Título: Adoradores do Sol Autora: Lucy Mattos Sumário: Mulder e Scully percebem que as coisas mais simples da vida são também as mais especiais. Faixa etária: PG-13, livre para todas as idades. Classificação: Romance açucarado. Scully POV. Não acredito que escrevi uma coisa tão açucarada! Disclaimers: Eles não me pertencem, infelizmente. Feedback: Claro, por favor! Mandem para writing_machine@bol.com.br Notas da autora: Esta é uma seqüência pra "Adoradores da chuva", uma fic açucarada que eu escrevi há algum tempo atrás. Pra aliviar um pouco a tensão dos últimos dias. Aqui o mundo é perfeito, não há guerras e Mulder e Scully são felizes. Eu, particularmente, não consigo ver Scully como uma boba apaixonada, mas... ah, ficou tão bonitinho!! Acho que ela seria exatamente assim, em um dia de folga com Mulder! ;-) Adoradores do Sol Se eu procurasse o significado da palavra 'felicidade' no dicionário eu ia encontrar um foto minha, sorrindo feito uma boba apaixonada. É como eu me sinto, uma boba, que está com as bochechas doendo de tanto sorrir, mas não consegue parar. Minha vida está tão perfeita que eu tenho até medo de acordar e ver que tudo não passou de sonho, mas cada vez que abro os meus olhos para a realidade ela está ao meu lado, dormindo, sob a forma bem definida e masculina de Fox Mulder, meu digníssimo (nem tanto, quando tenta me fazer rir) namorado. Namorado. Nunca pensei em Mulder como meu namorado antes, mas se não é isso o que ele é? Namorados não são as pessoas em quem confiamos e em quem depositamos nosso amor incondicional e totalmente desinteressado? Não é a pessoa por quem suspiramos e por quem fazemos e falamos as coisas mais idiotas, só porque achamos que de repente o mundo ficou mais alegre e colorido porque esta pessoa apareceu e disse "oi"? Bem, eu, Dana Scully, admito em público, se for preciso: Eu amo Fox Mulder, estou caída de amores por ele e me sinto totalmente idiota, mas não posso evitar. E daí, eu não ligo nem um pouco pra isso. Muitas vezes eu acordo antes dele, uma ou duas horas antes do relógio despertar, e fico admirando Mulder dormindo. Não entendo como ele consegue dormir tão bem com a barriga pra cima, mas ele dorme. E ronca. Gosto de olhar o movimento suave de seu peito, enquanto ele respira, seus lábios entreabertos, um convite inconsciente para serem beijados, e até mesmo o fiozinho de baba que escorre pelo canto da boca. Ele é perfeito em suas imperfeições. Ele é tão perfeito por ser tão cheio de defeitos e às vezes essa perfeição me irrita profundamente. Ele é perfeito por me fazer rir quando estou furiosa e gritando com ele e isso faz qualquer motivo parecer ridículo diante do tempo que eu perco brigando com ele. E ele nunca se magoa, está sempre disposto a resolver nossas diferenças numa guerra de travesseiros, onde ele sempre me deixa ganhar "Porque você é pequenininha, não é justo", ele diz, num tom de voz quase infantil. Mas este tom de voz muda totalmente quando estou sobre ele, minhas mãos e lábios explorando cada canto do seu corpo e transformando meu namorado perfeito quase em um animal no cio, gemendo e se contorcendo sob mim. Isso me faz sentir a mulher mais forte e poderosa do mundo. Esse homem se transforma em um gatinho quando está exausto em meus braços, derrubado pela intensidade de seu orgasmo, quase adormecido, sob o calor das minhas mãos, acariciando seus cabelos e os pêlos do seu peito. Sinto sua pele se arrepiar quando toco em algum dos pontos mais sensíveis de seu corpo. Hoje é um belo sábado. Estamos perdidos no meio de uma cidadezinha no interior de algum estado que eu não lembro o nome e não temos nada para fazer. Mulder ainda dorme sereno, alheio à minha presença ao seu lado. Acaricio suavemente seu rosto, minhas mãos perdendo-se no emaranhado de fios sedosos do seu cabelo e ele vira-se na minha direção, ainda dormindo, estendendo o braço e me procurando. Queria poder entrar nos seus sonhos agora, saber se ele sonha comigo, se os seus sonhos são tão maravilhosos como a realidade que estou vivendo ao seu lado. Queria poder retribuir toda a felicidade que ele me proporciona, nunca pensei que fosse estar com alguém cujo olhar de adoração me levasse às lágrimas. Mulder abre os olhos e me vê olhando para ele. Um sorriso tímido ilumina seu rosto ao ver em meu olhar a mesma adoração que ele mostra a mim quando me olha. É recíproco, Mulder, também não viveria sem você. Simplesmente não existo sem você. "Bom dia" minha voz sai baixa, quase inaudível, estranha para mim mesma. Mulder não disse nada, ele apenas se ergueu um pouco e me puxou na sua direção, de encontro aos seus lábios para o primeiro beijo do dia. Um beijo intenso, profundo, que me faz perder o fôlego. Nos beijamos durante um longo tempo, não sei dizer quanto. Beijar Mulder é como me jogar numa piscina profunda, é um sensação deliciosa, mas tira o meu fôlego. E ele sabe o que provoca em mim, e adora isso. "Bom dia" ele diz, a voz rouca. "Está um lindo dia lá fora, vamos sair?" "Onde você quer ir?" "Não sei. Só não quero passar o sábado trancada em um quarto de motel" "Hum, e se eu fizer você mudar de idéia..." ele disse, seus lábios no meu ouvido. A essa altura já estou deitada na cama, sobre Mulder, que beija o meu pescoço e cujas mãos passeiam pelo meu corpo. "Mulder... vamos sair um pouco, quando foi a última vez que você saiu comigo?" "Ontem. Fomos ao shopping." "Isso não conta, eu precisava de meias-calça novas, já que você estragou todas as que eu trouxe." "Hummm..." ele resmungou. Meu namorado perfeito tinha um defeito: detestava ir a qualquer lugar com muita gente à sua volta. "Mulder..." eu estava quase implorando. Eu podia muito bem ir sozinha, mas qual era a graça de sair para conhecer a cidade sem ele? "Está bem, vou tomar um banho" ele me beijou e levantou, indo em direção do banheiro. Poucos instantes depois eu estava lá também, entrando no chuveiro com ele. "Scully!" "Também preciso tomar banho, Mulder. E assim vamos economizar água, é importante preservar os recursos naturais, sabia?" E demoramos quase duas horas ali dentro. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Fomos parar num parque perto do motel mesmo, um lindo lugar cheio de árvores e flores, com um gramado verde e com várias crianças correndo e brincando. O sol brilhava forte, iluminando e colorindo o dia. De qualquer forma, mesmo que estivesse chovendo canivetes, eu estaria feliz. Mulder também parecia sentir o mesmo, eu nunca o vi sorrindo tanto. Acho que o sol faz as pessoas ficarem alegres, todos no parque pareciam felizes e sorridentes. Ou seria a minha felicidade que extravasava e se espalhava para todos que estivessem à minha volta? Ali perto havia um shopping onde nós fomos almoçar mais tarde. Era algo que eu e Mulder nunca havíamos feito antes, almoçar juntos em um lugar público e cheio de gente como um shopping, estávamos sempre tão ocupados fugindo do inimigo invisível para nos ocuparmos com essas cosias simples e maravilhosas, como roubar batatas fritas do prato do outro, ou tomar sorvete juntos. Passear pelo shopping, olhar as vitrines, coisas que eu sempre fiz sozinha e achava ótimo, de repente pareciam especiais e diferentes com Mulder segurando minha mão. Ocasionalmente algum outro casal nos olhava e sorria. Não sei direito porque, talvez pelo sorriso persistente que não saia do meu rosto. Será que dava pra perceber que havíamos passado metade da noite acordados fazendo amor? Mulder queria dar uma volta de carro. Acho que ele já havia estado naquela cidade antes porque ele dirigiu até um lago sem precisar parar nenhuma vez para pedir informações. O lago era muito azul e limpo, assim como o céu. Eu me perguntava se alguma vez o dia estivera tão perfeito, tão lindo. Na verdade, eu queria saber se eu havia reparado em dias como este. Havia uma árvore, à beira do lago, e Mulder foi até ali e sentou-se á sombra, fazendo um gesto para que eu me sentasse com ele. "Aqui é perfeito" ele disse, quando eu sentei ao seu lado, me apoiando em seu peito. "O mundo é perfeito..." eu falei, me aconchegando mais ainda a ele. Mulder acaricia meus cabelos. Adoro sentir as mãos dele sobre mim, entre os meus cabelos, deslizando suavemente, distraído, enquanto fala comigo. É difícil me concentrar em qualquer outra coisa que não seja o seu toque, ele me faz sentir entorpecida, como uma droga, mas maravilhosa. Não preciso de agulhas, é direto na veia, transpassa minha pele quando ele me toca. "Scully?" "Hum?" "Está me ouvindo?" "Não." "Em que está pensando?" "Em você... em mim..." Mulder rir. Sua risada faz seu peito vibrar contra mim. "Em mim? E o que é?" Eu me viro para olhá-lo, seus olhos estão verde-claros, apertados por causa da claridade. Acaricio seu rosto com meu dedo indicador, suavemente, tocando seu nariz, seus lábios, suas bochechas... ele me olha, sério. "O que foi?" "Mulder... quando eu morrer você promete que vai ficar sozinho para sempre, sofrendo com a minha ausência?" "Credo, Scully! Por que isso agora?" "Não sei. Eu só... estava pensando que talvez..." "Não pense nisso" ele disse, segurando meu rosto com as duas mãos, aproximando-se de mim. "Não pense nessas coisas, está tudo tão perfeito... vamos nos divertir, aproveitar o tempo que temos juntos enquanto estivermos juntos. E eu não vou casar de novo quando você morrer..." "Não?" "Não. Eu vou ficar tão desesperado de saudades que vou morrer também." Não pude evitar um sorriso ao ouvir aquilo. Se qualquer outra pessoa no mundo me dissesse algo assim eu teria ânsia de vômito, mas não com Mulder. Ele havia despertado em mim algo que eu nunca sentira antes, um sentimento tão intenso que às vezes chegava a doer no meu peito e que eu havia aprendido a chamar de amor. Então amor era isso, esse sentimento que deixa as pessoas idiotas e tão felizes? Aposto que voam coraçõezinhos quando eu olho para ele, como um desenho animado. Mulder me puxou e me beijou na testa, um gesto que ele repetiu tantas e tantas vezes e agora eu entendo o seu real significado. Agora eu entendo tantas coisas que não conseguia entender, que não conseguia sequer imaginar que pudessem existir. "Eu amo você. Sabia disso?" eu disse, um sussurro que só ele poderia ouvir. Foi a vez dele sorrir. E se inclinou para me beijar, suavemente, nos lábios. Um beijo que e tornou mais intenso, mais cheio de desejo e mais longo. Passamos a tarde toda ali, nos beijando e namorando, sob a sombra da árvore. Até sentir os raios de sol sobre nós outra vez. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX FIM Eu não vou revisar, eu não vou revisar! Acho que, depois dessa overdose de glicose, se eu revisar eu deleto a fic inteira, sem pensar duas vezes! Anyway, ela está aqui, espero que tenham gostado! Feedback please! writing_machine@bol.com.br Lucy Mattos