Título: A Gatinha (Small cat) Autora: Lili Blue bluespooky@wanadoo.fr http://members.tripod.com/~LiliBlue/index.html Classificação: Livre Palavra-chave: Mulder/Scully UST Spoiler: Nenhum, mas basicamente após a quarta temporada Distribuição: Em qualquer site, desde que mantenham meu nome. Por favor me avisem. Sumário: O relacionamento de Mulder e Scully através dos olhos de um gatinho. Dedicatória: Para Barnaby, o gatinho amarelo. Para Laura e Mike, com amor. Disclaimers: Mulder e Scully são de propriedadede CC, da 1013 Productions, da Fox Televison e dos atores e roteiristas. Nenhuma lei fori infringida intencionalmente. Feedback: Por favor, sintam-se à vontade para me mandar uma linha. Comenbtários serão bem recebidos, assim como críticas construtivas. Comentários: Eu espero não ter interpretado mal o comportamento dos gatos, mas eu não tenho um, nunca tive e não terei (suspiro). Sou alérgica ao pêlo de gato, mas eu os amo assim mesmo. Notas da Lucy Mattos: Eu tenho essa fic no meu HD há algum tempo e, como eu adoro, resolvi traduzir para meus amiguinhos que não a conhecem ou não lêem bem em inglês. Não tive intenção alguma de violar os direitos da autora e, em momento algum, assumi responsabilidade sobre esta história. Mais uma vez repito: ela não foi escrita por mim e sim por Lilli Blue. Eu apenas traduzi. Feedback deve ser enviado, em inglês, à autora. Quem preferir pode me enviar em português, que eu traduzo e repasso à Lilli. Com certeza ela ficará muito feliz. (writing_machine@bol.com.br ou lucymattos@hotmail.com.br) *** *** "A Gatinha" por Lilli Blue Sinto coceira. Em todos os lugares, como sempre. Estou com fome. Preciso de algo sólido pra colocar no meu estômago faminto Eu cheiro aqui e ali. Mas não há nada, só lixo. Então eu o vejo. Ele é um daqueles grandes, é um gato grande, um humano. É um macho, pelo o que parece. Ele deve ter um cheiro delicioso. Água corre pelo seu corpo. Ele estava correndo. Há muita pele a mostra para se admirar e pêlos cor de chocolate no alto de sua cabeça -Eu adoro lamber chocolate, quando eles me deixam. Eu corro até suas pernas. Ele pára, assustado, sem fôlego. "Ei, o que você pensa que está fazendo?" Sua boca abre e fecha mas ele é um humano e eu não consigo entender o que eles falam. Nenhum gato é capaz de entendê- los. Então eu faço o que eu sei fazer melhor, eu mio e me esfrego em suas pernas, ronronando, esfregando minha barriga nele. Meu pêlo grosso contra o seu pêlo suave e ralo. Ele realmente é quente e molhado. "Caramba, o que você quer, gatinho?" Eu ronrono outra vez, e coloco minha pata sobre sua pata inferior. Está cheirando mal por causa desta coisa idiota que eles usam. Pra quê eles precisam proteger as patas, afinal? "Você está com fome?" "Eu não sei o que ele está falando, mas eu preciso de COMIDA!!!" "Ok, vem comigo." Oops! Ele me ergue com sua pata de cima. Como minha mãe fazia comigo quando eu era filhote. Mas ela usava a boca pra me carregar, no entanto. Ele me segura contra seu peito e eu ronrono contra o material suave e molhado que ele usa sobre sua pele quente. É o paraíso dos felinos? *** *** Ele me trouxe para algum lugar. Provavelmente seu próprio território, tudo aqui tem o seu cheiro. E eu não sinto o cheiro de nenhum outro gato. Maravilha! Ele coloca um pouco de leite pra mim em uma tigela. Leite? Yuck! Será que ele não sabe que nós, gatos, só bebemos leite quando somos filhotes? E depois nós enjoamos disso? Este humano não nos conhece muito bem. Ele percebe que eu não estou muito interressada e ignoro a tigela de leite. "Ok, eu já volto, então." E de repente ele não está mais aqui. Eu não gosto muito disso. Mas o lugar todo tem o cheiro dele e isso é bom. Eu ando por aí, subindo nos quadrados grandes e frios - um gato uma vez me disse que isso se chama móveis. Há um tanque luminoso perto da janela. Minha mãe uma vez me falou que aqueles que nadam vivem em tanques como aquele, mas eu duvido. Eu já os vi e eles vêm em latas. Aqueles são brilhantes como a bola que brilha lá no céu escuro, e flutuam na água como aqueles que vôam flutuam no ar. Poderiam ser os que voam? Mamãe nunca mentiu para mim. Ela me mostrou os que voam nas árvores, mas eles estavam muito alto para eu alcançar. Os que nadam parecem mais comestiveis para mim. Então eu descubro a felicidade na forma de um móvel grande, escuro como a noite, e macio, que está impregnado com o cheiro do meu humano. Eu adoro esta coisa. Em um instante ele está de volta. Eu não me preocupo em me virar para ele, estou muito ocupada me esfregando neste negócio macio. "Ei, gato, vem até aqui!" Pelo barulho que ele faz, acredito que está se dirigindo à mim. "Que bom que a Sra Dudley sempre tem uma lata extra de comida para gato." Eu pulo para perto dele, onde há um grande buraco por onde a água corre e desaparece. Outro mistério dos humanos. Para onde a água vai? Eu sinto o cheiro de comida!! Ele está abrindo uma lata cinza com comida de verdade! Sinto o cheiro daqueles que nadam e de vegetais laranja. Não é meu tipo favorito de comida, mas quem sou eu pra reclamar? Ele coloca a comida em um prato e coloca o prato no chão. Porque eles sempre querem nos fazer comer no chão? Mas eu sei que o gosto é maravilhoso e enche meu estômago. "Bom gatinho!" Ele acaricia minha cabeça com sua pata superior. Isso me distrai, eu não gosto mas antes que eu possa reclamar ele para. Eu ouço água correndo. Um gato me disse uma vez que os humanos adoram água. Isso me faz imaginar, porque? *** *** Quando eu termino de comer vou dormir no móvel grande e escuro. O humano me acorda. A água parou de correr. Ele senta perto de mim, um pedaço de tecido branco cobrindo seu corpo. Os humanos sempre usam pedaços de tecido sobre a pele; acho que eles devem sentir frio por causa do pouco pêlo que eles têm. Mas esse meu humano usa um pedaço pequeno e gotas de água correm pelo seu peito. Ele está com um cheiro ruim, como aquelas frutas coloridas que os humanos gostam tanto. Não como antes. Ele poderia me dar alergia! Ele tenta me tocar outra vez e eu vou até ele, subindo pelo seu corpo, sobre suas pernas. Eu aconchego meu corpo no dele e ronrono outra vez. Sei que os humanos adoram quando nós gatos fazemos isso e eu tenho que admitir que é muito bom! Ele acaricia gentilmente meu corpo, com as extremidades das suas patas superiores, que penetram no meu pêlo. Eu adoro esse humano... Então ele se afasta de mim e eu tenho vontade de arranhá-lo por causa disso. Ele pega uma coisa preta e pequena e fala alguma coisa ali. "Hey, Scully, sou eu." "Adivinha só?" "Não, mas eu gostaria muito, no entanto." Obviamente ele não está mais interessado em mim. "Eu arranjei um gatinho" "Não! Não é ESSE tipo de gatinho que você está pensando. Scully, o que você está vestindo?" "Sério. Ele é bege e parece ser jovem. Eu achei hoje, quando saí para correr." Ele pausou "Não, eu não o roubei de nenhuma garotinha inocente no parque. Na verdade ele que me procurou." "Eu não disse isso!" Ele emite um som e eu posso ver seus dentes. Normalmente quando eu vejo os dentes de um gato, isso é um mal sinal. Uma tempestade está chegando. Mas os humanos mostram os dentes quando eles estão felizes. Eles são bem diferentes dos gatos. Eu imagino se é um outro humano que faz o meu feliz desse jeito. "É, tem razão. Eu ainda não olhei, espera aí." De repente ele me vira de costas, examinando minha barriga. Isso faz cócegas e eu o deixo fazer o que ele quiser comigo. "Scully, é uma menina." "Você entendeu o que eu quis dizer, é uma fêmea... o que houve com você hoje?" Ele mostra os dentes outra vez. Mas ele parou de me tocar e eu sinto falta disso. Eu protesto, começando a cutucar a barriga dele com minhas patas e esfregar minha prórpia barriga na dele. "Eu acho que ela gosta de mim, Scully." A barriga dele é macia e eu não consigo arar de brincar com ele até que ele me faz parar com suas patas. "Tudo bem então. Eu faço café para nós e peço uma pizza. Claro." Ele coloca de lado o objeto preto. Queria saber o nome de todos os objetos que os humanos usam. Ele se levanta e me deixa neste móvel grande, indo para outro cômodo. Eu vou atrás dele. quero saber tudo o que meu humano faz. Ele está num lugar que tem uma cama! Eu sei o nome disso porque é um dos meus lugares favoritos. Eu pulo na cama, mas me decepciono porque a cama não tem o cheiro dele. Eu pensei que todos os humanos tivessem que dormir, como os gatos. No entanto eu deito ali e observo meu humano cobrir seu corpo bonito e quase sem pêlos com pedaços de tecido bonitos. Roupas, eu acho. Suas patas parecem fortes e suas pernas são compridas e bonitas, assim como as minhas. Seu bumbum é redondo e eu precebo que seu rabo é na frente. Tadinhos, os humanos são criaturas totalmente inadequedas, no sentido prático das coisas. Suas pernas e patas superiores são graciosas e sua cabeça é bem feita, para um humano. Seu focinho é grande e eu aposto que ele tem o melhor faro do mundo! Ele não tem bigodes como os meus e isso me intriga. Alguns humanos têm bigodes, mas o meu não tem. Como ele consegue se virar sem bigodes? Seus olhos são da cor das folhas lá fora. No geral, meu humano é um lindo exemplar da sua espécie. *** *** Mais tarde eu ouço um som e ele abre a porta. Um outro humano entra e este é uma fêmea. O pêlo dela é mais longo que o do meu humano e é da cor do fogo também. Seus olhos são da cor do céu "Oi, Mulder." Ela mostra os dentes para ele e ele faz o mesmo. "Oi, Scully, entra aí." Ela entra. Esta humana é bela e graciosa. Mas eu já a odeio. Ela me vê e vem até mim. Sai de perto, humana! "Você é uma gatinha muita bonitinha..." Não ouse me tocar! Mas aí está ela, esfregando sua pata em minhas costas. Eu olho para meu humano, ele parece feliz, então eu finjo gostar da humana para agradá-lo. Vadia! "Mulder, ela é adorável!" "Deixa eu pegar seu casaco. É, ela é mesmo uma graça de gatinha." "E como você vai chamá-la?" Eles vão até o lugar onde guardam comida. "Não vou, eu não posso ficar com ela." "Porque? Eu os sigo e mio. Mas meu humano só tem olhos para ELA! "O que eu vou fazer com um gato, Scully? Nós estamos sempre viajando, como este bichinho vai viver?" "Você pode pedir ajuda da sua vizinha, aquela senhora que cria gatos." "Ela já me emprestou uma lata de comida para gato." "Viu?" "Scully..." Mas e mais sons que eu não entendo. Ele não liga mais pra mim, agora que a humana dele está aqui. Me toque, me faça carinho! Estou aqui! Eu me esfrego contra as pernas dele. "Eu pareço do tipo que cria gatos?" "Você precisa de companhia." "Eu venho lhe dizendo isso há anos..." A humana faz um som feliz e me pega, levantando-me na direção do seu focinho. ME COLOCA NO CHÃO!!!! Eu me contorço em suas patas, quase rugindo de raiva, até que ela me deixa descer. Eu corro para perto do meu humano. Me pegue de novo e você vai ver, humana! "Parece que ela não gosta muito de você, Scully." Tenho certeza que ele está avisando-a para me deixar em paz. Ela olha para ele, mas não está convencida. "Ela deve estar com ciúmes..." "Claro, Mulder." Meu humano me pega -Viu, eu sabia!- e vamos até a sala com o móvel preto, grande e macio. A humana senta ao lado dele e mais uma vez estou deitada sobre as pernas do meu humano. Se ela tentar tomar meu lugar, eu mordo ela! Meu humano corre as extremidades de uma de suas patas sobre mim, enquanto com a outra ele segura um pote, de onde bebe uma água preta. Ela faz o mesmo. "Que bom que Skinner nos deu uns dias de folga." Ela fecha os olhos e fica quieta. Bom, porque eu não gosto dos sons que ela faz. Acho que ela está dormindo. Nossa, agora ela emite sons enquanto dorme! Não, já acordou. "Esse último caso nos deixou esgotados, Mulder. Skinner fez bem em reconhecer que você precisava de um tempo para descansar e se recuperar antes de voltar para toda aquela loucura." Muitos e muitos sons. Meu humano parece encantado pela fêmea. Eu odeio ela. "*Eu* preciso descansar? Nós dois precisamos, Scully." Ela parece irritada e eu tenho certeza que ele falou para ela que ele nunca irá me deixar e que "Você acha mesmo que o nosso trabalho é locura?" "Agora ele esfrega minhas costas com sua pata de novo. Eu ronrono, meu corpo fica pesado e tento criar o máximo de calor que eu posso para agradar meu humano. Eu limpo poeira imaginária com a língua. "Nós não somos loucos, Mulder. Eu ainda acredito que estamos ajudando as pessoas. E ajudando nós mesmos, cauterizando feridas internas no processo. O que eu quero dizer é que o mundo lá fora é tão cheio de loucuras e nós, felizmente, conseguimos manter as coisas em ordem." "Nossa, agente Scully, eu não sabia que você tinha essa visão de nossa missão em vida." "Pára, você entendeu o que eu quero dizer." "Entendi, entendi." Ele se inclina sobre ela e segura sua pata nas suas, esfregando delicademente as extremidades em sua pele. Pensei que ele só fizesse isso em mim. *** *** Eles ficaram um longo tempo nessa linguagem misteriosa deles, até que a comida chega pela porta. Outro mistério do mundo dos humanos Isso tem um cheiro horrível, até mesmo o queijo, então eu os deixo comendo seus triângulos quentes. Quando eles terminam, eles não limpam as patas como eu faço, eles usam um pedaço de pano. Eu aprendi muito observando eles. Então eu fico entediada. AQUI!!! AQUI, ESTOU AQUI!!! Eles estão envolvidos um com o outro de tal modo que nem parece que estou na sala. O que será que eu preciso fazer para recuperar a atenção do meu humano? Observando os dois eu imagino... será que eles vão cruzar hoje? Minha mãe me avisou sobre os gatos, quando eles chegam tocando você e cheirando, esfregando suas patas e o corpo em você, é porque eles querem cruzar com você. Vendo os dois humanos juntos, eu tenho certeza que meu humano quer cruzar com ela, e ela parece querer também. A fêmea tem dois montes redondos na parte superior do corpo. Uma vez eu vi uma mãe humana num parque e deduzi que eles eram para alimentar os filhotes de humanos. Esses montes são grandes e muito diferentes dos meus. Mas eu não ligo porque eu tenho vários e ela só tem dois. Meu humano, definitivamente, vai preferir os meus. Eles colocam os potes com água preta sobre o grande retângulo de madeira e ela se aproxima do meu humano, esmagando meu rabo. MIAU! Então ela se afasta um pouco, mas ainda está próxima das pernas dele, inclinando-se sobre seu peito. Ela não ronrona, mas emite uns sons enquanto respira. Isso não me agrada nem um pouco. Eu mio de novo, mas meu humano nem me nota. Eu os deixo de lado. Ele pode ser frio, se quiser, eu não ligo. Ele é tão legal quanto um daqueles que latem, quando essa humana está por perto. No lugar onde eles guardam comida, minha tigela está vazia. Não há água também, só no tanque que fica no alto, mas dá muito trabalho ir buscar. A única coisa que eu posso fazer é ir chamar a atenção do MEU humano Eu os vejo de novo, com as patas entrelaçadas, as cabeças próximas, seus focinhos quase se tocando. Os olhos da fêmea estão fechados, mas os dele estão abertos e voltados para ela. Isso é errado, é perigoso. Então eu corro para eles no exato momento em que seus focinhos iam se tocar e pulo no colo do meu humano, fazendo muito barulho, assustando a fêmea e fazendo os dois se afastarem. Eu sou um gênio!! A humana esconde a cabeça entre suas patas, mas meu humano não reagiu do jeito que eu esperava. Ele me segura nas sua patas, minhas quatro patas soltas no ar... "O que você pensa que está fazendo?" Ele sussurra na minha orelha "Gata estraga-prazeres!" A fêmea solta uns sons esquisitos, meio alegres, meio tristes. Eles se olham sorrindo. Não faço a mínima idéia do que está acontecendo. "Já sei um nome para ela, Mulder." Ele olha para ela, óbviamente interessado no que ela tem a dizer. "Xereta." "Xereta?" Xereta? o que é isso? "É, Xereta..." Ele faz um som alto e feliz e ela parece contente também. Ele me olha nos olhos. "Xereta, é isso aí." Continuo sem entender meu humano, apesar de ele tentar falar comigo. Eu mio e ele me coloca de volta no chão. Volto correndo para ele e pulo em cima dele, para que ele me acaricie nas costas. A femea também me acaricia e as patas dos dois se encontram no meu pêlo. Ela me acaricia de um jeito tão gostoso... Talvez eu acabe me acostumando com ela, afinal. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXXX Título: (A Gatinha- Parte 2) The Small Cat II Autora: Lili Blue bluespooky@wanadoo.fr http://members.tripod.com/~LiliBlue/ Classificação: PG-13, Livre Spoilers: Nenhum. Distribuição: Qualquer lugar, desde que mantenham meu nome e me avisem. Sumário: Novas aventuras da gatinha de Mulder, Xereta. Dedicatória: Para Sophie e Diane. E obrigada Leah, pela ajuda. Disclaimer: Fox Mulder e Dana Scully são de propriedade de Chris Carter, 1013 Productions, Fox Television, e dos roteiristas e atores. Não há nenhuma intenção em violar seus direitos. Feedback: Mande para bluespooky@wanadoo.fr, em inglês ou francês. *** *** A Gatinha II (1/1) por Lili Blue Já se passaram muitas luas e muitos sóis desde que eu vim para o território do meu humano. Ele quase nunca dorme, mas eu sim. Muito melhor do que antes, desde que sua patas me acariciem enquanto eu cochilo. Seu calor é necessário para meu bem-estar e eu exigo isso o máximo que eu posso. Felizmente meu humano demonstra talento em muitas coisas. Ele não prepara muitas comidas, mas sempre tem alguma coisa para eu comer. Também sempre tem água pra mim, assim como meu pedaço de pano favorito, aquele que tem o cheiro dele e no qual ele me deixa dormir. Nós brincamos muito; ele me persegue e eu finjo estar ofendida quando ele me pega e me esfrego muito nele. Ele nunca reclama. Aqueles que nadam no tanque morreram e ele não substituiu. Eles eram uma companhia ruim, mas pelo menos me distraiam durante o dia. Porque meu humano quase nunca está em casa. Ele nunca me deixa sair, mas eu não sinto falta do ar fresco e prefiro o calor deste lugar. Uma vez ele deixou a janela aberta e eu poderia ter saído para explorar o mundo lá fora, mas fiquei com medo. Gatos malvados podem estar por aí. E os que latem também. Meu humano me deixa segura. Várias vezes ele me deixou, desde que vim para cá. E muitas luas se passaram. Uma humana velha veio me alimentar e limpar a caixa onde eu faço minhas necessidades. Às vezes eu tenho esse pensamento louco de que os humanos são inferiores porque eles têm que limpar a sujeira que nós fazemos. Mas, no entanto, os gatos não parecem tão livres quanto os humanos. Eu sofro quando ele está longe. Porque eu sei que ele está com a humana DELE. Quando ele volta trás o cheiro dela. A minha teoria é que ele quer cruzar com ela o tempo todo, mas a leva para um lugar onde eu não esteja. Eu não gosto disso. Eu estive esperando por ele o dia inteiro, me coçando e deixando pêlos em sua cama enquanto eu me deito para dormir ali. Está escuro lá fora e ele ainda não está comigo. De repente a porta da frente se abre e ali está ele. Ele parece mal, seu pêlo está bagunçado e seus olhos cansados. A humana dele o deixa exausto. Vadia. "Hey, Xereta... gatinha, cadê você?" Eu acho que esta é sua maneira de dizer que ele me quer. Essa coisa de xereta. Ele sempre fala isso na minha frente, como seu eu pudesse entender o que ele diz. Bem, eu não consigo. Eu imagino se ele chama a humana dele de xereta também. Felizmente a humana de pêlos vermelhos não está com ele. Mas, mesmo assim que continuo ignorando a presença dele. "É, eu sei que está tarde, mas eu dirigi da Philadélphia até aqui então eu tenho o direito de estar de mal-humor, não tenho?" Ele resmunga pra mim. Ah! Ele não parece feliz. A fêmea não devia estar a fim. Minha mãe me falou que se você se recusar a cruzar com um macho, eles podem ficar agressivos e alguns ficam perigosos. Então é por isso que eu cuidadosamente evitei o problema. Até agora. Eu sei que humanos não cruzam com gatos, mas mesmo assim. Eu não gosto da idéia de que ele possa ter filhotes com a outa fêmea. Meu humano está agora preparando uma refeição fresca pra mim e eu tenho que paparicá-lo. Vou até ele e me esfrego contra as pernas dele. Meu rabo se enrosca nele: ele é meu. Ele me pega nas suas patas e me abraça contra o seu peito, acariciando meus pêlos com suas patas grandes. Eu ronrono. O que mais poderia eu fazer? Então a água cai do céu. Do jeito que acontece quando as nuvens dançam lá fora, mas com menos intensidade. Eu olho para meu humano e percebo que a água vem de seus olhos. Escorrendo pelo seu focinho e pela sua boca para cair em minha barriga. "Ela não faz idéia do quanto isso me magoa também." Ele está ali, confessando alguma coisa para mim. EU NÃO ENTENDO O QUE VOCÊ DIZ!!! Mas ele sempre tem tanto a me dizer... Nós sentamos no móvel grande e preto e me abraça junto a ele, eu ouço um barulho suave vindo do peito dele. Esse som embala meu sono e ele continua a falar. "Eu também queria muito isso, ter meus filhos. Um dia, talvez. Mas agora eu também não posso." Hey?! Uma gota cai sobre meu olho e me assusta. Coloco uma pata sobre a perna dele, implorando silenciosamente para que ele pare de chover em cima de mim. Isso me assusta. "Ah, Xereta, você não sabe como você é sortuda... Nada com que se preocupar... seus dias são tão simples..." Eu só quero dormir! Páre com esse barulho! Esse som estridente de novo! Eu sei que aquela fêmea dele... Ele pega o objeto preto e eu caio do colo dele, mas ele me ignora. Como em tudo no qual esta fêmea está involvida. Eu mio em descontentamento. "Mulder." "Tá. Certo, claro. Eu te vejo amanhã, então." O que foi? Ele me acordou por isso? Eu celebro internamente o fato de ele não estar mais feliz do que antes. Ah, então a fêmea não quer cruzar com ele. Eu deveria morder minha língua. Eu deveria desejar somente felicidade para meu humano, a partir do momento em que ele me dá calor, carinho e comida. Eu pulo de volta ao colo dele e ele continua acariciando as minhas costas de novo. Isso! Assim, assim! Ah, isso é uma delícia. Eu amo essas patas dele mais do que tudo nesta vida, isso deve significar alguma coisa. Ele deita no chão e eu deito com ele, minhas costas apoiadas na barriga dele, meu rabo balançando feliz. *** *** Seus olhos têm chovido muito esses dias. Eu imagino se a fêmea humana sabe o quanto ela magoa ele. Ele presta cada vez menos atenção em mim ultimamente. Ele tem deixado a janela aberta frequentemente ultimamente. Só pra mostrar a ele que eu não ligo, que eu estou crescendo - o que, a propósito, é verdade - Eu me aventuro em passeios pelas ruas. O frio machuca minha pele, mas eu sigo em frente. Sinto uma coisa estranha, quero encontrar outros gatos, sabe, trocar experiências sobre os humanos e me gabar sobre o meu belo humano. Falar sobre o quanto ele é bonito e como é delicioso o cheiro dele quando ele está excitado... Eu desço cuidadosamente as escadas do bloco de pedra em que nós vivemos. Faz um certo tempo que eu não faço esse tipo de exercício. Este beco é legal, cheio de folhas verdes e cheiros variados. Eu ouço um miado convidativo e, hum, ali está um belo gato, marrom com listras amarelas nas patas. Suas patas são fortes e seus olhos são da cor do sol. Pelo o que ele me diz, ele está interessado em dividir comigo um daqueles que roem que ele caçou. Yuck! Um daqueles que roem?! Eles são repulsivos! Sem chance, MEU humano me alimenta muito melhor. Claro, não era isso que ele queria ouvir e ele fica bravo. Mas, assim mesmo, se aproxima de mim, me cheirando e se esfregando em mim. Eu finjo que isso tudo me ofende. E mio quando seu contato se torna mais... íntimo. Eu sento ereta, me fazendo de difícil e os olhos deste gato brilham muito. Sinto uma coisa estranha dentro de mim. Então eu percebo que vou virar uma gata de verdade se isso acontecer. Mamãe, me ouviu? Eu vou cruzar! E é isso, ele está atrás de mim e oh! ele me morde e... "Ei! Sai de perto dela!" Eu dou um giro no ar sem saber direito o que acontece, estou nos braços do meu humano. Eu luto para descer e olho para baixo para saber o que aconteceu com o MEU gato. Sai daqui, seu gato safado! Ela é só um filhote!" Meu humano quase chuta o gato com sua pata inferior e tenho vontade de mordê-lo com força, só de vingança. Porque diabos ele fez isso? Em pouco tempo nós chegamos até nosso lar. "Xereta..." ele balança a cabeça de um lado para o outro. Estou com muita raiva dele. "Você me assustou agora" Ele finalmente me solta e eu pulo pra bem longe. POR QUE DIABOS VOCÊ FEZ ISSO?? Você cruza à vontade com a sua humana! E por que você estava lá? Você sempre me deixa sozinha por tanto tempo... Estou furiosa. Meu pêlo está em pé. "Porque você está brava comigo? Acho que eu não sou o único frustrado por aqui..." Ele se aproxima de mim e eu olho debtro de seu olhos esverdeados. É o suficiente para que eu saiba que pertenço à ele. Está bem... Esqueço minha raiva e corro até o calor de suas patas. Ele senta no chão comigo e eu pulo em cima dele, até que nós dois estamos deitados no chão, eu em cima de sua barriga. Eu não sei o que é cruzar - ainda- mas com certeza isso aqui é muito melhor. E nós adormecemos. Ah, eu odeio esses barulhos! Barulhos o tempo todo! Barulho na porta. De repente eu abro meu olhos e a vejo, a fêmea DELE. Ela tem uma expressão estranha no rosto, uma mistura de tristeza e alegria. Ela se abaixa e coloca as patas sobre meu humano. "Mulder? Mulder, acorde." Ela acaricia o pêlo dele e o focinho. Quero morder ela. Os olhos dele se abrem "Scully?" "Ei, parceiro, você não atendeu a porta." "É, eu acho que nós cochilamos aqui." "No chão." Ele olha para ela como um gatinho que acabou de se perder de sua mãe. "Bem, é." Ela extende sua pata até ele. "Vem." Ele une sua pata à dela e é isso, já estou esquecida. *** *** Eu não quero saber, não quero ver os dois. Então eu sento aqui fora, meu corpo dormente pelo frio. Eu poderia vê-los se me virasse, mas não quero. Ela deve estar em cima dele de novo. Então eu só fico aqui observando a noite e aqueles que voam nas árvores. E, é claro, eles estão bem ali, é só dar uma olhada rápida. O idiota na árvore faz uns barulhos estridentes. Está escuro demais para isso, alguém devia avisar. Eu corro para dentro para ver o que ela está fazendo com meu humano. Está quieto. Então ouço um barulho vindo da sala onde fica a cama, mas onde ele nunca dorme. Nunca sozinho. Eu entro devagar e... Oh, oh, OH!! Ali estão eles! Posso ver todo o pêlo deles e nenhum pedaço de tecido. Ele está deitado e ela se inclina sobre ele. O rabo do meu humano está bastante agitado e a boca de sua fêmea muito ocupada. Eles têm um cheiro diferente e forte. Sua cabeça se mexe de um lado para o outro e posso ver a nuvem em seus olhos de novo. "Aaaah, Scully! Eu..." "Cala a boca, Mulder." Meu sangue ferve. "Scully!" A expressão dele muda.. Eles param de cruzar e agora ele segura a cabeça dela com suas patas. Seus focinhos quase se tocam. "Queria tanto poder lhe dar isso... Você seria a mãe mais linda do mundo" Ele acaricia a barriga dela com a outra pata. Estou chocada. "Isso é tudo o que eu tenho a oferecer." "Você fala demais." A voz da fêmea é rouca, mas suave. Talvez ela só tenha dito a ele que ela quer que ele pare. "Uuuuh..." Bem, claro que não. Ela passeia seus lábios sobre todo o corpo dele, parando nos pêlos escassos aqui e ali. Do jeito que eu faço quando limpo minhas patas. Os olhos dele estão fechados e ele faz barulhos estranhos. Os montes redondos no corpo da fêmea parecem pesados e muito diferentes dos que eu tenho. Talvez ela tenha acabado de alimentar seus filhotes. Ah, ela também tem pêlos ali embaixo. Mas nada de rabo. Ela é uma humana estranha e fascinante, no entanto. "Mulder? Mulder, porque você parou?" Eu estava tão entretida reparando no corpo da fêmea humana que nem reparei o olhar intenso do meu humano. "Temos platéia" "O que?" Os olhos do meu humano estão em mim, uma mistura de curiosidade, alegria e... alguma outra coisa que eu não sei o que é. O olhar dela segue o dele e então... "Xereta!" Ele balança a cabeça pra mim "Vai embora, Xereta, sai." Eu quero ver mais, porque eles pararam? Estava muito interessante. Se eu tivesse amigos gatos eu iria falar sobre isso. "Xereta!" ele estava sem fôlego. Hey! Ele jogou um pedaço macio de tecido em cima de mim. Um que tem o cheiro dele e de penas daqueles que voam. O que isso quer dizer? Ela cobriu a barriga dele com os pêlos vermelhos da sua cabeça e ele emite alguns sons engraçados porque o focinho dela está no rabo dele. "Você vai ver quem sente cócegas agora!" "Ah!" Eles se misturam um no outro de novo. Tudo bem, tudo bem. Eu sei quando não me querem por perto. Eu saio de lá e pulo no móvel preto e macio, começando a lamber minha perna. Será que eles vão ter uma ninhada de filhotes depois disso? E será que me deixarão brincar com eles? Isso seria muito divertido!!! FIM *** *** Você acha que Xereta vai ter sorte? Notas da Lucy: Não é linda?? Ah, eu adoro esta fic!! Esta história foi escrita por Lili Blue, feedbacks devem ser mandados à ela. Mas se vc preferir escrever em português e quiser mandar para mim, eu me encarrego de repassá-lo. Lucy Mattos XXXXXXXXXXX