DISCLAIMER: OS PERSONAGENS DE ARQUIVO X PERTENCEM A SEUS CRIADORES. NÃO HÁ QUALQUER INTENÇÃO DAS AUTORAS EM OBTER LUCRO COM ESTA FANFIC QUE DESTINA-SE SOMENTE À DIVERSÃO DOS FÃS. CATEGORIA : SHIPPER MODERADA, INEXPLICÁVEL AUTORAS : ALEXANDRA MORGILLI (e-mail: ariel_55@hotmail.com) E SILVIA PENHALBEL (e-mail : silviapenhalbel@uol.com.br) DEDICAMOS ESTA FANFICTION ÀS NOSSAS AMIGAS CLARISSA SIDOU CANHA, CLAUDIA MODELL E KÉSSIA NINA. SINOPSE: MULDER CAI EM UMA ARMADILHA E VAI PARA A CADEIA.SCULLY PRECISA INOCENTAR SEU PARCEIRO E PARA ISSO ELA SE UNE A UM GRUPO TERRORISTA QUE SERÁ CAPAZ DE FAZER QUALQUER COISA PARA PROVAR A INOCÊNCIA DO AGENTE. WASHINGTON DC - SEGUNDA-FEIRA, 11:27 PM O local do encontro não levantava suspeitas. Um posto de gasolina, funcionando com um único funcionário, que preferia aguardar os raros fregueses abrigado do frio, dentro da cabine, vendo TV num volume bem mais alto do que o recomendado. Dentro do carro, o homem aguardava impaciente por um contato, trincando nos dentes sementes de girassol, cujas cascas espalhavam-se pelo banco vazio do passageiro...sentia falta dela ali, reclamando com ele e lembrando-o de como era uma tola por seguí-lo em mais uma busca por pistas num encontro com desconhecidos altas horas da noite...Talvez ela estivesse certa, já que muitas vezes metera-se em encrencas por causa desse seu impulso irresistível de acreditar em qualquer um que falasse com ele usando meios esquivos . Afinal, conspirações exigiam sombras e segredos. Qualquer um que se apresente no meio do dia, identifique-se e fale com clareza sobre isso, não pode ser levado a sério...Talvez por isso ele mesmo fosse ignorado pelo mundo...Aquela noite, então, ele resolvera vir sozinho, ouvir mais um estranho, num lugar estranho. Mais uma hora se passou antes que ele percebesse o vulto, parado na parte menos iluminada do posto, e que parecia olhar em sua direção. Mulder abriu a porta e saiu do carro, caminhando em direção ao homem. A noite estava fria e a jaqueta de couro o protegia dos ventos cortantes. Mais alguns passos e a identidade do sujeito lhe foi revelada: Alex Krycek! Quando seus olhares se cruzaram, o agente teve um impulso imediato de agarrar o rato pelo pescoço e esmurrá-lo, só por ter perdido horas esperando, mas o outro mostrou-lhe algo que o paralisou imediatamente: Krycek tinha na mão uma fotografia, que mostrava Scully, em seu apartamento, dormindo... _ O que significa isso,? O que quer comigo, além de uma surra? _ Calma, agente Mulder...anda muito nervoso ultimamente...Eu só queria matar as saudades, conversar um pouco..._ Krycek estava debochado e os olhos verdes sorriam maldosamente_ Sabe que ela dorme serena como um anjo? Eu tive de resistir ao desejo de tocá-la...Ah, Mulder, mas não se preocupe...eu não o fiz...se tivesse feito, contaria a você cada detalhe... _ Seu canalha! O que significa essa foto de Scully em seu poder? Como a conseguiu?_ os olhos de Mulder, por sua vez, faiscavam, repletos de raiva.. _ Significa que eu não a matei ainda porque não quis! É só o que você precisa saber._ ele agora falava com raiva, usando as palavras para ferir o oponente_ Você não pode protegê-la o tempo todo, Mulder. Ela transformou-se no seu ponto fraco! E eu a tenho sob minha mira. Ou faz o que eu quero, ou sua parceira pode ser morta dentro do apartamento dela ou num supermercado, a qualquer momento e em qualquer lugar, não importa o que você faça. Eu dou as cartas agora, agente Mulder...._ o tom de voz era sarcástico e desprovido e qualquer senso de moral, o que fez Mulder recuar por alguns instantes. Ele sabia que Scully era uma agente treinada e que sabia se defender, mas aqueles não eram criminosos comuns e ele também sabia que Krycek não estava brincando...Se ele conseguira entrar para tirar aquela foto, o que o impediria de entrar novamente para matá-la? _ O que você quer, seu rato sujo? _ Quero primeiro que você seja mais educado. Depois, quero que você se ferre! Não pense que vai resolver isso facilmente, amigo...Você vai matar alguém para mim, hoje a noite... _ Eu não sou seu capanga, se quer matar alguém faça você mesmo! _ dizendo isso, Mulder virou as costas e saiu andando. Não podia tornar-se um fantoche nas mãos do rato...e tinha de chegar rápido ao apartamento de Scully... Vendo a atitude de Mulder, Krycek sacou a arma e foi atrás dele, prendendo- o pelo braço e encostando a arma em suas costelas. Num movimento rápido, Mulder livrou-se da chave de braço e os dois se atracaram lutando pela posse da arma. Por um minuto, Mulder conseguiu libertar-se e alcançou distancia suficiente para fazer pontaria contra Krycek. _ Vire-se Krycek, e ponha as mãos sobre a cabeça, você está preso! Mas ele continuava a andar para trás, chegando cada vez mais perto da área de atendimento do posto, bastante iluminada, apesar de deserta. Com as mãos sobre a cabeça, parecia absolutamente rendido, mas suas palavras nãos eram de alguém que se entregava... _ Nesse momento tenho duas armas apontadas para você e alguém para cuidar da sua amiguinha .Tente me prender e estará assinando a sentença de morte da ruiva, atire em mim e eles te matam. Vamos, cara, solte a arma e venha comigo...Chega de ser o herói estúpido. Ou, então, por que não atira em mim? Por que não mostra ao mundo que é exatamente igual a mim, Mulder? Vamos, aproveite, eu estou desarmado! Com sorte, vocês dois vão parar na cadeia...não se esqueça, Scully tem todos os motivos do mundo para ter tramado meu assassinato com você...Se tem coragem, faça logo, porque seu tempo acabou! Eu só tenho de fazer um sinal com a minha mão direita e o homem na casa de sua parceira vai ser avisado de que a agente Scully deve deixar o mundo dos vivos. Decida-se Mulder. Quando eu fizer o sinal, ela morre...Vou te dar três segundos...Um... _ Maldito... _ Dois... Mulder tomou uma decisão... se tinha de arriscar uma vida, que fosse a sua própria: disparou a arma repetidas vezes contra Krycek, que caiu inerte, e esperou pelos disparos contra seu corpo, que estranhamente não vieram. Imediatamente, buscou o celular, para avisar Scully, mas foi detido pelo funcionário do posto, que munido de um rifle, e ignorando seu desespero e seus alertas de que era um agente federal , o manteve deitado no chão até a chegada da polícia... A VERDADE ESTÁ LÁ FORA ATÉ O FIM DO MUNDO Fanfiction de Alexandra Morgilli e Silvia Penhalbel TERÇA-FEIRA , 6:00 a.m. Passos rápidos e firmes conduziam pelos corredores da prisão a agente federal de olhar decidido, seguida de perto por dois guardas uniformizados. O barulho dos saltos dos sapatos batendo contra o chão frio era angustiante. Ela tremia e sabia que não era de frio. Aproximou-se da sala fechada e um dos guardas abriu a porta fazendo-a entrar. Ela ficou parada, observando a cadeira vazia em frente à grossa parede de vidro que dividia a sala ao meio. Ainda alguns minutos incômodos se passaram, até que um breve sinal sonoro anunciou a abertura de uma porta do outro lado da parede de vidro e ela acompanhou com o olhar enquanto os guardas colocavam sentado diante dela o homem alto e abatido que evitou encará-la... Scully respirou fundo e finalmente sentou-se, pegando o telefone que estava ao alcance de sua mão direita e aguardando pacientemente que o parceiro fizesse o mesmo. Novamente o silêncio...mas aquilo poderia ser realmente chamado de silêncio, ou ela estava surda pela confusão de pensamentos que tentavam vir-lhe à garganta, todos ao mesmo tempo? _ Uma parede de vidro...Será que eles têm medo de que eu ataque você?_ foi dele a iniciativa de quebrar o impasse que os engasgava. _ Você está bem? _ a pergunta seria estúpida se ele não entendesse perfeitamente o que ela queria dizer. _ Estou e você não deveria estar aqui._ os olhos verdes estavam frios e não expressavam nenhum traço de contentamento por vê-la. _ Como assim, não deveria estar aqui? Mulder, da última vez que nos vimos você disse "boa noite, até amanhã", e então sou acordada no meio da noite por um telefonema da polícia, me dizendo que você saiu e fuzilou Alex Krycek na frente das câmaras de segurança de uma droga de posto de gasolina com a naturalidade de quem apenas se serve de gelo...e você não quer falar comigo? Não entendo porque você... _ Eu não quero falar com você. Só isso. Será que você não acredita nunca no que eu digo? _ ele a interrompeu de maneira brusca e grosseira _ Saia daqui Scully...saia daqui agora, porque eu não tenho nada a dizer pra você! _ Muito bem. Eu não sei o que aconteceu ou está acontecendo, mas vou descobrir. Se você enlouqueceu e quer se destruir, saiba que eu não vou simplesmente assistir ! Se está sendo vítima de alguma chantagem e não pode me dizer eu vou descobrir! E se o Diabo em pessoa saiu dos infernos pra te fazer matar aquele rato sujo eu vou achar um jeito de provar que foi ele, Mulder!_ a mão direita bateu com força sobre a bancada no final do desabafo e ela virou-se e saiu, antes que ele a visse chorando... Mulder continuou sentado, calado, enquanto a via afastar-se e sair pela porta. Ainda que houvesse uma corda em seu pescoço não seria maior a sensação de sufocar do que a que sentia agora....queria gritar, gritar para que ela voltasse e o amparasse, o salvasse dali...Mas tinha de mantê-la afastada dessa história, não queria qualquer tipo de suspeita ou culpa pesando sobre ela...Erguendo a mão direita, tocou a parede de vidro, a maldita parede de vidro que sempre estivera entre eles e que agora, finalmente, materializara-se... FBI- SALA DOS ARQUIVOS X – SEXTA FEIRA - 7:30 a.m. Aquela sala toda parecia tentar falar com ela. Cada livro, pedaço de papel rabiscado, cada recorte de jornal e até a droga da lixeira amassada, tudo gritava seu nome como se de fato isso fosse possível dentro de seu universo regido pela lógica. Só que ela sabia muito bem que o que gritava não era a sala e nem eram os objetos que a lembravam o tempo todo dele, mas sua mente. Seu cérebro fazia com ela o que seu comportamento contido não permitia que ela fizesse ali ou lá no meio do saguão do FBI: gritar até desfalecer de cansaço e frustração. Era isso, sentia-se frustrada como quem perdeu de uma só vez todos os argumentos da vida. Bem a sua frente, o videocassete repetia e repetia a cena na qual seus olhos não queriam acreditar, embora ela mesmo já tivesse impedido com um tiro certeiro que a mesma cena ocorresse anos antes. Ali, naquelas imagens frias, de uma câmara estúpida de monitoramento de segurança, Fox Mulder disparava uma arma contra Alex Krycek, rendido, com as mãos sobre a cabeça, e colocava fim em sua busca pela verdade. Sua única busca agora seria pela sobrevivência, atrás das grades de uma prisão federal. Sentia-se traída. Como ele pudera fazer isso? Como ele ousava destruir sua própria vida com um ato impensado de vingança? Na verdade ela sentia que essa tragédia não destruía apenas a vida de seu parceiro...destruía a dela, traçada ao longo dos últimos sete anos para ser o complemento exato da dele...e logo agora...logo agora que ela começava a acreditar enfim em um dia poder ser feliz ao lado daquele homem, tudo parecia se desfazer como um castelo de areia levado pelas ondas impiedosas do mar. E ele nem ao menos queria confiar nela. Não queria conversar, falar sobre o que havia acontecido. Era como se voltassem sete anos em suas vidas e se tornassem novamente dois estranhos designados para trabalharem juntos. Tinha algo errado, tinha de ter algo errado...não podia ser verdade, não daquela maneira. Enchendo-se da persistência, rebobinou novamente a fita e preparou-se para assistir ainda quantas vezes fosse preciso...tinha de achar alguma coisa em que acreditar... Algum tempo depois, embora soubesse que os gritos em sua cabeça não poderiam ser facilmente aplacados, sentiu-se aliviada quando percebeu que pelo menos a campainha estridente que ouvia era o telefone e não mais uma alucinação torturante de sua mente. Parou o vídeo, estendeu o braço e atendeu, mais para silenciar o aparelho do que pela vontade de falar com quem quer que fosse. _ Scully... _ Ora, ora...se não é impaciente parceira ruiva do agente Mulder... _ Quem é? Quem está falando?_ seu humor não melhoraria nem um pouco se tivesse de enfrentar um trote sarcástico numa hora dessas. _ Calma, agente Scully...É uma "amiga". Tenho uma boa proposta para lhe fazer... _ Não negocio com estranhos, então é melhor dizer quem está falando. _ Digamos que eu já a tive sob a mira da minha arma, mas fui convencida por algumas amigas a não atirar...Tenho certeza de que se lembra de nosso último encontro... embora eu e minhas amigas tenhamos tido bastante trabalho para fazer o mundo acreditar que aquele velho prédio fosse nossa última morada... Agora que as informações começavam a encaixar-se, Scully praticamente podia ver a mulher de olhos claros e cuja expressão doce era um absoluto contra senso ao perigo que representava...Por um momento, sua mente ficou em silêncio e ela pode se concentrar na lembrança do que significava aquela voz... _ Claudia ...é você, não é? _ Surpresa, agente Scully? _ De certa forma, mas não pelo motivo que imagina. Acho que na verdade, nunca acreditei mesmo que vocês se deixassem vencer daquela maneira...Fico feliz em saber que estão vivas, mas por que entrar em contato agora, quando finalmente todos pareciam tê-las esquecido?_ parou por um instante, reticente _...as outras, estão todas bem? _ Em sua mente, formavam-se as imagens das outras mulheres, em especial das duas meninas que faziam parte do grupo, e sentiu medo da resposta à pergunta que fizera... _ Todas vivas, agente Scully...mas em perigo. Alguns de nossos inimigos não se deram por convencidos de nossas mortes e nossa "paz eterna" está ameaçada. É aqui que você entra. Queremos propor um acordo... _ Que tipo de acordo? _ Uma troca. Você nos ajuda e nós te ajudamos. _ Desembucha logo Claudia!_ os nervos de Scully estavam a flor da pele e apesar de sentir-se de certa forma aliviada por saber notícias dessas estranhas figuras, sabia que não deveria ser nada simples o que elas tinham a lhe propor e isso aumentava sua tensão. _Calma, ruiva...gosto de um pouco de suspense. As pessoas se tornam mais sensíveis quando estão um pouco angustiadas... _ Bom, para seu governo, já basta para me angustiar o fato de meu parceiro correr o risco de apodrecer numa cadeia por ter matado um rato sujo e amaldiçoado, que eu mesma gostaria de ter eliminado antes dele! Não preciso de mais nenhum problema e não vejo como poderíamos nos ajudar! A não ser que vocês pretendam explodir a prisão federal e arrancar Mulder de lá, que é o que eu estou planejando fazer nas últimas horas, já que meu desespero chegou ao limite e minha paciência também!!!! _ Nossa, estou impressionada...não é que você tem classe para sofrer? Calma, agente Scully...é exatamente sobre isso que queremos falar-lhe...Uma troca. Você nos consegue uma informação valiosa e nós poderemos ajudá-la a encontrar a única pessoa que pode inocentar o seu parceiro... _ De quem você está falando? _ Ora...de Alex Krycek, quem mais... A expressão de incredulidade perplexa assumiu-lhe a face, enquanto recostava-se a cadeira com interesse renovado para ouvir a proposta que a outra tinha a lhe fazer...diante dela, ainda estava a imagem congelada do vídeo, que refletia no azul de seus olhos a cena onde Mulder segurava a arma apontada na direção do rato... MÉXICO, CIDADE DE CANCÚN - SÁBADO - 8:00 A.M. –HORA LOCAL Claudia entrou no apartamento, com cara de quem não estava nada feliz, mas um brilho em seus olhos denunciava que sua mente trabalhava a todo vapor. _ Como foi o encontro? _ Sil disparou assim que a viu entrar, realmente ansiosa pela resposta... _ Depende. Não foi o que queríamos, mas pode ter sido útil...depende de como juntamos as peças... _ Fala logo, Claudia...você sabe que eu não lido bem com seu suspense...O Igor apareceu? _ Apareceu. E ele continua bonito como há cinco anos atrás...a Ale devia ter ido comigo...Bom, ele realmente sabe muitas coisas sobre a "grande venda", como está conhecida a operação. Sabe o preço, quem vai pagar, que o prazo está terminando...mas não sabe quem é o canalha!! O mais provável é que seja um mercenário totalmente novo no meio, por que as figuras mais notórias estão todas em missão. Ninguém tem idéia de quem é o cara que quer vender nossas carcaças por um precinho nada camarada e isso está me enlouquecendo!!!!!!_ antes de continuar, ela buscou um tom mais baixo e preocupado_ Sil, nossa única chance é um contato dentro do governo americano...e você sabe quem pode nos ajudar... _ Nem pensar. Não quero envolvê-lo nisso. _ Sil, não tem mais o que querer! Pense nas meninas! Tem alguém que pode estar apontando uma arma para as cabeças delas neste exato momento, ou paras nossas, enquanto estamos aqui discutindo se vamos ou não incomodar seu antigo namorado! Não temos mais escolhas...Igor era o nosso último recurso e ele não sabe quem é o cara! Sil não disse nada, mas continuava a balançar a cabeça, não aceitando a sugestão da amiga. Claudia percebeu que era a hora de contar a ela a razão de seu estranho brilho no olhar e assumiu uma postura ainda mais grave: _ Sil, há algo que descobri e que você precisa saber... _ O quê? _ O escoteiro... está em encrencas. Muito graves, eu diria. Caiu numa armadilha e está preso. Existem grandes chances de que seja condenado. _ Preso? Como assim preso? Que armadilha?_ Sil estava atônita e aflita. _ Lembra-se do nosso velho conhecido, o Rato? _ Alex? _ Mulder está sendo acusado de ter acabado com a raça dele, de maneira fria, violenta e injustificada. _ Meu Deus, ele não faria isso, não Mulder ! Eu sei que ele não faria... mas, você falou em armadilha...por quê? _ Simplesmente porque Igor viu o rato, vivo e canalha como sempre, a caminho do Canadá. _ Ele está vivo? Então temos de inocentar Mulder!_ não havia espaço para questionamentos na frase pronunciada com a certeza que só os que se importam muito com alguém podem ter. _ Bom...sabendo que você ia querer fazer isso, me adiantei e consegui um acordo...com a agente Scully... Sil sorriu para a amiga, agradecida. A agente Scully não tinha idéia de que ela faria qualquer coisa por Mulder, mesmo sem qualquer acordo. Claudia havia sido esperta pedindo ajuda para a agente federal americana, que deveria estar tão aflita quanto ela mesma estava nesse momento. Enquanto saía com a amiga para encontrar as outras mulheres do grupo, a mente de Sil já elaborava o plano para tirar o homem que amara da prisão federal. WASHINGTON, SEGUNDA-FEIRA – 3:00 a.m. No apartamento às escuras, exceto pela luz do monitor, Scully esperava ansiosa por uma resposta dos Pistoleiros Solitários. Se os contatos de Skinner estivessem errados, ela não teria mais a quem recorrer e isso a estava matando. Claudia e as outras não tinham muito tempo e Mulder também não. Quase uma semana naquela prisão. Muita coisa podia acontecer em uma semana. Ela rezava para que ele estivesse bem. A revelação de Claudia fora surpreendente e ela queria ter contado a Mulder sobre Krycek, mas depois de sua última visita, ele se recusava a falar com quem quer que fosse. Ela esticou as costas contra o encosto da cadeira, exausta. Nesse momento, o telefone tocou e ela atendeu logo no primeiro toque. Era Langly. _ Scully, encontramos o homem que procurava. Ela soltou a respiração que estava contendo e conseguiu murmurar : _ Langly preciso destas informações o mais rápido possível. _ Estou enviando um e-mail. Desligou sentindo-se aliviada. A pessoa que estava tentando vender Claudia e as amigas fora identificada. Segundo Claudia, bastaria a Scully informar o que descobrisse sobre o traidor. Ela cuidaria do resto. Depois, iriam encontrá-la em Washington e traçariam um plano para pegar Krycek e provar a inocência de Mulder. Scully não queria nem pensar no que Claudia faria com o infeliz que decidira traí-la. Só sabia que se houvesse um jeito de ajudar Mulder, aquelas cinco malucas o encontrariam. E se não houvesse nenhuma maneira de ajudá-lo, elas inventariam uma. Esse pensamento conseguiu tranqüilizá-la e ela voltou ao computador para verificar sua caixa de correio. CANCÚN, 2:00 a.m. HORA LOCAL A terceira xícara de café foi depositada na mesa, nervosamente. A mulher, sozinha no apartamento, andava de um lado para o outro, mal acreditando em tudo o que havia acontecido nos últimos dias, em que vira novamente ruírem seus planos de ter uma vida nova. Quem sabe, até mesmo, o plano de ter uma vida. O passado estava de volta, com carga total, parecendo trazer consigo todos os fantasmas que deixara pelo caminho. Tudo estava por um fio novamente e se Claudia não houvesse procurado a antiga colega do grupo da época das operações na Europa, elas sequer ficariam sabendo da armadilha que estavam preparando para elas. Foi assim, quase por acaso, que ficaram sabendo do boato de que alguém estava oferecendo para o governo inglês o paradeiro do Azul Celeste, por um preço milionário. Como ninguém tinha realmente certeza de que estavam mortas, a Interpol estava negociando a informação. Claudia, reativando seus contatos, fizera algumas perguntas e acabara conseguindo marcar um encontro com Igor, que garantira não saber quem era o "vendedor" mas passara a elas todas as informações que tinha, lamentando não ter conseguido saber o nome da pessoa. Ela também confiava em Igor e acreditava nas informações recebidas....afinal, recordava-se bem de quando treinavam e trabalhavam juntos no serviço secreto russo. A simples menção de seu nome lhe trazia lembranças quase palpáveis, daqueles anos turbulentos e perigosos... Igor estava sempre isolado dos outros, era tímido e fechado. No início, ela não entendia porque alguém como ele havia entrado para o serviço secreto e muito menos como tinha ido parar no treinamento militar. Não parecia violento, nunca levantava a voz ou os olhos perto de ninguém. Só mais tarde, ela havia aprendido que Igor era mais perigoso do que aparentava. Um assassino frio, calculista e perigoso...e que se revelara também um amante fiel e delicado, que havia se apaixonado perdidamente pela moça calma e alegre que ela era. Naquela época, no campo, estava sempre em companhia das duas amigas, que Igor mais tarde lhe contou, definia como "a de olhos claros, que parecia estar sempre zangada e a outra, de olhos castanhos escuros tristes, mas de expressão doce." As três formavam uma equipe inseparável e Igor temera se aproximar dela e criar problemas com as amigas. Mas, para a surpresa do rapaz e dela mesma, as amigas foram o estopim para ambos iniciarem um relacionamento que durou sete anos. Um sorriso desmanchou a expressão preocupada, quando lembrou-se dos subterfúgios que Sil e Claudia usaram para uni-los. Naquela época, não falava uma palavra em italiano e assistia sem entender as outras duas planejando, no idioma estranho, situações para unir o casal. Havia sido bom para os dois, afinal. Ao lado de Igor, ela havia aprendido muito, inclusive algumas técnicas assustadoras de assassinato e fuga, que acabaram ajudando a livrar as três amigas de algumas encrencas feias anos depois. E Igor, graças ao seu carinho, havia aprendido a sorrir, mesmo quando não existiam motivos para isso. Quando se separaram, foi de comum acordo e a amizade perdurou. Várias vezes acabaram ainda se ajudando, nos caminhos conturbados que eram suas vidas. Ela e as amigas não trabalhavam nos mesmos tipos de contrato que ele. Embora tivessem sido acusadas de cometerem alguns crimes hediondos em certa ocasião, nunca haviam matado inocentes. Seus alvos normalmente eram desertores ou traidores e seus crimes de espionagem internacional e perseguições e capturas a desertores russos eram prestados aos governos europeus. Haviam trabalhado para os governos francês, inglês, italiano e alemão depois de deixarem a Rússia e feito alguns trabalhos isolados para o serviço secreto grego. Ela sempre tivera consciência da gravidade de suas ações terroristas, mas nunca havia tido outra opção. Sabia que haviam cometido crimes, mas não havia tempo para lamentar. Tentava manter sua consciência tranqüila baseando-se no fato de nunca ter agido contra nenhuma pessoa inocente e acreditava que as outras também se sentiam assim. Exceto talvez por Cláudia, que carregava consigo um segredo dividido apenas com Sil e que, pelo que percebia das frases soltas que captava entre elas, devia ser terrível. Ela não gostava nem de pensar a respeito. Agora tudo talvez recomeçasse, e sua angústia tinha foco e nomes: Clá e Kes. Anos atrás, quando as conheceu nas ruas tumultuadas de Roma, quando elas, ironicamente, lhe roubaram uma valise com todo seu equipamento eletrônico, tinham apenas quinze anos. A audácia lhes valeu a entrada para o grupo. O talento de Clá em manusear explosivos tornou-se cada vez mais apurado e útil. Kes, possuía um espírito forte e corajoso, por trás de um rosto angelical, o que sempre pegava o inimigo de surpresa. Sorriu novamente ao lembra-se de como havia sido difícil educar as duas "jovenzinhas impulsivas", que adoravam o sabor de aventura que cada missão perigosa apresentava. As outras brincavam chamando-a de "Bá " , para irritá-la, mas gostava demais das amigas para se ofender com a insinuação de que era a babá das duas mais jovens. Pondo fim ao momento de nostalgia apreensiva, suspirou alto e decidiu que tomaria mais uma xícara de café, enquanto esperava a chegada de Sil e Claudia para definirem enfim, o caminho a seguir. CANCUN - APARTAMENTO DA LÍDER DO AZUL CELESTE. 3:00 a.m. As duas mulheres olhavam perplexas para a tela do computador enquanto a impressora ao lado terminava o e-mail enviado por Dana Scully. Nenhuma das duas conseguia falar ou encarar a companheira. Sil decidiu quebrar o silêncio. _ Deixa que eu faço isso. _ Não! Eu faço. Você vai sentir pena dele. Vai desistir. _ Não vou Claudia! Pelo amor de Deus! Ele nos deve uma explicação! _ Eu não quero explicações dele. Quero ele morto. Eu não acredito que aquele moleque safado estava nos vendendo! E bem debaixo de nosso narizes! Aqui mesmo no México! Sil abriu a boca para falar, mas parou ao ver o quanto a amiga estava furiosa. Os olhos verdes de Claudia ficaram perigosamente escuros e ela suspirou alto, tentando controlar-se. _ Sil, você volta, fala com a Ale e quando eu retornar marcamos uma reunião com as outras e contamos para elas. _ A Clá não vai gostar...Meu Deus, ela não vai aceitar isso facilmente... _ Ela não tem que gostar de nada! Ela não tinha que se envolver com aquele canalha, só isso! _ Calma mulher! Nenhuma de nós nunca soube escolher bem nossos homens, por isso não adianta criticar a menina. Claudia respirou fundo, tentando acalmar a raiva. _ Tudo bem, desculpe. Acontece que este tipo de traição é o pior de todos. Eu sei bem como é. Sil não respondeu mas colocou a mão no ombro da amiga. Ela sabia que algumas feridas nunca se cicatrizam. E todas elas tinham as suas. Infelizmente algumas doíam mais que outras. CANCUN –CAFÉ TRAICION - TERÇA-FEIRA - 4:OO p.m. Na mesa, já abarrotada de xícaras de café, quatro mulheres com ar preocupado esperavam ansiosamente pela chegada da quinta companheira. Ale brincava nervosamente com uma pasta parda. Ao perceber a aproximação da amiga que faltava, abriu a pasta e a posicionou no centro da mesa. _ Hei, cheguei na hora do café! Ale, você precisa maneirar...já te falei que tanto café não te..._ ao ver a pasta aberta, parou a frase no meio..._ como...como conseguiram esta foto do Sam? Ele nunca quis tirar fotografias, nem comigo...e... que caras são essas? Hei, gente...o que foi? O que aconteceu com o Sam? _ Clá, sente-se. Precisamos lhe contar algo sobre o Sam..._ Sil mal conseguia encarar a amiga... Sentando-se, ela preparou-se para o pior, pois conhecia aquela expressão e sabia que precedia algo muito ruim... _ Era ele, Clá...o cara que ia nos vender por uma pequena fortuna..._ Sil começou a falar, mas não conseguiu continuar... _ "Era" ele? Como assim "era" ? Deixa ver se eu entendi...vocês não estão dizendo que não vou ter a chance de esclarecer isso...estão? Não...não acredito que vocês..._ ela mal conseguia achar as palavras, enquanto em sua mente, as imagens dos últimos meses de sua vida se sucediam numa enorme confusão. _ Não podíamos dar mais tempo a ele Clá...e isso só faria você sofrer mais...Tive de dar um jeito nele...sinto muito_ Claudia assumiu um ar triste, raro nela, mas extremamente verdadeiro. Sem dizer mais uma única palavra, Clá virou-se e saiu andando em direção à praça, onde as pessoas comuns levavam suas vidas, alheias a seus sentimentos e às conseqüências da vida que escolhera... Kes, calada até então, fez menção de seguir a amiga, mas foi barrada pelas outras. _ Deixe-a sozinha agora, Kes. Quando ela voltar, vai precisar muito de sua ajuda para superar isso...Agora temos de nos preparar parar pagar um favor._ Claudia voltou a assumir sua postura usual, segura e decidida. CANCUN - QUINTA - FEIRA 7:00 p.m. Por entre as nuvens densas e escuras de chuva que seguiam rumo sul sem derramar seu frescor sobre o solo, escapavam os raios teimosos do sol, que assim, fugidios e concentrados em faixas grossas, tingindo as bordas das nuvens de prata e dourado, lembravam aquelas ilustrações dos livros que falam da glória de Deus. A cena arrancou um suspiro profundo da mulher morena parada junto a janela do apartamento, agora já despojado de qualquer objeto que lhe desse personalidade. A cidade de Cancun em si não se parecia nada com a Cancun conhecida pelos turistas que se limitavam a aproveitar as praias e atrações ao longo da via costeira. O centro era pequeno como uma cidade do interior o que as obrigava a ficarem mais tempo no apartamento do que fora dele. Ela e Cláudia optaram por ficarem sozinhas, por isso cada uma vivia em um pequeno apartamento em locais diferentes da cidade. Ale dividia um bem maior com as mais jovens e era lá que se reuniam para conversar e onde, nos últimos dois dias, traçavam um plano para ajudar Fox Mulder. Sil não queria as outras envolvidas. Ela e Cláudia poderiam dar conta do rato sozinhas. Haviam trabalhado com ele há anos atrás e sabiam exatamente para onde o miserável estava indo no Canadá. Mas as outras insistiram em ajudar e Sil não discutira mais, concentrando-se no plano para saírem de Cancun. A Interpol, que estava negociando a "compra" delas, não ficara satisfeita ao encontrar o corpo do informante e armara um esquema para fechar o aeroporto, mas Ale conhecia alguns rumores sobre o chefe da polícia federal do México e dera uma idéia que aparentemente era muito maluca, mas que poderia dar certo. Sil olhava pela janela repassando todo o plano e imaginando se Scully não ficaria furiosa por ter sido envolvida na fuga delas sem permissão. Como o final da tarde se anunciava de maneira inexpugnável, podia jurar que ia ouvir a qualquer momento um chiado provocado pelo encontro da grande bola de fogo ao tocar o mar lá no horizonte, limpo de nuvens e homens. Tudo o que ouviu, no entanto, foi o som estridente do telefone. Deixou a realidade tocar ainda repetidas vezes antes de dar-lhe ouvidos, finalmente: _Pronto.. _ É tutto pronto. Nostra partenza é questa sera tardi. _ E l'altre? C'é tutto bene com loro? _ Loro sono forte e brave. Io creo qui loro sono contenti di ritornare. Sei tu che me preocupa... _ Io sono bene amica. É vero che non possiamo escapare a nostro destino para sempre ... Desligou, olhou uma última vez pela janela que agora já servia de moldura para os primeiros sinais da noite sem estrelas, pegou a mala de couro sobre a cama a partiu sem olhar para trás. AEROPORTO INTERNACIONAL DE CANCUN - MÉXICO QUINTA-FEIRA - 11:45 p.m. O movimento no aeroporto era o esperado para o período de alta temporada, quando o fluxo de turistas aumentava consideravelmente. No portão de embarque, para onde foram chamados os passageiros do vôo com destino a Washington, um grupo de jovens turistas italianas chamava atenção pela conversa alta e animada e a disposição alegre com que aguardavam o embarque. Um pouco afastada dali, uma mulher baixa e ruiva observava atentamente o grupo, com ar zeloso, mas discreto... Atrás dela, na fileira de cadeiras não muito confortáveis que o aeroporto destinara aos passageiros que aguardavam embarque, um grupo de freiras não fazia nenhum esforço para esconder seus olhares de desagrado e desaprovação lançados fulminantes ao grupo espalhafatoso. Um chiado no rádio e o homem alto, posicionado estrategicamente como quem aguarda na fila dos telefones públicos, empertigou-se, já aguardando a comunicação que viria a seguir. _ Posto um, na escuta? _ Na escuta, prossiga... _ Está vendo a agente do FBI? _ Tenho a agente Scully bem próxima a minha posição. Até aqui está tudo sob controle. _ Aguarde o sinal para agir a qualquer momento. Estamos cercando o resto do grupo. Alguns minutos se passaram ainda antes que finalmente soasse o sinal que o levou a verificar imediatamente a posição do alvo e acercar- se da mulher ruiva de maneira tão rápida e discreta que ela mal teve tempo de esboçar qualquer reação, além de arquear uma sobrancelha denotando surpresa. _ Agente Scully, sou da policia federal mexicana e a Srta. está presa por tentar tirar criminosas procuradas do país e interferir com a ação da polícia. Aconselho que permaneça calada ou tudo o que disser poderá ser usado contra a Srta. ..._ enquanto recitava a ladainha, algemou-a e conduziu-a rapidamente em direção a saída, enquanto homens fortemente armados cercavam o grupo de falsas turistas diante das expressões de surpresa e medo de todas as pessoas ali.. As mulheres protestaram muito e diziam não entender o que estava acontecendo, gritando pela embaixada italiana e seus direitos como turistas. Numa ação bastante rápida, os policiais trataram de dispersar os observadores curiosos, liberando o embarque imediato para o vôo que aguardavam, enquanto algemadas, as perigosas terroristas eram levadas para a saída do aeroporto por policiais truculentos... VÔO 1013, COM DESTINO A WASHINGTON Na primeira classe, a temperatura agradável e o bom serviço de bordo quase fariam os passageiros esquecerem a altura em que estavam do solo, se não fossem os raros, mas nada agradáveis momentos de turbulência. Confortavelmente instaladas, até mesmo as freiras de olhar severo de minutos atrás pareciam mais relaxadas e quase felizes... Mesmo achando um pouco estranho, a comissária não deixou de atender prontamente o pedido de uma das irmãs, que com um sorriso tranqüilo lhe pedira um Martini, recomendando repetidas vezes que a cereja não deveria deixá-lo rosado... _ Ora...Deus não vai me condenar por causa de um mero Martini, vai? _ perguntou com verdadeira preocupação, ao perceber o olhar de reprovação das companheiras de hábitos cinzentos... _ Não, irmã Ale...não vai..._ respondeu, com paciência quase maternal, a irmã de olhos escuros sentada ao seu lado. E então, um sorriso matreiro ganhou espaço nas faces de cada uma das cinco mulheres do grupo. DELEGACIA CENTRAL DA POLÍCIA FEDERAL DO MÉXICO VÁRIAS HORAS DEPOIS O delegado encarregado do caso, chamado até ali de "o mais importante dos últimos meses" , um homem grande e forte, cujo cavanhaque bem cuidado contornava-lhe a face mais como uma maneira de quebrar-lhe a docilidade das feições, talvez para demonstrar um aspecto mais austero, parecia arrasado. Sobre sua mesa, passaportes e mensagens de fax transformavam a maior e mais importante prisão que já efetuara em um verdadeiro pesadelo. Ao seguir a pista anônima que recebera, havia efetuado a prisão do que deveria ser um perigoso bando de terroristas internacionais, de quem não conhecia as descrições, mas para as quais tinha um atalho, um trunfo: uma agente do FBI lhes estaria dando cobertura! E desta ele tinha fotos, nome, endereço...tudo! Achava a agente e automaticamente achava suas protegidas...tão simples e certo! Tão certo como o que tinha nas mãos agora era um incidente diplomático! _ Alberto! Solte imediatamente as turistas italianas...Leve- as ao hotel, providencie tudo o que for necessário para que isso não piore...'tente suborná-las se for preciso'..._ a última parte da frase não foi dita, mas passou pela cabeça do homem, cuja expressão abatida já causava preocupação ao subordinado. _ E quanto à ruiva, senhor? _ Essa ainda não! Quero falar com ela... SALA DE INTERROGATÓRIOS Agora o delegado, ainda bastante tenso, tinha diante de si a mulher ruiva de olhos claros, que aguardava pacientemente enquanto ele verificava mais uma vez, inconformado, a semelhança com a fotografia já amassada que trazia nas mãos fortes. _ Muito bem, senhorita...Christy, não é isso? Antes de pedir desculpas e liberá-la, gostaria de deixar claro que não acredito que seja totalmente inocente nessa história toda. Me parece muito conveniente que a presença de uma mulher com a exata descrição da que procurávamos, inclusive no tipo característico das roupas, nos levasse a prender todo um grupo inocente de turistas , enquanto, muito provavelmente, o verdadeiro grupo de terroristas deixava o país sob as nossas barbas! _ o homem exaltou-se um pouco, mas logo em seguida respirou fundo e retomou o falar pausado _ Parabéns. Me fizeram de bobo desta vez...mas nem todas deixaram o país afinal, não é Srta.? Cuidado...eu estarei de olho em você. Esboçando um sorriso maroto e acomodando uma mecha de cabelos vermelhos atras da orelha, com uma perfeição que seria mais um motivo de irritação para o delegado, caso conhecesse a verdadeira agente Scully, a mulher quebrou seu silêncio com ironia mordaz : _ Devo entender que sou acusada por ter semelhança física com alguém que nem conheço e por estar num aeroporto, portando meus documentos pessoais absolutamente legais no momento em que seu bando de ostras fardadas resolve salvar o mundo de terroristas? Ah, claro...esqueci-me da parte mais grave das acusações...minhas roupas...Realmente patético. _ Pode ir agora ..._ ele transpirava e pode-se acreditar que, se não fosse um representante da lei, atiraria nela ali mesmo... _ Não sem antes ouvir aquela última frase...aquela sobre você ter feito uma bobagem e tal...sabe dizer?_ sua voz jovial e sua aparência frágil sem dúvida guardavam uma inteligência ousada. Ficou esperando, com ar petulante enquanto o nervoso e suado delegado recitava a frase esperada... _ A policia do México...pede desculpas pelos transtornos causados. Meus homens a levarão ao seu hotel e serão providenciados os ressarcimentos que estiverem ao nosso alcance... _ Obrigada, Sr. delegado...Mario, não é isso? Não vou esquecer..._ enquanto retirava-se, sorrindo quase zombeteiramente, sentia-se feliz por ter pago parte de uma dívida que tinha com as terroristas que respondiam internacionalmente pelo nome código Azul Celeste . Ela caminhava animada, antecipando o quanto seria educativo visitar Washington depois de tanto tempo fora do país. PRISÃO FEDERAL DE SEGURANÇA MÁXIMA ARREDORES DE WASHINGTON - DOIS DIAS DEPOIS Há dias que ele não conseguia dormir. Deitado no catre estreito, ele olhava para o vazio, o rosto sem expressão. Os ruídos fora da cela indicavam que a prisão não dormia realmente e Mulder não gostava nem de pensar no que acontecia depois que as luzes eram apagadas. Para sua sorte, ele estava sendo mantido isolado dos outros presos mas não sabia por quanto tempo. Tinha certeza que, cedo ou tarde alguém descobriria que ele era agente federal e então sua vida não valeria um centavo. Ele ouviu o ruído da porta de sua cela sendo destrancada e sentou-se imediatamente no catre, encostando na parede, o mais longe possível da porta. Foi a primeira regra que Mulder aprendera a obedecer na prisão e a lição não tinha sido nada agradável. Um homem corpulento assomou à porta aberta. Ele tinha uma lanterna na mão e Mulder não podia ver seu rosto. Por um instante, Mulder ficou em pânico pois sabia muito bem o que acontecia quando um prisioneiro era visitado durante a noite mas em seguida ele viu um vulto pequeno surgir das sombras e se colocar ao lado do guarda. A figura pequena lhe lembrou imediatamente Scully, mas assim que ela falou com o homem a seu lado, ele reconheceu a voz delicada e pela primeira vez em dias ele sorriu. O grandalhão resmungou algo e fechou a porta mergulhando a cela no escuro. Mesmo assim ele podia divisar o contorno do corpo de Sil que se aproximou devagar do catre. Mulder estava tão feliz por confirmar suas suspeitas de que ela estava viva que se esqueceu por um instante de seus próprios problemas e estendeu os braços puxando-a para si e abraçando- a com força. _ Sil, não sabe como fico feliz em saber que está viva. Algo dentro de mim tinha certeza disso mas eu tinha medo de ter esperanças. _ Não é fácil se livrar de mim escoteiro._ Ela retribuía o abraço, satisfeita por constatar que ele ainda não estava ferido. Ainda. Ela sabia que a vida dele estava por um fio. Se algum prisioneiro soubesse que havia um agente federal por lá, ele não duraria dez minutos naquele lugar. _ E as outras? _ Estão todas bem. _ Por que voltaram? Sabe que é perigoso..._De repente o cérebro de Mulder processou a informação como um raio. Como ela podia estar àquela hora em sua cela? Aquilo era uma prisão federal de segurança máxima_ Sil, como entrou aqui? Você perdeu o juízo? Não pode se expor dessa maneira. _ Calma escoteiro, para todos os efeitos ainda estamos mortas. Ninguém está nos procurando, por enquanto. Temos algum tempo até que descubram que fugiu e... _ Espera um pouco sua maluca! Você não está pensando que vou fugir daqui com você está? Ela sorriu com ironia para ele. _ Não quer sair escoteiro? Já fez amiguinhos na prisão? _ Pára com isso Sil. Isso é sério. Eu matei um homem. Foi legítima defesa e eu vou provar isso no tribunal. Ela levantou-se nervosa do catre e o encarou. _ Cara, você não vai durar um minuto neste buraco quando descobrirem quem você é e acredite, eles vão descobrir. Isso foi uma armação e você caiu como um patinho nela! _ Não sei como entrou mas precisar ir embora Sil. Me esquece, vai cuidar da sua vida. Você não deveria ter voltado. Não por mim. _ Tarde demais. Já voltamos e vamos ajudar você mesmo que não queira. Mulder levantou-se, dominando a pequena cela com sua altura. Nervoso, passou as mãos pelos cabelos enquanto andava pelo estreito aposento. _ Aquele rato sujo do Krycek conseguiu destruir minha vida mas ao menos ele está morto. Ela aproximou-se dele e tocou seu ombro. _ Krycek não morreu, foi uma armadilha. Mulder voltou-se para ela incrédulo _ Impossível! Eu atirei nele! Vi o sangue e o vi caindo. As câmeras de segurança filmaram tudo. Ela riu _ Você é mesmo ingênuo escoteiro. Acha mesmo que Alex deixaria você atirar nele assim, tão fácil? O corpo desapareceu, Mulder...antes que realizassem a autópsia. A agente Scully nos colocou a par da situação. Foi uma armadilha. Vocês lutaram pela posse da arma dele. Você disparou a arma dele que convenientemente desapareceu. Você é trazido para uma prisão federal para aguardar as averiguações da polícia. Então amanhã ou depois você sofre um acidente fatal, é assassinado por um prisioneiro vingativo ou por um amante rejeitado e fim do Agente Fox Mulder e dos problemas que ele causa. Nada de morrer heroicamente defendendo o país de uma conspiração ou salvando uma vida, apenas mais um criminoso morto numa briga na cadeia... Tudo muito conveniente. Foi uma armação perfeita. Exceto por um detalhe. Uma fonte confiável viu Alex Krycek vivo e saudável, embarcando em um vôo para o Canadá. Um amigo nosso estava embarcando para nos encontrar no México quando o viu. Mulder escutava incrédulo a história dela. Sil não mentiria para ele e nem se arriscaria daquela maneira se já não tivesse um plano traçado. Ele não duvidava da capacidade dela e das amigas em escapar daquele presídio. _Vamos escoteiro_ ele adivinhava o sorriso cativante dela no escuro _Esquece esse papo de mártir e vamos sair daqui. Temos que caçar um rato. Ela foi até a porta e bateu de leve. O grandalhão a abriu e após olhar para os lados fez sinal para que o seguissem. Mulder acompanhou os dois até uma das salas da administração onde encontrou suas roupas e documentos, tudo intacto. Ele olhou por um instante para os objetos em cima da mesa ainda um pouco tonto com as informações recebidas. Ele viu o guarda receber alguma coisa das mãos pequenas de Sil e percebeu que era dinheiro. Quando o homem saiu ela virou-se para ele e falou com urgência na voz. _ Não temos muito tempo agora. Troque de roupa e vamos dar o fora deste lugar. Prisões não são exatamente minha idéia de diversão. _ Deu dinheiro a ele Sil? _ A ele e aos outros três que vão "esquecer" o prisioneiro daquela cela por uns três dias. Depois disso terão que reportar sua fuga. Não se preocupe, eles receberam o suficiente para valer a pena qualquer que seja a punição que recebam. _ Sil, eu não posso pagar... _Ei! Pare com isso escoteiro! O dinheiro era meu e acho que foi muito bem aplicado. Se você começar a fazer questão de pagar essa dívida, a agente Scully pode não gostar da forma de cobrança que eu vou usar, portanto esqueça. Ela estava sorrindo maliciosa e ele desistiu de argumentar. Desde que se conheceram há quase vinte anos, ele nunca conseguira vencer uma discussão com ela. Suspirando, ele começou a tirar o horrível uniforme da prisão. APARTAMENTO DE FOX MULDER ALEXANDRIA – DOMINGO – 6:35 a.m. Mulder não se conformava com as palavras da sua parceira. _ Você está ficando tão maluca quanto elas por pensar que esse plano pode dar certo. E ainda por cima envolveu o Skinner! Você quer acabar na prisão junto comigo? _ Ninguém vai para a prisão Mulder e não fui eu quem conversou com Skinner. Claudia falou com ele e ele concordou. Mulder olhou assustado para Scully. _ Você deixou o Skinner sozinho com a Claudia? Definitivamente você perdeu o juízo! _ Mulder, eu nunca fui muito certa da cabeça. Se fosse não teria passado tantos anos ao seu lado._ Ela ignorou a expressão de espanto dele e continuou falando. _ Caso você já tenha se esquecido, suas amiguinhas terroristas não obedecem ordens. Elas acham que posso ajudar e você não, portanto, você e Skinner vão ficar no ponto de encontro nos esperando. Quando estivermos com Krycek, você se entrega e Skinner leva o miserável e provamos que foi uma armadilha para acabar com você._ Ela falava de um só fôlego e Mulder ficou estático por um momento admirando a mulher determinada. Após um segundo de descanso, ela o fitou com os olhos brilhando. _ Mulder, você não pode voltar para aquela prisão. Eu não vou deixar isso acontecer e sei que posso contar com as garotas para me ajudarem, portanto, confie em nós. Mulder não se conformava, mas sabia que não teria escolha. Não com aquelas mulheres, que agora tinham o reforço da teimosia de Scully para apoiá-las. Um pouco afastadas, mas sempre atentas em tudo ao redor, Claudia e Sil observavam o casal discutindo. _ Parece que o seu garoto está com problemas. A voz de Claudia soou divertida e Sil sorriu. _ Ele é um imã. Atrai problemas. Claudia ficou séria. _ Isso não magoa você? Vê-lo com outra mulher? Sil suspirou. _ Faz tanto tempo Claudia. Fico verdadeiramente feliz que ele tenha encontrado alguém que o ame. Ele merece. _ Merece? Eu teria voltado e matado o bastardo pelo que ele fez. _ E o que ele fez? Terminou nosso relacionamento, só isso. Não acho que seja motivo para matar alguém. _ Você estava... _ Claudia, chega. Ele não sabia o que estava acontecendo comigo quando terminamos. E não vai saber. Aquilo acabou. Não há porque falar sobre isso nunca mais. A voz de Sil era determinada e Claudia sabia que era hora de recuar. Dando de ombros ela se afastou e juntou-se às outras deixando a amiga observando o casal afastado com um brilho triste no olhar. CANADÁ, ANTIGO HOTEL LE BLANC ARREDORES DA CIDADE DE TIMMINS DOMINGO – 6:50 p.m. O Diretor Assistente Walter Skinner se encontrava em um estado bem próximo à catatonia. Desde o aeroporto de Washington, ele observara estarrecido a eficiência com que criminosos agiam dentro do aeroporto da capital do país sem que ninguém notasse. Claudia havia percebido o espanto dele ao vê-las embarcando com passaportes falsos, óculos escuros, echarpes jogadas displicentes nos cabelos e havia sussurrado em seu ouvido um "não acha que sobrevivemos até hoje embarcando em aviões com crachás de terroristas pregados no peito acha?" . Ele percebera o quanto a segurança em aeroportos podia ser falha se confrontada com a esperteza daquelas cinco mulheres. As armas haviam sido deixadas em inocentes armários de aluguel e no aeroporto de Montreal, outras armas já estavam nas mãos delas no momento em que saíram da área de desembarque. Claudia evitara cuidadosamente que ele, Mulder ou Scully vissem qualquer um dos contatos delas nos aeroportos. Ele apenas conseguira ver de relance uma jovem de olhos amendoados entregando uma mochila pequena para a líder do grupo e distinguira uma voz sussurrar às suas costas o nome "Paty" mas jamais conseguiria identificar a moça que as ajudara e isso o deixara ainda mais irritado. Agora estava preso com seu agente, também foragido da justiça, no meio do frio canadense e sabia que não podia descontar sua raiva nele. Afinal, ele havia concordado em ajudar mesmo que esta concordância tivesse sido sob coação. Em contrapartida, Mulder parecia um animal enjaulado. Estava muito frio e eles tinham que permanecer na cabana. O ponto de encontro era um local amplo e confortável com vários cômodos. No passado havia sido uma pequena pousada e estava teoricamente abandonado. Teoricamente, pois o local era agora utilizado por terroristas europeus. As garotas tinham contatos perigosos e Mulder havia enfrentado algumas horas difíceis depois que as mulheres partiram, pois Skinner não se conformava em estar sendo obrigado a colaborar com elas. Ele não havia contado a Mulder como Claudia o convencera a ajudar mas ficava claro que a conversa entre o Diretor Assistente e aquela mulher perigosa não tinha sido amigável. Skinner acabara se acalmando e então Mulder começara a se desesperar com a imobilidade. _ Agente Mulder, se não ficar quieto vou jogá-lo lá fora no frio. Não estou disposto a ficar aqui sentado observando você fazer um buraco no chão. _ Elas não deveriam ter envolvido o senhor, lamento por isso. Skinner deu uma risada sarcástica _ Você lamenta? Duvido que lamente de verdade. E eu só estou ajudando pela oportunidade de colocar as mão no Krycek. E não pense que desta vez vai escapar de me dar as devidas explicações do seu envolvimento com um grupo de terroristas procuradas que supostamente deveriam estar mortas. Mulder sentou-se segurando a cabeça nas mãos. _ É uma longa história senhor... Skinner acomodou-se melhor na poltrona _ Temos tempo. Pode começar. E ele contou. MARGENS DO RIO ALBANY - 11:55 p.m. Os dois jipes silenciaram ao mesmo tempo. Sil desceu e veio até Claudia para conversarem. Scully observava a naturalidade com que elas trabalhavam sob condições adversas. Ela não pôde deixar de pensar que se elas estivessem do lado certo da lei seriam excelentes agentes. Claudia virou-se para Scully _ Continuamos à pé. Se Alex estiver na cabana não pode nos ouvir chegando. As seis mulheres subiram por um caminho fora da estrada. Obviamente Krycek estaria vigiando o acesso. Ninguém seria louco de subir aquela montanha pela floresta. Ninguém, exceto o Azul Celeste. Scully quase não conseguia se mover entre as árvores estreitas, enquanto as outras cinco pareciam estar fazendo compras de tão à vontade. Elas chegaram ao topo alguns minutos antes de Scully cujo coração parecia querer saltar pela boca. A agente logo percebeu que aparente falta de interesse do grupo por ela não era verdadeira. Kes vigiava sua subida atentamente com a arma pronta para disparar ao menor sinal de perigo. Scully sorriu consigo mesma e considerou que era melhor ter aquelas mulheres como amigas. Ela quase tinha pena de Krycek quando caísse nas mãos delas. Quase. ANTIGO HOTEL LE BLANC, ARREDORES DE TIMMINS 12:00 a.m. Skinner olhava um pouco espantado para o homem sentado à sua frente. Mulder havia contado a ele sobre Sil e também o que sabia sobre as amigas delas e suas atividades. Contara também de todas as vezes em que as ajudara com informações e também sobre as informações que Sil passara para ele em vários casos quando ele estava na seção de crimes violentos. Por muito menos do que ouvira, ele sabia que Mulder poderia ser expulso do FBI além de responder a um processo por traição. Ele imaginava que o relacionamento de seu agente com a mulher chamada Sil deveria ter sido muito profundo uma vez que ambos se sentiam em dívida um com o outro. Mas algo dentro dele desconfiava que a terrorista ainda nutria um sentimento muito forte por Mulder para se arriscar tanto por ele. Skinner achou prudente guardar suas opiniões para si mesmo. Ele havia tido uma conversa muito...instrutiva com a líder daquele grupo e sabia que elas podiam ser bastante persuasivas quando queriam. Skinner decidiu não pensar no assunto por enquanto. Ele teria uma outra conversa com Claudia quando elas retornassem. E desta vez ele pretendia estar no comando da situação. Ao menos esperava que estivesse. Ele havia ficado realmente impressionado com a personalidade daquela mulher. Por isso ele decidiu que não poderia julgar o homem à sua frente. Suspirando alto ele armou-se de paciência para continuarem esperando, apenas esperando. 12:10 a.m. Krycek pressentiu o perigo, mas não foi rápido o bastante. Em um segundo estava imobilizado com a cabeça segura contra o chão frio da cabana. Vários pares de mãos o seguravam impedindo qualquer movimento por menor que fosse. Ele ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido e reconheceu imediatamente a dona daquela voz. _ Não queremos te machucar mais do que o necessário camarada, portanto é melhor parar de resistir. Ele não conseguia mover a cabeça mas tinha certeza de que as outras companheiras de Sil estavam com ela. Ele podia sentir as mãos delicadas em seu corpo e sabia que se tentasse fugir, pelo menos uma delas, Claudia, não teria escrúpulo algum em atirar nele. Por isso relaxou o corpo e deixou que amarrassem suas mãos e seus pés. Sentiu alguém hesitar quando percebeu que uma das mãos era uma prótese e ouviu a voz de Ale. _ Claudia, ele não tem um braço. A resposta veio áspera e cortante. _ Não importa, amarre assim mesmo. A prótese deve estar bem presa ao ombro, ele não terá como se soltar. Krycek riu amargo _ Sempre prática e sensível não é anjo? Claudia deu um passo e chutou com força as costelas dele fazendo-o gemer de dor, enquanto as outras terminavam de amarra-lo e o arrastavam para o pequeno catre que havia em um canto. Ele deixou escapar mais um gemido de dor quando foi jogado sem cerimônia ou cuidados no catre e largado lá, enquanto as cinco mulheres se afastavam e mantinham uma distância segura. _ "Continuam muito bem treinadas"_ ele pensou ,observando o grupo. Não conhecia profundamente as duas mais jovens, mas se lembrava muito bem das outras três. Lindas como sempre...e perigosas. Não vai ser fácil sair dessa._ "Calma Alex, pense. Já o teriam matado se não precisassem de você. Tire proveito disso". _ Estamos do mesmo lado meninas, não precisam me tratar deste jeito. _ Cala a boca Alex! Não estamos do mesmo lado. Você vai voltar conosco para os Estados Unidos. Só então Krycek percebeu que havia uma outra mulher na porta. Quando ela baixou o capuz ele reconheceu os cabelos vermelhos e os olhos azuis que faiscavam de ódio. Krycek compreendeu que elas estavam lá por causa de Mulder. Ele só não sabia como os agentes federais conheciam as cinco terroristas mais perigosas da Europa. Com certeza, elas não iriam esclarecer isto para ele. Pelo menos ele sabia que não seria morto. Isso já lhe dava uma chance. Pequena, mas dava. Por uns instantes, ele observou as duas mulheres mais jovens do grupo e imediatamente soube como iria fugir. 2:15 a.m. A cabana possuía um anexo pequeno com provisões e Krycek fora colocado lá. Partiriam no dia seguinte cedo e todas aproveitavam as poucas horas de sono para descansarem. O silêncio na cabana só era quebrado pelos passos dados lá fora pela mulher responsável pelo turno de vigilância. Armada e impaciente, Kes não conseguia acomodar-se num lugar.. Andava o tempo todo, checando cada pequeno ruído e, apesar do frio, não se importava em ficar lá fora. Nessas horas lamentava nunca ter aprendido a fumar...poderia estar fumando na varanda, como nas cenas de filmes... Mas a realidade dificilmente era idílica como as cenas de filme. _ 'E depois', pensou ela, 'o vigia fumando na varanda era sempre o primeiro a morrer nos filmes...'_ O pensamento bobo a fez sorrir. Na verdade preferia ficar lá fora porque não conseguiria permanecer no pequeno cômodo, perto daquele rato...Krycek a incomodava mais do que qualquer outro canalha que já enfrentara e ela não conseguia entender porque... Talvez fossem os olhos verdes sempre cravados nela, de maneira incômoda. Não conseguia sentir-se a vontade perto daquele homem, nem agora que ele estava amarrado e indefeso...Lembrava-se dele, de anos atrás, quando ela entrou para o Azul Celeste , depois de ser presa por um furto audacioso...Quando aquelas mulheres estranhamente retiraram as acusações contra ela e sua parceira e ofereceram para ajudá- las, ele andava por perto. Parecia haver um segredo qualquer entre ele e a líder, Claudia, talvez um caso, mas ela nunca descobrira realmente o que ele significava para a amiga. Sem mais poder conter a curiosidade que repentinamente a assolava, parou junto à porta do pequeno cômodo onde estava o prisioneiro. Destrancou a porta, abriu devagar e passou a cabeça pela fresta, totalmente dominada pelo desejo de ver novamente aquele rosto cafajeste e os olhos verdes "obscenos" , como dizia Clá. Nesse instante breve, em que se permitiu agir como uma adolescente novamente, quando não tinha tido tempo sequer de terminar de abrir a porta, foi dominada por um braço forte, que a prendeu pela garganta e a arremessou com força contra a parede. _ Ora...veja se não é a pequena Kes_ enquanto falava, ele a mantinha fortemente presa junto ao seu corpo, o braço passando por seu pescoço de forma sufocante , a arma que ela trazia, agora na mão dele. _ Me solta, seu canalha... _ Calada, garota! Vocês são realmente muito estúpidas ... acharam que aquela cordinha ia me segurar por quanto tempo? Vocês acham que só os mocinhos sabem se livrar dessas coisas? Mulheres... _ Alex, ouça, assim você não vai sair vivo daqui...me solta e a gente te entrega vivo à polícia americana... _ Você me decepciona, Kes...pensa que eu sou idiota? Você é meu passe para fora daqui, "bebê". Pensa que eu não sei que aquelas imbecis lá dentro fariam qualquer coisa para evitar que a caçulinha se ferisse?_ ele falava tão perto de seu ouvido que ela podia sentir o calor da respiração dele._ Agora cala a boca e anda, porque senão não vai sobrar muito de você para elas resgatarem... Alex mantinha a arma tão junto às suas costelas que a estava machucando . Ele abriu a porta e empurrou sua refém para fora, na sua frente. Ele só precisava chegar ao seu jipe e sair dali, sem ter de enfrentar o Azul Celeste, que agora parecia pior, com a presença da ruivinha zangada. Enquanto Kes, sob a mira de sua própria arma era forçada a danificar os motores dos jipes que elas haviam trazido para cima, seus pensamentos tentavam organizar-se em torno de como sair daquela situação, sem levar um tiro...Mais alguns minutos e o rato estaria longe dali, deixando-as ilhadas no meio do nada. _ Adivinha Kes! Sabe quem eu resolvi levar comigo? _ ele ria do pavor que via nascer no rosto da jovem... _ Você não precisa de mim, Alex...pense bem, isso só vai deixá-las mais zangadas. Você quer a Claudia zangada atrás de você? _ Esse argumento é bem forte...mas acontece que eu posso sentir frio...ou solidão...Sabe que você é uma mocinha interessante, Kes?_ ele realmente estava adorando assustá-la. _ Prefiro morrer a deixar que encoste essas patas em mim! _ ela dizia o que a razão ditava, mesmo que a mera proximidade daquele sujeito lhe provocasse estranhos calafrios.... _ Adoro garotas geniosas. Agora entre no jipe e fique calada. Não quero ter de atirar em nenhuma das suas amigas, então vamos sair daqui sem alarde. No momento em que ele fazia Kes entrar no jipe, uma voz desafiadora o deteve: _ Parado aí, rato. Solte essa arma e vire-se, bem devagar. Num reflexo, ele puxou Kes para junto dele e enfrentou a ameaça com a arma apontada para a cabeça da garota. _ Largue você, se não quiser ver sua parceira morta!_ _ Não dê ouvidos a ele, Clá...meta uma bala nesse calhorda! _ Ninguém vai atirar em ninguém! Vamos resolver isso, Alex. Você sabe que se atirar na Kes não vai sair daqui vivo, por mais importante que me digam que é levar você vivo aos EUA. Portanto, solte a arma agora._ sua voz trazia o mesmo tom controlado que já era sua marca registrada, mesmo nas situações mais tensas e a arma fazia pontaria exatamente entre os desafiadores olhos verdes de seu oponente. A tensão era enorme e se Clá não estivesse absolutamente concentrada em seu alvo, com certeza faria uma piada sarcástica sobre velhos filmes de western. Krycek sabia que sua única chance era entrar no veículo e sair dali antes que todas as outras fossem alertadas pela confusão. Foi então que, sem hesitar, num movimento extremamente rápido, ele virou sua arma contra a outra jovem e disparou duas vezes. Em segundos, alertadas pelos sons dos disparos, todas as outras chegaram , em tempo apenas de ver um Jipe desaparecendo ao longe e Kes no chão, em prantos, amparando a amiga, cujo sangue se esvaia com rapidez... 2:31 a.m. No interior da cabana, sob o olhares preocupados de todas, Scully prestava os primeiros socorros à jovem ferida, mas o sangue não parava de sair. Ela estava assustada e percebia o desespero crescer nas outras. Krycek havia levado em seu jipe as peças dos motores e não havia como saírem dali. Algumas palavras foram trocadas entre Claudia e Sil e instantes depois ela viu admirada que elas se preparavam para caminhar pela floresta densa até uma aldeia de dissidentes abenakis, que elas sabiam existir não muito distante, dentro da Reserva Florestal. _ Não podemos removê-la, ela não vai agüentar._ Scully esperava que elas tivessem uma outra alternativa _ A espera pelo socorro também pode matá-la, Scully. Na aldeia poderemos obter alguma ajuda, e também transporte, eles têm como se comunicar com a guarda florestal da Reserva_ Sil explicava seus planos à agente, enquanto tentava desesperadamente conseguir algum sinal do rádio. Por um breve instante, conseguiu um contato muito fraco com o ponto de encontro. Rapidamente explicou a Mulder o que havia acontecido e indicou o caminho que Krycek provavelmente tomaria. Scully entendeu que não tinham escolha e por isso, quando Sil e Claudia se aproximaram, ela já estava pronta para partir com sua paciente e rezava para que ela fosse bastante forte... ANTIGO HOTEL LE BLANC PONTO DE ENCONTRO 2:45 a.m. A raiva fazia Mulder ranger os dentes enquanto se preparava para sair. Skinner havia voltado à Timmins de onde retornaria para Washington. Ele tentaria ganhar tempo com o promotor negociando a rendição de seu agente. Mulder sabia que poderia confiar em seu superior mas temia que ele acabasse envolvido. Skinner garantira que estaria bem. Ele aguardaria a notificação da fuga do agente e então falaria com o promotor. Skinner partira e ele estava sozinho com sua raiva. Sil o fizera prometer que capturaria Krycek e não deixaria que ele o perturbasse. Tentava acalmar-se, mas só de pensar que uma garota estava ferida por causa dele o fazia sentir-se doente. Ele dizia a si mesmo que faria um favor ao mundo matando aquele rato miserável mas sabia que estaria condenado se o fizesse. Respirando fundo para se acalmar , saiu pela porta para o frio cortante da madrugada decidido a capturar Alex Krycek. 3:15 a.m. O frio inclemente tornava a caminhada cada vez mais difícil. Scully sentia urgência em achar um local onde pudesse deixar sua paciente descansar e aquecer-se, pois já não sabia mais por quanto tempo a jovem conseguiria sobreviver naquelas condições. Sentia que ela mesma já não conseguia manter quentes as extremidades do corpo e em breve talvez não tivesse mais forças para continuar andando... Parou por um instante, consultou seu mapa e bússola...uma boa distância ainda as separava da aldeia abenaki que Sil havia indicado no mapa. Na realidade a aldeia não existia no mapa mas Sil conhecia o grupo de índios que abandonara a reserva há vários anos e decidira viver como seus ancestrais. Em uma decisão quase secreta, o governo canadense permitira que a tribo se instalasse na área não acessível a turistas da Reserva e eles viviam pacificamente. Scully nem mesmo perguntara como Sil e Claudia conheciam aquele lugar. Ela apenas queria chegar rapidamente a um lugar aquecido mas antes precisavam descansar ou todas morreriam. Procurou ao redor um abrigo para um breve descanso, antes de iniciar o trecho final do percurso que ainda as separava de qualquer contato com seres humanos. Sem a proteção das árvores da floresta, o frio seria insuportável mesmo para as que estavam saudáveis. _ Ali, aquela brecha entre as rochas. Vai nos defender dos ventos. Precisamos nos aquecer. Fiquem juntas e mantenham a Clá o mais protegida que puderem. Vou ver se encontro com o que fazer uma fogueira... "dessa vez pelo menos tenho fósforos"... _ Não vai a lugar nenhum sozinha, doutora...não quero que a única chance de sobreviver da Clá morra num tombo besta nesta maldita montanha..._ Claudia acercou-se dela, decidida a acompanhá-la. _ Como quiser... desde que não me morda... Enquanto as duas mulheres que cultivavam o mal humor mútuo como quem cultiva batatas se afastavam, as outras três se ocuparam de tentar acomodar da melhor maneira possível a companheira ferida. Os rostos não escondiam a preocupação e o sentimento de culpa... _ Se ela não sair dessa não vou me perdoar...nunca. _ Não foi sua culpa Kes, foi minha. _ Claro que não foi sua culpa Ale. Foi o rato do Alex..._ Sil tentou diminuir o desespero das amigas. _ Mas não teria acontecido se ela não estivesse aqui. Se as duas não estivessem aqui! Eu nunca deveria ter permitido isso! _ Chega! Eu cansei! _ Kes, por um momento, perdeu a docilidade, que era sua marca registrada_ Não vou mais agüentar você me tratando como uma criança idiota. Acorda! Olha pra mim! Olha pra Clá! Nós não somos mais as duas ladrazinhas de 15 anos que você conheceu! Eu cresci e a Clá cresceu! Quem está ali, deitada naquela maca não é nenhuma criança, é uma especialista em explosivos, a melhor que nós conhecemos e está nessa missão porque precisávamos dela! _ Kes, você...você não tem o direito de falar comigo nesse tom! _ Não...você é quem não tem o direito de decidir em que tom eu devo falar! _ Agora chega!!!!_ Sil resolveu que era hora de intervir, antes que o stress e o medo levassem as duas por caminhos sem volta_ Kes, cale-se e vá ver se a Clá consegue tomar um pouco de água...ou apenas saber se ela está consciente e faça-lhe companhia. E não pense que não conversaremos sobre isso... Kes saiu, com aquela expressão assustada de quem não conhecia a própria fúria... _ Ale...ela está cansada, com medo e não pensa realmente isso...você sabe, vamos! _ Às vezes, o medo nos faz dizer verdades que comodidade enterra sob camadas de conveniência...Ela tem razão, Sil....elas são adultas agora, afinal. Clá explode coisas como ninguém e Kes é uma das melhores atiradoras com quem já trabalhei...foi nisso que as transformamos não foi?_ a ironia era evidente e amarga_ E agora não precisam mais da minha figura fazendo sombra às suas vidas. Depois que sairmos dessa, se é que vamos sair, vou seguir o meu caminho... Sil sabia muito bem quando Ale falava sério ou quando estava apenas "fazendo drama", como ela mesma costumava dizer. Nesse momento, não parecia haver muito espaço para argumentação. Achou melhor respeitar o silêncio imposto . ************************************ Com os braços cheios de gravetos e pequenos pedaços de madeira quase congelados, Scully e Claudia tomavam o caminho de volta ao acampamento improvisado. O fogo as ajudaria a ter um período de sono que deveria devolver-lhes o ânimo para a caminhada que ainda estava por vir. _ Agora que estamos aqui, longe das outras, seja sincera comigo Doc ... a Clá...ela vai sobreviver? _ Não sei...Essa é a única resposta honesta que posso lhe dar, Claudia. Eu, tanto quanto você, quero acreditar que sim. Mas houve grande perda de sangue e se não controlarmos a infecção a tempo... vamos perdê-la. Sinto muito. É tudo que posso lhe dizer, sinceramente. _ Entendo. Sabe, agente Scully, são boas meninas...não são comuns, isso eu tenho de admitir, mas isso é mais uma conseqüência do que uma coisa nata. A Clá tem um talento enorme para tudo que necessite de inteligência e sangue frio nas horas de tensão. Gosto de pensar que, quando isso tudo acabar, ela vai seguir uma carreira "decente" e ter uma vida normal...quem sabe ser uma médica como você...desde que não se meta no FBI, claro! Scully reconheceu na outra mulher um instante de trégua. De certa maneira, entendia o comportamento quase sempre agressivo da outra. Era uma sobrevivente, alguém que já vira muitas coisas realmente ruins e que precisava zelar pelas vidas daquelas que a tinham como líder. Não podia dar-se ao luxo de relaxar, nunca... _ Ok, Doc ...não fique aí me olhando com essa cara de "analista express"... não quero a sua compaixão. Vamos...vamos voltar antes que congelemos. Tenho planos melhores do que morrer ao seu lado nesse fim de mundo! _ Tão amável..._ Scully sorria. Não conseguia deixar de admitir para si mesma que, no fundo, simpatizava com aquela terrorista mal humorada. 8:28 a.m. Mulder caminhava ouvindo o barulho do vento e rezando para que o palpite de Sil estivesse correto. Ao chegar à clareira que ela indicara percebeu que sua ex- namorada conhecia Alex Krycek melhor do que ele imaginava pois o miserável estava fazendo exatamente o caminho que ela lhe dissera que faria. Ele perguntaria a ela mais tarde como sabia tanto sobre Krycek, mas desconfiava que ela não lhe contaria. Havia muitos segredos que Sil guardava para si e que deixava claro que não partilharia com ele. Mulder decidiu não se incomodar com isso por enquanto e preparou-se para atacar sua presa. *************************************************** Krycek parou o jipe e consultou o mapa. Estava no caminho certo. Logo chegaria a um abrigo seguro. Ele não queria arriscar o ponto de encontro, pois deduzia que o Azul Celeste devia ter alguém lá. Por isso tomara o caminho alternativo. Quando colocou o mapa de volta no banco e preparou-se para ligar o jipe, um par de mãos fortes o agarrou pela jaqueta e o arrancou do veículo. Atirado longe, ele levou alguns segundos para compreender que era Fox Mulder o dono daqueles olhos verdes que o fuzilavam furiosos. Os dois homens se atracaram. Nenhum dos dois pegou a arma. Lutavam com as mãos, o ódio triplicando suas forças. Krycek não contava com o incentivo duplo que Mulder tinha. O agente levou a melhor e o rato foi dominado. Mulder finalmente tirou sua arma e a luta cessou. Nenhuma palavra foi dita entre os dois inimigos. Krycek foi arrastado até o jipe e algemado na parte de trás. Mulder não pretendia arriscar ser pego à traição e deu uma coronhada na cabeça de seu prisioneiro que desmaiou na hora. Com um suspiro cansado, ele entrou no jipe e partiu para o ponto de encontro, rezando para o bem de todos que Clá sobrevivesse ao ferimento. 10:21 a.m. Depois de descansar apenas o suficiente para conseguirem forças para o resto da caminhada, o grupo seguiu o caminho, em busca da aldeia que nenhuma delas mais tinha certeza de que encontrariam. Numa das breves paradas para descanso, Scully examinou novamente a moça ferida e seu olhar não conseguiu esconder das outras que começava a perder as esperanças. _ A febre continua alta e ela está entrando em choque. Precisamos aquecê-la e administrar antibióticos... Não temos mais muito tempo... a voz faltou a Scully quando notou o desespero estampado nos rostos à sua volta. _ Vou ficar com ela..._ Sem conseguir mais conter as lágrimas, Kes saiu de junto das amigas e aproximou-se do lugar mais protegido dos ventos, onde haviam deixado Clá. Ela parecia apenas dormir e a vontade de Kes era pedir a ela que parasse com aquela brincadeira de mau gosto e se levantasse dali...mas, embora não pudesse acreditar, Kes sabia que dessa vez não era mais uma peça da amiga brincalhona...não dessa vez ... _ Kes?_ Como se pressentisse a presença silenciosa da amiga, Clá abriu os olhos. _ Eu estou aqui_ apressou-se em enxugar as lágrimas e tentou sorrir... _ Não chore... _ Eu não estou chorando. _ Então o que é isso aí? Um vazamento? Ouça, não importa o que aconteça... _ Que tal parar de falar como uma matraca?_ Kes não queria ouvir, não queria ...era como se tudo estivesse bem, enquanto não se despedissem, enquanto não encarassem o que estava para acontecer _ Vamos ter muito tempo pra conversar depois... _ Não, não vamos... e não tente mentir pra mim, você nunca conseguiu... Ouça e não me interrompa...ou isso fica mais difícil do que já está ... _ apesar do esforço nítido, sua voz era firme e o tom era o de quem tenta confortar _ O importante é o que fizemos, Kes, não o que não tivemos tempo de fazer. E sempre vivemos cada dia como se fosse o último, não foi? E fomos as melhores amigas, a incrível dupla Clasivsk e Kesivsk..._ um sorriso surgiu quando ela recordou os nomes que usavam quando ainda eram meninas, nas ruas de Roma...Em seguida, assumiu um ar sério e encarou Kes, no fundo dos olhos_ Quero que você me prometa que só vai se lembrar de mim com um sorriso e que vai apagar essa besteira que está passando pela sua cabeça agora, para sempre....Não existem culpados, Kes, apenas vida...e a vida é assim, imprevisível. Nada de culpa, em nome da nossa amizade... Promete?_ sentindo que a outra hesitava, resolveu fazer o que sabia fazer melhor..._ Vamos, eu não tenho a vida toda para esperar... Kes lutava contra a sensação de sufocamento causada pela emoção, e as palavras da amiga não estavam ajudando...No momento seguinte, buscou forças no fundo da alma, e conseguiu responder, mesmo lutando contra as lágrimas incessantes: _ Escuta, Clasivsk, esse... seu discurso vai ficar lindo daqui a uns cinqüenta anos e... e eu vou prometer tudo o que você quiser quando chegar a hora, mas não agora. Não agora porque você não vai morrer... você não vai morrer, entendeu? Agora faça sua parte e lute, enquanto eu faço a minha! Kes levantou-se e reuniu as outras e disse que era hora de prosseguirem. Fez isso de maneira tão incisiva que ninguém ousou questionar. Claudia a ajudou com Clá, e elas prosseguiram em busca da tal aldeia, caminhando o mais rápido que seus corpos conseguiam e tomadas por um sentimento único de urgência... ALDEIA ABENAKI – SEGUNDA FEIRA 3 p.m. O homem muito velho se aproximou do local onde tinham deitado a moça ferida. Ela já estava praticamente inconsciente. Sil e Kes se afastaram para dar lugar ao velho índio que sequer tocou a doente. Apenas observou seu rosto detidamente. Depois, balançando a cabeça em concordância, deixou a pequena tenda onde as outras cinco mulheres tentavam se acomodar. Scully olhava para a porta desconfiada. _ Quem é aquele homem? _ É o xamã da tribo agente Scully. _Sil permanecia virada de costas para as outras, acomodando melhor os cobertores ao redor de Clá e não percebeu a expressão de desaprovação tanto da agente federal quanto de Ale. _ Sil, você não está pensando em deixar essa gente colocar as mãos na Clá está?_ Ale estava claramente contrariada com a situação. Sil sorriu para a amiga. Às vezes era difícil lidar com seu ceticismo e teimosia... _ Claro que estou! Se alguém pode ajudar a Clá agora é justamente "essa gente" como você os chama. Claudia resolveu se intrometer na discussão. _ Gente aliás, que cedeu uma cabana seca e quente para nos abrigar, desalojando uma família de dez pessoas. Gente, Ale, que vai deixar de comer hoje para nos alimentar. Apesar das palavras da amiga tocarem fundo em seu senso de justiça, Ale ainda não se conformava. _ Mas, isso é curandeirismo. Não sabemos o que aquele homem vai fazer. E se ele matar a Clá? Claudia, eu não acredito que você aceite isso tão calmamente...Nós devíamos continuar, tentar chegar a um hospital...temos de fazer alguma coisa... _ Ale, a Clá já está morta. Não temos nada a perder. Não há tempo para chegarmos a um hospital, não temos antibióticos, nada. Mas ao menos saberemos que tentamos até o fim. Ale se calou ainda contrariada, mas Scully também não se conformava. _Vocês vão mesmo deixar que usem essas poções estranhas em uma mulher gravemente ferida? _ O que quer que façamos agente Scully? Vamos ficar sentadas esperando ela morrer diante de nossos olhos?_ Sil começava a perder a calma e isso não era um bom sinal. _Você acredita em Deus agente Scully? Instintivamente, Scully levou a mão ao pescoço. A pequena cruz estava escondida embaixo da blusa pesada, mas todas perceberam o gesto. _ Se acredita mesmo nele, comece a rezar , porque os conhecimentos do xamã são nossa última esperança. Eu não preciso ser médica para saber que ela vai morrer. E você Ale, já que não acredita em droga nenhuma, pelo menos não atrapalhe. Ale abriu a boca para responder mas Claudia não a deixou falar. _ Chega! Isso não vai ajudar a Clá. Ale, eu concordo com a Sil, não temos nada a perder tentando, embora não acredite em absoluto nessas coisas. _ Eu também acho que devemos tentar... 'no final, o que importa é o que fizemos, não o que não tivemos chance ou tempo de fazer...' _ Kes estava com os olhos vermelhos, tentando segurar as lágrimas. Claudia voltou-se para Ale e Scully. _ Três a dois, vocês perderam senhoritas racionalidade, vamos tentar a boa e velha magia indígena. Se isso for demais para a sensibilidade de vocês, podem ficar lá fora, congelando lentamente enquanto tentamos fazer alguma coisa por nossa amiga. Ale respirou fundo e tentou se acalmar. Ela não acreditava que aquilo funcionasse, mas Sil estava certa. Não havia mais esperança e se a tal magia não ajudasse, não faria mal à amiga. Suspirando, ela decidiu tentar abrir a mente. Não seria fácil e olhando de relance para a agente federal parada a seu lado muito séria e tensa, Ale concluiu que não estava sozinha em sua contrariedade. O velho homem demorou a voltar e todas permaneceram em silêncio perdidas em seus pensamentos, assustadas demais com a proximidade da morte para falarem mais alguma coisa. Quando ele retornou Scully verificou surpresa que ele falava um inglês quase perfeito. Quando o xamã pediu que as mulheres se aproximassem, Scully hesitou e percebeu que Ale também não se sentia confortável com a situação. As outras se aproximaram e sentaram-se em volta da amiga inconsciente. A pequena cabana estava quente por causa da fogueira e do número de pessoas lá dentro. As três mulheres sentadas ao lado do xamã tinham os olhos fechados enquanto o índio murmurava um cântico monótono em uma língua estranha. Scully não acreditava que estava participando de um ritual de cura indígena. Ela lembrava-se que Albert Hosteen havia feito algo parecido com Mulder em certa ocasião, mas sua mente lógica não permitia que aceitasse aquilo. As palavras ditas em voz alta eram incompreensíveis para Scully e pareciam não estar dando resultado algum. Então, a cabana pareceu ficar mais fria e escura, apesar da fogueira no centro continuar acesa como antes. Scully percebeu que o velho havia se calado, mas ela ainda escutava vozes murmurando sons incompreensíveis. Com os olhos arregalados, Scully viu a cabana ser tomada por vultos translúcidos que se moviam por todos os lados e faziam com que não acreditasse em seus próprios olhos... A agente federal sentiu a mão fria de Ale tocar a sua e percebeu que a outra mulher também não queria acreditar no que via. Juntas, se aproximaram das outras que permaneciam imóveis e de olhos fechados. Quando perceberam, estavam ajoelhadas e Scully rezava a seu Deus em palavras desencontradas, mas que ela sentia estarem saindo de seu coração. Não queria que aquela moça tão corajosa morresse, mas já não podia fazer mais nada como médica...quem sabe conseguiria algo com o pouco de fé que possuía ... Quando abriu os olhos, parecia que se passara uma eternidade, os seres não existiam mais e o xamã fazia Clá beber um preparado com a ajuda de Sil que amparava a amiga. Scully tinha certeza de que ela e Ale tinham tido uma alucinação e procurou concentrar-se em ajudar a cuidar da moça ferida que parecia reagir um pouco. Scully não acreditava que as orações e uma poção pudessem salvar a vida daquela moça, mas não podia dizer isso às amigas dela. Resignada, sentou-se ao lado da doente oferecendo-se para fazer o primeiro turno de vigília pois já começava a escurecer. LE BLANC – SEGUNDA FEIRA 6:55 p.m. Os dois homens se enfrentavam em uma batalha silenciosa de olhares. Nenhum deles pretendia falar com o outro, mas a noite prometia ser longa e Mulder tentara sem sucesso fazer contato com Scully e as outras o dia todo e isso o deixava ainda mais nervoso. Até que ele não resistiu, tinha que perguntar : _ Por que Krycek? O rato tinha a expressão zombeteira quando respondeu _ Por que era uma ótima oportunidade de me livrar de você Mulder. Não se mata simplesmente um cara metido a herói como você, sem o risco de atrair outros chatos à sua causa. Eu queria você desmoralizado, seu nome jogado na lama. Sozinho e esquecido como um assassino comum. Depois, numa briga qualquer dentro da prisão...Bum! Adeus ao chato... Ao perceber como fora ingênuo, e lembrar-se de que agora a vida de Clá também corria perigo, Mulder ficou ainda mais furioso. _ Você é um canalha Krycek! Porque atirou na garota? Você não tem a menor noção de humanidade! Ele riu sarcástico para o agente _ Humanidade? Com elas? Mulder, elas não são garotas da escola católica, são assassinas, terroristas treinadas e muito bem treinadas. Eu sei, eu as conheço, melhor do que você. _ Você não sabe nada sobre mim ou sobre elas. _ Realmente Mulder, me surpreende que você esteja sendo ajudado por criminosas. Isso não vai ser bom para sua ficha...Talvez eu alcance meu objetivo, afinal, já que você resolveu passar sozinho pro lado dos bandidos... Com a irritação já no limite, ele agarrou o rato pela jaqueta até seus rostos ficarem bem próximos e falou entre dentes _ Seu miserável! Se a Clá morrer por sua culpa, eu não vou me importar em passar o resto da minha vida na cadeia, mas farei questão de matá-lo bem devagar, entendeu? Krycek não respondeu e Mulder o jogou com força de volta ao sofá, afastando-se dele antes que cedesse ao desejo quase incontrolável de espancá-lo. Mas o homem estava algemado e temporariamente indefeso e Mulder permitiu-se relaxar por alguns minutos, se acalmando. Se perdesse o controle, todo o esforço que Scully e as meninas estavam fazendo para ajudá-lo teria sido em vão. Suspirando de impaciência, ele sentou-se em um poltrona mais distante e manteve os olhos verdes pregados em seu prisioneiro. Seria uma longa noite. ALDEIA ABENAKI - TERÇA FEIRA 8:00 a.m. Depois de uma noite de expectativa angustiante, os primeiros raios de sol invadiram a cabana, deixando uma sensação confortável de calor tomar conta do ambiente. Scully foi a primeira a acordar, mas a última a chegar perto da jovem mulher que estava sentada à um canto da pequena cabana. Um segundo depois do grito de Kes ser ouvido, as outras quatro já estavam em volta de Clá, que olhava desorientada para as amigas. _ O que aconteceu? Onde estamos? Ela não entendia porque as amigas estavam chorando e a abraçavam. Até que a dor em seu peito a alertou que talvez o tiro de Alex realmente a tivesse acertado. Ela abriu a camisa e tocou o curativo sentindo a dor do ferimento. _ Não toque, vai doer mais. A bala atravessou, mas você quase morreu devido à perda de sangue._ A voz de Scully fez as outras abrirem caminho para a agente se aproximar. _ Hei, é bom ter uma médica no grupo! Não quer juntar-se definitivamente a nós, agente Scully? Não tem férias, seguro, aposentadoria, nada...mas a Sil cozinha bem e eu sei contar piadas..._ Clá realmente parecia um criança, com uma cara marota, apesar de ainda um pouco abatida. O bom humor revelava que Clá estava realmente de volta e Scully sentiu-se aliviada. _ Na verdade, talvez você devesse convidar o xamã para entrar para o grupo...Agora pare de falar e descanse. Logo as suas amigas vão me fazer sair com você novamente por esta floresta e eu quero que você descanse o máximo possível antes disso... _ Dizendo isso, Scully deixou a cabana, e seus pensamentos estavam agora voltados para seu parceiro .Ela evitava pensar no pior, mas ele estava atrás do rato e ela temia pela vida de Mulder. Restava apenas esperar que ele tivesse cuidado e agisse com a cabeça e não com a emoção... ANTIGO HOTEL LE BLANC PONTO DE ENCONTRO – TERÇA FEIRA 7:30 p.m. Mulder estava sonolento mas tentava manter-se alerta. Não confiava naquele sujeito asqueroso e não pretendia dar-lhe nenhuma chance. Ele passara a noite anterior e o dia todo esperando conseguir algum contato pelo rádio e ao mesmo tempo atento a qualquer movimento de Krycek e isso o deixara exausto. Os ruídos vindos de fora o alertaram para as pessoas chegando. Ele ficou em pé e dirigiu-se para a porta que já estava sendo aberta. As seis mulheres entraram e Mulder viu aliviado que todas estavam caminhando sozinhas o que significava que uma das três mais baixas era Clá e estava bem. Nenhuma delas falou uma palavra enquanto tiravam as pesadas roupas de frio ficando apenas com os agasalhos mais leves e as botas. Todos os olhares se dirigiam para o homem algemado sentado no sofá. Os olhos de Krycek expressavam pânico mas ele também não emitiu nenhum som enquanto as cinco mulheres do Azul Celeste se aproximavam lentamente. Mulder esboçou um movimento mas sentiu a mão de Scully segurá-lo com força. Ao olhar para o rosto da parceira ele percebeu que não deveria intervir. Ele vestiu seu casaco e ajudou Scully com o dela e saíram juntos para o frio cortante do entardecer canadense, fechando a pesada porta, cortando o som dos gritos que vinham da cabana. LE BLANC 9:58 p.m. Krycek tinha o lábio cortado e o corpo doía. Ele sentia como se houvesse sido pisoteado por uma manada de touros selvagens. Se bem que mulheres furiosas poderiam ser mais perigosas que touros, leões ou qualquer animal irracional que existia. Suspeitava que tinham lhe quebrado uma ou duas costelas. Ao menos elas não haviam machucado muito seu rosto. Ele não saberia dizer se isso era bom ou ruim. A porta do quarto foi aberta devagar e ele viu uma delas entrar. Não precisava enxergar para saber quem era. Ele conhecia Sil. Ela era a única que batia com uma das mãos e acariciava com a outra. Ele sorriu ao sentir o perfume dela. Há quase quinze anos ele havia sentido este perfume pela primeira vez no campo de treinamento na Rússia. Ela era apenas uma adolescente assustada, mas que disfarçava muito bem o medo. E aprendia rápido a se defender. Rápido demais. Ele sentiu o colchão macio ceder ao peso dela. _ Pelo que você fez à Clá, Alex , eu deveria deixar você morrer com o pulmão perfurado pela sua costela quebrada. _ Como sabe que minha costela está quebrada? _ Porque fui eu quem a quebrei. _ Pelo menos você bate mas cuida depois. Ela não respondeu apenas umedeceu um pedaço de atadura e, segurando o rosto dele pelo queixo tocou o lábio machucado com o anti-séptico. Ele gemeu de dor e tentou afastar o rosto, mas estava algemado à cabeceira da cama. _ Fique quieto Alex. Não vou demorar. _ Vocês não perderam o jeito. Sabem aonde bater e como bater. Ai! Sil, isso machuca! _ Você merecia morrer de infecção generalizada Alex. Cale a boca e deixe ela cuidar de você._ Claudia acabava de entrar e estava furiosa. _ Anjo, acredite, senti saudades da sua doçura. Ele ironizou olhando nos olhos de Claudia que ergueu um punho para acertá-lo, mas foi impedida pela amiga. _ Não tem mais lugar para bater Claudia, já chega. Os olhos verdes de Claudia brilhavam de raiva. _ Você sempre tem pena dos canalhas Sil, eu não acredito nisso! Quando vai aprender? Krycek olhou de relance para a mulher furiosa. _ Você deveria levar em consideração nosso passado anjo. Claudia inclinou-se e segurou o rosto dele entre as mãos, furiosa. _ Eu já esqueci nosso passado Alex e se você ousar lembrá-lo vai se arrepender de ter nascido entendeu? _ Ela o soltou bruscamente e foi para a porta, abrindo-a com força e assustando Ale, que aguardava do lado de fora. _ Ajude a Sil. Se eu ficar cinco minutos perto desse sujeito acabo matando ele. Ale entrou hesitante. Ela não gostava do rato. Sil tinha um carinho por ele que era até compreensível dadas as circunstâncias em que eles se conheceram. Enquanto que Claudia o odiava na mesma medida. Ale sabia bem porque a amiga se sentia assim. Ele a havia traído. De muitas maneiras e Claudia não perdoava uma traição. Ela se aproximou da cama a tempo de ouvir as últimas palavras de Sil _ ...merecia que o deixasse sem cuidados Alex, mas não sou como você. Ele não respondeu, mas Ale pensou ter visto um vestígio de emoção cruzar os olhos verdes do rato. Ela se pegou imaginando que se o alvo dele tivesse sido Sil ao invés de Clá, ele não teria atirado...ou teria? Juntas, as duas amigas colocaram uma atadura ao redor do tórax dele, imobilizando a costela quebrada e em seguida Ale saiu do quarto deixando Sil sozinha com ele novamente. Ele abaixou a cabeça e falou num sussurro com ela _ Sil, não pode me entregar para o FBI. Eles vão me matar. _O FBI não mata seus prisioneiros... _ Não o FBI Sil, meus patrões. Eles vão me matar por ter falhado. Ela tocou o rosto dele e o fez olhar em seus olhos. _ Eu não posso fazer nada. Tenho um compromisso e vou cumpri-lo. Além do mais, não posso perdoar o que fez à Clá. _ Isso é sobrevivência Sil! O que queria que eu fizesse? Que ficasse sentadinho esperando vocês me ferrarem? E ainda por cima, por causa do Mulder? O que ele fez para vocês o ajudarem? O que ele prometeu? Imunidade? Não acredite nele. O FBI nunca negocia com terroristas ou assassinos. _ Alex, nosso negócio com o agente Mulder não é da sua conta. E se você não se comportar, eu juro que deixo a Claudia machucar você...mais ainda. Precisamos de você vivo, não necessariamente inteiro. Krycek conhecia aquela mulher há quinze anos e sabia que ela nunca fazia uma ameaça em vão. Havia presenciado a frieza dela e da amiga Claudia quando ambas mataram o comandante do campo de treinamento na Rússia. O homem, Pietor Gorovich era uma verdadeiro crápula e vários homens e mulheres morreram nas mão dele durante o duro treinamento que a polícia secreta russa infligia à pessoas recrutadas. Sil e Claudia eram apenas duas meninas quando chegaram ao campo. Haviam acabado de se conhecer mas Claudia já tentava proteger a amiga que parecia frágil e assustada mas tinha um incrível capacidade de adaptação. Em dois meses já era a melhor recruta em treinamento mas Krycek estava desconfiado de que havia algo errado com ela. Ela estava grávida e o treinamento tão pesado não estava fazendo bem à ela ou ao bebê. Ele descobriu a verdade pouco antes de Gorovich mas não conseguiu proteger a garota. O comandante mandara Sil e Claudia, que a ajudava a esconder a gravidez, para a solitária por quinze dias. As duas garotas sobreviveram mas dois dias depois de deixarem o castigo, Sil tinha perdido o bebê. Gorovich proibira que a ajudassem e ela passou uma noite inteira gritando de dor e desespero. Naquela madrugada Krycek havia deixado seu alojamento e tirado Sil do campo. Ele a levara até a vila próxima onde a parteira havia cuidado dela impedindo que morresse com a hemorragia causada pelo aborto natural. Krycek ficara sabendo através da parteira que o bebê tinha provavelmente 4 ou 5 meses de gestação e que ela havia tido muita sorte em sobreviver. Ele passara o dia fora com ela e sabia que enfrentaria a ira de seu comandante quando voltasse mas algo naquela garota o impediu de assistir sua morte impassível. Realmente Gorovich não perdoara e enquanto Sil amargara mais um mês na solitária, ele passara maus bocados nas mãos de seu superior. Mas, ao invés de quebrar seu espírito, todas as provações a deixaram mais forte e Gorovich pagou com a vida por se meter com Sil e Claudia, que terminaram o treinamento e se tornaram duas das mais perigosas agentes da extinta KGB. Nesse momento, ele acreditava sinceramente que deveria ter deixado que ela morresse. **************************** Mulder estava recostado na cama e tinha Scully em seus braços. Depois de tanto tempo, tinham finalmente alguns minutos de paz. Ele puxou-a mais para junto de si, apreciando o calor que emanava do corpo dela. Ela se recusara terminantemente a ajudar Krycek. Mandou literalmente o juramento de Hipócrates para o inferno e ele adorou isso. Claro que não disse isso a ela, mas estava satisfeito com a surra que as meninas haviam dado naquele rato que quase destruíra sua vida. Naquele momento, a cabana estava em silêncio. Krycek fora algemado em um dos quartos. Kes estava no primeiro turno de vigilância na ampla sala da cabana e eles estavam em um dos primeiros quartos para o caso de alguma emergência. Scully parecia exausta e ele se recriminava por ter permitido que ela se arriscasse tanto por ele. Todas elas. Ele não se sentia muito bem, dependendo de um bando de mulheres, mesmo que estas mulheres fossem algumas das mais perigosas do mundo. Scully suspirou e ele acariciou os cabelos vermelhos com carinho. _ Está cansada? _ Um pouco. Não foi fácil. Por um momento tive certeza que Clá morreria. Elas não deixariam Krycek vivo Mulder. Tenho certeza. Tive medo por você. _ E eu tive medo por você. Foi horrível ficar aqui sentado esperando, sem notícias. Eles ficaram em silêncio por um minuto, então ele disse _ Eu não queria que você se envolvesse... _ Mulder, eu sempre estive envolvida mesmo antes de estarmos juntos. Não foi justo o que você fez comigo na prisão. _ Scully, eu não queria colocar sua vida em risco, não queria que fosse acusada ou que se sentisse culpada... _ Pelo amor de Deus Mulder! Eu coloco minha vida em risco há anos! Eu preciso saber o que aconteceu aquela noite no posto de gasolina. O que Krycek fez para que você perdesse completamente o controle? Ele desviou o olhar mas abraçou-a com mais força. _ Ele...ele esteve no seu apartamento. Disse que ficou observando enquanto você dormia. Ele disse que não a matara ainda, mas que faria a qualquer momento se eu não fizesse o jogo dele...Eu não tinha opção...ou aceitava o jogo dele, ou ele mandava um sinal a um comparsa, que deveria matar você imediatamente... Agora eu sei que foi uma armadilha, mas naquela noite eu não tinha idéia dos planos deles. Ele tinha uma foto sua... eu perdi completamente a cabeça. Só de imaginar aquele miserável perto de você.... Ela sorriu entristecida pelo sofrimento que viu nos olhos dele e o beijou com paixão, deixando-o sentir toda a saudade que ela sentira dele. Ele correspondeu com avidez, aliviado por saber que aquele pesadelo estava caminhando para um final feliz. ********************************** WASHINGTON QUARTA FEIRA 12:15 PM Desde a partida do Canadá, tudo havia corrido bem até aquele momento. Scully e Mulder embarcaram com suas credenciais de agentes federais com Krycek devidamente algemado e vigiado de perto pelas inocentes passageiras que se sentaram à volta deles conversando animadamente. Skinner os esperava no tribunal impaciente. Ele havia tido um pouco de trabalho para convencer o promotor de que seu agente se entregaria. Os agentes da promotoria que aguardavam com Skinner na entrada insistiram que Mulder deveria ser algemado e levado por eles. Mulder concordou e entregou sua arma a seu chefe que os acompanhou enquanto Scully levava Krycek para os elevadores laterais que davam acesso às salas de testemunhas. Mais dois agentes da promotoria interceptaram Scully antes que ela entrasse no elevador e a impediram de subir com o prisioneiro. Eles garantiram que levariam Krycek diretamente para a sala de audiência e entraram no elevador deixando-a sozinha no saguão. Neste momento ela viu o Azul Celeste entrando pela saída de emergência. _ Scully, aqueles homens que levaram Alex trabalham para ele. Vá até a sala do tribunal e tente convencer o juiz a aguardar mais um pouco. Nós vamos pegar aquele miserável. A voz de Claudia não admitia discussões e Scully correu para o saguão principal enquanto as mulheres às suas costas entravam no elevador dispostas a acabar com aquele jogo de gato e rato de uma vez por todas. ********************************************* Os dois homens entraram com Krycek em uma sala vazia e imediatamente tiraram-lhe as algemas. Um deles lhe entregou uma arma que foi rapidamente escondida pelo casaco. _ Você quase falhou Krycek. Eles não gostaram nada disso. _ Mulder vai ser preso. Ele não pode provar que estou vivo e mesmo que convença o juiz, será mandado para a prisão por tempo suficiente para sofrer um acidente fatal. Eu avisei a eles que deveriam eliminá-lo assim que chegasse à prisão. _ E levantar suspeitas? Você não entende mesmo que não podemos chamar atenção para nós não é Krycek? O outro homem interrompeu a discussão apressado. _ Temos que sair logo daqui. Eles querem falar com você. Krycek assentiu e se dirigiu para a saída. A dois passos da porta ela se abriu violentamente e o Azul Celeste entrou na sala com as armas em punho. Os três homens apontaram as suas para as cinco mulheres. Krycek repreendeu a si mesmo mentalmente e falou para Claudia. _ Eu devia imaginar que vocês não deixariam um serviço pela metade. _ Acha que acreditamos em toda aquela docilidade Alex? Você tinha certeza de que teria comparsas seus aqui para verificarem se o agente Mulder seria realmente mandado para a prisão. Sabia que eles o tirariam das mãos da agente Scully. Os dois homens atacaram sem aviso, usando seus tamanhos avantajados para tentarem dominar as mulheres. Krycek aproveitou a confusão e fugiu. Sabia que elas não atirariam. Não podiam atrair atenção dentro de um edifício do governo. Claudia, Kes e Ale logo dominaram os homens, deixando-os desacordados. Clá estava na porta chamando as companheiras. _ Depressa, a Sil foi sozinha atrás daquele rato miserável! Ele descia as escadas de incêndio o mais rápido que podia mas ela era mais ágil e logo Krycek sentiu seu corpo sendo atirado contra a parede pelo dela. Só que no corpo a corpo ele era mais forte e dominou a mulher deitando-se sobre ela, prendendo seus pulsos com as mãos e suas pernas entre as suas. Ambos ofegavam mas nenhum dos dois queria ou podia perder aquela luta. _ Desista Sil, me deixe ir embora. Eu não quero machucar você. Os olhos castanho escuros dela faiscavam de raiva. _ Pois eu quero machucar você Alex. Quero acabar com a sua vida! E quando isso terminar eu vou pegar você! Ele aproximou o rosto do dela até seus lábios quase se tocarem _ Eu deveria ter deixado você morrer quando tive chance sua intrometida. A porta da escada se abriu alguns andares para cima e ele percebeu que não tinha muito tempo. Segurou os pulsos dela com uma das mãos e desceu o punho com força sobre o rosto delicado. Sabia que ela não desmaiaria mas teria tempo de levantar-se e fugir. E foi o que fez sem sequer olhar para trás. Podia ouvir as outras se aproximando mas estava quase chegando ao térreo quando o barulho de um tiro ecoou por todo o local e Krycek teve o corpo atirado para frente com violência. A pontaria certeira de Kes atingira de raspão seu ombro esquerdo fazendo o sangue jorrar e uma dor forte se espalhar pelo corpo. Kes resistira bravamente ao desejo de acertar aquele tiro e terminar de uma vez com a vida inútil daquele rato. Sem nenhuma palavra ele foi agarrado por Claudia e levado para o saguão onde as pessoas já começavam a se juntar. Dois policiais se aproximaram com armas em punho mas foram ignorados pelas cinco mulheres que se dirigiram para o elevador com seu prisioneiro. O edifício entrou em alerta mas nenhum policial ousou dar voz de prisão para o grupo. Elas estavam armadas e aparentemente tinham um refém. Na sala do tribunal, Mulder ouvia desolado o juiz decretar que ele voltaria à prisão até a averiguação das informações dadas pela agente Scully. No momento em que o magistrado levantava o martelo para decretar o fim da sessão, a porta foi aberta com um estrondo e Mulder viu espantado o Azul Celeste entrar arrastando Alex Krycek que sangrava no ombro. Vários policiais as seguiam mas Skinner se levantou rapidamente e garantiu que estava tudo bem, Ele falou por um minuto com os policiais que logo saíram da sala fechando a porta. O juiz berrava ordem e quando a sala finalmente mergulhou em silêncio ele aguardou as explicações. Claudia jogou Krycek aos pés do juiz _ Aí está seu cadáver meritíssimo. O homem que supostamente teria sido assassinado a sangue frio pelo agente Mulder. O juiz olhava para o homem ajoelhado no chão e para as mulheres que haviam invadido a sala estupefato _ Quem são vocês, senhoritas? Várias bocas se abriram para responder mas uma voz já estava falando com o juiz deixando todos espantados. _ Elas são minhas agentes meritíssimo. Estão sob disfarce e foram incumbidas de capturar este homem que é procurado pelo FBI por diversos crimes. Como elas trabalham disfarçadas eu pediria à sua excelência que mantivesse as identidades delas fora dos autos do processo. A sala estava tomada por um silêncio mortal. Só a respiração ofegante de Krycek podia ser ouvida mas ninguém se importava com ele. Todos os olhos estavam voltados para o juiz que decidiria nos próximos segundos a vida de Fox Mulder. ************************************************* O juiz já havia deixado a sala. Ao ouvir a decisão do magistrado de encerrar o caso já que o crime não existira, o promotor ainda tentara alegar que Mulder havia fugido da prisão mas o juiz não parecia disposto a conversar e repreendendo o promotor virou-se e saiu deixando um animado grupo comemorando. Krycek ficara sob custódia do FBI e Skinner garantiu que se encarregaria dele. Claudia captou a sutil troca de olhares entre o Diretor Assistente e o rato mas não deu mostras de ter percebido nada. Ela observava as amigas ao redor dos dois agentes do FBI. A primeira pessoa que Mulder abraçou foi Scully. E sussurrou um pedido de desculpas no ouvido dela. Foi recompensado com um sorriso radiante. As meninas se aproximaram do casal, seus rostos demonstrando felicidade genuína. _ Clá, me desculpe pelo que aconteceu e obrigado, obrigado mesmo. _ Imagina escoteiro! Você arriscou sua carreira por nós quando precisamos. Não poderíamos deixar de ajudá-lo nessa encrenca. Ele a abraçou com cuidado por causa do ferimento e a beijou nos lábios como se ela fosse uma boneca de porcelana que poderia se quebrar. Quando a soltou, se viu de frente com Kes que ruborizava como uma adolescente. Ora, ela era quase isso. Apenas uma garota mas com a experiência de vida de alguém muito velho. _ Kes, obrigado. _ Obrigado não, escoteiro eu quero um beijo. Mulder riu e encostou os lábios nos dela ficando tão vermelho quanto a garota . Ale exigiu seu beijo e o ganhou no meio das risadas e brincadeiras das outras duas. As três se afastaram e pegaram Krycek, levando-o para fora junto com Skinner. Mulder virou-se para Claudia e Sil. _ Eu sei que não tenho como pagar o que fizeram por mim. Arriscaram suas vidas e de suas amigas... _ Tudo bem escoteiro, não gosto de ver homem chorar. Agradecimentos aceitos e nem pense em me beijar. Ele e Scully riram do mau humor da líder do Azul Celeste, que saiu da sala apressada quando Mulder fez menção de agarrá-la para o indesejado beijo. Scully afastou-se constrangida quando Sil se aproximou. Ela não conseguia evitar sentir ciúmes daquela mulher. Mesmo tendo declarado seu amor a Mulder e sabendo ser correspondida, ela sabia que entre ele e Sil havia sido especial. Ele passou delicadamente o dedo pelo machucado arroxeado que o soco de Krycek deixara no rosto dela. _ Sil eu...obrigado. Eu não merecia que você fizesse isso por mim e muito menos que arriscasse a vida de suas amigas. _ Eu e Claudia pretendíamos pegar Alex sozinhas mas as garotas não aceitaram. Nós não costumamos deixar os amigos na mão. Ele sentiu a tristeza dela quando pronunciou a palavra amigos e num impulso que sabia que poderia lhe trazer problemas com sua parceira, a puxou para si e a beijou. Quando se separaram ela sorriu. _ Você não precisava ter feito isso escoteiro mas obrigada. Ela deixou a sala e Mulder aproximou-se de Scully que tinha se virado de costas e a abraçou. Ela virou-se e retribuiu o abraço, sentindo-se protegida pelos braços fortes do homem que amava. Nenhum dos dois falou. Não era preciso. Estavam juntos. E isso bastava. *************************************** O beco estava frio por que o sol não batia naquela rua na lateral do prédio do tribunal. O ruído das algemas sendo retiradas doía em seus ouvidos mas ele terminou a tarefa rapidamente. Krycek virou-se de frente para ele. _ Muito bem Skinner. Felizmente recebeu o recado de meu contato. Com isso você ganha mais algum tempo de vida. O Diretor Assistente rangeu os dentes de raiva. _ Suma da minha frente Krycek antes que eu decida que seria melhor me arriscar só para poupar o mundo da sua presença nojenta. Krycek riu debochado e virou-se caminhando lentamente pelo beco em direção à avenida. Ele segurava o ombro machucado que já havia parado de sangrar e seus passos eram firmes, quase desafiantes. Skinner ouviu a arma sendo engatilhada ao lado de sua cabeça e não se moveu. A voz suave tinha uma entonação raivosa quando falou: _ Eu poderia matar o rato e você também por isso, Skinner. Ele não se moveu. _ Eu já estou morto Claudia. Estou nas mãos daquele crápula e não há nada que possa ser feito. Um dos comparsas dele me contatou assim que vocês puseram os pés no aeroporto com ele. Eu não tive escolha_ a expressão de Skinner era profundamente triste e ele se sentia sujo... Krycek já entrara na rua e desaparecera. Ela desengatilhou a arma e a baixou. Skinner virou-se e olhou-a nos olhos. _ Por que não o impediu? Ela deu de ombros e não respondeu. Algumas coisas não tinham explicação, o passado era uma delas... _ O que vai dizer a seus agentes?_ Claudia mudou o rumo da conversa, mas também tinha o mesmo tom entristecido de Skinner... _ Direi que ele fugiu, não devo satisfações a eles. E você, o que vai dizer às suas amigas? _ Não costumamos mentir. Temos alguns segredos que não podem ser revelados, mas não costumamos nos cobrar por nossas atitudes isoladas. _ Vocês...vão partir? _ Essa noite... Não queremos o FBI nas nossas costas..._ Claudia olhava para Skinner de uma maneira diferente e eles sentiam que tinham de resolver algo que os perturbava desde a conversa que tiveram, antes da viagem ao Canadá... Skinner aproximou-se mais dela e Claudia não recuou, apesar de entender claramente a intenção dele... A tensão entre eles chegou ao nível máximo e finalmente extravasou quando encontraram-se num beijo sôfrego, que calou aquelas duas almas angustiadas, tão parecidas, mas com caminhos contrários...Por alguns instantes ainda, ficaram calados, abraçados, como se assim parassem o mundo e tivessem paz... Então, sem aviso, ela soltou-se dele, virou-lhe as costas e foi embora, caminhando até o outro lado do beco, sem dar a ele a chance de ver que lágrimas se formavam em seus olhos... Skinner ficou lá parado, olhando para o vazio que ela deixara atrás de si e se perguntando se a veria novamente, um dia... ***************************************** AEROPORTO DE WASHINGTON 9:45 PM A mulher baixa e ruiva sorria para a outra à sua frente, satisfeita em saber que todas estavam bem e à salvo. Ela estava feliz por tudo ter dado certo para elas e ainda mais com as notícias que acabara de dar à líder do Azul Celeste. _ Você tem certeza do que está falando Christy? _ Absoluta Claudia. Este é o endereço daquele canalha que quase acabou com vocês junto ao governo Britânico. _ Agradeça à Lu e diga a ela que pode contar com nossa ajuda quando precisar, quando voltarmos para casa. Claudia estava se sentindo bem como há muito tempo não se sentia. Ela abraçou a pequena ruiva e afastou-se em direção às quatro mulheres que observavam atentamente o painel de vôos e conversavam entre si enquanto aguardavam a companheira retornar. Quando Claudia se aproximou elas fizeram silêncio enquanto Clá perguntava ansiosa: _ Então Claudia? Qual era a informação tão importante que ela tinha para nos dar? _ O que vocês achariam de voltarem a morar naqueles desconfortáveis apartamentos com vista para a Fontana Di Trevi em Roma? Quatro pares de olhos incrédulos a encaravam. _ Deixa de piadas Claudia, isso é trabalho da Clá. Sabe muito bem que não podemos voltar. Aquele canalha do Noth acabou com a gente na Europa. _ É verdade Sil mas apenas porque ele sabe que não podemos atingi-lo ou melhor, não podíamos..._ Ela levantou um papel amarelo com algo escrito _ Este é o endereço do miserável. Sil pegou o papel das mãos da amiga e leu espantada. _ Fonte confiável? Ale andava meio desconfiada ultimamente e com razão. _ A Lu Costa do serviço secreto inglês passou a informação para a Christy. Parece que eles não ficaram muito satisfeitos em perder suas melhores colaboradoras... Ela deixou escapar sutilmente que Noth não faria falta se desaparecesse permanentemente... _ Isso é bom demais para ser verdade! Kes estava empolgada! Isso quer dizer que poderemos voltar para casa! _ E voltar à ativa também... os olhos de Clá brilhavam com a expectativa. Claudia ficou séria _ Só voltaremos se todas concordarem, eu não quero tomar esta decisão por vocês. As cinco permaneceram em silêncio por um minuto. Ale foi a primeira a quebrar o silêncio. _ Querem saber? Eu adoro ficar na minha janela olhando os turistas atirarem moedas naquela fonte... estou com saudades de casa... Certo, certo, eu estava odiando aquela vidinha parada lá no México. Mesmo quase tendo perdido a Clá, eu adorei voltar à ativa. _ Eu e a Clá não precisamos falar precisamos? Kes sorria como uma criança esperando um doce. Claudia olhou para Sil que não falou uma palavra. Não era necessário. Quinze anos de amizade era tempo suficiente para Claudia saber o que a amiga pensava. Ela balançou a cabeça e voltou-se para as outras _ Então está decidido. Vamos apagar Chris Noth da face da terra e voltar para casa. Sorrindo as cinco mulheres se dirigiram para os balcões de vendas de passagens conversando animadamente. _ Ei! Que língua eles falam nesse país? _ Português Clá, como em Portugal. _ Será que dá para assistirmos a um show de tango? _ Kes, tango é na Argentina, neste país eles dançam outra coisa. _ Merengue? Sil olhou para Claudia que segurava o riso _ Quando voltarmos para a Itália, estas duas voltam para a escola imediatamente. Todas riram descontraídas menos Ale que já planejava em silêncio como se aproximar do alvo e eliminá-lo rapidamente sem deixar vestígios... FIM AGRADECIMENTOS : Em primeiro lugar, gostaria de agradecer mais uma vez às minhas amigas que emprestam seus nomes para as terroristas. Em segundo lugar agradeço à minha companheira de fic, Alexandra por sonhar em trazer de volta as terroristas em uma nova aventura com nossos queridos Mulder e Scully. Com tantas coisas desagradáveis acontecendo nos bastidores de nosso seriado favorito, escrever sobre os dois da maneira como gostaríamos que fosse na série, é um bálsamo. Foi uma verdadeira aventura escrever esta fic com a Ale. Seu conceito de parceria é bem diferente do que eu estava acostumada mas confesso que adorei escrever com liberdade de invadir os textos dela e mudar o que quisesse. Por este motivo não dá para separarmos nossos trechos. Tem frases minhas inseridas nos diálogos dela e minha companheira half eliminou todos os "eu te amo" que meu instinto shipper não podia deixar de colocar portanto não tentem definir quem escreveu o que porque é impossível até mesmo para nós. Sei que não vamos conseguir agradar a todos os leitores mas se apenas um de vocês gostar, para nós já terá sido um sucesso completo. Finalizando, gostaria de deixar aqui um recado para minha amiga Alexandra Morgilli que me deixou muito feliz quando me promoveu para co-autora de sua Fanfiction : Ale, você é uma pessoa especial que provou muitas vezes ser uma amiga como poucas conseguem ser. Eu gostaria que você soubesse que foi maravilhoso escrever esta fic junto com você. E todos os trechos que escrevi sobre a terrorista Ale (que você sabe quais são), eu os dedico a você Alexandra Morgilli, minha que fã que se tornou minha amiga. Receba todo o carinho desta sua amiga que se tornou sua fã. Beijos, SILVIA Agora vem aquela parte em que a gente joga o charme nos leitores e implora um feedback...Certo, para bons entendedores como vocês, essa imploradinha já basta, né? Quando li "Traição", a maravilhosa fic da Silvia Penhalbel, que criava e trazia para as aventuras de Mulder e Scully essas cinco terroristas, e que, era também uma bonita referência à nossa amizade, fiquei louca para ler uma continuação que as trouxesse de volta! Sugeri e a Sil aceitou me aturar como parceira para escrever essa continuação. Então, deu nisso e espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti escrevendo. Não sei se a parceira se divertiu tanto, porque afinal, alguém tinha de ficar com a parte do trabalho nessa fic, não é, Sil? Ok, sem brincadeiras agora. Foi uma experiência maravilhosa poder dividir o texto com alguém tão inteligente e bem disposta como a Sil, para quem nada é difícil ou chato e cujo entusiasmo e carinho conseguem contagiar até o mais desanimado dos mortais! Valeu amiga! Então, vou conversar um pouco com as amigas que deram vida a essa fic... Doc, fizemos apenas algumas referências ao seu humor, sempre inteligente ( afinal não era uma fic cômica, né?), mas acho que dá para reconhecer você nessa nossa bandida mirim... Kes, não adianta resmungar. Você é a nossa caçulinha sim e tem uma personalidade encantadora... Claudinha, todo mundo que te conhece sabe que você é um doce! Esse lado mal humorado da líder do Azul Celeste foi só para impor respeito... Meninas, na verdade, a parte mais importante e real disso tudo mesmo é a nossa amizade!! ALEXANDRA