Título: A Múmia Autora: Mônica Almeida e-mail: kikaalmeida@hotmail.com Disclaimer: Fox Mulder e Dana Scully pertencem a Chris Carter, 1013 Productions e Fox Network Categoria: Shipper/Crossover Sumário: Após serem praticamente obrigados a tirar férias, Mulder convida Scully para uma aventura no Egito. Nota da autora: Quem assistiu ao filme, vai notar que fiz algumas pequenas modificações. Mas a estória central continua a mesma. No filme, a história se passa em 1926. Na fic, eu a transportei para os dias de hoje. Tebas, Egito, 1290 a.C. Tebas, a cidade dos vivos. Era a jóia mais preciosa do faraó Seti I. Era também a cidade de Imhotep, o sumo sacerdote do faraó. O Guardião dos Mortos. E também a cidade natal de Anksunamum, a favorita do faraó. Que homem nenhum podia tocar. Mas ela e o sumo sacerdote se apaixonaram. E por seu amor estavam dispostos a arriscar a vida. Os sacerdotes de Imhotep os ajudavam em seus encontros furtivos. Até que o faraó descobriu tudo. E foi assassinado por Anksunamum e Imhotep. Mas a fiel escolta do faraó viu o assassinato e prendeu a moça. Ela implorou para que Imhotep fugisse, pois só ele poderia ressuscitá-la. Ele conseguiu fugir e antes que os guardas pudessem fazer qualquer coisa, Anksunamum se matou com um punhal. Para ressuscitar Anksunamum, Imhotep e seus sacerdotes abriram a cripta e a levaram. Rumaram para um deserto distante até chegar a Hamunaptra, a cidade dos mortos, onde eram sepultados os príncipes e eram guardadas as riquezas do Egito. Por seu amor Imhotep desafiou a ira dos deuses e entrou na cidade, tirando o livro dos mortos de seu santo lugar. A alma de Anksunamum havia sido levada para as trevas e suas entranhas retiradas e colocadas em cinco canopos, os jarros sagrados. Imhotep falou as palavras sagradas e começou a ressuscitá-la. A alma de Anksunamum voltou da morte. Mas os guardas haviam seguido Imhotep e o impediram de terminar o ritual. Seus sacerdotes foram condenados a ser mumificados vivos. E impuseram a Imhotep o terrível castigo do 'hom-daí', o pior de todos os suplícios. Algo tão terrível que nunca haviam levado a cabo. Primeiro eles cortaram a língua de Imhotep, depois o embalsamaram vivo e o jogaram num sarcófago. Antes de fecharem o sarcófago, jogaram milhares de escaravelhos vivos dentro. Ele permaneceria encerrado no sarcófago eternamente sem morrer. Os 'magis' nunca o deixaram sair. Se ele saísse traria calamidades e pragas. Viria como um império sanguinário, dominaria as areias e teria a glória de ser invencível. Durante 3 mil anos, exércitos têm batalhado sobre aquela terra sem saber seu mal oculto. E durante 3 mil anos os 'magis', descendentes do séquito do faraó, têm montado guarda. Washington D.C., apartamento de Dana Scully, 10:17 da noite Scully estava aborrecida em sua casa. Depois de anos trabalhando nos Arquivos X ela e seu parceiro, Fox Mulder, foram obrigados a tirar férias. Sem casos inexplicáveis para resolver há algum tempo, eles foram convidados a se afastar por um mês. Não era nenhum castigo ou punição. Apenas uma imposição do FBI. Scully simplesmente não sabia o que fazer. Tinha vontade de ligar para Mulder, mas faltava-lhe coragem. Sabia que iria vê-lo de vez em quando, mas não seria a mesma coisa. Ver Mulder todos os dias era tão importante para ela quanto o ar que respirava. Só que, enquanto era segura o bastante no seu trabalho e nas suas atribuições, se sentia tímida para falar ou demonstrar sentimentos. Às vezes tinha vontade de dizer a Mulder tudo o que sentia, mas sempre voltava atrás. Antes mesmo de começar. Ela pegou o telefone, tirou-o do gancho e começou a teclar o número de Mulder, mas desistiu no meio do caminho. 'Scully, pare com isso! Ele está de férias, é um homem bonito, jovem ainda. Por que iria querer conversar com a parceira quando deve ter coisa melhor pra fazer?' Ela se levantou e foi para a cozinha pegar um copo d'água. Mal deu dois passos e o telefone tocou. Scully deu um suspiro cansado e atendeu. "Scully." Ela ouviu a voz jovial de Mulder. "Oi, parceira. O que você está fazendo?" "Oi, Mulder." Seu coração acelerou e ela tentou ser natural. "Não estou fazendo nada. Acho que daqui a pouco vou pra cama." "Quer companhia?" Como sempre, ele adorava brincar com ela. Mas antes que ela respondesse qualquer coisa ele completou. "Escute, Scully. Preciso falar com você. Posso ir aí agora?" Ela ficou um pouco preocupada, afinal, já passava das dez da noite. "Claro que pode, Mulder. Aconteceu alguma coisa?" "Não. É que descobri um modo interessante de passarmos nossas férias. Daqui a vinte minutos estou aí." Ele desligou o telefone, misterioso, deixando Scully apreensiva. O que Mulder estaria pensando? A apreensão foi dando lugar ao nervosismo, mas ela respirou fundo e tentou se acalmar. Exatos vinte minutos depois ele chegou e ela já havia recuperado a sua postura normal. Ele veio trazendo comida chinesa nas mãos e um lindo sorriso no rosto. "Já jantou?" Scully retribuiu o sorriso e deu passagem a ele. "Comi uma salada. Nós vamos passar as férias comendo comida chinesa?" "Claro que não, Scully. E salada não é comida. Vamos, me acompanhe. Não vou comer isso tudo sozinho." Scully sentiu o cheiro delicioso do frango xadrez e não resistiu. Pegou uma caixinha das mãos de Mulder, sentou- se e o convidou a sentar perto dela, no sofá. Eles começaram a comer. "Hum! Que delícia! Então, Mulder, o que faremos de tão interessante nessas férias?" Mulder fala com a boca parcialmente cheia de frango. "Tá bom mesmo. Scully, você conhece o Egito?" Scully ergueu uma sobrancelha e parou de comer. "Mulder, o que você tá aprontando?" Mulder colocou a caixinha de comida na mesinha de centro. "É o seguinte, Scully. Quando estudei na Inglaterra conheci um cara chamado Jonathan Hannah. Ele estudava arqueologia e acabamos ficando amigos. Depois que voltei pra cá nunca mais nos falamos. Mas ele soube do meu trabalho no FBI e não foi difícil descobrir meu telefone. Ele tem uma irmã meio maluquinha que trabalha como bibliotecária no Cairo." Scully ficou meio desconfiada. "Hum, irmã?" Ela imaginou se Mulder já tivera algum caso com a moça e resolveu ficar na defensiva. "Sei...Mulder, por acaso esse seu amigo arqueólogo não teria assim...um quê de Indiana Jones?" Ela deu um sorriso provocativo ao fazer a pergunta. Ele começou a rir. "Indiana Jones? Scully ele se parece mais com o Grilo Falante. Você quer ouvir ou não?" "Tá, continua." "Hamunaptra, no Egito, era chamada a cidade dos mortos. É lá que está enterrada toda riqueza do antigo Egito. Existem várias histórias sobre a cidade, porem ela nunca foi encontrada. Bom, Jonathan encontrou um artefato, uma espécie de chave, não sei. Dentro desse artefato havia um mapa para Hamunaptra. Evy, a irmã dele, conhece a escrita egípcia antiga. Eles conheceram um cara, um americano, que diz ter estado em Hamunaptra, e como Evy, não sei como, salvou a vida dele, ele vai levá-los até lá." Scully começou a rir. "Mulder, não me diga que você acreditou nessa história. Isso é lenda! Essa cidade não existe. E afinal, o que nós temos a ver com tudo isso?" Mulder falou empolgado. "Scully, você não vê? Pode ser verdade sim. Nós já vimos tanta coisa, por que não checarmos essa história? Ele me convidou porque confia em mim e eu poderia dar algum tipo de proteção a eles. Mas eu falei que só iria se minha parceira fosse comigo." Scully ficou surpresa e feliz ao mesmo tempo. Mas não se deu por vencida tão facilmente. "Mulder, isso é perda de tempo. Nós não iremos encontrar nada lá." "Scully, pare de ser tão céptica! E afinal, se não encontrarmos nada lá, será uma ótima oportunidade para conhecermos um dos lugares mais fascinantes do mundo, concorda?" Ele piscou o olho para ela e ela acabou rindo. "Concordo, Mulder. O Egito deve ser uma terra bem interessante. Bem, quando partimos?" Mulder tirou as passagens do bolso. Já tinha pensado em tudo. "Amanhã de manhã." Cairo, Egito, 4:25 da tarde Três dias depois, Mulder e Scully, vestindo roupas confortáveis, estavam no Porto de Giza, no Cairo, onde se encontraram com Jonathan e Evy. Jonathan era um homem simpático, com feições engraçadas. Sua testa era grande e larga e o rosto ia se estreitando até chegar no queixo. Quando Scully o viu, imediatamente puxou Mulder pelo braço e sussurrou ao seu ouvido. "Tem razão, Mulder. Ele parece mesmo o Grilo Falante." Mulder riu e fez as apresentações. Scully gostou de Jonathan imediatamente. E apesar de um pouco desconfiada em relação a Evy gostou dela também. Evy era uma moça de uns 26 anos, traços delicados e doces olhos azuis. Scully simpatizou ainda mais com ela quando foi apresentada a Rick O'Connel, o americano que dissera ter estado em Hamunaptra. O olhar que Evy lançou para ele foi de puro interesse, embora tentasse disfarçar. Scully também ficou impressionada com o rapaz. Ele era bem alto, mais alto que Mulder, tinha os cabelos dourados e lindos olhos azuis. Mulder notou os olhares das mulheres para O'Connel e chegou perto de Scully. "Gostou desse Indiana Jones, Scully?" Ele tentou disfarçar o ciúme em sua voz. "Ele é bonito." Scully olha para Mulder. "Mas acho que ele faz mais o tipo de Evy." Ele sorri. "Concordo plenamente. Vamos entrar. O barco já vai partir." "Mulder, você tem certeza que essa banheira é segura? Esse barco bem que poderia ser mais moderno, não?" "Claro que é seguro, Scully. Vamos." A noite caiu e o barco deslizava mansamente sobre as águas do rio Nilo. Scully, vestindo um pijama leve de algodão, se preparava pra dormir quando ouviu batidas na porta. Ela abriu e Mulder perguntou se podia entrar. "Eu já ia dormir, mas entra." Ele se sentou na cama. "Scully teremos companhia em nossa viagem a Hamunaptra. Mais três conterrâneos nossos – pelo jeitão deles acho que são do Texas – contrataram um egiptólogo e um cara que, como O'Connel, também diz ter estado lá. O'Connel não gostou nada da concorrência, principalmente porque o tal Beni, o cara que esteve na cidade dos mortos, era do mesmo regimento dele e eles se desentenderam." "Isso é ruim? Quer dizer, a concorrência?" "Scully, tanto Jonathan quanto O'Connel, e esses outros caras também, querem o tesouro escondido em Hamunaptra." "E Evy?" "Evy é uma apaixonada pela história do Egito. Ela é bibliotecária. Ela está interessada em múmias, sarcófagos, livro dos mortos, essas coisas." Scully hesita um pouco. "E você?" "Bom, eu quero conhecer a cidade dos mortos. Se tiver riquezas lá, eu não creio que tenhamos o direito de tirá-las de lá." Scully deu um leve sorriso. De repente eles ouviram barulhos de tiros. Scully pegou sua arma e correu pra fora do quarto. Mulder também fez o mesmo. Quando chegaram no convés viram O'Connel, os americanos e Jonathan atirando contra uns homens vestindo túnicas e turbantes negros. Os homens avançaram em Mulder e Scully e eles começaram a atirar também. Os homens de negro, os 'magis', estavam tentando impedir que eles chegassem a Hamunaptra. Um dos homens entrou no quarto de Evy com uma tocha nas mãos e ameaçou-a com um gancho em seu rosto. "Onde está o mapa?" Tremendo, Evy apontou para a mesa onde o mapa se encontrava. O homem tentou pegá-lo, mas por acidente, Evy derrubou a tocha que ele segurava e a cortina do quarto dela pegou fogo. Em poucos minutos, todo o barco estava em chamas. Jonathan entrou no quarto de Evy e pegou o mapa. Os 'magis' entraram em seus botes de madeira e foram embora. As pessoas do barco começaram a pular no rio. Mulder e Scully viram quando O'Connel jogou Evy na água e pulou atrás dela. Ele os chamou. "Venham, ou vão afundar junto com o barco." Mulder olhou para Scully. "Acho que vamos ter que pular, Scully." Scully o olhou com cara de poucos amigos. "É essa sua idéia de segurança, Mulder?" "Scully, você vai pular ou vou ter que dar uma de O'Connel e jogar você na água?" "Não se atreva, Mulder." Dizendo isso ela se jogou no rio e Mulder a seguiu. Eles conseguiram alcançar Jonathan, Evy e O'Connel e chegaram na margem do rio. Além das armas e das roupas que estavam vestindo, eles não conseguiram pegar mais nada. "Que droga, Mulder. Onde foi que você nos meteu?" Mulder olhou para Scully com seu pijama claro, agora transparente, toda encharcada como ele próprio e todos os outros. Ele piscou o olho para ela. "Scully, relaxe, estamos de férias." Ele fala junto ao ouvido dela. "Você fica mais sexy nesse pijama molhado do que Evy naquela camisola de seda." Scully sentiu o corpo inteiro arrepiar e ia falar alguma coisa quando ouviu gritos vindos da outra margem do rio. "O'Connel, parece que todos os cavalos ficaram nessa margem." Era Beni, o desafeto de O'Connel zombando da sorte dele. Mas O'Connel não se deu por vencido e gritou de volta. "É, mas nós é que estamos na margem certa do rio." Eles andaram a noite inteira até que, pela manhã, chegaram em um pequena cidade, cheia de comerciantes nas ruas. Evy chamou Scully. "É melhor procuramos roupas pra nós. Estamos em desvantagem em relação aos rapazes, afinal, eles não estão usando roupas de dormir." "Concordo, mas como vamos fazer isso? Tudo que é meu ficou no barco. Ainda bem que deixei o passaporte no cofre do hotel." "Bom, eu peguei algum dinheiro com meu irmão. Por que não pede ao Mulder? Ele está vestindo roupas comuns. A carteira dele deve estar no bolso da calça...Vocês não estão juntos?" "Juntos? Não, nós somos apenas parceiros. Trabalhamos juntos. Bom, somos amigos." Para Evy pareceu que Scully ficara um pouco embaraçada. "Pensei que namorassem. O jeito que olham um por outro...Bem, já que ele é seu amigo peça algum dinheiro emprestado." Scully sorriu, meio sem graça e foi falar com Mulder. Ele fez uma pequena gozação sobre preferir ela de pijama mas emprestou o dinheiro. Jonathan, Mulder e O'Connel foram comprar camelos enquanto as garotas foram a procura de roupas. Jonathan começou a reclamar dos preços e O'Connel resolveu brincar com ele. "Bastava dar sua irmã em troca desses camelos." Mal ele acabou de falar, Evy e Scully apareceram. As duas vestindo roupas egípcias. Evy vestia uma calça e túnica pretas transparentes. O véu sob seu rosto também era preto e tinha contas douradas. Scully estava vestindo uma calça e túnica cor de vinho, também transparentes, e véu da mesma cor. As duas estavam lindas e deixaram os rapazes de queixo caído. O'Connel abriu a boca quando viu Evy. Mulder engoliu em seco ao ver Scully. E Jonathan começou a rir. "É melhor irmos embora antes que vocês comecem a pensar em outra coisa." Do alto de uma imensa duna, vários homens vestindo túnicas negras, observavam cinco camelos andando sob o imenso sol do deserto. Os 'magis' jamais desistiriam de seu objetivo. Mulder, Scully, Jonathan, O'Connel e Evy viajaram dia e noite em cima de seus camelos. O deserto era um lugar contraditório. Durante o dia o calor era intenso. Porém, à noite, o frio era quase palpável. Mulder estava um pouco preocupado com Scully, afinal, isso era diferente de tudo que eles tinham feito até o momento. Sair do país à procura de uma cidade perdida, enfrentar um incêndio num barco, atravessar o deserto montada num camelo eram coisas que Scully nunca sonhara em fazer na vida. Mulder percebeu um ar cansado nela. "Tudo bem, Scully? Ainda está chateada comigo?" Scully notou a preocupação na voz dele e sorriu, tranqüilizando-o. "Estou bem, Mulder. Sério. Só estou cansada." Depois de mais uma noite fria no deserto, finalmente eles chegaram ao lugar onde deveria estar localizada Hamunaptra. Beni, o egiptólogo, os três americanos e mais alguns escavadores contratados por eles se encontraram com Mulder, Scully e seus amigos no meio do deserto. Todos pararam ao mesmo tempo e Mulder, sem entender, perguntou o que estava acontecendo. O'Connel pediu um pouco de paciência. "Aguardem um momento. Daqui a pouco vocês verão a revelação do caminho." Os quatro olharam para ele e depois para o horizonte. O sol começou lentamente a ficar mais alto e, como num passe de mágica, as ruínas de Hamunaptra, a cidade dos mortos, apareceram no meio da areia escaldante. Depois de um breve momento de pura fascinação, todos correram para as ruínas. Mulder, Scully, O'Connell, Evy e Jonathan nos seus camelos e todos os outros em seus cavalos. Ao chegarem nas ruínas, os americanos e seus escavadores começaram logo a cavar. Mulder, Scully e Evy ficaram fascinados com o que viram. Scully não se conteve e começou a rir. "Mulder, isso é incrível! Mas será que aqui é mesmo Hamunaptra?" Como sempre, seu ceticismo tomava conta de suas emoções. Evy estava radiante. "Sim, aqui é Hamunaptra. Vejam!" Ela apontou para uma enorme estátua com rosto de animal – uma mistura de cavalo e cachorro – e grandes olhos saltados. "Esta é a estátua de Anúbis. Tem as pernas enterradas. Segundo os peritos, há embaixo dela um lugar secreto que esconde o livro de Amon-Rá." Mulder achou alguns espelhos. Grandes, enormes. Estavam sujos, cheios de areia e um pouco enferrujados. O'Connel perguntou o que fariam com aqueles espelhos velhos. Evy ficou indignada. "Eles não são velhos, são antigos. Vamos, rapazes, me ajudem a levá-los pra dentro." Já dentro das ruínas, Evy posicionou os espelhos de uma forma que eles refletiram a luz do sol iluminando toda a sala. Ela descobriu que eles estavam na Sah-Netzer, a sala preparatória onde as múmias eram embalsamadas. Scully sentiu um arrepio frio percorrer seu corpo. Mulder percebeu e passou a mão no seu braço. Ele olhou pra ela com carinho. "Tudo bem?" Ela assentiu com a cabeça. Eles passaram para a sala onde as pernas de Anúbis estavam enterradas. A sala tinha um cheiro horrível e todos sentiram uma coisa estranha no aposento, como se algo muito ruim pairasse ali. Sons estranhos começaram a ecoar pelas paredes. Mulder ficou perto de Scully. "Eu estou bem, Mulder, não precisa ficar preocupado." Ele fez um gracejo. "Eu sei, estou preocupado comigo. Preciso da sua proteção." Os dois riram. Enquanto Evy ia dando explicações históricas, Jonathan, sem querer, encontrou um sarcófago ao pés de Anúbis. Ele estava fingindo jogar golfe, quando jogou alguma coisa no sarcófago e este caiu aos pés de Mulder, Scully, Evy e O'Connel. Depois de passado o susto, todos olharam admirados para o sarcófago. Evy descobriu que o artefato que Jonathan encontrara era realmente uma chave. E essa chave poderia abrir o sarcófago. A noite caiu no deserto. Os americanos e seus amigos fizeram um acampamento em um lado das ruínas e Mulder, Scully e os outros do outro lado. Jonathan estava dormindo tranqüilamente e Mulder e Scully observavam Evy e O'Connel conversando. Scully comentou. "Parece que ela gosta dele." Scully estava sentada no chão abraçando seus joelhos. Mulder deitou ao lado dela apoiando-se em um dos braços. "É verdade. Ele não dá o braço a torcer mas também está atraído por ela." Num impulso Scully perguntou. "Isso incomoda você, Mulder?" Ele olhou surpreso para ela. "Por que incomodaria, Scully? Por acaso você não está pensando que eu já tive algum caso ou coisa parecida com Evy, não é?" Ele viu a expressão dela. "Meu Deus, você realmente pensou isso! Scully quando eu estudei na Inglaterra Evy era uma menina. Uma menina adorável, é verdade, mas uma menina. Além do mais eu era apaixonado por Phoebe naquela época." Scully engoliu em seco. "Você ainda é apaixonado por Phoebe, Mulder?" "Scully, eu disse que 'era' apaixonado por Phoebe 'naquela época'. Não sei porque você teve essa idéia, Scully. Há tempos que nem lembro que ela existe." Scully não falou nada. Olhou pra Evy e O'Connel. Ele parecia estar ensinando ela a lutar. Pareciam estar se divertindo. Scully soltou um longo suspiro. Ela gostaria que seu relacionamento com Mulder fosse mais profundo, passasse da amizade para algo mais intenso, maior, mais profundo. Mais carnal. Sim, porque ela, Dana Katherine Scully, era completamente apaixonada por Fox William Mulder, seu amigo, seu parceiro. Era difícil para ela vê-lo sempre na sua frente tão bonito, tão másculo e ao mesmo tempo com um ar tão infantil, e não poder fazer nada além de alguns toques de mãos, ou nas raras vezes que ela tomava coragem e desarrumava o cabelo dele. Ela queria mais. Queria poder abraça-lo de verdade, beija-lo, toca-lo como uma mulher apaixonada toca seu amante. Scully estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu que Mulder se aproximara mais dela. O rosto dele estava a apenas alguns centímetros do dela. Scully levou um leve susto ao perceber isso. Sentiu o ímpeto de recuar, mas a vontade de avançar e a força do olhar de Mulder sobre ela foram mais fortes. Lentamente ela aproximou mais os poucos centímetros que os afastava e tocou os lábios dele com os dela. No início foi uma leve carícia, apenas um suave roçar. Mas, com delicadeza, Mulder forçou os lábios de Scully com a língua e intensificou o beijo. Scully suspirou e acariciou os cabelos macios do parceiro. Ele a enlaçou pela cintura e a puxou para mais perto, colando todo seu corpo no dela. Scully, num breve momento de hesitação, empurrou Mulder levemente. Ele não aceitou. "Scully, nós já esperamos tempo demais." Ela olhou em volta e viu que todos dormiam, inclusive Evy e O'Connel. Ela voltou o olhar para Mulder e concordou com ele. "Tem razão, Mulder. Nós já esperamos tempo demais." A lua cheia iluminava o acampamento em frente as ruínas de Hamunaptra, onde todos dormiam. Todos, menos Mulder e Scully, que se amavam com paixão e ternura. Desejo e carinho. Amor e respeito. Selvagem e delicadamente ao mesmo tempo. Não quiseram conversar. Resolveram deixar isso pra outro dia. Depois de terem se entregado com todo amor e desejo acumulados durante anos, eles adormeceram nos braços um do outro, felizes e realizados. Mas não por muito tempo. Os 'magis' apareceram atirando e os dois grupos resolveram se unir. Ao menos durante a noite. Mulder e Scully pegaram suas armas e atiraram contra os 'magis'. Os outros fizeram o mesmo. Inexplicavelmente ninguém acertou em ninguém. Os 'magis' foram embora e todos voltaram a dormir. O dia amanheceu radioso em Hamunaptra. Mulder, Scully, Evy, Jonathan e O'Connel foram tentar abrir o sarcófago que haviam encontrado na noite anterior. Evy posicionou a chave no lugar e conseguiu abri-lo. Quando ela escancarou a tampa do sarcófago todos gritaram. O que viram era de revirar o estômago de qualquer mortal. Uma múmia com a boca escancarada, os dentes a mostra, úmida e pegajosa. Mesmo Scully, acostumada a fazer as mais difíceis autópsias, deu um grito de nojo. Evy observou. "Vocês estão vendo? Essa múmia está aqui há milhares de anos e parece que ainda está se decompondo." Mulder virou o rosto. "Não sou obrigado a ver isso, não é?" Scully observou. "Olhem, tem arranhões no sarcófago. E uma inscrição." Ela olhou para Evy. "Você sabe o que isso significa?" Evy se aproximou do sarcófago. "Meu Deus! Essa pessoa foi mumificada viva. Ele deve ter feito algo muito grave. Tão grave que acho que aplicaram o castigo do 'hom daí'. O mumificaram vivo e colocaram escaravelhos vivos dentro do sarcófago." Mulder se virou para Scully. "Scully, por favor, quando eu morrer eu quero ser cremado." Jonathna perguntou a Evy. "Mas afinal, o que diz essa inscrição?" Evy leu a inscrição. "A morte é apenas o princípio" Todos olharam para ela. A noite caiu novamente nas ruínas. Mulder tentara conversar com Scully diversas vezes mas ela se esquivara. Mulder não estava entendendo o que estava acontecendo, mas ele não desistiu. Quando Scully se preparava para dormir, ele a abordou. "Scully, o que está acontecendo? Você se arrependeu do que houve ontem entre nós?" Scully viu o medo estampado nos olhos do parceiro. "Não, Mulder. Não me arrependi." Ele soltou um suspiro aliviado e ela continuou. "Mas não quero falar sobre isso agora. Durante todos esses anos nós fomos parceiros, amigos. É uma grande mudança. Um grande passo. Não sei o que você sente, não falamos sobre isso. Apenas nos deixamos levar pelo desejo naquele momento." "Scully, você não faz a mínima idéia do que eu sinto por você? Scully, eu..." Ele não pôde terminar. Uma enorme nuvem de gafanhotos surgiu, ninguém sabe de onde, e todos correram para as ruínas. Mulder olhou espantado para a nuvem que se aproximava, agarrou a mão de Scully e a arrastou para dentro com os outros. Eles começaram a correr dentro das ruínas e encontraram Jonathan, Evy e O'Connel. Mulder perguntou. "O que está acontecendo?" Evy estava uma pilha de nervos. "Ai, meu Deus, a culpa foi toda minha. Eu vi o egiptólogo com o livro dos mortos e quando ele dormiu eu o roubei." Ela olhou para O'Connel e viu que ele estava rindo. "Quer dizer, peguei emprestando. Bom, sem querer eu li uma citação que parece que ressuscita os mortos." Mulder ficou perplexo. "Você ressuscitou algum morto?!" Evy começou a gaguejar. "Eu, eu.." Antes que Evy pudesse terminar de falar eles viram milhares de escaravelhos vindo na direção deles. Todos começaram a correr. Mulder e O'Connel atiraram nos escaravelhos e continuaram a correr. Foi então que Mulder deu por falta de Scully. Ele começou a chamar seu nome. "Scully...Scully...SCULLEEEEEEEEEEEE..." Scully percebeu que estava perdida. Ela havia se afastado do grupo quando vira os escaravelhos. Enquanto eles se aproximavam ela havia se enfiado numa entrada que vira na parede. Agora não fazia a mínima idéia de onde se encontrava. Começou a chamar por Mulder até que uma coisa no chão lhe chamou a atenção. Ela se aproximou e viu que era um corpo. Seu coração bateu mais forte. Estava escuro, ela não conseguia ver direito quem era. Quando finalmente chegou junto do corpo ela emitiu um grito abafado. Um dos americanos texanos jazia ali, com a pele completamente seca, como se seus fluidos houvessem sido sugados, sem língua e sem olhos. Scully sentiu que havia alguma coisa atrás dela. A múmia que haviam encontrado anteriormente estava de pé, falando com ela numa língua que ela não conseguia entender. Scully estava apavorada, não conseguia falar nem gritar. A múmia se aproximou mais e falou. "Anksunamum." Mulder chegou nesse momento e atirou na múmia até que ela caiu no chão. Os outros chegaram a tempo de ainda vê- la de pé. Mulder pegou na mão de Scully e todos correram dali. Eles foram pra fora das ruínas e perceberam que havia amanhecido. Mas a manhã estava muito escura. Nuvens pesadas cobriam o céu e um vento cortante varria as areias. Eles viram um dos 'magis' e perguntaram o que estava acontecendo. O 'magi', um homem moreno com sinais tatuados no rosto, contou a eles toda a história de Imhotep e Anksunamum. Scully lembrou. "Ele disse essa palavra quando se aproximou de mim." O 'magi' ficou preocupado. "Ele vai precisar de você para ressuscita-la." Mulder se aproximou dela e segurou sua mão. "Não vou deixar que isso aconteça, Scully." Bolas de fogo começaram a cair do céu. Scully ficou assustada. "Meu Deus, o que está acontecendo?" O 'magi' explicou. "São as pragas do Egito. Vamos. Todos para dentro." Eles correram novamente para as ruínas enquanto as bolas iam caindo nas areias do deserto. Ao chegarem lá dentro, procuraram um lugar o mais seguro possível. O mais longe possível da múmia. Jonathan estava com sede e abriu o cantil para beber água. Todos olharam para ele quando ele cuspiu a água, enojado. "Isso é sangue!" O 'magi' balançou a cabeça. "Mais uma praga." Mulder, Scully, Evy, Jonathan e O'Connel perceberam que estavam sozinhos com o 'magi'. Os texanos e seu grupo haviam conseguido fugir. Eles olharam em volta e descobriram que estavam na sala do tesouro de Hamunaptra. Tudo ali era dourado. Havia pedras, jóias, estatuetas e ídolos. Tudo de ouro. Todos ficaram fascinados. De repente, Mulder olhou para Scully e viu que ela estava com o rosto apavorado. Ele olhou na direção que ela olhava e viu a múmia se aproximando. Mulder sacou sua arma e ia atirar novamente, mas o 'magi' segurou sua mão. "Não faça isso. Não vai adiantar nada. Nós precisamos saber como derrotar essa múmia, mas não será atirando." A múmia estava cada vez mais perto e eles não tinham para onde correr. Evy falou. "Eu tenho a solução mas acho que vocês não irão gostar. Bem, ela quer Scully para poder ressuscitar a amada. Scully, se você for com ela voluntariamente, nós poderemos tentar achar o livro de Amon- Rá. Nesse livro estão as citações para derrotar a múmia." Mulder ficou furioso e se colocou na frente de Scully. "Nem pensar! Você ficou maluca? Não vou deixar Scully se arriscar desse jeito." Lentamente, a múmia se aproximava mais e mais. Scully tocou suavemente o braço de Mulder. "Mulder, ela tem razão. Eu vou e vocês procuram o livro." "Não, Scully, não. Não vou deixar você fazer isso." Ela falou suavemente. "Mulder, é o único jeito. Eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Seu eu não for, ela poderá num instante matar todos nós." Mulder ainda tentou argumentar, mas a múmia chegou perto deles e pegou Scully pelo braço. O'Connel arrastou Evy para longe e Jonathan fez o mesmo com Mulder. Eles seguiram o 'magi'. Mulder se virou para trás e viu Scully saindo com a múmia. Mulder estava apavorado, mas Scully lhe pareceu tranqüila. Ele leu nos lábios dela. "Vai dar tudo certo." Mulder, O'Connel, Evy, Jonathan e o 'magi' conseguiram encontrar a estátua de Horus, onde Evy descobrira que estava o livro de Amon-Rá. Eles encontraram o livro de ouro e foram procurar Scully. A encontraram amarrada em uma mesa de pedra, junto de um pequeno lago. Do lado dela se encontrava a múmia de Anksunamum. Imhotep começou a falar as palavras sagradas e a água do lago começou a ondular perigosamente. Mulder estava super nervoso. Mentalmente ele repetia as palavras de Scully. 'Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo.' Scully estava apavorada. Evy começou a ler as palavras do livro de ouro. Então todos viram uma coisa incrível. A fiel tropa do faraó apareceu em forma de espectro elevou para longe a alma de Imhotep, tornando-o mortal. Ele avançou para cima de Mulder, que se aproximara da mesa onde Scully se encontrava. Mulder se virou a tempo e o acertou com um tiro, dessa vez fatal. O corpo de Imhotep explodiu no ar e desapareceu na água do lago. Mulder desamarrou Scully e a abraçou. "Você tinha razão, Scully. Deu tudo certo." As ruínas de Hamunaptra começaram a desabar. Todos correram para fora. Do lado de fora viram aquelas ruínas se transformarem em pó, enterrando para sempre, o tesouro de Hamunaptra. Todos respiraram aliviados e o 'magi' se despediu dos demais. "Que Alá esteja com vocês." Os camelos ainda estavam do lado de fora. Pareciam esperar pacientemente por eles. Todos se dirigiram aos camelos e Mulder puxou Scully pela mão. "Scully, você não quer saber o que eu ia dizer quando aquela nuvem de gafanhotos me atrapalhou?" Ela sorriu para ele. "Quero, Mulder. O que você estava me dizendo?" "Aquela noite foi a mais feliz da minha vida, porque finalmente pude mostrar fisicamente o que sinto por você. Eu amo você, Scully." Ela riu feliz. "Também amo você, Mulder." Eles se entregaram num beijo apaixonado e Evy e O'Connel fizeram o mesmo. Jonathan se aproximou de um camelo falando ironicamente. "E você, querida, também não quer um beijinho?" Ele desistiu da idéia quando sentiu o hálito do camelo. Jonathan montou um camelo, Mulder e Scully em outro e Evy e O'Connel em outro. Eles partiram em direção ao sol deixando para trás Hamunaptra, a cidade dos mortos. FIM