SONHOS Fanfic de Lucas Zago 29/5/00 Categoria: Shipper/Continuação de "Closure". Sinopse: O encontro entre Mulder e Samantha foi real? Scully vai acreditar no que seu parceiro diz?? Nota: Essa é uma fic shipper. Já avisei... _Mulder, o que aconteceu? Ele não respondeu. Permanecia ali, calado. _Tem certeza de que está bem? _Eu estou ótimo. E Mulder olhou para o céu. _Estou livre. Mulder estava enfim livre. E, ao mesmo tempo, triste. Sim, não podia negar. Havia perdido de vez o santo graal que o motivava na busca incessante. Mas e dali para frente? Fim da linha, como ele mesmo havia dito? Scully o guiou até o carro. Ele estava bem, mas ainda um pouco tonto, deslocado do mundo real. Livre. Sim, livre. Livre para continuar a busca sem o peso que carregava durante todos aqueles anos. Estava leve. Havia enfim visto Samantha. Foi uma dádiva. Um presente de alguém do outro plano. E Mulder sabia muito bem quem era... seu nome era Teena. Teena Mulder. Scully dirigia o veículo. Tantas revelações deixaram-no meio alienado. Se bem que Mulder sempre foi... mas Scully sabia que ele era o mais são de todos os seres na Terra. Ele era único. Ele era Mulder. Pura e simplesmente Mulder. Precisa mais? _Eu vi, Scully. Com meus próprios olhos. Ela olhou para seus olhos brilhantes, lânguidos, a mão trêmula pousava sobre a perna, que, assim como o resto do corpo, estava gelado. Não era o frio. Fora a circunstância que o deixara aflito. Ele a viu. Nem podia acreditar naquilo. Depois de tanto tempo buscando por aquele momento, finalmente ocorreu. Enfim, ele estava livre. _Você a viu, Mulder? Mas como, se ela está morta? _Não está não, Scully. Está mais viva do que você pensa. Ela me abraçou. Pude sentir o calor do seu abraço... um abraço de irmãos. Ela apertou meu peito e me fez saber que estava bem. Todos estavam bem. Todas as crianças. _Mulder... elas estão mortas. Mulder parecia não ouvi-la. Estava ainda alienado, numa espécie de transe. Um momento de transição entre realidade e imaginação. Parte dele ainda estava lá com sua irmã. E outra, ali com Scully, no carro. _Eu a vi... Scully guiava o carro, dobrando esquinas, observando luzes ao longo do local. E sabia que Mulder estava falando de sua irmã. Sua irmã morta. _Eu me sinto leve. _Eu sei por quê. _Então me diga. _Por que você tirou um peso de suas costas. Você carregou o fantasma de sua irmã durante todos estes anos. _Ela está viva, Scully. _Não, Mulder. Ela está morta. _Não me refiro à vida carnal. Samantha está tão viva como nós dois. Até mais. Sua alma está feliz. Ela está feliz. Está bem, isso eu posso garantir. E eu também estou. Scully não disse nada. Apenas ouvia Mulder contar o tal encontro com Samantha. _Você nunca acredita, não é mesmo Scully? Você só acredita se a vir com seus olhos. Pausa. _Pois eu a vi. Scully continuou calada, acuada, meio sem saída. Mulder insistia. _Será que é tão difícil assim você acreditar? Como eu faço para você acreditar no que digo?? _Mulder, eu acredito. _Você acredita?? _Sim. _Duvido. Você e seu cepticismo vão juntos até o caixão. Você não enxerga além da Ciência, além de seus próprios olhos... Scully, para acreditar em algo, não é preciso ver. _Ah, não? _Não. É preciso sentir. _Oh, sim... _Quando você está dormindo e sonha, vê alguma coisa? _Não. _O sonho é a maior realidade de cada ser humano. Você sonha com a realidade. _Não, Mulder. Não é tão simples assim. Não é você quem escolhe com o que vai sonhar. _Ah, não? Pois eu afirmo que o que acabou de acontecer aqui foi um sonho. _Então você admite que não a viu realmente? _Sim. Eu admito. Admito que o que aconteceu aqui foi um sonho. _Uma alucinação... _Que seja. De qualquer maneira, foi real. O que se passou aqui foi real. Scully sabia que Mulder estava fora de si. De qualquer maneira, não queria desacreditar se parceiro. Era melhor fingir que acreditava. Ela não queria discordar dele. _Você vai ver, Scully. Eu estou dizendo a verdade. Acredite para entender. APARTAMENTO DE MULDER, HORAS DEPOIS. Era uma noite fria. Ele estava ali, sentado na cadeira, olhando as estrelas, tentando contá-las, como se fosse possível... Estava só, como sempre esteve na vida. Estava calado, como muitas vezes. Estava são, como só uma pessoa conseguia enxergar. Estava sóbrio. Puramente bem. Não queria ninguém, nem nada que pudesse prejudicar aquele momento de inspiração. Estava voando com os anjos. Um anjo de quatorze anos. Ele estava lá, a guiá-la até seu lugar. Estava lá, sempre lá. Sempre esteve. E sempre estaria. Manteria sempre contato com aquela garotinha meiga e brincalhona. Estava sempre de seu lado. Era seu irmão. O sujeito resolveu levantar-se. Cansou de observar o céu. Ao virar-se, deparou-se com uma figura branca, de estatura baixa, bem torneada. As madeixas vermelhas delatavam... era ela. Scully, a sempre Scully. A mesma Scully de sete anos atrás. Ainda céptica? Pode ser. Mas a mesma firme, forte e decidida. Porém esquivava-se quando a questão era o amor. Mulder quase nunca havia tocado no assunto com ela. Ela não parecia à vontade. A não ser com umas boas doses de vinho. Aí ela era outra. Mas sua essência permanecia intacta. Bela, inteligente, questionadora, persistente, e acima de tudo sua companheira. Sua mais fiel parceira nas horas mais difíceis. _A porta estava aberta e eu... Mulder levou o dedo à boca de Scully. Ele olhou para seus olhos, e sem dizer uma palavra sequer, ela entendeu a indagação que ele fazia. Respondeu, trêmula: _Eu vi. Ela pôde ver a ponta de um sorriso surgir na boca de Mulder. Ele sabia. Sabia que ela tinha visto. _Você viu? _Vi. Ele olhava para seus olhos azuis que brilhavam à luz das estrelas. _Eu vi minha irmã. _Você viu a Melissa? E Scully, após um longo suspiro, respondeu: _Vi. Com meus próprios olhos. Ela sentou-se. Estava tremendo. Havia passado pela mesma experiência de Mulder. Viu sua irmã. Abraçou-a, calorosamente, e sentiu que Melissa estava bem. Ela sabia que estava. Mas queria Ter certeza... aquela certeza que agora tinha. Mulder também sentou-se, interessado e intrigado com o que Scully contou-lhe. _Mulder, eu... _Você a viu, Scully. Ela parou. Olhou para Mulder. Sorriu. _Sim... eu a vi. _Agora acredita? E parou para pensar. Não restava dúvida. Não fora sonho. Foi a pura realidade. _Agora acredito... _E agora que acredita, você entende? _O quê? _Scully, você não vê? Isso aconteceu porque, no fundo, você queria que acontecesse. Tudo acontece por uma razão. E você a viu porque seu coração queria que você visse-a. Ela estava sem palavras. Menos trêmula, começava a entender que o que Mulder dizia fazia sentido. O que ele dizia era verdade. _Percebe que os seus olhos não viram nada? _Como não? _Não viram. Você enxergou além de seus próprios olhos. Enxergou aquilo que tanto queria ver. Mulder observou a maneira como Scully pensava, dispersa, meio acuada, e levou sua mão às madeixas macias da cor do sangue. _Scully... Ela olhou para Mulder. _Sim, Mulder? Mulder olhou para seus olhos, fitando-os de tal maneira que parecia hipnotizado por aquela imagem. Ele aproximou-se vagarosamente do rosto dela. Levou seus lábios aos de Scully e os selou. Beijou-a apaixonadamente. Ela retribuiu o beijo, fechando os olhos, como se estivesse no paraíso. E Mulder: _Você é a maior verdade de todas. Scully abriu os olhos. Fitou os de Mulder e respondeu, o amor aflorando naquele momento: _Se isso é sonho, não quero acordar... E beijou os lábios de Mulder, com mais paixão. A noite prometia ser fria. Mas para Mulder e Scully, a mais calorosa de todas. FIM. Feedback, por favor!