TÍTULO: A BELA INTRIGANTE AUTORA: Juli® (jlacerda@interconect.com.br) CATEGORIA: Shipper!!! CLASSIFICAÇÃO: NC-17 DISCLAIMER: Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores. Minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado. Não há interesse lucrativo. SPOILERS: Nenhum RESUMO: Um caso de assassinato, levando Mulder e Scully a investigar uma mulher bonita, sensual... disposta a competir com Scully. FEEDBACK: É sempre bom e respondo. Ah, e gosto de comentários detalhados, hein! AGRADECIMENTOS: À Déia Mulder que betou essa estória pra mim. OBSERVAÇÃO: Adaptação do filme "Instinto Selvagem", estrelado pelos atores Michael Douglas e Sharon Stone. NOTA: O diálogo dos personagens foi escrito em linguagem coloquial, portanto, peço perdão se houver algum erro (certamente terá) de português e estou sempre disposta a aprender com algum de vocês. SEDE DO FBI WASHINGTON D.C Kersh: Este era Johnny Boz. Músico, astro do rock, que foi assassinado nessa madrugada, às 02:50H, com um picador de gelo, na suíte do hotel que estava hospedado, em um cassino. O que vocês irão fazer é bem simples... investigar, encontrar o assassino. O Diretor-Assistente Alvin Kersh estava com ambas as mãos apoiadas na mesa, sério e compenetrado como sempre. No olhar, a autoridade sobre os seus agentes "insubordinados". Scully e Mulder, sentados em frente ao seu novo chefe, encontravam-se mais uma vez, afastados dos Arquivos X, sendo designados para investigar casos normais. Kersh não admitia de maneira alguma sob sua supervisão desperdício de mão-de-obra e os designava para ajudar os outros agentes nas diversas investigações do FBI. Dessa vez, ele dispensara exclusivamente para eles um caso de homicídio. O assassinato de um dos mais famosos astros do rock chocou todo o país. Mais ainda pela maneira como o crime fora cometido. A vítima tivera o rosto e o pescoço dilacerados com um picador de gelo. Kersh: A principal suspeita é esta mulher – ele apanhou um livro no canto inferior e direito da mesa, o qual continha em seu verso a foto da mulher e estendeu a eles – Era namorada de Johnny Boz e foi a última pessoa a ser vista saindo do quarto dele na noite do crime. Mulder: Algum outro fundamento para suspeitarem dela? – perguntou ele, olhando para o rosto bonito da mulher intrigante. Kersh: É por isso que estão aqui – respondeu com sua voz grave e sarcástica – Vocês devem ir imediatamente para NY. Nova York 09:34H Uma linda casa de praia, dois porsches preto e vermelho, estacionados na entrada, e uma porta de vidro pintado com arabescos graciosos. Mulder tocou a campainha que ecoou melodiosa no ambiente silencioso. Não houve resposta. Tentou mais uma vez e novamente não foi atendido. Através dos óculos escuros, fez um leve sinal para Scully acompanhá-lo. Ela o seguiu. Caminharam lado a lado, em silêncio, em direção a praia, nos fundos da casa. Divisaram a figura de uma mulher loira, boa estatura, que tomava um copo de suco de laranja, sentada em sua cadeira de praia, disposta num cais que devido a maré baixa, encontrava-se longe da tímida quebra das ondas da praia. Eles pararam a sua frente, não recebendo nenhuma reação por parte da mulher que parecia não os ter visto. Mulder: Srta. Tramell? – manifestou-se diante da indiferença dela, retirando o distintivo do bolso para a rotineira identificação – Sou o agente Mulder e esta é minha parceira Dana Scully. Gostaríamos de esclarecimentos sobre o homicídio do Sr. Johnny Boz. Sabe que ele morreu, não sabe? – ele fez a pergunta, embora tivesse quase certeza que ela tinha conhecimento do fato bem antes que todos. Tramell: É claro que eu sei. – respondeu, seca, sem se voltar pra ele. Mulder olhou interrogativo para Scully que apenas arqueou as sobrancelhas. Mulder: Qual era o seu relacionamento com ele? Namoravam? Tramell: Transávamos freqüentemente, mas não o namorava. Scully: Usa drogas, Srta.? Tramell: Uso. Scully: Você foi a última pessoa que esteve com o Sr. Boz antes da polícia tê-lo encontrado morto... Mulder: ... com diversas perfurações ocasionadas por um picador de gelo – continuou. Aproximou-se um pouco mais da mulher sentada na cadeira e removeu seus óculos - A polícia local também encontrou cocaína e um lenço de seda, amarrado nos pulsos do Sr. Boz, como instrumento de imobilização. Amarrava-o ao espelho da cama quando transavam, Srta. Tramell??? Tramell: Não. O Johnny gostava de usar as mãos. E eu gostava que ele as usasse. Gosto de mãos, Agente Mulder! – respondeu, sarcástica. Ela passou graciosamente o língua, umedecendo os lábios, lançando um olhar de puro desejo para Mulder que ficou desconcertado e repôs os óculos. Scully adiantou-se na direção dela com uma expressão de censura no olhar que não passou despercebido para a mulher. Scully: Queira nos acompanhar até a delegacia, Srta. para prestar esclarecimentos à polícia. Tramell: Vocês têm um mandado? – perguntou, encarando-a desafiadora. Scully: Você tem um advogado? – ela devolveu o desafio, altiva. Tramell: Porque precisaria de um? – ela balançou uma das pernas torneadas cruzada sobre a outra, desnuda pelo short curto, brincando displicentemente com a sandália de borracha que usava. Tal movimento, atraiu a atenção de Mulder que não hesitou em admirar as belas pernas da mulher igualmente bela. Os cabelos loiros pareciam etéreos sob o sol da manhã e pôde perceber os olhos incrivelmente azuis, quando ela afastou ligeiramente os óculos para olhar desafiadora à parceira dele. Scully: Porque, a menos que tenha um álibi, você é a principal suspeita – acusou, apanhando o telefone para solicitar a expedição do mandado. Tramell: Eu não matei ninguém, Agente – ela respondeu calma e segura, para Mulder que agora era o único que permanecia a sua frente. Ele não disse nada, limitando-se a olhá-la. Estava constrangido com o olhar intenso que ela insistia em lançar-lhe. Constrangido, mas ao mesmo tempo lisonjeado... E porque não dizer tentado? Sim, ele estava. Uma mulher bonita, intrigante e sensual como ela jamais passaria despercebido aos olhos de qualquer homem que fosse. E com ele não seria diferente. Desviou o olhar ao notar que a parceira o encarava, indagadora, censurando-o. Scully: A ordem já foi expedida – informou, não se preocupando em disfarçar o orgulho em sua voz, à mulher. Mulder: De quanto tempo precisa para se arrumar, Srta. Tramell? Parados na ampla sala da casa, eles a aguardavam. Ambos andavam displicentemente pelo ambiente, perscrutando cada detalhe. Mulder aproximou-se da escada de apenas 3 degraus, que separava a sala da entrada do corredor para o quarto. Alongou o pescoço, espiando em direção ao quarto. Prendeu a respiração, ao ver o corpo curvilíneo e magro de Katherine Tramell nu, seguro por uma única perna, levemente inclinado, enquanto a outra tomava a frente dentro do curto vestido branco a ser usado. Reparou nas costas alvas, na cintura fina e nas nádegas arredondadas. Ela fechou o longo zíper do vestido sem esforço, demonstrando uma boa elasticidade nos braços. Ele a viu afastar-se do guarda-roupa indo em busca dos sapatos. Discretamente, procurou afastar- se dali, voltando-se para a sala, onde Scully estava, segurando-a, gentil, pelo cotovelo esquerdo e conduzindo-a na direção da porta. Ele postou-se ali, colocou as mãos nos bolsos e evitou o seu olhar curioso, mantendo a cabeça baixa. Katherine desceu com firmeza as poucas escadas da sala com um casaco nas mãos. Entregou-o a Mulder, convidando-o a ajudá-la a vestir. Ela invadiu o espaço entre eles, disfarçando um sorriso de satisfação nos lábios, e virou-se de costas, estendendo os braços para que ele a vestisse. O vestido branco, o casaco também branco e os escarpins de igual cor conferiam-lhe um porte elegante, porque a roupa lhe caía muito bem, condizente com seu tipo físico e por seu andar firme, seguro e altivo; e sensual, porque o vestido curto cobria timidamente as suas coxas e moldava-lhe, sem ser apelativo, o corpo bem feito. Mulder ficara desconcertado, principalmente por receber insistentemente o olhar de implacável censura de Scully. Procurou ser gentil, mas manter a sua imparcialidade diante das investidas da mulher. Desta maneira, pensava ele, não daria margem para ela reclamar. Até porque, não tencionava que isso acontecesse. No carro, Tramell mantinha as pernas elegantemente cruzadas. Qualquer um que a olhasse, perceberia tratar-se de uma mulher sofisticada. E mais ainda, que essa sofisticação vinha de berço. Ela abriu a cigareta prateada, retirando um e estendeu à Mulder. Tramell: Quer um, Agente Mulder? Mulder: Eu não fumo, Srta. Tramell. Tramell: Verdade? É uma pena. Não bebe também? Mulder: Não. Tramell: Não vive, então! – concluiu, provocativa. Mulder: Viver não pode ser resumido em fumar e beber, Srta. Tramell – ele devolveu-lhe, com voz calma e pausada. Ela sorriu charmosamente, satisfeita com a resposta. Adorava ser contestada e desafiada. Olhava insistentemente pelo retrovisor do carro, mas notara que ele evitava olhá-la, procurando manter-se concentrado em dirigir. Estavam numa estrada asfaltada circundada por montanhas e verdes vales, a caminho da cidade. Desviou o olhar para a parceira dele, que tinha o olhar fixo no horizonte. Era uma mulher bonita, mas aparentemente não muito sociável, concluiu. O motivo para o silêncio dela, Tramell descobriu segundos depois quando ao parar num sinal vermelho, ele estendeu a mão para tocar delicadamente a dela, pedindo a sua atenção. Ela desviou o olhar da rua para ele. Estava magoada, chateada. Psicóloga formada que era, além da evidência do motivo, imaginava que o relacionamento deles era muito além do que uma simples parceria de trabalho. DELEGACIA DE NY 11:12H Três policiais, o delegado, Mulder e Scully encontravam-se numa sala iluminada com a suspeita sentada numa cadeira a frente deles. Ela abriu a cigarreta e retirou de lá, outro cigarro. Acendeu o isqueiro, levando-o em direção aos lábios para acender o cigarro. Delegado: Não pode fumar aqui, Srta. Tramell – interceptou. Tramell: Vai me processar por fumar? – foi a pergunta irônica que ela dirigiu-lhe, parando antes de acendê-lo. Não esperou resposta. Acendeu o cigarro e deu um longo trago. Fazia isso com extrema graça e desenvoltura. Delegado: Há quanto tempo conhecia o Sr. Johnny Boz? Tramell: Há um ano e meio. Delegado: Usa drogas? Tramell: Uso. Policial 1: Usava com o Sr. Boz? Tramell: Naturalmente! Delegado: Qual seu relacionamento com ele? Tramell: Transávamos freqüentemente. E não o matei. Mulder: Com que freqüência você o via? – ele manifestou-se, ignorando parte do último comentário. Tramell: Quer saber se eu transava com ele todos os dias? – perguntou, desafiadora - Não, mas o via com alguma freqüência. O Johnny era bom de cama e eu gostava de estar com ele – concluiu, fitando-o intensamente. Delegado: Você é adepta do sadomasoquismo? Tramell: Refere-se ao lenço de seda encontrado na cena do crime? Não. Johnny gostava de usar as mãos e eu gostava que ele as usasse... Acho que já lhe disse isso, não foi, Agente Mulder?! – voltou-se para ele insinuante, balançando a perna cruzada sobre a outra. Ela fitou Mulder, descruzou as pernas, afastando-as à boa distância uma da outra, revelando a ausência da roupa íntima, e os pêlos claros sob o vestido. Cruzou novamente as pernas, voltando a balançá-las, sem pudor. Mulder empertigou-se, desconcertado. De pé, atrás de Scully que estava sentada, ele apertou nervosamente as mãos, cerrando os punhos atrás de si. Ficara claro a intenção dela em relação a Mulder, e Scully precisava buscar o último fio de paciência para não explodir. Por dentro, latejava, como uma bomba. A vontade que teve foi de levantar-se e sair dali. Gostaria de ter de volta os Arquivos X, estar em qualquer outro lugar com Mulder que não ali, que não tendo de suportar aquela mulher insinuante. Com aparente calma, levantou-se e apanhou um livro de cima da mesa no centro da sala jogando-o em seu colo. Scully: Já que diz que não o matou, então me diga como conseguiu descrever a cena do assassinato tão bem no seu livro. Tramell: Não o matei, já disse. Eu teria de ser muito idiota para matar exatamente como descrevo no meu livro. Estaria assinando uma confissão. Scully: Esse é o seu álibi, Srta. Tramell – disse-lhe, enervando-se e deixando a sala. Mulder a seguiu, dando passadas largas para, sem dificuldade, alcançá-la. Segurou o seu braço, obrigando-a a parar e olhá-lo. Mulder: Espere, Scully. Você está bem? Ela suspirou exasperada e colocou as mãos na cintura. Scully: Mulder, essa mulher matou o roqueiro, isso tá evidente! Temos que procurar derrubar o álibi dela. Mulder: Talvez não tenha sido ela, Scully. Ela está certa. Seria assinar uma confissão. Scully: Quem está assinando uma confissão é você. Está enfeitiçado por um par de pernas bonitas – acusou-o, dando-lhe as costas. Ele a viu empurrar a porta da delegacia com força e sair a passos duros. Suspirou, passando as mãos pelos cabelos, seguindo para fora também. HILTON HOTEL 21:50H O quarto estava mergulhado na penumbra quebrada apenas pela fraca luz dourada do abajur. Ela demorava mais que o normal no banheiro e estava impaciente. Precisava conversar. Mas dizer o quê? Que a mulher não o havia afetado? Que não havia se impressionado? Estaria mentindo se dissesse que ficara imune ao charme e ousadia de Katherine Tramell. Finalmente, ela voltou ao quarto, vestida num pijama de seda azul- turquesa. Ele afastou-se, levantando o lençol para que ela pudesse acomodar-se a seu lado. Sem olhá-lo, deitou-se, aceitando que a cobrisse com carinho, mas virando-se de costas com as mãos unidas encostadas no rosto em posição quase fetal. Ele a contemplou por alguns segundos antes de circundar os braços em torno do corpo pequeno, trazendo-a para junto de si e beijando-lhe os cabelos. Mulder: Desculpe por hoje, Scully. Se a magoei, saiba que não tive a intenção. Scully: Você já pensou se gosta mesmo de mim, Mulder? – sua voz era cortante. Mulder: Nunca tive dúvidas disso. Scully: E agora não está tendo? Acho que se acostumou comigo. Mulder: Não sou mais um adolescente que não sabe o que quer. Tenho muita consciência do que sou e principalmente do que quero. E sabe que quero você, sempre você... – ele apertou o abraço, aspirando-lhe o perfume dos cabelos. Ela calou-se, sentindo que a mão dele insinuava-se para dentro da camisa de seu pijama, ao mesmo tempo em que os lábios carnudos deslizavam sensualmente por seu pescoço, buscando famintos os seus. Empertigou-se ao sentir a mão dele amassando o seu seio de uma forma que ele nunca tinha feito. Ele a virou de frente para si, desabotoando-lhe, apressado, a camisa. Scully não resistia em passear com as mãos espalmadas pelo torso nu e bem definido dele. Sentiu o vento frio, vindo da janela aberta, sobre o seu colo e barriga, agora desnudos, diante dele. Ele traçou um caminho imaginário com as mãos usando o dedo indicador para contornar e brincar com os mamilos intumescidos. Essa mão continuou a exploração e o seu caminho ansiando alcançar a sua púbis. Scully prendeu a respiração ao sentir dedos movimentando-se dentro de si. Ela o apertou mais contra si, ajudando-o a livrá-la da calça do pijama. O espelho no alto do teto do quarto escolhido a dedo por Mulder, era testemunha daquele amor latente entre os dois amantes. Entregavam-se a troca de carícias e união de corpos, saciando-se mutuamente. 08:54H Ele estacionou o carro diante da casa de praia da Srta. Tramell. O vento esvoaçava os seus cabelos, desalinhando-os, conferindo-lhe um ar quase infantil. Os óculos escuros quebravam esse adjetivo dando-lhe a real aparência máscula e misteriosa. Aproximou-se da campainha e a tocou, sendo atendido por uma senhora forte, de pele escura e cabelos encaracolados que o convidou a entrar enquanto chamaria a sua patroa. Andou displicentemente, descendo outro pequeno lance de escadas até uma saleta marfim onde havia um computador, impressora e diversas folhas de papel A-4, empilhadas no canto da mesa. Aproximou-se discretamente e leu o conteúdo delas. "Ele sabia que enlouqueceria se não satisfizesse o desejo latente por aquela mulher. Mas, preocupado em manter escondido do Órgão Federal para o qual trabalhava, aquele relacionamento conturbado, precisava eliminar a única pessoa que o colocaria em perigo... Ela... A mulher que achava conhecê-lo." Tramell: Estou terminando o meu livro. Ela o surpreendeu, fazendo-o virar-se desconcertado para a principal suspeita do assassinato do Sr. Boz. Katherine Tramell usava um vestido florido curto, com botões na frente, e estava descalça. Mulder: Qual é o final? Tramell: Ainda não terminei, Agente Mulder. Os personagens conduzem o escritor. Mulder: Então, eles a conduziram a matar novamente? – não resistiu e perguntou, estendendo-lhe um outro livro de autoria da mulher. Tramell: Me pergunta se matei os meus pais??? – disse, após reconhecer o livro nas mãos deles. Mulder: Matou? Tramell: Não. Eles morreram num acidente. O barco em que estavam explodiu devido a um vazamento de combustível. Eu estava na universidade semi- interna quando isto aconteceu. Mulder: E esse seu novo livro? Sobre o que é? Tramell: Um agente do FBI que mata a sua colega para ficar com a amante. Mulder ficou pouco à vontade com a sinopse do livro, e mais ainda com a expressão no rosto da mulher ao dizer-lhe isso. Ela aproximou-se, lânguida. O balanço de seus quadris conferiam-lhe uma aparência naturalmente sexy e sensual. Aproximou seus lábios dos dele, sentindo a respiração morna. Contornou o corpo de Mulder sem afastar os lábios da proximidade de centímetros que estabelecera entre eles. Tramell: Não jogue este jogo, Agente Mulder. É muito elaborado para você – avisou, com voz rouca. Os olhos dele estavam fixos nos lábios convidativos dela, próximos aos seus. Ela espalmou as mãos em seus ombros, encaixando-se entre seus braços e o empurrou chocando-o contra a parede. Sentiu a sua respiração entrecortada e tomou-lhe os lábios com ardor e desespero, colando o corpo nele. As mãos de ambos travavam uma batalha frenética, onde procuravam encaixar-se, acariciar os menores espaços de seus corpos. As mãos dele repousaram nas nádegas firmes, apertando-as contra a sua ereção. Ela jogou a cabeça para trás, recebendo mordidas, beijos, sentindo a língua quente percorrendo o pescoço alvo e macio. Ele deixou de segurá-la, procurando os botões do vestido, e o abriu com violência, arrancando-os, os quais voaram longe, ecoando o barulho deles pelo piso de mármore. Ela levantou a perna esquerda e arqueou o corpo para trás, oferecendo a seus lábios os seios médios e rijos que foram tomados pela boca sedenta. De repente o sentiu segurando com força os seus braços e o viu afastá-la bruscamente como se o corpo dela o queimasse. Ofegante, ele tinha os olhos arregalados pousados nela. Estava assustado muito mais com a reação instintivamente animal dele do que propriamente com a já esperada ousadia dela. A atitude dele, selvagem, é que era estranha. Embora gostasse, desejasse, ainda assim, não estava acostumado com tamanha irracionalidade. Mulder nunca sentira algo assim. Jamais tratara uma mulher com tanta selvageria. Ela despertava o seu pior lado. Um lado que desconhecia. Apanhou o livro que caíra no chão no momento em que fora atacado e saiu sem encará-la. Desse modo, não pôde ver o sorriso de pura satisfação, misturada a ansiedade e excitação que ela mantinha em seu rosto. HOTEL HILTON 10:48H Mulder encontrou a parceira na frente do laptop, sentada num conjunto de cadeiras de jardim, acomodada na sacada do quarto do hotel. Ele aproximou-se, estendeu a mão para puxar sem dificuldade a pesada cadeira de ferro e colocar-se ao lado dela. Abriu os braços e a agarrou urgente, apertando o corpo pequeno contra o seu. Depositou ligeiros beijos por toda a extensão de seu rosto. Ela fechou os olhos, deliciando-se com os beijinhos carinhosos e com o abraço apertado que recebia. No entanto, aquela atitude a deixou desconfiada e decidida a indagar o motivo, ela desvencilhou- se dele, lentamente, fixando-o inquisidora. Ele lançou-lhe um sorriso maroto, indulgente. O sorriso que o fazia rejuvenescer vinte anos, que conservava a sua expressão infantil, e que ela tanto gostava. Sentiu as mãos firmes acariciando a sua bochecha e viu os seus olhos carinhosos. Mulder: O que você está fazendo? – perguntou, sorrindo-lhe docemente. Scully: Investigando a Srta. Tramell. Sabia que ela escreveu um livro onde descreve o modo como os pais foram mortos? Mulder: Eu sei. Seus olhos arregalaram-se rapidamente, mais indagadores que nunca. Scully: Como sabe? Mulder: Este livro foi deixado na recepção do hotel para nós. Hoje de manhã, quando desci para ir até a delegacia, me foi entregue – disse, estendendo-lhe o livro. Ela o tomou de sua mão e o abriu, lendo algumas páginas aleatoriamente. Mulder: Então, decidi ir até a casa dela para inquirir sobre isso. Ela baixou os olhos, insatisfeita com o que ouviu, mas controlando-se para não deixar transparecer, embora soubesse ser praticamente impossível diante de uma pessoa que a conhecia tão bem. Porém, sabia que ele percebera. Scully : E o que descobriu? Mulder: Que ela continua negando a autoria das mortes... Scully: E esperava que ela o confessasse? – ela o interrompeu, brusca e irônica. Mulder: ... e que tem os hormônios super ativados – finalizou cautelosamente, ignorando o comentário anterior. Scully empertigou-se. Afastou-o gentilmente, virando-se sentada ao lado oposto dele, dando-lhe as costas com o olhar perdido na paisagem da sacada. Mulder contornou o corpo dela e parou novamente a sua frente, no espaço exíguo entre ela e o balaústre. Tomou o rosto bonito entre as mãos, obrigando-a a encará-lo. Mulder: Não vou mentir pra você, Scully. Eu me afeto, me impressiono, me excito... Mas não é ela, e sim, a ousadia, o jeito como ela conduz... você sabe o quê? Isso é novo pra mim, totalmente novo. Eu gostaria imensamente se fosse com você... só com você... só por um momento. Calou-se esperando alguma reação dela, que não veio. Percebeu que ela tentava conter a muito custo as lágrimas que teimavam em querer cair. Ela desviou os olhos dele, evitando encará-lo. Scully: Está insatisfeito comigo, Mulder? Mulder: Não. Com certeza não, Scully. Só propus que tentássemos – ele deslocou o seu rosto obrigando-a novamente a encará-lo - Mas se você não se sentir à vontade, não tem problema. Não vou deixar de amá- la por isso. Gosto de você como é: calma, segura, carinhosa... linda! Nunca duvide disso – afirmou, convicto. Ele tomou os seus lábios, invadindo-a com a língua morna, num beijo gentil e carinhoso, para ratificar as palavras proferidas. ISLAND DANCE 01:46H O lugar estava apinhado de gente. Pessoas dos mais diversos tipos, com estilos diferentes em se vestir, comportamentos diversos. Alguns mais fechados, outros mais à vontade... Bem mais. Scully circulava pelo ambiente num vestido brilhoso de alças finas, ajustado em seu corpo, o qual chegava logo abaixo das suas coxas. Kersh os instruíra a seguir Katherine Tramell, chamando o mínimo de atenção possível a sua volta. Isso queria dizer que não poderia ir até uma boite nos trajes formais usados no seu dia-a-dia de agente do Bureau. Agora, naquela boite, no encalço da mulher, ela tinha Mulder seguindo-a às suas costas. Eles pararam no corredor da pista de dança e movimentavam-se discretamente destoante do ritmo frenético da música techno. Katherine Tramell encontrava-se no meio da pista de dança, acompanhada de uma mulher e dois homens. Os movimentos ritmados pendiam a sua roupa, cujo decote da frente-única alargava-se, desnudando-lhe o colo e os seios perfeitos. Não se importava em mostrá-los, não tinha pudor, e os freqüentadores a sua volta demonstravam o mesmo tipo de comportamento. Ela não vira os agentes, imersa que estava na música da boite. Tramell, de repente, parou de dançar e dirigiu-se ao banheiro dos homens. Mulder sinalizou à Scully que iria atrás dela e se afastou. Ela aproximou-se do balcão, pedindo em vão que o extremamente solicitado barman pudesse percebê-la e, posteriormente, atendê-la. Sentiu um braço forte e musculoso segurando-lhe a cintura, gentilmente. Um homem de boa aparência, mas muitíssimo mal-intencionado, como ela pôde perceber em seu rosto, a interceptou, levantando a mão para chamar a atenção do barman, que percebeu e veio prontamente atendê-lo. - Por favor, um whisky pra moça aqui e outro pra mim – pediu, sem desviar os olhos maliciosos dela. Scully: Obrigada, mas acho que já bebi demais. Por favor, não quero – disse, tentando ser o mais gentil possível. - Beba mais esse... Só para me acompanhar... – insistiu. Lembrando do aviso de Kersh e que o próprio Mulder concordara, em não chamar a atenção, aceitou. - Você está sozinha? Nenhuma mulher linda como você permanece tanto tempo sozinha. Nem por aqui, e estou certo que em nenhum outro lugar. Scully: Na verdade, estou acompanhada – confessou, aceitando o drinque que o barman entregava-lhe. - E onde ele está? Scully: Teve de sair, mas não vai demorar – avisou, tencionando despachar o estranho. - Não se importa em me fazer companhia enquanto ele não vem, não é? – perguntou, deslocando-se para trás dela. Ele segurou a sua cintura que cabia com folga nas mãos grandes. Levou uma mão até seu queixo, obrigando-a a encará-lo. Afastou a outra mão, cuidadoso, apanhando um frasco do bolso. Ele aproximou os lábios dos dela, beijando-lhe quase sem tocá-los enquanto despejava o conteúdo do vidro no copo sem que ela tivesse percebido. Scully encontrava-se num beco sem saída. Não queria o contato com aquele estranho, mas receava que se evitasse, o aborrecesse e aí sim, conseguisse toda atenção voltada pra si. Seu corpo retesou, repudiando a atitude do homem. Seus lábios não se moviam, relutando em corresponder. Pra sua sorte, o beijo recebido foi leve, apenas um roçar dos lábios dele sobre os seus. Ao afastarem-se, ela evitou encará-lo, olhando, desconfortável, a todo o instante em direção aos banheiros, ansiando que Mulder voltasse logo. Estava nervosa e lutando contra as mãos trêmulas, apanhou o copo, sorvendo um bom gole do líquido de fogo, que queimou-lhe a garganta, mas que disfarçou a sensação, agora encarando e sorrindo desconcertadamente para o homem a sua frente. Mulder seguiu discretamente Tramell. Entrou no banheiro masculino, reparando na grande quantidade de pessoas bêbadas e casais agarrando-se, quase praticando sexo explícito. Ignorou todos e voltou a sua atenção para a mulher. Caminhou olhando para dentro de cada um dos exíguos lugares onde abrigava o vaso sanitário. Parou em frente a um onde um homem de pele escura estava sentado em cima da tampa abaixada do vaso sanitário, tendo Tramell sentada de frente para ele em seu colo. Outro homem, branco, segurava algo, enquanto a língua ávida passeava por sobre o papelote, sugando com prazer. O homem sentado colocou as mãos nas coxas dela deslizando-as até sua cintura, levantando-lhe o curto vestido, onde à mostra ficou a calcinha de renda preta, minúscula. Ela fechou os olhos quando sentiu os lábios do "amigo" percorrendo o seu pescoço. Arqueou a cabeça para trás, deparando-se com Mulder parado em frente a porta do banheiro a média distância. Sorriu maliciosa, deliciando-se com a situação. Ela passeou a língua por seus lábios, umedecendo-os sensualmente, com os olhos fixos nele, emitindo gemidos prazerosos. Scully sentia a sua cabeça girar lentamente. De repente, todo o seu pudor e seriedade já não faziam mais sentido. Sentia-se bem, corajosa, destemida... determinada mais que nunca. Olhou novamente em direção ao banheiro, reprimindo um arremedo de sorriso que quisera se formar em seu semblante. Avistou Mulder vindo em sua direção. Alisou o vestido no corpo e aproximou-se dele. Sob o olhar de aprovação do estranho ela o abraçou, alongando o corpo para alcançar-lhe a boca. Beijou-o sedenta de paixão, apertando-o contra o seu corpo. Mulder, mesmo curioso, correspondeu ao beijo, sem hesitar, com igual ardor, levantando-a do chão num abraço apertado. Os lábios deles, ávidos, procuravam um ao outro. Suas línguas travavam uma batalha voraz... exigentes e sensuais. Ele deslizou o corpo dela sobre o seu, lentamente, recolocando-a novamente ao chão, cessando o beijo. Ofegante, procurava algum resquício de explicação para tal atitude, mas o que viu em seus olhos, roubou-lhe o fôlego: o mais puro desejo manifestado sem reservas. Tramell voltou a pista de dança de mãos dadas com o mesmo homem que Mulder vira minutos antes no banheiro. Ela parou no centro e guiou as mãos dele por seu corpo, movimentando-se sensualmente ao ritmo contagiante da música que tocava. As mãos do homem deslizavam por seu estômago enquanto ele acariciava o seu pescoço com os lábios. Ela rebolava os quadris freneticamente, roçando as nádegas na ereção dele. O homem deslizou as mãos, abrindo o decote do vestido, desnudando-lhe os seios que foram tomados por mãos urgentes, esmagando-os gentilmente. Ela alternava, olhos fechados - lábios entreabertos - gemidos sensuais - olhos reabertos... fixos nele, provocando-o. Scully indignou-se com a ousadia. Segurou Mulder pela mão e, decidida, o arrastou para o meio da pista de dança ficando a alguns passos a frente do casal. Ela posicionou as mãos dele sobre o seu quadril, remexendo-se instintivamente no ritmo da música. Mantinha os olhos fixos em Tramell, demonstrando claramente quem era dona da situação no que dizia respeito à Mulder. Ele não sabia como agir. A situação era sem dúvida nova pra ele. O comportamento de Scully o deixou surpreso, embora ansiasse tal como um homem ansiava por água no deserto do Saara. Ele a amparou com as mãos em sua cintura. Scully estava exigente e o abraçou por trás, segurando-lhe as nádegas, apertando-as de encontro a si, incitando-o a corresponder. Olhava fixo para a ousada mulher, mordendo sensualmente os lábios, reprimindo os sons que insistiam em ser emitidos por sua garganta. Ele a agarrou por trás, envolvendo-lhe completamente sua cintura e beijou-lhe o pescoço, deslizando a língua por toda a sua extensão. Os movimentos que ela fazia de encontro a seu corpo, comprimindo a sua ereção, o estava enlouquecendo-o. Tornava-se cada vez mais difícil manter-se alheio às atitudes da parceira. No entanto, imaginava que ela bebera muito whisky no curto espaço de tempo que a deixara só. Embora desejasse mais que nunca levantar-lhe o vestido e beijar corpo pequeno, mas curvilíneo e sensual, mesmo em um local público, onde o seu desejo latente não seria julgado, precisava controlar-se. Não seria sensato e nem honesto aproveitar-se de tal situação. Isso ele jamais faria. Principalmente com ela. Interrompeu a dança, segurou-lhe gentil pelo braço e a conduziu para fora da pista de dança. Olhou para baixo procurando o rosto dela encontrando um sorriso contraditoriamente inocente, mas apaixonado. Ela cambaleou e parou bruscamente, mantendo-se imóvel, tentando recuperar o equilíbrio. Inclinou-se para tirar os sapatos de salto muito altos que impediam-lhe de andar firmemente, e recomeçou a andar. Mulder viu que, mesmo sem os sapatos, ela continuava sentindo uma grande dificuldade em caminhar esbarrando, por diversas vezes, seu corpo contra o dele. Tomou os sapatos das mãos dela, inclinou-se, passando o braço sob as suas pernas e a carregou. Com ela, adormecida instantaneamente em seu braços, rumou para o carro estacionado à poucos metros dali. 09:45H Parado no centro do escritório de Tramell, o ambiente com mármore branco onde já estivera anteriormente, ele mantinha as mãos nos bolsos, nervoso, alerta... Caminhou até uma estante no fundo da sala e percorreu os olhos pelos diversos livros guardados lá. Nenhum era de autoria dela. Não soubera explicar o que fazia ali, na casa dela... Nem deveria estar ali, essa era a verdade, mas algo muito mais forte o atraía naquela direção. Precisava descobrir o que era, embora já tivesse uma vaga idéia do que seria. Sentiu uma presença atrás de si e virou-se para constatar a figura bela de Katherine Tramell, vestida apenas com um suéter de linha na cor terra, de mangas largas estilo ¾ e comprimento logo abaixo de seus quadris, evidenciando as coxas magras e torneadas. Ele pôde notar que ela não usava sutiã pelo modo como a blusa moldava-lhe os seios, quase como uma segunda pele, que balançaram convidativos quando ela desceu as escadas e diminuiu a distância entre eles. Tramell: Nem me importo de ter sido acordada tão cedo se o meu visitante for você – disse, com um leve sorriso. Mulder: Srta. Tramell, desculpa acordá-la tão cedo, mas é que... – ele ignorou o comentário malicioso. Tramell: Já disse que não me importo, Agente Mulder... Posso chamá-lo de Fox? – ela o interrompeu, aproximando-se dele. Mulder: Não, não gosto do meu nome – confessou, sorrindo desconcertado. Não devia dizer isso, pensou. Era só pedir a ela o que queria e ir embora. Não deveria estabelecer nenhum tipo de intimidade entre eles. Tramell: Como gosta de ser chamado, então? Mulder? Mulder: Sim – respondeu rápido tencionando cessar aquela intimidade - Srta. Tramell, poderia me dar uma cópia do seu último romance? Tramell: Sobre o Agente do FBI que mata a parceira? Ainda não o mandei para a editora. Mulder: Entendo. Ela diminuiu a distância entre eles para milímetros, onde suas bocas estavam tão próximas que podiam sentir o hálito morno um do outro. Ela elevou as mãos apoiando-as, espalmadas, no peito dele, sem nunca deixar de encará-lo. Inclinou-se para frente, beijando-lhe levemente os lábios. Tramell: Mas posso lhe mostrar tudo, Mulder... Nos mínimos detalhes. Mulder ofegou diante da insinuação maliciosa. Segurou-a pela cintura, puxando-a para si e tomando-lhe a boca, sedento de paixão. O beijo que trocaram não foi gentil, terno, e sim, desesperado, tomado pela luxúria de seus corpos. Ela o puxou em direção a escada de poucos degraus atrás de si. Girou o corpo e o fez sentar-se nela. De pé, tirou rápido o suéter, onde seu corpo ficou inteiramente desnudo diante dele. Sentou-se em seu colo, segurando-lhe a cabeça para guiá-lo até seus seios. Mulder os tomou com sede, urgência, mordendo-os, esmagando-os com suas mãos, beliscando-os fortemente com a ponta dos dedos, ouvindo dela gemidos que misturavam dor e prazer. Ela arqueou o corpo inteiro para trás, onde ele a mantinha segura pela cintura com seus braços envolvendo-a por completo, e sentiu a língua quente passeando por sua barriga, em carícias eróticas. Ele beijava o corpo perfeito da mulher, enlouquecido. Ansiava tanto por aquele momento, um momento de pura selvageria, um momento onde podia liberar seus instintos mais primitivos, que chegava-lhe a doer. Voltou a beijá-la na boca. No entanto, aqueles eram lábios estranhos, língua desconhecida e como que por encanto, toda a empolgação foi por água a baixo. Olhou para Katherine assustado com seu próprio comportamento. Aquela era Katherine, mas não a sua Katherine. A mulher sentada, nua, em seu colo era Katherine Tramell, uma psicóloga formada, suspeita de vários assassinatos, extremamente bela, mas apenas mais uma mulher, uma desconhecida. A mulher que tivera nos braços ontem, de um modo diferente, que reinvidicara a sua posse, o seu amor, era a Katherine que importa, a mulher que o fazia perder a razão, a mulher que ama mais que à si mesmo: Dana Katherine Scully. Ele a segurou rude pelos braços para obrigá-la a cessar os beijos famintos que dava em seu rosto, e a fez sair de seu colo, levantando-se também. Evitou encará-la, confuso e atordoado pelo o que acontecera. Tramell: Mulder, não quer saber porque eu ainda não publiquei esse livro, e não vou publicá-lo? – perguntou com voz doce e gentil. Diante da atitude dele em manter-se de costas pra ela com as mãos na cintura, sem saber o que fazer, o que pensar, aproximou-se, tocando-lhe e beijando-lhe os ombros, carinhosamente, atitude esta que provocou uma reação imediata dele, abaixando-se para apanhar o suéter jogado ao chão e entregá-lo, sem se virar, na direção dela. Mulder: Vista-se, por favor! Tramell: Não quer saber porquê? Por favor, me escute! – sua voz saiu embargada pela emoção, lutando contra as lágrimas. Ela insistiu em aproximar-se, mas foi impedida pelo braço estendido dele que a afastou gentilmente. Tão rápido quanto tudo aconteceu entre eles, ele saiu sem olhar pra trás e sem dizer uma única palavra a mais. HILTON HOTEL 11:58H Seus olhos azuis abriram-se lentamente encontrando os risonhos de seu parceiro. Um tímido sorriso povoou o seu rosto. Mulder: Bom dia, dorminhoca! Pedi que trouxessem o seu café – informou, devolvendo-lhe um sorriso apaixonado, e apontando-lhe a bandeja com suco, torradas e frutas. Ela alongou o corpo, espreguiçando-se. Seus músculos estalaram e ela fez uma careta descontente diante de tal situação. Scully: Bom dia, Mulder. O que aconteceu ontem à noite? Mulder: Não se lembra? Scully: Lembro da abordagem de um homem, logo depois que você saiu para seguir a Srta. Tramell. Mulder: Não lembra de ter me visto voltar? Scully: Não. Acordei aqui, já de manhã. Porque? Ele silenciou decidido a não tecer nenhum comentário sobre o comportamento dela da noite anterior, que nem havia sido tão recriminador assim, em sua opinião. Ao contrário, fora maravilhoso. Sorriu indulgente e acariciou-lhe as bochechas. Mulder: Por nada. Tome o seu café – pediu, apanhando a bandeja e colocando no colo dela. Scully: Aconteceu algo ontem que eu não deva saber? Mulder: Não. Os livros da Srta. Tramell foram recolhidos das prateleiras de todas as livrarias do país – desconversou. Scully: Porquê? Mulder: Eu não sei. Temos de voltar à Washington e resgatar o livro que Kersh detém. Ele é a nossa única prova. Scully: E também é o único álibi que ela tem – ela o lembrou. Mulder: Sim, eu sei. Temos de voltar lá, Scully! Scully: Eu vou, Mulder. Você fica aqui e continua investigando a Srta. Katherine Tramell. Mulder: Não, eu vou com você! Ela o olhou sem entender, mas assentiu sem contestar. WASHIGTON D.C 16:37H - O Diretor Kersh está numa reunião, Agente Mulder, mas... Ela, atrapalhada, passou pela sala principal, conduzindo-os à uma sala anexa. Nela havia uma infinidade de livros dispostos em várias estantes e outros tantos em cima da mesa escura de mogno no centro do ambiente. - Não posso ficar aqui. O Diretor precisa de mim na reunião, portanto, peguem o livro e fechem a porta ao sair. Dizendo isso, ela saiu apressada, fechando a porta atrás de si e apanhando uma pilha de papéis ao passar por sua mesa. Scully: Não podemos acusá-la somente com um livro como prova, Mulder. Precisamos de algo mais... palpável! Diante do silêncio às suas costas, ela virou-se em direção ao parceiro, mas foi arremessada bruscamente de frente à estante, fazendo que alguns poucos livros caíssem ao chão. Mulder agarrou a sua cintura e depositou beijos urgentes, sedentos por seu ombro e pescoço, mordendo a carne macia. Suas mãos passearam sobre o estômago dela, insinuando-se por baixo da camiseta branca de tricoline. Scully: Mulder, o que está fazendo? – perguntou, ofegante, tentando olhar para ele, atrás de si, mas sem sucesso. Ele a apertou contra seu corpo, inclinando o tronco para frente, procurando-lhe, ávido, os lábios carnudos. Suas mãos desciam e subiam, ansiosas, pelo corpo dela, incertas sobre onde tocar primeiro. Ele a manteve presa em seus braços, sem a mínima intenção de soltá- la. A língua quente a invadiu, insinuante e sensual, decidida e despudorada, ao mesmo tempo em que ele a soltou hesitante, mesmo que fosse somente para girá-la de frente a si, sem cessar o beijo desesperado. Scully: Por favor, aqui não... Estamos na sala do Kersh... Mulder... Ele ignorou os fracos protestos, agarrando a sua cintura e empurrando-a para a mesa. Segurou as suas coxas, a levantou e a fez sentar. Afastou as pernas dela e colocou-se entre elas, puxando-a pelos quadris para colar o corpo tão desejado ao dele. Com o movimento, a saia subiu indo parar nos quadris, deixando à mostra a calcinha branca de algodão. Ele ofegava muito e tinha a certeza que as batidas enlouquecidas de seu coração poderiam ser ouvidas através da porta fechada, pelos corredores do Bureau. Levantou mais a saia dela, afastando-se ligeiramente e descobrindo a barriga alva e firme. Ele a puxou de volta pra si, envolvendo-lhe completamente as costas com seus braços fortes, beijando-a novamente, completamente enlouquecido de desejo. Não estava conseguindo se conter mais. A atitude decidida dela, a malícia e a inocência de seu olhar, noite passada, na boite, não lhe saíam da cabeça. Não soube dizer o que o fizera segurar-se para não agarrá-la. Talvez a sua honestidade, a sua integridade o ajudaram a não aproveitar- se da situação. Se bem que, no fundo, achava que ela não se importaria. Nem depois que o efeito do whisky, que sentira em seu hálito, passasse. Mulder estava louco. Completamente. Não avaliava o perigo que corriam, beijando-se e agarrando-se na sala anexa à principal do Kersh. A comunicação entre os dois ambientes era nada mais, nada menos que uma porta... sem porta. À qualquer momento, a reunião poderia acabar, ele poderia entrar, o flagrante aconteceria e a resultado mais óbvio seria a expulsão do FBI. Isso sem contar o iminente processo que responderiam por não manterem a conduta ética e moral no ambiente de trabalho. Todos esses pensamentos racionais passavam por sua cabeça, mas seu corpo recusava-se a segui-los. Ao mesmo tempo em que temia ser pega, desejava ser tocada. Nunca pensara que uma situação de perigo lhe fosse tão atraente, mesmo que temida. Arqueou a cabeça para trás, permitindo-lhe que beijasse o seu pescoço. Arrepios percorreram seu corpo em chamas e ela elevou as mãos desabotoando o primeiro botão de sua camisa, num mudo convite para ele continuar o resto. No entanto, tal era a urgência de seu desejo, Mulder abriu-lhe bruscamente a blusa, rasgando-a, arrebentando os botões que caíram silenciosos sobre o chão acarpetado, evidenciando o sutiã de cetim e renda, branco. Seu coração batia freneticamente dando-lhe a impressão de que ele podia ver através de seu peito a pulsação acelerada. Mulder prendeu a respiração diante da visão deslumbrante do olhar que ele adorava em Scully, um olhar que só ela sabia dar. O melhor dele é que era involuntário, inadvertido. A sensualidade, a inocência e principalmente o desejo neles o enlouquecia mais ainda. Temia machucá-la se não conseguisse conter as ondas elétricas e os impulsos que moviam o seu corpo. Ele voltou a beijá-la, amparando o seu corpo, livrando-a do incômodo blazer negro e afastando mais o agora generoso decote que se formara na blusa rasgada. Desceu as alças do sutiã, depositando beijos molhados por seus ombros, colo, até chegar aos seios e toma-los com sua boca ávida e sedenta, sugando-os, mordendo-os delicadamente, beliscando-os com os dentes, puxando-os levemente e alternando com a língua morna que rodeava- lhe os mamilos túrgidos. Estava tornando-se difícil para ela sufocar os gemidos de prazer, instintivamente emitidos. Mordeu o dedo indicador flexionado usando-o como ajuda para conter as ondas de prazer, enquanto a outra acariciava os cabelos escuros. As mãos dele travavam uma batalha ferrenha contra a sua calcinha que relutava em deixar seu corpo. Tentava levantar os quadris para ajudá-lo, mas ele estava totalmente inclinado sobre ela, com o seu peso funcionando como um muro de concreto. Desse modo, sentiu na sua pele o estalo do elástico sendo arrebentado e a área formigando, dolorida. Ela não conseguiu conter o gemido que escapou de seus lábios sem aviso. Seu senso racional já havia abandonado-a há muito tempo. Não conseguia mais raciocinar e pensar com clareza como nem sempre conseguia fazer quando estavam assim, tão próximos um do outro. Ao contrário disso, ela afastou mais as pernas encaixando-se nele, ansiosa, apressada. Ele estava maravilhado, excitadíssimo. Ela não percebia que esse tipo de comportamento que adquiria ao fazerem amor, muito o excitava. Ele também adorava isso nela: correspondia usando os seus instintos, dando liberdade aos movimentos naturais de seu corpo que obedecia o comando de seu desejo, de sua luxúria... Rapidamente, percebendo que estava desigual já que continuava completamente vestido, ele desceu o zíper de sua calça, a segurou pelos quadris e a penetrou urgente, sôfrego, apressado. Tentou deitá-la na mesa, mas ela recusou-se a afastar-se, apertando o abraço, colando o corpo ao dele. Ele reagiu, apertando-a mais contra si, envolvendo-lhe a cintura e movimentando-se dentro dela. Seus corpos esbarravam-se, chocavam-se um contra o outro numa competição nem tão silenciosa em busca do prazer. Ela apoiou a cabeça em seu ombro, mordendo-o, umedecendo-o com a língua. Os movimentos que ele fazia nela tornaram-se mais rápidos e ritmados. Roçou os dentes no ombro dele e o mordeu com força quando ele investiu um profundo golpe dentro dela, gemendo alto e fazendo, ela própria, gemer com a mesma intensidade. Lentamente os movimentos foram tornando-se mais lentos até cessarem. Ele afrouxou o abraço tentando recuperar a respiração regular e apoiou as mãos em cada um dos lados do corpo dela, apoiando sua cabeça no aconchego de seu peito oferecido-lhe carinhosamente. Aos poucos o fôlego de ambos se normalizou. Ele a abraçou, beijando-a, agora gentil, saboreando-lhe os lábios lentamente como diante de uma apreciada fruta exótica. Ela correspondeu igual até que a racionalidade viesse à tona e tomasse conta de sua mente novamente. Scully: Mulder, não devíamos ter feito isso... Meu Deus! – disse com voz entrecortada, enquanto lágrimas que não podiam ser contidas desciam livremente por seu rosto. Apesar da racionalidade comum dela, Mulder percebera que ela ainda não havia voltado ao seu estado normal. Mostrava-se frágil diante dele. O mais comum seria que reprimisse como sempre os seus sentimentos. Mesmo agora, juntos, ela ainda não conseguia abrir-se completamente. Prometera a si mesmo ser paciente e esperar até que não mais se fechasse como uma concha. Ele beijou a gota cristal que descia pelo rosto bonito, sentindo o gosto salgado em seu paladar. Mulder: Não diga isso. Está arrependida? – perguntou com voz doce e sôfrega. Scully: É isso o que me preocupa, Mulder. Não estou arrependida. Deveria estar, mas não estou – confessou, encarando-o com olhos brilhantes e marejados de emoção. Ele a estreitou nos braços, sorrindo contente. Afastou-se dela e tomou seu rosto entre suas mãos. Mulder: Foi a melhor coisa que ouvi de você... Até agora – disse doce e gentil, arrancando dela um sorriso complacente. Ela o empurrou tentando descer da mesa. Mulder ajudou-a a ajeitar a saia amarrotada, a fechar sem sucesso a blusa rasgada e a vestir o blazer. Ela ajeitou os cabelos desalinhados, enquanto ele procurava em volta a calcinha arrebentada, encontrando-a embaixo da mesa. Agachou- se para pegá-la surpreendendo, de onde estava, passos fortes que pararam em frente a eles no limiar da porta do ambiente anexo, antes que ficasse novamente de pé. Kersh: Agentes Mulder e Scully o que fazem aqui? – a voz autoritária e grave de seu chefe ecoou pelo ambiente. Scully: Bem... senhor, viemos aqui atrás de um livro – respondeu uma Scully nervosa, com o corpo retesado e os braços em volta do corpo, segurando o blazer fechado, que escondia a blusa rasgada. Kersh: Que livro? Mulder, como um milagre, viu a sua frente, caído no chão, o livro que estavam procurando. Ele o pegou e tentando ser o mais discreto possível, enfiou a peça íntima da parceira no bolso da calça, movimento este que passou despercebido por Kersh. Mulder: Este livro, senhor – disse, levantando-se e mostrando o livro de Tramell nas mãos. Kersh: Hum... Soube que os livros dela foram recolhidos das prateleiras. Scully: Sim, senhor. Foi por isso que viemos aqui. Kersh: Certo. Podem ir. Mulder segurou o cotovelo de Scully, conduzindo-a para fora da sala. HILTON HOTEL 21:57H Já de volta à NY, Scully lia atentamente trechos do livro de Tramell. Chocou-se com tamanhos detalhes do crime cometido contra o Sr. Boz, descritos ali. O celular de Mulder tocou, à seu lado, interrompendo-lhe a leitura. Mulder: Atende pra mim, por favor – pediu do banheiro com voz fanhosa, cheia de espuma de pasta de dente. Scully: É do posto avançado do FBI em NY, Mulder – informou, em voz um pouco alta para ser ouvida. Ela o viu atender e escutar, atento, o interlocutor, alternando palavras de concordância. Mulder: Tudo bem, então não há mais nada a fazer aqui- disse e desligou. Scully: O que houve, Mulder? Mulder: Vamos voltar para Washington. Pedi ajuda do perito do posto avançado do FBI daqui da cidade para analisar melhor o laudo da perícia técnica do acidente com os pais da Srta. Tramell. Scully: E...??? Mulder: E a inspeção foi feita três vezes por três diferentes peritos, solicitados pela delegacia de polícia local que constataram que não houve tentativa de homicídio. A própria Srta. Tramell encontrava-se na universidade em que se formou, em Berkeley, quando tudo aconteceu. Scully: Mas e o Sr. Boz? Mulder: Os vizinhos afirmaram que a viram em casa no mesmo horário em que o roqueiro foi assassinado. Não há digitais na arma usada. Scully: Então, quer dizer que não temos como provar nada. Mulder: Não há provas de nada, Scully. Arrume-se, se não for incômodo pra você, quero voltar à Washington ainda hoje. Batidas na porta chamaram a atenção de ambos e ele conduziu Scully para o banheiro, procurando manter em sigilo o fato de que dividiam o mesmo quarto de hotel, embora reservassem sempre dois para não levantar suspeitas. Atendeu a porta e surpreendeu-se com Tramell encostada no batente dela. Tramell: Posso entrar? – perguntou diante do silêncio dele. Ele deu-lhe passagem, olhando disfarçadamente para a porta do banheiro com uma pequena fresta aberta e seu interior mergulhado na mais completa escuridão. Tramell parou no centro do quarto, mexendo nervosamente as mãos, sem saber por onde começar. Mulder: O que faz aqui, Srta. Tramell? – perguntou com voz baixa e gentil. Tramell: Por favor, me chame de Katherine – pediu, notando a relutância nos olhos dele em estabelecer maior intimidade - Assim eu fico mais à vontade – justificou. Mulder: Certo, Katherine. Tramell: Você não me deixou dizer porque não publiquei o livro, quando foi à minha casa hoje de manhã. Mulder: Não precisa me explicar. Isso não tem importância agora. Volto pra Washington hoje e seu caso foi arquivado. Tramell: Mas pra mim tem importância, só me escute, Mulder. Sabe que as suspeitas dos assassinatos cometidos recaem sobre mim por eu tê-los escritos em meus livros. Mulder: Já disse, Katherine, não precisa me explicar, não vamos acusá-la. Tramell: Não, por favor, escute-me – implorou-lhe - Foi assim com o caso de meus pais, com o do Johnny... – ela aproximou-se dele, tocando-lhe o rosto carinhosa – Acredite em mim, eu não os matei. Mulder manteve-se imóvel, sem esboçar nenhuma reação favorável ao toque recebido. Mulder: Porque não publicou o livro? – perguntou-lhe para lembrá-la do motivo pelo qual achava que ela viera até ele. Tramell: Porque eu não queria vê-lo morto – confessou, vendo a expressão surpresa dele. Mulder: Como eu morreria? Tramell: A amante mata o Agente do FBI, após descobrir que ele tem um relacionamento com outra pessoa. Mulder prendeu a respiração diante de tal revelação. Colocou as mãos nos bolsos numa atitude desconcertada e cautelosa. Ela agarrou os seus ombros, aproximando os lábios dos dele. Porém, ele a afastou gentil e colocou uma distância maior entre eles. Tramell: Mulder, eu perco todos as pessoas que amo. Eu amo você e não queria perdê-lo... Não quero que nada de mal lhe aconteça, por isso, o livro não será publicado – confessou, deixando cair livremente as lágrimas copiosas por seu rosto. Mulder: O que vai fazer com ele? – perguntou, dirigindo-se até a penteadeira, onde apanhou um lenço da caixinha de papelão e entregou a ela. Tramell: Vou queimá-lo para não correr o risco que outra pessoa o publique sem a minha autorização – informou, aceitando o lenço que ele lhe entregara e enxugando as lágrimas. O silêncio pairou no ambiente por alguns minutos, enquanto ela o via digerir, confuso, as informações recebidas. Aproximou-se novamente, desatando o nó do cinto amarrado à cintura e abrindo o vestido diante dele, mostrando-lhe o corpo nu escondido embaixo da roupa. Mulder: Srta. Tramell, por favor... Tramell: Está me chamando pelo sobrenome novamente. Isso me entristece – disse-lhe, abraçando forte, colando o corpo nele. Mulder segurou-lhe os braços, gentil, procurando afastá-la, mas ela insistia em permanecer tão próxima a ele. Mulder: Não faça isso... Tramell: Vai me recusar novamente? Vai me dizer que existe outra pessoa? Mulder: Sim, existe outra pessoa. – confirmou, vendo-a afastar-se, com lágrimas novamente nos olhos. Tramell: Não precisa dizer quem é – disse, amarrando o cinto, fechando o vestido – Estava na boite ontem à noite. Mesmo que não tivesse visto esses sapatos – apontou para um par de sapatos de tiras finas e saltos muito altos, embaixo da cama, onde apenas uma ponta deles estavam à mostra – Saberia reconhecer a mulher que tomou o seu coração. Eu a invejo. Mulder abaixou a cabeça sem saber como agir diante daquela situação constrangedora para ambos. Ela aproximou-se, parou a sua frente e beijou-lhe levemente nos lábios, quase sem tocá-los. Tramell: Tenha uma boa viagem de volta, Agente Mulder. Ele girou o corpo, vendo-a abrir a porta e ir embora, fechando-a atrás de si. Scully saiu de dentro do banheiro com os olhos fixos na porta como se Tramell ainda estivesse ali. Mulder: Vamos embora, Scully. Arrume as suas coisas – disse, pegando uma mala e juntando suas próprias roupas dentro dela. Ela permaneceu onde estava, sem fazer menção de obedecer. Diante disso, ele parou à frente dela, e esperou que começasse a pôr para fora as suas dúvidas. Scully: Você dormiu com ela, Mulder? Mulder: Não. Scully: Porque a beijou? Mulder: Eu não a beijei... Ela me beijou. Scully: Você acredita que ela não é a responsável pelas mortes, não é? Mulder: Sim, acredito. Acho que ela é uma pessoa que não tem sorte. Rica, bonita, e não tem ninguém que a ame de verdade. Pensando melhor somos quase iguais. Scully: Como assim? Mulder: Todos os que eu amava, morreram... Por isso tenho tanto medo em te amar – disse-lhe, indo em sua direção e aconchegando-se em seus braços. - FIM - 1 1