FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br / pisosul@uol.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper / NC17 SINOPSE : Essa fic é uma continuação da estória Não Resista ao amor, feita pela Juliana Soares que, tão gentilmente, dedicou-a a mim. A estória dela fala do Mulder seqüestrando a Scully e a levando para uma casa nas montanhas, emprestada de uma senhora chamada Selma ( olha que charme ! ) cujo marido morreu sem saber que ela o amava. OBSERVAÇÕES : Também me utilizei da idéia da Juliana para colocar no papel um sonho que a Juli me contou e que pediu que eu desse uma versão NC17. Então está aí, espero que gostem e me mandem feedback. Jujuba e Juli, espero ter feito juz à confiança de vocês. AMOR SEM RESERVAS Local desconhecido... Scully abriu os olhos sonolenta. Sua mente divagava e ela tentava colocar os pensamentos em ordem, identificando o local onde estava. A cama ainda estava aquecida mas não havia ninguém ao seu lado. Sentou-se lentamente, passando a mão pelos cabelos em desalinho. Do banheiro vinha o som da água correndo pela torneira e um meio sorriso, misto de surpresa e alegria, estampou-se em sua face, iluminado-lhe o semblante. Levantou-se e estendeu os braços para pegar uma camisa jogada aos pés da cama. Vestiu-se e caminhou em direção ao banheiro. __ Oi Scully ! __ Mulder cumprimentou, mostrando seu belo sorriso de menino__ Dormiu bem ?__ continuou com olhar entre interessado e debochado. __ Hum, hum ! __ ela limitou-se a responder, balançando a cabeça. __ Essa camisa fica melhor em você do que em mim __ ele riu, apontando os trajes dela. Scully olhou para si mesma e para a camisa dele que cobria suas pernas até a altura dos joelhos. As mangas, muito longas, tinham sido dobradas diversas vezes para deixar o antebraço à mostra. Ela fez um rápido exame e voltou a olhar para o parceiro, com sorriso irônico. __ Se ela fosse uns três centímetros maior eu estaria pisando na bainha ! Eles riram __ O que está fazendo ? __ ela perguntou interessada. __ Achei esse troço aqui e resolvi testar minhas habilidades de cirurgião __ ele contou, mostrando a navalha brilhante. __ Sabe fazer isso ? Pode se machucar__ ela falou, demonstrando preocupação. __ Na verdade, nunca tentei __ Quer que eu o ajude ? __ ela se ofereceu gentil. __ Faria isso ? __ ele perguntou, com seu sorriso de menino__ Sabe fazer ? Ela aproximou-se dele e tirou a navalha de suas mãos, analisando a peça. __ Só terá que se ajoelhar para eu alcançar o seu... Antes que ela terminasse de falar, ele a suspendeu pela cintura, sentando-a sobre o mármore gelado da pia e colocou-se entre as pernas dela. __ Assim está melhor ! __ ele concluiu, aproximando os lábios dos dela__ A propósito, não me lembro de ter recebido um bom dia ! Scully tocou os lábios dele, numa carícia terna, murmurando um cumprimento de bom dia e se concentrou no que pretendia fazer. __ Bom !Agora fique quieto !Vamos ver como se usa isso ! __ falou analisando a peça prateada em sua mão, com olhar curioso. __ Scully, você sabe o que está fazendo ? __ Mulder perguntou assustado. __ Não seja medroso Mulder ! __ ela retrucou, envolvendo-o com as pernas, impedindo que ele fugisse. __ Qual a sua experiência com essas coisas ? __ Eu sou uma médica, Mulder ! __ ela começou com olhar divertido __ Já usei muitos instrumentos semelhantes a esse ! __ Mas eu não quero fazer uma cirurgia, Scully ! Muito menos ser autopsiado ! __ ele falou, exibindo sua melhor expressão de pânico __ Você está me assustando ! Scully começou a rir, enquanto espalhava a espuma sobre o rosto dele com toques carinhosos. __ Acalme-se, parceiro ! Não confia em mim ? Sabe que jamais o machucaria, não é ? __ falou com voz meiga. Ele relaxou e abriu um sorriso. __ Bom ! __ ela continuou __ Pelo menos não intencionalmente ! Quer dizer, houve uma vez... __ ela relembrou o dia em que havia atirado nele para evitar que matasse Kricek __ Mas foi para o seu bem ! Também existe o fato de eu ter sido trazida para cá somente de roupão, num frio pavoroso e... __Scully!! __ Mulder falava, afastando-se dela __ Eu recompensei isso de alguma forma, não foi ? __ É __ ela falou pensativa, aumentando a pressão das pernas em torno dele e erguendo a sobrancelha___ Acho que posso levar isso em conta. Ela começou a passar a navalha sobre a pele dele com cuidado, em gestos pequenos e meticulosos, o olhar atento e compenetrado de um cirurgião. Ele a observava calmamente, admirando os traços finos e delicados dela, os lábios rosados tão próximos e pensou em como estava gostando de tê-la ali ao seu lado, recordando-se da noite anterior e um sorriso veio aos seus lábios. __ Em que está pensando ? __ ela perguntou, afastando a lâmina __ Não devia se mexer, essa navalha está muito afiada. __ Pensava em você ! E em como é bom estar aqui. Ela sorriu, voltando ao trabalho. Também apreciava demais estar com ele. Não sentia mais o tensão dos dias anteriores, estava tranqüila e bem disposta. Mulder fechou os olhos e pousou as mãos sobre as pernas dela, embaixo da camisa que lhe corria os joelhos . Começou a acariciá-la devagar , sentindo a textura macia da pele arrepiada pelo seu toque. __ Mulder !? __ ela murmurou __ Assim vou acabar cortando sua jugular ! Ele parecia não ouvir. Procurou os lábios dela e aprofundou o toque, espalhando o creme branco do seu rosto sobre o dela. Scully soltou a navalha e rodeou o pescoço dele. Mas parecia haver alguma coisa estranha na maneira como ele a beijava, não parecia a mesma pessoa. Seus lábios estavam frios, havia um gosto amargo em sua boca e ela franziu a testa, afastando- se intrigada. O grito que ela soltou, ecoou por toda a casa. Em questão de minutos ela estava em pé, no meio do quarto, procurando a arma com mãos trêmulas. Mulder dormia e pulou da cama assustado com o grito dela. __ Scully ! O que foi ? __ Você ! __ ela balbuciou, olhando-o assustada, sem entender o que havia ocorrido__ Quer dizer... era você... mas não era mais... no banheiro...__ ela murmurava frases desconexas. Mulder entrou no banheiro, tudo estava absolutamente no mesmo lugar, nenhum barulho, nada dentro da banheira e ele voltou para o quarto . __ Não há nada ali, Scully __ falou, vendo-a com olhos fixos na porta. __ Eu vi, Mulder ! __ O que foi ? __ ele falou, aproximando-se dela. Sentou-a na cama e segurou as mãos geladas da parceira __ Tenha calma ! O que aconteceu ? __ Eu... eu acordei __ ela começou ,tentando se acalmar __ e você estava no banheiro... ia fazer a barba e...__ ela parou relutante__ Bem... você me beijou... eu senti uma coisa estranha e quando olhei não era mais você e... __ Como é que é ?? __ ele riu, divertindo-se com o olhar assustado dela __ Demoramos tanto para chegar aqui, dessa forma e você se atira nos braços de outro na primeira noite, Scully ? __ Mulder, pare ! Eu estou falando sério ! Havia um homem ali, ele era velho, os olhos dele... Pelo amor de Deus Mulder ! Ele estava morto ! __ ela falou nauseada, ao se lembrar do contato de seus lábios com a entidade. __ Scully, você sonhou ! Não há nada aqui ! Tente se acalmar ! O impressionável aqui sou eu, está lembrada ? __ ele continuou, envolvendo os ombros dela. Ela respirou fundo várias vezes, procurando abrigar-se à luz da racionalidade que a caracterizava. Era uma explicação razoável ! Só poderia ser sonho ! Só poderia ser isso ! Relaxou e deixou-se abraçar pelo parceiro que acariciava seus cabelos. Sentia-se segura agora. Mas, de repente, os braços que a envolviam tornaram-se frios. __ Senti tanta saudade ! __ dizia alguém com voz baixa e monótona . Scully afastou-se para ver o homem novamente. O olhar esgazeado, o rosto enrugado e decrépito e ela gritou novamente. Ouviu um barulho na porta e correu o mais rápido que pôde para a sala. Mulder entrava calmamente, depositando um pacote sobre a mesa que foi ao chão quando ela jogou-se nos braços dele apavorada. __ Nossa ! __ ele falou impressionado__ Tudo isso é saudade, Scully ? __ falou em tom zombeteiro, enquanto a abraçava. __ Eu não fico aqui nem mais um minuto, Mulder ! __ ela gritou . __ O que houve ? Não pode sair assim, Scully, você só está enrolada no lençol ! Está um frio medonho lá fora ! __ ele interrompeu, segurando-a pelos braços. __ Mulder tem alguma coisa estranha nessa casa e eu vou embora já ! __ dizendo isso, ela voltou relutante ao quarto e pegou as roupas espalhadas pelo chão, vestindo-se apressadamente. __ Não vai me dizer o que viu, Scully ? __ Mulder perguntava encostado ao batente da porta, enquanto a observava juntar as peças e vestir-se. __ Eu não sei exatamente o que eu vi, Mulder ! Mas não quero ver de novo ! __ Vai ver foi o espírito do dono da casa ! __ Mulder falou rindo, arrependendo-se imediatamente ao ver que ela se aproximava dele com os olhos chispando. __ Você me trouxe para uma casa assombrada, Mulder ? __ ela perguntou indignada. __ Calma, Scully ! Eu não sabia que havia fantasmas na casa ! E, afinal, você não acredita nisso, lembra-se ? __ Pro inferno com o que eu acredito, Mulder ! __ ela berrou __ Eu vou embora daqui com ou sem você ! Mulder ficou subitamente calado. Seus olhos se arregalaram e sua pele ficou branca. __ Scully ! Ele....ele__ disse assustado__ ele está ao seu ... está aí ... Eles pegaram suas coisas rapidamente e saíram correndo para o carro. Voltaram a conversar somente quando estacionaram em frente ao apartamento dela. Seus olhos assustados deram lugar a um brilho de divertimento quando se sentiram seguros em casa . Scully foi a primeira a rir . __ Acho que estamos começando a ser perseguidos pelos casos que investigamos, Mulder ! __ ela falou, dirigindo-se para o quarto. __ Desculpe, Scully ! Dessa vez eu não planejei nada ! Não imaginava que... bom... deixa pra lá ! Está brava comigo ? __ disse aproximando-se da porta do quarto. Ela voltou-se para fitá-lo. Após toda aquela confusão,ainda não tinha tido tempo de assimilar o que havia acontecido entre eles. Não sabia exatamente como agir ao fitar o homem à sua frente e que , de uma noite para outra, passara a ser literalmente, algo mais do que seu parceiro de trabalho. Mas sentia-se feliz pela situação criada. Mulder a queira tanto quanto ela a ele. Tinham passado momentos incomparáveis juntos nos últimos sete anos, mas nada se aproximava da sensação de senti-lo ao seu lado, ardoroso e apaixonado. Desta vez não havia divergência de opiniões e cada toque, cada palavra, tinham um significado único, que dizia respeito apenas aos sentimentos e emoções que partilhavam. Sorriu para tranqüilizá-lo . __ Não estou irritada com você, Mulder ! Como poderia ?! Só um pouco assustada ainda ! O que acha que era ? __ Não sei ! Talvez ele tenha identificado a esposa em você e queria ... __ Acha mesmo que era um fantasma ?? __ Diga-me você, o que acha que era ? __Talvez eu estivesse sonhando, estivéssemos sofrendo de alguma alucinação.... __ Alucinação compartilhada, Scully ? Eu também vi aquilo__ ele riu. Gostava de ver a expressão dela quando não tinha como explicar racionalmente alguma coisa e gostava realmente de confundi-la com as mais tolas perguntas. __Bom, nós estávamos envolvidos com tantas ... quer dizer...não sei explicar , mas deve haver alguma coisa que não observamos... a dona da casa poderia... Mulder revirou os olhos, balançando a cabeça. __ Só você para racionalizar tudo assim, Scully ... Bom... sei lá... não tem importância... __ É você mesmo, Mulder ? Você dizendo que não têm importância um caso sem explicação ? __ Acho melhor eu ir...__ começou a dizer titubeante , virando-se para a sair. Também não sabia como agir naquele momento. Realmente nada tinha importância naquele momento, exceto a mulher à sua frente que havia provocado uma tempestade de emoções dentro dele na noite anterior. Que havia lhe mostrado o outro lado da mulher racional e ponderada, aninhando- se confiante e terna em seus braços e lhe dera um dos melhores , senão o melhor, momento de sua vida. Queria ficar ali com ela, por mais uma noite, um mês, por toda a vida mas sentia-se tímido em pedir-lhe mais do que ela havia lhe dado. __ O que vai fazer ? __ ela perguntou timidamente. __ Sei lá, não tenho idéia, mas acho que você vai querer descansar e.... __ Fica ! __ ela falou com voz tão firme e urgente que ela mesma se assustou. Já sentira na pele o grau de intimidade a que eles haviam chegado em sua amizade, mas agora precisava saber as conseqüências disso no relacionamento deles como um todo. Precisava ouvir dos lábios dele o que ele demonstrara através de carícias. Para a sua mente racional, era urgente falarem sobre isso. Dar nomes, medir conseqüências, estabelecer direções...bem... na verdade, tudo era uma grande desculpa, para que ele ficasse com ela. Só isso bastava. Mulder a fitou com carinho . __ Posso ? __ Claro ! __ ela retribuiu o sorriso e aproximou-se dele __ Acho que ainda não tivemos tempo de pensar em ... no que aconteceu .. e.. Mulder não deixou que ela terminasse, fez exatamente o que ela imaginava que seria uma posição lógica e racional a adotar naquele caso. Puxou-a pela cintura e a beijou com paixão. Algumas horas depois... Scully acordou ao ouvir o barulho da água caindo na pia. Levantou-se e colocou a camisa que estava no chão. Lembrou-se do dia anterior e um arrepio percorreu seu corpo. Parou encostada no batente e fitou o homem de cabelos molhados e sorriso sereno que se instalara no seu banheiro. __ Estou com uma estranha sensação de deja vu, Mulder __ falou sorrindo. __ Esse sou eu Scully, pode ter certeza ! __ ele retribuiu o sorriso. __ Quer ajuda ? Mulder estendeu a navalha para ela e sentou-se sobre o assento do vaso, tendo-a em pé na sua frente. __ Onde conseguiu isso ? __ ela perguntou, apontando para a lâmina. __ Trouxe lá do chalé. Não é bonita ? Sempre quis tentar fazer isso. __ Se prometer que vai continuar sendo você mesmo até o fim, eu posso fazer isso pra você. Ele riu. __ Pode apostar que não vou a lugar nenhum, Scully ! __ disse, fechando os olhos . Ela trabalhava atenta, com cuidado para que a lâmina não machucasse a pele dele. Tentando não pensar nas mãos que desciam da sua cintura em direção às suas pernas. __ Mulder ! Eu vou acabar te cortando ! __ ela suplicava em voz baixa. __ Ok ! __ ele falou, deixando os braços caírem ao longo do corpo __ É que... Ela deixou a lâmina descansando numa das mãos e o fitou. __ Acho que precisamos falar sobre isso não ? __ Acha que precisa , Scully ? Há muito tempo eu espero pra estar assim com você, integralmente com você. __ Desde quando ? __ ela perguntou curiosa __ Não sei dizer exatamente__ ele começou, com olhar perdido num ponto entre aqueles belos olhos azuis e a cruz no pescoço dela. __ Acho que eu sempre te esperei, sempre soube que você chegaria, não como minha amante, mas algo muito maior do que isso. Você veio numa época em que eu precisava desesperadamente confiar em alguém. Talvez se tivéssemos nos conhecido nos corredores do FBI eu nem teria te notado porque estava atrás de alguém que pudesse ser minha cúmplice mais do que minha amiga. Não havia espaço para envolvimento amoroso. Ele alisou os braços dela que continuava em pé, olhando-o atentamente, registrando cada palavra, cada expressão e continuou com tranqüilidade. __ A princípio você foi freio para minhas loucuras, de certa forma, me frustrava. Depois tornou-se um desafio para minha para minha promessa de não confiar em ninguém, me assustava . Tornou-se minha cúmplice, conquistou minha confiança, meu respeito, minha admiração, e eu adorava. Quando eu me dei conta, estava tão envolvido que ter você ao meu lado era mais que uma necessidade, era vital. Queria te proteger do mundo em que eu estava mergulhado e, por diversas vezes, pensei em desistir desse mundo para não ver mais a tristeza nos seus olhos, para não me sentir morrendo quando te via sofrer, para poder te devolver o sorriso aos lábios porque ele se tornava mais raro a cada dia. Mas, mais uma vez, você foi minha amiga, não me deixou fazer isso, porque sabe que minha vida está nessa procura. Da nossa parceria surgiu uma amizade que não precisa de palavras para ser definida, mas parece que nunca será suficiente. Eu queria mais, Scully, mais de você, pra mim, e ontem não deu pra segurar. Talvez eu esteja sendo apenas um calhorda egoísta por te envolver dessa maneira em uma vida perigosa e sem sentido como a minha , mas é mais forte que eu. Quanto mais eu te conheço, quanto mais você se abre para mim, mais eu quero, mais eu preciso, muito mais eu desejo. Ele passou as mãos pelos cabelos dela, descendo pelo pescoço em direção ao busto. __ Eu quero estar aqui, Scully, nos seus pensamentos, na sua pele, no seu coração, onde quer que você queira me receber, mas eu temo que, ainda assim, não será o suficiente para o quanto eu preciso. Guarde-me inteiro Scully, onde e da forma que você quiser. Como parceiro, como amigo, como amante, ou simplesmente, um lunático. No escritório ou na cama, apenas mantenha-se junto a mim. Ela bebia cada palavra dele com olhos fixos, as mãos pousadas sobre seus ombros. Imaginando se seria capaz de corresponder à tamanha entrega. Voltou a trabalhar com a navalha afim de desfazer o clima denso que se estabelecera. Mas, após alguns segundos, pareceu não ser justo da parte dela, deixar sem resposta uma tão completa confissão. __ Mulder__ começou timidamente__ Você sabe o quanto é difícil para mim entrar no campo das emoções e sentimentos... Ele apenas ergueu os olhos para ela. __ Jamais seria capaz de te dizer o que você me disse agora, mas quero que saiba que me sinto da mesma forma. Se isso servir como confissão, saiba que sempre tive um medo enorme de me envolver, de me ligar a alguém porque temia um desfecho infeliz. Sempre me protegi , me fechei. Você modificou tudo, sua marca está indelével em cada parte da minha história, dos meus pensamentos, meus sentidos e, agora, do meu corpo. Aonde eu te quero ? Aqui, do meu lado, onde quer que nós estejamos. Acho que essa entrega não poderá ultrapassar as portas desse apartamento, não poderá ir a público porque nos tornaria ainda mais frágeis. Mas onde quer que você vá, seja qual a maneira que eu possa demonstrar isso, eu estarei amando você. Ela deixou a navalha sobre a pia, havia terminado e espalhava a loção sobre o rosto macio. __ Ficou perfeito__ completou, acariciando a pele sedosa. __ Acho que eu estou apaixonado, Scully__ falou com sorriso cândido e olhos brilhantes. Mulder voltou a passear as mãos sob a camisa dela, chegando às coxas, sentindo a pele se arrepiar. Sorriu procurando os lábios dela e se abraçaram com ternura. As mãos dele continuavam percorrendo o corpo dela e ele interrompeu o beijo, olhando-a malicioso. __ Não há nada aqui embaixo ? Ela sorriu e se aproximou mais. Passou os dedos pelos lábios generosos dele, descendo pelo pescoço e suspendeu a respiração quando as mãos dele pousaram em seus quadris, deslizando em carícias lentas. Voltaram a se beijar com paixão, enquanto ele corria os dedos pelos botões da camisa, um a um. Sentiu o calor da pele, os seios se enrijecendo sob seu toque, parou para senti-los entre os lábios, tão meticulosamente que pode ouvir o suspiro que escapou dela. Desceu a língua pelo estômago, livrando-a da camisa com mãos apressadas e estudou-lhe o corpo, em todos os detalhes. Acomodou-se melhor sobre o assento e puxou a toalha que envolvia sua cintura. Colocou as mãos sob coxas dela, afastando-lhe as pernas para puxá- la sobre seu colo. Ela se acomodou, permitindo que ele se encaixasse entre suas pernas, gemendo baixinho quando o sentiu completamente dentro de si, firme e suave, quente e apaixonado. Suas mãos e seus lábios continuaram passeando sobre a pele que agora começava a se perolar com o suor provocado pelo calor dos movimentos cada vez mais urgentes. Scully cruzou as pernas em volta dos quadris dele e afastou o tronco, aumentando a pressão sobre ele que começou a gemer sob os movimentos dela. Mulder envolveu-lhe a cintura com uma das mãos enquanto a outra deslizava pela perna . Projetou o corpo sobre o dela, beijando-lhe o pescoço, massageando-lhe as costas, beijando-lhe os seios, mordendo de leve e sentindo todo o corpo tremer. Ela sentiu um choque quando seu corpo em brasas encontrou o piso gelado do banheiro, mas seus sentidos estavam atordoados demais para esboçar qualquer reclamação. Mulder estava sobre ela, os lábios colados aos seus, movimentando-se rápido enquanto soltava gemidos roucos, suspiros tão ofegantes quanto os dela. Beijava-lhe os cabelos e Scully deixou-se invadir por tremores, o suor descendo misturado ao dele, suas forças foram se enfraquecendo, um delicioso furor apoderando- se de seus membros e ela chegou ao limite, as feições se distendendo num sorriso de puro prazer. Quando voltou a abrir os olhos, Mulder a fitava com olhar encantado, roçando os lábios nos dela e beijando-lhe o lóbulo da orelha. __ Não há palavras para definir o que eu estou sentindo ao te olhar agora, Scully. Ela sorriu. ___ Acho que nunca me senti assim, Mulder ! ___ Quero você completamente para mim Scully... __ ele falou, assumindo uma expressão grave __ pra sempre. ___ Você já me tem, Mulder, há muito, muito tempo. ___ Está cansada ? __ Mulder perguntou, sentando-se sobre os joelhos e tirando-a do chão para trazê-la de encontro ao peito. ___Depende ! __ ela riu, levantando a sobrancelha. Mulder afastou os cabelos dela do rosto, acaricio-o com cuidado, não exatamente sério, mas com uma intensidade tão faminta que ela sentiu o coração disparar novamente. Assustava-a um pouco estarem tão vulneráveis, sem qualquer reserva, numa intimidade crescente, completamente despidos física e, sobretudo, espiritualmente diante um do outro. Mas afastou esses pensamentos quando ele a fitou apaixonado e sorriu, enquanto a suspendia nos braços, em direção à cama. No espelho, um senhor de expressão infeliz fitava o casal que, entre carícias e sorrisos, envolvia-se entre os lençóis e uma lágrima desceu pelas suas faces. Mas foi atraído por uma pequena claridade, uma chama que se acendia na escuridão em que ele se achava envolvido. Com olhar surpreso ele encaminhou-se para ela, que aumentava à medida em que ele se aproximava. Viu-se entrando pelas portas arqueadas de uma capela, atraído por uma sombra que se delineava aos poucos num canto fracamente iluminado pelas velas. Uma mulher idosa, de olhos embaçados pelas lágrimas, acendia uma vela enquanto murmurava sentida prece. O senhor aproximou-se e suas feições adquiriram intenso brilho ao reconhecer naquela silhueta a figura amada da esposa. __ Sempre te amei__ ela lamentava tristemente__ Sinto tanto não ter-lhe dito isso enquanto podia... O homem pareceu ganhar vida nova ao ouvir essas palavras, seus olhos brilharam e ele aproximou-se mais, envolvendo-a num abraço etéreo, beijando-lhe as faces envelhecidas e úmidas. Uma grande luz projetou-se sobre o casal e, enquanto ele era impelido para a eternidade. Ela sentiu-se envolver por uma cálida esperança, como uma chuva balsâmica sobre o peito oprimido e resignou-se tranqüila, um sorriso sereno espalhando-se pelo rosto. __ Estarei esperando por você, amada minha. Agora para sempre__ ele sussurrou em despedida. E o homem seguiu a caminho da luz, vendo a mulher aprumar-se e seguir resoluta até a saída. Tinha uma nova certeza para continuar. FIM