AD VERSUS OMNES by Sculder Ecks DISCLAIMER: Gente, esses personagens não pertencem a mim, e sim aos seus respectivos criadores. Os uso apenas por diversão, sem qualquer fim lucrativo, há não ser que alguém queira fazer alguma doação, quanto à isso não posso me opor...he, he, he... CLASSIFICAÇÃO: Livre CATEGORIA: Inexplicável SINOPSE: Medos constantes atormentam duas adolescentes esteorotipadas de "estranhas", depois que iniciam uma amizade. Elas pedem ajuda à uma vidente que indica um homem chamado Mulder, dizendo que ele é o único que acreditará nelas. O medo cada vez mais forte toma conta das duas amigas, que precisam de ajuda, e rápido. NOTA DA AUTORA: Nessa fanfic alguns fatos são de natureza verídica. X AM 01:32hs - Ouviu isso?! ...hei, Gake? - Ahã... - Está acontecendo de novo. - Ithy, estou sentindo um frio, uma coisa estranha. - Eu também... Estou morrendo de medo... - ... Turúrurúrurú.... THE X-FILES PARANORMAL ACTIVITY GOVERNMENT DENIES KNOWLEDGE AD VERSUS OMNES Lady Mary Seer 17 de Novembro de 2000 PM 4:25hs - O que estamos fazendo aqui, Ithy? - Não sei, Gake. Talvez ela possa nos ajudar. Gake se recostou no sofá de couro marrom cruzando os braços enquanto Ithy olhava para a porta, ansiosa para entrar. Não sabiam o que iriam encontrar, mas precisavam de ajuda. Imediatamente. O lugar era bastante colorido, com panos pendurados no teto e em todos os lugares possíveis, havia dois sofás e uma vitrine grande com algumas pedras, artefatos místicos, livros, pêndulos... O cheiro do incenso de rosas perfumava o lugar e envolvia todos por uma cortina de fumaça. - Podem entrar. - disse a atendente indicando a porta. As duas meninas levantaram-se e entraram receosas do que iriam encontrar ali. Uma mulher com um enorme turbante vermelho as esperava, deveria ter seus 40 anos, estava sentada atrás de uma mesa redonda com uma enorme bola, que deveria ser de cristal, em cima. - Entrem, não tenham medo. - disse a tal mulher apontando duas cadeiras. - Nós não deveríamos ter vindo... - sussurrou Gake para a amiga. As duas sentaram e a vidente Lady Mary olhou para o objeto redondo, passando a mão por ele várias vezes. Ela fez uma cara de espanto e em seguida olhou as duas meninas sentadas ali em frente a ela. Examinou novamente a bola e começou a falar vagarosamente: - Vocês sentem medo do que não sabem. Sentem medo do que vêem e ouvem, sentem medo do que imaginam. As duas, pasmas, olhavam para a mulher, não achavam que saberia tanto, achavam tudo uma farsa e comprovaram que não era. Ela dizia exatamente tudo o que viam, ouviam e sentiam. - Precisamos de ajuda. - falou Ithy com um fio de voz. - Eu não posso ajudar. Eu não posso porque não estou apta. O que percebo é que devem ouvir o que eles têm a dizer, o que são e o que querem. Ouçam-os. - Eles quem? - Gake disse com ar incrédulo. - Vocês sabem bem quem são eles. - Temos medo... queremos que isso não aconteça mais. - Peçam ajuda. - A quem? Quem vai acreditar? - Existe um homem, ele é alto, moreno e usa terno. Pelo que vejo aqui o último nome dele é... é... Mulder! - Onde podemos achá-lo? - Ithy disse se inclinando para frente. - Não sei. Não tenho a mínima idéia de quem ele é. Esse nome surgiu aqui, e então existe. Procurem. É o único que vai acreditar. O único. As meninas se levantaram e saíram rapidamente da sala. Quem seria esse homem? Quem seria Mulder? Quem seria o louco que acreditaria nelas, sendo que ninguém acreditava? Onde procurar, aonde ir, o que ver? RESIDÊNCIA DE ITHY SATTER PM 5:45hs - Alô, telefonista? Poderia me dizer o telefone da casa do Senhor... Mulder? - Você sabe qual é o primeiro nome dele? - Acho que esse é o primeiro nome dele. - Não consta no cadastro. - disse após alguns instantes. - Então talvez seja o último nome. - Também não consta. - Tá, obrigada. Ithy desligou o telefone e ligou para sua amiga, tinha que contar a "descoberta" o tal "Mulder" não existia. - Gake? - Oi Ithy, e aí? - A telefonista disse que não constava no cadastro. - Viu? Eu disse que essa bobagem de vidente era furada! - Droga! - O que você queria? - falou começando a se irritar. Eu não acredito que gastamos tudo o que tínhamos com uma mulher de turbante vermelho! Ela deve ter inventado isso, esse nome. Como poderia ver um homem em uma bola?! Ithy não respondeu à amiga. Era mesmo ridícula a idéia da mulher saber quem poderia ajudá-las. Mas a questão era que Lady Mary acertou o que elas estavam sentindo e vendo. - Mas ela acertou tudo, é impossível ser coincidência. É impossível. - Ai, eu não sei. Não sei o que fazer. - E nós vamos continuar vendo aquelas coisas?! Eu não suporto mais. Tô cansada, com medo. - Não tem o que fazer. - Tá, amanhã a gente se fala. - ela suspirou. - Tá, tchau. - Tchau. SEDE DO FBI - WASHINGTON D.C. 21 de Novembro de 2000 AM 10:59hs Gake e Ithy acompanhavam a turma numa visita ao FBI, aquelas visitas que constantemente as escolas proporcionam para seus alunos. Deviam ser uns 21 ou 22 alunos na faixa de 14, 15 anos, acompanhados de duas professoras. Olhavam tudo, examinavam com clareza, as duas no futuro sonhavam em ser agentes do FBI. Elas sonhavam muitas coisas juntas, praticamente as mesmas coisas, e eram rotuladas de estranhas. Por todos. Qualquer pessoa que se aproximasse elas repeliam, se davam bem juntas, eram iguais. Os pensamentos os mesmos, do que gostavam, o modo como encaravam as coisas, tudo era idêntico. Uma pensava, a outra falava. E sabiam que eram diferentes. Nenhuma menina de 15 anos era igual a elas. Não pensavam só em roupas, cabelos e garotos. Era algo bem mais profundo que isso que estava eternamente na mente delas. O futuro era o que mais martelava nas cabeças jovens e preocupadas das duas. Conversavam o tempo inteiro, sobre tudo. Não se sentiam com a idade que tinham, pareciam ter mais, como se tivessem vivido tanto quanto podiam agüentar. Questionavam muito o porquê de tudo. O porquê da vida, o porquê do universo. E sabiam que eram as únicas a perguntar isso, provavelmente as outras meninas de 15 anos estavam comprando roupas em alguma loja cara para exibir aos amigos. Elas não, elas estavam filosofando sobre a vida. E encaravam o céu estrelado como um refúgio para suas almas. Lá elas podiam ser o que quisessem, não importava o que fosse, elas eram. Os olhos se perdiam na imensidão escura e mesmo assim elas sabiam que aquele céu não era o que deviam estar enxergando. Deviam estar vendo outro e isso as angustiava. A ponto de se sentirem presas dentro delas mesmas, a ponto de quererem fugir para bem longe. Mas, apesar de tudo, amavam viver. De qualquer jeito que fosse, mas viver. Por isso, os sonhos eram o único refúgio onde Gake e Ithy se sentiam em casa, como se a realidade de todos fosse alternativa e a delas, a real. E agora, mais estranho ainda, era o que viam. Pessoas, de dia ou à noite, quando elas estavam fazendo qualquer coisa. Sonhos estranhos, de perseguições, e mais e mais pessoas, sensações de que tinha alguém junto a elas num lugar vazio. Barulhos. Aquilo tudo era horrível, o medo era constante, o frio na barriga era eterno. Não eram normais e sabiam disso. Elas próprias concordavam que isso não era normal e que algo estava errado. Mas o que fazer? A quem recorrer? Não existia ninguém que pudesse ajudar a não ser elas mesmas e Deus. - Por aqui gente. Venham por aqui. Elas andavam acompanhando os colegas quando viram um homem saindo de um dos elevadores. Ficaram olhando-o percorrer o caminho. - Imagina que legal se nós fossemos do FBI. Usarmos aquele crachá e tudo mais... - É mesmo, Gake. Quer dizer, Agente Fenster! - OK, Agente Satter! As duas riram e ainda observavam o homem alto andando no meio daquele monte de gente. De repente começaram a sentir um tremor nas mãos, se olharam e entendiam bem o que estava acontecendo. Um outro homem, parado ao lado de um guarda, as olhava insistentemente, como se fosse fazer alguma pergunta ou se aproximar. Mas continuava parado no mesmo lugar. Gake e Ithy não conseguiam se mexer, falar, nem ao menos piscar os olhos, e o medo característico daquelas situações aparecia cada vez mais forte. - Meninas! - a professora já gritava. - Anh? O quê? - Ithy disse como se despertasse de um pesadelo. - Já chamei vocês três vezes, o que estão olhando? - Aquele homem, ali do lado do guarda. - disse Gake apontando para o local. - Não vejo ninguém, só um policial. As duas se voltaram novamente para o local e não havia mais nada, só o mesmo guarda de antes. - Mas tinha um homem ali agora mesmo, senhorita Aimme! - Ithy tentou explicar. - Cheguei aqui quando vocês olhavam pra lá e não vi ninguém. - a professora foi se afastando. - Mas venham logo garotas, senão não conseguirão conhecer o resto do prédio. A professora Aimme chegou perto da colega e cochichou, provavelmente diziam algo como "aquelas duas são estranhas mesmo!" Entretanto já não se importavam com isso, estavam acostumadas ao estereótipo que recebiam. As duas continuaram olhando para o guarda, e por ele viram passar o homem alto que saíra do elevador. - Bom dia, Agente Mulder. - Bom dia. Elas se olharam estupefatas, o tal homem era um agente do FBI? Como poderia ajudá-las? Ficaram com o olhar colado ao homem que já se dirigia para fora do prédio. Continuaram sem palavras até que Ithy tentou dizer alguma coisa. - É... o homem... - ...moreno, alto e usa terno. - completou Gake lembrando das palavras de Lady Mary. - Eu não acredito, ele é um agente do FBI! - falou levando a mão à boca. - Pelo menos já sabemos onde encontrá-lo. Em que seção deve trabalhar? - Quem tem boca vai a Roma! Mas nesse caso, vai a Mulder! - disse Ithy indo à direção do guarda. - Espera aí! - Oi. - Ithy falou receosa. - Oi, meninas. Perderam-se dos seus colegas? - Não. Na verdade queríamos falar com o senhor. Perguntar uma coisa... - Estou à disposição. O que querem? - falou o guarda cruzando os braços, fazendo ar de importante. - Aquele homem que você acabou de cumprimentar... o nome dele é Mulder, né?! - O Agente Mulder? Ah sim. - Em que setor ele trabalha? - adiantou-se Gake. - Trabalha nos Arquivos X. Esse cara é um lunático! - o guarda emitiu uma risada. - Arquivos X? - É um departamento que investiga casos paranormais, discos voadores, e outras coisas que não existem. Uma total perda de tempo. Ithy e Gake se entreolharam. - Precisamos entrar em contato com ele imediatamente. - Bem, vocês podiam voltar daqui a algumas horas. Talvez ele já tenha retornado. Mas acho que agora deviam ir porque sua professora está olhando com uma cara não muito simpática para cá! Elas viraram-se e a senhorita Aimme realmente tinha um olhar furioso. - Vocês são muito jovens para entrarem na onda do Agente Mulder, ele é um cara legal, mas meio maluco. Pra vocês terem uma idéia ele acha que existem "homenzinhos verdes"... Sem entender o porquê daquilo tudo, elas agradeceram ao guarda e foram andando bem devagar para irritar a professora um pouco mais. Podiam ser diferentes em tudo dos outros adolescentes, mas em uma coisa era iguais: adoravam debochar da cara desesperada dos professores. Gake cutucou Ithy enquanto andavam. - Mas você viu, não foi?! - É. Quer saber o que eu acho? Gake fez sinal de positivo com a cabeça. - Temos que resolver isso hoje. - Concordo. Continuaram andando vagarosamente atrás dos colegas, pensando naquele homem de terno... Agente Mulder. RESIDÊNCIA DE GAKE FENSTER 24 de Novembro de 2000 PM 5:30hs - Vamos, Gake? - Só um pouquinho, eu não consigo achar a lista do supermercado. - Onde sua mãe disse que ia deixar? - Eu sei lá! - Achei! - Onde estava? - Na geladeira, Gake. Você nunca procura lá! Gake abriu a porta e saiu resmungando. - Eu odeio sextas - feiras! Não sei porque minha mãe me faz ir ao supermercado pra ela. - Para de reclamar e vamos de uma vez! - Ithy falou puxando a amiga pelo braço. As duas saíram e foram a pé mesmo até o supermercado. Era bem perto de onde Gake morava, umas duas quadras somente. Andavam pela rua e, como sempre, conversavam sobre os acontecimentos "estranhos". - Pois é, mas eu acho que nós nunca vamos encontrar de novo o agente Mulder. - Sabe que eu também?! Já estou me irritando com essa situação! Um silêncio se estabeleceu até que Ithy começasse a falar de novo. - Eu cheguei à conclusão que isso só acontece quando estamos juntas... - Realmente. Mas vamos fazer o quê? - Deixar de ser amigas não. Nunca. Gake sorriu para a amiga e entraram no supermercado, estava vazio. Ainda bem, elas odiavam supermercado cheio de gente. - Pasta de Amendoim, Gake. - Já peguei, o que mais tem aí? - Cereal. Mas tem que ser o da Kellogg's. - O Aaron só come esse. Esse garoto é uma peste! - Ai coitado, Gake. - Coitado porque ele não é seu irmão! Gake pegou a caixa do cereal e notou que sua mão tremia, olhou para a mão de Ithy e viu que acontecia o mesmo. O que seria dessa vez? As duas se olharam com medo, começaram a empurrar o carrinho do supermercado e sentiram um vulto branco passar pelo lado direito delas. Quando se voltaram para o refrigerador onde ficavam os iogurtes viram um homem sentado ali, todo de branco. O mesmo homem que viram no prédio do FBI. Mais parecia flutuar sobre os iogurtes, porque nenhum deles estava amassado nem nada. O homem as olhou e, pela primeira vez desde que começaram a ver esse tipo de coisa, ele falou. - O futuro não pertence a vocês... Ao contrário das outras vezes elas saíram correndo pelo corredor do supermercado, sem olhar para trás durante um bom tempo. De repente elas colidiram com um homem que estava parado na frente de uma das prateleiras. - Desculpe senhor... - Gake disse levantando e tentando ajudar o homem. - Não tem problema. As duas engoliram em seco. Reconheciam aquele homem. - Agente... Mulder?! - disse Ithy fazendo um esforço tremendo para conseguir falar. - Vocês me conhecem? - disse Mulder pegando o saquinho de sementes de girassol do chão. Gake e Ithy estavam sem fala. Não acreditavam no que viam, o tal homem moreno, de terno, estava ali à frente delas. - Nós, não! Quer dizer, acho que sim. - Ithy tentou ser responder. - Ahn? - É que precisamos muito falar com o senhor. - Comigo? - ele disse surpreso. - É. - Gake respirou fundo. - Uma... pessoa... nos indicou o senhor porque, porque... - Gake tentava achar a palavra certa enquanto Ithy prosseguiu. - Porque temos uma coisa para contar, que ela nos disse que só você acreditaria. - Ah é? - É uma coisa horrível que acontece conosco... - Gake encheu os olhos de lágrimas. É um medo, não sei como explicar. Mulder olhou preocupado para as duas meninas à sua frente. Embora não soubesse quem elas eram ou do que se tratava o assunto, sentia que deveria ajudá-las. - Podemos conversar em outro lugar? De um lado Gake e Ithy, do outro Mulder. Estavam sentadas na lanchonete do supermercado e pela primeira vez sentiam-se à vontade em contar tudo o que viam. De alguma forma sabiam que deviam confiar naquele desconhecido homem. - Quer dizer que isso aconteceu hoje? - Há poucos minutos atrás. Por isso eu te derrubei. - Gake deu um sorrisinho amarelo. - Isso acontece a quanto tempo? - Eu vejo tudo isso desde pequena, mas desde que conheci a Gake se intensificou, sabe? Comecei a ver quase que diariamente... - Ithy tentou segurar as lágrimas. - Mas é horrível, a todo o instante eu me sinto sufocada! - Eu nunca tinha visto nada disso. - Gake interrompeu. - Bem, umas vezes antes, mas eu acho que foi só impressão minha. Agora é diferente, é real. Eu também vejo o tempo inteiro, mas na maioria das vezes é quando eu e ela estamos juntas. Mulder examinou o olhar daquelas meninas, percebeu que não mentiam. Ficou simplesmente pensando em como aquilo poderia acontecer, claro que ele já tinha investigado casos parecidos mas nunca um igual àquele. Elas eram jovens demais para estarem enlouquecendo, e inventando, definitivamente não era o caso. - O futuro... - Ithy pensou em voz alta. - ...não pertence a vocês... - Gake completou. - O quê? - Mulder indagou voltando dos seus pensamentos. - O futuro não pertence a vocês..., foi o que ele nos disse. - Ithy continuou. - Ele quem? - O homem de branco. O que vimos há minutos atrás. Ele estava sentado em cima dos iogurtes e disse isso. - Gake falou mostrando onde ficava. - Mas como ele sentou lá? Iria derrubar tudo, mas está intacto! - Sabemos que é estranho. - Ithy disse secamente. Ele percebeu que as meninas estavam descontentes diante da desconfiança dele, mas não podia evitar. Tudo era muito estranho. De repente o celular dele tocou. Mulder pediu um minuto e atendeu. Era Scully perguntando onde ele estava. - Eu estou no supermercado. Temos um novo caso. Está bem à minha frente. - disse Mulder olhando as duas meninas. Gake e Ithy se entreolharam e riram. - Nós somos um caso, Gake! - Nunca pensei que seria um caso na vida... Mulder riu e seguiu falando com sua parceira que acabara de perguntar o que era. - Depois eu falo com você, Scully. Onde você está? (pausa) - Então depois eu passo na sua casa para te dar os dados. Ele desligou e as meninas estavam ansiosas para falar. - Não acredito que você é um agente do FBI... - Ithy falou. - Porque não? - Mulder riu. - Nosso sonho é sermos agentes do FBI um dia. - Gake interrompeu. - Sermos parceiras uma da outra. Mulder ficou abismado diante da revelação das meninas. Ser um agente do FBI era motivo de orgulho para elas. - Eu também tenho uma parceira... - Ela não acredita em nada, não é?! - Gake falou interrompendo. - Como sabem? - Não sei. Parece que alguém nos disse nesse exato momento. - Gake disse normalmente para depois se apavorar com isso. - Alguém? - Isso às vezes acontece. Uma pessoa fala conosco, mas não é nossa mente. E uma pessoa acabou de nos dizer. E então ela acredita ou não? - Ithy mediu as palavras. - Na maioria das vezes não. - Mulder disse abobado, tentando não duvidar delas. - Como ela se chama? - Gake intrometeu-se. - Scully. Dra. Dana Scully. - Ela é médica? - Ei, aqui quem faz as perguntas sou eu. - Mulder disse debochado. - Ela é médica legista. Trabalhamos juntos há 8 anos. Satisfeitas? - Por enquanto. - Ithy fez ar de superioridade e sorriu. - Ithy! Nós temos que ir se não a mãe vai me matar. - Gake falou levantando-se. - Mas isso vai ficar entre nós, né?! - Não se preocupem com nada. - Bem, meu telefone e endereço é esse, e o da G. é esse aqui. - Ithy disse entregando um papel a Mulder. - Pode nos ligar à hora que quiser e se por acaso meus pais atenderem ou os dela, invente qualquer nome, mas não diga que é um agente do FBI! Isso tem que ficar em segredo. O endereço é só por precaução, não seria bom que fosse nos visitar... - Ithy falou zombeteira. - Se nós contássemos ninguém acreditaria mesmo, não gostaríamos de sermos chamadas de malucas, já basta nos chamarem de estranhas... - Gake explicou. Elas deram um tchauzinho e foram embora. Mulder levantou, pagou o que tinha comprado e foi pra casa da parceira. Tinha que contar seu achado. APARTAMENTO DE DANA SCULLY 24 de Novembro de 2000 PM 8:21hs - Mulder, você não acha tudo isso fantástico demais?! Mulder suspirou, balançou a cabeça e não respondeu à pergunta da parceira. Já conhecia a reação dela. - Elas podem estar querendo chamar a atenção, ou então estão impressionadas com algum filme que viram. - Pra mim elas não pareciam mentir, Scully. E se estivessem, porque o fariam? - Eu não sei, Mulder. Mas elas são adolescentes, e adolescentes inventam esse tipo de coisa. - Você pelo menos poderia tentar acreditar nelas. Poderiam estar falando a verdade. - ele suspirou - bem que elas acertaram... - Acertaram o quê? - Que você não acreditava em nada. Estavam certas. Estão falando a verdade! - Eu não creio que haja tal possibilidade. Mulder se levantou e dirigiu-se à porta, só parou porque Scully o chamou. - O que vai fazer? - Procurar a verdade. SEDE DO FBI - WASHINGTON D.C. 27 de Novembro de 2000 PM 1: 34hs Scully entrou na sala que dividia com o parceiro, acabara de almoçar e estava retornando para o trabalho quando viu Mulder, sentado à frente de duas meninas que pareciam ter uns 15 anos. Ela ficou estática ao lado da porta olhando-as para ver se entendia o que estava se passando. Mulder a viu e chamou-a, isso fez com que as duas olhassem para a tal "parceira do Agente Mulder". - Scully, vem aqui que eu quero apresentar você para as meninas! Scully começou a sentir-se estranha conforme se aproximou das garotas. Parecia que já as conhecia, uma sensação de que aquela não era a primeira vez que se viam. Seu coração começou a pular, sua respiração ficou forte. Piscou os olhos algumas vezes e não quis mais pensar, talvez estivesse muito cansada. - Essa é Gake Fenster... - disse apontando para Gake. - E essa é Ithy Satter. Gake e Ithy se olharam e olharam para Scully que estava imóvel. Ficaram também desse jeito, com os olhos vidrados tentando entender de onde a conheciam. Deram um discreto "oi" para a agente e tornaram a olhar Mulder. Ele por sua vez, começou a falar espontaneamente, pouco se importando com a cara da parceira. - Elas são as jovens de quem lhe falei ontem. Trouxe-as aqui para que você faça suas perguntas. - Mulder, posso falar um minuto com você? Scully chamou o parceiro e foram conversar. - Mulder você enlouqueceu? - Porque Scully? Qual o problema? - ele disse rindo. - Elas deviam estar na escola agora, Mulder. Como as trouxe pra cá? Ele colocou as mãos na cintura e levantou a cabeça pra cima. Já tinha voltado à expressão séria. - Elas quiseram vir, Scully. Eu já fiz algumas perguntas a elas, e com o poder que me é atribuído como psicólogo, posso dizer, com toda a certeza que, não estão mentindo. Só querem ajuda. Ela suspirou fundo e sacudiu a cabeça. - Você tem idéia do que está fazendo? Está dando uma falsa esperança a elas. - Porquê? - Essas garotas acreditam que você pode ajudá-las, mas como vai fazer isso? Como vai impedir que vejam esse tipo de coisa? - Então você admite que elas possam ver?! Scully não respondeu. - Scully, eu sei que é estranho. Mas é só conversar com elas que as dúvidas se acabam, eu não sei com te explicar isso, mas simplesmente se esgotam. Scully se dirigiu novamente para sua sala, antes que entrasse Mulder segurou-a. - Converse só um pouco com elas, não custa nada. Scully assentiu e entrou de novo na sala. Ithy e Gake estavam sentadas esperando Mulder e Scully "conversarem". Ficaram quietas quando os dois entraram. Scully parou em pé à frente delas e cruzou os braços, tentando pensar no falar com as meninas, não sabia porque mas ficava extremamente nervosa na presença delas. - Você não acredita, né?! - Ithy se dirigiu a Scully. Ela permaneceu muda olhando para as duas. - Nós já estamos acostumadas com isso. - Gake completou. - Acontece o tempo inteiro, sonho nosso pensar que não aconteceria agora. O silêncio predominou no local. As duas amigas que começaram a contar tudo para Scully. - Nós vimos essas coisas poucas vezes antes de nos conhecermos, no dia 4 de maio deste ano. Pode parecer pouco tempo para uma amizade, nós sabemos disso. Mas o estranho é que parece que nos conhecemos há séculos e não há 6 meses somente. Tudo em nós coincide, os gostos, a maneira de agir... - Gake começou falando. - Então, de um tempo pra cá, percebemos que algo diferente acontecia conosco. Às vezes eu via algo, olhava pra Gake e ela estava com uma cara de quem estava sentindo alguma coisa. Nunca comentei nada, até que um dia nós falamos sobre isso e ela me disse que sentia um frio nas costas em certos momentos, quando estava comigo. - Ithy prosseguiu. - Isso seguiu acontecendo porque estamos sempre juntas, somos colegas de aula e passamos uma na casa da outra. Mas agora está ainda mais estranho porque estamos vendo o mesmo homem sempre: um cara de branco. - Foi o que vimos no supermercado. - Gake dirigiu-se a Mulder. - Agora ele falou conosco, isso nunca tinha acontecido antes. Se antes sentíamos tanto medo, agora piorou. Por isso pedimos ajuda a uma vidente que nos indicou o agente Mulder. E, como o agente Mulder já deve ter lhe dito, às vezes ouvimos vozes nos perguntando alguma coisa ou dizendo algo referente à pessoa com quem estamos. Dessa vez esse "alguém" nos falou que você não acreditava em nada, por isso falamos aquilo. Scully ouvia atentamente o que Ithy e Gake lhe contavam, em certos momentos chegou a acreditar nas duas amigas, mas sua gana de explicar tudo pela ciência fazia com que ela deixasse de acreditar novamente. Depois que as meninas contaram tudo, a agente ficou sem fala. Não sabia realmente se acreditava nelas ou se simplesmente ignorava tudo. Elas poderiam estar inventando ou fantasiando como a maioria dos adolescentes, querendo chamar a atenção. O que Scully não queria admitir era que, começava a acreditar nelas. Era completamente impossível não acreditar. Ithy e Gake se despediram dos agentes e foram embora, tinham que voltar para casa antes que alguém percebesse que haviam cabulado aula. Os agentes ficaram sozinhos novamente, Mulder deu a volta na mesma e sentou- se, ficou olhando Scully. - E então? Scully pensou um pouco antes de responder. - Olha Mulder, eu não sei se elas estão falando a verdade. E se estiverem, não podemos fazer nada. Dessa vez foi Mulder quem pensou antes de responder. - Até agora elas não me pediram ajuda abertamente. Estão simplesmente tentando fazer com que nós acreditemos nelas. Eu queria encontrar uma forma de ajudá-las... - Não há uma forma certa de fazer isso, Mulder. Ele suspirou. Depois levantou uma das sobrancelhas como se pensasse em algo que tinha algum sentido. - Mas Scully, pense comigo: se elas vêm isso pode ser um dom que só se manifesta quando estão juntas. Talvez haja uma ligação espiritual entre as duas, não sei bem ainda. Como se fossem escolhidas... - Escolhidas? - Esses chamados "espíritos" poderiam estar querendo ajuda. Ajuda que só elas conseguiriam dar. Scully fez ar de descrente e ignorou o que seu parceiro dissera. Talvez estivesse vendo filmes demais. Mulder levantou-se e saiu rapidamente, deixando Scully ali, atônita. Ela olhou a mesa dele onde viu o endereço e o telefone das meninas, pegou-os e saiu com destino a casa delas. RESIDÊNCIA DE ITHY SATTER PM 4:10hs - Sra. Satter? - Sou eu mesma. Em que posso ajudá-la? - respondeu a simpática senhora do outro lado da porta. - Eu me chamo Dana Scully. Sou agente do FBI. Posso entrar? - Scully perguntou. - Claro. Entre. - receosa, Christine Satter deu passagem para que Scully entrasse. Christine conduziu Scully até a sala de estar onde se sentaram. Ela ouviu um som de música alta vindo do andar de cima e quando se voltou para Christine percebeu que ela estava com o olhar preocupado. - Desculpe, é minha filha. - Christine disse levantando-se e indo até o pé da escada. - Ithy abaixe esse volume, mamãe tem visita! - gritou para a filha enquanto dava um meio sorriso para Scully. Ithy saiu do quarto e foi até a beira da escada ver quem era a "visita" da mãe. Deu de cara com Scully sentada em seu sofá. Ithy arregalou os olhos e respirou fundo, depois subiu as escadas correndo e bateu a porta do quarto. Christine só teve tempo de sorrir sem graça para a agente, enquanto voltava para a sala. - Adolescentes são assim. - Christine tentou desculpar-se. - Mas há algum problema? - Na verdade sim. - Scully respirou tentando recompor-se. - Com sua filha. Christine Satter segurou a respiração e não respondeu absolutamente nada. - Gake, ela está aqui. - Ithy falou após a amiga ter atendido ao telefone. - Ela quem? - A parceira do agente Mulder. Ela está aqui. - O quê? Como assim ela está aí? Ithy levantou-se e espiou pela fresta da porta Scully e sua mãe conversando na sala. - Estou vendo a agente Scully agora mesmo na sala da minha casa. Gake demorou alguns instantes até responder. - Eu não acredito! - disse alterando o tom de voz. - Ela é louca por acaso?! - Eu queria saber o que elas estão falando... - E o Mulder? - Não, ele não veio junto. Tenho certeza que ele nem sabe que ela está aqui. - Se ela disser algo pra sua mãe, estamos ferradas. Logo, logo minha mãe vai estar sabendo também. Ithy sentou novamente em sua cama e ficou pensando no que faria. De repente correu até a janela e abriu-a. - Gake, faz o seguinte: me espera que estou indo pra sua casa. - Tá. Ithy desligou e jogou o telefone sem fio sobre a cama enquanto pulava a janela e descia pela escada de incêndio. - A sua filha está tendo algum problema escolar ou familiar, sra. Satter? - Não. - ela pausou. - Que eu saiba não. - Ela enfrentou alguma experiência traumática ou ent... - Minha filha não tem problema nenhum. - Christine interrompeu. - Aconteceu alguma coisa? Scully ajeitou-se no sofá e recomeçou suas perguntas. - Ela se impressiona com facilidade? Tem visto muitos filmes de terror ou suspense? - Agente Scully, minha filha é uma adolescente perfeitamente normal. - Christine começou a perder a paciência. - Ithy não tem problema nenhum, aliás ela está melhor do que nunca. Eu não entendo o motivo dessas perguntas. - Bem Sra. Satter, ela foi procurar meu parceiro para pedir ajuda. Disse estar vendo... - Scully pensou um pouco. - "pessoas". - Pessoas? - Christine perguntou sem entender. - Espíritos. - Scully acrescentou. Christine levantou-se bruscamente do sofá e subiu as escadas, em direção ao quarto da filha. Abriu a porta e não encontrou nenhum sinal de Ithy. Apenas as cortinas esvoaçando com o vento que vinha da janela aberta. Virou-se novamente para a agente que estava parada ao pé da escada, observando-a. RESIDÊNCIA DE GAKE FENSTER PM 5:45hs Ithy estava sentada na cama de Gake, enquanto a amiga procurava o telefone do agente Mulder entre suas coisas. - Achei! Acho que é este. - Gake disse mostrando o papel para a amiga. - Vamos ligar? - Acho que sim. Gake pegou o telefone que estava sobre o criado mudo e discou o número. Esperou alguns instantes mas o telefone estava fora da área de cobertura. Desligou e olhou para amiga que já estava apreensiva. - Está fora de área. Foi colocar novamente o telefone no lugar quando a campainha tocou. - Alô? - Sim, ela está aqui sra. Satter, só um momentinho. Gake passou o telefone para Ithy com uma cara completamente assustada. - Tá, já estou indo. Tchau. Após desligar ficaram em silêncio algum tempo. Ithy levantou-se e foi até a porta, depois se virou para a amiga. - Se o agente Mulder ligar, me avisa. Ithy abriu a porta e saiu. PM 9:02hs - Alô? - o senhor do outro lado da linha atendeu. - Por favor, eu gostaria de falar com a Gake?! - Só um minutinho, quem é? - É o ag.. quer dizer, Scott. - Mulder gaguejou. O sr. Fenster subiu até o quarto da filha, abriu a porta e a viu mexendo no computador. Quando Gake percebeu a presença do pai levantou-se rapidamente para que ele não visse o que estava aparecendo no monitor. - Filha, é Scott no telefone. - Kevin Fenster apontou para o telefone no criado mudo. - Scott? - Gake perguntou sem saber quem era. - É. Atenda logo se não quer deixar seu amigo esperando. Kevin saiu deixando a filha sozinha no quarto de novo. Ela correu para o telefone e atendeu. - Alô? - Gake, sou eu. O agente Mulder. Gake riu por pensar que Mulder tinha se passado por um amigo seu, ainda por cima chamado Scott. Mulder também soltou uma tímida risada. - Oi. - Gake, eu queria saber em que vidente vocês foram? - Se chama Lady Mary. Por que? - Eu preciso fazer umas perguntas a ela. Onde posso encontrá-la? Gake explicou onde podia achar a vidente Lady Mary e depois ficou pensando se contava ou não que a parceira dele tinha ido à casa de Ithy. - Agente Mulder, você disse à sua parceira que não podia nos contatar? - Não. Algum problema? Gake pensou se dizia ou não. Resolveu contar para o bem dela mesma e de sua amiga. - Hoje à tarde a agente Scully foi até a casa da Ithy para conversar com a mãe dela. - O quê? - Mulder disse incrédulo. - Nem Ithy nem eu sabemos o que elas conversaram porque logo que a agente chegou na casa dela, ela veio para minha casa. Há algumas horas atrás, a sra. Satter ligou pra cá atrás da Ithy e ela foi embora. Até agora não me ligou, eu não sei o que houve. Mulder ficou alguns minutos sem dizer nada. Scully não deveria ter ido falar com a sra. Satter, isso atrapalharia ou até bloquearia a investigação dele. Estava tentando pensar no que fazer quando Gake começou a sentir uma dor de cabeça terrível, ficou meio tonta e colocou a mão sobre as têmporas. - A minha cabeça... - Anh? - dói... - Gake gemeu, segurando-se na estante onde ficava o computador. - Gake, você está bem? Mulder não recebeu resposta. - Gake?! HOSPITAL FEDERAL DE WASHINGTON D.C. 28 de Novembro de 2000 AM 8:25hs - Gake? Filha, abra os olhos. - Sarah Fenster sussurrou segurando a mão da filha. Gake lentamente abriu os olhos, piscou algumas vezes e analisou o lugar onde estava. - Onde estou, mamãe? - No hospital, querida. - O que houve? - falou tentando levantar-se. - Não se levante, Gake. - Kevin impediu a filha. - Achamos você desmaiada no seu quarto ontem à noite. - Sarah explicou. Gake levou a mão à testa tentando lembrar o que tinha ocorrido. A última coisa que lembrava era de estar conversando com Mulder pelo telefone. Um médico adentrou o quarto e sorriu para ela. - Já está acordada, que bom! Ele afagou os cabelos de Gake e voltou-se para seus pais. - Vocês poderiam me acompanhar até minha sala? Kevin e Sarah Fenster se entreolharam assustados e saíram acompanhados do médico, deixando Gake sozinha no quarto. Ela ficou observando o local e notou alguém conhecido passar pelo corredor, Mulder entrou rapidamente no quarto, se escondendo. - Agente Mulder?! - Gake surpreendeu-se. - Como você está? - Acho que estou bem. Mulder sentou na cama, ao lado de Gake, e pensou nas palavras mais adequadas para contar a notícia. - Gake, a sua amiga... Ithy desapareceu. - O quê?! - Gake saltou da cama. - Liguei para ela ontem à noite, após você ter desmaiado, para que avisasse seus pais. Quando eu perguntei por ela a sra. Satter me disse que tinha desaparecido do quarto. Eu desliguei e contatei a polícia, que me deu a informação de que a janela estava trancada por dentro, não havia hipótese dela ter fugido. - O FBI vai procurar por ela? - Ainda não, quem está procurando agora é a polícia. Mas você deve saber onde ela está. - Eu? - Gake se espantou. - Talvez o seu desmaio tenha alguma ligação com o desaparecimento dela. Eu estive pensando nisso e cheguei à conclusão de que você e ela têm uma ligação e... Mulder notou que Gake não prestava atenção mais no que ele dizia. Ela começou a sentir a mesma dor da noite anterior, passou a mão sobre as têmporas. - O que houve? - Mulder perguntou preocupado. - A dor... de ontem... - foi o que Gake conseguiu dizer antes de desmaiar. Lady Mary Seer 28 de Novembro de 2000 AM 10:02hs - Pode entrar. Mulder levantou-se do sofá de couro marrom e andou entre a névoa de incensos até a porta. Ultrapassou-a para encontrar uma mulher com um turbante vermelho sentada atrás de uma mesa redonda. Ela indicou-lhe a cadeira para que sentasse. - Você veio aqui para saber seu futuro? - a vidente indagou. - Se você é vidente porque não adivinha? - Mulder ironizou. Ela fingiu não ter escutado o que homem lhe dissera. - O que veio procurar? - Vou direto ao ponto: há quase duas semanas duas meninas vieram aqui, por um motivo bastante diferente do que as pessoas normalmente vêm. Você consegue lembrar delas? - Muitas pessoas vêm aqui. - a vidente tentou desconversar. - Você disse a elas que procurassem um homem chamado Mulder. Eu sou esse homem. Como sabia que elas deviam me procurar? A vidente começou a passar as mãos pela bola de cristal. - Eu não adivinho nada, apenas vejo. - Você viu aí também que uma delas desapareceria e a outra iria para o hospital?! - Mulder disse quase que a acusando. - Você veio aqui para pedir minha ajuda, mas eu não sei onde encontrar a menina desaparecida. Ele se ajeitou na cadeira e colocou as duas mãos sobre a mesa. - Eu vi aqui - Lady Mary apontou a bola de cristal - o que elas vêm continuamente. E não posso ajudá-las. Mulder respirou fundo. Não era de seu feitio acreditar em videntes, mesmo assim ele não conhecia a tal mulher e ela não conseguiria inventar um perfil tão parecido com o seu. E se ele fosse o único que pudesse ajudar as meninas? Como faria isso? Muitas pessoas em todo o mundo dizem ver espíritos, pessoas normais. Muitos religiosos dizem já ter visto a Virgem Maria, anjos e coisas do tipo. Isso ocorria em casos eventuais e não causava medo algum, pelo contrário, era considerada uma dádiva de Deus. Mas agora era bem diferente. Ithy e Gake tinham medo e sentiam-se perseguidas pelos denominados "espíritos". - As duas meninas têm uma ligação muito forte entre si. Mas você disse a elas que eu poderia ajudá-las e não sei como fazer isso... Lady Mary levantou-se e foi a uma das estantes buscar um livro empoeirado. Este era bastante antigo, com uma capa de couro verde musgo. A vidente abriu-o e começou a folheá-lo lentamente. - 46 anos a.C. um homem disse ter visto uma pessoa "coberta de luz". Essa mesma pessoa lhe disse que duas irmãs nasceriam naquele mesmo ano, que foram escolhidas, enviadas. Primeiramente o homem achou estar sendo vítima de uma brincadeira, essa idéia findou após ele ver o homem andar em meio ao campo e ser "puxado" ao céu por uma luz mais intensa. Após esse acontecimento, o homem passou a sonhar com a pessoa, que ele nunca identificou como homem ou mulher. Os sonhos lhe revelavam como elas nasceriam, como seriam e o que ele deveria fazer para que elas soubessem dessa missão: serem ícones da transformação universal. À esse homem também foi dada a missão de protegê-las. Foi desacreditado por todos os habitantes da pequena cidade onde residia. Ele nunca conheceu as irmãs, pois foi morto pelas pessoas que achavam ele ser um bruxo. Por esse motivo foram criadas sem saber dessa missão, mas de alguma forma elas sentiam-se diferentes. Quando uma delas tinha 14 anos foi morta por alguém ou algo que ninguém determinou ou soube o que era. Alguns dias depois a irmã morreu, também de uma causa desconhecida. Anos após isso, Jesus nasceu. Ele foi o novo enviado para ser o ícone da transformação universal. Embora esse fato não tenha sido muito divulgado e a Igreja não tenha aceitado, algumas pessoas acreditam que tenha sido real. Também acreditam que elas virão novamente a terra para acabar a missão que lhes foi dada. - Lady Mary lhe mostrou o livro. Mulder olhava incrédulo para aquilo tudo, ao mesmo tempo em que queria acreditar. - Você está me dizendo que elas são a reencarnação das duas irmãs?! - Eu não estou dizendo nada. Tire suas próprias conclusões... O agente trouxe o livro para perto de si e ficou a observá-lo. - Fique com ele. Terá mais utilidade com você. Aí está toda a história em detalhes. Mulder agradeceu, levantou-se e saiu. Já andando na rua, abriu uma página qualquer. Passou a mão pela folha empoeirada e leu uma frase: "A tradição local mandava que os jovens que morressem fossem atirados ao mar, para que sempre vivessem na sua imensidão. Porém a mãe das meninas não obedeceu a esse costume e elas foram enterradas a céu aberto para que ficassem a olhá-lo como sempre faziam e gostavam. Alguns dias depois, a generosa mãe, foi até as lápides para enfeitá-las com flores. Nelas encontrou escrita a seguinte frase: O futuro não pertence a vocês..." TO BE CONTINUED