TÍTULO: Antes Do Caminho – texto 1 AUTOR: Mariana Bonfim RESUMO: As duas fanfics falam exatamente do mesmo tema: e se Mulder e Scully tivessem se conhecido ainda jovens, antes de seguir pelos caminhos do FBI. Porém em cada história há uma visão diferente: o primeiro texto é narrado por Scully e se passa na praia de Miami, na véspera de ano novo. O segundo texto é contado por Mulder e se passa na Universidade de Oxford. CLASSIFICAÇÃO: Shipper E-MAIL: Não se esqueça do feedback. Meu e-mail é ma_bonfim@bol.com.br Praia de Miami- Flórida 31 de dezembro de 1979 10:45 AM É a primeira vez que venho passar as férias na Flórida. Antes os meus pais sempre iam passar as festas de Natal e Ano- Novo com meus avos, mas este ano foi diferente. Meus irmãos quiseram se aventurar na casa de amigos em L.A. Eu também podia ter feito a mesma coisa , mas não queria deixar minha mãe sozinha, já que papai desta vez não conseguiu a desejada folga. Então para nós não ficarmos sozinhas em casa sem fazer nada, e pensando na minha diversão, minha mãe reservou um quarto em um delicioso hotel em Miami. O hotel é pequeno , mas muito confortável. Há 2 camas de madeira, mesinha para café da manhã, closet e um pequeno banheiro. Chegamos ao hotel no dia 29 e nossa estádia está planejada até o dia 2. Os hóspedes do hotel são, em sua maioria, estrangeiros. Há uma verdadeira torre de babel de pessoas falando espanhol, francês, alemão e japonês. Não há muitas opções de passeios. Basicamente vamos à praia . Eu sei que minha mãe gostaria de ir aos cassinos da região, mas ela nunca me deixaria sozinha. A praia agora está lotada. Algumas pessoas andam de bicicleta, patins ou skate pelo calçadão. Outras apenas caminham. O mar está calma, possibilitando que várias crianças nadem e brinquem na margem. E também há um show de mau gosto com algumas mulheres fazendo top- less. Resolvo deitar um pouco na areia e tomar sol ouvindo meu walk-man. Quando eu deito, alguns garotos passam ao meu lado. Um deles tem cabelos castanhos curtos e olhos verdes. Tem a pele queimada de sol. Ele percebe que estou olhando para ele e senta ao meu lado junto com seu 2 amigos, apenas um pouco afastado. Levanto e me sento novamente. Fico até sem graça, mas como minha mãe foi dar uma volta na praia, não há problemas de olha-lo. Quando olho a minha frente chega uma família carregando cadeiras de praia e sacolas . Há o pai, a mãe e um filho. O filho percebe a minha presença e pede para os pais ajeitarem as coisas por ali mesmo. Ele senta na areia meio de lado e a toda hora vira a cabeça em minha direção para me olhar. Abaixo a cabeça e fico pensando no que fazer. Nunca pensei que 2 garotos iriam me paquerar ao mesmo tempo, aliás, é muito difícil eu ser paquerada. Olho para o primeiro garoto, mas ele já não olha mais para mim. Então desisto e passo a olhar para o garoto que acabou de chegar. Ele tem os cabelos castanhos, olhos verdes e uma pele branca que há tempos não vê o sol. O garoto se levanta e vai nadar um pouco com os pais. Eu o acompanho até a água com os olhos. Eles nadam e pedem para um turista tirar algumas fotos deles. Mesmo na água o garoto não desvia o olhar. Eles voltam para a areia e o garoto senta na mesma posição. Dentro de instantes minha mãe chega da sua caminhada com o jornal do dia as mãos. Eu começo a ler o jornal enquanto minha mãe escuta meu walk- man. De vez em quando volto a olhar para o garoto e lá está ele me fitando. Volto os olhos para o jornal e leio uma noticia em voz alta para minha mãe; ----- Como o time de basquete da nossa cidade pode ter perdido na final?! Eles estiveram excelentes o campeonato inteiro! Minha mãe me interrompe e cochicha ao meu ouvido: ----- Não é por nada não, Dana, mas aquele garoto ali da frente está te paquerando... ----- Eu sei, mãe! Ela solta um sorriso e volta a escutar o walk-man. Olho para o garoto e ele me encara por uns instantes e manda um beijinho. Eu , discretamente olho para baixo e escondo a cara com o jornal. A risada foi inevitável. Penso " Só por essa, querido, você perdeu 50% de chances... ha ha". Eu volto a olhar para ele, que novamente lança um beijinho. Desta vez eu olho para cima , fazendo uma cara de "que idiota esse cara" e volto a me concentrar no jornal. Minha mãe sai para dar outra volta. Dessa vez eu olho para o garoto, mas ele não olha mais para mim. Fica batendo as mãos pelo corpo tentando tirar a areia dele. Eu começo a ficar desesperada, achando que exagerei e que perdi as chances com ele. Na única vez que ele olha para mim , eu mexo os lábios , tentando dizer: ----- Você vai ficar só olhando? Ele são entende , ou finge que não entende. Eu apenas abaixo a cabeça sorrindo e tento, outras vezes me explicar, mas ele continua sem entender e fica com cara de irritado. Assim que minha mãe chega, decido ir até a água, mas como não gosto muito de nadar, me sento na areia na margem. Apenas pequenas ondas batem nos meus pés. Ao olhar para traz o garoto se levanta e olha para mim. Em instantes ele caminha pela areia e senta ao meu lado, dizendo : ----- O que você estava tentando me dizer aquela hora? ----- Se você ia apenas ficar olhando.- digo. Ele reage sorrindo. ----- Como é o seu nome? ----- Dana... ----- Já disse que meu nome é Fox? ----- hum, hum... ---- Pois bem... Meu nome é Fox . Desde quando você está aqui em Miami. ---- Estou aqui desde o dia 29... ----- E o que está achando da cidade. ----- É bonita, mas não a nada pra fazer além de ir a praia. ----- Você tem parentes aqui ? ----- Não. Um amigo da minha mãe mora aqui, outros amigos dela também estão passando as férias por aqui, mas ainda não conseguiram marcar para se encontrar. ----- E você mora aonde? ----- Em Maryland. ----- Eu sou de Massachusetts. Começa chover um pouquinho, viro para trás e me deparo com minha mãe querendo ir embora. Eu falo que vou daqui apouco, e por minha sorte, a chuva para e eu recomeço a conversa. ----- E quantos anos você tem? ----- Quantos anos você acha que eu tenho? ----- Provavelmente uns 18 ! ----- Acertou, e você ? ----- Quase 16. Faço aniversário em fevereiro. Eu percebo que agora que ele está ao meu lado, ele não olha mais nos meus olhos. Parece que está com vergonha. Eu sento mais próxima a ele. Pego um punhado de areia e , brincando, jogo a areia aos poucos sobre o cotovelo dele. ----- Por que você adora sujar as pessoas? ----- Para puxar assunto. ----- Não precisa fazer isto. A gente já está conversando! ----- Tudo bem. Eu paro de sujá-lo e passo a jogar areia nas ondas que se aproximam. De repente uma onda mais forte vem, nos molhando completamente. Jogo um punhado grande de areia na água, dizendo: ----- Não precisava também me molhar! Ele ri e pergunta; ----- Será que a gente pode dar uma volta ? ----- Por mim , tudo bem, mas e seus pais!? ----- Não se preocupe. Eu volto pra junto da minha mãe, peço autorização a ela, dizendo que eu sei voltar para o hotel, que fica a 10 minutos da praia. Ela me dá um pouco de dinheiro, pede para eu não voltar tarde e se despede, voltando para o hotel. Os pais de Fox também vão embora. Ele se aproxima dizendo: ----- Vamos ?! Começamos a caminhar pela praia, sempre conversando e sorrindo. Caminhamos mais um pouco e ele coloca a mão sobre meus ombros. Mesmo estando um pouco envergonhada , eu coloco as mão na cintura dele e continuamos a andar. Mais a frente ele comenta. ----- Falta apenas uma coisa. ----- O que ?! Ele se vira para mim e me dá um leve beijo nos lábios. Quando nossos olhos se encontram novamente, vejo que sua boca está em um grande sorriso. Eu também sorrio muito. A alguns passos eu acabo não resistindo e fico a frente dele, tentando dar um beijo mais longo, mas ele diz: ----- Aqui não ! Tem muita gente... Andamos mais um pouco e nos sentamos afastados do mar, em um local onde não há quase ninguém. Apenas um palco onde uma banda ensaia um show de música caribenha. Agora que finalmente estamos sozinhos, podemos dar o longo beijo que desejávamos. Eu tento me deitar na areia, sobre ele, como os filmes, mas ele hesita, dizendo. ----- E eu que pensava que você fosse santa. ----- Mas eu sou muito comportada... haha. ----- Jura?! Nem parece. Eu olho para nós, juntos naquela praia e percebo que estamos completamente sujos de areia. Volto a olhar para o mar, em silêncio... penso um pouco e digo: ----- Sabe, eu nunca fiz isso... paquerar um garoto na praia. Pra falar a verdade , eu nunca imaginei que sairia com alguém, por enquanto. ----- Por quê . ----- Eu levei uns foras. ----- Muitos ? ----- 6... ---- Não fique assim... eu também já levei muitos foras. ----- Mas, assim, seguidos ? Olha, há um tempo eu saí com um garoto e eu não sei o que aconteceu que eu fiquei mais de um ano sem sair com mais ninguém. Ele insistiu e saí com ele de novo , pensando que aquilo era bobagem minha. Um garoto não podia ser amaldiçoado daquele jeito. Mas o fato é que eu levei aqueles foras, mas acho que você quebrou a maldição... ---- Você acredita mesmo nesse negócio de maldição, de coisas sobrenaturais? ---- Claro que não! Acho tudo isso uma grande bobagem, e você? ----- Não sei ao certo. Ele olha para cima. Suspira e fica um tempo em silêncio admirando o céu. ----- O que foi, Fox? ----- Não é nada não... Ele sorri para mim e me dá um longo beijo. ----- Não é por nada não, mas estou com um pouco de fome, Fox. ----- Tudo bem. Vamos procurar algum lugar para comer. Andamos pela calçada e percebemos que os restaurantes estão todos lotados. Acabamos encontrando uma mesa em uma pequena lanchonete. ----- Fique aí , Dana , que eu vou ao banheiro e já volto. ----- Você não vai sumir não? ----- Acha que sou bobo? Eu peço um hambúrguer e um chá gelado. Fox volta e se senta a mesa. ----- Você não vai pedir nada? ----- Não estou com fome. Quando termino de comer, voltamos para praia e nos sentamos a sombra de um coqueiro. Novamente ele me dá um longo beijo. Conversamos mais um pouco. E Fox diz. ----- Desculpe, Dana, mas tenho que voltar para casa. Não posso me demorar. ----- Aonde você vai passar esta noite de ano-novo? ----- Não sei ao certo. A gente podia combinar de se encontrar aqui na praia mais tarde, o que acha ? ----- Que tal em frente ao hotel Luxor. Lá é um excelente ponto de encontro. ----- Por mim tudo bem. Que horas? ---- Umas 6:30... ----- Tudo bem... até mais tarde! Ele me dá um rápido beijo e logo segue seu caminho. Entro na rua que deveria ir até o hotel, mas percebo que estou perdida. De um telefone público ligo para minha mãe, que me explica como voltar. Em minutos estou no caminho certo e chego ao hotel. Na entrada o porteiro diz que minha mãe não está. Subo para o quarto e em instantes ela chega. ----- Onde você estava , mãe? ----- Fiquei preocupada e fui atrás de você, mas tudo bem. Como foi com o rapaz ? ----- Ai mãe, estou tão feliz. Combinamos de sair hoje mesmo. ----- Mas Dana, eu reservei um restaurante para a gente e você faz isso comigo. Você se esqueceu que está comigo e não com suas amigas. Minha mãe não esconde seu desapontamento, eu tento acalmá-la, dizendo: ----- Calma , mãe. Eu e você vamos passar a meia-noite juntos. Mãe , eu já disse que estou tão feliz... ----- Vá tomar um banho. A Simone e o Chris estão nos esperando numa sorveteria aqui perto. 5:00 PM Chegamos a sorveteria em menos de meia hora . Umas 10 pessoas estão sentados a mesa, todos parentes e amigos do Chris. Logo minha mãe começa: ----- Simone, você viu que a Dana já arrumou compania aqui em Miami ... eu acho que vou ter que me juntar a vocês neste ano novo . ----- Porque?! Todos começam a rir e fazer um verdadeiro interrogatório sobre o Fox. Mas logo me despeço de todos. Minha mãe me dá 10 dólares para jantar e saio rumo ao hotel. Desta vez eu não me perco. Vejo que estou atrasada para o encontro. Entro no hotel correndo e me troco em segundos. Chego a porta do hotel Luxor, mas Fox ainda não está lá. Ele chega com meia hora de atraso. ----- Desculpe Dana, mas é que eu errei o caminho para cá... ---- Tudo bem... Nos cumprimentamos com um leve beijo e andamos até uma lanchonete não muito longe dali. Quando estamos a porta da lanchonete coloco a mão no meu bolso, mas o dinheiro não estava lá. ----- Fox, teremos que voltar para o hotel . Acho que esqueci o dinheiro que minha mãe me deu lá. Em 10 minutos estamos no hotel. Pego as chaves com o porteiro, que olha feio para Fox e pergunta. ----- Ele vai subir com você? ---- Sim. Nós vamos pegar um dinheiro que eu esqueci e já descemos. Subimos as escadas e entramos no quarto. Olhamos embaixo da cama, dentro da gaveta, no banheiro, mas não conseguimos encontrar a saia onde eu tinha posto o dinheiro. Fox liga a TV e se senta na cama da minha mãe, rindo do filme que está passando. Eu sento ao lado dele completamente desapontada. ----- Não se preocupe , Dana... Acharemos o seu dinheiro. Ele me abraça e me dá um longo beijo. O beijo se torna cada vez mais intenso. Ele deita sobre mim na cama e olha para mim. Nós dois estamos quase sem ar. Eu solto um longo suspiro. Ele passa a mão sobre meu rosto e diz: ------ Você tem os olhos verdes e os cabelos ruivos mais lindos que eu já vi... Eu sei que acabamos de nos conhecer , Dana, mas... Eu coloco meus dedos sobre seus lábios, calando-o . Volto a beijá-lo e ele passeia as mãos sobre minha blusa, abrindo-a. Ele beija levemente meu pescoço e segue com os lábios até meus seio. Em instantes eu tiro a roupa dele e ficamos com os corpos nus, colados um no outro. Suas mãos acariciam minhas pernas e agora seus lábios passeiam pela barriga , descendo cada vez mais... quando ele chega , digamos, na melhor parte, ouvimos batidas na porta e minha mãe gritando. ------ Abra a porta, Dana. Fox saí correndo para o banheiro. Eu me troco o mais rápido possível, nem colocar minha calcinha coloquei. Minha mãe entra e eu digo a ela. ----- Mãe eu perdi meu dinheiro. Deve estar dentro daquela saia jeans , mas eu não a encontro em lugar algum.... Ela dá alguns passos e pega a saia que estava no chão, embaixo da mesa de café da manhã. Ela coloca a mão no bolso tirando a nota de 10 dólares. ----- Onde está o rapaz? ----- O Fox está dentro do banheiro, ele estava apertado. ------ Dana , eu não me lembro de ter deixado toda esta bagunça no quarto. Ele demora muito no banheiro, e eu bato a porta perguntando. ----- Tudo bem aí Fox? Não há resposta. Ouço a fechadura da porta se abrir e ele sai do banheiro com a camiseta molhada. ----- Como você conseguiu esta proeza? ----- E que eu estava tirando a areia da praia... Minha mãe solta um olhar desconfiado . Incomodada com a reação dela, levo o Fox até a porta e digo a minha mãe que vou até a pracinha com ele e que já volto. No caminho ele pergunta. ----- Ela percebeu alguma coisa? ----- Com certeza ela deve ter percebido. Ela não nasceu ontem, sabe... Eu sento no banco da pracinha completamente desanimada. Eu gosto muito da minha mãe e odeio quando ela fica chateada comigo. Fox tenta me animar, obviamente em vão. ----- E agora o que vai acontecer, Dana... ----- Eu não sei , Fox... você mora tão longe... ----- Infelizmente ... mas algo me diz que vamos nos encontrar novamente... ----- É... quem sabe nossos caminhos não se cruzem novamente. Ele me dá um longo beijo. Se despede em mim e em instantes cruza a esquina. Depois daquele dia eu nunca mais o encontrei. Até hoje me culpo de não ter, ao menos, pego seu telefone... Minha mãe nunca mais me tratou da mesma maneira. Acho que ela não contou nada a meu pai ou a um de meus irmãos. Dois anos já se passaram e eu estou prestes a iniciar meu curso na faculdade de Física em Maryland. Até hoje eu espero o dia em que o meu caminho e o do Fox, se cruzem novamente. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxfimxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxx E ai, gostou? Não se esqueça de ler Antes do caminho- texto 2, narrado pelo Mulder, que conta o mesmo tema , só que na faculdade de Oxford. Também não se esqueça do feedback. Meu e-mail é ma_bonfim@bol.com.br