Classificação: Mulder/Scully romance. Bem, nesta história eles estavam namorando há alguns meses. Faixa etária: Deve ser PG, ou liberado. Não sei, eu não sou boa nisso Spoiler: menção pequena a O Fim Palavra-Chave: Vignette ou Angst. Sumário: Mulder mente para Scully e ela descobre. Agora ele sofre as conseqüências de seus impulsos. Disclaimer: Mulder, Scully e Diana Fowley pertencem à Fox e ao Chris Carter e blá blá blá. Mas isso todo mundo sabe! Dedicatória: Na verdade, esta história é muito especial para mim. Dedico à Gillian, cujo talento me inspirou muito (apesar de saber que ela nunca vai ler isto aqui, principalmente por ser em português) Feedback: Sim, por favor! Serei muito grata a todos! Mande para danabellatix@hotmail.com "A Traição" O dia começava a clarear e Mulder ainda estava deitado no sofá, com os braços cruzados sobre o peito, olhando a janela. Ele estivera ali durante muito tempo pensando na briga que tivera com Scully e no que ela estaria fazendo naquele momento. Mulder relembrara o que acontecera durante todo o dia, desde que chegara ao Bureau. Ele estava alegre, assim como Scully, por conta da agradável noite que passaram juntos no apartamento dela, em meio a pizza e chá gelado no quarto de sua parceira e namorada. E a expressão no rosto de Scully lhe dizia que ela estava tão satisfeita quanto ele. --Bom dia, dormiu bem? -ele perguntou --Como um anjo. Eu estava exausta. --É compreensível. Ela sorriu com o comentário bobo de Mulder. Ele sorriu também, era tão difícil vê-la sorrir dessa maneira tão doce que ele desejou ter uma máquina fotográfica no cérebro para registrá-la. --Quais seus planos para hoje?-Mulder mudou de assunto. --Tenho uma audiência com a diretoria agora pela manhã. É uma pena, você vai passar a manhã toda sozinho... -Scully olhou o relógio. -aliás, eu já estou atrasada. Nos vemos na hora do almoço? --Hã, na verdade não. Scully virou-se para ele com as mãos na cintura, disposta a ouvir uma explicação. --Porque? --Tenho um encontro com uma fonte e acho que ele ficaria inibido com você por perto. Ela fez um beicinho, puro charme, e se conformou. --Que pena... Até a tarde então. -e inclinou-se para beijá-lo rapidamente nos lábios. Scully saiu rápida deixando Mulder olhando o vão da porta aberta. Ele ficou ali parado olhando o vazio durante alguns instantes até voltar ao seu trabalho. Pouco antes da hora do almoço, Mulder foi ao restaurante onde sempre ia com Scully (quando ela não resolvia pedir comida chinesa pelo telefone ou ele não a arrastava até o McDonald's), mas no setor de fumantes. Aquele era o único restaurante decente ali por perto, no entanto quase não era freqüentado pelos funcionários do Bureau. Com sua decoração estilizada e clássica, ele agradava muito Scully tanto pela sua comida quanto pela sua decoração. Pequenos abajures estavam espalhados por todo o ambiente de carpete e estofados vermelhos com pequenos detalhes dourados. Também os garçons do lugar eram elegante, com seus uniformes padronizados. Em poucos instantes, Diana Fowley, sua fonte, chegara também. Mulder havia relutado muito em dizer que iria se encontrar com ela, pois sabia dos ciúmes da moça e não queria começar uma briga, portanto mentira para Scully. Fowley havia insistido em falar com ele sobre um caso de Arquivo-X que lhe interessaria. E ela se mostrara bastante cordial e prestativa, quase como nos velhos tempos --Olá Fox. --Oi Diana. O que queria me falar? Um garçon lhes trouxera o menu e eles escolheram as bebidas, antes de Fowley começar a falar. --Achei um garoto geneticamente idêntico ao Gibson Praise, lembra-se dele? --Claro que me lembro! Onde você o achou? --Em um bairro da periferia de Chicago, enquanto eu e Spender investigávamos um arquivo-X. Vou te mostrar. Diana inclinou-se para mostrar em um mapa a localização do garoto e lhe dava informações e explicações sobre o caso. Mulder olhou-a um tanto quanto surpreso com sua atitude, mas não conseguia odiá-la, não importava o que ela fizesse. Descobriu que Diana usava o mesmo perfume da época em que eles estavam juntos, o que lhe trazia muitas lembranças e mexeu-se desconfortável na cadeira. --Por que está fazendo isso por mim, Diana?-ele perguntou, com a voz baixa e rouca. Diana sorriu e colocou a mão sobre a perna dele, subindo devagar. --Fox, nós temos muita coisa em comum ainda. E eu queria lhe mostrar que ainda sou confiável.-ela completou, com um sorriso nos lábios. Mulder se surpreendeu com seu gesto e levou a mão à dela para tirar de sua perna, mas ela a segurou e apertou entre as suas. --Pare com isso, Diana. --Fox, volte comigo para os arquivo-x. O Spender é um tolo, ele não tem a sua perspicácia. Você se esqueceu do quanto nós dois funcionamos bem juntos? Ela inclinou-se sobre ele e o beijou nos lábios. À princípio Mulder tentou se afastar, mas Diana o segurou e quando ele deu por si estava beijando-a totalmente envolvido. Scully havia conseguido escapar mais cedo de sua audiência e correra para o porão para tentar achar Mulder. Mas ele não estava lá e ela então foi ao restaurante procurar por ele. Sempre almoçavam no setor de não-fumantes, Mulder detestava o cheiro de cigarro, principalmente enquanto comia, e para lá que Scully foi. Mas antes ela resolvera dar uma passadinha no toalete e para tanto era preciso atravessar o setor de fumantes. Scully não tinha o hábito de reparar nas pessoas que estavam ali, mas resolveu passear com os olhos, que prenderam-se em um casal que se beijava apaixonadamente em um canto do restaurante. Era Mulder e Diana. Scully ficou parada olhando os dois até se afastarem e Mulder olhar em volta e achar Scully com o olhar, paralisada quase em frente a eles. --Droga!-ele disse antes de se levantar e correr na direção dela. Tudo o que ele menos queria acabara de acontecer. --Aonde você vai?-só então ela viu Scully Ao notar que ele a vira, Scully virou-se e saiu apressada, quase correndo, pelo restaurante até chegar na rua. Mulder a alcançou em alguns minutos e a segurou pelo braço. --Scully, espera. Temos que conversar. --Mulder, me solta, eu não quero falar com você. Volte pro seu almoço, devia ser importante. --Não fale assim, deixe eu explicar. Scully sacudia o braço tentando se livrar dele, mas não conseguia. Ela se sentia péssima, sequer queria olhar para ele, muito menos falar com ele. Estava chocada com o que vira e sentia-se traída e magoada, mas não iria chorar na frente dele, embora estivesse fazendo um esforço enorme para evitar o que ele já sabia. --Me solta! --Eu não tive intenção de beijar a Diana, acredite em mim. --Por que? Você acabou de mentir pra mim. Por que não me disse que iria se encontrar com a agente Fowley? E larga o meu braço! --Pensei que você estivesse em reunião. Scully ficou em silêncio olhando-o alguns instantes. --Você não tem respeito por mim. Nem um pouco. É só eu lhe dar as costas e você faz isso. E ainda mente descaradamente. --Ela estava me falando sobre um arquivo-x. --Ótimo, então você já arrumou outra parceira, posso sair daqui. Larga o meu braço! -ela se debatia furiosa. Ele a soltou e ela virou-se para sair dali. Mulder foi atrás dela, pela rua movimentada por apressados transeuntes. --Scully! Scully, fala comigo! Dana! Ela continuou a andar e ele desistiu de segui-la. Mulder ficou parado no meio da calçada vendo Scully se afastar dele. Resolveu que seria melhor deixá-la sozinha e depois procurá- la de novo, mais tarde. Sentou-se em um canto da calçada e ficou olhando os carros passarem durante quase uma hora e só depois voltou ao Bureau. Scully estava em sua mesa escrevendo alguma coisa, que parecia trabalho, quando Mulder entrou. Ela lançou um olhar incomodado e levantou-se para sair. Ele parou em frente a ela. --Vamos conversar agora? --Sai da minha frente. --Scully! --O que você quer, hein Mulder? --Quero que você me ouça. --Não quero te ouvir. Aliás, não quero te ver. Não fale comigo, e nem me procure por que não vou te atender.-ela disse antes de sair. --Aonde vai? --Vou pra casa, estou com dor de cabeça. Ela o deixou sozinho de novo antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Ele ficara tão atordoado que esquecera Diana e seu arquivo-x no restaurante, mas não iria pegá-lo. Estava irritado demais com Diana e no fundo sabia que ela não era tão culpada assim como ele queria acreditar que ela fosse, afinal era ele quem devia honrar seu compromisso com Scully. Mulder estava com medo de que ela não fosse perdoá-lo jamais e sentiu um tremor dentro dele. Estava tão acostumado a tê-la ao seu lado que não saberia mais ficar sem ela. E não apenas a Scully que ele beijava e acariciava todas as noites, mas sua parceira e amiga, que sempre confiou nele sua vida e agora devia odiá-lo por tê-la traído desse jeito, justo quando ela pensava que poderia confiar nele totalmente. Mulder suspirou e passou a mão pelos cabelos. O carro de Scully deu a terceira volta no quarteirão antes de estacionar em frente ao prédio onde morava. Ela encostou-se no assento e olhou-se no espelho retrovisor, mais uma vez repetindo mentalmente a pergunta que não lhe saía da cabeça. Por que? Por que Mulder mentira para ela tão descaradamente e por que logo Diana Fowley? Será que ela não era bonita o suficiente, boa o suficiente para Mulder? Será que ele a achava idiota o suficiente para traí-la logo agora que ela havia aberto o coração para ele? Talvez ele estivesse apenas brincando com ela e nunca a amara de verdade como ele dizia amar. Homens são todos iguais, prometem ser fiéis e amorosos para conseguir ir para cama com as mulheres e depois que conseguem o que querem eles vão embora ou trocam-nas por outras melhores, mais bonitas ou mais jovens. Olhou-se mais uma vez no espelho e chegou à conclusão de que Diana era realmente mais bonita que ela, afinal seu rosto era mais expressivo e não tinham sardas como o de Scully. Mulder devia achar sua boca mais bonita e seu cabelo mais sedoso do que o seu cabelo ruivo e curto, para o qual Scully nunca ligou muito. Sem contar o fato de que Diana era mais alta que ela e combinava esteticamente com Mulder muito mais do que Scully combinava. O fato é que Scully estava se sentindo um nada e talvez não doesse tanto se fosse traída por outro homem, mas não Mulder. Não o homem por quem ela havia se descoberto apaixonada e vulnerável. Agora ela só queria ser abduzida e levada para bem longe de Fox Mulder e Diana Fowley. Depois de quase vinte minutos ela entrou no seu apartamento. Pelo menos não havia aceitado a proposta de Mulder de ir morar com ele e ele poderia ficar com o apartamento todo para ele e para Fowley. Scully tentava, mas não conseguia, parar de pensar nele e nela, se estavam juntos ou o que estariam fazendo. Queria saber se ele ao menos se arrependera do que fizera ou se eles estariam rindo, juntos, dela por ter sido tão ingênua a esse ponto. Ela estava cega de ciúmes. Scully encostou na porta e deixou o corpo escorregar devagar até ficar de cócoras no chão. Abaixou a cabeça, escondendo-a entre os joelhos, que entrelaçou com as mãos e deixou as lágrimas que lhe sufocavam escorrerem pelo seu rosto. Sabia que não devia se permitir ser fraca e chorar, mas não pôde evitar a explosão dentro dela,que veio na forma de um soluço, desabafando muitas e muitas lágrimas. Quis ligar para sua mãe e pedir socorro à ela, mas não se permitia esse tipo de fraqueza, mesmo sabendo que sua mãe não iria lhe julgar. Estava sentindo-se idiota e não queria compartilhar isso com ninguém, não tinha esse direito, ninguém tinha nada a ver com seus problemas pessoais. Ficou ali abaixada um longo tempo até ouvir o telefone tocar. Deixou que a secretária atendesse, não estava disposta a falar com quem quer que fosse. --Scully, sou eu. Querida, por favor atenda!-a voz de Mulder estava suave e doce -Precisamos conversar, eu juro que não vou lhe magoar mais. Atenda o telefone, eu sei que está aí. Scully!-ele ficou em silêncio-Você vai ter que me ouvir mais cedo ou mais tarde e é melhor que seja mais cedo. Eu juro que não tenho nada com Diana, foi uma fraqueza. Nós tivemos um passado e eu e você temos um futuro pela frente. Por favor, me liga. Tchau. Depois disso ele desligou. Ele sequer havia dito que a amava, devia estar ligando apenas por desencargo de consciência por que sabia que iria precisar dela no trabalho. Mas Scully estava decidida a pedir uma transferência no dia seguinte. O duro seria explicar à Skinner o motivo do seu pedido. Mulder não dormira durante toda a noite. Ele até tentou, mas pensava em Scully, sabia que ela deveria estar acordada e isso lhe tirava todo o sono. Chegou cedo no Bureau, bem antes de Scully, e ficou fazendo as palavras cruzadas do jornal do dia anterior até que ela chegasse. Mulder ouviu seus passos no corredor se aproximando e levantou-se assim que ela entrou. Olhou para o rosto dela procurando algum sinal de que ela fosse conversar com ele, mas ela sequer olhou para Mulder. Scully mexeu nas gavetas de sua mesa, procurando alguma coisa, seguida pelo olhar dele, e sentou-se para escrever. Ele caminhou até a porta e a fechou, chamando a atenção dela. --O que está fazendo? Mulder não falou nada e foi até ela, abaixando-se em frente a Scully. --Não sei o que dizer para te convencer, mas eu amo você-ele sussurrou-Não queria magoar você, por isso menti sobre o almoço com a Diana, ela disse ter um arquivo-x para me mostrar e só por isso eu fui lá. Sei que não deveria ter deixado ela me beijar, mas quando vi estava envolvido e admito que fui fraco. Eu passei a noite toda pensando em você e me arrependendo de tê-la magoado, você deve estar me odiando, não é? Scully ouviu em silêncio e não pode impedir quando ele estendeu a mão para tocar seu rosto. --Pode me xingar, se quiser, eu já fiz muito isso ontem. Ela continuou olhando-o sem dizer nada. Ele ergueu-se para beijá-la, mas foi interrompido. --Você pensa que eu sou seu brinquedo, não é? --Scully... --Como você acha que eu me sinto ao ser traída pela pessoa, a única, para quem eu abri meu coração? --Me desculpe, eu não quis... --Não quero mais nada com você, Mulder, nem vou ser mais sua parceira. Vou entregar ao Skinner meu pedido de transferência. Mulder abriu a boca para responder, mas não conseguiu falar nada. Depois de quase um minuto inteiro trocando olhares com Scully ele conseguiu falar. --O quê? Scully, você não pode fazer isso! --E porque? Você mentiu pra mim, Mulder, não há nada que justifique isso. Eu não vou negar que doeu ver você beijando outra mulher, principalmente por ter sido a Diana, mas você deveria ter dito quem era sua fonte. Como eu posso confiar em você agora? Quem me garante que você não vai mentir pra mim outra vez para "me proteger" ? Isso é o que eu não consigo entender. --Por que você não me dá uma nova chance? Será que eu não tenho o direito de errar? Quantas vezes eu já te provei o quanto você é importante pra mim? Será que isso não conta? Scully abafou um soluço. Não queria, não iria chorar na frente de Mulder. Ele sequer parecia notar o quanto mexia com ela, o quanto ela era vulnerável à ele. --Scully... Para com isso... Eu sei que você não quer fazer isso de verdade. Você é a melhor coisa que eu tenho. Mulder levantou-se e puxou-a para junto de si, envolvendo-a com seus braços junto ao peito. --Eu te amo, é isso o que você queria ouvir? Só porque eu não falo todo o tempo não quer dizer que eu não ame você. --Mulder... --Shhh... Não fale nada. Vamos esquecer isso tudo, tá bom? Ele acariciou levemente as costas dela e inclinou-se para beijá-la. Scully tentou se afastar, mas não conseguia sequer pensar quando Mulder a beijava desse jeito, ele era tão quente e tão maravilhoso que ela procurou esquecer toda sua mágoa e deixar-se envolver no seu abraço por um longo tempo. Dana Bellatrix ( danabellatrix@hotmail.com) =^..^= 2 1