Autora: Alli Invisigoth E-mail: Kiojh@bol.com Título: Ambição Categoria: M& S/angst Data:15/7/2000 Drama-Shipper Sumário: Após o canceroso entregar o cd a Scully, Fox Mulder percebe extremas mudanças em sua parceira. Notas: Agradeço pela atenção em ler minha primeira fic shipper espero que apreciem! Escrevi como um possível idéia dentro da sétima temp.do ep "en ami" Disclaimer: as personagens abaixo pertencem aos seus criadores e não há qualquer intenção em obter lucro que não seja à diversão dos fãs. Logicamente esta estória não deve ser levada a sério a menos que vocês queiram ficar tão lunáticos quanto nossos agentes preferidos. Como é bom sonhar! "Ambição" Apartamento de Fox Mulder 17: 50pm Os Pistoleiros estão na sala, recolhendo sua parafernália tão útil para desvendar os segredos daquele cd compacto .Scully sentada no sofá de couro preto parece pensativa, cruza os braços e vira a cabeça para ouvir Frohike dizer: -Hei, Mulder esperamos você amanhã! O Langly descobriu uma brecha no site do JPL em busca de novas fotos que a Galileo recolheu de Io e Júpiter Vamos analisá-las amanhã. (Frohike tenta em vão, chamar a atenção de Mulder com sua descoberta mas Langly e Byers o catucam empurrando-o até a porta).Frohike acena para Scully já na saída mas ela não o nota.Os três se olham e percebem que o amigo terá uma lenta madrugada. Mulder apenas abre espaço para eles passarem e fecha a porta. Não diz nada. Continua com os braços sobre o portal principal.Respira fundo e pausadamente.Passa as mãos pela cabeça, pensando em tudo que acontecera naquele dia. Anda até a janela sem ao menos olhar Scully que continua no sofá ainda calada. Ela olha para ele procurando pela compreensão dos olhos verdes, mas ele desvia o olhar. Suas mãos, estão agitadas. Ele caminha até a janela, fecha as persianas e ao abaixar seus olhos até a mesa encontra o mini cd deixado ao lado do lap-top . Vira-se finalmente para sua parceira de tantos anos mas não fala nada. Ela percebe aquele olhar que a deixa perdida. Sente-se mal naquela sala. Em sua mente um flashback dos últimos dias, uma tempestade mental desencadeia- se. Lamenta-se por ter se arriscado sozinha em busca de uma cura milagrosa. Scully sente-se confinada, respira com dificuldade e dirige o olhar ao aquário na estante próximo a janela procurando apoio nas bolhas que sobem desordenadamente. Morde os lábios e olha finalmente em direção a Mulder que aguarda sério pelo que ela tem a dizer, ainda de pé. Seu semblante denota uma leve irritação (não quer demonstrar o quanto está nervoso), mas em seu intimo buscava respostas que aplacassem seu medo Ela se prepara... não consegue encará-lo por mais tempo e se limita a recolher os pertences .Levanta-se e caminha até a porta mas para antes de tocar a maçaneta. Vira-se e olha para o homem próximo a janela agora encostado na mesa do computador de costas para ela .Ele se vira ,olha-a com amargura e franze a testa .Começa a balbuciar uma palavra mas se cala. Sente o sangue subir a cabeça.Com um gesto impetuoso pega o cd sobre a mesa e o mostra a ela gritando: -Você...conseguiu o que desejava? Ela parece não entender o sentido daquela pergunta mas já conhece o teor da próxima ? Ele caminha em direção a ela e dispara : -Por que Scully?.....Por que você ...mentiu pra mim? -Não menti pra você, Mulder ! Eu tinha que agir assim.! Tive minhas razões e não espero que as entenda! Foi minha a decisão! Ele não surpreendeu-se com a segurança dela! A conhecia muito bem! Mas aquilo o feriu ainda mais. Estava vulnerável ,magoado com a atitude da parceira. Havia pedido ao Skinner para acionar os canais extra- oficiais. Verificara com Margareth a justificativa de um problema de família Tentara refazer seus passos, pensado que após alguns dias estivera perto de encontrá-la mas tudo foi em vão .Pistas do fax implantado no bureau, o jornal na porta dela, tudo fora um cenário, um jogo de xadrez.Em cada passo uma estratégia bem urdida pelo Canceroso. Ela havia servido como peão habilmente envolvida na trama. Mais uma vez ele C.G.B.Spender! Pensou. Em minutos relembrou os fatos de dias atrás e retornou aquela sala naquele momento em que ela lhe disse que teve que "agir assim". Sentiu-se traído e com o peito doendo ele reagiu: -Não Scully ...você não precisava ",agir assim"! Somos parceiros! Eu "precisava" saber ! Eu .... e calou-se. O olhos verdes tornaram-se cinzas. Ela absorta em seus pensamentos estava confusa mas se manteve tranqüila, porém era difícil encarar Mulder com aqueles olhos inquisidores. Ele a julgava inconscientemente mas a julgava com todo o seu rancor. Ela voltou a olhar para as mãos dele percebeu que levemente tremiam por dentro do casaco de couro preto. Mulder não conseguia, em seu íntimo, esconder o desapontamento. Mais uma vez seria um momento de tensão entre os dois. Mulder tentou parecer calmo ao dizer a ela: -Precisamos conversar Scully !,Não agora, amanhã! e ordenou: Esteja naquele escritório amanhã cedo! Se você tiver mais alguma coisa a me dizer! -.Muld... antes que ela se pronunciasse algo ele virou as costas e saiu batendo a porta. Scully ficou parada tentando entender o gesto de Mulder. Ele a deixou ali sozinha no apartamento dele. Ela pegou a pasta com os dados do caso de Jason McPeck e saiu. Apartamento de Dana Scully 19:50pm Parou o carro em sua residência pegou a bolsa e o arquivo e subiu as escadas. Estava cansada demais para pensar. Triste e decepcionada consigo por achar que Mulder mais uma vez tinha razão. Agira muito mal, arriscara- se demasiado em pedir garantias a pessoa errada. Logo ao canceroso. _Que idiota eu fui! Abriu a porta do apartamento, acendeu a luz da saleta, soltou as chaves sobre a mesa e andou em direção ao quarto. Tirou os sapatos e deitou-se. Um murmúrio veio lentamente aos seus lábios: Mulder....! Estava exausta O corpo doía,os ossos, a alma em pedaços. Começou a chorar Após alguns minutos dormiu Pela janela as luzes da rua clareavam o chão do quarto .Ao fundo, o cano de uma arma com lente infravermelha fazia sua mira. O gatilho levemente pressionado diante de seus olhos aguarda o momento ...a marca central no alvo ...o dedo pressiona ainda mais até que.....estava de volta àquele barco no meio do lago. Lembrou-se do momento em que aquele homem codinome cobra lhe dizia aquelas palavras: -"você é exatamente como me descreveu..." Segundos depois ele estava de bruços na água atingido por um tiro no peito. Segundos depois seria o próximo alvo daquela arma. Tentou tirá-lo da água sem sorte, quando ouviu o segundo disparo, mas algo aconteceu :os disparos cessaram. Tirou o binóculo da bolsa em busca de onde partiam os disparos ao olhar para trás percebeu um vulto com o rifle por entre as árvores .era Mulder. -Nãaaaaaao!!! Acordou assustada! Olhou para o relógio digital na cabeceira que marcava 2:13 am. Não conseguiu dormir novamente. Seu corpo pedia descanso mas sua mente teimava em elucidar o mistério. -Meu Deus! Arredores de Washington Alexandria 2:30am Noite calma ruas molhadas. O ar frio da madrugada, um homem sentado na calçada próximo ao carro parado. Ele olha para o céu e coloca os pés sobre o pneu mais próximo, estica os braços, Seus olhos verdes, agora secos. Nenhuma lágrima mais, Só rancor e desespero dentro do peito. Estava parado ali a horas e não queria ir a nenhum lugar. Apenas pensar. -Não compreendo! Scully..... Conteve o ímpeto de voltar ao seu apartamento. Precisava entender os fatos. Tentar achar algum nexo em todo turbilhão de acontecimentos. A raiva não tinha mais lugar, restavam o remorso e ao arrependimento. -Eu não aprendo mesmo! Perdido em seus devaneios lembrando dela Scully... Lamentara ter sido rude com sua parceira, mas ela o tinha provocado! Em seu orgulho ferido não admitira os atos dela. -Por que ela tem que ser tão determinada a buscar a verdade ? O vento da madrugada deixava tudo ao seu redor ainda mais triste. Um lampejo saltou o pensamento de Fox Mulder Quais seriam os reais motivos dela na busca por tais evidências ? O que poderia ser mais importante do que investigar a cura de doenças ? Por um momento ele congelou E se ela em seu íntimo buscasse um lucro pela descoberta dessa cura? -Não não Dana Scully! Sua integridade não permitiria um desejo desses e se ela quisesse algo mais até que a sua parceria comigo? Se tudo não passasse de um jogo, os arquivos x, seu câncer, sua cura. Tudo que passamos! E se esse fosse o seu sagrado graal a sua ambição? pensou assustado: A deixara de lado inúmeras vezes para correr atrás de suas verdades e não permitira que sua parceira tivesse um vislumbre de seus sentimentos mais íntimos.Vestia a capa do sarcasmo só para encobrir sua fragilidade. -Não! Scully não seria capaz de me trair em busca de sua satisfação cientifica ! Ao mesmo tempo que balançava a cabeça confiante no resultado de sua investigação pessoal ainda pairava uma névoa de dúvida. -Ele a iludiu!, falou bem alto.Teria que ser ardilosamente envolvente para atraí-la Levantou-se da calçada envolto em dúvidas. O semblante pesado .Resolve por fim a ansiedade .Entra no carro, puxa o cinto sobre o tórax e gira a chave mas ainda imóvel dá um soco no volante como se pedisse ao objeto para clarear seus pensamentos . -Não, não, não ! Ele a usou !Tudo tem o seu propósito. Ele a iludiu ! Grita desesperado: -Eu confio nela ! Sempre confiei! Liga o carro e sai em disparada. O vento assobiava na janela e o frio invadia o carro deixando os vidros embaçados. Apartamento de Dana Scully 4:00am Scully mexia-se sobre a cama. Virava-se de um lado para o outro tentando conciliar o sono até que desistiu. Levantou-se observando que ainda não havia se trocado, contudo o desânimo a assolava e permaneceu com o casaco. Pegou um livro qualquer na estante e folheou as páginas. Leu um pequeno trecho "...a ambição está além dos olhos e perto do coração". Fechou o livro e olhou a capa, "Ricardo III" de W. Shakespeare. Respirou fundo e voltou para cama. Arredores de Georgetown Washington 4:30am Mulder tentava organizar as idéias enquanto dirigia. Deixou o coração de lado por instantes e apelou para a razão dos fatos que Scully lhe contara ainda na sala com os pistoleiros enquanto tentavam acessar as informações contidas no disco. Já sabia a resposta, porém o sangue começou a latejar na têmpora quando por um instante, lembrou-se do que ela havia dito somente depois. -Ele apagou as provas: as fitas gravadas para mim, mas o que ele queria com ela se já iria ter um encontro com o tal cobra ?. Scully disse que não tem lembrança de como foi parar naquela cabana.(nesse instante Mulder sentiu um calafrio pelos pensamentos seguintes): -Droga! Desejou estar próximo mais uma vez daquele homem para destrui-lo. Teve ódio por lembrar da possibilidade daquele homem ser seu pai, sacudiu a cabeça dissolvendo tal pensamento. Previra os fatos e sabia que ela estava mentindo (talvez para mais uma vez protegê-lo) E acelerou o carro. Fechou os olhos lamentando o pensamento mas não resistiu...- Ela desejava a cura e a trocou pela minha ausência. Tudo se resume a ser coerente! Ela esperava pelos meus atos! Que a seguisse até o posto de gasolina para protegê- la.. (ele sorri para si) ...ela ainda me surpreende e me deixa na dúvida. Apartamento de Dana Scully 5:15am Estacionou. Subiu as escadas e deu as três pancadinhas em código na porta .Esperou ser aberta .Tirou a chave com o nome Scully de seu bolso da calça e entrou. A luz da saleta estava acesa, sacou a arma e caminhou até a porta do quarto que estava entre aberta. Havia algo de estranho, ficou alerta, porém, viu apenas Scully dormindo. Lá estava ela, deitada de lado ainda de casaco . O abajur aceso na mesinha de cabeceira. Não havia se trocado ainda. Os sapatos arrumados do lado da cama. Ele sorri pela disciplina da colega. Se aproxima da cabeceira e observa aquele rosto harmonioso os lábios rubros e a boca meio aberta .Um desejo intenso toma conta de si. Fita-a intensamente por alguns minutos com olhos verdes rasos e murmura: Scully...Scully! Espera pelo habitual Mulder! mas não teve resposta. Pensa em acordá-la entretanto, algo o detém .Anda de volta a porta, mas ouve uma voz embargada de sono; -Você pode me perdoar.... Ele voltou -se vendo que ela acordara com seus movimentos e sorri sem jeito: -Se você quiser aceitar continuar perseguindo casos paranormais ao lado de um cara anormal, egoísta e arrogante? Ela sorri tímida pelas palavras dele. Levanta -se olhando-o nos olhos e respira fundo: -Preciso dizer Mulder... tive medo por estar envolvida com aquele homem. Não poder contar a você meus planos. Fui usada acreditando que essa tecnologia, conseguiria a cura de todas as doenças e que poderia eu ser o instrumento dessa cura.(Mulder ouve as palavras dela fecha os olhos com desprezo). -O Canceroso é nosso inimigo, mas num aspecto ele tem razão! É um poder! Deter a cura das pessoas em minhas mãos!. A minha cura dependeu dessa tecnologia e você a buscou para mim. -Ser médica me permitiu ter esse poder .Brincar como Deus é assustador! Mulder! Mulder a olha sério, porém com ternura. -Você não deve me justificar nada, Scully! Scully respira fundo ,mais calma e continua: Devo sim eu ...preciso Mulder! -Perdoe -me a argumentação cientifica mas há evidências de que ele buscava a sua cura -O chip na nuca daquele menino pode ser um indício disso. E confessou-se : -Tive a ambição dessa cura em minhas mãos e a perdi, Mulder! .(ela olha suas mãos vazias). A frustração nos olhos de Scully preocupava Mulder A mesma frustração que ele sentira inúmeras vezes. Ele se aproxima, toca os ombros dela e completa: -Scully seremos capazes de decidir o futuro da humanidade quando entendermos que essa cura esta dentro de nós. Não em falsos curandeiros, mas na fé na essência do homem! Bem aqui....( ele aponta para o coração dela) Aqui reside a sabedoria e cabe a nós, sermos fortes e coerentes. Mulder olha a janela do quarto e nota os raios de sol surgindo. Suas mãos procuram se aproximar. Abaixa a cabeça e prossegue encarando o profundo daqueles olhos: -Dana, quis acreditar em soluções para os meus problemas vindas de muito longe, mas descobri que bem perto de mim existe a luz e a verdade que tanto procurei!. -Minha fé na essência humana está em você! Scully! Ela lhe devolve o olhar enternecida e sorri. -.Agora Deite-se! Eu te vejo amanhã. Ele pega a coberta sobre a cama e a puxa suavemente sobre ela Beija sua testa e caminha até a porta do quarto. -Mulder... ela o chama. -Hein! Ele reponde. -Fica!....Preciso de você! Ele a abraça forte. Ela segura o rosto dele entre as mãos e o olha intensamente. Ele percebe os olhos úmidos e pergunta com os seus -...onde? -Pode usar o...sofá......se quiser! Ela responde. Ele olha com desencanto, mas sorri pela resposta dela. e sai em direção a sala. No dia seguinte: Brick building 14:23 pm Scully e Mulder saem do carro e passam pela porta de vidro no saguão vazio. Eles entram e sobem as escadas do prédio onde o canceroso trabalhava. Agora vazio, sem mobília. Dana Scully sobe as escadas para o terceiro andar, ansiosa por respostas, Fox Mulder a acompanha alguns passos atrás, confirmando sua teoria de que aquilo fora uma estratégia, uma jogada bem elaborada. Ela alcança a porta de madeira vermelha e entra na sala que servira de gabinete a dias atrás. Anda até o fundo da sala, gesticulando irritada, não compreende. Mulder chega a sala onde ela está e encosta-se no batente da porta desanimado. Ele sabe que as respostas serão encontradas mas não agora... Fim 7 1