AUTORAS: Camilla Ares e-mail: camilla_scully@zipmail.com.br D@n@Scully e-mail: cris_scully@arquivo-x.com SÍNTESE: Em uma perseguição a um bandido perigoso algo sai errado, o que faz Scully tomar uma importante decisão em sua vida. CATEGORIA: Shipper Túnel de Luz Washington, DC 10:46 PM —Scully! vai por este lado que eu vou pelo outro, ok? - disse Mulder —Certo! Ela saiu em disparada pelo corredor , arma em punho. Apesar de estar acostumada com este tipo de situação, intuía que algo estava errado. Eles estavam atrás de Reid Johnson, um psicopata com poderes telecinésicos. O homem era perigoso e havia matado três dos homens que acompanhavam os agentes. Mulder sabia que poderia deixar Scully sozinha, afinal ela era ótima em caratê e uma especialista em tiro. Os dois correram pelo prédio em construção, por onde o bandido havia fugido, e começaram a subir pelos andaimes. Mulder começou sua caçada pela parte da frente do prédio, enquanto Scully ficou encarregada da parte de trás. Ela subiu com alguma dificuldade, pois o salto que usava estava atrapalhando seu equilíbrio entre as vigas. Estava no quarto andar quando avistou o homem, que se encontrava escondido entre uns ferros e algumas madeiras. —Saia daí com as mãos para cima! Você não tem para onde fugir, o prédio está cercado, entregue-se ou não sairá daqui com vida! - ela gritou Neste instante o homem se levantou e ficou olhando para ela fixamente. Ele sabia o que iria acontecer. Neste momento Scully viu Mulder vindo por trás do bandido. Ela alertou o homem mais uma vez, e este continuava a fitá-la de modo estranho, foi então que Mulder o agarrou, e eles começaram uma luta corporal muito intensa. De repente um tiro foi escutado. Scully estava paralisada, não conseguia nem mover sua cabeça, foi quando Mulder caiu de joelhos ,e em sua boca havia sangue. Ele olhou para Scully e caiu em cima de uma tábua que servia de piso. Ela se desesperou, e na ânsia de ir ao encontro de seu parceiro escorregou e caiu. Ao bater no chão, estava quase inconsciente. Alguns homens vieram em seu auxílio e a única coisa que ela pode dizer antes de desmaiar foi: —Salvem o meu parceiro... salvem o Mul-der! HOSPITAL STA MÔNICA 30 minutos depois Scully estava deitada, com alguns aparelhos ligados a seu corpo. Seu batimento cardíaco estava lento, e seu estado preocupava os médicos. Skinner estava sentado do lado de fora do quarto de Scully, e não conseguia acreditar no que acontecera. Apesar do homem ter sido preso, ele não conseguia se sentir satisfeito, era doloroso demais para ele ver que seus melhores agentes estavam gravemente feridos. Mulder estava na UTI em coma, e Scully desfalecida. Que diabos estava acontecendo? Ele se perguntava. De repente uma correria começou. Vários médicos e enfermeiros entraram no quarto de Scully, que parecia estar acordando. Era um milagre. Ela olhou em sua volta, e mais do que depressa pediu para ver Mulder. Ela já estava se levantando da cama quando foi impedida pelo médico de sair do quarto. —Escute aqui, eu sou médica e sei quando eu estou ou não em condições de andar. Agora me deixe que eu vou ver meu parceiro! – sua voz estava alterada —A senhora é que sabe... - consentiu o médico, vendo que seria inútil barrá-la Ela saiu do quarto, ainda não estava totalmente recuperada mas seu desejo de ver Mulder era maior que sua preocupação com seu bem estar. Skinner ao vê-la passar gritou e foi a seu encontro. — Agente Scully, você não está bem para correr desse jeito! - disse ele, preocupado —Eu quero ver o Mulder, será que alguém pode me dizer onde ele está? - arregalou seus grandes olhos azuis —Venha comigo que eu lhe mostro - Skinner puxou-a pelo braço Ao chegarem na UTI, Scully não podia acreditar. Lá estava ele, em coma, e por causa dela, que não atirara no bandido enquanto foi tempo. Seus olhos começaram a encher-se de lágrimas e uma tristeza profunda foi tomando conta de seu corpo. Ela caiu no chão, inconsolável, de repente toda a força que ela havia guardado havia se acabado. Skinner estava igualmente comovido, ele levantou-a do chão e pediu que voltasse ao quarto. Ela atendeu o pedido de Skinner. Ao chegar no quarto, ainda chorando, pediu que deixassem-na sozinha. Ela se dirigiu ao banheiro e lavou o rosto, mas as lágrimas insistiam em cair. Foi então que a pior notícia do mundo foi dada. —Agente Scully? disse Skinner com a voz trêmula —Sim... —Eu... acabei de ser informado que... o agente Mulder... acabou de falecer. Saiu do quarto em seguida para não chorar na frente dela. Scully conheceu o lado negro de sua vida neste instante. Ela simplesmente não conseguia acreditar que o único homem a quem realmente amara estava morto, um desespero profundo tomou conta de sua alma e ela desmaiou. Os médicos haviam encontrado-a caída no chão do quarto. Seus lábios estavam roxos e sua pele muito fria. Acharam que ela estava entrando em coma também, pois os sinais vitais haviam caído muito. Mas um milagre mais uma vez se sucedeu e Scully acordou ofegante, como se tivesse corrido quilômetros de distância. Mais um dia no hospital e ela se recuperou e teve alta. O pior começaria exatamente agora. Scully deixou a sala meio atordoada. Era muito difícil aceitar a idéia que Mulder se fora para sempre. Além disso, sentia-se inútil por não ter sido capaz de salvar a vida de seu parceiro. Que droga de agente era ela? Esse era o único pensamento que Scully tinha em sua mente enquanto se dirigia para sua casa. Ficara incumbida de tomar todas as providências para o funeral, que seria na manhã seguinte. Também ficara de dar a terrível notícia para Teena Mulder e para os pistoleiros. Em seu apartamento não conseguiu conter a crise de choro. Tinha acabado de perder um grande amigo, aliás Mulder era muito mais do que isso. Ele a salvara por diversas vezes, era o único em quem podia confiar, o único que amava. Sim, ela o amava já há algum tempo, na verdade desde o começo, quando se conheceram, quando ela entrou pela primeira vez naquela sala no porão. Mas talvez por medo de não ser correspondida, ou por receio de estragar a amizade que se formara entre os dois, preferira reprimir tal sentimento. E agora nunca mais teria a chance de dizer a Mulder o quanto o amava, o quanto o admirava, apesar de suas esquisitices, ou de agradecê-lo pelas inúmeras vezes em que arriscara a vida por ela. Agüentaria levar sua vida adiante? Ficou pensando em como seria dali pra frente. O que faria? Não iria continuar com os arquivos x, não podia sem Mulder, e em hipótese alguma iria querer outro parceiro. Não tinha nem ao menos vontade de continuar vivendo sem ele. Era sofrimento demais, talvez não suportasse. Todos esses sentimentos rondavam sua cabeça, embaralhados, deixando-a confusa. Scully estava deitada em sua cama, agarrada a seu travesseiro, que já estava úmido com suas lágrimas. E acabou adormecendo. No dia seguinte, foi ao funeral. Havia poucas pessoas, Skinner, Byers, Langly, Frohike e a Sra. Mulder. Foi uma cerimônia rápida. Depois Scully foi para o Bureau, mesmo Skinner sugerindo que tirasse o dia de folga. Ela queria arrumar logo suas coisas, e as coisas de Mulder. Scully decidira que deixaria os arquivos x aos cuidados dos agentes Spender e Fowley, mesmo achando que os dois não passavam de vermes. Embora tudo aquilo significasse a vida de Mulder, sua luta, nada mais tinha importância, de nada adiantaria ela correr atrás da "verdade" sem Mulder estar lá para vê-la. Talvez ela nem mesmo continuasse a trabalhar no FBI, estava pensando seriamente na hipótese de largar tudo e tentar a carreira de medicina. Lembrou-se de quando tinha decidido pedir demissão depois de ela e Mulder serem acusados pelas mortes na explosão do prédio em Dallas. Mas Mulder a impedira. Aliás, ele fizera mais, ele quase a beijara, se não fosse aquela maldita abelha. Agora não tinha mais Mulder, nada mais a prendia, nada. Novamente não conseguiu conter as lágrimas. Terminado de empacotar todas as papeladas e objetos do escritório, Scully foi para seu apartamento. Sentou-se em seu sofá, com o pôster I Want to Believe nas mãos. Aquele pedaço de papel significava muito para ela. A placa com o nome Fox Mulder a fez recordar de seu rosto. E dos raros sorrisos que iluminavam seus dias. —Mulder... por que me deixou? - ela falava sozinha De repente um vento forte soprou e a cortina da janela derrubou um pequeno vaso que estava em uma mesinha. Ela olhou assustada. Ficou arrepiada, sentiu um frio que lhe gelou a espinha. Pensou estar doente e resolveu ir para a cama. Deitou-se e se embrulhou no edredon, tal qual uma menina assustada. Seu estado físico e mental eram deploráveis. Ela não tinha vontade de fazer nada, se sentia fraca e desolada. Ao encostar a cabeça no travesseiro lembrou-se do fatídico dia. Estava se sentindo culpada, e um sentimento auto-destrutivo passou por sua mente neste instante. Pegou o frasco de tranqüilizantes que estava em seu criado-mudo e colocou um punhado deles na mão. Relutou mais uma vez e finalmente colocou apenas uma pílula na boca. O sono chegou rápido, e em seus sonhos ela pôde ver Mulder sorrindo para ela. Ela foi chegando perto dele, estava chorando, mas dessa vez de alegria por reencontrá-lo. Eles passearam por um grande jardim cheio de crianças e antes que fosse embora ele lhe disse: —Scully, não desista de mim tão fácil! Você deve continuar com nossa busca - ele tocou em seu rosto com as costas da mão Ele de repente desapareceu. Scully acordou assustada, passou a mão em seu rosto e pode sentir o perfume de Mulder. Sua mão também tinha a mesma fragrância, ela estava impressionada. Sentou-se na cama tentando relembrar seu sonho. Foi quando alguém bateu à porta. Scully levantou- se, tentando se recompor, estava chorando. Secou as lágrimas com as mãos e foi atender a porta. Deu de cara com uma mulher aparentando 30 anos, cabelos escuros, curtos, que nunca vira antes. —Você é Dana Scully? – perguntou a mulher —Sou... você é...? —Meu nome é Shirley O'Hara, posso falar com você? —Sobre? —Tenho um recado de um amigo seu, Fox Mulder...Posso entrar? —Quê??? Olha, não estou nem um pouco afim de brincadeira, tá? Meu humor tá péssimo hoje... Scully bateu a porta, mas a mulher não desistiu e continuou falando. —Não estou brincando – dizia – eu sou médium e seu amigo entrou em contato comigo! —Não sei como você sabe dele, ou soube de mim, mas não acredito em vida após a morte... —Ele acabou de me dizer que existe sim, vida após a morte, que é pra você deixar de ser tão céptica... Scully estava em conflito consigo mesma. Não acreditava que pessoas do "além" pudessem se comunicar com o "mundo dos vivos" , não havia comprovação científica de ser possível esse tipo de comunicação. Por outro lado, queria imensamente acreditar que de alguma forma Mulder ainda estava perto dela. Estava vulnerável com a perda que sofrera, como ficou quando seu pai faleceu. Chegou de verdade a achar que aquele vidente pudesse de fato trazer recados do seu pai. Scully estava absorta em tais divagações quando a médium recomeçou. —Ele me alertou que você não ia acreditar em mim, por isso pediu para que eu trouxesse isso aqui – tirou um pacotinho de sementes de girassol da bolsa. Pegou um punhado e passou por debaixo da porta. Scully olhou aquilo e sentiu um nó na garganta. Diante de seus olhos, uma semente de girassol se arrastou pelo chão, foi subindo pela parede e flutuou até perto dela. Scully abriu mão e a semente pousou em sua palma. —Ele falou que é para você nunca se esquecer dele – falou Shirley Scully fechou a mão e não conteve as lágrimas. Então abriu a porta para que a vidente entrasse. —Olá! – a mulher estendeu a mão para cumprimentá-la – Eu sei como essa situação é estranha, mas acredite, ele está aqui. —Aonde? - Scully chorava copiosamente, ela queria acreditar —Ele está do seu lado direito. E está pedindo para que não chore. —Mulder? - ela virou-se para o lado onde estava o espírito de Mulder —Ele disse que você está linda! - Shirley sorriu —Por favor, me perdoe por não ter te salvado... eu... eu não consegui me mover quando vi que você estava baleado... me desculpe... - baixou os olhos —Ele disse que não foi culpa sua, e que você tem uma missão. —Uma missão? Como assim? - Scully arregalou os olhos —Ele disse que pela primeira vez você deve acreditar no que ele vai falar. —O quê? —Ele disse que te ama!!! Neste instante Scully deu um longo suspiro, ergueu a sobrancelha, balançou a cabeça como se estivesse negando algo. Voltou seu olhar para a vidente: —Vá embora daqui! Você é uma oportunista que deve ter lido a história no jornal e quer arrancar algum dinheiro meu. Mas eu não vou cair neste truque. - ela estava irritada —Ei! Não venha com ofensas, eu só estou aqui por que ele me procurou e insistiu que eu a procurasse. Mas afinal de contas o que tem de errado em ele dizer que te ama? —Esse não é o Mulder... ele jamais me falaria algo deste tipo. E o truque da semente foi muito bem bolado, parabéns, você deve estar rica enganando as pessoas desta maneira. Só nunca se esqueça de que eu sou do F.B.I. e posso te prender a hora que eu quiser! - ela não era mais uma agente, mas falou só para assustar a mulher —Bom... como vê, senhor Mulder, eu tentei, mas ela é dura na queda. Agora está por sua conta! Adeus! - a vidente saiu cabisbaixa Scully, fechou a porta e desabou no sofá. Ficou imaginando se a história fosse realmente verdade e Mulder estivesse ao seu lado neste momento. De repente a televisão ligou. Ela olhou assustada, o controle remoto estava longe e ela não poderia tê-lo apertado por engano. Caminhou até o aparelho e o desligou. Ao sentar no sofá, a TV ligou novamente e começou a trocar de canal muito rápido. Ela estava apavorada, mas não conseguia se mover, o pânico tomava conta de todas as células de seu corpo. Foi quando a imagem congelou, o som foi aumentado e então um rosto podia ser visto. Sim, era Mulder. Sua face não podia ser vista por inteiro, somente metade dela e mesmo assim com grande dificuldade. Mas o som era nítido. —Scully! Você está me ouvindo? - ele perguntou —Hã...Hã! - ela tentou pronunciar —Scully, você precisa acreditar. Eu não posso mais ficar sem você, eu me sinto sozinho, triste. Nada mais me motiva, a não ser quando eu olho para seu lindo rosto e vejo o quanto você me ama. Ah... Scully, este mundo é tão chato... não tem ninguém para me questionar, pra me aborrecer... eu sinto sua falta, Dana, eu queria ter te dito isto antes... Eu Te Amo. Ela ajoelhou-se de frente à TV, tocava a imagem como se estivesse acariciando o rosto dele. Não podia mais ficar sem sua presença, ela queria senti-lo, amá-lo. Queria poder acordar todos os dias e saber que iria ver seu lindo rosto, mas a realidade voltou para sua cabeça e ela afastou-se da televisão. —Vá embora, Mulder! Você está me fazendo sofrer ainda mais. Me deixe sozinha para que com o tempo eu me recupere. Eu te amo, e sempre amarei, mas por favor... vá embora. - dizia chorando Ao pronunciar as últimas palavras o aparelho desligou. Ela correu para o quarto e jogou-se na cama. Tudo era muito confuso. Mais uma vez ela teve de tomar remédios para dormir. Seu estado de depressão estava muito avançado. Fazia quase duas semanas que ela não saía de casa e não atendia telefonemas. Sua mãe estava desesperada, assim como seu irmão e Skinner. Eles batiam na porta, suplicavam-lhe que abrisse, ou que pelo menos telefonasse dizendo que estava bem, mas ela os mandava ir embora. Queria ficar sozinha, com sua tristeza. Algumas vezes, em seu quarto, durante a noite podia sentir que ele estava ao seu lado na cama. E jurava tê-lo visto sentado ao lado da cama zelando seu sono. Em uma noite de Domingo, ela tomou a decisão mais importante de sua vida. Trocou de roupa, saiu do seu apartamento e foi até a farmácia mais próxima. —Duas caixas de DalmDorm, por favor! - pediu O atendente pegou as duas caixas e entregou a ela, que pagou e saiu apresada. Chegou em seu apartamento, colocou seu pijama preferido, escreveu algumas palavras em seu diário e pegou os comprimidos. Colocou uma boa parte deles na boca e os engoliu. Depois de alguns segundos o efeito veio como um trem. Sua cabeça estava pesada, seus olhos não conseguiam ficar abertos, ela suspirou, pela última vez. Neste instante ela pode se ver em um túnel de luz, ela foi andando por ele, devagar, quase que flutuando. Ela viu uma imagem no fim do túnel... sim ela podia reconhecê-lo, era Mulder que a esperava. Ele estava chorando. Ela se aproximou dele e tocou seu rosto, agora podia senti-lo. —Por que está chorando? - Scully perguntou —Você não devia ter feito isso, Scully! - disse Mulder —Mas eu queria estar com você, para sempre! – falou sorrindo —Volte, Scully, por favor, volte! - ele pedia —Eu não agüento mais ficar sem você! —Agüenta sim, você é forte! E aqui não é seu lugar... – fez uma pequena pausa - Scully, tem mais uma coisa que preciso te dizer antes de ir... Eu amo você, Scully, e sempre te amarei! —Eu também te amo! – ela disse com a voz embargada Mulder sorriu. —Até um dia, Scully! Agora... Volte! Mulder foi caminhando em direção à luz, e desapareceu. Ela simplesmente não entendia o porquê do pedido dele. Foi quando sua irmã Melissa chegou e abraçou-a. Segurou os braços de Scully e a conduziu de volta à vida. —Ainda não, Dana... um dia, mas não hoje! - sua voz era suave Scully foi capturada pela luz. Viu-se caindo em grande velocidade e quando se aproximou do chão... HOSPITAL STA MONICA 07:24 PM Scully foi abrindo lentamente os olhos. Sentia-se fraca, e uma enorme angústia e tristeza sufocavam-lhe o peito. Alguém afagava seus cabelos. Então pôde reconhecer Mulder, que sorriu quando viu que ela havia acordado. Ela não hesitou em dar-lhe um forte abraço. Seus olhos estavam úmidos, mas agora chorava de felicidade. Depois fitou profundamente os olhos verdes de seu parceiro e não se conteve, beijou-lhe os lábios com toda paixão. Mulder correspondeu ao beijo, mesmo sem entender a atitude totalmente inesperada de Scully. —Tá tudo bem com você, Scully? —Eu te amo, Mulder! Não sei o que seria da minha vida sem você! – ela exibia um sorriso de lado a lado Mulder foi totalmente pego de surpresa com essa declaração repentina de Scully. Porém ficou muito feliz, pois ele também a amava demais. Não disse nada, apenas sorriu e deu-lhe um beijo terno e carinhoso. —Mulder, o que aconteceu comigo? Ele explicou que foram levados ao hospital após terem sido feridos por Reid Johnson. Mulder levara um tiro no peito mas em uma semana estava recuperado. Já Scully chegara ao hospital em coma devido à batida na cabeça e permanecera assim por duas semanas, até acordar, naquela noite. Scully depois contou a Mulder sobre o que agora sabia ter sido apenas um horrível pesadelo, um peça assustadora pregada pelo seu subconsciente. 1 semana depois Apartamento da Scully 8:32 PM Scully já estava totalmente recuperada. Nenhuma seqüela, mesmo após a forte pancada que seu crânio sofrera. Após sair do hospital Mulder acompanhou-a até seu apartamento. Estava se mostrando muito atencioso, abriu a porta para que ela entrasse e pediu-lhe que fosse até o quarto descansar enquanto ele iria preparar um chá. —Mulder, eu já descansei demais, deixa eu te ajudar a preparar o chá! - ela disse sorrindo —Não senhora, vá colocar uma roupa bem confortável e deitar naquela sua cama linda e confortável que eu já vou te fazer companhia. - ele deslizou os dedos sobre os cabelos dela —Está bem, DOUTOR! - ela saiu em protesto Ao chegar em seu quarto, olhou para sua cama e um pensamento, digamos, malicioso, passou por sua mente naquele instante. Ela abriu seu guarda roupas e começou a procurar por uma linda camisola que havia comprado há muito tempo. Ao encontrá-la, seus olhos brilharam, ela foi ao banheiro e vestiu-se. Voltou ao quarto e desarrumou a cama, deitando-se logo em seguida. —Prontinho! - ele apareceu na porta com uma xícara na mão —Já? - ela disse arregalando os olhos —Viu como eu sou prendado, Scully? Agora toma tudinho. - ele sentou- se na cama Mulder ficou admirando a beleza de sua parceira, enquanto ela tomava o chá. Não conseguia deixar de fitá-la, seus olhos azuis, seus cabelos castanho avermelhados, sua boca . Ela era perfeita. Ele então se reclinou um pouco sobre ela e lhe roubou um beijo. Scully retribuiu apaixonadamente, calorosamente. Eles se abraçaram e novamente trocaram um beijo, este muito mais intenso que o primeiro. As mãos dele agora estavam entrelaçadas nos cabelos dela. Eles se separaram. —Scully, eu quero muito, mas se você não achar que é o momento... —Cala a boca e me beija, Mulder! Ele atendeu ao pedido da amada prontamente. Ela desabotoou a camisa dele com grande habilidade. Ele olhou para a camisola que ela estava vestindo. —Scully, sua danada, você tinha planejado tudo não é? —Digamos que eu tive um pressentimento! – ela deu um sorriso maroto Mulder retirou a camisola de Scully, lentamente. Analisou cada parte de seu corpo, e não conseguia definir qual era a que mais gostava. Tudo nela era perfeito. Scully estava admirada com o corpo que Mulder escondia debaixo daqueles ternos e sobretudos. Isso tudo agora era dela. Os dois deixaram-se levar pelo desejo e amaram-se incondicionalmente. Todo aquele platonismo que existiu nos sete anos de parceria se transformou em paixão. Seus corpos pediam um ao outro de uma maneira avassaladora, e eles entregaram-se de corpo e alma àquele momento. 9:24 AM Mulder acordou, espreguiçou-se. Tivera uma noite ótima, como há muito não tinha. Sentia-se muito feliz. Olhou para o lado. Scully ainda dormia. Fitou-a com ternura e acariciou suavemente o rosto dela. Ela abriu os olhos e sorriu para Mulder, colocando sua mão sobre a dele. —É tão gostoso acordar com você me fazendo carinho! —E é tão bom acordar com você do meu lado! Mulder inclinou-se e seus lábios tocaram os dela em um beijo suave, que aos poucos foi se tornando mais e mais intenso e apaixonado. E o clima esquentaria ainda mais se não fossem interrompidos pelos os insistentes toques do telefone. —É melhor eu atender... – Scully suspirou – Alô? Oi, mãe! Tudo bom? Enquanto Scully falava ao telefone, Mulder ficava beijando o pescoço dela e fazia gracinha para ela rir. —Pára, Mulder! – ela pedia, claro que sem muita convicção, e ele continuava – Não, mãe, não é nada, eu tô ótima! Um beijo, mãe! Tchau! – desligou o telefone – Você não tem jeito mesmo, né, Mulder? – falou sorrindo. Ele olhou para ela fazendo sua peculiar expressão de cãozinho abandonado. —Vou fazer alguma coisa pra gente, comer, tá? —Tá legal – ele sorriu – eu tô morrendo de fome! Eles trocaram um beijinho e foram para a cozinha. Depois de tomarem café foram para sala, onde Scully contou todos detalhes sobre sua experiência enquanto estava em coma. Scully estava sentada no sofá e alisava os cabelos de Mulder, que estava deitado no colo dela, comendo suas preciosas sementes de girassol. —Parecia tudo tão real, Mulder! É impressionante... Mulder então explicou a ela que mesmo estando em coma, o subconsciente continua trabalhando, juntando as experiências vividas com os desejos guardados no que os psicanalistas chamam de ID e constantemente reprimidos no SUPEREGO. Era, mais ou menos, o mesmo mecanismo dos sonhos. —Seu cérebro lhe pregou esta peça para que você pudesse continuar viva! E pudesse estar agora nos meus braços! Ela deu um sorriso e continuou a afagar-lhe os cabelos. A campainha tocou. Scully levantou-se para atender. Ao abrir a porta levou um susto. A mulher que estava parada em frente à sua porta, era... —Shirley O`Hara? - Scully perguntou surpresa —Não, senhora, meu nome é Mary Jo... Por acaso foi aqui que pediu comida chinesa? —Foi sim! - Mulder respondeu, pegando a carteira - Obrigado! —De nada! - a mulher sorriu para Scully que estava paralisada em frente à porta e despediu-se Mulder colocou a comida na cozinha e chamou Scully. —Dana, querida, vamos almoçar! —Estou indo... - ela respondeu. E abanou a cabeça como que dizendo para si mesma : - É besteira! Eles almoçaram tranqüilos, conversaram sobre futilidades e depois do almoço acharam melhor "dormir" um pouquinho. Ficaram no quarto o resto do dia... e da noite também. Fim