FAN FICTION AUTORAS: Sky e Graça ( selmasky@ig.com.br , gracap@gmx.net ) DISCLAIMER : Os personagens desta fic pertencem aos seus criadores. DATA: 16-12-2000 CATEGORIA: Shipper RESUMO: Scully, refletindo sobre os sentimentos em relação ao homem que passou a amar e respeitar, até que a morte os separe.... Nota da Graça : Essa fic, foi escrita para uma pessoa muito especial, a quem eu tive a honra de tirar como amiga oculta !!! Espero q ela goste !!! Agradecimento : A Alexandra Morgilli que fez as revisões da fic em tempo recorde. Obrigada Ale. Até que eu te amei Domingo de manhã: 10:00 a.m. Era uma bela manhã de inverno. O sol estava brilhando, a neve ainda não começara a cair. Num quarto, iluminado somente pela réstia de luz que o dia infiltrava pela cortina, estava um casal, sobre a cama, dormindo aninhado sobre um simples cobertor que parecia apenas complementar o calor dos seus corpos nus... Sede do FBI: Segunda Feira: 9:00 a.m. Scully caminhava pelo corredor em direção a saída. Seu olhar parecia distante. Passos curtos, porém rápidos, levavam-na para o ar frio e seco lá fora. Apenas alguns minutos depois a bela ruiva, estava sentada num parque próximo, segurando um copo de alguma coisa quente, cuja fumaça bailava diante de seu rosto e cujo conteúdo balançava devido ao movimento trêmulo de suas mãos. Uma lágrima teimava em aflorar em seus olhos... "Sinto-me tão feliz¨ _ ela pensava _ ¨Mas por que ainda tenho tanto medo ? Se já tenho certeza do que sinto... Do que quero... Imagino se, talvez, não seja apenas insegurança, pois o medo que sinto, na verdade, é do futuro...Tenho medo, pois o que estou sentindo me faz voltar a querer coisas para minha vida. Coisas que eu já havia tolhido dela simplesmente. Coisas que ignorava e não pensava mais. Deixando-me rebelar em alguns poucos momentos...Como é possível ?¨ _ ela sorriu para si mesma _ ¨Como posso estar, a essa altura de minha vida, sentada num banco, em frente ao prédio onde por sete anos cruzei corredores para buscar a segurança de um porão ? Não a segurança do lugar, que sempre me pareceu triste e escuro, mas da pessoa que consegue iluminar cada recanto daquela sala. Como imaginar que estaria aqui, sentindo o frio gelado lamber minha face sem que eu me importe ? Apavorada como uma adolescente que descobre que está loucamente apaixonada pelo melhor amigo e tem medo de perdê-lo ? Deus...sei lá...por quê?... Como é possível, Senhor ? Como pode algo tão maravilhoso como esse sentimento me deixar assim? Não sei o que está acontecendo comigo. Esse homem me fez enxergar o verdadeiro significado do amor a partir do momento em que eu o amei. E ele finalmente se deixou amar por mim, ou melhor, desde o momento em que nos entregamos de corpo e alma ao complemento do que já sentíamos um pelo outro....Eu me sinto tão bem apenas fechando os olhos e lembrando do que aconteceu...eu ainda sinto os braços dele sobre as minhas costas, tocando meu rosto...Não quero mais parar de pensar nisso...Como posso sentir medo...?" Um homem se aproximou, com um jornal debaixo do braço. Um grosso sobretudo cinza, um chapéu de napa, pediu licença e sentou-se ao lado dela...Limitou-se apenas a abrir o jornal. Ainda segurando o copo, esfregando-o com as duas mãos de um lado para o outro, olhando para o reflexo da poça de água a sua frente, ela sequer respondeu a ele. Não importava quem estivesse ali. Não era a pessoa que imaginava e que, agora, ela temia enfrentar. Suspirou longamente duas, três vezes seguidas e sentiu seus ombros relaxando. O homem ao seu lado fitava-a curioso e ia entabular alguma conversa mas desistiu, não havia mais espaço para ele ali. Levantou-se e saiu sem dizer nada. "Imagino se não estou enlouquecendo. Vi o homem ao meu lado e nem sequer me dei ao trabalho de erguer os olhos. Porém, ao vê-lo sair, meu coração disparou. O copo tombou de minha mãos e caiu inerte sobre o gelo fino que se formava sob meus pés. Só então me dei conta de que começava a nevar. Talvez já estivesse nevando há séculos. Que importa. Me concentrei no desenho escuro do café sobre a neve, mas meu corpo todo agitava-se. Até posso ver o olhar de troça que Mulder me dirigiria se me ouvisse falando em pressentimentos e sensações. Mas o fato é que sinto-o próximo, quase ao meu lado e meu peito dispara descontroladamente. Mais surpresa ainda fico ao perceber que tenho razão, minha louca razão apaixonada, que parece enxergar além de mim. Ele está ao meu lado e sinto seu sabor adocicado e inebriante instalar-se em mim. Sinto seu cheiro sob a loção de barba. Cheiro que esteve impregnado em meu corpo há algumas horas atrás. Cheiro que eu não gostaria de afastar de mim nunca mais. A essência de Mulder. Do homem que, com seu olhar obstinado e sorriso de menino, me fez perder o controle de minhas emoções e me levou a conhecer um mundo de sensações que eu não imaginava existir, talvez o mundo extraterrestre que existe apenas em sua mente e se for assim...mal consigo esperar o momento de ser novamente abduzida por ele. " Senta-se ao meu lado e, por instantes, não me diz nada, apenas me fita intensamente, estendendo-me uma flor. Perco-me então em pensamentos, por sua bela face. Penso se ele imagina o quão intenso eu o sinto, o quão perturbada esta nova realidade me deixou. Será que ele pode sentir o meu medo ? Será que ele entende porque abandonei os lençóis quentes de sua cama para me refugiar no frio esconderijo dos meus pensamentos ? Sim ele sabe. Seus olhos podem me ler como a um livro e isso me assusta ainda mais. Percorro a extensão de seu rosto e percebo os cabelos em desalinho. Tão Mulder. Ajeito-os mais por hábito do que por necessidade. Faz parte dele esse descuido estudado. Ele sabe, tenho certeza, o prazer que me dá poder me aproximar dele para corrigir algum pormenor apenas para poder senti-lo próximo, senti-lo meu. Ele vê e compreende meus receios e eu finalmente posso sorrir. Sorrir como quando sentia-o em meus braços e ele me dá sua força, assim como eu lhe transmito a minha." _ Tudo ficará bem _ ele murmura E apenas isso é o suficiente para me encher os poros de certeza. _ Eu sei _ respondo imediatamente e me sinto assim. Tenho certeza de que será assim. Envolvo seu rosto entre minhas mãos e o beijo de leve. Ainda que tenhamos uma longa jornada de descobertas e temores a vencer, tudo ficará bem. Ele me diz isso e eu quero acreditar. ¨ -*- ¨ Minhas mãos estão frias, mas ligeiramente suadas. Tenho que rir de mim mesmo. Nem me lembro da última vez que me senti assim. Meu coração parece ter adquirido uma pulsação própria, um ritmo único sem sintonia com o resto do meu corpo. E isso faz com que eu sinta apenas sua batida, num som assustadoramente alto, como se quisesse fazer com que eu nunca esqueça esse momento, o que é totalmente dispensável já que estou com cada cena gravada em minha memória, cada toque, aroma, todos os pequenos milhões de partículas que formam o corpo perfeito que estremeceu em meus braços há pouco mais que algumas horas. Mas um outro som se associa à batida intermitente do meu peito. O som do medo. Não sei qual o seu ritmo, nem como explicá-lo. Apenas sinto-o martelando em algum canto escuro do meu empoeirado senso racional. Ele me cobra uma atitude, uma decisão, condena o que meu coração aceita prazerosamente. Porque tenho medo ? O que me faz relutar em correr para o meu isolado porão ? Local que antes era o refúgio preciso para me fazer mergulhar num mundo de solidão e distanciamento e que, agora, me traz de volta à vida ? Vejo-a caminhando em direção à saída do prédio, mas o torpor que envolve meus membros não acompanha a louca pulsação de meu peito que avança para a rua junto com ela. Ali ele bate em uníssono, sente-se confortável, seguro, quase feliz. Não fosse esse sorrateiro ladrão de felicidade chamado medo, eu estaria ali, ao lado dela, de corpo, alma, desejo e razão. Mas ele me detém, mesmo que, com olhos arregalados, eu lhe peça para que vá embora. Vejo-a se distanciando e, por Deus, como parece linda. As faces coradas pelo frio cortante que faz lá fora. Os cabelos voando no ar em finas espirais acobreadas. O corpo pequeno e , agora eu tenho certeza, macio e perfumado, encolhido dentro do sobretudo negro. Ela está tensa, preocupada, com medo. Talvez o mesmo medo que eu estou sentindo, sem que saiba exatamente do que, já que tenho plena convicção de que a quero e meu corpo mal suporta o desejo de estreitá-la novamente em meu abraço. Como será daqui para frente ? O que nos aguarda quando, de novo, nossos olhos se cruzarem após terem se despido completamente, menosprezando reservas, bom senso, rígidos controles tecidos pelo nosso medo de mergulhar fundo demais ? E, por um descuido inusitado deste mesmo sentimento, aqui estamos, submersos em mares nunca antes navegados. Descobrindo maravilhas que a escuridão nos escondia e que vieram a tona sem aviso, nos afogando em ondas de prazer difíceis de serem expressos pela pobreza de nossas palavras. Respiro fundo, uma, duas, três vezes. Fecho os olhos e aperto-os entre as mãos, pedindo calma ao meu peito, pedindo clemência ao meu cérebro. Preciso de silêncio, preciso de isolamento, daquele mundo solitário e triste em que eu vivia. Coisas que me foram roubadas quando fui tragado por um mar azul de racionalidade e ceticismo. Que me jogou nas vagas saborosas do bem estar, do aconchego e do calor. Calor que agora me queima calidamente a pele. Abro os olhos e ela desapareceu, perdeu-se no turbilhão da vida lá fora. Então eu sinto que a batalha está sendo travada e que preciso fazer parte dela integralmente. Sigo-a devagar e nem me recordo de arrumar o cabelo desgrenhado pela impaciente dança de meus dedos trêmulos sobre eles. Sequer lembro de não espremer no peito, o produto do gesto que meu coração, num momento de impetuosidade, me obrigou a fazer. Apenas enfio as mãos no mais profundo recanto dos bolsos do sobretudo e a sigo pela rua. Abro as portas envidraçadas do prédio onde, por sete longos anos, vivi em expectativa. Lá está ela, a alguns poucos e significativos passos de mim. Um copo com algo fumegante preso entre seus dedos enquanto caminha, alheia a tudo. Senta-se no banco da praça e vejo seus ombros relaxarem ao comando de longos suspiros. Sei o que pensa. Os mesmos questionamentos que, sorrio aliviado, me torturavam há minutos atrás. Mas não mais agora. Percebo que a guerra chegou ao seu termo. Apenas um som pode ser ouvido em meu corpo. Meus lábios quase não conseguem conter a satisfação que sentem com o resultado da peleja. E a cada passo dado, o som torna-se mais firme, a cada centímetro vencido em direção àquela que me descortinou horizontes tão novos quanto surpreendentes, o medo recua alguns metros para dentro do buraco negro de onde ele jamais deveria ter saído. Meus braços estendidos já podem alcançar seus cabelos. Já posso sentir o perfume dela misturado ao cheiro de café, mas quero mais. Quero surpreendê-la com minha presença para que, talvez, seja possível fazer com que o seu medo também fuja assustado com a intrepidez do meu sentimento. Ao lado dela, lembro-me de tirar algo do bolso superior do meu casaco. A lembrança terna do vencedor. Sento-me ao seu lado e meu braço nem espera o meu comando. Envolve-a sedento de senti-la novamente. Estendo o pequeno e levemente amarrotado botão de rosa e toco-lhe a face. Seus olhos se erguem para mim e ainda vejo sinais de luta neles. Me observa atenta e demoradamente. Seus dedos percorrem meu cabelo e ajeitam as mechas com ar de censura. Minha Scully. Ainda há dúvida, mas eu lhe dou força, minha força, minha razão apaixonada e ela suspira e sorri. Aquele maravilhoso sorriso de aceitação, compreensão e paixão. Aquele mesmo que me enredou em suas teias suaves e macias. _ Tudo ficará bem _ murmuro simplesmente. _ Eu sei _ ela responde, tirando-me o botão das mãos e envolvendo meu rosto. E o toque de seus lábios tem o poder de sincronizar cada som do meu corpo. Todos eles agora recitam a mesma melodia e caminham em sintonia com os dela. Sim, tudo ficará bem. ¨ Com os dedos entrelaçados, eles caminham para a entrada do prédio, mas tudo parece diferente, mesmo que seus corpos tenham que se separar no limiar da porta. Mesmo que tenham que assumir o ar de impassibilidade diante das pessoas que passam atarefadas por eles. A conexão foi definitivamente estabelecida e o final do dia, daria as respostas que suas mentes apenas começavam a formular. Sede do FBI Washington DC SEGUNDA FEIRA – 19 P.M. Os agentes passaram o dia em meio a relatórios e reuniões. Após os últimos casos resolvidos, nada tinham a fazer além de apresentar-se ao Diretor Assistente Skinner para que Mulder ouvisse as justas repreensões pelo desperdício de dinheiro público numa viagem infundada até a Inglaterra. Mas ele quase não ouvia. Um ar distante e um sorriso mal disfarçado era tudo o que ele tinha a oferecer. Elaborava uma idéia para quebrar o gelo e fazer desaparecer o clima deliciosamente constrangedor que se estabelecera entre ele e a parceira. Se ela se sentia segura apenas no campo das idéias e palavras, era para lá que ele a levaria. Já passava das cinco horas da tarde quando ele pediu licença ao diretor e à parceira para atender a um compromisso. Sob o olhar intrigado de Scully, ele deixou a sala e não retornou ao Bureau. Scully tentara falar com ele, mas sem sucesso. Chegou em casa perdida em pensamentos e surpreendeu-se ao encontrar a casa iluminada, ainda que fosse apenas pela tênue luz do abajur. _ Mulder ? _ ela chamou com um meio sorriso, sentindo o perfume dele impregnando o ar _ Sei que está aqui. Sinto seu cheiro_ ela provocou. Mas ninguém respondeu e ela começou a caminhar pela casa, intrigada. Não havia ninguém. Novamente ela tentou o celular dele, mas ninguém atendia. Um pouco decepcionada, ela não podia negar, entrou no banheiro e despiu-se para um banho. Mergulhar na banheira de certa forma dissipava as estranhas sensações que vinham tomando seu corpo e sua mente desde que estivera nos cálidos braços do parceiro. O vapor que subia da água tornava o ambiente nebuloso, denso e ao mesmo tempo envolvente, tal qual as emoções que povoavam seus pensamentos. Tinha esperança de encontrar o parceiro à sua espera quando chegou em casa. Ele não lhe dera nenhuma explicação para abandonar o trabalho, tampouco lhe dirigira a palavra desde a manhã no parque em que ele percebera todos os seus medos. E talvez por isso tivesse se afastado. Ela suspirou resignada. Talvez houvesse recobrado o bom senso e estivesse tentando encontrar a melhor forma de lhe dizer do engano ao qual haviam se entregado num momento de impetuosidade. Talvez não fosse mais tão fácil encarar a mulher que, agora, deixara de ser simplesmente sua parceira. Aquela com quem podia discutir qualquer assunto sem o receio de se envolver demais. Talvez...talvez. Ela levantou-se irritada da banheira. Porque conseguia ser tão absolutamente segura no trabalho e se sentir uma adolescente quando, mesmo que de relance, tentava entender seus próprios sentimentos ? Mulder a conhecia como nenhuma outra pessoa. Era, antes de tudo, seu melhor amigo, aquele que lhe oferecia o sorriso irônico da dúvida, o olhar curioso de investigador, os braços ternos da compreensão, a expressão luminosa de orgulho e aceitação e, agora, talvez tudo isso estivesse perdido por que ela se precipitara...Teve que rir de si mesma. Precipitação era algo que jamais caberia ali. Foram sete longos anos de análise de terreno, de demarcação de limites, sempre transpostos até o dia em que não havia mais nenhum. Seu único temor era o de que a total ausência de limites tivesse criado um abismo entre eles. Abriu a porta e o vapor antecedeu seus passos, aquecendo o quarto e, por alguns segundos, ela simplesmente parou de respirar. Não disse nada, apenas caminhou lentamente até a silhueta que se desenhava apoiada ao batente. _ Atrasado ? _ ele murmurou com um pequeno sorriso. Ela não conseguiu suprimir o suspiro de alívio que brotou de seus lábios e abaixou a cabeça para tentar dar ordem aos pensamentos. Mesmo assim, o sorriso não pode ser escondido do homem que, à sua frente, estendia a mão, levantando-lhe o queixo e obrigando-a a olhá-lo de frente. _ Ainda tem medo, não é Scully ? _ ele perguntou com expressão séria. Scully nada respondeu, sabia que ele leria a resposta em seus olhos. _ Venha _ ele a puxou pelo corredor, afastando-a do quarto _ Sente-se, Scully. Vamos conversar. Ela franziu a testa e sorriu. _ Aonde esteve até agora ? _ Pensando _ Ele respondeu simplesmente. _ Pensando ? De repente, o lado rebelde da mulher, que não gostava de se sentir frágil ou manipulada, dependente ou submissa veio à tona. _ O que é isso, Mulder ?Um jogo ? Eu não gosto de jogos, principalmente estes. _ Não é um jogo. Scully _ ele falou com voz mansa_ É sobre nós. Sente-se . _ Porque deveria obedecer suas ordens ? _ Não é uma ordem. É um pedido. Por favor ... Ela sentou-se na poltrona de costas para a porta. _ Apenas me escute, por favor. Ela ficou em silêncio, olhando para os lados a fim de não enfrentar o olhar dele. O único som vinha de suas respirações . _ Ainda não me respondeu. Está com medo ? _ Sim _ ela falou simplesmente _ Do que Scully ? _ Do mesmo que você. _ Eu não tenho mais medo. Eu quero você. Quero que seja minha. Quero mais do que parceria, mais que amizade. Quero-a completamente. Quero-a despida para mim e não só das roupas. Quero que não tema estar comigo, já que agora não há mais volta. Não quero seu toque apenas terno e preocupado, quero-o abrasando minha pele, como ontem. Quero para mim a mulher que mais admiro e respeito. Quero ouvir sua voz pela manhã em meu ouvido e poder me deitar com você a noite. Quero tocar seu corpo e conhecer sua mente. Nada a que me entrego pode ser superficial, Scully e quero-a na minha vida com a mesma intensidade com que a tive no trabalho. Talvez eu não consiga mais distinguir a linha que separa a profissional da mulher e, sinceramente, pouco me importa, porque quero ambas. Scully mal conseguia respirar. A voz dele mansa e melodiosa entrando em seu corpo, tão próxima, deixava-a atordoada. _ Está me assustando, Mulder _ ela murmurou _ Até onde poderíamos ir sem nos perder completamente ? _ Tem medo que eu descubra mais do que você me permitiria te conhecer ? _ ele voltou a falar. _ Algumas coisas, talvez nem eu mesma queira vir a conhecer, Mulder... _ Algo como o quanto você pode se entregar ? O quanto pode se mostrar frágil diante de mim ? _ ele sorriu de leve _ Eu estou em suas mãos, Scully e... Quer saber ? Estou adorando. Você conhece cada ponto sensível em minha mente e _ ele suspirou _ em meu corpo. Você nunca parecerá fraca para mim. Você é meu alicerce. _ Mulder... _ ela começava a sentir-se afogueada, um calor intenso cobrindo seu corpo, mas ele não a deixou continuar. Precisava desesperadamente que ela acreditasse nele, que os receios fossem embora. Que sentisse sua sinceridade mesmo que ele nunca mais a tocasse novamente. _ Ou talvez, Scully, tema que eu descubra o que você sente e o quão intenso possa sentir _ o riso dele agora era pura malícia e ela quase podia sentir seu toque, embora apenas a voz dele chegasse ao seu corpo _ Mas eu já conheci. Talvez você não tenha noção do quanto é atraente... _ Você nunca me achou atraente _ ela brincou, tentando esfriar o clima. _ Não adianta, parceira. Não vai conseguir diminuir o calor que estou sentindo agora. Tem noção do quanto é difícil manter a impassibilidade quando a vejo caminhando sobre seus enormes saltos ? Quanto me confunde ver seu corpo emoldurado pelos seus impecáveis trajes escuros ? Quanto se torna árduo respirar quando debruça seu colo perfumado sobre mim, dentro de suas insinuantes camisas de botões traiçoeiros ? _ Mulder... pára... _ ela suplicou _ Não consigo raciocinar com você falando assim. _ Não quero que raciocine agora. Quero que sinta, me sinta, em você. Porque eu posso sentir meus dedos tocando seus cabelos, posso vê-los deslizando pelo seu rosto, desenhando seus lábios. Pode sentir, Scully ? Ela apenas suspirou, fechando os olhos. O calor definitivamente instalado em cada mínima porção do seu corpo. _ Quero sentir meus lábios roçando sua nuca. Meus dentes encontrando a carne saborosa no final de sua orelha, quero minha língua em seu pescoço, sentindo seu cheiro doce e suave que me acalma e excita. Você me excita, Scully. Primeiro sua mente e agora seu corpo, quero tudo. Os longos suspiros dela foram interrompidos com brusquidão e ela parou de respirar por alguns segundos quando os dedos dele envolveram seu cabelo, a palma da mão tomando-lhe o rosto com volúpia. _ Mulder... _ ela murmurou. _ Continue...feche os olhos _ ele ordenou. Ela obedeceu e ficou em silêncio. _ Poderia ficar tocando, conhecendo você por toda a vida _ ele sussurrou enquanto seus dedos traçavam o caminho anteriormente indicado. Descendo em direção ao colo. Scully abriu os olhos e ele sorriu. Os medos dela pareciam ter recuado alguns consideráveis passos. _ Eles se foram ? _ ele perguntou com os lábios a alguns centímetros dos dela. _ Eles quem ? _ ela murmurou ofegante. _ Seus medos _ ele explicou, deslizando a língua pelo pescoço, até encontrar a ponta da orelha, capturada entre seus lábios. Ela soltou uma exclamação longa e profunda e circulou os braços pelas costas dele, enquanto ela a trazia para o chão. De joelho entre suas pernas. _ O que está fazendo ? _ Scully perguntou com voz entrecortada _ O que está querendo com isso, Mulder ? _ Te mostrar que é bom e que, por isso, não há o que temer. Estamos juntos a sete anos, Scully. Você é parte de mim, mesmo antes de eu conhecer seu corpo. _ Não estamos falando apenas de corpo,Mulder. _Não fazer amor com você nunca significou que eu não te amasse, ao contrário, a espera só aumentou o desejo e ele está brotando em meus poros. Não é só corpo. Nunca foi ou será, mas estou adorando conhecê-lo e ajudá-lo a se conhecer. Você é linda, Scully. _ ele terminou, abrindo lentamente cada um dos botões da camisa, ele mesmo já com o dorso nu. Repousou a mão espalmada sobre o peito dela e sentiu a pulsação acelerada. Sorriu. _ Espero que ele esteja em ordem. Quero ouvi-lo bater cada vez mais acelerado _ Mulder murmurou, descendo os lábios do pescoço para o seio recém descoberto . Traçando seu contorno, capturando a extremidade rosada enquanto as mãos diligentes trabalhavam para eliminar as últimas peças de roupa do corpo da mulher. Em poucos instantes eles ultrapassavam o limiar da porta que levava à cama desfeita do quarto iluminado por velas. _ Foi aqui que passou o resto da tarde ? _ ela perguntou irônica. _ E quero passar o resto de minhas noites. Apenas pensando _ ele sorriu _ ou amando você _ ele murmurou _ E agora, sem medos ou braços vazios pela manhã. Diga- me que será assim _ ele exigiu, tomando-lhe o rosto entre as mãos. _Não imagino outro lugar para estar . Sem medos. E finalmente Mulder tomou os lábios dela, num beijo quente, apaixonado e exigente. Sob a fraca luz das velas, corpos brilhantes se amavam e se conheciam projetando sombras sobre as paredes silenciosas que assistiam extasiadas à entrega dos amantes, enquanto todos os medos, corriam céleres e se perdiam pelas ruas. Não havia mais espaço para eles naquele leito ou naquelas vidas. Ali eles nunca mais encontrariam refúgio. FIM TILL I LOVED YOU (Tema de Amor do Filme "Goya") - Duet com Don Johnson Nothing lived, nothing grew Till I loved you Every sky ever grey Never blue You were my friend Good friend And sometimes I would wonder Could the one to save me Possibly be you? I was lost, I was blind Till I loved you Wouldn't see, couldn't find Someone new You were my friend I held you close to my heart But I never thought that I'd feel the way I do Until that certain moment When I loved you And now I can't ever imagine My living without you It seems I spend all of my time Thinking only about you Once I dreamed In a dream I would find you Never thought that the dream Would come true Until that curtain lifted, Parted, drifted From you Until that certain moment When I loved you When I loved you Nothing lived, nothing grew Till I loved you Every sky ever grey Never blue Empty days, empty nights Sometimes I wonder Could the one to save me Possibly be you? Oooooh I was lost I was blind till I found you Couldn't see, couldn't find Someone new You came along, stole my heart Completely And I though, could the one To save me Possibly be you? Nada vivia, nada crescia Até que eu te amei Todo o céu sempre cinzento Nunca azul Você era meu amigo Bom amigo E às vezes eu imaginava Poderia aquele que me salvaria Possivelmente ser você? Eu estava perdida, estava cega Até que eu te amei Não via, não podia encontrar Alguém novo Você era meu amigo Eu te mantive perto de meu coração Mas nunca pensei que me sentiria do jeito que me sinto Até aquele exato momento Quando te amei E agora não posso sequer imaginar Minha vida sem você Parece que passei todo o meu tempo Pensando somente em você Uma vez imaginei Em um sonho Que encontraria você Nunca pensei que o sonho Se realizaria Até que aquela cortina se erguesse, Dividida,afastada De você Até aquele exato momento Quando te amei Quando te amei Nada vivia, nada crescia Até que eu te amei Todo o céu sempre cinzento Nunca azul Dias vazios, noites vazias Às vezes eu imaginava Poderia aquele que me salvaria Possivelmente ser você? Oh, eu estava perdida Estava cega até que te achei Não poderia ver, não poderia achar Alguém novo Você apareceu, roubou meu coração Completamente E pensei, poderia aquele que me salvaria Possivelmente ser você? 1