Message to Dasha: this wonderful fanfiction was written by Dasha K (http://www.dasha.simplenet.com), was translated by Karen Jobim and will be archived ONLY at the site The Shipper X (http://go.to/shipperx). So, please, do not archive anywhere else. I want to thank Dasha K for this amazing job and for letting us translate the story and Karen Jobim for having the patient and an excellent translation skill!!! Thank you both. Késsia Nina BLINDED BY WHITE LIGHT BY Dasha K. O que nós somos além do resumo de nossas lembranças? Esse é o sumário dessa história escrita pela Dasha que, apesar de grande é totalmente fantástica. Confesso que quando comecei a ler (antes da Késsia me pedir para traduzir), não consegui parar até chegar a última página. Espero que o mesmo aconteça com vocês. Para facilitar o entendimento de algumas coisas, vou resumir o contexto da fic. Spoilers ela tem, mas não são fundamentais para entender pois estamos na época pós-colonização. Os Outros salvaram o nosso planeta dos inimigos e nos deixaram iniciar as nossas vidas reconstruindo cidades que foram destruídas. O ano é 2004. Tudo está mudado. A revolução das comunicações que parece estar desenvolvendo-se bem "devagar" hoje, é realidade nessa época. Mundos virtuais são comuns aqui. A idéia da Dasha sobre como envolver ficção científica aqui partiu da escritora Marge Pierce no livro "He, she and it" e do episódio "Kill Switch" (Vivendo no Cyberspace). ATENÇÃO!!! Se você tem menos de 18 anos, por favor leia outra história. Ah! Quase esqueci, os DS e FM não pertencem a Dasha nem a mim. CC é o dono. A historia será contada por partes. Divirtam-se!!!! Karen Jobim Feedback's: dashak@aol.com e agentkaren@arquivo-x.com Importante: esta fanfic não pode ser arquivada em outro site além do The Shipper X. Por favor, não disponibilize-a em outro lugar. [Gente, eu achei sensacional a Karen Jobim se disponibilizar a traduzir esta maravilhosa fanfic da Dasha K! Realmente é uma história belíssima e eu acho que todo mundo vai gostar! É daquelas que a gente não consegue parar de ler enquanto não termina!!!! Enfim, muito gentilmente a Dasha nos deixou traduzir a história! Enfim, a Karen já colocou o email da Dasha aí em cima e eu acho que quem gostar da história deve mandar um feedback. O meu email eh shipperx@gmx.net para o caso de vocês sentirem vontade de falar comigo! Mandem também feedback para a Karen, afinal não é qualquer pessoa que se dispõe a traduzir uma fic tão grande assim! Obrigada, Karen, por ter feito esse maravilhoso trabalho! Um abraço, Késsia.] Blinded by White Light Uma noite logo depois que sua filha Julia nasceu, ela não conseguia dormir. No escuro ela ouviu John se mexer sabia que ele também estava acordado. "Querido?" ela disse. "Sim" ele murmurou. Ela não sabia porque havia perguntado. Era algo sobre o qual nunca conversaram. Nem devia ser mencionado. Ela virou-se e piscou "O que você se lembra?" ela sussurrou "Do que você se lembra do Antes?" Ele deu um longo suspiro mas nada disse. Ela tocou no seu ombro e ele deu um solavanco. "Do que você se lembra?" ela repetiu. "Eu não me lembro de nada." Então ela ouviu Julia chorar pela babá eletrônica e sentou- se. "Eu vou" ela disse e deixou o quarto. Ela nunca tocou no assunto novamente. XXXXXXXXX Ela andava pela deserta Plaza of Heroes, seus saltos ecoavam nos blocos de concreto. A praça ainda não estava cheia de pessoas que retornavam do trabalho. Bebendo seu chá quente, ela considerava a pergunta feita a John dois anos atrás. O que você se lembra do Antes? O que eu me lembro? O cheiro das ruas, a exaustão dos veículos, os stands de cachorro quente, o fedor vindo dos recipientes de lixo. Ela lembrava do barulho, da mistura de várias línguas nas ruas, um trecho de uma música de rock vindo das janelas dos apartamentos, o gemido dos carros de polícia. Ela lembrava-se dela em frente a um espelho com um casaco imaginando se essa era uma imagem profissional. Pedaços, fragmentos de memórias. Nada encaixava-se. É assim para todos, ela pensou. Mas isso não tornava mais fácil. Ela suspirou e entrou pelas portas de vidro do East Side Healthy Building, a passos largos para checar ao seu destino. XXXXXXXX Dra. Hanley serviu-se de uma xícara de café e ofereceu a ela. Ela recusou apontando a caneca de chá. Ela sentou-se na cadeira de couro próxima a janela. A doutora sentou-se na sua mesa e ajeitou algumas mechas de cabelo loiro que caíam na testa. "Como está sendo a semana, Dana?" "Está bem. O trabalho anda estressante. Nós vínhamos enfrentando problemas com as amostras de proteínas, mas tudo foi resolvido. "E em casa?" Dra. Hanley escrevia algo no seu laptop. "Bem. Embora não esteja vendo muito John ultimamente devido o tempo que estou passando no laboratório. Julia anda tendo mudanças de temperamento provavelmente porque não tenho passado muito tempo com ela." "Você planeja mudar isso?" "Hoje irei levá-la ao parque depois do trabalho. John irá comprar o jantar e nos comportaremos como uma família normal. Já disse a Harold que vou tirar umas tardes de folga esta semana assim ela não fica na creche. Apesar de ser uma ótima facilidade, eu não quero que ela passe todo o tempo dela lá. Ela não tem nem 3 anos ainda." Sua terapeuta sorriu "É difícil conciliar carreira e maternidade, mas você está conseguindo." Dana assentiu. "Eu tento, mas é difícil. Às vezes, eu sinto que John passa muito mais tempo com a Julia que eu por poder trabalhar em casa. Gostaria que minha mãe estivesse por perto para me dar conselhos." "Eu acho que todos nós queríamos Ter nossas mães por perto" A dra. Tinha dois filhos, Dana sabia. A foto deles sorrindo e segurando a bola de futebol estava sobre a mesa. Ela encostou-se na cadeira e fechou os olhos "Eu tive outro sonho daqueles ontem." A voz da dra era suave "Conte-me, Dana" "Eu estou cada vez mais convencida de que não é somente imaginação. É algo do Antes. Tenho o mesmo sonho toda noite essa semana." "O que acontece?" "Eu estou num corredor, de um hospital ou uma clínica eu acho. Ë diferente de todos os hospitais que já vi mas tem a atmosfera. Sinto o cheiro de antiséptico. No sonho, eu estou de robe e com muito frio, estou tremendo de medo e dor." "Você está triste com algo?" Ela balança a cabeça "É isso, eu não tenho idéia. Eu estou apavorada e minha boca está seca, então ele vem me abraça, afaga meu cabelo e eu me sinto melhor. Eu digo alguma coisa que nunca me lembro e ele diz algo de volta. Ele me beija a testa e então eu acordo." "Quem é esse homem, Dana?" "Eu não tenho idéia. Ela morde seu lábio em frustração. Não consigo ver seu rosto. Ele é alto tem cabelos escuros. Pode ser qualquer um. Tudo que eu sei é que eu confio nele e ele me conforta." Noite passada após Ter o sonho, levantou-se e foi para a sala. Lá, andou e andou tentando pensar, forçar se cérebro a lembrar-se do rosto dele. Não conseguindo ela adormeceu no sofá coberta por um cobertor da Julia. Ninguém fala a respeito, ela não sabe se eles tem sonhos sobre o passado, a mesmo esforço para se lembrar. XXXXXX Oficialmente o que sabe-se é que o combate a Praga, resultou na perda de grande parte da memória, das lembranças do passado. Os sobreviventes não prageavam seu passado. Esposas, maridos, crianças, se foram para sempre. Ela considerou isso enquanto entrava no Tubo (metrô) umas oito vezes durante a semana. Aproximadamente 10% da população sobreviveu com apenas fragmentos de suas memórias. Ela tinha pai, mãe talvez irmãos e irmãs. Talvez um marido. Não uma criança pois seus exames ginecológicos antes de engravidar mostraram que ela nunca havia dado a luz. Ela sabia que era médica. Patologista. Seu treinamento e habilidades permaneceram intactos após acordar do seu tratamento na clínica. Sabia que tinha 40 anos e nascera em 23 de fevereiro de 64. Havia morado no lado leste numa cidade chamada Washington, a capital dos Estados Unidos. Ainda lembrava- se dos monumentos vistos pela janela do carro. E seu nome era Dana Katherine Scully. Esses vestígios de memória haviam permanecido intactos. Haviam poucos registros oficiais, claro. O resto perdeu-se nas chamas, foram queimados. Houve uma guerra entre a Terra e os Inimigos, coisa rápida destruindo a maior parte do mundo em poucos dias de fogo. Doenças espalharam-se impedindo a maioria de lutar. E então os Outros vieram e salvaram a todos. Ela não lembrava de nada disso. sua vida começou quando acordou na clínica uma manhã com a luz do sol. Na verdade, ela tinha apenas 5 anos. Ela desceu do "Tubo" (metrô) na estação Morning side. Enquanto passava pela multidão a caminho de casa ela observava que as ruas eram claras feito o dia. Mas se ela olhasse para cima veria o céu estrelado fora do domínio da cidade. Ela sempre pensava como seria a noite. Era fevereiro, portanto inverno. Algumas vezes ela recordava que brincava na neve quando criança, amassando grande quantidade daquela coisa fofa e branca chamada bolas de neve e jogava em outras crianças. Claro que o clima da cidade era controlado. Não havia inverno na cúpula. Dana não lembrava como era sentir frio. As ruas estavam cheias de pedestres em ternos ou uniformes de trabalho conversando e rindo, planejando o jantar de hoje. Havia fila na delicatesse sugerindo que muitas pessoas estavam a fim de cozinhar. Ela não. Estava cansada seus pés doíam pois passara muito tempo de pé. Na enfermaria n( 32 ela viu pais e mães segurando seus primogênitos, conversando e batendo palmas. Depois de uma conversa sobre sapatos com Joanne Ling, ela foi apanhar Julia. Sua filha estava brincando com um caminhão amarelo empurrando-o sobre o brilhante tapete vermelho fazendo barulho vrom-vrom. Leila a professora aproximou-se e sorriu "Ela teve um bom dia, Dana. Nós dançamos e fingimos ser um sapo." Ela sorriu para a jovem com longos cabelos negros. "Ela viu um sapo no parque no último fim de semana e não parava de falar sobre ele." Julia olhou para cima e sorriu, pequeninos dentes brancos a amostra na boca cor de rosa. "Mamãe!" ela gritou e correu e agarrou-se às calças cinzas de Dana. Ela acariciou o cabelo castanho claro de sua filha e pensou, pelo menos você irá crescer e se lembrar da sua mãe. XXXXXX O parque era pequeno situado entre dois complexos de apartamentos. Haviam outros parques, maiores na cidade. Mas ela gostava do clima de intimidade desse parque, e pelo fato de ficar apenas dois quarteirões do seu apartamento transformaram ela e Julia em visitantes freqüentes. Ela passou um tempo empurrando sua filha no balanço e depois deixou Julia correr com um garotinho da sua idade e sujar-se na caixa de areia. Isso significava que ela ou John tirariam uma boa quantidade de areia da banheira, mas Julia adorava cavar buracos na areia. Ela sentou-se num banco aproveitando a sensação de simplesmente sentar e refletir. Tem sido tão desgastante ultimamente, com as exigências do crescimento da sua filha, o ritmo frenético do laboratório. Parecia tão pacífico, sentir o cheiro da relva das árvores do parque e ver Julia rir com seu novo amigo. Havia poucas pessoas no parque. Geralmente ela reunia-se com os vizinhos e falavam sobre assuntos de criança. Esta noite havia apenas uma mulher solitária folheando uma revista e dois homens empurrando bebês em carrinhos. Ela pode ouvir um bastão de baseball acertar a bola e risadas de garotos vindo do campinho atrás dela. Ela olhou surpresa ao ouvir a voz masculina "Você se importa se eu sentar aqui?" Ele era um homem alto, esbelto, vestido em um terno cinza. "Claro que não" ela disse. "É o melhor lugar para observar Adam. Ele é aquele na caixa de areia." Ela riu "Então eu não serei a única a tirar areia das unhas hoje à noite. Ele está brincando com a minha filha, Julia." O homem sorriu, um sorriso acolhedor que realçava a suas belas feições. Dana achava que ele tinha a sua idade ou um pouco mais velho. Ele tinha marcas ao redor dos olhos verde acinzentados e mechas grisalhas no seu cabelo escuro. Ela tinha alguns poucos fios que ela escondia com a tinta acobreada uma vez por mês. "Estou feliz que Adam esteja fazendo novos amigos, nos mudamos para cá a um mês e ele está enfrentando problemas em adaptar-se na creche. Ele adorava sua antiga professora e a mudança deixou-o confuso." "De onde você veio?" De alguma forma, este homem despertou sua curiosidade. Ela não costumava fazer esse tipo de pergunta a estranhos mas saiu antes que ela pensasse a respeito. "Boston." Ele disse ajeitando os óculos de metal. Ela é a nova chefe da Escola de Educação da Universidade. Nós não gostamos de nos mudar, mas as cidades são bem parecidas, não são?" "É acho que sim" Dana disse. Ela não saía muito da cidade. Apenas na sua lua de mel foi a Miracle Beach e duas vezes a Chicago para conferências. Realmente, as cidades eram muito semelhantes, claras, calmas, pacíficas. "O que você faz?" "Sou um psicólogo do desenvolvimento. Trabalho com crianças em idade escolar. Estava pronto para ser transferido para o sistema escolar daqui quando Sarah conseguiu seu novo emprego. E você?" Ela virou-se e sorrateiramente estudou seu rosto. Alguma coisa nele a lembrava seu marido, talvez a intensidade dos seus olhos ou a curva do seu lábio inferior. Interessante Dana pensou "Sou um pesquisadora médica. Trabalho num laboratório que estuda os defeitos congênitos dos nascimentos, o legado da Praga." "Deve ser fascinante." Ele disse concordando. "E é." E então um gemido veio da caixa de areia enquanto Julia acertava o garotinho de cabelo enrolado na cabeça com sua pá de plástico. "Julia" ela gritou. "acho que essa é a nossa deixa" ele disse e se levantou para acalmar o filho. Ela suspirou e foi atrás da sua filha homicida. Os terríveis Twos, ela pensou pesarosamente. Quando deixou o parque com Julia no reboque, ocorreu-lhe que nem perguntara o nome do homem. XXXXXXXX Depois da Julia estar banhada e na cama, ela enrolou-se no sofá clicando em algumas fotos de família na tela. Hoje o apartamento parecia tão aconchegante, as persianas fechadas sobre as luzes noturnas da cidade. A sala iluminada apenas por um abajur. Ela podia ouvir John limpando a banheira. As fotos eram de quando ela conheceu John. Fotos dos seus encontros, dos dois em festas, concertos, na piscina. Foi rápida sua união. Naqueles dias quando todos estavam procurando se conectar, Ter uma família, eles esperaram 3 meses numa lista para fazer a cerimônia na Prefeitura. Ela conheceu John em agosto e em dezembro estavam casados. Nas fotos ela parecia radiante e embarassada no seu longo vestido branco segurando a mão de John fora da capela. Ambos bêbados e corados na festa de casamento, rodeados por seus colegas de trabalho. Ela estava séria na foto que assinava a certidão de casamento. Mesmo que ela e John tivessem decidido casar-se apenas um mês depois de se conhecerem, ela levou o compromisso a sério. Quando ela jurou perante o juiz McLean amar, honrar e respeitar John, ela falava sério. Ele era tudo que ela tinha. Dana seguiu para as fotos dela no sentada no parque, enorme, grávida. Ela sentiu pela mãe que ela não pode se lembrar todos esses meses. Era assustador ser responsável pela vida de uma criança que ainda não nascera, saber que logo ela assumiria a responsabilidade de ser mãe. Como ela poderia ser mãe para seu bebê, quando nem ela lembrava-se o que era Ter uma mãe? E aí literalmente umas cem fotos de Julia. Elas mostravam ela ainda miudinha saindo da maternidade até a garota de cabelos castanhos que dava língua para a câmera. John veio e sentou-se ao lado de Dana "Deus, ela é linda, não é?" ele disse num tom de admiração. Ela virou-se para John e passou seu dedo indicador pelas bochechas dele "Você acha que ela se parece comigo ou com você?" Ele sorriu "ela tem o seu sorriso, mas o meu nariz." "Ainda bem" ela odiava seu nariz, já tinha até considerado fazer algo numa daquelas botiques cirúrgicas. Como parecia vaidade, pensou, ficou só na vontade. "Eu adoro seu nariz, Dana." John beijou a ponta dele e ela suspirou de prazer. Havia semanas desde a última vez que fizeram amor. Os seus compromissos os deixavam cansados para qualquer coisa. Ela desligou a tela e virou-se para ele sorrindo pelo modo que seus olhos estavam sonolentos e despertos ao mesmo tempo. "Vamos para a cama." Ela disse. XXXXXXXX Esta noite ela teve um novo sonho. Estava fazendo amor mas não com John. Era outro homem, o homem sem face com cabelos escuros e mãos gentis. Era de manhã e eles estavam numa cama não familiar para Dana, mas parecia o lar para ela, como seu próprio corpo, seu perfume e o cheiro da pele dele. Ele cheirava. Deus, ele sentia-se tão bem, tocando-a preguisosamente frente aos primeiros raios de sol, beijando seus lábios carnudos. Ela o amava. Oh, como ela o amava! Somente ele. O homem a abraçava e beijava depois do orgasmo e dizia "eu jamais esquecerei isso, Scully" Estranho, ele a chamava pelo sobrenome. Ela sentou-se completamente ereta seu coração batendo forte. Depois de uns minutos de desorientação, ela levantou-se da cama. John que dorme feito pedra nem se mexeu mesmo depois dela tropeçar no tenis que estavam no chão. No banheiro, ela escovou os dentes, tomou um copo d'água e olhou seu reflexo no espelho. Eu imagino quantos amantes eu tive, pensou. Com todos os propósitos e intenções, John foi seu primeiro e ela o dele. Pareceu familiar quando ele a penetrou na primeira noite. O ritmo era de algo que conhecia anteriormente, quando ela gritava atingindo o orgasmo, sentiu uma sensação de deja vu que a perseguia por meses desde que acordara na clínica. Dana sacudiu a cabeça e jurou parar com a obsessão pelo passado. Não era saudável. Não era justo com o John e a Julia e com a nova vida que ela planejou construir para si nesses últimos 5 anos. Outras pessoas estavam vivendo e construindo suas novas lembranças dessa vida tão bem, ela tinha que fazer o mesmo. Eu não quero me lembrar de você, ela disse baixinho para o homem nos seus sonhos. Ela voltou para a cama, movendo-se contra a costa quente de John usando-a como um cobertor. XXXXXXX Numa manhã de Domingo, Dana acordou com os brilhantes mas falsos raios de sol vindos da janela e os braços de John segurando-a . Ele estava cantarolando algo, uma canção familiar mas ela não sabia como chamava-se. "O que você está cantando?" ela murmurou esfregando o seu rosto no cabelo dele que cheirava a shampoo de camomila. John balançou a cabeça "eu não sei" ele simplesmente disse. É engraçado como essas coisas de repente acontecem. Uma noite, depois de alguns mese fora da clínica, ela estava numa recepção formal. Havia um piano fascinante com suas teclas marfins e negras. Ela sentou-se e descansou os dedos no teclado. De repente, seus dedos moviam-se e formavam uma canção. Ela podia tocar piano. Alguma vez no passado ela teve aulas de piano. Dana espreguiçou-se e bocejou, desfrutando da sensação de não Ter que levantar para trabalhar. Eles levaram Julia a um churrasco oferecido pela chefe do John, Debora, e somente a colocaram para dormir próximo de meia-noite. Normalmente, ela ficaria brincando tentando chamar a atenção deles, mas agora Dana podia ouvir o sono profundo da filha. Com a barba por fazer, John roçava no pescoço dela e ela sentia todos os seus nervos despertarem para a vida. A voz dele soava tão calma que ela quase não o ouviu. "Você está feliz, Dana?" Seus olhos arregalaram-se: "O que você quer dizer com isso?" John afastou-se dela, sentou e olhou pela janela "Você está feliz? Comigo? Conosco?" Ela sentou-se também "do que você está falando? Você sabe o quanto sou feliz com você." "É que..." sua voz desapareceu, ele virou-se para ela as sobrancelhas franzidas "você tem tido tantos pesadelos, você parece perdida nos seus pensamentos nos últimos meses. Estou preocupado se você não está mais feliz." Ela não era tão boa atriz como acreditava. Envolvendo-se no edredon ela tocou-lhe o braço "estou muito feliz com você, John. Nada mudou. Eu tenho tido esses sonhos e acho que são do Antes." Ele concordou "Só queria que você esquecesse." "O passado" "sim, Dana. Não faz bem a você pensar nisso, tentar se lembrar disso." Fechando os olhos ela desejou que pudesse esquecer. Parar. Mas não podia. Está além do seu controle. Demorou um pouco para ela achar as palavras "John, você nunca quer se lembrar?" Seu marido nem hesitou na resposta "Eu não quero lamentar o que não poderei Ter novamente." Não era a primeira vez. Ela pensava se John fora casado antes, se tinha uma família, como ele era quando garoto, a primeira garota que beijou. Ele inclinou-se e beijou-lhe a bochecha "você tem que esquecer, Dana. Você tem uma nova vida. O passado deve permanecer no passado." Ela concordou e sorriu para ele. As feições familiares que ela tanto amava. Ainda assim, depois de cobrirem-se com o edredon, as perguntas continuavam a rodar a sua mente. Quem eu amei no Passado? Quem eu era? XXXXXXXX Julia ouvia atentamente sua mãe ler "Jerry a espaçonave azul". Ela apontava com seus dedinhos fofinhos as figuras quando Dana perguntava qual era a nave, a lua. Observar a inteligência da sua filha crescer a cada dia era espantoso. Saber que aquela garotinha ao seu lado de macacão vermelho de veludo era uma simples célula no corpo de Dana. Do outro lado da sala, John estava sentado na cadeira de couro preta, olhos fechados com um cabo de conexão na orelha, estava imerso na rede. Dana virou a última página "E jerry voou alto em direção aos céus e a lua o aplaudia." Julia aplaudia junto com a lua. Era a sua história favorita. Limpando a garganta, John apertou o botão desconectando o computador e desligou o cabo. "Algo errado?" ela perguntou. Ele ficou de pé e começou a andar pela sala "É esse grupo em São Paulo. Eles estão fodendo tudo." "John!" ela apontou para Julia que parecia fascinada pela nova palavra dita pelo pai. "Desculpe" ele sentou no chão com elas. Pegou o ponei de borracha vermelho "Dana tem uns problemas sérios com o site. Eles querem que eu viaje amanhã." Enquanto a carreira de John como um engenheiro industrial lhe dava certos benefícios como trabalhar em casa através da rede, algumas vezes ele precisava ausentar-se e visitar alguns locais. Dana aceitava isso como fato normal na sua vida, mas ainda gemeu "Por quanto tempo?" "Eu não sei. Uma semana, talvez duas." "Não tem outro modo de resolver?" "Não." Ele beijou-a na bochecha "eu compensarei tudo para você quando voltar. Talvez possamos tirar uns dias de folga para passarmos algum tempo juntos." Ela forçou um sorriso "É bom mesmo." "Mais uma razão para eu voltar correndo." Ele riu e pegou Julia no colo. XXXXXXXX Mais tarde, depois que John levou Julia para comprar suprimentos para o jantar, Dana pegou o metrô em direção ao rio que ficava no lado leste quase no fim da cidade. Ela achava que o lugar era perfeito para uma corrida solitária. Ela não tinha mais tempo para se exercitar desde que Julia nascera. Ela gostava de impor limites ao seu corpo enquanto corria, sentia-se viva. A beira do rio estava cheia de pessoas correndo, famílias passeando e casais empurrando carrinhos de bebê na tarde de Domingo. Dana observou que as crianças tinha no máximo 5 anos de idade. Provenientes das famílias que se formaram depois da vinda dos Outros. Muito poucas crianças e jovens salvaram na guerra e da Praga. A cidade estava com um ar bem familiar, todos queriam ter um bebê. Nos intervalos de almoço e café, só falava-se em amamentar, tratamentos para engravidar e xixi de bebê. A vida social de Dana resumia-se em banhos de bebê e batizados. Dana dirigiu-se para um dos bancos de frente para o rio, observando o mesmo correr. Ele vinha de Fora, mas passava por um tratamento para evitar doenças e impurezas. Enquanto se espreguiçava ela viu uma pessoa familiar fazendo o mesmo. Era o homem que ela conheceu no parque semana passada. Ela foi até lá e bateu no ombro dele. Ele virou- e esboçou um sorrisso prazeroso e surpreso ao ver-la. Ele vestia uma camisa azul marinho e calças de moleton. Que pareciam já terem tido dias melhores. Dana mesmo assim, achava que ele não precisava vestir o traje de corrida completo como os outros corredores ali. " Eu a conheço" disse estendendo a mão " Mas não sei seu nome." " Dana Scully" disse ela cumprimentando-o " E você?" Ele soltou sua mão e esticou-se mais um pouco " Fox Mulder. Mas me chame de Mulder , eu não gosto muito do meu primeiro nome." "Fox" ela sorriu " De alguma forma, você está certo. Não combina com você. Já pensou em mudá-lo? Não que todos não gostem, claro." Ele olhou para ela com olhos espantados. Droga! Ela sabia que sugeria algo do Antes. Foi uma falta de educação. Mas Mulder apenas sorriu e continuou seus exercícios " Na, sou muito preguisçoso para me acostumar com um novo nome." "Quanto você planeja correr?" Dana perguntou. " Estou meio fora de forma. Não tive chance de correr desde que nos mudamos. Talvez umas 3 milhas. Por quê? Quer correr junto comigo?" "por que não?" " Não vejo porque, vamos!" Eles alongaram-se por mais um tempo e começaram a correr pela trilha bastante ventilada por sinal. Ela teve a impressão que ele corria mais devagar que o seu normal. Mas ela achava ótimo, assim podia conversar sem perder totalmente o fôlego. " Eu esperava encontrá-la novamente Dana" ele disse acenando para uma mulher grávida. " Eu queria lhe convidar para um encontro." Ela parou de correr e levanto a sobrancelha " Um encontro?" Ela mencionou que era casada, não? Ele deu uma gargalhada " Um encontro para brincar. Adam e Julia se deram muito bem." " Antes de acertá-lo na cabeça com a pá." " Adam gosta de mulheres agressivas." " então, ele vai amar julia. 'as vezes ela é um terror." " Na, ela só está testando sua autonomia diante do mundo. Comportamento típico de uma criança de dois anos." Eles continuaram por mais uma milha e retornaram pelo Monumento das Almas perdidas. Ela estava contente por não ter em demorado ali. Por alguma razão aquela estátua gigante de granito de um homem e uma mulher olhando para o céu , sugerindo lamentos por seus amores perdidos, fez ela arrepiar-se. Quando voltaram ao ponto de partida, compraram garrafas de água mineral e sentarsam-se num muro de pedra para observar o rio. " eu gosto daqui." Mulder disse removendo o suor das sobrancelhas " É um dos poucos lugares que parecem reais." " O que você quer dizer com real?" Dana tinha uma idéia incerta sobre o que ele falava. " Sim, real. Como o mundo deve ter sido um dia. Eu tenho lembranças do Antes." Sua respiração saiu como um sussurro "Ninguém nunca fala sobre o Antes" Ele balançou a cabeça em afirmativo " Eu sei. Mecanismo clássico de negação no trabalho. As pessoas ficam amedrontadas em disvendar seu passado, sentar e pensar que elas tiveram uma vida anterior a essa. " Ela concordou. " Desculpe, eu não devia falar sobre isso se a incomoda. Quer dizer, nós não nos conhecemos bem e aqui estou eu falando de assuntos sensíveis Um pequeno sorriso começava a formar-se nos lábios dela. " Isso não me incomoda, sério. È que eu nunca converso sobre esse assunto com ninguém. Nem com meu próprio marido." " Nem Sara. Basta eu tocar no assunto e ela lança um olhar duro para mim. Algumas vezes eu a olhoe imagino se ela se lembra de algo." Dana olhava um grupo de jovens todos do Lar da juventude. Vestido com roupas de ginástica sendo guiados por uma jovem atleta que parecia entediada com a sua função. " Deus, será que toda relação é assim? Uma pessoa olhando para a outra e imaginado quem era você antes de te conhecer?" " Eu gostaria de saber quem eu fui." Mulder disse despejando o resto da sua água. " Eu também." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas para a nova situação. Mulder desceu do murro e checou o relógio " Eu tenho que ir. Qual o seu número? Podemos marcar aquele encontro." " Eu não tenho papel para escrever." Ele deu um sorriso rejuvenecedor " Eu tenho uma boa memória. Vou me lembrar." Ela disse e ele dirigiu-se para o metrô, acenando. Ela ficou um tempo absorta em suas paranóias. Antes. Ele quer conversar sobre o Antes. Ela não tinha certeza se era medo ou esperança que sentia. XXXXXXXX Naquela noite, depois que John e Julia dormiram, ela sentou- se à mesa e começou a fazer uma lista. Coisas que sei : _Meu nome _Minha data de nascimento _A cidade em que morei um dia _Minhas habilidades e conhecimentos médicos mas não onde os obtive _Eu tive uma lesão na área do abdomên. Tenho uma cicatriz que parece ser de um ferimento à bala. _Eu tenho uma tatuagem na parte inferior da costa, uma cobra comendo o próprio rabo. _Eu nunca estive grávida antes de Julia _Posso tocar piano mas não muito bem _Não sou boa dançarina _Sou destra _Devo Ter estudado alemão alguma vez pois entendo muitas coisas daqueles programas que mostram o que teria sido a Alemanha _Eu brinquei na neve uma vez _Eu tive um amante com cabelos escuros. Ele me chamava pelo sobrenome _Eu gosto de ler especialmente romances e revistas médicas _Eu sempre gostei do meu café com creme, sem açúcar. Antes havia um modo de fazer café chamado latte mas eu não me lembro o que ele continha _Eu gosto de comida apimentada, especialmente comida chinesa _Eu gosto de correr e parece-me algo que fazia com freqüência _Eu me sinto tranquila perto de água, especialmente do rio _Eu sabia cozinhar e lembro até de receitas _Eu devo Ter sido religiosa, algumas vezes uma frase ou duas são lembradas _Eu usava conjuntos para trabalhar no Antes Ela fitou a lista tentando se lembrar de algo mais. Havia outras coisas que ela se lembrava aqui e ali, mas eram flashes breves que duravam poucos segundos. É isso, ela pensou, o resumo de 35 anos. XXXXXXXXX Pela manhã, ela tomou um banho e começou a vestir-se para o trabalho. Ela tinha uma rotina, um ritmo para as suas manhãs tão bem formado que nem precisava pensar- só acordar e realizar. Antes do banho ela preparou um pouco de café. Bebia-o da caneca de estilo mexicana azul e dourada enquanto escolhia um conjunto preto e uma capa de seda creme. Rumores de criança vindos do quarto através da babá eletrônica enquanto ela vestia a meia e abotoava o casaco. Seu cabelo estava um pouco comprido. Tinha uma tendência irritante de enrolar e por isso ela tinha que pentea-lo com laque e uma escova redonda para conseguir o efeito que desejava. Finalmente, ela passou uma base, pó compacto, pintou os lábios com uma cor acobreada, brincos, relógio e ela estava pronta para sair. De repente, medo a dominou e ela levou a mão até o pescoço. Seu colar. A pequena cruz de ouro na corrente- onde estava? Ela nunca tirava o colar nem para dormir nem para tomar banho. Houve apenas duas vezes em que ela estava sem ele. Ambas as vezes ele o encontrou e guardou para ela. Pânico subia-lhe a garganta enquanto procurava sobre a penteadeira, nas cabeceiras da cama, no banheiro. A corrente e a cruz não estavam em lugar nenhum. Isso não está acontecendo. Minha mãe me deu esse colar no meu aniversário de quinze anos. Ë a única coisa material de valor verdadeiro para mim. Ela lembrava de estar descansando no hospital, segurando a superfície fria da cruz envolta do seu pescoço e pensando, ele guardou para mim todo esse tempo... E agora sumiu. O mundo desintegrou-se e Dana descobriu-se na cama, sua cama, seu marido inquieto tocando o seu ombro. "Você está acordada agora? Seus olhos alarmados. Ela piscou um pouco desorientada. O que foi sonho e o que foi real? Sim, foi um sonho. Outra possível lembrança que retorna através de sonho. Ele acendeu a lâmpada da cabeceira " Você estava falando enquanto dormia. Algo sobre ter perdido seu colar." Ele beijou sua cabeça que estava suada " Você sonhou que perdia seu colar?" Ela balançou a cabeça "Não a pequena cruz de ouro da corrente. Minha mãe que me deu ." " Sua mãe?" " Acho que meu sonho foi outra memória do Antes" "Oh, Dana" ele puxou-a para seus braços " eu odeio te ver sofrendo assim" " Tudo bem" ela respirou fundo sentindo o cheiro dele e as batidas do seu coração voltavam ao normal " Eu acho que quero me lembrar." Eu detesto ser uma página em branco. Ele concordou " Eu não entendo porque você quer se lembrar. Eu tento entender, mas não consigo." " eu sei que não." Ela suspirou " Isso o amedronta, a mim também." " Então porque fazer isso. Não é saudável. Não é justo comigo, com a Julia e com você. Essa é a sua vida agora." Um breve momento de raiva tomou conta dela. Ela lembrou-se do que Mulder disse a ela- era tudo muito grande.Era grande considerar uma vida inteira apagada, mas porque john não entendia o desejo dela de saber? Ela pensou se seu marido realmente a conhecia. Que seja, 3 da manhã não é hora para discutir tal assunto especialmente com John partindo para são Paulo pela manhã. Após tudo isso sentiu-se exausta. Aconchegou-se no colchão, puxou o edredon e disse " Vamos voltar a dormir, John " ela rezou para não voltar a sonhar. XXXXXXXXX Com um olhos castanhos e brilhantes, Julia derrubou um pedaço do seu omelete de queijo no chão com o seu garfo. "Julia" brigou John, sua testa franzida. Dana apenas sorriu e continuou a tomar seu café. John acessou o aeroporto pela rede e descobriu que o seu vôo sairia 3 horas mais tarde devido ao mau tempo. Fora da cúpula, uma forte tempestada caía com trovões e raios aumentando o nevoeiro com possibilidade de nevasca. Com algum tempo restante, eles caminharam sete quarteirões até o GreenLaw Corners Café. Era um lugar aconchegante com umas vinte meses no máximo. Eles raramente tinha a oportunidade de sair para comer fora como uma família. Era um ambiente familiar o bastante para ter crianças por perto sem problemas e servia um prato especial huevos rancheros. E Dana gostava do serviço e dos holgramas com macacos espalhados pelo lugar que davam um ar de selva de desenho animado. Olhando ao redor ela viu um jovem casal que pareciam cansados como se não tivessem dormido na noite anterior. Ele era alto e bonito de cabelos escuros sorrindo com encantamento para a sua amada, uma mulher baixa de cabelos louro. Eu me lembro do encantos do primeiro amor, Dana pensou, cutucando a gema dos seus ovos avermelhadas pelo molho. Ela tocou a mão de John " voc~e se lembra da primeira vez que viemos aqui/" Ele repousou a xícara de café e piscou " A primeira vez?" Lutando para não revirar os olhos " Sim, a "primeira" vez." Um olhar de pânico tomou-lhe a face sabia que poderia vir a ter problemas " A primeira vez?" Ela beliscou a mão dele o que fez julia dar uma risadinha. "Dana você tem que me ajudar" ele defendeu-se "Você sabe que sou ruim nesse tipo de coisa." " A primeira vez" ela baixou a voz como se Julia pudesse entender " pense, John. Lembra-se do seu antigo apartamento antes de nos casarmos? Era a uma esquina daqui. Você, Chris e Mike e muitas roupas sujas no chão? " John arregalou os olhos e sorriu. Ela colocou um bom pedaço de ovos e tortillas na boca e sorriu triunfante. " Agora eu me lembro." Ele suspirou " A primeira vez que viemos aqui foi depois da primeira vez que ficamos juntos." Eles eram iguais ao casal ao lado. Tudo referia-se a descoberta de momentos de prazer. Mesmo com o vazio que havia em suas vidas, eles podiam e encontraram o amor. " e nós viemos aqui logo após descobrir que eu estava grávida." Dana disse. John colocou alguns pedaços de ovos no prato da Julia " Para um pequeno restaurante de esquina representa muitas lembranças. " Ela concordou colocando mais café nas sua xícaras. " falando em gravidez, você já pensou mas em ter outro?" mesmo estando lá junto dela durante os testes, as visitas ao médico, segurando sua mão durante o tratamento da laparoscopia, ela se perguntava se John tinha idéia de quão doloroso foi o processo na tentativa de engravidar para ela. Ela se odiava por desapontá-lo por não conseguir. Ela ainda se lembrava, deitada na mesa depois da terceira IV rangia os dentes e murmurava silenciosamente euconseguirei eu conseguirei . Machuca querer tanto algo assim. Era mais doloroso talvez, perceber o quanto ela, seu casamento, estavam envoltos neste esforço. Ela deixou o garfo e tocou a mão dele "penso demais nisso." A voz dele na espectativa "Alguma conclusão?" Eu gostaria de ser como você, John. Você vai do ponto A para o ponto B e chega ao ponto C já decidido. È um matemático no coração. Enquanto, eu preciso da lógica e da razão para guiar-me durante o dia, a vida em si é mais complicada para mim. Ela olhou para o resto do café "Não. Nenhuma conclusão. Eu não sei se quero passar por tudo aquilo novamente. Não sei se posso." Eu não sei se posso me sentir um fracasso quando minha menstruação vier, quando vou a emergênca de um hospital por causa de um aborto prematuro,. Eu não sei se posso encarar o fato do meu corpo me trair. Dana olhou para Julia que balançava os pés tentando escapar da cadeira e passando os dedinhos sujos de ovos pelo cabelo. Ela olhou para o marido apertando a mão dele "Eu não sei se posso" repetiu. XXXXXXXX Durante todo o corredor julia imitava um sapo e Dana não se importava era até engraçado. No fim do corredor, elas pararam e tocaram a campainha do 1582. Depois de um momento a porta abriu e uma mulher alta com uma forma atlética e cabelos encaracolados castanhos apareceu. Ela vestia um conjunto de calça creme que destacavam sua pele e seus olhos negros " Você deve ser a Dana" ela disse num tom suave e melodioso " Sou Sarah Morelli." "Muito prazer" e apertaram as mãos. Sarah abaixou se para ficar no nível de júlia " E esta é Julia eu presumo?" Julia fez uma cara angustiada e escondeu as mãos na saia de Dana. " ela é tímida com estranhos" Dana disse desculpando-se. " eu posso entender, também sou." Ela levantou-se e empurrou a porta "Entrem, o lugar não está todo arrumado ainda. Estamos muito ocupados desde que nos mudamos." A sala era parecida com a de Dana. De tamanho médio com espaço para a mesa do computador carpete bege e uma parede cheia de janelas que mostravam as luzes brilhantes da cidade à noite. Havia ainda algumas caixas encostadas em uma parede, não havia quadros na parede e muito poucos objetos de decoração que indicariam longa residência no apartamento. "Querido," Sarah chamou "Dana e Julia estão aqui." Mulder saiu da cozinha, vestindo uma velha calça jeans e uma camisa cinza suja de tinta, seu cabelo despenteado. "Hei" ele a saudou "Desculpe, esse lugar está uma bagunça. Eu decidi cuidar do lar hoje. Por alguma razão eu tive a brilhante idéia de instalar os armários da cozinha." Julia continuava pendurada na perna dela, olhando para os estranhos a sua volta. "É uma hora ruim? Podemos voltar outra noite..." Ele balançou a cabeça "Eu já acabei. Adam está louco para brincar com Julia." Como um chamado, o garotinho apareceu vindo do corredor, correndo até Julia. Ele olhava para a sua nova amiga com os olhos cor de chocolate iguais ao da mãe. "Adam, você se lembra de Julia?" Sarah perguntou, passando os dedos pelos cachinhos do filho. "Ela está aqui para brincar com você." "Eu tenho ferramentas" Adam disse a Julia, que começou a balançar para cima e para baixo os enfeites dos seus sapatos. "Vá mostrá-las a ela" Mulder disse e deu um pequeno empurrão nele. As duas crianças deixaram a sala. "ele está obcecado por ferramentas ultimamente" riu Sarah "Por estarmos trabalhando otempo todo no apartamento ele fica pegando as ferramentas por mais que tentemos esconder, nós acabamos achando-as na cama dele. Como uma compensação, compramos para ele um jogo de ferramentas plásticas de brinquedo e parece que funcionou." "Adam continua dormindo com suas ferramentas" Mulder disse. Sarah pegou uma maleta de couro marron da mesa. "Eu tenho que correr," ela disse "Dana, eu gostaria de poder ficar, mas os Trustees tem um encontro hoje à noite na universidade." "Nós faremos isso outra vez, quando John voltar da sua viagem de negócios." Dana disse. "Parece ótimo." Sarah beijou suavemente o marido na bochecha. "estou com um pressentimento de que vamos demorar, então não espere por mim." Mulder deu um sorriso falso "Minha mulher é tão importante para as palavras. . ." "E não se esqueça disso nem por um minuto." Sarah preveniu enquanto saía. A porta fechou-se e Mulder disse "Vamos ver o que nossas crianças danadas estão aprontando." O quarto de Adam era pintado de azul e tinha uma cama coberta por uma colcha de um ratos de desenho animado. No chão, os dois batiam com as ferramentas em blocos plásticos, acompanhando o barulho. Eles estavam tão concentrados que nem olharam para os pais. "Eles ainda não se mataram" Mulder disse "acho que é um bom sinal. Por que nós não agimos um pouco como adultos? Se ouvirmos gritos de agonia, nós corremos." Na pequena cozinha, mulder mostrava os armários brancos orgulhoso e colocou a chaleira para fazer café. "Eu estou feliz por você Ter vindo." Mulder disse, procurando por leite na geladeira "Sarah e eu não fizemos amizades ainda. É difícil deixar nosso ciclo de amigos em Boston." "Eu não posso nem imaginar Ter que me mudar." Ela fez um gesto desajeitado com as mãos. "Isso é. . . isso é tudo o que sei agora." A chaleira preta começou a apitar. Mulder desligou o fogo e despejou a água quente num pote devidro contendo pó de café. A sala encheu-se do cheiro saboroso do café. "É bom finalmente Ter um café verdadeiro." Ele disse "Aquela coisa que tínhamos dos Outros não tinha o mesmo sabor." Dana balançou a cabeça concordando e o seguindo até a sala, onde sentaram no sofá branco e marrom. Com um pequeno suspiro que Dana não pode ouvir ele serviu-lhe uma xícara de café e entregou a ela, deixando que ela adicionasse o leite. Ele olhou ao redor e disse, "ah, felicidade doméstica." Dana soprou o café, permitindo-se inalar o cheiro tão apreciado. Café só está disponível desde o ano passado, e ela ainda considera isso um prazer. "É?" Ela perguntou " Isso é felicidade doméstica?" Ela não sabia porque exatamente, mas Fox Mulder fazia ela querer perguntar coisas pessoais. Ele recostou-se no sofá. Vagamente, Dana podia ouvir as crianças ainda batendo com as ferramentas e rindo. "Eu suponho que seja felicidade caseira de certo modo." Mulder disse. "De certo modo? Como assim?" Mulder riu e colocou sua xícara sobre a mesa. "eu tenho uma esposa que amo, um filho lindo, um trabalho que acho interessante e desafiador, mas. . ." a voz dele desapareceu. "Mas?" "Se importa se eu entrar no pessoal por um momento, Dana?" ele perguntou, aproximando-se dela. Ela imaginou que podia sentir o cheiro da pele dele. "Não me importo." "Olha, eu tenho uma mania de afastar as pessoas. Eu as assusto com as perguntas que eu faço, falando as coisas erradas. Ele esboçou um sorriso "eu não quero fazer isso com você." "Você não está me afastando. Eu tenho um problema oposto, é difícil eu me abrir." Ela disse. Mulder a olhou sem acreditar "Verdade? Você não me pareceu assim." Ela mexeu-se desconfortavelmente. Ela não via lógica para esplicar como era fácil conversar com esse homem. Poucas pessoas na sua vida com quem ela instantaneamente simpatizava. Megan, sua parceira de laboratório era uma. John, outro. Talvez, alguma química interpessoal. Ela decidiu trazer a conversa ao seu assunto inicial "Sim, você estava falando de felicidade caseira. . ." Mulder olhou para as suas mãos "eu devia estar feliz. Eu estou feliz a maior parte do tempo, Mas ultimamente, eu venho procurando essas drogas, eu não posso dizer porque. Eu observo a minha vida e tudo está bem, mas por dentro, é como se eu estivesse profundamente lamentando alguma coisa." Sua respiração saiu apressada e ela percebeu que estava segurando "ou alguém." "Ou alguém. É frustrante não ser capaz de se lembrar. Parte de mim quer desesperadamente saber, a outra parte-" "Quer seguir em frente." Dana o cortou. Mulder olhou para ela surpreso. Ela reparou como eram verdes escuros os seus olhos e tinham alguns traços cinzas neles. "É exatamente isso." Sua voz saiu como um suspiro "Eu me sinto do mesmo modo, Mulder." Ele concordou "nós vivemos num mundo de negação onde cada um procura viver seu dia-a-dia fingindo que o passado é irrelevante. Os inimigos nunca vieram, a guerra e a praga nunca aconteceram. Eles sempre viveram nessas cidades. Os outros sempre foram nossos aliados e parceiros. Quem se importa com o que aconteceu conosco Antes?" Dana estava pasma por ouvir os pensamentos que rodavam na sua cabeça por tanto tempo sendo ditos por outra pessoa. "Hei" ele tocou o braço dela levemente. Dana pode sentir o calor da sua palma através do suéter. "Desculpe, às vezes tendo a declamar por um tempo. Geralmente, Sarah está aqui para me fazer calar." "Tudo bem. Verdade. Poderia ser eu dizendo a mesma coisa." Dana observava ele passar a língua para molhar seu lábio inferior. Mulder olhou novamente para as suas mãos "Eu só quero saber a verdade. Talvez não mude nada, nem me faça mais feliz. Mas eu saberia." Um grito escandaloso veio do quarto e Julia vinha correndo para o colo de Dana. "O que foi?" ela perguntou acariciando as costas da filha. Era difícil sair de uma conversa sobre o Antes e voltar a fazer o papel de mãe. Julia respondeu com olhos mareados "ele pegou meus blocos" Mulder balançou a cabeça e levantou "parece que o momento para adultos acabou. Dez minutos somente." Ela sorriu sabendo como eram raros esses momentos. Saindo da cozinha disse "A única coisa capaz de acabar com essa briga são cookies" Olhando para o rosto da filha, Dana sorriu de desgosto. Sim, felicidade caseira com certeza. XXXXXXXXX Eram duas da manhã e Dana não conseguia dormir. Após trocar de posição inutilmente, ela sentou e acendeu o abajur ao lado da cama. O apartamento estava muito calmo sem a presença de John. Era difícil para ela dormir sem o calor do corpo dele junto ao seu, ou talvez tenha sido o café que bebeu na casa do Mulder. De qualquer modo sua mente não estava quieta o bastante para permiti-la dormir. Por um momento, ela considerou tomar uns comprimidos para dormir que a Dra Hanley prescrevera, mas eles tinham efeito de deixá-la lerda no dia seguinte e com tanto trabalho por fazer no laboratório isso iria atrapalhar. Ela imaginou se john ficaria chateado se ela ligasse para o seu hotel em São Paulo no meio da noite. Com um suspiro decidiu que sim. Sua médica tinha lhe dado alguns exercícios mentais para ela tentar quando estivesse sofrendo de insônia. Não custava nada. Ela deitou- se do lado direito da cama em posição fetal. Permitindo-se respirar devagar, longos suspiros, ela tentou se lembrar de um lugar onde se sentia totalmente calma e relaxada. Um tempo onde ela se sentia bem feliz. Inspire. Um lugar feliz. Expire. Aqui nessa cama. Deitada, quase adormecida depois dos efeitos do prazer e da fadiga. O corpo quente de John ao lado do dela, ainda suado. O peito dele contra suas costa, um braço sobre ela e a mão dele descansando sobre a barriga dela. E seus olhos lutando para continuar abertos, para lembrar e saborear a doçura desse momento. Seu corpo ainda ardendo devido o orgasmo. Finalmente, após quase um ano tentando engravidar, testes e procedimentos dolorosos, terapias, o bebê deles estava crescendo na sua barriga. Quase cinco meses e fazer amor voltava a ser a troca de carinhos e compartilhar sentimentos em vez do dever de procriar. Finalmente, finalmente. Dana sentiu o sono a alcançar depois de lembrar daquela noite adorável que a fez esboçar um sorriso nos lábios e de vagar, escurecia, adormeceu. ...não hoje Scully, não é hora. Vamos apenas aquecer um ao outro, por favor, eu quero ver outra manhã com você... seus olhos abriram-se na escuridão do quarto, e ela buscava ar. O que, que droga foi isso? Era um suspiro masculino, como se alguém estivesse na cama com ela. Seu estômago dava voltas, ela levantou-se e dirigiu-se ao banheiro apenas a tempo de provocar. Descansando seu rosto no vaso frio ela lutava contra a sensação de náusea. Eu não quero isso, nào hoje. Tudo o que eu quero é dormir. Finalmente, ela levantou-se, escovou os dentes e bebeu um copo d'água. Derrotada, abriu o armário de remédios e pegou os comprimidos para dormir. Dez minutos depois, as drogas fizeram efeito e ela dormia profundamente. XXXXXX "Eu tenho essa teoria, quer ouvir?" Mulder disse espalhando água com o pé. Eles estavam no Parque Central da cidade, o maior deles com muitas milhas quadradas no meio do centro comercial da cidade. Sarah estava do outro lado da fonte com as crianças que colocavam pequenos barquinhos de plástico na água. Adam e Julia estavam nus e totalmente molhados. Mulder e Dana tiraram seus próprios sapatos e enrolado suas calças, curtindo a água fria com os pés enquanto comiam sanduíches. Dana levantou uma sobrancelha incapaz de falar por estar mastigando um pedaço do seu sanduíche de peru. Depois de engolir ela disse "Você parece Ter muitas teorias, Mulder." Era tão bom e fácil apenas divertir-se no parque. Com todo o verde, as árvores as famílias. Sua filha saudável brincando na água. Os eventos estranhos das duas noites anteriores pareciam nem Ter ocorrido. "É uma teoria estranha, eu nunca a disse a ninguém" Mulder disse puxando o papel do seu sanduíche. Porque você está me dizendo então, porque não conta para a sua esposa, ela pensou. Mas sabia a resposta. Sarah não queria discutir o assunto, igual ao John. "Prossiga" "em que ano estamos?" Mulder perguntou. Ela olhou confusa "2004" seu tom de voz parecia dizer "claro!" "você tem certeza?" "Claro que tenho, é o que o meu calendário e o meu computador me diz" Mulder virou a cabeça e lançou um estranho e intenso olhar para ela "Isso é o que eles dizem, mas pense comigo Dana. Os outros resgataram os sobreviventes e os mantiveram em extase por um tempo, trataram a praga e quando acordamos nos achamos em cidades que os Outros haviam criado para nós." Dana balançou a cabeça concordando. Aquilo não era novidade para ela. Ele espalhou mais água com os pés "O tempo nos diz que ficamos três meses em êxtase. E se não for verdade?" "Por que não seria?" ela olhava Sarah puxar Julia da água e podia ouvir os risinhos deliciosos da filha. "Eu não sei" Mulder balançou a cabeça como se ele mesmo estivesse confuso com a sua própria teoria "Parece estranho para mim que os Outros tenham sido tão bons conosco e pedido tão pouco em troca. Eles nos salvaram, recriaram um mundo como o nosso, com nossas regras. O motivo deles tem sido totalmente altruísta, exceto que agora eles negociam conosco e tem acesso a pesquisas naturais precisas da Terra." "E você duvida das boas intenções deles? Não acha que se os motivos deles fossem menos honrados, eles não teriam já mostrado sua verdadeira face? Já faz cinco anos." Ele riu "eu gosto do modo como me desafia, Dana." Ela retribuiu o sorriso "então, o que isso tem a ver com o tempo em si?" "É algo que considero de vez em quando. E se o tempo que passamos em êxtase foi bem maior que 3 meses? E se foi um século? É tudo que sabemos." "Com que propósito?" perguntou tomando um pouco de limonada. "Qualquer coisa, experiências, coletar material genético,..., eu já considerei que e se nunca houve uma guerra, ou inimigos ou a praga. Talvez o resto do mundo foi morto ou levado pelos Outros. Como poderíamos saber realmente. Ninguém se lembra." Dana sentiu um calafrio ao ouvir as palavras de Mulder, mas o afastou. "Tem razão. Sua teoria não é nada atraente." "ë eu sei, mas é como minha mente funciona." "é uma idéia pertubadora" Dana achava difícil imaginar que tudo o que sabia era totalmente falso. "Eu não queria assustá-la. Pelo que sabemos, os Outros são boa gente. Como eu disse, tenho essas idéias." "Eu gosto" ela disse olhando para a forma pálida dos seus pés "É revigorante poder conversar sobre isso com alguém que não te ache doida." "você era quem deveria me achar doida. Mas você não me acha." "Você não é doido." Mulder levemente tocou sua mão e ela sentiu algo elétrico atingir seu braço. Era a coincidência repentida de que o homem sentado junto a ela era atraente. Ele estava olhando para ela com uma expressão que permitia a ela ver a sensualidade daquele homem, a paixão que existia por trás do humor irônico e as idéias estranhas. Ele estava olhando para ela como se ela fosse a única pessoa na terra naquele momento. Não pense nisso disse a ela mesma forçando-se a olhar para a mulher dele que divertia-se com as crianças. Ele pareceu notar onde realmente estavam e tirando os pés da fonte perguntou "Você trouxe toalhas?" XXXXXXXX Quando ela e Julia voltaram para casa, havia um recado do john no serviço de e-mail pedindo para ela ligar para ele. Ela deu um rápido banho em Julia, leu uma história e colocou-a para dormir. Ela sentou-se na frente da tela e discou o número através do controle remoto. Um minuto e eles conectaram-se. O rosto do seu marido apareceu na tela, sentado na cama "Oi, baby, estou sentindo sua falta." "eu também" "Eu tentei falar com você duas vezes hoje a noite. Onde vocês foram?" Ela sabia que ele estava perguntando só por curiosidade. Mas a pergunta a fez sentir estranha. "Um encontro para brincar. Eu conheci um casal maravilhoso, Sarah e Mulder outro dia. Nós levamos as crianças ao Parque Central da cidade hoje a noite." "Ah, eu sinto falta dela também. Ela está na cama?" "É, quer que eu a acorde?" "Não, deixe-a dormir." "Você ainda planeja voltar no Sábado? Só seis dias. Não demora tanto. John fez uma careta e passou os dedos pelo cabelo castanho "Era por isso que estou ligando. O projeto está uma bagunça tenho passado 16 horas todo dia no local e não acho que conseguirei terminar em menos de duas semanas." "Duas semanas?" ela tentou não parecer desapontada, mas não conseguiu. "Eu sei, me sinto péssimo. Eu sinto demais a sua falta e a de Julia. E eu perderei seu aniversário no Domingo." Ë mesmo, ela tinha esquecido que seu aniversário era no Domingo. "Bem, comemoramos quando você voltar." Ele sorriu para ela. Um sorriso doce e culpado."Nós iremos sim, pode contar com isso." Eles ficaram se olhando por um tempo como se preocupados por trocar confidências que não eram apropriadas e desligaram. Eu esqueci de dizer que o amo, ela pensou enquanto se levantava do sofá e juntava uns brinquedos do chão. Mas ele sabe como me sinto. Ela decidiu que mandaria uma mensagem dizendo a ele exatamente o que sentia mas ela adormeceu e esqueceu de mandar a mensagem. XXXXXXXX Na noite seguinte, após colocar Julia para dormir, ela escreveu a mensagem para John. Era relaxante depois de um dia de seminário sentar-se na confortável cadeira em frente ao computador, fechar os olhos e deixar seus dedos digitarem no teclado automaticamente sem que precisasse ver. Estava no meio de um parágrafo falando sobre a sua lua de mel quando uma brilhante página amarela apareceu no seu campo de visão. * Usuário fwmulder2411 procura usuário dkscully8734 no Netscape AE-3456- AT* Curioso, ela pensou, Mulder tem um Netscape. Ela considerou brevemente terminar a mensagem. Mas, a curiosidade a fez fechar o serviço de e-mail. Ela não tinha o costume de usar a rede. De tempos em tempos, ela precisava atender a uma conferência na rede ou uma reunião, mas não apreciava usar a net para diversão. Muitas pessoas inclusive seu marido, usavam a net para divertir-se com jogos e novidades, isso a pertubava. O mundo dentro da net era de alguma forma muito real e a divisão entre a sua vida virtual e real parecia meio nebulosa. Lá, se tocasse numa mesa de madeira em um sala de conferência, esta parecia sólida aos seus dedos como a mesa da sua cozinha. Ela sabia que não era verdade, o software apenas manipulava o seu cérebro para pensar ser real. Todos que ela conhecia aceitavam a net como parte diária das suas vidas, Dana preferia o mundo real fora da net. Ela respirou profundamente e clicou no endereço de Mulder e no botão de conexão da rede. Um flash brilhante de luz a fez pular, sempre acontecia quando ela conectava. Uma vez perguntou a seu vizinho Evan um analista de sistemas que trabalhava no serviço público da rede da cidade porque existia esse flash, ele riu " é só psicológico, ele não é necessário, mas faz as pessoas sentirem que realmente vão a algum lugar..."ele ofereceu-se para tirar o flash do seu computador, mas esquecido como Evan era esquecido até hoje não aparecera. Ela entrou por um corredor metálico cheio de portas com números identificando- as. Ela estava em frente a AE-3456- AT. O software registrou sua presença e abriu a porta revelando um vazio negro. Dana sentia-se como Alice no país das maravilhas, um livro que comprara para Julia, entrou no espaço e descobriu-se a beira mar. Curioso, ela pensou. Estava numa praia ventilada, o oceano com suas ondas brancas quebravam na areia. Era tão real que deixou-a sem fôlego. Ela imaginou poder ouvir o choro das gaivotas sobre sua cabeça e sentir o cheiro do sal no ar. O céu estava acinzentado. O vento balançava seus cabelos enquanto ela procurava por algum sinal de Mulder. "Muito ventilado para você?" Mulder disse. Ela virou-se e ele estava parado próximo a ela olhando-a exatamente como ele era na vida real. As pessoas podiam através do software escolher várias aparências diferentes para navegarem pela rede. Dana estava aliviada por Mulder aparecer como era em vez de parecer com um gigante ou um Outro. Fantasiar, tudo bem, mas tudo tem limite. "Eu nunca vi um Netscape tão bem elaborado. Você que desenvolveu?" "Tá brincando? Eu sou um completo idiota quando se trata desse tipo de coisa. Eu pedi a um designer para fazer, custou um bocado de crédito." "É lindo. Eu nunca vi um oceano como esse." Eles começaram a andar pela praia "então, você já esteve em um oceano?" perguntou. "Sim, na minha lua de mel. Nova Zelândia. Miracle Beach." "É o Atlântico. Antes da Sarah e eu casarmos, nós fomos a uma conferência no Maine. Era um resort aberto somente para altos oficiais. Enquanto Sarah passava o seu tempo com acadêmicos, eu passava a maior parte do meu tempo na praia. Nunca me senti tão em casa na minha vida." Eles chegaram ao limite da água. Apesar das ondas não molharem seus pés aquela distância, a quebra delas na praia, respingavam água no seu rosto. "Você vem sempre aqui?" ela perguntou. Ele olhou para o céu escuro "só quando preciso pensar. Parece que todos os meus bons pensamentos saem quando estou nessa praia." "eu posso ver porque. É tão pacífico aqui." "É aqui que faço minhas lembranças." Ela olhou para ele os olhos tão cinza como as nuvens "Lembranças do Antes?" Mulder respondeu "É não há nada aqui que distraia meu pensamento." Dana pegou uma grande quantidade de areia nas mãos e deixou os grãos escorregarem pelos seus dedos. Ela realmente podia sentir cada grão de areia. Ela tinha um pergunta para Mulder mas não sabia se atreveria- se a perguntar. Seu próprio marido não lhe disse, porque Mulder diria? Mas ela perguntou assim mesmo "Mulder, o que você se lembra?" Quase não se ouvia sua voz. Em vez de ficar ofendido, ele virou-se para ela e sorriu "Você quer mesmo saber?" ela balançou a cabeça afirmativamente. "Não muito. Apenas impressões gerais. Eu tinha uma irmã, ela tinha cabelos mais escuros que o meu. Eu me lembro de andar de bicicleta e jogar baseball quando criança. E eu me lembro de estar numa praia muito parecida com essa." "Nada sobre a sua vida de adulto?" "Não. A maioria das minhas memórias são da infância. Eu sei que fui treinado em psicologia mas não me lembro de trabalhar com crianças como hoje. Recentemente, me lembrei que trabalhava para algum tipo de força da lei." "Força da lei? Como um guardião?" "alguma coisa desse tipo. Havia uma espécie de agência no Antes chamado Federal Bureau of Investigation. Você já ouviu falar?" "Claro, eu vi um filme sobre isso. Tinha alguns agentes do FBI nele." "parece estranho mas acho que fui um agente desses. Tenho um fragmento de memória onde estou olhando para minha identificação." Ela levantou a sobrancelha "Você tentou ver se ainda existem alguns registros?" "sim, tentei" seu rosto parecia desapontado "Os registros na rede não são acessíveis. Estão muito bem guardados. E como eu disse, não sou um gênio do computador." Ela teve uma inspiração "Mulder, eu tenho um vizinho, amigo meu. Ele sabe tudo de computadores. Se quiser posso pedir para ele procurar para você." "Você faria isso para mim?" seus olhos bem abertos. Dana pode ver como ele fora quando garoto. "Eu faço sim" Mulder pegou sua mão e apertou-a. antes que ela pudesse sentir a sensação ele largou "Significaria muito para mim, Dana." Ela sorriu "Você e eu somos bem parecidos. Queremos saber tudo." Por um momento, Mulder ficou em silêncio olhando as ondas. "Parece que nós dois somos os únicos nesse mundo que queremos saber." "Não parece tão solitário como antes" ela suspirou. Dana virou-se, o vento soprava seu cabelo tirando-o do seu rosto "Porque pediu que eu viesse aqui hoje?" "Porque você é a única que entende o que esse lugar significa para mim." Mulder colocou seu braço ao redor dela e ficaram observando o mar. XXXXXXX A festa já estava no seu auge quando ela chegou ao apartamento de Mulder e Sarah. Pessoas que ela não conhecia, vestida como nos anos noventa em pequenos grupos conversando e bebendo vinho. O ar cheirava a perfume feminino e ao junto ela ouvia o som de jazz tocado no piano vindo de um aparelho de som. Ela ficou parada na porta sem saber o que fazer. Geralmente, quando tinha uma sala cheia de pessoas para enfrentar, john estava com ela para guiá-la pela multidão e introduzi-las nas conversas. Isso é bobagem, pensou. Você é inteligente e independente e você não precisa do seu marido para sobreviver a essa noite. Sarah a viu e veio ao seu encontro. Ela estava elegante com um vestido cor de chocolate que realçvam seus olhos e o decote realçavam-lhe os seios. "estou feliz que tenha vindo"ela disse cumprimentando Dana. Sussurando fez uma confissão. "Isso foi idéia minha, não do Mulder. Eu queria celebrar a mudança." "Onde ele está?" Dana perguntou. "ele está na cozinha, Mulder não gosta muito de festas sabe?" ela viu outros convidados na porta "Eu tenho que bancar a anfitriã." Na cozinha Mulder estava abrindo as garrafas de vinho, totalmente concentrado. Antes que pudesse surpreendê-lo Mulder olhou e sorriu para ela. Dana arrependeu-se de vestir um vestido que parecia tão nua. Ela o comprou depois da gravidez e era o melhor que tinha para a ocasião. O vestido era leve e fino, de cor vermelho escuro. Tinha uma gola alta e o comprimento até os joelhos com um decote nas costas a altura da sua tatuagem. Ela de repente sentiu-se totalmente nua quando os olhos de Mulder passeavam de cima a baixo. O que está acontecendo aqui? Ela sentiu-se incomodada após aquele doce momento que compartilharam no Netscape. Admitiu, se você fez no Netscape não conta, mas ela se sentiu tão bem olhando o mar com os braços dele ao redor dela. Ela passou para ele uma caixa de papelão e ele puxou uma garrafa de vinho australiano. A Austrália sofreu muito com a guerra e só agora suas vinícolas estavam exportando novamente. "Muito vinho" ele disse sacudindo a cabeça "já estou sentindo a ressaca de amanhã." Ele deu a ela um copo de vinho tinto. Ela provou o vinho "Sarah disse que você não gosta de festa." Ele encolheu os ombros "Muita gente reunida, depois de um tempo eu fico enjoado que nem Adam quando passa da sua hora de dormir." "Falando nisso, onde ele está? Não tinha como uma criança dormir durante uma festa num apartamento pequeno como aquele. "Há uma moça encantadora que mora 3 andares acima. Ela adora o Adam e ficou satisfeita por levar ele para ficar com ela hoje. E a Julia?" "Minha parceira do laboratório. Ela e o marido ainda não tem filhos e gostam muito de Julia." Ele riu, e ela percebeu o quanto o sorriso dele era perigoso. Ele estava todo em negro hoje. A camisa preta abotoada até um ponto onde podia ver uns poucos cabelos enrolados no peito e calças pretas. Quase doía olhar para ele. Pare com isso, ela disse a si mesma. "eu estou feliz que veio, Dana. A maioria dos convidados são colegas da Sarah da Universidade. Quase não conheço ninguém." "Eu também." Era bom estar livre sem Julia e John. Estranho sim, mas a lembrava do tempo em que era sozinha. Eles juntaram-se ao resto das pessoas. Começaram a discutir sobre política e eleições. Novembro será a primeira eleição presidencial. Dana divertia-se muito, suas conversas eram sempre sobre ciência e crianças. Era bom aprender sobre política e leis com outras pessoas. A festa chegava ao fim, Sarah estava jogada no sofá pelo efeito do vinho. Mulder não estava em lugar nenhum Muitas pessoas já tinham ido embora e mesmo que seu vestido fosse decotado ela estava com calor, precisava de ar. Com o quarto copo de vinho nas mãos ela saiu do apartamento. Deus, estou embriagada ela pensou olhando-se no espelho do elevador. A rua estava calma e deserta não havia ninguém. Entre o apartamento de Mulder e o próximo havia uma pequena área verde que nem podia ser considerada um parque. Um pouco de grama e um banco. Dana sentou-se no banco e ficou admirando as estrelas piscando por trás da cúpula. Tinha uma canção que ela se lembrava e sempre cantava para Julia "Twinkle, twinkle little star how I wonder what you are" ela pensou nos Outros e como eles derrotaram os inimigos. Quem está lá fora? Nós definitivamente não estamos sozinhos. "Você alguma vez fez um pedido a uma estrela?" Ela pulou um pouco devido a voz que quebrou seus desvaneios. Mas era apenas Mulder. Ele colocou uma mão sobre o ombro dela "Desculpe, não queria assustá-la." "Escapando da própria festa" ela levantou a sobrancelha "você é um mau anfitrião." "Sou sim" ele sentou ao seu lado e olhou para o céu. "Foi bom você me dar uma festa de aniversário." Ele voltou a fitá-la "É seu aniversário? Não sabia." Ela riu "Eu não lhe disse então não se sinta mal. Além disso, meu aniversário é amanhã." Ela olhou para o relógio "na verdade, é hoje." "Se tivesse me dito nós teríamos comprado um bolo e um presente." "Não seja ridículo. Eu vou comemorar amanhã na casa de uma amiga. Ela fará um jantar para mim." "Então, quantos anos você tem?" "Mulder você não sabe que depois que uma mulher atinge uma certa idade, é falta de educação perguntar?" "Nossa, Dana. Parece até que você tem oitenta anos. Você nem parece Ter 79." Ela fez que ia dar um tapinha no rosto dele mas ele interceptou sua mão agarrando-a . Ela não podia respirar. "E então, diz." Puxando a sua mão disse "Tenho 41." "só isso? Eu sou um ancião comparado a você. Tenho 45." Ela recuou e cruzou as pernas "Estamos ficando velhos." Às vezes ela gostaria de saber como ela era quando nova, como eram os contornos do seu rosto antes que os cabelos brancos começassem a aparecer no vermelho. Com uma mão fria ele tocou sua bochecha "você é uma mulher bonita, Dana para qualquer idade" ela teria rido das palavras dele se não tivessem adquirido um tom tão sério. Ela baixou a cabeça como em descrença olhando para as suas mãos trêmulas segurando o copo de vinho. Ele levantou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele "Você não acredita em mim?" disse sussurando. Ela podia ver o desejo nos olhos dele e sentir saindo do corpo dele como ondas. A pele dela ardia em resposta. Ele piscou e movia-se devagar na sua direção. Ele vai me beijar, eu não posso deixar isso acontecer. Não posso. Mas outra parte dela queria que ele o fizesse. Ela esquivou-se dele e ele sorriu percebendo. Ela limpou a garganta e perguntou "O que está acontecendo aqui, Mulder?" "Eu não sei" Ela olhava para o balanço em vez de Mulder "Alguma coisa está acontecendo entre nós" "Eu não consigo parar de pensar em você" ele suspirou "desde a primeira vez que nos encontramos. Eu não sei explicar, mas não consigo parar." Sua boca estava seca e ela tomou outro gole de vinho. Os pensamentos estavam todos misturados na sua cabeça e não conseguia articula-los. Ela sentiu a mão dele no seu braço " é igual para você?" sua voz estava tão hesitante que atingiu seu coração. Eu não quero responder isso. Se tiver que responder terei de dizer a verdade e se disser não sei o que pode acontecer. A pressão no seu braço aumentou "É isso?" ele repetiu. Ainda não olhando para ele, ela concordou. "Eu sei que é errado" Mulder disse "Acredite, eu sei" Finalmente, ela olhou para ele. Conhecia Mulder a tão pouco tempo e seu rosto era tão amável para ela. Mas ainda não podiam fazer isso agora, nem nunca. "É errado" ela disse suavemente. "Sim" ele concordou. Ela queria tanto beija-lo, ela pensou, apenas uma vez e eu saberia o gosto de como é amá-lo. Dana sentiu lágrimas querendo encher seus olhos e ela as afastou. Ela nunca chorara na frente de ninguém, nem do John. Sentiu-se fraca. "Eu tenho um marido e o amo, você tem uma esposa e a ama. Nós . . . nós não podemos" "Você está certa." Mesmo que estivessem dizendo as palavras certas, seus dedos entrelaçaram-se aos delas e seus rostos estavam tão próximos que seus narizes quase se tocavam. Ela podia sentir o cheiro de vinho na respiração dele. O ar parecia pouco para Dana. Mulder levou sua mão livre até o pescoço dela. Os pequenos cabelos arrepiaram-se com o toque. " Nós não podemos fazer isso." Ele sussurou pressionando seus lábios contra os dela. Ela esqueceu de pensar enquanto ele a beijava. Lógica e responsabilidade temporariamente desapareceram. Ela elevou sua mão até o rosto dele para puxa- lo para mais perto dela. As sua línguas encontraram-se pela primeira vez e eles saltaram diante desse contato. Ela sentia a onda de desejo exalar do seu corpo. Era insano beijar alguém que não fosse o John. Sentir uma língua estranha e diferentes lábios. Mas também era estranhamente familiar beijar Mulder. Não havia desencontro de nariz e lábios, apenas um único perfeito e explosivo beijo, longo, doce e desejado. Eles separaram-se buscando por ar, pareciam ter passado horas se beijando. Um silêncio incômodo formou-se entre eles. Até que Mulder falou: " Me desculpe Dana. Nós não devíamos ter feito isso." Ela balançou a cabeça, seus lábios ainda sentindo a pressão dos dele " Talvez não devessemos nos ver nunca mais" O rosto dele parecia tão ferido com as palavras dela que ela sentiu as lágrimas voltando. Ela limpou o rosto com as mãos trêmulas e levantou-se do banco "É tarde, tenho que pegar a Julia." Mulder pegou a mão dela e apertou suavemente " Eu sei que o que fizemos foi errado. Mas está sendo difícil me arrepender disso." Ela sentiu um sorriso nos lábios " Pra mim também, esse é o problema Mulder" Ela virou-se para ir embora. " Hei, Dana" ela voltou. Mulder passou as mãos pelo cabelo " Você realmente falou sério quando disse para não nos vermos mais?" Ela levantou as mãos " Eu naõ sei Mulder. Preciso pensar." O problema era que ela poderia passar o resto da vida pensando e não saberia a resposta certa. "Acho que nós dois precisamos de um tempo." Ele disse. Ela concordou. "Mais uma coisa" ele disse levantando-se do banco. "O que é?" " Você fica extremamente linda depois de ser beijada." Ela não podia fazer outra coisa senão sorrir ao mesmo tempo em que virava-se para ir embora. XXXXXXXX Blinded bt White Light Parte 2 Leiam as informações sobre essa fic na primeira parte. Volto a lembrar: Não leia se tiver menos de 18 anos. XXXXXXXXXXXXX Sozinha no seu quarto, Dana tentava pensar em qualquer coisa menos no beijo de Mulder. Focalizou sua atenção em preparar amostras de tecido para um teste de MCR-DNA. Em seguida, checou todo o orçamento familiar para março, as contas que tinha para pagar e até fez uma lista de produtos de limpeza que precisava comprar para o apartamento. Mas escondido entre seus pensamentos, lá no fundo, como uma canção pop que persiste em tocar estava a consciência de que ela tinha beijado Fox Mulder e não conseguia para de pensar nisso. Ela beijara outro homem que não era seu marido. Quando ela aceitou os votos naquela manhã de Dezembro no Hall of Magistrates, ela os levou a sério e sabia que era um passo largo que estava dando. Claro que ela amaria, respeitaria e compartilharia tudo com John. Não havia ninguém além de John. Ela nunca pensara em outro homem que não fosse John. Agora, anos depois, havia outro homem. Não importava se estava certo ou errado. Mulder entrou na vida dela através de uma série de encontros casuais e de alguma forma, ele tornou-se mais importante para ela nesses poucos dias. E agora ela tinha que tomar uma decisão. Mas ela não sabia o que iria fazer. Ela tocou os lábios ainda dominados pelo beijo dele. Ela nunca experimentara um beijo como aquele antes. Admitiu, ela apenas beijara dois homens na vida, 3 se considerar o fantasma dos seus sonhos. Mas o beijo naquele banco era uma mistura de sentimentos, uma explosão de emoções. Um beijo cheio de medo, desejo, atenção, luxúria, vergonha e ternura. Um beijo particular, diferente. Dana arrependeu-se por ter levado Julia ao parque naquela tarde. Assim, ela não teria conhecido Mulder e sua vida continuaria calma e pacata. Ela teria feito suas pesquisas, criado a filha e amado seu marido. Os sonhos e os fragmentos de memória continuariam a persegui-la, mas ela descobriria como lidar com eles. Ela era uma sobrevivente desde que saiu daquela clínica. Saberia o que fazer. Se ela não tivesse conhecido Mulder, ela nunca teria começado a imaginar como era o seu passado. A reivindicar a vida que ela tivera antes. Mulder ensinou-a a não se envergonhar por querer saber isso. Ela virou-se para o lado e ajeitou os travesseiros sob sua cabeça. Ela finalmente admitiu. Queria Fox Mulder, não só a amizade que desenvolveram, queria o homem como um todo. Ela nunca desejara alguém tanto assim antes. Claro, quando ela conheceu John, sentiu-se atraída por ele, mas era mais porque ela sabia que ele seria uma pessoa que estaria sempre ao seu lado. Ela sabia que ele era o homem com quem ela reconstruiria a vida dela. Com Mulder, Agora que ela sentiu o que era ter ele fisicamente, ela ansiava por mais. Dana queria desabotoar aquela camisa preta que ele vestia e sentir a pele do peito dele passar seus dedos nos fios de cabelo que existiam ali. Ela queria ver como era o corpo dele sem roupa. Ele tinha a mesma altura do seu marido mas as pernas e os braços eram mais longos. Ela queria passar as mãos pelos quadris, deslizar seus dedos pelo umbigo dele enquanto ele gemia por ela estar tão próxima a parte que mais desejava ser tocada. Um pequeno gemido escapou da sua boca quando sua mão deslizou para o meio de suas pernas. Ela nunca se tocava por prazer, raramente estava sozinha e parecia tão vazio não dividir isso com John. Ela acariciou-se com dedos insistentes imaginando-se fazendo amor com outro homem que não era o John. Ela se imaginou tirando as calças do Mulder deixando-o nu a sua frente ereto e olhando para ela com o mesmo olhar intenso de desejo que tinha hoje cedo. Realidade e fantasia misturaram-se na cabeça dela e lá estava ela, com Mulder. Ela tocava seus pelos púbicos e movia sua mão para acariciar os testículos dele enquanto ele tremia em resposta. Ela ajoelhava-se e fazia sua língua deslizar pelo seu pênis duro e as mãos dele apertavam os ombros dela encorajando-a . Com sua boca e sua língua, Dana o amava, demonstrando toda a sua emoção. Ele fazia sons suaves em aprovação quando brincava com a boca dela. Quanto Mulder atingiu o orgasmo, ela também atingiu, mas na cama dela de volta a realidade sufocando seus gemidos no travesseiro. O relógio marcava 3 da manhã quando ela adormeceu, queimando de vergonha e êxtase. Ela sonhou com fogo. Presa num pequeno campo em chamas, ela tossia e tremia tanto que estava com medo de quebrar uma costela. É onde isso termina, ela pensou no sonho. É onde nós acabamos. Eu nunca pensei que acabaria assim. XXXXXXX Algumas coisas interessantes aconteceram na manhã de Domingo. Primeiro ela despertou com a campainha às 7. Um entregador com um buquê enorme de flores: margaridas, íris e lírios. Preso a uma folhagem ela encontrou um cartão. *Para a mulher que me ensinou tudo sobre o amor. Feliz aniversário, John.* A culpa que sentiu ao ler o cartão foi enorme. Ela precisou sentar no sofá e respirar profundamente. Que esposa horrível eu sou, ela pensou. Ela acordou Julia, vestiu-a e colocou-a para brinca com um conjunto de animais de plástico enquanto preparava a massa para as panquecas. Quando estava colocando a massa na frigideira para fritar, a campainha tocou de novo. Era Evan. Ele era novo,24 anos e morava num apartamento do outro lado do corredor. Ele sempre vinha tomar café com ela nos fins de semana. "Estou sentindo o cheiro de panqueca?" ele disse e ela o deixou entrar com um tapinha na cabeça. Ele tirou um pacote marrom da jaqueta "Eu trouxe um pouco de bacon para o seu aniversário." Ela sorriu encantada. Bacon importado da América do Sul especialmente para ela. Era um capricho que raramente cometia. O bacon de soja era bom, mas nada substituía o sabor do verdadeiro. Ela colocou o bacon na frigideira e colocou o café para passar enquanto Evan pegava Julia e fazia movimentos imitando robôs. Apesar do cabelo esquisito, ela sabia que Evan daria um bom pai. Quando o cheiro do bacon encheu o ambiente, ela teve uma vaga sensação de familiaridade ao sentir aquele odor particular. A fez sentir quente e segura e ela pensou que o bacon era uma das suas coisas preferidas no café quando criança. Evan estava na sua nona panqueca quando ela criou coragem e resolveu perguntar o que queria desde que ele chegara. Mastigando seu pedaço de bacon disse "Você poderia me fazer um favor?" "que tipo de favor Dana?" ele perguntou. "Um favor de computador." Ela disse. "O melhor tipo de favor que faço" Evan praticamente vivia na rede. Ele passava algumas vezes cerca de 18 horas navegando saindo somente para comer e ir ao banheiro. Ele fazia seu trabalho em casa e Dana achava que ele nem saía do prédio, somente quando ia a umas danceterias de estilo underground. "é meio pessoal, você tem que guardar consigo" "Eu sou um poço de discrição" ele respondeu com um sussurro. "Eu tenho um amigo que está tentando descobrir seu passado..." "você quer dizer o Antes?" ele interrompeu levantando as sobrancelhas negras. "Sim, ele acha que foi um agente relacionado a algo chamado Federal Bureau of Investigation " "Ah, sim os federais. Entendi." "Ele tentou acessar alguns registros mas não conseguiu. Será que você consegue?" Ele bateu no peito com orgulho "Eu posso acessar qualquer coisa. Quer que eu dê uma olhadinha?" "Você poderia? Não quero lhe causar nenhum problema." Ele bufou "Dá um tempo. Isso será pateticamente simples, Dana. Além disso, informação é poder. Qual o nome dele? Eu entro e procuro por ele nos registros." "Fox Mulder" ela disse pegando um bloco na bancada da cozinha para escrever para ele. "Considere feito" ele colocou o papel no bolso " Vou precisar de alguns dias pois estou trabalhando num upgrade de interface enorme." "Obrigada" ela disse. "É o mínimo que posso fazer, afinal vocês sempre me dão comida quando preciso." Ele disse segurando o garfo. Ela encostou-se na cadeira, estava feliz por estar ajudando Mulder. Naquela tarde, depois de colocar a Julia para dar um cochilo ela resolveu checar seu e-mail. Havia somente uma mensagem e era de Mulder. Ela respirou fundo antes de abrir. "Gostaria de culpar o excesso de vinho pelo beijo de ontem à noite, mas não posso. Tenha um feliz aniversário, Dana. M" XXXXXXX "Me fale sobre isso, Dana" ela deu um pequeno suspiro. Estou num lugar seguro, pensou. Posso falar qualquer coisa, não serei julgada. Tudo parecia tão bom dentro daquele consultório. As paredes mantinham a atmosfera calma e relaxante e a Dra Hanley colocava no som a música de Vivaldi. Por uma hora na semana, Dana podia se sentar na cadeira e conversar sem interrupções. O telefone não iria tocar e Julia não choraria por ela. A voz da terapeuta era suave "É difícil para você?" Ela concordou "eu ne sinto culpada até por pensar nisso. Eu estou tentando tirar isso da minha mente, mas parece continuar aflorando sempre no meu pensamento." "Negação nunca é o modo para lidar com seus problemas. Se você enterra algo, ele continua lá e logo virá a tona." Em outras palavras, Mulder não iria desaparecer. Nem John. Ela falaria, não tinha nada a perder. As mãos de Dana atrapalhavam-se quando falava "Eu nunca conheci ninguém como Mulder antes. Eu não posso explicar mas quando estou com ele, de alguma forma me sinto completa, como se estivesse esperando por ele esses últimos cinco anos sem nem mesmo saber." Dra Hanley olhou para ela "Me diga uma coisa, você acha que isso tem a ver com o fato de John estar fora por duas semanas?" "Eu gostaria que fosse simples assim. Que eu estivesse ressentida ou com raiva de John por ele Ter ido. Isso não tem nada a ver com ele. Não mudou como eu me sinto em relação a John." "como Mulder a faz se sentir, comparado a seu marido?" ela pensou na tardinha que passaram no parque, afogando seus pés na fonte. Se ela nunca mais visse Mulder, ela ainda lembraria-se da expressão intensa nos olhos dele. "Eu não posso compará-los" Dana disse "São pessoas totalmente diferentes." "Você ama o Mulder?" encolhendo os ombros ela respondeu "Eu não sei. Eu nem tenho certeza do que é o amor. Eu pensei que amava o John mais do que qualquer coisa no mundo e olha o que aconteceu. Talvez eu não seja capaz de amar." "Você realmente acredita nisso?" Dana respirou " Nesse momento, estou questionando tudo na minha vida. Eu pensei que tinha tudo o que queria, mas meus sentimentos por Mulder me fez perceber coisas que eu nem ousaria desejar." "Com poder falar sobre os seus sonhos e as possíveis lembranças que afloram?" "Sim. Eu não me sinto uma pessoa completa sem meu passado. O que somos senão a soma de nossas experiências de vida?" o médico sorriu "Um ponto interessante." Geralmente quando sentava-se no consultório do Dr. Hanley ela desemaranhava seus problemas como se fossem uma corda cheia de nós. Agora, quanto mais ela trabalhava na corda mais apertados os nós ficavam. Dana olhou para o seu terapeuta "em resumo, não sei o que devo fazer. O que você acha?" "Dana você sabe muito bem que o meu papel não é lhe dizer o que fazer, mas ajudá-la a solucionar seus próprios problemas sozinha." Ela fez uma careta "Então, eu lhe pago para eu resolver meus problemas? Devia Ter ido a um psicólogo." Ele deu uma gargalhada. Dana deixou o consultório vagamente insatisfeita. Mesmo sendo bom conversar abertamente sobre algo que não conversava com Meghan, ela não chegou a nenhuma conclusão naquele dia. Nada mudara. Com um pequeno suspiro, ela esticou a coluna e levantou o queixo. Não era hora de pensar nos seus problemas. Tinha relatórios de laboratório para escrever, telefonemas para retornar, uma reunião de departamento. O resto do dia não pertencia a ela. Dana cruzou a praça em direção ao seu prédio, determinada a não pensar pelo resto do dia. XXXXXXXXX Indo contra ao que o Dr. Hanley disse na sessão pela manhã, Dana chegou em casa do laboratório decidida a praticar a negação. Mulder nunca a tinha beijado, ela nunca correspondera aquele beijo. Nada aconteceu, nada mesmo. Julia estava demais essa noite. Primeiro, uma luta para tirar a roupa da escola, depois outra para ela comer os feijões verdes. Ela gritava e esperneava quando Dana tentava coloca-la na banheira. John era melhor em acalmar Julia quando ela estava de mau humor. Ela sentiu-se dominada e sem controle frente a resistência da filha. Ela ligou para John no hotel. Agradecida por ele estar de volta do jantar e passar 20 minutos contando para Julia a história "Jerry and the blue spaceship". Sentada na frente da tela ela tocava a imagem do pai. John não precisava do livro para contar a história. Dana e ele memorizaram por repetir tantas vezes. Calam e feliz, Julia esparramava-se no colo de Dana. Dana sorria para ele na tela, mas seu coração batia rapidamente. Haveria um jeito dele perceber sua culpa? "Apenas mais uma semana" dizia fazendo caras bobas para Julia que se sacudia e ria "eu mal posso esperar para voltar para casa. Estou cansado de comida de hotel e o calor aqui é terrível." "Você está muito acostumado com as condições na cúpula." "É, sou um fraco. E sou homem o bastante para admitir. Não vejo a hora de chegar em casa, fazer um spaguetti e sentar com você e Julia para jantar." "eu também" ela disse. Sim, quando John voltar tudo voltará ao normal. Ela deixou Julia dormir com ela essa noite. Acariciando os cabelos da filha pensou, é aqui que eu pertenço, a minha família. Ela adormeceu escutando a respiração de Julia. Uma noite terrivelmente quente em West Virgínia e eles estavam presos numa cidade tão pequena que o hotel não possuía nem ar condicionado. Somente um ventilador velho que só espalhava umidade pelo quarto. Depois de fazerem amor, ele adormeceu em meio aos lençóis suados e ela foi para o banheiro tomar o terceiro banho do dia. Ao ligar a água, estava tão fria que sua pele ardeu em resposta e seus dentes batiam. Ela nem secou-se, deitou na cama ainda molhada e sentiu uma sensação de alívio quando o ventilador sobrou sobre seu corpo quente. O dia fora longo e exaustivo e ela implorava por dormir. Ela estava mergulhada no primeiro estágio quando sentiu. Oh, meu Deus. Elesestãovindoelesestãovindoelesestãovindo Ela sentou ereta na cama querendo gritar. Era muito mais forte do que aquela noite que ela foi levada até a ponte. Ela podia sentir isso na sua nuca e espalhando-se para os seus membros. Eles estão vindo. Tudo o que eles fizeram para lutar contra isso não era nada. Eles estão quase aqui, ela podia sentir a presença coletiva aproximando-se a cada segundo. Ela nunca quis acreditar nesse dia. Ela exigia provas, algo concreto que ela pudesse ver com seus próprio olhos. Piadas e informantes vindos das sombras não bastavam. Mesmo a formação e percepção de algo no céu da Antártida não era suficiente. Nem a confiança e fé no homem dormindo ao seu lado. Era muito grande e terrível para ela imaginar. "Eles estão vindo." Ela falou através dos lábios trêmulos. Ele moveu-se e gemeu acendendo o abajur ao lado da cama "O que foi, Scully?" dessa vez ela gritou as palavras. Dana acordou piscando no escuro. Foi só um sonho, pensou tocando a bochecha de Julia. Só um sonho. XXXXXXXX Pela manhã ela fazia traças no cabelo de Julia enquanto ouvia as notícias do mundo. "não se mexa" ela disse a garota que obedeceu esperando a mãe amarrar um laço azul na ponta da trança. Pontos brancos e vermelhos começavam a aparecer na vista de Dana. Droga, ela sabia o que era aquilo, uma enxaqueca estava vindo. Ela não tinha uma a meses. E não tinha como para-la. O remédio agia contra a dor mas ela ficaria inútil sob o efeito das drogas por horas. Ondas de náusea formavam- se na sua barriga e ela se arrependeu da aveia que tomara no café da manhã. Dana correu para o banheiro em tempo de por para fora todo o café e boa parte do jantar da noite anterior. Ao levantar a cabeça do vaso viu que Julia estava parada observando curiosa. "Mamãe vomitou." Declarou. Ela balançou a cabeça fracamente. Depois de escovar os dentes tomou o remédio para vencer a enxaqueca. Ela colocou o pijama novamente e deitando-se no sofá ligou para Meghan rezando para que ela ainda estivesse em casa. Meghan respondeu vestida no seu robe rosa e os cabelos negros ainda molhados " Dana, você está bem? Você está com um aparência horrível." Dana colocou a mão na testa, os olhos ardiam por causa da luz da tela " Estou com enxaqueca, acho que não conseguirei ir ao laboratório hoje" " Ah, não" Meghan respondeu preocupada " Mas não se preocupe, hoje iremos trabalhar nas metas de pesquisa para o próximo ano, lembra?" dana sinalizou com a cabeça, a dor estava aumentando parecia seguir o ritmo das batidas do seu coração. " Querida, já estou indo aí. Vou trocar de roupa e levo Julia a creche hoje." Após desconectar, Dana enrolou-se no sofá esperando que a droga fizesse efeito. Julia tocou levemente o seu braço " Mamãe, está doente?" " Sim, eu estou doente. E pegando o controle remoto, ligou o canal de desenho animado. Apesar do volume estar baixo, o barulho dos animais a sufocavam mas isso mantinha Julia quieta. Dez minutos depois, Meghan apareceu. Ela tinha um cartão de acesso ao apartamento de John e Dana no caso de emergências. Dana estava contente com isso pois a idéia de levantar-se era impossível de realizar. " Maggie!" Julia gritou correndo ao seu encontro e Dana encolheu-se ainda mais no sofá. " Olá, gatinha. Eu preciso que você fique bem calminha agora tá?" Meghan aproximou-se do sofá " Não se preocupe com nada. Apenas descanse eu levarei Julia para casa hoje à noite. Eu e Tom adoraremos tê- la por perto." " Obrigada, Julia você gostaria de dormir na casa da Meghan hoje?" Dana perguntou. Julia que acostumara-se a dormir na casa de Meghan para dar alguma privacidade aos pais, pulava em resposta a pergunta. " Vamos,Jules. Nós vamos para a escola." Meghan pegou um cobertor e colocou sobre Dana. Preparou uma bolsa com roupas e brinquedos para Julia e aproximou-se da amiga apertando-lhe a mão " Me ligue se precisar de qualquer coisa." De olhos fechados murmurou " Eu só preciso dormir" seu corpo já sentia o peso da droga. Julia deu um beijo na mãe e elas deixaram o apartamento em silêncio absoluto. Ela ajeitou o cobertor e dormiu. Ela sonhou com folhas caindo, douradas e laranjas, e com o cheiro maravilhoso do outono. Quando Dana finalmente acordou, olhou com olhos ainda cansados para o relógio na tela. Eram 4 horas da tarde. O dia inteiro passou enquanto ela dormia. Ela odiava perder um dia inteiro dormindo, mas sabia que era o único jeito da enxaqueca passar. Agora não sentia mais dor, apenas estava meia lerda e faminta. Ela tomou um banho, trocou de roupa. Na cozinha ela bebeu uma jarra cheia d'água enquanto esquentava uma sopa de galinha. Dana acabara de sentar no sofá para comer quando a tela do computador piscou avisando a chamada. Ela pensou em deixar a máquina atender mas lembrou-se que poderia ser da creche ou Meghan. A face de Mulder apareceu na tela, no fundo uma estante cheia de livros, provavelmente falava do seu consultório. "Você está bem?" seus olhos piscavam por trás dos óculos "Eu tentei falar com você no laboratório mas disseram que não foi trabalhar." As mãos de Dana começaram a tremer sob o seu colo ao ver Mulder. Ao ouvir sua voz. "Eu tive uma enxaqueca" ela disse "Dormi um pouco e já estou bem". Seu lábios abriram-se dando-lhe um ar bobo mas definitivamente sexy ao mesmo tempo. Ela ainda se lembrava como era sentir aqueles lábios como ela teve aquele lábio carnudo entre os seus e o chupara. "Eu estava esperando que pudéssemos nos ver hoje." Eu provoco o mesmo efeito nele. "Eu não acho que seja uma boa idéia." "Por favor, Dana. Nós precisamos conversar sobre isso" Lá se vai todo o plano de negação, pensou. Mulder não parece fazer esse processo de negação. "Está bem. Você pode vir às 6 pm?" um minuto depois ela desligou a tela. Isso é bom, nós conversaremos e esclareceremos tudo e deixaremos aquele beijo para trás. Nós somos pessoas inteligentes e racionais. Ambos sabemos a coisa certa a fazer. XXXXXXXXXXXX Mesmo a campainha tocando pontualmente às 6, ela pulou ao ouvir o som. Ela respirou fundo e seguiu a longos passos para a sala. O apartamento parecia vazio para ela. Ela realmente desejou a presença de Julia ali para a sua proteção. Seriam somente os dois, sozinhos. Da última vez que ficaram a sós.... ela não queria pensar nisso, não enquanto girava a maçaneta para abrir a porta. Mulder ainda estava com suas roupas de trabalho. Um terno azul marinho e gravata vermelha. A gravata estava desfeita e seus cabelos meio levantados como se ele tivesse passado seus dedos por ele. Numa mão a sua pasta e na outra um saco branco de compras. "Oi" ele disse com meio sorriso nos lábios. Ela deixando-o entrar "O que você tem nessa sacola?" o sorriso alargou-se "Como está sua cabeça?" "Eu estou bem. Mas isso não respondeu minha pergunta." Ele colocou a sacola e a pasta sobre o carpete. "Eu precisava saber como se sentia antes de responder a pergunta. Você está bem para sair hoje? A Orquestra Sinfônica Européia fará uma apresentação hoje no Parque Central da Cidade. Janett Paderre, o violoncelista será a solista. Se você quisesse ir eu comprei alguma comida para um pic-nic." Um pic-nic, música, o parque. Maravilhoso e eles não estariam sozinhos no apartamento. "Parece perfeito." Ela concordou. Pegaram o metrô em direção ao parque. Saltaram na estação Central. Ainda cheia de pessoas voltando do trabalho para casa. Outros, tomando sorvete e olhando vitrines. Passaram por uma vitrine de lingerie, sapatos e uma loja de noivas que Dana procurou não reparar nas moças ajeitando os véus. No final do Boulevard era a entrada norte do parque. "O concerto é no verde" Mulder disse ao entrarem. O verde era uma colina com um anfiteatro abaixo. Várias pessoas já estavam acomodadas em cobertores e toalhas espalhados pela colina. Comida de todo o tipo que muitos trouxeram de casa ou compraram nos stands de venda espalhados pelo parque. Eles ficaram no topo da colina, admirando o espetáculo durante o crepúsculo. "Tantas pessoas" Dana disse "As vezes esqueço como a cidade é grande." Ele concordou "Imagine quão grande ela era Antes. Seis bilhões viviam na terra. Agora somos menos de quinhentos milhões." Taí uma palavra de tanta destruição e perda. Disseminação reduzir drasticamente a população. Uma palavra tão seca e neutra. 5,5 bilhões de pessoas viveram, trabalharam, amaram. Eles tinham uma família e amigos, tinham história. Mas ninguém parecia sentir por eles, exceto pelo monumento insignificante perto do rio. Ao redor deles, as pessoas riam, abriam garrafas de suco, enxugavam os narizes das suas crianças. Agiam como se o mundo não tivesse terminado e começado novamente a cinco anos atrás. Dana sacudiu a cabeça "É demais para compreender." "Claro. Há muita pouca pobreza e crime, especialmente no hemisfério norte. As pesquisas não se estendem. E talvez o mundo esteja em equilíbrio." Ele disse afrouxando o nó da gravata mais "Ainda assim, valeu a pena, perder tanto?" ela congelou ao toque da mão de Mulder sobre seu suéter "Desculpe, era para estarmos nos divertindo." Ela virou-se e piscou "Pensei que íamos conversar." O rosto dele ficou sério como se estivesse lembrando o porque de estarem ali. "Isso também" Ela falou "Nós nunca vamos nos espremer ali." Apontando para a direita "Que tal ali?" ele falou. Eles andaram para uma fila de largas árvores de carvalho que pareciam estar crescendo a séculos mesmo Dana sabendo que eram produto da manipulação genética e tinham sido plantadas a três anos. Havia poucas pessoas nessa parte ainda que fosse uma boa vista do anfiteatro. Eles esticaram o cobertor que Dana trouxera de casa sobre umas folhas embaixo de uma árvore enorme. Mulder tirou da sacola pão, queijo, maças, frango assado e garrafas de água. "Eu podia trazer vinho, mas lembrei da sua enxaqueca e sabia que não era uma boa idéia." Dana tirou um pedaço de pão "onde estão Sarah e Adam hoje?" ela viu que seu tom saiu meio acusatório. "Eles foram para Boston. Angela, a melhor amiga de Sarah, teve seu primeiro filho e eles ficaram por uns dias." "Oh" ela deixou escapar, isso não é bom, não mesmo. "Não foi por isso que liguei para você. Eu não sou tão calculista assim." Mulder disse. "Eu não disse que era." "Eu não sou um cara que está entediado com a esposa e procura algo quente e perdoável. Eu nunca quis que isso acontecesse." "O que está acontecendo?" ela perguntou ele suspirou "você me perguntou isso no Sábado e eu não tinha uma boa resposta. Desde aí venho pensando nisso e não cheguei a nenhuma conclusão. Você chegou?" "Não" com um sorriso "Então é melhor comer a sua comida. Talvez descubramos algo de estômago cheio." A orquestra começou a tocar e a pele de Dana arrepiou-se com o som. Ela não conhecia muito de música, pelo menos não se lembrava de conhecer. Mas, havia algo de envolvente quando os músicos tocavam seus instrumentos. "Já os tinha ouvido antes?" Mulder perguntou estendendo a faca para cortar sua maçã. "Não" "É tão excitante. Hoje há poucas orquestras. E a ESO está tocando de graça hoje. Sarah ficou desapontada por perder esse evento." "É a primeira vez que escuto uma orquestra ao vivo" Dana disse. "A primeira vez que se lembra..."Mulder disse "Eu sempre quis saber o que eu gostava de escutar. Tão poucas gravações sobreviveram. Eu comprei um pouco de tudo para ver do que gostava." "Alguma conclusão?" ele riu "Você se lembra do Elvis?" ela deu uma gargalhada "Infelizmente. Cara gordo, lantejoulas, Las Vegas" "É esse" Mulder abaixou a cabeça envergonhado "Eu acho que fui até na casa dele em Graceland." "Você só pode estar brincando...." "Antes fosse" ele estava vermelho e ela vibrou ao notar. "Você é um homem estranho, Mulder" Ele limpou a garganta "Eu vou mudar o assunto antes que me complique." Ele tirou da sacola uma caixinha branca com um laço vermelho "Eu comprei um presente de aniversário para você, Dana." "Você não precisava" ela protestou, o calor subindo-lhe o rosto. "Não foi nada" disse entregando a caixa a ela. Com dedos trêmulos ela desfez o laço e abriu a caixa. Dentro um livro com capa de couro e páginas rodeadas de um tom dourado. Abrindo o livro percebeu que as páginas estavam em branco. "É lindo" Não só lindo como caro. Era algo antigo. A maioria dos livros hoje eram eletrônicos. "Há uma loja no lado oeste que vende algumas coisas que sobraram do Antes. Eu sempre vou lá para olhar e tentar me lembrar do Antes. Ontem eu vi esse livro e sabia que tinha que dá-lo a você. Você pode usar como diário ou para escrever suas lembranças do Antes." Lágrimas quentes rolaram pelo seu rosto e ela tentou limpá- las antes que ele percebesse mas era tarde. "Eu não queria fazê-la chorar." "Tudo bem. Só estou emocionada pela maravilha que isso é. Muito obrigada, Mulder." "Você não precisa me agradecer, Dana." Ele disse tirando do bolso um lenço e entregando a ela. Enxugou o rosto e ficaram em silêncio ouvindo a música calma e agradável que flutuava no ar. Dana fechou os olhos ouvindo as notas espalharem-se juntas com perfeição. Isso é maravilhoso. Cinco anos atrás o mundo estava em ruínas e agora eu estou sob uma cúpula ouvindo uma orquestra. Como a música é extraordinária, um músico consegue tocar cordas com uma palheta e criar beleza. A ciência é maravilhosa mas isso é alquimia. A música não pode ser definida. É pura beleza, é puro prazer. Depois de terminar de comer ela deitou-se no cobertor em cada nota que a solista tocava no violoncelo. Uma hora ela ouviu Mulder deitar e percebeu que ele estava a poucos centímetros dela. Alguém pode nos ver, pensou mas estavam escondidos no escuro debaixo das árvores. Além disso, não estamos fazendo nada de errado. Por um momento ela se permitiu imaginar que eles eram apenas mais um casal ali admirando a música. John e Sarah nunca existiram. Eram somente os dois. Mulder virou-se para ela e ela abriu os olhos vendo que ele tinha os olhos cheios de lágrimas. "Algo errado?" ela perguntou "Essa música de Dvorak. Me lembra a clínica. Eu tenho certeza que era a mesma para você. Eles tocavam na enfermaria para nos acalmar." Dana concordou "Eu me lembro de estar deitada na cama, olhando o teto e chorando. Eu chorei por três dias seguidos e a pior parte era não saber porque eu estava tão triste." "Eu estava agressivo, quase violento." Mulder disse. "Você estava? Não me parece que você possa ser violento." "Bem, eu estava a poucos dias na clínica. Não me lembrava dos primeiros dias e quando saí uma enfermeira me disse que eu passei o primeiro dia todo gritando depois de acordar Onde ela está? O que vocês fizeram com ela seus animais? Eu vou matar cada um de vocês se vocês a machucarem." A voz de Mulder estava embargada pela dor da lembrança. "Você imagina quem ela seja?" Dana perguntou gentilmente. Mulder fechou os olhos e não falou por um longo tempo. Dana pensou Ter dito a coisa errada, forçado demais. Entre eles apenas a música vinda do violoncelo. Ele abriu os olhos "Eu não sei, só sei que ela era tudo para mim" Ela pensou na sua própria perda, o homem com quem sempre sonhava "Você já sonhou com ela?" Ele negou "Não eu nunca sonhei com ela. Não lembro dela. De nada. Só sei que ela existiu" Dana tocou o cabelo dele e balançou a cabeça entendendo. "Posso lhe contar um segredo?" "Claro" ela disse mas seu coração começou a acelerar. "Ultimamente, eu tenho tido uma fantasia..." a voz de Mulder diminuiu e um olhar embaraçado formou-se no seu rosto "Não *esse* tipo de fantasia". "Me conte" ela disse. "Eu estava na minha praia do Netscape e comecei a fantasiar que você era a mulher do Antes. A mulher que eu amava." Ela desviou o olhar dele para impedir que ele visse as lágrimas formarem-se. Como era patético, eles fingiam e contavam fantasias de ambos e tentavam explicar o que poderia ser isso. "Isso é impossível" ela disse "Por mais que pareça adorável, é estatisticamente improvável." Um pequeno sorriso formou-se no rosto dele "Eu sei. Eu fico inventando essa fantasia boba para me sentir menos culpado." Então ele também se sentia assim. "Você é infeliz com Sarah?" ele sacudiu a cabeça "Eu queria que fosse assim, seria tão mais fácil. Você é infeliz com o John?" "Não" ela disse. Quando estava com o Mulder ela não conseguia mentir ou praticar a negação. "Dana se eu quisesse Ter um caso, eu procurava uma mulher qualquer e transava com ela. Eu não quero isso, eu não quero trair a Sarah mas..." ela assustou-se "Mas o quê? " "Estou apaixonado por você" a voz de Mulder saiu fraca e tensa mas ele dizia a verdade. Ela sentou-se agarrando os joelhos, tremendo apesar da noite não estar fria. Ela percebeu que ele ficou de joelhos e colocou os braços ao redor da cintura dela. "Me desculpe Dana." Ele sussurrou no ouvido dela " Se eu pudesse para de sentir o que sinto, eu o faria." Não seria maravilhoso ela pensou ao olhar as luzes brilhantes do anfiteatro, se pudéssemos ligar e desligar nossas emoções como fazemos com a tela do computador pelo controle remoto? Ou ir para casa esquecer e viver minha vida do jeito que era antes? Ela encostou-se no calor do peito dele, queria ficar assim para sempre sem precisar escolher apenas ficar ali sentindo o conforto da presença um do outro. Ele me ama. É muito grande para se conceber. Ela escapou do abraço dele e virou-se para encará-lo. "Eu não acho que quero que pare" as palavras saiam sem que ela pudesse considerar sua importância. "Primeiro nós temos que começar" ele sussurrou. Você pode ir embora, ela pensou, se levante daí são poucos passos até a saída do parque e dois quarteirões até a estação do metrô. Em vinte minutos você estará em casa com seu casamento e sua honra intacta. Dana tocou o rosto de Mulder, o pouco de barba formando-se sobre o lábio superior e na mandíbula. Com a ponta dos dedos ela tocou a linha irregular do nariz dele e a superfície do seu lábio inferior. Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça um pouquinho para trás. "Não faça isso comigo, Dana" Mulder disse "Não se você não tiver certeza" "É a coisa mais séria que eu já fiz na vida" ela sussurrou. Quando ela conheceu John, foi tão natural, um evento após o outro. Eles se conheceram, namoraram, dormiam juntos eventualmente,. Eles amavam-se e decidiram casar. não houve agonia na escolha que fez com John. Não queimava como isso. Era quente e confortante, como um banho quente depois de estar doído de uma longa caminhada. Mulder fazia ela queimar. Ela moveu-se para os braços dele querendo tocar o fogo novamente. Seus lábios roçaram nos dele e a boca dele abriu-se. Um gemido veio de dentro do peito dela enquanto ela sentia a energia eletrizante do beijo de Mulder novamente. Talvez ela nunca tivesse considerado o beijo. Para ela era um bom começo para o sexo. Agora ela podia sentir quanto ela estava próxima dele. Como era sentir a barba arranhando a sua bochecha, sentir a textura úmida e forte da língua dele deslizando contra a dela. Ela sentia os músculos do braço dele com as mãos e enquanto ela empurrava-se contra ele pela intensidade crescente do beijo, ela sentia que ele estava endurecendo contra a barriga dela. Dana arfou devido o sentimento de prazer que emanava do seu corpo, a necessidade tonta e o conhecimento de que Mulder a queria. Ela nunca imaginara que o desejo podia ser tão potente a ponto de apagar todo o seu bom senso. Uma onda de aplauso inundou o ar vindo da multidão e ela percebeu que estava beijando um homem que não era seu marido no meio de um parque público. Isso não podia continuar mesmo sendo tentador como era com Mulder deixando os seus lábios para beijar o pescoço dela. "Nó não podemos..." ela disse pressionando-se contra a ereção dele. "Não posso parar..."Mulder murmurou movendo as mãos para tocar gentilmente os seios dela através do fino material do suéter. "Não aqui" ela disse "Não podemos fazer isso aqui" ela notou que exagerou na palavra aqui e ele olhou para ela com um desejo louco nos olhos "Para onde devemos ir então?" "Eu não sei" ela inclinou a cabeça. "Eu quero ficar sozinho com você" ele disse num tom que a fez gemer. Ela levantou com as pernas tremendo e começou a recolher as coisas do pic-nic, ele permaneceu de joelhos olhando para ela. "Eu não sei onde devemos ir" ela disse numa voz irreconhecível "mas nós temos que ir agora." Com um certo desespero, eles chegaram ao Boulevard. "Não o metrô, pegaremos um táxi" Mulder disse elevando a mão. Em segundos, um veículo amarelo parou na frente deles. XXXXXXXXXXXXXXXX Blinded by White Light Parte 3 POR FAVOR !!! se você não tem 18 anos não leia essa fic. XXXXXXXXXXXXXXX "Bem-vindos ao Metro Taxi" o carro os saldou quando entraram na parte de trás "Por favor, diga o seu destino." Mulder virou-se para ela e disse baixinho "Onde?" Opções passavam pela mente dela. Onde é o melhor lugar para se cometer adultério? Não no meu apartamento, nem no dele. Ela disse ao carro "Cascade Falls Hotel". Ela passara por esse hotel várias vezes quando corria e foi o primeiro que despontou na sua cabeça. "Excelente, a corrida é 28 créditos" Mulder pressionou sua mão na placa de metal do painel de instrumentos e ouviu um zumbido enquanto escaneava o pagamento. "Obrigado. Encoste-se e aproveite a viagem com o Metro Taxi" dana encostou-se, agora eles estavam em movimento em direção ao hotel. Parecia tão real, o futuro estava aqui e ela fez sua escolha no parque. Ela e Mulder não saíram para conversar ou para levar as crianças para brincar. Eles estavam num taxi que passava por edifícios de apartamentos indo para um hotel fazer amor. Ele apertou a mão dela e ela sentiu o tremor dos dedos dele. Ele sussurrou "Nós não precisamos fazer isso" como se o carro os ouvisse e entendesse. "Eu quero" ela sussurrou de volta. Ele aproximou-se que sua respiração estava quente próximo ao ouvido dela "Eu estou com medo" Isso a fez sorrir um pouquinho. Que homem estranho e maravilhoso era Mulder, tão diferente dos outros homens que ela conhecia. Ele estava próximo de revelar seus sentimentos, de entregar-se para ela e mesmo assim terminava sendo um pouco bobo. "Eu estou com medo também" ela disse acariciando a mão dele com a ponta dos dedos. Ela inclinou-se para beijá-lo novamente. Enquanto o beijava, a culpa e a dúvida desapareciam, restando apenas a torrente de amor que sentia por ele. Sim, ela pensou elevando sua mão para emaranhar o cabelo dele, eu o amo. É um amor totalmente diferente do que sento por John, mas é amor. Eu sei. Ela não estava certa se deveria sentir-se afortunada ou não. Mulder gemeu quando ela dava pequenos beijos nas sua pálpebras, no queixo, no sinal a direita do seus lábios "Meu Deus, o que você faz comigo, não tenho palavras..." "Eu sei" ela deixou escapar. Ela se sentiu selvagem por desejá-lo assim. Em vez de fechar os olhos e aceitar placidamente o toque dele, ela sentia-se agressiva, querendo descobrir cada centímetro do corpo dele, lambê-lo e toma-lo para si. Deus, o que você faz comigo.... Ela sentia o cheiro da grama do parque e da pele masculina dele, o gosto da maçã na língua dele tocando a sua durante o beijo intenso. Eu queria que fosse simples e barato, sem importância e errado e eu pudesse deixá-lo e voltar para o lugar certo como a esposa leal. Mas está além da atração, do sexo e da infidelidade. O que eu e Mulder temos é algo raro. Mulder afastou os cabelos que caíam sobre a testa dela e a olhava. "O que foi?" ela perguntou impossibilitada de ler a expressão dele no escuro. "E u não acredito que seja verdade. Eu quase quero que não seja, mas é." Ele pegou a mão dela e levou ao seu coração, ela sentiu o ritmo apressado das batidas. "Estar com você é como encontrar as respostas para todas as perguntas que não me imaginaria fazer um dia. " Você diz coisas tão melhores que eu." Ela sussurrou e beijou-o novamente. Se ela não poderia dizer, ela mostraria para ele. Eles separaram-se quando o carro estacionou. Dana viu que estavam na frente de um pequeno hotel todo branco, apenas um quarteirão do rio onde ela e Mulder correram dias atrás. " Chegamos ao seu destino" disse o carro enquanto as portas abriam-se automaticamente. Ela saiu do carro seguido dele. " Tenham uma noite agradável e obrigado por escolher a Metro Táxi" Lado a , Dana e Mulder entraram no lobby que possuía apenas um sofá e um painel iluminado que mostrava os vários tipos de quartos disponíveis. "Você escolhe" ela disse" Eu nunca fiz isso antes". "E eu já?" ele tocou o painel em um quarto de casal com vista para o rio. "Cascade Falls Hotel agradece a sua escolha" disse o painel "O preço do quarto é 325 créditos" Mulder pagou. "Você precisa de serviço para bagagens?" "Não" disse Dana pensando como ela viera parar num hotel sem bagagem e com um homem que conhecia apenas a três semanas. Em seguida, o painel apitou e uma chave de cartão saiu pela abertura. "Seu quarto é o 724. Tenha uma ótima estada no nosso hotel. Para serviço de quarto disque 333." Eles ficaram em silêncio no elevador olhando os números dos andares piscarem. Andar pelo corredor parecia uma eternidade. Quando chegaram a porta, suas mãos tremiam tanto que mal conseguiu colocar o cartão de acesso na fechadura. Com um click, a porta abriu-se. Por um segundo ela desejou estar entrando no seu apartamento com John sentado no sofá assistindo a liga de baseball japonesa e Julia construindo torres com seus blocos no chão. Em vez disso, eles entraram num pequeno quarto de hotel com as paredes na cor creme, tapetes verde escuros e uma cama grande com uma colcha que combinava com as paredes do quarto. As cortinas verdes estavam abertas revelando a vista iluminada ao longo do rio. O vidro era na verdade, uma porta de correr que dava para uma pequena varanda com duas cadeiras e uma mesinha redonda entre elas. Dana sentou-se e tirou os sapatos. Pegou controle do telescreen e entrou no serviço de mensagens "Eu tenho que checar minhas mensagens, Ter certeza que está tudo bem com a Julia." ela digitou seu código de acesso. "Não há mensagens para Dana Scully" o serviço disse. Ele foi até o mini bar e tirou uma garrafa de água, abriu e tomou um longo gole. "Você quer alguma coisa? Água, vinho." Ela perguntou. Mulder sacudiu a cabeça, continuava parado na porta. Ele está apavorado, ela pensou, isso a encorajava. Ela mordeu o lábio e baixou a cabeça "Você pode ir embora" "Não" ele respondeu. "Venha cá" ela disse e num instante ele estava em seus braços. XXXXXXXXXXXX Eles permaneceram no meio do quarto por um bom tempo apenas abraçando um ao outro. Mulder tinha seus braços envoltos na costa dela, Dana pressionava seu rosto na camisa dele sentindo-se inteiramente segura no calor do abraço dele. Um arrepio percorreu a espinha dela, este é o meu lugar. As mãos dele acariciando os seus cabelos. Parece o meu sonho. Que estranho. Ela afastou-se dele um pouco e olhou o seu rosto. Ele tinha uma expressão enfeitiçada, mas ela continuava vendo o amor naqueles olhos cinza esverdeados. "Eu quero de conhecer" ela disse. Ele tocou seu rosto correndo os dedos do começo a ponta do nariz dela "Você me conhece, Dana. Apesar de nos conhecermos por um tempo bem curto, você já me conhece melhor do que qualquer pessoa no mundo." Ela concordou "É trágico, Mulder , que não conseguimos o que mais precisamos dos que amamos..." "Antes" ele sussurrou "Você me deu o Antes" "Sim, mas isso nos leva a pergunta- somos afortunados por Ter encontrado um ao outro assim não temos que lidar com a necessidade do passado sozinho ou estamos condenados a querer um passado que nunca poderemos Ter novamente?" ele balançou a cabeça "Eu não sei. Um pouco de cada, eu suponho." Ela sorriu "Tudo que sei é por mais errado que seja o que estamos fazendo, eu sinto que tenho sorte por estar aqui com você." Mulder beijou a cabeça dela, sua testa e por último seus lábios "Eu quero ficar com você" disse tão suavemente que ela quase não ouviu. "Você está" e puxou-o para si a fim de beijá-lo novamente. Após a junção das suas bocas, Dana procurou pela gravata dele desfazendo o nó. Em seguida, começou a desabotoar a camisa dele, desesperada por ver ele por completo agora, conhecer tudo sobre Mulder. O cotton da blusa abriu-se em suas mãos quando ela desabotoou o último botão e ela a tirou e deu um passo para trás para olhar melhor o corpo dele. A parte superior do corpo dele era bem parecida com o que ela havia fantasiado na outra noite. Na luz, a pele dele parecia dourada e as costelas sobressaiam no peito dele. Do mesmo modo como ela fez na outra noite, ela contou-as com seus dedos. Ela elevou o olhar até os ombros dele e viu uma pequena cicatriz um pouco abaixo da clavícula. "Ë uma cicatriz de tiro." Ela disse tocando-a . "Excelente diagnóstico, Doutora. Eu tenho outra na minha coxa." "Ferido no cumprimento do dever?" "Acho que sim, eu devo Ter vivido uma vida perigosa. É difícil imaginar agora, já que a minha vida é tão simples." A vida do antes deve Ter sido extremamente perigosa já que ela mesma tinha uma cicatriz de bala. Ela não mencionou isso para Mulder, ele iria ver logo logo. Como um cega explorando uma face desconhecida, ela tocou cada centímetro do peito dele, desde os escassos cabelos castanhos até a profundidade do umbigo dele. Mulder era passivo nesse momento permitindo a ela completar sua exploração. Finalmente, ela chegou ao botão da calça marinho dele "Posso?" ela sussurrou, de repente sentindo-se tímida tendo plena consciência de que ela estava prestes a tê-lo nu a sua frente. Ele concordou. Ela abriu o fecho ecler e deslizou a calça até os pés dele tirando a mesma. Mulder estava agora apenas usando um boxer azul. Dana reparou que ela estava completamente vestida enquanto ele estava praticamente nu. Sentiu-se poderosa mas pareceu também mais desigual do que ela queria. Afinal, eles estavam nisso juntos. Dana começou a tirar o suéter mas ele a impediu "Não" disse ao seu ouvido "Eu venho imaginando isso desde que te conheci" Então eu não era a única a Ter fantasias, ela pensou dando uma pequena risada "O que mais nós fazíamos quando você pensava sobre nós?" "Que tal se eu mostrar a você?" ele disse. Mulder tirou o suéter dela e subitamente o ar frio do quarto a fez tremer. Ela olhou para a pele arrepiada desejando estar usando algo melhor do que o conjunto comum de calcinha e sutiã branco. Claro, ela nunca esperava que Mulder fosse vê-los hoje à noite. Dana tirou a calça jeans e ficou na frente dele. Agora estavam quase iguais, ela de calcinha e sutiã e ele só com o boxer. Quase nus. Sem volta, ela pensou. Mulder corria os olhos pelo corpo dela, ela lembrou-se do olhar extenso e observador que ele tinha sobre ela na cozinha do apartamento no dia da festa. Ela conhecia o verdadeiro propósito daquele olhar. "Você é linda" ele disse "Linda mas pequena. Tenho medo de te machucar." Ela revirou os olhos "Nos seus sonhos. Eu sou mais forte do que aparento" Como se para provar ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo e puxou-o para si e sentir o calor da pele dele contra a dela. A pele dele era tão suave, quase tão macia quanto a de uma mulher ou de uma criança e sentiu a luxúria tomando conta dela enquanto acariciava as costas dele. Eles seguiram para a cama caindo sobre ela. Uma mistura de membros e pele, jamais quebrando o beijo. Ele estava sobre ela agora, assustadoramente largo e lindo e sentiu a respiração presa na garganta ao perceber o que estavam prestes a fazer, era inevitável. Ele rolou-os colocando-os de lado. Não pense, ela silenciosamente disse a ele, senão eu começarei a pensar... Mas ele não parou. Com um único movimento desabotoou o sutiã e removeu-o calmamente e jogou no chão. Ele começou a tocar os seios dela tão gentilmente como no parque ela curvou-se nas mãos dele sentindo ele acariciar seus mamilos. A mão dele deslizou até a barriga dela encontrando a cicatriz abdominal "Falando em cicatriz, onde conseguiu essa?" "É uma cicatriz cirúrgica, aparentemente de um tiro." "Devia haver uma galeria de tiros no Antes" ela não poderia imaginar um tempo tão perigoso. Não existem armas hoje só as pistolas dos guardiões. Mas alguém, em algum lugar atirou nela no abdômen. Ela sangrou mas sobreviveu ficando com uma pequena cicatriz para lembrar do que aconteceu mesmo sem saber o que foi. Mulder desceu um pouco para beijar a cicatriz e dar voltas sobre ela com sua língua. Ela achou isso surpreendentemente prazeroso apesar do local da cicatriz. "Vire-se" ele sussurrou. "Por quê?" por alguma razão seus músculos ficaram tensos. A boca dele continuava explorando a barriga dela e ela queria que ele descesse mais para lambe-la onde ela estava começando a vibrar de excitação. Mulder levantou a cabeça "Eu quero te ver por completo." Dana obedientemente virou-se e ouviu a dificuldade dele de respirar ela sabia que era por causa da tatuagem da cobra na sua costa. Ele passou os dedos sobre ela "Você não parece do tipo que tem uma tatuagem, Dana" Ela sorriu "Eu também fiquei surpresa ao ver pela primeira vez. Eu suponho que tenha sido uma indiscrição da juventude." "É linda- todos esses verdes, azuis e vermelhos e super sexy. É um bom local para uma tatuagem, ninguém pode ver a menos que você esteja nua. é como uma surpresa secreta para um homem sortudo o bastante para chegar tão perto assim de você." Contra a sua vontade, ela lembrou-se da primeira vez que ela e John fizeram amor, a noite há anos atrás no antigo apartamento dele. John viu e chamou-a "Dana minha pequena marinheira" ela não entendera e ele disse que os marinheiros eram conhecidos por Ter o corpo coberto de tatuagens. Pare, eu não vou trazer o John agora para cá. Ela virou-se olhando para Mulder. "Agora você conhece meu segredinho sujo." Ela sussurrou. "Eu quero conhecer todos" ele disse. Como em resposta, Dana tirou sua calcinha e jogou no chão "Você também" ela disse aproximando para tirar o seu boxer. E então estavam finalmente nus aos olhos de cada um. Dana correu seus olhos pelo corpo inteiro dele, os músculos da barriga, as coxas fortes cobertas por cabelos castanhos e ,oh, o seu pênis, estando orgulhosamente ereto como se esperando pelo toque. Ela não podia resistir a tentação e o tocou deslizando as pontas dos dedos do começo até a ponta e voltando, era longo e fino e Mulder soltou um gemido ao sentir o toque dela. Mulder beijou-a, a língua dele movendo-se para dentro e para fora do modo como ela queria que o pênis dele fizesse dentro dela. Ela estava ficando molhada pronta para tê-lo dentro dela. Enquanto ela acariciava o pênis dele, Mulder começou a toca- la. Seus cabelos finos abrindo os lábios. Ela soltou um gemido quando ele estava tocando-a . Mulder acariciou-a do mesmo modo que ela se tocava para Ter prazer, do mesmo modo que ela pedira para John tocá-la dois dedos levemente circulando seu clitóris mas não tocando exatamente. como ele sabe fazer isso? ela vagava com o prazer se intensificando. Como ele lia o meu corpo tão bem? Quando ela começou a acariciar os seus testículos, ele jogou a cabeça para trás e fez um barulho surpreendente "Oh, Scully isso é tão bom..." Ela congelou, uma mão agarrada ao redor do pênis dele, seus olhos se arregalaram. Ele chamou-a de Scully. "Do que você me chamou?" ele olhou-a confuso "eu te chamei de Dana" ele disse com tanta convicção que ela pensou que a sua mente estava lhe pregando peças. Só mais desejo que realidade. Ela afastou-se dele e quase riu quando viu o olhar alarmado no rosto dele "Eu não vou a lugar nenhum" ela disse "Eu só quero estar mais perto de você agora." "Você quer dizer?" um sorriso encantador formou-se no rosto dele. "Sim, por favor Mulder eu quero você dentro de mim." O sorriso de Mulder aumentou enquanto gentilmente a colocava de costas "Tudo bem se for desse jeito?" Ela parou para beijar o ombro dele sobre a cicatriz "Você é quase uns 30 centímetros mais alto que eu mas não vai me machucar." John tinha a mesma altura de Mulder e uns 5 quilos mais pesado. Não John, agora não. Não isso é diferente, eu o amo, eu amo Mulder. Mulder moveu-se entre as pernas dela e ela o sentiu duro contra o seu estômago. Ele olhou para ela como se esperasse por algo. Ele precisava ser tranqüilizado. Ela não tinha dito como se sentia, não com palavras. Ela sabia que Mulder era um homem honrado mesmo se estivesse traindo sua mulher. Ele só faria isso por amor. Dana tocou seu rosto, lágrimas indesejadas formavam-se nos seus olhos "Mulder" ela disse levantando suas pernas para coloca-las ao redor das costas dele "eu te amo". Era tão fácil dizer isso. Ele abaixou-se para beijá-la. Tão intimamente que só a fazia querer estar mais com ele." Dana, eu também te amo" ele falou ao seu ouvido. Ela sentiu a ponta do seu pênis roçando na sua abertura. Mulder parou ainda não havia penetrado nela "Um, Dana nós não falamos sobre prevenção." "Tudo bem, eu só fico grávida com interferência médica. Não precisamos de nada." Ele suspirou em alívio e ela envolveu seu braços ao redor do pescoço dele "Por favor, agora" eles estavam tão próximos. Com um pequeno movimento de quadris ele penetrou nela. Ela fez um murmúrio leve ao senti-lo dentro dela. Ela forçou para que seus olhos permanecessem abertos para observar o rosto lindo dele mudar com o prazer. Dana estava super sensível a todas as sensações enquanto faziam amor- o suor escorrendo pelas costas dele, seu cabelo na testa, o sentimento por estar completa, enquanto ele a preenchia continuamente. Isso define tudo o que eu conheço e acredito. Ela surpreendeu-se fazendo barulhos, murmurando na boca faminta dele. Ela não era do tipo que mostrava seus sentimentos e desejos para o outro. Mas estava suspirando, murmurando e gemendo com o crescimento do prazer. Ele a acompanhava enquanto movia-se dentro dela. "Isto...isto é incrível" ele arfou. Ela balançou a cabeça concordando. Sem aviso ela chegava ao ápice, agora gemia cada vez mais alto, os sentidos sendo perdidos com a sensação provocada pelo orgasmo, o aumento do calor a cegara ela parecia flutuar acima da cama. Dana não percebera que fechara os olhos diante do orgasmo e quando os abriu viu o olhar maravilhado de Mulder. "Essa foi a coisa mais linda que eu já vi" ele disse com a voz tensa. "Eu quero ver você também" ela sussur