AUTORAS: Camilla Ares & D@n@Scully E-MAILS: camilla_scully@zipmail.com.br; cris_scully@arquivo- x.com NOTA: esta fanfiction é continuação de Baseball e Amor SÍNTESE: em uma investigação em Las Vegas, Mulder e Scully encontram amigas da época de colégio de Scully. CLASSIFICAÇÃO: romance/humor Revelações O relacionamento de Mulder e Scully já tinha um ano. Tudo ia às mil maravilhas. Claro que tinham umas briguinhas de vez em quando, mas faziam as pazes rapidamente, não agüentavam ficar mais de dez minutos longe um do outro. Foi quando Mulder apareceu com um caso para resolverem. "Antes eu não tivesse ido, mas até que no final valeu a pena", certamente pensaria Scully se soubesse o que estava para acontecer. Escritório Central do F.B.I. 10:33 a.m. Mulder e Scully estavam dirigindo-se a sala no porão, discutindo alguns detalhes sobre a nova investigação que deveriam fazer. —Eu sei, Dana, mas este caso parece ser um Arquivo-X! – Mulder mostrava a pasta que continha as informações para a Scully. —Fox... raciocine, este parece ser um caso comum de mortes seguidas executadas por algum serial-killer que detesta homens de meia idade, bem sucedidos e com esposas jovens. Estes homens não apresentam nenhum vínculo que os uma, portanto, eu acho uma perda de tempo essa investigação... isso é para a polícia local resolver, não o F.B.I. —Dana... olhe isto aqui. – ele apontava a ficha dos falecidos. Scully pegou a pasta e começou a ler: Primeira vítima Nome: Brat Manners Idade: 47 anos Estado civil: divorciado Profissão: Advogado Endereço: Lake Citty, Virgínia Causa da morte: hemorragia interna devido à objetos pontiagudos encontrados alojados no estômago. Segunda vítima Nome: John Tukes Idade: 45 anos Estado civil: divorciado Profissão: Historiador Endereço: Lake Citty, Virginia Causa da morte: hemorragia interna devido à objetos pontiagudos encontrados no estômago. Terceira vítima Nome: Ralph Crown Idade: 47 anos Estado civil: divorciado Profissão: Médico Obstetra Endereço: Lake Citty, Virgínia Causa da morte: hemorragia interna devido à objetos pontiagudos encontrados no estômago. —Ok... talvez haja algo de estranho nestas mortes! – admitiu Scully —Eu não disse que era um arquivo x? – Mulder fez cara de doutor sabe tudo. —Mas qual a razão para as mortes? – perguntou Scully —É simples: Todos moram na mesma cidade e são divorciados. Aqui no relatório da polícia local está escrito que ambos haviam se separado das esposas recentemente. —E daí? Isso acontece o tempo todo! —E daí que as jovens senhoras foram trocadas por garotas dez anos mais novas. Este fato pode ter gerado algum tipo de mágoa que acabou em vingança! – disse Mulder —Mas como elas conseguiram inserir os objetos pontiagudos sem que eles percebessem? —Aí é que entra a parte mais interessante da minha teoria. Estas mulheres podem ter desenvolvido algum tipo de poder psíquico conjunto, e assim ficou fácil eliminar os ex-maridos. —E quem são estas mulheres? – indagou curiosa —Pelo arquivo da polícia os nomes são: Donna Loyd, Meg Roberts e Lisa Aniston. Scully conhecia estes nomes, mas não falou para Mulder porque estas mulheres representavam algo que Scully queria esquecer. —E como vamos achá-las? – Scully quis saber —Aí é que está a parte fácil... elas estão hospedadas no Ceasar Palace, em Las Vegas, para um torneio de Bridge, que vai render uma boa quantia para o ganhador! —Você não está pensando em... – ela parou de falar ao ver a expressão no rosto do parceiro —Hã...hã! Vamos pra Vegas, baby!!!! – disse Mulder fazendo gracinha Ceasar Palace Hotel Las Vegas 10:30 p. m. Mulder e Scully chegaram de noite ao hotel que estava lotado, devido a várias convenções de executivos e reuniões de grupos da terceira idade viciados nos caça níqueis dos cassinos. Os dois registraram- se e foram ao quarto arrumar as coisas para logo em seguida espalharem-se entre os hóspedes e jogadores que circulavam ofegantes entre um jogo e outro. Scully proibira Mulder de jogar, pois ele era muito azarado e além do mais estava com o aluguel de seu apartamento atrasado em um mês. Eles então foram ao restaurante jantar e apreciar um "maravilhoso" show de uma "famosíssima" cantora local que se esgoelava ao cantar Babaloo pela terceira vez consecutiva, atendendo ao pedido de um grupo de jovens embriagados que estavam se deliciando com a "afinadíssima" cantora. Após o jantar, eles resolveram ir passear pelos outros cassinos que a cidade oferecia. Estavam com a audição um pouco debilitada devido aos agudos de Sharon Louise, a cantora do restaurante. —Fox... se eu ouvir Babaloo mais uma vez dou um tiro na cabeça! – Scully estava furiosa —O que você disse, Dana? Repete mais alto que eu não ouvi! – Mulder chacoalhava a cabeça como se tivesse algo lá dentro a incomodar. —Nada... esquece, vamos visitar os outros cassinos! – disse Scully rindo e puxando Mulder pela mão. O casal estava visitando um dos muitos cassinos da cidade quando três mulheres, todas vestidas de forma, digamos, exótica, e de gestos espalhafatosos gritou de longe: —Dana!!!!!!! Scully fingiu que não ouviu, mas não adiantou, as mulheres foram ao seu encontro. Mulder apenas olhou para Scully, como que pedindo uma explicação. —Dana, quanto tempo!!! Lembra de nós?? – perguntou uma delas —Oi, Donna... Meg... Lisa... – Scully cumprimentou com um sorriso amarelo —Uau, Dana, esse bonitão é seu marido?? Sua danada, casou e nem nos convidou? – perguntou Meg notando que os dois estavam de mãos dadas. Mulder sorriu um tanto envergonhado —Esse é Fox...meu namorado. Fox, essas são Donna, Meg e Lisa, amigas da época do colégio... – Scully apresentou-os muito a contragosto —Olá... – Mulder estendeu a mão para as mulheres —Você sempre sortuda, hein, Dana! Sempre namorando gatões! Lembra do Rick, do Bob, do Josh?? – comentou Donna, Mulder olhou para Scully um tanto espantado. Ela sorriu nervosamente. queria sumir de tanta vergonha, —E ainda continua com o mesmo corpinho de quando era chefe de torcida! Qual seu segredo? – perguntou Lisa, que estava uns 20 kg acima do peso Mulder olhou para Scully mais espantado, quase boquiaberto —Outro dia a gente conversa, temos que ir agora... vamos, Fox! Scully puxou Mulder para que saíssem de lá o mais rápido possível, antes que aquelas três a pusessem em situações mais embaraçosas ainda, se é que isso era possível. —Já vão? Que pena! Olha, nós estamos no Ceasar Palace, amanhã tem o campeonato de Bridge e eu quero ver você lá, hein, "Wonder"! – a perua agarrou Scully e deu um forte abraço. Depois fez o mesmo com Mulder. De lá seguiram para o hotel. No caminho, Mulder não tocou no assunto, embora Scully tenha percebido que ele ficou incomodado com aquilo. No quarto, Mulder não resistiu e perguntou: —Por que "Wonder"? – ele começou —Wonder era meu apelido no colegial... – ela respondeu sem muito ânimo —Curioso... "Wonder"! – ele sorriu —Pode tirar sarro... Fox! – ela pronunciou o nome dele bem lentamente —Scully, quantos namorados você já teve, além de mim? —Por que isso agora, Mulder? – ela tentou fugir do assunto —Curiosidade... nunca falamos sobre isso, me deu vontade de saber! Quantos? —Seis... – Scully respondeu meio receosa da reação que Mulder poderia ter —Seis? Bastante, não, Scully? —Vai implicar agora, Mulder? – falou um pouco irritada - Isso foi há anos, você sabe que faz uns 8 anos que eu não namorava ninguém... E já que tocamos no assunto, e você, quantas teve? —Quatro... e é verdade que você foi chefe de torcida? —Fui sim, quando eu tinha 16 anos, por quê? Algum problema? —É que eu nunca esperei isso de você, Scully... quer dizer, na minha época de colégio, que não é longe da sua época, as chefes de torcida tinham uma fama não muito agradável... —Ah... entendo! Por isso todas as garotas do colégio sempre querem fazer parte da turma das líderes de torcida. —Eu fugia das líderes! – disse Mulder —Há! Elas é que deviam fugir de você! O nerd rebelde que vivia atrás de homenzinhos verdes, e que sempre usava a mesma camiseta com os dizeres: "Eu quero acreditar". – ela sorriu sarcasticamente —Que senso de humor impressionante! Mas para seu governo eu nunca fui nerd. Meu negócio eram os esportes, e essa camiseta nem existe! Scully se irritou profundamente com o rumo que a conversa estava tomando e foi apreciar a vista que a sacada do quarto proporcionava. Las Vegas era realmente interessante se vista daquele ângulo. Infinitas luzes, de todas as cores, tamanhos e formatos invadiam as ruas e tornando a noite muito mais interessante. Mulder foi chegando de mansinho por trás dela e a abraçou. —Desculpa se te irritei com minhas perguntas, mas é que essa é uma face sua que eu não conheço. Eu pensei que já sabia tudo sobre você, mas estou vendo que existem coisas que vão ficar fora da minha alçada! – ele disse baixinho no ouvido dela. —Eu é que peço desculpas... eu não deveria ter me irritado, mas é que estas três me tiram do sério. Se você quiser que eu te conte o meu passado é só perguntar... —Vamos fazer o seguinte. Eu vou escrever uma carta para um amigo fictício relembrando todo o meu passado escolar. Aí eu te entrego e você lê quando achar que deve. —E eu faço o mesmo! – disse Scully sorrindo —Então o que acha? – ele perguntou —Tudo bem... você me convenceu, eu vou contar o meu passado na tal carta e você vai me prometer que depois que ler não vai ficar fazendo piadinhas, certo? —Pode deixar, "Wonder"... eu prometo! —Engraçadinho... Ah! E só pra constar nas nossas investigações, as suspeitas dos assassinatos é o "trio ternura" que habita minhas memórias colegiais e que está lá embaixo jogando bridge! – ela sorriu —Por que você não me disse que conhecia as suspeitas? Teria sido bem mais fácil! Isso não se faz! —Eu sei... me desculpe! – ela deu um beijinho suave nos lábios dele, que se derreteu e esqueceu da bronca. Depois de planejarem alguns detalhes referentes a investigação foram dormir. Porém Scully estava sem sono e ao verificar que Mulder dormia como uma pedra, afinal depois que eles s acertaram ele passou a dormir como nunca, ela começou a escrever a carta. "Querida Rachel. Hoje estava me lembrando do nosso passado e resolvi lhe escrever esta carta.... Scully então começou a recordar sua época de colégio. Era uma adolescente comum, tinha suas amigas, suas paqueras... Primavera de 1980 —Me dêem um F, me dêem um I, me dêem um G , me dêem um H, me dêem um T e agora um E , e para finalizar me dêem um R seguido de ummmm S.... FIGHTERS!!!! – gritavam Scully e suas amiguinhas, vestidas com uma blusa branca colada no corpo, saia de prega azul bem acima do joelho, que ao mesmo tempo agitavam seus pompons coloridos, pulavam e dançavam ao som da banda do colégio. —Ei, Dana! Você vai ou não querer ir ao baile comigo? – disse um jovem robusto metido em um uniforme de futebol. —Ainda não pensei no seu caso... depois eu falo, ok? – disse Scully correndo para alcançar suas amigas que a deixaram estrategicamente sozinha com Josh, o capitão do time de futebol. —Ei! Suas cretinas... eu falei que não queria ficar a sós com o paspalho do Josh. Só porque ele tem um traseiro, digamos, incrível, ele não pode achar que manda em mim! Eu vou no baile com quem eu escolher.- disse Dana puxando o chiclete da boca. Após o jogo de futebol, todos foram para suas casas descansar para mais um dia de aula. Colégio J.F. Kennedy Scully entrou no corredor do colégio acompanhada de suas fiéis escudeiras, Meg, Donna e Lisa. Elas dirigiram-se a seus armários, pegaram o que iriam precisar e foram para a aula de Biologia. Ao entrarem na classe sentaram no lugar de sempre. Dana na frente e suas colega atrás. Josh sentou ao lado de Dana e ficava fazendo cara de sedutor para ela que não dava a mínima bola para ele pois queria prestar atenção na sua aula favorita. Quando a professora encerrou a aula, chamou Dana em um canto e pediu para ela organizar a apresentação do projeto que o grupo avançado de Biologia iria preparar para a semana seguinte. A hora do almoço chegou e o ritual diário foi cumprido a risca. Scully, entrou no refeitório junto com o trio ternura, pegaram a comida horrível que a cozinheira da escola preparava e foram até a mesa que por direito era delas, afinal, as garotas populares sentavam-se perto dos jogadores de futebol e longe dos esquisitos. —Então Dana, já sabe com quem vai ao baile? – perguntou Meg —Estou na dúvida. – respondeu fazendo cara feia para o purê de batatas que estava na bandeja. —Na dúvida entre quem? – quis saber Lisa —Entre o Josh e um outro rapaz... – ela sorriu maliciosamente —Que rapaz? – indagou Donna —Um bonitão que eu conheci outro dia por acaso... – ela fez ar de mistério —Mas ele é da escola? – perguntou Donna, curiosíssima —Não! Ele faz faculdade, o nome dele é Chris Carter. Ele é amigo do meu irmão. Outro dia ele foi lá em casa chamar o Bill para saber se eles iam para a praia e como ele não estava em casa o Chris resolveu esperá-lo voltar. Aí, vocês sabem, uma conversa aqui, outra ali e... —E... – Lisa ficou curiosa —Bom... aí nós acabamos nos beijando... foi quando o Bill chegou e armou a maior confusão. Mas o Chris é surfista e por isso conseguiu escapar. Ele me ligou ontem, antes do jogo e quis saber o que eu iria fazer no sábado. Eu falei que tinha o baile de formatura e ele perguntou se eu queria ir com ele. – disse Dana sorrindo —Sua danada! Você vai aceitar?- perguntou Meg —Não sei... se o Bill souber vai ficar furioso. Preciso pensar melhor. Os dias passaram voando e na escola ninguém sabia com quem Dana Scully iria ao baile que seria no próximo fim de semana. Enquanto isso suas amigas estavam animadas com seus parceiros e com a escolha de suas roupas. 23 de agosto – dia do baile de formatura 22:00 p.m. Scully estava nervosa a espera de seu par para o baile. Ela estava realmente muito bonita com um vestido branco liso. Seus cabelos vermelhos estavam enfeitados somente por uma presilha prateada. E o colar de pérolas de sua mãe deram lugar a corrente com o crucifixo que sempre usava. De repente a campainha tocou. —Entre Chris!- disse a mãe de Scully —Boa noite, Sra. Scully. – cumprimentou o rapaz Foi então que Dana desceu as escadas da casa e Chris ficou totalmente embevecido. —Olá, Dana! Eu lhe trouxe esse buquê e esta orquídea. – ele entregou o buquê e colocou a orquídea no pulso de Dana —Olá, Chris! Vamos? – ela sugeriu —Vamos! —Tchau mãe! —Tchau, querida, juízo hein? —Pode deixar! – Dana saiu fazendo careta Eles entraram no salão e todas as atenções voltaram-se para eles. As meninas comentavam quem era o bonitão com Dana e os rapazes ficaram com raiva do desconhecido. A noite foi ótima, todos dançaram, divertiram-se e no final quando anunciaram a rainha do baile, Meg, todos perceberam que Dana não estava mais no salão. Os boatos começaram. Dana e Chris saíram de mansinho e foram até a colina para "observarem" a vista. Ficaram namorando por um bom tempo no carro e o inevitável ocorreu. Bill chegou enraivecido, retirou Chris do carro e deu-lhe a maior surra. Pegou Dana pelo braço e levou-a para casa. Ela acabou ficando de castigo por duas semanas. O namoro continuou através de cartas, mas quando ela entrou na universidade eles pararam de se corresponder. Scully resolveu deixar sua vida acadêmica para depois, porém refletiu sobre o quando tinha mudado seu comportamento durante o curso de medicina. Passou a dedicar-se exclusivamente aos estudos. Chegou a namorar alguns rapazes, mas nada que durasse mais que um ano. Ela começou a desenvolver sua tese e quando conseguiu entrar para o F.B.I. , já era uma pessoa madura e responsável, longe da garota que foi nos tempos da adolescência. E quando foi designada para os arquivos x, conheceu a pessoa mais importante de sua vida: Fox Mulder. Ela estava convicta de que ele era o homem de sua vida, sentia-se segura ao seu lado e sabia que podia confiar nele que nunca se decepcionaria. Então ela encerrou a carta. Termino aqui a minha carta dizendo que estou muito feliz, pois encontrei minha alma gêmea. Espero que você possa sentir o que eu estou sentindo neste momento. Beijos da amiga Dana Katherine Scully " Scully guardou sua carta em um envelope do hotel e colocou dentro de sua bolsa. No dia seguinte entregaria a Mulder. Olhou com ternura para ele, que dormia tranqüilamente. Ajeitou-se na cama e adormeceu. 9 p. m. Mulder acordou, olhou ao seu lado, mas Scully não estava. Levantou-se e percebeu um bilhete em cima da mesa. Pegou o papel nas mãos e constatou que era de sua amada, que havia descido para fazer exercício na academia do hotel. Ele foi tomar banho para aprontar-se para mais um dia de "trabalho". Assim que terminou, Scully não havia voltado. Ele lembrou-se da conversa que tiveram na noite anterior e aproveitou para escrever a carta ao seu amigo imaginário. "E aí Frank, como estão as coisas? Por aqui tudo maravilhoso, estou amando e em uma conversa com minha adorável namorada acabamos lembrando do passado e por isso resolvi escrever esta carta pra você... Maio de 1978 Ginásio de Esportes do Colégio St. Louis 5:10 p.m. O jovem Fox Mulder estava sentado na arquibancada, enxugando o rosto depois de um cansativo treino de basquete, quando uma simpática garota sentou-se ao seu lado. —Oi, Fox! —Oi, Julia! —Fox, você vem amanhã na palestra sobre paranormalidade que vai ter aqui no colégio? —Venho sim! E você? —Não sei... é que nenhuma amiga minha quer vir, e eu não queria vir sozinha... —Não seja por isso, podemos vir juntos! O que acha? —Ótimo!- fez uma pequena pausa - Eu adoro você, Fox! – a garota falou de repente e deu um beijo na boca dele. O garoto ficou sem reação, mas até gostou. No dia seguinte foram à tal palestra, embora tenham mais ficado aos beijos e amassos nos cantos escondidos da escola do que presentes na palestra. Depois foram tomar sorvetes, nos quais Fox adorava colocar sementes de girassol como cobertura. Julia Lambert foi a primeira namorada de Mulder, com a qual teve suas primeiras experiências no campo amoroso. O namoro durou até que ele entrou em Oxford e se mudou para a Inglaterra. Lá conheceu Phoebe Green, envolveu- se com ela mas teve uma amarga experiência, que deixou marcas por muito tempo. Ainda na faculdade, conheceu Jennifer Winston, mas o namoro terminou tão logo Mulder teve de voltar para os EUA. E por último, Diana Fowley, que conheceu quando entrou no F.B.I. Dessa não tinha más recordações, era apenas um relacionamento que não dera certo. Mulder parou por um instante e pôs-se a pensar seriamente em sua vida amorosa. Concluiu que nunca tivera muita sorte com as mulheres, na maioria das vezes tinha saído machucado do relacionamento, talvez por isso tenha ficado tanto tempo sem ninguém. Mas agora tinha certeza de que tudo seria diferente com Scully. Se existe alma gêmea, certamente a Scully era a dele. Uma mulher que acima de tudo o respeitava, mesmo sem compartilhar de suas crenças. Era a pessoa com a qual queria passar o resto da vida. 30 minutos depois Scully chegou ao quarto com o rosto avermelhado, ela estava usando uma calça de moletom e uma camiseta cinza. Ao ver Mulder sentado, na cama já pronto para trabalhar, tratou de apressar-se. —Oi, querida! – ele disse dando-lhe um beijinho —Bom dia, Fox! Eu acordei cedo e fui malhar um pouco. Vou tomar banho pra gente descer, tá? —Tudo bem! Scully tomou um banho rápido, colocou uma roupa bem básica, terninho azul marinho e uma blusa de algodão branca. Mulder estava olhando as pastas com os dados da investigação. Ela chegou perto dele. —Vamos? – ela segurou nas mãos dele —Vamos... mas antes eu quero te entregar isto aqui! – ele tirou do bolso a carta que havia escrito. —Eu também escrevi a minha- ela caminhou até onde estava sua bolsa e pegou a carta. —Dana, quero que saiba uma coisa: não importa o que tenha aqui nessa carta, o que você fez no passado, nada vai mudar o que sinto por você! EU TE AMO!! —Eu também te amo Fox! – ela deu um suave beijo nos lábios dele. – Mas vamos ler isto quando terminarmos nosso trabalho, certo? —Tudo bem, eu estou curiosíssimo pra saber sobre sua história, mas posso aguardar, afinal este vai ser um caso fácil, extremamente fácil, pra você, e eu e todo mundo que está envolvido. – ele sorriu —Então, vamos terminar isso logo! Eles desceram e foram tentar encontrar com o "trio ternura" para que Scully pudesse descobrir alguma pista de como elas mataram seus maridos. Antes porém, deram uma passada no restaurante para comerem alguma coisa, mas para a sorte deles uma certa cantora estava fazendo o fundo musical do café da manhã. —Essa não Mulder! Olha quem está cantando! – disse Scully apontando para o palco. —Sharon Louise! Será que ela vai cantar Babaloo? – ele sorriu —Não quero esperar pra ouvir, vamos tratar de comer rápido e sair logo daqui! – disse Scully sentando na mesa. Eles bateram o recorde, tomaram o café da manhã em apenas dois minutos, e trataram de sair o mais depressa possível antes que... —Babalooooooo....- começou a cantora —Vamos, corra para salvar sua vida Scully! – disse Mulder tapando os ouvidos. Os dois saíram do restaurante e dirigiram-se para o cassino. Não foi muito difícil encontrarem as três patetas que estavam empolgadíssimas com a mesa de 21 que estava rendendo uma boa quantia para elas. Eles se aproximaram e ficaram a observá-las discretamente. Scully colocou uma moeda em uma máquina caça níqueis e a sorte de principiante fez com que ela ganhasse mil dólares. —Mulder, eu ganhei!!! – ela olhou espantada para as moedas que caiam da máquina. —Pois é... você pode jogar e eu não, né? – ele fez cara de cachorrinho abandonado —Ah, Fox, não fica assim não... olha você pode jogar um pouquinho, tá? – ela disse consolando o namorado que fazia manha —Posso mesmo? – ele perguntou como uma criança —Pode, mas agora se controla que lá vem as três barangas.- ela disse sorrindo, feliz da vida com seu baldinho cheio de moedas. As três se aproximaram com a delicadeza de três elefoas e a discrição de uma drag queen numa missa. —Olá Dana!!! – gritou Meg —Scully só acenou e deu um sorrisinho amarelo. —Você ganhou? Que legal... acho que estamos te dando sorte! – disse Lisa cutucando o braço de Scully —Pois é! —E aí... o que vão fazer hoje?- perguntou Donna —Nada de especial! –disse Mulder – Nós pretendemos passear pelos cassinos, jogar um pouquinho e depois namorar bastante, né, amor! – ele abraçou Scully. —Isso mesmo querido! Bom agora vocês me dão uma licencinha que eu vou trocar estas moedas por notas! – Scully saiu para que Mulder pudesse por o plano que eles traçaram. Neste ele iria paquerar uma garota bem jovem para que as três pudessem convidar a Scully para o grupo macabro delas! Mulder avistou uma jovem, a garota era bonita, mas não fazia o tipo dele. Ele olhou pra moça e fez um comentário relativamente alto para que as três escutassem. BINGO! O trio ficou indignado, e logo suas mentes doentias iriam executar mais um plano diabólico. Elas convidaram o casal para o campeonato de bridge que aconteceria naquela noite. Os dois aceitaram e partiram rumo a outro cassino. —E então Mulder, você acha que elas caíram? —Não só acho como tenho a mais absoluta certeza! Elas vão te chamar para o grupo, é só esperar. Já era noite e o casal se preparava para assistir ao campeonato de bridge quando o telefone do quarto tocou. Scully atendeu. —Scully! —Dana? Oi! É a Meg, eu queria te falar em particular, será que você pode vir até meu quarto por um segundo? Ah! e disfarça pro bonitão não perceber, é secreto! – a mulher falava baixinho —Tudo bem... eu já vou! Scully desligou o telefone e fez um sinal de positivo para Mulder que entendeu e falou que a esperaria. Ela foi até o quarto das peruas que já estavam a sua espera. Lá elas começaram com o veneno. —Faz tempo que você está com o bonitão, Dana? —Sim, já faz um ano, por que? —Porque nós vimos ele paquerando uma fedelha lá no cassino! —O quê?? Não acredito!!!! Como ele pôde fazer isto? – ela esboçava um choro muito falso. —Estes homens são uns cafajestes. Mas nós temos um jeito de acabar com a safadeza deles! —Ah, é? Como, porque eu quero me vingar do Fox! – disse Scully —Bom... primeiro, você tem que jurar que nunca vai contar para ninguém o que vai ocorrer, certo? —Tá bom... eu prometo! —Então agora você deve se preparar, porque nós vamos lhe revelar um segredo. Quando nossos maridos nos trocaram por mulheres bem mais jovens, nós estávamos desesperadas, foi aí que aconteceu algo estranho. A Meg começou a ler um livro de bruxaria e nós resolvemos testar as magias. Primeiro começamos com bobagens, como fazer as pessoas agirem como idiotas e coisa e tal. Até que um dia nós resolvemos testar algo mais forte. E foi aí que nossos ex-maridos tiveram o que mereciam... —Vocês mataram sus ex-maridos? – Scully estava chocada —Sim, e agora vamos dar uma lição no Fox! O que acha? —Eu acho que vocês estão presas! – ela tirou o distintivo do FBI do bolso e mostrou para as peruas. —Você é federal? – perguntou Lisa surpresa —O que você acha? – Scully estava algemando as duas quando percebeu que Donna não se encontrava no local. —Cadê a Donna? – Scully perguntou —Ih! Ela foi atrás do seu bonitão, acho que é tarde demais!!! – disse Meg rindo. Scully saiu correndo para seu quarto e quando abriu a porta viu Donna em transe, sentada em cima de Mulder, com uma tesoura na mão. —Parada, ou eu atiro! —Dana? Mas... —Mas nada! Você está presa, saia de cima dele, você vai sufocá-lo com tanto peso! – disse Scully puxando a mulher que estava atônita. Depois que Mulder saiu do estado hipnótico em que estava deu muita risada do que aconteceu. Os dois encaminharam o "trio ternura" para que a polícia da Virgínia desse um jeito nas bruxas e resolveram ficar mais um final de semana na cidade. Voltaram para o quarto e resolveram ler as cartas que haviam escrito um para o outro. Scully estava com vergonha e foi tomar banho para dar tempo de Mulder ler sua carta e ela a dele. Assim que Scully saiu do banho, vestindo um roupão e enxugando o cabelo, Mulder fechou a carta e entregou a ela. — Leitura interessante! – disse ele ironicamente —Eu também já li a sua... – Scully sentou-se na cama e entregou um envelope para Mulder... Após alguns minutos de silêncio, Mulder se manifestou. —Dana... acho que você esqueceu de mencionar uma coisa na sua carta... —É? O que? – perguntou surpresa —Você não diz como você... – Mulder se aproximou dela e cochichou algumas palavras em seu ouvido. As bochechas de Scully enrubesceram e ela ficou meio sem jeito. —É que... bom... eu só contei o que aconteceu enquanto eu estava no colegial... e isso que você perguntou... é... foi quando eu estava na faculdade... – ela respondeu um tanto constrangida —Ah... sabe de uma coisa? Você fica linda quando tá com vergonha! – Mulder sorriu para ela, que retribuiu o sorriso – Bom – continuou ele – agora que já sabemos do passado um do outro, que eu fiquei sabendo de "segredos" da céptica agente Scully, só nos resta uma coisa... Scully lançou-lhe um olhar de curiosidade. —Dana, casa comigo? Scully ficou estática diante do pedido. Surpresa, mas acima de tudo, feliz. Um sorriso de lado a lado estampou-se em sua face e um tímido "Claro! " foi a única coisa que ela conseguiu balbuciar. Mulder aproximou- se dela e trocaram um beijo com muito carinho, ardente e apaixonado. Deixaram o hotel para comemorar o noivado. Jantaram ao som de Babaloo, mas dessa vez a música já não os incomodava mais. Ao fim do jantar, Mulder sugeriu um passeio. Pediu uma garrafa de champanhe ao garçom, embrulhou em um pequeno saco de papel e os dois foram apreciar o movimento da noite. Estavam andando havia um bom tempo, quando passaram em frente a uma capela. Esta chamou a atenção de Mulder pois havia um enorme neon em forma de extraterrestre com os seguintes dizeres: Casem-se na capela do outro mundo! —É o destino, Scully! – Mulder puxou-a para dentro do lugar Os dois entraram e acertaram os detalhes. Mulder escolheu a música que iria tocar, o juiz de paz estava vestido de Elvis e a testemunha era a recepcionista do lugar. Esta deu a Scully um pequeno buquê e a instruiu a entrar assim que a música começasse. E assim foi. Mulder estava no "altar", ansioso, quando a música começou: SHE ELA SHE MAY BE THE FACE I CAN'T FORGET ELA PODE SER O ROSTO QUE NÃO ESQUECEREI A TRACE OF PLEASURE OR REGRET UM TRAÇO DE PRAZER OU TRISTEZA MAY BE THE MY TREASURE OR THE PRICE I HAVE TO PAY TALVEZ MEU TESOURO OU O PEÇO QUE TENHO QUE PAGAR SHE MAY BE THE SONG THE SUMMERS SINGS ELA PEDE SER A MÚSICA QUE O VERÃO CANTA MAY BE THE CHILL THE AUTUMN BRINGS TALVEZ O FRESCOR QUE O OUTONO TRAZ MAY BE A HUNDRED DIFERENT THINGS TALVEZ CENTENAS DE COISAS DIFERENTES WHITHIN THE MEASURE OF THE DAY NO ESPAÇO DE UM DIA SHE MAY BE THE BEAUTY OR THE BEAST ELA PODE SER A BELA OU A FERA MAY THE FAMINE OR THE FEAST TALVEZ A FARTURA OU A FOME MAY TURN EACH DAY INTO A HEAVEN OR A HELL PODE TRANSFORMAR CADA DIA NUM PARAÍSO OU NUM INFERNO SHE MAY BE THE MIRROR OF MY DREAM ELA PODE SER O ESPELHO DO MEU SONHO A SMILE REFLECTED IN A STREAM UM SORRISO REFLETIDO NA ÁGUA SHE MAY NOT BE WHAT SHE MAY SEEM ELA PODE NÃO SER O QUE PARECE SER INSIDE HER SHELL DENTRO DE SUA CONCHA SHE WHO ALWAYS SEEMS SO HAPPY IN A CROWD ELA QUE PARECE SEMPRE TÃO FELIZ NA MULTIDÃO WHOSE EYES CAN BE SO PRIVATE AND SO PROUD COM OLHOS TÃO PESSOAIS OU TÃO ORGULHOSOS NO ONE'S ALLOWED TO SEE THEM WHEN THEY CRY MAS QUE NÃO PODEM SER VISTOS QUANDO CHORAM SHE MAY BE THE LOVE THAT CANNOT HOPE TO LAST PODE SER O AMOR QUE NÃO SE DEVE ESPERAR QUE DURE MAY COME TO ME FROM SHADOWS OF THE PAST PODE VIR PARA MIM COMO SOMBRAS DO PASSADO THAT I REMEMBER TILL THE DAY I DIE QUE ME LEMBRAREI ATÉ O DIA DE MINHA MORTE SHE MAY BE THE REASON I SURVIVE ELA DEVE SER A RASÃO PARA QUE EU SOBREVIVA THE WAY AND WHEREFORE I'M ALIVE O MOTIVO DE EU ESTAR VIVO THE ONE I'LL CARE FOR THROUGH THE ROUGH AND READY YEARS DE QUEM CUIDAREI NA ALEGRIA E NA TRISTEZA ME, I'LL TAKE HER LAUGHTER AND HER TEARS EU ACOLHEREI SUE RISO E SUAS LÁGRIMAS AND MAKE THEM ALL MY SOUVENIRS E OS GUARDAREI COMO MEUS SUVENIRES FOR WHERE SHE GOES I'VE GOT TO BE POR ONDE ELA FOR EU ESTAREI THA MEANING OF MY LIFE IS O SENTIDO DA MINHA VIDA É SHE ELA Ao chegar ao lado de Mulder, ele pode ver as lágrimas que escoriam na face da amada. Ele tomou-lhe as mãos e beijou-as. O pastor começou o ritual. Os noivos desejaram dizer algumas palavras um para o outro. Scully quis começar. —Fox, há sete ano eu entrei naquela sala fria do porão do FBI, e tudo mudou. Todos os momentos em que estive ao seu lado, foram os mais significativos em minha vida. Eu ganhei sua confiança para conquistar seu coração... e o meu, que eu achei que nunca fosse ser arrebatado, derreteu a camada de gelo que o cobria por sua causa. Uma vez você me disse que não continuaria sua busca sem mim. A minha busca eu já terminei, eu achei o que centenas e até mesmo milhares de pessoas passam a vida procurando. Eu te encontrei, eu sei o que é o amor e é nele que eu acredito, no meu amor por você! – ela colocou a aliança no dedo de Mulder, que estava muito emocionado. —Dana... – Mulder começou - quando nos conhecemos, logo percebi que você era uma pessoa especial, os anos só vieram comprovar. Cada gesto seu, cada toque, cada palavra de conforto pronunciada pelos seus doces lábios foram me envolvendo de tal forma, que hoje você é tão essencial para minha vida quanto o ar que respiro. Eu te amo tanto, a paixão que sinto por você é tão grande, que nem a morte vai nos separar! Mulder não se conteve em terminar sua declaração com um toque de seu característico senso de humor. Scully sorria, com os olhos rasos d'água. —E pelos poderes a mim concedidos, eu os declaro marido e mulher! – terminou o juiz Beijaram-se ainda comovidos pelas declarações mútuas. Ficaram abraçados por alguns segundos e em seguida partiram, felizes rumo ao hotel. Quando chegaram a recepção Mulder pediu que o funcionário alterasse a ficha deles e colocasse senhor e senhora Mulder. O jovem empregado sorriu ao ver a felicidade dos dois e alterou como solicitado. Eles entraram no quarto. Mulder segurava havia pedido outra garrafa de champanhe. Ele abriu e derramou o líquido em duas taças. —Para minha nobre esposa! – ele entregou a Scully uma das taças - Um brinde a esta ruivinha que é minha razão de viver! —Um brinde ao caçador de alienígenas mais amado da galáxia! Sorveram todo o líquido espumante para em seguida aproveitarem o doce momento que se entitulava lua-de-mel. Um longo e apaixonado beijo foi trocado seguido de carícias e palavras sussurradas ao ouvido. Mulder entre um beijo e outro, falou: —Esta é a primeira vez como marido e mulher, Dana! —Então é agora que vai ficar mais interessante – ela puxou o marido para si e saborearam a mais louca noite de amor já vivida pelo casal. Fim