O Sexo Sentido Autora: Kessia Nina E-mail: shipperx@gmx.net Disclaimer: Os nossos queridos personagens não pertencem a mim. Pertencem a Chris Carter e a Fox e principalmente a Gillian Anderson e David Duchovny que dão uma vida muito especial aos agentes mais interessantes de toda a história. Spoilers: Toda a sexta temporada Tempo em que se passa a história: depois da sexta temporada (depois de Field Trip) e antes da sétima Categoria: MSR, Shipper, Shipper, Shipper!!! Nota da autora: O nome da história tem um pouquinho a ver com ela, mas na verdade queria que soasse parecido com O Sexto Sentido, filme que adorei!!! Se você não é muito feliz com a idéia de Mulder e Scully tendo um relacionamento mais carnal, não leia esta história! Resumo: O que realmente estava acontecendo durante a sexta temporada entre Mulder e Scully, que nós, meros telespectadores, não sabíamos!!! Casey's 11:05 pm Hoje Sentado num banco em frente ao balcão do bar, Mulder começou a divagar. "Sabe, eu realmente não quero isso. Quero mais. Mas não tenho coragem suficiente para dizer alguma coisa." A garçonete olhou para o homem, muito bonito por sinal, sentado no banco à sua frente e percebeu pelo seu olhar que havia algo errado com ele. Alguma coisa que ele não conseguia alcançar. Não era muito difícil imaginar porque um homem como ele, tão bem vestido, alinhado, estaria sentado naquele bar, àquela hora da noite, bebendo feito um alcoólatra. Obviamente havia mulher na história. E por mais que Cynthia, era esse o nome da garçonete, se sentisse atraída por ele, não tinha chance alguma. Não era a primeira vez que ele aparecia por ali para beber. O engraçado é que estava sempre sozinho. Mas sempre havia mulher por trás de sua bebedeira. Talvez a mesma. Sempre. "Não sei se ela quer mais do que estamos tendo no momento. Sei que, por ser mulher, ela provavelmente deve querer mais. Mas como vou saber? Ela não me diz nada. Não cobra nada. Acho que devo estar fazendo certo." Ele virou-se para Cynthia e perguntou olhando para a roupa dela, em busca de seu nome. "O que você acha, Cynthia?" "Eu acho que o senhor já bebeu demais para uma noite apenas, não acha?" Ele olhou profundamente para o copo que descansava em sua frente e disse. "Acho que não. Outro, por favor." Casey's 11:59 pm Mesmo dia "Oi." Ele virou-se surpreso e feliz ao ouvir a voz de Scully. Por um momento não acreditou que ela pudesse estar ali. Abriu um largo sorriso que Scully até estranhou. Não era muito comum ver Mulder com um sorriso tão aberto e sincero. "Oi, Scully. O que a traz aqui?" "Nada de especial. Não posso simplesmente juntar-me a você na sua bebedeira?" Disse ela rindo nervosamente. Estava escondendo algo. Mulder a guiou para sentar-se no banco ao lado do seu. Ela colocou ambos os braços no balcão e ficou a mexer nervosamente as mãos. Olhava fixamente para a frente, em direção a todas aquelas bebidas. "Traga uma diet coke para a moça aqui, por favor." Disse Mulder para a garçonete. "Não!" Mulder virou-se para Scully espantado pelo quase grito. "Quero algo mais forte." Ela olhou para o copo de Mulder. "Quero o mesmo que ele está tomando, por favor." "Devo avisá-la que o que estou bebendo é bem forte, Scully." "E daí? Não posso mais beber à vontade, mamãe?" Perguntou ela cinicamente. Mulder balançou os ombros e tomou de uma só vez todo o conteúdo do seu copo. Antes que terminasse a garçonete colocou o copo de Scully em sua frente e, antes mesmo de Mulder pensar em falar algo, Scully já havia tomado todo o líquido. Ele se espantou, mas evitou falar mais alguma coisa que pudesse chatear sua parceira. Além do mais, provavelmente a noite prometia. Scully ficou a fitar o copo indefinidamente. Era como se estivesse se preparando para algo muito importante. Pediu outro à garçonete. "Vou precisar de muitos desses." Pensou ela. Mulder a encarava sem parar. Já estava começando a irritá-la. "O quê?" "Nada. É que nunca vi você beber desse jeito. Não quero que passe mal. Eu já estou acostumado." Espantada, Scully virou-se para ele, colocou mão nos cabelos avermelhados e fechou os olhos por um milisegundo. "Quer dizer que você vem sempre aqui? Posso perguntar por quê?" "Para espairecer, eu acho. Nada muito importante." Nada muito importante. Com certeza era algo importante. Todas as vezes em que estivera naquele bar foram por causa dela. Só dela. Mulder ainda não entendia por que ela estava ali, àquela hora da noite. Mas não ousava perguntar. Deixaria que ela começasse a falar. "Nada muito importante... Entendo." Havia um certo cinismo em sua voz, mesmo que ela não quisesse demonstrá-lo, ele estava ali. Alguns momentos de silêncio e alguns outros incontáveis drinks, fizeram com que Scully finalmente começasse a falar. "Não sei quanto a você, Mulder, mas não quero só isso." Então era sobre isso que ela queria falar! Mulder sabia que havia algo estranho no ar, mas nem imaginaria que pudesse ser aquilo. Agora era a hora da verdade. Não havia como desviar do assunto. Ela for a até ali àquela hora falar sobre o que vinha acontecendo já há alguns meses. "Nós estamos dormindo juntos há quanto tempo, Mulder? Você sabe?" Ele não respondeu de imediato. "Sabe?" "Não sei... Há alguns meses." "Oito meses, Mulder. OITO meses. E quantas vezes nós ignoramos o fato ao chegar do dia?" Ele balançou os ombros timidamente como uma resposta negativa. "Eu nem sei quantas. Sei que foram muitas. MUITAS." Obviamente ela não estava mais em seu estágio normal de sanidade. O incontável número de drinks que havia tomado já havia retirado quase toda sua compostura de cena. "Eu posso deixar transparecer que gosto disso, Mulder. Dessa situaçao. Mas não gosto. Apesar de tudo, sou apenas uma mulher que quer ter alguém a seu lado sempre. Não somente na cama à noite e como parceira de trabalho de dia." "Eu sei, Scully." Ele não sabia o que dizer. Sabia, no entanto, que deveria falar alguma coisa. Qualquer que fosse. "Pensei que você só quisesse sexo, Scully." É, não era bem isso que ela queria ouvir, não é, seu idiota? Ela olhou para ele furiosa. Seus olhos quase tremiam de raiva. Como ele poderia pensar aquilo dela? No mínimo achava que era qualquer uma. "Pois você pensou errado, Mulder." Disse ela rudemente. "Eu não quero só isso. Pra falar a verdade, não quero mais nada de você além de parceria de trabalho." Virou outro copo e ameaçou levantar do banco. Mas Mulder a segurou e a forçou a continuar sentada. O toque de suas mãos a fez estremecer e lembrar de todas as noites em que sentia aquelas mãos sexies, grandes e macias em seu corpo. Teve que se conter para não suspirar com aquele toque. "Fique." Falou Mulder suavemente. Por um instante pareceu que todo o teor alcoólico de seu corpo havia se dissipado e ele estava completamente sóbrio agora. "Vamos conversar." "Sobre o quê?" Agora era sua vez de parecer completamente bêbada. Sua voz estava vagarosa, assim como seu pensamento. Não sabia se por causa do toque das mãos do homem que amava ou por causa da bebida. "Sobre o que você veio conversar, Scully." "Mulder, nem me chamar pelo primeiro nome você me chama." Não que preferisse o primeiro nome. Gostava de ser chamada de Scully por Mulder. Ser chamada pelo primeiro nome somente denotava intimidade. Algo que ela almejava há muito tempo. "Tudo bem, Dana. Podemos conversar agora?" Ela concordou com a cabeça. "Por onde irei começar?" "Que tal pelo começo?" Perguntou ela cinicamente. "Engraçadinha. Nem sempre o começo é o melhor lugar para começar." Ele a estava devorando com o olhar. O que a fez novamente estremecer. "Você sabe muito bem disso." Claramente ele lembrava de uma das muitas maravilhosas noites em que estiveram juntos e que não foram exatamente convencionais. "Continuando... Primeira pergunta. É pra você, e você tem que responder sinceramente, certo?" Ela concordou, apesar de achar que ele estava usando algum de seus dotes de psicólogo. "Eu quero saber porque você veio até aqui hoje." "Isso não é uma pergunta, Mulder." "Tudo bem. Por que você veio até aqui hoje, Scully? Desculpe, Dana." Ele estava completamente virado em sua direção. Seus olhos brilhavam e estava bastante claro que ele queria uma resposta positiva, quer dizer, uma resposta animadora para a situação dos dois. "Porque eu quero ficar com você, Mulder. Não quero simplesmente sexo." Realmente a bebida havia tido efeito. Fazer com que Scully falasse assim, tão abertamente sobre um assunto que não era muito discutido entre os dois era realmente animador. "Também não quero só isso, Dana. E me alegra muito que você também não." Após todos os anos que estiveram juntos, essa era praticamente a primeira vez que falavam de assuntos tão particulares. E dessa vez era um particular que pertencia aos dois ao mesmo tempo. O que tornava a conversa interessante, mas ao mesmo tempo, constrangedora, no sentido de que havia sentimentos há muito tempo guardados ali. Ela estava sorrindo. Bom sinal, pensou Mulder. "Enfim, Dana, eu..." Ele foi interrompido. "Na verdade, Mulder, não precisa me chamar de Dana. Gosto que me chame de Scully." Ele não entendeu e demonstrou em seu rosto seu desentendimento. "Falei só por falta de intimidade. Parece que quando se é íntimo de alguém, o ideal é chamar essa pessoa pelo primeiro nome e não pelo último. Mesmo assim, prefiro que me chame de Scully." Ele sorriu e continuou. "Bem, estamos juntos há seis anos, Scully. Somente agora, no sexto ano, pudemos sentir o que era estar o mais próximo um do outro possível. Já havia planejado essa conversa há algum tempo, você sabia?" "Não. Quando exatamente?" "Lembra quando jogamos baseball? Ali eu havia planejado tudo direitinho, mas quando te vi, acho que perdi a coragem que passei o dia inteiro juntando." "Por que? O que eu fiz de errado? Eu fui até lá, não fui?" "Foi. Mas ao te ver, só queria ter você perto de mim. Fiquei com medo de que se eu falasse alguma coisa e você não me quisesse, tudo iria acabar. Aquilo era um sonho pra mim, Scully. Nunca me senti assim em relação a ninguém em toda minha vida. E acho que desde o início do nosso trabalho foi assim, mas era algo menos palpável. Depois de não sei quantas vezes quase perder você, achei que havia chegado a hora de fazer algo. Por mim. Por você. Por nós dois." "Mas, Mulder. Então por que você sempre ia embora?" Disse ela emocionada depois de ouvir basicamente tudo o que queria após todos os anos em que trabalharam juntos nos Arquivos X. "Como eu já disse, Scully, tinha medo que você não quisesse mais do que aquilo." "Por que você achava isso?" Ela não entendia. Sempre fizera o possível e o impossível para deixar transparecer que o queria de todas as formas. "Não sei, Scully. Você me conhece. Sabe que não confio muito nas pessoas. Também não acho que alguém posso me amar. Não acredito que alguém queira passar o resto da vida com Spooky Mulder." Ele virou-se para a garçonete e pediu uma coca-cola. "Você não é Spooky Mulder. Pelo menos não pra mim. Não depois de tudo o que passamos juntos. No começo, mas bem no começo mesmo, quando ainda não nos conhecíamos tão bem quanto hoje e ainda não entendia seus motivos, achava que você até tinha um pouquinho de Spooky Mulder, como o pessoal do Bureau o chamava. Mas ninguém entendia seus motivos. Acho que eu fui a única que até hoje entendi." Ela passou as mãos pelos braços dele carinhosamente, levantou-se e o beijou suavemente nos lábios. "Vamos sentar em um lugar menos movimentado." Ela o guiou a uma mesa no canto do bar. "Acho que ainda tenho um pouco de Spooky Mulder sim, Scully. E para completar toda a história, ainda não consegui descobrir nada do que procuro. Nada." "Mulder, ninguém chegou onde você chegou. Não acredito que alguém conseguiria." "Eu só cheguei onde cheguei por sua causa, Scully. Só por sua causa. Se você não tivesse aparecido na minha vida, eu provavelmente teria ido para o lado errado da verdade. Não seria honesto. E olha que mesmo com você perto de mim, eu quase fui para o outro lado para tentar salvá-la. Quase. Mas também por você, decidi seguir meus instintos e confiar que você ficaria bem. Não importa o que acontecesse, você ficaria bem e comigo." Os olhos de Scully encheram-se de lágrimas. Mulder tinha o dom da palavra e daquela maneira poderia seduzir qualquer mulher. Toda vez que ele se dispunha a falar, ela se emocionava. "Não sei o que dizer, Mulder." "Não precisa dizer nada. Há muito tempo já deveria ter falado tudo o que sinto. Mas apesar de todo o meu conhecimento na área de personalidades, não consigo me abrir como uma pessoa normal, ainda mais para a pessoa mais importante da minha vida." "Também não é fácil pra mim." "Eu sei que não. Acho que por isso demoramos cinco anos para demonstrarmos alguma coisa e seis anos para conversarmos sobre o assunto." Scully sorriu e tomou um gole da coca-cola de Mulder. "O que acha que devemos fazer agora?" "Gostaria de falar tudo o que senti nesses últimos meses em que estivemos parcialmente juntos. Acho que me sentirei melhor te contando tudo pelo que passei." "Parcialmente?" "Bem, fisicamente e emocionalmente juntos, mas abertamente separados." Scully fez um movimento concordando com a colocação de Mulder. Agora ela pôde observá-lo melhor. Seu rosto estava bem mais alegre agora do que quando chegara. Estava vestido com camiseta cinza e calça jeans. Provavelmente sua maravilhosa jaqueta de couro estava pendurada no local apropriado na entrada do bar. Seus cabelos estavam perfeitos, nem muito longos, nem muitos curtos. Percebendo Scully observando-o, ele perguntou. "O que foi? Tem alguma coisa nos meus dentes?" "Não. Só o estava admirando. Nunca pude fazer isso sem que você não soubesse." Ele sorriu e seu sorriso iluminou todo o local. Scully estava quase fora de si de tanta felicidade por aquele momento. Um momento tão esperado. Tantos anos. Tantas situações. "Quero que entenda uma coisa, Scully. Em nenhum momento deixei de confiar em você. Nunca. Mesmo que você pense o contrário. Você acredita em mim?" "Acredito. Sempre acreditei." "Então você sabe que, mesmo acreditando em Diana, nunca deixei de acreditar em você." Scully não gostaria de falar sobre aquele assunto, mas era inevitável, visto que, após a primeira vez em que estiveram juntos, Mulder a magoou profundamente compará-la com aquela mulher desprezível. "Realmente você me magoou muito, Mulder. Mas acho que as coisas ainda vão se tornar claras pra você. Só então entenderá o que disse. Mas eu já te perdoei. Não posso ficar muito tempo chateada com você. É impossível, mesmo que eu queira." "Você ainda acha que não podemos confiar nela?" "Acho sim. Mas não vou mais dizer nada a você. Tem que descobrir sozinho. Sei que vocês tiveram um passado e também sei que não é fácil perder a confiança de alguém assim, mas você encontrará a verdade e saberá. É só esperar. Eu sou paciente. Esperei seis anos por isso. E então? Vai ou não me contar toda a história, desde o início?" Perguntou ela sarcasticamente. "Tudo bem, tudo bem. Na primeira vez que fui ao seu apartamento, não tinha idéia do que ia fazer lá. Queria somente sua companhia. Tínhamos acabado de perder os Arquivos X e não sabia o que fazer. Mas sabia que você também estaria triste e por isso fui até lá. Uma coisa levou a outra e acabamos dormindo juntos." "Uma coisa ainda não sai da minha cabeça, por que você foi embora? Sei que você disse que ficou com medo, mas não entendo. Fazia de tudo para que você percebesse que eu queria ficar com você." "Scully, quando nós gostamos de alguém é difícil perceber as coisas. Aposto que todos os nossos amigos, inimigos, familiares sabiam que gostávamos um do outro. Somente nós dois não percebíamos ou não queríamos perceber. E a única razão que me lembro de por que fui embora foi porque fiquei com medo. Medo de te perder. Medo de que você tivesse feito aquilo por pena ou por medo de que eu te abandonasse." "Isso nunca iria acontecer." "Agora sei disso. Mas o medo tomou conta de mim. Não sei porquê." Ela o olhava de uma maneira indecifrável. Às vezes parecia entendê- lo. Outras parecia com raiva por ter esperado tanto tempo. "Logo depois disse a você como me sentia. Logo quando voltei do hospital, do Queen Ann. Mas você achou que eu estivesse delirando, pra variar." Ela sorriu. "O que você esperava que eu fizesse, Mulder? Pulasse na cama com você ali mesmo?" Ele concordou. "É, eu ia mesmo fazer isso. Além do mais, mais uma vez você precisou que alguma coisa muito forte acontecesse para dizer algo desse porte para mim." Ela ajeitou-se na cadeira. Gostava do rumo que a conversa estava tendo, apesar de já estar doida de vontade de sair dali com Mulder, para finalmente aproveitar tudo o que tinha direito sem medo de ser rejeitada. "Scully, você deve saber que é muito 'durona'. Não é tão simples assim chegar em frente à pessoa que você ama e dizer isso a ela. Principalmente quando não se tem certeza de que ela também ama de você." Então era amor. Scully não conseguia mais esconder sua felicidade. Ela abriu um sorriso de lado a lado. Agora nada poderia impedi- los de alcançar seus objetivos. Eles agora não eram dois, eram um só. Scully não comentou nada a respeito do "amor", mas Mulder percebeu sua felicidade e continuou contando toda a história. "Bem, no natal, eu estava muito sozinho. Não tinha ningúem com quem conversar ou jantar. Então te chamei para irmos à casa assombrada e qual não foi minha surpresa ao ver que aqueles dois fantasmas me conheciam tão bem. Eu realmente queria você comigo. Não queria passar o Natal sozinho, nem queria que você estivesse se divertindo. Estava com ciúmes para falar a verdade. Você tem todos os seus familiares e eu só tenho você." "Você é a pessoa mais importante da minha vida, Mulder. Sempre foi. Basicamente desde que te conheci." "Você também é a minha." Cynthia apareceu na mesa deles quebrando um pouco o momento. Ela trazia nas mãos uma bandeija um copo de diet coke que Scully havia pedido há alguns minutos. Sabia agora, pelo rosto daquele homem, que aquela era a mulher pela qual ele tanto sofria. Sorriu para os dois e dirigiu-se novamente ao sofá. "Há quanto tempo você freqüenta este bar, Mulder?" "Acho que desde que percebi o quanto você é imporante pra mim." Disse ele sem a menor cerimônia. "Posso continuar?" Ela balançou a cabeça. "Após alguns dias, fomos até aquela cidadezinha averigüar aquele homem que fazia chover, lembra?" Ele não esperou que ela terminasse. "Se você lembra, então também se recorda de que dormimos no mesmo quarto?" Agora ele esperou que ela respondesse. "Sim, lembro muito bem desse dia." Provocando-a, disse. "Então também lembra que não dormimos juntos, não é?" Ela riu. Realmente naquele dia não queria misturar trabalho com prazer. E para completar, Mulder estava machucado, por causa da vaca que caíra em seu quarto. "Bem, claro que eu fiquei desapontadíssimo. Mas foi durante esse caso que eu finalmente percebi que eu não conseguia enganar ninguém. Qualquer pessoa que chegasse perto de mim, saberia que você era a única pessoa na minha vida. Holman inclusive comentou sobre o modo como eu te admirava. Chegou também a perguntar se já havíamos dormido juntos, mas não pude dizer que sim. Parecia que estava violando algum tipo de regra. Uma regra não falada, mas que era para ser seguida. Como eu poderia falar alguma coisa tão íntima para outra pessoa, se não falava sobre isso nem com você?" "Eu me senti do mesmo modo. Scheila me perguntou se já havíamos nos beijado, mas disse que não. Não poderia simplesmente dizer que sim. Aquilo envolvia muito mais do que um simples beijo. Eram os sentimentos de duas pessoas. Não poderia sair por aí falando. Mas também foi ali que eu percebi, tentando convencer Scheila a ficar com Holman, que chega-se em um ponto em que a única pessoa que você se imagina passando o resto da vida é simplesmente um amigo de muitos anos." Mulder emocionou-se ao ouvi-la falar assim dele com tanta paixão. E novamente ele se apaixonou por ela. Pela sua maneira correta de ser. Não se deixar levar pela opinião dos outros. Lutar pelos seus direitos. Emocionou-se também pelo fato de ela ter mencionado o fato de passar o resto da vida juntos. Ele inclinou-se, pegou em seu rosto e deu-lhe um suave beijo, que a fez arrepiar-se. "É, Scully. Tudo isso, mas você ainda assim pensou em dormir com Phillip Padgett." Ele não estava triste, mas deixou bem claro seu medo. Medo de que Scully tivesse realmente dormido com Padgett. "Mulder, você precisa me entender. Estava carente. Apesar das nossas maravilhosas noites, eu precisava de algo mais. E, naquele momento, Padgett parecia querer me dar o que queria. Ser admirada, amada." "Mas eu sempre te admirei e amei." "Mas ele me disse o que sentia. E você não." Ele não queria mais continuar com a conversa sobre seu vizinho, agora morto, principalmente porque o lembrava de que Scully havia quase sido morta naqueles dias. Só de pensar no assunto, ele se arrepiou. "Eu realmente fiquei com medo ali, Mulder. Sendo atacada por aquele médico fantasma. E quando eu te vi, foi a melhor coisa que já me aconteceu." "Você não imagina o que eu senti quando te vi toda ensangüentada no chão do meu apartamento." "E você não imagina como *eu* me senti ao ouvir Padgett dizer que já estava apaixonada." "Eu sei como me senti. Lisonjeado e feliz. Muito feliz." Ele sorriu como se demonstrasse o que estava sentindo ao ouvir Padgett falar. "Mulder..." "O quê?" "Vamos sair daqui?" Mulder's apartment 3 am Mesmo dia, quer dizer, já é o outro dia "O que você quer fazer?" Perguntou ele com uma voz que pedia algo mais quente para a noite. "Por enquanto quero somente continuar a conversar. Só quero estar perto de você." Ela chegou perto dele e o abraçou. Seu rosto colado ao seu tórax perfeito a fez suspirar. Não era preciso palavras. Os dois sempre se comunicaram através do olhar e do corpo. Esse era um momento que Scully não queria que terminasse nunca. Os dois sentaram no sofá de couro de Mulder e Scully se sentiu muito confortável. Era a primeira vez que sentava ali sem que tivesse um caso para resolver ou estivesse tendo uma daquelas noites com Mulder. Agora era tudo diferente. Os dois estavam juntos e as coisas seriam diferentes. "Scully, lembra-se quando tivemos que nos disfarçar de marido e mulher?" "Lembro. Aquele foi um dos melhores casos pra mim." "Tenho que concordar com você. Gostei de ver você com aquela máscara verde. Apesar de ter me assustado um pouquinho." Disse ele pegando no cabelo dela. Os dois sentaram no sofá e Scully estava encostada em seu tórax. Ele estava abraçando-a e pegando em seu cabelo. "Sinceramente, não sei como tive coragem de sair do banheiro com aquilo." "Eu achava que você nunca usava essas coisas esquisitas que mulher usa." Ela virou-se para olhar nos olhos dele. "Você não acha que sou uma mulher como qualquer outra?" "Claro que não. Eu não me apaixonaria por uma mulher comum." Ela se derreteu por dentro e voltou ao seu lugar de origem, bem próximo dele. Sentindo seu perfume e seu corpo. Pegou em sua mão e ficou a brincar com ela. "Eu... Eu gostei bastante daqueles dias. Pareceu realmente que éramos um casal normal, sem maiores problemas. Gostava quando você tentava me beijar para disfarçar ainda mais o nosso disfarce." "E eu gostei quando você ficou pegando na minha mão na casa do representante daquele condomínio." "Mas você a tirou de lá uma vez!" "Eu poderia não agüentar e começar a te agarrar ali mesmo." Ao falar isso, Mulder pulou em cima de Scully e começou a fazer cócegas nela que se contorcia em baixo dele. Algo que sempre tivera vontade de fazer. Algo tão comum para casais comuns. A vida encarregara-se do fato de fazer com que os dois fossem unidos pelo trabalho e também na vida pessoal. Agora eles eram aquele tipo de casal e nada poderia mudar esse fato. Nada. ---------XXX-------------- Bem, galera! É isso aí!!! Espero que vocês tenham gostado. Realmente era algo parecido com isso que gostaria que tivesse acontecido na sexta temporada, porque não é possível negar o que os dois sentem pelo outro agora!!! Me digam se gostaram ou não. Me digam também se querem saber o que aconteceu em uma das "noites"!!! Obrigada por terem lido e me digam do que gostaram e/ou do que não gostaram!!!