As ervilhas extraterrestres By Meggie Feedback: Por favor, para wm3@uol.com.br Sumário: Hoje é Sábado, dia de fazer compras, almoçar com os melhores amigos e discutir coisas sérias Dúvida: Tem alguém aí? aí...aí...aí Disclaimer: São do Chris. Tempo: Antes de Requiem, em algum lugar da sétima temporada. Classificação: Shipper Nota: Comecei a escrever essa história ano passado, em Novembro. Depois de espanar as teias de aranha, conclui que talvez ainda houvesse concerto. O final redigi ontem, com o apoio moral do meu irmão, a quem vocês devem culpar por Ter me inspirado a termina-la. Beijos, Matt. As ervilhas eXtraterrestres As ervilhas extraterrestres. Hummm, olhou para o E.T. desenhado na embalagem. Era simpático, verde-musgo. Tudo bem que não gostava de ervilhas mas não podia perder a chance de adquirir aquelas. O slogan dizia que eram cultivadas por aliens de outra galáxia. Ótimo, desde que não fossem transgênicas, para ele estava ótimo. Além do que, o brinde era uma linda caneca em forma de marciano. Mulder empurrou o carrinho, rumo a seção de bolachas. Fazia tempo que não fazia compras realmente decentes. Aquele sábado, ao entrar em seu apartamento e abrir os armários, percebera que precisava urgentemente de uma visita ao supermercado. A semana que terminava parecia Ter sido a mais tranqüila de sua vida e estranhamente, não sentira vontade de fazer nada anormal no final de semana. Acordara cedo no sábado, fora caminhar, telefonara para Scully para conferir se estava bem e ouvir sua voz. Vira um filme inédito interessante e para completar, para realmente acreditar que podia ter uma vida normal, por um dia ao menos, decidira fazer o almoço. O fato de encontrar o armário vazio não era realmente um problema, havia um supermercado por ali em algum lugar, esperando por ele. Vestiu a camiseta cinza habitual e se dirigiu até o Come's. Brincar de casinha era divertido, reparou. Ficar andando pelos corredores lhe trazia uma sensação boa de que alguma coisa no mundo corria bem. Era limpo e organizado. Fazia com que esquecesse qualquer culpa ou conspiração. Fazia com que se lembrasse de Scully. Os ambientes familiares o faziam se recordar dela sempre, ver os pais dizendo para as crianças devolverem os chocolates, ou os bebês sentados nos carrinhos sendo cuidadosamente vigiados pelas mães, lhe trazia a mente a imagem da parceira. Não sua imagem triste por ter perdido essa chance, mas a esperançosa que lhe dizia que talvez essa oportunidade viesse a ocorrer junto a ele. Sorriu. Ele e Scully fazendo compras e um pentelhinho de olhos azuis que sempre trazia algo inconcebível para ser levado. .., mãe, posso comprar cereal do Ironman?... ...pai, posso pegar sorvete do Mickey?... - Ei, cuidado. Tão absorvido que estava em seus pensamentos, nem percebeu que acabara de sofrer um acidente de transito. Batera o carrinho com o de outra pessoa. - Desculpe, eu não vi. - Mulder, agora você anda me seguindo até no supermercado? Uma voz deliciosamente familiar o fez sorrir antes de olhar para acidentada. Não precisava conferir para saber quem era. - Você pode se meter em alguma confusão, você sempre arranja encrenca quando eu não estou por perto, Scully. Sorriu para ela, largamente. Ela retribuiu o carinho. - Não sabia que você fazia compras, Mulder. Scully sentiu a alma leve com o inusitado encontro, realmente gostando de vê-lo. - Não espalhe por aí, pode acabar com a minha reputação. Emparelharam os carrinhos, seguindo juntos. Como sempre. - Não achei que você estivesse falando sério quando decidiu ter um final de semana comum... - Acho que eu quis provar pra mim que conseguia. - Está se saindo bem? - Parece que sim. E você? - Eu o que? - Está se saindo bem? - Mulder, eu tenho o costume de fazer compras. - Tá, deixa eu ver o que você pegou...Iogurte natural...Scully, já ouviu falar de danoninho? Ela apenas o observava, tentando ficar séria. Falhando terrivelmente. Ele continuou a analise. - Folhas, um monte de folhas... Bolacha integral...margarina light...Meu deus, o que é isso? Não acredito, Scully, tem um ET no seu carrinho...você vai levar uma caixa de chocolates? - É proibido? - Pensei que você tivesse alergia a coisas gostosas... - Tudo bem, Sr. dono de casa, vamos ver o que você pegou... Sementes de girassol, danoninho, ervilhas de outra galáxia... Ela ergueu a sobrancelha. - Desde quando você gosta de ervilhas? - Não gosto. Mas olha que caneca linda. Ela balançou a cabeça, ainda incerta se havia mesmo ouvido aquilo. - Tudo bem, Mulder... Cereal, pilha, macarrão instantâneo, comida congelada... Pensei que você fosse fazer o almoço. - Vou, só não decidi o que ainda...Peraí, deixa eu pegar as bolachas. Ela parou, escolhendo também sua marca predileta de pão integral. - Você já almoçou, Scully? - Não. - Então venha provar meus talentos culinários. - Vai ser divertido ver isso. Continuaram calmamente, sempre discutindo e brincando com as escolhas um do outro. - Tudo bem, Scully, o que você quer comer? - O que você sabe fazer? - Meu cardápio é muito variado...Macarrão, peixe frito < desde que já esteja cortado pra isso> , purê de batatas. - Como você sobreviveu na faculdade? - McDonald's. Ele cozinhava e eu lavava o banheiro. Ela riu. - Você dividia o quarto com um McDonnald's? - No começo sim. O nome dele era Adam. - Tudo bem, vamos comprar o peixe e as batatas. - E a coca cola. - Eu não vou tomar refrigerante. - Scully, você tem que aproveitar as boas coisas da vida. - Olha só quem diz. - Eu não comprei iogurte natural. - Comprou ervilhas marcianas. - Às vezes você é tão cruel. Scully olhou para o amigo, satisfeita com a sua companhia. Não fizera compras com muitas pessoas na vida. Essa aliás, nunca fora uma de suas atividades preferidas, mas com Mulder o fato adquiriu uma conotação diferente. Havia uma cumplicidade suave em andarem lado a lado, conversando calmamente, como velhos companheiros que eram. Também fazia com que conhecesse outra face do homem a quem aprendera a amar e admirar. E teve a impressão de que aquele sábado seria muito bom. Foram direto para o apartamento de Mulder. Estava incrivelmente arrumado para um sábado em que o colega passara a semana anterior inteira em casa. - Estou começando a desconfiar que você não é o Mulder...Deve ser um clone. Eu exijo uma prova antes que leve uma facada na nuca. Ela ameaçou, tentando não sorrir. - Você é péssima jogadora de beisebol. - Isso todo mundo sabe. - Agora você está fazendo a dieta da lua apesar de eu Ter te dito que era besteira. Ao falar, teve a impressão de já Ter dito algo semelhante antes. Scully pareceu ter pensado o mesmo pois franziu a testa. - Esquisito, né? – Comentou, sabendo que ela entenderia. - Mais estranho que o seu colchão d'água. Entraram na cozinha. - Okay, você descasca as batatas. - Mulder, eu sou a visita. Por que tenho que ficar o trabalho mais chato? - Não é chato, além disso eu vou fazer o almoço. - Pode esquecer, nada de batatas. Você descasca as batatas, faz o almoço e eu abro o vinho. - Abrir o vinho? Scully, isso qualquer um pode fazer! - Os homens só fizeram isso por séculos, agora é minha vez. - Feminista. - Fica quieto e vai trabalhar. Eu estou com fome. Ela sentou-se a mesa, colocando bebida para ambos. Ele juntou-se a ela, as cascas das batatas caindo mansamente sobre a madeira. - Deixa eu te ajudar, Mulder. - Pensei que você só fosse abrir o vinho. - Acabei de mudar de idéia, do jeito que as coisas vão só vamos almoçar amanhã de manhã. Sorriu, passando a faca para ela. Scully cheirava bem. Sabonete azul. Desde que descobrira isso gostava de comprar a mesma marca que a dela, fazia com que se sentisse bem, ao dormir sentindo seu perfume, mesmo que nele próprio. - Scully, você sabe a piada do papagaio que tinha um cachorro? - Não e nem tenho certeza que quero ouvir isso. - Relaxa, Scully, vai ser bom para você. Ela lançou-lhe seu melhor olhar desconfiado, arqueou a sobrancelha direita, parando as atividades com a batata. - Nada de piadas- Decretou – Eu quero uma história. - Uma história? - É, vamos Mulder, use a criatividade. Você tem a memória fotográfica, deve se lembrar de milhões delas. - Scully, você vai se arrepender amargamente de ter me pedido isso. - Tudo bem, vou correr o risco. - Você que pediu. - Não enrola, Mulder. E descasque essas batatas mais rápido. - Que horror, mulher, nunca tinha reparado em como você é mandona. - E se eu pedir por favor? - Aí tudo bem. - Ótimo, agora conte. - E o por favor? - Era só uma hipótese, Mulder. Vamos a história logo. - Tudo bem. Sorriram - O Frohike estava apaixonado, sabe. - Isso vai ser engraçado. - E o Byers e o Langly estavam com ciúmes- Mulder se esforçou para não começar a rir antecipadamente. - Eles estavam? - Estavam, roxos de ciúmes do baixinho. Ele não falava de outra coisa, só nela. Ele nem queria mais saber das conspirações governamentais. - Quem era ela? - Uma mulher que ele conheceu numa dessas feiras de computadores. Eles estavam saindo juntos. O nome era Meredith. Ela era bem bonita, nada para o Frohike. Então os garotos estavam bem surpresos que a Meredith pudesse querer alguma coisa com ele. - Quando foi isso? - Ah, um pouco antes de você aparecer... Então os outros dois vieram falar comigo. – Mulder sorriu largamente ao rever a face preocupada dos amigos- Ela é uma espiã governamental, Mulder. Uma alien mutante. Uma viuva negra. Eu disse que eles estavam com inveja do Frohike...Mas não era, era ciúmes mesmo. O mais puro e cristalino. - E o que você fez? - Fui falar com nosso Romeu. Ele estava hilário. Imagina o Frohike apaixonado. Ele estava insuportável. Ah, a Meredith vai adorar isso...Não, vou encontrar a Mere...Mulder, você precisa conhece-la. - Aí você ficou com ciúmes também. – Ela riu - Claro que não, Scully. - Anda. Mulder, confessa. É normal você Ter ciúmes dos amigos. - Você tem ciúmes de mim, Scully? Um alarme vermelho soou dentro da cabeça da mulher. Que espécie de pergunta era aquela? Se ela tinha ciúmes dele? Tá brincando, a lista era interminável. - Claro que não, Mulder. - Mentirosa. - Você estava falando do Frohike. - Você está fugindo do assunto! - Você que está, agora anda, conta a história. - Eu não vou te deixar escapar, Scully, confessa. Ela parou com as batatas, virou a cabeça um pouco para o lado. Afinal, não seria o fim do mundo. Não era como se ele já não soubesse, realmente. Suspirou, vencida. - Eu confesso. Ele abriu o maior dos sorrisos, e Scully achou que quase valia a pena a confissão, só para ver aquele rosto tão querido se iluminar. - Não precisava, você sabe. - Não precisava confessar? Você me fez dizer a toa? - Não, não precisava ficar com ciúmes. Você sabe que é meu speed dial numero 1, Scully. E o 2 também, só para constar. Uma mulher de cabelos castanhos veio imediatamente a cabeça da agente. Uma que fez com que seu parceiro quase desistisse da luta e depois o salvou no final. Uma que o fazia duvidar de seus melhores amigos. Uma que Scully tinha todo o direito de sentir ciúmes, não de Mulder como o homem, em si, mas de seu companheiro que era. Sorriu, um de seus sorrisos tristes. - Não precisa mentir para me fazer sentir melhor. Mulder franziu as sobrancelhas, até que juntassem. - Não estou mentindo. - Tudo bem, Mulder, termine a história sobre o Frohike. - Não, você não está acreditando. Você é minha melhor amiga. É tudo que eu tenho, tudo que eu conquistei de bom nos últimos sete anos. Não importa o que você pense, ou o que tenha parecido na época, ninguém, Scully...Ei, olha para mim... Ninguém é mais importante do que você. Os olhos dela ainda tinham tantas duvidas que Mulder se perguntou pela milésima vez o que havia feito de errado para que ela não acreditasse. Será que o episódio com Diana havia sido tão comprometedor assim? E os olhos azuis na sua frente lhe contaram a resposta. Muito mais do que imaginava. Precisava corrigir aquilo. - Ela era muito simpática. - Quem? - Meredith. - Ah. – E Scully sorriu levemente, tentando se concentrar novamente na história, voltar ao clima de companheirismo que haviam instalado antes 'daquele' assunto vir a tona. - E logo ela se mudou para o QG. - Eles deixaram ela se mudar para lá? - Sob protestos. O Langly e o Byers fizeram uma intensa pesquisa e concluíram o pior: ela estava limpa. Não era uma espiã governamental, nem uma alien, ela nem mesmo tinha uma multa de transito. E o melhor, na opinião do Frohike, era tão boa em um computador quanto qualquer um deles. Era de desconfiar, Scully, a garota era perfeita. - Se ela era tão perfeita, porque não a conheci, porque quando 'apareci' Meredith não estava mais com eles? - Justamente por isso, ela era perfeita demais. Pense bem, Scully, o que uma garota desse nível iria fazer naquele antro que os Pistoleiros Solitários chamam de Quartel General? Depois de um mês, todo mundo já estava ficando louco. Era irritante. Principalmente o Frohike, ele estava parecendo um ursinho Teddy. Completamente inútil como um Pistoleiro. - E então? - Então ele recebeu um ultimatum... Ou ela ou nós. Ele tentou sabe, a Meredith foi muito compreensiva, ela se mudou do QG e eles ainda se viam, mas não era mais a mesma coisa. Até que um dia ela se mudou para Atlanta e foi o fim. Eles ainda se falam às vezes. Ela tem dois filhinhos, e se casou. Um deles se chama Melvin, coitado. Scully sorriu. - O Byers e o Langly ficaram amigos dela depois que Meredith se mudou. Ela assina o jornal que o trio faz e é uma das melhores pessoas que eu conheci. Uns seis meses depois que ela partiu o Frohike arrumou um novo amor. Uma ruiva, sabe. Essa ele não superou até hoje, mas eles se dão bem. Só que ela já tem dono, sabe. - Ela já tem dono? - Bom, pelo menos o Frohike pensa que tem, então não tem perigo. Ele tem respeito pelo território alheio. - Mulder...Eu não acredito que você acabou de dizer isso. O canto de sua boca subiu até as orelhas, enquanto ele dava-lhe as costas - Terminamos com as batatas. Um cheiro bom e pouco comum saia do apartamento 42. Dentro, dois adultos e responsáveis agentes do FBI comiam, sentados no chão, as costas apoiadas no sofá. A televisão estava ligada em um filme antigo, com Frank Sinatra. - Scully, você quer minhas ervilhas? - Mulder, se você não gosta, porque colocou? - Elas estavam disfarçadas de batatas, sabe que são eXtra terrestres. Ela enfiou o garfo no outro prato para retirar as pequenas bolinhas verdes. - O vinho está do seu lado. – Ela comentou. - Já acabou. - Tomamos uma garrafa inteira? - Acho que sim. - Não é a toa que estou me sentindo tonta. - Você está bêbada, Scully. - Não estou. - Sei. Pausa. - Você não pode saber, nunca me viu bêbada. - Tem coisas que você não precisa ter visto para saber. - Certo, Spooky. - Então admite que está bêbada? - Eu não vou admitir mais nada para você hoje, Mulder, que isso só me trouxe confusão. - Confusão? Por que confessar o obvio traria confusão? - Me conte você, Mulder. - Não, eu perguntei primeiro. Por que negar algo que está claro para todos? Por que ela tinha a impressão de que não estavam falando de seu estado de embriagues? - Se está obvio porque precisa ser confessado? - Seria bom ouvir você concordando comigo uma vez ou outra. - Foi por isso? Mulder franziu o cenho, perdido. - Foi por isso o que? - Foi por isso que você ficou do lado dela e não do meu? Por que ela sempre concordava com você? Finalmente, a pergunta. O assunto. O inevitável de que por tanto tempo eles tentaram fugir, mesmo sabendo da inutilidade de seus subterfúgios. - Claro que não, Scully. Ela parou de comer, como se de repente as batatas houvessem perdido todo sabor. E talvez houvessem. Talvez elas fossem insípidas e insossas como sua alma agora. - Por que então? Como haveria ele de se explicar? Como lhe dizer que não ficara do lado de Diana? Simplesmente não haviam lados, só o lado dela. Ele não precisava escolher, pois já havia escolhido a verdade há muito tempo, e a verdade estava com Scully. Ele só estava confuso. Ele apenas a amava demais e então Diana apareceu para lhe mostrar que sobrevivera ao passado. Sobrevivera a perda de Diana, como duvidava que sobreviveria a de Scully. Para lhe mostrar que houve uma vida antes de sua parceira. Uma vida boa. Só que passara e ele não trocaria a que tinha agora por aquela. Ele havia lhe explicado mas Scully não entendera. Ela era sua amiga e lhe mostrara a verdade. Mesmo quando seu mundo estava irreconhecível e ele não sabia no que se agarrar. Porque ela era sua constante. Sua vida. Porque sem ela não havia como continuar. Mas ela ainda não compreendia e Mulder soube que precisava explicar-lhe. Explicar-lhe com muito cuidado, pois aquela poderia ser a ultima chance que teria. - Ela era linda, sabe. E inteligente, sofisticada, bem-humorada, cínica. Ela se parecia tanto comigo. Tinha ambição e orgulho. E me ajudou a encontrar os Arquivo X. Depois eu descobri que ela tinha razões ocultas para fazer isso, mas não é o ponto agora. Na época, ela parecia perfeita. Ela não pedia mais do que eu podia dar. Mais amor. Mais estabilidade. Mais tempo. Éramos bons juntos. Eu confiava nela. Antes, eu confiava mais nas pessoas. Não muito, mas mais do que atualmente. Quando ela foi embora, eu não queria que fosse mas também não pedi para que ficasse. Eu não fui atras dela e lhe disse que sem ela eu não saberia como continuar. Eu não fiquei desesperado e lhe disse que ficaria perdido se ela me deixasse. Eu não lhe disse porque não era verdade. Mulder tinha os olhos fixos no prato vazio, uma expressão determinada e ligeiramente assustada que apenas Scully notaria. Suas mãos tremulas e frias tinhas os nós dos dedos brancos e nervosos, enquanto seguravam seus próprios joelhos. Continuou. - Quando ela voltou, eu fiquei feliz porque percebi que era passado. Eu queria mostrar para Diana que estava bem sem ela. Queria lhe mostrar que estava feliz com o que eu e você construímos. Eu não queria pensar que ela era minha inimiga. Que eu havia sido enganado. Não agora que eu estava finalmente a frente dela. Eu sei que fui idiota, mas nunca quis que você se sentisse mal. Scully. Ele forçou os olhos azuis a olharem para os seus. - Eu não quis dizer as besteiras que disse, mas se serve de desculpa, aqueles foram tempos tão confusos. Tão estúpidos e tudo estava acontecendo ao mesmo tempo. Eu só... queria que você entendesse. Seus olhos verdes ardiam. Os dela pareciam grandes e medrosos. Tão azuis e molhados. Tão lindos e compreensivos. Ela sempre o perdoaria e aquilo o assustava, pois ele a magoaria sempre, e culparia-se, eterno cretino e egoísta que era. Mãos frescas e suaves tocaram seus rosto, apagando as lagrimas, que, estúpidas, caiam sem serem convidadas. Em que ponto de sua vida perdera o orgulho? Mulder não tinha respostas. Os olhos dela não choravam, mas lhe assobiavam segredos doces... Eu entendo...Eu perdôo... Eu sinto tanto ...Eu te amo. Ele sabia. Ele sempre soube. Mas ela estava ali tão perto, agora, e seus lábios pareciam chama-lo, talvez estivessem mesmo. Dizendo algo sobre ser tempo, finalmente. Percebeu o barulho de algo de vidro ir parar no chão, rachando-se, mas sem se quebrar, como seus espíritos. E as mãos dela foram para seus cabelos e de repente, oh Deus, de repente ela estava no seu colo, abraçando-o como a um filho, como a um amante, como a um amigo. Scully sentia-se leve e liberta, como se o mundo agora fosse mais claro, como jamais havia sido. Sentiu as mãos de seu parceira infiltrarem-se por debaixo de sua camisa e tocar suas costas. Ele a apertava, como se apenas com a sua pele, com o contato com o seu corpo conseguisse passar-lhe toda a sua dor, a sua confusão, as suas desculpas, o seu amor. E ela soube que ele podia. Que ele podia curar-lhe. Podia faze-la melhor. Mulder não acreditou quando seus lábios se tocaram num beijo tão terno. Como um beijo primeiro. E seu coração ficou gelado e parecia queimar-se, num paradoxo apenas seu. Mantiveram-se assim por segundos infinitos. Apenas seus lábios semi abertos e suas respirações, até que o dia abriu-se em luz e tudo voltou a mover-se. Os dedos masculinos aprofundaram-se em sua carne, e Scully chegou inacreditavelmente ainda mais perto. E quando seus línguas se tocaram, ele sentiu gosto de ervilhas. Ervilhas extraterrestres. Mulder soube que não havia nada melhor no mundo do que aquelas ervilhas. E o mundo estava melhor. Talvez mais tarde até conseguisse se expressar com mais cuidado, lhe dizer tudo que ficara preso em sua garganta. Mas agora só queria sentir o gosto daquelas ervilhas mais uma vez. Finito