BLINDED BY WHITE LIGHT BY Dasha K. O que nós somos além do resumo de nossas lembranças? Esse é o sumário dessa história escrita pela Dasha que, apesar de grande é totalmente fantástica. Confesso que quando comecei a ler (antes da Késsia me pedir para traduzir), não consegui parar até chegar a última página. Espero que o mesmo aconteça com vocês. Para facilitar o entendimento de algumas coisas, vou resumir o contexto da fic. Spoilers ela tem, mas não são fundamentais para entender pois estamos na época pós-colonização. Os Outros salvaram o nosso planeta dos inimigos e nos deixaram iniciar as nossas vidas reconstruindo cidades que foram destruídas. O ano é 2004. Tudo está mudado. A revolução das comunicações que parece estar desenvolvendo-se bem "devagar" hoje, é realidade nessa época. Mundos virtuais são comuns aqui. A idéia da Dasha sobre como envolver ficção científica aqui partiu da escritora Marge Pierce no livro "He, she and it" e do episódio "Kill Switch" (Vivendo no Cyberspace). ATENÇÃO!!! Se você tem menos de 18 anos, por favor leia outra história. Ah! Quase esqueci, os DS e FM não pertencem a Dasha nem a mim. CC é o dono. A historia será contada por partes. Divirtam-se!!!! Karen Jobim Feedback's: dashak@aol.com e agentkaren@arquivo-x.com [Gente, eu achei sensacional a Karen Jobim se disponibilizar a traduzir esta maravilhosa fanfic da Dasha K! Realmente é uma história belíssima e eu acho que todo mundo vai gostar! É daquelas que a gente não consegue parar de ler enquanto não termina!!!! Enfim, muito gentilmente a Dasha nos deixou traduzir a história! Enfim, a Karen já colocou o email da Dasha aí em cima e eu acho que quem gostar da história deve mandar um feedback. O meu email eh shipperx@gmx.net para o caso de vocês sentirem vontade de falar comigo! Mandem também feedback para a Karen, afinal não é qualquer pessoa que se dispõe a traduzir uma fic tão grande assim! Obrigada, Karen, por ter feito esse maravilhoso trabalho! Um abraço, Késsia.] Blinded by White Light Uma noite logo depois que sua filha Julia nasceu, ela não conseguia dormir. No escuro ela ouviu John se mexer sabia que ele também estava acordado. "Querido?" ela disse. "Sim" ele murmurou. Ela não sabia porque havia perguntado. Era algo sobre o qual nunca conversaram. Nem devia ser mencionado. Ela virou-se e piscou "O que você se lembra?" ela sussurrou "Do que você se lembra do Antes?" Ele deu um longo suspiro mas nada disse. Ela tocou no seu ombro e ele deu um solavanco. "Do que você se lembra?" ela repetiu. "Eu não me lembro de nada." Então ela ouviu Julia chorar pela babá eletrônica e sentou- se. "Eu vou" ela disse e deixou o quarto. Ela nunca tocou no assunto novamente. XXXXXXXXX Ela andava pela deserta Plaza of Heroes, seus saltos ecoavam nos blocos de concreto. A praça ainda não estava cheia de pessoas que retornavam do trabalho. Bebendo seu chá quente, ela considerava a pergunta feita a John dois anos atrás. O que você se lembra do Antes? O que eu me lembro? O cheiro das ruas, a exaustão dos veículos, os stands de cachorro quente, o fedor vindo dos recipientes de lixo. Ela lembrava do barulho, da mistura de várias línguas nas ruas, um trecho de uma música de rock vindo das janelas dos apartamentos, o gemido dos carros de polícia. Ela lembrava-se dela em frente a um espelho com um casaco imaginando se essa era uma imagem profissional. Pedaços, fragmentos de memórias. Nada encaixava-se. É assim para todos, ela pensou. Mas isso não tornava mais fácil. Ela suspirou e entrou pelas portas de vidro do East Side Healthy Building, a passos largos para checar ao seu destino. XXXXXXXX Dra. Hanley serviu-se de uma xícara de café e ofereceu a ela. Ela recusou apontando a caneca de chá. Ela sentou-se na cadeira de couro próxima a janela. A doutora sentou-se na sua mesa e ajeitou algumas mechas de cabelo loiro que caíam na testa. "Como está sendo a semana, Dana?" "Está bem. O trabalho anda estressante. Nós vínhamos enfrentando problemas com as amostras de proteínas, mas tudo foi resolvido. "E em casa?" Dra. Hanley escrevia algo no seu laptop. "Bem. Embora não esteja vendo muito John ultimamente devido o tempo que estou passando no laboratório. Julia anda tendo mudanças de temperamento provavelmente porque não tenho passado muito tempo com ela." "Você planeja mudar isso?" "Hoje irei levá-la ao parque depois do trabalho. John irá comprar o jantar e nos comportaremos como uma família normal. Já disse a Harold que vou tirar umas tardes de folga esta semana assim ela não fica na creche. Apesar de ser uma ótima facilidade, eu não quero que ela passe todo o tempo dela lá. Ela não tem nem 3 anos ainda." Sua terapeuta sorriu "É difícil conciliar carreira e maternidade, mas você está conseguindo." Dana assentiu. "Eu tento, mas é difícil. Às vezes, eu sinto que John passa muito mais tempo com a Julia que eu por poder trabalhar em casa. Gostaria que minha mãe estivesse por perto para me dar conselhos." "Eu acho que todos nós queríamos Ter nossas mães por perto" A dra. Tinha dois filhos, Dana sabia. A foto deles sorrindo e segurando a bola de futebol estava sobre a mesa. Ela encostou-se na cadeira e fechou os olhos "Eu tive outro sonho daqueles ontem." A voz da dra era suave "Conte-me, Dana" "Eu estou cada vez mais convencida de que não é somente imaginação. É algo do Antes. Tenho o mesmo sonho toda noite essa semana." "O que acontece?" "Eu estou num corredor, de um hospital ou uma clínica eu acho. Ë diferente de todos os hospitais que já vi mas tem a atmosfera. Sinto o cheiro de antiséptico. No sonho, eu estou de robe e com muito frio, estou tremendo de medo e dor." "Você está triste com algo?" Ela balança a cabeça "É isso, eu não tenho idéia. Eu estou apavorada e minha boca está seca, então ele vem me abraça, afaga meu cabelo e eu me sinto melhor. Eu digo alguma coisa que nunca me lembro e ele diz algo de volta. Ele me beija a testa e então eu acordo." "Quem é esse homem, Dana?" "Eu não tenho idéia. Ela morde seu lábio em frustração. Não consigo ver seu rosto. Ele é alto tem cabelos escuros. Pode ser qualquer um. Tudo que eu sei é que eu confio nele e ele me conforta." Noite passada após Ter o sonho, levantou-se e foi para a sala. Lá, andou e andou tentando pensar, forçar se cérebro a lembrar-se do rosto dele. Não conseguindo ela adormeceu no sofá coberta por um cobertor da Julia. Ninguém fala a respeito, ela não sabe se eles tem sonhos sobre o passado, a mesmo esforço para se lembrar. XXXXXX Oficialmente o que sabe-se é que o combate a Praga, resultou na perda de grande parte da memória, das lembranças do passado. Os sobreviventes não prageavam seu passado. Esposas, maridos, crianças, se foram para sempre. Ela considerou isso enquanto entrava no Tubo (metrô) umas oito vezes durante a semana. Aproximadamente 10% da população sobreviveu com apenas fragmentos de suas memórias. Ela tinha pai, mãe talvez irmãos e irmãs. Talvez um marido. Não uma criança pois seus exames ginecológicos antes de engravidar mostraram que ela nunca havia dado a luz. Ela sabia que era médica. Patologista. Seu treinamento e habilidades permaneceram intactos após acordar do seu tratamento na clínica. Sabia que tinha 40 anos e nascera em 23 de fevereiro de 64. Havia morado no lado leste numa cidade chamada Washington, a capital dos Estados Unidos. Ainda lembrava- se dos monumentos vistos pela janela do carro. E seu nome era Dana Katherine Scully. Esses vestígios de memória haviam permanecido intactos. Haviam poucos registros oficiais, claro. O resto perdeu-se nas chamas, foram queimados. Houve uma guerra entre a Terra e os Inimigos, coisa rápida destruindo a maior parte do mundo em poucos dias de fogo. Doenças espalharam-se impedindo a maioria de lutar. E então os Outros vieram e salvaram a todos. Ela não lembrava de nada disso. sua vida começou quando acordou na clínica uma manhã com a luz do sol. Na verdade, ela tinha apenas 5 anos. Ela desceu do "Tubo" (metrô) na estação Morning side. Enquanto passava pela multidão a caminho de casa ela observava que as ruas eram claras feito o dia. Mas se ela olhasse para cima veria o céu estrelado fora do domínio da cidade. Ela sempre pensava como seria a noite. Era fevereiro, portanto inverno. Algumas vezes ela recordava que brincava na neve quando criança, amassando grande quantidade daquela coisa fofa e branca chamada bolas de neve e jogava em outras crianças. Claro que o clima da cidade era controlado. Não havia inverno na cúpula. Dana não lembrava como era sentir frio. As ruas estavam cheias de pedestres em ternos ou uniformes de trabalho conversando e rindo, planejando o jantar de hoje. Havia fila na delicatesse sugerindo que muitas pessoas estavam a fim de cozinhar. Ela não. Estava cansada seus pés doíam pois passara muito tempo de pé. Na enfermaria n( 32 ela viu pais e mães segurando seus primogênitos, conversando e batendo palmas. Depois de uma conversa sobre sapatos com Joanne Ling, ela foi apanhar Julia. Sua filha estava brincando com um caminhão amarelo empurrando-o sobre o brilhante tapete vermelho fazendo barulho vrom-vrom. Leila a professora aproximou-se e sorriu "Ela teve um bom dia, Dana. Nós dançamos e fingimos ser um sapo." Ela sorriu para a jovem com longos cabelos negros. "Ela viu um sapo no parque no último fim de semana e não parava de falar sobre ele." Julia olhou para cima e sorriu, pequeninos dentes brancos a amostra na boca cor de rosa. "Mamãe!" ela gritou e correu e agarrou-se às calças cinzas de Dana. Ela acariciou o cabelo castanho claro de sua filha e pensou, pelo menos você irá crescer e se lembrar da sua mãe. XXXXXX O parque era pequeno situado entre dois complexos de apartamentos. Haviam outros parques, maiores na cidade. Mas ela gostava do clima de intimidade desse parque, e pelo fato de ficar apenas dois quarteirões do seu apartamento transformaram ela e Julia em visitantes freqüentes. Ela passou um tempo empurrando sua filha no balanço e depois deixou Julia correr com um garotinho da sua idade e sujar-se na caixa de areia. Isso significava que ela ou John tirariam uma boa quantidade de areia da banheira, mas Julia adorava cavar buracos na areia. Ela sentou-se num banco aproveitando a sensação de simplesmente sentar e refletir. Tem sido tão desgastante ultimamente, com as exigências do crescimento da sua filha, o ritmo frenético do laboratório. Parecia tão pacífico, sentir o cheiro da relva das árvores do parque e ver Julia rir com seu novo amigo. Havia poucas pessoas no parque. Geralmente ela reunia-se com os vizinhos e falavam sobre assuntos de criança. Esta noite havia apenas uma mulher solitária folheando uma revista e dois homens empurrando bebês em carrinhos. Ela pode ouvir um bastão de baseball acertar a bola e risadas de garotos vindo do campinho atrás dela. Ela olhou surpresa ao ouvir a voz masculina "Você se importa se eu sentar aqui?" Ele era um homem alto, esbelto, vestido em um terno cinza. "Claro que não" ela disse. "É o melhor lugar para observar Adam. Ele é aquele na caixa de areia." Ela riu "Então eu não serei a única a tirar areia das unhas hoje à noite. Ele está brincando com a minha filha, Julia." O homem sorriu, um sorriso acolhedor que realçava a suas belas feições. Dana achava que ele tinha a sua idade ou um pouco mais velho. Ele tinha marcas ao redor dos olhos verde acinzentados e mechas grisalhas no seu cabelo escuro. Ela tinha alguns poucos fios que ela escondia com a tinta acobreada uma vez por mês. "Estou feliz que Adam esteja fazendo novos amigos, nos mudamos para cá a um mês e ele está enfrentando problemas em adaptar-se na creche. Ele adorava sua antiga professora e a mudança deixou-o confuso." "De onde você veio?" De alguma forma, este homem despertou sua curiosidade. Ela não costumava fazer esse tipo de pergunta a estranhos mas saiu antes que ela pensasse a respeito. "Boston." Ele disse ajeitando os óculos de metal. Ela é a nova chefe da Escola de Educação da Universidade. Nós não gostamos de nos mudar, mas as cidades são bem parecidas, não são?" "É acho que sim" Dana disse. Ela não saía muito da cidade. Apenas na sua lua de mel foi a Miracle Beach e duas vezes a Chicago para conferências. Realmente, as cidades eram muito semelhantes, claras, calmas, pacíficas. "O que você faz?" "Sou um psicólogo do desenvolvimento. Trabalho com crianças em idade escolar. Estava pronto para ser transferido para o sistema escolar daqui quando Sarah conseguiu seu novo emprego. E você?" Ela virou-se e sorrateiramente estudou seu rosto. Alguma coisa nele a lembrava seu marido, talvez a intensidade dos seus olhos ou a curva do seu lábio inferior. Interessante Dana pensou "Sou um pesquisadora médica. Trabalho num laboratório que estuda os defeitos congênitos dos nascimentos, o legado da Praga." "Deve ser fascinante." Ele disse concordando. "E é." E então um gemido veio da caixa de areia enquanto Julia acertava o garotinho de cabelo enrolado na cabeça com sua pá de plástico. "Julia" ela gritou. "acho que essa é a nossa deixa" ele disse e se levantou para acalmar o filho. Ela suspirou e foi atrás da sua filha homicida. Os terríveis Twos, ela pensou pesarosamente. Quando deixou o parque com Julia no reboque, ocorreu-lhe que nem perguntara o nome do homem. XXXXXXXX Depois da Julia estar banhada e na cama, ela enrolou-se no sofá clicando em algumas fotos de família na tela. Hoje o apartamento parecia tão aconchegante, as persianas fechadas sobre as luzes noturnas da cidade. A sala iluminada apenas por um abajur. Ela podia ouvir John limpando a banheira. As fotos eram de quando ela conheceu John. Fotos dos seus encontros, dos dois em festas, concertos, na piscina. Foi rápida sua união. Naqueles dias quando todos estavam procurando se conectar, Ter uma família, eles esperaram 3 meses numa lista para fazer a cerimônia na Prefeitura. Ela conheceu John em agosto e em dezembro estavam casados. Nas fotos ela parecia radiante e embarassada no seu longo vestido branco segurando a mão de John fora da capela. Ambos bêbados e corados na festa de casamento, rodeados por seus colegas de trabalho. Ela estava séria na foto que assinava a certidão de casamento. Mesmo que ela e John tivessem decidido casar-se apenas um mês depois de se conhecerem, ela levou o compromisso a sério. Quando ela jurou perante o juiz McLean amar, honrar e respeitar John, ela falava sério. Ele era tudo que ela tinha. Dana seguiu para as fotos dela no sentada no parque, enorme, grávida. Ela sentiu pela mãe que ela não pode se lembrar todos esses meses. Era assustador ser responsável pela vida de uma criança que ainda não nascera, saber que logo ela assumiria a responsabilidade de ser mãe. Como ela poderia ser mãe para seu bebê, quando nem ela lembrava-se o que era Ter uma mãe? E aí literalmente umas cem fotos de Julia. Elas mostravam ela ainda miudinha saindo da maternidade até a garota de cabelos castanhos que dava língua para a câmera. John veio e sentou-se ao lado de Dana "Deus, ela é linda, não é?" ele disse num tom de admiração. Ela virou-se para John e passou seu dedo indicador pelas bochechas dele "Você acha que ela se parece comigo ou com você?" Ele sorriu "ela tem o seu sorriso, mas o meu nariz." "Ainda bem" ela odiava seu nariz, já tinha até considerado fazer algo numa daquelas botiques cirúrgicas. Como parecia vaidade, pensou, ficou só na vontade. "Eu adoro seu nariz, Dana." John beijou a ponta dele e ela suspirou de prazer. Havia semanas desde a última vez que fizeram amor. Os seus compromissos os deixavam cansados para qualquer coisa. Ela desligou a tela e virou-se para ele sorrindo pelo modo que seus olhos estavam sonolentos e despertos ao mesmo tempo. "Vamos para a cama." Ela disse. XXXXXXXX Esta noite ela teve um novo sonho. Estava fazendo amor mas não com John. Era outro homem, o homem sem face com cabelos escuros e mãos gentis. Era de manhã e eles estavam numa cama não familiar para Dana, mas parecia o lar para ela, como seu próprio corpo, seu perfume e o cheiro da pele dele. Ele cheirava. Deus, ele sentia-se tão bem, tocando-a preguisosamente frente aos primeiros raios de sol, beijando seus lábios carnudos. Ela o amava. Oh, como ela o amava! Somente ele. O homem a abraçava e beijava depois do orgasmo e dizia "eu jamais esquecerei isso, Scully" Estranho, ele a chamava pelo sobrenome. Ela sentou-se completamente ereta seu coração batendo forte. Depois de uns minutos de desorientação, ela levantou-se da cama. John que dorme feito pedra nem se mexeu mesmo depois dela tropeçar no tenis que estavam no chão. No banheiro, ela escovou os dentes, tomou um copo d'água e olhou seu reflexo no espelho. Eu imagino quantos amantes eu tive, pensou. Com todos os propósitos e intenções, John foi seu primeiro e ela o dele. Pareceu familiar quando ele a penetrou na primeira noite. O ritmo era de algo que conhecia anteriormente, quando ela gritava atingindo o orgasmo, sentiu uma sensação de deja vu que a perseguia por meses desde que acordara na clínica. Dana sacudiu a cabeça e jurou parar com a obsessão pelo passado. Não era saudável. Não era justo com o John e a Julia e com a nova vida que ela planejou construir para si nesses últimos 5 anos. Outras pessoas estavam vivendo e construindo suas novas lembranças dessa vida tão bem, ela tinha que fazer o mesmo. Eu não quero me lembrar de você, ela disse baixinho para o homem nos seus sonhos. Ela voltou para a cama, movendo-se contra a costa quente de John usando-a como um cobertor. XXXXXXX Numa manhã de Domingo, Dana acordou com os brilhantes mas falsos raios de sol vindos da janela e os braços de John segurando-a . Ele estava cantarolando algo, uma canção familiar mas ela não sabia como chamava-se. "O que você está cantando?" ela murmurou esfregando o seu rosto no cabelo dele que cheirava a shampoo de camomila. John balançou a cabeça "eu não sei" ele simplesmente disse. É engraçado como essas coisas de repente acontecem. Uma noite, depois de alguns mese fora da clínica, ela estava numa recepção formal. Havia um piano fascinante com suas teclas marfins e negras. Ela sentou-se e descansou os dedos no teclado. De repente, seus dedos moviam-se e formavam uma canção. Ela podia tocar piano. Alguma vez no passado ela teve aulas de piano. Dana espreguiçou-se e bocejou, desfrutando da sensação de não Ter que levantar para trabalhar. Eles levaram Julia a um churrasco oferecido pela chefe do John, Debora, e somente a colocaram para dormir próximo de meia-noite. Normalmente, ela ficaria brincando tentando chamar a atenção deles, mas agora Dana podia ouvir o sono profundo da filha. Com a barba por fazer, John roçava no pescoço dela e ela sentia todos os seus nervos despertarem para a vida. A voz dele soava tão calma que ela quase não o ouviu. "Você está feliz, Dana?" Seus olhos arregalaram-se: "O que você quer dizer com isso?" John afastou-se dela, sentou e olhou pela janela "Você está feliz? Comigo? Conosco?" Ela sentou-se também "do que você está falando? Você sabe o quanto sou feliz com você." "É que..." sua voz desapareceu, ele virou-se para ela as sobrancelhas franzidas "você tem tido tantos pesadelos, você parece perdida nos seus pensamentos nos últimos meses. Estou preocupado se você não está mais feliz." Ela não era tão boa atriz como acreditava. Envolvendo-se no edredon ela tocou-lhe o braço "estou muito feliz com você, John. Nada mudou. Eu tenho tido esses sonhos e acho que são do Antes." Ele concordou "Só queria que você esquecesse." "O passado" "sim, Dana. Não faz bem a você pensar nisso, tentar se lembrar disso." Fechando os olhos ela desejou que pudesse esquecer. Parar. Mas não podia. Está além do seu controle. Demorou um pouco para ela achar as palavras "John, você nunca quer se lembrar?" Seu marido nem hesitou na resposta "Eu não quero lamentar o que não poderei Ter novamente." Não era a primeira vez. Ela pensava se John fora casado antes, se tinha uma família, como ele era quando garoto, a primeira garota que beijou. Ele inclinou-se e beijou-lhe a bochecha "você tem que esquecer, Dana. Você tem uma nova vida. O passado deve permanecer no passado." Ela concordou e sorriu para ele. As feições familiares que ela tanto amava. Ainda assim, depois de cobrirem-se com o edredon, as perguntas continuavam a rodar a sua mente. Quem eu amei no Passado? Quem eu era? XXXXXXXX Julia ouvia atentamente sua mãe ler "Jerry a espaçonave azul". Ela apontava com seus dedinhos fofinhos as figuras quando Dana perguntava qual era a nave, a lua. Observar a inteligência da sua filha crescer a cada dia era espantoso. Saber que aquela garotinha ao seu lado de macacão vermelho de veludo era uma simples célula no corpo de Dana. Do outro lado da sala, John estava sentado na cadeira de couro preta, olhos fechados com um cabo de conexão na orelha, estava imerso na rede. Dana virou a última página "E jerry voou alto em direção aos céus e a lua o aplaudia." Julia aplaudia junto com a lua. Era a sua história favorita. Limpando a garganta, John apertou o botão desconectando o computador e desligou o cabo. "Algo errado?" ela perguntou. Ele ficou de pé e começou a andar pela sala "É esse grupo em São Paulo. Eles estão fodendo tudo." "John!" ela apontou para Julia que parecia fascinada pela nova palavra dita pelo pai. "Desculpe" ele sentou no chão com elas. Pegou o ponei de borracha vermelho "Dana tem uns problemas sérios com o site. Eles querem que eu viaje amanhã." Enquanto a carreira de John como um engenheiro industrial lhe dava certos benefícios como trabalhar em casa através da rede, algumas vezes ele precisava ausentar-se e visitar alguns locais. Dana aceitava isso como fato normal na sua vida, mas ainda gemeu "Por quanto tempo?" "Eu não sei. Uma semana, talvez duas." "Não tem outro modo de resolver?" "Não." Ele beijou-a na bochecha "eu compensarei tudo para você quando voltar. Talvez possamos tirar uns dias de folga para passarmos algum tempo juntos." Ela forçou um sorriso "É bom mesmo." "Mais uma razão para eu voltar correndo." Ele riu e pegou Julia no colo. XXXXXXXX Mais tarde, depois que John levou Julia para comprar suprimentos para o jantar, Dana pegou o metrô em direção ao rio que ficava no lado leste quase no fim da cidade. Ela achava que o lugar era perfeito para uma corrida solitária. Ela não tinha mais tempo para se exercitar desde que Julia nascera. Ela gostava de impor limites ao seu corpo enquanto corria, sentia-se viva. A beira do rio estava cheia de pessoas correndo, famílias passeando e casais empurrando carrinhos de bebê na tarde de Domingo. Dana observou que as crianças tinha no máximo 5 anos de idade. Provenientes das famílias que se formaram depois da vinda dos Outros. Muito poucas crianças e jovens salvaram na guerra e da Praga. A cidade estava com um ar bem familiar, todos queriam ter um bebê. Nos intervalos de almoço e café, só falava-se em amamentar, tratamentos para engravidar e xixi de bebê. A vida social de Dana resumia-se em banhos de bebê e batizados. Dana dirigiu-se para um dos bancos de frente para o rio, observando o mesmo correr. Ele vinha de Fora, mas passava por um tratamento para evitar doenças e impurezas. Enquanto se espreguiçava ela viu uma pessoa familiar fazendo o mesmo. Era o homem que ela conheceu no parque semana passada. Ela foi até lá e bateu no ombro dele. Ele virou- e esboçou um sorrisso prazeroso e surpreso ao ver-la. Ele vestia uma camisa azul marinho e calças de moleton. Que pareciam já terem tido dias melhores. Dana mesmo assim, achava que ele não precisava vestir o traje de corrida completo como os outros corredores ali. " Eu a conheço" disse estendendo a mão " Mas não sei seu nome." " Dana Scully" disse ela cumprimentando-o " E você?" Ele soltou sua mão e esticou-se mais um pouco " Fox Mulder. Mas me chame de Mulder , eu não gosto muito do meu primeiro nome." "Fox" ela sorriu " De alguma forma, você está certo. Não combina com você. Já pensou em mudá-lo? Não que todos não gostem, claro." Ele olhou para ela com olhos espantados. Droga! Ela sabia que sugeria algo do Antes. Foi uma falta de educação. Mas Mulder apenas sorriu e continuou seus exercícios " Na, sou muito preguisçoso para me acostumar com um novo nome." "Quanto você planeja correr?" Dana perguntou. " Estou meio fora de forma. Não tive chance de correr desde que nos mudamos. Talvez umas 3 milhas. Por quê? Quer correr junto comigo?" "por que não?" " Não vejo porque, vamos!" Eles alongaram-se por mais um tempo e começaram a correr pela trilha bastante ventilada por sinal. Ela teve a impressão que ele corria mais devagar que o seu normal. Mas ela achava ótimo, assim podia conversar sem perder totalmente o fôlego. " Eu esperava encontrá-la novamente Dana" ele disse acenando para uma mulher grávida. " Eu queria lhe convidar para um encontro." Ela parou de correr e levanto a sobrancelha " Um encontro?" Ela mencionou que era casada, não? Ele deu uma gargalhada " Um encontro para brincar. Adam e Julia se deram muito bem." " Antes de acertá-lo na cabeça com a pá." " Adam gosta de mulheres agressivas." " então, ele vai amar julia. 'as vezes ela é um terror." " Na, ela só está testando sua autonomia diante do mundo. Comportamento típico de uma criança de dois anos." Eles continuaram por mais uma milha e retornaram pelo Monumento das Almas perdidas. Ela estava contente por não ter em demorado ali. Por alguma razão aquela estátua gigante de granito de um homem e uma mulher olhando para o céu , sugerindo lamentos por seus amores perdidos, fez ela arrepiar-se. Quando voltaram ao ponto de partida, compraram garrafas de água mineral e sentarsam-se num muro de pedra para observar o rio. " eu gosto daqui." Mulder disse removendo o suor das sobrancelhas " É um dos poucos lugares que parecem reais." " O que você quer dizer com real?" Dana tinha uma idéia incerta sobre o que ele falava. " Sim, real. Como o mundo deve ter sido um dia. Eu tenho lembranças do Antes." Sua respiração saiu como um sussurro "Ninguém nunca fala sobre o Antes" Ele balançou a cabeça em afirmativo " Eu sei. Mecanismo clássico de negação no trabalho. As pessoas ficam amedrontadas em disvendar seu passado, sentar e pensar que elas tiveram uma vida anterior a essa. " Ela concordou. " Desculpe, eu não devia falar sobre isso se a incomoda. Quer dizer, nós não nos conhecemos bem e aqui estou eu falando de assuntos sensíveis Um pequeno sorriso começava a formar-se nos lábios dela. " Isso não me incomoda, sério. È que eu nunca converso sobre esse assunto com ninguém. Nem com meu próprio marido." " Nem Sara. Basta eu tocar no assunto e ela lança um olhar duro para mim. Algumas vezes eu a olhoe imagino se ela se lembra de algo." Dana olhava um grupo de jovens todos do Lar da juventude. Vestido com roupas de ginástica sendo guiados por uma jovem atleta que parecia entediada com a sua função. " Deus, será que toda relação é assim? Uma pessoa olhando para a outra e imaginado quem era você antes de te conhecer?" " Eu gostaria de saber quem eu fui." Mulder disse despejando o resto da sua água. " Eu também." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas para a nova situação. Mulder desceu do murro e checou o relógio " Eu tenho que ir. Qual o seu número? Podemos marcar aquele encontro." " Eu não tenho papel para escrever." Ele deu um sorriso rejuvenecedor " Eu tenho uma boa memória. Vou me lembrar." Ela disse e ele dirigiu-se para o metrô, acenando. Ela ficou um tempo absorta em suas paranóias. Antes. Ele quer conversar sobre o Antes. Ela não tinha certeza se era medo ou esperança que sentia. XXXXXXXX Naquela noite, depois que John e Julia dormiram, ela sentou- se à mesa e começou a fazer uma lista. Coisas que sei : _Meu nome _Minha data de nascimento _A cidade em que morei um dia _Minhas habilidades e conhecimentos médicos mas não onde os obtive _Eu tive uma lesão na área do abdomên. Tenho uma cicatriz que parece ser de um ferimento à bala. _Eu tenho uma tatuagem na parte inferior da costa, uma cobra comendo o próprio rabo. _Eu nunca estive grávida antes de Julia _Posso tocar piano mas não muito bem _Não sou boa dançarina _Sou destra _Devo Ter estudado alemão alguma vez pois entendo muitas coisas daqueles programas que mostram o que teria sido a Alemanha _Eu brinquei na neve uma vez _Eu tive um amante com cabelos escuros. Ele me chamava pelo sobrenome _Eu gosto de ler especialmente romances e revistas médicas _Eu sempre gostei do meu café com creme, sem açúcar. Antes havia um modo de fazer café chamado latte mas eu não me lembro o que ele continha _Eu gosto de comida apimentada, especialmente comida chinesa _Eu gosto de correr e parece-me algo que fazia com freqüência _Eu me sinto tranquila perto de água, especialmente do rio _Eu sabia cozinhar e lembro até de receitas _Eu devo Ter sido religiosa, algumas vezes uma frase ou duas são lembradas _Eu usava conjuntos para trabalhar no Antes Ela fitou a lista tentando se lembrar de algo mais. Havia outras coisas que ela se lembrava aqui e ali, mas eram flashes breves que duravam poucos segundos. É isso, ela pensou, o resumo de 35 anos. XXXXXXXXX Pela manhã, ela tomou um banho e começou a vestir-se para o trabalho. Ela tinha uma rotina, um ritmo para as suas manhãs tão bem formado que nem precisava pensar- só acordar e realizar. Antes do banho ela preparou um pouco de café. Bebia-o da caneca de estilo mexicana azul e dourada enquanto escolhia um conjunto preto e uma capa de seda creme. Rumores de criança vindos do quarto através da babá eletrônica enquanto ela vestia a meia e abotoava o casaco. Seu cabelo estava um pouco comprido. Tinha uma tendência irritante de enrolar e por isso ela tinha que pentea-lo com laque e uma escova redonda para conseguir o efeito que desejava. Finalmente, ela passou uma base, pó compacto, pintou os lábios com uma cor acobreada, brincos, relógio e ela estava pronta para sair. De repente, medo a dominou e ela levou a mão até o pescoço. Seu colar. A pequena cruz de ouro na corrente- onde estava? Ela nunca tirava o colar nem para dormir nem para tomar banho. Houve apenas duas vezes em que ela estava sem ele. Ambas as vezes ele o encontrou e guardou para ela. Pânico subia-lhe a garganta enquanto procurava sobre a penteadeira, nas cabeceiras da cama, no banheiro. A corrente e a cruz não estavam em lugar nenhum. Isso não está acontecendo. Minha mãe me deu esse colar no meu aniversário de quinze anos. Ë a única coisa material de valor verdadeiro para mim. Ela lembrava de estar descansando no hospital, segurando a superfície fria da cruz envolta do seu pescoço e pensando, ele guardou para mim todo esse tempo... E agora sumiu. O mundo desintegrou-se e Dana descobriu-se na cama, sua cama, seu marido inquieto tocando o seu ombro. "Você está acordada agora? Seus olhos alarmados. Ela piscou um pouco desorientada. O que foi sonho e o que foi real? Sim, foi um sonho. Outra possível lembrança que retorna através de sonho. Ele acendeu a lâmpada da cabeceira " Você estava falando enquanto dormia. Algo sobre ter perdido seu colar." Ele beijou sua cabeça que estava suada " Você sonhou que perdia seu colar?" Ela balançou a cabeça "Não a pequena cruz de ouro da corrente. Minha mãe que me deu ." " Sua mãe?" " Acho que meu sonho foi outra memória do Antes" "Oh, Dana" ele puxou-a para seus braços " eu odeio te ver sofrendo assim" " Tudo bem" ela respirou fundo sentindo o cheiro dele e as batidas do seu coração voltavam ao normal " Eu acho que quero me lembrar." Eu detesto ser uma página em branco. Ele concordou " Eu não entendo porque você quer se lembrar. Eu tento entender, mas não consigo." " eu sei que não." Ela suspirou " Isso o amedronta, a mim também." " Então porque fazer isso. Não é saudável. Não é justo comigo, com a Julia e com você. Essa é a sua vida agora." Um breve momento de raiva tomou conta dela. Ela lembrou-se do que Mulder disse a ela- era tudo muito grande.Era grande considerar uma vida inteira apagada, mas porque john não entendia o desejo dela de saber? Ela pensou se seu marido realmente a conhecia. Que seja, 3 da manhã não é hora para discutir tal assunto especialmente com John partindo para são Paulo pela manhã. Após tudo isso sentiu-se exausta. Aconchegou-se no colchão, puxou o edredon e disse " Vamos voltar a dormir, John " ela rezou para não voltar a sonhar. XXXXXXXXX Com um olhos castanhos e brilhantes, Julia derrubou um pedaço do seu omelete de queijo no chão com o seu garfo. "Julia" brigou John, sua testa franzida. Dana apenas sorriu e continuou a tomar seu café. John acessou o aeroporto pela rede e descobriu que o seu vôo sairia 3 horas mais tarde devido ao mau tempo. Fora da cúpula, uma forte tempestada caía com trovões e raios aumentando o nevoeiro com possibilidade de nevasca. Com algum tempo restante, eles caminharam sete quarteirões até o GreenLaw Corners Café. Era um lugar aconchegante com umas vinte meses no máximo. Eles raramente tinha a oportunidade de sair para comer fora como uma família. Era um ambiente familiar o bastante para ter crianças por perto sem problemas e servia um prato especial huevos rancheros. E Dana gostava do serviço e dos holgramas com macacos espalhados pelo lugar que davam um ar de selva de desenho animado. Olhando ao redor ela viu um jovem casal que pareciam cansados como se não tivessem dormido na noite anterior. Ele era alto e bonito de cabelos escuros sorrindo com encantamento para a sua amada, uma mulher baixa de cabelos louro. Eu me lembro do encantos do primeiro amor, Dana pensou, cutucando a gema dos seus ovos avermelhadas pelo molho. Ela tocou a mão de John " voc~e se lembra da primeira vez que viemos aqui/" Ele repousou a xícara de café e piscou " A primeira vez?" Lutando para não revirar os olhos " Sim, a "primeira" vez." Um olhar de pânico tomou-lhe a face sabia que poderia vir a ter problemas " A primeira vez?" Ela beliscou a mão dele o que fez julia dar uma risadinha. "Dana você tem que me ajudar" ele defendeu-se "Você sabe que sou ruim nesse tipo de coisa." " A primeira vez" ela baixou a voz como se Julia pudesse entender " pense, John. Lembra-se do seu antigo apartamento antes de nos casarmos? Era a uma esquina daqui. Você, Chris e Mike e muitas roupas sujas no chão? " John arregalou os olhos e sorriu. Ela colocou um bom pedaço de ovos e tortillas na boca e sorriu triunfante. " Agora eu me lembro." Ele suspirou " A primeira vez que viemos aqui foi depois da primeira vez que ficamos juntos." Eles eram iguais ao casal ao lado. Tudo referia-se a descoberta de momentos de prazer. Mesmo com o vazio que havia em suas vidas, eles podiam e encontraram o amor. " e nós viemos aqui logo após descobrir que eu estava grávida." Dana disse. John colocou alguns pedaços de ovos no prato da Julia " Para um pequeno restaurante de esquina representa muitas lembranças. " Ela concordou colocando mais café nas sua xícaras. " falando em gravidez, você já pensou mas em ter outro?" mesmo estando lá junto dela durante os testes, as visitas ao médico, segurando sua mão durante o tratamento da laparoscopia, ela se perguntava se John tinha idéia de quão doloroso foi o processo na tentativa de engravidar para ela. Ela se odiava por desapontá-lo por não conseguir. Ela ainda se lembrava, deitada na mesa depois da terceira IV rangia os dentes e murmurava silenciosamente euconseguirei eu conseguirei . Machuca querer tanto algo assim. Era mais doloroso talvez, perceber o quanto ela, seu casamento, estavam envoltos neste esforço. Ela deixou o garfo e tocou a mão dele "penso demais nisso." A voz dele na espectativa "Alguma conclusão?" Eu gostaria de ser como você, John. Você vai do ponto A para o ponto B e chega ao ponto C já decidido. È um matemático no coração. Enquanto, eu preciso da lógica e da razão para guiar-me durante o dia, a vida em si é mais complicada para mim. Ela olhou para o resto do café "Não. Nenhuma conclusão. Eu não sei se quero passar por tudo aquilo novamente. Não sei se posso." Eu não sei se posso me sentir um fracasso quando minha menstruação vier, quando vou a emergênca de um hospital por causa de um aborto prematuro,. Eu não sei se posso encarar o fato do meu corpo me trair. Dana olhou para Julia que balançava os pés tentando escapar da cadeira e passando os dedinhos sujos de ovos pelo cabelo. Ela olhou para o marido apertando a mão dele "Eu não sei se posso" repetiu. XXXXXXXX Durante todo o corredor julia imitava um sapo e Dana não se importava era até engraçado. No fim do corredor, elas pararam e tocaram a campainha do 1582. Depois de um momento a porta abriu e uma mulher alta com uma forma atlética e cabelos encaracolados castanhos apareceu. Ela vestia um conjunto de calça creme que destacavam sua pele e seus olhos negros " Você deve ser a Dana" ela disse num tom suave e melodioso " Sou Sarah Morelli." "Muito prazer" e apertaram as mãos. Sarah abaixou se para ficar no nível de júlia " E esta é Julia eu presumo?" Julia fez uma cara angustiada e escondeu as mãos na saia de Dana. " ela é tímida com estranhos" Dana disse desculpando-se. " eu posso entender, também sou." Ela levantou-se e empurrou a porta "Entrem, o lugar não está todo arrumado ainda. Estamos muito ocupados desde que nos mudamos." A sala era parecida com a de Dana. De tamanho médio com espaço para a mesa do computador carpete bege e uma parede cheia de janelas que mostravam as luzes brilhantes da cidade à noite. Havia ainda algumas caixas encostadas em uma parede, não havia quadros na parede e muito poucos objetos de decoração que indicariam longa residência no apartamento. "Querido," Sarah chamou "Dana e Julia estão aqui." Mulder saiu da cozinha, vestindo uma velha calça jeans e uma camisa cinza suja de tinta, seu cabelo despenteado. "Hei" ele a saudou "Desculpe, esse lugar está uma bagunça. Eu decidi cuidar do lar hoje. Por alguma razão eu tive a brilhante idéia de instalar os armários da cozinha." Julia continuava pendurada na perna dela, olhando para os estranhos a sua volta. "É uma hora ruim? Podemos voltar outra noite..." Ele balançou a cabeça "Eu já acabei. Adam está louco para brincar com Julia." Como um chamado, o garotinho apareceu vindo do corredor, correndo até Julia. Ele olhava para a sua nova amiga com os olhos cor de chocolate iguais ao da mãe. "Adam, você se lembra de Julia?" Sarah perguntou, passando os dedos pelos cachinhos do filho. "Ela está aqui para brincar com você." "Eu tenho ferramentas" Adam disse a Julia, que começou a balançar para cima e para baixo os enfeites dos seus sapatos. "Vá mostrá-las a ela" Mulder disse e deu um pequeno empurrão nele. As duas crianças deixaram a sala. "ele está obcecado por ferramentas ultimamente" riu Sarah "Por estarmos trabalhando otempo todo no apartamento ele fica pegando as ferramentas por mais que tentemos esconder, nós acabamos achando-as na cama dele. Como uma compensação, compramos para ele um jogo de ferramentas plásticas de brinquedo e parece que funcionou." "Adam continua dormindo com suas ferramentas" Mulder disse. Sarah pegou uma maleta de couro marron da mesa. "Eu tenho que correr," ela disse "Dana, eu gostaria de poder ficar, mas os Trustees tem um encontro hoje à noite na universidade." "Nós faremos isso outra vez, quando John voltar da sua viagem de negócios." Dana disse. "Parece ótimo." Sarah beijou suavemente o marido na bochecha. "estou com um pressentimento de que vamos demorar, então não espere por mim." Mulder deu um sorriso falso "Minha mulher é tão importante para as palavras. . ." "E não se esqueça disso nem por um minuto." Sarah preveniu enquanto saía. A porta fechou-se e Mulder disse "Vamos ver o que nossas crianças danadas estão aprontando." O quarto de Adam era pintado de azul e tinha uma cama coberta por uma colcha de um ratos de desenho animado. No chão, os dois batiam com as ferramentas em blocos plásticos, acompanhando o barulho. Eles estavam tão concentrados que nem olharam para os pais. "Eles ainda não se mataram" Mulder disse "acho que é um bom sinal. Por que nós não agimos um pouco como adultos? Se ouvirmos gritos de agonia, nós corremos." Na pequena cozinha, mulder mostrava os armários brancos orgulhoso e colocou a chaleira para fazer café. "Eu estou feliz por você Ter vindo." Mulder disse, procurando por leite na geladeira "Sarah e eu não fizemos amizades ainda. É difícil deixar nosso ciclo de amigos em Boston." "Eu não posso nem imaginar Ter que me mudar." Ela fez um gesto desajeitado com as mãos. "Isso é. . . isso é tudo o que sei agora." A chaleira preta começou a apitar. Mulder desligou o fogo e despejou a água quente num pote devidro contendo pó de café. A sala encheu-se do cheiro saboroso do café. "É bom finalmente Ter um café verdadeiro." Ele disse "Aquela coisa que tínhamos dos Outros não tinha o mesmo sabor." Dana balançou a cabeça concordando e o seguindo até a sala, onde sentaram no sofá branco e marrom. Com um pequeno suspiro que Dana não pode ouvir ele serviu-lhe uma xícara de café e entregou a ela, deixando que ela adicionasse o leite. Ele olhou ao redor e disse, "ah, felicidade doméstica." Dana soprou o café, permitindo-se inalar o cheiro tão apreciado. Café só está disponível desde o ano passado, e ela ainda considera isso um prazer. "É?" Ela perguntou " Isso é felicidade doméstica?" Ela não sabia porque exatamente, mas Fox Mulder fazia ela querer perguntar coisas pessoais. Ele recostou-se no sofá. Vagamente, Dana podia ouvir as crianças ainda batendo com as ferramentas e rindo. "Eu suponho que seja felicidade caseira de certo modo." Mulder disse. "De certo modo? Como assim?" Mulder riu e colocou sua xícara sobre a mesa. "eu tenho uma esposa que amo, um filho lindo, um trabalho que acho interessante e desafiador, mas. . ." a voz dele desapareceu. "Mas?" "Se importa se eu entrar no pessoal por um momento, Dana?" ele perguntou, aproximando-se dela. Ela imaginou que podia sentir o cheiro da pele dele. "Não me importo." "Olha, eu tenho uma mania de afastar as pessoas. Eu as assusto com as perguntas que eu faço, falando as coisas erradas. Ele esboçou um sorriso "eu não quero fazer isso com você." "Você não está me afastando. Eu tenho um problema oposto, é difícil eu me abrir." Ela disse. Mulder a olhou sem acreditar "Verdade? Você não me pareceu assim." Ela mexeu-se desconfortavelmente. Ela não via lógica para esplicar como era fácil conversar com esse homem. Poucas pessoas na sua vida com quem ela instantaneamente simpatizava. Megan, sua parceira de laboratório era uma. John, outro. Talvez, alguma química interpessoal. Ela decidiu trazer a conversa ao seu assunto inicial "Sim, você estava falando de felicidade caseira. . ." Mulder olhou para as suas mãos "eu devia estar feliz. Eu estou feliz a maior parte do tempo, Mas ultimamente, eu venho procurando essas drogas, eu não posso dizer porque. Eu observo a minha vida e tudo está bem, mas por dentro, é como se eu estivesse profundamente lamentando alguma coisa." Sua respiração saiu apressada e ela percebeu que estava segurando "ou alguém." "Ou alguém. É frustrante não ser capaz de se lembrar. Parte de mim quer desesperadamente saber, a outra parte-" "Quer seguir em frente." Dana o cortou. Mulder olhou para ela surpreso. Ela reparou como eram verdes escuros os seus olhos e tinham alguns traços cinzas neles. "É exatamente isso." Sua voz saiu como um suspiro "Eu me sinto do mesmo modo, Mulder." Ele concordou "nós vivemos num mundo de negação onde cada um procura viver seu dia-a-dia fingindo que o passado é irrelevante. Os inimigos nunca vieram, a guerra e a praga nunca aconteceram. Eles sempre viveram nessas cidades. Os outros sempre foram nossos aliados e parceiros. Quem se importa com o que aconteceu conosco Antes?" Dana estava pasma por ouvir os pensamentos que rodavam na sua cabeça por tanto tempo sendo ditos por outra pessoa. "Hei" ele tocou o braço dela levemente. Dana pode sentir o calor da sua palma através do suéter. "Desculpe, às vezes tendo a declamar por um tempo. Geralmente, Sarah está aqui para me fazer calar." "Tudo bem. Verdade. Poderia ser eu dizendo a mesma coisa." Dana observava ele passar a língua para molhar seu lábio inferior. Mulder olhou novamente para as suas mãos "Eu só quero saber a verdade. Talvez não mude nada, nem me faça mais feliz. Mas eu saberia." Um grito escandaloso veio do quarto e Julia vinha correndo para o colo de Dana. "O que foi?" ela perguntou acariciando as costas da filha. Era difícil sair de uma conversa sobre o Antes e voltar a fazer o papel de mãe. Julia respondeu com olhos mareados "ele pegou meus blocos" Mulder balançou a cabeça e levantou "parece que o momento para adultos acabou. Dez minutos somente." Ela sorriu sabendo como eram raros esses momentos. Saindo da cozinha disse "A única coisa capaz de acabar com essa briga são cookies" Olhando para o rosto da filha, Dana sorriu de desgosto. Sim, felicidade caseira com certeza. XXXXXXXXX Eram duas da manhã e Dana não conseguia dormir. Após trocar de posição inutilmente, ela sentou e acendeu o abajur ao lado da cama. O apartamento estava muito calmo sem a presença de John. Era difícil para ela dormir sem o calor do corpo dele junto ao seu, ou talvez tenha sido o café que bebeu na casa do Mulder. De qualquer modo sua mente não estava quieta o bastante para permiti-la dormir. Por um momento, ela considerou tomar uns comprimidos para dormir que a Dra Hanley prescrevera, mas eles tinham efeito de deixá-la lerda no dia seguinte e com tanto trabalho por fazer no laboratório isso iria atrapalhar. Ela imaginou se john ficaria chateado se ela ligasse para o seu hotel em São Paulo no meio da noite. Com um suspiro decidiu que sim. Sua médica tinha lhe dado alguns exercícios mentais para ela tentar quando estivesse sofrendo de insônia. Não custava nada. Ela deitou- se do lado direito da cama em posição fetal. Permitindo-se respirar devagar, longos suspiros, ela tentou se lembrar de um lugar onde se sentia totalmente calma e relaxada. Um tempo onde ela se sentia bem feliz. Inspire. Um lugar feliz. Expire. Aqui nessa cama. Deitada, quase adormecida depois dos efeitos do prazer e da fadiga. O corpo quente de John ao lado do dela, ainda suado. O peito dele contra suas costa, um braço sobre ela e a mão dele descansando sobre a barriga dela. E seus olhos lutando para continuar abertos, para lembrar e saborear a doçura desse momento. Seu corpo ainda ardendo devido o orgasmo. Finalmente, após quase um ano tentando engravidar, testes e procedimentos dolorosos, terapias, o bebê deles estava crescendo na sua barriga. Quase cinco meses e fazer amor voltava a ser a troca de carinhos e compartilhar sentimentos em vez do dever de procriar. Finalmente, finalmente. Dana sentiu o sono a alcançar depois de lembrar daquela noite adorável que a fez esboçar um sorriso nos lábios e de vagar, escurecia, adormeceu. ...não hoje Scully, não é hora. Vamos apenas aquecer um ao outro, por favor, eu quero ver outra manhã com você... seus olhos abriram-se na escuridão do quarto, e ela buscava ar. O que, que droga foi isso? Era um suspiro masculino, como se alguém estivesse na cama com ela. Seu estômago dava voltas, ela levantou-se e dirigiu-se ao banheiro apenas a tempo de provocar. Descansando seu rosto no vaso frio ela lutava contra a sensação de náusea. Eu não quero isso, nào hoje. Tudo o que eu quero é dormir. Finalmente, ela levantou-se, escovou os dentes e bebeu um copo d'água. Derrotada, abriu o armário de remédios e pegou os comprimidos para dormir. Dez minutos depois, as drogas fizeram efeito e ela dormia profundamente. XXXXXX "Eu tenho essa teoria, quer ouvir?" Mulder disse espalhando água com o pé. Eles estavam no Parque Central da cidade, o maior deles com muitas milhas quadradas no meio do centro comercial da cidade. Sarah estava do outro lado da fonte com as crianças que colocavam pequenos barquinhos de plástico na água. Adam e Julia estavam nus e totalmente molhados. Mulder e Dana tiraram seus próprios sapatos e enrolado suas calças, curtindo a água fria com os pés enquanto comiam sanduíches. Dana levantou uma sobrancelha incapaz de falar por estar mastigando um pedaço do seu sanduíche de peru. Depois de engolir ela disse "Você parece Ter muitas teorias, Mulder." Era tão bom e fácil apenas divertir-se no parque. Com todo o verde, as árvores as famílias. Sua filha saudável brincando na água. Os eventos estranhos das duas noites anteriores pareciam nem Ter ocorrido. "É uma teoria estranha, eu nunca a disse a ninguém" Mulder disse puxando o papel do seu sanduíche. Porque você está me dizendo então, porque não conta para a sua esposa, ela pensou. Mas sabia a resposta. Sarah não queria discutir o assunto, igual ao John. "Prossiga" "em que ano estamos?" Mulder perguntou. Ela olhou confusa "2004" seu tom de voz parecia dizer "claro!" "você tem certeza?" "Claro que tenho, é o que o meu calendário e o meu computador me diz" Mulder virou a cabeça e lançou um estranho e intenso olhar para ela "Isso é o que eles dizem, mas pense comigo Dana. Os outros resgataram os sobreviventes e os mantiveram em extase por um tempo, trataram a praga e quando acordamos nos achamos em cidades que os Outros haviam criado para nós." Dana balançou a cabeça concordando. Aquilo não era novidade para ela. Ele espalhou mais água com os pés "O tempo nos diz que ficamos três meses em êxtase. E se não for verdade?" "Por que não seria?" ela olhava Sarah puxar Julia da água e podia ouvir os risinhos deliciosos da filha. "Eu não sei" Mulder balançou a cabeça como se ele mesmo estivesse confuso com a sua própria teoria "Parece estranho para mim que os Outros tenham sido tão bons conosco e pedido tão pouco em troca. Eles nos salvaram, recriaram um mundo como o nosso, com nossas regras. O motivo deles tem sido totalmente altruísta, exceto que agora eles negociam conosco e tem acesso a pesquisas naturais precisas da Terra." "E você duvida das boas intenções deles? Não acha que se os motivos deles fossem menos honrados, eles não teriam já mostrado sua verdadeira face? Já faz cinco anos." Ele riu "eu gosto do modo como me desafia, Dana." Ela retribuiu o sorriso "então, o que isso tem a ver com o tempo em si?" "É algo que considero de vez em quando. E se o tempo que passamos em êxtase foi bem maior que 3 meses? E se foi um século? É tudo que sabemos." "Com que propósito?" perguntou tomando um pouco de limonada. "Qualquer coisa, experiências, coletar material genético,..., eu já considerei que e se nunca houve uma guerra, ou inimigos ou a praga. Talvez o resto do mundo foi morto ou levado pelos Outros. Como poderíamos saber realmente. Ninguém se lembra." Dana sentiu um calafrio ao ouvir as palavras de Mulder, mas o afastou. "Tem razão. Sua teoria não é nada atraente." "ë eu sei, mas é como minha mente funciona." "é uma idéia pertubadora" Dana achava difícil imaginar que tudo o que sabia era totalmente falso. "Eu não queria assustá-la. Pelo que sabemos, os Outros são boa gente. Como eu disse, tenho essas idéias." "Eu gosto" ela disse olhando para a forma pálida dos seus pés "É revigorante poder conversar sobre isso com alguém que não te ache doida." "você era quem deveria me achar doida. Mas você não me acha." "Você não é doido." Mulder levemente tocou sua mão e ela sentiu algo elétrico atingir seu braço. Era a coincidência repentida de que o homem sentado junto a ela era atraente. Ele estava olhando para ela com uma expressão que permitia a ela ver a sensualidade daquele homem, a paixão que existia por trás do humor irônico e as idéias estranhas. Ele estava olhando para ela como se ela fosse a única pessoa na terra naquele momento. Não pense nisso disse a ela mesma forçando-se a olhar para a mulher dele que divertia-se com as crianças. Ele pareceu notar onde realmente estavam e tirando os pés da fonte perguntou "Você trouxe toalhas?" XXXXXXXX Quando ela e Julia voltaram para casa, havia um recado do john no serviço de e-mail pedindo para ela ligar para ele. Ela deu um rápido banho em Julia, leu uma história e colocou-a para dormir. Ela sentou-se na frente da tela e discou o número através do controle remoto. Um minuto e eles conectaram-se. O rosto do seu marido apareceu na tela, sentado na cama "Oi, baby, estou sentindo sua falta." "eu também" "Eu tentei falar com você duas vezes hoje a noite. Onde vocês foram?" Ela sabia que ele estava perguntando só por curiosidade. Mas a pergunta a fez sentir estranha. "Um encontro para brincar. Eu conheci um casal maravilhoso, Sarah e Mulder outro dia. Nós levamos as crianças ao Parque Central da cidade hoje a noite." "Ah, eu sinto falta dela também. Ela está na cama?" "É, quer que eu a acorde?" "Não, deixe-a dormir." "Você ainda planeja voltar no Sábado? Só seis dias. Não demora tanto. John fez uma careta e passou os dedos pelo cabelo castanho "Era por isso que estou ligando. O projeto está uma bagunça tenho passado 16 horas todo dia no local e não acho que conseguirei terminar em menos de duas semanas." "Duas semanas?" ela tentou não parecer desapontada, mas não conseguiu. "Eu sei, me sinto péssimo. Eu sinto demais a sua falta e a de Julia. E eu perderei seu aniversário no Domingo." Ë mesmo, ela tinha esquecido que seu aniversário era no Domingo. "Bem, comemoramos quando você voltar." Ele sorriu para ela. Um sorriso doce e culpado."Nós iremos sim, pode contar com isso." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas e desligaram. Eu esqueci de dizer que o amo, ela pensou enquanto se levantava do sofá e juntava uns brinquedos do chão. Mas ele sabe como me sinto. Ela decidiu que mandaria uma mensagem dizendo a ele exatamente o que sentia mas ela adormeceu e esqueceu de mandar a mensagem. XXXXXXXX Na noite seguinte, após colocar Julia para dormir, ela escreveu a mensagem para John. Era relaxante depois de um dia de seminário sentar-se na confortável cadeira em frente ao computador, fechar os olhos e deixar seus dedos digitarem no teclado automaticamente sem que precisasse ver. Estava no meio de um parágrafo falando sobre a sua lua de mel quando uma brilhante página amarela apareceu no seu campo de visão. * Usuário fwmulder2411 procura usuário dkscully8734 no Netscape AE-3456- AT* Curioso, ela pensou, Mulder tem um Netscape. Ela considerou brevemente terminar a mensagem. Mas, a curiosidade a fez fechar o serviço de e-mail. Ela não tinha o costume de usar a rede. De tempos em tempos, ela precisava atender a uma conferência na rede ou uma reunião, mas não apreciava usar a net para diversão. Muitas pessoas inclusive seu marido, usavam a net para divertir-se com jogos e novidades, isso a pertubava. O mundo dentro da net era de alguma forma muito real e a divisão entre a sua vida virtual e real parecia meio nebulosa. Lá, se tocasse numa mesa de madeira em um sala de conferência, esta parecia sólida aos seus dedos como a mesa da sua cozinha. Ela sabia que não era verdade, o software apenas manipulava o seu cérebro para pensar ser real. Todos que ela conhecia aceitavam a net como parte diária das suas vidas, Dana preferia o mundo real fora da net. Ela respirou profundamente e clicou no endereço de Mulder e no botão de conexão da rede. Um flash brilhante de luz a fez pular, sempre acontecia quando ela conectava. Uma vez perguntou a seu vizinho Evan um analista de sistemas que trabalhava no serviço público da rede da cidade porque existia esse flash, ele riu " é só psicológico, ele não é necessário, mas faz as pessoas sentirem que realmente vão a algum lugar..."ele ofereceu-se para tirar o flash do seu computador, mas esquecido como Evan era esquecido até hoje não aparecera. Ela entrou por um corredor metálico cheio de portas com números identificando- as. Ela estava em frente a AE-3456- AT. O software registrou sua presença e abriu a porta revelando um vazio negro. Dana sentia-se como Alice no país das maravilhas, um livro que comprara para Julia, entrou no espaço e descobriu-se a beira mar. Curioso, ela pensou. Estava numa praia ventilada, o oceano com suas ondas brancas quebravam na areia. Era tão real que deixou-a sem fôlego. Ela imaginou poder ouvir o choro das gaivotas sobre sua cabeça e sentir o cheiro do sal no ar. O céu estava acinzentado. O vento balançava seus cabelos enquanto ela procurava por algum sinal de Mulder. "Muito ventilado para você?" Mulder disse. Ela virou-se e ele estava parado próximo a ela olhando-a exatamente como ele era na vida real. As pessoas podiam através do software escolher várias aparências diferentes para navegarem pela rede. Dana estava aliviada por Mulder aparecer como era em vez de parecer com um gigante ou um Outro. Fantasiar, tudo bem, mas tudo tem limite. "Eu nunca vi um Netscape tão bem elaborado. Você que desenvolveu?" "Tá brincando? Eu sou um completo idiota quando se trata desse tipo de coisa. Eu pedi a um designer para fazer, custou um bocado de crédito." "É lindo. Eu nunca vi um oceano como esse." Eles começaram a andar pela praia "então, você já esteve em um oceano?" perguntou. "Sim, na minha lua de mel. Nova Zelândia. Miracle Beach." "É o Atlântico. Antes da Sarah e eu casarmos, nós fomos a uma conferência no Maine. Era um resort aberto somente para altos oficiais. Enquanto Sarah passava o seu tempo com acadêmicos, eu passava a maior parte do meu tempo na praia. Nunca me senti tão em casa na minha vida." Eles chegaram ao limite da água. Apesar das ondas não molharem seus pés aquela distância, a quebra delas na praia, respingavam água no seu rosto. "Você vem sempre aqui?" ela perguntou. Ele olhou para o céu escuro "só quando preciso pensar. Parece que todos os meus bons pensamentos saem quando estou nessa praia." "eu posso ver porque. É tão pacífico aqui." "É aqui que faço minhas lembranças." Ela olhou para ele os olhos tão cinza como as nuvens "Lembranças do Antes?" Mulder respondeu "É não há nada aqui que distraia meu pensamento." Dana pegou uma grande quantidade de areia nas mãos e deixou os grãos escorregarem pelos seus dedos. Ela realmente podia sentir cada grão de areia. Ela tinha um pergunta para Mulder mas não sabia se atreveria- se a perguntar. Seu próprio marido não lhe disse, porque Mulder diria? Mas ela perguntou assim mesmo "Mulder, o que você se lembra?" Quase não se ouvia sua voz. Em vez de ficar ofendido, ele virou-se para ela e sorriu "Você quer mesmo saber?" ela balançou a cabeça afirmativamente. "Não muito. Apenas impressões gerais. Eu tinha uma irmã, ela tinha cabelos mais escuros que o meu. Eu me lembro de andar de bicicleta e jogar baseball quando criança. E eu me lembro de estar numa praia muito parecida com essa." "Nada sobre a sua vida de adulto?" "Não. A maioria das minhas memórias são da infância. Eu sei que fui treinado em psicologia mas não me lembro de trabalhar com crianças como hoje. Recentemente, me lembrei que trabalhava para algum tipo de força da lei." "Força da lei? Como um guardião?" "alguma coisa desse tipo. Havia uma espécie de agência no Antes chamado Federal Bureau of Investigation. Você já ouviu falar?" "Claro, eu vi um filme sobre isso. Tinha alguns agentes do FBI nele." "parece estranho mas acho que fui um agente desses. Tenho um fragmento de memória onde estou olhando para minha identificação." Ela levantou a sobrancelha "Você tentou ver se ainda existem alguns registros?" "sim, tentei" seu rosto parecia desapontado "Os registros na rede não são acessíveis. Estão muito bem guardados. E como eu disse, não sou um gênio do computador." Ela teve uma inspiração "Mulder, eu tenho um vizinho, amigo meu. Ele sabe tudo de computadores. Se quiser posso pedir para ele procurar para você." "Você faria isso para mim?" seus olhos bem abertos. Dana pode ver como ele fora quando garoto. "Eu faço sim" Mulder pegou sua mão e apertou-a. antes que ela pudesse sentir a sensação ele largou "Significaria muito para mim, Dana." Ela sorriu "Você e eu somos bem parecidos. Queremos saber tudo." Por um momento, Mulder ficou em silêncio olhando as ondas. "Parece que nós dois somos os únicos nesse mundo que queremos saber." "Não parece tão solitário como antes" ela suspirou. Dana virou-se, o vento soprava seu cabelo tirando-o do seu rosto "Porque pediu que eu viesse aqui hoje?" "Porque você é a única que entende o que esse lugar significa para mim." Mulder colocou seu braço ao redor dela e ficaram observando o mar. XXXXXXX A festa já estava no seu auge quando ela chegou ao apartamento de Mulder e Sarah. Pessoas que ela não conhecia, vestida como nos anos noventa em pequenos grupos conversando e bebendo vinho. O ar cheirava a perfume feminino e ao junto ela ouvia o som de jazz tocado no piano vindo de um aparelho de som. Ela ficou parada na porta sem saber o que fazer. Geralmente, quando tinha uma sala cheia de pessoas para enfrentar, john estava com ela para guiá-la pela multidão e introduzi-las nas conversas. Isso é bobagem, pensou. Você é inteligente e independente e você não precisa do seu marido para sobreviver a essa noite. Sarah a viu e veio ao seu encontro. Ela estava elegante com um vestido cor de chocolate que realçvam seus olhos e o decote realçavam-lhe os seios. "estou feliz que tenha vindo"ela disse cumprimentando Dana. Sussurando fez uma confissão. "Isso foi idéia minha, não do Mulder. Eu queria celebrar a mudança." "Onde ele está?" Dana perguntou. "ele está na cozinha, Mulder não gosta muito de festas sabe?" ela viu outros convidados na porta "Eu tenho que bancar a anfitriã." Na cozinha Mulder estava abrindo as garrafas de vinho, totalmente concentrado. Antes que pudesse surpreendê-lo Mulder olhou e sorriu para ela. Dana arrependeu-se de vestir um vestido que parecia tão nua. Ela o comprou depois da gravidez e era o melhor que tinha para a ocasião. O vestido era leve e fino, de cor vermelho escuro. Tinha uma gola alta e o comprimento até os joelhos com um decote nas costas a altura da sua tatuagem. Ela de repente sentiu-se totalmente nua quando os olhos de Mulder passeavam de cima a baixo. O que está acontecendo aqui? Ela sentiu-se incomodada após aquele doce momento que compartilharam no Netscape. Admitiu, se você fez no Netscape não conta, mas ela se sentiu tão bem olhando o mar com os braços dele ao redor dela. Ela passou para ele uma caixa de papelão e ele puxou uma garrafa de vinho australiano. A Austrália sofreu muito com a guerra e só agora suas vinícolas estavam exportando novamente. "Muito vinho" ele disse sacudindo a cabeça "já estou sentindo a ressaca de amanhã." Ele deu a ela um copo de vinho tinto. Ela provou o vinho "Sarah disse que você não gosta de festa." Ele encolheu os ombros "Muita gente reunida, depois de um tempo eu fico enjoado que nem Adam quando passa da sua hora de dormir." "Falando nisso, onde ele está? Não tinha como uma criança dormir durante uma festa num apartamento pequeno como aquele. "Há uma moça encantadora que mora 3 andares acima. Ela adora o Adam e ficou satisfeita por levar ele para ficar com ela hoje. E a Julia?" "Minha parceira do laboratório. Ela e o marido ainda não tem filhos e gostam muito de Julia." Ele riu, e ela percebeu o quanto o sorriso dele era perigoso. Ele estava todo em negro hoje. A camisa preta abotoada até um ponto onde podia ver uns poucos cabelos enrolados no peito e calças pretas. Quase doía olhar para ele. Pare com isso, ela disse a si mesma. "eu estou feliz que veio, Dana. A maioria dos convidados são colegas da Sarah da Universidade. Quase não conheço ninguém." "Eu também." Era bom estar livre sem Julia e John. Estranho sim, mas a lembrava do tempo em que era sozinha. Eles juntaram-se ao resto das pessoas. Começaram a discutir sobre política e eleições. Novembro será a primeira eleição presidencial. Dana divertia-se muito, suas conversas eram sempre sobre ciência e crianças. Era bom aprender sobre política e leis com outras pessoas. A festa chegava ao fim, Sarah estava jogada no sofá pelo efeito do vinho. Mulder não estava em lugar nenhum Muitas pessoas já tinham ido embora e mesmo que seu vestido fosse decotado ela estava com calor, precisava de ar. Com o quarto copo de vinho nas mãos ela saiu do apartamento. Deus, estou embriagada ela pensou olhando-se no espelho do elevador. A rua estava calma e deserta não havia ninguém. Entre o apartamento de Mulder e o próximo havia uma pequena área verde que nem podia ser considerada um parque. Um pouco de grama e um banco. Dana sentou-se no banco e ficou admirando as estrelas piscando por trás da cúpula. Tinha uma canção que ela se lembrava e sempre cantava para Julia "Twinkle, twinkle little star how I wonder what you are" ela pensou nos Outros e como eles derrotaram os inimigos. Quem está lá fora? Nós definitivamente não estamos sozinhos. "Você alguma vez fez um pedido a uma estrela?" Ela pulou um pouco devido a voz que quebrou seus desvaneios. Mas era apenas Mulder. Ele colocou uma mão sobre o ombro dela "Desculpe, não queria assustá-la." "Escapando da própria festa" ela levantou a sobrancelha "você é um mau anfitrião." "Sou sim" ele sentou ao seu lado e olhou para o céu. "Foi bom você me dar uma festa de aniversário." Ele voltou a fitá-la "É seu aniversário? Não sabia." Ela riu "Eu não lhe disse então não se sinta mal. Além disso, meu aniversário é amanhã." Ela olhou para o relógio "na verdade, é hoje." "Se tivesse me dito nós teríamos comprado um bolo e um presente." "Não seja ridículo. Eu vou comemorar amanhã na casa de uma amiga. Ela fará um jantar para mim." "Então, quantos anos você tem?" "Mulder você não sabe que depois que uma mulher atinge uma certa idade, é falta de educação perguntar?" "Nossa, Dana. Parece até que você tem oitenta anos. Você nem parece Ter 79." Ela fez que ia dar um tapinha no rosto dele mas ele interceptou sua mão agarrando-a . Ela não podia respirar. "E então, diz." Puxando a sua mão disse "Tenho 41." "só isso? Eu sou um ancião comparado a você. Tenho 45." Ela recuou e cruzou as pernas "Estamos ficando velhos." Às vezes ela gostaria de saber como ela era quando nova, como eram os contornos do seu rosto antes que os cabelos brancos começassem a aparecer no vermelho. Com uma mão fria ele tocou sua bochecha "você é uma mulher bonita, Dana para qualquer idade" ela teria rido das palavras dele se não tivessem adquirido um tom tão sério. Ela baixou a cabeça como em descrença olhando para as suas mãos trêmulas segurando o copo de vinho. Ele levantou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele "Você não acredita em mim?" disse sussurando. Ela podia ver o desejo nos olhos dele e sentir saindo do corpo dele como ondas. A pele dela ardia em resposta. Ele piscou e movia-se devagar na sua direção. Ele vai me beijar, eu não posso deixar isso acontecer. Não posso. Mas outra parte dela queria que ele o fizesse. Ela esquivou-se dele e ele sorriu percebendo. Ela limpou a garganta e perguntou "O que está acontecendo aqui, Mulder?" "Eu não sei" Ela olhava para o balanço em vez de Mulder "Alguma coisa está acontecendo entre nós" "Eu não consigo parar de pensar em você" ele suspirou "desde a primeira vez que nos encontramos. Eu não sei explicar, mas não consigo parar." Sua boca estava seca e ela tomou outro gole de vinho. Os pensamentos estavam todos misturados na sua cabeça e não conseguia articula-los. Ela sentiu a mão dele no seu braço " é igual para você?" sua voz estava tão hesitante que atingiu seu coração. Eu não quero responder isso. Se tiver que responder terei de dizer a verdade e se disser não sei o que pode acontecer. A pressão no seu braço aumentou "É isso?" ele repetiu. Ainda não olhando para ele, ela concordou. "Eu sei que é errado" Mulder disse "Acredite, eu sei" Finalmente, ela olhou para ele. Conhecia Mulder a tão pouco tempo e seu rosto era tão amável para ela. Mas ainda não podiam fazer isso agora, nem nunca. "É errado" ela disse suavemente. "Sim" ele concordou. Ela queria tanto beija-lo, ela pensou, apenas uma vez e eu saberia o gosto de como é amá-lo. Dana sentiu lágrimas querendo encher seus olhos e ela as afastou. Ela nunca chorara na frente de ninguém, nem do John. Sentiu-se fraca. "Eu tenho um marido e o amo, você tem uma esposa e a ama. Nós . . . nós não podemos" "Você está certa." Mesmo que estivessem dizendo as palavras certas, seus dedos entrelaçaram-se aos delas e seus rostos estavam tão próximos que seus narizes quase se tocavam. Ela podia sentir o cheiro de vinho na respiração dele. O ar parecia pouco para Dana. Mulder levou sua mão livre até o pescoço dela. Os pequenos cabelos arrepiaram-se com o toque. " Nós não podemos fazer isso." Ele sussurou pressionando seus lábios contra os dela. Ela esqueceu de pensar enquanto ele a beijava. Lógica e responsabilidade temporariamente desapareceram. Ela elevou sua mão até o rosto dele para puxa- lo para mais perto dela. As sua línguas encontraram-se pela primeira vez e eles saltaram diante desse contato. Ela sentia a onda de desejo exalar do seu corpo. Era insano beijar alguém que não fosse o John. Sentir uma língua estranha e diferentes lábios. Mas também era estranhamente familiar beijar Mulder. Não havia desencontro de nariz e lábios, apenas um único perfeito e explosivo beijo, longo, doce e desejado. Eles separaram-se buscando por ar, pareciam ter passado horas se beijando. Um silêncio incômodo formou-se entre eles. Até que Mulder falou: " Me desculpe Dana. Nós não devíamos ter feito isso." Ela balançou a cabeça, seus lábios ainda sentindo a pressão dos dele " Talvez não devessemos nos ver nunca mais" O rosto dele parecia tão ferido com as palavras dela que ela sentiu as lágrimas voltando. Ela limpou o rosto com as mãos trêmulas e levantou-se do banco "É tarde, tenho que pegar a Julia." Mulder pegou a mão dela e apertou suavemente " Eu sei que o que fizemos foi errado. Mas está sendo difícil me arrepender disso." Ela sentiu um sorriso nos lábios " Pra mim também, esse é o problema Mulder" Ela virou-se para ir embora. " Hei, Dana" ela voltou. Mulder passou as mãos pelo cabelo " Você realmente falou sério quando disse para não nos vermos mais?" Ela levantou as mãos " Eu naõ sei Mulder. Preciso pensar." O problema era que ela poderia passar o resto da vida pensando e não saberia a resposta certa. "Acho que nós dois precisamos de um tempo." Ele disse. Ela concordou. "Mais uma coisa" ele disse levantando-se do banco. "O que é?" " Você fica extremamente linda depois de ser beijada." Ela não podia fazer outra coisa senão sorrir ao mesmo tempo em que virava-se para ir embora. XXXXXXXX Continua...... Por enquanto é só. Vou deixar vocês com água na boca....