Titulo: Amigos Autora: Meggie Feedback para: wm3@uol.com.br Classificação: Shipper sempre Disclaimer: Precisa? Vai em qualquer outra fic lê o que tá escrito lá e eu assino embaixo. Nota: Não vi ainda nenhum episódio depois de Brandy X, então considerem- no por ai, pouquinho antes do ano novo. Resumo: Mulder e Scully na virada do milênio, problemas, amor, o de sempre. " Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porem isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu ultimo livro " A identidade" que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas para a festa. Te leva para o mundo dele e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silencio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao seu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém." Texto de Martha Medeiros tirado do Livro Da Tribo Precisa mais? Vamos lá. Mulder estava em seu apartamento, tudo parecia vazio e triste. Não queria trabalhar, não queria sair, não queria ficar, não queria nada. Acontecia as vezes. Um apertozinho estranho no coração, uma vontade de nada. Devia Ter um motivo mas ele não queria saber. Ficou olhando pro teto, deitado no sofá de sua sala. Não estava com vontade nem de rir nem de chorar. Nimbo, sua mente era um completo e vazio nimbo. De vez em quando um ou outro foguete estourava no céu, podia ouvir risadas e musica vindas da rua mas ele já passara da fase de se importar. Estava tão deprimido que não ligava mais, não ligava mais para nada. Se o mundo explodisse ele não estava nem aí. Não naquele momento, não se sentindo da forma como estava. O telefone tocou, quebrando a constância que reinava no seu apartamento nas ultimas horas. Resolveu ignorar, a secretaria eletrônica atendeu. Era Scully. " Oi Mulder, atende se estiver aí, quero falar com você... Devagar ele tirou o fone do gancho. - Oi, Scully. - Oi, Mulder. Aconteceu alguma coisa? Você parece desanimado. - Nada, está tudo bem. Scully se preocupava quando ele dizia que estava tudo bem com aquela voz de que está tudo péssimo. - É Reveillon. Você não quer vir pra cá? - Não, eu quero ficar aqui mesmo. Mas obrigado por me convidar. - Tem certeza? - Tenho, Scully. Volta pra sua festa, devem estar sentindo sua falta. - Mulder, eu... - Feliz ano novo, Scully. - Feliz ano novo. Desligou. Sua parceira normalmente o deixava feliz, fazia com que se sentisse bem, mas daquela vez só serviu para piorar seu estado de espirito. Se estivesse normal já teria se embebedado, mas não se sentia com coragem o suficiente para isso. Ficou apenas no sofá, olhando para o teto, tentando não pensar em nada, pensando um tudo. O Reveillon era de certa forma um termômetro, uma maneira de mostrar para os outros e até para si mesmo como anda sua vida. Se você passa cercado por um monte de gente que te adora tá tudo bem, se passa deitado sozinho no sofá da sua casa, está com problemas. Mulder estava com problemas. Estava triste. Sua vida era até suportável nos dias normais e naturalmente solitários, segundas feiras, terças, quartas, mas não nos feriados. Feriados eram deprimentes para todo mundo que não tinha com quem dividi- los. Não era a toa que a taxa de suicídios crescia nessa época do ano. Se mataria se estivesse disposto, mas não estava. Não estava disposto a fazer nada, absolutamente. A porta se abriu algum tempo depois, ele não moveu um músculo, sabia quem era, só não sabia o que ela estava fazendo ali. Fechou os olhos. Ouviu os passos da mulher trazendo-a até mais perto dele, Sentiu uma mão macia tocar seus cabelos. - Tudo bem? - Ela perguntou suavemente, já sabendo a resposta. - Não. – Ele respondeu ainda de olhos fechados. - Qual é o problema? - Mas ela também já sabia a resposta, soubera desde o momento que ouvira a voz de Mulder ao telefone. - Não sei. As pálpebras se abriram para mostrar olhos angustiados, claros, lindos. - Eu estou aqui agora. – Seu tom de voz era tal que seria usado com crianças emburradas, ou melhores amigos chateados. Mulder só abriu os braços, Scully se deitou em seu peito, sendo imediatamente enlaçada por eles. - Lembranças ruins? - Não, acho que...não sei direito o que foi. Estava tudo bem mas aí foi anoitecendo e simplesmente não tive vontade de fazer mais nada. Tudo parecia sem sentido, estúpido, frio e sem graça. O abraço ficou mais estreito. - A vida parecia idiota, as festas, tudo, como se não houvesse nenhum lugar aonde as coisas parecessem certas, onde eu parecesse certo. Parecia sozinho. - Mas você não estava sozinho. Tinha a mim, poderia Ter ido a minha casa, até os pistoleiros, pra festa do FBI. - Era a sua casa, Scully, sua família. Não minha. - Eu sou a sua família. - É, mas é família de outras pessoas também. Eu não tenho mais ninguém. Não achei muito justo te tirar deles de novo. - Você tem a mim Mulder, sua amiga de sempre, sempre e para sempre. Infelizmente, não há mais ninguém, mas me tem inteirinha. Ele começa a chorar, soltando sentimentos antes presos, as lagrimas escorrem calmas e desoladas. Ela entende e o abraça. Espera passar. Ele permite que caiam, desabem até que o nó que o andava impedindo de respirar, falar, agir, ser direito, desate. Fica um sensação boa, não de felicidade, mas de paz, uma paz morna e reconfortante. Ela se levanta um pouco para fita- lo. - Tudo bem agora? Ele faz que sim com a cabeça. - Acho que já estourei minha cota de lágrimas esse milênio. - Também acho. – Ela sorriu, ele sorriu de volta. – É fome, como diria minha avó, se você comer um pouco vai se sentir outro. - Tem certeza? - Claro, avós nunca se enganam. Anda, vamos ver o que você tem na geladeira. Ela se levantou. - Ih, Scully, acho melhor você não ir lá não. Foi inútil, pouco depois ela gritava da cozinha. - Mulder, o que é essa meleca verde aqui? Nada radioativo, espero. - Eu espero também. - Agh... Que nojo.... Mulder, o que é....Ah, deixa pra lá....Achei. Ela voltou trazendo uma garrafa de vinho e queijo. - A única coisa que sobreviveu intacta naquele laboratório de armas químicas. - Pra mim tá ótimo. Passaram a ultima meia hora do milênio comendo queijo, tomando vinho tinto, contando piadas, relembrando historias engraçadas, Mulder parecia outro, podia não Ter uma família, ou muitos amigos, mas tinha Scully e era mais do que muita gente tinha. Muito mais. Duvidava muito que grande parte daquelas pessoas dançando nas festas naquele exato momento tivesse alguém, uma pessoa só, que fizessem e significassem para eles o que Scully era para ele. Duvidava muito. Estar ali com ela e só com ela era o suficiente, não precisava de mais nada para ficar feliz. De mais ninguém. Os fogos pipocaram estrondosos no céu do novo janeiro, anunciando o nascimento de outra hora, outro dia, outro mês, ano, século , milênio. Outra etapa. Sorriu para ela, Scully. Sua amiga. Outra etapa. Scully seu amor. Outra etapa. Scully, sua. Aproximou-se devagar, sentindo suas respirações em suspenso, depois seus lábios, seu gosto, seu cheiro, sua vida. Outra etapa. *** Cabô Acho que essa é a mais curta que eu já escrevi, especialmente para o ano novo que vem vindo. Dedicada pra todas as pessoas que vão passar o reveillon sozinhas ou trabalhando e não tem uma Scully para abraçar. Pra todos eles, principalmente para minha avozinha. Com todo amor, só pra ela. PS: ME MANDA UM FEEDBACK. POR FAVOR. É IMPORTANTE. MANDA, VAI. Musiquinha só pra não quebrar o clima Iris And I'd give up forever to touch you Cause I know that you feel me somehow You're the closest to heaven that I'll ever be And I don't want to go home right now And all I can taste is this moment And all I can breathe is your life Cause sooner or later it's over I just don't want to miss you tonight And I don't want the world to see me Cause I don't think that they'd understand When everything's made to be broken I just want you to know who I am And you can't fight the tears that ain't coming Or the moment of truth in your lies When everything feels like the movies Yeah you bleed just to know you're alive And I don't want the world to see me Cause I don't think that they'd understand When everything's made to be broken I just want you to know who I am I don't want the world to see me Cause I don't think that they'd understand When everything's made to be broken I just want you to know who I am I just want you to know who I am I just want you to know who I am I just want you to know who I am I just want you to know who I am