MIDNIGHT BLUE AUTORA: Sculder Ecks (sculderecks@bol.com.br) DISCLAIMER: Todo mundo sabe que os personagens desta fanfic pertencem a Chris Carter, FOX, TT, Gilian e David, só os uso por diversão. Se por acaso eles fossem meus, você acha que a asquerosa da Diana Fowley teria beijado o Mulderzinho em Amor Fati ou em One Son?! NÃO!!!!! CLASSIFICAÇÃO: Livre CATEGORIA: Com uma autora completamente shipper só poderia dar uma fic shipper... SINOPSE: Mulder pede Scully em casamento. De uma forma bem "estranha", para variar... (ATENÇÃO: Essa fan fiction pode causar diabetes, já avisei...) THANKS: Normalmente sempre tem agradecimento em minhas fics, portanto essa não pode fugir à regra. Muitos beijões para a Marcelle (Cell, minha amigona fofíssima, obrigado pela força com o Angels, Music!), Ilíada (hei, vou sempre te agradecer nas fics, pela grande ajuda, amizade, "opinião técnica especializada" e "ensinamentos"...;D, ah, não posso esquecer, obrigada pelo Requiem!!!), e a todos que leram e gostaram (ou não) das fics que já escrevi. Espero a opinião de vocês e também a amizade! Please! OBS.: Eu estava meio sem idéias para o nome dessa fan fiction, coloquei "Midnight Blue" porque é uma música que eu gosto muito e me inspirou para escrever o final. Ah, a música é bem antigona, é do Electric Light Orchestra. Outra coisa: essa fanfic é meio melosinha, se você não gosta é melhor parar por aqui. Depois não diga que eu não avisei.... Ainda tem tempo de parar... Tem certeza que quer ler isso? Absoluta? Se você não tem certeza, tudo bem... OK, vai em frente! Mas eu avisei... Alguém poderia me mandar calar a boca? Obrigado, está bem melhor. Mas eu avisei... ... XXXXXX Washington D.C - FBI (Federal Bureau of Investigation) 10 de Julho de 2000 PM4:15 - Scully, você quer se casar comigo? Mulder estava sentado em frente ao computador escrevendo alguma coisa, aquelas palavras saíram de sua boca como se ele estivesse só dando um olá para Scully, que entrava na sala que dividia com ele. Nunca se esperaria aquilo de Mulder, afinal nunca se esperava nada dele. Mulder disse aquilo como se não ligasse muito, como se estivesse mais interessado no computador do que nas palavras que saíam livremente de sua boca. Scully completamente sem reação ficou parada diante dele. Não entendia completamente nada, acabara de entrar na sua sala e era pega de surpresa assim. Ela realmente não entendeu, achou que tinha ouvido coisas, como sempre ela não acreditava em nada. A cética Scully. - O quê? - Eu perguntei se quer casar comigo. - Mulder continuava com seu olhar preso ao computador. *O quê?* Aquela pergunta ainda na cabeça de Scully. Ela continuava sem entender, de uma hora para a outra ele perguntou aquilo, do nada. - Mulder eu não estou entendendo... - Como assim? Um homem não pode pedir uma mulher em casamento? - ele ainda continuava ao computador. Scully tentava contornar o assunto, mas aquilo era difícil de entender. Eles nunca haviam se amado realmente, já tinham se beijado uma vez no Ano-Novo e nem comentaram nada depois disso. Bem, e os "quase beijos", não eram beijos reais. Claro, Scully o amava mais que tudo na vida, mas nunca teve coragem suficiente que a fizesse confessar a ele, e Mulder, bom ele também nunca disse nada a ela. Dizer, até já disse, "mas ele estava sob efeito de drogas muito fortes" era o que ela queria acreditar para não criar falsas esperanças. - Mulder você está se sentindo bem? - Sim, estou... mas você não respondeu a minha pergunta ainda... Mulder parecia tão entretido com o computador, como se tudo aquilo fosse nada, comparado a algum relatório qualquer. - Ah Mulder, pare com essa brincadeira... - ela riu. - Eu não estou brincando. Isto não é um jogo. - Mulder disse sério. - As coisas não funcionam assim e na verdade eu nem sei por que você está me perguntando isso... Mulder levantou-se de sua cadeira e deu a volta na mesa ficando bem em frente a Scully. Segurou-a pela cintura com uma mão pois a outra continha alguma coisa escondida atrás de suas costas. Scully afastou um pouco o tronco do dele e ele olhava-o com tanto amor que chegava a assustá-la. Um olhar completamente diferente do que Scully já tinha visto em um homem na vida. - Scully, me diga como as coisas funcionam. Ela sorriu para o lado e continuava tentando afastar-se do parceiro, que não permitia. * Ora, como as coisas funcionam? As pessoas se conhecem, saem juntas, se beijam, namoram por uns 8 anos, pensam em se casar, ficam um ou dois anos preparando tudo, se casam, tem filhos, cachorro, uma casa com cirquinho branca... É o que acontece com todo mundo, com pessoas normais!* Scully pensava nisso como uma maneira normal de viver a vida, mal sabia que os agentes não eram exatamente o que as pessoas chamariam de "normal". - As pessoas têm um relacionamento antes, Mulder... vivem muitas coisas juntas, eu não sei. - Bem se é por isso... Mulder deu um beijo em Scully, um breve beijo, o suficiente para fazê-la tremer. Ele então tirou a mão de trás das costas e ofereceu a ela um lindo girassol. - Eu amo você. Quer ser minha namorada, Scully? Ela sem graça, pois tudo aquilo aconteceu em fração de segundos, sorriu. - Acho que isso é um sim, né?! Depositou outro beijo muito rápido nos lábios de Scully, olhou o relógio e prosseguiu. - ... 10 segundos para um namoro já é muito, então quer se casar comigo agora?! Mulder respirou fundo, como se fosse dizer mais alguma coisa quando Skinner adentra a sala, os vendo abraçados. - Hrã hrã! Mulder e Scully se viraram para encontrarem o diretor- assistente parado ali na porta meio sem jeito ainda. Ele deu alguns passos e Scully se soltou dos braços de Mulder indo à direção de sua mesa. - Desculpe se interrompi algo, agentes. - disse Skinner sem graça. Os dois entreolham-se, não havia nada a dizer. E se houvesse algo, não deveria ser dito. - O meu assunto aqui é outro. Eu recebi um telefonema de um homem chamado Robert Lantuany, que disse precisar falar com vocês dois. Disse que é importante. Aqui está o número. - Skinner continuou entregando um papel contendo o número de telefone e o nome, Robert Lantuany. - Espero que dessa vez seja algo concreto. - Realmente, Mulder. Eu espero que seja. Skinner se retirou, e o clima já não era o de antes. Mulder parecia querer dizer algo mais a Scully, mas agia como se nada tivesse acontecido. Pegou o telefone e imediatamente ligou para Lantuany. - O sr. Lantuany por favor? - É o agente Mulder? - Sim, sou eu. - Agente eu vou direto ao assunto. Eu sei de toda essa conspiração de alienígenas, OVNI's, que envolve o governo. Já li sobre você e sua parceira e quero ajudá-los. - Como poderia me ajudar? - No terreno onde construí minha casa era antes uma base militar, no verão passado resolvi construir uma piscina e achei algumas coisas enterradas. - Tipo o quê? - Mulder perguntou embora parecesse não acreditar muito. - Alguns documentos, fotos e outras coisas que só vendo para crer. Mas você e sua parceira terão de vir aqui. Quando podem? - Eu não sei. Mas volto a ligar. - Não demorem muito, se eles descobrirem estarei morto. Mulder estava meio desmotivado, quase sempre chegava aos lugares e não encontrava nada. Tudo era loucura da cabeça deles. Dessa vez aquilo parecia ser verdade, valia a pena conferir. Scully analisava o número de telefone. - Mulder, esse número é de algum lugar na Flórida... - Prepare seu maiô, Scully. Estamos a caminho da Flórida! - Estamos? - Ele me disse que o terreno da casa dele foi uma base militar, alguma coisa assim, e que achou alguns documentos, fotos que são peças chave na nossa investigação. - Mas ele não poderia estar mentindo, Mulder? Como todos os outros loucos que te fazem perder tempo? - Ele me pareceu honesto. Scully balançou a cabeça, ela odiava esses mentirosos que faziam ela e seu parceiro perderem tempo. Às vezes até sentia pena de Mulder, porque ele sempre ia atrás da "verdade" e quase sempre voltava frustrado. - Se quiser vá, mas sozinho. - Ah, qual é Scully?! Vamos juntos... Aquele sorrisinho de Mulder a deixava sem graça por alguns momentos, mas o juntos dele, para ela, foi em outro sentido. - Não sei. Que tal você ligar antes e descobrir em que cidade é, depois resolvemos. - Agora mesmo, dra. Scully! Mulder bateu continência para a parceira, que não fazia outra coisa a não ser rir do enorme senso de humor dele. Ela pegou seu casaco e foi embora. Pensou muito naquilo que aconteceu: foi pedida em casamento pelo homem que ela mais amava na da face da terra. Era completamente inacreditável. Realmente ela não entendia onde Mulder arranjou a cara de pau de pedi-la em casamento com a maior naturalidade. Colocou as mãos sobre os lábios lembrando dos beijos breves que havia recebido do parceiro. Talvez ela estivesse tão nervosa que não disse mais que três palavras. Ou talvez estivesse sonhando. Litoral dos Estados Unidos 12 de Julho de 2000 PM 6:35hs - Perfeito, Mulder! Não acredito nisso! - Calma, eu sei o que estou fazendo... - Rá! Ela encostou sua cabeça no banco e cruzou os braços. Estavam perdidos. Completamente perdidos em uma praia deserta. Nem sabiam qual era a tal praia, não tinham a mínima idéia de que caminho seguir. De um lado água, do outro areia. Era a tal mania de Mulder atalhar por lugares completamente estranhos e sempre achar que sabe o que está fazendo. Por causa disso estavam dando voltas e se perdendo mais ainda. Os agentes agora estavam ali, em uma praia desconhecida, com fome, cansados e perdidos. - Mulder, vamos parar. Já está ficando tarde. - Não Scully. Marcamos de nos encontrar com Lantuany amanhã cedo. - Esqueça o caso, Mulder! Estamos perdidos, irritados, cansados e com fome! Além disso você não pode ter certeza que isso não é uma armação! Ele olhou-a com um olhar totalmente reprovador, depois voltou os olhos para o volante de novo. - Está com fome? - Preciso dizer?! Ele abriu a porta-luvas do carro e de lá tirou um saquinho de sementes de girassol. Deu para Scully. - Sempre guardo para emergências. - falou debochado. - Não vai me obrigar a comer isso, né?! - disse olhando com cara de nojo para as tais sementes. - Você não está com fome, Scully?! Scully se calou e ficou olhando para fora da janela vendo aquela imagem meio difusa do mar passar rapidamente. PM 7:30hs Mulder estacionou o carro perto do mar, a escuridão se fundia com a luz dos faróis do carro e duas lanternas ligadas. Scully encostada no capô do carro pensando se comia ou não aquelas sementes. *Bem, se Mulder gosta talvez não deva ser tão ruim assim...* Ela abriu e engoliu uma, duas, três. *Nossa, isso é bom mesmo!* Comeu mais algumas e foi oferecer a Mulder, mas onde ele estava? Correu os olhos pela praia até encontrá-lo bem próximo do mar, com o vento batendo na sua roupa, segurando o casaco sobre o ombro. Provavelmente seu pensamento divagava alguma forma de sair dali, algum jeito de encontra a estrada, ou então só estava olhando as ondas baterem na praia. Ela andou na direção dele e colocou a mão no seu ombro, Mulder se virou surpreso. - Quer, Mulder? - falou oferecendo o saquinho. - Não, coma você. Não estou com tanta fome assim. - Mulder você precisa se alimentar. Come. Eu já comi. - Gostou? - Tenho que admitir que é muito bom mesmo. - Quando se está com fome.... - disse pegando o saquinho da mão da parceira enquanto colocava algumas sementes na boca. - E o celular? - Scully disse colocando a mão no bolso e retirando o seu celular de dentro dele. - Fora de área. - Que ótimo! - Bem-vinda ao meio do nada! - ele disse zombeteiro. Scully começou a pensar na conversa que havia tido com o parceiro há dois dias atrás. Agora era como se nada tivesse acontecido, embora aquelas palavras a tivessem tocado e ela estivesse tão feliz por saber que Mulder também a amava. Ainda mais daquela maneira louca que a tinha pedido em casamento. *Casar com Mulder, eu?!* Como poderia não aceitar? Como dizer não ao que ela mais almejava em toda a vida? Todavia o momento passou e se dependesse dela não se proporcionaria outro tão cedo. Ah, mas aquela praia, aquele mar, enquadrava o cenário perfeito para um romance... Scully olhou para o parceiro ajoelhado na areia e viu que ele escrevia com o dedo: THE TRUTH IS OUT THERE... Scully riu e foi para o carro, estava muito cansada e queria imediatamente dormir um pouco. Ela sentou no banco e ficou olhando Mulder escrever na areia branca e úmida... 13 de Julho de 2000 AM 9:14hs O sol, batendo diretamente nos olhos da agente, a fizera acordar. Enquanto ela passava a mão pelo rosto sentiu mais alguém no carro, uma respiração. Era Mulder dormindo no banco de trás. Scully viu o semblante mais lindo que podia existir, Mulder todo desarrumado, meio sujo de areia, dormindo como um anjo. Uma imagem que ela apreciou durante um longo tempo para lembrar exatamente como era. Tudo. Cada detalhe. Depois saiu calmamente do carro para não fazer muito barulho, temendo acordar o parceiro. Lavou seu rosto com a água salgada e ficou andando pela praia. Os raios de sol se combinavam com o cabelo dela e contrastavam com a pele branca e alva. Aquele estranho lá no carro dormia enquanto ela comia as sementes de girassol que restavam. Avistou então, algumas coisas escritas no chão, no mesmo lugar onde Mulder estava na noite anterior. Viu a frase The Truth is out There e ao lado, um coração meio torto, onde constavam as seguintes palavras: Mulder ama Scully. Ela projetou seu corpo para trás sem perceber. Os olhos ficaram fixos nas palavras escritas na areia úmida, enquanto ela tentava organizava seus pensamentos e processava o que estava vendo. Havia duas explicações para aquilo tudo: ou Scully estava vendo coisas ou ainda estava dormindo. Ela abaixou-se e passou os dedos pela areia fina, como se o toque de seus dedos constatasse que realmente estava ali, que Mulder havia escrito aquilo. AM 10:33hs - Viu?! Eu disse que era por aqui, Scully?! Scully se limitou a suspirar profundamente e olhar para frente. Voltaram novamente a estrada principal. *Graças a Deus!* Andaram alguns quilômetros sem falar nada um para o outro. Scully ainda não conseguia organizar seus pensamentos corretamente. Acabou dormindo. Mulder dirigiu por mais um tempo e encontrou um motel. Finalmente poderiam descansar. Olhou para Scully e ela ainda dormia. Sorriu por vê-la daquele jeito, tão indiferente ao mundo, tão doce e delicada. Mulder desceu do carro e dirigiu-se ao interior do motel. Pediu dois quartos e quando voltava pensava no havia proposto à parceira. Não conseguia lembrar de onde tirou tanta coragem para pedir daquele jeito. Todavia, ele sabia que não podia esperar, mais cedo ou mais tarde isso acabaria acontecendo. Nunca na vida, Mulder cogitou a hipótese remota de ficar longe de Scully, ele sabia que não podia fazer isso. Tinha certeza de que era o seu destino, seu único abrigo, sua essência. Scully ainda dormia. Mulder ficou parado diante da porta pensando se a acordava ou não, afinal ela estava muito cansada. Por fim abriu vagarosamente a porta e abaixou-se, ficando na altura dela. - Scully? - ele sussurrou no ouvido dela. Não obteve resposta. - Scully? - Mulder tentou mais uma vez. E nada. - Scully, chegamos em um motel. Você não vai descer? Ela balançou a cabeça afirmativamente, bem devagar, enquanto soltava um sutil grunhido. - ahãn... O sono dela era pesado naquele momento. Mulder não encontrou outra alternativa a não ser pegá-la no colo. Fechou a porta do carro com o pé e caminhou até um dos quartos. Enquanto andava com ela em seus braços, pode observar cada traço mais de perto. A pele branca, os cabelos perfumados, a boca... - Como você é linda... - ele disse baixinho admirando a bela face que o fazia imergir-se num mundo de abstrações. Foi meio difícil abrir a porta com Scully no colo, mas depois de entrarem ele colocou a parceira na cama, ajeitou tudo para o conforto dela e foi para o próprio quarto tomar um banho e trocar de roupa. Mesmo desejando ficar ali, no mesmo lugar que Scully. Ao seu lado. PM 4:15hs Scully acordou e quando se deu conta de onde estava, pulou da cama. A última coisa que lembrava era de estar no carro com Mulder e...*Mulder!* - ela lembrou. Olhou para um canto do quarto e ele estava sentado em uma poltrona, dormindo. Tudo se esclareceu, vê-lo sempre era a confirmação de que tudo estava bem. Levantou-se e foi tomar um banho, o que estava precisando há muito tempo. Enquanto se vestia surgiu uma dúvida que a afligiu *Será que estamos dividindo o mesmo quarto?* Saiu do banheiro e Mulder ainda dormia, chegou perto dele e falou baixinho. - Mulder? Ele abriu os olhos, meio contrariado, e deu de cara com a parceira. Esquivou-se, mas depois tornou à posição anterior. - Está acordada há muito tempo?! - foi o que ele conseguiu perguntar. - Não. Acabei de acordar. - Você dormiu um bocado, não Scully? - Mulder brincou olhando o relógio. Scully emitiu um grande sorriso. Depois se dirigiu à porta. - Vamos almoçar, Mulder? - Sei não, acho que daqui a pouco já podemos até jantar. - respondeu zombeteiro, levantando da poltrona e seguindo a parceira. Restaurante do Motel PM 5:00hs Já haviam comido alguma coisa e agora conversavam sobre amenidades. O celular de Scully tocou, ela levou a mão para atendê-lo. - Scully? - Agente Scully, aqui é Skinner. Onde vocês estão? Tento contatá-los desde ontem e não consigo. - Bem senhor é que houve alguns imprevistos no caminho, mas amanhã acho que estaremos com o senhor Lantuany e... - Foi por ele mesmo que eu liguei. - Skinner interrompeu. - Dêem esse caso por encerrado. Esse homem foi preso ontem pela manhã por porte ilegal de armas e drogas. As pessoas que conviviam com ele disseram que era um homem desajustado emocionalmente e gostava muito de inventar histórias. Enquanto Skinner falava, Scully olhava Mulder com uma cara de "Viu?! Eu não disse?!" Pura perda de tempo. - Um cara com mania de perseguição, agente Scully. Eu explico melhor quando voltarem. - Sim, senhor. - disse antes de desligar. Scully riu e ficou olhando para o parceiro com a cara mais debochada que conseguiu fazer. Ele ficou esperando uma resposta, embora já soubesse qual era. - Acho que o seu contato era um dependente químico maluco, Mulder... - O quê? - Foi preso ontem pela manhã. Porte ilegal de armas e drogas. Desajustado emocionalmente. Mulder balançou a cabeça negativamente e suspirou. Depois se levantou, pegando as chaves do carro. - Vamos a algum lugar, Mulder? - Eu não agüento mais esse lugar. Vamos embora daqui. - ele disse exasperadamente. Andando do lado de fora do restaurante, os dois dirigiam-se ao carro. Scully contrariada pois queria pelo menos descansar, mas também concordava, era um motel horrível. Não queria passar uma noite ali. Os dois entraram no carro e antes de dar a partida Mulder dirigiu-se a Scully. - Se quiser dormir mais um pouco, Scully... Esse banco não é um exemplo de conforto, mas melhor do que nada. - Não, acho que já dormi o suficiente. Mulder girou a chave na ignição e partiram. PM 6:26hs - Mulder, vamos parar. - Porque? - Eu estou com uma dor insuportável nas pernas, não agüento mais. Mulder encostou o carro na beira da estrada. Já estava anoitecendo e eles só chegariam a Washington no outro dia à tarde. E se tivessem sorte. Scully levantou e ficou olhando a bela paisagem. Dali conseguiam ver a praia e o mar, não muito distantes. Mulder andou um pouco, também estava muito cansado de dirigir sem parar. - Acho melhor nós ficarmos por aqui, Scully. Não consigo dirigir mais. - Realmente Mulder. Nessas condições você não pode mais dirigir, é até um risco. - Scully concordou, com um olhar protetor que ele bem conhecia. Eles entraram novamente no Mondeo Azul e dirigiram-se até a praia. Não podiam ficar ali no acostamento. Em fração de segundos não se enxergava mais nada, o céu estava completamente escuro. Mulder pegou um saco no banco de trás e colocou à sua frente. - Você não vai precisar comer sementes, Scully. Comprei isto antes de sairmos. - ele disse mostrando dois sanduíches e dois copos de refrigerantes. Ela sorriu, já não agüentava mais as tais sementes mesmo. Comeram e depois Scully saiu do carro para andar um pouco pela praia. A dor nas pernas foi passando lentamente até terminar. Molhou os pés na água do mar que ainda estava quente. O vento cortante era frio, o que fez com que a agente esfregasse as mãos pelos braços tentando aquecer-se. De repente sentiu que alguém a abraçou por trás. Mulder carinhosamente a circundou entre seus braços. Scully sentiu um frio percorrendo seu corpo inteiro, fechou os olhos. Mulder deu a volta, ficando à frente da parceira. - Você lembra que não respondeu minha pergunta? Ele ficou a fitá-la enquanto ela desviava o olhar. - Ninguém vai nos interromper agora. E eu não posso esperar mais. - ele falava com lágrimas na voz. Scully virou-se e começou a andar bem rápido, não sabia o porquê, simplesmente andou. Mulder ficou parado por não ter entendido a atitude de Scully, depois correu e puxou-a pela mão, ela virou-se pra ele novamente. Ele segurou a mão dela e colocou em seu peito, no lado esquerdo. - Você percebe o que causa em mim, Scully? - falou enquanto Scully sentia as batidas aceleradas do coração dele. - Consegue sentir o que eu sinto? Scully derramou algumas lágrimas e abraçou o parceiro com muita força. Ficaram muito tempo assim desse jeito, abraçados. Mulder afastou seu corpo e segurou o rosto da parceira. - Você é essencial pra mim, tudo o que eu quero. Eu não entendo porque temos de ficar separados... - ele tentava falar mas as palavras quase não possuíam som. - Não sou nada sem você, por isso preciso que fique comigo, Scully... Os dois se beijaram como nunca antes tinham feito, de uma forma intensa, profunda, um momento singular, só deles. - Acho que já respondi sua pergunta... - Scully falou beijando Mulder novamente. Os dois foram lentamente caindo sobre a areia. Beijaram-se por um longo tempo, realmente procurando um pelo outro. Ficaram deitados na beira da praia, Scully com a cabeça sobre o peito de Mulder. - Você está entrando num jogo sem volta, Scully... - ele brincou. - Eu sei disso. E não quero voltar... - Tem certeza? - Porque pergunta? - Eu sou um cara complicado, Scully. - Quem melhor do que eu para saber disso? Mulder sorriu e colocou a mão dentro do bolso do paletó, de onde tirou uma pequena aliança. Tomou a mão da parceira e colocou nela. - Vamos fazer a coisa certa. - disse enquanto colocava a aliança de ouro em Scully. Scully ficou admirando a bela aliança em seu dedo. Nunca imaginou algo assim, que acontecesse daquele modo. Deitados na praia, cobertos de areia. Suspirou de felicidade, estava agora totalmente completa. Com o homem que ela amara durante tanto tempo, o homem da sua vida. Riu e puxou Mulder ao seu encontro sapecando-lhe um beijo. - Eu amo você, Mulder. Abraçaram-se mais e lentamente foram cerrando os olhos. Adormeceram deitados sobre a areia branda e aconchegante, ao acalento do som das ondas beijando a praia. Litoral dos Estados Unidos 24 de Setembro de 2000. PM 7:59hs - Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. - O padre dirigiu-se ao homem de calça clara larga e camisa de mesma cor. Ele foi de encontro aos lábios da "esposa" e os beijou ternamente. Finalmente estavam juntos, como sempre almejaram. Uma tenda armada com uma pequena banda tocando, abrigava no máximo 30 pessoas. Foi uma cerimônia simples e íntima, para poucas pessoas. Em sua maioria, familiares. O lugar, bastante afastado de qualquer cidade ou rodovia, dificultava o acesso. Era um excelente lugar para o casamento de Dana Scully e Fox Mulder. Os noivos cumprimentaram os convidados e Scully puxou Mulder para dançarem. Ao som de "MIDNIGHT BLUE". Mulder beijou Scully enquanto dançavam, os corações saltitantes se completavam, estavam muito felizes, os sorrisos eram normais, os beijos doces e naturais. Bill Jr. vendo a irmã e o "estranho" beijando-se na pista de dança iniciou seu escândalo habitual. - Que pouca vergonha! O que eles estão pensando, mamãe? Vou lá para... Margareth pegou o braço de Bill Jr. Olhou para a filha e sorriu. - Deixe que os dois sejam felizes. Apenas isso. - Mas mãe, aquele homem... Não serve pra ela! - Ele à ama, Bill. Você não vê? - Margareth apontou para Scully e Mulder, que sorriam um para o outro. O irmão "zangado" de Scully cruzou os braços e balançou a cabeça. - Dana o ama também. - ela continuou. - Serão felizes... Depois de dançarem, Mulder pegou Scully pela mão e puxou-a para fora da tenda. - Vem aqui, comigo. Andaram pela praia até não conseguirem enxergar a festa e os convidados. Chegaram a uma parte da praia onde já haviam estado uma vez. Na noite em que Scully aceitou Mulder como "seu legítimo esposo". Ela viu uma mesa com duas velas em cima, uma garrafa de champagne, duas taças e muitos girassóis enfeitando-a. - Surpresa! - Mulder surpreendeu-a. Scully não conseguiu dizer nada, estava perplexa. Depois de alguns instantes ela chegou mais perto do marido. - Não acredito que fez tudo isso sozinho... - ela falou zombeteira. - Eu recebi uma certa assessoria... - Mulder disse abraçando-a pela cintura. - Dos pistoleiros. - Dos pistoleiros? - Scully falou arregalando os olhos. - A idéia das velas foi do Langly. Ele disse que ficaria mais romântico. - Mulder riu. - Os girassóis só podem ter sido idéia sua... - Falando nisso... - Mulder soltou-se de Scully, foi até a mesa e trouxe um girassol para Scully. - Pra não perder o hábito. - ele disse, beijando-a. Depois foi novamente até a mesa e pegou as duas taças e a champagne. Deu uma das taças para Scully e a serviu. Da mesma forma que a ele também. Cruzaram os braços, como os casais geralmente fazem, e sorveram a champagne. A felicidade era muito pequena para o que os dois sentiam e compartilhavam naquele momento. Mulder entrelaçou sua mão na mão da esposa e conduziu-a até a beira da praia. Notou que ela, subitamente, riu. Estava linda com aquele vestido creme, um pouco acima do tornozelo. - Do que está rindo? - Nunca pensei... Sra. Mulder. É estranho. - falou rindo. - Dana Scully Mulder... - ele riu também. Ficaram olhando o mar por algum tempo. - Scully? - Ahn? - Scully, lembra daquela vez que estivemos aqui nesse lugar?! - Lembro... - Scully respondeu virando seu rosto para fitar Mulder. Percebeu o olhar de criança quando faz travessura, aí vinha. - Pois é Scully, na verdade nós não estávamos perdidos. Pelo menos eu sabia muito bem onde ficava a estrada. - Quê???? - Eu fingi, pra ficar sozinho com você. Ah, mas foi por uma boa causa, não foi?! - lançou um olhar de cachorrinho de rua para Scully. - Ai, Mulder... - ela não teve outra atitude a não ser rir e balançar a cabeça. - É mas você também me enganou. - Eu??? - Claro, você disse que estava cansada só para ficar mais tempo comigo... - Ah, é?! - ela sorriu dando um tapinha no braço de Mulder. - Eu estou o tempo todo com você, Mulder. Mulder ficou olhando-a sem dizer nada, o seu olhar estava embargado. Scully parou de rir e ficou encarando-o. - Que foi, amor? - Como pudemos perder tanto tempo? Como EU pude perder tempo? Scully suspirou e sorriu. Depois se aproximou e segurou a mão de Mulder enquanto ele continuava falando. - Eu me lembro de como sempre estávamos juntos, continuamente. Você não sabe o quanto eu queria estar como estou agora, amando sem precisar me controlar... Scully deixou que Mulder falasse, sabia que há muito tempo ele precisava desabafar. Agora que podia abrir seu coração e sentir o peso desaparecer, não hesitaria em fazê-lo. Mulder não pode conter as lágrimas, estava no apogeu de sua felicidade. Fitou o chão e logo olhou novamente para o belo rosto da esposa, não havia melhor lugar onde ele queria se perder. Notou que Scully também chorava, as lágrimas dela eram simples gotas cristalinas que corriam como cachoeiras por sua pele, deixando marcas que dessa vez não eram de tristeza ou solidão. Eram de uma mulher que encontrara a si própria, ela era Mulder, pura e simplesmente Mulder. E Mulder era ela, numa reciprocidade única, que só os dois podiam sentir. Eles começaram a se aproximar vagarosamente até encostarem seus narizes, sentindo-se como nunca antes. Fecharam os olhos e entrelaçaram as mãos, no embalo das ondas, que os fizeram ir à outra dimensão pelo simples aproximar dos seus corpos. - O que quer fazer agora, "querida esposa"? - Mulder sussurrou zombeteiro no ouvido de Scully. - Já que perguntou... - Scully o abraçou e caíram deitados na areia. Mulder alargou o sorriso para a mulher mais importante de sua vida. Sua esposa, a Sra. Dana Scully Mulder. Ficou fitando-a a poucos centímetros de seu rosto. Sentindo seu perfume. Scully começou a desabotoar a camisa de Mulder, enquanto o beijava. - Ei, mais respeito... eu sou um cara casado... - ele riu. - Isso mesmo... e comigo. - Scully completou arrancando a camisa dele. - Eu amo você, sabia? - Me beija, Mulder. Beijaram-se enquanto as ondas beijavam a areia e cobriam os corpos dos dois. Scully deitada sobre Mulder, acariciava os cabelos dele que se combinavam com a areia. Ele estava quieto, sereno, fitava- a profundamente com um olhar embriagado. Ela deitou a cabeça no peito nu dele e ele a envolveu com os braços. Estavam levemente sonolentos. - Amor? - Hun? - Fica comigo pra sempre? - Ahãn... - Scully fechou os olhos. "I will love you tonight, and I will stay By your side, lovin' you, I'm feelin' midnight blue" "Eu amarei você esta noite, e eu ficarei Ao seu lado, amando você, Eu sinto o azul da meia-noite" Sculder Ecks XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Feedback! Por favor, eu suplico.... um feedback.... um feedback.... pelamordedeus....!!! Thank you, Lí! Requienzinho....