MUTATIS MUTANDIS (Mude-se o que deve ser mudado) by Sculder Ecks DISCLAIMER: Esses personagens não pertencem a mim, e sim aos seus respectivos criadores. Os uso apenas por diversão e não tenho fins lucrativos. CLASSIFICAÇÃO: Livre CATEGORIA: Inexplicável/Shipper (dessa vez, um pouco mais) SINOPSE: Continuação de Si Vis Pacem para Bellum. NOTA: Essa fanfic não é tão shipper, mas tem algumas coisas românticas, da parte do Mulder. Continuam os fatos verídicos... XXX Lady Mary Seer 13 DE DEZEMBRO DE 2000 AM 9:30hs Mulder foi novamente encontrar Lady Mary, havia perguntas que ele não conseguia responder, perguntas que nem mesmo o livro conseguia explicar. Após lê-lo por completo continuava se perguntando o que fazer, como agir para defendê-las. Se a vidente tinha lhe indicado para as meninas talvez soubesse de algo que ele não sabia. Sentado na mesma sala de espera tentava descobrir algo que não pensara ainda, um simples detalhe que revelasse todo o contexto. Mas não adiantava, ele e Scully já haviam pensado e repensado, varado noites atrás de uma solução, feito pesquisas em livros escritos na mesma época, mas nada. Nenhuma pista. Aliás, aquele livro parecia ser o único no mundo. E autor não havia. Pelo menos não divulgado ali. A atendente de sempre, veio lhe dizer que já podia entrar, Mulder levantou-se do sofá de couro marrom e entrou na sala de Lady Mary. Quando o avistou na porta, a vidente emitiu um discreto sorriso. - Que bom que veio novamente. Mulder acenou com a cabeça e sentou à frente de Lady Mary. Ela notou um ar de preocupação no homem de terno. - E então? - perguntou tentando deixá-lo mais confortável. Permaneceu quieto, mas depois, resolveu contar tudo. - Eu estou desesperado..., não sei mais o que fazer. Sinto uma coisa que me diz que algo vai acontecer em pouco tempo. E ao mesmo tempo sei que preciso tomar uma atitude para mudar isso... - Se você for o escolhido saberá o que fazer. - ela respondeu com naturalidade. - Esse é o problema. E seu eu NÃO for o escolhido?! E se ele já estiver morto? As meninas precisam de ajuda, de proteção, que talvez não seja eu a dar. - O que você acha? Mulder colocou a mão na cabeça. Ora, o que ele achava?! Nem sabia mais. - No livro um "espírito" disse para o tal homem que ele era o escolhido. "Ninguém" apareceu pra me dizer seu eu tinha uma missão ou não... como vou saber?! - São épocas diferentes. Você acreditou de imediato que essa era sua missão, talvez se não acreditasse... - Uma luz poderia aparecer pra mim?! é isso que quer me dizer?! - ele completou fazendo ar de que aquilo era absurdo. Nesse instante seu celular tocou, Mulder levou a mão para atendê-lo, em sua face total indignação. - Quem é?! - Skinner, agente Mulder. Onde você está? - Hã... - Mulder olhou para a vidente tentando encontrar melhor resposta. - ...bem senhor é uma história longa e... - Isso não importa. A agente Scully, ... - Skinner pausou. - O que tem ela? - Mulder começou a pensar o pior. - Preciso que venha ao Hospital Federal imediatamente, Mulder. Mulder ficou imóvel com o celular desligado ainda ao ouvido. Parecia estar em transe momentâneo. - Algum problema? - Você deveria saber, não é? - afrontou-a, mas nem se quer esperou a resposta dela, foi saindo da sala. Mas ainda virou- se para Lady Mary novamente. - Algumas pessoas eu não estou conseguindo proteger... HOSPITAL FEDERAL DE WASHINGTON D.C. AM10:00hs Mulder corria pelos corredores do mesmo hospital. Encontrou Skinner sentado apoiando a cabeça entre as mãos. Percebeu o pior, o que nunca queria sentir na vida. Medo. - E Scully? Skinner balançou a cabeça negativamente, apertando o lábio inferior. - Onde ela está, quero vê-la! - Fizeram o possível, Mulder. Ela... Mulder começou a andar de um lado para o outro, desesperado. - Não! - Ela não agüentou... eu sinto muito. - Skinner tinha lágrimas na voz. - Não! Onde ela está? Você está mentindo! - Mulder começou a gritar. - Mulder, por favor - Skinner tentou recompor-se. - Depois que eu liguei pra você os médicos me deram a notícia. Scully... morreu, Mulder. - Não!!! Não!!! - Mulder começou a esmurrar a parede com toda a força que pode. Depois apoiou sua cabeça na mesma, deixando que suas lágrimas caíssem. Não pensava em impedi-las, não pensava em nada, a não ser Scully. A tinha perdido, definitivamente. A presença de Skinner nem o importava mais, estava morto. Sua alma foi junto à de Scully, os soluços ecoavam naquele corredor e Mulder já sentado no chão, gemia, chorava... a própria imagem do desespero. - Por favor Mulder, não torne mais difícil... - Skinner tentava consola-lo, mas não conseguia. Ninguém conseguiria. - Como aconteceu? - ele falou resgatando o último resto de voz. - O zelador a encontrou desacordada no corredor do seu apartamento, nem sequer chegou a entrar. Não descobriram nada, simplesmente o seu coração parou de bater... Mulder se martirizava cada vez mais com as palavras do diretor assistente. - Vamos para outro lugar, agente. Você precisa se acalmar... - Não tenho nenhum lugar para ir! Eu perdi tudo, perdi minha vida! - ele chorava descontroladamente. Skinner não encontrou outra maneira de tirá-lo dali, a não ser arrastado. Mas Mulder não notou nada, estava sem vida, sem alma, sem Scully. Em um momento de lucidez, Mulder sentado no carro de Skinner, esboçou algumas palavras: - O futuro não nos pertence não é, senhor? - O que? - Skinner não compreendeu. - Nós trabalhávamos num caso, e essa foi a causa... - Esqueça esse maldito caso, agente Mulder! Mulder seguiu quieto até a casa das meninas, onde Skinner teve de levá-lo, após a insistência dele. Quando desceu do carro, viu Gake e Ithy sentadas na varanda. Em sua face nenhuma expressão, parecia um simples corpo, ali diante da casa alegre em que as garotas estavam. Elas começaram a se aproximar, no rosto delas se notava que já sabiam. Gake balançou a cabeça e seu suspiro combinou-se ao da amiga, se notava também a tristeza. Mulder sacou a arma de seu coldre e passou a examiná-la entre seus dedos, o que durou fração de segundos, para ele, foi o tempo suficiente para refletir. Apontou para a própria cabeça, ainda pode ver Skinner virando-se para vê-lo e as duas garotas correndo ao seu encontro. Isso já não importava mais. - Não posso mais ajudar vocês... não posso parar o destino... - disse antes de desferir um tiro certeiro em sua têmpora direita. Um corpo caído sobre a calçada. Um homem. Sem destino. Sem futuro. Turúrurúrurú... THE X - FILES PARANORMAL ACTIVITY GOVERNMENT DENIES KNOWLEDGE MUTATIS MUTANDIS XXXXXX RESIDÊNCIA DE GAKE FENSTER Dia anterior - 12 DE DEZEMBRO DE 2000 AM 8:58hs - Ithy? Tá acordada? - Ahãn... - Eu sonhei com a agente Scully de novo... - Eu também. Não entendo. - Desde que fomos apresentadas a ela que eu me sinto estranha. Parece que já a conheço de muito tempo atrás. - Sabe que eu sinto a mesma coisa. E o mais estranho é que eu tenho um carinho por ela, sei lá... gosto muito dela. As duas levantaram, um pouco contrariadas obviamente, para irem ao colégio. Enquanto uma ia ao banheiro a outra ficava vendo a roupa para vestir. Todos os dias eram assim, se não era na casa de Ithy era na de Gake. Gake saiu do banheiro escovando os dentes, carregando uma pequena toalhinha. - Ithy... olha isso! - ela chamou a amiga. Ithy virou-se instantaneamente para ver o que Gake mostrava. A toalha que ela sempre usava e que sempre ficava no banheiro estava manchada com alguma tinta formando a frase "Mamãe Trynze". - Quê isso? - Sei lá, fui usar e estava escrita. - Não foi o Aaron? - Ithy perguntou. - Claro que não. A porta do quarto está fechada. Como ele ia entrar? - Mamãe Trynze?!?! Gake levantou as sobrancelhas e apertou os lábios. Ithy suspirou e foi testar a porta, que estava mesmo trancada. Depois de tudo que aconteceu sempre se trancavam no quarto na hora de dormir. - Meninas! O café! - Sarah gritou lá de baixo. - Já vamos, mãe! AM 9:20hs Sentadas na mesa, as meninas tomavam café silenciosamente. Não era normal estarem quietas pela manhã, mas naquele dia pensavam muito. - O que você sonhou? - Ithy perguntou levando uma colherada de cereal à boca. - Foi uma coisa meio sem nexo. Lembro de ter visto a agente Scully me chamar na porta de uma casa, depois já estamos eu e você, num lugar que, aparentemente, é uma floresta. Brincando. A Scully também está, mas sentada no chão, como em um piquenique. - Gake colocou um pedaço de bolo na boca. - E você? - Não lembro muito bem, ela estava dormindo e eu e você pulamos na cama dela. A casa era bem velha e precária, bem antiga. As roupas também, parecia uma época onde as pessoas usavam aqueles panos, e eram muito sujas. - ela riu. - Imagina que horror?! Gake riu também e seguiram tomando o café. Ouviram uma buzina do lado de fora da casa. Ithy olhou pela janela Mulder esperando no carro. - Só repara que a mamãe vai falar "Gake, o agente Mulder chegou!", Gake disse imitando o jeito da mãe falar, ao mesmo tempo em que a mãe dela dizia a mesma coisa de outra parte da casa. As duas riram, levantaram e foram pegar alguns cadernos no quarto. A toalhinha ainda estava lá, em cima da cama, com as mesmas palavras. - Pegamos? - Não sei. Vamos levar, se acharmos que devemos mostrar pra ele... - Tudo bem, Ithy. Vamos?? Chegaram na varanda da casa e pararam por um instante, Ithy vinha segurando a toalha em uma das mãos. Ela começou ajeitar os cadernos e deixou aquele pedaço de pano cair no chão. Gake que estava distraída e quase caiu com o puxão que a amiga lhe dera. - Aiê! - Olha aí! - Ithy disse apontando para a toalhinha caída em um dos degraus. - Mamãe o quê??? - Gake espantou-se. - Scully... - Ithy respondeu com os olhos fixos na toalha que havia estranhamente trocado a frase "Mamãe Trynze" por "Mamãe Scully". ST. PHILIP HIGH SCHOOL PM 3:05hs Gake e Ithy estavam saindo da escola porém não viram Mulder, somente o carro dele. Ficaram preocupadas, já que todos os dias ele ia buscá-las. Olharam para todos os lados possíveis até que notaram Scully, caminhando na direção delas. O alívio foi imediato. Andaram até ela. - Desculpe meninas, Mulder não pode vir hoje... - ela sorriu. - Não tem problema nenhum. - Ithy falou. - O que houve com ele? - Gake parecia preocupada. - Ele não estava se sentindo muito bem, mas me pediu para buscá-las. - O agente Mulder sempre pensa em tudo... - Ithy cutucou a amiga. - É... - Gake riu. Scully se pegou olhando para as meninas com muito carinho. Sentia-se muito estranha por estar assim. Nunca havia se envolvido tanto em um caso, como estava naquele. Muitas vezes, ela e seu parceiro, já tinham lidado com crianças e adolescentes, mas nem chegava perto da ligação que tinham com elas. às vezes pensava estar transformando Gake e Ithy no seu sonho, o de ser mãe. Quanto mais as via, mais queria estar junto a elas. E desde a primeira vez que viu Ithy e Gake sentia isso. Algo que ela não conseguia explicar. - Nós estamos com muito medo, desde que aconteceu... - Gake limitou-se a dizer, entrando no carro. - Estamos sentindo muitas coisas estranhas, que não queremos mais, agente Scully. - Ithy continuou num tom calmo, mesmo demonstrando um pouco de medo. Scully também estava sofrendo com elas, estranhamente sofria pelo sofrimento das duas. Seguiram pelas ruas em silêncio. Quando chegaram à frente da casa de Ithy, as três desceram do carro andando até a calçada. Ithy e Gake ficaram olhando Scully, até que Gake resolveu quebrar o silêncio. - Podemos? - disse ela estendendo os braços na direção da agente. Ela sorriu e abraçou as duas. Quase desapareceu no meio das garotas que eram mais altas do que ela. - Muito obrigada... - Gake sussurrou. - Pelo quê? - Scully perguntou entre lágrimas que tentava a todo custo esconder. - Por acreditar na gente... por nos ajudar. - Ithy disse. Ela beijou a face de cada uma e sorriu. As duas recolheram suas coisas do chão e foram para casa, deixando ali uma mulher extremamente sensível e feliz por tê- las encontrado. Por mais que seu ceticismo negasse, dentro dela havia uma ligação bem mais forte, um elo. 13 DE DEZEMBRO DE 2000 Tempo atual Acordou arfante, o suor lhe lavava o rosto. Seus olhos percorriam o quarto tentando reconhecê-lo. Passou a mão pela face assustada para esquecer o que tinha presenciado. Mas foi apenas um sonho. Não. Foi um pesadelo. O pior pesadelo que já havia tido em sua vida. A perda. Por um instante seu rosto foi tomado pelo desespero, inconscientemente levou a mão ao telefone na cabeceira da cama. Voltou ao normal após tê-la ouvido atender sua ligação. - Sim? - Scully... que bom... - ele disse mais calmo e feliz por ouvi-la. - O que foi, Mulder? - Scully perguntou virando o relógio em sua cabeceira para olhar o horário. AM 3:10hs. - Eu sonhei... não, tudo bem, esquece... - Você está bem? - ...não... - Estou indo, Mulder. Ele sorriu quando a ouviu dizer aquilo, Scully entedia que ele precisava dela naquele momento. Desde o dia anterior, quando começou a sentir algumas tonturas, estava tendo sonhos estranhos. Desligou o telefone e continuou deitado na cama, não tão aflito como antes. Scully vestiu-se, foi até a porta. Por um momento parou para pensar e voltou até seu quarto. Saiu de lá com um livro de capa verde musgo debaixo do braço. RESIDÊNCIA DE ITHY SATTER 13 DE DEZEMBRO DE 2000 AM 3:30hs Ithy e Gake abriram os olhos ao mesmo tempo, lágrimas correndo ininterruptamente. A respiração trancada. Miraram- se. - Um acidente... - Gake sussurrou chorando ainda mais. - Meu... Deus! - Ithy colocou as mãos sobre os olhos. - Você... t-também?! Gake concordou com a cabeça. - Precisamos avisá-lo... HOSPITAL FEDERAL DE WASHINGTON D.C. AM 3:50hs Sentado no corredor, Mulder apoiava a cabeça nas pernas. Esperava ansioso por notícias, por alguma informação do estado clínico da parceira. Skinner chegou um pouco depois, também bastante preocupado. - O que houve? - Scully sofreu um acidente... - Mulder tentava não falar mais sobre aquilo. - Como? - Skinner insistiu. - O táxi em que ela estava avançou o sinal e colidiu com um caminhão. - Mulder falou com um pouco de dificuldade. - E como ela está? - Eu não sei, não sei... - disse colocando a mão sobre a cabeça. - Há algo de estranho nisso tudo... - Mulder deixou seu pensamento falar. Skinner o indagou com o olhar. - O motorista saiu ileso do acidente... - disse tentando entender como, em uma batida tão forte apenas a passageira se feriu. Skinner o deixou só, foi tentar procurar informações com algum médico. Mulder continuou esperando, mas não agüentou o cansaço que lhe consumia o corpo e acabou pegando no sono. AM 5:20hs - Agente Mulder?! - Acorde! Mulder despertou em um súbito para encontrar Gake e Ithy chamando-o. Sentou-se no pequeno sofá, massageando os olhos. - E Scully? - foi a primeira coisa que conseguiu perguntar. Elas entreolharam-se tentando pensar em uma resposta apropriada. Afastaram-se andando até a porta do quarto, fazendo com que Mulder as seguisse. Vendo aquela imagem a sua frente, Mulder segurou-se para não chorar. Scully estava presa num emaranhado de tubos e aparelhos que no momento a mantinham viva, cortes espalhados pelo corpo inteiro. Por um momento ele não se mexeu, ficou olhando aquela cena, com o coração apertado. - Mulder... - uma voz lhe chamou. Ele voltou-se para o resto do quarto notando Maggie vir em sua direção. - Minha filha... - Maggie o abraçou soluçando. Ele a abraçou mas tentou controlar as lágrimas. - E então? - Mulder esperava ansioso pela resposta de Skinner. - O impacto foi muito violento, você precisa entender que num acidente desses... - O que é? - Mulder interrompeu. Skinner suspirou, andou até Mulder para que ninguém mais ouvisse o que tinha a lhe dizer, embora todos já soubessem do estado de Scully. - Traumatismo craniano... não há mais nada que possamos fazer... Mulder desconcertou-se. Ficou olhando a figura tênue da parceira deitada naquela maca, sabendo que não podia fazer nada para salvá-la. - Os médicos disseram que temos a opção de fazer... - Skinner pausou. Mulder o censurou com o olhar. - A única coisa que a mantém viva são esses aparelhos, Mulder! Ela está sofrendo muito. Mulder aproximou-se da maca, acariciou o rosto de Scully. Passou a mão por seus cabelos e segurou sua mão. As lágrimas começaram a cair sobre os lençóis que a cobriam, deixando pequenas marcas molhadas. - Como vocês sabiam? - num súbito perguntou para Gake e Ithy. - Nós sabíamos...? - Ithy não entendeu. - Sobre ela. - Mulder explicou. - Sonhamos. - Gake respondeu baixinho. - Eu... também, mas... foi antes de acontecer. As amigas estranharam o fato de Mulder ter sonhado com o acidente, aproximaram-se dele e pediram para saírem um instante do quarto já que Skinner e Maggie permaneceram quietos, com um olhar de que não entendiam nada. - Foi minha culpa. - Como? - Gake limitou-se a perguntar. - Eu sonhei que ela tinha morrido e pedi que viesse à minha casa, fiquei assustado. Foi minha culpa... - Claro que não. - Ithy tentou consolá-lo. - Se eu não tivesse chamado, Scully estaria viva agora! A culpa é toda minha!!! - Mulder gritava odiando-se cada vez mais. Seu olhar expressava fúria. Mulder não conseguia controlar-se, tinha chegado ao extremo do que agüentava suportar. Começou a chorar baixinho, embora seus soluços ecoassem por todo o corredor. As duas meninas o abraçaram na tentativa de acalmá-lo, bem sabendo que nada poderiam fazer para tirar dele aquela dor. Em meio a um suspiro lentamente ele foi aquietando-se, mesmo com a dor continuando ali. A perda. - Ele está aqui! - gritou Ithy afastando-se dele. - Quem? - Mulder assustou-se com a repentina expressão de Ithy. - Vai levá-la! - Gake gritou, afastando suas mãos de Mulder e entrando correndo até quarto. Mulder correu atrás das duas irmãs, adentrou o quarto e, o barulho eminente dos aparelhos que mantinham Scully viva, apavorou Mulder. Maggie, que dormia nesse instante na cadeira ao lado da cama, acordou. Olhou para a maca vazia, sem entender o que se passava ali. Mulder não conseguia expressar qualquer reação diante daquela cena, apenas tentava processar corretamente o que estava vendo. - ...Dana? - Maggie conseguiu esboçar. - O que houve?! - Skinner acabara de entrar, olhando Mulder e Maggie frente à uma maca vazia. - ...elas, sumiram! - foi o que Mulder conseguiu dizer. AM 8:32hs - Onde está minha filha?! - Calma, Christine... Mulder, nervoso, tentava explicar o desaparecimento das garotas para os seus pais. Nunca compreenderiam, era inútil explicar que elas haviam desaparecido dentro de um hospital, quase sob seus olhos. - Não vou ficar calma até saber o que esse crápula fez com a minha filha! - gritou. Freddie tentava de todo o modo acalmar a esposa que cada vez mais ficava mais irritada. - Você vai continuar com aquela loucura de "espíritos"? - Kevin indagou a Mulder, quase o acusando. - Por favor vocês precisam entender, eu não fiz nada com suas filhas. Elas simplesmente sumiram! - Como? "Sumiram"? - Freddie falou entoando mais a última palavra. - Elas me disseram algo como "ele está aqui" e saíram correndo para o quarto onde minha parceira está internada, quando entrei não estavam mais. Nem elas, nem minha parceira... sinto muito, eu... - Sente muito?! Você sente muito?! E como acha que eu me sinto? Perdi minha filha! Oh, meu Deus... - Sarah abraçou-se a seu marido e passou a chorar descontroladamente. Mulder estava muito confuso com aquela história toda, e via- se a aflição dele diante dos pais das meninas, não haveria outra solução a não ser que devia contar toda a história a eles. Relutou durante um tempo em contar sobre o livro, sobre a missão. Concluiu que deveriam saber, enquanto os dois casais o acusavam do desaparecimento delas. Fez com que sentassem no banco do jardim, respirou fundo. - Suas filhas... elas não são normais. São escolhidas. Estão aqui como Jesus esteve há 2000 anos... é difícil entender o que isso significa para o mundo inteiro. Os dois casais estavam absortos diante do Mulder falava. - Uma lenda diz que duas meninas foram enviadas para mudarem o mundo, 46 anos antes do nascimento de Cristo. Elas eram irmãs, mas as duas morreram antes de saberem dessa missão. Havia um homem escolhido para protegê-las e contar a que vieram... - Nós.. n-não estamos entendendo. - Christine disse entrecortadamente. - Esse homem também foi morto, mas por pessoas que acharam ele ser um bruxo. Por isso as irmãs nunca souberam da tal missão. Todos os indícios levam a crer que as irmãs reencarnaram novamente como suas filhas... e que o escolhido para protegê- las..., bem... - Você! Sim, e Papai Noel existe! - Kevin foi sarcástico. - Não vamos acreditar numa história absurda dessas! - Acha que somos idiotas? Nossas filhas estão em algum lugar e não numa história infantil! - Freddie ignorou por completo a explicação do agente. - Eu nunca inventaria algo assim... é verdade! - Mulder passou a gritar. - Eu vou encontrar minha filha nem que seja no final do mundo! Nenhum agente idiota vai fazer com que eu acredite que Ithy é uma... - Christine encolheu sua cabeça no peito do marido e chorou mais forte. - Desde que você e sua parceira apareceram, Ithy e Gake têm enfrentado coisas terríveis. Pensei que podíamos confiar em vocês, mas... - Sarah pausou, recompondo-se. Dirigiu um tom ameaçador a Mulder. - Se eu descobrir que alguma coisa de errado aconteceu com elas... - Sarah apontou o dedo no rosto de Mulder saindo logo depois do hospital. O sr. e a sra. Satter logo atrás. Mulder não reagiu, não tinha mais forças. Estava arruinado. Sentou no banco antes ocupado pelos pais das garotas, colocou a cabeça entre as pernas e chorou estridentemente. Ainda não compreendia o que aconteceu. Seu peito estava apertado, quase o impedindo de respirar. Sentia-se impotente diante dos fatos que se revelaram para ele. Correu até o quarto onde Scully, há minutos atrás se encontrava debilitada, sentou em uma cadeira perto da cama, ficando a observá-la, como querendo entender o que tinha se passado. Ficou ali estático até que Maggie se aproximou dele. - Mulder... Ele compreendeu o que Maggie lhe perguntava, somente virou-se para ver naquele olhar de mãe desesperada, o mesmo olhar que havia visto nas mães de Ithy e Gake. - Eu não sei mais o que fazer... - falou num sussurro. Maggie lhe murmurou "eu entendo...", beijou sua testa e voltou ao sofá. Enquanto isso o agente ficava com o olhar fixado a cama de hospital, sabendo que nunca mais poderia dizer ou explicar nada. Estava tudo acabado. A perda. AM 9:15hs Skinner entrou arfante no quarto encontrando um Mulder sem expressão. Infinitamente procurando por uma resposta. - Mulder... posso falar com você um instante? Ele assentiu e levantou-se indo à direção de Skinner. - Os pais das meninas... - Senhor, em relação a eles, estão enganados quanto a eu ter feito algo com suas filhas. O senhor sabe que eu n... - Não é isso, agente Mulder. - Skinner olhou para a maca vazia e suspirou. - Eles estão mortos. - O quê? - Sofreram um acidente. E não sobreviveram. Eu sinto muito. Skinner deixou Mulder pasmo. Novamente aconteceu. Como na lenda os que não acreditassem no chamado "protetor" e o condenassem estariam mortos. Como os pais de Gake e Ithy, como Scully. Odiou-se, com toda a força que conseguiu. Odiava ter que ser o "escolhido", o "protetor", não conseguia proteger ninguém. Estava destruindo todos à sua volta. Saiu correndo do quarto para fazer uma coisa que pensava em fazer há um certo tempo. Ir até Lady Mary, sabia que não encontraria respostas lá, mas suas opções já haviam se esgotado. Entrou no seu carro e ao olhar para o banco do passageiro viu algo que o fez assustar-se. O livro. Sem pensar em como havia aparecido ali, já que estava com a parceira, abriu-o. Mas a surpresa: não havia nada no livro, apenas páginas em branco. Somente algumas letras em cada uma delas. Ficou sem entender aquelas letras dispersas que não faziam sentido algum para ele. Observou bem e notou que as letras Y, N, O, C, E, O estavam em todas as páginas, mas em linhas diferentes. Ficou pensando o que significavam. O som estridente dos pneus atritando com o asfalto denunciava que havia freado o carro de repente. - Coyone! - disse dando a volta e indo à direção do parque com uma velocidade em que nunca havia dirigido antes. COYONE PARK AM 9:30hs Entrou naquele parque com a arma em punho, mesmo sabendo de que nada adiantaria. Trazia consigo também o livro de capa verde musgo. Andou até o lugar onde havia achado Ithy e novamente as lápides estavam lá, mas diferentes de antes. As covas estavam abertas e vazias. Olhou para além dos túmulos e viu um emaranhado de folhas, que se assemelhava a uma cerca-viva. Tocou-a e notou uma parede de tijolos e uma porta. Não lembrava de ter visto aquilo da primeira vez que esteve lá. Primeiramente chutou a porta com o pé e depois atirou na mesma, na tentativa de abri-la. Finalmente conseguiu entrar, o lugar era muito escuro. O breu lhe impedia de ver qualquer coisa. Esperou alguns minutos parado até sua visão se acostumar à escuridão. O lugar também era bastante frio, uma brisa gelada insistentemente passava por seu corpo. De repente uma luz que surgiu do nada quase o cegou, muito mais forte do que qualquer holofote super potente. Mulder colocou a mão sobre os olhos, protegendo-se. Depois que abaixou o braço da frente do rosto viu um enorme salão, com pinturas nas paredes que ele não conseguia distinguir corretamente o que representavam. Esse lugar apresentava uma forma triangular, sendo completamente vazio há não ser no seu centro. Mulder abriu o livro e viu o que as letras formavam nas páginas em branco, exatamente triângulos. Fachos de luz suspendiam dois corpos no ar. Um de Altryna e o outro de Miglyne. As meninas estavam deitadas, como se estivessem levitando. Com os olhos cerrados. Toda a luz que havia no local emanava do corpo das duas, numa energia esplendidamente forte. Mulder tentou aproximar-se mais foi impedido por um campo de energia que as envolvia. Sentiu-se tonto e levou a mão sobre a testa, esfregando uma das têmporas. Uma voz vigorosa vinda de trás de si falou com certa convicção: - Viu o que queria ver? Só conseguirá mudar o que pode ser mudado... TO BE CONTINUED