FAN FICTION TÍTULO: A verdade que eu tanto busquei... AUTORA: Sandra E-MAILS: sanrescaff@ig.com.br ou sandrascaffide@yahoo.com.br DISCLAIMER: Não tenho nenhum poder sobre os personagens, seja comercial, de criação ou divulgação, portanto, não pretendo lucrar em cima desta estória. CLASSIFICAÇÃO: Shipper, MITH SINOPSE: Os acontecimentos na vida de Mulder e Scully, após o último episódio de Arquivo X. SPOILERS: The Truth OBS.: No final, a letra e a tradução da música "The Glory of Love", de Peter Cetera, citada na fic. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx A verdade que eu tanto busquei... Roswell - Novo México - Um motel qualquer... Eles custam a pegar no sono. Ficam nos braços um do outro, rostos colados, e pensamento distante, madrugada adentro. Quando Mulder nota que Scully finalmente adormeceu, tira a perna que pousou sobre o quadril dela, beija-a suavemente nos lábios, e tenta dormir também. Tudo o que haviam passado nos últimos dias era motivo suficiente para perderem o sono para o resto de suas vidas. Todos os acontecimentos desde que Mulder saíra do Novo México em direção ao Complexo do Mount Weather Bluemont, na Virginia; seu julgamento injusto, por um assassinato forjado, bem conveniente às intenções dos militares ali baseados, culminando no derradeiro veredicto de morte por injeção letal... Aquilo tudo assombrava sua mente. Mas o que corroía sua alma de forma devastadora, era a maneira fria e inconseqüente como o Canceroso havia exposto a verdade para Scully. Mulder a guardara para si, esperando o momento certo de revelá-la, temendo que isso viesse a destruir o espírito dela. Ele tomara tanto cuidado, inutilmente, já que, tão depressa, acabara por testemunhar essa revelação irrompendo da boca imunda do Canceroso, e sendo cruelmente atirada no rosto da mulher que amava. Aquela data... 22 de dezembro de 2012... ele jamais iria esquecer. Somente depois que se conscientiza de que não há mais nada a fazer, deixa-se relaxar, caindo em sono profundo. Porém, seu descanso não é, nem de longe, tranqüilo. Um pesadelo atroz vem lhe atormentar... "...Mulder se encontra nas mesmas instalações militares que haviam sido palco da farsa insuflada por seus inimigos. Caminha pelos corredores sombrios, iluminados apenas por uma luz difusa. De repente, um bando de homens uniformizados aparecem, apontam- lhe suas armas de grosso calibre, e lhe dão voz de prisão. Ele é levado a uma cela fria e úmida, mas num átimo, já está no tribunal sendo julgado. Essa incoerência pode ser claramente concebida devido à atemporalidade dos sonhos. A partir daí, toda a audiência se passa em câmera lenta, morosa e interminável. Em determinado momento, não obtendo sucesso em arrancar-lhe a confissão de culpa, os militares dão sua última cartada. A porta do fundo se abre devagar e, ladeada por dois truculentos seguranças, surge Scully com William nos braços, e o rosto visivelmente perturbado. Mulder faz menção de se levantar para ir ao encontro deles, mas é impedido quando outro segurança, que estava ao seu lado, arremete-lhe a mão no ombro, lançando-o bruscamente contra o espaldar da cadeira. O juiz militar vira para o réu e, numa evidente falta de escrúpulos, ameaça torturar as duas pessoas que ele mais ama, para fazê-lo confessar. Scully olha para ele, e suplica que ele não confesse algo que não fez. Nesse mesmo instante, um dos seguranças arranca-lhe brutalmente o filho dos braços, enquanto o outro lhe esbofeteia a face, fazendo-a cair ao solo, atordoada. Então, Mulder alucinado, vocifera: _Nãããooo!!! Deixem Dana e William em paz! Eu confesso: fui eu, fui eu, eu sou culpado... Rapidamente, Mulder é levado para uma pequena sala, contígua ao tribunal. No centro, uma cadeira adornada por grossas tiras de couro, finalizadas por uma fivela. Ele é firmemente atado à cadeira, e seu rosto coberto por um tosco saco de linho. Antes que lhe tapem a visão, ainda pode ver, ao seu redor, as pessoas mortas que passaram por sua vida, e que de alguma forma tiveram importância e influência, boa ou ruim. Lá estavam: Bill, Teena e Samantha Mulder. O trio familiar lança para ele um olhar de compreensão e afeto. Com a mesma benevolência, Frohike, Byers e Langly observam-no, meneando a cabeça afirmativamente, como que afiançando suas atitudes. Menos aconchegantes são os olhares do Garganta Profunda, X e Krycek, que quedam impassíveis num canto da sala. No outro canto, Diana Folley, quieta e com a feição circunspecta, apenas aguarda o desfecho da cena. Assim que Scully adentra a salinha, tendo conseguido, a duras penas, livrar-se do segurança que a mantinha, percebe que é tarde demais. Mulder acabara de ser inoculado com uma solução mortífera..." Nesse mesmo instante, ele ouve o grito de dor de Scully, mas percebe que está na cama, no motel em Roswell, e ela está sentada, aos prantos, com o rosto coberto pelas mãos. Apesar de ainda arfar, devido ao sonho do qual despertara, assustado, Mulder enxuga a testa gotejante, e consegue ampará-la, pousando a mão em seu ombro. Mulder: - O que foi, Dana? Porque está chorando desse jeito? Você deve ter tido um pesadelo! Scully: - ... e um dos piores que eu já tive em toda a minha vida - diz, tentando se refazer do susto. Quando Scully lhe expõe o conteúdo de seu sonho mau, Mulder olha para ela, atônito. Eles haviam tido exatamente o mesmo pesadelo, em todos os seus mórbidos detalhes... Complexo do Mount Weather Bluemont - Virginia No pátio, dois helicópteros negros pousaram há poucas horas. Dentro das instalações, um grupo de militares está reunido, comentando o sucesso da ação dos homens que pilotavam as aeronaves: Hudson: - Então, as ruínas foram completamente destruídas? Piloto 1: - Sim, senhor, e com elas, todos os que lá se encontravam. Hudson: - O que quer dizer que, aqueles que se diziam em busca da verdade, foram soterrados junto com ela! Piloto 2: - Exatamente, senhor. Hudson: - Perfeito! Vocês podem se retirar agora. Pilotos: - Com licença, senhor. Os pilotos batem continência ao seu superior, e deixam o local. Assim que saem da sala, o militar de alta patente, que comemorava efusivamente a sua vitória, vira para um senhor negro de terno escuro, o único civil do grupo, e pergunta: Hudson: - Você acha que Fox Mulder está morto mesmo? Homem: - Tudo leva a crer que sim. Em seguida, o civil pede licença aos outros participantes da reunião, levanta-se, e se retira. Já do lado de fora, no átrio do complexo, Kersh se dirige ao helicóptero do F.B.I. que o aguardava... Washington - F.B.I. - Sala do diretor-adjunto Kersh Kersh solicita à secretária que chame Skinner imediatamente. Depois de alguns minutos, este adentra a sala do diretor- adjunto. Kersh: - Sente-se Skinner. Antes mesmo de fazer qualquer pergunta ou esclarecer porque o havia chamado, este desanda a falar: Kersh: - Eu disse ao Mulder para ele ir para o norte, em direção ao Canadá! Porque ele não me ouviu? Aquele cabeça-dura! Preferiu morrer, e ainda levou junto com ele a agente Scully! Eles eram dois dos meus melhores agentes! Kersh parecia ter esquecido que Mulder já não fazia mais parte do quadro de agentes do F.B.I., há muito tempo. Skinner se espantou ao ouví-lo falar assim sobre o agente. Quis interromper o discurso inflamado de seu superior, mas Kersh não lhe dava chance. Ele continua a falar: Kersh: - De que adiantou ele ir atrás da verdade? Me diga, de que adiantou? Agora, ele está enterrado junto com ela! Se ele tivesse me ouvido, um dia, quem sabe, eu conseguiria trazê-lo de volta ao F.B.I., e aos arquivos X. Os agentes Doggett e Reyes são competentes, mas só Mulder e Scully poderiam rememorar todos os arquivos que sumiram, anos e anos de trabalho. Skinner continuava perplexo ao ver Kersh falando daquela maneira. Ele sempre fôra contra os arquivos X e, em especial, contra o seu mais veemente defensor, Fox Mulder. Quando Skinner e Doggett foram libertar Mulder da prisão, e acabaram se deparando com Kersh, qual não foi o seu espanto ao ver também o seu superior ajudando o agente na fuga. A sua surpreendente e inverossímil confissão de que deveria tê-lo ajudado desde o início, fez com que Skinner até passasse a confiar um pouco nele, já que uma revelação dessas, vinda de um homem orgulhoso e contumaz como Kersh, era algo de inacreditável, quase impossível de acontecer. Era a própria imagem do arrefecimento, e renúncia a tudo o que acreditava e propagava aos quatro cantos, estampados em seu rosto. Ele parecia estar sendo sincero. Porém, ele retornara ao complexo militar, depois que Mulder e Scully haviam partido. O que ele teria ido fazer lá de volta? Ele teria sido um traidor? Ao mesmo tempo que Skinner fazia a si mesmo essas perguntas, ele pensava que, se assim fosse, Kersh teria informado aos militares a direção que sugerira aos agentes, o Canadá, e não as ruínas agora destruídas, e onde ele pressupunha que jaziam os corpos de Mulder e Scully. Enquanto imaginava se deveria revelar-lhe que ambos estavam vivos, apesar de que nem mesmo ele sabia o paradeiro dos dois, Kersh foi quem lhe fez outra revelação: - Os militares da base na Virginia pensam que eu estou do lado deles. Eu estava na sala de reunião, quando os pilotos dos helicópteros que destruíram as ruínas no Novo México disseram que haviam tido êxito na missão. O general Hudson ainda me perguntou se eu achava que Mulder estava morto, e eu disse que sim, mas não queria acreditar em minhas próprias palavras! Skinner ouviu tudo calado. Mesmo parecendo que Kersh falara com sinceridade, preferiu não lhe contar a verdade sobre Mulder e Scully. No fundo de sua alma, ainda não se sentia seguro o suficiente para confiar plenamente naquele homem. Sala dos arquivos X - pouco tempo depois... Doggett e Reyes tentam arrumar a bagunça deixada por pessoas desconhecidas, que haviam revirado o local e dado sumiço em todos os arquivos X. Ao mesmo tempo, ambos conversam sobre os colegas fugitivos: Doggett: - Pra onde será que foram o Mulder e a Scully? Você tem alguma idéia, Mônica? Mônica: - Bem, eles não devem ter ido muito longe. Eu acredito que eles ainda estão no Novo México. Doggett: - Isso é só um palpite, ou você sabe de alguma coisa que eu não sei? Mônica: - É apenas intuição, John. Intuição feminina, na verdade! Doggett: - Intuição feminina de uma agente que costuma resolver seus casos através da numerologia, da paranormalidade, do misticismo, de tudo o que é antinatural, não é mesmo, Mônica? Mônica: - Não seja tão sarcástico, John! Mesmo que meu modo de agir seja antinatural pela sua ótica, você há de convir que muitos casos foram resolvidos de forma subjetiva e pessoal. Desculpe, mas meus métodos funcionam, quer você acredite neles ou não. Doggett: - Bom, na realidade, eu já fui mais cético do que sou hoje. Depois, daquele seu terrível acidente, e das minhas conversas com Audrey Pauley, eu tenho que reconhecer que existe algo aí fora que eu não consigo explicar - disse. Depois, meneia a cabeça, e pensa: Pobre Audrey... Seu pensamento é interrompido pelo barulho da porta, que se abre abruptamente. É Skinner adentrando à sala que um dia fora reduto dos casos mais bizarros, denominados pelo Bureau como arquivos X. Skinner: - Por acaso vocês têm alguma noção de onde Mulder e Scully foram parar? - pergunta sem delongas. Doggett: - Nós conversávamos justamente sobre esse assunto, senhor. Skinner: - E o que vocês acham? Doggett: - Eu não tenho a mínima idéia, mas a agente Reyes acha que eles ainda podem estar no Novo México. Skinner: - Porque você acha isso, Reyes? Mônica: - Bem, senhor, quando eu e o agente Doggett estávamos deixando as ruínas, eu dei uma olhada pelo espelho retrovisor, e vi que eles estavam indo na direção da 95-South, só que em sentido contrário ao nosso. Como logo iria anoitecer, minha opinião é de que eles devem ter pousado num motel de beira de estrada, para seguir viagem na manhã seguinte. Skinner: - Isso é bem possível... - concorda, e emenda -...e a esta altura, eles ainda não poderiam ter saído do estado. Mônica: - Foi exatamente o que eu pensei, senhor. Doggett olha para ela, perplexo. Assim que Skinner se retira, ele comenta: Doggett: - Intuição feminina, aham! Esse foi o pensamento mais lógico que eu já vi sair dessa sua linda cabecinha, Mônica! Mônica: - Ora, John, se eu dissesse ao Skinner que eu tinha apenas um pressentimento à respeito, você acha que ele iria me dar ouvidos? Doggett: - Então, você mentiu para ele? Não viu nada daquilo que disse? Mônica: - Mentir é uma palavra muito forte, John! Eu sinto aqui dentro de mim, que tudo aquilo que eu disse aconteceu realmente! Doggett, boquiaberto, limita-se tão somente, a ficar olhando para Mônica, enquanto ela deixa a sala, convicta do que alguma "vozinha" interior mágica e, muitas vezes, infalível, sussurrara para ela. Depois desse breve diálogo, 3 anos se passaram... Washington - F.B.I. - Sala do diretor-assistente Skinner - 2005... Doggett percebe que Skinner não prestara a mínima atenção à sua exposição dos fatos do novo caso. Seria um assassinato comum, não fosse o criminoso, um garotinho de apenas 11 anos, que conseguira se formar em Harvard, era um dos melhores hackers do planeta, e possuía uma mente maligna. Um verdadeiro "geniozinho" do mal! Doggett: - Diretor-assistente, o senhor está me ouvindo? - pergunta, meio constrangido por ter falado durante longos 10 minutos com a parede. Skinner: - Hã?!! Ah! Desculpe-me John, é que eu estava pensando... Doggett: - Pensando em que, senhor? Se é que eu posso perguntar. Skinner: - Em Mulder e Scully. Eu nem posso acreditar, mas já faz 3 anos que eles praticamente desapareceram, sem deixar rastros. Não sabemos nem sequer se estão no país e, principalmente, se ainda estão vivos! Doggett: - Mas, na época, fizemos de tudo para encontrá-los! Porém, a cada pista que achávamos, acabávamos chegando tarde demais, e descobríamos que eles já haviam partido novamente! Skinner: - É verdade. - concorda. Eu me lembro que você e a agente Reyes seguiram o último vestígio que eles deixaram... Doggett: - ...mas nada encontramos, senhor - interrompe. Skinner: - Eu sei, eu sei... - diz, inconformado. Voltemos a falar do caso do garoto. Doggett entrega o relatório de suas investigações a Skinner. Enquanto este o lê atentamente, Doggett olha para seu rosto, mas não o vê, pois seu pensamento o levou pra muito longe, na Flórida, há exatamente 3 anos atrás... Mulder: - Você vai me jurar, agente Doggett, que não vai dizer a ninguém que nos encontrou, nem mesmo ao Skinner! - disse, aflito. Doggett: - Calma, companheiro, se você não quer, eu não digo! Mas porque nem ao Skinner? Mulder: - Porque é mais seguro pra mim, pra Scully, bem como pra ele! Quanto menos gente souber do nosso paradeiro, melhor pra todos. Agora mesmo, você e a agente Reyes podem estar correndo perigo! Doggett: - Não se preocupe conosco, Mulder. Nós sabemos nos cuidar muito bem! Não vai ser a primeira nem a última vez que corremos alguma espécie de risco. Mônica: - O que vocês pretendem fazer por aqui? - perguntou, curiosa. Scully: - Vamos tentar, o máximo possível, levar uma vida normal. Se é que eu e o Mulder ainda temos esse direito! - respondeu. Doggett: - E o que vocês chamam de vida normal? - quis saber. Mulder: - Scully conseguindo exercer a medicina, sem ter que deparar, diariamente, com corpos meio-humanos, e meio compostos de seres de toda e qualquer espécie, deste ou de outro mundo. E eu, investigando pequenos furtos, assaltos, tumultos, atritos conjugais, sei lá...coisas dessa ordem, desde que não tenha gente "verde" envolvida. - esclareceu. Doggett: - Você tem certeza que, no fundo, não vai sentir falta de tudo o que passou no F.B.I., principalmente nos arquivos X? Mulder: - Eu já havia me afastado do F.B.I. e dos arquivos X há muito tempo, agente Doggett. Estava numa cruzada pessoal quando fui apanhado naquele complexo militar, e acusado de assassinato. Aqueles arquivos foram a minha vida, mas agora fazem parte do passado. Doggett percebeu a emoção de Mulder ao falar dos arquivos X, mas também sabia que ele tinha razão. Ele e Scully tinham que tocar a vida, longe do F.B.I., dos casos bizarros, dos supersoldados, de Kersh, de Follmer, e até mesmo de Skinner, para que tivessem paz. Eles haviam escolhido Miami Beach para viver, por ser uma cidade turística, e onde acreditavam que seria mais fácil passarem desapercebidos, no meio do burburinho. Além disso, o estado da Flórida ficava no extremo oposto do país, em relação a Washington, o que os colocava o mais distante possível da sede do F.B.I. Doggett e Mônica retornaram ao Bureau e, cumprindo a promessa que fizeram aos antigos companheiros, nada disseram aos seus superiores. Apenas limitaram-se a afirmar que a pista que, supostamente, os levaria aos agentes desaparecidos, tinha sido falsa. Skinner, num primeiro momento, não acreditou nas palavras deles, mas depois, diante das dificuldades que foram surgindo para o prosseguimento das investigações, resolveu encerrar as buscas por Mulder e Scully. Em seu pensamento, algum dia eles haveriam de entrar em contato com ele. Mas, agora, passados 3 anos sem notícias, já não tinha mais certeza de que pudessem até mesmo estar vivos. Uma coisa não lhe saía da mente: quantos anos ainda iriam passar sem que ele tivesse alguma informação sobre eles? Porém, mais 7 anos se passaram, e a vida de todos seguiu em frente... Miami - Flórida - 2012 - tempo presente A Dra. Dana Scully está visitando mais um de seus pacientes. Henry havia sofrido um acidente de automóvel há dois dias. Ela examina-lhe o fundo dos olhos com uma pequena lanterna, e constata que não há trauma, nem hemorragias intraoculares. A pressão está quase normal, e o rapaz deve ficar só mais um dia no hospital, para observação. Ela gostava de trabalhar no Memorial Hospital mas, às vezes, se sentia um pouco cansada demais. Por ser o principal hospital de Miami, lá chegavam diariamente inúmeros acidentados, baleados, gente que sofrera assaltos violentos, etc, não lhe dando tempo nem sequer de respirar, e lhe permitindo descansar apenas por poucos instantes. Scully estava pensando exatamente nisso, quando foi chamada para mais uma emergência. Um grupo de turistas estrangeiros haviam se intoxicado com algum tipo de molusco. "... e lá vamos nós outra vez!" - pensou, despedindo-se de Henry. Há alguns quarteirões dali, Mulder está em sua sala na delegacia de Miami Beach. Ele se tornara chefe de investigação, e havia passado dos casos banais para o tráfico internacional de drogas. Seu trabalho ali era tão ou mais perigoso do que aquele que exercia nos arquivos X, portanto, mantinha-se sempre alerta. Além de que, mesmo passados tantos anos, sempre tinha a impressão de que ele e Scully ainda poderiam ser encontrados a qualquer momento, e isso era a última coisa que ele desejava. Ambos haviam lutado muito para conseguir estabilidade mental e financeira, e ele não admitia perder tudo o que haviam conquistado, por uma distração ou descuido. De vez em quando, Mulder se pegava a pensar naquela salinha acanhada nos porões do Bureau, onde passara boa parte de sua vida, e onde conhecera a mulher por quem se apaixonara. Ele a amava tanto ou mais do que há 10 anos atrás, e era plenamente correspondido. Jamais esquecera a canção que embalara a primeira noite de sexo com Scully. Toda vez que ouvia "The Glory of Love", lhe vinha à mente o trecho que dizia: "I am a man who will fight for your honour", e ele sabia que havia lutado, com todas as forças, não só pela honra, bem como pelo amor de Dana Scully. Fruto desse amor, havia nascido William, o adorado filho que nunca mais puderam ver. Eles haviam tentado, durante todos esses anos, aproximarem-se do menino, mesmo sabendo o perigo que poderiam estar causando a ele, e a si próprios. Queriam vê-lo, nem que fosse de longe, tentando acompanhar à distância seu crescimento e desenvolvimento. Mas, o destino fôra cruel com os dois. Eles apenas haviam conseguido encontrá-lo há 9 anos, quando William completara 1 ano de idade, tão somente para constatar que era um lindo garoto que possuía os cabelos acobreados da mãe e os olhos verdes e tristonhos do pai. Depois desse rápido encontro, nunca mais puderam revê-lo. Seus pais adotivos mudavam-se constantemente e, cada vez que Mulder descobria sua residência mais recente, ele e Scully acabavam chegando tarde demais, pois eles já haviam partido com o menino. Mulder começou a acreditar que os Van De Kamp teriam descoberto, que aquele casal que fôra visitá-los, há 9 anos atrás, eram os verdadeiros pais de William e, a partir daí, passaram a fugir, supondo que estes iriam acabar tirando-lhe a criança, por quem eles já nutriam um genuíno e incondicional amor de pais. Mulder desperta de sua viagem ao passado, no momento em que um investigador bate na porta de seu gabinete. Mulder: - Entre! - ordena. John: - Sr. Mulder, eu trouxe o relatório da minha investigação, conforme o senhor havia pedido. Mulder: - Ok, Jonny. Coloque-o aqui, por favor. - diz, apontando para a mesa repleta de papéis. John olha para a mesa e, depois, para o alto, onde vários lápis, presos ao teto, pendem sobre a cabeça de seu chefe, feito verdadeiros estalagtites. Mulder continuava o mesmo de sempre! John: - Certo, chefe! John Forsite, um de seus melhores investigadores, se retira em seguida, deixando a papelada do caso Thorton no lugar indicado por Mulder. Tratava-se de mais uma averiguação de tráfico de drogas entre Miami e algum paraíso nas Bahamas. Mulder olha para o relógio de pulso, e dá um pulo na cadeira, que quase o arremete ao solo, não fosse sua presença de espírito em retirar, rapidamente, os pés de cima da mesa e apoiá-los no chão. Mulder: - Puxa, quase ia me esquecendo de ir buscar Samantha!!! - comenta, ainda se refazendo do susto que pregou a si mesmo. Miami Beach School - pouco depois... Samantha corre para os braços de Mulder, que os mantém abertos à espera da garota. Ao chegar perto dele, larga a pequena mochila cor-de-rosa no chão, e lhe dá o abraço mais gostoso e apertado que uma criança é capaz de dar. Ela era uma menina linda. Tinha os cabelos cacheados, que mesclavam a cor do cobre e o dourado, e os olhos do azul mais profundo. Mulder apanha a mochila, e carrega Samantha no colo até o automóvel. Samantha: - Como foi o seu dia hoje, papai? - pergunta a pequenina, com ares de pessoa adulta, do alto dos seus 5 anos de idade. Mulder: - Eu ia lhe perguntar a mesma coisa, Sammy! Mas, meu dia foi ótimo, e o seu? - diz o pai, todo orgulhoso da postura da filha. Às vezes, Mulder não se conformava como Samantha se parecia com Scully, tanto fisicamente, quanto na personalidade. Ambas eram inteligentes, voluntariosas, sensíveis, obstinadas, e muito, muito sagazes. Ele já havia dito à Scully que, quando olhava para a filha, não raro podia vê-la, só que com apenas uma polegada a menos, e ela lhe dava um esbregue por tê-la chamado de baixinha. Depois, acabava admitindo que ele tinha toda a razão, tanto em relação à menina, quanto à sua estatura, e os dois riam juntos. Samantha nascera quando eles já estavam quase desistindo de tentar ter mais filhos. Na época, eles tinham chegado à conclusão de que o nascimento de William havia sido um milagre único, que não poderia ser repetido. Mas os exames mostravam que Scully possuía o aparelho reprodutor normal, e que ambos eram férteis. Não havia nada de errado! Ao menos isso de bom fizeram aqueles que possibilitaram à Scully dar a luz. Fosse através de métodos e tecnologia humana, ou alienígena, ela tornara-se uma mulher saudável, capaz de gerar filhos. Porém, eles não compreendiam porque ela não conseguia engravidar, apesar das inúmeras tentativas. Mulder, treinando seu lado de psicólogo, chegara a pensar que Scully estaria traumatizada por ter sido obrigada a entregar o pequeno William para adoção, e isto a impedia de conceber. Certo dia, no entanto, quando já haviam parado de pensar no assunto, Mulder chegou em casa, e percebeu um brilho diferente no olhar de Scully. Ele sabia: ela estava grávida! Eles deram o nome de Samantha à criança, em homenagem à irmã de Mulder, assim que souberam que era uma menina. Scully montou um quarto todo cor-de-rosa, com móbiles e bichinhos de pelúcia. Em cima da cômoda, pousara a boneca de pano que Mulder lhe dera quando estava grávida de William, lembrança da mãe dele, Teena, que ela nunca esquecera. Scully pedira à Mônica para encontrá-la em seu antigo apartamento, e enviá-la secretamente para ela, pois, de todas as recordações das quais havia desistido, essa era uma que não poderia deixar pra trás. Agora, passados 5 anos, Sammy, como a chamavam carinhosamente os pais, não largava por nada, a boneca da avó que nunca chegara a conhecer. Solidarity Adoption Home O menino, aparentando 10 ou 11 anos, olha para a janela, sentado na beira de sua cama. Scully entra em seu quarto, sem fazer barulho, e fica a observá-lo em silêncio. Parecia uma criança triste, com desejo de liberdade. O cômodo é simples e despojado. Há uma cama, um criado-mudo, um guarda-roupa e uma escrivaninha. Sobre esta, repousam alguns livros, dois cadernos e um estojo. Em cima do criado-mudo, apenas um copo com água e uma botija de barro. Um tapete ao lado da cama e uma gravura com o rosto de Jesus são os únicos objetos que decoram o lugar. Repentinamente, Scully sente um aperto no coração, o que a faz suspirar. O menino vira em sua direção, e lança para ela o olhar mais singelo que ela jamais vira em outra criança. Garoto: - Olá! Scully: - Olá! - responde. Depois, prossegue: - Eu sou a Dra. Dana Scully, e fui chamada para ver como você está. Parece que você tem aí uma tosse que não quer ir embora, não é mesmo? Garoto: - É verdade. - diz ele - Meu nome é William Pekovitz. Muito prazer. Ao ouvir aquele nome, Scully estremece dos pés à cabeça. Era o mesmo de seu filho, e ela não podia evitar a emoção, cada vez que o escutava. Scully: - Muito prazer, William. Então, vamos ver esse seu pulmão como está. - responde, visivelmente perturbada. Garoto: - Está bem , Dra Scully. William Pekovitz é um garoto extrovertido, muito inteligente e bonito, com seus cabelos castanho-claros e olhos verdes. Porém, é também muito solitário. Costuma passar, horas e horas, trancado em seu quarto, estudando, lendo, ou apenas a olhar o sol pela janela, até que o crepúsculo o leve para além do horizonte. Ele sempre foi saudável mas, há duas semanas, contraiu uma tosse que persistia durante vários dias, fazendo com que Francis Dolenz, a diretora do Lar Adotivo, ficasse seriamente preocupada. Scully fôra chamada para vê-lo, porque era velha conhecida da diretora, já que, na época em que acreditava que jamais iria engravidar de novo, ela e Mulder haviam percorrido vários lares, no intuito de adotar uma criança. Mesmo depois do nascimento de Samantha, Scully nunca descartara essa possibilidade. Apenas deixara a vontade adormecida em algum cantinho de sua mente e de seu coração. Agora, ao olhar para aquele menino, sentira uma empatia imediata, sentimento esse que parecia recíproco. Scully termina de examiná-lo, e constata que ele está com bronquite, mas não em sua forma mais aguda. Nada que antibióticos e repouso não dessem um jeito. Assim que faz a prescrição do remédio, despede-se do garoto e, quando vai levar a receita para Francis, inesperadamente, William a chama, e corre para abraçá-la. Aquele abraço dura apenas poucos segundos, mas para Scully, parece uma eternidade. Ela não consegue impedir que algumas lágrimas lhe escorram pelo rosto, porém, não sabe bem porque isto está acontecendo com ela. Apesar daquele gesto do menino ter sido completamente repentino e emocionante, a reação dela a esse episódio, fôra muito mais forte do que ela poderia imaginar. Nos dias subseqüentes a essa visita, ela não conseguira mais deixar de ver o menino, mesmo quando ele já estava totalmente recuperado. Além disso, tanto fizera que convencera Mulder a ir vê-lo também, dizendo que William era uma criança extraordinária. Ele concordara com Scully e, da mesma forma que ela, simpatizara imediatamente com o garoto. Três meses depois, William ganhava novos pais. Mulder e Scully o haviam adotado. Residência da família Mulder - 21 de dezembro de 2012 - 7h00 AM Como todos os dias, Mulder senta-se à mesa, em frente a Scully, ladeado pelos filhos William e Samantha, porém, nessa manhã, ele está especialmente ansioso. Por conta de seu visível nervosismo, derruba o suco de laranja e queima duas torradas. Mulder: - Argh! - exclama, ao tomar um gole de café. - Esqueci de adoçar!!! Scully: - O que está havendo com você, Mulder? - questiona, preocupada. Mulder: - Nada, Dana. Absolutamente nada! - responde.- Só estou um pouco distraído hoje. Scully: - Ouça, meu amor, eu conheço você há tantos anos que seria capaz até mesmo de ler os seus pensamentos... Mulder: - ... Ops! Não vá fazer isso agora porque há menores no local!!! - interrompeu, fazendo graça, e olhando-a com aqueles olhos verdes, ávidos e insaciáveis. Ela sorri, embaraçada, mas prossegue a conversa. Scully: - Não adianta, Mulder. Você não vai conseguir desviar minha atenção, apesar de quase ter tido êxito desta vez. - diz, encarando o marido. Depois, continua: - Há dias, estou percebendo um certo nervosismo. Uma ansiedade que não estou acostumada a ver em você, desde os tempos em que trabalhávamos nos arquivos X, quando você me mostrava um novo caso. Algum problema na delegacia? Mulder: - Não, Dana. Fique tranqüila. Olha, eu sei que não consigo esconder nada de você, mas é que eu estou fazendo uma investigação, já há algum tempo, e hoje, finalmente, me prometeram entregar a papelada que eu solicitei. Scully: - Mas é um caso tão importante assim, pra você ficar desse jeito? Mulder: - Se é! À noite, eu esclareço tudo pra você! Agora estou um pouco atrasado! Você pode levar as crianças na escola hoje? Scully: - Claro! - assente, mas continua sem entender o porquê de tanta ansiedade. Ele levanta depressa, e despede-se, beijando Scully e as crianças. Depois, rapidamente, desaparece pela porta da cozinha, que dá para os fundos da casa. Em questão de segundos, Scully ouve Mulder entrando no carro, abrindo a porta da garagem, e partindo. Com certeza, ele estava muito estranho, muito mais do que quando ganhou o apelido de "Spooky Mulder". Ao chegar na delegacia, a primeira coisa que Mulder faz, é verificar se havia chegado algo pelo fax. Quando vê duas folhas de papel, com timbre de outro estado, seu coração começa a bater acelerado. Tira os óculos do bolso interno do paletó (agora já não podia mais ler nada sem eles), coloca-os na ponta do nariz, respira fundo, e inicia a leitura do relatório que solicitara há alguns dias. Lá está, com todas as letras, a confirmação daquilo que já desconfiava há muito tempo. Seus olhos ficam marejados, e ele deixa-se cair na cadeira giratória, virando-a em direção à janela. Enquanto olha para fora, as lágrimas escorrem pelo seu rosto, num choro consentido, e ele extravasa todo o sentimento que mantivera adormecido em seu coração. Mulder sabia que não poderia mais trabalhar naquele dia, depois dessa notícia. Ele enxuga o rosto, sai da sala, bate a porta e segue para o estacionamento da delegacia. Depois, pega o automóvel e sai, em disparada, na direção do Memorial Hospital. Mulder: - Por favor, poderia chamar a Dra. Dana Scully? - pede à recepcionista. Moça: - A quem eu devo anunciar, senhor? - pergunta. Mulder: - Diga que é o marido dela. É urgente! Moça: - Um momento que eu vou localizá-la. Ele nunca esperara tanto na vida! Aqueles minutos pareciam uma eternidade, mas ele precisava contar a verdade a ela, sem demora. O hospital era o melhor lugar para fazer-lhe a revelação, pois ela estaria amparada, caso viesse a passar mal. Quando Scully despontou no final do corredor, o coração de Mulder disparou novamente. Sua testa começou a gotejar, e suas mãos tornaram-se frias como gelo. Scully: - Meu Deus, o que houve, Mulder? Você está pálido! Aconteceu alguma coisa com as crianças? Mulder: - Não, Dana, não aconteceu nada com as crianças! Venha, sen- te-se aqui. - responde, segurando-lhe a mão, e encaminhando-a para o banco encostado à parede. Scully: - Não minta pra mim, Mulder! Eu te conheço. Dá pra perceber que você andou chorando, e você não é disso! Mulder: - Eu chorei sim, mas foi de emoção, amor. Scully: - Emoção?!!! Mas porque? - indaga, sem entender. Logo que Mulder conta-lhe a razão, dando-lhe a notícia que o havia abalado tanto, ela compreende o que ele está sentindo. Ela o olha fixamente, como que querendo que ele ratifique toda aquela história. Ele apenas meneia a cabeça afirmativamente, confirmando. Porém, no fundo, nem era preciso, pois ela sabia muito bem que tudo aquilo era verdade. Ela sentia essa verdade há muito tempo. Aqueles olhos azuis enchem-se de lágrimas. Scully abraça Mulder com força, passando as mãos pelo seu pescoço, enquanto que ele circunda, com as dele, a sua cintura. Eles ficam assim, enlaçados, por vários minutos. Em seguida, sem dizer palavra, se levantam, e vão em direção à saída. Miami Beach School - alguns minutos depois... A diretora da escola caminha ao lado de William, pousando a mão em seu ombro. Mulder e Scully o estão aguardando no pátio. Eles andam de um lado para o outro, como quem espera pelo nascimento de um filho, na maternidade. Na realidade, não era uma imagem de todo equivocada, pois tratava-se de uma espécie de renascimento. O renascimento de William. Quando Scully o avista, ao longe, abre os braços para ele, como se fosse a primeira vez que o via. Sem entender o que está se passando, mas correspondendo ao gesto da mãe, o garoto corre e a abraça, ternamente. Mulder envolve ambos com seus longos braços, e fica assim, sem nem mesmo querer respirar, para não acabar com a magia daquele momento. William Pekovitz era o verdadeiro William, desaparecido há 9 anos. A conexão, forte e imediata, que surgira entre Scully e o menino, não parecera normal para Mulder. Seria natural que eles se dessem bem, mas havia algo mais entre eles. Algo que Mulder não conseguia explicar, porque até mesmo ele tinha uma relação especial com o garoto. O fato dessa criança ter o mesmo nome, idade, e a aparência que William deveria ter, também não lhe passara desapercebido, tampouco à Scully. Ela ficara maravilhada com a semelhança dele com seu filho. Em razão desses fatos, Mulder resolvera investigar a vida do menino, sem que Scully soubesse. A última coisa que ele queria é que ela se decepcionasse mais uma vez. Foram várias semanas de pesquisas, averiguações, telefonemas, favores e indagações, para descobrir a verdade que girava em torno daquela criança. Mas, no final, Mulder descobrira que os Van De kamp, em uma de suas mudanças, haviam sofrido um acidente fatal de automóvel, do qual só sobrevivera o menino. Após essa tragédia, William tinha sido adotado pelos Pekovitz, que lhe deram o novo sobrenome. Porém, o destino tinha sido novamente cruel com ele, quando lhe tirou os pais, mais uma vez. Os Pekovitz morreram de uma doença desconhecida, que não o havia afetado. Nem mesmo os médicos entenderam como isso foi possível. Depois de mais esse revés, William passara por inúmeros lares adotivos, em diversos estados, pois ficara cada vez mais difícil dele ser adotado, devido à sua idade. A maioria dos casais interessavam-se por bebês e crianças de, no máximo, 3 anos. O último centro de adoção que o aceitara fora justamente o Solidarity Adoption Home, em Miami, onde Scully o encontrara. O sinal anunciando o horário de intervalo na Miami Beach School, acaba de soar. A pequena Samantha, como que pressentindo alguma coisa no ar (ela já demonstrava ter os mesmos dons premonitórios do pai), é a primeira a correr para o pátio. Quando vê os pais abraçados a William, sente uma pontinha de ciúme, mas logo dá de ombros, e vai ao encontro de seus entes mais queridos. Mulder, Scully e William a recebem com carinho, para que ela faça parte do abraço familiar. As duas crianças, apesar de não estarem entendendo muito bem o que se passava, não questionam a atitude dos pais, e se deixam ficar ali, aconchegados e seguros, em seus braços. Com certeza, aquela cena traduzia, em toda a sua plenitude, uma família verdadeiramente feliz e, agora, completa. Residência dos Mulders - horas mais tarde... Mulder e Scully já tinham esclarecido com William, toda a sua história, e até mesmo com Samantha pois, às vezes, ela parecia uma pessoa adulta habitando o corpo de uma criança. Algumas lágrimas de emoção haviam rolado pelo rosto do garoto. Ele compreendera o que levara a mãe a entregá-lo para adoção. William: - Mas, mamãe, eu não me sinto uma pessoa especial! Scully: - Eu sei, meu querido. Você é especial sim, mas para mim e para o seu pai. - esclareceu. Samantha: - E pra mim também! - completou. Scully: - Claro, querida, pra você também! - disse, sorrindo para a pequena. William: - E esses homens maus que você falou, pai, ainda estão te perseguindo? - perguntou, preocupado. Mulder: - Não, meu filho. Isso já foi há 10 anos, e todo esse tempo, eu e a sua mãe temos vivido em paz! Samantha: - E eu também! - intrometeu-se novamente. Mulder: - É evidente que você também, Sammy! - concordou, pegando-a no colo, e dando um beijo estalado em sua bochecha. Aquela conversa esclarecedora havia acontecido assim que eles chegaram em casa com as crianças. Agora, já é tarde da noite, e Mulder se encontra na sacada do quarto do casal, olhando para o céu, com ar pensativo. Scully interrompe seus pensamentos, abraçando-o por trás. Ela beija as suas costas, e ele sorri. Então, vira-se de frente para ela, e a abraça, carinhoso, beijando-lhe a testa. Scully: - O que foi, meu amor? O que você tem? Mulder: - Eu não posso mesmo esconder nada de você, não é, Dana? - responde com uma pergunta. Scully: - Você sabe que não, Mulder. Nossa família agora está completa, nós estamos seguros aqui em Miami, temos bons empregos, mas você ainda está preocupado com alguma coisa! O que é? Mulder: - Eu preferia não fazê-la recordar isso, mas você lembra, há 10 anos atrás, nas ruínas, as palavras do Canceroso... Scully: - ... aquela data!!! - interrompe. Mulder: - 22 de dezembro de 2012! É amanhã, Dana, e pode ser o dia do juízo final!!! Scully olha para o céu e, em seguida, para Mulder. Scully: - Você acredita mesmo nisso, Mulder? Mulder: - Nem sei mais em quê acreditar, amor, mas quando eu penso que, amanhã, a verdade que eu tanto busquei pode ser, finalmente, revelada... Scully: - Eu entendo. Eu mesma, naquele motel no Novo México, há 10 anos, te pedi pra não desistir. Porém, eu custo a crer que agora que reencontramos o nosso filho, e formamos uma verdadeira família, algo assim possa acontecer! Meu Deus, e tão perto do Natal!!! - diz, com os olhos fixos no firmamento. Mulder: - Tem razão. Um acontecimento tão maravilhoso num dia, e um tão terrível no outro! - concorda. Scully: - E nós não podemos fazer nada, não é Mulder? Mulder: - Não. O que tinha que ser feito, já foi feito. Agora, é torcer pra que tudo dê certo. Scully ainda estava tão extasiada com a descoberta sobre William, que preferiu esquecer um pouco aquele assunto, e convidar Mulder a entrar. Scully: - Bem, então, só nos resta esperar... eu estou um pouco cansada, acho que vou me deitar. Você não vem, amor? Mulder: - Eu não estou com um pingo de sono agora, Dana. Scully: - E quem disse que eu estou? Ela não precisou dizer mais nenhuma palavra, pois ele entendeu tudo. Seu convite para a cama, cheio de "más intenções", foi aceito de imediato. Afinal, se o amanhã trouxesse a derradeira invasão alienígena, ele queria estar nos braços de Scully naquela hora. Se naquele instante, seus filhos estivessem bem, e ele estivesse fazendo amor com ela, o mundo, para ele, não poderia acabar... Washington - D.C. - 22 de dezembro de 2012 - 5h00 AM Os radares do exército captam a aproximação de um objeto voador não identificado, nos arredores de Washington. É dado o alerta máximo, e sirenes começam a soar freneticamente. Em poucos minutos, uma aeronave de proporções incomensuráveis começa a se aproximar do Pentágono, até que pára, e fica planando sobre ele. Nesse momento, milhares de soldados, fortemente armados, surgem de dentro da casa do estado-maior do exército dos EUA, e diversos tanques e automóveis militares começam a aparecer de todos os lados. A nave permanece impassível. Diferente de outras vezes em que extraterrestres invadiram o espaço aéreo americano, utilizando- se do domínio da invisibilidade, aquela espaçonave não se ocultara em nenhum instante. Seus tripulantes queriam que ela fosse vista. Eles queriam esfregar na cara dos terráqueos, toda a sua força e poder. Há muita tensão no ar... Ninguém quer dar o primeiro passo, porque sabe que, depois disso, tudo pode acontecer. Meia hora se passa sem que a nave se mova um milímetro sequer, quando, de repente, um raio letal é disparado na direção de um dos tanques, causando uma imensa explosão. O veículo é partido em mil pedaços, e seus ocupantes viram cinzas, tamanha a violência do ataque. Alguns soldados que estavam mais próximos, também sofrem morte instantânea. Nesse momento, uma cúpula gigante, construída nos jardins do Pentágono, começa a se abrir. Dentro dela, pode-se ver uma enorme peça de artilharia, que lembra um canhão, só que sofisticado e de alta tecnologia. O revide acontece em poucos minutos. Sem que a nave tivesse tempo de dar seqüência à sua investida, ela torna-se alvo de uma série de "disparos supersônicos contínuos". Ao término daquela verdadeira rajada, por uns segundos, tudo fica em silêncio. A nave parece não ter sido afetada, apesar das proporções do ataque terrestre. Subitamente, a espaçonave se desintegra em milhões e milhões de átomos, partículas ínfimas que desaparecem no ar, levando com ela todos os seus ocupantes. Os soldados olham, perplexos, para aquela imagem inusitada, pois a desintegração manchou de laranja os céus de Washington. Aos poucos, porém, vão caindo na realidade, e se abraçam, comemorando a vitória. Tinha sido mais fácil do que eles imaginavam! Os terráqueos, com sua tecnologia sempre tão ultrapassada, tinham vencido os extraterrestres e suas poderosas armas. Apesar de tudo ter ocorrido em tão pouco tempo, boa parte da população ficara alvoroçada. As prensas de toda a cidade pararam, para introduzir a notícia inédita e espetacular! Em poucas horas, o acontecimento local ganhou o país, o mundo, e além dos jornais, as revistas, o rádio, a TV, e a internet. Milhares de repórteres, de todas as partes do planeta, queriam saber que tecnologia era aquela que destruíra tão rápido a nave alienígena. A outra dúvida, era como o exército soubera, com tanta precisão, o dia do ataque, já que estavam totalmente preparados em termos de homens e armas. No apartamento de Doggett, ele e Mônica assistem os noticiários, e percebem que, mais uma vez, a verdade genuína vai ficar oculta atrás das conveniências do governo. Os dois têm certeza disso, porque estão a par de tudo, afinal, estiveram envolvidos em todo o processo. Batem na porta. Doggett abre, e se depara com Skinner, que entra, apressado, sem nem mesmo cumprimentá-los. Skinner: - Vocês estão vendo as notícias, é claro. - diz, caminhando em direção à TV. Mônica: - Estamos vendo e ouvindo apenas aquilo que "eles" querem que saibamos, senhor! Doggett: - Como sempre! - diz, e completa - Pena que só nós sabemos a verdade. Mônica: - Com certeza, eles não vão dizer como realmente conheceram a magnetite e suas propriedades. Doggett: - Nem tão pouco vão contar como descobriram que ondas mais velozes do que o som, poderiam desintegrar tudo o que fosse feito com esse material. Skinner: - Não se preocupem. Eles vão encontrar uma boa desculpa pra esclarecer tudo. Mônica: - Aposto que nunca irão revelar como as informações que Kersh lhes entregou, chegaram às mãos dele, no F.B.I. Doggett: - É evidente que não, já que ficar ciente de fatos tão importantes através de informações anônimas, não seria uma forma muito digna de conhecer a verdade, e ainda confiar em sua veracidade. Skinner: - Exatamente! Cada vez que eu penso que se Kersh não tivesse dado crédito a essas informações, e tido a certeza de que eram verídicas... se ele não as tivesse levado ao Complexo do Mount Weather Bluemont, e entregue aos militares... hoje, Washington poderia nem mais existir. Mônica: - Acho que nós fizemos um ótimo trabalho, senhor, deixando, secretamente, todos aqueles dados que recebemos, no gabinete do Kersh. Skinner: - Isso me lembra que eu só fiquei sabendo de tudo quando, sem querer, peguei vocês dois enfiando um envelope sob o vão da porta dele. Vocês não pretendiam me contar nada, não é? Mônica: - Ora, chefe, nós estávamos apenas sendo leais! E eu sei que o senhor acabaria descobrindo tudo de qualquer forma. Doggett: - E isso aconteceu há 7 anos! Skinner: - Tempo suficiente para que o exército pudesse construir aquela arma supersônica que destruiu a nave. Doggett: - Eu não sei como os militares sabiam a data da invasão mas, com certeza, se não tivessem acreditado no estudo completo sobre a magnetite que "fizemos cair" nas mãos do Kersh, hoje, aconteceria a batalha do século! Mônica: - Eu acho que eles resolveram dar mais atenção a esse tipo de informação, mesmo que anônima, depois do que aconteceu em 11 de setembro de 2001. Skinner: - Certamente! - concorda - Mas, se eles soubessem a quem eles deram ouvidos, quem está por trás de toda essa descoberta... Miami Beach - Residência dos Mulders Mulder agora está em paz consigo mesmo. Ele está, mais uma vez, em um de seus lugares favoritos da casa, a sacada de seu quarto. Acabara de ver o noticiário que informava a vitória sobre os alienígenas. Ele ouvira também, um monte de "baboseiras" a respeito da data da invasão, e sobre como os militares haviam tomado conhecimento do magnetite. Mas, tudo isso, em sua concepção, já fazia parte do passado. O importante para ele era a sensação de dever cumprido , de "alma lavada". Nesse momento, o mundo inteiro sabia da existência de extraterrestres. Não era mais possível guardar a sete chaves, um segredo dessa dimensão. A verdade sobre os alienígenas estava escancarada, e todos que, um dia, o chamaram de "Spooky Mulder", por suas crenças e sua luta, até então inglória, agora iriam entender as suas ações e os seus sentimentos. Alguns poderiam até mesmo se arrepender de tê-lo desacreditado, como Kersh, por exemplo. A única coisa que ainda ia ficar oculta, seria o envolvimento do governo e dos militares com toda essa conspiração. Mas Mulder sabia que não se podia ter tudo. Meia verdade era melhor do que uma mentira inteira. Scully se aproxima, e sua presença interrompe os pensamentos de Mulder. Scully: - Parabéns! Mulder: - Parabéns? Porque eu estou sendo cumprimentado? - pergunta, curioso. Scully: - Porque você foi o responsável pelo sucesso da missão contra os alienígenas hoje! Mulder: - O quê?!!! Mas... Scully: - Eu sei de tudo, meu amor. Do seu estudo sobre o magnetite, da sua descoberta sobre o efeito supersônico, enfim, do seu envolvimento com toda essa história. Mulder: - Mas como?!!! Scully: - Oras, você esqueceu que eu fui agente durante muitos anos?! Scully conta como ficou sabendo o segredo de Mulder. Durante esses anos em que viveram em Miami, muitas vezes, ela o via pensativo, outras vezes, aflito. Ela sabia que ele, não querendo preocupá-la, dificilmente iria dizer o que estava se passando. Sendo assim, Scully resolvera usufruir de seu talento como investigadora, e tratara de descobrir o que Mulder tanto ocultava. Ela tomara conhecimento das inúmeras idas dele à biblioteca municipal, e dos telefonemas internacionais que fizera através do celular. Acabara até encontrando o estudo completo sobre o famoso minério, no laptop de Mulder quando, tentando todas as senhas possíveis e imagináveis, para poder penetrar na memória do equipamento, a palavra mágica surgira em sua mente: GUNMEN! Como ela não havia pensado nisso antes?! Claro! Uma homenagem àqueles que tanto auxiliaram na vida profissional de Mulder, e foram tão amigos na vida pessoal dele. Ela também descobrira que Doggett e Reyes auxiliaram-no nessa empreitada, como intermediários, e que Skinner estava a par de tudo. Pobre Skinner! Só ficara sabendo que Mulder e Scully estavam vivos, porque pegara Doggett e Reyes em flagrante. Ele passara os 3 primeiros anos, em que ambos haviam sumido, na total escuridão. Scully sabia que o que estava fazendo não era nada honesto ou justo para com o homem que amava, mas ele também não tinha sido lá muito honesto, escondendo dela, suas pesquisas e intenções. No início, ela ficara magoada com Mulder por causa disso, porém, depois, resolvera respeitar a vontade dele, porque entendera as suas razões, sempre tentando afastá-la de qualquer tipo de problema. Mulder deu-se por vencido. Aquela mulher era mesmo espetacular. Uma esposa perfeita, uma mãe maravilhosa, e uma profissional competente em tudo o que fazia. Mulder: - É... agora eu tenho certeza absoluta de que não consigo mesmo esconder nada de você, Dana. Scully: - Mas eu consigo, Mulder! Mulder: - Não entendi! Scully: - É que eu escondi algo de você durante o último ano, e não me orgulho disso. Porém, eu tinha que esperar pelos acontecimentos de hoje para poder revelar, inclusive pra você, o meu segredo. Mulder: - Que segredo é esse? O que você andou escondendo de mim, hem? Scully: - Vem aqui comigo! Scully pega na mão de Mulder, e o conduz até o quarto. Depois, apanha no fundo do armário, um calhamaço de papel, que entrega a ele. Na primeira folha, ele lê o título, em letras garrafais: "A verdade que eu tanto busquei...", embaixo, em letras menores, a frase "A vida heróica de Fox Mulder", e no canto inferior direito "por Dana S. Mulder". Mulder: - Um livro? Você escreveu um livro? E sobre mim? Scully: - Sim, meu amor. Eu só preciso que você me ajude a completar o penúltimo capítulo, que trata do seu estudo sobre o magnetite. Afinal, eu não fui tão "xereta" assim. Mas, todo o resto está pronto, inclusive o capítulo final, que eu terminei agora há pouco, e que fala sobre a "sua vitória" de hoje. Mulder dá uma rápida folheada, enquanto Scully fala, e consegue ler alguns nomes: Garganta Profunda, "X", Skinner, Krycek, Spender, Marita Covarrubias, Kersh, e até mesmo o Canceroso. Há um capítulo intitulado "Os Pistoleiros Solitários", outro que fala dos pais e da irmã de Mulder, e um terceiro inteirinho sobre William. A pequena Samantha, filha dos dois, também tinha participação especial no livro. Mulder: - Parece que você não esqueceu de nada, não é, amor? Scully: - Não. Eu falo tudo sobre a conspiração, a sua abdução, morte e ressurreição, a sua luta, seu julgamento, e posterior fuga, enfim, toda a sua vida, toda a verdade. Mas, eu só poderia pensar em publicar esse livro, se você vencesse a batalha de hoje, porque assim, tudo viria à tona. Caso contrário, eu não iria expor você e a nossa família. Mulder: - Sabe, Dana, você é uma mulher muito corajosa, e sei que está fazendo tudo isso por mim, por nós, e pela verdade. Mas, eu queria te pedir que não publicasse esse livro... Scully olha bem no fundo dos olhos verdes de Mulder, e não pede explicações. Nem é preciso. Eles se entendem só no olhar, e o dele diz que, agora, ele só quer viver em paz com a família. Publicar aquele livro, poderia ser o esclarecimento de tudo, inclusive da outra metade da verdade, até então, oculta. Mas também, significaria acabar com a tranqüilidade que eles tanto lutaram para obter, e os submeteria à exposição pública, bem como os seus filhos tão queridos. Não. Era melhor que tudo ficasse como está. Scully movimenta a cabeça afirmativamente, e sorri. Mulder a abraça, carinhoso, e depois a beija por longos minutos. Um beijo romântico e, ao mesmo tempo, abrasador, que só termina quando William e Samantha entram no quarto, fazendo algazarra. Os quatro se abraçam ternamente. Em seguida, atiram-se na cama de casal, e começam a rolar de um lado para o outro, rindo feito um bando de crianças. Realmente, ali, havia uma família completamente feliz! Agora, essa era a verdade de Mulder. Eles não necessitavam de mais nada, apenas estarem assim, próximos, ao alcance das mãos, e poderem se tocar, e se amar, pelo resto de suas vidas. Tudo o mais fazia parte do passado, um passado muito, muito distante... F I M The Glory of Love - Peter Cetera A Glória do Amor Tonight it's very clear Esta noite está muito claro As we're both lying here Enquanto nós dois estamos deitados aqui There's so many things I want to say Há tantas coisas que eu quero te dizer I will aways love you Eu sempre vou amar você I would never leave you alone Eu nunca te deixaria sozinha Sometimes I just forget Às vezes acabo esquecendo Say things I might regret Digo coisas das quais posso me arrepender It breaks my heart to see you crying Parte o meu coração ver você chorando I don't want to lose you Não quero perder você I could never make it alone Eu nunca conseguiria chegar lá sozinho I am a man who will fight for your honour E sou um homem que lutará por sua honra I'll be the hero you're dreaming of Eu serei o herói com que você sonha We'll live forever Viveremos para sempre Knowing together that we did it all Sabendo, juntos, que fizemos tudo For the glory of love Pela glória do amor You'll keep me standing tall Você vai me manter de pé You'll help me through it all Você me ajudará a passar por tudo isso I'm always strong when you're beside me Sou sempre forte quando você está comigo I have always needed you Eu sempre precisei de você I could never make it alone Eu nunca chegaria lá sozinho I am a man who will fight for your honour Eu sou um homem que lutará por sua honra I'll be the hero you're dreaming of Eu serei o herói com que você sonha We'll live forever Viveremos para sempre Knowing together that we did it all Sabendo, juntos, que fizemos tudo For the glory of love Pela glória do amor Just like a knight in shining armour Como um cavaleiro em uma armadura reluzente From a long time ago De uma época antiga Just in time I will save the day Eu salvarei o dia a tempo Take you to my castle far away De levar você para meu castelo distante I am a man who will fight for your honour Eu sou um homem que lutará por sua honra I'll be the hero you're dreaming of Eu serei o herói com que você sonha We'll live forever Viveremos para sempre Knowing together that we did it all Sabendo, juntos, que fizemos tudo For the glory of love Pela glória do amor We'll live forever Viveremos para sempre Knowing together that we did it all Sabendo, juntos, que fizemos tudo For the glory of love Pela glória do amor We did it all for love... Nós fizemos tudo por amor We did it all for love... Nós fizemos tudo pelo amor (REPETE)