UMA OUTRA VERDADE WASHINGTON, D.C. 24 DE OUTUBRO Naquele domingo, a cidade tinha amanhecido fria, o tempo estava nublado. Eram as primeiras manifestações do inverno, que não tardava a chegar em definitivo. Embora ainda fosse madrugada, muitas pessoas já estavam nas ruas, algumas fazendo compras para o tradicional almoço dos domingos, outras trabalhando, e ainda, algumas que, mesmo com o frio, se arriscavam a fazer seus exercícios físicos matinais. Mulder tinha tido uma péssima noite, estava muito ansioso para que a manhã chegasse logo. Saiu da cama um pouco antes do nascer do sol, e permaneceu sentado, olhando para o nada, pensando em como aquele dia poderia ser realmente proveitoso. Não era comum ele ficar tão disposto a fazer algo diferente daquilo que fazia todos os dias de sua vida; há tempos não tinha uma folga verdadeira no trabalho, e queria aproveitar todo os momentos para se divertir, deixando de lado as preocupações corriqueiras com bandidos, conspiradores, alienígenas, fantasmas ou outras entidades paranormais. - Hoje tudo vai dar certo, estou sentindo isso! – disse ele, animado. Seus pensamentos haviam-no absorvido tanto, que ele nem notou a passagem das horas. Quando olhou no relógio, viu que faltavam apenas 20 minutos para o seu encontro no parque da cidade. Levantou-se abruptamente da cama, vestiu o moletom azul e preparou-se para calçar os tênis novos que havia comprado especialmente para uma ocasião como aquela. Ainda perdeu alguns minutos penteando os cabelos e procurando as chaves do carro, por isso saiu à toda rumo a seu destino. Na pressa, nem se lembrou de comer alguma coisa... Mas isso pouco importava. Deixando rapidamente o prédio, não percebeu a figura sombria que fumava um cigarro atrás do outro e que começou a seguí-lo. A mão pequena e delicada percorreu um bom pedaço do criado- mudo procurando pela origem daquele barulho incômodo na manhã gelada. - Cadê você, seu despertador escandaloso?!? De repente, os belos olhos azuis se abriram, ainda que resistindo à tímida luminosidade que entrava pelas frestas da janela do quarto. Scully tinha atravessado uma ótima noite de sono e, se não tivesse visto, apoiado numa cadeira, o conjuntinho de malha que havia separado especialmente para o seu compromisso daquela manhã, provavelmente dormiria o dia inteiro, tamanho o cansaço acumulado nas exaustivas e ininterruptas investigações dos últimos meses dentro dos Arquivos X. - Ok, hoje é meu primeiro dia real de folga em não sei quanto tempo, eu queria ficar aqui na minha cama, debaixo do meu edredom, só lagarteando, mas... Eu prometi. Sim, não posso decepcioná-lo... Terminou de falar abrindo um leve sorriso, lembrando-se da animação que repentinamente tomara conta de Mulder na última noite, quando ele a convenceu a passarem a manhã seguinte juntos, fazendo exercícios no Parque Municipal. Ela aceitou o convite meio que no susto, porque não era comum ver seu parceiro tão disposto a sair da sua rotina de investigações e perseguições. Sim... A vontade escancarada nos olhos dele a haviam convencido a fazer algo diferente. Ela se vestiu rapidamente, amarrou os cadarços dos tênis e deu uma ajeitadinha nos cabelos ruivos, antes de sair. Se o tempo não estivesse curto, ela iria correndo até o parque, que não ficava muito longe de seu prédio, mas teve que desistir da idéia e foi de carro mesmo. PARQUE MUNICIPAL DE WASHINGTON 8:20 AM Scully deixou o carro num estacionamento próximo à guarita principal da entrada do parque, e ficou feliz ao ver que o carro de Mulder já estava lá. Ela não estava tão empolgada com a possibilidade de fazer exercícios naquela manhã fria, úmida e nublada, afinal tinha acabado de terminar um trabalho exaustivo no Bureau que consumiu metade de seu fim de semana, mas mesmo assim resolveu fazer a sua parte. Mulder parecia estar se esforçando para agradá-la, e ela queria ver no que tudo aquilo ia dar. Ao chegar na guarita, cumprimentou um velho segurança que trabalhava no parque desde que ela começou a freqüentá-lo. O sr. Lowry era muito querido e respeitado pelos visitantes, e sempre tinha atitudes simpáticas com as pessoas: - Bom dia, Dana. - Olá, sr. Lowry. Como está? - Vou muito bem, obrigado. Nem vou perguntar o mesmo a você, olhando em seus olhos e relacionando o brilho deles ao rapaz que te espera na área de exercícios, acho que você está de bem com a vida, não é mesmo? - O senhor está se referindo a um rapaz alto, de olhos claros e com expressão de menino levado? - Sim, falo dele mesmo. - Oh, não, aquele é meu amigo Fox, nós trabalhamos juntos. - Queira me desculpar pela confusão, Dana, mas... Se não se importa, vou continuar achando que ele é a causa deste brilho mágico em seus olhos... Scully abriu um sorriso maroto e começou a correr em direção à ala leste do parque, para acessar à área de atividades físicas, onde o sr. Lowry disse que Mulder a esperava. Enquanto corria, ela sentia-se flutuando, devido àquele vento gelado e gostoso que insistia em se chocar contra seu frágil corpo. Como era boa aquela sensação... Mulder estava tão ansioso pela chegada de Scully que já tinha dado umas quatro voltas na pista de corridas. Estava totalmente alheio ao misterioso observador que não deixava de vigiá-lo por um só minuto. Resolveu então fazer alongamento apoiando-se num dos escorregadores do parque infantil, todo construído em pedras, e sentia-se um garoto ao receber o vento frio e úmido em sua face. De repente, ele notou leves toques em seu joelho; era uma menininha de uns 4 anos que pedia para que ele a colocasse no alto do escorregador. - Moço, é que mamãe e papai estão sentados lá naqueles bancos da frente conversando, e eu queria cair mais uma vez dali de cima... - Tudo bem, eu te coloco lá. Vem. Ele abriu os braços, pegou-a no colo, e a ergueu na direção do escorregador. Ela desceu rapidamente, e deu um grande sorriso direcionado a Mulder, como forma de agradecimento. - Moço, você quer brincar de cavalinho? - Cavalinho? E... Por que não? Vamos lá! Mulder sentiu-se feliz por ela tê-lo convidado para ser seu companheiro nas brincadeiras. Ele não se lembrava de ter se dado tão bem com uma criança antes. - Pode me chamar de Mulder. - E você pode me chamar de Claire, Claire Corr – disse ela, estendendo-lhe a mão direita. O agente ficou impressionado com a desenvoltura da pequena menina ao se apresentar a ele, e apertou a mão dela, dizendo: - Prazer em conhecê-la, Claire Corr. Então, ele se abaixou, para que ela subisse em suas costas. Mulder começou a correr, de vez em quando dava uns saltos, fingia que empacava, e parecia estar se divertindo mais do que a criança, que era só sorrisos e alegria. E qual não foi a surpresa de Scully ao chegar na pista de corridas e ver seu parceiro durão e desajeitado brincando com aquela pequena e bonita menina, de cabelos castanhos, pele e olhos claros. A agente do FBI parou próxima aos pais da criança, e escutou-os comentando que não viam a filha, de nome Claire, tão feliz assim há muito tempo. Presa àquela cena tão harmônica de um Mulder feliz e sorridente jogando Claire para cima e a pegando de volta repetidamente, Scully se emocionou; lembrou- se de Emily, a filha com quem nunca iria poder brincar; de Melissa, sua irmã, que sempre acreditou muito na capacidade que as pessoas tinham de amar livremente, sem máscaras, culpas ou receios de se entregar ao ser amado; e do próprio Mulder, seu parceiro fiel e obstinado, que tinha deixado de lado a própria vida pessoal e as emoções íntimas para encontrar a verdade sobre o desaparecimento da irmã Samantha, ainda criança. - Scully! Olá, bom dia! – disse Mulder, dando-lhe um beijo no rosto. Ela despertou daqueles pensamentos ao sentir o calor do parceiro que se aproximava. As lágrimas já haviam secado, e ela sorriu discretamente. - Oi, parceiro. Pelo visto vou sofrer nas suas mãos hoje, você parece animado... - Que nada, já gastei muita energia fazendo uma sessão de corrida na pista e outra de brincadeiras com a Claire Corr. - Claire? Quem é essa? – Scully se fez de desentendida. - Não se preocupe, mulher – disse ele rindo - é uma garotinha de 4 anos que conheci aqui no parque. Ela está indo embora, veja – e deu um tchauzinho para a criança que se afastava de mãos dadas com os pais. - Ah, sim... - Bem, o papo tá muito bom, mas nós viemos aqui para nos exercitar, não foi? Então, vamos lá! Eles iniciaram uma sessão de corrida, e de vez em quando Mulder ultrapassava Scully só para provocá-la. Vez ou outra, aquele era seu maior prazer: mexer com os brios da parceira. Ele estava se sentindo muito bem, não tinha uma manhã como aquela há tempos em sua vida. Scully, que normalmente ficaria brava ao vê-lo tentando fazer gracinhas com ela, parecia entender que aquele dia era realmente especial, e entrou no jogo. - Ok, Mulder, você venceu. Vamos fazer um alongamento agora, estou querendo relaxar minha musculatura, faz tempo que não corro tanto assim. - Você é quem manda. Eles foram até os escorregadores do parque infantil e iniciaram uma sessão de relaxamento muscular que durou mais do que a corrida. Enquanto alongavam, ficaram conversando, desconhecendo completamente a presença do estranho observador. - Sabe, Scully, mal dormi essa noite, eu tinha certeza de que o dia de hoje seria diferente e agradável. - Puxa, só porque combinamos um 'programinha'? Se eu soubesse que a possibilidade de sairmos juntos te tira até o sono, Mulder, já teria marcado outros 'encontros' com você – disse ela, que não conseguiu segurar o riso. - Bem, não posso negar que me empolguei com a idéia... Mas a presença da Claire também ajudou... - Eu não sabia que você se dava tão bem com crianças, Mulder. - Nem eu, Scully. Na verdade, nunca tive muito jeito com os pequenos... - O que é isso, Mulder... Deve ser só impressão sua, você foi perfeito, parecia uma criança, como a própria Claire... - Hummm, então você nos viu brincando, né? Eu bem que desconfiei. - Sim, tenho que confessar que a imagem dos dois se divertindo me trouxe algumas lembranças... - Lembranças boas? - De certa forma, sim. Eu reencontrei algumas peças do quebra-cabeças que está se tornando a minha vida... - Fala de Emily? – perguntou um Mulder preocupado. - Não só dela, mas também de Melissa, de você... - De mim? Como assim? - Bem... É que Melissa sempre me dava uns conselhos, sabe? Ela parecia acreditar muito em você, Mulder. Ela achava que nosso encontro no FBI não tinha ocorrido por mero acaso... - Sua irmã era uma pessoa especial, Scully. Às vezes a gente tinha uma ou outra discordância, mas ela sempre foi muito íntegra comigo. Ela também me dava uns toques a respeito de minhas atitudes em relação a você... - Eu sinto tanto a falta dela, Mulder... Scully, com um olhar perdido, abaixou-se lentamente e sentou- se numa pedra que decorava o parque infantil. Mulder a seguiu, acomodando-se ao seu lado e passando levemente a mão em seus sedosos cabelos. - Entendo o que você está sentindo, Scully, mas pelo menos você sabe que agora ela está bem, em algum lugar... - Oh, Mulder – disse ela, preocupada - Desculpe-me, eu não queria que você ficasse triste por causa de Samantha. - Não tem problema, Scully. Estou certo de que um dia ainda vou descobrir o que aconteceu com a minha irmã. - Pode contar comigo nessa, ok? - Claro, parceira. Estamos juntos, não? – disse Mulder, segurando a mão dela. - Sempre! E os dois começaram a sorrir, afastando os fantasmas do passado e concentrando seus pensamentos na paz e na tranqüilidade que predominavam naquela manhã fria e pálida. Saindo do parque, eles foram almoçar numa cantina italiana próxima, estavam realmente famintos após tantos exercícios, ainda mais porque não tinham comido nada no desjejum. A conversa continuou, regada por copos e copos de um fantástico vinho italiano. Falaram do tempo, da cidade, do parque, de muitas coisas... Perderam a hora sentados numa mesinha isolada daquele lugar agradável, de onde se tinha uma vista maravilhosa de vários pontos de Washington. A noite já ia caindo quando se despediram, ainda vigiados pela figura discreta e sombria. - Scully, obrigado por ter sacrificado um de seus raros momentos de descanso para me fazer feliz. - Não foi nada, Mulder, e afinal de contas, creio que tive um dos melhores dias de minha vida. Sentiam-se cansados, e queriam logo dormir para recuperar as energias. Mulder deu um beijo no rosto de Scully, e antes de se virar para ir embora, fez questão de dar uma piscadinha provocante para ela. Scully sorriu e pensou 'Como é crianção esse Mulder... Ainda bem.'. PRÉDIO J. EDGAR HOOVER SEGUNDA-FEIRA 8:00 AM Mulder já estava na sala do porão quando Scully chegou. Mais uma vez, mesmo com todo o cansaço, ele tinha perdido o sono, pensando no maravilhoso dia que tinha passado com a parceira, e também por causa de uma estranha e súbita sensação de que alguém os esteve observando por todo aquele tempo. 'Bobagem...' – ele pensou – '... isso é coisa da minha cabeça...' - Bom dia, Mulder. - Bom dia, Scully. Dormiu bem? - Sim, como uma pedra. Eu estava tão cansada... E você? - Eu? Claro. Dormi como uma pedra também – mentiu ele, disfarçando um bocejo e achando graça de si mesmo. - Enquanto eu passava pelo corredor, a secretária do Skinner disse que ele quer nos falar. Vamos lá? - Sim, vamos. Mas, antes... - Antes o que, Mulder? - Bem, antes de assumirmos mais um caso e novas preocupações, que tal combinarmos um jantarzinho num restaurante esta noite? - Você não está com boas intenções, Mulder – brincou Scully – Mas tudo bem, eu topo. - Certo. Às dez, pode ser? - Combinado. Eles não precisaram esperar muito tempo para serem atendidos pelo diretor assistente, que parecia preocupado. - Agentes, tenho um caso para vocês. Lamento pelo fato de não se tratar exatamente de um arquivo x, mas estamos sobrecarregados de trabalho aqui no Bureau, e preciso da ajuda dos dois nessa investigação. Trata-se do assassinato de um casal, Josh e Lydia Corr, ocorrido ontem à noite aqui na cidade. Eles tinham uma filha, Claire Corr, de 4 anos, que agora está sob custódia do Serviço Social, já que os pais não tinham parentes vivos conhecidos. Ao ouvirem o nome da criança, Mulder e Scully sentiram um frio na barriga e olharam-se discretamente. - Algum suspeito, senhor? – perguntou Scully, incomodada com aquela história. - Tudo leva a crer que foi um assalto. Mas, segundo a faxineira, a única coisa que sumiu foram os documentos que ficavam guardados no cofre do casa. - A criança estava lá na hora do crime? - Sim, ela estava no quarto. Foi a única sobrevivente. Os pais estavam na sala e foram mortos com tiros certeiros na cabeça. - E ela viu alguma coisa, senhor? – questionou Mulder. - Aparentemente, não. Ao que tudo indica, Claire não sabe que seus pais morreram. - Que documentos são esses que sumiram? – quis saber Scully. - Bem, segundo a faxineira, que limpava a casa três vezes por semana, eram documentos relacionados à Claire, parece que a menina nasceu a partir de inseminação artificial, pois o casal Corr tinha problemas para ter filhos naturalmente. - E por que alguém os roubaria? Para que matar o casal por causa desses documentos? - Não sei, agente Scully. É isso que vocês dois vão descobrir. Aqui estão os endereços da casa dos Corr e do Centro de Atendimento a Menores do Serviço Social. - Obrigada, senhor – disse Scully se levantando, seguida por Mulder – Nós vamos iniciar as investigações agora mesmo. Mulder, que geralmente ficava entediado ao trabalhar em casos 'normais', fora dos Arquivos X, estava bastante preocupado. Ele saiu logo atrás de Scully, tentando assimilar o fato de que aquela garotinha tão inocente com quem brincara há poucas horas havia ficado orfã. CASA DOS CORR 9:00 AM O carro parou em frente à residência do casal que havia sido brutalmente assassinado na noite anterior. Dois guardas vigiavam o local, que ainda estava isolado e à disposição da polícia. Os agentes cumprimentaram rapidamente os policiais, identificaram-se e entraram na casa, que tinha dois andares e era ricamente decorada. Ao chegarem à sala, viram as marcas dos corpos e as manchas de sangue espalhadas pelo chão. Scully ficou observando a cena do crime, tentando achar alguma pista. Andando pelo resto da casa, Mulder verificou que nada parecia estar fora do lugar, a não ser o cofre, que evidentemente tinha sido arrombado. - Mulder, terminei aqui. Acho que não posso acrescentar nada ao que já sabemos, a única coisa que chamou minha atenção foi esta foto, onde Claire está abraçada aos pais. É difícil imaginar que alguém tenha destruído a harmonia de uma família assim, tão covardemente. - É verdade, Scully. Também estou um pouco chocado... Andei dando uma olhada pela casa, e vi que o cofre foi mesmo arrombado, o que indica que o casal não se dispôs a abri-lo para os bandidos. Realmente, eles não queriam entregar o seu segredo. Os agentes do FBI deixaram o triste cenário ainda de manhã, e dirigiram-se à sede dos Pistoleiros Solitários. Somente os amigos malucos de Mulder poderiam responder algumas perguntas que ainda estavam pairando no ar. Chegando lá, Mulder explicou a situação, e pediu que Langly, Byers e Frohike tentassem, de alguma forma, descobrir a verdadeira origem de Claire. Eles se dispuseram prontamente a ajudá-los, e, através de uma série de programas de computador inovadores, que eles mesmos tinham desenvolvido, conseguiram acessar sem dificuldades os arquivos do hospital onde a menina havia nascido. Segundo os registros, Claire era mesmo filha de Josh e Lydia Corr, e viera ao mundo no dia 23 de fevereiro de 1995. Scully notou que a linda menina havia nascido no dia de seu aniversário, mas não se preocupou com a constatação. Já Mulder, especialista em estabelecer relações pouco convencionais entre as evidências, ficou bem mais desconfiado de que havia alguma trama por trás daquele crime estúpido. Olhou para Scully, e perguntou aos amigos se eles podiam descobrir qual era o problema que o casal tinha que os levara a buscar a fertilização in-vitro como opção para ter filhos. Alguns minutos depois, numa demostração indiscutível de eficiência, Byers, surpreso, contou que descobrira nos arquivos do mesmo hospital que Josh Corr, quando criança, havia apresentado uma doença infecciosa que atingira o seu sistema reprodutivo, impedindo-o de produzir espermatozóides viáveis; e que Lydia Corr também tinha problemas para produzir óvulos que pudessem vir a ser fecundados. - É, amigos... – disse Byers – ... essa união definitivamente não estava destinada à perpetuação... A única forma desse casal ter uma filha por meios naturais era através da implantação de um óvulo viável já fecundado no útero de Lydia. Aparentemente, não havia nenhum impedimento para que o embrião ali se desenvolvesse, mesmo tendo origem exógena. - Você está certo, Byers – disse Scully, preocupada. - Bem, quer dizer que Claire não é filha de Josh e Lydia Corr? - É isso mesmo, Mulder – afirmou Langly – Claire foi formada a partir de células reprodutivas de outras pessoas. - E quem são essas pessoas? – perguntou Scully. - Vamos procurar saber, Scully. – disse Mulder. - Antes de irem, tenho outra informação. O tratamento que Lydia fez para engravidar foi realizado nos Laboratórios Edwin, daqui mesmo de Washington – revelou Frohike, após investigar uma listagem enorme de laboratórios que trabalhavam com fertilização artificial. Mulder e Scully agradeceram a ajuda dos amigos e voltaram ao Bureau. No corredor, encontraram-se com o diretor assistente Skinner, que lhes convidou para irem novamente à sua sala. - Estou tendo problemas para mantê-los no caso... - O que quer dizer com isso, senhor? – perguntou Mulder. - Existem pessoas, que estão acima de mim, que não querem o envolvimento dos dois nessa investigação. - Mas por que? Qual é a justificativa dada pelos seus 'superiores'? – perguntou Mulder em tom irônico. - Ordens superiores não precisam de justificativa, agente Mulder. Não tenho muita escolha. - Senhor, estamos chegando perto da verdade... Não nos afaste agora – pediu Scully, com uma voz baixa e controlada. - Bem, vou tentar, agente Scully. Mas sejam rápidos, não garanto que poderei ignorar essas ordens por muito tempo. - Obrigada, senhor, não vamos decepcioná-lo. Mulder não sabia explicar como, mas tinha certeza de que havia alguém interessado em afastá-los da verdade relativa àquele caso. Isso ficava cada vez mais claro na cabeça dele. Scully decidiu que iria visitar Claire, e Mulder resolveu ir até a sede dos Laboratórios Edwin, na rodovia 31. Eles combinaram de se encontrar naquela noite, na mesma cantina italiana onde haviam almoçado no dia anterior. SEDE DO SERVIÇO SOCIAL AMERICANO 2:45 PM Scully relutou um pouco antes de entrar e procurar Claire. Ela não parava de pensar na linda menina de olhos claros e cabelos castanhos que tinha se divertido tanto com Mulder a ponto de emocioná-la e de não sair mais de sua cabeça. Por que alguém a privaria da companhia dos pais, eliminando-os? Ela era mesmo uma sobrevivente ou os bandidos queriam que ela vivesse? Por que sentia tamanho aperto em seu coração quando pensava na pequena criança e em Mulder, juntos, no parque? Seria por causa da esterilidade adquirida após sua abdução, ou seja, da impossibilidade dela gerar uma criança? O que estava acontecendo, afinal? Ela não queria admitir, mas estava com muito medo. Desde que encontrara e perdera Emily, daquela forma tão rápida e inexplicável, havia se fechado ainda mais a qualquer tipo de relacionamento pessoal. Ainda doía muito o fato dela não poder ter filhos... Scully não se sentia preparada para encarar esse novo desafio, ela resistia à idéia de se envolver novamente com uma criança, não agüentaria passar por tamanho sofrimento novamente... A agente respirou fundo. Ela precisava ser racional, não podia se entregar às estranhas emoções que tentavam dominá-la. Devia se acalmar. Afinal, se houvesse algo errado naquela história, ela e Mulder descobririam. Sentia-se segura ao lado dele, sentia-se forte por saber que ele a apoiaria sempre, incondicionalmente, que não a deixaria sofrer mais. E mais, desde o dia anterior, ela sabia, de alguma forma ainda inexplicável, que o elo que os unia era real e mais forte do que qualquer outra coisa. Entrando no recinto, Scully dirigiu-se à recepcionista, que foi muito amável, indicando onde Claire estava. Scully agradeceu e caminhou até o parquinho, que ficava num bonito e verdejante jardim. Imediatamente reconheceu Claire, mas notou que a menina não estava feliz. Ela estava sentada num canto sozinha, afastada das outras crianças, que brincavam alegre e despreocupadamente. Aproximando-se dela, Scully disse: - Oi, você é a Claire, não? - Sim, sou a Claire. Quem é você? - Meu nome é Dana. Sou sua amiga. - Me leva pra casa, Dana? - Bem, querida, você vai ter que ficar um tempinho aqui com seus amigos... - Cadê papai e mamãe? - Eles tiveram que fazer uma longa viagem, e vão ficar muito, muito tempo fora. - Por que eles não me levaram? - Porque... Pra onde eles foram, você não poderia ir. Não ainda. Mas não se preocupe, eu e o seu amigo do parque vamos cuidar de você. - Você conhece o Mu... Mul... Como é mesmo o nome dele? Scully sorriu e completou: - O Mulder? Sim, eu o conheço, ele é meu parceiro, trabalhamos juntos. - Vocês também são namorados? Scully, admirada com a espontaneidade de Claire, perguntou: - O que você acha? - Acho que sim... Você é tão bonita – ela passa os dedinhos na pele aveludada do rosto de Scully, que fecha os olhos e sente um aperto ainda maior no peito – E ele é tão bom, forte e bonito também... - Então somos duas a pensar isso dele... Mas não diga isso a ele, é o nosso segredo, tá bom? - Tá. Nesse momento, Claire já estava mais descontraída, e sorrir não era mais um problema para ela. Scully conversou mais um pouco com a menina, e então resolveu se despedir, prometendo voltar logo. Ela tinha que se preparar para encontrar Mulder, que estava investigando o envolvimento dos Laboratórios Edwin naquela história. LABORATÓRIOS EDWIN – RODOVIA 31 3:58 PM Mulder ainda tentava encontrar algo que revelasse quem eram os verdadeiros pais de Claire. Somente assim ele poderia descobrir os motivos do assassinato do casal Corr. Aquela sensação de estar sendo observado continuava incomodando-o; ele olhava para os lados, mas não via ninguém suspeito ao seu encalço. Chegando na recepção, tentou saber quem era o médico que havia atendido o casal Corr, mas a secretária, educadamente, disse que não poderia fornecer essa informação. Mulder agradeceu, afastou- se devagar, e inteligentemente se aproveitou do fato de que alguns homens engravatados estavam se dirigindo em grupo ao interior do local. Misturando-se a eles, impediu que os seguranças notassem sua invasão. Entrou sem dificuldades na sala de computadores, e tentou acessar os arquivos que poderiam lhe revelar o que queria saber. Infelizmente, ele não tinha a senha de acesso, e sentiu uma enorme falta de um de seus amigos malucos, que resolveriam aquele problema num piscar de olhos com suas engenhocas mirabolantes. Mas ele estava sozinho, precisava dar um jeito. Pensou, pensou, e resolveu apelar, digitando qualquer senha... O que ele não imaginava é que os computadores estavam ligados ao sistema central de alarme do prédio, disparando um som estridente logo na primeira tentativa fracassada. Mulder tentou fugir, mas foi encurralado por um grupo de seguranças contra os quais não ousava lutar. Tudo indicava que ele levaria uma surra daqueles homens e que posteriormente seria preso por invasão de propriedade privada. Quando ele já se via numa grande encrenca, ouviu uma voz familiar: - Podem soltá-lo. Eu me encarrego dele. O agente do FBI não podia acreditar. Era o Canceroso, mais uma vez a estranha figura se opunha entre ele e a verdade. - O que você tem a ver com tudo isso, seu verme? – perguntou Mulder enraivecido. - Calma, agente Mulder. Você devia estar me agradecendo, afinal salvei sua pele... - Se você espera que eu vá cair a seus pés, agradecendo-o e me colocando à sua disposição, pode esquecer! - Você é quem está dizendo isso, agente Mulder. - Por que você não me responde o que estou querendo saber? Por que aquele casal foi assassinado? O que está por trás da pequena Claire? Diga, vamos! Diga! - Bem, se eu fosse você, não insistiria tanto... - Por que? O que existe de tão sério nisso tudo? - Desculpe-me, agente Mulder, mas não posso ficar à sua disposição. Tenho compromissos mais importantes para cumprir. Se você for esperto, vai sair daqui o mais rápido possível. E lembre-se: há males que vêm para bem... Ao dizer essas palavras, o Canceroso deixou imperceptivelmente um pequeno disco metálico cair no chão, e saiu. Mulder, que não conseguia entender o propósito das últimas palavras do fumante, abaixou-se para amarrar o cadarço de seu sapato, que havia desamarrado enquanto ele resistia aos seguranças. Foi quando ele viu o disco jogado no chão da sala dos computadores. Discretamente, pegou o objeto, colocou-o no bolso e saiu, antes que os brutamontes voltassem. - Puxa! – disse ele, ao entrar em segurança no carro, dando adeus àquela construção sinistra – Já estou atrasado, tenho que ir em casa me arrumar para encontrar a Scully na cantina! O Mulder conquistador estava entrando em ação. Pisando fundo no acelerador, ele logo chegou no seu prédio. Deixando de lado a eficiência do elevador, subiu as escadas correndo. - Assim chego mais rápido. – disse ele. Entrou no apartamento, jogou a roupa suja no chão da sala, tomou um banho quente e começou a se arrumar. Ele só pensava em ver Scully. Depois do apuro que tinha passado, precisava olhar dentro daqueles olhos azuis que tanto o confortavam, que tanta segurança lhe davam. - Scully... Preciso tanto de você... Saiu de casa correndo, pra variar, e instintivamente resolveu levar o pequeno disco metálico que tinha 'encontrado' nos Laboratórios Edwin. Aquela definitivamente não seria uma reunião profissional, mas talvez houvesse oportunidade para ele tentar descobrir o que havia no disco. Já passava um pouco das dez da noite quando Mulder chegou àquela que tinha passado a ser sua cantina italiana favorita. Scully já estava lá, acomodada num terninho acinzentado e agasalhada em seu sobretudo negro. 'Bela como sempre...' - pensou Mulder. Ambos ficaram aliviados ao perceberem que o parceiro estava bem. Mulder aproximou-se lentamente daquela mesma mesa escondida, isolada das demais, na qual tinham sentado no dia anterior, de onde podiam ver muitas partes bonitas da cidade, e ofereceu uma rosa branca à Scully, fazendo uma suave reverência e beijando- lhe a face macia. - Dana, como está? - Oi, Fox! – respondeu Scully, surpresa com as atitudes românticas e carinhosas do parceiro - Estou bem. E você? - Como pode ver – disse ele abrindo os braços e mostrando o corpo esguio coberto pelo terno escuro – Está tudo em cima. Os dois riram, e pediram um vinho ao garçom. Eles começaram a conversar sobre coisas alheias ao caso que investigavam, numa tentativa de separar o trabalho daquele encontro tão pessoal. Quando o vinho chegou, Fox dispensou o garçom e gentilmente serviu Dana; os dois beberam com gosto aquele saboroso suco de uvas levemente alcoolizado. O vento frio batia em suas faces coradas e trazia à tona pensamentos perdidos nas noites solitárias de insônia que estavam acostumados a atravessar. Fox olhava dentro dos olhos de Dana, falava do céu, da lua e das estrelas, como um adolescente apaixonado. Ele tinha pensado muito naquilo que estava fazendo... Havia chegado à conclusão de que não podia viver sem Dana Scully, a mulher que conquistou seu coração mesmo tendo crenças e opiniões tão distintas das dele; que seria capaz de abrir mão da própria vida para salvá-lo; que havia renunciado a uma carreira promissora como médica para ajudá-lo na sua busca pela irmã desaparecida e por tudo aquilo que ele chamava, simplesmente, de Verdade. Dana, por sua vez, sentia-se plenamente feliz, sentia- se mulher, pela primeira vez, ao lado daquele belo homem alto com quem conviveu em circunstâncias profissionais até então por seis longos anos... Ela percebeu logo que ele a desejava, e mal pôde acreditar, pois no fundo sempre tinha esperado algo assim de Fox. Era um sonho se realizando. Ela não conseguiria ser feliz com outro homem que não fosse ele. Seu coração, sua alma, seu corpo... tudo pertencia a Fox Mulder. Por méritos do próprio, aliás. O tempo passava... E então, sem perceberem, já estavam se beijando. Aquela sensação era indescritível para ambos. O gosto de vinho dava um toque especial ao beijo, que os colocou nas portas do belo céu estrelado. Fox se perdeu nos lábios dela, naqueles lábios de mel que ele muitas vezes já tinha sonhado em tocar; Dana abraçava forte o corpo dele, queria sentir o calor, a proteção, o amor. Aqueles segundos se transformaram em minutos, em horas. Eles se beijavam intensamente, estavam envolvidos como se nada mais importasse, como se fossem um só corpo, uma só alma. Quando recobraram a consciência e retornaram à Terra pelas escadas da paixão que os unia, começaram a ouvir uma doce melodia, e perceberam que um grupo de músicos os estava homenageando com canções românticas da Itália. Aquele momento era realmente especial, o ar circundante estava impregnado com o perfume da rosa branca com a qual Fox agraciara Dana. Eles ouviram as canções abraçados, e Fox ficava dando beijinhos carinhosos no pescoço e no rosto de sua parceira, como se a desafiasse a beijá-lo novamente. Ela entendeu a brincadeira, mas resistiu, permanecendo ali, aninhada nos braços fortes dele, sentindo-se segura e protegida como nunca. Eram duas horas da manhã quando os dois saíram da cantina. Scully estava com frio e resolveu proteger suas mãos nos bolsos do sobretudo de Mulder, a quem continuava abraçada. Ela sentiu então a presença do pequeno disco metálico, e o mostrou a Mulder, perguntando do que se tratava. Ele se lembrou do objeto, contou onde o havia encontrado, e disse que não sabia como acessar o seu conteúdo. Scully sugeriu que eles fossem ao 'Quartel General' dos Pistoleiros Solitários, e assim o fizeram. Não foram necessários mais do que cinco minutos para que Langly abrisse o conteúdo do disco, que se assemelhava a um pequeno CD. Ali estavam as informações que Mulder e Scully tanto queriam. Mulder começou a ler os registros que se alternavam na tela do computador, e de repente ficou sem voz. Scully, preocupada, sacudiu-o, pedindo para que ele dissesse alguma coisa. Ele apenas apontou um parágrafo do texto que era exibido na tela: '... Sendo assim, fica determinado que o embrião formado pela associação do material genético presente no sêmen do agente Fox William Mulder com o material genético contido no óvulo da agente Dana Katherine Scully, deve ser implantado, a título experimental, no útero de Lydia Ann Corr, que se submeteu a tratamento de fertilização in-vitro. O casal Corr está ciente do procedimento, e compromete-se a permitir que sejam realizados exames periódicos na criança que nascerá daqui a 9 meses... Washington, 10 de junho de 1994.' Scully mal podia acreditar no que estava lendo. Ela se juntou a Mulder na incredulidade, e só conseguia expressar sua surpresa através de lágrimas. Langly, percebendo a apreensão dos dois amigos, disse: - Quer dizer então que vocês têm uma filha de 4 anos? Eu sabia que essa história de solidão e de dedicação exclusiva ao trabalho era só fachada... Apesar da tensão, todos riram, e Byers completou: - Parece que o casal Corr mudou radicalmente de idéia e não queria que a pequena Claire fosse submetida aos exames periódicos. Por isso esconderam o contrato. Mas eles foram ingênuos... Não sabiam com quem estavam lidando. Mulder, com lágrimas nos olhos pela revelação inesperada da paternidade de Claire, apertou firme Scully em seus braços. 'Meu Deus...' – pensava ele. Os dois estavam desesperados. Não sabiam o que fazer. Eles tinham acabado de romper as barreiras, as defesas e os receios mútuos que até então os separavam, mas... Uma filha? Uma linda menina de 4 anos? Que tinha sido concebida sem a participação direta deles, sem que o amor dos dois se manifestasse? Aquilo era uma grande loucura. Mas no fundo eles estavam felizes por serem loucos. Byers, Frohike e Langly acharam melhor que os dois agentes passassem a noite por ali mesmo. Eles estavam muito abalados pelas revelações, e não tinham cabeça para dirigir. Ajeitaram-se num pequeno quarto destinado originalmente a ser um depósito de peças de computadores, mas que curiosamente naquele dia estava vazio, pois as peças tinham sido remanejadas. Os dois, acomodados na pequena cama, só conseguiam se olhar e chorar, chorar muito, de emoção. Após algum tempo, Mulder arriscou: - Scully, nos... Nossa filha se parece tanto com você... Ela é tão meiga, tão cheia de vida... - Mulder, ela tem os seus olhos, o seu cabelo... - A sua pele aveludada... - Mesmo? - Sim. Eu juro. - Mulder, como isso foi acontecer com a gente? Por que não podemos ser normais como todo mundo? Até nossa filha nasceu de uma forma diferente... - Scully, não vamos ficar tentando entender... O que importa é que nosso amor tem um produto, mesmo que seja um produtinho indireto, lindo, carinhoso e alegre. - Mulder, você é assim coruja ou é só impressão minha? - Que isso, Scully, você ainda não viu nada... E ali, naquele aconchego, eles adormeceram. Passado o susto, estavam ansiosos, mal podiam esperar para verem sua filhinha. ESCRITÓRIO DO FBI 8:00 AM Skinner os recebeu logo cedo em sua sala. Eles estavam um pouco desarrumados e amassados, afinal tinham passado uma noite no mínimo incomum. Mas isso não importava nem um pouco. Contaram a história ao diretor assistente, que ficou surpreso. Haviam esclarecido alguns pontos obscuros do caso e, de quebra, encontraram-se um ao outro na figura de Claire. Mulder afirmou não saber como os cientistas dos Laboratórios Edwin haviam conseguido o seu sêmen, mas concordou que esse não era o maior problema. Havia uma ligação entre a abdução de Scully e o nascimento de Claire, já que a agente dos belos olhos azuis teve seus ovários retirados e não podia produzir óvulos desde então. Na verdade, o mistério estava longe de ser resolvido. Era apenas mais uma peça do quebra-cabeças que constituía não só a vida de Scully, como ela mesma afirmara, e sim a vida do casal de agentes do FBI. Infelizmente, o disco metálico não serviu como prova contra os Laboratórios Edwin, e os vilões conseguiram, mais uma vez, escapar ilesos das acusações. Mas a grande preocupação de Mulder e Scully não era mais prender os bandidos, e sim resgatar sua pequena Claire da sede do Serviço Social. Eles conseguiram uma ordem provisória do juiz de menores para retirarem Claire de lá, até que um exame de DNA revelasse se ela era mesmo filha deles. Ao olharem para a graciosa e frágil criança, sentiram-se profundamente tocados, e não tiveram nenhuma dúvida do parentesco que os unia. Mulder abaixou-se, abriu os braços, e esperou Claire vir em sua direção, correndo, para brincar mais uma vez de cavalinho... A partir de agora, eles brincariam todos os dias, todas as horas, minutos e segundos... Eles não se separariam nunca mais. Scully chorava emocionada olhando para os dois, pai e filha. Segurando seu pingente em forma de crucifixo, sua marca registrada, ela agradeceu aos céus pela filha que não acreditava mais vir a ter, agradeceu também pelo pai de sua filha, pelo amor de sua vida. Finalmente eles estavam juntos, unidos por um laço mais forte do que qualquer outro. E seriam felizes, felizes para sempre. Ela sabia. - Oi, Mu... Mul... – esforçava-se Claire. - É Mulder, querida – completou Scully, enxugando as lágrimas que insistiam em cair. - Quer dizer que você não sabe falar o meu nome, sua danadinha? – brincou Mulder – Então... Pode me chamar de Fox. - Ah, ah, ah... Que nome engraçado, Fox. - Hummmmm, você vai mesmo ficar tirando onda com a minha cara, malandrinha? Scully, onde será que ela arranjou essa mania de provocar os outros? Scully sorriu, e nem se preocupou em responder. Ela tinha certeza de que amaria muito aquela criança. Afinal, sua filha era a cara – e o jeito – do pai, tudo que ela mais amava na vida. E foi justamente a certeza desse amor que afastou o medo que ela tinha de se envolver. O amor de Mulder a salvou. Enquanto eles saíam do prédio e se dirigiam ao carro, a discreta e sombria figura continuava a observá-los, e chegou até mesmo a esboçar um sorriso, fumando um cigarro atrás do outro... Autora: Ana Flávia Vitorino (Hanna X) E-mail-me: hannavitorino@hotmail.com _____________________________________________________________ ______________ _ 8 1