber e entender um pouco suas vidas. O preto, aquele que Mulder lhe dera, era somente para eles. Todas as suas histórias e momentos mais íntimos. Ele pensa por um tempo e diz "Eu tenho uma ótima, Scully." Ela riu "Conte-me" "Era dia de ação de graças na casa de sua mãe. Eu me sentia estranho, cercado pela sua família. Eu sabia que você contara a ela sobre nós antes que eu chegasse. Eles me trataram muito bem, até Bill, mas eu continuava a me sentir estranho como se não pertencesse aquele lugar. Sua mãe me olhava de vez em quando e eu imagino o que ela pensava então foi você quem profanou minha filha caçula." Ela ria contra o travesseiro. "Depois do jantar, você foi para a cozinha com sua mãe tomar Bailey e conversar e eu fui forçado a assistir o jogo com Charlie e Bill. O jogo acabou e você continuava conversando. Então, decidi ir ao porão tirar uma soneca. A casa estava tão cheia de pessoas que acabou sobrando uma cama no porão para mim. Quando estava pegando no sono, ouvia a escada do porão ranger e te vi com um olhar malicioso, sua blusa já desabotoada. Você veio até a cama comigo e começou a me beijar. Eu podia sentir o café e o licor no seu hálito enquanto beijava minha orelha e meu pescoço. Scully, eu queria tanto você mas estava morrendo de medo que Bill viesse e me enchesse de porrada. "Todos estão lá em cima" eu disse mas você continuou a me beijar e não pararia e eu não queria que você parasse. "tudo bem" você disse "Nós podemos ser silenciosos. Eu sei que podemos, Mulder." FIM Espero que tenham gostado. Essa fic é uma das melhores que já li. Apenas uma palavra a descreve: PERFEITA!!! Obrigada a todos pelo estímulo. Karen Jobim