ATENÇÃO: Arquivo X (The X-Files?) pertence a Fox Network e seu criador Chris Carter. Não há intenção de se obter lucro com essa história, que se destina unicamente a diversão dos fãs. Autora: Jennifer Fearnsaille (saille@ig.com.br) Home Page: http://www.danadeavalon.hpg.com.br Categoria: Shipper – Pós AX Sinopse: Após o término dos Arquivos X, Mulder abre a Clínica X para tratar pacientes "estranhos": abduzidos, clarividentes, paranormais, etc, e quer que Scully vá trabalhar com ele; é lógico que ele quer algo mais que isso também... A CLÍNICA X Maryland Apartamento de Dana Scully 07:30 PM A agente Dana Scully chega em seu apartamento após uma tarde de correria. Após o término dos Arquivos X às vezes ela tinha a impressão de trabalhar mais do que investigando casos com Mulder. Sua família a solicitava para tudo. Sua mãe estava feliz de ter a filha livre para almoçar, fazer compras, tratar de assuntos burocráticos como bancos, convênios, aposentadorias das tias, tios, cujos filhos casados eram MUITO ocupados para tratar e, é claro, fazer consultas médicas gratuitas para a igreja comunitária. Dana voltou a ser uma figura popular em sua família, a exemplar boa filha, sobrinha, amiga, etc, sempre disposta a ajudar todos a resolverem seus problemas. Na verdade ela gostava de poder estar fazendo isso, poder ajudá-los, pois todos eram carinhosos e ela sabia que, see ficasse velha, gostaria de poder contar com uma sobrinha prestimosa por perto. Muitas vezes ela achava que eles inventavam súbitos mal-estares apenas para ter uma desculpa de convidá-la para um chá da tarde. Ela começava a desconfiar que havia uma conspiração por trás das atenções de sua família, pois os assuntos desses "chás" eram invariáveis: "Dana, querida, conheci um moço tão simpático na casa da sua tia Beth, ele é médico...", "Dana, querida, essa noite sonhei que eu e seu tio estávamos comprando o presente do seu casamento." , "Dana, sabe quem perguntou de você? O Roger..." Enquanto se desvencilhava do casaco e largava a bolsa no sofá, Scully apertou o botão da secretária eletrônica para conferir seus recados. A voz masculina mais familiar dos últimos 7 anos de sua vida fez-se ouvir: "_ Oi, Scully, pelo visto cheguei tarde, são 08:15 e já perdi a chance de convidá-la pela milésima vez para vir conhecer a clínica; sua família já deve tê-la sequestrado. Se chegar antes do almoço, me ligue." "_ Dana, aqui é a Ellen, agora que você não tem mais que trabalhar como uma louca no FBI, qual a desculpa para não visitar sua amiga? Seus cabelos são vermelhos ou castanho claros, hein, sabe que há tanto tempo não te vejo que não lembro mais como você é?" Dana riu com o tom cínico e irônico de sua velha amiga Ellen; realmente há tempos as duas não se encontravam. Novo recado: "_ Ei, Scully, pelo jeito não poderei convidá-la para almoçar também. São 11:40 e você ainda não voltou. Acho que vou passar a almoçar em praças de alimentação de shoppings, assim aumento as minhas chances de esbarrar em você com sua mãe gastando tudo o que o governo lhe pagou por me aturar anos e anos... Me liga quando chegar." Outro recado com a mesma voz: "_ Scully, são 05:50, estou ligando pra avisar que os Florais de Bach contra ansiedade estão em falta neste lado do país porque eu comprei todos desde que o seu sobrinho quebrou seu celular, ah, me liga quando chegar, não importa a hora. A propósito, você tem e-mail." Scully ligou a banheira para preparar um banho calmo, relaxante, deixou a água se misturando aos sais aromáticos e foi checar seus e-mail. Ela admitia para si mesma estar protelando para ir conhecer a clínica que seu ex-parceiro havia aberto, por vários motivos. Desde que o trabalho nos Arquivos X acabou, ela e Mulder vinham se falando quase todos os dias por telefone, mas só haviam se encontrado pessoalmente uma vez, por acaso, perto da floricultura central. 4 Meses Antes Praça da Floricultura Central 02:40 PM Ela estava indo comprar algumas flores azuis que sua mãe lhe pedira e ele estava vindo do cartório providenciando a documentação necessária à abertura da clínica. Ele lhe mostrou todos os papéis e, embora já tivesse dito, desde o momento em que tivera a idéia de abrir a clínica, que a queria trabalhando junto com ele, agora que estavam frente a frente no banco da praça da floricultura, ele colocou os papéis no banco e segurou as mãos dela olhando fundo em seus olhos: _ Dana, eu quero, mais que tudo na vida, que você venha trabalhar comigo. Ela quase odiava quando ele fazia isso. Odiava porque sentia seu coração batendo tão forte que as pessoas do outro lado da praça poderiam ouvir e alguém poderia chamar o batalhão da polícia militar, e eles poderiam ser presos e apareceriam na televisão por terem perturbado a paz em local público; e então, toda a sua família a veria e enfim saberiam porque ela desconversava quando eles falavam do Will, do Roger, ou do Christian, ou do Ian, ou de quem quer que fosse candidato a uma vaga em seu coração. A única vaga existente não estava disponível. Estava ocupada, há muito tempo ocupada, perpetuamente ocupada por aquele que a fazia sentir-se desconcertada com seu insistente olhar, por aquele que fazia seu estômago contrair-se com o toque quente de suas mãos dissimulado num gesto simples e cordial, perfeitamente aceitável vindo de um amigo de tanto tempo, de um fiel colega de trabalho. Ela o odiava sobretudo por fazê-la ter esses pensamentos idiotas, e agora, divagando, ela havia ido tão longe que não saberia dizer quais as últimas palavras que ele dissera, pois apenas lembrava-se das árvores da praça girando ao redor dos dois e ela nem mesmo poderia dizer se isso era um Arquivo X ou se ela estava no meio do clip da Lauryn Hill. Por todos esses motivos é que ela vinha protelando conhecer a clínica de Mulder, embora soubesse que após duas semanas da inauguração ela não poderia fazê-lo esperar mais, a boa educação exigia, no mínimo, uma visita de cortesia. Mas ela se lembrava daquele encontro na praça e desejava não ir para não ter de sentir "aquilo" novamente. Após um grande esforço para localizar-se no tempo e no espaço, ela lhe respondeu: _ Mulder, fico feliz que esteja conseguindo realizar seu sonho e sinto-me grata por me convidar, mas não acho que seria uma boa idéia... _ Scully, não há sonho realizado sem você. _Mulder, eu sei que você sempre quis pesquisar e auxiliar pessoas dentro da parapsicologia e ufologia e seus conhecimentos lhe permitirão realizar um bom trabalho... _ Scully, essas pessoas apresentam sintomas e anomalias clínicas que eu, não sendo médico, não posso avaliar e não existe no mundo inteiro um médico melhor para isso do que você. _ Mulder, eu ainda não decidi o que vou fazer da minha vida profissional, recebi algumas propostas, enviei alguns currículos, mas, no momento, não me sinto pronta para tomar uma decisão. _ Eu sei, e por isso vou esperar o tempo que for preciso. Eu vou montar a clínica e quando você estiver pronta sua sala vai estar lá, esperando por você, assim como eu. _ Mulder, não empate sua vida por mim. Você pode encontrar outra pessoa para fazer meu trabalho; você pode ajudar muita gente com seu projeto, não fique preso a mim. _ Não posso ajudar ninguém sem você. Ela já não sabia mais o que falar, retirou suas mãos das dele e se levantou. _ Preciso ir, prometi levar umas flores pra minha mãe – ela disse sem encará-lo. _ Tudo bem – ele suspirou – vou preparar tudo e manterei você informada dos progressos da clínica. Eu a acompanho até a floricultura. Na floricultura, enquanto ela comprava as flores de sua mãe, ele lhe perguntou: _ Scully, qual sua flor favorita? Sem olhar diretamente pra ele, ela respondeu: _ Gosto de várias. Tulipas, rosas, amores-perfeitos... _ Vou plantar todas na "nossa" clínica. _ Mulder, por favor... eu não sei o que eu quero fazer ainda profissionalmente, mas eu sei que quero ter uma vida... _ Scully, eu sei que quer uma vida tranquila, sei que quer adotar uma criança e ser feliz. Mas uma clínica pequena como a nossa não terá os mesmos perigos do FBI. Casais que trabalham em clínicas não terão problemas para adotar uma criança. Ela fez que não entendeu, pagou as flores e saiu. Do lado de fora Mulder a segurou. Ela não tinha visto que ele havia comprado um buquê de rosas vermelhas com outras flores miúdas. Ele colocou o buquê em seus braços junto com as flores azuis de sua mãe. Tirou uma flor e colocou gentilmente nos cabelos dela. Olhando nos olhos verdes dele e tremendo por dentro, ela só conseguiu perguntar: _ Qual o nome dessa flor? _ Não-te-esqueças-de-mim. Ele passou a mão suavemente pelo rosto dela e partiu, deixando-a resoluta a não mais permitir que momentos como aquele acontecessem, pois apesar de se saber apaixonada, ela acreditava que eles jamais dariam certo juntos e que voltar a trabalhar com Mulder seria um retrocesso em sua vida. Além de voltarem aos mesmos problemas profissionais de "creio – não creio", sua vida sentimental estagnaria novamente, pois ela sabia muito bem como Mulder era capaz de fazer aquela encenação toda na praça e depois nunca mais tocar no assunto, como se nada houvesse acontecido. Ele já tinha feito isso outras vezes e ela jurava que não se permitiria mais ter esperanças tolas. Pelo menos longe dele havia a chance de que o tempo pudesse arrefecer seus sentimentos e, quem sabe um dia, ela pudesse vir a amar outro homem. Dana Scully foi checar o e-mail que Mulder lhe enviara. Embora ela já tivesse idéia do que fosse. Desde que começara a mobiliar a clínica, Mulder enviava folhetos das fábricas de móveis que consultava para Scully dar sua opinião, o que ela vinha procurando não fazer para evitar criar vínculos com o novo projeto do seu ex-parceiro. Dessa vez ela quase acertou. O e-mail trazia uma fotografia de uma mesa clara, numa madeira quase em tom salmão, com os dizeres: "Essa é sua mesa, doutora Scully. É grande, sólida, durável, porém, charmosa e elegante como você. Venha conferí-la pessoalmente. Mulder." Ela não pôde deixar de rir; anos atrás eles brigavam por uma mesa, agora ele comprava uma mesa que, sem dúvida alguma, havia custado bem caro, só para tê-la trabalhando junto com ele. "É, as coisas mudam."- pensou. Mas isso era preocupante. As atitudes de Mulder demonstravam que ele não estava sequer levando em conta a possibilidade de que ela não fosse trabalhar com ele. Scully achou que não dava mais para continuar enrolando Mulder desse jeito, não era justo que ele continuasse investindo cegamente nisso. Considerando que era melhor decepcioná-lo logo, Scully resolveu ligar no mesmo instante e marcar um encontro com Mulder: _ Mulder. – um voz sem entonação atendeu. _ Mulder, sou eu, Scully; cheguei quase agora. _ Recebeu meu e-mail? – sua voz agora parecia mais empolgada do que a de um garotinho no meio do Epcot Center. _ Sim...recebi....Mulder,...já lhe disse para não fazer planos comigo. _ Quando você vem aqui? – ele a cortou como sempre fazia quando chegava esse assunto. _ Amanhã está bem pra você? _ (Irônico) Não estou acreditando que você esteja me dando uma resposta definida positiva depois de quase 6 meses de enrolação! É claro que está! Qualquer horário pra você vir aqui está bem. Ah, antes que mude de idéia, quer quee mande um helicóptero te buscar? Assim você não vai ter a desculpa do trânsito ruim... _ Não exagera, Mulder! Você sabe que não tive tempo prá mil desde que encerraram os Arquivos X. Não pode me acusar de abandono, falamos quase todos os dias pelo telefone e você sabe que se estivesse realmente precisando de minha ajuda eu teria largado tudo para ir vê- lo, mas graças a Deus, você não tem se metido em confusão, pelo menos que eu saiba, desde que saiu do FBI. _ Tenho tentado endireitar minha vida para impressionar você mas acho que não foi uma boa idéia; pelo menos quando eu estava metido em confusão tinha você do meu lado. Agora que sou um "rapaz comportado" a sua família é que fica com a sua companhia. _ Mulder, não me chantageie, amanhã cedo estarei aí. _ Não vou dormir de ansiedade. _ E os seus florais? _ Acabaram hoje ao meio-dia. _ (Rindo) Mulder, você não tem jeito... _ Se você quiser tenho... _ Até amanhã. _ Assim espero, Scully. VIRGINIA CLÍNICA X 07:15 AM Scully chegou e tocou a campainha. A clínica era pequena, pintada de branco com trepadeiras verdes subindo pelas paredes e grades do portão. Era bem localizada mas não chamava muito a atenção. Scully imaginava que era exatamente isso que Mulder queria. Nos fundos da clínica dava para ver um estreito portão que, ela imaginava, devia conduzir à pequena casa contígua onde Mulder estava morando. Era a maneira ideal dele permanecer o maior tempo possível perto do trabalho. Esse pensamento subitamente a entristeceu, era esse o grande amor da vida de Mulder: o trabalho, e não qualquer outra coisa ou pessoa. Seus pensamentos foram interrompidos pelo movimento da porta sendo aberta. Todo de branco, Mulder a saudou com um sorriso. Ele estava mais, muito mais lindo que qualquer médico que ela já tivesse visto em sua vida. _ Bem vinda ao lar. Eles se abraçaram forte e ternamente. Scully estava feliz, realmente feliz pela realização de seu parceiro. O cabelo dele estava mais cheio do que na última vez que o vira, com uma mecha caindo na testa. Abraçando-a, Mulder sentia o perfume que tanto lhe fizera falta. "Pêssego, – ele pensava – acho que Scully tem cheiro de pêssego com perfume floral." Ele quisera muitas vezes perguntar que perfume ela usava, mas não tinha coragem. Provavelmente se soubesse ele já teria borrifado sua cama e a casa inteira com aquele cheiro. O cabelo dela também estava mais comprido, cheio e levemente ondulado. Ela usava roupas leves, claras e coloridas agora que estava longe do sombrio ambiente do FBI. Na avaliação do psicólogo Fox Mulder, Scully era o tipo de pessoa cuja vida, o caráter, a decoração da casa e o modo de vestir seguiam um mesmo padrão: leveza, clareza e sinceridade. Ela usava uma calça azul clara, uma blusa de linha salmão e um casaquinho também de linha vermelho tomate, cores alegres contrastando com os anos de sombra e tristeza que ela passado ao lado dele e pelos quais ele sempre se culparia. _ Vamos, entre. Ele a conduziu para dentro. Scully tinha que admitir, a clínica era uma graça. Uma pequena recepção, uma salinha de estar, duas salas maiores, tudo aconchegante e convidativo. Scully imaginava que o ambiente certamente induziria o paciente a se abrir, por mais estranho que fosse seu caso ou mais difíceis seus problemas, a pessoa see sentiria segura e bem vinda ali, confiante por Ter encontrado alguém disposto a ouví-la e capaz de ajudá-la como só Mulder poderia ser. Haviam flores por todos os lugares: tulipas, mini-roseiras, amores-perfeitos, todas as flores que Mulder disse que haveriam. Olhando para o telefone na mesa da recepção, Scully deduziu que Mulder deveria ter contratado uma secretária para atender os pacientes. Sua mente foi um pouco mais longe e ele imaginou que provavelmente era uma moça jovem e bonita que, com certeza, se apaixonaria e daria em cima dele. Pensou enciumada: "Mulder, seu sem- vergonha, me mandou milhares de folhetos de móveis, mas não comentou nada sobre contratar uma secretária. Vai ver essas flores são por causa dela... Também, bem-feito para mim enfiar de uma vez por todas na minha cabeça que ele é um homem livre pra gostar de quem quiser." Ela lutava bravamente para superar seu ciúme de forma racional. _ Esta é minha sala. Ele abriu a porta e deu passagem interrompendo os desvairados pensamentos de Scully. _ Ah... – ela começou a observar atentamente cada detalhe. Uma grande estante cheia de livros, uma poltrona grande, um divã, uma mesa com equipamentos eletrônicos e a mesa principal de Mulder com a cadeira dele e duas à frente para os visitantes. Em cima da mesa um computador, caixas de disquetes, porta-lápis, calendário e em posição de destaque, ao lado do computador, um porta-retrato com uma fotografia em close de Scully, sorrindo, com o pôr-do-sol por trás. Ela ficou surpresa ao ver sua foto ali e lembrou-se imediatamente de quando foi tirada... 1 ANO E MEIO ATRÁS CALIFORNIA MONTE SHASTA 05:51 PM Mulder e Scully estavam com a passagem de volta para Washington marcada para as 11 da noite. Os Pistoleiros Solitários haviam avisado Mulder sobre aparições luminosas que volta e meia tornavam a ser comentadas nos arredores do Monte Shasta, um local belo e místico, cercado de lendas. Mulder convenceu Scully a acompanhá-lo um final de semana para averiguações e pesquisas no local, mas como nenhum crime havia sido cometido, não era assunto do FBI e eles logo teriam que voltar. Depois de passar o dia fotografando o local, os agentes já see preparavam para ir embora quando Mulder sugeriu que eles fossem até o mirante observar o pôr-do-sol antes de partirem. A visão era magnífica, Scully de costas para Mulder parecia hipnotizada pelo espetáculo da natureza. Os dois em silêncio. Mulder checou a máquina e pensou: " Com sorte deve haver algum filme. Nunca vejo Scully assim, serena, contemplando feliz alguma coisa. Vou testar minhas habilidades como fotógrafo e tentar captar esse pôr-do-sol. Quando revelar o filme em Washington, darei a ela a foto de presente." Quando se preparava para bater, Scully virou-se repentinamente e sorrindo falou: _ Pode haver algo mais lindo que o pôr-do-sol ou a aurora? Ele havia batido a foto naquele exato instante. Não esperava ser brindado com um sorriso daqueles. Com o olhar profundamente sincero ele lhe respondeu: _ Você. Um barulho na recepção trouxe-os de volta ao presente. Uma senhora idosa, com os cabelos brancos presos num cóque, óclinhos, vestindo uma saia longa e uma blusa de lã cinza veio sorridente na direção dele. _ Bom dia, meu filho! – reparando espantada em Scully ela exclamou: _ Oh, meu Deus! Não é essa a moça da foto? Oh, é ela sim! Eu lhe disse, meu filho, que ela viria! – ela fitava sorridente Scully. Mulder, sem graça, explicou: _ Scully, essa é a senhora Gibbs, minha secretária. Senhora Gibbs, essa é Dana Scully. A velhinha precipitou-se, abraçou Scully efusivamente enquanto falava comovida: _ Minha filha, se você não viesse logo acho que esse rapaz morreria. Não tem um dia que ele não fale em você. Não imagina a aflição dele porque você não vinha conhecer a clínica... _ É,... é que eu estava realmente muito ocupada resolvendo questões de família... – Scully tentava cortá-la para mudar de assunto, mas a velhinha tagarela não parava. _ Ah, eu sei, minha filha, ele me falou. Mas você sabe, o coração não gosta de esperar, quando a saudade aperta o peito parece até que vai matar a gente, né? Bom, eu vou deixar vocês a sós pra ele matar bem a saudade de você e vou fazer um café. Ah, não imagina o prazer que eu tenho em conhecê-la, é ainda mais linda que na foto. _ Muito obrigada, a senhora é muito gentil; o prazer é meu em conhecê-la – Scully estava visivelmente constrangida e Mulder não parecia diferente. Da porta, a sra. Gibbs falou: _ Já mostrou a sala dela? Aproveitando a deixa, Mulder conduziu Scully até a porta do outro lado da sala e abriu-a cerimoniosamente. _ Espero que goste. Scully quase caiu prá trás ao entrar em "sua" sala, que em nada se parecia com a sala de Mulder. Tudo era claro; a mesa que ela havia visto por e-mail estava ali e era de fato belíssima. O ambiente todo parecia ter sido decorado pela própria Dana Scully e até mesmo um mini- sistema de análises clínico-laboratoriais estava montado, pronto para ser usado. Ela não teria feito melhor. _ Mulder, é...é... não tenho palavras para dizer.... perfeito! _ O que não gostar podemos trocar; eu queria ter escolhido as coisas junto com você, mas como estava ocupada tentei adivinhar o que preferiria. _ Mulder, esta sala é ótima... é perfeita... – lembrando-se, porém, de suas resoluções e dos motivos pelos quais estava ali, concluiu – Quem quer que venha trabalhar com você não terá do que se queixar. _ Scully... _ Mulder, sinto muito, não posso, não devo; não quero decepcioná-lo mas não é a atitude mais correta. – ela via a decepção e a tristeza descerem como uma cortina sobre os olhos de Mulder e se recriminava, mas quis ser fiel a seus propósitos racionais – Temos que aceitar a realidade, Mulder, não trabalhamos mais juntos. Acabaram-se os Arquivos X. Desolado com as palavras dela, que pareciam firmemente baseadas em uma fria decisão, ele não mais encontrava forças para argumentar com ela. Então, ele apenas se aproximou, pôs as mãos suavemente sobre os ombros dela e perguntou tristemente: _ Você vai ter que trabalhar com alguém. Por que não pode ser comigo? Olhos nos olhos. Ela agora não tinha o que responder. Nesse momento a sra. Gibbs interrompeu-os: _ Com licença. Há uma garota na recepção, parece assustada. Quer conversar com alguém. _ Sra. Gibbs, encaminhe-a até minha sala, eu já irei vê-la. – Virando- se para Scully, disse: _ Scully, prometa que não vai embora enquanto eu estiver atendendo a paciente, prometa que vai me esperar para conversarmos. Ele parecia adivinhar a intenção dela, mas embora ela desejasse realmente fugir daquela conversa, sabia que não seria uma atitude digna, e que a única coisa a dizer agora era: _ Não vou embora, Mulder. Vou esperá-lo. _ Fique a vontade, se precisar de algo peça à sra. Gibbs. Mulder encaminhou-se para a sua sala e Scully, depois de alguns instantes examinando a sala que poderia ser sua, percebeu que permanecer ali seria uma tentação capaz de fazê-la mudar de idéia e foi para a recepção atrás da sra. Gibbs. _ Olá, srta. Scully, aceita um café? _ Aceito. Pode me chamar de Dana. _ Dana... lindo nome. Sua família é irlandesa? _ É, sim. _ Minha tia casou-se com um irlandês. Eu comia muitos triffles na casa dela. Gosta de triffles? _ Gosto, mas engordam. _ Ora, você não tem que se preocupar com isso. _ A senhora que pensa. _ Me chame Rosie. _ Está bem, Rosie. As flores foram idéia sua? _ Não – ela pareceu procurar as palavras certas – o Dr. Mulder comprou-as e pediu-me que o ensinasse a cuidar das plantas. Ele disse que eram suas favoritas. Sabe, ele queria que estivesse tudo perfeito quando você viesse. Ela parecia querer dizer algo, mas tinha medo. _ Está tudo muito bonito – Scully falou encorajando-a a continuar. Elas conversaram por cerca de uma hora e Dana percebeu que Rosie tinha aquele mesmo instinto de Cupido que suas tias e procurava conduzir a conversa para um certo ponto: _ Você tem namorado? Ora, é claro que tem, bonita desse jeito... _ Não, não tenho. _ Então é porque não quer, certamente. _ Não é bem isso. _ E o que é, então? _ As coisas não são simples. _ Sabe, filha, vivi muito e de uma coisa entendo: reconheço o Amor quando o vejo; mas, estranhamente, me parece que as pessoas que deveriam reconhecê-lo vivem tão cheias de dúvidas que acabam cegas em suas próprias incertezas e medo de amar. _ Como assim, Rosie? A velha secretária suspirou: _ O dr. Mulder é como um dos meus sobrinhos pra mim. Ele é um amor, um moço bom, inteligente, honesto. Eu moro aqui do lado, sabe, sou vizinha da clínica e tenho um lindo jardim. Ele viu o jardim e veio me perguntar sobre plantas. Eu pensei: "Por que um moço como ele está interessado em plantas?" Achei-o simpático e percebi que, como os jovens em geral, trabalhava tanto preparando a clínica que esquecia de si mesmo e de comer. Comecei a trazer uns bolos e lanchinhos pra ele. Batíamos papo e vi que ele era um rapaz especial, que sabia coisas sobre as quais a maioria das pessoas nem presta atenção. Ele me disse que queria abrir uma clínica, mudar de vida, começar tudo de novo acertando o que estava errado. Ele me perguntou o que eu fazia da vida. Contei que era secretária aposentada e ele me convidou para trabalhar aqui. Adorei o convite! Não tenho filhos e meu marido também é aposentado e passa o dia fazendo maquetes de barco e jogando dominó com os amigos. Frequentei a Sociedade Teosófica vários anos e sempre me interessei pelas coisas que desafiavam o conhecimento comum, mas confesso, nunca aprendi tanto como nesses 4 meses trabalhando com o dr. Mulder. Porém, eu o achava triste e um dia perguntei se ele não tinha namorada, por que não se casava. Ele me disse que estava organizando as coisas, construindo uma nova vida da qual a clínica e até eu éramos peças importantes. Ele me disse que comprou essa clínica com a casa conjugada para poder morar perto do trabalho e assim ter mais tempo para a família que esperava ter um dia. Perguntei onde eu me encaixava no plano dele e ele respondeu rindo que me tendo como secretária sua esposa não teria motivos pra ciúmes. Rimos muito disso aquele dia. Perguntei por que ele estava sozinho e ele respondeu que prá ter alguém especial é preciso poder oferecer algo, o mais perfeito possível, e que era isso que ele estava tentando fazer. Perguntei se ele pretendia ter filhos e ele me disse que provavelmente ele e a esposa adotariam uma criança. Um dia ele trouxe vários objetos pessoais para decorar a clínica, colocou um porta- retrato na mesa e, então, eu entendi os motivos dele. Ela lançou um olhar de compreensão para a moça perplexa à sua frente, que tinha os olhos marejados e não conseguia articular uma única palavra. _ Filha, acredite, porque é verdade. Duas lágrimas rolaram dos olhos de Dana Scully e a sra. Gibbs falou: _ Vou fazer um chá prá nós duas. CLÍNICA X 10:30 AM Mulder já estava há bastante tempo na sala com a paciente. Rosie entrou lá para oferecer alguma coisa e Mulder foi até a recepção. _ Scully, pode vir aqui um instante? Ela entrou na sala junto com ele, onde uma garota de cabelos claros e lisos parecia se acalmar. Rosie saiu fechando a porta e Mulder mostrou a Scully a ficha de anamnese da paciente, onde os olhos perscrustradores de Scully identificaram as palavras-chave: Rebecca Lindsey, 16 anos, visões, premonições, desmaios se tornando frequentes, filha caçula, irmãos casados ou na universidade, mãe cardíaca; procura esconder sobre as visões mas a família está desconfiada de que os desmaios sejam um indício de gravidez, procura ajuda pois não sabe o que fazer. _ Scully, eu sugeri à srta. Lindsey que fizesse alguns exames simples, como de sangue, para averiguar se ela não está sofrendo de alguma causa orgânica que possa estar acentuando os desmaios, como anemia, por exemplo. Scully percebia como Mulder conduzia as palavras de forma a não demonstrar descrédito algum do que a garota lhe havia contado. _ Eu fiz alguns exames de rotina recentemente, minha família sempre faz check-up essa época do ano. Eu não peguei os resultados mas sei que estão prontos, posso trazê-los semana que vem. _ Poderia olhar os resultados dos exames quando ela os trouxer, Scully, por favor? _ Sim. – Foi só o que ela respondeu. Mulder pediu à sra. Gibbs que fizesse uma ficha da garota, que prometeu voltar com os exames na próxima semana. _ Tem algo a me dizer, Scully? – Mulder perguntou quando ficaram a sós. _ Pensou na possibilidade de que a suspeita da família possa estar correta ? _ Ela disse que não tem namorado. _ Ahá... ela disse... e como pode ter certeza? _ Pra que ela mentiria sobre isso? A gravidez é uma coisa que não se pode esconder por muito tempo. _ Talvez seja o tempo suficiente para ela pensar em fazer algo a respeito, enquanto você tenta convencer a família dela de que o que está ocorrendo com a pequena Beckie é "puramente espiritual". _ Acha que ela mentiu, que não tem visões? Não acredita que uma adolescente de 16 anos possa estar assustada por estar tendo visões? _ Apenas penso que uma adolescente de 16 anos, mesmo que tenha visões, possa estar mais assustada com uma gravidez do que com qualquer outra coisa e penso que ela possa temer enfrentar seus pais mais do que seus próprios fantasmas, principalmente se ela estiver dizendo a verdade sobre não ter namorado. Mulder ficou em silêncio por um instante. _ Sugiro que peça novos exames se os que ela trouxer estiverem com data anterior a um mês. E meu palpite é de que estarão. _ Scully, se eestiver certa, essa menina procurou a pessoa errada. Não sou assistente social. _ Engana-se, Mulder, as pessoas que o procurarão possivelmente terão problemas que irão requerer algum tipo de assistência social com frequência. _ Não posso crer que não pensei nisso antes. _ Aplicou testes de paranormalidade nela? _ Sim, os testes apresentam alguma relevância, mas são precisos outros testes que eu achei melhor não aplicar hoje. _ É o que digo, Mulder, ela pode ter visões e ser um excelente objeto de pesquisas. Já pensou see a própria gravidez estiver alterando as percepções dela? Se for um caso verídico você terá bastante trabalho a desenvolver com ela, mas isso não elimina a necessidade de prestar um serviço de assistência social e psicológica a ela e à família. Nem sempre seus pacientes serão adultos bem sucedidos interessados em saber se foram ou não vítimas de abdução. _ Se incomoda de acompanhar o retorno dessa paciente comigo? _ Não, não me incomodo – Scully respondeu. Mulder suspirou aliviado. 16:34 PM Mulder levou Scully e a sra. Gibbs para almoçarem num restaurante próximo dali. De volta à clínica a tarde havia transcorrido tranquila com a sra. Gibbs atendendo aos telefonemas e agendando algumas consultas. Mulder mostrou à Scully um arquivo igual àquele que tinham em sua sala no porão do FBI, dentro havia tudo que Mulder conseguira copiar dos casos que eles haviam investigado nos Arquivos X. Como era sexta- feira e tudo estava calmo, Mulder resolveu dispensar a sra. Gibbs mais cedo. A velhinha foi para casa, não sem antes despedir-se de Dana dizendo-lhe que esperava vê-la já na 2ª feira de manhã, mas não mais como visita e sim trabalhando definitivamente. Antes de partir acrescentou: _ Boa noite e fiquem com Deus. Mas não precisam ter muito juízo não, viu, porque vocês já estão na idade em que perder o juízo é muito bom. Ouvindo isso Mulder considerou que talvez a sra. Gibbs merecesse um aumento. _ Vamos até sua sala, Scully, quero mostrar-lhe algo. Scully desistiu de ficar corrigindo Mulder de que aquela não era a "sala dela". Ele pediu-lhe que ligasse o computador enquanto ele buscava uns disquetes na sala dele. A tela inicial mostrou um lindo buquê de flores do mesmo tipo que Mulder lhe havia dado: não-te-esqueças-de-mim. A imagem foi dando lugar a várias fotos dos dois quando ainda trabalhavam no FBI; Mulder e Scully perto do fichário de arquivos X, Mulder e Scully com pastas e pastas de casos nas mãos, etc, fotos que iam substituindo uma à outra até voltar a imagem do buquê. Scully teve um pressentimento de que agora que a sra. Gibbs havia ido embora, a situação entre ela e Mulder ficaria mais delicada. Ela olhou à sua volta. De fato aquela era uma sala na qual ela gostaria de trabalhar. Mas, não, isso era fora de propósito. Apenas ajudaria Mulder com aquela jovem paciente. Mulder entrou trazendo alguns disquetes, puxou uma cadeira ao lado da dela e colocou o 1º disquete no computador. Enquanto mandava o computador abrir o disquete, Mulder olhou bem dentro dos olhos de Scully e ela sabia, embora ele não tivesse dito nada, que ele esperava algum comentário sobre o descanso de tela; e ela respondeu, também com seus olhos, que não iria falar nada a esse respeito. Então, ele entrou no assunto dos disquetes: _ Dana, a idéia de abrir esse tipo de clínica não é inédita, existem projetos similares na Europa, aqui mesmo no Arizona e principalmente na América do Sul. Esses disquetes contém casos documentados que foram tratados por essas clínicas e os procedimentos utilizados. Existe um esforço no sentido de formar uma aliança entre todas as clínicas do gênero para auxílio mútuo. Scully observava os casos que iam aparecendo na tela. Apesar de a maioria não envolver nenhum crime, grande parte desafiava ainda mais os seus conhecimentos científicos do que os que ela havia investigado com Mulder durante todos esses anos. Ela não queria dar o braço a torcer, mas estava achando tudo aquilo muito interessante. Como o espaço era pequeno, Mulder começou a chegar mais perto e debruçar-se sobre o ombro de Scully, apontando detalhes na tela. A voz de Mulder perto do seu ouvido a fez sentir um súbito calor. Ela procurou permanecer impassível. Ele passou o outro braço por cima da cadeira dela, quase abraçando-a, enquanto ela olhava os arquivos sem vê- los, pois toda a sua atenção estava concentrada na respiração de Mulder em sua nuca. "Isso está ficando difícil. Será que ele sente a mesma coisa ou estou aqui passando mal sozinha? –ela pensava – Preciso descobrir... Vou testá- lo, Mulder, pelo menos saberei se você sente essa tensão também." Ela se mexeu na cadeira e empurrou o corpo ligeiramente prá trás aproximando o seu pescoço do rosto de Mulder ainda mais. Ela sentiu automaticamente a mão de Mulder que estava sobre seu braço apertando-a, traindo um desejo oculto, enquanto ele enfiava o rosto em seus cabelos ruivos e aspirava lenta e profundamente o cheiro dela. A pressão dos dedos dele no braço dela não mostrava sinais de diminuir. Ele parecia querer mantê-la ali para sempre. Ela tinha certeza que nenhum dos dois estava prestando atenção alguma aos casos que se sucediam na tela do computador e obteve mais rápido do que imaginava a resposta que queria: a proximidade entre os dois o afetava também, e muito. Ela achou que era hora de ir embora, aquilo estava ficando perigoso demais. Lembrou-se que estava sem relógio e sem pensar segurou o braço livre de Mulder que tinha relógio de pulso. _ Que horas são? Ele leu os ponteiros, pegou a mão dela e depositou um beijo em seu pulso dizendo baixinho: _ Dez para as seis. Ela sentia como se aquele beijo se espalhasse pela sua corrente sanguínea. Levantou-se de súbito e disse num fio de voz: _ Preciso ir. _ É cedo – ele percebia que ela estava um pouco assustada, que tinha medo, mas ele tinha um plano traçado em sua mente e não o estragaria. Tinha conseguido fazê-la vir até a clínica e sabia que ela voltaria na semana seguinte para ajudá-lo no caso. Faria com que ela se acostumasse à proximidade física dele aos poucos, conquistando-a devagarinho, preparando o terreno lentamente até...Ah, Deus, ele mal podia esperar! Mas, ele não iria estragar tudo agora, tinha que se segurar! _ É melhor eu ir, senão vou chegar muito tarde em casa – ela dizia sem olhar para ele. _ Está bem – ele resignou-se e foi abrir a porta da clínica. Quando saíram o céu estava carregado. Já no jardim, ele passou um braço pela cintura dela e olhou-a fixamente: _ Prometa-me que vai voltar na segunda-feira? _ Pro-prometo – ela sentia as pernas bambas. Foi nesse exato momento que uma chuva torrencial começou a cair sobre os dois, que tiveram que se encolher sob o beirado da clínica. O espaço estreito deu motivos a Mulder para puxar Scully mais para si com a desculpa de protegê-la da chuva. Scully, que já não conseguia pensar direito, aproveitou o pretexto para recostar a cabeça no peito do homem para quem seus pensamentos iam todas as noites, mesmo contra a sua vontade e de seu lógico raciocínio. Enquanto a chuva caía, ambos perdiam- se absortos em seus pensamentos: _ "Deus existe!" – pensava Mulder – "Será que é um sinal para eu ir em frente e não esperar mais? E se na segunda-feira ela tiver que levar algum velhinho da família para fazer exames? E se for chamada para cuidar dos sobrinhos? Tomara que não pare de chover." Ele olhou para o reflexo dos dois na janela de vidro da clínica; viu Scully aninhada em seus braços, calmamente de olhos fechados, e sentiu um carinho imenso derramar-se em seu peito. Scully pensava que quem os visse assim abraçados se protegendo da chuva, teria certeza de que eram namorados. E nesse instante, de fato, ela queria acreditar que, pelo menos enquanto a chuva caísse, eles fossem realmente namorados, como tantas vezes ela havia sonhado, só para se recriminar logo depois. A chuva não dava sinais de arrefecer. Mulder achou melhor eles irem para a sua casa. _ Scully, venha, vamos entrar, a chuva não vai parar agora. Vamos comer e nos aquecer. _ E se não parar de chover, como vou embora? _Você dorme aqui e vai amanhã de manhã. Por algum motivo Scully não estava com a menor vontade de discutir com Mulder e simplesmente o acompanhou para dentro da casa. CASA CONTÍGUA À CLÍNICA 06:15 PM A casa de Mulder, propriamente dita, era contígua à clínica e lembrava em pouca coisa seu antigo apartamento. A mesa com seu computador e seu aquário, além de uma foto de Samantha, eram basicamente as únicas coisas que ele mantivera além das roupas e algumas louças. Essa de fato era uma casa discreta, simples e confortável com um pouco do estilo da clínica. Mulder convidou-a a sentar num sofá macio e serviu um licor para os dois. _ Ajuda a esquentar. Gosta? _ Hum... que delícia, Mulder! O que é? _ Frutas vermelhas. Amora, cereja... mas tem um leve toque de pêssego. Frutas que me lembram você. _ Como assim? Bem perto dela no sofá, ele tocou com o dedo levemente em seu cabelo e disse: _ Cereja... – passou o polegar perto do contorno dos lábio dela e sussurrou: - amora... – e passou as costas da mão deslizando pelo pescoço dela: - pele de pêssego. Ela abaixou os olhos timidamente e num sorriso discreto perguntou: _ Não vai me mostrar o resto da casa? _ Claro, venha! – Mulder encaminhou-a para uma cozinha bem equipada – A maior diferença entre a geladeira daqui e a do meu apartamento é que graças à sra. Gibbs essa sempre tem algo dentro. - Ele abriu deixando ver várias embalagens de comidas congeladas, as famosas caixas de suco de laranja de Mulder. Havia também a metade de um bolo que parecia muito bom com bombons de cereja, cobertura de chocolate e recheio de morango, obra, é claro, da sra. Gibbs. – Prove, vai adorar! Eles comeram o bolo quase todo e Mulder foi mostrando o resto da casa. O que Scully mais gostou foi uma convidativa banheira de ofurô e a cama do quarto de Mulder, grande, fofa, coberta com edredons com motivos de girassóis e estrelas num fundo azul-marinho. Parada na porta do quarto de Mulder, Scully hesitava em entrar, pressentindo ali uma área de perigo. Ele afofou a cama e a chamou com um sorriso maroto: _ Vem... Ela riu e disse: _ Não estou com sono. _ Isso não é nada que não possa ser providenciado – rindo ele caminhou até ela, colocou as mãos na sua cintura e foi subindo retirando seu casaquinho tipo twin-set – Por que você não toma um banho naquela banheira de ofurô que você tanto gostou enquanto eu preparo alguma coisa prá gente comer? – as mãos dele estavam indo da lateral dos seios dela para as costas tirando completamente o casaquinho cor de tomate. _ Não estou com fome, já comi bolo – ela respondeu desviando os olhos dele. Ele jogou o casaco dela em cima da cama e disse com a voz meio rouca, tensa e por isso mesmo muito sexy, que soava como um pedido ansioso: _ Tire essa roupa molhada. Nesse momento seus olhares ardentes se encontraram e não puderam mais se desviar e foi então que eles souberam que não haveria caminho de volta nessa noite; uma porta atrás deles havia sido fechada e só restava a certeza, indubitavelmente quente, sinuoso, terrivelmente excitante e convidativa do que estava por acontecer dentro daquelas quatro paredes. Como ela não conseguisse dizer nada, com a respiração ofegante ele apertou o botão do interruptor que estava atrás dela deixando o quarto à meia-luz. Enlaçou-a novamente, desta vez colocando as mãos por dentro da blusa de linha sentindo o calor da cintura dela e colando-a junto ao seu corpo. Com o rosto bem próximo, perguntou baixinho: _Prefere assim? A resposta dela foi entreabrir os lábio na direção da boca dele suplicando um beijo que não se fez esperar. O beijo explodiu avassalador fazendo seus corpos estremecerem de amor. Parecia que eles tinham passado a vida inteira se beijando, tal era a sintonia. Em segundos estavam na cama, arrancando suas roupas com voracidade, se acariciando, roçando e encaixando seus corpos, que ansiavam tanto tempo por isso, com voluptuosa perfeição. Como sons melódicos daquele amor, os sussurros se perderam e se multiplicaram em gemidos como as estrelas naquele edredon. E no momento mais intenso da paixão, suas almas se uniram ascendendo numa espiral de prazer sem fim, num êxtase ainda maior que aquele experimentado pelos corpos que loucamente se possuíram. Depois de a noite adormecer os amantes, uma vida nova amanheceu para Dana Scully. Ela sabia agora, não apenas na bela sala da clínica, mas naquele quarto e naquela cama, ela passaria todos os dias, pelo resto de sua vida. FIM PS: Essa é minha primeira fic, por fazer mande-me seus comentários, para que eu possa me aperfeiçoar.