Título: Missing Child Autoras: Lyze Starbuck ; CamiScully E-mail: macielj@zaz.com.br/ Camilla_Scully@zipmail.com.br Sinopse: Mortes misteriosas e uma conspiração que pode está muito mais proxima do que Mulder e Scully pensam Hotel Wings Rua 104, Nova York 10 horas da noite 23 de janeiro de 2001 O "Timer" da Televisão foi acionado e o aparelho ligou automaticamente. O volume estava no máximo, e foi suficiente para fazer com que o homem deitado na cama, levantasse assustado e nervoso. Seus olhos pesados e um certo desequilíbrio nos movimentos, não permitiram que ele achasse o controle remoto do aparelho. Na televisão, em uma edição nacional de um jornal, a repórter falava sobre o caso de algumas crianças desaparecidas na Califórnia e que tinha sido manchete por vários dias em todo o país, alguns meses antes. A matéria , na realidade, enfocava o trabalho dos agentes federais em casos de desaparecimento de crianças. O homem depois de movimentar-se bruscamente pela cama, finalmente achou o controle remoto em meio a algumas garrafas de cerveja vazia, apontou para televisão, tencionando desligar, mas se deteve ao reconhecer os dois rostos que eram focalizados na tela. Ele somente baixou o volume enquanto observava atentamente aquelas pessoas. Um frio percorreu seu estômago e ele levantou apressado em direção ao pequeno armário onde estavam guardados os seus poucos pertences; abriu a mala e vasculhou sem muito cuidado até enxergar o fundo, onde um envelope de cor parda tinha sido cuidadosamente colocado. Os créditos do jornal já apareciam na tela e os rostos dos dois agentes eram agora passado, nas ondas da televisão. Em sua mente, no entanto, a imagem deles era uma constante, seguindo-o todos os dias de sua vida, lembrando que não importando para onde ele fugisse, sempre teria que conviver com os erros do seu passado. O homem foi até a pequena pia que havia num dos cantos do quarto e lavou o rosto, ficando alguns minutos observando no espelho, aquela estranha pessoa a sua frente. Estava há tempo demais distante das pessoas que amava e agindo como um covarde prejudicando estas mesmas pessoas. Ele precisava agir pela primeira vez na vida como um homem e assumir seus próprios erros. O hotel ficava em uma rua decadente e as caixas de correio estavam quase todas violadas, em hipótese alguma ele deixaria ali, um documento importante como aquele que carregava dentro do bolso do palitó , correndo o risco de nunca chegar a seu destino. O mais acertado a fazer era ir até o centro nervoso da cidade maça e achar um lugar mais seguro para enviar a correspondência . Também aproveitaria para cobrar dívidas de jogos. Com o dinheiro, o homem deixaria a cidade e procuraria um local para viver em segurança quem sabe com a mulher e com a pequena criança que aprendera a chamar de filha. No interior da estação, a escuridão predominava no ambiente e não fosse por pequenos sinais automáticos permitindo a entrada dos passageiros, diría-se que a estação estava fechada. O lugar estava completamente deserto e o homem se aproximou do trilho dos trens tencionando ver através da escuridão, qualquer sinal da aproximação do trem. - Tem alguma coisa para mim ? - Uma voz rouca foi ouvida. O homem virou assustado em direção ao vulto que estava atrás dele observando-o sem nenhuma expressão no rosto. - O que? - ele mal teve tempo de se virar e encarar o estranho homem que estava atrás. O estranho pegou ele pela gola do palitó e enfiou uma das mãos dentro do bolso interno da roupa, tirando o envelope pardo. O vulto não perguntou uma segunda vez e avistando o trem entrando na estação, jogou o assustado homem nos trilhos. O maquinista tentou freiar, mas era tarde demais. Primeira Parte Oak Park, Arredores de Washington. 8:45 da manhã O carro de Scully atravessou uma alameda florida e passou em baixo de um enorme portal, onde estava escrito : "Nada como o Lar." O local era bastante tranqüilo e não parecia está a poucos minutos de carro do centro político da América. Na porta de uma das casas, Scully avistou algumas carros da polícia local e um conhecido automóvel perto deles todos. Scully desceu de seu carro e tão logo saiu, percebeu ter acertado na escolha da roupa que usava. Uma corrente fria de vento veio em sua direção, deixando a sensação térmica muito mais baixa do que marcavam os termômetros. Scully se encolheu dentro do pesado casaco que usava, enfiou as mãos nos bolsos enquanto caminhava para o interior da casa. A primeira visão de Scully do interior do belo sobrado, foi assustadora. A maioria dos moveis espalhados pela sala estava completamente destruído. Uma guerra parecia ter acontecido ali dentro, as paredes estavam chamuscada e apenas um pequeno lado da sala tinha sido preservado. Scully observou Skinner conversando com dois outros policiais, e seguiu em direção ao canto da sala, ainda intacto. Sobre a lareira, algumas fotos também estavam intactas, Nelas, um casal feliz, se divertia em suas atividades habituais. Algo no olhar do homem, chamou a atenção de Scully. Ela pegou o retrato e ficou observando detidamente. - Alguém conhecido ? - disse Skinner se aproximando. - Não Senhor. Na verdade não –ela falou sem muita certeza. - O que aconteceu aqui? - Chamavam-se Eliot e Tereza Robins. – Falou Skinner desta vez ele pegando o porta retrato e observando a imagem do jovem casal - Moravam nesta casa há pelo menos dois anos e viviam uma vida aparentemente normal. Eram pessoas de hábitos pacatos; não saiam, não tinham muitos amigos, nem mesmo na vizinhança - Eles sumiram ? - Não exatamente. - Como, Senhor? Skinner caminhou entre o rescaldo da casa, seguido de perto por Scully. Ele entrou em um dos cômodos que julgando pelos metais retorcidos em vários cantos do lugar, tinha abrigado ali a cozinha da família. No chão, já dentro do envolucro lacrado, estava um corpo. O diretor permaneceu ao lado do corpo e deu uma rápida olhada para Scully. A agente, não pensou duas vezes e puxou um pá de luvas plásticas que haviam sido trazida pela equipe de legista. Ela abriu o envolucro e a visão da jovem e bonita moça que estava ali dentro a fez recuar e arregalar seus enormes olhos azuis. - Estão mortos? Skinner balançou negativamente a cabeça - Este foi o único corpo que achamos. Não sabemos nada sobre o marido. O rosto da jovem mulher estava intacto, mas a parte inferior de seu corpo estava completamente queimada. Mesmo com os muitos casos estranhos que Scully já tinha se deparado, ela não conseguia esconder no olhar uma certa revolta com o sofrimento que deveria ter sido imposto àquela mulher, na hora de sua morte. Novamente a imagem da foto que ela acabara de ver na sala ao lado lhe veio a mente, e ela sentiu uma sensação estranha. Pensou que pela primeira vez cruzava o caminho daquela mulher e em poucos minutos tinha visto naquela face a imagem de alegria, expressa no sorriso ao lado do marido e de terror estampado na face e nos olhos há muito distantes. Scully baixou os olhos do cadáver que permaneciam abertos e fechou novamente a lona preta que a envolvia. Skinner já estava novamente na sala quando Scully retornou. Até aquele momento, ele não tinha tocado no nome de Mulder e ela tinha agradecido por isto, porque desde que recebera chamado do superior pela manhã, tentara contactar o parceiro e não obtivera nenhuma resposta. Skinner sabia que um caso como aquele interessaria a Mulder. Até chegar ali, no entanto, Scully ainda duvidava, mas diante do que presenciou, não tinha mais dúvidas de que Mulder gostaria de saber o que aconteceu naquela casa que tinha tido seu interior completamente destruído sem que ninguém ao redor tivesse presenciado nada. - Tem mais alguma coisa que preciso saber, Senhor? - Os vizinhos presenciaram uma briga do casal dois meses atrás. Desde então, o homem nunca mais foi visto. - Então, isso abre uma possibilidade para um crime passional. - Não acredito nisto. Não depois do que vi lá em cima. Novamente Scully seguiu Skinner só que desta vez até o andar superior da casa. Na parte da cima, as paredes e o corredor também estavam completamente queimados. Skinner seguiu até o último quarto do corredor e abriu a porta. A pequena agente apressou o passo e logo estava no interior do único cômodo completamente intacto. Scully soltou um longo suspiro e olhou mais uma vez para tudo ao seu redor. Agora não restava mais nenhuma dúvida de que era uma caso que interessaria muito a Mulder. O cômodo intacto era o de uma criança, a julgar pelos brinquedos e pela mobília infantil; uma pequena criança e não trazia nenhuma das marcas espalhadas pelo resto da casa. Scully abriu novamente o folder que carregava e embaixo da ficha de informações do casal, encontrou uma referência sobre a única filha do casal. A menina se chamava Liv, mas não haviam mais nenhum dado sobre ele. Apenas uma matricula em um programa especial de estudos onde os pais se responsabilizavam pela educação da filha - Eles tinham uma filha ?– Scully parecia surpresa diante deste novo fato. - Provavelmente você deve está se fazendo a mesma pergunta que eu .. – Skinner caminhava pelo quarto e abria as gavetas das cômodas das meninas, com a segurança de quem já tinha checado tudo ali, mas apenas para Ter certeza de que nada tinha lhe escapado. - Não existe nenhuma foto da menina. Nem na parte inferior da casa e nem mesmo no quarto da garota. – Scully falou. - E pasme, nem mesmo as pessoas aqui ao redor tem a menor recordação da menina. - Skinner caminhou em direção a Scully e gentilmente pegou a pasta que estava sobre suas mãos e colocou fichas que ele havia anteriormente retirado _ Tenho que ir – ele fez menção de se virar, mas deu uma última olhada para Scully. - - Quando achar o agente Mulder, diga a ele que desejo vê-lo – Skinner se virou e se retirou. Scully tentou disfarçar um certo constrangimento, mas logo se virou novamente para a pasta e em seguida foi até a única janela que havia no quarto. O quarto da menina tinha uma bela vista para todo o pátio principal do condomínio. Algumas árvores impediam a visão das casas que ficavam em frente da residência dos Robins, mas Scully continuou admirando a paisagem até que notou que na casa em frente, uma menina olhava com dificuldade e com curiosidade para o quarto que um dia pertencera a pequena e misteriosa Liv Sede dos Pistoleiros Solitários Mulder não conseguiu evitar o olhar de frustração diante das centenas de folhas de papeis que eram cuspidas pela impressora dos pistoleiros. Nos papéis, existiam listas com centenas de nomes de clínicas e médicos que tinha autorização especial do governo americano para trabalharem com pesquisas de clonagem. Mulder não esperava encontrar informações claras, mas sabia que através daqueles nomes poderia encontrar respostas para as perguntas que não queriam calar. - Tenho péssima notícias. Estávamos enganados sobre o homem morto nos trilhos de Nova York. Não era o nosso homem. – disse Fhorlick entrando no ambiente com uma revista aberta em uma das mãos. - Como? – levantou o mais alto dos pistoleiro - Tem certeza? – Byers, também com um ar de frustração, ficou de pé diante do pequeno amigo. - Absoluta – ele estendeu uma revista para Byers. A revista que Fhrolick segurava era uma publicação mensal sobre medicina reprodutiva. Desde que os pistoleiros ajudaram Mulder a invadir a clínica de uma árdua pesquisa sobre o paradeiro do doutor Scanlon. Eles mantiveram Scully longe destas informações porque julgavam que ela poderia sofrer com as descobertas que por ventura fossem feitas, fato com o qual Mulder concordou plenamente. O mais perto que eles chegaram de Scanlon, através das pesquisas foi descobrir um pseudônimo usado para a publicação das pesquisas ( W T Wallace) era o mesmo que aparecera nas notícias de Nova York uma semana antes. Eles descobriram que alguém com o mesmo nome e aparentemente com um passado tão misterioso como o de Scanlon tinha sido morto ou se jogado em frente a um trem de uma das estações mais conhecidas do subúrbio de Nova York. - Mas isso não prova nada, ele pode ter escrito este artigo antes. Não podemos está falando de duas pessoas diferente. Tem o mesmo nome e nada sobre suas vidas - Eu já confirmei com a revista. O artigo foi mandado no fechamento da edição e eles não dão mais nenhuma informação a respeito dele. O que quer dizer que Scanlon ainda está vivo. - Droga - Mulder que estava quase deitado em um desconfortável sofá, se sentou. – Escutem – ele respirou fundo - pelo menos tentamos. Não vou poder ficar mais tempo, tenho que ir. Qualquer novidade entrem em contato comigo. O jovem e alto agente se levantou e deixou os três pistoleiros intrigados com a presença de Mulder ali. Apesar do apóio que Mulder sempre dera a pesquisa dos pistoleiros. Pela primeira vez eles sentia nele uma esperança maior de encontrar Scanlon. Antes de entrar no carro, Mulder puxou do bolso um pequeno envelope que tinha recebido pelo correio alguns dias antes. Disto nem mesmo os pistoleiros sabiam. Mulder tirou de dentro do envelope uma foto e permaneceu alguns minutos olhando para ela antes de guardar e seguir ainda rumo a local desconhecido. Quartel Geral do FBI A Sala de Skinner tinha todas as luminárias apagadas. A luz do sol que brilhava do lado de fora, mesmo sem tanta intensidade como no verão, era suficiente para dar a devida claridade que o diretor precisava. Na ante sala, um pequeno bloco de papel sobre a mesa da secretária, avisava que ela estaria de volta depois de uma da tarde. Mulder se deteve diante do papel, mas em seguida foi em direção a porta da sala de Skinner. Mulder não pensou muito e girou a maçaneta, entrando em seguida na sala. - Mulder, não o esperava tão cedo. - Eu não vinha, mas decidi que você é o único que pode me ajudar. - Do que está falando? Não veio falar sobre o caso. - Não senhor, vim falar sobre o Canceroso. Preciso encontrar ele, mas não sei como. - E o que faz você pensar que eu sei como falar com ele. - Talvez não o senhor, mas... – Mulder pensou um pouco... e despejou em seguida - Krycek, certamente sabe. Skinner, que tinha se levantado quando Mulder entrou, se sentou novamente e olhou para o vazio em frente de si. Ele pensou um pouco e depois tirou de dentro da mesa um pedaço de papel. Skinner colocou um endereço e entregou a Mulder. - È algo que possa me contar? - Não. – Mulder não olhou para trás e saiu. Oak Park, Arredores de Washington 12:00 da manhã Scully permaneceu na casa dos Robins até que os últimos oficiais encerrassem o trabalho. Pela primeira vez desde que tentara se comunicar com Mulder de manhã, ela começava a se preocupar com o parceiro. Ela olhou para o relógio que já marcava meio dia. Sua preocupação, não era pelo fato dele não atender de imediato, mas sim por ele nem mesmo retornar a ligação. De fato Mulder estava muito distante nos últimos diase isso causava em Scully a sensação de que ele escondia alguma coisa dela. Um velho oficial, que coordenava a equipe de agentes, se aproximou de Scully e entregou a ela as chaves. Scully agradeceu e o homem deixou a casa. Na rua em frente um grupo de crianças brincava distraídas e alheia a toda a movimentação na casa dos Robins. S cully caminhou em direção ao carro e passou pelo grupo de crianças. Uma delas era a mesma menina que a agente viu enquanto estava investigando o quarto de Liv Robins. A menina tentou desviar os olhos, mas Scully se aproximou dela . - Olá, podemos conversar? - Minha mãe disse que não devo falar com estranhos. - Acho que sua mãe não precisa se preocupar. Sou uma investigadora. Uma agente do FBI. - Está me prendendo? Scully não conseguiu evitar um discreto sorriso e se abaixou um pouco para ficar da altura da pequena menina. - Não, não existe motivos para isso. Eu só queria conversar sobre Liv. - Liv? - É a garotinha aqui da frente. Sei que a maioria das pessoas aqui nem ao menos sabiam como ela era, mas pelo que vi hoje cedo. Você tinha uma boa visão para o quarto dela. Acredito que já tenha visto Liv, mesmo que de longe, certo? - Sim - a menina falou timidamente. - Pode descrevê-la para mim. - Chisty, venha almoçar minha filha – a mãe da menina gritou da varanda da casa dela – a mulher parecia um pouco perturbada com uma agente conversando com a filha. - Eu só lembro que era loira. Não lembro mais nada. Sinto muito. A menina se virou e afastou-se de Scully. - Scully continuou o caminho em direção ao carro. Definitivamente as pessoas ali falavam menos do que sabia. Scully estava disposta a descobrir os motivos. Arredores de Washington A zona Industrial de Washington, era conhecida por seus grandes galpões. O local indicado por Skinner se tratava de um galpão de propriedade de uma companhia transportadora. Mulder permaneceu durante todo o dia de guarda. Mas o local parecia abandonado. Ele permanecia observando as mensagens de Scully que não paravam de chegar. Sentia vontade de ligar para tranquilizá-la, mas sabia que ela não o perderia de vista de novo, principalmente sabendo da desconfiança que suas atitudes nos últimos dias. Mulder só desistiu quando seu relógio marcava meia noite. Ele precisava voltar para casa. Tinha que dá uma satisfação para Scully, mesmo que fosse uma mentira. Além do mais não podia deixar todo o trabalho nas costas da parceira. Mulder chegou em casa e começou a subir os degraus de seu apartamente. Ao colocar a chave na porta, percebeu que alguém estava lá dentro. Mulder segurou a arma que estava no coldre. - Esperando mais alguém? – foi o que a voz disse. Era Scully que estava atrás da porta de Mulder. - Por Deus Scully. O que está fazendo? Eu podia ter atirado em você. - Bom desta forma eu saberia que eu pelo menos ainda existo em seu campo visual - Eu sinto muito – Mulder respirou fundo. Sei que devo uma explicação. - Não Mulder. Eu que peço desculpas. Não deve me explicar nada. Eu só queria colocar você a par do caso que estou investigando. – Ela levantou para Mulder uma pilha de folhas que segurava. Acho que tem coisas aqui que lhe interessam muito. Mulder e Scully sentaram-se no sofá do apartamento 42. Em poucos minutos Scully colocou Mulder a par de todas as informações que tinha conseguido durante o dia. A história intrigava Mulder, mas naquele momento sua maior atenção estava voltada para a pequena foto que carregava no bolso de seu casaco. Mesmo assim prestara atenção no que ela dizia. - Mulder está ouvindo o que estou falando? - Cada palavra – ele puxou a pasta com o caso e se deteve na foto do casal. – Acho que devemos voltar ao condomínio e tentarmos com o auxílio da menina que você conversou, fazer um retrato falado da criança. - Foi o que eu acabei de sugerir. Mulder, acho que está cansado. – Scully não pode evitar observar as rugas de preocupação que surgiam na face do parceiro. Amanhã falamos disso. Os dois se despediram e Scully foi para seu apartamento. Alexandria - apartamento 42 1:00 a.m. Mulder permaneceu no sofá de seu apartamento . O agente colocou roupas mais confortáveis, depois pegou a caixa de suco de laranja já começado e um pequeno pacote de sementes de girassol. Sentou-se no sofá e começou a devorar aquelas pequenas e salgadas sementes - Olá Mulder! – disse uma voz vinda da porta de entrada do apartamento. - Não tem o costume de bater ? – disse Mulder rispidamente - Sua parceira fez o favor de deixar a porta aberta. Por falar nela, é por isso que estou aqui. Seu "chefe" me disse que queria falar com ela. - Como sabe que é sobre ela. - Não seja tolo Mulder. Como acha que recebeu as fotos da menina - Comece a contar então. Não me faça perder tempo – Mulder estava cada vez mais impaciente. Krycek, sem muita cerimônia caminhou em direção a Mulder e sentou numa de suas poltronas; - Q uando a agente Scully foi supostamente abduzida. Você se lembra? ela foi submetida aos testes e nossos cientistas descobriram que ela possuía o que convencionamos a chamar de genes perfeitos. - nós quem? - Se acha que vim aqui para lhe dar todas as respostas está enganado. Vim aqui apenas lhe oferecer um aperitivo. – Krycek não disfarçava o sinismo. - Continue.. Mulder não tinha outra escolha. - Isso quer dizer que ela tinha em sua constituição uma parte, digamos, especial com ela. A Scully é o que chamamos de mãe ideal, graças aos óvulos que foram retirados dela, nós conseguimos ótimos resultados no nosso projeto. - Seu desgraçado!! - Ei! Você quer que eu continue, ou não? – ele disse olhando friamente para Mulder Mulder calou, consentindo que ele continuasse. - Bom, para finalizar infelizmente vocês acharam um dos clones, a Emily, e isso foi muito desagradável porque você acabou entrando na clínica e vendo mais do que devia. Apesar deu discordar do que vou fazer, fui instruído para levar você até uma de nossas intalações. Eles acreditam que se você conhecer os nosso ideais, poderá passar para o nosso lado. Eu particularmente duvido disto, mas estou cumprindo ordens. Você quer saber o porque? - Fale? - Porque estou doido para ver você apodrecer no inferno, Mulder. E quando eles perceberem que estão fazendo uma bobagem tentando persuadi-lo. Quero ser eu a puxar o gatilho. Mulder estava perplexo com toda aquela estória. Então suas suspeitas se confirmaram. Ele não queria que Scully sofresse com tudo aquilo, mas era impossível. Ele queria matar aquele rato desgraçado, mas teve de se conter. Concordou em ir até o tal laboratório. Ele precisava ver com seus próprios olhos para então decidir o que faria com tal informação. A condição para que Mulder fosse até as instalações de pesquisas era a de que ele estivesse dopado. Mulder não podia confiar nas palavras de Krycek, mas estava tão obcecado em descobrir a verdade que se sujeitou a ser literalmente anestesiado. O que no fundo ele queria descobrir era algum método que possibilitasse que sua parceira tivesse seu processo de esterilização revertido. Mulder se sentia culpado por tudo que Scully tinha passado de ruim nos últimos anos. Georgetown 1:30 da manhã Scully estava cansada demais para continuar procurando algum sentido para todas as informações que estavam jogadas naquelas pastas sobre sua cama. Resolveu tentar relaxar um pouco, para que no dia seguinte pudesse concentrar todas as suas energias no caso. O apartamento estava tão gelado quanto a noite que caía do lado de fora. Scully acendeu as luzes da sala, do quarto e banheiro. Ligou a banheira, e deixou-a encher. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou uma garrafa d`agua . Ao colocar um pouco do líquido em um copo, caminhou novamente até o quarto, onde ligou o aquecedor. Retirou suas roupas e dirigiu-se ao banheiro, onde depois de checar a temperatura da água, entregou-se a sensação de conforto que o ambiente proporcionava. Sem perceber, adormeceu por lá mesmo. Acordou alguns minutos depois e verificou que suas mãos estavam enrugadas. Saiu do banho, trocou-se e após um breve jantar, resolveu dormir. Mulder acordou em uma enorme sala. A visão das suntuosas instalações o deixaram realmente impressionado. Krycek, percebendo o agente acordado, começou a mostrar um a por uma, todas as etapas do que ele continuava a chamar de projeto. - Pode parecer assustador agente Mulder, mas acredite, nem todos aqui são vilões. Muitos acreditam realmente que o que fazem tem como único objetivo a salvação da humanidade. - Quem vocês acham que são para ficarem brincando de criadores do Universo? Toda esta estrutura, todas estas vidas, que estão sendo criadas com a finalidade macabra de pertencerem como escravos a uma civilização que na verdade não passam de mineradores. Tudo isso é monstruoso, e me dá nojo. – disse Mulder com raiva nos olhos - Monstruoso? Nós estamos tentando salvar a humanidade, não percebe, agente Mulder? Este projeto vai ser nosso passaporte para a liberdade. Graças a estas vidas que estão sendo geradas, nós poderemos nos livrar dos rebeldes que desejam acabar com tudo o que existe na Terra, e isto nos inclui. - Salvar a humanidade. Você pode enganar os tolos que trabalham aqui, Krycek, mas não a mim. Sei muito bem que você não sabe o significado dessa palavra que enche a boca para dizer. Mesmo que as intenções nestes laboratórios fossem as mais virtuosas do mundo, ainda assim, eu não viraria as costas para você. - Krycek conduziu Mulder até uma enorme sala, onde podia- se ver quatro tubos de grande proporção e que continham, em cada um deles, fetos de crianças de várias etnias. Quando Mulder ficou bem próximo a um dos tubos, uma das crianças abriu os olhos, como que examinando o homem que estava a espiá-la. Após alguns segundos ela fechou os olhos novamente voltando ao transe em que se encontrava. - O que vocês farão com estas crianças? – perguntou Mulder - Elas ainda não estão prontas, e por isso ainda ficarão alguns meses aqui para que possam terminar de se desenvolver. Quando estiverem aptas a sair, nós as mandaremos a alguma família para que elas possam ser criadas debaixo de nossas vistas. – Krycek sorriu - Já pensaram que estão brincando de doutor Frankstain. Já pensaram que podem está criando monstros que se voltaram contra seus próprios criadores. - O que sabe sobre o Exercito de Deus Mulder? - Um grupo cristão tailandês que luta em nome da democracia e dos direitos humanos em Miamá. São liderados por.... Mulder parou de falar. –Não vai me dizer que aquelas crianças são... o agente não completou. - Você não completou seu raciocínio caro agente, O Exercito de Deus, é liderado por dois irmãos um dos meninos, Luther, diz que se tudo correr como o planejado, em no máximo dois anos ele governará o mundo ao lado de seu irmão, Johnny, criamos dois monstros. Mas são riscos que corremos quando estamos lidando com vidas. Mulder estava realmente revoltado com tudo o que ouvira. Krycek falou que a visita tinha sido encerrada, mas que antes ele precisava que Mulder se submetesse a mesma droga que usara para chegar até ali. Mulder não pensou duas vezes, partiu para cima do mercenário com vontade. O único problema é que Krycek, conseguia se desvencilhar dos socos que Mulder desferia com grande habilidade, e em apenas alguns minutos deixou o agente estendido no chão, todo dolorido pelos socos e chutes que o bandido lhe aplicara. Kricek, tirou de seu bolso uma pequena seringa com um líquido de coloração amarelada e injetou-o no braço de Mulder que após alguns segundos desmaiou. Georgentown 7:15 da manhã Scully estava pronta para sua caminhada matinal. Ela abriu a porta de seu apartamento e ficou chocada ao encontrar Mulder estendido no chão, todo machucado. - Meu Deus! Mulder! Ela concentrou todas as suas forças e colocou-o para dentro. Mulder estava muito mal, seu olhos esquerdo estava muito inchado. Scully limpou os ferimentos e fez um exame superficial, onde pode perceber que apesar dos machucados , ele não havia sofrido nenhuma contusão grave, e o aparente estado de inconsciência que ele se encontrava era devido a alguma substância que lhe fora aplicada no braço, onde ela percebeu uma pequena marca de picada de agulha. Apesar de estar muito intrigada com o estado do parceiro, ela foi muito cuidadosa e não saiu do lado dele até a hora em que ele começou a acordar. Mulder abriu os olhos lentamente. O quarto escuro em que se encontrava lhe era familiar. Ele apoiou –se sobre os braços e sentindo muita dor ficou sentado na cama. Olhou ao seu redor e percebeu que estava na cama de Scully, e esta vinha caminhando em sua direção com um copo nas mãos. - Tome um gole disso! –ela estendeu o copo até ele. - Como eu vim parar aqui? – ele falou enquanto tomava o líquido de gosto amargo que a parceira lhe oferecera - Essa é uma ótima pergunta! Você vai me explicar o que aconteceu, Mulder? – disse ela em um tom muito sério. - Precisava ver o outro cara. - Mulder, o que está acontecendo. Você está estranho. Não está concentrado, age como se fosse uma criança. O agente permaneceu em silêncio. Scully ainda tentou tirar alguma coisa dele, mas decidiu deixa-lo repousando. Scully colocou seu casaco e saiu. Ela iria comprar alguns medicamentos. Olhou no relógio e decidiu que também aproveitaria para levar um retratista até o condôminio com a finalidade de fazer um retrato da menina desaparecida. Na volta, Mulder provavelmente estaria recuperado e os dois teriam muito o que conversar. Scully ainda retornou para o apartamento onde deixou os medicamentos. Em seguida, seguiu até o prédio do bureau para encontrar com o retratista. Ela primeiro encaminhou-se até a sala dos arquivos X. Ao girar a maçaneta da porta, percebeu que um pequeno pedaço de papel branco tinha sido empurrado sob a porta. Scully agachou e só então notou que se tratava de uma foto enrolada em uma folha de papel. Quando Scully puxou a foto para fora, ela não podia crer no que via. Na fotografia ela via a imagem da mesma mulher que tinha visto morta, no outro dia pela manhã. O mais surpreendente era quem ela carregava nos braços. Ela tinha nos braços Emily. Apartamento de Scully. Mulder estava de pé em frente a geladeira quando escutou o barulho da porta do apartamento de Scully. Ele ainda sentia o corpo dolorido e caminhou até a sala. Scully tinha entrado e estava de costas colocando o casaco sobre a poltrona. - Achei que fosse passar a manhã fora? – ele falou. – Conseguiu o retrato falado da menina? Scully continuou de costas. Mulder notou que ela segurava um envelope branco nas mãos. - Não. – limitou-se a dizer - Não..? repetiu Mulder diante do diálogo monossilábico da parceiro. – Você está bem Scully? - Bem. Difícil saber.. – finalmente a agente se virou para Mulder. A expressão no rosto de Scully foi suficiente para que Mulder soubesse que ela não estava nada bem. - Pode me explicar isto? – ela jogou a foto de Tereza Robins e Emily ou Liv, Scully agora nem mesmo sabia como chamar sua própria filha. – E antes que diga outra mentira, é melhor saber que quem me mandou isto disse que você sabe do que se trata. Mulder baixou os olhos e caminhou lentamente em direção a Scully. Ela permanecia com o braço estendido na direção dele, e com a foto na mão. Mulder pegou gentilmente a foto. Ele caminhou até onde seu palitó estava e tirou do bolso a outra foto que lhe tinha sido enviada dias atrás. As duas tinham sido tiradas no mesmo dia. A menina estava usando a mesma roupa. A única diferença era que na foto de Mulder ela estava sozinha e na que agora Scully lhe entregava, ela estava ao lado de uma linda e jovem mulher de cabelos escuros. - Essa é a mesma mulher da fotos – Mulder olhou também assustado. - Sim, eu sei. Aparentemente a garota desaparecida.. Liv, é na verdade Emily. Mulder você sabia desta possibilidade, não é? Por que não me falou. - Escute Scully.. Não é tão fácil assim. - Mulder isto é a minha vida. Eu só quero respostas. Como você um dia quis respostas, eu também preciso delas. Você não tinha o direito de esconder isto de mim. – Scully parecia mais forte que nunca, mesmo assim ela não conseguia esconder uma pequeno brilho de lágrima no canto dos olhos. - Eu sinto muito. Achei que estava te protegendo. - Protegendo?? Mentido isso é o que você estava fazendo. E se eu não posso confiar em você .... Mulder por favor me deixe só. - Scully, precisamos conversar – agora estava a poucos centímetros da parceira. e segurou sua mão. - Chega – Scully afastou a mão e saiu em direção ao quarto. – Por favor me deixe só. - Não, não vou sair daqui como se fosse o vilão desta história. Sinto muito se minhas palavras vão ser agressivas, mas acho que tem que escutar. O que você está fazendo é dizendo para mim, jogando em cima de mim o que queria dizer para estes homens. Scully não fui eu que fiz isto para você. Tudo o que eu quero é ajudar você. Ajudar a nós dois. Os dois estavam muito próximos fisicamente um do outro. Scully tentou desvencilhar-se mais uma vez de Mulder, mas este novamente segurou ela pelos ombros e aproximou o seu peito contra o dela. Scully olhou para Mulder assustada. Ela nunca sentira a presença do parceiro tão forte como naquele momento. E também sentia uma enorme vontade de abraçá-lo. No fundo ela acreditava em tudo que ele dizia, mas ao mesmo tempo se sentia traída por ter sido mantida na escuridão dos fatos que ele descobrira. Por muitas vezes Scully se sentia menor do que as verdades que Mulder tanto buscava, mas ali com ele a poucos centímetros de seu corpo, ela se sentiu pela primeira vez, mais importante para Mulder do que seus ideais. To be Continued.