Título: Ad Nutum Autora: Bárbara Mulder E mail: babymaciel@bol.com.br Disclaimers: Os personagens Fox Mulder e Dana Scully, interpretados por David Duchovny e Gillian Anderson, pertencem ao seu criador Cris Carter e à 1013 Productions. Os personagens Seth Plate e Maggie Rice, interpretados por Nickolas Cage e Maggie Ryan, pertencem à Warner Bros. Enfim, todos os personagens aqui utilizados, somente o são por pura diversão, não há interesse nenhum, em lucrar com a sua utilização. A não ser, claro, feedback. Classificação: Faixa etária Livre. Gente, eu não sei fazer NC-17! Sinto muito. Categoria: Shipper (MSR) Spoilers: Filmes: City of Angels e Arquivo X o Filme. Episódios de Arquivo X: Enxertos de Tithonius, Requiem, All Things, Revelations, The Unnatural, The Goldberg Variation. Nota da autora: Desde a primeira vez em que assisti ao filme Cidade dos Anjos, fiquei imaginando como seria o encontro de Seth com Mulder, e qual a reação da Scully, ao saber que o Seth seria um anjo, então saiu essa fic. Espero que gostem. Quanto ao título, significa "segundo a vontade, ao arbítrio" , em latim. Essa foi uma idéia bastante enfatizada no filme e eu achei interessante colocá-la como tema, pois para mim, a parte mais difícil foi escolher o tema. Resumo: Os nossos dois agentes preferidos nem imaginam que estão prestes a ter um encontro com um ex anjo apaixonado que após a morte da namorada, tenta o suicídio. Desse encontro, vêm à tona sentimentos escondidos pelos agentes, que serão obrigados a encarar seus sentimentos através do exercício do livre arbítrio. Ad Nutum Sede do FBI. Washington, DC. Fim de Expediente. Os agentes Fox Mulder e Dana Scully prepavam-se para mais um fim de semana. O primeiro após muito tempo que usufruiriam com tranqüilidade. Scully pegou suas coisas e despediu-se do parceiro: "Mulder, te vejo na segunda." "Scully, vamos ao meu apartamento? Podemos pedir uma pizza e assistir Flores de Aço, como eu te prometi." A Agente cruzou os braços na sua tão previsível atitude de sarcasmo e perguntou: "Certo, e qual é a ocasião, Mulder?" "Sei lá ... vamos apenas desfrutar da companhia um do outro, comemorar o primeiro fim de semana livres, sem estarmos envolvidos em uma investigação." Ela descruzou os braços e disse: "Boa idéia. Vamos logo, Mulder. Você está precisando mesmo de algo para comer. O jejum prolongado pode estar afetando seu cérebro!" Não muito longe dali, uma pequena multidão observava um homem que ameaçava se jogar do alto de um prédio. Os pensamentos dele estavam voltados para os últimos acontecimentos. Ele não consegue esquecê-los. Ele sabia que não poderia viver sem a sua amada Maggie. Oh, Maggie...... Seus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar-se da primeira vez que viu aqueles olhos tão azuis. Pensou que ficariam juntos a vida inteira. Ela havia dito que tinha tanta coisa para mostrar a ele. E todos os sonhos haviam sido destruídos por um momento de distração. Apenas um minuto e Maggie se fora. A dor estava tomando conta de seu coração. Ele pensou que afastando-se de Los Angeles, afastando-se das suas origens, das lembranças dela, a dor diminuiria. Foi com esse pensamento que ele mudou-se para Washington, contra o desejo de seu amigo Nathaniel Messenger, que o queria por perto para ter certeza do seu bem estar. Ele só o deixou vir quando foi assegurado de que tudo estava bem. Mas era mentira. Não quisera deixar o amigo preocupado. A cada dia sua dor aumentava. Ele sentia a falta dela! Precisava por um fim àquela existência vazia. Bastava cair como da primeira vez em que ele caiu por amor. Só que desta, seria por não ter o seu amor... Nesse momento, Mulder e Scully passavam de carro, quando perceberam a multidão: "O que é aquilo?" "Não dá prá ver daqui." "Vamos lá dar uma olhada." "Não deve ser nada, Mulder, deixe que a polícia cuide disso." "Scully, você me conhece. Eu sou bisbilhoteiro. Vamos, lá!" Estacionaram o mais próximo que puderam e foram verificar o que estava acontecendo. Dirigiram-se um policial que parecia estar no comando. "Poderia nos dizer o que está havendo, policial?" O policial olhou-os desconfiado. Então mostraram suas credenciais. "Somos agentes do FBI, estávamos passando, vimos a confusão e resolvemos dar uma olhada." "É só um maluco ameaçando se jogar dali de cima." "Podemos ajudar?" "Não vai ser necessário, já temos uma equipe de bombeiros tentando convencê-lo a desistir de pular. O que é mais intrigante é que ele parece não ter medo de altura. E está decidido. Só não sei por que ele ainda não pulou." "Talvez eu seja útil, sou formado em Psicologia e já participei de situações como essa. Se me permitir, eu gostaria de tentar." "Tudo bem. Mas se não conseguir teremos de usar um método mais radical." O homem estava se preparando para pular quando percebeu que um rapaz alto, trajando um sobretudo preto aproximou-se. Ele conhecia o rapaz, já o tinha visto algumas vezes. Nunca pensaria que o fosse encontrar ele numa situação como naquela. "Olá, meu nome é Fox Mulder, sou Agente do FBI." "Eu sei quem você é. Conheço o seu trabalho, seu e da sua parceira." "Como? De onde me conhece?" "Bem, essa é uma estória difícil de acreditar, e teria muito prazer em contá- la, mas é que tenho uma coisa para fazer..." "Por que está fazendo isso?" "Maggie..." Ele começou a soluçar. "Quem é Maggie? Sua namorada? O que aconteceu?" "Maggie era minha noiva, nós íamos nos casar. Mas ela morreu e eu não consigo viver sem ela. " "Tenho certeza de que se Maggie estivesse aqui, ela não ia querer vê-lo tentando se machucar. Por que não fazemos o seguinte: você desce daí, me conta a sua estória, desabafa um pouco, ok?. Como se chama?" "Seth Plate. Mas pode me chamar de Seth." "Vamos Seth, por favor, desça daí. Eu te ajudo." Lá embaixo todos observam o desenlace: o homem estendeu a mão para o Agente e os dois desceram lado a lado do prédio. Foram recebidos com uma salva de palmas. Seth foi levado pela polícia e Mulder após trocar algumas palavras com o policial, chamou Scully para o carro: "Vamos acompanhá-lo até a delegacia, Scully. Eu prometi que ouviria a estória dele. Eles querem mantê-lo lá durante a noite e pela manhã virá um médico examiná-lo." Delegacia Seth foi posto na cela. Cerca de uns vinte minutos depois, ele estava sentado quando um policial entrou e disse que alguém queria falar com ele. Foi conduzido à uma sala onde os dois agentes o esperavam. Mulder cumprimentou-o: "Olá, Seth. Estou aqui, conforme eu prometi. Esta aqui é a minha parceira, Dana Scully." "Olá, Agente. Prazer em conhecê-la." Scully somente acenou para ele. "Queremos que nos conte por que estava querendo se matar." "Antes de tudo eu gostaria de fazer uma pergunta: Você acredita em anjos, Agente Mulder?" "Sim, acredito." "E que idéia você tem deles?" "Creio que são entidades benevolentes que cuidam das pessoas e as protegem." Foi a vez de Scully falar: "Aonde está querendo chegar, Sr.?" "Calma, vocês vão já entender o meu ponto. Agora, deixem-me fazer-lhes uma pergunta: acreditam que o amor pode fazer algo mudar de uma forma sobre - humana, para a forma de um humano?" Mulder, sorrindo foi logo dizendo: "Eu acredito! Um amigo foi testemunha ocular de um caso que envolvia beisebol...." Quando viu a cara de "Mulder, por favor não começa!" da sua parceira, ele ficou sério. "... Bem, isso é outra história. Mas o que anjos têm a ver com mudança de forma ou mais especificamente, com amor, Seth?" "No meu caso, agentes, tem tudo a ver. Eu geralmente não admitiria isso para alguém, mas como eu conheço o trabalho de vocês, posso ser sincero sem temer ser desacreditado. " Scully ficou intrigada: "Nos conhece de onde, sr.?" "Eu já fui uma espécie de anjo da guarda de vocês, já fui comissionado a cuidar de vocês dois em várias situações nas quais estiveram em perigo. E se me permitem, eu diria que vocês dois dão um tremendo trabalho!" "O sr. o quê???" Certamente Scully, céptica como era , dificilmente engoliria aquela estória sem uma explicação plausível. "Permitam-me contar a minha historia toda: Embora sejam desacreditados hoje em dia, devo lhes dizer que os anjos têm a missão de cuidar e proteger as pessoas que estão em perigo. Antes de ser homem, era uma entidade celestial enviado à terra para cuidar de certos casos especiais. Falava todas as línguas, viajava na velocidade do pensamento, podia estar em qualquer lugar em que tivesse uma pessoa precisando pois eu lia os pensamentos dos homens. Morava em Los Angeles. Não é à toa que a cidade tem esse nome, pois é o local preferido dos anjos aqui na Terra. Nós, os anjos de Los Angeles, costumávamos ouvir música ao nascer e ao por do sol. Mas eu sentia que faltava algo. Embora eu fosse imortal, eu queria sentir. Eu podia ajudar as pessoas, mas não podia senti- las. Era difícil aceitar isso. Mas não tinha escolha, ou pelo menos eu pensava que não tinha. Sabe, agentes, as emoções, os sentimentos são os melhores presentes que Deus deu aos homens. Mas existe um dom magnífico, o qual eu não conhecia. Era o exercício da vontade, o livre-arbítrio. Foi ajudando uma pessoa, o Sr. Tom Balfort, que eu conheci a Maggie da qual lhe falei, Agente Mulder. A Dra. Maggie Rice, era médica no Hospital Municipal de Los Angeles, o Sr. Balfort tinha sofrido uma oclusão coronariana, como se diz na terminologia médica. Fui enviado à sala de operações para levá-lo e Maggie o estava operando. Em um dado momento, ela após muito lutar, olhou direto para mim e disse que o seu paciente não iria a lugar algum. Nossa! Eu fiquei estarrecido, pois as pessoas não conseguem nos enxergar, imagine falar conosco. Bem, o corpo do Sr. Balfort estava cansado demais e ele não resistiu. Lembro-me de que a Maggie lamentou bastante. Eu estava com ela para confortá-la, mas não podia participar e pela primeira vez na minha vida, eu desejei ser um homem, desejei poder senti-la. Demorou um tempo mas eu descobri o valor do livre- arbítrio. Então eu me decidi e escolhi tornar-me um homem. Mas infelizmente Maggie morreu logo depois em um acidente envolvendo um caminhão. Eu não consegui ficar em Los Angeles, por isso, decidi mudar e vim para cá. Cheguei a achar que estava sendo castigado pela minha escolha." Silêncio na sala. Antes que Mulder, boquiaberto, fizesse alguma pergunta, Scully falou: "Poderia nos dar um minuto?" "Claro." Scully saiu da sala acompanhada pelo parceiro. "Mulder, esse homem deve estar muito perturbado, há poucos momentos, se bem me lembro, ele estava querendo se matar, vai encher a sua cabeça com maluquices!" "Scully, eu só vou ficar para ouvir a estória dele, como eu prometi. " "Mulder, eu não vou ficar aqui perdendo meu tempo..." "Está bem, Scully, pode ir, se quiser, mas eu gostaria que verificasse a estória dele para mim." "Mas, Mulder, não temos nem um caso..." "Por favor, Scully!!!" Ela o olhou com cara de poucos amigos e suspirou: "Está bem, está bem, está bem." "Boa menina." Ele deu um tapinha no ombro dela: "Te vejo amanhã, aqui na delegacia, Scully. Ah, desculpa pela pizza, vai ter que ficar para outro dia." De volta à sala. "Minha parceira pediu desculpas, mas ela precisava ir embora." "Ela acha que sou um louco, não é?" "Ela não acredita que você seja quem diz ser." "Mas estou lhe contando a verdade. Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas, quer não. Por ser cientista, a sua parceira se refugia no ceticismo para não enfrentar coisas que ela não consegue entender. A Maggie também era assim, mas o amor fez com que ela acreditasse." "Seth, por que está me contando essa coisas?" "Porque sei que acredita. É o seu trabalho. Mas a sua parceira precisa de algo mais para acreditar, por isso você pediu a ela que verificasse a minha estória para que ela acreditasse." "Como sabe? Você ainda lê o pensamento das pessoas?" Seth riu: "Não tenho mais essa capacidade. Mas como eu disse, conheço você e seu trabalho. O resto foi fácil de adivinhar." "Existem outros como você?" "Às vezes a gente se encontra por aí. Mas na maior parte, fingimos que não nos conhecemos. Afinal, ninguém gosta de lembrar-se do que deixou para trás." Delegacia. Manhã do dia seguinte. Mulder esperava por Scully na cantina da delegacia, onde tomava um café. "Bom dia, Scully. Quer café?" "Não, obrigada. Já tomei." "O que foi, Scully, você não está com uma cara muito boa..." "Mulder, você não vê que está perdendo seu tempo ouvindo a conversa fiada de um homem que com certeza precisa de tratamento psiquiátrico?" "E aí, o que descobriu?" "O que ele nos contou é verdade. Menos a parte em que ele afirma ser anjo da guarda. Ele realmente estava comprometido com uma tal de Maggie Rice, médica cirurgiã do Hospital Municipal de Los Angeles. Há cerca de dois meses atrás ela perdeu um paciente na sala de cirurgia..." "....Sr. Tom Balfort..." "... o qual teve uma oclusão coronariana enquanto fazia cooper. Morreu durante a cirurgia. Agora, quanto ao nosso amigo maluquinho, que afirma ser anjo, não consegui descobrir nada. Ele não possui ficha criminal, identidade civil, nunca esteve internando em hospital, e ao que parece, nunca foi ao dentista. Ele não existe, civilmente falando." "E você não acha que isso pode ser um indício de que ele esteja dizendo a verdade?" "Mulder...." "Scully, ele me contou toda a história dele. Não é muito difícil de acreditar, considerando nosso trabalho. Depois de tudo que vimos, desde seres mutantes, passando por eventos aparentemente inexplicáveis para a ciência, por que você acha difícil acreditar que podemos estar conversando com um ex corpo celestial recém incorporado à raça humana?" "Mulder, existem vários motivos para explicar o fato de que uma pessoa não possua registro em nenhum lugar. Ele pode ser estrangeiro ilegal ou pode ter dado um nome falso. Sei lá. Mulder, esse homem está sofrendo de estresse pós – traumático causado pela perda da mulher que ele amava. Falei com o delegado. Seth, ou seja lá qual for o nome dele, vai ser examinado por um médico da polícia e provavelmente, será transferido para o Hospital Psiquiátrico, onde receberá tratamento adequado até que esteja em condições de ser liberado." Hospital Psiquiátrico. Seis dias depois. Seth estava sentado no jardim observando a tarde que caía. Todos ali pensavam que ele era louco, quando ele tinha plena convicção da sua sanidade. Estava tão absorto em seus pensamentos que nem percebeu a aproximação dos dois agentes. "Boa tarde, Seth. Estávamos passando e viemos ver como está." "Boa tarde, Agente Mulder. Agente Scully. Estou bem, obrigado." Scully acenou com a cabeça. "Sei que não acredita em mim, Agente. E não a culpo. O ser humano tem medo do que não consegue entender. E o ceticismo é a postura mais confortável quando o medo é grande demais. Já fui encarregado de cuidar de vocês dois em várias ocasiões. " Scully levantou a sobrancelha. "Quer uma prova de que eu estou dizendo a verdade? No dia em que foi picada por uma abelha, quando falsos paramédicos a levaram, o Agente Mulder foi baleado e se o tiro tivesse pego um pouco mais para o lado, hoje você não o teria aqui. Ele pode confirmar isso. Quanto a você, Agente Scully, lembra-se quando foi designada para trabalhar em um caso sem o seu parceiro, para investigar o Sr. Alfred Fellig? Lembra-se do tiro que levou? Eu estava lá. Será que alguma vez já se perguntou que a protege em situações nas quais você acha que já chegou o fim, e por um milagre, está salva?" "De acordo com a minha fé cristã, eu acredito que Deus protege os homens." "Deus envia seus anjos para proteger as pessoas, Agente." "Até aí, eu acredito. Não na parte em que afirma que os anjos podem se tornar homens." Mulder disse, olhando para Seth: "Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não, Scully." Seth sorriu e pegando a mão da Agente, disse: "Você não confia o suficiente. Se esconde atrás do seu ceticismo e sarcasmo. Quando aprender a escutar seu coração e confiar, esse medo que sente de que Deus esteja falando e ninguém esteja prestando atenção, vai passar. Lembre-se, Agente: nem tudo na vida tem explicação racional. O simples fato de você amar alguém envolve muito mais do que a ciência pode explicar. A menos que aprenda a ouvir seu coração, a sua busca pela verdade será inútil, pois a maior das verdades está dentro de você. As pessoas não duram para sempre e você mesma um dia chegou a essa conclusão. Todos chegam, mas parecem não se dar conta disso. A Maggie e eu tínhamos tudo contra nós. Mas eu desisti da eternidade por ela, para sentir o cheiro dos seus cabelos, para poder beijá-la, para poder segurar a mão dela quando ela partiu. Às vezes, quando você perde, você ganha, pense nisso! Lembre-se de que a amizade é só um ponto de apoio que conduz ao amor. E o amor é uma coisa tão bonita. Vejam o meu caso: eu perdi a eternidade, mas ganhei um grande amor. Vocês dois têm uma conexão especial. Vocês são iguais, conhecem um ao outro. Sim, eu via vocês e sabia o que pensavam. Não se esqueçam que eu , como anjo, lia pensamentos. Não deixem o que têm para depois, porque cedo ou tarde, isto aqui acaba." Scully retirou a mão cruzando os braços. Mulder coçou a cabeça, desconcertado. Mulder perguntou: "Dizem que os anjos que caem do céu esquecem sua vida anterior. Então por que você não esqueceu?" "Não, sei. Cheguei a pensar que fosse uma espécie de castigo, pois quando a Maggie morreu, as lembranças eram dolorosas demais para mim. Mas depois de encontrar com vocês, eu finalmente percebi que temos dons para ajudar as pessoas. As coisas não acontecem por mero acaso. Eu nunca tinha pensado nisso até que olhando para vocês e lembrando tudo o que já vi e ouvi, entendi. Era nisso que eu estava pensando antes de vocês chegarem. Pensem no que lhes falei." Longo silêncio. É Mulder quem decide quebrá-lo: "Seth, o que pretende fazer?" "Não vou mais tentar me matar, se é isso que o preocupa. Pretendo aproveitar o tempo que me resta aqui para conhecer tudo o que a Maggie queria me mostrar. Farei isto em homenagem à ela. Ao nosso amor." "Boa sorte, Seth." "É o que eu desejo a vocês também, pensem no que lhes disse. Ajam mais de acordo com a vontade de vocês. Livre arbítrio. Adeus, agentes." Apertou a mão dos dois e saiu a caminhar pelo jardim, deixando-os a sós. "Vamos embora, Scully." Ela concordou com a cabeça. Outro longo silêncio enquanto eles caminhavam em direção ao carro. A conversa com Seth havia deixado ambos intrigados. Mulder olhou para sua parceira de tantos anos e pensou que aquela baixinha ruiva, céptica e racional tinha sido a melhor coisa que acontecera na vida dele. Ele tinha muito medo de magoá-la. Por sua causa, ela havia sido abduzida por alienígenas, perdera a chance de ser mãe e sua saúde. Tudo lhe fora tirado. Ele não queria envolvê-la com laços ainda mais fortes como os laços do amor. Ele sabia que ter amor era como possuir um vaso delicado, que a qualquer momento poderia ser quebrado. Se ele pudesse compensá-la por todo o mal que ela havia sofrido! Mas ele sempre seria o Estranho e amá-lo seria a coisa mais irracional que ela poderia fazer. Arriscou olhá-la com o canto do olho. Nossa! Como ela era linda. Saber que ela estaria sempre com ele, que iria com ele aonde quer que ele fosse o fazia sentir-se o cara mais sortudo do mundo..... Não! Ele não podia condená-la a uma vida solitária ao lado dele! Mas de repente lhe veio um pensamento... E se seus medos fossem infundados? E se a agarrasse e beijasse ali mesmo, como era seu desejo, todos os seus temores se dissipariam com esse beijo? Talvez não fosse má idéia. Livre arbítrio, Seth dissera. Scully, por sua vez, não conseguia dizer uma só palavra. Naquele momento, não dispunha de nenhuma piadinha sarcástica para soltar. Não queria admitir mas as palavras do pretenso anjo haviam mexido com ela. Ele tinha razão, ela tinha medo, um medo tão grande que a paralisava. Então, se escondia sob as piadinhas sarcásticas, rindo das teorias malucas do parceiro. Sempre que se sentia ameaçada, ficava falando sem parar aqueles jargões científicos, para tentar esconder seus verdadeiros sentimentos. Era engraçado como ela, que já havia enfrentado coisas inexplicáveis do ponto de vista racional, situações de alto risco para sua própria vida, os quais testaram até mesmo sua racionalidade, estava com medo de um sentimento tão inofensivo. Oh, Deus! Lá estava ela, envolta naquele monólogo solitário enquanto o parceiro estava ali ao lado dela, talvez envolvido em seus próprios medos. Ela o amava, sim. E quanto mais tentava fugir ou negar, mais aquele amor crescia dentro dela. E ela lutava bravamente porque tinha medo do desconhecido, e aquilo era tão novo para ela! Realmente, nunca se acostumara a lidar com sentimentos. Nunca fora capaz. Sempre tinha medo de entrar em conflito com os homens os quais amou. Fora assim com seu pai e também com o Daniel. Por isso fugira dele. Por isso fugia de Mulder agora, escondendo-se sob seu ceticismo e racionalidade. Mas o amor que ela sentia por Mulder era tão grande que ameaçava quebrar todas essas barreiras impostas por ela. Deu uma olhada furtiva no parceiro e lá estava ele, com aqueles belos olhos verdes fixos na direção. Tão envolto em seus próprios pensamentos, que nem percebeu que estava sendo examinado. Deus, como o amava! Repentinamente, um pensamento tomou conta dela: E se seguisse o que seu coração estava pedindo, exercendo assim o seu arbítrio? O que aconteceria se dissesse as três palavras tão difíceis para ela? Talvez esse fosse o momento com o qual tanto sonhara. Decidida, abriu a boca e tentou articular uma frase.... "Mulder, eu..." "Scully, eu..." Os dois riram pois haviam falado ao mesmo tempo. "Pode falar, Scully." "Não, você primeiro, Mulder." "Vamos a um lugar?" Ela perguntou, levantando a sobrancelha: "O que quer fazer?" Ele disse: "Qualquer coisa, desde que seja com você." Ambos sorriram porque tinham uma íntima convicção de que aquele dia prometia ser especial na vida deles. THE END E aí? Gostaram? Por favor, mandem suas opiniões!!!. Aguardo feedback.