"Os dias passam e como todos os outros, sempre as mesmas tarefas, a mesma rotina..." A senhorita dos olhos azul cor do mar, não concordava com a afirmação que havia lido em umas dessas revistas de comportamento, quando passava em frente a uma banca de revistas. Para uma regra sempre há uma exceção... - pensava enquanto voltava de um restaurante. Ainda lhe restavam uns 15 minutos até acabar a "hora do almoço". *Minha vida não é tão monótona* - estava certa disso. Como uma agente especial do FBI ela não se sentia normal. Nem poderia. Acho que eu sou um pouco diferente dos outros... não, um pouco não, muito! - riu sozinha, sempre seguindo seu caminho de volta para o FBI. Era o caminho que ela sempre seguia todos os dias. Almoçava sempre no mesmo lugar e sempre seguia o mesmo percurso. Acho que nisso sou normal - e o sorriso segui em seu rosto. De repente seu celular tocou, ela atendeu pensando que fosse Mulder, afinal ele era o único que telefonava para ela. - Scully! - Oi Dana, sou eu! - Mulder?! - Não. Scully notou que o rapaz do outro lado ficou um tanto irritado. O "não" dele foi muito seco, um "não" irritado. - Quem está falando? - Ainda está apaixonada por aquela raposa, né?! Scully sorriu, ficou sem graça. Será que estava assim tão óbvio? - Quem fala? - Sou eu Dana! Seu primo. - Quem? Ela se fez de desentendida, *não acredito que é o chato do Mark!* - Mark, Scully! Mark! - Markweill! Não acredito! - Por favor, só Mark! - Há quanto tempo... E o que anda fazendo, hein? - Vim a Washington pra te ver! - Nossa! (Saco!) - Ainda está trabalhando no FBI? - Estou. E você ainda vendendo aqueles livros de filosofia? - Pois é. Vou te buscar aí as cinco, OK?! - Olha Mark eu estou cheia de trabalho, não vai dar... Scully na verdade só não estava a fim de ver seu primo, ele era até simpático mas ficava grudado no pé dela sempre que podia. Da última vez que o vira, nas férias do FBI, ele queria almoçar, jantar, passear com ela todos os dias, mesmo que ela desse uma desculpa, Mark ia atrás dela. Até Mulder achou que ele fosse seu namorado... - Ah, mas arranja um tempinho... - Não vai dar mesmo Markweill. - Tudo bem, você não quer me ver, né?! - Não é isso é que... - Tudo bem senhorita sabe-tudo, você me paga! Depois que desligou Scully, sentiu pena de Mark, mas ele era muito insuportável. Ele tinha essa mania de "nunca mais falo com você!" ou de "você me paga!", mas Scully já não ligava mais pra isso, desde pequeno ele era assim. Ainda caminhava na direção do FBI. Entrou pelo mesmo lugar e caminhou vagarosamente até o elevador, hoje estava sem pressa, diferente dos outros dias. Olhava para os lados e todos pareciam iguais, pareciam uniformizados. Ela acordara se sentindo estranha, nada fazia sentido, pela primeira vez não se sentia à vontade dentro do Birô. Entrando no elevador com aquelas pessoas estranhas, que todos os dias no mesmo horário ela encontrava, todas iam ao mesmo lugar, e ela sempre ia para o porão do FBI. Entrou na sala onde estava uma pessoa que realmente era estranha. O estranho sentado, revirando centenas de papéis nem percebeu sua presença, estava muito ocupado para notar sequer a própria existência. A moça dos olhos azul cor do mar estava estática ao lado da porta, olhava-o com curiosidade e admiração. Enquanto o estranho virava e revirava pilhas de papéis e pastas ela fitava-o. Sua mente borbulhava em pensamentos, ele a olhou assustado, percebendo que ela o encarava com um rosto terno e suave, permaneceu em silêncio. - Não vai almoçar Mulder? - como um relance à moça dos olhos azuis indagou-o. - Não posso, estou meio ocupado aqui... - disse ele, hesitante. - Você chegou cedo Scully... Scully contornou a mesa e sentou-se em sua cadeira, continuava olhando para aquele homem atrapalhado em meio a papéis espalhados. - Não vai me ajudar, não? Se você tiver aí com você um cortador de grama eu agradeceria muito, tenho que abrir caminho aqui nesse monte de folhas. - disse Mulder, irônico. Ela emitiu um sorriso, balançou a cabeça e cada vez mais apreciava o tempo de almoço que tinha ganhado. Alguns passos se aproximaram e o diretor-assistente Skinner entrou na sala. - Agente Scully poderia vir comigo? - Claro Senhor. Scully levantou-se e ainda correu os olhos pelo homem estranho que continuava a ler um sei-lá-o-quê. Percebeu que Skinner estava nervoso. Andava muito rápido, o que não era normal nele. Ele parou no meio do caminho virou- se para Scully, realmente estava nervoso. - Agente Scully, há algo que eu preciso lhe contar. - Sim, o que é? - Bem, é uma coisa muito importante, algo realmente muito importante. Scully olhava-o com apreensão, ele suava um pouco. Esse prosseguiu: - Eles querem encerrar os Arquivos X definitivamente. Scully balançou a cabeça. *De novo?* - Mas por quê? O que aconteceu? - Eu não sei, tentei falar-lhes mas não querem nem me ouvir. Marcaram uma reunião para a próxima semana. Dessa vez eu acho que é definitivo. - Eu não compreendo... - Eu vim lhe dizer primeiro porque sei como o Agente Mulder é impulsivo. Não sei o que faria. Quando cheguei, o vi tão compenetrado que... - Eu sei. Scully lembrou de Mulder, de como ele se sentiria se soubesse do fechamento dos Arquivos X. Ela abaixou os olhos e sentiu- se horrivelmente triste. A única coisa que não compreendia era o porquê disso. *Podia ser porque achavam que não existia sentido algum naquilo, porque nada se concluía com 100% de certeza, ou porque estão conspirando contra eles... Ei! Esse pensamento não é meu é do Mulder!* - Eu sei que é difícil para vocês dois, mas espero que o pior não aconteça. Conte a ele por mim, sim? - Está bem. - Lhe desejo sorte, vai precisar... até logo. Skinner virou e seguiu seu caminho deixando Scully ali com a missão de contar ao seu parceiro o que ele preferiria nunca ouvir. A mulher de olhos azuis caminhou na direção novamente do porão do FBI, quando entrou viu Mulder apoiado na mesa esperando sua chegada. Ela desconfiou que ele queria saber o porque de Skinner chamá-la. Scully entrou, e sentou-se enquanto Mulder acompanhava seus passos. - E então? - O quê? - O que Skinner queria? Contar ou não contar? Eis a questão. Scully estava em um dilema, preocupava-se com Mulder, não queria vê-lo sofrendo. Ele ficaria preocupado o fim-de-semana inteiro. Resolveu não contar nada, por enquanto. - Nada de importante. - Ah... Ela sentiu que ele não acreditara mas resolveu deixar como estava. O resto do dia ela permaneceu sentada olhando-o de relance, e ele em meio aos papéis. Scully pensava se contaria, o que faria, sentia-se mal por enganá-lo. Olhou para a parede que ficava atrás dele onde viu um pôster que Mulder tinha, a foto de um disco voador e abaixo a inscrição "Eu quero acreditar". Enquanto examinava lembrou-se de tudo o que já havia acontecido até ali. Quando desvendavam crimes absurdos, para qual Mulder sempre atribuía a façanha à "homenzinhos verdes", quando Mulder fora buscá-la em meio aquela neve toda, quando gritava desesperado o seu nome naquele milharal, e se não fosse aquela abelha na gola de sua blusa... Um sorrisinho maroto brotou no rosto de Scully. - Scully?! Ei! Ooooh, Scully?! - Aã, o quê? - Você vai dormir aqui hoje? - O quê? - Scully, você está estranha. Não vai pra casa não, minha nêga?! Scully levantou-se, mas estava ainda voltando à realidade. Quando se deu por si Mulder deu um "Tchauzinho" com a mão e foi embora. Olhou o relógio, Nossa 11:21! Ficara lá o dia inteiro e nem se dera conta. Pegou seu casaco no cabide e dele viu cair um bilhete. Dana Você se acha normal? Você se acha esperta? Muito? Sofu' Invo Muito estranho. O que significava aquilo? Pensou que fosse uma brincadeira de Mulder, mas o bilhete era escrito à máquina. Apesar daquele bilhete ser estranho, não levou muito em consideração. Enquanto se dirigia para casa estranhava aquelas palavras escritas no bilhete. Você se acha normal? Você se acha esperta? Assinado ainda por um tal de Sofu' Invo. Balançou a cabeça tentando não pensar mas aquilo martelava em sua mente. Chegou em casa, abriu a porta e notou um envelope preto no chão. Fechou a porta e abaixou-se para pegá-lo. Sentiu um perfume familiar mas sem dar muita importância foi logo abrindo o envelope. Nele encontrou um papel em que dizia: Dana Nem sempre o que pensamos é real. Apesar de que às vezes é. Sofu' Invo Novamente esse Sofu' Invo. Quem era ele? *Deve ser algum engraçadinho fazendo brincadeiras de mau gosto.* Mas se fosse uma brincadeira devia parar por ali. Tomou um banho para relaxar mas aquilo não saia de sua cabeça. *Desde quando você dá bola para isso Dana?!* Depois do banho foi em direção ao seu laptop verificar se haviam chegado novas mensagens. E haviam. Algumas do FBI que sempre chegavam e uma que se intitulava "Estranhamente". Hesitou em abrir mas a curiosidade era maior que o medo. Ela abriu a mensagem e apreensiva leu as primeiras linhas. Dana Estranhamente você me completa. Acho que você está estranha. Sinto que sua hora esteja chegando. Já fiz isso uma vez, não tenho medo de fazer de novo. Sofu' Invo Após a mensagem uma foto. Era a imagem de um homem degolado, que não se identificava o rosto. Corpo e cabeça lado a lado. Uma imagem deprimente. Ela levantou-se assustada. Seu coração começara a bater forte e de repente o seu celular toca, seu coração cada vez mais batia e seu medo aumentara. - Scully? - Scully, sou eu. - Quem é que está falando? - Sou eu Scully. Mulder. Você está bem? - Estou... estou ótima. Mulder notou um pingo de mentira nas palavras dela, o que será que havia acontecido para deixá-la tão apreensiva? Scully do outro lado da linha já estava um pouco mais calma, mas também ver uma foto chocante daquelas e não sentir nada... - Mulder por acaso você escreveu algum bilhete pra mim? - Eu? Não. Porque? - Mulder você sabe que eu não gosto desse tipo de brincadeiras. - Eu nem sei do que você está falando. - Tem certeza? - Claro. Agora dava para você me explicar o que aconteceu? - Nada, deixa pra lá. - Acho que você está estranha. Scully gelou. Foi a mesma coisa que aquele e-mail dizia. "Acho que você está estranha." Ela estava pasma. O que Mulder queria com ela? - Scully? - O que? - Tem certeza que está bem? - Te-tenho... - Tá, tchau. - Tchau. Quando desligou estava quase chorando. Ela não entendia por que estava sentindo um medo tão grande, era só uma brincadeira dele, só podia ser. Aquilo estava indo longe demais, já envolvia uma pessoa morta. Será que Mulder estava mentindo para ela? Ele nunca mentira antes. Odiou-o por isso. O seu parceiro que sempre a tinha ajudado, o homem que ela amava estava brincando com ela. Ela não acreditava, poderiam ser só coincidências, mas tudo apontava que não eram. Queria morrer. Deitou-se na cama e ficou pensando, por via das dúvidas colocou sua arma no criado-mudo que ficava ao lado. A noite inteira ficou preocupada e atenta, qualquer barulho a fazia pular da cama. Quando os primeiro raios de sol começaram a entrar pela janela do seu quarto, resolveu dormir um pouco. Dormiu até umas 10:30 da manhã, foi acordada pelo seu celular. - Alô? - atendeu ainda meio sonolenta. - Scully, você precisa vir aqui eu achei uma coisa que, que... você precisa vir aqui imediatamente! - Mulder, você me acordou sabia? - O quê? Ainda estava dormindo? Você anda estranha. - Que horas são? - 10: 33. Scully sentia um pouco de medo ainda, mas ainda acreditava em seu parceiro. - Mulder eu não sei se poderei agora... - Scully. - OK, OK. Estou indo pra aí. Apesar do medo ela se vestiu, se ele estivesse mentindo ela saberia, e iria lá para investigar isso. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX - Ainda bem que você chegou. - O quê? Estava ansioso para me ver? - Vem, eu preciso te mostrar uma coisa. Scully achou o parceiro normal até o momento. Enquanto caminhava atrás dele sentiu um perfume que já conhecia. *O perfume do envelope! Meu Deus! Devo estar ficando louca.* Sentou-se e ele trouxe uma pasta preta com um adesivo na frente que ela não identificava. Só viu que tinha as iniciais S.I. - Scully olha o que eu achei. Scully esquivou-se. A foto do homem degolado. Corpo e cabeça lado a lado. Olhou Mulder com medo. - Encontraram esse corpo e por perto não viram nada, nem sangue, nem arma, nem impressões digitais ou coisa alguma. Ela estava imóvel, não podia acreditar. Mulder percebeu que ela estava muito estranha. - Scully você está bem? - Estou. - Não me venha com essa! Desde ontem que você está desse jeito, me olha com espanto, com incerteza! - Não Mulder, é que... Ela não conseguia encará-lo, estava com medo. Resolveu contar. - Você está querendo me assustar? - O que quer dizer com isso? - Desde ontem venho recebendo mensagens estranhas. - Que tipo de mensagens? Ela retirou do bolso os dois bilhetes. Enquanto ele lia os dois atentamente, Scully olhava-o. - Também recebi um e-mail, no qual constava essa foto que acabou de me mostrar, então... Ele balançou a cabeça, olhou-a. - Então você pensou que... Não posso acreditar. Mulder levantou-se nervoso, começou a caminhar de um lado para o outro, ela não sabia o que fazer, suas pernas tremiam e seu coração batia rápido. - O que você pensa que eu sou? Acha que eu faria algo assim com você? Eu já menti pra você alguma vez? - Não, Mulder... - Então que motivos eu teria para fazer uma coisa dessas? Ele gritava com ela, e de repente sentou-se a sua frente e segurou-a pelos braços fortemente. - Quantas vezes eu não te ajudei? Quantas vezes não eu te salvei? Scully estava em silêncio, lágrimas teimavam em descer. - Você não confia mais em mim? É isso? Scully olhava-o agora sem medo, é claro que confiava nele, como pode ser tão idiota a ponto de desconfiar daquele homem que sempre esteve ao seu lado, aquele homem que ela amava? Mulder sempre fora sincero. Ela demonstrava todo o amor que sentia por aquele caçador de ET's desconfiando dele?! Ele abraçou-a com muita força. Ficaram assim por algum instantes até que Scully sentiu aquele perfume novamente e vinha de Mulder. Desvencilhou-se do abraço se levantou e ficou distante o máximo que pôde dele. - O que houve? - Afaste-se de mim! - Scully! Ela colocou as duas mãos sobre a cabeça, arrependeu-se de tudo o que havia pensado. - Me deixe em paz! O que quer comigo Mulder? - Scully... - Por que está fazendo isso comigo? - chorava descontroladamente. - Fazendo o quê? - Pára! Quer que eu acredite que não é você! Mas eu sei que é você! Como foi capaz disso? De matar uma pessoa daquele jeito? Mulder se aproximava dela, ela sacou sua arma e apontou pra ele. - Se der mais um passo eu mato você! - O que está havendo com você?! Scully somos parceiros... - Não me interessa! Não quero ver você nunca mais. Senhor Sofu' Invo! Scully saiu correndo do apartamento de Mulder, chorando sem parar, deixando seu parceiro estático e confuso. Entrou no carro que estava no estacionamento. Saiu dali chorando, seus soluços ecoavam pelo carro e viu pelo espelho retrovisor Mulder correndo em sua direção. Arrancou com toda a força deixando-o para trás. Já longe dali parou o carro em um parque para se acalmar. Ouviu uma batida no vidro do carro. Deu um pulo no banco. Olhou e viu um senhor maltrapilho. Abriu o vidro. - Moça a senhora tem um dinheirinho para me dar? - Claro, um momento. Scully abriu o porta-luvas para pegar sua carteira e viu um envelope preto cair no chão do carro. Ela gelou. - Tome. - Obrigada senhora. Quando viu o senhor se distanciando, pegou o envelope e sentiu o mesmo perfume que sentira no envelope anterior, o mesmo perfume de Mulder. Abriu-o. Dana, sua idiota Você acha que eu sou Mulder? Há! Se julga esperta? Descobrirá quem sou no momento certo. Nem tudo o que parece é. Sofu' Invo Ela leu aquele bilhete incrédula. Será que era ou não era Mulder? Ele não conseguiria colocar aquele bilhete em seu carro a tempo. Ela o veria. Além disso ela o viu correndo atrás de seu carro. Mesmo assim ainda estava desconfiada. Disse que nunca mais queria ver Mulder e continuaria afirmando aquilo. Scully não conseguia ordenar seus pensamentos direito, nem sabia o que fazer. Já eram 1:25 da tarde e ela sentiu fome, não comia desde o dia anterior. Foi à um restaurante, enquanto o garçom preparava o seu pedido um outro garçom trouxe um bilhete. Outro. - O cavalheiro ali mandou entregar-lhe. - Onde? - Scully olhava para onde o garçom havia apontado e não via ninguém. - Acho que foi embora, desculpe-me. - Por favor, me diga como ele era! - Ele era alto, não lembrou muito bem. Scully ficou nervosa. Começou a gritar com o garçom. - Como não lembra? Eu preciso saber! - Ai, não sei senhora. Ele estava com um casaco muito comprido é só o que me lembro. - Tudo bem, tudo bem. Me desculpe, não é culpa sua. - Com licença, senhora. Uma lágrima de medo correu pelo rosto de Scully. Estava apavorada. Por que estavam fazendo isso com ela? Entrou em pânico e, tremendo, abriu o envelope. Dana Venha ao FBI hoje à noite, sozinha. Estarei esperando por você lá no porão. Se não vier mato o seu querido amor. Depois o verá como o homem da foto. Acho que não vai gostar. A verdade está no porão. Sofu' Invo Ela já estava cansada daquela história. Chamaria Skinner para ir com ela. Mas matariam Mulder se ela o levasse. Se é que o próprio Sofu' Invo não era Mulder. A moça dos olhos azul cor do mar estava muito confusa, não sabia onde se esconder, o que fazer. Almoçou o pouco que conseguiu, apreensiva. A comida não passava por sua garganta. Começou a ouvir gritos e todas as pessoas que estavam no restaurante levantaram e correram para fora. Scully foi atrás e viu no meio da rua um homem degolado. Cabeça e corpo lado a lado. Horrorizou-se, as pessoas á sua volta choravam descontroladamente. - Eu sou agente do FBI. Alguém aqui viu o que aconteceu? Ninguém disse nada. Scully perguntava insistentemente mas ninguém dizia nada. Depois de alguns minutos Mulder chegou. - Scully, o que está acontecendo aqui? - Mulder, o que está fazendo aqui? - Skinner me mandou pra cá. E você? - Estava almoçando quando aconteceu. - Deve ser o mesmo assassino que matou o cara da foto! Mulder se aproximou de Scully e ela deu um passo para trás. Enquanto isso a ambulância chegava. Quem a teria chamado com tanta rapidez? - pensou Scully. - Não se aproxime de mim. Eu sei que foi você! - Como pode dizer isso? Estavam colocando o corpo do tal homem dentro da ambulância quando Scully pediu que parassem, começou a examiná-lo, abriu sua camisa e viu que em seu corpo dizia: "Dana, isso é pra você não desconfiar de mim. Hoje às dez!" A letra definitivamente não era de Mulder. Olhou para trás e viu Mulder olhando-a. Saiu dali o mais rápido que pôde e foi na direção do carro. Entrou e ainda viu o rosto de Mulder acompanhando seu caminho. Apesar de amá-lo ainda estava confusa. Ligou para Skinner. O telefone tocou algumas vezes e a secretária eletrônica atendeu: - Você ligou para Walter Skinner, eu ficarei fora por alguns dias, estarei de volta Domingo pela manhã. Deixe seu recado que retornarei a ligação. Como Skinner ligaria para Mulder se estava viajando? Era ele, só podia ser. Scully sentiu um aperto muito forte no coração, sentiu que estava perdendo o homem que amava. Ele não teria coragem de matar uma pessoa com aquela crueldade, não era nem frio nem calculista, na mente de Scully ainda constava a dúvida. Não conhecia aquele Mulder estranho que brincava com ela, que não lhe dizia a verdade. Decidiu que iria ao porão às dez. Foi o combinado, no fundo sentia esperança de que não fosse Mulder o homem que a estava enlouquecendo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Eram PM9:45 quando Scully chegou ao FBI, nervosa ela empunhava sua arma. Caminhava atentamente na direção do elevador. Quando entrou sentiu-se um pouco segura, mas quando saiu o medo voltou novamente. Tudo estava escuro, era sábado todos estavam em suas casas, com suas famílias mas ela não tinha ninguém. Nesse momento ela desejava ter alguém assim não estaria ali. Não viu luz no porão, não viu nada. Quando entrou viu alguém encostado no cartaz de Mulder, mas não identificava o rosto na penumbra. Acendeu as luzes e viu. - Meu Deus! - Scully o que faz aqui? Era Mulder. Scully começou a chorar, suas suspeitas já não estavam mais erradas, era ele. Como pôde? Olhava-o e seu coração doía, quase não enxergava o rosto dele, suas lágrimas não permitiam. - Scully... está chorando? Ela estava quase perdendo suas forças, não queria acreditar no que via. Apontou sua arma para ele, mesmo que nunca pensasse em atirar. - Scully o que está fazendo? Ela continuava apontando a arma para ele, soluçava e tentava não chorar mais. Eram PM9:55. Mulder tentava se aproximar de Scully, ela o impedia. Ele a olhava impressionado, Scully nunca fora de perder a cabeça mas estava completamente fora de si. - Porque... está... aqui? - murmurou ela entre soluços. - Recebi um telefonema para vir aqui hoje, não entendo o que você faz aqui? - Não minta pra mim! - gritou. Mulder olhava-a com espanto, Scully apontava a arma no seu rosto, não reconhecia sua parceira. Uma sombra se aproximou de Scully e a segurou por trás, tapando sua boca. Mulder viu nos olhos de Scully o medo, estavam então três pessoas no porão, Scully, Mulder e o desconhecido. Eram PM10:00. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX - Quem é você? - Acho que você me conhece, ...Mulder! Aquela voz era familiar à Scully, era Mark! Não acredito! Quis morrer por ter desconfiado de Mulder, de ter dito tudo aquilo que ele não merecia ouvir, de ter apontado sua arma para ele. Na verdade então era Mark, estava louco. Ele cumpriu a promessa... A moça dos olhos azul cor do mar livrou-se do primo e correu para perto de Mulder. Seu primo hesitou em atirar e prosseguiu. - É assim que você me retribui Dana? - Mark o que houve com você? - Eu sempre estive com você, sempre te amei e você me trata como um... um ninguém! Então ele a amava. Era isso, estava com ciúme. - Você pensa que eu estou com ciúme? É estou sim! - Como você sabe o que eu... - Agora que você pergunta? Quantas vezes eu tentei te contar que eu conseguia saber o que você pensava? Sei que você nunca me suportou, me achava chato! Eu sabia, Dana! Mulder olhava os dois, pasmo. Mark o namoradinho de Scully que na verdade era primo, lia a mente dela. Incrível! - Mark, eu... - Cala a boca! Eu dediquei minha vida à você e não adiantava, você só conseguia amar mais e mais essa raposa Mulder! A moça dos olhos azuis e Mulder olharam-se, seus olhos cheios de amor e ternura, Scully só fazia chorar e no rosto dele caiam as primeiras gotas de lágrima. Mark notou o que Scully pensava. Enfureçeu-se mais ainda. - Eu te odeio, Fox Mulder! - Como você pode matar aquelas pessoas? - Foi por você, Scully! Por você! Eu queria que você ficasse contra esse cara, mas não adiantava. Para tudo encontrava uma desculpa que o inocentasse. Não sei o que você viu nele. Quer dizer eu sei muito bem o que viu... UFO's OVNI... Mulder olhou-o e notou o ódio tremendo que sentia aquele rapaz jovem ali à sua frente. - Se eu não posso ter Dana, ela não terá ninguém! Mark apontou sua arma para Scully e atirou duas vezes na direção dela, os tiros foram aparados pelo corpo de Mulder que se jogara em sua frente. Mark, assustado, saiu correndo deixando Mulder caído no chão, sangrando muito. Dana sentou- se no chão e colocou a cabeça de Mulder em seu colo. - Você está sangrando muito... Mulder segurou a mão de Scully e ficaram olhando-se por um tempo, Scully não se perdoava por ter envolvido Mulder naquilo tudo. Tudo culpa de Mark, se não fosse tão desleixada com seu primo talvez isso não tivesse acontecido. Pensou em tudo o que Mark fizera, como conseguiu matar pessoas e degolá-las? Ele era tão pacífico. Como pôde fazer tudo aquilo só para deixá-la contra Mulder. Pensava em tudo isso enquanto ligava para o 911. - Scully... agora você... acredita em mim? Ela desabou em lágrimas, em meio a soluços pediu desculpas à ele. - Você não tem... nada o que me pedir desculpas... Ela o abraçou e ficaram assim até a chegada das ambulâncias. Colocaram Mulder na maca e Scully, sempre ao lado dele, acompanhou-o até o hospital em seu carro. Viu quando ele deu um Tchauzinho com a mão para ela. XXXXXxxxxxxxxxxxxxxxxXXXXXXXXXXXXxxxxxxxxXXXXXXXXXXxxxxxxxxxx xxXX Scully se culpava por tudo. *Que Idiota que eu sou!* Agora tudo se encaixava, Mark queria deixá-la contra Mulder e vendo que mesmo assim ainda o amava não viu outro jeito a não ser matá-la. Até o perfume que Mulder usava ele usou como arma contra ela. Sofu' Invo, Sofu' Invo... 'UFOS OVNI! Meu Deus! Até nisso ele pensou, onde estaria agora? Ainda sentia medo quando chegou ao hospital, mas o amor e a preocupação ocupavam maior espaço em seu coração. A cirurgia de Mulder fora demorada, embora Scully insistisse que era médica, que queria ajudar, não a deixaram. Aquelas horas foram um massacre, Scully se odiaria para o resto da vida se acontecesse alguma coisa com Mulder. - Senhorita Dana Scully? Scully olhou e uma enfermeira a chamava. Levantou e foi imediatamente ao seu encontro. - Sou eu. - O senhor Fox Mulder está no quarto, gostaria de me acompanhar até lá? - Como ele está? - Está bem, em observação. Scully entrou no quarto e viu Mulder deitado lá naquela cama, dois ferimentos à bala para salvar sua vida. As lágrimas de novo desciam. Sentou-se ao lado dele e se imaginou casada, e embora não pudesse engravidar imaginou muitos filhos correndo pela casa brincando com os discos voadores dados pelo pai. Um sorriso maroto brilhou no rosto dela. Ficou a noite inteira ali, se culpando e lembrando-se do sorriso dele, do seu olhar, sua voz. O sono vinha, mas ela queria ficar acordada, segurou a mão de Mulder bem firme e adormeceu. Já era Domingo, por volta de umas 11:30. - Scully? Mulder a viu adormecida, com a cabeça sobre a cama do hospital, segurando a mão dele. Arrependeu-se por nunca ter dito que a amava. Sim ele a amava e agora sabia que era correspondido. Orgulhou-se por ter salvado a vida dela, ele devia isso à ela. O rosto daquela mulher o enfeitiçava, era um rosto doce e ao mesmo tempo decidido. Vê-la dormindo era a coisa mais linda que já tinha acontecido, era tudo o que ele queria, ficar admirando aquela face. A mulher que ele amava. Skinner entrou correndo no quarto, para o espanto de Mulder. Scully acordou assustada. Skinner vendo os dois juntos sorriu meio sem graça. - Mulder? O que houve? Mulder olhou Scully nos olhos e sorriu. - É uma longa história... Scully levantou com o rosto inchado, foi até o espelho e arrumou-se um pouco, enquanto isso Mulder e Skinner conversavam. - Dois tiros...? - É. - Qual o motivo? - Eu te conto, mas não na presença da Scully... Skinner olhou para o lado direito e viu que Scully se aproximava. - Você deve estar cansada, por que não vai pra casa? Eu fico com ele. - Eu estou bem, vou só comer alguma coisa lá fora. Scully deu uma última olhada em Mulder, como se estivesse conferindo se estava tudo bem com ele. Ele estava levemente sonolento. Ela saiu e Mulder contou tudo para Skinner. - Que história! E ela se machucou? - Não. Acho que não. - Esse cara é um lunático! Onde estará agora? - Não sei. Mulder sentiu uma pontada no peito, onde levara o tiro. Skinner correu para a porta e chamou Scully. Mulder estava gemendo de dor, revirava-se de um lado para o outro. Ela entrou apreensiva, e verificou os ferimentos. Ela não era especialista mas achava que eram efeitos colaterais da cirurgia. Pediu que Skinner chamasse o médico rapidamente. Quando ele saiu do quarto, Mulder parou de se mexer e riu. Scully o olhou e viu naqueles olhos algo de estranho. Era o olhar de um garoto de 10 anos depois que faz alguma travessura. - O que é, Mulder? - Nada... - ele ria sem parar. - Ai Mulder, você não presta. - ela sorriu, sentiu-se aliviada também. Skinner e o médico chegaram, viram Scully e Mulder rindo. - O que houve? - Nada, Skinner. O nosso paciente só resolveu dar uma de engraçadinho! - Tudo bem, chega de brincadeiras. Tenho que ir agora. Se cuide Mulder. Skinner e o médico saíram do quarto deixando os agentes à sós de novo. Scully continuava rindo sozinha, agora de algo que ela tinha pensado. Balançava a cabeça e sorria enquanto Mulder olhava-a, ele queria dizer alguma coisa mas não sabia o quê. Já não tinha mais medo que ela o rejeitasse. Mas o que diria? - Você fica tão linda quando sorri. Scully olhou Mulder e parou de sorrir, sentiu-se sem graça, envergonhada. Ignorou completamente o que dissera. *Devo estar ouvindo coisas...* Chegou perto da cama dele. - Mulder, me desculpe. Eu fui uma idiota não acreditando em você. - Tudo bem Scully, isso já passou. Só queria lhe dizer que aquele bilhete que colocaram no seu casaco... eu não tenho a mínima idéia quem foi. - Isso ficou sem resposta mesmo. Mulder, você não saiu dali quando eu fui falar com Skinner? - Não, a única coisa que eu fiz foi pegar alguns papéis nas estantes que ficam bem ao fundo. Mas não percebi a entrada de nínguém. - Mark tem essa virtude, nunca percebíamos quando ele entrava no meu quarto, de repente eu e minha irmã víamos ele ouvindo nossas conversas... - Sorte dele. Imagina entrarmos nos lugares, despercebidos. Ele sorriu e logo parou, Scully não estava tão feliz assim. - Como é que você soube que eu estaria lá no FBI ontem à noite? - Eu recebi um telefonema me dizendo que se eu não fosse matariam você. Confesso que recebi telefonemas bem estranhos ontem e anteontem. - De que tipo? - Que se eu não me afastasse de você aconteceriam coisas horríveis... - É, na verdade aconteceram sim. Ela olhou os curativos no peito de Mulder. - Obrigada por ter salvado minha vida. - Eu faria de novo se fosse por você! Scully desviou o olhar para a árvore que estava do outro lado da janela. - O que eu queria saber é se aquilo que seu primo falou era verdade. Ela já não tinha como esconder todo o amor que sentia por Mulder. Mesmo assim ela nunca fora especialista em demonstrar sentimentos, não sentia-se confortável. Mulder segurou a mão de Scully e, suavemente, puxou-a ao seu encontro. Ela não relutava, estava entregue ao amor. Chegaram bem perto que podiam sentir a respiração um do outro. Os olhos verdes nos olhos azuis. Mulder segurou o rosto de Scully com as duas mãos e seus lábios chegaram bem perto dos dela, não tinha abelha nenhuma em sua gola, ou alguém entrando no quarto sem bater. Ali só havia duas pessoas que se amavam, e os lábios tocaram-se. Foi o beijo mais apaixonado que já tinham dado. Scully foi lentamente se afastando de Mulder, sua cabeça estava fervendo de pensamentos, nunca esperara em vida que ele a beijaria com tamanho amor. Ela sentiu que ele não a beijou por beijar, sentiu que foi mais que isso. Scully colocou os dedos sobre os lábios, como se não acreditasse no que acontecia. Mulder só a olhava como gostava de fazer, olhá-la bem fundo enquanto pensava. Scully virou-se rapidamente e saiu do quarto, parecia uma adolescente depois do primeiro beijo. Não tinha a mínima idéia do que faria, para onde iria, nada. Mulder não a impediu, simplesmente acompanhou-a com os olhos até que desaparecesse no corredor. XXXXXXXXXXXXXXXxxxxxxxxxxxxxXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXxxxxxxxxx x Já no jardim do hospital Scully caminhava entre os bancos e as árvores. Era um jardim bastante bonito, haviam várias árvores e arbustos e entre eles alguns bancos pintados de branco. Por ali passeavam alguns pacientes e suas enfermeiras, não era todo o dia que se via uma agente do FBI. Ela sentou em um dos bancos e ficou a pensar naquilo tudo. Nada parecia ter sentido na vida dela. Tudo o que fizera nestes sete anos foram por uma causa que não era sua. Claro que não se arrependia. Nem poderia, havia conhecido o grande amor, e tinha prazer em ajudá-lo. Embora sofresse por vê-lo angustiado o tempo inteiro, gostava de estar com ele. Não conseguia entender porquê saiu daquele quarto mas já estava no jardim e não tinha outro jeito. Enquanto isso, Mulder deitado na cama achava que tinha sido um idiota. *Você estragou tudo Mulder, parabéns!* Já que Scully saiu do quarto daquele jeito ele achava que ela nunca mais o encararia. *Como pude beijá-la daquele jeito? Mulder, seu estúpido!* Sentiu-se cansado, era muita emoção para um dia só. Ainda mais para um cara que tinha levado dois tiros. Deu um longo bocejo e dormiu suavemente. XXXXXXXXXXXXXXXXXxxxxxxXXxxxxxxxxxXXXXXXXXXXxxxXXXXXXXXXxxXXX Duas semanas se passaram desde a alta de Mulder. Ele estava em casa, com dois enormes curativos no peito. A dor já não incomodava tanto, quase não sentia. Mas já que ganhara um tempinho de "férias" do Birô resolveu aproveitar. Afinal Scully não estava lá. Ele havia ligado todos os dias da semana perguntando se a tinham visto, mas não. Scully não tinha ido, Mulder não tinha sinal dela desde aquele dia no hospital. Já sabia do fechamento dos Arquivos X, ficou triste por Scully não ter dito nada mas depois percebeu que ela só o protegia. A reunião foi transferida para a sua volta e não se preocupava nem um pouco. Não ficou abalado como pensaria ficar, estava mais preocupado era com outra pessoa. Scully. Se arrependia "em termos" do beijo, pelo menos ela estaria com ele agora. Passava as tardes assistindo televisão e comendo porcarias. Não tinha mais nada de interessante pra fazer quando pensou em correr no parque, eram 3:30hs da tarde. O tempo lá fora ameaça uma chuva forte, mas isso não importava muito para Mulder. Colocou seu abrigo e saiu. Quando chegou no parque não viu muita gente, a maioria já tinha ido embora por causa da chuva, claro que isso não o impediu de correr, se nem os médicos conseguiram que dirá uma chuvinha de nada. Enquanto corria seu pensamento estava navegando em outros mares, nos mares da cor dos olhos azuis de Scully. Estava correndo e viu alguém que já conhecia. Uma mulher ruiva, com uma legging branca e uma regata preta. Neste momento a chuva começou a desabar com uma força incrível. A mulher ruiva, obviamente, era Scully. Nunca Mulder tinha visto ela daquele jeito, com os cabelos presos. Uma mecha do cabelo que caía no seu rosto a deixavam mais linda ainda. Nem sabia que ela fazia Cooper, ainda mais às quatro da tarde! Ela estava amarrando o tênis quando percebeu a presença de Mulder. Olhou para o lado assustada e viu aquele homem encharcado admirando-a. Como ficava lindo molhado! Adorava quando Mulder estava assim, seu cabelo desalinhado e pingos de água correndo em seu rosto. Ficaram um tempo parados debaixo daquela chuva, só olhando um no rosto do outro. Depois de algum tempo ele resolveu falar alguma coisa. - O que faz aqui, Scully? - E você? Não devia estar em casa des-can-san-do? Ele sorriu, meu Deus que sorriso! Era como se o mundo não fosse nada sem aquele sorriso atraente que Mulder tinha. - Resolvi dar uma volta... e você? - Não sei, definitivamente não sei. - Vai ver você me trouxe aqui com seu pensamento... Mulder sempre tinha a mania de jogar palavras no ar para que Scully respondesse, gostava de vê-la nervosa por não saber o que dizer. Já estavam completamente molhados, os cabelos pingavam mas a vontade era de não sair dali. Começaram a caminhar lado a lado, as palavras já não eram tão essenciais. Mas Mulder gostava de arriscar. - No que está pensando Scully? - Você levou dois tiros e está aqui, nessa chuva... - Isso foram há duas semanas. Scully sentiu que era uma espécie de indagação, por que ela não foi vê-lo mais? Ela nunca teria coragem de dizer que não conseguia mais esconder seus sentimentos, que se um momento de conversa surgisse ela diria tudo o que sentia. A chuva não parava e eles continuavam lado a lado. - Eu soube do fechamento dos Arquivos X... Ela esquivou-se por um momento, mas pensou que não valia a pena sair do lado dele de novo. - Por que não me contou? - Não queria vê-lo preocupado, já temos muitas preocupações... *Mania que eu tenho de dizer ''nós "*, Scully prosseguiu: - E você, no que pensava? - Numa pessoa, ela se chama Katherine... Levou um tempo para Scully perceber que seu nome do meio era esse, mas existem muitas Katherines no mundo não precisava ser somente ela. Os momentos de silêncio entre os dois eram eternidades. Mulder prosseguiu. - ...ela é uma pessoa muito importante pra mim. A mais importante, ela é minha vida. Scully não acreditava no que ouvia, achava que estava ficando completamente louca. De repente Mulder parou e segurou-a pelo braço fazendo com que parasse também. Os dois se olharam, e a chuva prosseguia sem dar trégua. - Será que ela acredita em mim? Ela pressentia que era ela, ela sabia que era ela. Mas não conseguiria responder nada para ele, estava em choque. Mulder se aproximou dela, o que aquela ruivinha tinha feito com seu coração? - Scully, será que você não compreende? Eu te dou as pistas mas você precisa encontrar o caminho. Ela permanecia em silêncio, não sabia o que dizer, não tinha nada a dizer. - Por Deus, eu te amo, Scully! Eu já te disse isso uma vez mas você nunca acredita em mim. Sempre precisa de provas que comprovem tudo. Será que ao menos uma vez você acredita em mim? As lágrimas no rosto daquela ruivinha desciam junto com as gotas de chuva que agora tinha ficado mais amena. O rosto voltado para baixo enquanto Mulder tentava dizer mais alguma coisa. - Sempre quis ter você perto de mim, não sabia como.Não me interessa mais o Arquivo X se você não estiver lá. Quando eu levei aqueles tiros pensei que se não falasse nada seria tarde demais! Eu não quero te perder. Agora não havia mais nada a ser dito. Mulder segurou o queixo de Scully e levantou sua cabeça lentamente, viu o rosto dela molhado e penetrou no mundo azul dos olhos dela. Os dois foram se aproximando até sentirem o seus corpos, ela passou a mão no rosto dele secando as gotas de água que haviam. Aquele momento se estendeu por alguns instantes. Scully sorriu e Mulder foi de encontro aquele sorriso com os lábios. No início ela se assustou um pouco mas o beijo era maravilhoso. Sentir os lábios do homem que amava era como, era como, ela nem sabia explicar. Um longo e lindo beijo apaixonado. Scully foi se afastando devagar, mas dessa vez Mulder não a deixaria escapar. Ele a abraçou bem forte, embora ela nem pensasse em ir embora. Ficaram um tempo abraçados e a chuva passou. Pensavam um no outro, aqueles olhos de esmeralda que ele tinha e aqueles olhos de oceano que inundavam a alma dele de amor, que Scully tinha. Percebendo que a chuva passara, os dois olharam para o céu e viram as nuvens correndo rápidas dando lugar para o sol. - Mulder, eu acredito em você! Ele sorriu, um sorriso terno e amoroso, e estendeu a mão para Scully. Ela sorriu e enlaçou sua mão na dele. Caminharam em direção ao nada, queriam estar assim para sempre, só aproveitando a presença um do outro. Juntos. Sculder Ecks XXXXXXXXXXXXXxxxxxxxxxxxxxXXXXXXXXXXxxxxXxxxxxxxxXXXXXXXXXXXx xx