Message to Dasha: this wonderful fanfiction was written by Dasha K (http://www.dasha.simplenet.com), was translated by Karen Jobim and will be archived ONLY at the site The Shipper X (http://go.to/shipperx). So, please, do not archive anywhere else. I want to thank Dasha K for this amazing job and for letting us translate the story and Karen Jobim for having the patient and an excellent translation skill!!! Thank you both. Késsia Nina BLINDED BY WHITE LIGHT BY Dasha K. O que nós somos além do resumo de nossas lembranças? Esse é o sumário dessa história escrita pela Dasha que, apesar de grande é totalmente fantástica. Confesso que quando comecei a ler (antes da Késsia me pedir para traduzir), não consegui parar até chegar a última página. Espero que o mesmo aconteça com vocês. Para facilitar o entendimento de algumas coisas, vou resumir o contexto da fic. Spoilers ela tem, mas não são fundamentais para entender pois estamos na época pós-colonização. Os Outros salvaram o nosso planeta dos inimigos e nos deixaram iniciar as nossas vidas reconstruindo cidades que foram destruídas. O ano é 2004. Tudo está mudado. A revolução das comunicações que parece estar desenvolvendo-se bem "devagar" hoje, é realidade nessa época. Mundos virtuais são comuns aqui. A idéia da Dasha sobre como envolver ficção científica aqui partiu da escritora Marge Pierce no livro "He, she and it" e do episódio "Kill Switch" (Vivendo no Cyberspace). ATENÇÃO!!! Se você tem menos de 18 anos, por favor leia outra história. Ah! Quase esqueci, os DS e FM não pertencem a Dasha nem a mim. CC é o dono. A historia será contada por partes. Divirtam-se!!!! Karen Jobim Feedback's: dashak@aol.com e agentkaren@arquivo-x.com Importante: esta fanfic não pode ser arquivada em outro site além do The Shipper X. Por favor, não disponibilize-a em outro lugar. [Gente, eu achei sensacional a Karen Jobim se disponibilizar a traduzir esta maravilhosa fanfic da Dasha K! Realmente é uma história belíssima e eu acho que todo mundo vai gostar! É daquelas que a gente não consegue parar de ler enquanto não termina!!!! Enfim, muito gentilmente a Dasha nos deixou traduzir a história! Enfim, a Karen já colocou o email da Dasha aí em cima e eu acho que quem gostar da história deve mandar um feedback. O meu email eh shipperx@gmx.net para o caso de vocês sentirem vontade de falar comigo! Mandem também feedback para a Karen, afinal não é qualquer pessoa que se dispõe a traduzir uma fic tão grande assim! Obrigada, Karen, por ter feito esse maravilhoso trabalho! Um abraço, Késsia.] Blinded by White Light Uma noite logo depois que sua filha Julia nasceu, ela não conseguia dormir. No escuro ela ouviu John se mexer sabia que ele também estava acordado. "Querido?" ela disse. "Sim" ele murmurou. Ela não sabia porque havia perguntado. Era algo sobre o qual nunca conversaram. Nem devia ser mencionado. Ela virou-se e piscou "O que você se lembra?" ela sussurrou "Do que você se lembra do Antes?" Ele deu um longo suspiro mas nada disse. Ela tocou no seu ombro e ele deu um solavanco. "Do que você se lembra?" ela repetiu. "Eu não me lembro de nada." Então ela ouviu Julia chorar pela babá eletrônica e sentou- se. "Eu vou" ela disse e deixou o quarto. Ela nunca tocou no assunto novamente. XXXXXXXXX Ela andava pela deserta Plaza of Heroes, seus saltos ecoavam nos blocos de concreto. A praça ainda não estava cheia de pessoas que retornavam do trabalho. Bebendo seu chá quente, ela considerava a pergunta feita a John dois anos atrás. O que você se lembra do Antes? O que eu me lembro? O cheiro das ruas, a exaustão dos veículos, os stands de cachorro quente, o fedor vindo dos recipientes de lixo. Ela lembrava do barulho, da mistura de várias línguas nas ruas, um trecho de uma música de rock vindo das janelas dos apartamentos, o gemido dos carros de polícia. Ela lembrava-se dela em frente a um espelho com um casaco imaginando se essa era uma imagem profissional. Pedaços, fragmentos de memórias. Nada encaixava-se. É assim para todos, ela pensou. Mas isso não tornava mais fácil. Ela suspirou e entrou pelas portas de vidro do East Side Healthy Building, a passos largos para checar ao seu destino. XXXXXXXX Dra. Hanley serviu-se de uma xícara de café e ofereceu a ela. Ela recusou apontando a caneca de chá. Ela sentou-se na cadeira de couro próxima a janela. A doutora sentou-se na sua mesa e ajeitou algumas mechas de cabelo loiro que caíam na testa. "Como está sendo a semana, Dana?" "Está bem. O trabalho anda estressante. Nós vínhamos enfrentando problemas com as amostras de proteínas, mas tudo foi resolvido. "E em casa?" Dra. Hanley escrevia algo no seu laptop. "Bem. Embora não esteja vendo muito John ultimamente devido o tempo que estou passando no laboratório. Julia anda tendo mudanças de temperamento provavelmente porque não tenho passado muito tempo com ela." "Você planeja mudar isso?" "Hoje irei levá-la ao parque depois do trabalho. John irá comprar o jantar e nos comportaremos como uma família normal. Já disse a Harold que vou tirar umas tardes de folga esta semana assim ela não fica na creche. Apesar de ser uma ótima facilidade, eu não quero que ela passe todo o tempo dela lá. Ela não tem nem 3 anos ainda." Sua terapeuta sorriu "É difícil conciliar carreira e maternidade, mas você está conseguindo." Dana assentiu. "Eu tento, mas é difícil. Às vezes, eu sinto que John passa muito mais tempo com a Julia que eu por poder trabalhar em casa. Gostaria que minha mãe estivesse por perto para me dar conselhos." "Eu acho que todos nós queríamos Ter nossas mães por perto" A dra. Tinha dois filhos, Dana sabia. A foto deles sorrindo e segurando a bola de futebol estava sobre a mesa. Ela encostou-se na cadeira e fechou os olhos "Eu tive outro sonho daqueles ontem." A voz da dra era suave "Conte-me, Dana" "Eu estou cada vez mais convencida de que não é somente imaginação. É algo do Antes. Tenho o mesmo sonho toda noite essa semana." "O que acontece?" "Eu estou num corredor, de um hospital ou uma clínica eu acho. Ë diferente de todos os hospitais que já vi mas tem a atmosfera. Sinto o cheiro de antiséptico. No sonho, eu estou de robe e com muito frio, estou tremendo de medo e dor." "Você está triste com algo?" Ela balança a cabeça "É isso, eu não tenho idéia. Eu estou apavorada e minha boca está seca, então ele vem me abraça, afaga meu cabelo e eu me sinto melhor. Eu digo alguma coisa que nunca me lembro e ele diz algo de volta. Ele me beija a testa e então eu acordo." "Quem é esse homem, Dana?" "Eu não tenho idéia. Ela morde seu lábio em frustração. Não consigo ver seu rosto. Ele é alto tem cabelos escuros. Pode ser qualquer um. Tudo que eu sei é que eu confio nele e ele me conforta." Noite passada após Ter o sonho, levantou-se e foi para a sala. Lá, andou e andou tentando pensar, forçar se cérebro a lembrar-se do rosto dele. Não conseguindo ela adormeceu no sofá coberta por um cobertor da Julia. Ninguém fala a respeito, ela não sabe se eles tem sonhos sobre o passado, a mesmo esforço para se lembrar. XXXXXX Oficialmente o que sabe-se é que o combate a Praga, resultou na perda de grande parte da memória, das lembranças do passado. Os sobreviventes não prageavam seu passado. Esposas, maridos, crianças, se foram para sempre. Ela considerou isso enquanto entrava no Tubo (metrô) umas oito vezes durante a semana. Aproximadamente 10% da população sobreviveu com apenas fragmentos de suas memórias. Ela tinha pai, mãe talvez irmãos e irmãs. Talvez um marido. Não uma criança pois seus exames ginecológicos antes de engravidar mostraram que ela nunca havia dado a luz. Ela sabia que era médica. Patologista. Seu treinamento e habilidades permaneceram intactos após acordar do seu tratamento na clínica. Sabia que tinha 40 anos e nascera em 23 de fevereiro de 64. Havia morado no lado leste numa cidade chamada Washington, a capital dos Estados Unidos. Ainda lembrava- se dos monumentos vistos pela janela do carro. E seu nome era Dana Katherine Scully. Esses vestígios de memória haviam permanecido intactos. Haviam poucos registros oficiais, claro. O resto perdeu-se nas chamas, foram queimados. Houve uma guerra entre a Terra e os Inimigos, coisa rápida destruindo a maior parte do mundo em poucos dias de fogo. Doenças espalharam-se impedindo a maioria de lutar. E então os Outros vieram e salvaram a todos. Ela não lembrava de nada disso. sua vida começou quando acordou na clínica uma manhã com a luz do sol. Na verdade, ela tinha apenas 5 anos. Ela desceu do "Tubo" (metrô) na estação Morning side. Enquanto passava pela multidão a caminho de casa ela observava que as ruas eram claras feito o dia. Mas se ela olhasse para cima veria o céu estrelado fora do domínio da cidade. Ela sempre pensava como seria a noite. Era fevereiro, portanto inverno. Algumas vezes ela recordava que brincava na neve quando criança, amassando grande quantidade daquela coisa fofa e branca chamada bolas de neve e jogava em outras crianças. Claro que o clima da cidade era controlado. Não havia inverno na cúpula. Dana não lembrava como era sentir frio. As ruas estavam cheias de pedestres em ternos ou uniformes de trabalho conversando e rindo, planejando o jantar de hoje. Havia fila na delicatesse sugerindo que muitas pessoas estavam a fim de cozinhar. Ela não. Estava cansada seus pés doíam pois passara muito tempo de pé. Na enfermaria n( 32 ela viu pais e mães segurando seus primogênitos, conversando e batendo palmas. Depois de uma conversa sobre sapatos com Joanne Ling, ela foi apanhar Julia. Sua filha estava brincando com um caminhão amarelo empurrando-o sobre o brilhante tapete vermelho fazendo barulho vrom-vrom. Leila a professora aproximou-se e sorriu "Ela teve um bom dia, Dana. Nós dançamos e fingimos ser um sapo." Ela sorriu para a jovem com longos cabelos negros. "Ela viu um sapo no parque no último fim de semana e não parava de falar sobre ele." Julia olhou para cima e sorriu, pequeninos dentes brancos a amostra na boca cor de rosa. "Mamãe!" ela gritou e correu e agarrou-se às calças cinzas de Dana. Ela acariciou o cabelo castanho claro de sua filha e pensou, pelo menos você irá crescer e se lembrar da sua mãe. XXXXXX O parque era pequeno situado entre dois complexos de apartamentos. Haviam outros parques, maiores na cidade. Mas ela gostava do clima de intimidade desse parque, e pelo fato de ficar apenas dois quarteirões do seu apartamento transformaram ela e Julia em visitantes freqüentes. Ela passou um tempo empurrando sua filha no balanço e depois deixou Julia correr com um garotinho da sua idade e sujar-se na caixa de areia. Isso significava que ela ou John tirariam uma boa quantidade de areia da banheira, mas Julia adorava cavar buracos na areia. Ela sentou-se num banco aproveitando a sensação de simplesmente sentar e refletir. Tem sido tão desgastante ultimamente, com as exigências do crescimento da sua filha, o ritmo frenético do laboratório. Parecia tão pacífico, sentir o cheiro da relva das árvores do parque e ver Julia rir com seu novo amigo. Havia poucas pessoas no parque. Geralmente ela reunia-se com os vizinhos e falavam sobre assuntos de criança. Esta noite havia apenas uma mulher solitária folheando uma revista e dois homens empurrando bebês em carrinhos. Ela pode ouvir um bastão de baseball acertar a bola e risadas de garotos vindo do campinho atrás dela. Ela olhou surpresa ao ouvir a voz masculina "Você se importa se eu sentar aqui?" Ele era um homem alto, esbelto, vestido em um terno cinza. "Claro que não" ela disse. "É o melhor lugar para observar Adam. Ele é aquele na caixa de areia." Ela riu "Então eu não serei a única a tirar areia das unhas hoje à noite. Ele está brincando com a minha filha, Julia." O homem sorriu, um sorriso acolhedor que realçava a suas belas feições. Dana achava que ele tinha a sua idade ou um pouco mais velho. Ele tinha marcas ao redor dos olhos verde acinzentados e mechas grisalhas no seu cabelo escuro. Ela tinha alguns poucos fios que ela escondia com a tinta acobreada uma vez por mês. "Estou feliz que Adam esteja fazendo novos amigos, nos mudamos para cá a um mês e ele está enfrentando problemas em adaptar-se na creche. Ele adorava sua antiga professora e a mudança deixou-o confuso." "De onde você veio?" De alguma forma, este homem despertou sua curiosidade. Ela não costumava fazer esse tipo de pergunta a estranhos mas saiu antes que ela pensasse a respeito. "Boston." Ele disse ajeitando os óculos de metal. Ela é a nova chefe da Escola de Educação da Universidade. Nós não gostamos de nos mudar, mas as cidades são bem parecidas, não são?" "É acho que sim" Dana disse. Ela não saía muito da cidade. Apenas na sua lua de mel foi a Miracle Beach e duas vezes a Chicago para conferências. Realmente, as cidades eram muito semelhantes, claras, calmas, pacíficas. "O que você faz?" "Sou um psicólogo do desenvolvimento. Trabalho com crianças em idade escolar. Estava pronto para ser transferido para o sistema escolar daqui quando Sarah conseguiu seu novo emprego. E você?" Ela virou-se e sorrateiramente estudou seu rosto. Alguma coisa nele a lembrava seu marido, talvez a intensidade dos seus olhos ou a curva do seu lábio inferior. Interessante Dana pensou "Sou um pesquisadora médica. Trabalho num laboratório que estuda os defeitos congênitos dos nascimentos, o legado da Praga." "Deve ser fascinante." Ele disse concordando. "E é." E então um gemido veio da caixa de areia enquanto Julia acertava o garotinho de cabelo enrolado na cabeça com sua pá de plástico. "Julia" ela gritou. "acho que essa é a nossa deixa" ele disse e se levantou para acalmar o filho. Ela suspirou e foi atrás da sua filha homicida. Os terríveis Twos, ela pensou pesarosamente. Quando deixou o parque com Julia no reboque, ocorreu-lhe que nem perguntara o nome do homem. XXXXXXXX Depois da Julia estar banhada e na cama, ela enrolou-se no sofá clicando em algumas fotos de família na tela. Hoje o apartamento parecia tão aconchegante, as persianas fechadas sobre as luzes noturnas da cidade. A sala iluminada apenas por um abajur. Ela podia ouvir John limpando a banheira. As fotos eram de quando ela conheceu John. Fotos dos seus encontros, dos dois em festas, concertos, na piscina. Foi rápida sua união. Naqueles dias quando todos estavam procurando se conectar, Ter uma família, eles esperaram 3 meses numa lista para fazer a cerimônia na Prefeitura. Ela conheceu John em agosto e em dezembro estavam casados. Nas fotos ela parecia radiante e embarassada no seu longo vestido branco segurando a mão de John fora da capela. Ambos bêbados e corados na festa de casamento, rodeados por seus colegas de trabalho. Ela estava séria na foto que assinava a certidão de casamento. Mesmo que ela e John tivessem decidido casar-se apenas um mês depois de se conhecerem, ela levou o compromisso a sério. Quando ela jurou perante o juiz McLean amar, honrar e respeitar John, ela falava sério. Ele era tudo que ela tinha. Dana seguiu para as fotos dela no sentada no parque, enorme, grávida. Ela sentiu pela mãe que ela não pode se lembrar todos esses meses. Era assustador ser responsável pela vida de uma criança que ainda não nascera, saber que logo ela assumiria a responsabilidade de ser mãe. Como ela poderia ser mãe para seu bebê, quando nem ela lembrava-se o que era Ter uma mãe? E aí literalmente umas cem fotos de Julia. Elas mostravam ela ainda miudinha saindo da maternidade até a garota de cabelos castanhos que dava língua para a câmera. John veio e sentou-se ao lado de Dana "Deus, ela é linda, não é?" ele disse num tom de admiração. Ela virou-se para John e passou seu dedo indicador pelas bochechas dele "Você acha que ela se parece comigo ou com você?" Ele sorriu "ela tem o seu sorriso, mas o meu nariz." "Ainda bem" ela odiava seu nariz, já tinha até considerado fazer algo numa daquelas botiques cirúrgicas. Como parecia vaidade, pensou, ficou só na vontade. "Eu adoro seu nariz, Dana." John beijou a ponta dele e ela suspirou de prazer. Havia semanas desde a última vez que fizeram amor. Os seus compromissos os deixavam cansados para qualquer coisa. Ela desligou a tela e virou-se para ele sorrindo pelo modo que seus olhos estavam sonolentos e despertos ao mesmo tempo. "Vamos para a cama." Ela disse. XXXXXXXX Esta noite ela teve um novo sonho. Estava fazendo amor mas não com John. Era outro homem, o homem sem face com cabelos escuros e mãos gentis. Era de manhã e eles estavam numa cama não familiar para Dana, mas parecia o lar para ela, como seu próprio corpo, seu perfume e o cheiro da pele dele. Ele cheirava. Deus, ele sentia-se tão bem, tocando-a preguisosamente frente aos primeiros raios de sol, beijando seus lábios carnudos. Ela o amava. Oh, como ela o amava! Somente ele. O homem a abraçava e beijava depois do orgasmo e dizia "eu jamais esquecerei isso, Scully" Estranho, ele a chamava pelo sobrenome. Ela sentou-se completamente ereta seu coração batendo forte. Depois de uns minutos de desorientação, ela levantou-se da cama. John que dorme feito pedra nem se mexeu mesmo depois dela tropeçar no tenis que estavam no chão. No banheiro, ela escovou os dentes, tomou um copo d'água e olhou seu reflexo no espelho. Eu imagino quantos amantes eu tive, pensou. Com todos os propósitos e intenções, John foi seu primeiro e ela o dele. Pareceu familiar quando ele a penetrou na primeira noite. O ritmo era de algo que conhecia anteriormente, quando ela gritava atingindo o orgasmo, sentiu uma sensação de deja vu que a perseguia por meses desde que acordara na clínica. Dana sacudiu a cabeça e jurou parar com a obsessão pelo passado. Não era saudável. Não era justo com o John e a Julia e com a nova vida que ela planejou construir para si nesses últimos 5 anos. Outras pessoas estavam vivendo e construindo suas novas lembranças dessa vida tão bem, ela tinha que fazer o mesmo. Eu não quero me lembrar de você, ela disse baixinho para o homem nos seus sonhos. Ela voltou para a cama, movendo-se contra a costa quente de John usando-a como um cobertor. XXXXXXX Numa manhã de Domingo, Dana acordou com os brilhantes mas falsos raios de sol vindos da janela e os braços de John segurando-a . Ele estava cantarolando algo, uma canção familiar mas ela não sabia como chamava-se. "O que você está cantando?" ela murmurou esfregando o seu rosto no cabelo dele que cheirava a shampoo de camomila. John balançou a cabeça "eu não sei" ele simplesmente disse. É engraçado como essas coisas de repente acontecem. Uma noite, depois de alguns mese fora da clínica, ela estava numa recepção formal. Havia um piano fascinante com suas teclas marfins e negras. Ela sentou-se e descansou os dedos no teclado. De repente, seus dedos moviam-se e formavam uma canção. Ela podia tocar piano. Alguma vez no passado ela teve aulas de piano. Dana espreguiçou-se e bocejou, desfrutando da sensação de não Ter que levantar para trabalhar. Eles levaram Julia a um churrasco oferecido pela chefe do John, Debora, e somente a colocaram para dormir próximo de meia-noite. Normalmente, ela ficaria brincando tentando chamar a atenção deles, mas agora Dana podia ouvir o sono profundo da filha. Com a barba por fazer, John roçava no pescoço dela e ela sentia todos os seus nervos despertarem para a vida. A voz dele soava tão calma que ela quase não o ouviu. "Você está feliz, Dana?" Seus olhos arregalaram-se: "O que você quer dizer com isso?" John afastou-se dela, sentou e olhou pela janela "Você está feliz? Comigo? Conosco?" Ela sentou-se também "do que você está falando? Você sabe o quanto sou feliz com você." "É que..." sua voz desapareceu, ele virou-se para ela as sobrancelhas franzidas "você tem tido tantos pesadelos, você parece perdida nos seus pensamentos nos últimos meses. Estou preocupado se você não está mais feliz." Ela não era tão boa atriz como acreditava. Envolvendo-se no edredon ela tocou-lhe o braço "estou muito feliz com você, John. Nada mudou. Eu tenho tido esses sonhos e acho que são do Antes." Ele concordou "Só queria que você esquecesse." "O passado" "sim, Dana. Não faz bem a você pensar nisso, tentar se lembrar disso." Fechando os olhos ela desejou que pudesse esquecer. Parar. Mas não podia. Está além do seu controle. Demorou um pouco para ela achar as palavras "John, você nunca quer se lembrar?" Seu marido nem hesitou na resposta "Eu não quero lamentar o que não poderei Ter novamente." Não era a primeira vez. Ela pensava se John fora casado antes, se tinha uma família, como ele era quando garoto, a primeira garota que beijou. Ele inclinou-se e beijou-lhe a bochecha "você tem que esquecer, Dana. Você tem uma nova vida. O passado deve permanecer no passado." Ela concordou e sorriu para ele. As feições familiares que ela tanto amava. Ainda assim, depois de cobrirem-se com o edredon, as perguntas continuavam a rodar a sua mente. Quem eu amei no Passado? Quem eu era? XXXXXXXX Julia ouvia atentamente sua mãe ler "Jerry a espaçonave azul". Ela apontava com seus dedinhos fofinhos as figuras quando Dana perguntava qual era a nave, a lua. Observar a inteligência da sua filha crescer a cada dia era espantoso. Saber que aquela garotinha ao seu lado de macacão vermelho de veludo era uma simples célula no corpo de Dana. Do outro lado da sala, John estava sentado na cadeira de couro preta, olhos fechados com um cabo de conexão na orelha, estava imerso na rede. Dana virou a última página "E jerry voou alto em direção aos céus e a lua o aplaudia." Julia aplaudia junto com a lua. Era a sua história favorita. Limpando a garganta, John apertou o botão desconectando o computador e desligou o cabo. "Algo errado?" ela perguntou. Ele ficou de pé e começou a andar pela sala "É esse grupo em São Paulo. Eles estão fodendo tudo." "John!" ela apontou para Julia que parecia fascinada pela nova palavra dita pelo pai. "Desculpe" ele sentou no chão com elas. Pegou o ponei de borracha vermelho "Dana tem uns problemas sérios com o site. Eles querem que eu viaje amanhã." Enquanto a carreira de John como um engenheiro industrial lhe dava certos benefícios como trabalhar em casa através da rede, algumas vezes ele precisava ausentar-se e visitar alguns locais. Dana aceitava isso como fato normal na sua vida, mas ainda gemeu "Por quanto tempo?" "Eu não sei. Uma semana, talvez duas." "Não tem outro modo de resolver?" "Não." Ele beijou-a na bochecha "eu compensarei tudo para você quando voltar. Talvez possamos tirar uns dias de folga para passarmos algum tempo juntos." Ela forçou um sorriso "É bom mesmo." "Mais uma razão para eu voltar correndo." Ele riu e pegou Julia no colo. XXXXXXXX Mais tarde, depois que John levou Julia para comprar suprimentos para o jantar, Dana pegou o metrô em direção ao rio que ficava no lado leste quase no fim da cidade. Ela achava que o lugar era perfeito para uma corrida solitária. Ela não tinha mais tempo para se exercitar desde que Julia nascera. Ela gostava de impor limites ao seu corpo enquanto corria, sentia-se viva. A beira do rio estava cheia de pessoas correndo, famílias passeando e casais empurrando carrinhos de bebê na tarde de Domingo. Dana observou que as crianças tinha no máximo 5 anos de idade. Provenientes das famílias que se formaram depois da vinda dos Outros. Muito poucas crianças e jovens salvaram na guerra e da Praga. A cidade estava com um ar bem familiar, todos queriam ter um bebê. Nos intervalos de almoço e café, só falava-se em amamentar, tratamentos para engravidar e xixi de bebê. A vida social de Dana resumia-se em banhos de bebê e batizados. Dana dirigiu-se para um dos bancos de frente para o rio, observando o mesmo correr. Ele vinha de Fora, mas passava por um tratamento para evitar doenças e impurezas. Enquanto se espreguiçava ela viu uma pessoa familiar fazendo o mesmo. Era o homem que ela conheceu no parque semana passada. Ela foi até lá e bateu no ombro dele. Ele virou- e esboçou um sorrisso prazeroso e surpreso ao ver-la. Ele vestia uma camisa azul marinho e calças de moleton. Que pareciam já terem tido dias melhores. Dana mesmo assim, achava que ele não precisava vestir o traje de corrida completo como os outros corredores ali. " Eu a conheço" disse estendendo a mão " Mas não sei seu nome." " Dana Scully" disse ela cumprimentando-o " E você?" Ele soltou sua mão e esticou-se mais um pouco " Fox Mulder. Mas me chame de Mulder , eu não gosto muito do meu primeiro nome." "Fox" ela sorriu " De alguma forma, você está certo. Não combina com você. Já pensou em mudá-lo? Não que todos não gostem, claro." Ele olhou para ela com olhos espantados. Droga! Ela sabia que sugeria algo do Antes. Foi uma falta de educação. Mas Mulder apenas sorriu e continuou seus exercícios " Na, sou muito preguisçoso para me acostumar com um novo nome." "Quanto você planeja correr?" Dana perguntou. " Estou meio fora de forma. Não tive chance de correr desde que nos mudamos. Talvez umas 3 milhas. Por quê? Quer correr junto comigo?" "por que não?" " Não vejo porque, vamos!" Eles alongaram-se por mais um tempo e começaram a correr pela trilha bastante ventilada por sinal. Ela teve a impressão que ele corria mais devagar que o seu normal. Mas ela achava ótimo, assim podia conversar sem perder totalmente o fôlego. " Eu esperava encontrá-la novamente Dana" ele disse acenando para uma mulher grávida. " Eu queria lhe convidar para um encontro." Ela parou de correr e levanto a sobrancelha " Um encontro?" Ela mencionou que era casada, não? Ele deu uma gargalhada " Um encontro para brincar. Adam e Julia se deram muito bem." " Antes de acertá-lo na cabeça com a pá." " Adam gosta de mulheres agressivas." " então, ele vai amar julia. 'as vezes ela é um terror." " Na, ela só está testando sua autonomia diante do mundo. Comportamento típico de uma criança de dois anos." Eles continuaram por mais uma milha e retornaram pelo Monumento das Almas perdidas. Ela estava contente por não ter em demorado ali. Por alguma razão aquela estátua gigante de granito de um homem e uma mulher olhando para o céu , sugerindo lamentos por seus amores perdidos, fez ela arrepiar-se. Quando voltaram ao ponto de partida, compraram garrafas de água mineral e sentarsam-se num muro de pedra para observar o rio. " eu gosto daqui." Mulder disse removendo o suor das sobrancelhas " É um dos poucos lugares que parecem reais." " O que você quer dizer com real?" Dana tinha uma idéia incerta sobre o que ele falava. " Sim, real. Como o mundo deve ter sido um dia. Eu tenho lembranças do Antes." Sua respiração saiu como um sussurro "Ninguém nunca fala sobre o Antes" Ele balançou a cabeça em afirmativo " Eu sei. Mecanismo clássico de negação no trabalho. As pessoas ficam amedrontadas em disvendar seu passado, sentar e pensar que elas tiveram uma vida anterior a essa. " Ela concordou. " Desculpe, eu não devia falar sobre isso se a incomoda. Quer dizer, nós não nos conhecemos bem e aqui estou eu falando de assuntos sensíveis Um pequeno sorriso começava a formar-se nos lábios dela. " Isso não me incomoda, sério. È que eu nunca converso sobre esse assunto com ninguém. Nem com meu próprio marido." " Nem Sara. Basta eu tocar no assunto e ela lança um olhar duro para mim. Algumas vezes eu a olhoe imagino se ela se lembra de algo." Dana olhava um grupo de jovens todos do Lar da juventude. Vestido com roupas de ginástica sendo guiados por uma jovem atleta que parecia entediada com a sua função. " Deus, será que toda relação é assim? Uma pessoa olhando para a outra e imaginado quem era você antes de te conhecer?" " Eu gostaria de saber quem eu fui." Mulder disse despejando o resto da sua água. " Eu também." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas para a nova situação. Mulder desceu do murro e checou o relógio " Eu tenho que ir. Qual o seu número? Podemos marcar aquele encontro." " Eu não tenho papel para escrever." Ele deu um sorriso rejuvenecedor " Eu tenho uma boa memória. Vou me lembrar." Ela disse e ele dirigiu-se para o metrô, acenando. Ela ficou um tempo absorta em suas paranóias. Antes. Ele quer conversar sobre o Antes. Ela não tinha certeza se era medo ou esperança que sentia. XXXXXXXX Naquela noite, depois que John e Julia dormiram, ela sentou- se à mesa e começou a fazer uma lista. Coisas que sei : _Meu nome _Minha data de nascimento _A cidade em que morei um dia _Minhas habilidades e conhecimentos médicos mas não onde os obtive _Eu tive uma lesão na área do abdomên. Tenho uma cicatriz que parece ser de um ferimento à bala. _Eu tenho uma tatuagem na parte inferior da costa, uma cobra comendo o próprio rabo. _Eu nunca estive grávida antes de Julia _Posso tocar piano mas não muito bem _Não sou boa dançarina _Sou destra _Devo Ter estudado alemão alguma vez pois entendo muitas coisas daqueles programas que mostram o que teria sido a Alemanha _Eu brinquei na neve uma vez _Eu tive um amante com cabelos escuros. Ele me chamava pelo sobrenome _Eu gosto de ler especialmente romances e revistas médicas _Eu sempre gostei do meu café com creme, sem açúcar. Antes havia um modo de fazer café chamado latte mas eu não me lembro o que ele continha _Eu gosto de comida apimentada, especialmente comida chinesa _Eu gosto de correr e parece-me algo que fazia com freqüência _Eu me sinto tranquila perto de água, especialmente do rio _Eu sabia cozinhar e lembro até de receitas _Eu devo Ter sido religiosa, algumas vezes uma frase ou duas são lembradas _Eu usava conjuntos para trabalhar no Antes Ela fitou a lista tentando se lembrar de algo mais. Havia outras coisas que ela se lembrava aqui e ali, mas eram flashes breves que duravam poucos segundos. É isso, ela pensou, o resumo de 35 anos. XXXXXXXXX Pela manhã, ela tomou um banho e começou a vestir-se para o trabalho. Ela tinha uma rotina, um ritmo para as suas manhãs tão bem formado que nem precisava pensar- só acordar e realizar. Antes do banho ela preparou um pouco de café. Bebia-o da caneca de estilo mexicana azul e dourada enquanto escolhia um conjunto preto e uma capa de seda creme. Rumores de criança vindos do quarto através da babá eletrônica enquanto ela vestia a meia e abotoava o casaco. Seu cabelo estava um pouco comprido. Tinha uma tendência irritante de enrolar e por isso ela tinha que pentea-lo com laque e uma escova redonda para conseguir o efeito que desejava. Finalmente, ela passou uma base, pó compacto, pintou os lábios com uma cor acobreada, brincos, relógio e ela estava pronta para sair. De repente, medo a dominou e ela levou a mão até o pescoço. Seu colar. A pequena cruz de ouro na corrente- onde estava? Ela nunca tirava o colar nem para dormir nem para tomar banho. Houve apenas duas vezes em que ela estava sem ele. Ambas as vezes ele o encontrou e guardou para ela. Pânico subia-lhe a garganta enquanto procurava sobre a penteadeira, nas cabeceiras da cama, no banheiro. A corrente e a cruz não estavam em lugar nenhum. Isso não está acontecendo. Minha mãe me deu esse colar no meu aniversário de quinze anos. Ë a única coisa material de valor verdadeiro para mim. Ela lembrava de estar descansando no hospital, segurando a superfície fria da cruz envolta do seu pescoço e pensando, ele guardou para mim todo esse tempo... E agora sumiu. O mundo desintegrou-se e Dana descobriu-se na cama, sua cama, seu marido inquieto tocando o seu ombro. "Você está acordada agora? Seus olhos alarmados. Ela piscou um pouco desorientada. O que foi sonho e o que foi real? Sim, foi um sonho. Outra possível lembrança que retorna através de sonho. Ele acendeu a lâmpada da cabeceira " Você estava falando enquanto dormia. Algo sobre ter perdido seu colar." Ele beijou sua cabeça que estava suada " Você sonhou que perdia seu colar?" Ela balançou a cabeça "Não a pequena cruz de ouro da corrente. Minha mãe que me deu ." " Sua mãe?" " Acho que meu sonho foi outra memória do Antes" "Oh, Dana" ele puxou-a para seus braços " eu odeio te ver sofrendo assim" " Tudo bem" ela respirou fundo sentindo o cheiro dele e as batidas do seu coração voltavam ao normal " Eu acho que quero me lembrar." Eu detesto ser uma página em branco. Ele concordou " Eu não entendo porque você quer se lembrar. Eu tento entender, mas não consigo." " eu sei que não." Ela suspirou " Isso o amedronta, a mim também." " Então porque fazer isso. Não é saudável. Não é justo comigo, com a Julia e com você. Essa é a sua vida agora." Um breve momento de raiva tomou conta dela. Ela lembrou-se do que Mulder disse a ela- era tudo muito grande.Era grande considerar uma vida inteira apagada, mas porque john não entendia o desejo dela de saber? Ela pensou se seu marido realmente a conhecia. Que seja, 3 da manhã não é hora para discutir tal assunto especialmente com John partindo para são Paulo pela manhã. Após tudo isso sentiu-se exausta. Aconchegou-se no colchão, puxou o edredon e disse " Vamos voltar a dormir, John " ela rezou para não voltar a sonhar. XXXXXXXXX Com um olhos castanhos e brilhantes, Julia derrubou um pedaço do seu omelete de queijo no chão com o seu garfo. "Julia" brigou John, sua testa franzida. Dana apenas sorriu e continuou a tomar seu café. John acessou o aeroporto pela rede e descobriu que o seu vôo sairia 3 horas mais tarde devido ao mau tempo. Fora da cúpula, uma forte tempestada caía com trovões e raios aumentando o nevoeiro com possibilidade de nevasca. Com algum tempo restante, eles caminharam sete quarteirões até o GreenLaw Corners Café. Era um lugar aconchegante com umas vinte meses no máximo. Eles raramente tinha a oportunidade de sair para comer fora como uma família. Era um ambiente familiar o bastante para ter crianças por perto sem problemas e servia um prato especial huevos rancheros. E Dana gostava do serviço e dos holgramas com macacos espalhados pelo lugar que davam um ar de selva de desenho animado. Olhando ao redor ela viu um jovem casal que pareciam cansados como se não tivessem dormido na noite anterior. Ele era alto e bonito de cabelos escuros sorrindo com encantamento para a sua amada, uma mulher baixa de cabelos louro. Eu me lembro do encantos do primeiro amor, Dana pensou, cutucando a gema dos seus ovos avermelhadas pelo molho. Ela tocou a mão de John " voc~e se lembra da primeira vez que viemos aqui/" Ele repousou a xícara de café e piscou " A primeira vez?" Lutando para não revirar os olhos " Sim, a "primeira" vez." Um olhar de pânico tomou-lhe a face sabia que poderia vir a ter problemas " A primeira vez?" Ela beliscou a mão dele o que fez julia dar uma risadinha. "Dana você tem que me ajudar" ele defendeu-se "Você sabe que sou ruim nesse tipo de coisa." " A primeira vez" ela baixou a voz como se Julia pudesse entender " pense, John. Lembra-se do seu antigo apartamento antes de nos casarmos? Era a uma esquina daqui. Você, Chris e Mike e muitas roupas sujas no chão? " John arregalou os olhos e sorriu. Ela colocou um bom pedaço de ovos e tortillas na boca e sorriu triunfante. " Agora eu me lembro." Ele suspirou " A primeira vez que viemos aqui foi depois da primeira vez que ficamos juntos." Eles eram iguais ao casal ao lado. Tudo referia-se a descoberta de momentos de prazer. Mesmo com o vazio que havia em suas vidas, eles podiam e encontraram o amor. " e nós viemos aqui logo após descobrir que eu estava grávida." Dana disse. John colocou alguns pedaços de ovos no prato da Julia " Para um pequeno restaurante de esquina representa muitas lembranças. " Ela concordou colocando mais café nas sua xícaras. " falando em gravidez, você já pensou mas em ter outro?" mesmo estando lá junto dela durante os testes, as visitas ao médico, segurando sua mão durante o tratamento da laparoscopia, ela se perguntava se John tinha idéia de quão doloroso foi o processo na tentativa de engravidar para ela. Ela se odiava por desapontá-lo por não conseguir. Ela ainda se lembrava, deitada na mesa depois da terceira IV rangia os dentes e murmurava silenciosamente euconseguirei eu conseguirei . Machuca querer tanto algo assim. Era mais doloroso talvez, perceber o quanto ela, seu casamento, estavam envoltos neste esforço. Ela deixou o garfo e tocou a mão dele "penso demais nisso." A voz dele na espectativa "Alguma conclusão?" Eu gostaria de ser como você, John. Você vai do ponto A para o ponto B e chega ao ponto C já decidido. È um matemático no coração. Enquanto, eu preciso da lógica e da razão para guiar-me durante o dia, a vida em si é mais complicada para mim. Ela olhou para o resto do café "Não. Nenhuma conclusão. Eu não sei se quero passar por tudo aquilo novamente. Não sei se posso." Eu não sei se posso me sentir um fracasso quando minha menstruação vier, quando vou a emergênca de um hospital por causa de um aborto prematuro,. Eu não sei se posso encarar o fato do meu corpo me trair. Dana olhou para Julia que balançava os pés tentando escapar da cadeira e passando os dedinhos sujos de ovos pelo cabelo. Ela olhou para o marido apertando a mão dele "Eu não sei se posso" repetiu. XXXXXXXX Durante todo o corredor julia imitava um sapo e Dana não se importava era até engraçado. No fim do corredor, elas pararam e tocaram a campainha do 1582. Depois de um momento a porta abriu e uma mulher alta com uma forma atlética e cabelos encaracolados castanhos apareceu. Ela vestia um conjunto de calça creme que destacavam sua pele e seus olhos negros " Você deve ser a Dana" ela disse num tom suave e melodioso " Sou Sarah Morelli." "Muito prazer" e apertaram as mãos. Sarah abaixou se para ficar no nível de júlia " E esta é Julia eu presumo?" Julia fez uma cara angustiada e escondeu as mãos na saia de Dana. " ela é tímida com estranhos" Dana disse desculpando-se. " eu posso entender, também sou." Ela levantou-se e empurrou a porta "Entrem, o lugar não está todo arrumado ainda. Estamos muito ocupados desde que nos mudamos." A sala era parecida com a de Dana. De tamanho médio com espaço para a mesa do computador carpete bege e uma parede cheia de janelas que mostravam as luzes brilhantes da cidade à noite. Havia ainda algumas caixas encostadas em uma parede, não havia quadros na parede e muito poucos objetos de decoração que indicariam longa residência no apartamento. "Querido," Sarah chamou "Dana e Julia estão aqui." Mulder saiu da cozinha, vestindo uma velha calça jeans e uma camisa cinza suja de tinta, seu cabelo despenteado. "Hei" ele a saudou "Desculpe, esse lugar está uma bagunça. Eu decidi cuidar do lar hoje. Por alguma razão eu tive a brilhante idéia de instalar os armários da cozinha." Julia continuava pendurada na perna dela, olhando para os estranhos a sua volta. "É uma hora ruim? Podemos voltar outra noite..." Ele balançou a cabeça "Eu já acabei. Adam está louco para brincar com Julia." Como um chamado, o garotinho apareceu vindo do corredor, correndo até Julia. Ele olhava para a sua nova amiga com os olhos cor de chocolate iguais ao da mãe. "Adam, você se lembra de Julia?" Sarah perguntou, passando os dedos pelos cachinhos do filho. "Ela está aqui para brincar com você." "Eu tenho ferramentas" Adam disse a Julia, que começou a balançar para cima e para baixo os enfeites dos seus sapatos. "Vá mostrá-las a ela" Mulder disse e deu um pequeno empurrão nele. As duas crianças deixaram a sala. "ele está obcecado por ferramentas ultimamente" riu Sarah "Por estarmos trabalhando otempo todo no apartamento ele fica pegando as ferramentas por mais que tentemos esconder, nós acabamos achando-as na cama dele. Como uma compensação, compramos para ele um jogo de ferramentas plásticas de brinquedo e parece que funcionou." "Adam continua dormindo com suas ferramentas" Mulder disse. Sarah pegou uma maleta de couro marron da mesa. "Eu tenho que correr," ela disse "Dana, eu gostaria de poder ficar, mas os Trustees tem um encontro hoje à noite na universidade." "Nós faremos isso outra vez, quando John voltar da sua viagem de negócios." Dana disse. "Parece ótimo." Sarah beijou suavemente o marido na bochecha. "estou com um pressentimento de que vamos demorar, então não espere por mim." Mulder deu um sorriso falso "Minha mulher é tão importante para as palavras. . ." "E não se esqueça disso nem por um minuto." Sarah preveniu enquanto saía. A porta fechou-se e Mulder disse "Vamos ver o que nossas crianças danadas estão aprontando." O quarto de Adam era pintado de azul e tinha uma cama coberta por uma colcha de um ratos de desenho animado. No chão, os dois batiam com as ferramentas em blocos plásticos, acompanhando o barulho. Eles estavam tão concentrados que nem olharam para os pais. "Eles ainda não se mataram" Mulder disse "acho que é um bom sinal. Por que nós não agimos um pouco como adultos? Se ouvirmos gritos de agonia, nós corremos." Na pequena cozinha, mulder mostrava os armários brancos orgulhoso e colocou a chaleira para fazer café. "Eu estou feliz por você Ter vindo." Mulder disse, procurando por leite na geladeira "Sarah e eu não fizemos amizades ainda. É difícil deixar nosso ciclo de amigos em Boston." "Eu não posso nem imaginar Ter que me mudar." Ela fez um gesto desajeitado com as mãos. "Isso é. . . isso é tudo o que sei agora." A chaleira preta começou a apitar. Mulder desligou o fogo e despejou a água quente num pote devidro contendo pó de café. A sala encheu-se do cheiro saboroso do café. "É bom finalmente Ter um café verdadeiro." Ele disse "Aquela coisa que tínhamos dos Outros não tinha o mesmo sabor." Dana balançou a cabeça concordando e o seguindo até a sala, onde sentaram no sofá branco e marrom. Com um pequeno suspiro que Dana não pode ouvir ele serviu-lhe uma xícara de café e entregou a ela, deixando que ela adicionasse o leite. Ele olhou ao redor e disse, "ah, felicidade doméstica." Dana soprou o café, permitindo-se inalar o cheiro tão apreciado. Café só está disponível desde o ano passado, e ela ainda considera isso um prazer. "É?" Ela perguntou " Isso é felicidade doméstica?" Ela não sabia porque exatamente, mas Fox Mulder fazia ela querer perguntar coisas pessoais. Ele recostou-se no sofá. Vagamente, Dana podia ouvir as crianças ainda batendo com as ferramentas e rindo. "Eu suponho que seja felicidade caseira de certo modo." Mulder disse. "De certo modo? Como assim?" Mulder riu e colocou sua xícara sobre a mesa. "eu tenho uma esposa que amo, um filho lindo, um trabalho que acho interessante e desafiador, mas. . ." a voz dele desapareceu. "Mas?" "Se importa se eu entrar no pessoal por um momento, Dana?" ele perguntou, aproximando-se dela. Ela imaginou que podia sentir o cheiro da pele dele. "Não me importo." "Olha, eu tenho uma mania de afastar as pessoas. Eu as assusto com as perguntas que eu faço, falando as coisas erradas. Ele esboçou um sorriso "eu não quero fazer isso com você." "Você não está me afastando. Eu tenho um problema oposto, é difícil eu me abrir." Ela disse. Mulder a olhou sem acreditar "Verdade? Você não me pareceu assim." Ela mexeu-se desconfortavelmente. Ela não via lógica para esplicar como era fácil conversar com esse homem. Poucas pessoas na sua vida com quem ela instantaneamente simpatizava. Megan, sua parceira de laboratório era uma. John, outro. Talvez, alguma química interpessoal. Ela decidiu trazer a conversa ao seu assunto inicial "Sim, você estava falando de felicidade caseira. . ." Mulder olhou para as suas mãos "eu devia estar feliz. Eu estou feliz a maior parte do tempo, Mas ultimamente, eu venho procurando essas drogas, eu não posso dizer porque. Eu observo a minha vida e tudo está bem, mas por dentro, é como se eu estivesse profundamente lamentando alguma coisa." Sua respiração saiu apressada e ela percebeu que estava segurando "ou alguém." "Ou alguém. É frustrante não ser capaz de se lembrar. Parte de mim quer desesperadamente saber, a outra parte-" "Quer seguir em frente." Dana o cortou. Mulder olhou para ela surpreso. Ela reparou como eram verdes escuros os seus olhos e tinham alguns traços cinzas neles. "É exatamente isso." Sua voz saiu como um suspiro "Eu me sinto do mesmo modo, Mulder." Ele concordou "nós vivemos num mundo de negação onde cada um procura viver seu dia-a-dia fingindo que o passado é irrelevante. Os inimigos nunca vieram, a guerra e a praga nunca aconteceram. Eles sempre viveram nessas cidades. Os outros sempre foram nossos aliados e parceiros. Quem se importa com o que aconteceu conosco Antes?" Dana estava pasma por ouvir os pensamentos que rodavam na sua cabeça por tanto tempo sendo ditos por outra pessoa. "Hei" ele tocou o braço dela levemente. Dana pode sentir o calor da sua palma através do suéter. "Desculpe, às vezes tendo a declamar por um tempo. Geralmente, Sarah está aqui para me fazer calar." "Tudo bem. Verdade. Poderia ser eu dizendo a mesma coisa." Dana observava ele passar a língua para molhar seu lábio inferior. Mulder olhou novamente para as suas mãos "Eu só quero saber a verdade. Talvez não mude nada, nem me faça mais feliz. Mas eu saberia." Um grito escandaloso veio do quarto e Julia vinha correndo para o colo de Dana. "O que foi?" ela perguntou acariciando as costas da filha. Era difícil sair de uma conversa sobre o Antes e voltar a fazer o papel de mãe. Julia respondeu com olhos mareados "ele pegou meus blocos" Mulder balançou a cabeça e levantou "parece que o momento para adultos acabou. Dez minutos somente." Ela sorriu sabendo como eram raros esses momentos. Saindo da cozinha disse "A única coisa capaz de acabar com essa briga são cookies" Olhando para o rosto da filha, Dana sorriu de desgosto. Sim, felicidade caseira com certeza. XXXXXXXXX Eram duas da manhã e Dana não conseguia dormir. Após trocar de posição inutilmente, ela sentou e acendeu o abajur ao lado da cama. O apartamento estava muito calmo sem a presença de John. Era difícil para ela dormir sem o calor do corpo dele junto ao seu, ou talvez tenha sido o café que bebeu na casa do Mulder. De qualquer modo sua mente não estava quieta o bastante para permiti-la dormir. Por um momento, ela considerou tomar uns comprimidos para dormir que a Dra Hanley prescrevera, mas eles tinham efeito de deixá-la lerda no dia seguinte e com tanto trabalho por fazer no laboratório isso iria atrapalhar. Ela imaginou se john ficaria chateado se ela ligasse para o seu hotel em São Paulo no meio da noite. Com um suspiro decidiu que sim. Sua médica tinha lhe dado alguns exercícios mentais para ela tentar quando estivesse sofrendo de insônia. Não custava nada. Ela deitou- se do lado direito da cama em posição fetal. Permitindo-se respirar devagar, longos suspiros, ela tentou se lembrar de um lugar onde se sentia totalmente calma e relaxada. Um tempo onde ela se sentia bem feliz. Inspire. Um lugar feliz. Expire. Aqui nessa cama. Deitada, quase adormecida depois dos efeitos do prazer e da fadiga. O corpo quente de John ao lado do dela, ainda suado. O peito dele contra suas costa, um braço sobre ela e a mão dele descansando sobre a barriga dela. E seus olhos lutando para continuar abertos, para lembrar e saborear a doçura desse momento. Seu corpo ainda ardendo devido o orgasmo. Finalmente, após quase um ano tentando engravidar, testes e procedimentos dolorosos, terapias, o bebê deles estava crescendo na sua barriga. Quase cinco meses e fazer amor voltava a ser a troca de carinhos e compartilhar sentimentos em vez do dever de procriar. Finalmente, finalmente. Dana sentiu o sono a alcançar depois de lembrar daquela noite adorável que a fez esboçar um sorriso nos lábios e de vagar, escurecia, adormeceu. ...não hoje Scully, não é hora. Vamos apenas aquecer um ao outro, por favor, eu quero ver outra manhã com você... seus olhos abriram-se na escuridão do quarto, e ela buscava ar. O que, que droga foi isso? Era um suspiro masculino, como se alguém estivesse na cama com ela. Seu estômago dava voltas, ela levantou-se e dirigiu-se ao banheiro apenas a tempo de provocar. Descansando seu rosto no vaso frio ela lutava contra a sensação de náusea. Eu não quero isso, nào hoje. Tudo o que eu quero é dormir. Finalmente, ela levantou-se, escovou os dentes e bebeu um copo d'água. Derrotada, abriu o armário de remédios e pegou os comprimidos para dormir. Dez minutos depois, as drogas fizeram efeito e ela dormia profundamente. XXXXXX "Eu tenho essa teoria, quer ouvir?" Mulder disse espalhando água com o pé. Eles estavam no Parque Central da cidade, o maior deles com muitas milhas quadradas no meio do centro comercial da cidade. Sarah estava do outro lado da fonte com as crianças que colocavam pequenos barquinhos de plástico na água. Adam e Julia estavam nus e totalmente molhados. Mulder e Dana tiraram seus próprios sapatos e enrolado suas calças, curtindo a água fria com os pés enquanto comiam sanduíches. Dana levantou uma sobrancelha incapaz de falar por estar mastigando um pedaço do seu sanduíche de peru. Depois de engolir ela disse "Você parece Ter muitas teorias, Mulder." Era tão bom e fácil apenas divertir-se no parque. Com todo o verde, as árvores as famílias. Sua filha saudável brincando na água. Os eventos estranhos das duas noites anteriores pareciam nem Ter ocorrido. "É uma teoria estranha, eu nunca a disse a ninguém" Mulder disse puxando o papel do seu sanduíche. Porque você está me dizendo então, porque não conta para a sua esposa, ela pensou. Mas sabia a resposta. Sarah não queria discutir o assunto, igual ao John. "Prossiga" "em que ano estamos?" Mulder perguntou. Ela olhou confusa "2004" seu tom de voz parecia dizer "claro!" "você tem certeza?" "Claro que tenho, é o que o meu calendário e o meu computador me diz" Mulder virou a cabeça e lançou um estranho e intenso olhar para ela "Isso é o que eles dizem, mas pense comigo Dana. Os outros resgataram os sobreviventes e os mantiveram em extase por um tempo, trataram a praga e quando acordamos nos achamos em cidades que os Outros haviam criado para nós." Dana balançou a cabeça concordando. Aquilo não era novidade para ela. Ele espalhou mais água com os pés "O tempo nos diz que ficamos três meses em êxtase. E se não for verdade?" "Por que não seria?" ela olhava Sarah puxar Julia da água e podia ouvir os risinhos deliciosos da filha. "Eu não sei" Mulder balançou a cabeça como se ele mesmo estivesse confuso com a sua própria teoria "Parece estranho para mim que os Outros tenham sido tão bons conosco e pedido tão pouco em troca. Eles nos salvaram, recriaram um mundo como o nosso, com nossas regras. O motivo deles tem sido totalmente altruísta, exceto que agora eles negociam conosco e tem acesso a pesquisas naturais precisas da Terra." "E você duvida das boas intenções deles? Não acha que se os motivos deles fossem menos honrados, eles não teriam já mostrado sua verdadeira face? Já faz cinco anos." Ele riu "eu gosto do modo como me desafia, Dana." Ela retribuiu o sorriso "então, o que isso tem a ver com o tempo em si?" "É algo que considero de vez em quando. E se o tempo que passamos em êxtase foi bem maior que 3 meses? E se foi um século? É tudo que sabemos." "Com que propósito?" perguntou tomando um pouco de limonada. "Qualquer coisa, experiências, coletar material genético,..., eu já considerei que e se nunca houve uma guerra, ou inimigos ou a praga. Talvez o resto do mundo foi morto ou levado pelos Outros. Como poderíamos saber realmente. Ninguém se lembra." Dana sentiu um calafrio ao ouvir as palavras de Mulder, mas o afastou. "Tem razão. Sua teoria não é nada atraente." "ë eu sei, mas é como minha mente funciona." "é uma idéia pertubadora" Dana achava difícil imaginar que tudo o que sabia era totalmente falso. "Eu não queria assustá-la. Pelo que sabemos, os Outros são boa gente. Como eu disse, tenho essas idéias." "Eu gosto" ela disse olhando para a forma pálida dos seus pés "É revigorante poder conversar sobre isso com alguém que não te ache doida." "você era quem deveria me achar doida. Mas você não me acha." "Você não é doido." Mulder levemente tocou sua mão e ela sentiu algo elétrico atingir seu braço. Era a coincidência repentida de que o homem sentado junto a ela era atraente. Ele estava olhando para ela com uma expressão que permitia a ela ver a sensualidade daquele homem, a paixão que existia por trás do humor irônico e as idéias estranhas. Ele estava olhando para ela como se ela fosse a única pessoa na terra naquele momento. Não pense nisso disse a ela mesma forçando-se a olhar para a mulher dele que divertia-se com as crianças. Ele pareceu notar onde realmente estavam e tirando os pés da fonte perguntou "Você trouxe toalhas?" XXXXXXXX Quando ela e Julia voltaram para casa, havia um recado do john no serviço de e-mail pedindo para ela ligar para ele. Ela deu um rápido banho em Julia, leu uma história e colocou-a para dormir. Ela sentou-se na frente da tela e discou o número através do controle remoto. Um minuto e eles conectaram-se. O rosto do seu marido apareceu na tela, sentado na cama "Oi, baby, estou sentindo sua falta." "eu também" "Eu tentei falar com você duas vezes hoje a noite. Onde vocês foram?" Ela sabia que ele estava perguntando só por curiosidade. Mas a pergunta a fez sentir estranha. "Um encontro para brincar. Eu conheci um casal maravilhoso, Sarah e Mulder outro dia. Nós levamos as crianças ao Parque Central da cidade hoje a noite." "Ah, eu sinto falta dela também. Ela está na cama?" "É, quer que eu a acorde?" "Não, deixe-a dormir." "Você ainda planeja voltar no Sábado? Só seis dias. Não demora tanto. John fez uma careta e passou os dedos pelo cabelo castanho "Era por isso que estou ligando. O projeto está uma bagunça tenho passado 16 horas todo dia no local e não acho que conseguirei terminar em menos de duas semanas." "Duas semanas?" ela tentou não parecer desapontada, mas não conseguiu. "Eu sei, me sinto péssimo. Eu sinto demais a sua falta e a de Julia. E eu perderei seu aniversário no Domingo." Ë mesmo, ela tinha esquecido que seu aniversário era no Domingo. "Bem, comemoramos quando você voltar." Ele sorriu para ela. Um sorriso doce e culpado."Nós iremos sim, pode contar com isso." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas e desligaram. Eu esqueci de dizer que o amo, ela pensou enquanto se levantava do sofá e juntava uns brinquedos do chão. Mas ele sabe como me sinto. Ela decidiu que mandaria uma mensagem dizendo a ele exatamente o que sentia mas ela adormeceu e esqueceu de mandar a mensagem. XXXXXXXX Na noite seguinte, após colocar Julia para dormir, ela escreveu a mensagem para John. Era relaxante depois de um dia de seminário sentar-se na confortável cadeira em frente ao computador, fechar os olhos e deixar seus dedos digitarem no teclado automaticamente sem que precisasse ver. Estava no meio de um parágrafo falando sobre a sua lua de mel quando uma brilhante página amarela apareceu no seu campo de visão. * Usuário fwmulder2411 procura usuário dkscully8734 no Netscape AE-3456- AT* Curioso, ela pensou, Mulder tem um Netscape. Ela considerou brevemente terminar a mensagem. Mas, a curiosidade a fez fechar o serviço de e-mail. Ela não tinha o costume de usar a rede. De tempos em tempos, ela precisava atender a uma conferência na rede ou uma reunião, mas não apreciava usar a net para diversão. Muitas pessoas inclusive seu marido, usavam a net para divertir-se com jogos e novidades, isso a pertubava. O mundo dentro da net era de alguma forma muito real e a divisão entre a sua vida virtual e real parecia meio nebulosa. Lá, se tocasse numa mesa de madeira em um sala de conferência, esta parecia sólida aos seus dedos como a mesa da sua cozinha. Ela sabia que não era verdade, o software apenas manipulava o seu cérebro para pensar ser real. Todos que ela conhecia aceitavam a net como parte diária das suas vidas, Dana preferia o mundo real fora da net. Ela respirou profundamente e clicou no endereço de Mulder e no botão de conexão da rede. Um flash brilhante de luz a fez pular, sempre acontecia quando ela conectava. Uma vez perguntou a seu vizinho Evan um analista de sistemas que trabalhava no serviço público da rede da cidade porque existia esse flash, ele riu " é só psicológico, ele não é necessário, mas faz as pessoas sentirem que realmente vão a algum lugar..."ele ofereceu-se para tirar o flash do seu computador, mas esquecido como Evan era esquecido até hoje não aparecera. Ela entrou por um corredor metálico cheio de portas com números identificando- as. Ela estava em frente a AE-3456- AT. O software registrou sua presença e abriu a porta revelando um vazio negro. Dana sentia-se como Alice no país das maravilhas, um livro que comprara para Julia, entrou no espaço e descobriu-se a beira mar. Curioso, ela pensou. Estava numa praia ventilada, o oceano com suas ondas brancas quebravam na areia. Era tão real que deixou-a sem fôlego. Ela imaginou poder ouvir o choro das gaivotas sobre sua cabeça e sentir o cheiro do sal no ar. O céu estava acinzentado. O vento balançava seus cabelos enquanto ela procurava por algum sinal de Mulder. "Muito ventilado para você?" Mulder disse. Ela virou-se e ele estava parado próximo a ela olhando-a exatamente como ele era na vida real. As pessoas podiam através do software escolher várias aparências diferentes para navegarem pela rede. Dana estava aliviada por Mulder aparecer como era em vez de parecer com um gigante ou um Outro. Fantasiar, tudo bem, mas tudo tem limite. "Eu nunca vi um Netscape tão bem elaborado. Você que desenvolveu?" "Tá brincando? Eu sou um completo idiota quando se trata desse tipo de coisa. Eu pedi a um designer para fazer, custou um bocado de crédito." "É lindo. Eu nunca vi um oceano como esse." Eles começaram a andar pela praia "então, você já esteve em um oceano?" perguntou. "Sim, na minha lua de mel. Nova Zelândia. Miracle Beach." "É o Atlântico. Antes da Sarah e eu casarmos, nós fomos a uma conferência no Maine. Era um resort aberto somente para altos oficiais. Enquanto Sarah passava o seu tempo com acadêmicos, eu passava a maior parte do meu tempo na praia. Nunca me senti tão em casa na minha vida." Eles chegaram ao limite da água. Apesar das ondas não molharem seus pés aquela distância, a quebra delas na praia, respingavam água no seu rosto. "Você vem sempre aqui?" ela perguntou. Ele olhou para o céu escuro "só quando preciso pensar. Parece que todos os meus bons pensamentos saem quando estou nessa praia." "eu posso ver porque. É tão pacífico aqui." "É aqui que faço minhas lembranças." Ela olhou para ele os olhos tão cinza como as nuvens "Lembranças do Antes?" Mulder respondeu "É não há nada aqui que distraia meu pensamento." Dana pegou uma grande quantidade de areia nas mãos e deixou os grãos escorregarem pelos seus dedos. Ela realmente podia sentir cada grão de areia. Ela tinha um pergunta para Mulder mas não sabia se atreveria- se a perguntar. Seu próprio marido não lhe disse, porque Mulder diria? Mas ela perguntou assim mesmo "Mulder, o que você se lembra?" Quase não se ouvia sua voz. Em vez de ficar ofendido, ele virou-se para ela e sorriu "Você quer mesmo saber?" ela balançou a cabeça afirmativamente. "Não muito. Apenas impressões gerais. Eu tinha uma irmã, ela tinha cabelos mais escuros que o meu. Eu me lembro de andar de bicicleta e jogar baseball quando criança. E eu me lembro de estar numa praia muito parecida com essa." "Nada sobre a sua vida de adulto?" "Não. A maioria das minhas memórias são da infância. Eu sei que fui treinado em psicologia mas não me lembro de trabalhar com crianças como hoje. Recentemente, me lembrei que trabalhava para algum tipo de força da lei." "Força da lei? Como um guardião?" "alguma coisa desse tipo. Havia uma espécie de agência no Antes chamado Federal Bureau of Investigation. Você já ouviu falar?" "Claro, eu vi um filme sobre isso. Tinha alguns agentes do FBI nele." "parece estranho mas acho que fui um agente desses. Tenho um fragmento de memória onde estou olhando para minha identificação." Ela levantou a sobrancelha "Você tentou ver se ainda existem alguns registros?" "sim, tentei" seu rosto parecia desapontado "Os registros na rede não são acessíveis. Estão muito bem guardados. E como eu disse, não sou um gênio do computador." Ela teve uma inspiração "Mulder, eu tenho um vizinho, amigo meu. Ele sabe tudo de computadores. Se quiser posso pedir para ele procurar para você." "Você faria isso para mim?" seus olhos bem abertos. Dana pode ver como ele fora quando garoto. "Eu faço sim" Mulder pegou sua mão e apertou-a. antes que ela pudesse sentir a sensação ele largou "Significaria muito para mim, Dana." Ela sorriu "Você e eu somos bem parecidos. Queremos saber tudo." Por um momento, Mulder ficou em silêncio olhando as ondas. "Parece que nós dois somos os únicos nesse mundo que queremos saber." "Não parece tão solitário como antes" ela suspirou. Dana virou-se, o vento soprava seu cabelo tirando-o do seu rosto "Porque pediu que eu viesse aqui hoje?" "Porque você é a única que entende o que esse lugar significa para mim." Mulder colocou seu braço ao redor dela e ficaram observando o mar. XXXXXXX A festa já estava no seu auge quando ela chegou ao apartamento de Mulder e Sarah. Pessoas que ela não conhecia, vestida como nos anos noventa em pequenos grupos conversando e bebendo vinho. O ar cheirava a perfume feminino e ao junto ela ouvia o som de jazz tocado no piano vindo de um aparelho de som. Ela ficou parada na porta sem saber o que fazer. Geralmente, quando tinha uma sala cheia de pessoas para enfrentar, john estava com ela para guiá-la pela multidão e introduzi-las nas conversas. Isso é bobagem, pensou. Você é inteligente e independente e você não precisa do seu marido para sobreviver a essa noite. Sarah a viu e veio ao seu encontro. Ela estava elegante com um vestido cor de chocolate que realçvam seus olhos e o decote realçavam-lhe os seios. "estou feliz que tenha vindo"ela disse cumprimentando Dana. Sussurando fez uma confissão. "Isso foi idéia minha, não do Mulder. Eu queria celebrar a mudança." "Onde ele está?" Dana perguntou. "ele está na cozinha, Mulder não gosta muito de festas sabe?" ela viu outros convidados na porta "Eu tenho que bancar a anfitriã." Na cozinha Mulder estava abrindo as garrafas de vinho, totalmente concentrado. Antes que pudesse surpreendê-lo Mulder olhou e sorriu para ela. Dana arrependeu-se de vestir um vestido que parecia tão nua. Ela o comprou depois da gravidez e era o melhor que tinha para a ocasião. O vestido era leve e fino, de cor vermelho escuro. Tinha uma gola alta e o comprimento até os joelhos com um decote nas costas a altura da sua tatuagem. Ela de repente sentiu-se totalmente nua quando os olhos de Mulder passeavam de cima a baixo. O que está acontecendo aqui? Ela sentiu-se incomodada após aquele doce momento que compartilharam no Netscape. Admitiu, se você fez no Netscape não conta, mas ela se sentiu tão bem olhando o mar com os braços dele ao redor dela. Ela passou para ele uma caixa de papelão e ele puxou uma garrafa de vinho australiano. A Austrália sofreu muito com a guerra e só agora suas vinícolas estavam exportando novamente. "Muito vinho" ele disse sacudindo a cabeça "já estou sentindo a ressaca de amanhã." Ele deu a ela um copo de vinho tinto. Ela provou o vinho "Sarah disse que você não gosta de festa." Ele encolheu os ombros "Muita gente reunida, depois de um tempo eu fico enjoado que nem Adam quando passa da sua hora de dormir." "Falando nisso, onde ele está? Não tinha como uma criança dormir durante uma festa num apartamento pequeno como aquele. "Há uma moça encantadora que mora 3 andares acima. Ela adora o Adam e ficou satisfeita por levar ele para ficar com ela hoje. E a Julia?" "Minha parceira do laboratório. Ela e o marido ainda não tem filhos e gostam muito de Julia." Ele riu, e ela percebeu o quanto o sorriso dele era perigoso. Ele estava todo em negro hoje. A camisa preta abotoada até um ponto onde podia ver uns poucos cabelos enrolados no peito e calças pretas. Quase doía olhar para ele. Pare com isso, ela disse a si mesma. "eu estou feliz que veio, Dana. A maioria dos convidados são colegas da Sarah da Universidade. Quase não conheço ninguém." "Eu também." Era bom estar livre sem Julia e John. Estranho sim, mas a lembrava do tempo em que era sozinha. Eles juntaram-se ao resto das pessoas. Começaram a discutir sobre política e eleições. Novembro será a primeira eleição presidencial. Dana divertia-se muito, suas conversas eram sempre sobre ciência e crianças. Era bom aprender sobre política e leis com outras pessoas. A festa chegava ao fim, Sarah estava jogada no sofá pelo efeito do vinho. Mulder não estava em lugar nenhum Muitas pessoas já tinham ido embora e mesmo que seu vestido fosse decotado ela estava com calor, precisava de ar. Com o quarto copo de vinho nas mãos ela saiu do apartamento. Deus, estou embriagada ela pensou olhando-se no espelho do elevador. A rua estava calma e deserta não havia ninguém. Entre o apartamento de Mulder e o próximo havia uma pequena área verde que nem podia ser considerada um parque. Um pouco de grama e um banco. Dana sentou-se no banco e ficou admirando as estrelas piscando por trás da cúpula. Tinha uma canção que ela se lembrava e sempre cantava para Julia "Twinkle, twinkle little star how I wonder what you are" ela pensou nos Outros e como eles derrotaram os inimigos. Quem está lá fora? Nós definitivamente não estamos sozinhos. "Você alguma vez fez um pedido a uma estrela?" Ela pulou um pouco devido a voz que quebrou seus desvaneios. Mas era apenas Mulder. Ele colocou uma mão sobre o ombro dela "Desculpe, não queria assustá-la." "Escapando da própria festa" ela levantou a sobrancelha "você é um mau anfitrião." "Sou sim" ele sentou ao seu lado e olhou para o céu. "Foi bom você me dar uma festa de aniversário." Ele voltou a fitá-la "É seu aniversário? Não sabia." Ela riu "Eu não lhe disse então não se sinta mal. Além disso, meu aniversário é amanhã." Ela olhou para o relógio "na verdade, é hoje." "Se tivesse me dito nós teríamos comprado um bolo e um presente." "Não seja ridículo. Eu vou comemorar amanhã na casa de uma amiga. Ela fará um jantar para mim." "Então, quantos anos você tem?" "Mulder você não sabe que depois que uma mulher atinge uma certa idade, é falta de educação perguntar?" "Nossa, Dana. Parece até que você tem oitenta anos. Você nem parece Ter 79." Ela fez que ia dar um tapinha no rosto dele mas ele interceptou sua mão agarrando-a . Ela não podia respirar. "E então, diz." Puxando a sua mão disse "Tenho 41." "só isso? Eu sou um ancião comparado a você. Tenho 45." Ela recuou e cruzou as pernas "Estamos ficando velhos." Às vezes ela gostaria de saber como ela era quando nova, como eram os contornos do seu rosto antes que os cabelos brancos começassem a aparecer no vermelho. Com uma mão fria ele tocou sua bochecha "você é uma mulher bonita, Dana para qualquer idade" ela teria rido das palavras dele se não tivessem adquirido um tom tão sério. Ela baixou a cabeça como em descrença olhando para as suas mãos trêmulas segurando o copo de vinho. Ele levantou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele "Você não acredita em mim?" disse sussurando. Ela podia ver o desejo nos olhos dele e sentir saindo do corpo dele como ondas. A pele dela ardia em resposta. Ele piscou e movia-se devagar na sua direção. Ele vai me beijar, eu não posso deixar isso acontecer. Não posso. Mas outra parte dela queria que ele o fizesse. Ela esquivou-se dele e ele sorriu percebendo. Ela limpou a garganta e perguntou "O que está acontecendo aqui, Mulder?" "Eu não sei" Ela olhava para o balanço em vez de Mulder "Alguma coisa está acontecendo entre nós" "Eu não consigo parar de pensar em você" ele suspirou "desde a primeira vez que nos encontramos. Eu não sei explicar, mas não consigo parar." Sua boca estava seca e ela tomou outro gole de vinho. Os pensamentos estavam todos misturados na sua cabeça e não conseguia articula-los. Ela sentiu a mão dele no seu braço " é igual para você?" sua voz estava tão hesitante que atingiu seu coração. Eu não quero responder isso. Se tiver que responder terei de dizer a verdade e se disser não sei o que pode acontecer. A pressão no seu braço aumentou "É isso?" ele repetiu. Ainda não olhando para ele, ela concordou. "Eu sei que é errado" Mulder disse "Acredite, eu sei" Finalmente, ela olhou para ele. Conhecia Mulder a tão pouco tempo e seu rosto era tão amável para ela. Mas ainda não podiam fazer isso agora, nem nunca. "É errado" ela disse suavemente. "Sim" ele concordou. Ela queria tanto beija-lo, ela pensou, apenas uma vez e eu saberia o gosto de como é amá-lo. Dana sentiu lágrimas querendo encher seus olhos e ela as afastou. Ela nunca chorara na frente de ninguém, nem do John. Sentiu-se fraca. "Eu tenho um marido e o amo, você tem uma esposa e a ama. Nós . . . nós não podemos" "Você está certa." Mesmo que estivessem dizendo as palavras certas, seus dedos entrelaçaram-se aos delas e seus rostos estavam tão próximos que seus narizes quase se tocavam. Ela podia sentir o cheiro de vinho na respiração dele. O ar parecia pouco para Dana. Mulder levou sua mão livre até o pescoço dela. Os pequenos cabelos arrepiaram-se com o toque. " Nós não podemos fazer isso." Ele sussurou pressionando seus lábios contra os dela. Ela esqueceu de pensar enquanto ele a beijava. Lógica e responsabilidade temporariamente desapareceram. Ela elevou sua mão até o rosto dele para puxa- lo para mais perto dela. As sua línguas encontraram-se pela primeira vez e eles saltaram diante desse contato. Ela sentia a onda de desejo exalar do seu corpo. Era insano beijar alguém que não fosse o John. Sentir uma língua estranha e diferentes lábios. Mas também era estranhamente familiar beijar Mulder. Não havia desencontro de nariz e lábios, apenas um único perfeito e explosivo beijo, longo, doce e desejado. Eles separaram-se buscando por ar, pareciam ter passado horas se beijando. Um silêncio incômodo formou-se entre eles. Até que Mulder falou: " Me desculpe Dana. Nós não devíamos ter feito isso." Ela balançou a cabeça, seus lábios ainda sentindo a pressão dos dele " Talvez não devessemos nos ver nunca mais" O rosto dele parecia tão ferido com as palavras dela que ela sentiu as lágrimas voltando. Ela limpou o rosto com as mãos trêmulas e levantou-se do banco "É tarde, tenho que pegar a Julia." Mulder pegou a mão dela e apertou suavemente " Eu sei que o que fizemos foi errado. Mas está sendo difícil me arrepender disso." Ela sentiu um sorriso nos lábios " Pra mim também, esse é o problema Mulder" Ela virou-se para ir embora. " Hei, Dana" ela voltou. Mulder passou as mãos pelo cabelo " Você realmente falou sério quando disse para não nos vermos mais?" Ela levantou as mãos " Eu naõ sei Mulder. Preciso pensar." O problema era que ela poderia passar o resto da vida pensando e não saberia a resposta certa. "Acho que nós dois precisamos de um tempo." Ele disse. Ela concordou. "Mais uma coisa" ele disse levantando-se do banco. "O que é?" " Você fica extremamente linda depois de ser beijada." Ela não podia fazer outra coisa senão sorrir ao mesmo tempo em que virava-se para ir embora. XXXXXXXX Blinded bt White Light Parte 2 Leiam as informações sobre essa fic na primeira parte. Volto a lembrar: Não leia se tiver menos de 18 anos. XXXXXXXXXXXXX Sozinha no seu quarto, Dana tentava pensar em qualquer coisa menos no beijo de Mulder. Focalizou sua atenção em preparar amostras de tecido para um teste de MCR-DNA. Em seguida, checou todo o orçamento familiar para março, as contas que tinha para pagar e até fez uma lista de produtos de limpeza que precisava comprar para o apartamento. Mas escondido entre seus pensamentos, lá no fundo, como uma canção pop que persiste em tocar estava a consciência de que ela tinha beijado Fox Mulder e não conseguia para de pensar nisso. Ela beijara outro homem que não era seu marido. Quando ela aceitou os votos naquela manhã de Dezembro no Hall of Magistrates, ela os levou a sério e sabia que era um passo largo que estava dando. Claro que ela amaria, respeitaria e compartilharia tudo com John. Não havia ninguém além de John. Ela nunca pensara em outro homem que não fosse John. Agora, anos depois, havia outro homem. Não importava se estava certo ou errado. Mulder entrou na vida dela através de uma série de encontros casuais e de alguma forma, ele tornou-se mais importante para ela nesses poucos dias. E agora ela tinha que tomar uma decisão. Mas ela não sabia o que iria fazer. Ela tocou os lábios ainda dominados pelo beijo dele. Ela nunca experimentara um beijo como aquele antes. Admitiu, ela apenas beijara dois homens na vida, 3 se considerar o fantasma dos seus sonhos. Mas o beijo naquele banco era uma mistura de sentimentos, uma explosão de emoções. Um beijo cheio de medo, desejo, atenção, luxúria, vergonha e ternura. Um beijo particular, diferente. Dana arrependeu-se por ter levado Julia ao parque naquela tarde. Assim, ela não teria conhecido Mulder e sua vida continuaria calma e pacata. Ela teria feito suas pesquisas, criado a filha e amado seu marido. Os sonhos e os fragmentos de memória continuariam a persegui-la, mas ela descobriria como lidar com eles. Ela era uma sobrevivente desde que saiu daquela clínica. Saberia o que fazer. Se ela não tivesse conhecido Mulder, ela nunca teria começado a imaginar como era o seu passado. A reivindicar a vida que ela tivera antes. Mulder ensinou-a a não se envergonhar por querer saber isso. Ela virou-se para o lado e ajeitou os travesseiros sob sua cabeça. Ela finalmente admitiu. Queria Fox Mulder, não só a amizade que desenvolveram, queria o homem como um todo. Ela nunca desejara alguém tanto assim antes. Claro, quando ela conheceu John, sentiu-se atraída por ele, mas era mais porque ela sabia que ele seria uma pessoa que estaria sempre ao seu lado. Ela sabia que ele era o homem com quem ela reconstruiria a vida dela. Com Mulder, Agora que ela sentiu o que era ter ele fisicamente, ela ansiava por mais. Dana queria desabotoar aquela camisa preta que ele vestia e sentir a pele do peito dele passar seus dedos nos fios de cabelo que existiam ali. Ela queria ver como era o corpo dele sem roupa. Ele tinha a mesma altura do seu marido mas as pernas e os braços eram mais longos. Ela queria passar as mãos pelos quadris, deslizar seus dedos pelo umbigo dele enquanto ele gemia por ela estar tão próxima a parte que mais desejava ser tocada. Um pequeno gemido escapou da sua boca quando sua mão deslizou para o meio de suas pernas. Ela nunca se tocava por prazer, raramente estava sozinha e parecia tão vazio não dividir isso com John. Ela acariciou-se com dedos insistentes imaginando-se fazendo amor com outro homem que não era o John. Ela se imaginou tirando as calças do Mulder deixando-o nu a sua frente ereto e olhando para ela com o mesmo olhar intenso de desejo que tinha hoje cedo. Realidade e fantasia misturaram-se na cabeça dela e lá estava ela, com Mulder. Ela tocava seus pelos púbicos e movia sua mão para acariciar os testículos dele enquanto ele tremia em resposta. Ela ajoelhava-se e fazia sua língua deslizar pelo seu pênis duro e as mãos dele apertavam os ombros dela encorajando-a . Com sua boca e sua língua, Dana o amava, demonstrando toda a sua emoção. Ele fazia sons suaves em aprovação quando brincava com a boca dela. Quanto Mulder atingiu o orgasmo, ela também atingiu, mas na cama dela de volta a realidade sufocando seus gemidos no travesseiro. O relógio marcava 3 da manhã quando ela adormeceu, queimando de vergonha e êxtase. Ela sonhou com fogo. Presa num pequeno campo em chamas, ela tossia e tremia tanto que estava com medo de quebrar uma costela. É onde isso termina, ela pensou no sonho. É onde nós acabamos. Eu nunca pensei que acabaria assim. XXXXXXX Algumas coisas interessantes aconteceram na manhã de Domingo. Primeiro ela despertou com a campainha às 7. Um entregador com um buquê enorme de flores: margaridas, íris e lírios. Preso a uma folhagem ela encontrou um cartão. *Para a mulher que me ensinou tudo sobre o amor. Feliz aniversário, John.* A culpa que sentiu ao ler o cartão foi enorme. Ela precisou sentar no sofá e respirar profundamente. Que esposa horrível eu sou, ela pensou. Ela acordou Julia, vestiu-a e colocou-a para brinca com um conjunto de animais de plástico enquanto preparava a massa para as panquecas. Quando estava colocando a massa na frigideira para fritar, a campainha tocou de novo. Era Evan. Ele era novo,24 anos e morava num apartamento do outro lado do corredor. Ele sempre vinha tomar café com ela nos fins de semana. "Estou sentindo o cheiro de panqueca?" ele disse e ela o deixou entrar com um tapinha na cabeça. Ele tirou um pacote marrom da jaqueta "Eu trouxe um pouco de bacon para o seu aniversário." Ela sorriu encantada. Bacon importado da América do Sul especialmente para ela. Era um capricho que raramente cometia. O bacon de soja era bom, mas nada substituía o sabor do verdadeiro. Ela colocou o bacon na frigideira e colocou o café para passar enquanto Evan pegava Julia e fazia movimentos imitando robôs. Apesar do cabelo esquisito, ela sabia que Evan daria um bom pai. Quando o cheiro do bacon encheu o ambiente, ela teve uma vaga sensação de familiaridade ao sentir aquele odor particular. A fez sentir quente e segura e ela pensou que o bacon era uma das suas coisas preferidas no café quando criança. Evan estava na sua nona panqueca quando ela criou coragem e resolveu perguntar o que queria desde que ele chegara. Mastigando seu pedaço de bacon disse "Você poderia me fazer um favor?" "que tipo de favor Dana?" ele perguntou. "Um favor de computador." Ela disse. "O melhor tipo de favor que faço" Evan praticamente vivia na rede. Ele passava algumas vezes cerca de 18 horas navegando saindo somente para comer e ir ao banheiro. Ele fazia seu trabalho em casa e Dana achava que ele nem saía do prédio, somente quando ia a umas danceterias de estilo underground. "é meio pessoal, você tem que guardar consigo" "Eu sou um poço de discrição" ele respondeu com um sussurro. "Eu tenho um amigo que está tentando descobrir seu passado..." "você quer dizer o Antes?" ele interrompeu levantando as sobrancelhas negras. "Sim, ele acha que foi um agente relacionado a algo chamado Federal Bureau of Investigation " "Ah, sim os federais. Entendi." "Ele tentou acessar alguns registros mas não conseguiu. Será que você consegue?" Ele bateu no peito com orgulho "Eu posso acessar qualquer coisa. Quer que eu dê uma olhadinha?" "Você poderia? Não quero lhe causar nenhum problema." Ele bufou "Dá um tempo. Isso será pateticamente simples, Dana. Além disso, informação é poder. Qual o nome dele? Eu entro e procuro por ele nos registros." "Fox Mulder" ela disse pegando um bloco na bancada da cozinha para escrever para ele. "Considere feito" ele colocou o papel no bolso " Vou precisar de alguns dias pois estou trabalhando num upgrade de interface enorme." "Obrigada" ela disse. "É o mínimo que posso fazer, afinal vocês sempre me dão comida quando preciso." Ele disse segurando o garfo. Ela encostou-se na cadeira, estava feliz por estar ajudando Mulder. Naquela tarde, depois de colocar a Julia para dar um cochilo ela resolveu checar seu e-mail. Havia somente uma mensagem e era de Mulder. Ela respirou fundo antes de abrir. "Gostaria de culpar o excesso de vinho pelo beijo de ontem à noite, mas não posso. Tenha um feliz aniversário, Dana. M" XXXXXXX "Me fale sobre isso, Dana" ela deu um pequeno suspiro. Estou num lugar seguro, pensou. Posso falar qualquer coisa, não serei julgada. Tudo parecia tão bom dentro daquele consultório. As paredes mantinham a atmosfera calma e relaxante e a Dra Hanley colocava no som a música de Vivaldi. Por uma hora na semana, Dana podia se sentar na cadeira e conversar sem interrupções. O telefone não iria tocar e Julia não choraria por ela. A voz da terapeuta era suave "É difícil para você?" Ela concordou "eu ne sinto culpada até por pensar nisso. Eu estou tentando tirar isso da minha mente, mas parece continuar aflorando sempre no meu pensamento." "Negação nunca é o modo para lidar com seus problemas. Se você enterra algo, ele continua lá e logo virá a tona." Em outras palavras, Mulder não iria desaparecer. Nem John. Ela falaria, não tinha nada a perder. As mãos de Dana atrapalhavam-se quando falava "Eu nunca conheci ninguém como Mulder antes. Eu não posso explicar mas quando estou com ele, de alguma forma me sinto completa, como se estivesse esperando por ele esses últimos cinco anos sem nem mesmo saber." Dra Hanley olhou para ela "Me diga uma coisa, você acha que isso tem a ver com o fato de John estar fora por duas semanas?" "Eu gostaria que fosse simples assim. Que eu estivesse ressentida ou com raiva de John por ele Ter ido. Isso não tem nada a ver com ele. Não mudou como eu me sinto em relação a John." "como Mulder a faz se sentir, comparado a seu marido?" ela pensou na tardinha que passaram no parque, afogando seus pés na fonte. Se ela nunca mais visse Mulder, ela ainda lembraria-se da expressão intensa nos olhos dele. "Eu não posso compará-los" Dana disse "São pessoas totalmente diferentes." "Você ama o Mulder?" encolhendo os ombros ela respondeu "Eu não sei. Eu nem tenho certeza do que é o amor. Eu pensei que amava o John mais do que qualquer coisa no mundo e olha o que aconteceu. Talvez eu não seja capaz de amar." "Você realmente acredita nisso?" Dana respirou " Nesse momento, estou questionando tudo na minha vida. Eu pensei que tinha tudo o que queria, mas meus sentimentos por Mulder me fez perceber coisas que eu nem ousaria desejar." "Com poder falar sobre os seus sonhos e as possíveis lembranças que afloram?" "Sim. Eu não me sinto uma pessoa completa sem meu passado. O que somos senão a soma de nossas experiências de vida?" o médico sorriu "Um ponto interessante." Geralmente quando sentava-se no consultório do Dr. Hanley ela desemaranhava seus problemas como se fossem uma corda cheia de nós. Agora, quanto mais ela trabalhava na corda mais apertados os nós ficavam. Dana olhou para o seu terapeuta "em resumo, não sei o que devo fazer. O que você acha?" "Dana você sabe muito bem que o meu papel não é lhe dizer o que fazer, mas ajudá-la a solucionar seus próprios problemas sozinha." Ela fez uma careta "Então, eu lhe pago para eu resolver meus problemas? Devia Ter ido a um psicólogo." Ele deu uma gargalhada. Dana deixou o consultório vagamente insatisfeita. Mesmo sendo bom conversar abertamente sobre algo que não conversava com Meghan, ela não chegou a nenhuma conclusão naquele dia. Nada mudara. Com um pequeno suspiro, ela esticou a coluna e levantou o queixo. Não era hora de pensar nos seus problemas. Tinha relatórios de laboratório para escrever, telefonemas para retornar, uma reunião de departamento. O resto do dia não pertencia a ela. Dana cruzou a praça em direção ao seu prédio, determinada a não pensar pelo resto do dia. XXXXXXXXX Indo contra ao que o Dr. Hanley disse na sessão pela manhã, Dana chegou em casa do laboratório decidida a praticar a negação. Mulder nunca a tinha beijado, ela nunca correspondera aquele beijo. Nada aconteceu, nada mesmo. Julia estava demais essa noite. Primeiro, uma luta para tirar a roupa da escola, depois outra para ela comer os feijões verdes. Ela gritava e esperneava quando Dana tentava coloca-la na banheira. John era melhor em acalmar Julia quando ela estava de mau humor. Ela sentiu-se dominada e sem controle frente a resistência da filha. Ela ligou para John no hotel. Agradecida por ele estar de volta do jantar e passar 20 minutos contando para Julia a história "Jerry and the blue spaceship". Sentada na frente da tela ela tocava a imagem do pai. John não precisava do livro para contar a história. Dana e ele memorizaram por repetir tantas vezes. Calam e feliz, Julia esparramava-se no colo de Dana. Dana sorria para ele na tela, mas seu coração batia rapidamente. Haveria um jeito dele perceber sua culpa? "Apenas mais uma semana" dizia fazendo caras bobas para Julia que se sacudia e ria "eu mal posso esperar para voltar para casa. Estou cansado de comida de hotel e o calor aqui é terrível." "Você está muito acostumado com as condições na cúpula." "É, sou um fraco. E sou homem o bastante para admitir. Não vejo a hora de chegar em casa, fazer um spaguetti e sentar com você e Julia para jantar." "eu também" ela disse. Sim, quando John voltar tudo voltará ao normal. Ela deixou Julia dormir com ela essa noite. Acariciando os cabelos da filha pensou, é aqui que eu pertenço, a minha família. Ela adormeceu escutando a respiração de Julia. Uma noite terrivelmente quente em West Virgínia e eles estavam presos numa cidade tão pequena que o hotel não possuía nem ar condicionado. Somente um ventilador velho que só espalhava umidade pelo quarto. Depois de fazerem amor, ele adormeceu em meio aos lençóis suados e ela foi para o banheiro tomar o terceiro banho do dia. Ao ligar a água, estava tão fria que sua pele ardeu em resposta e seus dentes batiam. Ela nem secou-se, deitou na cama ainda molhada e sentiu uma sensação de alívio quando o ventilador sobrou sobre seu corpo quente. O dia fora longo e exaustivo e ela implorava por dormir. Ela estava mergulhada no primeiro estágio quando sentiu. Oh, meu Deus. Elesestãovindoelesestãovindoelesestãovindo Ela sentou ereta na cama querendo gritar. Era muito mais forte do que aquela noite que ela foi levada até a ponte. Ela podia sentir isso na sua nuca e espalhando-se para os seus membros. Eles estão vindo. Tudo o que eles fizeram para lutar contra isso não era nada. Eles estão quase aqui, ela podia sentir a presença coletiva aproximando-se a cada segundo. Ela nunca quis acreditar nesse dia. Ela exigia provas, algo concreto que ela pudesse ver com seus próprio olhos. Piadas e informantes vindos das sombras não bastavam. Mesmo a formação e percepção de algo no céu da Antártida não era suficiente. Nem a confiança e fé no homem dormindo ao seu lado. Era muito grande e terrível para ela imaginar. "Eles estão vindo." Ela falou através dos lábios trêmulos. Ele moveu-se e gemeu acendendo o abajur ao lado da cama "O que foi, Scully?" dessa vez ela gritou as palavras. Dana acordou piscando no escuro. Foi só um sonho, pensou tocando a bochecha de Julia. Só um sonho. XXXXXXXX Pela manhã ela fazia traças no cabelo de Julia enquanto ouvia as notícias do mundo. "não se mexa" ela disse a garota que obedeceu esperando a mãe amarrar um laço azul na ponta da trança. Pontos brancos e vermelhos começavam a aparecer na vista de Dana. Droga, ela sabia o que era aquilo, uma enxaqueca estava vindo. Ela não tinha uma a meses. E não tinha como para-la. O remédio agia contra a dor mas ela ficaria inútil sob o efeito das drogas por horas. Ondas de náusea formavam- se na sua barriga e ela se arrependeu da aveia que tomara no café da manhã. Dana correu para o banheiro em tempo de por para fora todo o café e boa parte do jantar da noite anterior. Ao levantar a cabeça do vaso viu que Julia estava parada observando curiosa. "Mamãe vomitou." Declarou. Ela balançou a cabeça fracamente. Depois de escovar os dentes tomou o remédio para vencer a enxaqueca. Ela colocou o pijama novamente e deitando-se no sofá ligou para Meghan rezando para que ela ainda estivesse em casa. Meghan respondeu vestida no seu robe rosa e os cabelos negros ainda molhados " Dana, você está bem? Você está com um aparência horrível." Dana colocou a mão na testa, os olhos ardiam por causa da luz da tela " Estou com enxaqueca, acho que não conseguirei ir ao laboratório hoje" " Ah, não" Meghan respondeu preocupada " Mas não se preocupe, hoje iremos trabalhar nas metas de pesquisa para o próximo ano, lembra?" dana sinalizou com a cabeça, a dor estava aumentando parecia seguir o ritmo das batidas do seu coração. " Querida, já estou indo aí. Vou trocar de roupa e levo Julia a creche hoje." Após desconectar, Dana enrolou-se no sofá esperando que a droga fizesse efeito. Julia tocou levemente o seu braço " Mamãe, está doente?" " Sim, eu estou doente. E pegando o controle remoto, ligou o canal de desenho animado. Apesar do volume estar baixo, o barulho dos animais a sufocavam mas isso mantinha Julia quieta. Dez minutos depois, Meghan apareceu. Ela tinha um cartão de acesso ao apartamento de John e Dana no caso de emergências. Dana estava contente com isso pois a idéia de levantar-se era impossível de realizar. " Maggie!" Julia gritou correndo ao seu encontro e Dana encolheu-se ainda mais no sofá. " Olá, gatinha. Eu preciso que você fique bem calminha agora tá?" Meghan aproximou-se do sofá " Não se preocupe com nada. Apenas descanse eu levarei Julia para casa hoje à noite. Eu e Tom adoraremos tê- la por perto." " Obrigada, Julia você gostaria de dormir na casa da Meghan hoje?" Dana perguntou. Julia que acostumara-se a dormir na casa de Meghan para dar alguma privacidade aos pais, pulava em resposta a pergunta. " Vamos,Jules. Nós vamos para a escola." Meghan pegou um cobertor e colocou sobre Dana. Preparou uma bolsa com roupas e brinquedos para Julia e aproximou-se da amiga apertando-lhe a mão " Me ligue se precisar de qualquer coisa." De olhos fechados murmurou " Eu só preciso dormir" seu corpo já sentia o peso da droga. Julia deu um beijo na mãe e elas deixaram o apartamento em silêncio absoluto. Ela ajeitou o cobertor e dormiu. Ela sonhou com folhas caindo, douradas e laranjas, e com o cheiro maravilhoso do outono. Quando Dana finalmente acordou, olhou com olhos ainda cansados para o relógio na tela. Eram 4 horas da tarde. O dia inteiro passou enquanto ela dormia. Ela odiava perder um dia inteiro dormindo, mas sabia que era o único jeito da enxaqueca passar. Agora não sentia mais dor, apenas estava meia lerda e faminta. Ela tomou um banho, trocou de roupa. Na cozinha ela bebeu uma jarra cheia d'água enquanto esquentava uma sopa de galinha. Dana acabara de sentar no sofá para comer quando a tela do computador piscou avisando a chamada. Ela pensou em deixar a máquina atender mas lembrou-se que poderia ser da creche ou Meghan. A face de Mulder apareceu na tela, no fundo uma estante cheia de livros, provavelmente falava do seu consultório. "Você está bem?" seus olhos piscavam por trás dos óculos "Eu tentei falar com você no laboratório mas disseram que não foi trabalhar." As mãos de Dana começaram a tremer sob o seu colo ao ver Mulder. Ao ouvir sua voz. "Eu tive uma enxaqueca" ela disse "Dormi um pouco e já estou bem". Seu lábios abriram-se dando-lhe um ar bobo mas definitivamente sexy ao mesmo tempo. Ela ainda se lembrava como era sentir aqueles lábios como ela teve aquele lábio carnudo entre os seus e o chupara. "Eu estava esperando que pudéssemos nos ver hoje." Eu provoco o mesmo efeito nele. "Eu não acho que seja uma boa idéia." "Por favor, Dana. Nós precisamos conversar sobre isso" Lá se vai todo o plano de negação, pensou. Mulder não parece fazer esse processo de negação. "Está bem. Você pode vir às 6 pm?" um minuto depois ela desligou a tela. Isso é bom, nós conversaremos e esclareceremos tudo e deixaremos aquele beijo para trás. Nós somos pessoas inteligentes e racionais. Ambos sabemos a coisa certa a fazer. XXXXXXXXXXXX Mesmo a campainha tocando pontualmente às 6, ela pulou ao ouvir o som. Ela respirou fundo e seguiu a longos passos para a sala. O apartamento parecia vazio para ela. Ela realmente desejou a presença de Julia ali para a sua proteção. Seriam somente os dois, sozinhos. Da última vez que ficaram a sós.... ela não queria pensar nisso, não enquanto girava a maçaneta para abrir a porta. Mulder ainda estava com suas roupas de trabalho. Um terno azul marinho e gravata vermelha. A gravata estava desfeita e seus cabelos meio levantados como se ele tivesse passado seus dedos por ele. Numa mão a sua pasta e na outra um saco branco de compras. "Oi" ele disse com meio sorriso nos lábios. Ela deixando-o entrar "O que você tem nessa sacola?" o sorriso alargou-se "Como está sua cabeça?" "Eu estou bem. Mas isso não respondeu minha pergunta." Ele colocou a sacola e a pasta sobre o carpete. "Eu precisava saber como se sentia antes de responder a pergunta. Você está bem para sair hoje? A Orquestra Sinfônica Européia fará uma apresentação hoje no Parque Central da Cidade. Janett Paderre, o violoncelista será a solista. Se você quisesse ir eu comprei alguma comida para um pic-nic." Um pic-nic, música, o parque. Maravilhoso e eles não estariam sozinhos no apartamento. "Parece perfeito." Ela concordou. Pegaram o metrô em direção ao parque. Saltaram na estação Central. Ainda cheia de pessoas voltando do trabalho para casa. Outros, tomando sorvete e olhando vitrines. Passaram por uma vitrine de lingerie, sapatos e uma loja de noivas que Dana procurou não reparar nas moças ajeitando os véus. No final do Boulevard era a entrada norte do parque. "O concerto é no verde" Mulder disse ao entrarem. O verde era uma colina com um anfiteatro abaixo. Várias pessoas já estavam acomodadas em cobertores e toalhas espalhados pela colina. Comida de todo o tipo que muitos trouxeram de casa ou compraram nos stands de venda espalhados pelo parque. Eles ficaram no topo da colina, admirando o espetáculo durante o crepúsculo. "Tantas pessoas" Dana disse "As vezes esqueço como a cidade é grande." Ele concordou "Imagine quão grande ela era Antes. Seis bilhões viviam na terra. Agora somos menos de quinhentos milhões." Taí uma palavra de tanta destruição e perda. Disseminação reduzir drasticamente a população. Uma palavra tão seca e neutra. 5,5 bilhões de pessoas viveram, trabalharam, amaram. Eles tinham uma família e amigos, tinham história. Mas ninguém parecia sentir por eles, exceto pelo monumento insignificante perto do rio. Ao redor deles, as pessoas riam, abriam garrafas de suco, enxugavam os narizes das suas crianças. Agiam como se o mundo não tivesse terminado e começado novamente a cinco anos atrás. Dana sacudiu a cabeça "É demais para compreender." "Claro. Há muita pouca pobreza e crime, especialmente no hemisfério norte. As pesquisas não se estendem. E talvez o mundo esteja em equilíbrio." Ele disse afrouxando o nó da gravata mais "Ainda assim, valeu a pena, perder tanto?" ela congelou ao toque da mão de Mulder sobre seu suéter "Desculpe, era para estarmos nos divertindo." Ela virou-se e piscou "Pensei que íamos conversar." O rosto dele ficou sério como se estivesse lembrando o porque de estarem ali. "Isso também" Ela falou "Nós nunca vamos nos espremer ali." Apontando para a direita "Que tal ali?" ele falou. Eles andaram para uma fila de largas árvores de carvalho que pareciam estar crescendo a séculos mesmo Dana sabendo que eram produto da manipulação genética e tinham sido plantadas a três anos. Havia poucas pessoas nessa parte ainda que fosse uma boa vista do anfiteatro. Eles esticaram o cobertor que Dana trouxera de casa sobre umas folhas embaixo de uma árvore enorme. Mulder tirou da sacola pão, queijo, maças, frango assado e garrafas de água. "Eu podia trazer vinho, mas lembrei da sua enxaqueca e sabia que não era uma boa idéia." Dana tirou um pedaço de pão "onde estão Sarah e Adam hoje?" ela viu que seu tom saiu meio acusatório. "Eles foram para Boston. Angela, a melhor amiga de Sarah, teve seu primeiro filho e eles ficaram por uns dias." "Oh" ela deixou escapar, isso não é bom, não mesmo. "Não foi por isso que liguei para você. Eu não sou tão calculista assim." Mulder disse. "Eu não disse que era." "Eu não sou um cara que está entediado com a esposa e procura algo quente e perdoável. Eu nunca quis que isso acontecesse." "O que está acontecendo?" ela perguntou ele suspirou "você me perguntou isso no Sábado e eu não tinha uma boa resposta. Desde aí venho pensando nisso e não cheguei a nenhuma conclusão. Você chegou?" "Não" com um sorriso "Então é melhor comer a sua comida. Talvez descubramos algo de estômago cheio." A orquestra começou a tocar e a pele de Dana arrepiou-se com o som. Ela não conhecia muito de música, pelo menos não se lembrava de conhecer. Mas, havia algo de envolvente quando os músicos tocavam seus instrumentos. "Já os tinha ouvido antes?" Mulder perguntou estendendo a faca para cortar sua maçã. "Não" "É tão excitante. Hoje há poucas orquestras. E a ESO está tocando de graça hoje. Sarah ficou desapontada por perder esse evento." "É a primeira vez que escuto uma orquestra ao vivo" Dana disse. "A primeira vez que se lembra..."Mulder disse "Eu sempre quis saber o que eu gostava de escutar. Tão poucas gravações sobreviveram. Eu comprei um pouco de tudo para ver do que gostava." "Alguma conclusão?" ele riu "Você se lembra do Elvis?" ela deu uma gargalhada "Infelizmente. Cara gordo, lantejoulas, Las Vegas" "É esse" Mulder abaixou a cabeça envergonhado "Eu acho que fui até na casa dele em Graceland." "Você só pode estar brincando...." "Antes fosse" ele estava vermelho e ela vibrou ao notar. "Você é um homem estranho, Mulder" Ele limpou a garganta "Eu vou mudar o assunto antes que me complique." Ele tirou da sacola uma caixinha branca com um laço vermelho "Eu comprei um presente de aniversário para você, Dana." "Você não precisava" ela protestou, o calor subindo-lhe o rosto. "Não foi nada" disse entregando a caixa a ela. Com dedos trêmulos ela desfez o laço e abriu a caixa. Dentro um livro com capa de couro e páginas rodeadas de um tom dourado. Abrindo o livro percebeu que as páginas estavam em branco. "É lindo" Não só lindo como caro. Era algo antigo. A maioria dos livros hoje eram eletrônicos. "Há uma loja no lado oeste que vende algumas coisas que sobraram do Antes. Eu sempre vou lá para olhar e tentar me lembrar do Antes. Ontem eu vi esse livro e sabia que tinha que dá-lo a você. Você pode usar como diário ou para escrever suas lembranças do Antes." Lágrimas quentes rolaram pelo seu rosto e ela tentou limpá- las antes que ele percebesse mas era tarde. "Eu não queria fazê-la chorar." "Tudo bem. Só estou emocionada pela maravilha que isso é. Muito obrigada, Mulder." "Você não precisa me agradecer, Dana." Ele disse tirando do bolso um lenço e entregando a ela. Enxugou o rosto e ficaram em silêncio ouvindo a música calma e agradável que flutuava no ar. Dana fechou os olhos ouvindo as notas espalharem-se juntas com perfeição. Isso é maravilhoso. Cinco anos atrás o mundo estava em ruínas e agora eu estou sob uma cúpula ouvindo uma orquestra. Como a música é extraordinária, um músico consegue tocar cordas com uma palheta e criar beleza. A ciência é maravilhosa mas isso é alquimia. A música não pode ser definida. É pura beleza, é puro prazer. Depois de terminar de comer ela deitou-se no cobertor em cada nota que a solista tocava no violoncelo. Uma hora ela ouviu Mulder deitar e percebeu que ele estava a poucos centímetros dela. Alguém pode nos ver, pensou mas estavam escondidos no escuro debaixo das árvores. Além disso, não estamos fazendo nada de errado. Por um momento ela se permitiu imaginar que eles eram apenas mais um casal ali admirando a música. John e Sarah nunca existiram. Eram somente os dois. Mulder virou-se para ela e ela abriu os olhos vendo que ele tinha os olhos cheios de lágrimas. "Algo errado?" ela perguntou "Essa música de Dvorak. Me lembra a clínica. Eu tenho certeza que era a mesma para você. Eles tocavam na enfermaria para nos acalmar." Dana concordou "Eu me lembro de estar deitada na cama, olhando o teto e chorando. Eu chorei por três dias seguidos e a pior parte era não saber porque eu estava tão triste." "Eu estava agressivo, quase violento." Mulder disse. "Você estava? Não me parece que você possa ser violento." "Bem, eu estava a poucos dias na clínica. Não me lembrava dos primeiros dias e quando saí uma enfermeira me disse que eu passei o primeiro dia todo gritando depois de acordar Onde ela está? O que vocês fizeram com ela seus animais? Eu vou matar cada um de vocês se vocês a machucarem." A voz de Mulder estava embargada pela dor da lembrança. "Você imagina quem ela seja?" Dana perguntou gentilmente. Mulder fechou os olhos e não falou por um longo tempo. Dana pensou Ter dito a coisa errada, forçado demais. Entre eles apenas a música vinda do violoncelo. Ele abriu os olhos "Eu não sei, só sei que ela era tudo para mim" Ela pensou na sua própria perda, o homem com quem sempre sonhava "Você já sonhou com ela?" Ele negou "Não eu nunca sonhei com ela. Não lembro dela. De nada. Só sei que ela existiu" Dana tocou o cabelo dele e balançou a cabeça entendendo. "Posso lhe contar um segredo?" "Claro" ela disse mas seu coração começou a acelerar. "Ultimamente, eu tenho tido uma fantasia..." a voz de Mulder diminuiu e um olhar embaraçado formou-se no seu rosto "Não *esse* tipo de fantasia". "Me conte" ela disse. "Eu estava na minha praia do Netscape e comecei a fantasiar que você era a mulher do Antes. A mulher que eu amava." Ela desviou o olhar dele para impedir que ele visse as lágrimas formarem-se. Como era patético, eles fingiam e contavam fantasias de ambos e tentavam explicar o que poderia ser isso. "Isso é impossível" ela disse "Por mais que pareça adorável, é estatisticamente improvável." Um pequeno sorriso formou-se no rosto dele "Eu sei. Eu fico inventando essa fantasia boba para me sentir menos culpado." Então ele também se sentia assim. "Você é infeliz com Sarah?" ele sacudiu a cabeça "Eu queria que fosse assim, seria tão mais fácil. Você é infeliz com o John?" "Não" ela disse. Quando estava com o Mulder ela não conseguia mentir ou praticar a negação. "Dana se eu quisesse Ter um caso, eu procurava uma mulher qualquer e transava com ela. Eu não quero isso, eu não quero trair a Sarah mas..." ela assustou-se "Mas o quê? " "Estou apaixonado por você" a voz de Mulder saiu fraca e tensa mas ele dizia a verdade. Ela sentou-se agarrando os joelhos, tremendo apesar da noite não estar fria. Ela percebeu que ele ficou de joelhos e colocou os braços ao redor da cintura dela. "Me desculpe Dana." Ele sussurrou no ouvido dela " Se eu pudesse para de sentir o que sinto, eu o faria." Não seria maravilhoso ela pensou ao olhar as luzes brilhantes do anfiteatro, se pudéssemos ligar e desligar nossas emoções como fazemos com a tela do computador pelo controle remoto? Ou ir para casa esquecer e viver minha vida do jeito que era antes? Ela encostou-se no calor do peito dele, queria ficar assim para sempre sem precisar escolher apenas ficar ali sentindo o conforto da presença um do outro. Ele me ama. É muito grande para se conceber. Ela escapou do abraço dele e virou-se para encará-lo. "Eu não acho que quero que pare" as palavras saiam sem que ela pudesse considerar sua importância. "Primeiro nós temos que começar" ele sussurrou. Você pode ir embora, ela pensou, se levante daí são poucos passos até a saída do parque e dois quarteirões até a estação do metrô. Em vinte minutos você estará em casa com seu casamento e sua honra intacta. Dana tocou o rosto de Mulder, o pouco de barba formando-se sobre o lábio superior e na mandíbula. Com a ponta dos dedos ela tocou a linha irregular do nariz dele e a superfície do seu lábio inferior. Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça um pouquinho para trás. "Não faça isso comigo, Dana" Mulder disse "Não se você não tiver certeza" "É a coisa mais séria que eu já fiz na vida" ela sussurrou. Quando ela conheceu John, foi tão natural, um evento após o outro. Eles se conheceram, namoraram, dormiam juntos eventualmente,. Eles amavam-se e decidiram casar. não houve agonia na escolha que fez com John. Não queimava como isso. Era quente e confortante, como um banho quente depois de estar doído de uma longa caminhada. Mulder fazia ela queimar. Ela moveu-se para os braços dele querendo tocar o fogo novamente. Seus lábios roçaram nos dele e a boca dele abriu-se. Um gemido veio de dentro do peito dela enquanto ela sentia a energia eletrizante do beijo de Mulder novamente. Talvez ela nunca tivesse considerado o beijo. Para ela era um bom começo para o sexo. Agora ela podia sentir quanto ela estava próxima dele. Como era sentir a barba arranhando a sua bochecha, sentir a textura úmida e forte da língua dele deslizando contra a dela. Ela sentia os músculos do braço dele com as mãos e enquanto ela empurrava-se contra ele pela intensidade crescente do beijo, ela sentia que ele estava endurecendo contra a barriga dela. Dana arfou devido o sentimento de prazer que emanava do seu corpo, a necessidade tonta e o conhecimento de que Mulder a queria. Ela nunca imaginara que o desejo podia ser tão potente a ponto de apagar todo o seu bom senso. Uma onda de aplauso inundou o ar vindo da multidão e ela percebeu que estava beijando um homem que não era seu marido no meio de um parque público. Isso não podia continuar mesmo sendo tentador como era com Mulder deixando os seus lábios para beijar o pescoço dela. "Nó não podemos..." ela disse pressionando-se contra a ereção dele. "Não posso parar..."Mulder murmurou movendo as mãos para tocar gentilmente os seios dela através do fino material do suéter. "Não aqui" ela disse "Não podemos fazer isso aqui" ela notou que exagerou na palavra aqui e ele olhou para ela com um desejo louco nos olhos "Para onde devemos ir então?" "Eu não sei" ela inclinou a cabeça. "Eu quero ficar sozinho com você" ele disse num tom que a fez gemer. Ela levantou com as pernas tremendo e começou a recolher as coisas do pic-nic, ele permaneceu de joelhos olhando para ela. "Eu não sei onde devemos ir" ela disse numa voz irreconhecível "mas nós temos que ir agora." Com um certo desespero, eles chegaram ao Boulevard. "Não o metrô, pegaremos um táxi" Mulder disse elevando a mão. Em segundos, um veículo amarelo parou na frente deles. XXXXXXXXXXXXXXXX Blinded by White Light Parte 3 POR FAVOR !!! se você não tem 18 anos não leia essa fic. XXXXXXXXXXXXXXX "Bem-vindos ao Metro Taxi" o carro os saldou quando entraram na parte de trás "Por favor, diga o seu destino." Mulder virou-se para ela e disse baixinho "Onde?" Opções passavam pela mente dela. Onde é o melhor lugar para se cometer adultério? Não no meu apartamento, nem no dele. Ela disse ao carro "Cascade Falls Hotel". Ela passara por esse hotel várias vezes quando corria e foi o primeiro que despontou na sua cabeça. "Excelente, a corrida é 28 créditos" Mulder pressionou sua mão na placa de metal do painel de instrumentos e ouviu um zumbido enquanto escaneava o pagamento. "Obrigado. Encoste-se e aproveite a viagem com o Metro Taxi" dana encostou-se, agora eles estavam em movimento em direção ao hotel. Parecia tão real, o futuro estava aqui e ela fez sua escolha no parque. Ela e Mulder não saíram para conversar ou para levar as crianças para brincar. Eles estavam num taxi que passava por edifícios de apartamentos indo para um hotel fazer amor. Ele apertou a mão dela e ela sentiu o tremor dos dedos dele. Ele sussurrou "Nós não precisamos fazer isso" como se o carro os ouvisse e entendesse. "Eu quero" ela sussurrou de volta. Ele aproximou-se que sua respiração estava quente próximo ao ouvido dela "Eu estou com medo" Isso a fez sorrir um pouquinho. Que homem estranho e maravilhoso era Mulder, tão diferente dos outros homens que ela conhecia. Ele estava próximo de revelar seus sentimentos, de entregar-se para ela e mesmo assim terminava sendo um pouco bobo. "Eu estou com medo também" ela disse acariciando a mão dele com a ponta dos dedos. Ela inclinou-se para beijá-lo novamente. Enquanto o beijava, a culpa e a dúvida desapareciam, restando apenas a torrente de amor que sentia por ele. Sim, ela pensou elevando sua mão para emaranhar o cabelo dele, eu o amo. É um amor totalmente diferente do que sento por John, mas é amor. Eu sei. Ela não estava certa se deveria sentir-se afortunada ou não. Mulder gemeu quando ela dava pequenos beijos nas sua pálpebras, no queixo, no sinal a direita do seus lábios "Meu Deus, o que você faz comigo, não tenho palavras..." "Eu sei" ela deixou escapar. Ela se sentiu selvagem por desejá-lo assim. Em vez de fechar os olhos e aceitar placidamente o toque dele, ela sentia-se agressiva, querendo descobrir cada centímetro do corpo dele, lambê-lo e toma-lo para si. Deus, o que você faz comigo.... Ela sentia o cheiro da grama do parque e da pele masculina dele, o gosto da maçã na língua dele tocando a sua durante o beijo intenso. Eu queria que fosse simples e barato, sem importância e errado e eu pudesse deixá-lo e voltar para o lugar certo como a esposa leal. Mas está além da atração, do sexo e da infidelidade. O que eu e Mulder temos é algo raro. Mulder afastou os cabelos que caíam sobre a testa dela e a olhava. "O que foi?" ela perguntou impossibilitada de ler a expressão dele no escuro. "E u não acredito que seja verdade. Eu quase quero que não seja, mas é." Ele pegou a mão dela e levou ao seu coração, ela sentiu o ritmo apressado das batidas. "Estar com você é como encontrar as respostas para todas as perguntas que não me imaginaria fazer um dia. " Você diz coisas tão melhores que eu." Ela sussurrou e beijou-o novamente. Se ela não poderia dizer, ela mostraria para ele. Eles separaram-se quando o carro estacionou. Dana viu que estavam na frente de um pequeno hotel todo branco, apenas um quarteirão do rio onde ela e Mulder correram dias atrás. " Chegamos ao seu destino" disse o carro enquanto as portas abriam-se automaticamente. Ela saiu do carro seguido dele. " Tenham uma noite agradável e obrigado por escolher a Metro Táxi" Lado a , Dana e Mulder entraram no lobby que possuía apenas um sofá e um painel iluminado que mostrava os vários tipos de quartos disponíveis. "Você escolhe" ela disse" Eu nunca fiz isso antes". "E eu já?" ele tocou o painel em um quarto de casal com vista para o rio. "Cascade Falls Hotel agradece a sua escolha" disse o painel "O preço do quarto é 325 créditos" Mulder pagou. "Você precisa de serviço para bagagens?" "Não" disse Dana pensando como ela viera parar num hotel sem bagagem e com um homem que conhecia apenas a três semanas. Em seguida, o painel apitou e uma chave de cartão saiu pela abertura. "Seu quarto é o 724. Tenha uma ótima estada no nosso hotel. Para serviço de quarto disque 333." Eles ficaram em silêncio no elevador olhando os números dos andares piscarem. Andar pelo corredor parecia uma eternidade. Quando chegaram a porta, suas mãos tremiam tanto que mal conseguiu colocar o cartão de acesso na fechadura. Com um click, a porta abriu-se. Por um segundo ela desejou estar entrando no seu apartamento com John sentado no sofá assistindo a liga de baseball japonesa e Julia construindo torres com seus blocos no chão. Em vez disso, eles entraram num pequeno quarto de hotel com as paredes na cor creme, tapetes verde escuros e uma cama grande com uma colcha que combinava com as paredes do quarto. As cortinas verdes estavam abertas revelando a vista iluminada ao longo do rio. O vidro era na verdade, uma porta de correr que dava para uma pequena varanda com duas cadeiras e uma mesinha redonda entre elas. Dana sentou-se e tirou os sapatos. Pegou controle do telescreen e entrou no serviço de mensagens "Eu tenho que checar minhas mensagens, Ter certeza que está tudo bem com a Julia." ela digitou seu código de acesso. "Não há mensagens para Dana Scully" o serviço disse. Ele foi até o mini bar e tirou uma garrafa de água, abriu e tomou um longo gole. "Você quer alguma coisa? Água, vinho." Ela perguntou. Mulder sacudiu a cabeça, continuava parado na porta. Ele está apavorado, ela pensou, isso a encorajava. Ela mordeu o lábio e baixou a cabeça "Você pode ir embora" "Não" ele respondeu. "Venha cá" ela disse e num instante ele estava em seus braços. XXXXXXXXXXXX Eles permaneceram no meio do quarto por um bom tempo apenas abraçando um ao outro. Mulder tinha seus braços envoltos na costa dela, Dana pressionava seu rosto na camisa dele sentindo-se inteiramente segura no calor do abraço dele. Um arrepio percorreu a espinha dela, este é o meu lugar. As mãos dele acariciando os seus cabelos. Parece o meu sonho. Que estranho. Ela afastou-se dele um pouco e olhou o seu rosto. Ele tinha uma expressão enfeitiçada, mas ela continuava vendo o amor naqueles olhos cinza esverdeados. "Eu quero de conhecer" ela disse. Ele tocou seu rosto correndo os dedos do começo a ponta do nariz dela "Você me conhece, Dana. Apesar de nos conhecermos por um tempo bem curto, você já me conhece melhor do que qualquer pessoa no mundo." Ela concordou "É trágico, Mulder , que não conseguimos o que mais precisamos dos que amamos..." "Antes" ele sussurrou "Você me deu o Antes" "Sim, mas isso nos leva a pergunta- somos afortunados por Ter encontrado um ao outro assim não temos que lidar com a necessidade do passado sozinho ou estamos condenados a querer um passado que nunca poderemos Ter novamente?" ele balançou a cabeça "Eu não sei. Um pouco de cada, eu suponho." Ela sorriu "Tudo que sei é por mais errado que seja o que estamos fazendo, eu sinto que tenho sorte por estar aqui com você." Mulder beijou a cabeça dela, sua testa e por último seus lábios "Eu quero ficar com você" disse tão suavemente que ela quase não ouviu. "Você está" e puxou-o para si a fim de beijá-lo novamente. Após a junção das suas bocas, Dana procurou pela gravata dele desfazendo o nó. Em seguida, começou a desabotoar a camisa dele, desesperada por ver ele por completo agora, conhecer tudo sobre Mulder. O cotton da blusa abriu-se em suas mãos quando ela desabotoou o último botão e ela a tirou e deu um passo para trás para olhar melhor o corpo dele. A parte superior do corpo dele era bem parecida com o que ela havia fantasiado na outra noite. Na luz, a pele dele parecia dourada e as costelas sobressaiam no peito dele. Do mesmo modo como ela fez na outra noite, ela contou-as com seus dedos. Ela elevou o olhar até os ombros dele e viu uma pequena cicatriz um pouco abaixo da clavícula. "Ë uma cicatriz de tiro." Ela disse tocando-a . "Excelente diagnóstico, Doutora. Eu tenho outra na minha coxa." "Ferido no cumprimento do dever?" "Acho que sim, eu devo Ter vivido uma vida perigosa. É difícil imaginar agora, já que a minha vida é tão simples." A vida do antes deve Ter sido extremamente perigosa já que ela mesma tinha uma cicatriz de bala. Ela não mencionou isso para Mulder, ele iria ver logo logo. Como um cega explorando uma face desconhecida, ela tocou cada centímetro do peito dele, desde os escassos cabelos castanhos até a profundidade do umbigo dele. Mulder era passivo nesse momento permitindo a ela completar sua exploração. Finalmente, ela chegou ao botão da calça marinho dele "Posso?" ela sussurrou, de repente sentindo-se tímida tendo plena consciência de que ela estava prestes a tê-lo nu a sua frente. Ele concordou. Ela abriu o fecho ecler e deslizou a calça até os pés dele tirando a mesma. Mulder estava agora apenas usando um boxer azul. Dana reparou que ela estava completamente vestida enquanto ele estava praticamente nu. Sentiu-se poderosa mas pareceu também mais desigual do que ela queria. Afinal, eles estavam nisso juntos. Dana começou a tirar o suéter mas ele a impediu "Não" disse ao seu ouvido "Eu venho imaginando isso desde que te conheci" Então eu não era a única a Ter fantasias, ela pensou dando uma pequena risada "O que mais nós fazíamos quando você pensava sobre nós?" "Que tal se eu mostrar a você?" ele disse. Mulder tirou o suéter dela e subitamente o ar frio do quarto a fez tremer. Ela olhou para a pele arrepiada desejando estar usando algo melhor do que o conjunto comum de calcinha e sutiã branco. Claro, ela nunca esperava que Mulder fosse vê-los hoje à noite. Dana tirou a calça jeans e ficou na frente dele. Agora estavam quase iguais, ela de calcinha e sutiã e ele só com o boxer. Quase nus. Sem volta, ela pensou. Mulder corria os olhos pelo corpo dela, ela lembrou-se do olhar extenso e observador que ele tinha sobre ela na cozinha do apartamento no dia da festa. Ela conhecia o verdadeiro propósito daquele olhar. "Você é linda" ele disse "Linda mas pequena. Tenho medo de te machucar." Ela revirou os olhos "Nos seus sonhos. Eu sou mais forte do que aparento" Como se para provar ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo e puxou-o para si e sentir o calor da pele dele contra a dela. A pele dele era tão suave, quase tão macia quanto a de uma mulher ou de uma criança e sentiu a luxúria tomando conta dela enquanto acariciava as costas dele. Eles seguiram para a cama caindo sobre ela. Uma mistura de membros e pele, jamais quebrando o beijo. Ele estava sobre ela agora, assustadoramente largo e lindo e sentiu a respiração presa na garganta ao perceber o que estavam prestes a fazer, era inevitável. Ele rolou-os colocando-os de lado. Não pense, ela silenciosamente disse a ele, senão eu começarei a pensar... Mas ele não parou. Com um único movimento desabotoou o sutiã e removeu-o calmamente e jogou no chão. Ele começou a tocar os seios dela tão gentilmente como no parque ela curvou-se nas mãos dele sentindo ele acariciar seus mamilos. A mão dele deslizou até a barriga dela encontrando a cicatriz abdominal "Falando em cicatriz, onde conseguiu essa?" "É uma cicatriz cirúrgica, aparentemente de um tiro." "Devia haver uma galeria de tiros no Antes" ela não poderia imaginar um tempo tão perigoso. Não existem armas hoje só as pistolas dos guardiões. Mas alguém, em algum lugar atirou nela no abdômen. Ela sangrou mas sobreviveu ficando com uma pequena cicatriz para lembrar do que aconteceu mesmo sem saber o que foi. Mulder desceu um pouco para beijar a cicatriz e dar voltas sobre ela com sua língua. Ela achou isso surpreendentemente prazeroso apesar do local da cicatriz. "Vire-se" ele sussurrou. "Por quê?" por alguma razão seus músculos ficaram tensos. A boca dele continuava explorando a barriga dela e ela queria que ele descesse mais para lambe-la onde ela estava começando a vibrar de excitação. Mulder levantou a cabeça "Eu quero te ver por completo." Dana obedientemente virou-se e ouviu a dificuldade dele de respirar ela sabia que era por causa da tatuagem da cobra na sua costa. Ele passou os dedos sobre ela "Você não parece do tipo que tem uma tatuagem, Dana" Ela sorriu "Eu também fiquei surpresa ao ver pela primeira vez. Eu suponho que tenha sido uma indiscrição da juventude." "É linda- todos esses verdes, azuis e vermelhos e super sexy. É um bom local para uma tatuagem, ninguém pode ver a menos que você esteja nua. é como uma surpresa secreta para um homem sortudo o bastante para chegar tão perto assim de você." Contra a sua vontade, ela lembrou-se da primeira vez que ela e John fizeram amor, a noite há anos atrás no antigo apartamento dele. John viu e chamou-a "Dana minha pequena marinheira" ela não entendera e ele disse que os marinheiros eram conhecidos por Ter o corpo coberto de tatuagens. Pare, eu não vou trazer o John agora para cá. Ela virou-se olhando para Mulder. "Agora você conhece meu segredinho sujo." Ela sussurrou. "Eu quero conhecer todos" ele disse. Como em resposta, Dana tirou sua calcinha e jogou no chão "Você também" ela disse aproximando para tirar o seu boxer. E então estavam finalmente nus aos olhos de cada um. Dana correu seus olhos pelo corpo inteiro dele, os músculos da barriga, as coxas fortes cobertas por cabelos castanhos e ,oh, o seu pênis, estando orgulhosamente ereto como se esperando pelo toque. Ela não podia resistir a tentação e o tocou deslizando as pontas dos dedos do começo até a ponta e voltando, era longo e fino e Mulder soltou um gemido ao sentir o toque dela. Mulder beijou-a, a língua dele movendo-se para dentro e para fora do modo como ela queria que o pênis dele fizesse dentro dela. Ela estava ficando molhada pronta para tê-lo dentro dela. Enquanto ela acariciava o pênis dele, Mulder começou a toca- la. Seus cabelos finos abrindo os lábios. Ela soltou um gemido quando ele estava tocando-a . Mulder acariciou-a do mesmo modo que ela se tocava para Ter prazer, do mesmo modo que ela pedira para John tocá-la dois dedos levemente circulando seu clitóris mas não tocando exatamente. como ele sabe fazer isso? ela vagava com o prazer se intensificando. Como ele lia o meu corpo tão bem? Quando ela começou a acariciar os seus testículos, ele jogou a cabeça para trás e fez um barulho surpreendente "Oh, Scully isso é tão bom..." Ela congelou, uma mão agarrada ao redor do pênis dele, seus olhos se arregalaram. Ele chamou-a de Scully. "Do que você me chamou?" ele olhou-a confuso "eu te chamei de Dana" ele disse com tanta convicção que ela pensou que a sua mente estava lhe pregando peças. Só mais desejo que realidade. Ela afastou-se dele e quase riu quando viu o olhar alarmado no rosto dele "Eu não vou a lugar nenhum" ela disse "Eu só quero estar mais perto de você agora." "Você quer dizer?" um sorriso encantador formou-se no rosto dele. "Sim, por favor Mulder eu quero você dentro de mim." O sorriso de Mulder aumentou enquanto gentilmente a colocava de costas "Tudo bem se for desse jeito?" Ela parou para beijar o ombro dele sobre a cicatriz "Você é quase uns 30 centímetros mais alto que eu mas não vai me machucar." John tinha a mesma altura de Mulder e uns 5 quilos mais pesado. Não John, agora não. Não isso é diferente, eu o amo, eu amo Mulder. Mulder moveu-se entre as pernas dela e ela o sentiu duro contra o seu estômago. Ele olhou para ela como se esperasse por algo. Ele precisava ser tranqüilizado. Ela não tinha dito como se sentia, não com palavras. Ela sabia que Mulder era um homem honrado mesmo se estivesse traindo sua mulher. Ele só faria isso por amor. Dana tocou seu rosto, lágrimas indesejadas formavam-se nos seus olhos "Mulder" ela disse levantando suas pernas para coloca-las ao redor das costas dele "eu te amo". Era tão fácil dizer isso. Ele abaixou-se para beijá-la. Tão intimamente que só a fazia querer estar mais com ele." Dana, eu também te amo" ele falou ao seu ouvido. Ela sentiu a ponta do seu pênis roçando na sua abertura. Mulder parou ainda não havia penetrado nela "Um, Dana nós não falamos sobre prevenção." "Tudo bem, eu só fico grávida com interferência médica. Não precisamos de nada." Ele suspirou em alívio e ela envolveu seu braços ao redor do pescoço dele "Por favor, agora" eles estavam tão próximos. Com um pequeno movimento de quadris ele penetrou nela. Ela fez um murmúrio leve ao senti-lo dentro dela. Ela forçou para que seus olhos permanecessem abertos para observar o rosto lindo dele mudar com o prazer. Dana estava super sensível a todas as sensações enquanto faziam amor- o suor escorrendo pelas costas dele, seu cabelo na testa, o sentimento por estar completa, enquanto ele a preenchia continuamente. Isso define tudo o que eu conheço e acredito. Ela surpreendeu-se fazendo barulhos, murmurando na boca faminta dele. Ela não era do tipo que mostrava seus sentimentos e desejos para o outro. Mas estava suspirando, murmurando e gemendo com o crescimento do prazer. Ele a acompanhava enquanto movia-se dentro dela. "Isto...isto é incrível" ele arfou. Ela balançou a cabeça concordando. Sem aviso ela chegava ao ápice, agora gemia cada vez mais alto, os sentidos sendo perdidos com a sensação provocada pelo orgasmo, o aumento do calor a cegara ela parecia flutuar acima da cama. Dana não percebera que fechara os olhos diante do orgasmo e quando os abriu viu o olhar maravilhado de Mulder. "Essa foi a coisa mais linda que eu já vi" ele disse com a voz tensa. "Eu quero ver você também" ela sussurrou. Ele pareceu perder o resto do controle, penetrou nela com tanta urgência que quase a feriu. Mas era gratificante ver a face dele mudar com seu corpo e músculos vibrando de prazer até que não agüentou e explodiu dentro dela. E agora o único som no quarto era eles enrolando-se juntos. Depois de um longo período a respiração deles diminuiu. Ela queria sentir-se culpada por trair seu marido, chorar intensamente por isso, mas tudo o que sentia era o amor por aquele homem deitado ao seu lado e preso ao seu corpo por suor e secreções, o homem que começara a beijá-la. Ela sorriu e beijou o peito dele inalando o perfume do amor e do sexo. "Não importa o que aconteça, Dana" ele aproximou-se para abraçá-la "Eu sempre me lembrarei disso" "Eu também" e eles permaneceram abraçados por um bom tempo absorvendo a intimidade que compartilharam. Teriam outra oportunidade para sentirem-se culpados. XXXXXXXXX De alguma maneira, eles separaram-se entre os lençóis. "Nós sujamos toda a colcha" Dana disse sentindo o calor de Mulder na suas costas. "É por isso que eles tem uma lavanderia, aliás serve de exemplo por escolherem creme para as colchas que usam." Ela fez um som baixo, surpreso ao perceber que ele estava empurrando o seu cabelo para beijar sua nuca. Oh, sim, ela pensou, esse é o meu ponto fraco. E o sentimento se intensificava com os beijos dele deslizando pela sua coluna, vértebra a vértebra. Novamente, ela estava morrendo de desejo. Suada e fraca depois de fazer amor com ele, ela ansiava por acabar com o vazio que sentia, queria Mulder dentro dela. Ela encolhia os dedos e sua respiração aumentou quando ele tocava com a língua a tatuagem dela. Mulder distanciou-se dela na cama e ela fez um som de desapontamento. "Shh...nós temos a noite toda. Não precisamos nos apressar." Dana permitiu-se relaxar nos braços dele, sentia que estava flutuando na água calma. "Dana" Mulder sussurrou "você nunca me contou" ela levantou a cabeça do travesseiro "Contar o quê?" Mulder acariciava os cabelos dela o que a lembrou de quando ela acalmava Julia depois de um pesadelo "Você nunca me contou o que você lembra do Antes?" Ela abriu a boca "Oh" John não conversará sobre isso. Ela tentou mas ele sempre a fez calar era como se ele não quisesse conhecê-la ou que ela não o conhecesse. Mulder queria ouvir. E talvez essa fosse a diferença crucial. Ela deitou a cabeça sobre o travesseiro "Ok, eu contarei a você ". Ela começou com as coisas simples, fragmentos da infância- às vezes que apagara velas no seu aniversário, brincadeiras na rua onde todas as casas eram iguais, deitada na cama tremendo por causa dos trovões. Mulder estava em silêncio apenas ouvindo ela falar e acariciando seus cabelos. A voz dela parecia interrompida quando falava das memórias adultas. "Eu sonho com ele" ela disse "Sempre o mesmo homem, mas quando acordo não consigo me lembrar como ele é ou do som da voz dele. Eu só me lembro como é ser abraçada e amada por ele. Quando estou com ele nos meus sonhos, eu me sinto tão.... eu sinto como se tivesse tudo que preciso no mundo" dana fez uma pausa mordendo seu lábio incerta se deveria contar o resto dos seus pensamentos. "O que é ?" Mulder disse colocando o seu braço sobre a cintura dela. Ela respirou fundo "quando sonho com esse homem, eu me sinto do mesmo jeito que me sinto quando estou com você, Mulder" Ele tocava o pescoço dela com o seu nariz "Dana, e se...?" E se..? Não. Ela sorriu, mesmo sabendo que ele não poderia ver seu rosto no escuro "Eu gostaria, mesmo sabendo que não tem como isso ser verdade" Ela sentiu o peito dele elevar-se num suspiro. "Eu sei. Mas e se nós brincarmos de fingir por um minuto?" "Você quer brincar de fingir? Porque eu não vou vestir-me de empregada francesa de jeito nenhum." "Não provoque, imagine isso – eu sou um agente do FBI e você a linda doutora na cena do crime, olhando para um cadáver sem cabeça..." ela sacudia-se de tanto rir e ele acabou juntando-se a ela. "Você é tão romântico, Mulder" ela disse entre risadas. Seus dedos circulavam um dos seus mamilos "Isso eu sou" ele disse ao seu ouvido e pegou o lóbulo da orelha dela e chupando-o. "De novo?" ela disse ao sentir seu pênis endurecendo contra a sua espinha "Você parece um adolescente, Mulder" ele sorriu "Nunca subestime o poder do exercício, vitaminas e a presença de uma mulher linda e nua na cama comigo." O calor lhe subiu a face e aumentou também entre as suas pernas "Qualquer mulher?" Ele balançou a cabeça "Não. Só você, Dana" E a Sarah? Ela pensou. Você faz amor com ela com a mesma paixão avassaladora? Você a faz sentir-se como eu me sinto? Você a faz gozar como faz a mim? Ela o faz gozar como eu? Dana obrigou sua mente a calar-se. Não havia tempo naquele quarto de hotel. John e Sarah não existia por agora. Mulder procurava por entre suas coxas e encontrou seu clitóris. "Podemos?" ele perguntou com uma voz hesitante. Ela respondeu quase rindo "Precisa perguntar?" A única palavra para descrever isso era completo. Mas sendo tão maravilhoso Ter Mulder dentro dela, ela precisava de mais. Dana distanciou-se e o pênis dele saiu de dentro dela. "O que você está fazendo?" ele murmurou. Ela virou-se para encara-lo e encostou seus lábios contra os dele. "Eu preciso ver seu rosto, Mulder" ela suspirou. Eu preciso Ter certeza de que é realmente você ela pensou ao acender o abajur. Eu preciso estar pronta para me lembrar de cada detalhe dessa noite. Os dedos dela seguraram a ereção dele e ela apertou vendo o tremor em resposta espalhar-se inteiramente pelo corpo dele. "Por favor" ele disse encolhendo os dedos. Era difícil retardar o prazer deles, ela não pode esperar mais. Cada célula do corpo dela precisava ser preenchida por ele. Ela movia-se para cima e para baixo, deslizando sobre ele e deixando sua respiração fluir mesmo que ofegante. Ela inclinou para o rosto dele, suas mãos apertavam o travesseiro dele nos dois lados. A língua dela molhava os lábios. Tanto ritmo, ela pensou, nós nos encaixamos tão bem mesmo com a nossa diferença de tamanho. Claro que havia a eletricidade de novos amantes, mas ela sentia-se tão confortável como se fizesse isso a anos. Não era a empolgação e o embaraço da primeira noite juntos não, "Isso está bom?". De alguma forma, parecia que seus movimentos eram cronometrados, tão suave era o prazer. As mãos de Mulder sobre os ombros dela a equilibravam enquanto ela o fazia penetrá-la com profundos golpes. A boca dele abriu como se quisesse dizer alguma coisa, mas não tinha forças ou palavras. Eu sei, ela pensou, você não tem palavras para descrever isso também. Ela aproximou-se mais dele e ele colocou sua boca em um mamilo lambendo-o com a língua. Ela ofegou ao sentir e pressionou seus quadris mais fortemente contra ele. Mulder estava totalmente dentro dela, ela queria mais mesmo que impossível, não sabia dizer onde Mulder começava e onde ela terminava. Queria ficar assim para sempre. As coxas de Dana começaram a tremer com a chegada ao orgasmo. Eu nunca atingi o orgasmo duas vezes numa noite mas Mulder o que você está fazendo comigo? Desta vez, o prazer era lento e doce, corria-lhe a espinha e descia novamente até as coxas, ela tentava respirar suavemente. Mulder gemeu "Isso, ... Dana, isso..." É isso, pensou, era assim que queria me sentir a muito tempo, viva, completa. Dana viu o orgasmo de Mulder crescer sua boca abrindo em busca de ar. Ela o viu gemer como um animal quando chegou ao clímax. Os olhos dele abriram-se e ele a viu cair sobre o seu peito. Ele envolveu seus braços nas costas dela e disse "O que eu farei se você me deixar aleijado?" "Você sobreviverá, Mulder" ela disse beijando-lhe a sobrancelha. "Estou ficando velho para isso..." ele murmurou, mas o risinho no rosto dele o contradizia. "Eu acho que você acabou de provar que não está tão velho" e ela o beijou novamente. Eles deitaram cada um de um lado da cama olhando-se. Mulder pegou as mãos de Dana e disse "Eu nunca amei ninguém assim" Ela perguntou "Nem a Sarah?" Ele suspirou fundo e não falou por um tempo "Nem a Sarah, mas eu a amo, Dana. Eu não deixei de amá-la" Dana deixou as lágrimas fluírem "Eu sei. Eu amo o John também" "Eu não quero magoá-la, eu não posso magoá-la. Ela tem sido tão boa comigo" Dessa vez, ela já não conseguia controlar as lágrimas que rolavam pelo seu rosto quando ela pensava em John e Sarah que não tinham a mínima idéia de que seus cônjuges haviam se apaixonado por outra pessoa. Pare, ele não pode vê-la assim, você é mais forte que isso. Mas era inútil, não conseguia fingir para Mulder, não quando estava nua na cama nos braços dele. "Não chore" ele disse removendo as lágrimas com seu polegar "Vai ficar tudo bem" "Não. Não vai" ela disse, sua mão tremia. Ela sentia-se como um animal preso a uma jaula, sem poder escapar. De um lado, seu amor avassalador por Mulder, do outro o compromisso com John. Eles não tinham para onde ir. Não havia como solucionar isso sem que ambas as partes saíssem machucadas. "Não se arrependa disso" Mulder disse "Eu nunca estarei pronto para conviver comigo mesmo se você...." "Eu não me arrependo. Eu te amo de um jeito que nunca pensei amar outra pessoa, mas..." "Mas?" a voz dele era suave. "Mas depois do que aconteceu hoje, nós não podemos continuar juntos assim. Nós temos que ir para casa e tentar voltar a nossa vida normal do jeito que era." Ele virou de costas e colocou um braço sobre o seu rosto. Dana pensou se ele poderia estar tentando esconder as próprias lágrimas. "Eu sei" ele suspirou "É a coisa certa a fazer" "Não é fácil para mim, você sabe" ela afagava o cabelo dele "Mas temos famílias. Temos votos a honrar" Mulder virou-se para ela e esboçou um sorriso triste "Nós temos votos a honrar" ele repetiu. Eles ficaram em silencio apenas abraçados sabendo que essa noite era a única que tinham para estarem tão próximos assim. A respiração de Mulder diminuiu e ela percebeu que ele adormecera. Eu não quero dormir, pensou, quero ficar acordada a noite toda para guardar cada momento. Porém, o cansaço a venceu e ela apagou. Ela não teve nenhum sonho essa noite. XXXXXXXXXXX Dana acordou antes de amanhecer. O relógio marcava 5 a.m. e ela assustou-se ao notar que estava num quarto de hotel com Mulder enrolado a ela. O que foi que eu fiz. Dana levantou-se da cama dirigindo-se para o banheiro. Ela piscou ao sentir a claridade nos olhos mesmo após se acostumar ela não se olhava no espelho enquanto escovava os dentes. Ela ainda tinha o cheiro de Mulder na sua pele, a melhor experiência que teve em fazer amor. Ela queria carregar o perfume de Mulder para sempre consigo mas ligou o chuveiro. O banho era o lugar onde ela sempre se permitia chorar. A água quente cobria seu corpo e a fazia relaxar, as lágrimas formavam-se no seu peito. Ela deixava as emoções se libertarem. Foi assim com as duas enxaquecas que ela teve. Gostava de deixar a água e o shampoo lavar toda a dor e a raiva que a dominavam. Depois, sabia que tinha de voltar a ser a médica e pesquisadora racional e uma boa esposa para John. A única vez que John a viu chorar foi quando ele entrou no seu quarto da maternidade segurando aquela criatura tão pequenina que era Julia. Ambos choraram diante do sonho realizado. Agora, ela chorava pela descoberta de que ela estava totalmente apaixonada pelo único homem que ela não poderia Ter. antes de Mulder, ela não sabia que isso era possível. Tudo que John a oferecesse não seria o bastante. Mas ela prometeu a John sua lealdade, sua fidelidade, até que a morte os separe e ela nunca quebra suas promessas. E honrará essa também. A noite passada com Mulder foi o limite porém ela não podia romper os vínculos do seu casamento. Pela primeira vez ela ponderara o significado negativo de vínculo. É a decisão certa a tomar ela pensou. Sentiu-se forte ante sua resolução. Desligou o chuveiro e puxou uma toalha e enrolou no corpo. Mulder estava em pé, nu escovando os dentes na pia. Ele sorriu. Tocando seu ombro nu ele disse "Você acordou cedo" "Eu não pude dormir" "Nem eu, sem você do meu lado" Dana balançou a cabeça "Eu tenho que ir para casa me arrumar para o trabalho" ela evitava olhar para ele seria mais difícil ir se o fizesse. Se olhasse ela ficaria perdida novamente. Mas Mulder se aproximou e tomou seu rosto nas mãos "Fique um pouco mais, Dana. Nós temos tempo" "Se eu ficar, nunca irei me recuperar disso" ela elevou seus olhos até os dele. "É tarde demais" ele disse e a beijou. Ele está certo, nós nunca nos recuperaremos disso e saíram do banheiro direto para os lençóis na cama. Mulder aproveitou o tempo para explorar o corpo dela com sua boca, seus seios, mamilos, seu pescoço ela gemia ante aos beijos e o toque da língua dele. Finalmente, ele chegou no local que ela ansiava por ser tocada. Sentia fluir a umidade entre suas pernas. Ela choramingava devido o toque dos dedos dele. Ele levantou a cabeça para beijá-la "Finalmente eu vou descobrir qual é o seu gosto" "Por favor, Mulder" ela gemeu. Agora a cabeça dele estava entre suas pernas. A língua quente passeava dentro dela e ela gritou devido a sensação. Ele parou e molhou seu lábio inferior "Você é tão doce" e voltou a toca-la. A língua dele pressionando o clitóris dela. Era quase doloroso como o coração dela batia de excitação. Ela acompanhava o ritmo com as mãos embora Mulder não precisasse da sua ajuda. Ele sabia instintivamente o que ela precisava e quando. Embora sendo normalmente contra a idéia, ela brevemente considerou a possibilidade de poderes psíquicos. Ela sentiu o começo do seu clímax, e ele colocou dois dedos dentro dela. Ela quase sentou devido o poder do toque e murmurava inconscientemente "simsimsimsim" assim que o orgasmo a atingiu. Seu corpo tremia e ele moveu-se e a abraçou beijando-lhe todo o rosto "Você é tão...linda" "É, certo" não eram 6 da manhã, seu cabelo ainda estava molhado e emaranhado. Ela não tinha uma maquiagem no rosto. Mulder tocou-a um pouco acima do lábio superior "Porque você esconde isso?" "Eu não gosto do modo que é." "Eu gosto" ele disse e a beijou. Dana quase chorou quando ele a penetrou novamente, sabendo que essa era a última vez que ficariam juntos. Era um pouco doloroso e ela chorou na noite anterior. Mas era incrível tê-lo dentro dela. "Nunca" ele falou "Eu nunca esquecerei isso" onde ela ouvira isso, ela imaginava mas não era hora de pensar. Sua coxas doeram ao enrola-las nas costas dele, mas era uma dor boa. Ela tinha medo de fechar os olhos e perder algo. O resto da sua vida seria sustentada pelas memórias do êxtase que dividira com Mulder ao fazer amor. Sim, as memórias certamente a assombrariam com a culpa, mas também a lembraria da noite que ela descobriu como deveria ser o amor. Por que eu te amo tanto? Ela imaginava, quem é você? Beijando todo o rosto dele. Ele fez um barulho sufocante quando gozou e empurrou sua cabeça no ombro dela. Ele a penetrou tão forte que as lágrimas formaram-se nos olhos dela e ela sorriu. "Oh" ele suspirou "Desculpe, foi muito...rápido" "Você não tem que se desculpar" "Você não...eu queria que fosse perfeito dessa vez" ela entendia o que ele não disse. Era a última vez que estavam juntos. "Shh.." ela suspirou beijando o pescoço dele "Foi maravilhoso, lindo" ele saiu de cima dela "Eu devo estar te esmagando" na verdade, ela adorava o peso do corpo dele sobre ela, os músculos abaixo das mãos dela, o perfume dele a rodeando por inteiro. Dana não queria mas checou o relógio, próximo das 6:30 quase a hora de ir. Quando enrolou-se nos braços dele, percebeu que era a última. Quando beijavam- se suas línguas encontravam-se pela última vez. eles jamais beijariam assim de novo. Ela jamais sentiria o gosto dele novamente. "eu gostaria que houvessem realidades alternativas" ele disse pressionando seu supercílios contra a bochecha dela. "Por quê?" "Eu poderia ser dois homens. Um que deixaria esse hotel e voltaria para a minha vida com Sarah feliz sem suspeitar que você existia Dana e outro que construiria uma nova vida com você. Todo o dia retornaríamos para casa do trabalho, falaríamos sobre o nosso dia enquanto fazíamos o jantar. Eu iria para cama com você toda noite, fazia amor com você e acordava com você ao meu lado." Era uma imagem que ela não queria vislumbrar "A emoção iria diminuir. É sempre assim. O calor e a intensidade do início, depois de um tempo continua bom mas você conhece a rotina. Você nos conhece tão bem que acabaria perdendo o verdadeiro excitação." A voz dele era dura "Não. Não com você. Eu sei que estamos juntos apenas por uma noite, mas sempre seria maravilhoso com você. Eu nunca me cansaria de você Dana" Ela piscou rapidamente "Não diga isso. Você vai me fazer chorar de novo" "Eu sei, mas não posso deixar de Ter esses pensamentos" ela sentou-se "Mulder, eu tenho que ir agora" ele tocou as costas dela "Eu não acho que seria assim tão difícil" "Eu sei" ela levantou-se e seguiu para o banheiro sem olhar para ele. Cinco minutos depois, ela retornou do banheiro completamente vestida. Ele havia vestido seus boxers suas mãos na cabeça. Com dificuldade ela controlou a voz "Eu não acho que posso agüentar uma cena grande de adeus" Sem olhar para ela , ele concordou. Ela andou até ele e colocou suas mãos sobre as dele. Eu amo essas mãos, pensou. Tão grandes e fortes mas infinitamente gentis. Ele continuava não olhando para ela. "Por favor, diga que estamos fazendo a coisa certa." Ela sussurrou. Ele por fim olhou para ela, seus olhos acinzentados brilhantes devido as lágrimas "Nós estamos fazendo a coisa certa" "Eu te amo" ela disse. Ele levantou e a beijou lentamente que ela sentiu que segurava a respiração. "Eu também, esse é o problema" ela apertou a mão dele mais uma vez. Procurou sua força, virou-se e saiu pela porta. Dana passou o dia com café e cheia de força de vontade. Mergulhou seu pensamento em combinações de DNA e estruturas celulares. Ela saiu do trabalho mais cedo direto para pegar Julia na creche. Sua filha estava sentada numa das mesinhas vermelhas brincando com massinhas. "Mamãe Mamãe Mamãe Mamãe Mamãe!" Julia gritou e correu ao encontro dela jogando-se nos seus braços. Ela respirou profundamente o perfume de suco de maçã e baunilha de Julia. Ela estava aonde ela pertencia. XXXXXXXXXX Ë engraçado, quanto mais você finge que sua vida é normal, mais normal ela parece. Em casa, Dana fez a refeição favorita de Julia, sanduíche de queijo assado e sopa de tomate. Ela nem se preocupou com a bagunça que a filha fazia na mesa. Julia estava tão excitada por estar perto da mão de novo que não parava de contar como havia sido todo o seu dia mesmo ao mastigar o seu sanduíche. "Jerry e a espaçonave azul" bateu o recorde de leitura, foram cinco vezes e a cada uma delas Julia dava uma palmada no livro pedindo bis. Dana pensava ouvir o telefone várias vezes, querendo que John ligasse, mas o telefone permaneceu mudo. O único barulho no apartamento era sua própria voz lendo a história e a vibração de Julia além de som quase imperceptíveis vindos de uma apresentação de balé no telescreen. Ela não pensou em Mulder, não realmente. Precisava de uma força de vontade muito forte que fazia doer até seu maxilar. Julia deixou seu colo e sentou-se numa mesinha onde brincava com lápis de cera. Dana encostou-se no sofá e ficou a observar o pequeno rosto de Julia concentrado enquanto cantarolava. Ela lutou tanto para Ter sua filha. A vontade de ser mãe transformou-se em raiva e horror quando ela descobriu, após meses de tentativas que era estéril. Apesar de saber que ser incapaz de conceber uma criança não a tornava menos mulher, o fracasso do seu corpo foi um golpe para ela mesmo assim. Julia não imaginava que ela era um milagre. Ela foi o 16o bebê a nascer através da terapia de regeneração celular dada pelos Outros. Quase todo o dinheiro de John e Dana se foram e também o casamento deles, tudo pela busca de conceber uma criança. Por fim, Julia veio, era uma menina curiosa, inteligente e simplesmente adorável. Ela tem a curiosidade de Dana e a bondade de John. Ela era deles, uma mistura do material genético deles, seu último legado para o mundo. Ela não podia deixar sua família por Mulder, mesmo que ele estivesse disposto a deixar a dele. Ela não submeteria sua filha ao drama de famílias separadas, forçando-a a ir e vir entre apartamentos feito lançadeira. Ela sabia o quanto era difícil não Ter uma família para se apoiar e não queria isso para ela. Mas uma pequena voz perguntava no fundo da sua mente é certo sua filha crescer numa família onde a mãe está verdadeiramente infeliz? A situação era que ela não sabia se estaria infeliz nos anos que estão por vir. Agora, ela sabia estar certa sobre a infelicidade. Talvez, com o tempo ela poderia ser capaz de esquecer a noite extraordinária que passou com Mulder. Agora a dor estava viva e constante porém depois curará, certo? De todo o coração, Dana esperava que sim. Dana estava pronta para colocar suas emoções em cheque essa noite mantendo-as à distância até que perguntou "O que você está desenhando, querida?" de onde estava ela podia visualizar uma figura humana em azul e algo redondo e marrom. Julia levantando o desenho a fim de iluminá-lo disse "Isso é uma moça" e apontando para o outro "e isso é uma batata" Por alguma razão, isso fez Dana se debulhar em lágrimas. Alarmada, Julia correu e sentou –se no colo da mãe. Com suas mãozinhas no rosto de Dana "Não chore" tentando consola-la do mesmo jeito que ela fazia com a filha "Não chore mamãe". A voz da sua filha só a fez chorar mais. Finalmente ela abraçou a filha e beijou-lhe na cabeça "Eu estou bem" disse sorrindo e limpando as lágrimas "algumas vezes as mamães precisam chorar". Ela tirou Julia do seu colo e foi cuidar do banho dela. Ao pôr-do-sol eles pararam de trabalhar e foram até a praia com umas cervejas. O cão do vizinho ao avistá-los saiu correndo até alcançar a água. A brisa estava fria e a fez tremer mesmo com o suéter. Eles caminhavam pela areia lado a lado deixando as marcas dos pés. Um grande e outro bem menor. Eles chegaram até a beira da água e olhavam as ondas. Mesmo que ela tenha passado a maior parte da sua vida perto de um oceano ou de outro, ela sempre se surpreendia com os diferentes tons de cinza do Atlântico. A alta estação já acabara no Vineyard e a praia estava deserta e de alguma forma parecia abandonada. O cachorro saiu da água respingando gotas quando ele tirava seu casaco felpudo vermelho. Ela virou-se para o homem ao seu lado e observou o vento emaranhar seus cabelos. Ele o mantinha curto por um ano e isso lhe dava um ar mais vulnerável. "Isso é maravilhoso" ela disse alongando as costas. Ele sorriu "Parece um daqueles momentos do General Food International Coffee " Ela riu lembrando do slogan 'celebre os momentos da sua vida' na sua mente, ótimo agora vou me lembrar disso o dia todo. Virando-se para ela, colocou sua mão sobre o braço dela" Esse fim de semana pareceu como se estivéssemos vivendo a vida normal que você sempre quis, Scully" "É sempre bom sair da cidade" "Eu agradeço por você passar todo o seu final de semana fazendo jardinagem comigo" ela aproximou-se dele e pode sentir o suor dele "Para isso servem os amigos" Ele fez uma cara curiosa e rapidamente apertou a mão dela e largou assim que estabeleceu contato. Ele murmurou algo que ela não ouviu devido a quebra de uma onda. "O que você disse?" ela perguntou. Ele pareceu um pouco acanhado "Você é minha melhor amiga, Scully" Ela concordou "Você é meu melhor amigo, também" "Foi um ano difícil para nós, mas eu espero que você ainda saiba disso" "eu sei" Sem pensar sobre as possíveis implicações disso, ela elevou- se na ponta dos pés e pressionou um pequeno beijo nos lábios fechados dele. Ele recuou e passou a mão pelos cabelos. Ela estava com medo de Ter arruinado tudo. Todo o delicado equilíbrio existente durante todos esses anos que passaram juntos. Olhando para ela "O que isso significa, Scully?" Esse era o problema dela, suas intenções eram sempre difíceis para os outros, até para ele, entender. Ela decidiu tomar coragem e ir direto ao problema "Negócios não concluídos" "Você está se referindo ao acontecido no corredor do meu prédio?" o beijo que nunca aconteceu e que para ela era como um sonho quase consciente. Ela balançou a cabeça afirmativamente. "Eu não tinha....Eu não pensei....Eu pensei ser muito tarde para nós......tantos anos...."ele balbuciou. "Eu não acho que seja tarde para nada" ela disse sabendo que estava sorrindo "especialmente para nós. Só precisamos saber se estamos prontos." A expressão de espanto no rosto dele não tinha preso. Ela queria Ter uma camera ali. Porém, como se recobrasse os sentidos, ela mudava para uma expressão doce quase meiga "Nunca é tarde" e ele aproximou-se dela. O beijo foi diferente dessa vez. Longo, molhado, intenso. Ela sentiu o gosto dele e a sensação de estar completa. Eles conseguiram enfim. Quando pararam para respirar, ela não conseguia deixar de rir. Ele tocou os lábios dela "O que é tão engraçado?" "Nós definitivamente estamos prontos, Mulder" Um choro a acordou, mas não era o dela. Era o de Julia. Ela sentou-se e sacudiu a cabeça ainda presa ao sonho. O quarto estava escuro mas ela pode perceber o brilho do suor sobre o seu corpo. A praia, o beijo, as ondas, Mulder. Mulder? Que droga de sonho foi esse? Ela levantou-se e foi até o quarto de Julia. Sentou-se na beira da cama onde Julia enrolada no lençol chorava. "Você estava sonhando, docinho?" ela passou a mão pelo rosto da filha. Então, somos duas. "Cadê o papai?" ela perguntou abrindo os olhos com uma vozinha de dar pena. Ela aproximou-se e beijou Julia aproveitando para checar se a cama estava seca. E estava, graças a Deus. "Ele vai estar em casa logo" ela respondeu. "Eu preciso do papai" "Logo. Logo" e beijou Julia novamente. Ela levantou a garota e percebeu o quanto estava pesada. Não era a melhor coisa acostumar Julia a dormir na cama dos pais, mas ela não estava disposta a usar a psicologia infantil agora. Sua filha estava tendo sonhos ruins por causa do descontrole emocional que viu hoje. Ela precisava de conforto, e eu também. Na cama grande, Julia dormiu agarrada a mãe. Lutando contra o sono, Dana pensou como o subconsciente era algo estranho. Seu sonho tinha momentos do Antes. O mesmo homem que aparecera nos outros sonhos. Mas ele havia sido Mulder também. E a praia parecia demais com a praia do Netscape do Mulder. Ela havia tido sonhos assim antes. Quando trabalhava no laboratório que ficava no sótão do seu apartamento e John era seu parceiro, não Meghan. Os sonhos eram misturados, distorcidos. Mas....e se? Não. Não podia ser. Seu subconsciente estava procurando por uma desculpa para o que ela e Mulder fizeram. Ela não podia, nem iria, confiar numa confusa lembrança de um sonho. Não era o tipo de prova que ela precisava. Ela virou-se de bruços para tentar dormir. Ela procurou lembrar de como era sentir o corpo de Mulder sólido e suado abraçado a ela. Porém, ela estava perdendo a habilidade de imaginá-lo em três dimensões. Talvez fosse uma benção, afinal. John estaria em casa em poucos dias e ela precisava esquecer aquela noite para sobreviver. Ela fechou os olhos tentando não pensar em Mulder e acabou adormecendo. "O que você quer comer? Podemos pedir uma pizza ou você quer..." Dana e Julia estavam entrando no apartamento, mais tarde que o normal devido a uma passada para compras numa loja para crianças. Dana parou no meio da frase e bem na porta. As luzes da sala estavam acesas e o ar cheirava a alho e tomate. Julia entendera antes de Dana. Ela abriu os braços e correu gritando "Papai!" John estava em casa. XXXXXXXXX O coração de Dana começou a bater irregularmente. Oh, Deus. John está em casa. Ele veio da cozinha vestindo uma calça jeans velha e uma blusa azul. Ele inclinou-se para pegar a filha nos braços. Deu um beijo na cabeça de Julia e disse "Oh, Jules eu senti tanto a sua falta" Que cena linda, Dana pensou olhando com uma estranha imparcialidade. Que família adorável formamos- um marido e pai lindo, uma mãe e esposa devotada e uma graciosa e precoce garotinha. O que está errado nesse quadro? Eu estou errada nesse quadro. John colocou Julia no chão e andou até Dana.com impaciência, seus olhos brilhantes de emoção "Dana" ele galou "Deus, é bom vê-la de novo" Dana respirou fundo quando ele colocava os braços ao redor dela. É tempo de recomeçar, pensou. Este é seu marido e você o ama. Ele inclinou a cabeça dela para beijá-la. Os lábios dele tinham gosto de molho de tomate. Julia rodopiava ao redor deles cantando "Papai está em casa, la la la, papai está em casa..." John olhou para Dana com um olhar de indagação. Ela imaginou se ele podia de alguma forma, perceber tudo o que aconteceu através dos olhos dela. Mas ele apenas disse "Como você está? Você parece cansada." Ela forçou um sorriso brilhante "Eu não dormir muito bem enquanto você estava fora." Não era exatamente uma mentira. "Desculpe não Ter ligado quando cheguei. Foi ao meio-dia, tirei um cochilo e decidi surpreendê-la com o jantar." "E conseguiu". Isso definitivamente não era uma mentira. Ele beijou-a novamente e puxou-a pela mão "A massa deve estar pronta. Venha, vamos comer." Depois do jantar, os três permaneceram na mesa da cozinha comendo sorvete de chocolate. John contava as novidades sobre São Paulo. Uma cidade construída pelos Outros assim como a que eles viviam mas que procurava desenvolver-se através das tecnologias aprendidas. Ele falou sobre o calor e os mosquitos. Coisas que Dana não se lembrava como era. Era de alguma forma triste saber que sua filha não sentiria frio ou a chuva. Dana sentia falta da chuva. Ela lembrava do frio que sentia quando andava pelas calçadas com um guarda chuva e das gotas que respingavam no seu rosto. A cabeça de Julia estava prestes a desabar no colo do pai quando ele terminou de contar as novidades e foi só ele olhar para baixo e ver que ela estava quase adormecendo. Com uma face carinhosa ele disse "É hora de colocar a mocinha na cama" Ela levantou a cabeça "Cama não" ela disse confiante. John e Dana trocaram olhares. "Eu vou ler uma história para você" Nenhum dos dois queria ser subornado pela filha. "Jerry?" ela perguntou. "Temos que comprar outro livro para ela" Dana disse. John levantou-se e colocou Julia nos ombros "Nós leremos Jerry mas primeiro você precisa de um banho. Tem mais macarrão e sorvete no corpo do que no estômago." Ele deu um tapinha no bumbum dela e ela riu. É por isso que não posso ficar com o Mulder, ela pensou. Levantando e colocando os pratos sujos na máquina de lavar. Esse calor e companheirismo de família é raro e precioso. É amor verdadeiro. Eu não quero ser tão egoísta. Julia correu até a cozinha já nua e agarrou-se as pernas de Dana "Banho não, banho não". John apareceu segurando o vidro de shampoo "Vamos, Julia. Sem banho, sem Jerry" Julia largou das pernas de Dana e caminhou até o pai "Está bem, vamos tomar banho" "Eu tentarei me apressar" ele disse agora sorrindo "Você e eu temos algumas coisinhas para acertar." Foram quase três semanas e ela sabia que John provavelmente queria ir para a cama e fazer amor com a esposa. Ela esperava que ele não estivesse tão ansioso por isso e esperava que ele não visse o temor que a tomava agora. Ela terminou de arruar a cozinha e foi para o quarto trocar seu pijama. Se fosse em outra época ela colocaria uma lingerie preta ou iria sem nada para cama, mas não hoje. Quando deitou na cama pode ouvir a voz de John lendo para a filha. Será que Sarah já retornou de Boston? Estaria Mulder passando pela mesma situação que ela com a esposa? Será que ele estava com medo também? Chega de Mulder. Você tem que aprender a esquece-lo. Era um estranho paradoxo que Dana estava sentindo agora como se estivesse prestes a trair Mulder quando deveria ser o contrário. Ela ouvia a porta do quarto de Julia se fechar e os passos de John no corredor em direção ao quarto. Ele tirou a roupa e colocou por cima da cadeira e não abriu a gaveta para tirar uma camiseta e calças. Isso significava que ele vinha para cama esperando fazer amor. E ele não tinha esse direito? Afinal, ela era sua esposa e eles estiveram separados por um bom tempo. Ela pensou escapar fingindo estar dormindo, mas ela não podia. John deitou-se na cama por debaixo das cobertas e moveu-se contra as costas dela. Ela podia sentir a ereção dele sob a cueca. Este é seu marido, ela disse a si mesma. Você o ama. "Dana" ele sussurrou no ouvido dela "Eu estou tão feliz por estar em casa." Ela virou-se para encará-lo, com os dedos tracejava as formas familiares do seu rosto. Ela prometera a esse homem sua vida inteira, seu corpo e sua alma. Eles começaram a se beijar e mesmo não tendo vontade, a excitação parecia começar a tomar conta dela. Que vadia eu sou, parece que qualquer homem pode me excitar a qualquer hora. John tinha um sorriso radiante "Eu sonhava com isso quando estava fora" ele dizia enquanto tocava os seios dela com as mãos "Eu quase mandei o pessoal se ferrar e tomei o próximo avião para voltar" Eu queria que tivesse feito assim não estaríamos nessa confusão. Ela gemeu de prazer quando ele circulava sua língua nos seus mamilos e sua mão deslizava para o meio das pernas dela. Ela sentou-se um pouco para tirar a cueca dele e tocar a ereção dele com as suas mãos. Ele já se preparava para penetrá-la quando ouviu "Não" "Não?" ele piscou confuso. Ela saiu com dificuldade debaixo dele e ficou de quatro. "Dana, o que deu em você?" ele perguntou. Nem ela sabia. Eles nunca haviam feito dessa maneira antes em todos esses anos. Nem havia lhe ocorrido até essa noite. "Você é impressionante" ele murmurou. Ela agarrou os lençóis com os dedos esperando por ele. E então a boca de John estava nela, lambendo-a como se fosse uma fruta exótica. As costas dela curvaram-se até que sua testa tocasse o lençol. Ela fazia sons sem sentido devido a sensação da língua dele nela. John nunca fora muito adepto do sexo oral mas com o tempo ele aprendera a dar prazer a ela. Mas sua mente traiçoeira a colocou numa fantasia de como seria se as coisa fossem diferentes. ....eles chegaram a porta do apartamento ao mesmo tempo, ambos vestidos em seus ternos vindo do trabalho. Assim que entraram, Mulder deu-lhe um rápido beijo "Eu pensei em você o dia todo". Eles seguiram para o quarto. Ela tirou sua jaqueta e começou a desabotoar a blusa. "Não há tempo para isso" ele disse removendo a saia dela expondo a calcinha. Ele retirou a calcinha e ela desabotoou a calça cinza dele deixando-o apenas com sua ereção livre no seu boxer. Ele a colocou na cama e virou-a de costas, suas pernas tremiam ansiando por ele Não havia preliminares, trocas de carinho apenas o desejo de tê-lo a penetrando. Ele estava dentro dela agora. Eu te amo ,ela pensou, eu amo eu amo eu amo você. Seus dedos procuravam pelo clitóris dela e um som escapou da garganta dela. "Mais" ela murmurou "Me dê mais" quando ela atingiu o orgasmo, os sons que fazia eram tão violentos quanto a sensação que percorriam todo o corpo dela.... e então ela estava de volta a sua própria cama surpresa, sentindo ainda o clímax ela dizia "amo, amo,amo você" "Eu também" John disse penetrando-a mais forte. Quando ele atingiu o orgasmo, deixou-se cair sobre Dana. A cabeça dele a altura do pescoço dela. Quando Dana levantou a cabeça do colchão e percebeu que este estava molhado pelas lágrimas dela. A vergonha que sentira por pensar em Mulder enquanto fazia amor com John a fez chorar sem controle. Mas tinha que parar, controlar- se. Eles estavam deitados lado a lado beijando-a suavemente Isso foi incrível " ele disse ainda respirando forte "Eu nunca a vi tão...selvagem antes. Você deve Ter sentido muito a minha falta, hum?" Ela balançou a cabeça afirmativamente. John estava certo. Na cama com ele, ela sempre era passiva deixando que ele assumisse o controle. Ele nunca reclamara, mas agora ela imaginava se ele não preferia ela totalmente desinibida. "Você é cheia de surpresas, Dana. Logo quando eu pensava Ter controle sobre você..." Eu poderia surpreende-lo a ponto de assustá-lo, mas não agora, nem nunca. Como sempre john adormeceu quase imediatamente. Mas ela não podia, sua mente estava ocupada com os pensamentos de culpa. Ela libertou-se dos braços de John que continuava a dormir cansado da viagem e do sexo violento. No banheiro, ela tomou um banho quente, vestiu o robe e foi para a sala. Não era nem meia-noite. Com uma xícara de chá verde, ela conectou-se ao computador. Ela nem sabia porque estava checando seu serviço de mensagem, pois sabia que não encontraria nenhuma mensagem de Mulder. Eles definitivamente tinham se despedido aquela manhã. Ainda assim, ficou decepcionada por não encontrar nenhuma mensagem dele. Sentindo como se estivesse fora do seu corpo observando a si mesma, ela digitava o caminho para o Netscape do Mulder. O serviço a avisou que ele não estavas na rede. Mesmo assim, ela permaneceu em frente a porta imaginando se o software a deixaria entrar. um pouco depois, ela foi puxada para dentro da praia. Desta vez, a praia estava muito escura. A única luz era a vinda da lua e de algumas estrelas. Dana olhou ao redor impressionada. Era realmente a mesma praia que ela estivera no seu sonho na noite passada. Como eram estranhos os sonhos ... Dana tirou seus sapatos e meias virtuais e começou a andar pela areia úmida, a água tocando seus pés. Depois de um tempo, ela começou a chorar. Ela imaginava como seriam as lágrimas verdadeiras no ciberespaço. Quando ela finalmente se desconectou, viu-se na sua sala, seu rosto molhado. XXXXXXXXXXXXXX Quando a manhã virava tarde, Dana estava no seu pequeno escritório presa a um discurso que precisava fazer para o Simpósio que seria em Março. Elas não gostava muito de falar para grupos grandes de pessoas mas ela estava pensando na viagem com Meghan até Londres para a conferência. Ela queria conhecer algumas partes da cidade que fora destruída e reconstruída como o Palácio de Buckinghan. Ela inclusive já tinha alguns guias da cidade no seu palmtop. Ela estava pensando numa piada para abrir o discurso quando ouviu um pequena batida na porta "Entre" ela disse. Meghan entrou "Dana, Fred eu e Jenny vamos até a cafeteria almoçar. Quer vir conosco? " Ela balançou a cabeça negativamente "É a única oportunidade que tenho para terminar esse discurso essa semana." "Você tem certeza? Nós não conversamos a dias." "Apenas muito trabalho para fazer" ela disse tirando os óculos e esfregando os olhos. "Ok, não esqueça dos últimos resultados que o Fred vai nos dar às três." "Eu estarei lá." Mais café, ela pensou quando Meghan saiu, enchendo a caneca novamente. O sono teimava em vencê-la e só a cafeína a deixava concentrada no trabalho. Ela chegou a fantasiar sobre estar sozinha num quarto de hotel longe dos seus problemas e conflitos apenas assistindo a vários filmes no telescreen e dormindo numa cama confortável. Mas isso não iria acontecer, havia muito por fazer. Outra batida na porta "Meghan" disse numa risada curta "Eu te disse que tenho que trabalhar no meu discurso" "Ë uma hora ruim, Dana?" o sangue minguou da sua face e ela pensou que iria desmaiar. Mulder, que diabos você está fazendo aqui? Ele entrou e fechou a porta. Ela o observava, segurando sua pasta uma expressão nervosa no rosto dele. "Desculpe aparecer assim, mas eu tinha uma reunião do outro lado da rua" ele colocou a pasta próxima a mesa dela e abriu "Você esqueceu seu presente de aniversário quando saiu" ela fechou os olhos por um momento e pôs a mão sobre a bochecha "Eu não acredito que esqueci" ela levantou-se e pegou o livro de couro preto das mãos dele. Com um pequeno toque das suas mãos na dele, ela tremeu. "Eu queria que ficasse com isso" ele virou-se para sair e viu um porta retrato sobre a estante. Era uma foto dela , John e Julia no segundo aniversário da filha. Dana estava acendendo as velas do bolo enquanto John segurava Julia. Outras crianças riam e tentavam apagar as velas. Ele encarou a fotografia por um longo momento "Então, esse é John." Ela balançou a cabeça afirmativamente. Está certo. Mulder e John não se conhecia. Era bom Mulder saber quem era o homem na vida dela e que era real, como Sarah era real para Dana. Ele virou-se para ela, seus olhos infinitamente tristes "Como você está, Dana?" Ela encolheu os ombros "Estou bem" Ele deu alguns passos para aproximar-se dela. Estavam próximos a ponto de Dana sentir o cheiro dele, ou imaginar que sentia "Eu não estou" ele disse "Eu não estou indo muito bem". Ela deu dois passos na direção dele, olhando para aquele rosto tão bonito. "Vai levar algum tempo" Ele segurou suas mãos nas deles. Suas mãos eram quentes como o corpo dele no meio da noite "Eu não sei se conseguirei te esquecer, e nem se quero." "Mas nós temos que esquecer" ela disse tentando parecer convincente mas seu corpo a traíra quando ela o beijou. Nada mudara nesses dias. O beijo era tão intenso e completo como antes. Beijar Mulder era tudo, fazia cada beijo que ela dividira com John parecer superficial e desanimador. A boca dela abriu-se para ele e ambos suspiraram quando sua línguas encontraram-se. Ela puxou seu corpo para junto do dela, sentindo o calor dele. Sua ereção pressionada contra a sua barriga. Ela se pegou pensando em fechar a porta brevemente e deixar-se amar Mulder mais uma vez. Melhor, ela queria passar a tarde toda no Cascade Falls entre os lençóis e agarrada a ele dividindo seus segredos. Eu não amo John, ela pensou, não desse jeito. Eu o amo pela história que compartilhamos, pela responsabilidade, pela sua imensa bondade. Mas eu nunca o amarei totalmente como amo o Mulder. Ele largou os lábios dela limpando os seus com as costas da mão. "Eu não posso fazer isso" ele disse "Nós não podemos nos esconder. Não é assim que eu quero." Ela baixou a cabeça envergonhada "Me desculpe. Está claro que não podemos ficar sozinhos. " "Eu não sei o que fazer" ele disse. Esse não era o refrão constante na relação deles? "Nós temos que dar uma chance ao John e Sarah. Nós devemos isso a eles." Ele concordou. Bem que podiam ser menos honrados e simplesmente esquecer seus votos e ficar juntos. "Espero que nós consigamos." Ele disse limpando as lágrimas. "Eu também" ele pegou a sua pasta e saiu sem dizer mais nada. Dana sentou-se novamente, as mãos tremiam no seu colo. Ela não tinha tempo para chorar, tinha um discurso para fazer. Tomando outro gole do café, voltou ao trabalho. XXXXXXXXXXXXXXX Blinded by white light Parte 4 XXXXXXXXXXXXX O metrô estava cheio. Ela sentou-se e ouviu uma voz melodiosa vindo do alto- falante "Cuidado, estamos fechando as portas. Próxima parada Binghanton Crossing" Ela observava as pessoas nos carros. Umas pareciam relaxadas e felizes conversando ou lendo, outras pareciam estressadas. Ela imaginava se ela parecia tão deprimida e arrasada como se sentia. Ela procurou na sua bolsa até que encontrou o diário. Que presente maravilhoso. Jóias e perfumes eram bons mas ela nunca recebera nada tão significativo quanto isso. Mulder tinha uma habilidade sobrenatural para conhece-la, para saber o que o coração dela precisava. Ela abriu a capa e tocou a fina página de papel. Não fazem mais papel como esse hoje. Tudo é eletrônico. Havia algo escrito na Segunda página. Ela fez um som tão estranho que o homem ao seu lado olhou-a curioso. A escrita estava em tinta preta. A letra era pequena e angular e ela sabia que era de Mulder mesmo nunca tendo visto a escrita dele. Com medo misturado a excitação ela leu o que estava escrito ali. Desejando. Eu desejo sua boca, sua voz seu cabelo. Silencioso e faminto eu rondo pelas ruas Pão não me alimenta, apenas me transtorna todos os dias. Eu procuro por seus passos. Eu estou faminto pela sua risada macia, Suas mãos da cor da colheita selvagem Faminto pelas sua pálidas unhas Eu quero devorar sua pele como a uma amêndoa. Eu quero comer os raios de sol que flutuam sobre seu corpo adorável, O seu nariz soberano na face arrogante, Eu quero comer a sombra fulgás dos seus cílios. E continuar faminto, sentindo o crepúsculo Procurando por você, pelo seu coração quente Como um puma no árido Quitratue. Pablo Neruda Não há razão, nem desculpa para o nosso amor, Dana mas está inegavelmente aqui. Nós fizemos nossa escolha, pretendemos honrá-la. Mas isso não muda como me sinto e suspeito que o mesmo vale para você. A noite que passamos juntos irá continuar brilhando ma minha memória pelo resto da minha vida. Com amor, M. Fevereiro,2004. Ela terminou de ler o poema, fechou o livro e olhou para cima fixando os olhos no túnel de concreto por onde passavam depressa. "O nariz soberano na sua face arrogante" ela sorriu tocando seu nariz. Mulder, eu não sabia que estava tão solitária até te encontrar. "Estamos nos aproximando de Morningside Heights. Por favor, ande cuidadosamente sobre a plataforma." A brilhante e cheia estação do metrô a sobressaltou os sentidos quando deixou o trem. Ela esbarrou num senhor e depois em um a lata de lixo. Eu tenho que sair daqui. Ela andou o mais rápido que podia passando pela multidão de pessoas e crianças. Quando chegou a escada, sentiu uma onda de náusea a invadir, pontos brilhantes na sua vista. Não. De novo não. Ela correu para chegar ao banheiro a tempo. Era tarde demais. Ela provocou numa lixeira próxima ao banheiro. A vergonha tomou conta dela quando via os passantes a olharem. Ao levantar a cabeça da lata, viu um rosto familiar. "Merda" Evan gritou "Você está bem, Dana?" ela balançou a cabeça negativamente enquanto a enxaqueca aumentava. Ele a conduziu até uma cadeira e disse "Eu volto já." Dana tentava respirar fundo de olhos fechados enquanto a dor tomava conta dela. Evan voltou com uns guardanapos de papel e uma garrafa de água. Ela pegou a garrafa e tentou abrir mas seus dedos fracos não conseguiram. Ela gritou em frustração. Seu salvador removeu a tampa e devolveu a garrafa para ela. Ela tomou um longo gole querendo livrar-se do gosto do vômito presente na sua boca. "Você comeu algo que lhe fez mal?" ela negou e viu que Evan estava diferente da última vez que o vira. O cabelo dele era de estilo afro vermelho com vários fios e tranças. "Uma enxaqueca" ela sacudiu os ombros "Acontece algumas vezes." "Vou levá-la para casa." dizendo isso ajudou-a a se levantar. Os dois quarteirões até o apartamento parecia uma eternidade. Seu estômago doía e sua cabeça latejava. Evan acompanhava seus passos com os braços ao redor dela para apoiá-la. No elevador, ela encostou-se na parede e quase implorou para não ouvir a música clássica que tocava no ambiente. Ele a levou até a porta do apartamento "Espero que fique bem logo". "Obrigada por me socorrer" ela disse apertando a mão dele e beijando-o no rosto só para ver a expressão embaraçada dele. "Eu ainda não tive tempo de procurar por seu amigo. Vou fazer isso assim que possível" "Não se preocupe" Mulder se foi agora. Ela nunca mais o veria. O que aconteceu no seu escritório hoje deixou isso bem claro. A porta se abriu e John apareceu já vestido com suas roupas de casa. Ele empalideceu ao ver Dana "Você está bem?" Antes de responder, ela sentiu a náusea aparecer de novo e correu para o banheiro. No caminho, ouviu Evan explicando sobre a enxaqueca e o ocorrido na estação do metrô. Ela saiu do banheiro com seu Migranex nas mãos. "outra, hein? Quando foi a última? John perguntou com Julia pendurada nas suas costas. "Há alguns dias atrás" ela tirou a blusa e jogou no chão. Normalmente ela colocaria a roupa no cesto mas a dor era tanta que não se importava. John deu a ela um pijama. "Prometa que vai procurar seu médico pela manhã." Ele beijou a cabeça dela e ela concordou. "Descanse um pouco. Vou tentar manter Julia calma e ocupada." "A mamãe está doente? Julia perguntou. "Só um pouquinho. Vamos fazer algumas quesadillas?" depois de se trocar ela foi para a cama sentindo as drogas tomarem conta dela mas não diminuíam a dor. Sua cabeça parecia querer partir-se em mil pedaços. Respire, apenas respire. Dor, dor vá embora, volte outro dia. Chuva, chuva, vá embora e volte outro dia. Chuva, chuva, vá embora e volte outro dia. Missy e eu costumávamos cantar essa música no caminho da escola para casa. Nós gostávamos de pisar nas poças d'água até ficarmos com nossas calças ensopadas. Mamãe ficava louca mas era tão bom poder pular e deixar Missy toda encharcada e ela fazia o mesmo comigo. Chuva deslizando pelas janelas enquanto eu me enrolava no sofá, um resto de fogo na lareira, tentando ler através da dor. Esperando que as drogas fizessem efeito. Posso contar meu segredo? Na minha bolsa, há um compartimento fechado onde guardo um saco plástico com 75 pílulas para dor. Esse é meu segredo de estado. Eu não posso contar a ninguém. Quando a dor se intensificar e eu não puder mais agüentar, pego a bolsa e vou para um hotel. Me registro, pego um bom copo de vinho e uma a uma as engulo. Eu só farei isso se for necessário. Eu preciso morrer com dignidade. Eu até já escrevi minha carta para você. Deus irá me perdoar, eu sei. Eu não acredito que ele queira que eu sofra até o fim, fique cega, perca minhas funções motoras, me torne uma inútil presa a uma cama enquanto o invasor me devora por dentro. Deus não pode ser tão cruel. Eu lutarei até o fim, mas no momento em que a batalha estiver perdida, eu desistirei. Será que é como dormir? Fique comigo hoje à noite, fique comigo. De manhã você pode ir para o seu quarto e desfazer a cama como se tivesse dormido lá. Eu sei que é contra algumas regras mas fique comigo. Hey, Scully você sabia que beijar em romeno, a linguagem dos ciganos, literalmente significa comer? Se eles querem dizer 'Eu quero te beijar' eles dizem 'Eu quero comer sua face?' Eu precisava saber disso? Você sabe que fala quando dorme? Pai, o senhor nunca o conheceu, eu queria que você tivesse. Eu sei que você desaprovou minha última escolha, o rumo que decidi seguir, mas sei que você se orgulharia de mim de alguma forma. E acho que você teria aprendido a gostar dele. Ele não é nada parecido com você, mas tem a mesma força de espírito e ele me ama. Ele me ama de um jeito que Jack e Ethan nunca conseguiram, com total rendição. E eu o amo completamente observando você e a mamãe durante todos aqueles anos ensinando-me que algo assim é possível. Não é possível, não posso acreditar. O mundo não vai acabar. Elesestãovindo,elesestãovindo,elesestãovindo... Levante, levante, nós temos que correr. Temos que pegar alguns suprimentos e nos esconder e fazer o possível para sobreviver. Dois dias e duas noites e tudo termina. Você se lembra quando fugimos daquela vez? Um fim de semana em NY, desconhecidos alegres na multidão, ignorando casos pendentes comendo em bistrôs como Choucroute, bebendo muito vinho e como voltávamos cambaleando para o nosso quarto no Plaza para fazer amor. O cheiro do nosso quarto ao pedirmos rosas e café e jornal depois de acordar misturado com nosso suor e nosso amor nos lençóis. Voc6e se lembra? Eu me lembro. Perdoe-me, Pai, eu pequei. Já fazem cinco anos desde minha última confissão. Eu cometi o pecado do adultério. Eu me apaixonei por um homem que não é meu marido. Eu pequei porque eu o amo. Ele quer saber meus segredos e eu os dele. Se eu te contasse, John, você me ouviria? Porque você não pode entender que eu preciso me lembrar? Diga o ato de contrição e uma década de terços, Dana. Peça o perdão de Deus. Eu não sei se quero ser perdoada. Não sei se preciso ser perdoada. Nós ficaremos juntos na outra vida, eu prometo. Eu quero acreditar, Scully. Eu olho para a terra arruinada abaixo de mim e me pergunto porque custei tanto a acreditar. Quando acordo, estou tossindo. Eu quero que minha mãe venha até minha cama com uma colher de xarope e um bolsa de água quente. Eu quero a sopa dela de macarrão e galinha e a mão quente dela na minha testa. Não esta noite, Scully. Não há tempo. Vamos apenas nos manter aquecidos, por favor, mais uma noite, quero ver outra manhã com você. Abaixe a arma. Abaixe a arma, você é mais forte que isso. Desgraçado! Eu bato minha mão sobre a mesa com tanta força que sinto que quebrei um pequeno osso, mas a concentração deles não se dissipa. Eles estão focalizados na morte. Não se deixe ser levado, você é mais forte que isso. Oh, Deus você pode ouvir? Pode sentir isso? A terra está tremendo abaixo de nós. Segure minha mão, é isso. Eu sempre soube que morreríamos juntos. Fortes como somos, um não poderia sobreviver sem o outro. Você pode imaginar algo assim? Está chegando. Antes foi apenas um ensaio. Um ato de vandalismo. Isso é real. Nós estaremos juntos na próxima vida. Olhe, o céu, que bonito. É adorável... Segure minha mão. É isso. Nós chegamos ao fim. Parece tão íntimo. Nós terminamos juntos. A luz no seu rosto acordou Dana e ela sentiu a mão de John na sua bochecha. O que? Ela murmurou, a dor continuava na sua cabeça. "Levante-se amor, nós temos que levá-la ao médico." Ele disse com uma voz gentil. Ela balançando a cabeça como uma criança teimosa "Eu não preciso de um médico, eu sou ..." Ele a interrompeu "Você está sangrando" Ela elevou a mão ao rosto instintivamente ao seu nariz. Ao afastá-la, viu o sangue vermelho espalhado por ela. XXXXXXXXXXXXXXX Mais tarde, Dana seria incapaz de lembrar da sua viagem até a clínica de emergência. Ela apenas tinha imagens dispersas de pressionar alguns lenços sobre o nariz e tentar respirar constantemente apesar da dor insistente. Ela nem se lembrava se John e Julia estavam no carro. As coisas clarearam quando chegaram a clínica. Na sala de espera quase vazia, o enfermeiro lhe disse após um breve exame que a espera seria longa "Desculpe" ele disse pressionando seu ombro desculpando-se "mas nossa equipe está reduzida hoje e temos um ataque cardíaco, um caso de queimadura e uma overdose de drogas." Eles sentaram-se. John segurava Julia adormecida em duas cadeiras. Sua cabecinha sobre o travesseiro que o enfermeiro lhe dera. Passava das quatro da manhã e John não quis acordar nenhum dos seus amigos para ficar com Julia. Dana estava meia lerda, sentada vestida em seu pijama, ela fazia uma bola com os lenços. O sangramento parou. Não fora uma grande quantidade de sangue, apenas gotas vagarosas pingaram ao longo do caminho até a clínica. Dana não sabia porque esse sangramento a aterrorizava. Ela era médica, estava acostumada a ver sangue todo o tempo. Admita, você é uma pesquisadora, não envolvida com o cuidado direto a pacientes mas ela se lembrava de uma época que praticava patologia forense e estava sempre em contato com a morte. A dor diminuíra e ela podia pensar novamente. Mesmo que a sala de espera tivesse sido projetada para ser um ambiente calmo com um aquário, alguns brinquedos para crianças, cadeiras confortáveis em azul royal, Dana a achou depressiva. Havia um casal no canto da sala, de mãos dadas, um grito de dor ecoou no corredor e sentiu o cheiro de desinfetante hospitalar. John pediu licença e foi dar alguns telefonemas. A manhã iria ser longa na clínica e ele precisava fazer planos para Julia e rearranjar alguns compromissos. Ela imaginava se tinha ocorrido a John que este fora o lugar onde ela estivera quando sofreu os seus dois abortos. Ambas as vezes ela estava no trabalho e de repente sofrera hemorragias e foi trazida de ambulância para uma pequena sala onde o médico lhe dizia que não poderia salvar a criança. Dana acariciou o cabelo de Julia, sua sobrevivente, a única que suportou até o fim, sendo trazida ao mundo chorando devido o impacto do ar frio da sala de operação. Pelas portas de vidro, ela esperava um táxi após o seu segundo aborto, John ao seu lado. Pálida e fraca, ela entrou no carro sentindo-se fracassada por não conseguir segurar esse bebê mais uma vez. "Vai ficar tudo bem, Dana" John dizia e sorria "Nós tentaremos novamente" Tentar novamente? Ela teve que se controlar para não gritar com ele. Ela não faria isso de novo. Não deitaria numa mesa em uma sala de emergência enquanto um residente de ginecologia e obstetrícia retirava o resto do seu bebê do seu útero. Nunca mais. Seis meses depois ela estava na clínica de fertilidade para tomar outra injeção intravenosa. "Dana Scully?" Ela olhou e viu a Dra. Rebecca Hausen, a mesma que a viu passar por dois abortos e quem lhe deu as más notícias da melhor maneira possível. Será que lembrava-se dela? Ela disse "Engraçado encontrá-la aqui. Eu entendo que esteja passando por uma péssima enxaqueca." "Sim" ela disse levantando-se rápido demais que pensou que iria desmaiar. "cuidado" a médica disse segurando-a pelo braço. John voltou e sentou-se ao lado de Julia acenando para Dana. "Ela é linda" Rebecca disse com um sorriso "Fico feliz que tenha dado certo com você" Na sala de exame, a médica olhou o registro médico de Dana pelo computador e fez um exame rápido e profundo. Atualizando a ficha dela perguntou "O que você comeu ontem?" Dana esforçou-se para lembrar "Comi algumas torradas e um iogurte no café. Não almocei. Estava trabalhando e esqueci de almoçar." "E o que você bebeu?" "Hum... vejamos...uma xícara de chá inglês pela manhã e café." A médica levantou a sobrancelha "Quanto de café?" "Eu não me lembro" Dana encolheu os ombros, incapaz de lembrar a quantidade "umas quatro ou cinco xícaras talvez" "Dana" Rebecca disse suspirando "você é médica. Deveria saber que com o seu histórico de enxaquecas você pode tomar no máximo duas xícaras de café se estiver alimentando-se corretamente." "eu tenho andado muito ocupada. Precisava da energia." "Bem, sua saúde é mais importante. Você disse que seu Migranex não ajudou muito dessa vez?" "Eu tomei duas doses, mas a dor era constante mesmo depois de tomá-las. Eu dormi um pouco mas minha cabeça continua doendo." "Resistência ao Migranex já foi documentada em algumas revistas. Há uma nova droga, Madonex. Ela está sendo um sucesso nos casos mais severos de enxaqueca. Vou lhe dar uma dose mas somente depois de uma intravenosa. Você está muito desidratada." Ela estava com medo de perguntar, mas tinha que saber "E o sangramento no nariz?" "Sangramentos no nariz não são comuns em casos de enxaqueca, mas podem ocorrer. Um pressão maior nos seus vasos capilares...Vejo pela sua ficha que o Dr. Young nunca fez uma tomografia. Faz idéia porque? "Ele disse que a minha enxaqueca era tão comum que não valia a pena me expor a testes." Dra Haglen riu "A medicina social, mas eu provavelmente teria feito o mesmo. Sou capaz de apostar meu pagamento da semana que a sua enxaqueca foi causada por consumo exagerado de café, pouco sono e stress." Stress era uma palavra para definir a última semana na vida de Dana. "Eu vou providenciar para que a enfermeira venha aplicar a intravenosa e você irá descansar por mais de uma hora enquanto se reidrata. Depois, iremos para o andar de cima realizar o teste. Eu não quero lhe dar nenhum anestésico pois ele a deixara sonolenta. Acha que pode suportar a dor um pouco mais?" "Já não está tão ruim quanto antes." "Ótimo" Rebecca disse e saiu da sala. Dana estava deitada na cama e ao redor ouvia os barulhos da clínica. As gotas de soro entrando pela sua veia na mão esquerda, o bipe dos monitores e o sistema de altofalantes anunciando "Dr. Patel apresente-se na radiologia. Dr. Patel na radiologia. Quanto mais ficava ansiosa, a dor aumentava. Ela tentava se controlar. Respire devagar, calmamente dizia a si mesma. Ela tentou se lembrar do confuso sonho que teve esta noite mas estava além do seu alcance, como a letra de uma velha canção que se lembrava parcialmente. Pense em algo bom, ela disse a si mesma, uma lembrança agradável não fragmentos que provoquem sofrimento. Dana fechou os olhos esperando por algo bom. Pela primeira vez, funcionou. Ela respirou fundo e se lembrou. Os pratos estavam na lava-louças, os restos do peru e das outras coisas guardadas em vasilhas de tupperware. Tara e Sally colocaram os seus casacos e foram dar uma volta no quarteirão e fofocar um pouco. Os homens pegaram seus pedaços de torta e foram para a sala assistir o jogo. A julgar pela gritaria, os Redskins estavam ganhando. A mãe dela trouxe a garrafa de Bayle's e colocou um pouco no café delas. Estavam sentadas na grande mesa da cozinha, o lugar de tantas refeições na infância. Maggie olhou-a de um jeito que dizia a Dana que elas teriam uma conversa séria. "Fale-me sobre ele." Sua mãe disse tomando um pouco do café. Ela sorriu "Eu já falei" "Querida, anunciar a novidade que vocês agora formam um casal cinco segundos depois de chegar não é a mesma coisa que falar dele para mim" Ela percebeu como a mãe dela estava bonita no seu vestido azul safira, seu cabelo ondulado. Durante aqueles anos horríveis quando Melissa e seu pai morreram, Dana foi seqüestrada e esteve muito doente, Maggie adquiriu um olhar assustado e cansado. Agora seu rosto está brilhante e bonito, ela está contente por estar cercada pelas pessoas que ela ama no dia de Ação de Graças. Dana cortava uma fatia de torta de maçã "O que você quer saber, mãe? Você conhece ele quase pelo mesmo tempo que eu." "Claro que o conheço, eu gosto dele. Mas quase toda vez que estive com ele foram momentos de crise. Eu quero saber como ele é com você agora que estão juntos?" ganhando tempo comendo a torta, Dana pensava no que dizer a sua mãe. Ela não queria dizer a mãe como acordara na manhã seguinte na Vineyard depois da primeira noite deles juntos. Sua cabeça sobre o peito dele sentindo o cheiro dele após a noite em que fizeram amor, percebendo que ela sempre soubera como seria esse cheiro. Não queria dizer à mãe como poderiam ser tão carinhosos um com o outro. Era muito pessoal. Dana descobriu que por trás do cinismo deles cada um tinha uma profunda admiração e respeito pelo outro. Ela não queria dizer o quanto se sentis viva nesse último mês. Ela se viu vestindo roupas mais claras, usando sapato alto, cantando no caminho para o trabalho canções dos anos 80. De alguma maneira, ela sentia que tinha mais energia para continuar a luta. Ela não queria contar que aprendera que ser a mulher dele não afetara a parceria deles. Ela estava preocupada com isso, destruir o yin e yang que fazia da sua parceria um sucesso. Principalmente, ela não queria dizer que mesmo estando felicíssima com a união deles, ela tinha medo de que sofressem mais tarde as conseqüências do fato. Ela aprendera que a felicidade é passageira. "Eu não sei o que dizer, mãe" ela finalmente respondeu brincando com a colher "Eu só estou feliz com ele. É tudo" "Bem, como mãe, é meu dever perguntar vocês planejam um casamento próximo?" ela reclamou "Mãe, nós nem discutimos isso. Quer dizer, falamos mas nada concreto. Nós temos tanto por fazer, tanto a aprender, antes de dar esse passo importante." "Você já não é tão novinha assim, querida." Ela revirou os olhos como uma adolescente teimosa. "Eu quero vê-la na frente do padre McCue com o meu véu. Eu sonho com isso desde que você e Missy nasceram." Dana tocou a mão da sua mãe "Eu sei, mãe. Mas não sei se isso irá acontecer. Primeiro, ele não é católico. E depois, eu acho que ficaria meio ridículo para uma mulher na minha idade vestir um véu. Eu tenho 30 anos, não sou uma virgem de 20." Maggie elevou a mão "Eu não preciso ouvir isso, Dana" Dana admirou-se "Mãe, você dificilmente podia pensar que...." "Uma mãe sempre tem esperança" ela disse pegando nas mãos de Dana. Então sua mãe a surpreendeu "Porém, ele é um homem muito charmoso, se eu fosse você eu provavelmente não resistiria também" Ela tinha que rir, pensando que no fim foi ela que tomou a iniciativa. Foi ela que o beijou na praia e guiou-o até a casa e até o quarto sussurrando ao ouvido dele que o queria agora, aqui, dentro dela. Ela podia até se esforçar e ouvir o som da cama quando eles moviam-se juntos. "Você é terrível" ela disse ainda rindo. Por fim, sentiu que elas não eram mais mãe e filha e sim, duas mulheres que eram amigas. Maggie apertou a mão dela e sorriu. Dana abriu os olhos e enxugou as pequenas lágrimas do rosto. Sua mãe. Ela podia ver sua mãe agora, o rosto adorável de Maggie. Ela podia ver os olhos de Maggie através do rosto de Julia. Parecia um presente raro e precioso. Ela ainda não se lembrava do rosto ou do nome do seu amante, mas por um momento mesmo com a dor ela buscou o amor que compartilharam e o amor que sentia pela sua mãe. Agora, ela tinha uma história para contar a Julia sobre sua avó. Uma enfermeira entrou "Nós vamos desamarra-la e levá-la para o andar de cima." Quando passava pela sala de espera, viu John dormindo e Julia não estava mais lá. Meghan deve Ter vindo apanhá-la para levá-la a creche. Dana deitou-se no tubo, prendendo a respiração enquanto lutava contra a claustrofobia. Nos últimos anos, ela foi submetida a vários tipos de procedimentos e testes, mas nenhum deles provocou tanto medo nela como esse. Meu cérebro, meu cérebro, pensou, que diabos está acontecendo com o meu cérebro? O maquinário fez um barulho e começou a funcionar. O coração dela disparou. Por favor, que não seja câncer, que não seja um tumor. Porque estou pensando em câncer no cérebro agora? O exame terminou e ela saiu do tubo suspirando de alívio. Dana estava sentada no mesmo quarto quando alguém trouxe uma bandeja com um copo grande de suco de maçã e uma tigela de aveia "A dra. Hagen quer que você coma." Ela comeu vagarosamente, o ato de mastigar doía a sua cabeça. Ao terminar o café, a doutora voltou e puxou no computador as fotos em 3D da cabeça de Dana. Dana endireitou-se para ver a tela mas sem os seus óculos ou as lentes ela não podia ver todos os detalhes. Rebecca sentou-se "Tudo parece bem, Dana. Eu não vi nenhum crescimento anormal que justificasse o sangramento ou a enxaqueca." O alívio percorreu todo o seu corpo. "Mas eu encontrei algo interessante." Ela deu alguns clics para mostrar o pescoço de Dana A sensação de alívio subitamente desapareceu. A doutora apontou para a base do crânio de Dana na junção da cabeça e do pescoço. Ela não podia enxergar o que a doutora apontava. "Há um corpo estranho pequeno bem aqui." "Um corpo estranho?" "Parece ser metálico, a julgar pela ressonância. Eu não acho que seja algo com que se preocupar. Provavelmente é algum detrito resultante da luta pela sobrevivência contra os invasores. Eu já vi coisas em pacientes que nem eles desconfiavam que podiam Ter." Elevando a mão a nuca "Você acha que pode ser removido?" "Não é má idéia" ela disse " mas não hoje. Você já sofreu demais por um dia. Eu sugiro que consulte seu médico e cuide disso depois." Dana suspirou. Ela ficaria bem. "Como está o mau estar agora?" "Está melhor, mas ainda dói." Rebecca foi até o armário e tirou uma caixa pequena "Magonex é um inalador. Quero que você tome apenas uma dose. É muito forte." Dana inalou. O gosto era pior que o outro remédio. A médica tinha uma expressão séria no rosto "Dana, eu sei que você é médica e sabe tudo o que eu vou dizer a você mas eu acho que médicos inclusive eu, são os piores pacientes" Ela riu admitindo ser verdade. "uma enxaqueca geralmente é o seu corpo dizendo que está sobre um grande stress. Você precisa dormir mais, comer melhor e reduzir seu nível de stress. Não me importo se você vai correr, fazer yoga, uma massagem semanal, mas você tem que se cuidar." "Eu irei" Dana disse. "Agora, vá pra casa e durma um pouco. Eu não quero que trabalhe amanhã." "Mas eu tenho...." "Eu não quero ouvir isso. Qualquer compromisso que tiver, cancele. Você trabalha com médicos, eles entenderão. Passe o dia na banheira ou deitada no sofá lendo" Dana ficou tão grogue que a médica teve que puxar uma cadeira de rodas para ela. Na sala de espera, ela abriu um largo sorriso para John que estava bebendo café. Ele beijou-a na bochecha e perguntou "Você vai ficar bem?" "Eu estou bem" respondeu. Quando o táxi parou, ela inclinou-se para ele. Ele tocou-a na bochecha "Por que você está sorrindo? São as drogas?" Os olhos dela já estavam fechando "Eu me lembrei da minha mãe, John. Eu fecho os olhos e vejo o rosto dela." John apenas disse "Oh" Ela adormeceu no carro e a última coisa que se lembrava era de acordar em casa na sua cama. Eram 6 da noite e já estava escuro. A dor desapareceu. Ela queria festejar por estar livre da dor e sentir-se bem sem nenhum efeito colateral das drogas. Estava aliviada e faminta. Ela tomou um banho e depois de estar vestida com um velho jeans e uma camisa de gola alta preta, dirigiu-se para a cozinha e devorou um iogurte, um pouco da pasta que sobrara e bebeu um quarto do suco de frutas da Julia. O apartamento estava silencioso e ela se perguntava onde estariam John e Julia. Ela dirigiu-se para a sala e ouviu uma pequena tosse. Dana procurou pelo interruptor de luz e assustou-se ao ver John sentado no sofá. Examinando seu rosto viu que tinha a barba por fazer e seus olhos estavam vermelhos. No colo dele, o diário que Mulder lhe dera de aniversário. Ela esquecera de respirar. Ele levantou a cabeça e olhou-a diretamente nos olhos. Quando finalmente falou, sua voz era calma mas tinha um misto de raiva e dor. "Quem é ele, Dana?" XXXXXXXXXXXXXXX Era uma vez uma mulher chamada Dana que estava parada na frente do espelho no dia do seu casamento. Ela deu um passo para trás a fim de se ver melhor através do vidro. Dos seus sapatos finos ao majestoso vestido longo e branco e dos brincos de pérola, ela era uma linda noiva. Radiante. Ela não tinha porque não achar que seu casamento seria perfeito. Ela acreditava no casamento com a mesma certeza de que a Terra era redonda e girava ao redor do sol. Naquele dia, Dana acreditava em palavras como amor, honra, cuidar e para sempre. Dana acreditava em contos de fadas. John Rosen era seu príncipe e ela sua princesa e o casamento deles duraria. Eles seriam felizes para sempre. Sim, naquele dia ela acreditava em todas essas coisas. Parecia tão simples. Eles se conheceram e escolheram-se um ao outro literalmente em um salão repleto de pessoas. A primeira vez que ela beijou John pensou "Agora eu não precisarei ficar mais sozinha". O profundo vazio que sentira desde que acordara naquela Clínica num mundo totalmente novo seria substituído pela vontade de pertencer a alguém. Ela não acordaria no meio da noite, procurando por ar e se perguntando quem era ela afinal. Uma vez, ela acreditara em contos de fadas. Ela sentou-se na cadeira atrás dela, sentia cada músculo do corpo desfalecer. Apenas um barulho irritante no seu cérebro- oh não, oh não, oh não... "O que você está fazendo com isso?" ela disse olhando para a sua mão diretamente para a aliança de ouro no seu dedo. Os olhos de John brilhavam quando ele colocou aquela aliança no dedo dela. "Com este anel, eu te desposo." Ele dissera com uma voz alegre. Ele tocou o diário "Eu fui até sua bolsa pegar o Madorex no caso de você precisar." Ela não podia pensar em nada para dizer. Não podia ficar com raiva por ele invadir sua privacidade. "Quem é ele?" ele disse novamente, sua voz quase um suspiro. Dana não podia, não iria olhar para ele. Ela não queria ver a expressão nua de dor e confusão no rosto dele. Sim, confusão. Nunca ocorrera a John que ela poderia perder-se. "Por favor Dana. Eu tenho que saber." Não, você não tem. Nós precisamos revirar essa fita e apagar os últimos cinco minutos e continuar. Com o tempo, eu esquecerei Mulder e viveremos nossa vida como antes. Nós podemos dar um irmão ou irmã para Julia e vê- los crescer e prosperar. Mas você não quer saber, John. Ele tinha que saber, pensou, Dana entendia isso. Se a situação fosse ao contrário, ela gostaria de saber. John precisava saber a dolorosa verdade. Levou um tempo até ela achar sua voz que saía instável "Você não o conhece. Eu o conheci logo depois que você partiu." "Foi rápido.." Ela balançou a cabeça afirmativamente. "Claro, é assim que você age, não é? Quero dizer, também não demorou muito comigo." Dana deixou suas mãos descansarem no seu colo. Ele não queria realmente dizer aquilo, ela pensou. Era a sua raiva que falava e ele tinha o direito de expressá-la. Dessa vez, a voz de John estava mais branda "Por quê?" "Eu não sei." Ela balançou a cabeça. Dana ouvira ele bater seu pé no carpete. Ela ouvira ele dizer "Eu não sei" repentino suas palavras. "Isso é tudo que você tem a dizer sobre porque você me traiu e ao nosso casamento?" Ela olhou. Ele estava de costas parado na janela observando as luzes da cidade. Sua boca estava seca "John" ela disse "Eu não tenho uma boa razão para explicar. Eu o conheci e foi tão...poderoso. Eu nunca senti nada assim antes." Quando ele virou-se ela capturou a expressão no rosto dele e desejou Ter escolhido as palavras de maneira mais sensata. "Nunca, uh? Você o ama ou foi apenas um lance? " Mentir seria tão fácil. Ela poderia dizer que fora apenas um caso conseqüência de uma noite que bebera demais. Eles poderiam sobreviver a isso mais ou menos intactos. Levaria algum tempo até que John a perdoasse, mas ele a perdoaria. Mas amar outro homem, isso é imperdoável. Mentir ou não, essa é a questão... Dana estava cansada de desonestidade, cansada do gosto das mentiras que diria a John na sua boca. Ela o olhou. Seus olhos se encontraram. Eu costumava adorar esses olhos castanhos incondicionalmente, pensou. "Sim" seu coração acelerado "Eu o amo". A expressão "ele parecia arrasado" ela ouvira algumas vezes mas nunca vira alguém parecer arrasado até dizer ao seu marido que amava outro homem. Sua linda face estava branca e viu seus ombros cederem às suas palavras. Ele sentou-se, pasmo como se tivesse recebido um golpe na cabeça. Foi a vez de John olhar para suas mãos "Por que, Dana? Eu tentei tanto te fazer feliz. Ser o melhor marido que você pudesse querer." "Eu sei disso" ela disse docemente. A voz dele estava forte novamente " Então, por que você ama outra pessoa? O que ele te dá que eu não posso de dar?" Dana voltou a ouvir as palavras que Mulder dissera naquele quarto de hotel. "Antes" ela disse "Ele me dá o Antes." John desesperou-se "Oh, Deus. Então é por isso? Tudo isso! Porque eu não quero voltar ao passado?" Dana pensou nas palavras antes de dizê-las "John, eu amei por 35 anos antes de te conhecer. Eu tinha uma vida- uma família, uma carreira, um homem que eu amava. Eu quero saber quem eu era. Não quero ser uma lousa limpa." Ele assentiu, digerindo as palavras dela. "Talvez você apenas consiga continuar, mas eu não posso. Eu pensei que era egoísta por Ter a necessidade de saber do passado, mas não mais. Eu acho que é saudável querer minhas lembranças." "E...esse outro homem sente-se do mesmo modo?" "Sim" "Se eu pudesse conversar sobre isso, eu o faria. Mas, eu não quero saber. Eu só quero continuar em frente." Esse é o nosso defeito fatal, ela pensou. "Eu sei o que você quer, mas eu não posso. Ontem, eu tive uma lembrança maravilhosa da minha mãe. Eu fiquei tão feliz porque um dia eu contaria a Julia quem era sua avó. Ela merece saber quem ela é, de onde ela veio." John nada disse, apenas sentou-se no sofá como uma concha olhando para o nada. Ela sentiu-se desesperada pelas palavras que consertariam isso. Que cobririam a ferida e tornariam tudo certo novamente. Mas, ela sabia que tais palavras não existiam. Algumas lágrimas rolavam pelo seu rosto mas ela as enxugou "Eu não o verei mais." Ela sussurrou "Eu quero recomeçar. Sei que você está furioso comigo que fiz algo terrível, e o que é pior eu sinto muito. Mas escolhi ficar e tentar mais uma vez." John continuava sem dizer nada. "Eu te amo" ela disse "Eu te amo e não quero que nosso casamento acabe. Nós temos uma filha. Temos tantos anos, tantas lembranças juntos." Ele se levantou do sofá "E se eu não quiser ser seu prêmio de consolação, Dana?" "Tudo que eu tiver que fazer para dar certo novamente, eu farei." "Eu não posso pensar sobre isso agora" ele pegou a carteira que estava sobre a mesa e colocou no bolso da calça "ë muita coisa para lidar de uma vez" ele virou-se em direção à porta. "Aonde você vai?" ela disse alarmada "Nós temos que falar sobre isso." "Eu preciso pensar" ele disse "Eu vou dar uma volta, pegar Julia na casa do Mike e da Jodie e levá-la para jantar". Ela ficou parada no meio da sala lutando contra a vontade assustadora de implorar para ele ficar. "Apenas lembre-se que eu te amo" ela disse. Ele assentiu e saiu. Ela sabia que ele não queria fazer aquilo mas bateu a porta com força quando saiu. XXXXXXXXXXXXXXX Ela tinha que sair dali. Tudo naquele apartamento era demais para ela. As fotos da vida deles juntos a faziam lembrar do fracasso que ela era, da esposa terrível que se transformara. As paredes pareciam fechar-se para esmagá-la. Assim que saiu para o corredor, Dana percebeu que não tinha para onde ir. Seus amigos, mesmo Meghan não entenderiam o que ela tinha feito. Ela não podia ver Mulder. Estava completamente sozinha. Ela encostou-se na porta e fechou os olhos. Sua respiração forte tentando não chorar. Mas as lágrimas vinham mesmo assim, partindo-a enquanto esfregava os olhos e escorregava com a força do seu choro. Se ela ainda acreditasse em Deus, ela teria rezado nesse momento. Mas era difícil acreditar no poder superior depois que o mundo acabara. Ela ouviu a porta do outro lado do corredor abrir-se e uma música barulhenta. Parecia que tentava estrangular um gato ao mesmo tempo que batiam em latas de lixo de alumínio com bastões de baseball. A voz de Evan era doce ao tocar seu ombro "Dana, você está bem?" Meu cavaleiro de armadura brilhante ela pensou enquanto chorava. Ela sacudiu a cabeça. "Outra enxaqueca?" ela sacudiu a cabeça novamente, incapaz de formar uma frase coerente. Ele a tomou pela mão e guiou-a até o seu apartamento "O que estiver errado, podemos consertar." Ela enxugou os olhos e sorriu. Ela sempre pensara em Evan como um doce mas imaturo garoto. Agora ela percebeu que ele era um homem verdadeiramente forte. Ele desligou o som e acendeu as luzes. O apartamento estava uma bagunça como sempre. Papéis espalhados por todo o lado, caixas e latas de refrigerante. No canto, estava uma jovem magra de cabelos compridos e escuros deitada de bruços usando apenas calcinha e sutiã. Ela tinha uma tatuagem de uma videira que ia do tornozelo e subia por toda a perna até a sua coxa. Evan ficou vermelho "Essa é Kitty. Não se preocupe com ela, está viajando." Ele a cobriu com uma colcha vermelha. "Ela está bem?" "Sim" ele deu de ombros "Nós fomos a uma boate ontem e ela tomou muito MZ." Ele explicou "Drogas- estritamente para amadores." Dana inclinou-se e tocou a costa da garota. Ela parecia respirar normalmente "Você não acha que ela esteja tendo uma overdose, hein?" "Nah, ela ficará bem. Só precisa dormir mais um pouco. Ela se levanta pra fazer xixi que nem uma maníaca." Ele levou-a até a cozinha. A pia estava abarrotada de pratos e lata de lixo aberta. "Desculpe pela bagunça" ele disse "A empregada não apareceu." Ela encontrou forças para rir. "Quer algo para beber? Uma cerveja?" "Eu não devo ingerir álcool enquanto estiver tomando remédio para a enxaqueca." "Eu sei o que você precisa" Evan disse rindo "Chocolate quente." "Chocolate quente?" "Cura tudo. Sente-se no sofá e eu prepararei duas xícaras para nós." Ela limpou um pouco o sofá antes de sentar. Estava impressionada com o modo de vida de Evan. Bem diferente da sua vidinha ordenada. Ou como a sua vida...ela apertou a ponta do nariz para evitar o resto das lágrimas. Evan voltou com as canecas "Eu até lavei as canecas para você, pois você é uma convidada de honra. E o chocolate tem pequenos marshmallows." Ela bebeu o líquido rico e quente pensando que essa era a bebida preferida de Julia. Ela chamava os marshmallows de "mushamellas". Ele tocou o seu braço "Quer falar sobre isso?" "Não agora" ela disse colocando a caneca sobre um lugar na mesa que estava livre. "Ok." Ele concordou "que tal isso- eu andei procurando pelo seu amigo." Ela sentiu o seu coração agitar-se "Você encontrou algo?" Ele riu "Oh, eu encontrei algo sim. Venha cá..." ele se levantou e apontou para a mesa do computador levando mais uma cadeira. Enquanto ele digitava freneticamente no teclado, Dana sentou ao seu lado sentindo sua respiração rápida de ansiedade. "Foi fácil entrar. Agora que ninguém se importa com o FBI, o protocolo de segurança parece brincadeira de criança." As telas brilhavam enquanto ele acessava uma página de Recursos Humanos. Ele virou-se para ela "Então, sim eu encontrei algo. Os arquivos deles estão uma verdadeira bagunça. Muita coisa perdida, destruída eu acho. Mas ainda tem algumas informações." Ela quase gritou impaciente "Você encontrou o meu amigo?" Os olhos de Evan arregalaram-se "Não exatamente." "O que você quer dizer?" "Eu procurei pelo nome Fox Mulder e não obtive nenhuma informação nos arquivos restantes. Eu pensei que meu programa não estava funcionando até que procurei pelo seu nome." Ela apontou para o seu peito "Meu nome?" Ele digitou mais alguns comandos e um arquivo apareceu " Você estava nos arquivos de Recursos Humanos do FBI" O silêncio permaneceu como um entendimento. "Essa é uma ficha médica datada de 16 de Fevereiro de 1999 para sua companhia de seguros. Parece que você foi baleada quando fazia seu trabalho em janeiro." Isso não é possível, ela pensou e aproximou-se para checar as palavras na tela. Dana Katherine Scully na ficha. Sua data de nascimento, o número do seu Seguro Social, um endereço em Georgetown. Agente Especial Dana K. Scully. O contato pessoal em caso de emergência era Margareth Scully. Relação: mãe. Sua mão dirigiu-se para o local onde estava a cicatriz. A ficha dizia "...para pagamento de um tratamento devido a um tiro na parte inferior esquerda do abdômen... cirurgia feita no Centro Médico da Universidade de Nova York." Ela virou-se par Evan que ainda ria da sua proeza "Isso não pode ser verdade." "Precisa de mais provas?" ele puxou outro arquivo e ela esforçou-se para respirar. "Isso estava na página de Relações Públicas" Evan disse. O título da página era "Agente de Washington D.C. ganha prêmio de Patologia". Havia uma fotografia na página, inegavelmente era ela, mais nova e séria. Vestida num terno preto e uma blusa branca de pé num pódio com óculos na face aparentemente fazendo um discurso. Ela lia o texto "Agente Especial Dana Scully foi premiada com o Prêmio Harrington em Excelência Forense pela Sociedade Nacional de Mulheres em Patologia, 02 de junho de 1998." Era real. Ela piscou em frente a tela olhando fixamente para ela mesma a quase sete anos atrás. Ela não mudara muito, usava o mesmo tipo de roupa, poucas mudanças estéticas e de moda. Seu cabelo ainda hoje era feito com o mesmo tipo de bobs. "Não queria te assustar. Eu fiquei super surpreso ao te ver, também. Você tem alguma lembrança de Ter sido agente?" ela sacudiu a cabeça negativamente. Ela não tinha nenhuma. "Eu achei algumas fotos relacionadas com essa página" ele disse "Umas que não foram usadas. Quer vê-las para ver se ativam suas memórias?" "Mostre-as." Ela disse. Demorou um pouco para a página carregar "Esse servidor está meio lento." Três fotos apareceram. A primeira era dela ainda no pódio recebendo uma placa das mãos de uma mulher de cabelos grisalhos. A Segunda era dela apertando a mão de um homem alto de óculos e careca. "Alguém parece familiar?" Evan perguntou. "Não" ela disse "Desça o cursor para eu ver a última foto." Apenas um centímetro dela era visível na tela. Ela não fez um único som mas agora entendia ao ver a última foto como as pessoas podiam desmaiar ao receber notícias inesperadas. Na foto, ela segurava um copo de vinho, aparentemente na recepção após a cerimônia de premiação. Não usava mais a jaqueta preta e sorria para a camera. Ao seu lado, um homem com seu braço ao redor dela. Ele estava sorrindo como ela. Um homem alto de cabelos escuros. Lábio inferior grosso, nariz grande e olhos sonolentos. Não podia ser verdade. Era uma peça elaborada, uma travessura por parte do seu amigo. Mas ela sabia que não era. Evan não faria isso com ela. Aliás, ele nunca vira o homem da foto com ela. Ela respirou fundo, tentando assimilar as implicações daquela foto. O homem na foto com ela era inquestionavelmente Fox Mulder. Blinded by white light Parte 5 XXXXXXXXXXXXXX Ela rodava a pequena sala de um lado para o outro apertando e desapertando os punhos. Evan a observava da cadeira com uma expressão preocupada na face. Sua mente vagava tão rapidamente que não conseguia organizar seus pensamentos. Antes. Mulder. Eu o conhecia. Eu o amava. Oh, meu Deus. Ele estava certo. Meus sonhos estavam certos. Nós nos conhecíamos. Que droga... Nós nos encontramos de novo. Mulder. Era você. Era você era você todo esse tempo era você. De repente, ela encarou Evan. "Posso usar seu telefone?" ele assentiu levantando-se para dar a ela o controle remoto que estava entre uma tigela de cereal e algumas moedas. Suas mãos tremiam tanto que ela quase não conseguia digitar o número de Mulder. Oh, por favor esteja em casa, ela pensou. Ela deixou um suspiro exasperado e de pânico quando o rosto de Sarah apareceu na tela. Era o serviço de mensagens deles. Sarah sorria para a câmera e dizia "Você acessou a linha de Sarah Morelli e Fox Mulder. No momento não podemos atender sua ligação então por favor, deixe uma mensagem e retornaremos assim que possível." "Não" ela sussurrava "Atenda, Mulder." Ela cortou a conexão antes do beep de mensagem e colocou as mãos no rosto. Ela precisava falar com Mulder. Agora. E então ela teve uma idéia. "Você pode usar seu software e ver se Mulder está conectado?" Ele estava aliviado por poder fazer algo para ajudá-la. Seus dedos deslizavam pelo teclado negro. Ele virou-se e sorriu "Ele está conectado. Quer saber onde ele está?" Dana aproximou-se de Evan e seu computador, suas pernas tremiam "Eu sei exatamente onde ele está." Ela disse baixinho "Você se importa se eu navegar pelo seu computador? Ele tem um Netspace." Ela sentiu as mãos quentes de Evan nela. "Eu sei que não é da minha conta Dana mas, o que esse cara é pra você?" Uma pergunta tão simples, uma resposta tão complicada. "Ele é tudo para mim" ela disse com uma voz trêmula e ficou esperando pelas palavras de recriminação de Evan. Afinal ele conhecia John pelo mesmo tempo que a conhecia. Algumas vezes eles jogavam basquete no parque. Evan quase não balançara a cabeça " Então, você o conhecia do Antes." Ela apontou a foto dos dois na tela "Aparentemente, sim." Eu o conhecia e o amava e finalmente eu o vejo depois de cinco anos e não pude me lembrar de você. Ela não podia prender sua mente a essa idéia. Ele levantou as sobrancelhas "Wow, isso é demais." Ele entregou a ela o seu cabo para a conexão. "Vá em frente." Ela sorriu "Obrigada, Evan." Depois de alguns segundos, ela prendeu o cabo e acessou o seu sistema central da rede para conectar-se. Ela fechou os olhos tentando clarear a mente com um suspiro profundo ,mas não funcionou. Ela estava conectada. Com uns poucos comandos digitados no teclado de Evan ela estava no corredor virtual em frente a porta de Mulder. Você pode fazer isso, ela dizia a si mesma. Seja corajosa. O Netspace estava setado para um dia ensolarado. O ar quente e as ondas tocavam a areia gentilmente. Mulder estava de costas para ela sentado na areia. Ela arrastou-se até ele e tocou-o no ombro. O olhar que ele deu a ela era um que ela nunca tinha recebido dele antes. Era...penetrante. Ela abriu a boca mas nenhum som foi emitido. Oh, Deus. Eu acho que de alguma maneira ele também sabe, ela pensou. Ele ficou de pé e tirou a areia virtual da calça jeans "Eu ia ligar para você agora." Ele disse numa voz rouca. Dana pegou a mão dele e apertou "Nós precisamos conversar." Ele balançou a cabeça concordando. "Não aqui" ela disse "Pessoalmente." Ela gesticulou apontando o oceano "Isso não é real o bastante." "Nós precisamos conversar." Ele repetiu. A tentação de ficar e dizer impensadamente tudo que ela agora sabia ser verdade era grande demais. Mas, esse não era o melhor lugar. "O parque onde nos conhecemos pela primeira vez, você pode estar lá em 10 minutos?" "Eu estarei lá" Eu o conhecia o amava e o esqueci. Ela virou-se e saiu correndo pela porta do Netspace. Quando ela se desconectou, abriu os olhos e viu Evan sentado à mesa da cozinha segurando uma garrafa de água e olhando para ela. "Obrigada" e dizendo isso levantou-se da cadeira e dirigia-se para a porta "Eu tenho que correr". Ele levantou-se da mesa rapidamente "Onde você vai?" Dana parou "Eu vou descobrir a verdade. Estou indo encontrá- lo." Ele pegou a sua jaqueta de couro e disse "Deixe-me levá-la até lá." "Eu vou apenas descer um quarteirão até o parque. Não se preocupe." Ela sorri diante do gesto desnecessário e ao mesmo tempo cavalheiro dele. As ruas são seguras, ela estaria bem. "Besteira" ele disse sorrindo "Eu vou com você". As ruas estavam quase vazias. Estava anoitecendo e todas as famílias de respeitos estavam nas suas casas jantando e conversando sobre as novidades do dia de cada um. Ela estava indo para o parque acompanhada de um hacker para encontrar um homem que fora seu amante no Antes. Como sua vida tinha se tornado horrivelmente bizarra nas últimas semanas. "Você é realmente corajosa" ele disse. Mesmo sendo mais alto que ela e tendo pernas mais compridas, ele esforçava se para acompanhar o ritmo dela muito rápido. "Eu apenas preciso saber." Ela disse. "Eu sei e admiro isso. Ninguém parece querer saber. Vou lhe contar um segredinho. Eu andei procurando sobre meu passado também. Está difícil. Eu nasci em Chicago mas os registros de nascimentos estão perdidos. Porém, continuo procurando..." Dana parou e tocou o braço dele "Eu espero que encontre o que está procurando." Ele sorriu embaraçado "Eu também." Eles recomeçaram a andar. Quase lá, ela disse a si mesma. "O que isso significa para você e John?" Evan perguntou. Ela sacudiu a cabeça "eu não sei." "Bem, o que quer que aconteça, você é minha amiga. Você tem sido tão boa para mim. Eu me sinto sozinho, sabe? Eu não tenho família. Você é provavelmente a coisa mais próxima que já tive de uma irmã nesse mundo." Eles chegaram ao parque. Ela o abraçou forte e disse "Família não significa Ter o mesmo sangue." Juntos, eles andavam pelo parque. O playground estava vazio bem como os bancos que o rodeavam. Havia uma pequena fogueira onde os grupos da comunidade costumavam se reunir para cantarem juntos. Ela podia ouvir a cantoria. Sentindo como se estivesse a caça, ela andou em direção ao fogo. Evan a seguia discretamente como um detetive particular. Enquanto aproximava-se ela pode entender as palavras da música. "Amazing Grace, how sweet the sound, That saved a wretch like me . . . I once was lost, but now am found, Was blind, but now I see." Ela parou e fixou o olhar nas chamas da fogueira sem olhar para os rostos ao redor dela. Fogo. "I once was lost, but now am found, Was blind, but now I see." Ela viu tudo. Quando acordou, ela estava tossindo. Ela calçou os sapatos e saiu da barraca em direção a floresta para fazer xixi. Ao agachar-se sentiu suas pernas trêmulas, fracas. Lembrou-se do seu banheiro em Washington, sua grande banheira, a água quente. Pare, ela disse a si mesma, nem pense nisso porque você não o terá de novo. Cedo naquele dia, ela pegou madeira e acendeu uma fogueira para fazer chá. A tosse estava se tornando mais freqüente agora. Era profunda, parecia que iria quebrar suas costelas. Procurando na sua valise, encontrou uma garrafa de 44-D e tomou um bom gole. Depois de fazer o chá, ela pegou sua valise e seguiu até o topo do penhasco onde tinha uma boa vista do vale. Há pouco tempo, aquele lugar era um parque da cidade geralmente cheio de ciclistas. Seria tão simples fingir que eles estavam ali nas montanhas para um acampamento de fim de semana. Era uma linda tarde de verão, quente o bastante para usar apenas short e camiseta. Mas ela vestia calça jeans e uma camisa de manga comprida. A febre lhe dava frio. A vista do penhasco era incrível. Ela podia ver milhas além. Era espetacular se ela não olhasse para baixo e visse as ruínas da cidade situada no vale. Ela não olhava para baixo, somente para as colinas e montanhas a sua frente, o horizonte. Um mosquito a mordeu no pescoço e ela o afastou irritada por não Ter trazido o repelente. Instintivamente, tocou o local da nuca onde ela sabia que estava o chip rindo pela ironia de tudo isso. Um pequeno pedaço de metal era ao mesmo tempo sua maldição e uma bênção para ela. Isso poderia ou não Ter ajudado a diminuir seu câncer mas, foi ele que a levou até aquela ponte naquela noite incendiária terrível. No fim, ele os salvou cinco dias atrás naquele quarto de motel quando ela acordou no meio da noite gritando que eles estavam vindo. Não, esqueça isso- o chip não os salvou. Apenas adiou o inevitável. Ela olhou a cidade de Abbosville, população 2435 habitantes. Havia um sussurro vindo do mato atrás dela. Agarrou sua arma e virou-se mirando sem saber o que poderia encontrar. Era apenas Mulder. Ela soltou um pequeno suspiro de alívio e colocou a arma de volta na valise. Ele parecia exausto assim como ela. Seu rosto tinha uma leve barba crescida. Ele sentou ao seu lado. "O que você está fazendo?" ele perguntou. "apenas olhando...e pensando..." ele acariciou a bochecha dela com os dedos "No que?" ela mostrou a cidade abaixo "Em tudo isso. Já fazem três dias Mulder, porque eles não voltaram para terminar o serviço?" Ele sacudiu a cabeça, a essa altura não tinha resposta alguma assim como ela. "E se, o feito deles não fosse a colonização. Só uma espécie de vandalismo alienígena? como,hei. Vamos destruir a humanidade hoje." "De qualquer forma, o resultado é o mesmo." Disse Mulder. Eles estavam tão desligados de tudo. Não sabiam o que acontecera ao resto do mundo. Apenas tiveram tempo suficiente para juntar alguns suprimentos e avisar suas mães, os pistoleiros e Skinner com rápidos telefonemas, mas seus destinos eram desconhecidos. Essa sensação de não saber estava deixando-a louca. Os dois começaram a tossir e ela passou a garrafa do xarope vermelho. Ele tomou um gole e fez uma careta devido o gosto. Ela costumava viver num casulo negando tudo o que podia, mas agora não podia. A realidade era brutal. "Nós estamos morrendo, Mulder" ela disse. "Não" ele balançava a cabeça "Nós estamos fora de cena, dormimos duas noites numa caverna, três numa tenda. Só estamos gripados." Sua voz saiu mais exasperada do que queria "Nós vimos aquelas pessoas morrerem naquela montanha. Nós pegamos o que elas tinham." Ela levantou as mãos para que ele visse o inchaço escuro nelas. "o que quer que seja, é fatal. Eles trouxeram isso com eles." Ela queria morrer com dignidade. Lembrou-se da bolsinha secreta de remédio que carregava quando o seu câncer estava na pior fase. Ela pegou sua arma e a acariciou quase amavelmente "Eles tiveram mortes horríveis. Você viu suas convulsões, ouviu seus gritos." Quando fechava os olhos de noite, ela ainda podia ouvir os gritos agonizantes de dor. "Não tem que ser assim" ela diz. "O que você quer dizer com isso, Scully?" ela oferece a arma para ele como um presente precioso "Nós podemos terminar aqui. Morrer com dignidade." Ele agarrou gentilmente o seu pulso "Não". As lágrimas queimavam os olhos dela. "eu...eu não posso vê-lo morrer" ela suspirou "E eu não quero que me veja morrer em tamanha agonia." Sua voz era baixa e calma enquanto colocava seu braço ao redor dela e dizia "Não essa noite, Scully. Vamos manter-nos aquecidos. Só mais uma noite." Ele puxou-a para si e ela sentiu a respiração dele no seu cabelo "Eu quero ver mais uma manhã com você." Ela pensou sobre todas as manhãs do último ano. Houveram manhãs corridas onde ambos tentavam se aprontar para trabalhar sem chegarem atrasados. Algumas manhãs acordaram em um quarto de motel durante um caso, violando as regras do Bureau. E havia umas manhãs raras de fim de semana quando tinham tempo para ler o jornal na cama, beber café e se enrolar nos lençóis fazendo amor enquanto o sol brilhava pela janela. Ela nunca pensou que esse dia chegaria. Ela não acreditava nisso do mesmo modo que não acreditava em vampiros, chupa-cabra e vida extraterrestre. Como ela estava errada. "Venha, vamos voltar" ele se levantou e a ajudou. O esforço o fez tossir. Na barraca, eles despiram um ao outro. Desde o fim do mundo eles não fizeram amor. O medo da morte não ajudava a libido. Mas agora, ela precisava. Não pense que esta talvez seja a última, ela disse a si mesma. Na verdade, suas vidas eram tão perigosas que ela tinha medo toda vez que estavam juntos se poderia ser a última vez. Era devagar, bem devagar. Com várias paradas para tossir. Lado a lado, eles moviam-se juntos, beijando um ao outro onde suas bocas podiam alcançar. "Eu te amo" Mulder dizia e depois repetia constantemente "euteamo,euteamo,euteamo" Por fim, tremeram de prazer e mantiveram-se deitados e agarrados sobre os sacos de dormir. Ele acariciava preguiçosamente o cabelo dela "Eu tenho tantos arrependimentos" "Não, Mulder. Nós não podemos Ter arrependimentos. Nós fizemos o melhor que podíamos." Como duas pessoas poderiam salvar o mundo? "Não, não é sobre isso. É sobre nós dois. Eu sempre sonhei que um dia encontraríamos nossas respostas e então tudo tenderia para o melhor. Aí, nós viveríamos nossas vidas como pessoas normais, só eu e você. Aprendendo a amar um ao outro como pessoas normais." Ela revirou os olhos e pressionou sua bochecha sobre o peito dele. "O que nós tivemos foi suficiente para mim." Deus, nós já estamos falando no passado. Ele continuou "Eu queria casar com você, Scully." "Eu sei, Mulder." Ela tentou sorrir "Mas, se você pensar bem, nós já estamos casados. Um casamento arranjado no início mas depois aprendemos a amar um ao outro." "Arranjado pelo Chefe Blevins e pelo Canceroso" ele riu. "De qualquer forma, depois de um tempo, eu não imaginava viver minha vida com ninguém, só com você." Mesmo assim, o amor deles era bastante evidente e real. Eles não conversavam muito sobre sentimentos, não era o jeito deles. Mas tristemente ela percebeu que se não falassem agora, jamais falariam. Ele a puxou mais para cima a fim de olhá-la diretamente nos olhos. Os lábios dele formaram um pequeno sorriso "Scully, quer casar comigo?" ele disse. Ela deveria rir diante da proposta de casamento absurda que ele fazia, estavam às portas do apocalipse morrendo de uma praga alienígena mas ela entendia perfeitamente o significado das palavras dele. Sua testa tocou a dele "Sim, Mulder" ela sussurrou. Eles permaneceram deitados, enquanto a noite caía apenas tocando-se e beijando-se, guardando essas pequenas lembranças. Finalmente, a voz de Mulder diminuíra e ele estava quase adormecendo. Ela acariciava os seus cabelos "Durma um pouco" ela disse "Eu te amo". Ele abriu os olhos "Eu estou com medo, Scully. Eu não quero morrer." "Nem eu" ele apoiou-se em um cotovelo "Eu gostaria de acreditar como você. Acreditar que existe vida após a morte." Ela entrelaçou sua mão na dele "Eu acreditarei por nós dois." "Seria tão confortante saber que há um lugar após a morte onde poderíamos viver eternamente juntos." Ela ainda usava o colar com a pequena cruz no pescoço. Ela o usava desde os quinze anos como um testemunho da sua fé. Se havia um tempo para acreditar nisso, era agora. "Mulder" ela o beijou nos lábios "Nós estaremos juntos na próxima vida, eu prometo." Ele apenas respondeu "Eu quero acreditar." "Você não precisa, eu acredito por nós dois." E ela acreditava, esse era o milagre. "Scully, canta pra mim?" ela sorriu lembrando-se daquela noite fria e assustadora que passaram nas florestas da Flórida. Ela estava de vigia e tomava conta dele. Ele pediu para ela cantar o que a deixou envergonhada. Naquela noite ela cantara "Joy to the World" ela não cantaria essa música novamente, não parecia apropriado. Abraçada a ele, ela canta uma música que sempre a confortou com a voz suave e desafinada. "Amazing Grace, how sweet the sound, That saved a wretch like me . . . I once was lost but now am found, was blind, but now, I see. `Twas Grace that taught my heart to fear. And Grace, my fears relieved. How precious did that Grace appear . . . the hour I first believed. Through many dangers, toils and snares . . . we have already come. `Twas Grace that brought us safe thus far. . . and Grace will lead us home." Quando ela terminou a terceira estrofe, Mulder estava dormindo. Logo depois, ela adormecera também pensando eu acreditarei o suficiente por nós dois. Um grito supersônico acordou-os "Que diabo é isso?" ela perguntou. "Eles estão de volta." Seu primeiro instinto foi correr e se esconder, seguir a trilha até a caverna onde estavam durante a primeira invasão. Mas, eles se entreolharam como se perguntando pra que? Em vez disso, eles saíram da barraca para olhar o seu. Uma lua cheia e luminosa aparecera. Várias naves triangulares e negras cortavam os céus. Eles já haviam visto essas naves antes. Ele segurava a mão dela. De alguma forma, eu sempre acreditei que nós morreríamos juntos, ela pensou. Fortes como somos, não havia como um sobreviver sem o outro. Você pode imaginar tal situação? A terra começou a tremer debaixo dos seus pés. Isso não ocorrera antes. Ela olhou para Mulder em pânico. "Você pode sentir que estão vindo?" "O que?" "eu não sei, mas estão vindo" Nós estaremos juntos na próxima vida. Eu acredito. Algo enorme cruzava o céu. Parecia não Ter fim. Parecia feito de cristais multicoloridos que piscavam a luz do luar. "Olhe para o céu que lindo" Mulder dizia apontando. Apesar do medo, sua curiosidade era maior. "'É adorável" ela responde. Continue segurando minha mão, Mulder. É isso. É o fim, nós terminamos aqui. Três pequenas naves se dirigiam para a maior e começavam a se incendiar. Parecia algo saído de Guerras nas Estrelas mas a diferença é que era vida real. A nave maior começou a girar e a zumbir. Eles olhavam atônitos para o céu enquanto a nave se desintegrava em pequenos pedaços caindo sobre a terra. Que diabos? O zumbido crescia e tornava-se alto demais. Ela prendeu a respiração. Ela e Mulder se olharam. Eles se despediram com um olhar. Mas isso não é um adeus, Mulder. Nós estaremos juntos na próxima vida. Parecia tão íntimo morrermos juntos. Com um flash de luz vindo da nave, ela ficou cega e tudo parou. Dana abriu os olhos e viu que estava sentada num banco do parque com a jaqueta de Evan sobre seus ombros. Ela não se lembrava de Ter andado até aquele banco. "Dana, você ainda está aqui comigo? Você parecia estar fora daqui por um segundo." Ela ainda ouvia as pessoas cantando ao redor da fogueira. Então, foi assim que nós acabamos. Mulder, como pude me esquecer disso? "Dana?" ele tocou o ombro dela, sua voz alarmada dessa vez. "Eu estou bem" ela disse "Tive um tipo de flashback" E então ela viu Mulder atravessando o parque em largas passadas. Oh, eu me lembro de você. Eu me lembro. "Eu acho que essa é a minha chance de me retirar." Diz Evan. "Obrigada" ela disse. Ele inclinou-se para dar um beijo na cabeça dela "A qualquer hora" e cruzou o parque. Dana olhava fixo para Mulder com o novo entendimento que acabara de receber. Ele parou em frente dela, seu rosto sério. "Eu conheço você." Ela sussurrou. Você era meu parceiro, meu amigo, o amor da minha vida. "Eu sei" ele disse. Você ainda é tudo isso, Mulder. "Não" ela diz "Eu o conhecia do Antes". Ele ajoelhou-se e descansou a cabeça no colo dela. Instintivamente, ela acariciava os cabelos escuros dele. Nada mudou. Eu ainda amo você. Nunca deixei de amar. Ele levantou a cabeça e piscou, os olhos dela cheios de lágrimas "Eu sei, Scully." Ela congelou. Ele se lembrava dela então. Ele sentou ao seu lado, ambos olhavam-se pensativos. Ele segurava as mãos dela nas dele. "Hoje eu percebi que não eram sonhos diários, Scully" ele disse. Nós estaremos juntos na próxima vida. Um milagre como esse não pode ser esquecido. "Eu te fiz uma promessa a cinco anos atrás" ela não sabia se sentia vontade de rir ou chorar. O beijo dele nos lábios dela era gentil e cheio de promessa. "Conte-me sobre isso, Scully." E por um bom tempo eles permaneceram sentados no banco do parque relembrando tudo juntos. "Parecia para eles que o destino os tinha designado um para o outro, o que não entendiam era porque ela tinha um marido e ele uma esposa. Eram como pássaros migrantes, o macho e a fêmea, que de repente foram pegos e colocados em gaiolas separadas.... Parecia que estavam a um passo de tomar uma decisão e então, uma nova e linda vida estava começando. E ambos perceberam que o fim estava ainda muito, muito distante. E que o mais difícil, a parte mais complicada estava apenas começando. " Anton Chekov XXXXXXXXXXXXX Epílogo Uma noite, ela não conseguia dormir. No escuro, ela ouviu seu marido mexer-se sabia que ele não estava dormindo também. Essa era a sua hora favorita do dia. O dia de trabalho terminara, os pratos lavados e as crianças na cama dormindo. Ela às vezes ouvia a vizinha do andar de cima tocar sua flauta, mas agora tudo o que ouvia era a respiração dele e era confortante. À noite, ela permitia seu stress, sua culpa e seu medo se dissiparem enquanto ela simplesmente se colocava debaixo das cobertas sentindo o calor do corpo do seu marido. À noite, não havia dúvidas de que ela tomara a decisão certa naquele dia no parque. O dia que ela lembrou-se como ela e Mulder terminaram suas primeiras vidas. O sono virá, ela diz a si mesma, vira-se em direção a ele aconchegando-se à pele quente e nua das costas dele. Geralmente, enquanto ela sente frio durante a noite, ele está sempre quente, aquecido seu corpo parece estar sempre queimado pelo sol. Ele fez um pequeno som ao sentir o toque dela e ela sorriu contra os músculos do ombro dele. Ele cheirava a sabonete de bebê e limão que cortara para preparar o frango assado. Então, isso é felicidade doméstica ela sonhadoramente pensou enquanto beijava toda a extensão da costa dele. "Oh, isso é bom" ele sussurrou. Enquanto ela se esfregava contra o corpo dele como uma gata ela pensava nos votos que eles honraram um ao outro no dia do casamento. Ela nunca pensou que algo poderia ser tão certo. Ela segurava um pequeno buquê de lírios e dizia as palavras com uma voz calma e forte, sem dúvidas ou medo. Apesar da serenidade que aparentava, ela queria chorar devido ao momento avassalador que estava vivendo e à emoção que sentia. Mais tarde, já em casa, ela chorou. Suas mãos entrelaçadas a dele, faziam com que as alianças de ouro branco se tocassem simbolizando o que honraram juntos. No escuro, ela observava sua mão deslizando pelas costas dele e o modo como o anel parecia brilhar intensamente lembrando a ela que estariam juntos por toda eternidade. Finalmente, ele virou-se para ela "Não consegue dormir?" Ela sacudiu a cabeça "Não estou com vontade" Um risinho formou-se na face dele "Nem eu". Numa noite como essa, ela precisava ser lembrada de que ele era real. Que esse não era um daqueles sonhos que tinha durante a noite e logo acordaria. Ela precisava senti-lo fisicamente para certificar-se. Ela deixava o tempo correr enquanto sentia cada parte do corpo dele com seus lábios, a diferente textura da pele dele com seus dedos. Ela jamais queria esquecer novamente. Ele gemia quando ela deslizava seus lábios pelo corpo dele, pela barriga e o tomava com sua boca. Ele é real, ela diz a si mesma, ele elevava-se na cama sentindo o desejo e o prazer crescerem. Eu sou sua e você é meu. Quando ele já não agüentava mais, ela moveu-se de volta a cama. Ele sentou e apoiou um travesseiro contra o encosto da cama. Abriu os braços convidando-a a juntar-se a ele. Esse era o modo preferido dela de fazer amor. Ela podia controlar a ação. Podia ser selvagem e violenta ou lânguida e sonolenta. A diferença de altura não importava pois enquanto agarrava-se a ele, ela podia beijá-lo e olhar diretamente nos olhos dele. Quando ela olha nos olhos dele, ela pode ver tudo. Eles compartilham uma história e tem todo o futuro pela frente. "Scully" ele murmura enquanto ela desliza até seu pênis. Ela sorri. No dia a dia, ele a chama de Dana como em "Dana, quanto de leite precisamos?" ou "Eu tenho que buscar Adam na casa da Sarah, Dana." Mas Scully era o seu nome privado, íntimo. O modo como ele a chamava na cama. O segredo compartilhado da vida que viveram antes e que permaneceria nessa nova vida. Devagar, ela movia-se com ele. Pequenos gemidos escapavam da sua garganta enquanto sentia a felicidade tomá-la por saber que a vivenciava com Mulder. Ele movia suas mãos fortes pelo corpo dela. Uma segurava seu bumbum e a outra acariciava seus seios. Ela se aproximou para olhá-lo nos olhos. Ela gostaria de ver um filho deles com aqueles olhos verdes acinzentados e cabelos escuros. Eles já tinham discutido a idéia e como se sentiriam com a possível falha. Um fracasso valeria o risco? Mas, eles não arriscaram-se tanto na vida, certo? Um choro agudo escapou da boca dela quando os dedos dele encontraram o seu clitóris e começaram a mágica. Ele riu "Assim você vai acordar as crianças." Ela aprendera a controlar-se quando uma ou as duas crianças estavam com eles. "Eu estou tão...feliz." ela murmurou enquanto movia-se mais forte para cima e para baixo. Ele sabia exatamente o que ela queria dizer com isso "Eu também, Scully." O beijo dela era uma extensão daquela promessa feita no dia que eles morreram juntos. Nós estaremos juntos na próxima vida, Mulder. Nós estamos, ela pensa, e o prazer explode quente e doce por todo seu corpo. Oh, Deus nós estamos. Ela sabia muito bem que haviam feito algo terrível quando deixaram John e Sarah. Os olhos de John ainda olhavam-na com tom de reprovação. E Sarah recusava-se a falar com ela a menos que fosse extremamente necessário. Eles destruíram a segurança familiar dos seus filhos que talvez nem sejam capazes de lembrar quando seus próprios pais estavam casados. Sim, ela sabia. Isso a perseguia algumas vezes. Mas ela também sabia que encontrar Mulder de novo era um milagre. Ela não acreditava em destino, mas encontrar Mulder novamente não foi um acidente. Era como se tivessem planejado encontrar um ao outro. Na noite que ela lembrou-se de Mulder, foi a noite que ela voltou a acreditar. Naquela noite, ela começou a rezar de novo. Assim que colocava seus braços ao redor do pescoço de Mulder, o seu colar de ouro com a pequena cruz tocava o rosto dele. Esse foi o presente de casamento que ele dera a ela para que se lembrasse da sua fé, da sua mãe e seu pai, seus irmãos, perdidos mas não mais esquecidos. Ela gostaria de Ter algo de valor similar para dar a ele. Algo que o lembrasse da sua irmã Samantha. Mas ele não a esquecera. Ele ainda queria saber qual fora seu destino. Quando o orgasmo a atingiu, ela tremia nos braços dele. É mais do que a quente e perdoável sensação que sentira naquela noite no quarto de hotel a mais de um ano. Era prazeroso e seguro, passado, presente e futuro unidos numa sensação avassaladora. É tudo. Quando Mulder gozou, ele de alguma forma ria pela alegre sensação de alívio que ela demonstrava. Essa é a próxima vida e nós estamos juntos, Mulder. Eles voltaram para seus lugares na cama e continuaram abraçados. "Eu te amo" ele disse. Essas palavras ainda tinham o poder de fazê-la arrepiar-se. "E eu te amo" ela disse tocando os lábios dele. Ela não tinha medo da noite nem dos sonhos dela, mas tinha algo que precisava ouvir. Fechando os olhos disse "Conte-me uma história, Mulder." Era isso que faziam a noite, compartilhavam histórias que se lembravam. No outro dia pela manhã, ela as escrevia em seus diários. O vermelho continha lembranças de Julia e Adam para que quando eles crescessem pudesse saber e entender um pouco suas vidas. O preto, aquele que Mulder lhe dera, era somente para eles. Todas as suas histórias e momentos mais íntimos. Ele pensa por um tempo e diz "Eu tenho uma ótima, Scully." Ela riu "Conte-me" "Era dia de ação de graças na casa de sua mãe. Eu me sentia estranho, cercado pela sua família. Eu sabia que você contara a ela sobre nós antes que eu chegasse. Eles me trataram muito bem, até Bill, mas eu continuava a me sentir estranho como se não pertencesse aquele lugar. Sua mãe me olhava de vez em quando e eu imagino o que ela pensava então foi você quem profanou minha filha caçula." Ela ria contra o travesseiro. "Depois do jantar, você foi para a cozinha com sua mãe tomar Bailey e conversar e eu fui forçado a assistir o jogo com Charlie e Bill. O jogo acabou e você continuava conversando. Então, decidi ir ao porão tirar uma soneca. A casa estava tão cheia de pessoas que acabou sobrando uma cama no porão para mim. Quando estava pegando no sono, ouvia a escada do porão ranger e te vi com um olhar malicioso, sua blusa já desabotoada. Você veio até a cama comigo e começou a me beijar. Eu podia sentir o café e o licor no seu hálito enquanto beijava minha orelha e meu pescoço. Scully, eu queria tanto você mas estava morrendo de medo que Bill viesse e me enchesse de porrada. "Todos estão lá em cima" eu disse mas você continuou a me beijar e não pararia e eu não queria que você parasse. "tudo bem" você disse "Nós podemos ser silenciosos. Eu sei que podemos, Mulder." FIM Espero que tenham gostado. Essa fic é uma das melhores que já li. Apenas uma palavra a descreve: PERFEITA!!! Obrigada a todos pelo estímulo. Karen Jobim