Fanfic 2 10/05/00 Título: A Resposta e a Verdade Autora: Athena (D.Scully) Email: dana_kathy_scully@yahoo.com Nota: Arquivo X e seus personagens pertencem a Fox Network e 1013 Productions, sendo uma criação de Chris Carter. Matrix e seus personagens pertencem a Warner Bros. Sinopse: Crossover entre Arquivo X e Matrix. Spoilers: Dreamland, Three of a Kind, Kill Switch, Tithonus. A RESPOSTA E A VERDADE 2000 O telefone toca. "Mulder", atende o agente especial Fox Mulder, com voz de sono. "Mulder, é o Langly. Estava dormindo?". "Tava... porque?". "Acho melhor você vir para cá agora. Descobrimos uma coisa que você vai adorar". Mulder sabia que seus amigos, os Pistoleiros Solitários, não costumavam brincar com coisas sérias, e que o assunto deveria realmente ser importante, para Langly ter ligado naquela hora. Eram 3:30 da madrugada. "Estou indo", respondeu Mulder, desligando o telefone e levantando do sofá. 4:00am Bateram na porta do escritório dos Pistoleiros Solitários. "É ele", disse Byers. "Pode deixar que eu atendo", falou Susanne Modeski. Ela abriu a porta e Mulder entrou, como um furacão. "O que é de tão importante para vocês me ligarem a esta hora?", disse Mulder, que parecia estar nervoso, mas na verdade era preocupação. "Dê uma olhada nisso", disse Langly, mostrando a ele a tela do computador. Mulder caminhou em direção a ele, mas só o que viu foi uma série alfa numérica na tela. "O que é isso?". "Ainda não temos muita certeza, mas eu descobri esse programa enquanto passeava pelos computadores militares", disse Langly. "Você conseguiu quebrar a segurança dos computadores militares?". Mulder estava atônito. "Isso foi moleza!", disse Langly, com um certo orgulho. "Mas o que interessa é que essa central de computadores está na Área 51, Mulder", disse Susanne. "Como é que é?". "Nunca subestime a inteligência de um hacker", falou Langly. "E o que são esses números e letras?". "Ainda não sabemos direito, mas parece que tem a ver com tecnologia alienígena. A Susanne tem contatos lá; um cara chamado Morris Fletcher. Ele diz que essa tecnologia foi usada para construir um programa de computador invencível, que vai monitorar as naves alienígenas, quando estas invadirem a Terra". "E esse cara é confiável?", perguntou Mulder. "Ninguém na Área 51 é confiável", disse Susanne. "Mas nós temos um bom relacionamento e ele acha que eu estou do lado deles. Além disso, quando ele me contou, estava tão bêbado que diria qualquer coisa que eu perguntasse". "Nós estamos tentando decodificar esse programa, mas parece que vai levar algum tempo". "E se eles tiverem rastreado? Tem certeza de que não há como você ser descoberto?". "Certeza, eu não tenho, mas eu duvido que eles sejam capazes de descobrir". Nesse momento, todos ouvem um ruído vindo de fora. Depois, o silêncio. Eles olham para a tela de TV que mostra as imagens recebidas da câmera de vídeo instalada na porta. Não há nada de estranho. Todos permanecem parados, tentando fazer o mínimo de barulho possível. De repente, o computador começa a imprimir algo. Langly achou que era a parte dos códigos que estava decodificada. A atenção de todos volta-se para a máquina. Langly pega o papel e o entrega a Mulder. Ao ler o que está escrito, Mulder arregala os olhos. Vários pensamentos vêm à sua mente, mas ele não tem tempo de falar nada. Neste momento, vários homens invadem o local. Eles estão segurando armas e começam a metralhar todos os que estavam lá. Mulder se abaixa, tentando se proteger da chuva de balas e se esconde atrás da mesa do computador. Ele está sentindo uma dor insuportável, mas não sabe aonde. Parece que todo o seu corpo está doendo. Ele percebe que uma mancha de sangue está se formando no chão. Seu sangue. Fora atingido nos pulmões. Ele dá uma olhada ao redor e vê o corpo de Byers caído. Provavelmente já estava morto. Mulder começa a sentir falta de ar. Ele dobra o papel decodificado e o guarda no bolso esquerdo de sua jaqueta. Os tiros pararam. Não havia nenhum som no ambiente. Mulder olha ao redor para ver se já pode sair, mas não tem forças. Um homem, vestido de terno preto e com uns óculos escuros - mesmo sendo noite – caminha em sua direção. E pára ao seu lado. Havia sangue saindo da boca de Mulder. Ele já não tinha forças para lutar. Nem queria. A única coisa que ele desejava era estar ao lado de sua parceira, a agente especial Dana Scully. O homem dá uma olhada nele. "Vocês seres humanos nunca aprendem uma lição", diz. "Vocês criam seus monstros apenas para serem sacrificados por eles depois. É assim mesmo: a criatura acaba matando o criador". Ele pega a sua arma e dá um tiro no peito de Mulder. 5:13am "Agente especial Dana Scully", diz uma voz feminina ao guarda que isolava a cena do crime, enquanto mostrava sua insígnia. Skinner a viu chegando e foi em sua direção. "Agente Scully, você não deveria ter vindo". "Senhor, ele era meu parceiro e único amigo", disse ela, sem conseguir disfarçar as lágrimas que lhe caíam do rosto. "Eu tenho que saber o que aconteceu!". "Acho melhor você não entrar lá". "Não, eu... eu vou". Ela abaixou a cabeça, tentando se controlar. "E os outros? Quantos morreram?". "Cinco. Além dele, também morreram Frohike, Byers, Langly e Susanne Modeski. Acho que você os conhecia. Eram todos amigos de Mulder". "É, eu os conhecia", disse ela. "Agora, eu vou lá". "Eu te acompanho". Os dois entraram. Scully olhou para o corpo de seu parceiro. Ela fechou os olhos e desejou que isso fosse apenas um pesadelo. Ao abri-los, viu que ele estava com uma aparência tranqüila: a aparência dos que finalmente descansam com a morte. Ela notou um pequeno papel saindo do bolso de sua jaqueta. Olhou ao redor e quando ninguém estava vendo, pegou o papel e guardou no bolso de seu sobretudo. Nessa hora, Skinner parou em pé, atrás dela. "Os corpos vão para o necrotério, para serem necropsiados". "Senhor, eu gostaria de realizar essas necropsias". "Tem certeza? Eu não acho que você esteja em condições. Acho que deveria tirar o dia de folga". "Mas eu quero descobrir o que o matou". "Acho que isso está bastante óbvio. Quando o relatório das necropsias estiver pronto, eu mesmo irei ao seu apartamento te entregar". "Não precisa. Eu vou trabalhar hoje". "Porque?". "Se eu ficar parada, eu vou enlouquecer. Preciso saber quem fez isso com Mulder". "Tudo bem. Mas eu sugiro que você volte para casa, tente dormir, e só vá ao FBI mais tarde". Scully saiu do local. Ela entrou no carro e chegou a dar partida, mas desligou. Não sabia para onde ir. Estava perdida sem Mulder. Só agora percebia o quanto dependia dele. Ela resolveu seguir o conselho de Skinner e foi para casa. Aquele dia prometia ser o mais longo da vida dela. 10:00am Scully chegou ao FBI e foi direto para o escritório de Skinner. Ela detestava a idéia de ter de entrar naquele porão e não achar Mulder. "Agente Scully, não esperava te encontrar aqui pela manhã. Como está?". "Senhor, eu queria saber se as necropsias já foram realizadas". "A do agente Mulder já, mas as outras estão faltando o resultado do exame toxicológico. Pelo que eu vi, não acharam nada de anormal. Eles aparentemente foram vítimas de uma chacina". Scully pegou o relatório e começou a ler. Ao terminar, ela disse: "Mas senhor, não vejo motivo para mata-los". "Agente Scully, pelo que eu sabia, um deles era hacker, e parece que ele tinha acabado de invadir um computador militar. Isso eu soube por fontes extra-oficiais". "Mulder não devia estar lá...". "Eu sei como se sente". "Quando vai ser o funeral? Já avisaram a mãe dele?". "Já. O funeral vai ser hoje, pela tarde". 6:00pm Muita gente compareceu ao enterro de Fox Mulder. Scully não sabia que ele era tão bem relacionado. 'Quantas outras coisas dele eu não sei e nunca vou saber...', pensou ela. "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum...". Scully não prestava atenção ao que o padre falava. Ela não conseguia pensar em nada. Sua cabeça rodava como um montanha russa. Estava com uma enxaqueca terrível. Ainda não tinha aceitado o fato de ter perdido Mulder. Quando tudo terminou, todos partiram calmamente, mas ela ainda ficou lá, em pé, olhando para a cova ainda aberta. Sua mãe, Margaret, aproximou-se dela e a abraçou. Ela começou a chorar. Neste momento, Teena Mulder chegou para falar com Dana. "Eu vou para o carro, Dana, espero você lá", disse Margaret. "Senhora Mulder, eu sinto muito, e...". Dana respirou fundo. Não tinha palavras para dizer o quanto ela sentia. "Eu sei que você era a razão da vida do meu filho, Scully. E acho que ele também representava muito para você. Mas agora que está tudo acabado, eu quero te pedir uma coisa. Quando Fox começou essa jornada, ele estava a procura de Samantha... esse caminho só teve uma coisa de boa: você. O final dele, nós estamos vendo agora aonde foi", e ela apontou para a cova aberta. "Eu não quero que você acabe do mesmo jeito, Dana. Você é jovem, tem uma vida inteira pela frente. Não abrace uma causa que não é sua. Fox não conseguiu alcançar seus objetivos porque ele estava comprando uma briga muito cara com pessoas que não estavam dispostas a perder. E se você for esperta, não vai seguir os passos dele". "Senhora Mulder, essa jornada há muito tempo já se tornou minha. O que eu vivi nesses anos de convivência com Mulder, depois de tudo o que eu passei...". Ela olhou para o horizonte. O sol estava se pondo, deixando o céu com uma cor lilás e vermelha. Scully lembrou o que Mulder uma vez disse a ela: aquela cor o fazia lembrar da morte, tanto no crepúsculo quanto na aurora. Ela estava tentando ser forte, mas os olhos dela a traíram e ela começou a chorar novamente. "Acho que eu mereço uma resposta para as várias perguntas que me perseguem. E agora então, eu não vou sossegar enquanto não saber porque Mulder morreu. Ele merece isso". "Bom, faça como você quiser. E venha me visitar de vez em quando. Você me faz lembrar dele". "Tudo bem", disse Scully, se despedindo de dela. Teena se afastou, mas Scully continuou lá, pensando nas palavras que tinha acabado de ouvir. Ela nem viu o Canceroso se aproximar. "É uma pena que ele tenha morrido", disse ele, tirando Scully de seus pensamentos. Ela assustou-se. "O que é que você está fazendo aqui? Como é que se atreve?". "Você acha que fui eu? Está enganada, mocinha. O que matou Mulder é mais poderoso que qualquer organização, conspiração, governo... é algo com o qual nós não podemos lutar. Porque senão acabaremos como o seu amigo". "Como é que você sabe disso? Acha que eu vou acreditar em você?". "Eu não espero que acredite. Nem quero. Mas agora que Mulder se foi, eu sugiro que você escolha com sapiência o caminho que vai seguir... pode ser que acabe como ele". "Suas ameaças não me intimidam". "Isso não é uma ameaça. É um conselho", disse o Canceroso, indo embora. Os dias que se seguiram foram estressantes. Scully chegava ao FBI e ficava desorientada. Ela pensou em desistir, em seguir o que a mãe de Mulder e o Canceroso falaram, mas ela não podia simplesmente abandonar os Arquivos X e ignorar os oito anos que passou ao lado de Mulder. Dez dias depois da morte de Mulder, Scully foi chamada para se apresentar ao comitê do FBI. "Queira sentar-se, agente Scully", disse a diretora assistente Jana Cassidy. "Nós convocamos essa reunião porque tomamos uma decisão importante. Você foi designada para trabalhar nos Arquivos X para atestar a validade científica do trabalho do agente Mulder. Mas agora, nós não vemos motivo para você continuar". "A senhora está dizendo que eu não vou mais fazer parte dos Arquivos X?". "Não, agente Scully, o que nós queremos dizer é que os Arquivos X serão fechados. E desta vez é para sempre". Scully saiu da sala furiosa, e foi direto para a sala de Skinner, espera-lo. Ele não tardou a chegar. "Senhor, você não pode fechar o Arquivo X!". "Não sou eu, agente Scully. As ordens são dos meus superiores". "Mas, sem os Arquivos X, vai ser difícil descobrir porque Mulder morreu!". "A morte dele não é um arquivo X". "Como não? Será que o senhor não percebe? Eles quiseram calar Mulder pelo que ele sabia! E eu tenho motivos para acreditar que vão fazer o mesmo comigo, se eu continuar a jornada dele". "Porque diz isso?". "Aquele cara, o Canceroso, conversou comigo durante o funeral de Mulder. Ele disse para eu me afastar dos Arquivos X". Skinner ficou pensativo. Tinha medo do que podia acontecer com Scully. "Se ele disse isso, é melhor você seguir. Aquele cara sabe mais do que você imagina. Ele pode estar te ameaçando. Agora, mais do que nunca, eu acho que você tem que ficar fora dos Arquivos X. Para o seu próprio bem". "Se o senhor acha que com isso vai conseguir que eu desista da investigação da morte de Mulder, está enganado. Eu devo isso a ele", disse ela, levantando-se para ir embora. "Agente Scully", falou Skinner. Ela parou, mas não se deu ao trabalho de virar-se. "Eu sabia que essa seria a sua decisão. Só posso dizer uma coisa: tome cuidado". Ela saiu. Tirou o resto do dia de folga. Ao chegar no carro, ela colocou a mão no bolso de seu sobretudo à procura da chave, mas o que ela tirou de lá foi um papel. Ela olhou para ele e recordou-se de onde ele viera: da jaqueta de Mulder. Metade do papel estava manchada de sangue. Ela tinha esquecido dele. Ela entrou no carro e com cuidado, abriu o papel. Estava escrito: COMO NA ESTÓRIA DE VICTOR FRANKSTEIN, A CRIATURA SEMPRE MATA O CRIADOR. AGORA CHEGOU A VEZ DA RAÇA HUMANA. E A SUA M----- A última parte estava ilegível por causa do sangue. Scully voltou para casa, atordoada com essa charada. O tempo passou. Nos meses seguintes, a minha vida aos poucos se transformou na vida do meu parceiro. Eu estava determinada a encontrar um motivo coerente para a sua morte, mas as minhas investigações pouco ajudaram a colocar uma luz no que agora era apenas escuridão. Quanto mais eu procurava, menos explicações achava. A minha mente transformou-se em um redemoinho de perguntas. E eu queria respostas... talvez elas me levassem à Verdade. Uma jornada que começou há oito anos, e da qual eu não fazia parte, hoje é a razão do meu viver. Mulder merece isso. Ele me pede respostas. Mas quanto mais eu as procurava, mais perguntas surgiam. Talvez tudo o que eu precisava era ser um pouco mais crédula. Igual ao Mulder. Apesar dele sempre ter dito que a minha ciência o ajudou na sua busca, se ele alguma vez esteve perto da Verdade, foi graças à sua crença... e é isso que me falta. Acreditar. Em tudo o que ele acreditava. Mas é difícil. Eu sei que já passei por situações as quais a minha ciência não explica, mas acreditar envolve muita coisa... os ensinamentos de meu pai, um oficial da Marinha... a minha formação em Física e Medicina... a minha fé como católica... eu teria que deixar tudo isso para trás, a fim de acreditar em homenzinhos verdes e conspirações governamentais. Essa busca de Mulder me trouxe perdas irreparáveis, como a morte de minha irmã Melissa e a minha esterilidade. Como explicar tudo o que eu passei, incluindo a minha suposta abdução? Não sei. A resposta mais plausível era a de Mulder. Ele sempre me ajudou, até o final. Ele deu um sentido à minha vida. Não sei se era amor o que eu sentia por ele. Acho que era mais que isso. Algo que nem a sua morte apagou. E é por isso que eu fui atrás dos seus assassinos. Eu não tenho as respostas que procurei. Elas estavam além do meu alcance. Só agora percebo que o único homem que poderia nos salvar do que aconteceu era Mulder... ele acreditava. E sua crença o levaria à Verdade. Mas ele tinha que morrer... Num mundo tão louco e imprevisível, Mulder foi o único homem lúcido o suficiente para enxergar o que estava por acontecer... isso o custou a vida do pai, o sumiço da irmã, o apelido de "Estranho", e finalmente, sua própria vida. Mas o que aconteceu depois de sua morte, acho que nem ele adivinharia. O caos. A invasão que Mulder tanto acreditava finalmente aconteceu. De repente, o dia virou noite e os humanos, escravos. Os alienígenas, com a ajuda do Sindicato, invadiram a Terra e transformaram a raça humana em bichos operários. Mas este não foi o fim. Houve outra invasão. Esta foi silenciosa e arruinou os planos dos alienígenas. Ela veio dos computadores. Uma inteligência artificial perfeita foi construída pela mão humana com tecnologia alienígena. A raça humana ainda tentou reagir, mas não havia como ganharmos essa batalha, uma vez que nossas forças estavam quase esgotadas por causa da luta contra os alienígenas. E desta vez, cada ser vivo que se encontrava no planeta Terra em outubro do ano 2000, foi escravizado e transformado em bateria. É claro que naquela época eu ainda não sabia disso. Essa Verdade veio a mim de forma inesperada, 199 anos depois. Foram necessários quase dois séculos para eu me tornar crédula. Em 2000, eu, mais cerca de seis bilhões de seres humanos, fomos colocados em casulos para vivermos na mais completa dependência de uma máquina. A criatura domina a criador. Um programa de computador tomou conta da situação, enquanto seus criadores brigavam entre si, os humanos pela liberdade e os alienígenas, pela Terra. Neste jogo, quem ganhou foi a Matrix. ANO 2199 "Neo, Trinity, preciso de vocês aqui. Eu tenho um plano". Morpheus tinha feito uma descoberta e precisava armar um plano para acabar com o domínio de 200 anos da Matrix. E ele precisava da ajuda dos seus dois amigos. Eles não demoraram de chegar. "O que foi agora, Morpheus?", perguntou Neo. "Eu tenho um plano que, se der certo, pode ser a nossa salvação". "E qual é?". "Preparem-se para uma história surpreendente. Eu descobri que um homem quase desvendou os códigos da Matrix, no ano de 2000. Mas ele foi morto antes que conseguisse decodificar tudo. Eu investiguei a vida dele e descobri coisas interessantes. O nome dele era Fox Mulder, e ele era agente do FBI. Investigava casos estranhos, junto com a sua parceira, inclusive tinha uma predileção por alienígenas. Ele tinha certeza que havia uma conspiração governamental para auxiliar na invasão dos aliens. E ele estava certo". "Como vocês sabem, a Matrix é uma criação humana, mas foi utilizada tecnologia alienígena para construí-la. Esse Mulder estava a um passo de descobrir isso, mas a Matrix enviou seus agentes e eles o mataram, junto com mais quatro amigos, antes deles decodificarem tudo. A parceira dele, agente Dana Scully, não morreu. Na verdade, ela vive até hoje, em um casulo". "Até hoje? Desde 2000?", perguntou Neo. "E qual é o plano agora?", perguntou Trinity. "Tank e eu descobrimos uma forma de viajar no tempo. Vocês voltariam ao ano 2000 e ajudariam Mulder a decifrar os códigos. Trariam-nos para cá, para que eu pudesse fazer um vírus que exterminasse a Matrix antes que ela tomasse conta de tudo. Então, de volta a 2000, vocês colocariam esse programa no sistema central dela e...". "Quando você fala desse jeito, tudo parece ser tão simples", disse Neo. "Mas é uma ótima idéia. Como vamos fazer isso?". "Primeiro vocês têm que saber de uma coisa: se tudo der certo, vocês não irão mais existir. Nem eu". "Tudo bem. Viver em um mundo desses não faz sentido mesmo". "Então, o meu plano é o seguinte". Ele contou tudo detalhadamente para os dois. Eles não tinham tempo a perder. O primeiro passo dado foi tirar Scully do sono de 200 anos. Ao contrário dos outros, ela não estava no mundo virtual da Matrix, uma vez que era totalmente humana. Só os humanos "cultivados", nascidos sob o domínio da Matrix, podiam estar no mundo virtual. Eles tiveram que procurá-la no meio de milhões de casulos. Enfim, eles a acharam e a tiraram de lá. Quando Scully abriu os olhos, ela ficou completamente desorientada. Quem eram aqueles que a rodeavam? Porque ela se sentia tão fraca? Ela queria falar, mas não conseguia. Foram necessários várias semanas para que ela voltasse ao normal. O segundo passo, e mais difícil, foi convencer a céptica Scully da realidade da Matrix. Ela achava que ainda estava em 1999, com Mulder vivo, ao seu lado. "Não é possível", disse ela, depois que Morpheus lhe explicou tudo. "Como é que eu não morri?". "Ainda não sabemos", respondeu Trinity. "Em geral, um ser humano dura cerca de 50 anos num casulo. Mas você parecia ter uma energia infinita. Deve ser por isso que a Matrix a poupou da morte". "Pode ser que você já tenha nascido com essa predisposição, ou que a tenha adquirido enquanto vivia, ou trabalhava nos Arquivos X. Você foi exposta a muita coisa, substâncias, vírus... Qualquer uma delas pode ter afetado o seu metabolismo. Mas isso não importa agora", falou Morpheus. Scully olhou para ele. Lembrou-se de Alfred Fellig e do que ele tinha dito sobre viver eternamente. Ela ainda estava atônita com tanta novidade. "O que importa, então?". "Qual a última lembrança que você tem do ano de 2000?". Scully pensou um pouco. De repente, tudo lhe veio à cabeça, a morte de Mulder, o fechamento dos Arquivos X, e finalmente, a invasão. "Quer dizer que Mulder está morto?". "É", disse Neo. "Ele é a única pessoa que pode nos ajudar agora". "Como se ele está morto?". "Nós vamos voltar ao tempo". "Um momento", disse Scully, cada vez mais incrédula ao que ouvia. "Aceitar que um computador tomou conta do mundo tudo bem, mas viagem ao tempo? Isso é impossível! Tempo não é algo que tenha corpo, espaço. Nós não podemos simplesmente ir a um lugar que não existe!". "Foi difícil para você acreditar no que aconteceu ao mundo depois da invasão da Matrix?", perguntou Morpheus. "Não". "E porque?". "Por que eu tive provas. Eu vi com meus próprios olhos". "Então, você terá provas sobre a viagem ao tempo. O que vocês farão ao chegar lá é o seguinte...". Morpheus explicou todo o seu plano aos três. Scully ainda não acreditava em viagens no tempo, mas queria pagar para ver. Ela achava que aqueles três eram loucos, mas o que ela presenciou fazia com que acreditasse neles. Ela, Neo e Trinity viajaram no tempo por uma fenda no espaço aberta em algum lugar de Zion. 2000 Eles chegaram no ano de 2000 e no início estavam meio desorientados, mas não tinham tempo a perder. A primeira coisa que tinham que fazer era seqüestrar a atual Scully. A que estava com eles sabia que ela costumava chegar em casa por volta das 19:30h. Eles entraram na casa dela e ficaram lá, esperando que ela chegasse. Tudo ia ser muito simples. Enquanto Neo explicava como eles iam agir, Scully olhava ao redor do que uma vez fora seu lar. Várias lembranças vieram à tona: a morte de Mulder, a invasão alienígena, ela sendo capturada pelas sentinelas da Matrix... inevitavelmente, ela lembrou-se de seu parceiro. Ele sempre fora tão crédulo, e por causa disso, era o único que podia salvar o mundo. Ela riu. Nunca imaginara ele como um herói. Nem podia, afinal, ela sempre achava que ele estava errado... A voz de Neo a fez despertar para a realidade. Ele a estava chamando. "Scully, já são 7:30. Ela deve estar chegando. É melhor nós nos escondermos. Você não aparece enquanto nós não te chamarmos, tá certo? Ela balançou a cabeça, afirmando. Por um momento, ela se deu conta de que iria se encontrar com ela mesma! Aquilo era muita ficção científica, mas para sua surpresa, ela acreditava. Eles se esconderam no banheiro. Ouviram a porta sendo aberta e passos pela casa. Scully colocou as correspondências na mesa da sala e foi checar as mensagens da secretária eletrônica. De onde ela estava, a outra Scully podia vê-la. Ela abriu um pouco a porta do banheiro e a viu. Quase não acreditou. Fechou a porta, encostou na parede. Parecia ter falta de ar, mas na verdade ela estava se recuperando do susto, pois, mesmo acreditando, no fundo ela ainda duvidava. Ficou com receio de aparecer na frente dela. Não conseguia imaginar qual seria sua reação. Scully terminou de ouvir as mensagens e caminhou até o quarto. Depois que ela passou pelo banheiro, Neo e Trinity saíram e a agarraram por trás. Ela pensou que era um assalto. A outra Scully já os tinha prevenido que ela era lutava karatê e sua reação não fora uma surpresa: ela tentou acertar Trinity na barriga, mas esta desviou, enquanto Neo segurava Scully pelos braços. Trinity pegou uma fita adesiva isolante e colocou na boca de Scully, como uma amordaça. Depois de algum tempo, os dois finalmente conseguiram amarrá-la a uma cadeira. "Calma, não vamos machucá-la. Estamos aqui para ajudar", disse Neo. Scully lutava para se livrar das cordas. "Eu sei que vai ser difícil", continuou Neo, "mas você tem que acreditar em nós. É para o bem do seu parceiro Fox Mulder. Agora, eu vou tirar a sua amordaça, mas você tem que me prometer que não vai gritar, está certo?". Ela balançou a cabeça. Estava curiosa em relação àqueles dois estranhos. Queria ouvir o que eles tinham a dizer. Trinity tirou a amordaça, enquanto Scully mantinha os olhos fixos em Neo. A outra Scully olhava tudo pelo banheiro. "O que vocês querem?", perguntou Scully. "Nós viemos numa missão e você tem que nos ajudar", disse Trinity. "O que a leva a pensar que eu vou ajudá-los?". "Que tal a vida do seu parceiro e a salvação do mundo?". "O que?", falou Scully. Ela pensou um pouco e depois começou a rir. "Já sei. Vocês são tão loucos que compartilham da opinião do meu parceiro que a Terra será invadida por ETs, é isso?", disse ela, num tom sarcástico. "Não", falou Neo. "O que vai tomar conta do mundo é algo pior que ETs". Scully continuou a rir. Não acreditava em nada. "O que vocês querem que eu faça? Ajude-os? Acham que eu sou louca? Deviam ter procurado meu parceiro então. Ele acreditaria em vocês". "Nós viemos do futuro te ajudar", disse Trinity. Scully riu. "Do futuro? Vocês são piores que Mulder!". "Quer uma prova?", perguntou Neo. "Aqui está", disse, enquanto a Scully do futuro entrava na sala. Por um momento, a agente Dana Scully pensou estar sonhando. Como é que isso era possível? Ela estava diante dela mesma! "Já sei", disse ela, num esforço para permanecer calma. "Ela é um clone. Igual aos de Samantha! Vocês trabalham para o Canceroso, não é? Bem que eu desconfiava que aquele fumante estava por trás disso". "Não", disse a outra Scully. "Eu sou você mesmo. E sei como vai ser difícil te convencer disso. Nós somos muito cépticas para acreditar em viagens no tempo, não é mesmo?". Scully não conseguia pensar direito. Sua mente estava confusa e ela tentava desesperadamente encontrar um explicação científica para aquilo. Ela estava suando de tão nervosa. A outra sentou-se no sofá, em frente a ela. Estava esperando uma reação, mas ela parecia estar em estado letárgico. De repente, a Scully de 2000 riu. "Por um momento, eu quase acreditei em vocês. Mas eu já sei o que aconteceu. Você é minha irmã gêmea!". A outra Scully cruzou os braços e olhou para ela, com as sobrancelhas arqueadas, a expressão séria e o olhar sarcástico, típico de quando a agente ouvia as idéias malucas do parceiro. A Scully de 2000 continuou falando a sua teoria. "Nós fomos separadas quando pequenas, e a minha família me adotou. Talvez eles nem saibam de você. Como foi que você me descobriu? Quem são esses dois?", ela disse olhando para os dois visitantes. "Como é? Você as vezes parece tão patética com essas suas teorias...". "E quem é você para falar assim de mim?". "Eu sou você, queridinha", ela disse, "só que agora, depois de tudo o que eu vi, está mais fácil acreditar em Mulder e no que eles dizem", ela apontou para Neo e Trinity. "Mas essa minha explicação é razoável. Mais do que uma viagem ao tempo". A outra Scully continuava olhando para ela de modo irônico. "Não é possível que eu seja tão incrédula...", ela falou, baixo. "Como?". "Nada", disse ela, olhando para o chão. "Já sei. O que você quer saber? Me pergunte qualquer coisa que eu respondo". "Sobre o futuro?". "Ou sobre você. Eu a conheço melhor do que ninguém". "Olha, sem querer interromper", disse Trinity, "Acho que nós não temos tempo para isso. O agente Mulder vai ser morto amanhã e nós temos que agir". "Como é?", disse Scully, quase gritando. "Você está dizendo que o meu parceiro vai morrer?". "Isso mesmo", respondeu a outra Scully. "Amanhã eu vou para o FBI no seu lugar". "Como? Você não pode se passar por mim!". "Porque não? Eu sou você! É tão difícil assim acreditar?". Scully parou, olhando fixamente para sua imagem, sentada na sua frente. Ela não podia mais lutar. Tinha que fazer o que eles quisessem. "E eu?". "Você vai ficar aqui por enquanto. Mas Trinity vai tomar conta de você, caso pense em fugir ou telefonar para alguém". Ela não podia fazer mais nada, além de obedecê-los. No dia seguinte Mulder chegou ao escritório e encontrou Scully sentada, lendo um relatório. "Bom dia", ela disse, com o seu melhor sorriso no rosto. Era bom vê- lo vivo. "Como está se sentindo?". Ele estranhou. "Scully? Esse sorriso é para mim? O que te deu hoje? Sem reclamações pelo atraso?". "Digamos que eu percebi que a vida é muito curta e temos que aproveitá-la. Quem sabe o que vai acontecer amanhã? Um de nós pode não estar aqui", disse ela se levantando e caminhando na direção dele. "E eu não quero perder nem um minuto que eu possa passar ao seu lado". Ela o abraçou fraternalmente. "Eu preciso lhe dizer o quanto você é importante para mim, Mulder. Se alguma coisa nos acontecer, quero que sempre se lembre disso". Mulder estranhou aquela conversa. "Scully, aonde você quer chegar com isso?". Ela não respondeu. Segurou o rosto dele com as duas mãos e o beijou, num longo e carinhoso beijo. Quando terminou, Mulder estava atônito. "O que foi? Não gostou?", ela disse depois. "O que? Claro, mas... nunca pensei que você tivesse coragem de fazer isso", ele respondeu e aproximou-se dela para beijá-la novamente, quando o telefone tocou. Ele parou no meio do caminho, deu a volta e foi atender. Falou um pouco e desligou. "Era o Skinner. Ele quer nos ver". O dia passou tranqüilamente, e no fim da tarde, ao saírem do FBI, Mulder acompanhou Scully até seu apartamento. "Quer entrar?", ela perguntou. "Scully? É você mesmo?". "Ora... entre", disse ela, abrindo a porta. Mulder sorriu e entrou, sem conseguir tirar os olhos do rosto dela. Ele por um momento temeu estar sonhando. Quando ele virou o rosto e olhou para a sala dela, viu Neo e Trinity sentados no sofá, tomando conta da verdadeira Scully, que estava amarrada na cadeira. O sorriso dele foi embora. Ele virou-se e olhou para a outra Scully, à espera de uma resposta. Ela estava séria, com a mesma expressão de sempre. Aquele sorriso que ela tinha durante o dia fora embora. "O que é isso? Scully...". "Sente-se Mulder. É uma história muito longa". Mulder não obedeceu. Ele olhou para a Scully amarrada e ficou na dúvida qual seria a verdadeira. Ela retribuiu o olhar de modo que ele teve certeza de que ela era a verdadeira. A outra Scully percebeu e ficou com medo dele ter uma reação inesperada. "Não adianta, Mulder, eu sou tão original quanto ela", ela disse, pegando uma faca que estava na mesa e cortando um pedaço do antebraço esquerdo. Mulder ficou paralisado por um momento, achando que ia escorrer o líquido verde alienígena, venenoso. Respirou aliviado quando viu o sangue. "Mas então, quem é ela? Um clone?", disse ele, apontando para Scully. "Não. Ela é a pessoa que trabalhou com você ontem. Hoje eu fui no lugar dela". "Como? O que... eu não consigo entender. Quem é você? Irmã gêmea?". Durante essa conversa, Neo e Trinity tinham permanecido calados, mas Neo resolveu explicar tudo para Mulder, da maneira mais convincente possível. Ele já estava cansado de tentar convencer Scully e torcia para que com Mulder fosse mais fácil. "É uma longa história, agente Mulder". Mulder olhou para ele como se perguntasse o que ele tinha a ver com aquilo. "Quem são vocês?". "Meu nome é Neo, essa aqui é Trinity", ele disse, enquanto Trinity se levantava do sofá e caminhava em sua direção. "Digamos que nós somos o seu anjo da guarda". Mulder riu. "Como é?", ele perguntou, olhando para Scully. "Sente-se, Mulder. Como eu já disse, é uma longa história", ela falou. Ele se sentou numa cadeira, perto de onde estava a Scully amarrada. "Hoje, por volta das 3 da madrugada, você vai receber um telefonema do seu amigo Langly. Ele vai te pedir para ir vê-lo, pois ele acabou de encontrar algo nos computadores militares e acha que você vai se interessar por isso. Quando você chegar, uns homens entrarão lá e metralharão todos vocês. Cinco pessoas vão morrer: você, seus amigos e uma mulher, cujo nome é Susanne Modeski". Mulder riu. "Como é que sabe disso? Viu numa bola de cristal?". Neo olhou para ele, com desprezo. "Eu não me importaria em deixá-lo morrer, se o que o seu amigo tivesse descoberto não fosse de tanta utilidade para nós". "E o que foi?". Trinity começou a falar nesta hora. "Ele quase conseguiu decodificar um programa de computador poderoso, criado com tecnologia alienígena, chamado Matrix. É uma inteligência artificial que vai tomar conta do mundo, depois da invasão dos aliens. Com esse código, nós podemos criar um vírus para que ela seja destruída antes disso". "Você daria um par perfeito com o Langly", disse Mulder. "Desculpe, mas eu não vim aqui para isso". "Então, quem são essas duas Scullys? Qual é a verdadeira?". "Eu sou tão original quanto ela", disse Scully, apontando para a outra. "Eu lembro de todos os fatos que Neo te contou, principalmente da sua morte". Por um momento, ela se achou ridícula falando aquilo. Parecia que eles haviam trocado de papéis: ela era a crédula e ele, o céptico. "Depois da invasão, esse programa de nome Matrix toma conta do mundo e transforma os humanos em bateria. Inclusive eu. Acordei por volta do ano de 2200. Não sei como eu não morri". "Você não é a Scully", disse Mulder. "Ela não acreditaria em nada disso". "No início, eu não acreditei", respondeu Scully. Ela se aproximou dele. Estava com um olhar triste. "até que eu lembrei da sua morte e de tudo o que veio depois. E além disso, eles me deram uma coisa para acreditar: provas. Sem isso, acho que eu não estaria aqui agora". Ele olhou no fundo daqueles olhos azuis e percebeu que o que ela dizia era verdade. "Eu fui trazida com eles para te convencer, Mulder". Foi então que ele se deu conta de que eles supostamente tinham viajado no tempo. "Como foi que vocês chegaram até aqui?". "Há uma fenda no tempo, no centro da Terra, e...", Trinity começou a falar, mas Mulder a interrompeu. "No centro da Terra? Como assim?". "Depois que a Matrix tomou conta do mundo, os poucos humanos que restaram foram morar no centro da Terra, num lugar chamado Zion, o único lugar quente que restou no planeta". "Essa estória é tão surpreendente que até eu estou com dificuldade para acreditar... E quanto a essa provável Scully amarrada?". "Ela teve que passar o dia aqui, enquanto eu matava as saudades do meu trabalho... e de você", respondeu a outra Scully. Ao ouvir isso, a Scully que estava amarrada começou a tentar falar alguma coisa e a se mexer na cadeira. Ela estava furiosa por não poder falar. E agora ela também queria saber o que exatamente eles tinham feito durante o dia. Ela não percebeu que estava sentindo ciúmes dela mesma... Neo a desamarrou e ao sentir suas mãos livres, ela ficou com vontade de esganar sua sósia, a qual percebeu o ataque de ciúmes que ela estava sentindo. Ela aproximou-se da outra e falou baixo o suficiente de modo que só ela ouvisse: "Não se preocupe. Eu só fiz com que o nosso envolvimento com Mulder melhorasse...". As duas se olharam, uma com sarcasmo e a outra com raiva. A Scully do futuro percebeu que ela nunca tinha sido tão irônica. Nem mesmo com as teorias malucas de Mulder. Mas a verdade era que ela estava gostando de provocar a sua sósia. Isso a fazia sentir-se bem. "Pois é", disse ela, "a Verdade muda a gente...". Neo aproximou-se da Mulder e continuou a falar. "Nós temos que agir rápido. Não podemos mudar o curso dos acontecimentos, então eu acho melhor nós irmos para a sua casa esperar o telefonema. E foi isso que fizeram. 1:17am Eles estavam na casa de Mulder desde 9:30, e já não sabiam o que fazer para passar o tempo. A Scully de 2000 se ocupava em fazer mil perguntas para a sua sósia, tentando em vão desmascará-la. Trinity estava sentada no sofá, observando as duas. Neo andava de um lado para o outro e Mulder estava sentado do lado do telefone, com os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos juntas, olhando para o chão. O cabelo caia sobre a testa, mas ele não se importava. Dava um charme especial e as duas Scullys não tiravam os olhos dele. Ele ainda pensava em tudo o que tinha ouvido. Neo estava impaciente com a demora. "Não é possível!", exclamou ele. "Quando eles telefonarem, mal vai dar tempo para nós agirmos". "E porque a gente não vai lá agora?", Mulder perguntou. "Porque a Matrix tem que achar que seu plano está dando certo. Ela vai rastrear a ligação e só depois mandará seus homens agirem". "Mas a gente pode ir lá assim mesmo", falou Trinity. "Tenho um plano". 1:38am Todos eles foram ao escritório dos Pistoleiros Solitários. Trinity carregava consigo uma pasta que continha o seu notebook. Ela o trouxe do futuro para decodificar o programa da Matrix. Morpheus tinha instalado um programa especial para esse propósito. Frohike atendeu a porta, depois de reconhecer Mulder. "Mulder! Que bom que você veio. Nos poupou um telefonema. Scully, que surpresa!", ele disse quando a viu. Atrás dela entraram Neo, Trinity e a outra Scully, para o seu espanto. "O que é isso? Overdose de Scullys? É irmã gêmea?". Langly, Byers e Susanne olharam para as duas, espantados. "Não temos tempo para explicações", disse Mulder. Elas continuavam caladas. "Quem aqui é o Langly?", perguntou Neo. Mulder apontou em sua direção. "Muito bem", disse Trinity. "Você entrou nos computadores militares hoje, não foi?". "Como é que você sabe?". Ela ignorou a pergunta. "Já conseguiu decodificar tudo?". "Não. Porque?". "Pode me dar licença?", ela perguntou, já quase expulsando Langly da cadeira. Ela copiou o programa para um CD-ROM e o instalou em seu notebook. "Pronto", disse ela. "Agora nós podemos voltar para o apartamento de Mulder. Mas antes nós temos que fazer uma coisa", ela disse olhando para Langly. "O que?". "Eu quero que você telefone para Mulder e deixe um recado na secretária eletrônica, informando o que você achou". "Porque?". "Sem perguntas, Langly. Apenas faça", disse Mulder. Ele telefonou e logo depois todos saíram de lá e foram para o apartamento de Mulder. 3:16am Ao chegarem, Mulder resolveu contar tudo para os seus amigos. "Não é possível", disse Byers. "Então quer dizer que eles irão até lá hoje a noite, para nos metralhar?". "Isso mesmo". "Amanhã nós veremos se esta história é verdadeira", disse a Scully de 2000, que olhava desconfiada para a sua sósia. "Eu até gostei de saber que existem duas Danas", disse Frohike. "Scully!!", gritaram as duas, simultaneamente. Todos riram. "Mulder, como é que você as diferencia?", perguntou Langly. "E quem disse que eu consigo?". "Muito bem", falou Trinity. "Eu não quero estragar a reunião, mas o caso é que nós temos que decodificar esse programa rápido". "E o que vai fazer com isso?", perguntou Langly. De todos, ele era quem mais estava interessado. "Criar um vírus", disse Trinity. "Então é só isso?". "Como só isso? Depois de tanto trabalho você ainda acha pouco?". "Bom...". Langly foi interrompido pelo computador. Ele tinha acabado de decifrar todo o programa da Matrix. "Pronto", disse Trinity. "Agora é só passar tudo para o CD-ROM". Ela colocou um no computador e copiou os resultados. "E agora?", perguntou Mulder. "Bom, agora, eu e a Scully que veio conosco vamos voltar para o futuro e entregar esse CD para Morpheus. É ele quem vai criar o vírus". "Quem é Morpheus?", perguntou Frohike. "Vocês vão voltar?", perguntou Mulder. Ele não tirava os olhos de Scully, o que fez a outra - a de 2000 - morrer de raiva e ciúmes. "Morpheus é nosso guru e, bom, só eu vou voltar", ele disse, olhando para Mulder para ver qual seria sua reação. "E o que vai acontecer com ela?", ele perguntou, apontando para Scully. "Se o nosso plano der certo, ela não vai existir, e nem eu e Trinity". "Ela não precisa mais ficar aqui, Mulder", disse Trinity. "A sua missão era fazer você acreditar em nós, e isso ela já conseguiu". 7:30am Mulder acordou e viu que todos haviam passado a noite lá. Ele olhou para o relógio e percebeu que estava atrasado para o trabalho. Ele tinha que acordar Scully, mas não sabia qual era a verdadeira. Uma delas dividia o colchão d'água dele com Susanne e Trinity e a outra dormia na poltrona. Ele resolveu chamar esta última. "Scully, acorde". "Hum...", ela resmungou, abrindo os olhos. "O que foi?". "A gente precisa ir para o FBI, está lembrada?". Ela esfregou os olhos com os dorsos das mãos, respirou fundo e finalmente abriu os olhos. Por um instante ficou olhando para ele, que também não tirava os olhos dela. "Vamos até a cozinha. Estou com fome", ela disse, levantando-se. Na cozinha, ele preparou um copo de café com leite para ela, que estava sentada num banco. "Mulder, eu não posso ir para o FBI com você", ela disse finalmente. "Porque?", perguntou enquanto a servia. "Por que eu tenho que voltar, lembra?". "Ah, eu pensei que você fosse... deixa pra lá". "A outra? Não, ela está dormindo". Ele olhou para ela, de forma triste. "O que foi?". "Nada... eu não queria que você fosse". "E porque não? Por causa daquele beijo? Olha, Mulder, eu não sou diferente em nada da Scully que está dormindo. Ela está tão louca por você que consegue ter ciúmes de mim, que sou ela! Será que você ainda não percebeu? Eu sempre achei que você deveria, pelo menos uma vez, desviar os olhos do céu e enxergar quem está ao seu lado. Ela te ama. Eu te amo! E estou torcendo para que tudo dê certo nesta missão e que no final você tenha coragem de se declarar para ela. Assim, a minha felicidade estará garantida". Os dois riram. "Mas você ás vezes parece ser tão inacessível...". "Engano seu. Você não está tendo coragem de me confessar isso? Por que então não diz a ela?". "Ora, você não é tão parecida assim com ela. É mais fácil falar com você". "E porque isso?". "Por que... não sei. Talvez porque você seja mais crédula". "Então. Convide-a para jantar, compre um buquê de flores do campo e se declare a ela. Não é tão difícil assim e eu aposto que ela vai adorar!". Neste momento, eles ouviram um barulho. Era a outra Scully que tinha acordado. "Bom dia", ela disse quando os viu. "Mulder, porque você não me acordou? Nós estamos atrasados!". "Ele já ia te acordar", disse sua sósia. "Bom, é melhor eu me arrumar, não é?", disse ele. "Pode deixar que eu fico aqui tomando conta do resto", disse a Scully do futuro. "Ah, sim, e diga a Trinity que se ela quiser, pode ficar aqui em casa", ele falou ao se levantar. "Ou na minha", gritou Scully, que já estava na porta, esperando seu parceiro. O dia passou tranqüilo para os dois agentes. Eles tinham pouco o que fazer, mas ainda assim não conseguiam se concentrar. Mulder estava preocupado com os acontecimentos do dia anterior. Eles ficaram sabendo que a casa dos Pistoleiros Solitários tinha sido arrombada, mas que nada tinha sido levado. Isso aumentou a preocupação deles. 2199 Neo e Scully conseguiram voltar para Zion. Morpheus estava esperando por eles. "Até agora, tudo ocorreu como planejamos", disse Neo, entregando o CD-ROM para Morpheus. "Ótimo. Temos que criar logo esse vírus. Tank, venha cá". Tank, o único do grupo que, assim como Scully, era genuinamente humano, era programador de sistemas. Ele tinha sido o responsável pela criação do programa de decodificação da Matrix, com a ajuda de Morpheus. E agora os dois tinham que descobrir uma forma de criar um vírus. "Vai demorar?", perguntou Scully. "Talvez leve algumas horas", disse Morpheus. Scully e Neo não tinham mais nada o que fazer a não ser esperar. Eles estavam sentados, cada um pensando em seus problemas. Scully estava preocupada com o resultado disso tudo. E com o bem estar de Mulder. Ela sentou-se numa cadeira e apoiou o cotovelo direito na mesa, com a mão sustentando o rosto. Estava pensativa. Não conseguia acalmar-se. Neo estava preocupado com Trinity, que tinha sido deixada em um mundo real, desconhecido para ela. Mas ao mesmo tempo ele sabia muito bem que ela tinha como se defender. Ela era a mulher mais extraordinária que ele já conhecera. Ele olhou para Scully e viu que ela estava tão aflita quanto ele. Ela também era uma mulher extraordinária. Não conseguia imaginá-la trabalhando ao lado de um cara tão maluco quanto Fox Mulder. Mas uma coisa era certa: ela o amava tanto que nem percebia. "Está preocupada com Mulder, não é?", ele disse, tentando iniciar uma conversa. A voz dele a tirou de seus devaneios. Ela olhou para ele, tentando se concentrar na realidade. "Estou sim. Mas não é só isso. Se tudo der certo, eu não vou mais existir, não é mesmo?". "É. Só a Scully de 2000. Por que?". "Nada... eu estou pensando porque eu não morri neste tempo que passei num casulo. Será que eu sou imortal?". "É estranho mesmo. Nem nós sabemos como isso foi acontecer". "Uma vez, durante uma investigação, eu encontrei um cara que tinha driblado a morte". "Como é?". "É... bem, no FBI eu e Mulder trabalhamos numa Unidade que investigava casos sem solução". "É por isso que ele é tão estranho?". Scully riu ao lembrar-se do apelido do parceiro. "Mais ou menos. Mulder já passou por muitas perdas na vida, e até hoje não se conforma com o desaparecimento da irmã. Isso o tornou quem ele é". "Você o ama, não é mesmo?". "É... e eu não sabia disso, ou pelo menos não me dei conta, até vê-lo morto. Saber que nunca mais poderia falar com ele de novo... foi terrível". "Não se preocupe", ele disse, caminhando em sua direção e sentando-se numa cadeira perto da dela. "Tudo vai dar certo". "E você? Com o que está preocupado?". "Com Trinity. Ela ficou lá, num lugar que nunca tinha estado antes". "Como não?". "Esqueceu? Ela já nasceu sob o comando da Matrix". "É mesmo. Mas ela não parece se o tipo de pessoa que precisa de proteção. Ela sabe se defender". "Eu sei disso. Mas ainda assim, não consigo deixar de ficar preocupado". "Posso lhe fazer uma pergunta?". "O que é?". "O que são esses plugs que vocês têm no corpo?". "Nós não somos totalmente humanos. E eles servem para nós entrarmos no mundo virtual da Matrix. Você não tem porque nasceu antes da invasão". Neste momento, Morpheus entrou na sala. "Neo, nós conseguimos". De volta ao ano 2000 Neo voltou sozinho. Scully já não era mais necessária, além disso duas Scullys juntas podiam levantar suspeitas. Ele foi direto ao apartamento de Scully. Estava ansioso para ter notícias de Trinity. Era noite e ele nem percebeu que estava tarde para visitar os outros. Assim mesmo ele foi até o apartamento de Scully. Sabia que Trinity estava lá. Scully se assustou quando tocaram a campainha. Os acontecimentos recentes a tornaram um pouco paranóica. Ela começou a imaginar quem seria e se não fosse Trinity para abrir a porta, Neo teria ficado esperando até o dia amanhecer. "Conseguiu?", ela perguntou ao vê-lo. "Está aqui", ele disse, mostrando a ela o CD. Scully levantou-se, vestiu o robe e andou até a sala. Ela parou no início do corredor e ficou olhando para os dois, sem dizer nada. Desviou o olhar e viu as horas, no relógio da mesa. Eram 2:21 da manhã. "Bom dia", ela disse. Os dois olharam para ela. "Eu sei que essa não é a melhor hora", Neo disse ao perceber que ainda era madrugada, "mas eu acho que nós temos que andar rápido e não perder tempo dormindo". "O que...", Scully ia começar a falar, mas Trinity a interrompeu. "Isso mesmo. Vamos até a casa de Mulder". Scully deu um suspiro, como demonstrasse redenção. "Está bem", ela disse olhando para o lado. "Vou me vestir". 2:53am Mulder os estava esperando. Eles tinham ligado antes, por insistência de Scully. E os Pistoleiros, junto com Susanne, também já estavam a caminho. "Oi", ele disse ao vê-los. "E então?". Os três entraram rápido. Scully estava com uma cara de quem estava totalmente bêbada de sono. Neo começou a falar alguma coisa, mas a campainha o interrompeu. Eram os Pistoleiros. "Bom, agora que todos estão aqui, acho que já podemos pensar em um plano de como entrar na Área 51 sem levantar suspeitas", disse Neo. Scully olhou para ele, irônica. "Você acha que vamos conseguir?". "Eu sei que não vai ser fácil, mas nós temos que conseguir". "Eu sei como nós podemos fazer isso", disse Susanne Modeski. Todos olharam para ela, de repente. Ela continuou. "Eu conheço uma pessoa que trabalha lá". "E quem é ele?", perguntou Scully. "O nome dele é Morris Fletcher. Eu o conheci numa convenção, em Las Vegas". Ela virou-se para Byers e continuou a falar. "Aquela na qual nos reencontramos, lembra?". Ele afirmou com a cabeça. Estava visivelmente chateado. "Ele não sabe que eu supostamente morri naquela convenção e me conhece como Sarah. Ele acha que eu trabalho para o governo, por isso confia tanto em mim. Eu já fui na Área 51 duas vezes, para tentar descobrir informações secretas e, sem querer, ele sempre me ajudou nisso". "Você acha que consegue facilitar a nossa entrada lá?", perguntou Neo. "Vai ser difícil, mas não impossível". "Muito bem, então, quando amanhecer, nós vamos para lá". "Um momento", disse Scully. "Mulder e eu temos que trabalhar. Hoje ainda é quarta feira! Nós não podemos simplesmente sumir!". "Mas nós podemos dizer ao Skinner que vamos investigar um caso", falou Mulder. "E depois, o que vamos colocar nos nossos relatórios? Que o caso era invadir uma área de segurança máxima pertencente ao governo?". "É mesmo... mas nós temos uma semana para pensar numa desculpa". "Então nós vamos fazer o seguinte: amanhã vocês vão trabalhar e nós seguimos para a Área 51. Nós nos encontramos lá, daqui a oito dias", disse Neo. "Tudo bem". 7:30 a.m. Mulder e Scully já tinham ido trabalhar quando os outros deixaram a cidade. Estavam todos cansados e sonolentos. Ninguém tinha conseguido dormir na noite anterior, todos ficaram acertando os detalhes do plano. Às 4:30 da madrugada, Langly e Scully deixaram a casa de Mulder. Ela foi para o seu apartamento e ele voltou para o escritório dos Pistoleiros Solitários, buscar o equipamento que ele precisaria para a viagem. Ao todo, foram seis pessoas para a área 51. Eles iam de avião, mas desistiram por vários motivos. O primeiro era que Langly estava levando muitos aparelhos eletrônicos, e isso poderia causar problemas na hora de embarcar. O segundo era que Neo e Trinity não tinham nenhum documento, afinal, eles não existiam em 2000. Então eles resolveram alugar 3 carros. Em um, Susanne Modeski foi dirigindo, sozinha. Ela ia chegar lá e entrar em contato com Morris Fletcher e ele não podia saber que ela estava acompanhada. No segundo, foram Langly, Neo e Trinity. Langly ia dirigindo, pois era o único que tinha carteira de motorista. No último carro, foram Frohike e Byers. Eles levaram uma semana viajando de Maryland para Nevada. Decidiram não se hospedar no mesmo lugar, para não levantar suspeitas. Nove dias depois. Mulder deixou seu apartamento às 7:15 da manhã. Quando chegou no FBI, Scully já estava lá. "Bom dia, Scully. Pronta para tirar férias?", disse ele ao vê-la. "Como é?", ele perguntou, espantada. "Vamos ao escritório do diretor Skinner. Nós temos um assunto muito importante para falar com ele. "Como é que é?", exclamou Skinner ao ouvir o que Mulder falou. "Isso mesmo, senhor, nós queremos tirar férias", repetiu ele. "Agente Scully, isso é algum tipo de brincadeira?", ele perguntou sabendo que, se fosse, ela diria. "Não senhor", ela respondeu, com a expressão mais séria que conseguiu fazer. "Em todo o nosso tempo de trabalho no FBI, eu e o agente Mulder só tiramos férias uma vez. Agora nós achamos que está na hora de tirarmos outra. Para o nosso próprio bem". "Por mim, tudo bem, vocês merecem mesmo. Eu só fiquei espantado dessa iniciativa ter partido de Mulder. Ele sempre foi tão avesso a férias", disse Skinner. "Eu vou providenciar tudo agora mesmo. Para quando querem essas férias?". "Para hoje", respondeu Mulder, sério. Skinner ficou mais surpreso ainda. "Está com tanta pressa assim? Posso saber para onde vocês vão?". Mulder desviou o olhar, tentando pensar numa resposta, mas foi Scully quem respondeu. "Eu pretendo visitar meu irmão na Califórnia e Mulder parece que quer ir para Memphis de novo". "Por um momento achei que iam viajar juntos", disse Skinner. "Espero que aproveitem as férias". Mulder e Scully partiram para a Área 51 pela tarde, de avião. Já era noite quando Scully e Mulder chegaram ao local onde iriam se hospedar. Todos os outros tinham se registrado com outro nome, de forma que eles não tinham como localizá-los. Susanne estava hospedada em um hotel perto da base militar. Fletcher tinha feito a reserva quando soube que ela ia para lá. Ela usava o nome de Sarah Smith, mas os agentes também não podiam entrar em contato com ela, para não levantar suspeitas. O telefone de Mulder tocou às 9:30 da noite. Era Langly. "Mulder, onde vocês estão?". "Nós já chegamos". "Ótimo. Susanne já entrou em contato com Fletcher. Ela disse que amanhã será um ótimo dia para agirmos, pois parece que a maioria dos empregados não estará no prédio. Com sorte, nem seremos vistos". "Não sei se vai ser tão fácil assim. Da outra vez em que eu e Scully viemos, eles nos barraram na estrada". "Isso é outro assunto que teremos que conversar. Eu estou com Neo e Trinity numa pousada chamada 'Little Alien'inn'. Tem um bar aqui do lado. Me encontre lá". Mulder não demorou de chegar no bar. "E então, o que você queria me falar?", perguntou Mulder. "Bom, antes de tudo, é melhor você saber aonde estamos. Eu, Trinity e Neo estamos naquele hotel ali", ele disse, apontando para um prédio decadente, ao lado do bar. "Eles estão com nomes falsos, Jon e Dorothy, com identidades que Byers arranjou para eles. Ele e Frohike estão num hotel na beira da estrada, bem discreto. São os que estão mais perto da Área 51. Pelo visto, vocês dois foram os que ficaram mais longe". "É mas isso não tem importância. Já sabem como vamos agir?". Neste momento, Langly percebeu que um velho estava ouvindo a conversa deles. Discretamente, ele se levantou, fazendo com que Mulder fizesse o mesmo. "Vamos até o banheiro". Ao chegarem, eles olharam para ver se tinha alguém. Estava vazio. Eles trancaram a porta para evitar surpresas inesperadas. "Nós vamos fazer o seguinte...". Langly continuou explicando, de forma breve, o plano que ele e Neo tiveram para entrarem na Área 51 e que seria realizado no dia seguinte. No dia seguinte Todos acordaram cedo, pois não tinham tido uma boa noite de sono, por causa da preocupação. Era 5:30 da manhã quando Mulder bateu na porta do quarto de Scully. Ele achava que ela estaria acordada. E realmente estava. "Vou dar uma caminhada por aí. Quer ir?". Scully olhou para ele e lembrou-se do primeiro caso que investigaram juntos, no Oregon. Ele tinha feito o mesmo convite a ela, o qual tinha recusado, mas desta vez ela resolveu aceitar. Eles andaram pela estrada, conversando. "Você acha que esse plano pode dar certo, Mulder?". "Acho. Eu preciso acreditar nisso. E você? Já está convencida na possibilidade de viagens ao tempo?". "Eu estive pensando sobre isso, e...". "É mesmo? Eu pensei que a sua cabeça se ocupava exclusivamente com a Medicina e extraterrestres!", ele disse, num tom de ironia. Ela riu. Adorava o bom humor do parceiro. "Na verdade eu andei pensando uma coisa... se esse plano der certo, você não vai morrer, eu não vou me tornar prisioneira e Neo e Trinity não irão existir, não é verdade?". "Talvez. Porque?". "Bom, se isso for verdade, então, como ficamos nós?". "Como assim?". "Bom, uma vez que a Matrix seja destruída, então nada disso – Neo, Trinity, viagem ao tempo, eu salvando a sua vida – nada disso aconteceu. Nós ficaremos sem futuro ou sem passado?". "Scully, essa pergunta teria que ser minha. Eu nunca te imaginei pensando nisso. Mas sinceramente eu acho que temos que correr esse risco". "É... é mesmo. Falando nisso, é melhor voltarmos. Langly já deve estar nos esperando". A reunião tinha sido marcada nos quartos dos agentes por estes estarem mais afastados da Área 51. Quando eles chegaram, todos já estavam lá. "Finalmente. O que estavam fazendo?", perguntou Langly. "Andando", disse Mulder, com uma expressão apática. "Bom, vamos resolver logo o que vamos fazer. Eu trouxe microfones e escutas para todos. Nós estaremos nos comunicando o tempo todo. Susanne me deu todos os horários do prédio. Às 22:30, todos os funcionários já devem ter ido embora, uma vez que o expediente é até as 21:00. Por via das dúvidas, nós entraremos lá por volta das 23:00". "Como?", perguntou Mulder. "Primeiro, Susanne convidou Fletcher e uns colegas dele para jantarem num restaurante bem longe daqui. Eles, por sinal, já aceitaram. Assim, mesmo que eles sejam chamados para uma emergência, não terão como chegar lá a tempo. Eu, Frohike e Byers ficaremos andando de carro pela estrada. Assim não vai ser possível para a Matrix nos chacinar de novo. Eu vou quebrar o sistema de segurança do prédio exatamente às 23:00. Vocês serão avisados de tudo, através da escuta". "Foi por isso que você trouxe tanto equipamento?", perguntou Mulder. "Foi. Neo me deu um programa de computador que é uma maravilha! O sonho de todo hacker. Com ele, vai ficar mais fácil garantir a entrada de vocês. Byers conseguiu identificações para todos. Vocês chegarão de carro. Neo e Trinity primeiro e depois, Mulder e Scully. Os guardas pedirão os crachás e irão verificar no computador quem são vocês. A esta altura, suas fichas falsas já estarão no sistema". "Será que vai ser tão fácil assim?", perguntou Scully. "Vai. Está tendo um treinamento de funcionários e vocês entrarão como instrutores. Muita gente estranha está tendo acesso ao prédio por causa desse evento. Ninguém vai suspeitar". "Uma vez lá dentro, nós faremos o que?". "Vocês irão até o último andar, onde está o computador central. Lá, é só instalar o CD ROM com o vírus e pronto. Eu os guiarei pelo prédio através de um sistema de localização que cada um de vocês terá que carregar consigo. Vocês terão cerca de meia hora para fazer tudo. Isso se os nossos planos derem certo. À 1:30 da madrugada, todos têm que estar aqui novamente". "Enquanto isso, nós faremos o que?". "É bom que nenhum de nós seja visto andando por aí. Poderia levantar suspeitas". 10:00p.m. O dia foi tenso. Nenhum deles saiu para lugar algum. No final da tarde, todos fecharam suas contas nos locais onde estavam hospedados, menos Mulder e Scully. Às 22:00, Frohike e Byers já estavam no quarto de Mulder. "E o Langly?", perguntou Mulder ao abrir a porta. "Ele vem com Neo e Trinity", disse Byers. Nesse momento, a campainha tocou. Era Langly, Neo e Trinity. Os dois últimos estavam vestidos como duas pessoas normais, sem aquelas roupas pretas. Neo estava com paletó e gravata e Trinity vestia um terno feminino Estava parecendo a Scully. "Que bom que não se atrasaram", disse Frohike. "Bom, pessoal, acho que já está na hora. Aqui estão suas escutas e microfones", ele disse, abrindo uma das pastas que carregava. "Vocês vão colocar a escuta dentro do ouvido externo e o microfone preso na camisa". Enquanto ele dizia isso, cada um pegava um e colocava em si. "Isso fará com que nós possamos manter contato. Daqui a pouco, Neo e Trinity sairão e, dez minutos depois, Mulder vai com Scully". "Eu ainda não sei o que ela vai fazer lá. Estamos arriscando uma vida à toa", disse Mulder. "Não, Mulder, eu vou de qualquer jeito. Não vou deixar você ir sozinho". "Além disso, nós precisamos de alguém para vigiar a porta, enquanto Neo instala o vírus", acrescentou Frohike. 10:13p.m. Neo e Trinity partiram em direção à Área 51. Langly, Frohike e Byers entraram no carro e partiram. Eles tinham alugado uma van, onde Langly, Neo e Trinity passaram a tarde instalando todo o equipamento. Nada podia sair errado. Byers ia dirigir o carro, enquanto Langly e Frohike ficariam acessorando os quatro. Trinity verificou as horas quando chegou perto do portão da Área. Eram 10:48. "Neo, aqui é Langly, está me ouvindo?". "Estou sim. Nós estamos perto do portão. Daqui a pouco já estaremos lá". "Tudo bem. Fique calmo, as suas fichas já estão no sistema deles. A entrada será fácil". E realmente foi. Neo parou o carro perto da guarita do portão. Calmamente, ele abaixou o vidro e entregou ao guarda de plantão os dois crachás de identificação. O policial entrou na guarita e verificou as identidades. Tudo certo. Langly tinha feito um bom trabalho. Neo e Trinity eram, agora oficialmente, instrutores do funcionários da noite. O guarda devolveu os crachás e abriu o portão. Neo, disfarçando o nervosismo, ligou o carro e entrou no estacionamento. Procurou uma vaga discreta, em um lugar pouco iluminado. Devagar, os dois saltaram do carro e caminharam em direção à entrada principal. Lá, foram barrados por outro guarda. "Boa noite", disse Neo, mostrando sua credencial. Trinity fez o mesmo. Mas o guarda não estava querendo conversar. Resmungou qualquer coisa e verificou a nome dos dois no computador. "Tudo certo. Podem entrar". Eles entraram no prédio. Por fora, parecia mais um prédio velho do governo, mas por dentro ele parecia um shopping. Tinha apenas quatro andares, e todos podiam ser vistos pelo hall de entrada. O elevador ficava no centro. O hall dava acesso a vários corredores, formando um labirinto de escolhas. Eles pararam por um momento. Não sabiam para onde ir. Foi quando escutaram a voz de Langly. "Andem pelo segundo corredor à esquerda, peguem o elevador no final dele e subam até o terceiro andar. Depois, entrem na porta das escadas e fiquem esperando Mulder e Scully. Eles já passaram pela guarita". Eles fizeram o que Langly disse. Não havia muito movimento naquele prédio e principalmente naquele corredor em que eles estavam. Isso se devia mais por causa do workshop no qual a maioria do funcionários estava do que por causa do horário. Normalmente, aquele local era tumultuado dia e noite. Neo e Trinity pararam no terceiro andar e ao saírem do elevador, viram uma porta com o nome "escadas" do lado. Dois funcionários tinham saído do elevador com eles e deviam estar caminhando para seus gabinetes. Neo parou no corredor, forçando Trinity a fazer o mesmo. Ele fingiu estar conversando com ela até os dois funcionários sumirem no fim do corredor. Assim, eles puderam ir em direção às escadas. Não demorou até Mulder e Scully aparecerem. Na verdade, eles mal tinham chegado, quando a porta abriu e os dois agentes entraram. "Muito bem, Langly, já estamos todos aqui", disse Mulder, no seu microfone. "Você tem a planta do prédio. Para onde vamos agora?". "Subam a escada até o final. O último andar é de segurança máxima, mas uma hora dessa não há ninguém tomando conta, só os computadores da segurança. Não entrem na sala até eu mandar". Eles subiram e ficaram esperando pela ordem de Langly, mas ele estava demorando. "Langly, qual é o problema?", perguntou Trinity. Ela sabia que aquela porta deveria estar aberta, uma vez que ele tinha quebrado o sistema de segurança do prédio. "Não sei. Parece que esse andar é protegido por outro sistema de segurança". De repente, eles ouviram um barulho da porta sendo aberta. Todos congelaram de susto. Esperavam que alguém entrasse, mas ao invés disso, só ouviram a voz de Langly. "Consegui! Pronto, agora vocês vão fazer o seguinte: ao passarem pela porta, vocês irão ver um corredor, com duas portas. Uma logo na frente de vocês, e a outra no final. As duas vão dar na mesma sala. As portas dessa sala têm que ser abertas simultaneamente, senão o alarme é disparado. Mulder, você e Neo vão seguir pela porta do final do corredor e Scully e Trinity seguem pela que estará na frente de vocês ao saírem, entenderam?". Ele se entreolharam, num gesto de cumplicidade. "Sejam rápidos e não entrem até eu mandar". Os quatros saíram das escadas. Os dois homens foram primeiro. Trinity saiu logo depois, seguida de Scully. Elas entraram no outro corredor e caminharam até uma porta. Esta tinha a parte superior transparente, e elas puderam ver quando os dois apareceram na outra porta. "Langly, já estamos aqui", disse Trinity. "Nós também", disse Neo. "Muito bem. Eu já desativei a segurança, mas para abrir estas portas, vocês terão que passar pela leitura digital. Isso eu não pude desativar, mas uma vez que suas fichas já estão no sistema deles, não haverá problemas. Não pode ser nem Mulder nem Scully, porque eles também têm fichas no Bureau. Quando eu disser três, vocês dois vão colocar seus polegares direitos na maçaneta. Estão vendo um painel azul em cima dela? É aí mesmo. Vamos lá. Um... dois... três". Neo e Trinity fizeram como Langly disse. Mas ao terem seus polegares lidos pelo sistema de segurança, o guarda mal-humorado da entrada principal viu, pelo seu computador, que algo estava errado. Um alarme de segurança foi disparado pelo computador dele. Ainda assim, as duas portas se abriram. "Neo, aja rápido. Aconteceu um imprevisto", disse Langly. Os quatro congelaram ao ouvi-lo. "O que foi?". "Não pergunte! Você e Trinity terão menos tempo do que eu imaginei!". Eles estavam diante de uma máquina que tomava a maior parte da sala. Trinity aproximou-se e ligou o computador, enquanto Neo o ligava ao laptop que trazia consigo. "Scully, Mulder, cada um de vocês tem que tomar conta de uma porta. Ao primeiro sinal de alguém se aproximando, fujam ou atirem!". No furgão, Frohike estava tentando anular o alarme, enquanto Byers dirigia. Ele conseguiu, mas já era tarde demais. O segurança, intrigado, estava indo em direção ao quarto andar. A sorte era que mais ninguém sabia do que acontecia naquele momento. O segurança, tão curioso, esquecera de levar consigo o rádio para chamar reforço caso precisasse. Mas eles tinham uma chance mínima de êxito. Era só uma questão de tempo até todos os guardas estarem lá com ele. Langly conseguiu trancar todas as portas de acesso ao quarto andar, inclusive o elevador. Assim, o segurança não suspeitaria de nada. Scully olhava em direção do corredor por onde viera. Não tinha ninguém lá. Ela estava com medo, mas queria ir até o fim. Neo já tinha conseguido ligar seu laptop ao computador central. Ele estava instalando o programa de instalação do vírus quando Scully percebeu que a porta da escada estava sendo destrancada. Ela fez um sinal para que Mulder fosse até ela. Trinity levantou a cabeça e viu o que estava acontecendo. Como eles não podiam fazer barulho, ela nem perguntou o que era: deixou Neo instalando o programa e foi vigiar a porta onde Mulder estava. Mulder e Scully viram o guarda se aproximando. Eles fizeram um sinal para os outros se esconderem. O guarda chegou, olhou para dentro, mas não abriu a porta. Não era preciso. Ele viu que não tinha ninguém lá, deu a volta e foi embora. Neo saiu de baixo da mesa central, Trinity, Mulder e Scully estavam próximos da porta, para o caso de precisarem nocautear o segurança. Cada um voltou para o que estava fazendo antes. Do furgão, Langly conseguiu desativar as trancas das portas mais uma vez, depois de ter certeza que o segurança tinha ido embora. Neo e Trinity conseguiram finalmente instalar o vírus no coração da Matrix. Mas eles não estavam esperando pelo que aconteceu. Como se possuíssem vida própria, os todos os computadores do prédio ligaram sozinhos e começaram a disparar o alarme de segurança. Langly já não tinha controle sobre eles. Uma luz vermelha começou a piscar dentro da sala, avisando aos quatro que eles tinham pouco tempo para saírem dali. "Mulder, Scully, podem ir embora", gritou Neo. O barulho das máquinas estava cobrindo o som da voz dele. "Como? E vocês?", perguntou Mulder. Neo e Trinity se olharam. "É muito tarde para explicações! Se tudo der certo, nós não iremos mais existir, então nós preferimos viver dentro da máquina", gritou Trinity. "Como?", indagou Scully. Ela viu que Neo tinha trazido com ele dois aparelhos eletrônicos, cada um com uma lâmina afiada na ponta. "Nós vamos entrar no sistema", explicou Neo. Ele deu a Trinity os aparelhos e ela os conectou ao computador central. "Vocês têm que ir agora", Trinity disse a Scully. Ela pegou no braço de Mulder para levá-lo até a porta, mas ele parou quando viu que Neo e Trinity tinham um plug em suas nucas. "Mas o que...". Mulder tentou completar a frase, mas estava muito assustado com o que via. Neo e Trinity, após conectarem os aparelhos ao computador central, ligaram estes às suas nucas, como se ligassem um aparelho num interruptor. Scully parou ao lado dele. Eles viram que os dois estavam sendo eletrocutados e correram para acudi-los. Scully chegou perto de Trinity e, sem pensar nas conseqüências, puxou o aparelho do plug da nuca, recebendo uma forte descarga elétrica. Mulder fez o mesmo com Neo e também recebeu um choque. Os quatros voaram por causa da intensidade de energia elétrica, cada um para um canto. De repente, como em um milagre, o alarme parou. Minutos depois, Mulder acorda, meio zonzo. Ele olha ao redor e vê os outros três desmaiados. Os corpos que uma vez pertenceram a Neo e Trinity estavam desaparecendo, como se fossem hologramas. "Trinity!", ele gritou, correndo para onde ela estava. Já não se importava com os seguranças, o que ele queria agora era salvar seu amor. Ele ajoelhou- se perante ela e começou a chorar. 'Será que ela conseguiu se transportar para a máquina?', ele pensava. Neste momento, Scully abre os olhos e vê o corpo de Neo estendido no chão, desaparecendo. Ela levanta sem se importar com as dores no corpo e corre até ele. "Neo, por favor, o que aconteceu?", ela fala, entre lágrimas. Ao ouvir isso, o corpo que uma vez pertencera ao Agente Fox Mulder levanta-se e olha em direção a ela. "Trinity?", ele pergunta. O corpo que uma vez pertencera a Agente Dana Scully, ao ouvir aquela voz, pára de chorar. Ela levanta-se devagar e olha em direção a Mulder. "Neo?". Pergunta ela. Os dois sorriem. Aquilo era inacreditável. De repente eles olharam para si mesmos. Alguma coisa errada tinha acontecido. A mente de Trinity, que deveria estar dentro do sistema de rede de computador, estava no corpo de Scully e a mente de Neo, que deveria acompanhá-la nessa viagem cibernética, estava no corpo de Mulder. Eles se aproximaram um do outro. Ele segurou o rosto dela com as mãos e eles trocaram um longo e carinhoso beijo. Langly, Frohike e Byers facilitaram a saída dois. Eles não podiam sair normalmente, pois estavam sendo procurados pelo prédio. Tiveram que sair pelo sistema de ventilação. Lá fora, encontraram o furgão esperando por eles. "Cadê Trinity e Neo?", perguntou Langly ao vê-los. Os dois se olharam e então perceberam que eles eram Mulder e Scully. "É uma longa história", respondeu Neo. Eles partiram em direção à pousada dos agentes. Washington D.C. Quatro dias depois. "Já voltaram?", perguntou Skinner, ao ver Mulder e Scully parados na sua frente, no prédio do FBI. "As férias foram boas?". Eles se entreolharam. Não sabiam o que dizer. "Foram sim", respondeu Trinity. "Nevada é um Estado lindo". "Você não ia para a Califórnia, agente Scully?". Ela ficou sem reação. Olhava para Neo como se estivesse pedindo ajuda. "É, mas Mulder preferiu ir para Nevada, então...". "O agente Mulder? Eu pensei que ele fosse para Memphis. Vocês... foram juntos?". Skinner percebeu que os dois estavam sem querer entrar em detalhes e presumiu que isso se devia a algo que ele já estava suspeitando há algum tempo: que Mulder e Scully tinham um relacionamento mais profundo que dois simples parceiros. "Tudo bem, não precisam me contar. As férias foram suas e eu não tenho nada a ver com isso", ele disse. "Mulder, há um novo caso para vocês. A pasta está em cima da sua mesa. Eu quero um relatório sobre suas investigações o mais rápido possível". "Sim, senhor", respondeu Neo. Os dois se levantaram e saíram em direção ao porão. Quando chegaram lá, viram a pasta com o novo caso em cima da escrivaninha de Mulder. "Trinity, o que a gente vai fazer? Eu não faço a mínima idéia de como ser um agente federal! Eu não nasci para isso! E você sabe o que eles investigavam? Casos paranormais! Como é que nós vamos viver assim?". Trinity encostou-se na borda da mesa, pegou a pasta, abriu e começou a ler. Ela sabia que Neo estava desesperado e tentava transmitir segurança. Mas no fundo, ela estava tão desorientada quanto ele. "Bom, como nós vamos viver, eu não sei, mas acho melhor resolvermos logo isso. Esse caso novo é muito estranho. Além disso, imagine se me mandarem fazer uma necropsia?! Eu não tenho vocação para ser médica. Acho melhor falarmos com os Pistoleiros logo". "Mas o que eles vão poder fazer? Nós estamos presos aqui, não temos nossos corpos. E Mulder e Scully vão simplesmente sumir?". "Nós podemos tentar entrar no sistema de novo". "Como? Esses corpos não têm plugs". "Então, o jeito é nos demitirmos e procurarmos outro emprego. Um que tenha a ver com informática". "Não sei se é uma boa idéia". Eles se calaram por um momento. Neo ligou o computador e acessou a rede. De repente, uma mensagem surgiu na tela. BOM DIA, NEO... Ele congelou. Olhou para Trinity, que continuava a ler o relatório. "Trinity, venha cá. Rápido!". Ela andou até ele e leu a segunda mensagem. SOU EU. "Será que...", Neo não precisou completar a frase. Sabia que Trinity pensava o mesmo que ele. VOCÊS SABEM O QUE ACONTECEU? Os dois já não entendiam mais nada. "Será que é Mulder?", perguntou Neo. "Só pode. Quem mais seria? Eles devem ter entrado no sistema no nosso lugar". "A não ser que...". Neo pensou em algo assustador. "O que, Neo?". Neo olhou para Trinity e no lugar da agente Scully, ele viu a sua parceira. "Trinity? É você mesmo?". Trinity não sabia o que ele estava falando. Ela olhou de novo para a tela do computador e leu a terceira mensagem. VOCÊS NÃO SÃO QUEM ACHAM QUE SÃO. OLHEM PARA DENTRO DE SI E VERÃO A VERDADE. Neo leu a mensagem e tornou a olhar para Trinity. A verdade agora estava clara como água. No lugar dela, ele viu uma seqüência alfa numérica. De repente, eles não estavam mais no porão do FBI, ele não era mais o Mulder e nem ela era Scully. Trinity percebeu o que estava acontecendo. O telefone começou a tocar. Ela atendeu. "Trinity?", disse Morpheus. "Morpheus? É você?". "Que bom! Vou desconectá-los agora!". Trinity acordou na nave de Morpheus. Em seguida foi a vez de Neo. "O que foi que aconteceu?", perguntou Trinity. "Vocês não se lembram?". "A última coisa que eu me lembro é que eu era Mulder e ela era Scully. Nós não conseguimos entrar no sistema da Matrix", disse Neo. "Como não? Vocês não só conseguiram como também foram iludidos por ela. Acharam realmente que tinham trocado de corpos com os agentes? Isso tudo foi ilusão da Matrix. Desde o curto circuito que vocês viviam sob o controle dela. Só agora eu consegui fazê-los enxergar a realidade". "Mas, se ela ainda existe, então nós fracassamos na nossa missão? É isso?", perguntou Trinity. "Não. Vocês conseguiram exterminá-la. O problema vem da arrogância humana. Ela foi reconstruída, por volta do ano de 2100. Vocês ainda estavam dentro dela nessa época. E a História se repetiu: a criatura matou o criador". "Um momento. Eu não estou entendo uma coisa. Você está dizendo que a Matrix foi reconstruída?", disse Neo. "Isso mesmo. Vocês a exterminaram, mas em compensação, passaram a viver dentro do que restou dela. Por volta de 2100, ela foi reconstruída e vocês passaram a viver a ilusão que ela criou, aquela estória de troca de corpos. Acho que ela queria se vingar dos dois. Tive que voltar ao tempo, ao exato momento em que vocês entraram nela e resgatei seus corpos, mantendo-os vivos a custa de aparelhos. O próximo passo foi encontrá-los na realidade virtual da Matrix e faze-los enxergar a verdade". Washington, D.C. Quatro dias depois. "Bom dia, Senhor", disse a Agente Dana Scully ao entrar no escritório de seu chefe. "Bom dia. Como foram suas férias?". "Boas", ela respondeu, sentando-se numa cadeira. "E o Agente Mulder, onde está?". "Está vindo". "Ótimo. Eu tenho um caso para vocês. Aqui está a pasta. Quero um relatório inicial para amanhã de manhã". Ela pegou a pasta, levantou-se e foi embora. Desceu até o porão e quando entrou na sua sala, encontrou Mulder lá. "E aí? Caso novo?", ele perguntou, apontando para a pasta. "É", ela disse e deu a pasta para ele. Ele começou a ler sobre o caso e ela puxou uma cadeira para sentar-se. Os dois fingiam estar entretidos com seus afazeres, mas na verdade, só conseguiam pensar em um assunto. Ficaram calados por um bom tempo, até que Scully resolveu falar. "Será que a Matrix foi realmente destruída?". Mulder levantou os olhos da pasta e olhou para sua parceira. "Não sei. O futuro a Deus pertence". "Eu sei, mas você não gostaria de saber o que vai acontecer conosco?". "Pode ser. Mas se eu soubesse, qual seria a alegria de viver?". "É mesmo... Mulder, o que será que aconteceu com Neo e Trinity? Quando eu acordei, depois daquele choque, eles haviam desaparecido". "Talvez eles tenham conseguido alcançar seus objetivos. Talvez eles hoje vivam dentro dos computadores". "Mulder, isso é impossível!". "E o que é possível, Scully? Viagens ao tempo? Computadores controlando seres humanos?". Scully olhou para o parceiro, pensando no que dizer. Pela primeira vez, ela não tinha argumentos científicos para refutar a teoria dele. "Só espero que eles estejam bem", ela disse, enfim. Fim.