FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Mais pra half que pra shipper SPOILER : Duane Barry e sequências SINOPSE : O que talvez passasse na mente dos agentes durante a abdução da Scully. OBSERVAÇÕES : Aguardo um Feedback, pleeeeeaseeeeee, por favor, digam o que acharam. ABDUCTION Estamos separados. Nossos trabalhos são diferentes agora, mas não nossos rumos. Ele conseguiu acender a chama da curiosidade dentro de mim, talvez mais do que curiosidade. Eu me importava. Sim, poderia parecer estranho que alguém de personalidade tão diversa da minha, tivesse me tocado.Mas era um fato. Queria ajudá-lo. Porque tinha que ser tão difícil. Ele só queria respostas para uma única pergunta: Onde estava sua irmã ? O quê havia acontecido a ela após ter sido afastada dele ? Porque ele não poderia ter acesso a isso ? Num país que se vangloriava de seus preceitos de liberdade, um homem não tinha acesso ao seu próprio passado. E ironicamente, os homens que me colocaram ao lado dele foram os mesmos que nos afastaram. Entendo a atitude. Eu deveria perdê-lo. Fazia parte do plano que eu o desacreditasse, mas não eram os MEUS planos. Estava ali para saber, conseguir provas, afinal era para isso que eu havia entrado para o Bureau de Investigação. Eu estava ali para descobrir a verdade, pouco me importava se ela estivesse com os homens que me designaram ou com o estranho parceiro com quem eu deveria trabalhar. Apenas a verdade e, junto com ela, a justiça. E pela persistência com que tentavam nos esconder os fatos, comecei a pensar que talvez o que eu buscava estava mais próximo daquele que tinha os olhos fixos no céu, em busca de sinais, do que daqueles que se fechavam em salas sombrias e traçavam o destino de várias pessoas, inclusive o nosso. Não nos víamos mais com a mesma freqüência. Mesmo assim continuávamos em sintonia e era com uma cálida alegria que eu atendia ao telefone e ouvia aquela voz baixa e insinuante, descrevendo-me, irritado, conspirações e fatos ou tecendo, com aquela mente brilhante, as mais bizarras teorias. Pedindo-me ajuda veladamente. Ele brincava e ironizava, mas eu sabia, sentia que ele começava a abaixar as defesas e confiar em mim. Ela já confiava e isso fazia meu coração bater mais rápido. Atingi minha meta, mas agora percebo que quero ir além, só confiança não me basta. De certa forma, sabia que ele me ligaria quando vi a reportagem na TV sobre o seqüestro na agência de viagens. Simplesmente sabia, como se aquilo fosse já natural entre nós, a coisa certa a fazer. Não trabalhávamos juntos, mas ainda éramos parceiros. Mulder era impulsivo demais, acreditava em tudo com uma inocência quase infantil e eu me sentia impelida a protegê-lo, era quase instintivo. Para mim, que sempre procurei me manter distante de qualquer envolvimento pessoal, era quase sem pensar que vivia agora em busca de uma aproximação maior com a mais improvável criatura. O surpreendente e reservado Fox Mulder. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx Novamente sozinho. Nunca imaginei que sentiria tanto a falta de alguém, após tanto tempo me distanciando das pessoas. Me surpreendo pensando nela em cada movimento que faço. Uma amiga. A única pessoa que não se afastou de mim após me conhecer um pouco mais. Que me seguiu mesmo sem partilhar da minha crença. Que permaneceu comigo por puro instinto de dever. Alguém capaz de acompanhar ou antecipar meu raciocínio. Nunca imaginei que um dia pudesse confiar em alguém da maneira como confio nela. E o "Não confie em ninguém" teve que ser modificado para incluí-la. "Não confiamos em ninguém " parecia mais apropriado, porque agora éramos dois. Minha parceira, independente do quão distante ela estivesse de mim. O que antes seria impossível, hoje é quase natural. Eu quero saber o que ela pensa, é importante, quase imprescindível. Ouvir sua voz, ver sua sobrancelha erguer-se perigosamente enquanto lhe expunha uma das minhas mais loucas teorias e acompanhar o revirar de seus olhos quando eu me calava. Já é quase um ritual. E eu me vejo precisando dele. Mas envolvê-la nesse caso foi, talvez, a pior coisa que já fiz. Não era o bastante afastá-la do meu trabalho. Eles a queriam totalmente longe de mim. Armaram uma cilada, colocando-a para me vigiar, mas eles foram as próprias vítimas. Ela ficara do meu lado e me tornara ainda mais forte. Porém, essa aproximação abriu uma brecha extremamente perigosa e eles haviam percebido. Ela havia se tornado um entrave para eles, mas era demasiadamente importante para mim. Percebi isso ao distinguir a voz ao telefone. A apreensão que senti ao ouvir-lhe o pedido de socorro transformou-se em desespero ao chegar em seu apartamento e ver, em cada recanto, o que ela havia passado, com se eu estivesse ali, sofrendo com ela. As imagens surgiam claras e eu percebi o quanto já conhecia daquela mulher. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx Eu a encontrei e novamente a perdi. Alguma força me impedia de chegar até ela. Eu teria matado Duane Barry se não tivesse esperanças de que ele me desse uma pista de onde encontrá-la. Enfrentaria qualquer um para tê-la de volta. Mas ficara apenas com a imagem de seu rosto impressa num papel e sua corrente entre os dedos. Partilhei do sofrimento de sua mãe e rezei para que ela nunca deixasse de sonhar. Precisava encontrá-la. Pensei em desistir de tudo. Cheguei muito perto disso.Não queria perder mais ninguém por causa da minha obstinação, da busca que, o invés de me trazer de volta o que havia perdido, levava mais alguém para longe de mim. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx Sentia-me frágil naquele local. Apenas uma intensa luz e a voz insana daquele homem. Milhões de perguntas chegavam aos meus lábios sem que eu pudesse emiti-las. Apenas uma esperança alimentando meu espírito. A de que Mulder pudesse livrar-me daquela agonia. Somente ele poderia fazer isso. Ele era o único capaz de desvendar o quebra cabeças em que minhas lembranças se transformaram. Tudo ficou escuro e minha vontade de continuar lutando lentamente começou a ser minada do meu corpo. Queria apenas que parasse. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx Chegar ao hospital pareceu levar horas e vê-la tão indefesa naquele leito me fez perder completamente a razão. Queria respostas, precisava delas desesperadamente, algo que pudesse salva-la. Algo que pudesse me salvar. Scully estava morrendo e com ela todas as minhas convicções. Apenas um sentimento mantinha-se claro em minha mente mergulhada nas trevas: Vingança. Era vital encontrar o responsável e levá-lo ao inferno comigo, porém, minha consciência me lembrava de que eu era o principal culpado. Mas a vingança não estava a altura da importância que ela assumira em minha vida. Melissa me fez perceber isso. Eu precisava fazer mais . Ela precisava saber de alguma maneira. Eu precisava admitir para mim mesmo. Era mais do que parceria, mais do que confiança, maior que amizade. E esse seria meu único tributo àquela que me havia feito descer os olhos do céu para perceber que havia algo pelo qual valia a pena olhar aqui na Terra. Mas não por muito tempo. Como tudo o que havia sido bom em minha vida, ela também não poderia durar. Ao tocar-lhe a mão eu lhe disse que ela não estava pronta para ir, mas a verdade era que eu não estava pronto para perdê-la. Acho que jamais estaria. Meu apartamento estava exatamente igual ao meu espírito. Mergulhado no mais absoluto caos. Sentia-me impotente, culpado e sozinho. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx Vi muitos rostos conhecidos, senti a emoção de cada uma das pessoas que se aproximaram de mim e com as quais eu não conseguia mais falar. Meu pai disse-me para ficar, Melissa pediu que eu escolhesse, minha mãe lutava contra o medo. Uma enfermeira tentava em vão manter-me presa à vida. Eu não sabia se deveria voltar, o que me esperava. Um medo insano se apossava de mim. E se, ao acordar, nada mais fosse como antes ? Não sabia o que havia acontecido comigo, mas o pavor que me acompanhava me fazia acreditar que a experiência não fora de maneira alguma agradável. Mas aquele a quem eu deveria perder, foi o único capaz de me fazer ficar. Eu vi seu desespero ao me ver presa à cama. Eu senti sua agonia quando os aparelhos foram desligados e, principalmente, ouvi a súplica ardente que sua mente me dirigia pedindo-me para ficar. E ele estava certo, eu não estava pronta para ir, não enquanto não o houvesse ajudado a encontrar sua verdade. Ele precisava de mim, tanto quanto eu precisaria dele daqui para frente. Suas palavras não diziam, mas o toque trêmulo e quente de sua mão contaram-me a minha verdade. Precisava ficar, lutar por e com ele. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx O som do telefone penetrou meus ouvidos, percorreu meu corpo e explodiu em minha mente. Ela estava morta. Era o que ele dizia em seu gritar estridente. Pensei que se não o atendesse, jamais ficaria sabendo, eu não queria saber, mas, afinal, não poderia me esconder para sempre. "Ela acordou". A voz de Melissa parecia tão distante que ela precisou repetir e eu ouviria aquilo pelo resto de minha vida : "Ela acordou". Podia sentir meu coração acelerar, voltar a bater novamente, a agonia se desvanecendo como o gelo na primavera. Ela estava viva. Mal podia acreditar. O percurso até o hospital era o mesmo, mas chegar até lá pareceu consumir apenas alguns instantes. Enquanto o elevador corria, eu sentia minha ansiedade aumentar. Respirando fundo, eu percebi que não poderia entrar no quarto daquela maneira. Não queria, não poderia assustá-la demasiadamente com minhas emoções, embora eu soubesse que em seus braços seria o único lugar seguro para mantê-las. Ela cuidaria delas por mim, tinha certeza. Ali estava a minha parceira. "Eu senti a força de sua crença", ela me disse. E fiquei pensando se ela realmente havia sentido. Me intimidei com a fúria de meus próprios sentimentos e retrocedi timidamente, guardando apenas para mim, o que estava se passando em meu peito. Devolvi-lhe a corrente com a cruz, a crença dela e recuperei a minha quando a depositei sobre sua mão. Naquele instante, nada mais tinha importância. Ela estava viva e estaríamos juntos. Era o bastante. FIM