Título: A Farsa Autora: Rosa Maria Feedback: rosalancellotti@hotmail.com Classificação: 12 anos Disclaimer: Fox Mulder, Dana Scully e o Diretor Assistente Walter Skinner não são meus personagens. Pertencem a 20 th. Century Fox, 1013, ao Chris Carter e aos seus respectivos atores. Phil Ohlmeyer não pertence a mim, é personagem do filme "Missão Marte", maravilhoso filme dirigido por Brian de Palma, interpretado pelo ator Jerry O'Connell. Kevin Richardson, nome de um dos Backstreet Boys, faz parte da homenagem que fiz (vide nota ). Alguns personagens têm seus nomes inspirados em "Sliders". Não pretendo infringir nenhum direito autoral. Este texto tem como objetivo somente a diversão dos fãs e de todos que desejarem ler. Nota: Alguns personagens foram inspirados e/ou tem o nome de alguns amigos meus, que são muito queridos, por isso achei que colocá-los numa fic seria uma homenagem bem original. Eles me autorizaram usar a imagem e o nome deles. Alguns personagens têm nomes de alguns cantores ou atores famosos porque algum amigo meu que esteja na estória gosta dele. Spoilers: A concepção do William ---------------------------------------------------------------- ----------- Era uma bela casa, na qual vivia o casal Rachel e Robert Mallory junto com a filha, Marie. A história do casal não é uma das melhores: Robert só pode conhecer Rachel por causa de um crime. Na época, era um jovem que gostava de acompanhar seu pai, um advogado bem sucedido, nos casos. Ficava apenas observando como ele defendia os clientes. Um dia, soube que uma jovem estava sendo acusada de matar a facadas seu próprio irmão, de quatro anos, pois este era fruto de uma relação do pai fora do casamento. Então, o senhor Mallory, após ouvir o relato do filho, resolveu defender a moça, porque não havia evidências que a incriminasse, visto que ela sempre cuidara da criança como se fosse um filho e, no momento do crime, a garota estava na casa de uma amiga. Rachel foi absolvida, graças a brilhante defesa feita pelo pai de Robert. Daí em diante, os jovens se tornaram amigos, depois, namorados e, hoje, estão casados a 25 anos. Marie, a filha do casal, nunca fora bonita. Quando pequena, não tinha quase cabelo e era magricela. Sempre foi feia, mas, na adolescência, durante o Colegial, vários garotos pareciam ser apaixonados por ela, mas não era bem por ela, e, sim, pela fortuna que seus pais adquiriram ao longo da vida. Hoje, com 24 anos, está gorda, totalmente desproporcional, devido a uma disfunção hormonal ocorrida no organismo quando tinha 13 anos. Mas, a vida dessa família não é só feita de tragédias: Marie está noiva de um moço alto, corpo bem delineado, olhos verdes, cabelo castanho – claro, chamado Quinn Henrique Matos. Quinn tem 26 anos e é filho de Martha e Clark Matos, que faleceu depois de ter um infarto. A mãe era aprendiz de feiticeira, mas, quando conheceu o marido, largou a bruxaria e se casou bem cedo, aos 16 anos. O moço quer dar o golpe do baú em Marie e conta com a ajuda de sua ex – namorada, Eliza Melissa, que, por acaso, vai ser madrinha de casamento do casal. Era outono e, em poucos dias, seria realizado o casamento de Marie e Quinn. O Father Eric faria a cerimônia religiosa e o Juiz de Paz Pedro Lerner realizaria o casamento civil. Os preparativos estavam a mil por hora: a Igreja já fora escolhida; o vestido comprado; a decoração, o bolo, os doces, os salgados foram encomendados; os convites foram enviados aos convidados; enfim, tudo já estava acertado para o evento. Como a família Mallory fazia parte da alta sociedade da região, não poderiam faltar convidados ilustres, como o diplomata Paul Stuart, que passava a maior parte do ano viajando, e sua mulher, a misteriosa Gisleine Parker Stuart, que é uma grande amiga de Rachel. No dia 13 de outubro, às 15:00 horas, aconteceria o casamento civil e, no mesmo dia, às 20:00 horas, o religioso. Residência dos Mallory 13 de outubro 7:00 horas Rachel entra no quarto da filha, abre as cortinas, fazendo com que o sol entrasse. - Marie, querida! Bom dia, filha! Acorde! - Bom dia, momy! – respondeu Marie sonolenta. - Hoje é o dia do seu casamento. – Rachel dirige – se à cama da filha, onde se senta – Tem certeza que vai dizer sim? - Lógico, mãe. Eu amo o Ri. - Vamos, Marie... Será que o Quinn não é como os outros? Não vai te dar o golpe? - Momy... Eu tenho certeza que não. Ele me ama de verdade. – Marie respondeu resoluta. - Está bem, filha. O que vai fazer? - Vou tomar um banho, telefonar para a Anna, para a Julianne, combinar com elas como vai ser logo mais, à noite, vou à cabeleireira, a manicure, ai... Tem tanta coisa... - Precisa de ajuda, filha? - Não, momy, obrigada. - Tem certeza? - Sim, obrigada. Rachel deixou o quarto. Marie levantou – se e foi até a janela e falou, como todas as manhãs: - Bom dia, Sol. Bom dia, Deus. Que dia seja ótimo. O melhor de minha vida. Mal ela sabia que o pior iria acontecer... À tarde, no enorme jardim da casa dos Mallory, ocorreu o casamento civil de Marie e Quinn, realizado pelo juiz Pedro Lerner. Não havia muitas pessoas, somente os noivos, o senhor e a senhora Mallory, Martha e as quatro testemunhas: Eliza Melissa, Juan Peter, Anna e Kevin Richardson. À noite, então, ocorreu o casamento religioso. A Igreja estava lotada. Quinn, já no altar, tinha um sorriso de orelha a orelha e um só pensamento: "É hoje que vou dar o primeiro passo para pôr as mãos na grana da Marie." Father Eric fez um sermão baseado nos deveres básicos de um casamento: amor, compreensão, carinho. Logo após, houve uma grande festa no jardim da casa do casal, que ficava nas adjacências da residência dos Mallory. A comemoração só terminou de madrugada. Assim que tudo acabou, Quinn foi dormir, pois, na tarde do dia seguinte, começariam a lua-de-mel, viajariam para a França, e Marie resolveu dar uma volta no bosque que havia perto de sua casa. Já de camisola, a moça caminhou até a balança na qual brincara durante a infância e ficou parada imaginando como seus filhos se divertiriam naquele lugar. De repente, ouviu passos, o barulho das folhas secas sendo pisadas. Um vulto negro se aproximava. Chamou pelo marido. Não obteve resposta. Quando... foi atingida por um golpe fatal na nuca. Tudo escureceu. Marie faleceu na hora. Quinn acordou às 10:00 horas da manhã, olhou para o lado e não viu a esposa. Pensou que ela estaria no banho, mas não a encontrou no banheiro. Olhou na cozinha, nada. Na sala, nada. Achou, então, que ela estaria tomando café da manhã com pais na casa ao lado. Nem se preocupou, Marie devia estar bem. Resolveu tomar um banho e, ao sair do banheiro, ouviu sirenes. Vestiu-se rapidamente e olhou pela janela as viaturas da polícia local cercando sua casa. Alguém bateu na porta. O moço foi abrir. - Senhor, Matos? - Sim, sou eu? O que está acontecendo? - O senhor Oliver, um fazendeiro da região, encontrou um corpo no bosque ao lado de sua casa. - E daí? – Quinn não parecia assustado. - Não posso dar mais informações. - Está bem. – ouvindo isso, o oficial voltou ao seu serviço. Horas depois, Quinn recebe um telefonema da senhora Mallory dizendo que o corpo encontrado era o de Marie. Ela estava morta.O moço ficou chocado com a notícia. - Senhora Mallory, - dizia Quinn no telefone com uma voz trêmula – como ... foi? - Ela estava sem alguns órgãos, envolta em faixas, dentro de um círculo de sal. – Rachel falava em meio a lágrimas – Parece algo daquela seita, a "Salvação das Almas das Mulheres Mal–Amadas." - Senhora Mallory, acalme–se. Vou exigir á polícia local que passe o caso para Washington, para o FBI. Eles irão investigar melhor do que os nossos policiais. Além disso, seu marido é um advogado muito importante na cidade e é ex-senador. - Está ... bem. – Rachel falava soluçando – Vou fa ... falar com ... o Robert. Até ... amanhã. Uma semana depois... 9:00 horas FBI – Sala dos Arquivos X Fox Mulder estava sentado em frente ao seu computador terminando o relatório do último caso que resolveu junto com sua parceira, Dana Scully. - Bom dia, Mulder. – Scully entrou sorridente na sala do porão – Tudo bem? - Bom dia, Scully. – disse Mulder levantando-se e indicando a cadeira – Sente-se aqui, por favor. Vamos conversar. Scully obedeceu, com os olhos arregalados vendo que o parceiro estava sério e havia ido fechar a porta. Mulder sentou-se na mesa e prosseguiu: - Quero saber como está o tratamento de fertilização. Conte-me tudo, por favor. Afinal, sou o PAPAI. – frisou a última palavra e sorriu. - Mulder... – ela sorria sinceramente – Eu te adoro. Só não te beijo agora, porque estamos no FBI. Mas, respondendo à sua resposta: eu estou bem e tenho de esperar o resultado de alguns testes para depois fazer a inseminação artificial, está bem? Mulder não pode responder, pois Skinner abriu a porta de supetão. - Desculpem-me. Mas, acabo de ser informado que dois novos agentes acabam de chegar para ajudá-los num caso que veio parar em nossas mãos agora. – Skinner disse sério. Mas, logo mudou a expressão, sorriu e continuou: - Parabéns a mais nova mamãe e ao papai. Mas, agora, vamos parar... – dizendo isso, saiu da sala. Mulder e Scully levantaram-se e ficaram em frente à mesa esperando os agentes que os auxiliariam no novo caso. - Agentes Mulder e Scully, estes são os agentes Cristofani e Meinberg. – Skinner disse dando passagem aos novos agentes. - Sou Fox Mulder e esta é minha parceira, Dana Scully. – disse apertando a mão da agente Meinberg. - Agente Camila Meinberg. – retribuiu o cumprimento. - Eu sou o Agente Daniel Cristofani, muito prazer. – disse apertando a mão de Mulder. - Bom, agentes... – falou Skinner, enquanto os quatro agentes encostavam-se na mesa de Mulder – Vamos ao caso: - abriu uma pasta e começou a ler – Marie Mallory, recém-casada, 24 anos, foi encontrada morta no bosque ao lado de sua casa, o corpo estava sem alguns órgãos internos, não há grandes incisões, tinha faixas a envolvendo e estava dentro de um circulo de sal. O crime ocorreu em New Orleans. Quero os quatro no primeiro vôo da noite para lá, ok? – dizendo isso, Skinner entregou a pasta para Mulder e saiu da sala. - Bom, que tal nós resolvermos o que vamos fazer antes de irmos para casa arrumarmos as malas? – indagou Scully sorrindo amigavelmente. - Eu vou reservar nossas passagens. – disse Mulder sentando na cadeira e pegando telefone. Ligou para a companhia aérea e reservou quatro lugares no vôo das 20:00 horas. Além disso, verificou se havia vagas nos hotéis da região. No horário marcado, os agentes se encontraram e embarcaram para New Orleans. Durante a viagem, Mulder, Scully, Cristofani e Meinberg conversaram sobre amenidades, procuram se conhecer, visto que iriam trabalhar juntos. Quando chegaram na cidade, cada casal de agentes alugou um carro e seguiram para o hotel onde haviam alugado quatro quartos. 13:00 horas Após o almoço, os agentes resolveram dividir as tarefas: Scully iria fazer a autópsia no corpo da vitima, Mulder interrogaria os pais e o marido da moça e Cristofani e Meinberg falariam com algumas amigas próximas da menina. Mulder chegou na casa dos Mallory, tocou a campainha e foi recebido por Rachel. - Sim? – disse abrindo a porta. - Senhora Mallory? - Sim. Em que posso ajudá-lo, senhor? - Sou o agente Mulder, do FBI. Posso falar com a senhora? - Sim, entre, por favor. – deu passagem a Mulder e fechou a porta. – Sente-se, por favor, agente Mulder. – disse indicando o sofá da sala. - Obrigado. Sei que não é um bom momento, mas gostaria de fazer algumas perguntas. - Claro. Um momento, por favor. Vou chamar meu marido. – disse Rachel dirigindo-se ao escritório. Minutos depois, voltava acompanhada de Robert. – Este é Robert, meu marido. - Muito prazer, senhor Mallory. – disse Mulder apertando a mão de Robert – Sou o agente Mulder, do FBI. O casal sentou no sofá em frente ao agente, que começou a perguntar: - Senhor e senhora Mallory, onde estavam na noite do casamento de sua filha, Marie? - Estávamos na festa. – respondeu Robert – A comemoração só terminou de madrugada. Ela ficava sempre ao alcance de nossos olhos. - Marie tinha inimigos, alguma desavença com alguém que pudesse matá- la? Rachel começou a chorar e respondeu: - Seu único problema era ser mais gorda que suas amigas. - Nada mais? – indagou Mulder. - A maioria dos namorados dela queriam a herança que ela receberia caso nós falecêssemos. – respondeu Robert. - E seriam capazes de algo contra Marie? – Mulder perguntou. - Não, senhor. – Rachel falou em meio a lágrimas. – Todos eram moços cujas famílias estavam em declínio econômico ou social, mas não tinham motivos... – o choro tornou-se mais intenso. - Bom... – Mulder resolveu parar o interrogatório – Obrigado pela ajuda. Vou falar com o viúvo. - Claro. – disse Robert – Quinn mora aqui ao lado. Eu vou acompanhá- lo, agente. O senhor Mallory conduziu Mulder até a casa de Marie e Quinn. Ao chegarem lá, ouviram risos e música. Robert tocou a campainha e Eliza Melissa abriu a porta. - Olá, senhor Mallory. - Mas, o que significa isso? Cadê o Quinn? – indagou Robert assustado. - Amor, - veio uma voz de dentro da casa – venha para cá! A festa está ótima! - Ah, dá licença, senhores. Aliás, entrem, o Quinn está aqui na sala junto com o meu namorado e alguns amigos. – disse Eliza entrando na casa – Aí, galera, vamos parar com a festinha, pois temos visitas. Robert e Mulder entraram e assustaram-se: a casa estava lotada de pessoas que dançavam e pareciam utilizar um uniforme, pois todas as mulheres trajavam calça jeans e uma blusinha colada ao corpo e os homens, calça de moletom ou jeans e uma camiseta, algumas coloridas, com desenhos, e, outras, de uma única cor. O senhor Mallory ficou furioso, pois a Marie tinha morrido há apenas 2 dias. O agente começou a desconfiar que o viúvo ou alguém ali presente pudesse ser o culpado pelo crime. - Sogrinho? – indagou Quinn – O que faz aqui? - Quinn, este é o agente Mulder, do FBI. Veio investigar a morte de minha filha. – Robert tinha de gritar, pois o som estava alto. Quinn assustou-se, levantou-se do sofá e desligou o rádio. - Entrem. Sentem-se, por favor. No que posso ser útil? – perguntou o moço tentando aproximando-se da porta. - Gostaria de fazer-lhe algumas perguntas, senhor. Poderíamos conversar a sós? – Mulder perguntou fechando a porta atrás de si. - Sim. Vamos ao escritório. – Quinn disse dirigindo-se e abrindo a porta do cômodo e, depois, voltando-se para as pessoas que lá estavam, falou: - Acabou a festa, vão para casa. Obrigado. Tchau, gente. No escritório... - Senhor Mulder, - começou Robert – este é meu genro Quinn Henrique Matos. Agora, vou voltar para minha casa. Até logo. – dizendo isso, saiu do escritório. - Senhor Matos, quando foi que sentiu falta de sua esposa? – perguntou Mulder. - Só fui perceber que a Marie não estava em casa no dia seguinte do nosso casamento. Nós chegamos em casa de madrugado, eu estava muito cansado e fui dormir. Já Marie disse-me que iria tomar ar na varanda e pensar na vida, a hora que tivesse sono iria dormir. - Sabe de alguém que não gostasse dela? - Não, senhor. - Como o senhor, o marido, não estranhou que ela não estivesse em casa? - Assim, que eu acordei, não a vi no quarto, então, a procurei pela casa, sem sucesso. Nem me preocupei com ela, pois pensei que tivesse voltado para a casa dos pais. Nesse momento, Eliza e seu namorado, Juan Peter, entram de supetão no escritório. - O que estão fazendo aqui? – pergunta Quinn. - Viemos dizer que estamos dispostos a falar sobre a Marie. – respondeu Juan. - Então, podem começar. – incentivou Mulder. - Meu nome é Eliza Melissa. Marie casou com o meu ex- namorado e eu não tenho nada a ver com isso. Nós éramos amigas. É tudo. - Eu sou Juan Peter. Marie era uma boa moça, ingênua, talvez. Não éramos amigos, não tínhamos muito contato, mas, pelo que ouvia, ela era uma ótima pessoa. - Obrigado, vocês ajudaram muito. – disse Mulder saindo do cômodo e dirigindo-se à porta da casa. Saiu da residência e foi para o hotel onde encontraria os outros agentes. Os agentes Cristofani e Meinberg foram interrogar as melhores amigas de Marie: Anna Richardson e Julianne Carter. - Gostaria que vocês nos dissessem como Marie se relacionava com as pessoas da cidade. – a agente Meinberg começou o interrogatório. - Marie era nossa amiga e sempre sofreu com os namorados interesseiros. – disse Julianne. - Na escola,ela tinha de aturar as brincadeiras de um amigo, Thomas. Ele dizia que era noivo dela. Hoje, ele entrou para uma seita religiosa. – completou Anna. - Esse Thomas tinha algum motivo para matá-la? – indagou o agente Cristofani. - Acho que não. – respondeu Anna. - Vocês sabem a localização dessa seita? – questionou Meinberg. - Fica quase na saída da cidade, na casa onde Thomas viveu com a família. O nome da seita é "A Salvação das Almas das Mulheres Mal-Amadas", a famosa ASAMMA. – respondeu Julianne. - Obrigada pela ajuda. – falou Camila Meinberg retirando- se da casa junto com o parceiro. À noite, no hotel... Scully chegou, tomou um banho e foi juntar-ser aos outros agentes no quarto de Mulder. Bateu na porta e foi recebida pela agente Meinberg. - Olá, agente Scully. Entre. - Obrigada. - Os meninos foram buscar uma pizza para nós e já devem estar voltando. - Ah... – fez Scully. - Relaxe, sente-se aqui, - indicou um sofá que havia no quarto – que eu vou buscar minhas anotações. – dirigiu-se a uma mesinha e pegou alguns papéis – Posso te chamar de Dana? - Sim, claro. - Chame-me pelo meu primeiro nome, Camila. E a meu parceiro também, Daniel. - Está bem.Não sei se já sabe, mas Mulder não gosta de ser chamado de Fox. - Sim, ele me falou. Só estou estabelecendo este tratamento para haver um clima mais amistoso entre nós. – Camila falava sorrindo. - Que bom! – Scully retribuiu o sorriso. Alguns minutos depois, Mulder e Cristofani chegaram trazendo a pizza. Os agentes jantaram e conversaram amenidades, como se fossem amigos de longa data. Após o jantar, começaram a juntar as informações colhidas durante o dia. - Scully, o que descobriu? – perguntou Mulder. - O corpo parecia saído do Antigo Egito. Não havia grandes incisões, faltavam alguns órgãos internos, as cavidades estavam cheias de sais perfumados, estava envolto em algumas faixas para não deteriorar com o frio da noite. A pessoa que fez isso tinha conhecimentos médicos e os usava para matar suas vítimas. Ela tinha um grande hematoma na nuca, acho que foi esse golpe que a matou. - Para mim, parece bruxaria. – disse Mulder. - Como assim, Mulder? – quis saber Scully, que o repreendia só com o olhar. - Bruxaria, magia. Acredito que foi isso. – Mulder respondeu com um brilho de menino nos olhos. - Está bem, Mulder. – cortou Scully – Diga-me o que descobriu com os pais de Marie. - O senhor e a senhora Mallory não esclareceram muita coisa. Disseram que ela teve alguns namorados que queriam dar o "golpe do baú". Não notaram nada de estranho durante a festa. Mas, o que me intrigou mesmo, foi à atitude do viúvo. – Mulder disse com uma expressão desconfiada. - Ele pode ser culpado? – questionou Daniel. - Não sei, talvez. – disse Mulder pensativo – Quando fui interrogá- lo, ele estava dando uma festa com alguns amigos, - pegou suas anotações e leu – Eliza Melissa e Juan Peter. - Havia mais pessoas na festa? – quis saber Scully. - Sim, mas elas se retiraram assim que cheguei. – respondeu Mulder. - Devemos analisar as outras informações também, não acham? – perguntou Camila. - Então, vamos lá. O que descobriu, Camila? – incentivou Scully percebendo que a agente não estava muito à vontade. - Dana, eu gostaria que o Daniel falasse primeiro, afinal, ele é meu parceiro, acabou de sair do Quântico e precisamos testá-lo, não concordam? – Camila perguntou rispidamente, pois não estava acostumada a trabalhar com mais agentes, somente havia trabalhado com seu parceiro. - É... – concordou Scully vendo o nervosismo da menina– Diga, Daniel. - Bom, - começou o agente Cristofani – fomos interrogar as melhores amigas da vítima: - consultou uma pasta – Anna Richardson e Julianne Carter. Elas contaram apenas alguns fatos da escola, dos relacionamentos da Marie. Nada que eu releve. E você, Camila? - Concordo com você, mas acho que podemos investigar aquele amigo que elas mencionaram. – a agente Meinberg, que agora falava normalmente, parou por uns instantes pensativa – Acho que o nome dele era Thomas... - Sim, e ele era de uma seita religiosa. – completou Daniel. - Muito bem! – falou Mulder – Amanhã, a Scully e a Meinberg vão interrogar os outros convidados e eu e o Cristofani iremos a tal seita. Alguma objeção? Todos balançaram a cabeça negativamente. No dia seguinte, após o desjejum, cada dupla seguiu o que fora combinado na noite anterior. Gisleine Parker Stuart mora na mesma rua que Rachel e Robert, junto com o marido, um diplomata chamado Paul Stuart, e sua irmã, Amanda Parker. É uma dama muito misteriosa e ajuda a irmã a guardar um segredo a sete chaves. A família havia sido convidada para o casamento de Marie, por serem amigos do casal Mallory. As agentes Scully e Meinberg haviam pegado a lista de convidados com a polícia local e resolveram começar interrogando as irmãs Parker e o senhor Stuart, por serem bem próximos da família Mallory. Ao chegarem a casa, tocaram a campainha e foram recebidas pela governanta, a senhora Travis. - Sim? - Somos as agentes Scully e Meinberg, do FBI. Poderíamos falar com a senhora Stuart? – disse Scully. - Oh, claro. Vou chamá-la. Entrem e aguardem na sala, por favor. – a senhora Travis deu passagem a elas e fechou a porta. Deixou as agentes na sala e foi ao escritório chamar o casal Stuart. O casal adentrou na sala com um ar preocupado. - No que podemos ser úteis, agentes? – perguntou o senhor Stuart. - Senhor e senhora Stuart, queremos fazer apenas algumas perguntas a respeito de Marie Mallory. – disse Camila. - Querido, quem sabe podemos ajudá-las? – falou Gisleine. - Está bem, vamos depor. Sentem-se, por favor. – disse o senhor Stuart indicando o belíssimo sofá, com flores de "petit poent". As agentes obedeceram e começaram o interrogatório. - Onde estavam no dia do casamento de Marie e Quinn? - Nós estávamos em casa durante o dia, à noite, fomos ao casamento religioso e, depois, a festa. – falou Paul. - Somos amigos da família. – acrescentou Gisleine. - E acreditam que alguém teria motivos para cometer um ato de violência contra Marie? – perguntou a agente Meinberg. - É, eu estou chocada com a morte violenta da garota. Ela era uma graça, sabia como confortar alguém. – contou a senhora Stuart. Nesse momento, a irmã de Gisleine, Amanda Parker, chegou. Adentrou na casa correndo, subiu as escadas e, da sala, somente ouviu-se o barulho da porta do quarto batendo. - Ah... essa é minha irmã. Ela também esteve no casamento, só que eu vou ter de convencê-la a depor. Amanda é sempre assim, chega correndo, mas depois se acalma. Ela também está chocada com o assassinato da Marie. – dizendo isso, Gisleine levantou – se e dirigiu – se a escada. – Vou falar com ela. Com licença. - Minha esposa é sempre assim. Quer sempre resolver tudo. Enquanto isso no quarto de Amanda Parker... - Amanda? Posso entrar? – disse abrindo a porta. - Sim, Gi. Entre e feche a porta. - O que aconteceu? – Gisleine perguntou, entrando no quarto e fechando a porta. - Essas moças são do FBI? - Sim. - Será que descobriram alguma coisa? – assustou-se Amanda. - Não. Elas estão investigando o assassinato da filha da Rachel. - Ai... Quando soube que elas estavam aqui, eu fiquei desesperada. Eu vou ter que depor? - Acho que sim. Ela tem a lista de convidados. - Bom, a desculpa pode ser... – Amanda foi interrompida pela irmã. - Posso dizer que você ficou abalada com a morte da Marie. - É... mas será que elas não descobriram nada sobre nosso passado? - Acho que não, Amanda. Mas, do jeito que chegou, podem desconfiar que está envolvida no assassinato. - Não sei... será que não descobriram o nosso segredo? 10 anos atrás Amanda tinha 19 anos e, desde que era bem pequena, escutava uma estória de que tinha uma irmã mais velha que vivia na França, que se chamava Gisleine e era fruto de uma traição da senhora Parker, mãe de Amanda. Por isso, a garota saiu de São Francisco e foi para Paris. Depois de três meses, encontrou sua irmã vivendo num convento, onde estudava e dava aulas de canto para as alunas internas. As duas se conheceram e tornaram-se grandes amigas. Sabiam que eram irmãs, mas procuravam não tocar no assunto, pois ambas condenavam a atitude da progenitora. As meninas correram o mundo, juntas, curtindo a vida à beça, mas, um dia, o inesperado aconteceu: as garotas encontraram James Franco, o homem que fora amante da mãe delas. A princípio, James foi amável, mas logo revelou ser uma pessoa rude. Maltratava-as, ofendi-as, fazia ameaças. As garotas se revoltavam cada dia mais com a situação, até que no ápice de uma discussão na varanda da enorme casa em que moravam em Paris, as duas empurraram o homem, que iria agredi-las, e este perdeu o equilíbrio e caiu no jardim. Amanda e Gisleine foram ver se ele estava vivo, mas já era tarde: James havia morrido ao cair. Depois disso, as irmãs fugiram para não serem presas, pois a empregada viu o que acontecera e chamara a polícia. Fugiram durante muitos meses, até que Gisleine conheceu o famoso diplomata Paul Stuart, que as acolheu em sua casa, em New Orleans, e exigiu que, em troca do favor, a irmã mais velha deveria casar-se com ele. E foi isso que aconteceu. Voltando ao presente... Enquanto Dana e Camila interrogavam o casal Stuart, os agentes Mulder e Cristofani foram à seita ASAMMA ("A Salvação das Almas das Mulheres Mal- Amadas") ver se descobriram algo sobre o assassinato de Marie Mallory Matos. Foram recepcionados pelo Brother Mantovani. - Sim? Posso ajudá-los, nobres cavaleiros? – disse ao abrir a porta. - Somos os agentes Daniel Cristofani e Fox Mulder, do FBI. – ambos mostraram a insígnia. - Em que posso ser útil, senhores? - Gostaríamos de fazer algumas perguntas. Podemos entrar? – perguntou Mulder. - Sim, senhor. Por favor, acompanhem-me. – disse o Brother Mantovani dando passagem aos agentes e fechando a porta. – Sigam-me. Venham a sala de reuniões. - Senhor, será que poderia conversar conosco? – perguntou Daniel. - Não, eu só poderei falar se meu Líder autorizar. – respondeu o misterioso anfitrião, que trajava uma veste longa preta, com um capuz e uma capa vermelha. – Eu irei chamá-lo e voltarei em pouco tempo. Com licença. Os agentes esperaram apenas dois minutos pela volta do Brother Mantovani. - Senhores, o meu Líder não pode atendê-los no momento, mas eu estou autorizado a responder as suas perguntas. Eu sou o Brother Lucas Mantovani. – disse sentando-se na cadeira em frente ao sofá onde estavam acomodados os agentes. - O senhor sabia que uma moça que havia acabado de se casar, Marie Mallory, foi assassinada num bosque? – perguntou Cristofani. - Nós não ficamos sabendo dos acontecimentos rapidamente, embora estejamos na cidade. Isso ocorre porque na nossa comunidade existem regras que não podem ser quebradas e uma delas é ter contato com as noticias uma vez por mês. - Está bem. – disse Mulder – Vocês podem sair da casa quando quiserem? - Não, senhor. A não ser que tenhamos alguma "missão". – respondeu o Brother Mantovani. Nesse momento, o líder da seita, Thomas Anthony, entra na sala. Ele também vestia a veste longa, preta, com capuz e capa vermelha. - Obrigado, Brother. – disse Thomas batendo no ombro de Mantovani – Deixa que daqui pra frente assumo eu. - Sim, meu Líder. – respondeu o Brother levantando-se e saindo da sala. - Senhores, o que desejam? São do FBI, não? – perguntou o líder da seita. - Sim, gostaríamos de esclarecer um crime. – respondeu o agente Cristofani. - O Brother me falou. A propósito, eu sou o líder dessa comunidade. Meu nome é Thomas Anthony. Espero que possa ajudar os nobres cavaleiros. - Eu sou Fox Mulder e este é Daniel Cristofani. - Bom, já nos conhecemos. No que posso ser útil? – Thomas demonstrava calma enquanto falava. - Conhecia Marie Mallory? – começou Mulder. - Esse nome não me é estranho... – Thomas falava pensativo – Marie... Mallory... Marie... Sim, lembrei. Eu estudei com ela há alguns anos. O que aconteceu? - Ela foi assassinada. – respondeu o agente Cristofani. - Senhores, não entendo... Por que nos procuraram? – perguntou Thomas assustado. - O corpo da vítima foi encontrado num bosque ao lado da casa dela, alguns órgãos internos foram removidos, envolto em faixas, dentro de um círculo de sal: Procedimento típico desta seita. – respondeu Daniel lendo a pasta do caso. - Seita, não. – esbravejou Thomas levantando-se da cadeira – COMUNIDADE – gritou – C... O... M... U... N... I... D... A... D... E... Comunidade. - Acalme-se, Thomas. – disse Mulder levantando-se e aproximando-se do moço que estava muito exaltado – Diga-me, então, o que sua COMUNIDADE – frisou bem a palavra – faz para salvar a alma das mulheres? - Agente Mulder, nossa comunidade é formada por homens e mulheres que se dispõem a proteger a alma de moças que não recebem o amor e o tratamento que merecem. Nós as ajudamos a encontrar o verdadeiro amor, oferecendo seu corpo a deusa Zóphia, representante do Amor Supremo. Acreditamos que depois de morta, a garota deve ser mumificada e abandonada em um lugar que signifique algo para ela, dentro de um círculo de sal para que sua alma seja conduzida à deusa, que indicará um lugar onde a recém- casada realmente será amada. - Somente as recém-casadas são mortas? – perguntou Cristofani. - Não. Vou explicar melhor. – recomeçou Thomas – As recém- casadas são abandonadas em um lugar que signifique algo para ela e são oferecidas à deusa Zóphia. Já as outras ficam enterradas em nossa propriedade. - Lugar significativo... – começou Mulder – Para conhecer este lugar, a pessoa deveria conhecer bem a garota, não concorda? Vocês usam bruxaria? - Sim, concordo com o senhor. Mas, não utilizamos bruxaria de forma alguma. – Thomas baixou os olhos. - Senhor Anthony, além do senhor, alguém mais, daqui de dentro, conhecia a Marie? – questionou Cristofani. - Que eu saiba não. Posso saber o nome do viúvo? Gostaria de saber apenas a título de curiosidade. - Quinn Henrique Matos. Conhecia? – quis saber Mulder. - Lógico. O famoso Henrique. – lembrou-se Thomas – Aquele canalha...- o jovem líder começa a ficar revoltado – Abandonou a mãe e nós a acolhemos... - Onde foi encontrado seu corpo? – perguntou Cristofani. - Ah, ela não está morta. O filho a deixou sedada dentro de um carro, no meio de uma estrada sinuosa aqui por perto. Nós a acolhemos e, hoje, a Sister Martha trabalha aqui. Ela lidera a produção de sais e óleos cheirosos para nossos médicos colocarem na morada das almas, ou seja, o corpo das mulheres que serão salvas. – explicou Thomas. - Ela esteve no casamento do filho? – perguntou Mulder. - Sim. Ela foi abandonada logo depois do casamento. - Está bem! Obrigado. – disse Mulder – Podemos falar com a Sister Martha? - Agente, a Sister Martha está, nesse momento, em uma missão muito importante: preparar os óleos para a festa em louvor da deusa Zóphia. Por isso, ela não poderá falar. Bem, nobres cavaleiros, agora, devo ir arrumar a mesa para almoçarmos. Aceitam juntar-se a nós? – perguntou Thomas. - Não, obrigado. Temos de voltar para o hotel. – respondeu o agente Cristofani – Vamos, Mulder? - Sim, vamos. Obrigado, senhor Anthony. – disse Mulder. No hotel 13:00 hs Dana e Camila haviam chego ao hotel e cada uma seguiu para seu quarto, a fim de tomarem um banho. Scully estava preocupada com Mulder, não o via desde a noite passada e sabia que não podia afastar-se muito tempo dele, principalmente agora que estavam trabalhando com dois agentes que não estão acostumados com as teorias de Fox. Com os cabelos molhados e só de toalha, a agente estava imersa em pensamentos, sentada na cama, quando Mulder adentrou o quarto de supetão. -Mulder? – assustou-se Scully. - Desculpe. – respondeu Mulder ao ver Scully somente com uma toalha cobrindo o corpo. - Tudo bem. – Scully disse puxando o roupão para vestir – Venha, Mulder. Sente-se aqui, ao meu lado. – apontou o lugar vago na cama. - Scully, preciso falar com você. – Mulder disse após obedecê-la. - Diga. Não me esconda nada. - Fomos àquela seita e acho que devemos prender o líder. – Mulder mostrava-se assustado. - Acalme-se. Descobriram algo? - Pouca coisa. Ele chama-se Thomas Anthony e estudou com Marie Mallory. A mãe do viúvo faz parte da seita. Este caso está me deixando assustado... Como alguém tem coragem de matar desse modo? - Bom, Mulder, devemos discutir isso com a Camila e o Daniel, OK? - Tá... – respondeu Fox pensativo – Scully, você está bem? - Estou. Sei o quer saber. Vamos esperar o mês que vem para fazer a inseminação artificial, tudo bem? - Por que? - Porque estamos no meio de um caso e não podemos voltar para Washington para tal coisa, concorda? - Sim. Enquanto isso na seita... Thomas havia convocado uma reunião de emergência com os membros do conselho que controlava a seita. - Bom, atenção para a chamada. – começou Thomas – Vamos verificar quem está presente: Brother Mantovani, Sister Martha, Brother August, Brother Colin, Sister Maggie, Brother Arturo e os convidados especiais Eliza, Juan, Anna e a senhorita Andréa. Falta alguém? - Não, Thomas. – respondeu a Sister Martha – Estamos todos aqui. O que aconteceu? - O FBI esteve aqui para investigar a morte da Marie. – respondeu o líder – Conforme o combinado, eu e o Brother Mantovani contamos aquela famosa estória de que não podemos sair, não temos conhecimento do mundo exterior, etc, etc, etc. - E o que temos a ver com isso? – questionou Brother August. - Não sei, mas alguma ovelha desgarrada matou a menina e está sujando o nome da seita. – respondeu Thomas irritado – Ah, se eu descubro quem foi... - Thomas, - começou Martha com lágrimas nos olhos – será que meu filho fez algo errado? Será que é culpado? - Não sei. Nada posso afirmar. – respondeu Thomas pensativo – Mas, vamos continuar esta reunião à noite. No hotel... 15:00 horas Os quatro agentes estavam revendo suas anotações e o caso para poderem pegar o culpado, quando Daniel, que lia a pasta do caso, leu em voz alta: - Marie ajudou a criar uma instituição educacional para cuidar de crianças de 0 a 7 anos, gratuitamente, a fim de suprir a falta de escolas pré-primárias na cidade. A escola chama-se "Cantinho do Saber" e seus principais professores, Pamela Gallagher e Phil Ohlmeyer, eram amigos da vítima. - Devemos interrogá-los. – afirmou Daniel. - Tem razão. – respondeu Scully – Agora, só falta decidir quem vai lá. - Posso ir até lá. – respondeu Daniel – Alguém quer vir comigo? - Eu vou com você, Daniel. – disse a agente Meinberg levantando da cadeira onde estava sentada. - Enquanto vocês vão interrogar os professores, eu e a agente Scully vamos rever o caso e convocar o marido de Marie para um novo interrogatório. - OK! – disse Cristofani – Vejo-os mais tarde. Os agentes saíram e deixaram Mulder e Scully a sós. - Mulder, por que este caso o está deixando assustado? - Acho que estou comparando a morte dessa garota com a da minha irmã. - Ah, Mulder. – comoveu-se Scully – Quer ajuda para recuperar o sangue frio? – perguntou fazendo com que ele se deitasse no sofá, onde estavam sentados. Ela levantou-se e foi recolher alguns papéis que ficaram espalhados pelo quarto. - Scully? – chamou Mulder, que continuava deitado. - Hummm... - Eu já disse que te amo? - Mulder, - Dana sentou-se no chão, ao lado do sofá – estamos no meio de um caso e eu não quero... você sabe. - Sei, sei. Mas, não quero ir para a cama com você. Só queria perguntar o que o Skinner sabe do nosso relacionamento. - Pouca coisa? - Tipo? - Ele viu a gente se beijando no dia em que eu te pedi para ser o pai do meu filho, ouviu nossa conversa há alguns dias e, no dia de seu aniversário, quando ele passou na sua casa, confirmou o que já desconfiava há alguns anos: que estávamos juntos. - Está bem! Vamos ao trabalho? – disse Mulder tentando se levantar, mas foi impedido por Scully. - Não, querido. – disse Dana beijando os lábios – Eu vou ao trabalho. – disse levantando-se, pegando o telefone e ligando para a delegacia da cidade. Depois de muito argumentar, Scully conseguiu que Quinn fosse chamado a depor novamente. Ao desligar o telefone, olhou para o sofá e viu que Mulder dormia com um semblante tranqüilo. Pegou o edredom da cama e envolveu o corpo do homem a sua frente. Então, escreveu um bilhete avisando o que iria fazer e que voltaria o mais rápido possível. "Cantinho do Saber" 15:45 horas Daniel e Camila chegaram na instituição, tocaram a campainha e foram recebidos por um moço alto, cabelos castanhos, olhos azuis, trajando calça jeans e camiseta, com uma menininha no colo de cabelos cacheados castanho claros, olhos azuis, usando um vestido florido, de mangas compridas e apertava as bochechas do homem que as segurava. - Vieram buscar alguma criança? – perguntou. - Não. Somos os agentes Cristofani e Meinberg, do FBI. – respondeu Camila sorrindo. - Desculpem. O que desejam? Sou Phil Ohlmeyer e tomo conta das crianças junto de uma professora. Posso ajudá-los? - Podemos entrar? – perguntou o agente Cristofani. - Sim, por favor. – Phil deu passagem aos agentes – Wade, minha filha, - disse fechando a porta e dirigindo-se a criança que já estava no chão – vá chamar a tia Pamy e diga que estarei em minha sala, por favor. - Tá, tio Phil. Já vou. – dizendo isso, a menina saiu correndo pela casa. - Obrigado, querida. Vamos, agentes, a minha sala. Por aqui, por favor. – disse Phil conduzindo Meinberg e Cristofani a sala onde atendia aos pais das crianças. Os três entraram na sala onde havia uma vasta mesa de madeira brilhante, duas enormes estantes com diversos livros, um computador sobre a mesa, um enorme sofá perto de uma das estantes e 3 cadeiras, sendo que uma ficava em frente ao computador e duas na frente da mesa para os visitantes. - Por favor, sentem-se. – Phil disse indicando o sofá e sentando em uma das cadeiras destinada a visitantes – A professora Pamela Gallagher já vem. - Seu nome Phil Ohlmeyer não me é estranho... – Daniel comenta pensativo – Já trabalhou na NASA. - Sim, - respondeu Phil sorridente – eu fui a Marte naquela Segunda missão. Nós fomos salvar um de nossos tripulantes que havia ficado lá. - Continua na NASA? – interessou-se Daniel, que adorava ler sobre essa agencia. - Não. – a fisionomia do garoto mudou, mas não precisou continuar, pois Wade chegou puxando Pamela pela mão. - Tio Phil, eu trouxe a tia Pamy, como pediu. - Obrigado, querida. Agora, vá. – disse Phil sorrindo para a garota que saiu da sala correndo – Pamela, sente-se ao meu lado, por favor. - Sim. O que aconteceu? – questionou Pamela preocupada. - Estes são os agentes Cristofani e Meinberg, Pamy. Agentes, esta é Pamela Gallagher, professora responsável pela parte pedagógica da escola. – apresentou Phil. - Bom, - começou Meinberg – estamos investigando a morte de Marie Mallory. Eram amigos dela? - Sim, senhora. – respondeu Pamela – Eu e Phil éramos grandes amigos de Marie. - Onde estavam na noite do casamento de Marie e Quinn? - Eu era a dama de honra - respondeu Pamela - Estive ao lado de Marie, até o fim da festa. - Eu estive ao lado de Pamela durante a cerimônia e na festa - Phil respondeu. - Não viram nenhuma movimentação estranha? - questionou Camila. - Não - disse Ohlmeyer. - E a senhora? - Viu algo fora do comum? - cortou a agente Meinberg. - Sim, senhora - começou Pamela - Não foi bem na festa, mas, depois, quando o casal foi para casa, vi Martha, mãe de Quinn e membro da ASAMMA, seita religiosa da região, perto da balança, onde brincávamos durante nossa infância. - A Marie tinha algum atrito com alguém da cidade? – questionou Daniel. - Na verdade, ela nunca escolheu um namorado que realmente gostasse dela - disse Pamela que foi interrompida por Phil: - Somente uma vez, ela fez a escolha certa: os três meses em que eu a namorei. – Ohlmeyer a corrigiu. - Está bem, Phil como eu dizia, agentes, Marie só tinha problemas no campo amoroso – explicou Pamela. – Antes de eu e Phil nos casarmos, eles namoraram. Foi o único relacionamento dela que deu certo, por serem extremamente amigos. Nesta pequena comarca, praticamente todos se conhecem. A nossa geração, que hoje tem de 24 a 27 anos, viveu belos momentos junto à casa dos Mallory, aonde o corpo da Marie foi encontrado. Eu, Phil, Marie, Anna, Julianne, Thomas, Lucas e outros brincávamos juntos. - Existem alguns mistérios nessa cidade - disse Phil. - A que horas a escola fecha? – Daniel quis saber. - Agente, - respondeu Pamela - como hoje é sexta- feira, as crianças passam a noite aqui, para que os pais possam sair, ficar sozinhos, enfim. - Algumas estão conosco, porque a Marie conseguiu que o Estado desse a guarda a ela. - completou Phil - e outras, para os pais, poderem trabalhar. - A nossa infância foi marcada de estórias e mistérios - Pamela ajeitou-se na cadeira e começou a relatar. - Um exemplo disso é como o Thomas entrou para a ASAMMA, seita da qual, hoje é líder. Os pais dele eram ricos. O pai era major do exército, seu nome era Mark Anthony. A mãe era dona de uma rede de lojas de roupas infantis, seu nome era Diana. Vieram para New Orleans a procura de um lugar sossegado para criarem os filhos que pretendiam ter. Só que um mês depois de se instalarem na cidade, o major Anthony resolveu viajar pelo mundo junto da esposa. Quando voltaram, Thomas já tinha sete anos. Então, o menino estudou e foi criado conosco, até que um andarilho, que era irmão do major, chegou na região, acompanhado de seus seguidores, chamava-se War Anthony. A casa onde hoje é a seita, era a casa da família, e esta foi tomada pelo grupo fanático. Vimos a família até terminarmos o colegial, depois disso, eles sumiram, só soubemos que Thomas estava vivo há oito anos. - E essa estória de que eles não podem sair, é mentira, pois pode-se ver, principalmente, a noite, os membros da seita andando pela cidade. – comentou Phil – Thomas combinou com seus seguidores uma estória toda voltada para um lado místico, mas não é assim. Ela foi criada para controlar a vida de toda a nossa geração. - A única verdade nisso tudo é que eles tentam salvar as almas das moças que são mal-amadas. – Phil continuou – As garotas são assassinadas, depois entram em um processo de semimumificação e, só então, deixadas num lugar que tenha algum significado para elas. - Para isso é preciso conhecê-las bem. Os membros da seita tem de ter conhecimento da vida das moças, não? – perguntou Daniel. - Geralmente, os "missionários" , como são chamados, fazem uma pesquisa sobre a vida da garota a ser "salva". – explicou Pamela – No caso da Marie, pode ter sido alguém de dentro da ASAMMA. A maioria dos membros a conheciam. - Sabem de mais alguma coisa que pode ajudar na nossa investigação? – Daniel perguntou ao casal de professores. - Não. – respondeu Phil – Mas, conheço algumas pessoas que podem ajudar. - É verdade! – afirmou Pamy – São nossas funcionarias. Phil, por que você não acompanha os agentes até a sala da Lucy? - Está bem, Pamy. – assentiu Phil. - Se possível, - começou Camila – poderia fazer mais algumas perguntas, senhora? - Lógico, estou a sua disposição – disse Pamela. - Então, Daniel, vá com o senhor Ohlmeyer – ordenou a agente Meinberg. - Sim – respondeu o agente Cristofani e voltando-se ao professor, disse: - Podemos ir? - Claro. Por aqui, por favor – Phil levantou da cadeira, dirigiu-se à porta seguido pelo agente. Enquanto, Pamela contava mais sobre a vida de Marie Mallory, Phil conduzia Daniel à sala da administradora da instituição, Lucy. Ohlmeyer bateu na porta. - Entre – respondeu uma voz que vinha de dentro da sala. - Dá licença, Lucy. - Entre, Phil. Como vai? - Este é o agente Cristofani, do FBI. Agente, esta é Lucy, ela cuida da parte administrativa e contábil da escola. A moça trajava uma camiseta e uma saia floridas, e usava uma sandália baixa cor-de-rosa. Estava sentada em frente ao computador, mas, quando os homens adentraram na sala, levantou-se e disse: - Por favor, sentem-se – indicou o sofá e puxou uma cadeira para frente da mesa, onde sentou-se – Obrigada, Phil – e voltando-se para o agente – No que posso ser útil? Phil retirou-se da sala e Cristofani começou o interrogatório. - Conhecia Marie Mallory? - Sim, era minha amiga – a expressão da moça de séria passou a triste. – Fui eu quem fiz o vestido de noiva dela. Além de ser formada em Administração de empresas, fiz faculdade de Moda. - Sabe de alguém que possa odiá-la a ponto de matá-la? - Não, senhor. Mas, a nossa secretária, Cristy, conhecia uma moça que não suportava a Marie. - Eu poderia falar com a Cristy? – perguntou Daniel num tom autoritário. - Sim, vou chamá-la – Lucy pegou o telefone e discou um ramal – Cristy, venha à minha sala, por favor. É urgente. Em poucos minutos, a jovem chegava na sala. Trajava uma mini-blusa preta e um macacão colorido por cima. - Entre, Cristy. Sente-se – pediu Lucy. A garota obedeceu. - Sou o agente Daniel Cristofani, do FBI. - Meu nome é Cristy. Eu trabalho aqui desde o início da instituição e cuido da freqüência das crianças, faço trabalhos burocráticos, etc... - Bom, a Lucy me disse que você sabe de uma pessoa que não gostava da Marie. - Sim, é a senhorita Andréa. Ela não gostava da Marie, porque não foi convidada para a festa de aniversário surpresa do Thomas. Mas, não sei se é verdade. - É tudo? - Sim, agente. - Obrigado, Cristy. - Antes de se retirar, Cristy, chame a Ally, a Érika e a Mandy – pediu Lucy. A menina saiu da sala e minutos depois, as três moças, Ally, Érika e Mandy, entraram na sala de Lucy. - Nos chamou, Lu? – perguntou Ally. - Sim – respondeu Lucy – sentem-se, por favor. - A Cristy nos falou que o senhor trabalha no FBI – disse Érika, sentando-se no sofá ao lado do agente. - Sim. Gostaria que vocês se apresentassem e dissessem o que sabem sobre Marie Mallory. Eu sou o agente Daniel Cristofani. - Eu sou a Érika e trabalho no berçário. Trabalho aqui por indicação da Lucy. Não conhecia a Marie direito. - É tudo? – perguntou o agente. - Sim, senhor – a menina respondeu. - Obrigado, Érika. E você, ao lado da Érika? – disse o agente Cristofani. - Meu nome é Ally. Eu sou a enfermeira, mas também fui conselheira sentimental de Marie, a quem chamamos carinhosamente de Mama Chorona – a menina sorriu – Ela tinha problemas com os namorados. - Mais alguma coisa, Ally? – questionou Daniel. - Não, senhor. - Ok. Obrigado. E você, deve ser a Mandy, não? – o agente referiu-se a moça que estava sentada ao lado de Lucy. - Sim, meu nome, na verdade, é Amanda. Mandy é como a Marie me chamava. Bom, só sei que ela namorou com o Phil algum tempo. - É tudo? - Sim, agente Cristofani. - Obrigado. O agente se retirou da sala e foi encontrar-se com sua parceira, que já estava esperando-o na porta de saída da escola. Enquanto os agentes Cristofani e Meinberg foram à escola criada pela Marie, a agente Sailly foi interrogar Quinn. Quinn não conseguiu dar nenhuma informação relevante, somente chorava e lamentava a morte de Marie. Dana fez algumas anotações e voltou para o hotel. O moço foi liberado após o interrogatório terminar no hotel. 20:00hs Os quatro agentes jantaram no restaurante do hotel, e depois se reuniram no quarto da agente Meinberg. - Mulder, o que descobriu? – começou Camila. - Nada – respondeu Mulder – Apenas reli o caso para verificar se não deixamos passar nenhuma informação. - Ok. E você, Dana? – quis saber a agente Meinberg. - Eu consegui que o Quinn fosse chamado para interrogatório. Falei com ele, mas não consegui nada. Ele apenas lamentava a morte tão precoce da esposa. - Tá. Eu e o Daniel, fomos ao "Cantinho do Saber", instituição criada por Marie – Camila lia suas anotações – Os professores Phil Ohlmeyer e Pamela Gallagher foram interrogados e falaram sobre a infância deles, como Thomas Anthony entrou para a ASAMMA, citou alguns nomes... Tudo constará em meu relatório. - Sim – disse Daniel – Depois, fui interrogar as outras funcionarias da escola. Não consegui nada de relevante. - Enquanto o Daniel foi falar com as outras funcionárias, eu continuei conversando com a professora Pamela Gallagher – Camila – Nada conclusivo soubemos que o senhor Anthony, líder da seita podia e pode sair a qualquer hora, assim como os outros adeptos – disse Mulder – Então, o que escutamos do Thomas é mentira? - É – confirmou Daniel – Acho que o senhor Anthony mentiu para nós. - Acalmem-se – pediu Dana – Nós temos que trabalhar com esse tipo de informação. Temos que aprender a lidar com as pessoas que nos enganam. - Tudo bem. Mas, o que vamos fazer? – perguntou Daniel. - Vamos continuar estudando o caso – disse Camila. - E fazer novos interrogatórios – completou Scully. ASAMMA 22:00PM Brother Mantovani estava arrumando a sala de reuniões, quando resolveu que deveria colocar um gravador debaixo da mesa. Esta foi uma idéia que surgiu na cabeça do moço, pois achava que poderia usar algumas informações contra Thomas. - Meu líder, a sala já está pronta – avisou Brother Mantovani abrindo a porta e dando passagem a Thomas e aos outros membros. - Obrigado, Brother – disse o líder entrando na sala. A reunião começa. O gravador está ligado. - Espero que desta vez você não fique indeciso, Thomas – zombou Caroline. - Carol, você continua a mesma – respondeu Thomas com um sorriso nostálgico – Vamos começar. Quinn não é culpado, sister Martha. - Como você sabe que meu filho não matou a esposa? – questionou Martha. - Eu sei – Thomas respondeu convicto – Não pode ser ele. O Henrique não teria coragem. - Quem foi interrogado? – a senhorita Andréa estava apreensiva. - Senhorita, se quer saber se Phil e Pamy foram interrogados, a resposta é sim – Brother Colin respondeu. - Eu posso ser suspeita? – Andréa continuou. - Senhorita, o que acha? – debochou Thomas – Odiava a Marie e se alguém falou isso para os federais ... vice está encrencada. - Meu líder, o que acha da situação? – quis saber Sister Maggie. - Sua opinião é muito importante – completou Brother Arturo. - Eu acho que temos um grande enigma para resolver. Posso ser, aliás, sou suspeito deste crime e se o maldito do Phil e a Pamela falaram algo sobre mim, a minha vida está em jogo – Thomas começa a ficar nervoso. - Acalme-se, Thomas – pediu Brother August – confie em nós, vamos te ajudar se foi alguém de dentro da seita, mais cedo ou mais tarde, descobriremos. - E se for do conselho? – perguntou Juan. - Não pode ser, querido – respondeu Eliza – Nós do conselho conhecíamos e gostávamos da Marie, com exceção da senhorita Andréa. - Não é a única que tinha atrito com a Marie, senhorita Andréa – disse Caroline – Eu tive meus atritos com ela. - E eu também. Afina;, sou ex-namorada do viúvo – disse Eliza – Mas, não a odiava. - Bom, vamos parar com isso – gritou Martha. E baixando o tom de voz: - Tenho uma revelação a fazer – levanta-se da cadeira e começa a andar pela sala – O Ri não é meu único filho. Ele tem um irmão – Este outro filho está nesta sala – e voltando-se para Thomas – Você tem um irmão Thomas, você é meu filho. - O que? Está caduca, velha? – gritou Thomas batendo na mesa e se levantando. - Você foi adotado. É meu filho e do Clark. Nós não tínhamos condições de te criar, além disso, quando você completou 4 meses, eu engravidei novamente e, não dava para criar duas crianças. Então, o senhor War, com quem eu trabalhava e aprendia sobre feitiçaria, disse- me que o irmão e a cunhada dele iriam visitá-lo no Cairo, onde estávamos na época - explicou Martha em meio a lágrimas – Mark e Diana propuseram-se a criar um de seus filhos, visto que a mulher era estéril. Deixei-os escolher qual queriam levar e decidiram educar o mais velho, você, meu querido Thomas. – Martha acabou de falar e saiu da sala, após beijar a testa do filho. Todos naquela sala estavam petrificados com as revelações. O líder da seita havia sentado novamente e tinha uma expressão assustada. Para quebrar o gelo, a senhorita Andréa falou: - Preciso revelar uma coisa: Nunca odiei a Marie e, sim, gostava muito dela. Inventei aquela estória de que queria me vingar dela pela festa, porque eu não fui convidada, mas é tudo uma grande mentira. - Andréa, por que isso agora? – perguntou Caroline. - Pelo mesmo motivo que todos entramos para o Conselho da ASAMMA: controlar a vida de uma geração que nasceu e cresceu unida. Thomas, que já havia recuperado o sangue frio, voltou a falar: - Se há alguém que pode ser considerado suspeito é o Mantovani. - Senhor Anthony – disse o Brother Mantovani – você está errado. Não tenho nada a dizer, por enquanto – Mantovani estava resoluto, pois havia tido uma brilhante idéia: gravar a conversa, agora poderia ajudar na investigação da morte de sua amiga, Marie. – Guardo minhas preciosas palavras para o fim desta reunião – completou Lucas. - Está bem! – disse Thomas – Essa seita foi criada para controlar a nossa vida e o lado místico é uma grande mentira!!! – continuou e começou a rir descontroladamente, seguido pelos outros membros do Conselho que batiam palmas e o apoiavam, todos, menos o Brother Mantovani. - Chegaaaaaa! – gritou Mantovani – O que vocês estão fazendo? Eu entrei para essa Comunidade com a intenção de salvar as almas das moças, entregá-las à Zóphia ... eu quero ter uma missão ... - Como você é inútil! – disse Maggie. - Bobo! – disse Colin. A zombaria foi interrompida por Julianne que entrou correndo na sala. - Thomas, – começou Julianne – peço permissão para juntar-me ao Conselho. - Permissão concedida. Sente-se, Juli – disse Thomas, puxando uma cadeira. - Obrigada, mas não vou sentar – Julianne fechou a porta e começou a falar – Os federais interrogaram o senhor Oliver e ele nos delatou. - Delatou que a seita, comunidade, como queira, foi criada para delimitar a vida de uma geração que nasceu e cresceu unida, aprendeu a viver – disse Juli. - O FBI chamou-me para interrogatório e está vinda para cá, pois como já disse, o senhor Oliver deu com a língua nos dentes. Ele falou que viu as "crianças" entrarem na seita. – O Quinn está prestando um novo depoimento lá na delegacia. - Bom, já que é assim vamos apressar o término da reunião - disse Thomas. - Não, não – disse Anna levantando-se e andando pela sala – Preciso falar ... - Diga, Anna. A reunião tem de terminar. – Thomas apresentava nervosismo. - Não quero que ninguém me condene. – Anna começou com lágrimas nos olhos. – Não são só vocês que tem um esqueletinho no armário. A Marie também tinha. - Anna! – respondeu Thomas. – Todos aqui sabem do segredo de Marie. - É. – conformou Julianne que estava encostada na mesa. - Todos sabemos que aquela garota, que mora no "Cantinho do Saber", a Wade, é filha dela com o Phil. – disse o líder calmamente. – A sua revelação não era essa, Anna? – ironizou. - Não só essa – a expressão da moça demonstrava raiva. – Ela me induziu a casar. Não que tenha sido um erro. Eu amo meu marido. O Kevin é minha vida. A questão é que, como o Conselho da ASAMMA controla tudo e todos nessa cidade, a Marie influenciou-me a casar. Quando ela engravidou, resolveu viajar, pela Europa e eu a acompanhei, pois meu marido estava na Austrália. Durante a viagem, se não me engano, quando estávamos em Roma, ela teve a criança. Ela afirmou que ter filhos era a realização de um sonho. Falou tanto desse assunto. Que acabei me convencendo. Mas, eu odiava crianças. Eu odeio crianças. O Kevin, logo que soube da estória, quis os filhos. Então, vieram os dois mais velhos, e, algum tempo depois, a caçula. Fomos amigas a vida inteira, mas não deu para agüentar a pressão; Marie, de um lado, e o Kevin, de outro, falando dos bebês. Entrei em depressão e o resultado foi a morte da Marie – as lágrimas rolaram no rosto de Anna. – Escondi o que senti até o dia do casamento dela. A Sister Martha tentou me impedir. Esperei que a tola fosse dar sua volta noturna e quando a vi não pude me conter. Dei-lhe uma paulada na nuca. Ela caiu e não mais respirava. Arrastei-a até meu carro e a trouxe para a comunidade. Pedi a Dra. Green que mumificasse a garota. A doutora reconheceu a Marie, mas, depois que eu paguei o servicinho, ela calou a boca. Anna deixou o corpo cair pesadamente na cadeira onde anteriormente estava sentada. - Eu não acredito! – gritou Thomas. – Você ... matou a Marie, nossa - frisou a palavra – amiga? Como teve coragem? Os amigos presentes na sala estavam atordoados com tantas revelações. - Bom, a reunião terminou – disse Thomas. - Não terminou – retrucou Brother Mantovani. – Eu vou falar – dizendo isso, levantou-se da cadeira e ajoelhou-se no chão, entrando debaixo da mesa, de onde retirou um gravador. Quando levantou, mostrou o aparelho. – Aqui está o que eu precisava. A princípio, queria acabar com vida do nosso líder, mas agora vou ajudar o FBI a solucionar a morte da minha amiga. – Lucas tinha um sorriso de satisfação nos lábios, pois iria acabar com o mistério. - Eu vou te matar! – gritou Anna levantando-se de onde estava sentada e avançou em cima de Mantovani, tentou agredí-lo, mas não conseguiu, pois Colin a segurou. - Não vale a pena – disse Andréa – Anna, nós vamos dar um jeito. Esse traidor vai pagar pelo que fez. - Sim – confirmou Caroline. – Nada vai trazer a Marie de volta. Os nervos estavam a flor da pele. Thomas não se conteve e deu um tapa na cara de Mantovani, dizendo: - Eu vou acabar com você. Brother Mantovani não ligou para o tapa que levou, apenas tentava proteger o gravador, enquanto os membros avançavam na direção dele para tomar o objeto, prova de todas as mentiras escondidas durante anos por aquele grupo. Mas ninguém conseguiu pegar o gravador das mãos dele, pois a porta caiu com um chute dado por Mulder. - Parados, FBI – gritou Daniel entrando na sala seguido de Mulder, Scully, Meinberg e da polícia local, todos de arma em punho. - Estão todos presos pelo assassinato de Marie Mallory – gritou Mulder. - Deve haver algum engano, agentes – disse Thomas aproximando-se dos policiais. - Aqui está a confissão do assassinato, ou melhor, assassina. Ouçam a fita e saibam da verdade – disse Mantovani entregando o gravador a Mulder. Scully recebeu o aparelho e deu ordem aos policiais para deterem todos os presentes na sala. Delegacia da Comarca de New Orleans 24:00hs O delegado, juntamente com os quatro agentes do FBI, ouviram a fita, analisaram cada informação e interrogaram novamente as pessoas. Enfim, o mistério havia sido resolvido. Uma semana depois ... FBI Sala do Diretor Assistente Skinner - Muito bem, agentes Cristofani e Meinberg. O desempenho de vocês foi perfeito – elogiou Skinner. - Obrigada, senhor – agradeceu a agente Camila Meinberg. – Mas não sei se quero continuar no FBI. - Senhor, obrigado pelo elogio – disse o agente Daniel Cristofani. – Mas o FBI não é meu lugar. - Chega de mas – disse o diretor assistente, fixando o olhar nos dois agentes sentados a sua frente. – O que vocês querem? – o tom de voz de Skinner era amigável. - Quero dar aulas no Quântico – respondeu Camila. – Além disso com o meu salário vou pagar uma boa Universidade. - Ótimo. Em que área? – Skinner estava interessado. - Comunicação. Na verdade, jornalismo. - Está bem. Agente Meinberg. E quanto a você, agente Cristofani? - Voltarei para minha cidade, San Francisco – respondeu o jovem agente. - Só? Não tem nenhum sonho? - Senhor, eu gostaria de trabalhar dentro da NASA. Passei metade da minha vida estudando e lendo sobre essa agência. - Tudo bem. Respeito a decisão de vocês, porém exijo que fiquem a disposição do FBI. – disse Skinner – O que me dizem? - Concordo – sorriu Daniel. - Eu também. – apoio Camila. - Estão dispensados – disse Skinner levantando-se, e apertando a mão dos agentes. Meinberg e Cristofani retiraram-se da sala e, ao chegarem ao corredor, encontraram Mulder e Scully. - Olá, Camila. Daniel, tudo bem? – cumprimentou Scully. - Oi, Dana. Como vai Mulder? – retribuiu Camila. - Nossa ... como vão vocês? – disse Daniel emocionado e surpreso ao mesmo tempo. - Qual a surpresa? – sorrindo Mulder perguntou. - Ainda não acredito que trabalhamos com dois ícones do FBI. - Nós? Ícones? Obrigado, Daniel – agradeceu Mulder sorrindo. - Bom, Skinner nos espera – abraçando Camila e desejando- lhe felicidades. Fez o mesmo com Daniel. Mulder copiou a parceira. Meses depois ... Mulder foi abduzido e Scully está grávida. Quando só agentes Cristofani e Meinberg souberam dos fatos ocorridos foram fazer uma visita à Scully. O diretor assistente Skinner conduziu os jovens até a sala do porão, bateu na porta e avisou Scully de que a Camila e o Daniel foram visitá-la. Dana abriu a porta e os recebeu com um sorriso triste. - Olá, Camila. Oi, Daniel. Como vocês estão? - Bem. O Skinner nos contou tudo – respondeu Camila. - Entrem – Scully deu passagem a eles e fechou a porta. - Tudo bem, agente Scully? – perguntou Daniel ao ver os olhos vermelhos da mulher. - Não sei – respondeu Dana chorosa. - Olha, nós estamos aqui para te confortar. – disse Camila colocando a mão no ombro de Scully – Eu adorei trabalhar com você e estarei ao seu lado se precisar. - Obrigada. Eu que adorei vocês – agradeceu Scully. - Nós que temos de te agradecer e ao Mulder, aonde quer que esteja – disse Daniel. Os três agentes estavam com lágrimas nos olhos. Dana sentou-se na cadeira de Mulder, Daniel e Camila sentaram-se em cima da mesa. - Afinal, como terminou o caso que investigamos? – interessou-se Camila. - Anna Richardson foi condenada a prisão pela morte da amiga, Marie Mallory. Hoje está separada judicialmente do marido e perdeu a custodia dos filhos. Está curada da depressão e, recentemente, conseguiu a condicional – relatou Dana. - Ela não ficou triste com a resolução do caso? – perguntou Daniel. - Não. Para dizer a verdade, Anna livrou-se da culpa que ela sentia por ter sido influenciada pela amiga. Quanto ao marido, Kevin continua ao lado dela mesmo que estejam separados – Scully relatava o desfecho do caso com um ar nostálgico. - O que aconteceu com Thomas Anthony e a ASAMMA? – perguntou Camila. - Thomas assumiu a escola "Cantinho do Saber" e mudou o nome da instituição para "Centro de Educação Infantil Marie Mallory". A seita foi extinta e seus adeptos de dispersaram pelo mundo. Phil e Pamela tiveram seu primeiro filho e assumiram Wade como filha adotiva. Lucas Mantovani mudou- se para Paris, com a esposa, Lílian, e transferiu o corpo da amiga para um cemitério no Canadá, onde estão morando os pais dela. Foi assim que tudo terminou – terminou Scully. - Caso resolvido, então! – exclamou Daniel. - E quanto à vocês? – perguntou Scully. - Eu estou dando aulas no Quântico – respondeu Camila. - E eu estou prestes a entrar na NASA – respondeu Daniel – E você? - Vou continuar minha vida e fazer de tudo pra ter meu filho e meu amor em meus braços – respondeu Scully deixando que as lágrimas corressem por seu rosto. Os agentes se despediram e muito emocionados, cada um seguiu seu caminho. Fim Obrigada por lerem até aqui. Bjos, Rosa