Blinded bt White Light Parte 2 Leiam as informações sobre essa fic na primeira parte. Volto a lembrar: Não leia se tiver menos de 18 anos. POR FAVOR!!!! E-mail me : agentkaren@arquivo-x.com Sei que estão ansiosos......Continuando.... XXXXXXXXXXXXX Sozinha no seu quarto, Dana tentava pensar em qualquer coisa menos no beijo de Mulder. Focalizou sua atenção em preparar amostras de tecido para um teste de MCR-DNA. Em seguida, checou todo o orçamento familiar para março, as contas que tinha para pagar e até fez uma lista de produtos de limpeza que precisava comprar para o apartamento. Mas escondido entre seus pensamentos, lá no fundo, como uma canção pop que persiste em tocar estava a consciência de que ela tinha beijado Fox Mulder e não conseguia para de pensar nisso. Ela beijara outro homem que não era seu marido. Quando ela aceitou os votos naquela manhã de Dezembro no Hall of Magistrates, ela os levou a sério e sabia que era um passo largo que estava dando. Claro que ela amaria, respeitaria e compartilharia tudo com John. Não havia ninguém além de John. Ela nunca pensara em outro homem que não fosse John. Agora, anos depois, havia outro homem. Não importava se estava certo ou errado. Mulder entrou na vida dela através de uma série de encontros casuais e de alguma forma, ele tornou-se mais importante para ela nesses poucos dias. E agora ela tinha que tomar uma decisão. Mas ela não sabia o que iria fazer. Ela tocou os lábios ainda dominados pelo beijo dele. Ela nunca experimentara um beijo como aquele antes. Admitiu, ela apenas beijara dois homens na vida, 3 se considerar o fantasma dos seus sonhos. Mas o beijo naquele banco era uma mistura de sentimentos, uma explosão de emoções. Um beijo cheio de medo, desejo, atenção, luxúria, vergonha e ternura. Um beijo particular, diferente. Dana arrependeu-se por ter levado Julia ao parque naquela tarde. Assim, ela não teria conhecido Mulder e sua vida continuaria calma e pacata. Ela teria feito suas pesquisas, criado a filha e amado seu marido. Os sonhos e os fragmentos de memória continuariam a persegui-la, mas ela descobriria como lidar com eles. Ela era uma sobrevivente desde que saiu daquela clínica. Saberia o que fazer. Se ela não tivesse conhecido Mulder, ela nunca teria começado a imaginar como era o seu passado. A reivindicar a vida que ela tivera antes. Mulder ensinou-a a não se envergonhar por querer saber isso. Ela virou-se para o lado e ajeitou os travesseiros sob sua cabeça. Ela finalmente admitiu. Queria Fox Mulder, não só a amizade que desenvolveram, queria o homem como um todo. Ela nunca desejara alguém tanto assim antes. Claro, quando ela conheceu John, sentiu-se atraída por ele, mas era mais porque ela sabia que ele seria uma pessoa que estaria sempre ao seu lado. Ela sabia que ele era o homem com quem ela reconstruiria a vida dela. Com Mulder, Agora que ela sentiu o que era ter ele fisicamente, ela ansiava por mais. Dana queria desabotoar aquela camisa preta que ele vestia e sentir a pele do peito dele passar seus dedos nos fios de cabelo que existiam ali. Ela queria ver como era o corpo dele sem roupa. Ele tinha a mesma altura do seu marido mas as pernas e os braços eram mais longos. Ela queria passar as mãos pelos quadris, deslizar seus dedos pelo umbigo dele enquanto ele gemia por ela estar tão próxima a parte que mais desejava ser tocada. Um pequeno gemido escapou da sua boca quando sua mão deslizou para o meio de suas pernas. Ela nunca se tocava por prazer, raramente estava sozinha e parecia tão vazio não dividir isso com John. Ela acariciou-se com dedos insistentes imaginando-se fazendo amor com outro homem que não era o John. Ela se imaginou tirando as calças do Mulder deixando-o nu a sua frente ereto e olhando para ela com o mesmo olhar intenso de desejo que tinha hoje cedo. Realidade e fantasia misturaram-se na cabeça dela e lá estava ela, com Mulder. Ela tocava seus pelos púbicos e movia sua mão para acariciar os testículos dele enquanto ele tremia em resposta. Ela ajoelhava-se e fazia sua língua deslizar pelo seu pênis duro e as mãos dele apertavam os ombros dela encorajando-a . Com sua boca e sua língua, Dana o amava, demonstrando toda a sua emoção. Ele fazia sons suaves em aprovação quando brincava com a boca dela. Quanto Mulder atingiu o orgasmo, ela também atingiu, mas na cama dela de volta a realidade sufocando seus gemidos no travesseiro. O relógio marcava 3 da manhã quando ela adormeceu, queimando de vergonha e êxtase. Ela sonhou com fogo. Presa num pequeno campo em chamas, ela tossia e tremia tanto que estava com medo de quebrar uma costela. É onde isso termina, ela pensou no sonho. É onde nós acabamos. Eu nunca pensei que acabaria assim. XXXXXXX Algumas coisas interessantes aconteceram na manhã de Domingo. Primeiro ela despertou com a campainha às 7. Um entregador com um buquê enorme de flores: margaridas, íris e lírios. Preso a uma folhagem ela encontrou um cartão. *Para a mulher que me ensinou tudo sobre o amor. Feliz aniversário, John.* A culpa que sentiu ao ler o cartão foi enorme. Ela precisou sentar no sofá e respirar profundamente. Que esposa horrível eu sou, ela pensou. Ela acordou Julia, vestiu-a e colocou-a para brinca com um conjunto de animais de plástico enquanto preparava a massa para as panquecas. Quando estava colocando a massa na frigideira para fritar, a campainha tocou de novo. Era Evan. Ele era novo,24 anos e morava num apartamento do outro lado do corredor. Ele sempre vinha tomar café com ela nos fins de semana. "Estou sentindo o cheiro de panqueca?" ele disse e ela o deixou entrar com um tapinha na cabeça. Ele tirou um pacote marrom da jaqueta "Eu trouxe um pouco de bacon para o seu aniversário." Ela sorriu encantada. Bacon importado da América do Sul especialmente para ela. Era um capricho que raramente cometia. O bacon de soja era bom, mas nada substituía o sabor do verdadeiro. Ela colocou o bacon na frigideira e colocou o café para passar enquanto Evan pegava Julia e fazia movimentos imitando robôs. Apesar do cabelo esquisito, ela sabia que Evan daria um bom pai. Quando o cheiro do bacon encheu o ambiente, ela teve uma vaga sensação de familiaridade ao sentir aquele odor particular. A fez sentir quente e segura e ela pensou que o bacon era uma das suas coisas preferidas no café quando criança. Evan estava na sua nona panqueca quando ela criou coragem e resolveu perguntar o que queria desde que ele chegara. Mastigando seu pedaço de bacon disse "Você poderia me fazer um favor?" "que tipo de favor Dana?" ele perguntou. "Um favor de computador." Ela disse. "O melhor tipo de favor que faço" Evan praticamente vivia na rede. Ele passava algumas vezes cerca de 18 horas navegando saindo somente para comer e ir ao banheiro. Ele fazia seu trabalho em casa e Dana achava que ele nem saía do prédio, somente quando ia a umas danceterias de estilo underground. "é meio pessoal, você tem que guardar consigo" "Eu sou um poço de discrição" ele respondeu com um sussurro. "Eu tenho um amigo que está tentando descobrir seu passado..." "você quer dizer o Antes?" ele interrompeu levantando as sobrancelhas negras. "Sim, ele acha que foi um agente relacionado a algo chamado Federal Bureau of Investigation " "Ah, sim os federais. Entendi." "Ele tentou acessar alguns registros mas não conseguiu. Será que você consegue?" Ele bateu no peito com orgulho "Eu posso acessar qualquer coisa. Quer que eu dê uma olhadinha?" "Você poderia? Não quero lhe causar nenhum problema." Ele bufou "Dá um tempo. Isso será pateticamente simples, Dana. Além disso, informação é poder. Qual o nome dele? Eu entro e procuro por ele nos registros." "Fox Mulder" ela disse pegando um bloco na bancada da cozinha para escrever para ele. "Considere feito" ele colocou o papel no bolso " Vou precisar de alguns dias pois estou trabalhando num upgrade de interface enorme." "Obrigada" ela disse. "É o mínimo que posso fazer, afinal vocês sempre me dão comida quando preciso." Ele disse segurando o garfo. Ela encostou-se na cadeira, estava feliz por estar ajudando Mulder. Naquela tarde, depois de colocar a Julia para dar um cochilo ela resolveu checar seu e-mail. Havia somente uma mensagem e era de Mulder. Ela respirou fundo antes de abrir. "Gostaria de culpar o excesso de vinho pelo beijo de ontem à noite, mas não posso. Tenha um feliz aniversário, Dana. M" XXXXXXX "Me fale sobre isso, Dana" ela deu um pequeno suspiro. Estou num lugar seguro, pensou. Posso falar qualquer coisa, não serei julgada. Tudo parecia tão bom dentro daquele consultório. As paredes mantinham a atmosfera calma e relaxante e a Dra Hanley colocava no som a música de Vivaldi. Por uma hora na semana, Dana podia se sentar na cadeira e conversar sem interrupções. O telefone não iria tocar e Julia não choraria por ela. A voz da terapeuta era suave "É difícil para você?" Ela concordou "eu ne sinto culpada até por pensar nisso. Eu estou tentando tirar isso da minha mente, mas parece continuar aflorando sempre no meu pensamento." "Negação nunca é o modo para lidar com seus problemas. Se você enterra algo, ele continua lá e logo virá a tona." Em outras palavras, Mulder não iria desaparecer. Nem John. Ela falaria, não tinha nada a perder. As mãos de Dana atrapalhavam-se quando falava "Eu nunca conheci ninguém como Mulder antes. Eu não posso explicar mas quando estou com ele, de alguma forma me sinto completa, como se estivesse esperando por ele esses últimos cinco anos sem nem mesmo saber." Dra Hanley olhou para ela "Me diga uma coisa, você acha que isso tem a ver com o fato de John estar fora por duas semanas?" "Eu gostaria que fosse simples assim. Que eu estivesse ressentida ou com raiva de John por ele Ter ido. Isso não tem nada a ver com ele. Não mudou como eu me sinto em relação a John." "como Mulder a faz se sentir, comparado a seu marido?" ela pensou na tardinha que passaram no parque, afogando seus pés na fonte. Se ela nunca mais visse Mulder, ela ainda lembraria-se da expressão intensa nos olhos dele. "Eu não posso compará-los" Dana disse "São pessoas totalmente diferentes." "Você ama o Mulder?" encolhendo os ombros ela respondeu "Eu não sei. Eu nem tenho certeza do que é o amor. Eu pensei que amava o John mais do que qualquer coisa no mundo e olha o que aconteceu. Talvez eu não seja capaz de amar." "Você realmente acredita nisso?" Dana respirou " Nesse momento, estou questionando tudo na minha vida. Eu pensei que tinha tudo o que queria, mas meus sentimentos por Mulder me fez perceber coisas que eu nem ousaria desejar." "Com poder falar sobre os seus sonhos e as possíveis lembranças que afloram?" "Sim. Eu não me sinto uma pessoa completa sem meu passado. O que somos senão a soma de nossas experiências de vida?" o médico sorriu "Um ponto interessante." Geralmente quando sentava-se no consultório do Dr. Hanley ela desemaranhava seus problemas como se fossem uma corda cheia de nós. Agora, quanto mais ela trabalhava na corda mais apertados os nós ficavam. Dana olhou para o seu terapeuta "em resumo, não sei o que devo fazer. O que você acha?" "Dana você sabe muito bem que o meu papel não é lhe dizer o que fazer, mas ajudá-la a solucionar seus próprios problemas sozinha." Ela fez uma careta "Então, eu lhe pago para eu resolver meus problemas? Devia Ter ido a um psicólogo." Ele deu uma gargalhada. Dana deixou o consultório vagamente insatisfeita. Mesmo sendo bom conversar abertamente sobre algo que não conversava com Meghan, ela não chegou a nenhuma conclusão naquele dia. Nada mudara. Com um pequeno suspiro, ela esticou a coluna e levantou o queixo. Não era hora de pensar nos seus problemas. Tinha relatórios de laboratório para escrever, telefonemas para retornar, uma reunião de departamento. O resto do dia não pertencia a ela. Dana cruzou a praça em direção ao seu prédio, determinada a não pensar pelo resto do dia. XXXXXXXXX Indo contra ao que o Dr. Hanley disse na sessão pela manhã, Dana chegou em casa do laboratório decidida a praticar a negação. Mulder nunca a tinha beijado, ela nunca correspondera aquele beijo. Nada aconteceu, nada mesmo. Julia estava demais essa noite. Primeiro, uma luta para tirar a roupa da escola, depois outra para ela comer os feijões verdes. Ela gritava e esperneava quando Dana tentava coloca-la na banheira. John era melhor em acalmar Julia quando ela estava de mau humor. Ela sentiu-se dominada e sem controle frente a resistência da filha. Ela ligou para John no hotel. Agradecida por ele estar de volta do jantar e passar 20 minutos contando para Julia a história "Jerry and the blue spaceship". Sentada na frente da tela ela tocava a imagem do pai. John não precisava do livro para contar a história. Dana e ele memorizaram por repetir tantas vezes. Calam e feliz, Julia esparramava-se no colo de Dana. Dana sorria para ele na tela, mas seu coração batia rapidamente. Haveria um jeito dele perceber sua culpa? "Apenas mais uma semana" dizia fazendo caras bobas para Julia que se sacudia e ria "eu mal posso esperar para voltar para casa. Estou cansado de comida de hotel e o calor aqui é terrível." "Você está muito acostumado com as condições na cúpula." "É, sou um fraco. E sou homem o bastante para admitir. Não vejo a hora de chegar em casa, fazer um spaguetti e sentar com você e Julia para jantar." "eu também" ela disse. Sim, quando John voltar tudo voltará ao normal. Ela deixou Julia dormir com ela essa noite. Acariciando os cabelos da filha pensou, é aqui que eu pertenço, a minha família. Ela adormeceu escutando a respiração de Julia. Uma noite terrivelmente quente em West Virgínia e eles estavam presos numa cidade tão pequena que o hotel não possuía nem ar condicionado. Somente um ventilador velho que só espalhava umidade pelo quarto. Depois de fazerem amor, ele adormeceu em meio aos lençóis suados e ela foi para o banheiro tomar o terceiro banho do dia. Ao ligar a água, estava tão fria que sua pele ardeu em resposta e seus dentes batiam. Ela nem secou-se, deitou na cama ainda molhada e sentiu uma sensação de alívio quando o ventilador sobrou sobre seu corpo quente. O dia fora longo e exaustivo e ela implorava por dormir. Ela estava mergulhada no primeiro estágio quando sentiu. Oh, meu Deus. Elesestãovindoelesestãovindoelesestãovindo Ela sentou ereta na cama querendo gritar. Era muito mais forte do que aquela noite que ela foi levada até a ponte. Ela podia sentir isso na sua nuca e espalhando-se para os seus membros. Eles estão vindo. Tudo o que eles fizeram para lutar contra isso não era nada. Eles estão quase aqui, ela podia sentir a presença coletiva aproximando-se a cada segundo. Ela nunca quis acreditar nesse dia. Ela exigia provas, algo concreto que ela pudesse ver com seus próprio olhos. Piadas e informantes vindos das sombras não bastavam. Mesmo a formação e percepção de algo no céu da Antártida não era suficiente. Nem a confiança e fé no homem dormindo ao seu lado. Era muito grande e terrível para ela imaginar. "Eles estão vindo." Ela falou através dos lábios trêmulos. Ele moveu-se e gemeu acendendo o abajur ao lado da cama "O que foi, Scully?" dessa vez ela gritou as palavras. Dana acordou piscando no escuro. Foi só um sonho, pensou tocando a bochecha de Julia. Só um sonho. XXXXXXXX Pela manhã ela fazia traças no cabelo de Julia enquanto ouvia as notícias do mundo. "não se mexa" ela disse a garota que obedeceu esperando a mãe amarrar um laço azul na ponta da trança. Pontos brancos e vermelhos começavam a aparecer na vista de Dana. Droga, ela sabia o que era aquilo, uma enxaqueca estava vindo. Ela não tinha uma a meses. E não tinha como para-la. O remédio agia contra a dor mas ela ficaria inútil sob o efeito das drogas por horas. Ondas de náusea formavam- se na sua barriga e ela se arrependeu da aveia que tomara no café da manhã. Dana correu para o banheiro em tempo de por para fora todo o café e boa parte do jantar da noite anterior. Ao levantar a cabeça do vaso viu que Julia estava parada observando curiosa. "Mamãe vomitou." Declarou. Ela balançou a cabeça fracamente. Depois de escovar os dentes tomou o remédio para vencer a enxaqueca. Ela colocou o pijama novamente e deitando-se no sofá ligou para Meghan rezando para que ela ainda estivesse em casa. Meghan respondeu vestida no seu robe rosa e os cabelos negros ainda molhados " Dana, você está bem? Você está com um aparência horrível." Dana colocou a mão na testa, os olhos ardiam por causa da luz da tela " Estou com enxaqueca, acho que não conseguirei ir ao laboratório hoje" " Ah, não" Meghan respondeu preocupada " Mas não se preocupe, hoje iremos trabalhar nas metas de pesquisa para o próximo ano, lembra?" dana sinalizou com a cabeça, a dor estava aumentando parecia seguir o ritmo das batidas do seu coração. " Querida, já estou indo aí. Vou trocar de roupa e levo Julia a creche hoje." Após desconectar, Dana enrolou-se no sofá esperando que a droga fizesse efeito. Julia tocou levemente o seu braço " Mamãe, está doente?" " Sim, eu estou doente. E pegando o controle remoto, ligou o canal de desenho animado. Apesar do volume estar baixo, o barulho dos animais a sufocavam mas isso mantinha Julia quieta. Dez minutos depois, Meghan apareceu. Ela tinha um cartão de acesso ao apartamento de John e Dana no caso de emergências. Dana estava contente com isso pois a idéia de levantar-se era impossível de realizar. " Maggie!" Julia gritou correndo ao seu encontro e Dana encolheu-se ainda mais no sofá. " Olá, gatinha. Eu preciso que você fique bem calminha agora tá?" Meghan aproximou-se do sofá " Não se preocupe com nada. Apenas descanse eu levarei Julia para casa hoje à noite. Eu e Tom adoraremos tê- la por perto." " Obrigada, Julia você gostaria de dormir na casa da Meghan hoje?" Dana perguntou. Julia que acostumara-se a dormir na casa de Meghan para dar alguma privacidade aos pais, pulava em resposta a pergunta. " Vamos,Jules. Nós vamos para a escola." Meghan pegou um cobertor e colocou sobre Dana. Preparou uma bolsa com roupas e brinquedos para Julia e aproximou-se da amiga apertando-lhe a mão " Me ligue se precisar de qualquer coisa." De olhos fechados murmurou " Eu só preciso dormir" seu corpo já sentia o peso da droga. Julia deu um beijo na mãe e elas deixaram o apartamento em silêncio absoluto. Ela ajeitou o cobertor e dormiu. Ela sonhou com folhas caindo, douradas e laranjas, e com o cheiro maravilhoso do outono. Quando Dana finalmente acordou, olhou com olhos ainda cansados para o relógio na tela. Eram 4 horas da tarde. O dia inteiro passou enquanto ela dormia. Ela odiava perder um dia inteiro dormindo, mas sabia que era o único jeito da enxaqueca passar. Agora não sentia mais dor, apenas estava meia lerda e faminta. Ela tomou um banho, trocou de roupa. Na cozinha ela bebeu uma jarra cheia d'água enquanto esquentava uma sopa de galinha. Dana acabara de sentar no sofá para comer quando a tela do computador piscou avisando a chamada. Ela pensou em deixar a máquina atender mas lembrou-se que poderia ser da creche ou Meghan. A face de Mulder apareceu na tela, no fundo uma estante cheia de livros, provavelmente falava do seu consultório. "Você está bem?" seus olhos piscavam por trás dos óculos "Eu tentei falar com você no laboratório mas disseram que não foi trabalhar." As mãos de Dana começaram a tremer sob o seu colo ao ver Mulder. Ao ouvir sua voz. "Eu tive uma enxaqueca" ela disse "Dormi um pouco e já estou bem". Seu lábios abriram-se dando-lhe um ar bobo mas definitivamente sexy ao mesmo tempo. Ela ainda se lembrava como era sentir aqueles lábios como ela teve aquele lábio carnudo entre os seus e o chupara. "Eu estava esperando que pudéssemos nos ver hoje." Eu provoco o mesmo efeito nele. "Eu não acho que seja uma boa idéia." "Por favor, Dana. Nós precisamos conversar sobre isso" Lá se vai todo o plano de negação, pensou. Mulder não parece fazer esse processo de negação. "Está bem. Você pode vir às 6 pm?" um minuto depois ela desligou a tela. Isso é bom, nós conversaremos e esclareceremos tudo e deixaremos aquele beijo para trás. Nós somos pessoas inteligentes e racionais. Ambos sabemos a coisa certa a fazer. XXXXXXXXXXXX Mesmo a campainha tocando pontualmente às 6, ela pulou ao ouvir o som. Ela respirou fundo e seguiu a longos passos para a sala. O apartamento parecia vazio para ela. Ela realmente desejou a presença de Julia ali para a sua proteção. Seriam somente os dois, sozinhos. Da última vez que ficaram a sós.... ela não queria pensar nisso, não enquanto girava a maçaneta para abrir a porta. Mulder ainda estava com suas roupas de trabalho. Um terno azul marinho e gravata vermelha. A gravata estava desfeita e seus cabelos meio levantados como se ele tivesse passado seus dedos por ele. Numa mão a sua pasta e na outra um saco branco de compras. "Oi" ele disse com meio sorriso nos lábios. Ela deixando-o entrar "O que você tem nessa sacola?" o sorriso alargou-se "Como está sua cabeça?" "Eu estou bem. Mas isso não respondeu minha pergunta." Ele colocou a sacola e a pasta sobre o carpete. "Eu precisava saber como se sentia antes de responder a pergunta. Você está bem para sair hoje? A Orquestra Sinfônica Européia fará uma apresentação hoje no Parque Central da Cidade. Janett Paderre, o violoncelista será a solista. Se você quisesse ir eu comprei alguma comida para um pic-nic." Um pic-nic, música, o parque. Maravilhoso e eles não estariam sozinhos no apartamento. "Parece perfeito." Ela concordou. Pegaram o metrô em direção ao parque. Saltaram na estação Central. Ainda cheia de pessoas voltando do trabalho para casa. Outros, tomando sorvete e olhando vitrines. Passaram por uma vitrine de lingerie, sapatos e uma loja de noivas que Dana procurou não reparar nas moças ajeitando os véus. No final do Boulevard era a entrada norte do parque. "O concerto é no verde" Mulder disse ao entrarem. O verde era uma colina com um anfiteatro abaixo. Várias pessoas já estavam acomodadas em cobertores e toalhas espalhados pela colina. Comida de todo o tipo que muitos trouxeram de casa ou compraram nos stands de venda espalhados pelo parque. Eles ficaram no topo da colina, admirando o espetáculo durante o crepúsculo. "Tantas pessoas" Dana disse "As vezes esqueço como a cidade é grande." Ele concordou "Imagine quão grande ela era Antes. Seis bilhões viviam na terra. Agora somos menos de quinhentos milhões." Taí uma palavra de tanta destruição e perda. Disseminação reduzir drasticamente a população. Uma palavra tão seca e neutra. 5,5 bilhões de pessoas viveram, trabalharam, amaram. Eles tinham uma família e amigos, tinham história. Mas ninguém parecia sentir por eles, exceto pelo monumento insignificante perto do rio. Ao redor deles, as pessoas riam, abriam garrafas de suco, enxugavam os narizes das suas crianças. Agiam como se o mundo não tivesse terminado e começado novamente a cinco anos atrás. Dana sacudiu a cabeça "É demais para compreender." "Claro. Há muita pouca pobreza e crime, especialmente no hemisfério norte. As pesquisas não se estendem. E talvez o mundo esteja em equilíbrio." Ele disse afrouxando o nó da gravata mais "Ainda assim, valeu a pena, perder tanto?" ela congelou ao toque da mão de Mulder sobre seu suéter "Desculpe, era para estarmos nos divertindo." Ela virou-se e piscou "Pensei que íamos conversar." O rosto dele ficou sério como se estivesse lembrando o porque de estarem ali. "Isso também" Ela falou "Nós nunca vamos nos espremer ali." Apontando para a direita "Que tal ali?" ele falou. Eles andaram para uma fila de largas árvores de carvalho que pareciam estar crescendo a séculos mesmo Dana sabendo que eram produto da manipulação genética e tinham sido plantadas a três anos. Havia poucas pessoas nessa parte ainda que fosse uma boa vista do anfiteatro. Eles esticaram o cobertor que Dana trouxera de casa sobre umas folhas embaixo de uma árvore enorme. Mulder tirou da sacola pão, queijo, maças, frango assado e garrafas de água. "Eu podia trazer vinho, mas lembrei da sua enxaqueca e sabia que não era uma boa idéia." Dana tirou um pedaço de pão "onde estão Sarah e Adam hoje?" ela viu que seu tom saiu meio acusatório. "Eles foram para Boston. Angela, a melhor amiga de Sarah, teve seu primeiro filho e eles ficaram por uns dias." "Oh" ela deixou escapar, isso não é bom, não mesmo. "Não foi por isso que liguei para você. Eu não sou tão calculista assim." Mulder disse. "Eu não disse que era." "Eu não sou um cara que está entediado com a esposa e procura algo quente e perdoável. Eu nunca quis que isso acontecesse." "O que está acontecendo?" ela perguntou ele suspirou "você me perguntou isso no Sábado e eu não tinha uma boa resposta. Desde aí venho pensando nisso e não cheguei a nenhuma conclusão. Você chegou?" "Não" com um sorriso "Então é melhor comer a sua comida. Talvez descubramos algo de estômago cheio." A orquestra começou a tocar e a pele de Dana arrepiou-se com o som. Ela não conhecia muito de música, pelo menos não se lembrava de conhecer. Mas, havia algo de envolvente quando os músicos tocavam seus instrumentos. "Já os tinha ouvido antes?" Mulder perguntou estendendo a faca para cortar sua maçã. "Não" "É tão excitante. Hoje há poucas orquestras. E a ESO está tocando de graça hoje. Sarah ficou desapontada por perder esse evento." "É a primeira vez que escuto uma orquestra ao vivo" Dana disse. "A primeira vez que se lembra..."Mulder disse "Eu sempre quis saber o que eu gostava de escutar. Tão poucas gravações sobreviveram. Eu comprei um pouco de tudo para ver do que gostava." "Alguma conclusão?" ele riu "Você se lembra do Elvis?" ela deu uma gargalhada "Infelizmente. Cara gordo, lantejoulas, Las Vegas" "É esse" Mulder abaixou a cabeça envergonhado "Eu acho que fui até na casa dele em Graceland." "Você só pode estar brincando...." "Antes fosse" ele estava vermelho e ela vibrou ao notar. "Você é um homem estranho, Mulder" Ele limpou a garganta "Eu vou mudar o assunto antes que me complique." Ele tirou da sacola uma caixinha branca com um laço vermelho "Eu comprei um presente de aniversário para você, Dana." "Você não precisava" ela protestou, o calor subindo-lhe o rosto. "Não foi nada" disse entregando a caixa a ela. Com dedos trêmulos ela desfez o laço e abriu a caixa. Dentro um livro com capa de couro e páginas rodeadas de um tom dourado. Abrindo o livro percebeu que as páginas estavam em branco. "É lindo" Não só lindo como caro. Era algo antigo. A maioria dos livros hoje eram eletrônicos. "Há uma loja no lado oeste que vende algumas coisas que sobraram do Antes. Eu sempre vou lá para olhar e tentar me lembrar do Antes. Ontem eu vi esse livro e sabia que tinha que dá-lo a você. Você pode usar como diário ou para escrever suas lembranças do Antes." Lágrimas quentes rolaram pelo seu rosto e ela tentou limpá- las antes que ele percebesse mas era tarde. "Eu não queria fazê-la chorar." "Tudo bem. Só estou emocionada pela maravilha que isso é. Muito obrigada, Mulder." "Você não precisa me agradecer, Dana." Ele disse tirando do bolso um lenço e entregando a ela. Enxugou o rosto e ficaram em silêncio ouvindo a música calma e agradável que flutuava no ar. Dana fechou os olhos ouvindo as notas espalharem-se juntas com perfeição. Isso é maravilhoso. Cinco anos atrás o mundo estava em ruínas e agora eu estou sob uma cúpula ouvindo uma orquestra. Como a música é extraordinária, um músico consegue tocar cordas com uma palheta e criar beleza. A ciência é maravilhosa mas isso é alquimia. A música não pode ser definida. É pura beleza, é puro prazer. Depois de terminar de comer ela deitou-se no cobertor em cada nota que a solista tocava no violoncelo. Uma hora ela ouviu Mulder deitar e percebeu que ele estava a poucos centímetros dela. Alguém pode nos ver, pensou mas estavam escondidos no escuro debaixo das árvores. Além disso, não estamos fazendo nada de errado. Por um momento ela se permitiu imaginar que eles eram apenas mais um casal ali admirando a música. John e Sarah nunca existiram. Eram somente os dois. Mulder virou-se para ela e ela abriu os olhos vendo que ele tinha os olhos cheios de lágrimas. "Algo errado?" ela perguntou "Essa música de Dvorak. Me lembra a clínica. Eu tenho certeza que era a mesma para você. Eles tocavam na enfermaria para nos acalmar." Dana concordou "Eu me lembro de estar deitada na cama, olhando o teto e chorando. Eu chorei por três dias seguidos e a pior parte era não saber porque eu estava tão triste." "Eu estava agressivo, quase violento." Mulder disse. "Você estava? Não me parece que você possa ser violento." "Bem, eu estava a poucos dias na clínica. Não me lembrava dos primeiros dias e quando saí uma enfermeira me disse que eu passei o primeiro dia todo gritando depois de acordar Onde ela está? O que vocês fizeram com ela seus animais? Eu vou matar cada um de vocês se vocês a machucarem." A voz de Mulder estava embargada pela dor da lembrança. "Você imagina quem ela seja?" Dana perguntou gentilmente. Mulder fechou os olhos e não falou por um longo tempo. Dana pensou Ter dito a coisa errada, forçado demais. Entre eles apenas a música vinda do violoncelo. Ele abriu os olhos "Eu não sei, só sei que ela era tudo para mim" Ela pensou na sua própria perda, o homem com quem sempre sonhava "Você já sonhou com ela?" Ele negou "Não eu nunca sonhei com ela. Não lembro dela. De nada. Só sei que ela existiu" Dana tocou o cabelo dele e balançou a cabeça entendendo. "Posso lhe contar um segredo?" "Claro" ela disse mas seu coração começou a acelerar. "Ultimamente, eu tenho tido uma fantasia..." a voz de Mulder diminuiu e um olhar embaraçado formou-se no seu rosto "Não *esse* tipo de fantasia". "Me conte" ela disse. "Eu estava na minha praia do Netscape e comecei a fantasiar que você era a mulher do Antes. A mulher que eu amava." Ela desviou o olhar dele para impedir que ele visse as lágrimas formarem-se. Como era patético, eles fingiam e contavam fantasias de ambos e tentavam explicar o que poderia ser isso. "Isso é impossível" ela disse "Por mais que pareça adorável, é estatisticamente improvável." Um pequeno sorriso formou-se no rosto dele "Eu sei. Eu fico inventando essa fantasia boba para me sentir menos culpado." Então ele também se sentia assim. "Você é infeliz com Sarah?" ele sacudiu a cabeça "Eu queria que fosse assim, seria tão mais fácil. Você é infeliz com o John?" "Não" ela disse. Quando estava com o Mulder ela não conseguia mentir ou praticar a negação. "Dana se eu quisesse Ter um caso, eu procurava uma mulher qualquer e transava com ela. Eu não quero isso, eu não quero trair a Sarah mas..." ela assustou-se "Mas o quê? " "Estou apaixonado por você" a voz de Mulder saiu fraca e tensa mas ele dizia a verdade. Ela sentou-se agarrando os joelhos, tremendo apesar da noite não estar fria. Ela percebeu que ele ficou de joelhos e colocou os braços ao redor da cintura dela. "Me desculpe Dana." Ele sussurrou no ouvido dela " Se eu pudesse para de sentir o que sinto, eu o faria." Não seria maravilhoso ela pensou ao olhar as luzes brilhantes do anfiteatro, se pudéssemos ligar e desligar nossas emoções como fazemos com a tela do computador pelo controle remoto? Ou ir para casa esquecer e viver minha vida do jeito que era antes? Ela encostou-se no calor do peito dele, queria ficar assim para sempre sem precisar escolher apenas ficar ali sentindo o conforto da presença um do outro. Ele me ama. É muito grande para se conceber. Ela escapou do abraço dele e virou-se para encará-lo. "Eu não acho que quero que pare" as palavras saiam sem que ela pudesse considerar sua importância. "Primeiro nós temos que começar" ele sussurrou. Você pode ir embora, ela pensou, se levante daí são poucos passos até a saída do parque e dois quarteirões até a estação do metrô. Em vinte minutos você estará em casa com seu casamento e sua honra intacta. Dana tocou o rosto de Mulder, o pouco de barba formando-se sobre o lábio superior e na mandíbula. Com a ponta dos dedos ela tocou a linha irregular do nariz dele e a superfície do seu lábio inferior. Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça um pouquinho para trás. "Não faça isso comigo, Dana" Mulder disse "Não se você não tiver certeza" "É a coisa mais séria que eu já fiz na vida" ela sussurrou. Quando ela conheceu John, foi tão natural, um evento após o outro. Eles se conheceram, namoraram, dormiam juntos eventualmente,. Eles amavam-se e decidiram casar. não houve agonia na escolha que fez com John. Não queimava como isso. Era quente e confortante, como um banho quente depois de estar doído de uma longa caminhada. Mulder fazia ela queimar. Ela moveu-se para os braços dele querendo tocar o fogo novamente. Seus lábios roçaram nos dele e a boca dele abriu-se. Um gemido veio de dentro do peito dela enquanto ela sentia a energia eletrizante do beijo de Mulder novamente. Talvez ela nunca tivesse considerado o beijo. Para ela era um bom começo para o sexo. Agora ela podia sentir quanto ela estava próxima dele. Como era sentir a barba arranhando a sua bochecha, sentir a textura úmida e forte da língua dele deslizando contra a dela. Ela sentia os músculos do braço dele com as mãos e enquanto ela empurrava-se contra ele pela intensidade crescente do beijo, ela sentia que ele estava endurecendo contra a barriga dela. Dana arfou devido o sentimento de prazer que emanava do seu corpo, a necessidade tonta e o conhecimento de que Mulder a queria. Ela nunca imaginara que o desejo podia ser tão potente a ponto de apagar todo o seu bom senso. Uma onda de aplauso inundou o ar vindo da multidão e ela percebeu que estava beijando um homem que não era seu marido no meio de um parque público. Isso não podia continuar mesmo sendo tentador como era com Mulder deixando os seus lábios para beijar o pescoço dela. "Nó não podemos..." ela disse pressionando-se contra a ereção dele. "Não posso parar..."Mulder murmurou movendo as mãos para tocar gentilmente os seios dela através do fino material do suéter. "Não aqui" ela disse "Não podemos fazer isso aqui" ela notou que exagerou na palavra aqui e ele olhou para ela com um desejo louco nos olhos "Para onde devemos ir então?" "Eu não sei" ela inclinou a cabeça. "Eu quero ficar sozinho com você" ele disse num tom que a fez gemer. Ela levantou com as pernas tremendo e começou a recolher as coisas do pic-nic, ele permaneceu de joelhos olhando para ela. "Eu não sei onde devemos ir" ela disse numa voz irreconhecível "mas nós temos que ir agora." Com um certo desespero, eles chegaram ao Boulevard. "Não o metrô, pegaremos um táxi" Mulder disse elevando a mão. Em segundos, um veículo amarelo parou na frente deles. XXXXXXXXXXXXXXXX