SI VIS PACEM PARA BELLUM by Sculder Ecks DISCLAIMER: Infelizmente os personagens desta fanfic não pertencem à mim, mas sim à CC, DD, GA, TT e FOX. Não há qualquer obtenção de lucro, e blá, blá, blá... CATEGORIA: Inexplicável/UST (mas é bem pouquinho, só prar quebrar o clima frio...) SINOPSE: Continuação de AD VERSUS OMNES NOTA DA AUTORA: Como eu disse na fanfic anterior, alguns fatos aqui relatados são verídicos. Mas por favor, não se impressionem! Ah, o significado do título da fanfic está no fim dela, então vocês vão ter que ler até o fim mesmo! XX SEDE DO FBI - WASHINGTON D.C. 30 de Novembro de 2000 AM 9:02hs - Você está querendo me dizer que elas são uma cópia de Jesus Cristo, Mulder?! Ele não respondeu à insinuação da parceira. Limitou-se a suspirar e apoiar o rosto sobre as mãos. Estava realmente muito cansado, não havia dormido na noite anterior tentando acabar de ler o livro dado a ele por Lady Mary. E não conseguira. Mulder estava completamente envolvido com o caso, como nunca estivera em qualquer outro. Conforme ele lia o livro, mais as peças do quebra-cabeça se encaixavam. Podia ser difícil de compreender a situação em que se aprofundava, os mistérios que circundavam duas adolescentes. Entretanto era impossível negar a coincidência que se formara entre Ithy e Gake e as irmãs do livro. Continuava mergulhado em seus pensamentos quando Scully o segurou pelo braço. - Mulder??? - ela falou em tom de voz mais alterado. - Ahn? - Mulder falou voltando ao mundo real. - Você não ouviu nada do que eu disse, não foi?! - Desculpe, Scully. Eu estava pensando... - ele olhou para ela - quando foi mesmo que elas se conheceram? - Não lembro bem, acho que foi dia 4 de maio... Mulder arregalou os olhos, correu até o livro de capa verde musgo e começou a folheá-lo como se procurasse por algo. Parou numa das páginas e correu o dedo por ela, lendo bem rapidamente. Sorriu com ar incrédulo. - O que houve, Mulder? - Scully perguntou aproximando-se. - Ouça isso, Scully. - Mulder disse erguendo o livro. - "As duas irmãs nunca souberam da missão até completarem 14 anos. Algumas pessoas relataram que na noite de 4 de Maio de 46 a.C., viram uma luz muito forte entrando pela janela da casa onde elas habitavam. Esse fato foi ignorado pela cidade onde moravam, pois as próprias meninas disseram não terem visto nada. As duas irmãs nunca foram bem aceitas pela sociedade em que viviam, eram consideradas revolucionárias com idéias morais indignas, por isso elas se distanciaram completamente das outras crianças passando a conviverem isoladas. Na maior parte do tempo na floresta, perto da cidade em que moravam. A mãe das duas mudou-se várias vezes das casas em que moraram, após elas terem completado 14 anos de idade. Nunca revelou o motivo mas especula-se que era porque as meninas diziam ver espíritos." Scully ficou parada diante do parceiro, já sabia o que Mulder estava achando daquilo tudo. Ela cruzou os braços frente ao corpo. - Elas se conheceram dia 4 de maio, e as irmãs do livro foram, bem digamos... "visitadas" nesse mesmo dia, só que há 2046 anos atrás! - Ok, Mulder. Onde quer chegar com isso? - Que essa história do livro está se repetindo novamente. Que Ithy e Gake são a reencarnação das irmãs. Scully não falou nada. Também achou tudo aquilo muito estranho. E ainda que negasse, a tal lenda combinava em tudo com a história das meninas. Mulder pegou o livro e já ia saindo quando Scully o interrompeu. - E Ithy? - perguntou muito preocupada. - Nenhum sinal. A polícia vai passar o caso para o FBI, já não há onde procurar mais. - ele colocou as mãos na cintura, afastando o casaco. - Eu tenho certeza que esse desaparecimento tem relação com a doença da Gake. - Não, Mulder. Não tem nada a ver. - Não, Scully. Tem tudo a ver. Você mesma fez os exames, não há nada. Mesmo assim ela continua piorando. Como você me explica o fato desses dois fatos terem acontecido ao mesmo tempo? Coincidências??? - Ora, Mulder... - Se não encontramos Ithy a tempo, corremos o risco de perdemos Gake também. - Mulder interrompeu. - Mulder, se eu for acreditar no que o livro diz e no que você me falou sobre ele, Ithy está morta. Como diz a lenda. - numa atitude brusca virou-se rapidamente, ficando de costas para Mulder. Mulder abaixou a cabeça e saiu rapidamente de sua sala. Ele não sabia o que fazer mais, nem se o que Scully disse estava certo. Talvez Ithy estivesse morta e Gake morreria dentro de algum tempo, a lenda se repetia. Mas não queria pensar nessa hipótese. Gake continuava piorando e depois do último desmaio no hospital ela não acordara mais. Parecia estar em coma. Mulder assustou-se com o barulho estridente do celular. Atendeu, e do outro lado da linha estava o policial encarregado do desaparecimento de Ithy. - Agente Mulder? - Sim. Quem fala? - É o Xerife Bouwens. - Alguma novidade? - Na verdade sim, encontramos uma espécie de desenho. - Desenho? - Isso mesmo. Encontramos no chão do quarto da menina, mas não estava lá antes, quando revistamos. - E o que é? - Mulder já estava correndo pelos corredores do Bureau. - Posso estar enganado, mas parece muito com árvores... - Eu retorno a ligar, Xerife Bouwens. - Mulder disse desligando. Entrou em seu carro, deu a partida e ligou para a parceira. - Scully, sou eu. Preciso que me arranje uma relação de todos os parques de Washington imediatamente. - Pra quê, Mulder? O que houve? - Me encontre no hospital. Lá eu te explico melhor. Mas, Scully, os parques têm que ter árvores, está bem? - OK, Mulder, mas o que houv.. - Scully não conseguiu terminar. Mulder desligou. Scully começou a pensar no que Mulder havia dito, de que a mãe das meninas do livro mudava-se constantemente de suas casas, por que elas diziam verem espíritos. Embora aquilo não tivesse tanta importância, ficou martelando em sua cabeça. Sentiu-se estranha. Como há dias vinha sentindo-se desde que Gake e Ithy apareceram. - Eu me lembro... - falou inconscientemente. HOSPITAL FEDERAL DE WASHINGTON D.C. AM 10:58hs Mulder entrou a passos largos no quarto da menina. Deparou-se com Sarah Fenster sentada na poltrona ao lado da cama. Parecia dormir. Chegou perto de Gake, ela estava bastante pálida. Sentou na beira da cama, respirou fundo e tentou falar com ela. - Gake? - ele pausou. - Gake, eu sei que pode me ouvir. Gake continuava como estava antes. Dormindo. - Altryna? - Mulder perguntou. Gake respirou fundo, mas não abriu os olhos. Continuava imóvel, à não ser pela respiração agitada. - Altryna, eu sei que está com Miglyne agora. Preciso que me diga onde estão. - Mulder falou pausadamente pensando em cada palavra. Gake apertou os olhos porém não os abriu. - Vocês estão em alguma floresta? Gake tentou fazer sim com a cabeça. Mulder segurou a respiração por um instante. Não conseguia acreditar. Depois pensou que deveria seguir pedindo pistas que o pudessem levar a Ithy. - Onde? - Coyone... - falou dificultosamente. - Não se pode parar o destino... Mulder por um instante ficou pensando o que significava aquilo, depois não chegou à conclusão alguma. Tentou perguntar mais alguma coisa, mas a respiração de Gake já havia voltado ao normal e a sra. Fenster havia acabado de levantar-se da poltrona, assustada ao vê-lo. - Quem é você? - ela falou elevando a voz. - Desculpe, eu não queria acordá-la. - Mulder desculpou-se mostrando sua insígnia. Sarah Fenster parecia estar um pouco mais calma, mas mesmo assim continuava indignada pela presença daquele homem. - O que quer aqui? - Sou o agente Fox Mulder. Estou tentando ajudar sua filha... - tentou explicar-se. Scully entrou no quarto e viu Mulder e Sarah. Mulder voltou- se para ela e caminhou até o seu lado. - Essa é minha parceira, Dana Scully. Scully olhou rapidamente para os dois e se ateve mais a Gake, não tirou os olhos dela. Novamente alguém entra no quarto, dessa vez, Kevin Fenster. Ele olha intrigado para os agentes e depois vai para o lado da esposa, passando a mão sobre seus ombros. - O que houve? - Somos os agentes Scully e Mulder, do FBI. - Scully diz mostrando sua insígnia, assim como seu parceiro. - Sr. Fenster, nós estamos tentando achar a amiga de sua filha, Ithy. Kevin continuou com a expressão interrogativa. - Sua filha e a amiga foram pedir nossa ajuda e... - Eu reconheço sua voz. Você ligou pra minha casa antes da Gake vir pra cá.... O que fez com ela, seu desgraçado? - Kevin foi à direção de Mulder com os punhos fechados, pronto para atacá-lo, mas foi segurado pela esposa. Os agentes se olharam, Mulder com aquela cara de desespero, por não saber como explicar a situação para os pais de Gake. - Nós não fizemos nada. Estamos tentando ajudá-las, mas precisamos que Gake nos diga onde Ithy está. - Mulder tentou explicar. - Como ela vai falar estando nesse estado?! - Kevin continuava sendo segurado pela esposa. - Gake não tem como saber onde Ithy está. - Sarah tentou completar o que o marido dissera. Mulder lembrou do "Coyone", puxou Scully para fora do quarto, enquanto Kevin e Sarah os olhavam. - Scully, você conhece algum lugar chamado "Coyone"? Scully apenas piscou. Depois tirou de dentro de uma pasta, uma lista. - Eu trouxe o que você me pediu, Mulder. - Scully disse entregando a tal lista para o parceiro. Mulder passou os olhos pela lista rapidamente. Encontrou escrito nela "Coyone Park". Ficava há menos de duas quadras do hospital onde estavam. - O que é "Coyone", Mulder? - ela interrompeu. - Scully, você não vai acreditar, eu perguntei onde Ithy estava e Gake me respondeu "coyone". Agora lendo isso, descobri que Coyone é um parque, e... - Gake acordou?! - Não! Me disse isso dormindo! Scully ficou estática, e Mulder saiu caminhando rapidamente pelo corredor. Antes de sair virou-se para a parceira. - Dá um jeito nisso, Scully! Ela olhou para dentro do quarto onde viu Kevin e Sarah Fenster olhando-a. COYONE PARK AM 11:45hs Mulder correu até o parque, havia portões bastante largos e vários bancos espalhados por ele. Era um parque pouco iluminado, pela quantidade de árvores que estavam ali. Também não era muito grande. O agente andou muito por toda sua extensão mas não achou nada. Foi então que encontrou duas lápides, já cobertas de limo e bastante envelhecidas. Mulder afastou alguns galhos para que pudesse ler o que dizia nelas. Numa delas dizia: Altryna; e na outra: Miglyne. Mulder colocou a mão na cabeça e sentiu como se tivesse recebido uma pancada, porém não havia ninguém ali. Ele caiu deitado ao lado das duas lápides e desmaiou. HOSPITAL FEDERAL DE WASHINGTON D.C. PM 5:30hs Mulder abriu os olhos com dificuldade, a imagem ainda se encontrava um pouco turva, e aos poucos foi voltando ao normal. Quando sua visão melhorou deparou-se com Scully sentada ao seu lado. Ela abriu um grande sorriso quando o viu acordar. - Que bom que acordou, Mulder. - O que estou fazendo aqui? - Eu te encontrei desmaiado no parque. Mulder levou a mão à cabeça e apertou os olhos. A dor ainda insistia, embora estivesse mais fraca. Sua cabeça estava enfaixada. - Está doendo? - Scully levou sua mão à cabeça de Mulder. - Um pouco. O que aconteceu Scully? - Eu liguei pra você, pra contar que Gake tinha acordado. Não me atendeu. Resolvi procurá-lo no Coyone Park e te achei desacordado, com esse enorme corte na cabeça... - falava em tom carinhoso. Depois retornou à expressão preocupada. - Você brigou com alguém? - Ninguém me bateu, Scully. Eu estava sozinho lá, quando senti uma dor de pancada na minha cabeça... - Mas eu também encontrei outra pessoa... - Scully apontou, sorrindo, para uma menina sentada no pequeno sofá do quarto. Mulder teve que se levantar mais um pouco para conseguir ver Ithy dormindo no sofá. Sorriu. - Ithy estava ao seu lado, parecia estar dormindo. Logo que cheguei, ela despertou assustada e disse que a última coisa que lembrava era estar em casa. - Scully continuou. - Ela está machucada? - Não, nenhum arranhão. Ithy quis esperá-lo acordar, mas acabou não conseguindo. - Scully riu. - Os pais dela virão buscá-la daqui a pouco, eles só foram fazer uma visita para a amiga da filha. - E onde ela está? - Ainda estão fazendo alguns exames com ela, mas acho que receberá alta hoje mesmo. Os dois ficaram em silêncio durante algum tempo. - Scully, tenho que te contar uma coisa. - Sim? - Eu encontrei duas lápides onde estava escrito o nome das duas irmãs do livro: Altryna e Miglyne. - Onde? - No parque. Eu devo ter desmaiado bem em frente a elas. - Não, Mulder. Quando eu cheguei só vi você e Ithy, não encontrei lápide alguma. - Mas havia duas lápides no parque, Scully! - Mulder começou a ficar nervoso. - Os policiais vasculharam o parque atrás de provas para o aparecimento de Ithy, Mulder. Não encontraram nada. - Scully, você tem que acreditar em mim! - disse segurando a mão da parceira. Scully suspirou e fitou o chão. Christine e Freddie Satter adentraram a sala, olharam carinhosos para a menina deitada no sofá. Depois se aproximaram dela e cada um depositou um beijo em sua testa. Christine virou-se, e viu Scully e Mulder. Secou algumas lágrimas e dirigiu-se até eles. - Muito obrigado por terem encontrado minha filha. - ela apertou a mão dos dois. - Estávamos desesperados... - Eu sou o pai dela, Freddie Satter. - disse aproximando-se e cumprimentando os agentes. Scully e Mulder sorriram ao verem Ithy acordando e vindo na direção deles. - Como você está, agente Mulder? - Estou bem agora. E você? - Muito confusa. Mas estou bem. Obrigada. - Temos que ir, querida. Você não quer ver sua amiga antes que ela vá embora? - Freddie interrompeu. - Claro. Vamos logo... - Ithy já foi saindo do quarto dando um tchauzinho para os agentes. Seus pais foram logo atrás. Ithy parou no meio do corredor, pensou um pouco e voltou até o quarto, aproximando-se da maca onde Mulder estava. - Eu esqueci de agradecer... Muito Obrigada. - virou-se para Scully - à vocês dois. Ficou parada por um segundo, depois a abraçou. Scully retribuiu o abraço, e logo depois deu um beijo em seus cabelos. Ithy separou-se de Scully e foi embora como tinha saído da última vez. Deixando Mulder e seus próprios pais bastante confusos. Mulder sorriu vendo Ithy sair, tentando entender aquele gesto de carinho da parceira para com aquela menina, que mal conhecia. Ela não deu nenhuma explicação, apenas sorriu também. Mulder virou seu rosto para fitar Scully. - Quando posso sair daqui? - Não sei. Acho melhor ficar aqui mais algum tempo. - Eu já estou bem, Scully... - Essa noite você passa aqui. Amanhã já pode ir. - Scully insistiu rindo, Mulder sempre queria sair antes da hora dos hospitais. - Se não tem outro jeito... - Mulder foi fechando os olhos, segurando a mão de Scully. O sono chegando cada vez mais pesado, um bocejo teimoso. Olhou para a janela de vidro do quarto, que dava para o corredor do hospital, ainda pode ver Gake e Ithy acenando para ele. Dormiu sorrindo. Elas estavam juntas. APARTAMENTO DE DANA SCULLY 04 DE DEZEMBRO DE 2000 AM 3:25hs As batidas na porta acordaram Scully. Ficou deitada um pouco, antes de levantar-se para xingar o parceiro por ter ido tão tarde a casa dela. Levantou, vestiu o roupão e saiu esfregando os olhos. Abriu a porta para encontrar Mulder do outro lado, bastante nervoso. Ele entrou rapidamente e sentou-se no sofá. Scully ainda continuava segurando a porta aberta, fitando-o sentado no sofá, agitando as pernas nervosamente. Viu que ele estava com o livro debaixo do braço. - O que há, Mulder? - Scully disse fechando a porta e sentando à frente dele. - Scully, eu... - Mulder pausou. Ficou olhando para o livro fechado em suas mãos. - Eu estava pensando nessa história toda e percebi uma coisa... - Mulder você não poderia ter saído de casa. - Scully interrompeu. - Scully, me ouça. Eu falei a você que o único homem que soube da missão das irmãs foi morto por habitantes da cidade onde morava, por ser considerado um bruxo. Nesse livro diz também que quando as irmãs reencarnarem novamente um novo homem vai ser escolhido para protegê-las... Mulder ficou quieto, já havia dito o suficiente para Scully entender. Ele ficou esperando por uma resposta dela. - Você está querendo me dizer que você é... - Scully fez ar de deboche. - Isso. É o mais provável. - O mais provável aqui é que você esteja enlouquecendo! Toda essa história não tem nada a ver, são meras coincidências. - Vai me acusar de bruxo também?! - Mulder, isso é só uma lenda. Como pode me comprovar que existiu realmente?! - E como você explica que os fatos se encaixam perfeitamente?! Scully não respondeu, balançou a cabeça negativamente e suspirou. - Se eu sou o homem encarregado de protegê-las, vou fazer isso. Nem que me custe a vida. A agente o olhou com espanto. - Você está se envolvendo demais nisso, Mulder. - E você não?! Não foi você que eu vi chorar por elas, Scully?! Que eu vi abraçar Ithy?! Scully fitou o chão, desviando qualquer olhar de Mulder. - O futuro não pertence a você, Scully... - Mulder levantou e saiu, deixando o livro sobre a pequena mesa de centro. A passos lentos e pesados Mulder andava pelo corredor do andar do apartamento de Scully. Havia ficado irritado com ela. Bastante irritado. Mesmo assim tentava compreendê-la, afinal uma história daquelas era completamente impossível de se acreditar. RESIDÊNCIA DOS SATTER AM 9:51hs Mulder estacionou na frente da casa de Ithy e a viu sentada na varanda, acariciando um cachorro. Ele desceu e foi se aproximando. Caminhou pelo quintal verde e percebeu que Ithy estava desanimada, o viu e nem se quer levantou-se. Mulder sentou-se ao lado dela. - O que houve? - Nada. - Nada mesmo? Ithy suspirou. - Estou tentando lembrar o que houve, mas não consigo. Não tenho a mínima idéia do que aconteceu nesses dias. Mulder não disse nada, apenas ouviu. Decidiu não contar nada sobre o livro, ou a lenda das irmãs, seria bem melhor que elas não se preocupassem. - Estou sentindo uma angustia tremenda, como se eu tivesse que fazer algo, não sei o quê. - Você quer fazer uma regressão? - Mulder indagou após um tempo de silêncio. - Talvez consiga lembrar o que houve. - Eu não sei... - disse baixinho. Sra. Satter abriu a porta deparando-se com Mulder sentado em sua varanda. O olhou com alegria, estava bastante agradecida por ter encontrado sua filha, embora receosa diante do que a parceira dele dissera sobre Ithy. Ele levantou e foi cumprimentá-la, depois pediu que entrassem para conversar. - Eu queria que a senhora desse permissão para Ithy fazer uma regressão... - Regressão??? - Christine espantou-se. - Ela não lembra o que houve quando esteve desaparecida, o mais aconselhável seria uma regressão para que ela lembrasse. Christine alternava os olhares questionadores entre Mulder e Ithy. - Eu prometo que não haverá problema algum. Por fim, Christine cedeu, afinal ela só queria o bem da filha. CONSULTÓRIO DA DRA. NANCY MITCHEL AM 10:46hs - É a sua vez. - a recepcionista dirigiu-se para Ithy. Mulder levantou, seguindo-a até a porta da sala onde a dra. Mitchel esperava calmamente a entrada dos dois. Ithy ainda estava um pouco receosa, sentou em uma das cadeiras e o agente fez o mesmo. Todos ficaram em silêncio até que a simpática psicóloga iniciou uma conversa. Mulder contou-lhe o porque da regressão e que também gostaria de presenciá-la já que fazia parte da investigação. Porém, apenas disse que ela havia sido vítima de um "seqüestro" e não lembrava o que aconteceu durante. Dra. Mitchel indicou um divã para que Ithy deitasse, e iniciou a hipnose, tentando deixá-la relaxada. Depois que Ithy parecia estar "dormindo" iniciou suas perguntas, sendo instruída pelo agente Mulder. - Agora, quero que você volte ao dia 27 de Novembro do ano 2000, há uma semana atrás. Onde você está? - Estou no meu quarto. Minha mãe brigou comigo. - Ithy falou calmamente, sem qualquer alteração de comportamento. - Por quê? - A agente Scully contou tudo a ela. Minha mãe ficou furiosa comigo, disse que eu estou inventando coisas para chamar a atenção. - E o que você está fazendo agora? - Estou chorando. Não entendo porquê acreditam que estamos mentindo. Vou à direção do telefone. - Para quem ia ligar? - Para Gake. Mas não consigo. - O que houve? Mulder estava ansioso por essa resposta, bem como a psicóloga. - Vejo um homem de branco, já o conheço do supermercado. Estou paralisada, não tenho movimento algum. - O que aconteceu depois? Não houve resposta. Ithy ficou paralisada durante alguns minutos. Depois sua respiração ficou agitada. - O que aconteceu depois? - Dra. Mitchel repetiu a pergunta. Mas nada. Nenhuma resposta. - O que está acontecendo? Por que ela não responde? - Mulder estava ficando nervoso. - Eu não sei o que há. Nunca aconteceu nada parecido com isso durante uma regressão! - a dra. também parecia estar nervosa. - Eu desejei viver. - Ithy interrompeu a dra. Os dois viraram-se para Ithy e ela estava voltando ao seu estado normal. - Você desejou viver?! - a psicóloga repetiu. - Sim, eu desejei viver. Ouvi a voz de um homem dizer "não se pode parar o destino", então acordei no parque. - Sabe de quem era a voz? - Do mesmo homem de branco. - E onde você estava quando ele disse isso? Ithy respirou fundo e novamente veio a respiração agitada. Mulder começou a perceber que aquilo estava ficando perigoso demais. Pediu que a psicóloga parasse com a regressão. Ela aceitou e fez Ithy voltar a si. - Como está se sentindo? - Bem... mas confusa. - Tudo bem. - a psicóloga disse, mesmo estando mais confusa que a própria paciente. A dra. Nancy Mitchel foi dizer mais alguma coisa, mas Mulder interrompeu-a: - Nós não podemos ficar mais, desculpe. - falou rapidamente saindo da sala, sendo seguido por Ithy. Deixaram a psicóloga ali, sem reação. Intrigada pela reação de Ithy diante das perguntas dela: não responder onde esteve e o que fez durante os 8 dias em que ficou desaparecida. Já dentro do carro de Mulder, Ithy estava pensativa. Tentava entender tudo o que aconteceu com ela durante o tempo que esteve desaparecida, mas não conseguia. Agora, só lembrava do homem de branco, o mesmo que havia "aparecido" para ela e Gake no supermercado. Era o mesmo, com toda a certeza. - Você está bem? - Mulder perguntou ao vê-la quieta. - Não se pode parar o destino... o que quer dizer isso? - Ithy falou pausadamente. Mulder deu a partida e engoliu em seco. Depois de andarem algumas quadras ele começou a falar. - Gake me disse a mesma coisa no hospital... - O quê? - "Não se pode parar o destino", foi o que ela disse. - percebendo a atenção de Ithy com o que ele dizia, prossegui. - Gake desmaiou quando você desapareceu. Acordou e logo desmaiou novamente no hospital. Só acordou de novo, quando eu encontrei você... Ithy continuou pensativa, tentando entender, embora não chegasse a uma conclusão satisfatória sobre nada. - Você poderia me deixar na casa dela? - Claro, aliás, eu também queria falar com ela. Seguiram mais alguns metros sem dizer nada. - Seria melhor, que de agora em diante, vocês ficassem o tempo todo juntas.- Mulder falou para Ithy. - Pode ser uma segurança a mais. - Tudo bem. Me empresta o seu celular? - Pode usar. - Mulder respondeu entregando a ela. - Mamãe! Sou eu. Vou dormir na casa da Gake, ok?! (pausa) - Está tudo bem, foi tudo muito bem... (pausa) - Não, mãe. Estou com o agente Mulder. (pausa) - Tá, mãe. (pausa) - Tá, mãe. Tchau! - Ithy falou desligando com uma cara irritada. - Minha mãe enche o saco! Mulder só pode rir, enquanto Ithy dizia que sua mãe estava "enchendo o saco" desde que ela desapareceu. RESIDÊNCIA DOS FENSTER AM 11:50hs Ithy desceu do carro, juntamente com Mulder. Foram até a porta da casa de Gake e bateram. A sra. Fenster veio abrir e deparou-se com os dois. Mulder ficou constrangido diante dela, já que no hospital eles haviam tido uma conversa não muito amigável. Sarah ficou parada diante dos dois, sem dizer nada. Gake apareceu atrás dela e, abrindo mais a porta, permitiu que os dois entrassem. - Mãe, por favor... - foi a única coisa que Gake disse para a mãe antes que ela saísse. Gake ficou olhando sua mãe andar pelo corredor e saiu para a varanda com a amiga e o agente. - Desculpe. Minha mãe não gostou muito de saber que eu vejo "espíritos"... muito menos que um agente do FBI está tentando me ajudar... Mulder fez sinal de positivo com a cabeça, dizendo que entendia. - Eu preciso fazer algumas perguntas para vocês, que tal um almoço? As duas entreolharam-se. Depois concordaram. - Chame sua parceira para ir conosco. - Ithy disse. - Ahn? - Talvez dessa vez ela já entenda melhor. - Gake completou. Mulder pegou o celular, enquanto Gake entrou em casa para avisar a mãe. - Mãe, eu vou almoçar com a Ithy e o agente... - ...Mulder. Já sei. - Sarah completou. - É. - Vai. Gake saiu de casa e foi até o carro. Entrou e olhou pelo vidro sua mãe na porta. Mulder, que já havia chamado a parceira, olhou para a casa de Gake vendo também a mãe dela na porta. Embora soubesse da desconfiança de Sarah diante dele e sua parceira e que a história dos "espíritos" era muito difícil de se compreender, sabia que precisava da aprovação dos pais das meninas para que sua investigação não parasse. E que também pudesse ajudá-las, já que pela lenda do livro ele era o escolhido para protegê-las. Percebeu, então, que Sarah deu um tímido sorriso, ele retribuiu. Havia ganhado a confiança dela. Ainda bem. STRONER'S RESTAURANT PM 12:30hs Mulder, Gake e Ithy adentraram o restaurante e rapidamente encontraram uma mesa. Sentaram e esperavam Scully antes de fazerem os pedidos. - Você tem certeza que eu disse isso? - Gake estava aflita. - Tenho. - Mulder confirmou sem dar maiores explicações. Se ele dissesse que havia chamado Gake de Altryna e Ithy de Miglyne, ou seja, as irmãs do livro, revelaria o que elas ainda não deviam saber. - Eu não entendo... eu não lembro de nada disso. - O pior de tudo é que eu vi o mesmo homem do supermercado, e ele falou comigo. - Ithy interrompeu. - Disse a mesma coisa que você disse no hospital, exatamente a mesma coisa. - E você não lembra o que houve quando... - Gake perguntou sem completar o resto da frase. - Não. Parece que existe um vazio, sei lá. Como se eu não tivesse vivido esses dias, na verdade eu nem sabia que foram oito dias, vocês que disseram. - De qualquer forma é melhor que fiquem juntas sempre. Eu vou ficar o tempo que for possível com vocês. As duas sorriram, se sentiam bem mais seguras com Mulder por perto. Não sabiam explicar porquê, apenas sentiam-se protegidas. Scully chegou, deu um olá bastante sorridente para as meninas e sentou-se ao lado de Mulder. Ficou esperando que alguém lhe dissesse alguma coisa. - Ithy fez uma regressão hoje. - Mulder simplesmente falou. Scully não disse nada, ficou olhando para as adolescentes. - Não descobrimos nada, a não ser que o "homem do supermercado" está envolvido nisso. - Mulder completou. - Mulder, o policial Bouwens pediu que eu entregasse isso a você. - Scully falou mostrando um pedaço de papel com algumas árvores desenhadas. - Disse que foi isso que acharam no quarto da Ithy. Mulder pegou o papel, parecia ter sido feito no computador pois estava impresso. As árvores eram bem parecidas com a entrada do parque Coyone. - No meu quarto?! - Isso mesmo. Encontraram quando fizeram uma segunda revista, porque na primeira não havia nada. - Mulder disse entregando o desenho para as meninas. Elas examinaram por um longo tempo, e Mulder notou que Gake estava com a expressão incrédula diante do tal desenho, muito mais do que Ithy. - Não pode ser... - murmurou. - O quê? - Ithy perguntou. - Esse desenho. Não, só pode ser uma grande coincidência... mas é impossível! - Gake pegou o papel. - O que houve? - Mulder endireitou-se na cadeira. - Esse desenho é meu. Fui eu que desenhei! - Como?! - Scully interessou-se. - Quando o agente Mulder me ligou naquela noite, eu estava desenhando isso no meu computador. Normalmente eu nunca desenho, mas naquele dia, eu não sei, resolvi fazer isso. Ithy, Mulder e Scully se olharam incrédulos diante das palavras de Gake. Mas ela ainda estava olhando fixamente para o tal desenho que agora tinha colocado no centro da mesa. - Eu não imprimi isso, não deu tempo. Meu Deus, o que está acontecendo aqui? - Espera aí, como esse desenho foi parar no meu quarto? Os agentes olharam um para o outro, sem ter uma resposta para aquelas perguntas, enquanto as meninas apoiavam o queixo nas mãos. - Acho melhor fazermos nosso pedido... - Mulder limitou-se a dizer. Depois de comerem, e depois de Gake e Ithy contarem mais algumas coisas pelas quais já tinham passado, as duas perceberam que Scully e Mulder estavam um pouco frios um com o outro. Quase não se falavam e quando isso acontecia eram poucas palavras. Parecia que não estavam confortáveis com a presença um do outro porque suas idéias divergiam. Quantas vezes isso já não havia acontecido? Idéias opostas eram corriqueiras, e o estranho é que dessa vez isso os afetava. De uma forma que os deixavam desconfortáveis, tanto os agentes quanto as adolescentes. - Nós precisamos ir. Temos ginástica agora. - Ithy falou tentando sair daquela situação que se tornou um tanto desagradável. - Na escola? - É. Já faltamos muito, agora nós não queríamos perder a aula. - Eu levo vocês. - Mulder disse levantando-se. - Não precisa, não tem problema. - Gake tentou desconversar. - Eu já disse que vou ficar o tempo que for possível com vocês. Para mim não há problema algum. Há não ser que vocês não queiram um motorista particular... - falou sorrindo debochado. As duas sorriram e levantaram-se juntamente com Scully que os seguiu até a porta do restaurante. Scully não estava muito feliz com a decisão do parceiro, muito menos com as idéias que ele tinha colocado na cabeça. Durante o almoço disse pouca coisa, quase tudo em discórdia a Mulder. Eles realmente não estavam se entendendo muito bem. Gake e Ithy despediram-se muito contentes de Scully, que sempre sorria para elas. A agente estava muito envolvida com as duas, como nunca estivera em outro caso antes. ST. PHILIP HIGH SCHOOL PM 1:54hs Mulder deixou as meninas em frente à escola e não foi embora até que elas voltassem. Estava dentro do carro quando seu celular tocou. Ele levou a mão para atendê-lo. - Mulder. - Mulder, sou eu. - Mulder, eu preciso falar com você. É urgente. - Pode falar. - Não pode ser por telefone. Onde você está? - Esperando as meninas, na frente do colégio delas. O que houve? - Estou indo pra aí. Scully desligou e Mulder ficou preocupado, pelo tom de voz dela parecia estar nervosa. Olhou para o campo de futebol onde um time de meninos treinava enquanto Gake e Ithy, juntamente com mais algumas meninas, ensaiavam animadas a torcida. Com aqueles pompons bufantes e o fôlego de qualquer adolescente. Riu por lembrar que aquelas meninas poderiam ser transformadoras do mundo e que ele poderia ser uma espécie de protetor e defensor delas. Indiferente de tudo isso, Mulder sentia uma grande identificação com elas. Inexplicavelmente as duas o faziam sentir-se bem, tranqüilo, e com toda a certeza ele já sentia uma grande afeição por aquelas duas garotas... de um só destino. Em menos de 15 minutos Scully chegou. De táxi. Estava com uma expressão angustiada, digna de alguém que levou um susto tremendo. Mulder a viu descer com o livro de capa verde musgo debaixo do braço. - O que houve, Scully? Scully ficou muda diante do semblante preocupado do parceiro. - Porque veio de táxi? E o seu carro? - Eu bati. - O quê??? - Mulder ficou espantado. - Eu bati meu carro. - Como? Você não está machucada? - falou levando a mão ao ombro de Scully. - Não, está tudo bem. - ela pausou. - Mulder, o que aconteceu comigo... eu não sei..., foi inexplicável. - O que houve?! - Mulder já estava em pânico. Scully começou a folhear o livro rapidamente até encontrar o que procurava. Depois começou a falar pausadamente. - Eu estava dirigindo, depois que almoçamos, quando..., pode parecer impossível, ...esse livro estava aberto nessa página. Parei em um farol e comecei a lê-lo, e não sei como aconteceu, avancei o sinal e bati em vários carros... - Scully concentrou-se no livro e começou a ler em voz alta. - "Todos os habitantes da cidade, que desacreditaram o homem escolhido para ajudar as meninas e o mataram, foram mortos. Até hoje não se sabe o porquê ou quem fez isso. A única prova da relação das mortes com a morte do dito "bruxo" era de que todos os habitantes morreram no mesmo dia e à mesma hora. Além de que os corpos foram encontrados na mesma floresta onde as meninas passavam a maior parte do tempo, com a inscrição escrita na terra: O FUTURO NÃO PERTENCE A VOCÊS... Muitas pessoas crêem que foi uma espécie de "vingança"." Ao acabar de ler, Scully já deixava cair algumas lágrimas. Suas mãos tremiam ao segurar aquele livro. Mulder ficara estático diante dela, tentando organizar tudo aquilo em seus pensamentos. Depois de algum tempo calado, tentou perguntar alguma coisa à parceira. - Scully, você tem certeza disso? Scully apertou os lábios, já não tinha certeza de mais nada. Passou a mão pelos olhos tentando parar as lágrimas que desciam. - Quando eu entrei no carro o livro estava fechado, quando olhei de novo não estava mais. Nenhum vento é capaz de abrir um livro pesado como este... - Mas você não poderia simplesmente ter colocado o pé no acelerador, sem querer? - Pelo amor de Deus, Mulder! Eu não me descuidei! Você precisa acreditar em mim! - Agora você sabe o que sinto quando você me desacredita... - Mulder hesitou em falar mas aquilo lhe cortava a garganta. Ela ficou em silêncio, era óbvio que Mulder sentia-se mal quando ninguém lhe dava crédito, agora ela sabia. As lágrimas desciam com mais força, ela estava assustada, fragilizada. - Eu sinto muito... - disse entre soluços. - Eu sempre acredito em você, Scully... - Mulder disse abraçando a parceira. O abraço que ela mais necessitava naquele momento. Precisava de segurança, e em qual melhor lugar do que nos braços do homem que amava? Suspirou fundo e as lágrimas cada vez mais vorazes cortavam-lhe o rosto assustado que aos poucos voltava ao normal. Mulder sabia que ela precisava daquele abraço, tanto quanto ele. - Hei, meninas, quem é aquele "gato" que veio com vocês? Gake e Ithy se entreolharam. Não entendiam nada do que aquela menina dizia. - Hein? - Ithy perguntou fechando o armário. - Aquele cara que trouxe vocês... e está esperando saírem?! - a tal menina estava cada vez mais empolgada com a própria pergunta. Gake e Ithy já haviam tirado a roupa suada do treino e estavam saindo do vestiário acompanhadas da garota insistente. - Não sei do que você está falando, Dhebra. - Ithy tentou desconversar. - Ah, é? Então olha lá. - Dhebra apontou Mulder encostado no carro, junto com Scully. As duas se olharam sem saber o que inventariam para aquela "chata". - É, mas parece que ele já tem dona... que pena. - Dona? Eu não acredito que a Dhebra acha que o agente Mulder e a agente Scully... - Gake sussurrou para a amiga, sem que Dhebra ouvisse. - Isso mesmo. - Ithy confirmou. - Mas sabe? Até que eles dão um belo casal... Elas se entreolharam soltando um sorrisinho malicioso. Vendo que Dhebra continuava fazendo perguntas insistentes e indo juntamente com elas ao encontro dos dois, Ithy tentou inventar qualquer coisa. - Ele é meu tio. - falou se perguntando onde tinha esquecido sua criatividade... - E ela... é... minha tia. - Gake completou enquanto via os agentes se aproximarem. - Me apresenta? - Dhebra perguntou muito empolgada com o tal "gato". A essa altura as amigas já nem ouviam mais nada, se distanciaram da garota e quando chegaram perto dos agentes, cada uma abraçou seu respectivo "tio". Os dois estranharam, ficaram sem reação. - Disfarça, tia! - Gake disse dando mais ênfase para o "tia". - É, tio querido! - Ithy deu risada. Algum tempo depois os quatro gargalhavam dentro do carro. Scully estava bem mais tranqüila. Ela e Mulder tinham decidido não contar nada para as meninas, o livro continuaria sendo um segredo. De repente as meninas silenciaram. Quando os agentes notaram isso, olharam para o banco de trás e viram que elas estavam estranhas, sérias, com uma expressão desconfiada. - Algum problema? - Scully perguntou preocupada. - Não. Acho que não. - Gake respondeu sem tirar os olhos de suas mãos. - Olha isso. - Ithy mostrou sua mão e a da amiga para Scully. - " Si vis pacem para bellum..." - Scully se espantou com o que acabara de ler na mão das meninas. Exatamente a mesma coisa, escrita do mesmo jeito, na mão direita de cada uma. Ela virou seu rosto para fitar o de Mulder. - Se queres a paz, prepara-te para a guerra. É latim. - Mulder disse após pensar um pouco. As amigas se olharam por um instante, um tanto sérias. Algumas lágrimas começaram a assolar seus rostos demonstrando o quanto estavam com medo, pelo que tinham passado, pelo que tinham visto e pelo que ainda iriam presenciar. As respirações pausadas não negavam a apreensão que sentiam, o tremor das mãos, onde as palavras escritas denunciavam o grau onde aquela história havia chegado. Scully apoiou o queixo sobre uma das mãos, tentando pensar no que fazer, o que dizer para as duas garotas, repentinamente também sentiu um medo muito forte por elas. Mas ela, bem como seu parceiro, sabiam que nada podia ser dito ou feito em relação a isso. Não havia um caminho indicado para seguir muito menos uma forma de salvá-las daquilo. O futuro não pertencia a eles... e não podiam parar o destino. TO BE CONTINUED