Título: Barreiras Autora: Alice J. Foster (Fe) Disclaimer: Não pertencem a mim (óbvio). Pertencem a CC, 1013, FOX, etc. Spoilers: all things (todas as coisas) Feedback: Por favor, façam meu dia! E-mail para feedback: alice_j_foster@hotmail.com Sumário: Mais uma fic sobre o que realmente aconteceu. Classificação: shipper, Ponto de Vista da Scully. Censura: PG-13 ++++++ Acordei ao sentir algo em minha nuca. Meu instinto me levou a imediatamente procurar minha arma até que me lembrei onde estava onde estava. Na cama. Com Mulder. Eu estava na cama com Mulder. Essa simples frase significava mais do que as palavras poderiam dizer. +++++ 4 HORAS ANTES Minha nuca estava doendo. Não precisei despertar completamente para saber disso. Não entendia o porquê da dor até que me lembrei de onde estava. E lembrei que dormi enquanto Mulder falava comigo. Veja bem, a culpa não era minha. É que a voz dele me confortava. A voz dele sempre tinha esse efeito. Não que eu não me sentisse confortável não conversando com Mulder. Pelo contrário, podíamos ficar horas a fio sem conversar e eu me sentia confortável apenas com a presença dele. Mas eu não ouvia essa voz há dois dias. E o efeito dela misturado com o chá foram confortantes demais para minha mente. A temperatura tinha caído relativamente mas eu não estava com frio. O barulho da chuva me convidava a voltar a dormir. A deixar que mais uma vez minha consciência se dirigisse àquele lugar relaxante onde estava. Ainda não havia aberto os olhos, pois algo me impedia. Descobri então porquê não estava com frio. O cobertor Navajo de Mulder me protegia como um amante, me envolvendo completamente. Não ouvia nada exceto a tempestade que rompia lá fora. Quando abri meus olhos a primeira coisa que me chamou a atenção foi a luz azul que iluminava parte da sala. Olhei para o aquário de Mulder onde dois peixinhos dourados nadavam felizes. Pela primeira vez na vida eu senti que podia ser feliz. Senti que poderia dar um verdadeiro sentido à minha vida. Ao meu sofrimento. Então eu entendi o que Mulder sentiu naquela floresta há algumas semanas. Quando ele disse que estava livre. Muitas vezes me perguntei por quê não podíamos nos envolver? Por quê tínhamos de ser tão bloqueados emocionalmente? Principalmente da minha parte. Os últimos meses foram diferentes. Mulder tem tentado quebrar todas as minhas barreiras. Assim como ele quebrou as dele quando viu Samantha. Uma coisa é um relacionamento sexual. Outra coisa é você se entregar completamente. Eu descobri isso nos últimos meses. Admitir uma pessoa na sua cama, mesmo que seja a pessoa mais importante da sua vida, não significa admitir essa pessoa em sua alma. Em sua essência. De certa maneira eu sempre soube que eram coisas diferentes. Mas com Mulder, sempre achei que seria diferente. Que quando resolvêssemos dar o próximo passo seria diferente. Eu me entregaria totalmente. E quando não foi assim eu comecei a me questionar. Essa últimas semanas estiveram entre as semanas mais difíceis da minha vida e inexplicavelmente entre as mais felizes também. O conflito interno era gigante. Comecei a me questionar sobre tudo. Desde quem eu sou até que tipo de relacionamento eu gostaria, terminando em o que eu queria da minha vida. Mas eu precisava da libertação. Eu precisava resolver as minhas questões pessoais. Eu precisava ver que não importava quem aparecesse em minha vida, Mulder sempre seria o único. Porém o medo ainda existia. Quando pensava em me entregar de tal maneira à outra pessoa eu tinha medo. Medo irracional de que o que eu sentia era apenas passageiro. Decidi me levantar. Mas parei quando olhei em direção à porta. Mulder estava em pé no mesmo local que ele estava depois de minha "viagem" com o Canceroso. Mas ele não estava desapontado comigo dessa vez. Ele estava simplesmente me olhando. Nossos olhos se encontraram e eu vi uma ternura neles que nunca tinha visto antes. "Desculpe ter adormecido enquanto você estava falando." Eu decidi romper o silêncio. "Não se preocupe. Levei as xícaras para a cozinha e tomei um banho. Então vim aqui e fiquei observando você dormir." Não sei porquê, mas estava começando a corar. "Eu fazia isso muito, sabia?" Eu não entendi por um momento as palavras dele. "Quando você estava com câncer, ou no hospital depois de mais uma aventura comigo. Você fica mais relaxada quando dorme. Você esquece de colocar a armadura." Ele então desviou o olhar e começou a observar um ponto no chão dele. Ele usava uma calça de moletom e uma camiseta. Imaginei que ele estivesse se preparando para dormir e eu estivesse atrapalhando. "Eu vou indo para meu apartamento." Me levantei e tentei ajeitar a roupa e coloquei o sapato. "Você deve estar com sono depois da confusão de fuso horário." "Espere!" Ele disse e segurou levemente meu pulso. "Eu dormi no vôo de volta." "Mas você deve estar querendo privacidade. Eu preciso ir." Eu comecei a andar em direção à porta e ele foi atrás. Eu coloquei a mão na maçaneta mas parei. Dentro de mim o medo e a desejo se confrontavam. Mas no final só tive uma certeza. Virei-me então e me surpreendi em achá-lo diretamente atrás de mim. Então fiquei na ponta do pé e o beijei. Não era nosso primeiro beijo, mas parecia. O mais leve dos contatos logo se aprofundou, deixando-nos sem fôlego. Mas quem precisava respirar quando aqueles lábios estavam em contato com os meus? Certamente não eu. Ele me pressionou contra a porta e eu já tinha esquecido até onde eu morava e qual era o meu nome. Os beijos dele desceram para meu pescoço, as costas dele arqueando devido à nossa diferença de altura. Ele subiu minha saia e me levantou, pressionando-me mais ainda contra a porta. Eu enlacei minhas pernas atrás de suas costas e quando nossas cabeças ficaram no mesmo nível, eu olhei nos olhos dele. E meu coração esqueceu-se de bater quando viu as emoções que ali refletiam. Os meus deveriam dizer o mesmo pois quando vi, havia lágrimas em nossos olhos. Ele então novamente me abraçou e cegamente nos dirigimos até o quarto. +++++ Minhas memórias foram interrompidas por um barulho que perturbava a paz do ambiente. Meu celular. Eu fui até o pé da cama e o achei em meio ao emaranhado de roupas minhas e de Mulder. "Alô?" "É a Maggie." "Maggie, o que aconteceu?" "Meu pai morreu. Há cinco horas. Só agora estou ligando pois acho que ele gostaria que você fosse ao funeral. Significaria muito. E eu preferiria que você viesse agora para não encontrar com minha mãe. A dor já é muita, ela não precisa sofrer mais. Se estiver interessada, vá a esse endereço." Gravei mentalmente o endereço. Não estava surpresa, mas ainda assim me senti mal. Me senti um pouco culpada de certa forma. Mas não tanto quanto antes. Quando eu conheci Daniel eu fiquei maravilhada com o conhecimento que ele possuía. Ficava depois das aulas conversando por horas com ele. Passei a freqüentar a casa dele. Maggie tinha uns 14 anos naquela época. Eu jamais imaginei que pudesse me apaixonar por ele. Um dia enquanto revisávamos textos médicos na sala dele, ele me beijou. O caso durou pouco pois fui chamada para trabalhar no FBI. Ele se revoltou. Disse que iria deixar a mulher e ficar comigo se eu recusasse a proposta. Mas isso só me convenceu a ir. Eu percebi então a gravidade daquele relacionamento. O conhecimento de que eu poderia destruir uma família foi mais do que eu poderia agüentar. Mas ele foi o único que destruiu a família. Foi ele que tomou a decisão. Não eu. Eu precisava ir ao enterro. Não por causa do caso que aconteceu entre nós. Mas pelo que ele significou para mim. Como pessoa e médica. Ainda estava sentada na beirada da cama quando senti um braço me puxando de volta ao travesseiro. Mulder. Ele começou a beijar minha nuca que ainda estava sensível devido a suas carícias algumas horas antes. "Mulder, eu tenho que ir." Ele então abriu os olhos e me olhou com medo. "Não é isso. Daniel morreu. Eu preciso ir ao funeral." "Agora?" "Sim. Continue a dormir. Eu vou lá e depois volto para cá. Eu trago café da manhã quando voltar." "Uhhn." Ele disse já voltando a dormir. Ele parecia calmo. Sereno como nunca o tinha visto antes. *Eu te amo* Eu pensei depois que ele novamente adormeceu. Não estava pronta para dizer isso ainda. Mas estaria. E sabia que ele estaria lá para ouvir. Por enquanto só precisava do apoio dele. Do amor dele. Da amizade dele. Da parceria dele. E de tudo mais que ele estivesse disposto a compartilhar comigo. Por enquanto, só me bastava o barulho que ouvi. Não lá fora. Dentro de mim. O barulho das barreiras se rompendo. Peguei parte de minhas roupas e me dirigi ao banheiro. A vida passa em momentos. E esse era um em que eu sabia que não importava o que acontecesse, não importavam minhas dúvidas remanescentes, pois eu estava com Mulder. Não importavam os caminhos que traçássemos, pois até ali eles tinham nos unido. E não importava se eu estava de olhos abertos ou fechados, pois eu não poderia me perder. Não enquanto Mulder segurasse minha mão e trilhasse o caminho que a partir dali não seria o caminho da minha vida, e sim, da nossa vida. +++++ Fim Endereço para Feedback: alice_j_foster@hotmail.com