Autoras: Emily Maybe e Luli E-mails: angela.m@uol.com.br e luli-x@bol.com.br Título: Recomeço Disclaimer: Esses personagens não nos pertencem, pertencem aos seus respectivos criadores, os usamos apenas por diversão. "Autorizamos a publicação dessa história no site do I Concurso Dimensão X/Sci-Fi News de Fan Fictions" Consideração: CUIDADO CONTÉM SPOILER DE REQUIEM Sinopse: Mulder já está desaparecido há seis anos, mas Scully nunca desistiu de procura-lo. XXX JUNHO DE 2006 Já há seis anos que Mulder desapareceu, seis anos que procuro por ele. Eu nunca desisti, e acredito que nunca desistirei. Essa é a minha busca, a minha cruzada. Não posso evitar que enquanto dirijo por essa estrada, que lembranças tão vívidas da minha vida apareçam em minha mente. Fico observando a paisagem e vejo que mesmo depois de tantos anos, a paisagem desse lugar mudou muito pouco, desde a primeira vez que vim a essa cidade. Mais uma vez volto aqui. Mas dessa vez volto sem Mulder, sozinha com minha busca. Seis anos depois volto ao lugar onde ele desapareceu, e treze anos depois de nosso primeiro caso. Sei que tudo mudou na minha vida desde 1992. Não restou mais nada daquela Dana Scully que veio a esse lugar naquele ano, jamais imaginei que tanta coisa poderia acontecer comigo, desde então, várias idéias pré-concebidas foram completamente derrubadas da minha mente. E também restou muito pouco da Dana Scully que esteve aqui em 2000. Eu tive que mudar para sobreviver, para tentar conseguir o que há seis anos quero. E é por esse motivo que volto aqui mais uma vez. Acho que mesmo Mulder, se me encontrasse nos dias atuais, dificilmente não se surpreenderia. Eu mesma me surpreendo com as mudanças que sofri durante todos esses anos com Mulder, e todos os anos sem ele. Hoje em dia procuro por coisas que não acreditava, mas um dia peguei-me acreditando. Trabalho como médica, mas procuro por qualquer relato de aparições de OVNIS paralelamente ao trabalho que faço na medicina, eu sigo as pistas, e mesmo sem qualquer indício concreto, procuro por Mulder. Eu e os pistoleiros verificamos tudo o que é possível quando não estou trabalhando. Passamos dias e dias como se fossemos "caçadores de discos voadores". E quando as vezes paro para pensar, eu mesma não acredito nisso. Acho que me tornei uma crédula. Não trabalho mais no FBI já faz quatro anos. Aquela seção foi encerrada sem mais nem menos, e não houve ninguém que pudesse mudar isso, nem Skinner. Queriam me transferir para um serviço burocrático qualquer, mas eu não aceitei, preferi sair dali e seguir com a minha busca. E é o que continuo fazendo até hoje, em que mais um relato de aparições me trouxe a esse lugar, novamente esse lugar. Tudo parte do mesmo ponto. Continuo dirigindo, e acho que reconheço esse lugar. Parece ser o local onde há treze anos Mulder marcou com em X vermelho, e que há seis anos nós vimos novamente. Decidi parar para ver se ainda estava lá. Desci do carro, e procurei por aquela marca no chão. Mas ela não estava mais lá. O tempo a apagou. Não pude evitar que lágrimas surgissem nos meus olhos. Mas nem tive tempo de deixa-las cair, pois ouvi uma voz me chamando. - O que aconteceu, mamãe? Por que paramos aqui? _ Meu filho Andrew perguntou, levantando-se do banco em que estava deitado, e eu pensei que ele estivesse dormindo. Seco rapidamente as lágrimas que não deixo cair, e viro-me para o meu filho. Meu e de Mulder. Ele nasceu seis meses depois do desaparecimento de Mulder, e agora tem cinco anos de idade. Ele é um lindo menino, tem os cabelinhos ruivos e encaracolados como o de um anjo, e tem os olhos de um verde intenso. Eu o levo sempre em minhas constantes viagens. Viagens que faço, sempre no fundo, buscando pelo pai dele. O pai que ele não conhece, mas Andrew sabe muito sobre ele. - Não aconteceu nada, querido. Apenas reconheci esse lugar, e resolvi parar. _ tento sorrir para demonstrar segurança, e estendo a mão para ele vir ao meu encontro. Ele vem até mim, e coloca seu braço em torno da minha cintura e olha na mesma direção que eu, nós ficamos lado a lado. _ Seu pai e eu estivemos aqui pela primeira vez há treze anos atrás, em nosso primeiro caso juntos. Ele marcou esse lugar com um X em tinta vermelha, para mostrar o lugar em que o rádio perdia a freqüência... Porém Andrew não me deixa terminar, interrompe falando: - Por que? E cadê o X? _ Ele realmente é muito parecido com Mulder. As respostas não são suficientes para ele, sempre quer mais explicações. - Ele dizia que isso era um indício da presença de OVNIS. _ Eu respondo sorrindo _ Há seis anos nós voltamos aqui, e o X ainda permanecia no mesmo lugar. Mas não está mais agora. O tempo apagou. _ tento disfarçar a tristeza na minha voz, mas Andrew percebe. - Você ficou triste por isso, não é? _ ele diz isso erguendo o olhar, e encontrando o meu. - Fiquei, Andrew. Mas talvez eu tenha apenas me enganado de lugar. _ eu digo, numa tentativa de anima-lo. Ele não respondeu, então nos viramos e entramos no carro novamente para seguir viagem. - O que vamos fazer dessa vez? _ Andrew pergunta, com sua impaciência habitual. - Ver o que aconteceu por aqui. - respondo simplesmente. - Os pistoleiros vêm também? _ ele pergunta entusiasmado, mais uma vez. Ele sempre gostou quando os pistoleiros também estão conosco. Talvez eles sejam os únicos pais que Andrew conheça. Eles o tratam como um deles, dizem que ele é o quarto Pistoleiro Solitário. E Andrew adora isso. Quando eu entrei pela primeira vez no covil deles, jamais poderia imaginar que aqueles homens que achei tão estranhos poderiam se tornar tão meus amigos, e eles se tornaram ainda mais depois que precisei deles. - Sim, Andrew. Na verdade já devem estar lá. Quando chegamos no motel em que vamos ficar, Andrew logo avista a velha e mesma perua dos pistoleiros, e vai correndo em direção de onde ela está estacionada. Ele sempre é recebido calorosamente por eles. Eu apenas saúdo os pistoleiros com um sorriso amistoso, e logo Frohike começa a falar. - Oi, Scully. Até que enfim vocês chegaram! Temos que partir ainda antes de escurecer para o local dos avistamentos. - Oi, Frohike. Não precisa se preocupar, eu conheço o local. _ eu disse tentando parecer segura. Uma coisa que eu realmente não estava, não me sentia bem estando naquele lugar novamente. - Nós demoramos porque paramos no meio da estrada, tio Melvin. _ Andrew nos interrompe, entusiasmado. _ Mamãe queria ver o lugar em que o meu pai marcou com um X no primeiro caso deles. Mas não estava mais lá. - Sério? _ Frohike fala tentando demonstrar interesse e entusiasmo _ Se você quiser nós podemos voltar lá e fazer um. - Não precisa, tio Melvin, acho que não seria a mesma coisa. Não é, mamãe? _ Andrew responde perdendo um pouco de sua animação. Langly e Byers aproximam-se de nós, nos chamando para partir logo depois que Andrew e eu nos registrássemos no hotel. E foi o que fizemos. Registrei-me no hotel, deixei minha bagagem, e saí com os "quatro" pistoleiros. Eles vão na velha perua e eu vou sozinha no meu carro. PARQUE NACIONAL FOREST. NOROESTE DO OREGON 6:15PM Quando chegamos à floresta, fomos ver se tinha alguma marca no topo das árvores ou algo que na opinião deles indicasse a presença de OVNIs, e realmente tinha. Mas em anos que faço isso, com ou sem Mulder, já vi isso e nunca foi prova concreta de nada. Enquanto eu e os Pistoleiros ficamos ali, procurando por qualquer coisa, que por experiência, saberia que não ia encontrar, nem percebemos o tempo passar e Andrew deveria permanecer próximo a nós, mas depois de um tempo que não percebo nenhuma movimentação dele viro-me para olha-lo. Mas ele não estava lá. Sinto o maior medo que já senti na minha vida. Penso que talvez meu filhinho também seja levado de mim, ainda mais nesse lugar. - Onde está Andrew? _ pergunto aos pistoleiros. - Ele estava aqui há pouco. - Byers disse. - Oh, meu Deus! _ eu exclamo involuntariamente, e depois grito alto _ Andrew! Andrew! E é quando nós vimos um enorme clarão que vinha do meio das árvores, um pouco afastado de nós. Quando vi isso a minha sensação é a de que o chão iria se abrir e me engolir, acreditei que meu filho estivesse sendo levado. Saímos correndo na direção do clarão que já cessara, e quando chego lá, vejo uma cena surpreendente. Meu filho não foi levado, ele está abaixado, olhando para um corpo deitado no chão, existem diversas pessoas deitadas no chão, mas Andrew está parado especificamente ao lado de uma. Eu me aproximo deles, e Andrew vira-se para mim e diz: - Mamãe, eu acho que encontrei o papai. _ ele diz com a maior inocência. E é só naquele momento que eu consigo olhar o homem que Andrew observa. E é realmente Mulder, vestido em roupas de hospital. Abaixei-me ao lado do meu filho e quase que inconscientemente verifiquei se Mulder estava respirando. Ele parecia bem. Apenas imerso num sono profundo, um pequeno corte na testa fazia-se visível. Mais nada. Por alguns momentos esqueci do mundo ao meu redor. Abracei Mulder como se abraçasse a minha própria vida e chorei toda as emoções guardadas por seis anos dentro de mim: angústia, saudades, desespero, tristeza, entre tantas outras que foram acumulando-se no íntimo de meu ser. Deixei que todo o sentimento guardado todos esses anos fossem lavados por minhas lágrimas. Num choro silencioso de libertação. Só então percebi que Frohike falava comigo, ele dizia que o socorro já estava a caminho. Nesse momento me dei conta da presença de Andrew ao meu lado. Ele me lançava um olhar de compreensão e carinho igual ao que o pai dele costumava lançar para mim quando estava realmente preocupado comigo. Havia lágrimas em seus olhos. Abracei-o sem largar de Mulder e fiquei assim, com os dois maiores amores da minha vida, era algo que eu sempre quis fazer. - Sim Andrew, você encontrou seu pai. Senti que meu filho chorava, abraçado aos pais pela primeira vez em sua vida. A ambulância chegou e a viagem até o hospital deu-se como num sonho distante, me sentia como que entorpecida, embora meus olhos vissem Mulder, ainda não conseguia acreditar que minha busca chegara ao fim. Comecei a realmente compreender o que Mulder sentira ao saber da verdade sobre Samantha. O que ele quis dizer quando disse que estava livre. Segui na Ambulância com Mulder, enquanto Andrew foi com Byers. Minha maior preocupação no momento é o estado de Mulder. Ele ficou desaparecido por seis anos, e só Deus sabe o que foi feito com ele durante todo esse tempo. Quando chegamos no hospital, minha vontade é seguir todos os procedimentos médicos com Mulder, mas tomo consciência de que não há condições disso. Todas as emoções que guardei por anos parecem querer manifestar-se todas ao mesmo tempo, junto com a imensa felicidade que sinto por saber que consegui. Eu encontrei Mulder... ou melhor, nosso filho o encontrou, e mesmo sem nunca o ter visto antes conseguiu reconhece-lo. Enquanto levam Mulder para ser examinado, consigo pela primeira vez dar atenção ao meu filho depois de tudo. Ele está sentando ao lado de Byers, enquanto Frohike e Langly permaneceram na floresta, procurando por algo. Andrew parece estar estranhando toda a situação, e falo com ele. - Tudo bem? _ digo acariciando-lhe a face. E o vejo assentir, mas não me responde - Acredito que agora tudo vai ficar bem. Os médicos estão cuidando de seu pai agora. Ele parece estar bem. _ eu sorrio para ele, como nunca. E esse sorriso contagia o meu filho _ Obrigada, Andrew, por encontrar o seu pai. Antes que Andrew respondesse, vejo um médico aproximar-se de nós. - Srta. Scully? _ ele pergunta ao aproximar-se de mim _ O paciente, Fox Mulder, não tem aparentemente nada além daquele corte na testa, a qualquer hora ele poderá acordar. Você poderia me explicar o que aconteceu. - o médico pede sem entender a situação. Diversas pessoas estavam naquela floresta, todas no mesmo estado, o que fazia com que não entendessem a situação. Peço para Byers explicar, não quero falar sobre isso no momento, apenas quero ver Mulder e entender o que aconteceu com ele, quero que ele conheça nosso filho. E por isso decido esperar ele acordar no quarto. Ficamos, os dois, sentados em um sofá no quarto de Mulder. E não sei quanto tempo se passou enquanto eu o ficava observando, e nem percebi que meu filho dormia encostado no sofá. Apenas acordo do transe que estava quando percebo Mulder se movimentar. Percebo que ele está acordando. Levanto-me e me aproximo dele. - Olá, Mulder. _ digo ao vê-lo abrir os olhos. _ Eu deveria mata-lo pelo que fez. - digo não conseguindo conter o choro. Mulder permaneceu apenas me observando por alguns momentos como se tentasse compreender o que estava acontecendo. Eu fiquei acariciando seu rosto e deixei que ele se ambientasse com a situação. Ele ergueu o braço lentamente e limpou minhas lágrimas com os dedos, depois deixou a mão no meu rosto. Eu fechei os olhos ao sentir aquele toque tão esperado durante seis anos. _ Olá Scully. _ele enfim disse em voz baixa. _ Oh Deus, Mulder, senti tanto a sua falta...Você está se sentindo bem? _ Acho que sim, só um pouco confuso. Scully, quanto tempo eu fiquei fora? _ Seis anos, Mulder. Você lembra de algo? _ Seis anos... Não lembro de muita coisa, Scully. Apenas de estar naquela floresta, de um clarão muito forte e havia pessoas lá comigo, sendo levadas. _ Tudo bem, Mulder. XXX Mulder a puxou para si e ela deitou a cabeça no peito dele. Após alguns momentos, Scully ergueu a cabeça e eles beijaram-se nos lábios carinhosamente. _ Mamãe? Scully olhou rapidamente para trás e viu que o filho acabara de acordar. Andrew estava sentado no sofá observando os pais. Mulder olhou em direção do sofá e depois para Scully, curioso. _ Venha aqui, querido._ falou Scully sorrindo para o filho. O garotinho levantou-se e avançou devagar em direção à cama do pai. Quando o menino chegou perto de Mulder, este pôde perceber os olhos de Andrew e Mulder viu seus olhos nos olhos daquela criança. Nesse momento ele soube. Seu coração lhe dizia tudo. _ Scully..._ disse ele sem desviar o olhar do garotinho. _ Sim, Mulder. Ele é nosso..._ Scully falou, emocionada. _ Mas como? _ Eu não sei como, Mulder. Descobri logo após você ter sido levado. E foi graças a Andrew que consegui me manter viva todos esses anos sem você. _ Papai? Mulder sorriu para o menino e agradou seus cabelos, puxando-o para um abraço. Mulder começou a chorar assim como seu filho. E eles ficaram abraçados, pai e filho até que Scully juntou-se a eles no abraço. - Eu não... - Mulder falou ainda emocionado, olhando para o filho, depois que se separaram do abraço. Nunca sentira algo como aquilo antes, não sabia como agir. Scully percebeu o embaraço dos dois à sua frente, e resolveu tomar as rédeas da situação. - Mulder, esse é Andrew. _ Scully disse - Na verdade não fui eu quem encontrou você, na verdade foi ele. Nosso filho te encontrou. - Oi, papai. _ Andrew disse, mas naquele momento estava mais empolgado do que emocionado. A mãe já havia falado muito sobre seu pai, mas ele estava realmente muito curioso, queria muito conhecer realmente o homem de quem já ouvira tanto falar. _ Mamãe já falou muito sobre você, e os pistoleiros também. - E aí, garotão? _ Mulder disse secando as lágrimas _ Nunca imaginou que seu pai fosse assim chorão, não é? _ ele tentou fazer uma brincadeira e sorriu, assim como Andrew. _ Mas é que eu nunca imaginei que pudesse ter um filho, assim tão lindo como você. Você se parece com sua mãe. _ ele disse secando as lágrimas do menino. Scully ficou apenas observando a cena comovente, Mulder e Andrew pareciam estar entendendo-se muito bem. - Onde você me encontrou? _ Mulder perguntou a Andrew. - Na floresta. Eu vi um disco voador, e depois um clarão. Aí eu fui na direção e vi as pessoas no chão. Como já tinha visto fotos suas, te reconheci e me aproximei, logo depois a mamãe chegou. _ o filho relatou tudo, orgulhoso. - Então você também acredita em discos voadores, Andrew? _ Mulder perguntou, sorrindo para os dois. - Ele acredita, Mulder. Passou a vida toda ouvindo isso. _ Scully intrometeu-se. - Parece que eu perdi muita coisa nesses seis anos, não é? _ ele disse acariciando o rosto de Scully. E sentindo que ela havia mudado, via isso em seu olhar, o olhar que ele aprendera a ler. Ele poderia reconhecer todas as emoções através de um simples olhar de Scully _ Seis anos... é muito tempo. Ainda tem espaço na vida de vocês para mim? Scully sorriu e aproximou seu rosto do de Mulder: _ Mulder, você nunca, em momento algum deixou de fazer parte de nossas vidas. Eu sempre soube que você voltaria! Ele a beijou nos lábios e depois beijou a testa do filho que observava tudo sorrindo. Epílogo A lembrança mais vívida que eu tenho da minha infância é meu sexto aniversário. E eu sei exatamente o motivo: foi o meu primeiro aniversário ao lado do meu pai. Eu, como minha mãe, sempre soube que ele um dia voltaria para nós, ela nunca me deixou duvidar disso. Era uma fé incondicional. Antes de dormir, ela contava histórias sobre meu pai e sobre suas aventuras nos Arquivos- X. Isso já faz tanto tempo... Quase 20 anos. Mas eu ainda lembro cada detalhe, como se estivesse vivendo isso nesse momento. Lembro exatamente de todas as palavras e gestos também daquele dia em que encontrei meu pai naquela floresta. Lembro da felicidade que minha mãe demonstrava, do olhar que os dois trocavam. Era como eu nunca havia imaginado apesar de tudo o que ela tinha me falado, sentia apesar de ser tão criança ainda, que era especial. Depois que encontramos meu pai, minha mãe ganhou um novo brilho em seu olhar, um brilho que permanecia sempre quando ele estava por perto. E ele sempre estava por perto. Hoje, eu sei e posso entender como era o amor entre os dois. Eles me contaram por tudo o que passaram, e o tempo em que não estavam juntos como um casal, apenas como amigos. Tudo foi necessário para que fosse tão especial como era. Lembro de quando ele deixou o hospital, e foi para casa comigo e com a minha mãe. Passamos novamente por aquela estrada que eu havia passado com ela pouco antes de encontrar o meu pai, e que ela passara com ele no primeiro caso que tiveram juntos. ESTRADA Scully dirigia, e Mulder olhava a paisagem, assim como Andrew. Ela parou e pediu que os dois descessem do carro. - Não foi aqui que eu marquei com um X no primeiro caso que tivemos juntos, Scully? _ Mulder perguntou, olhando para o chão. - Foi, Mulder. Mas o tempo o apagou. Andrew e eu vimos quando estávamos vindo para cá. Por isso eu decidi que nos deveríamos marcar um novo X aqui de novo. Nós três juntos. _ ela falou tirando um spray do porta-luvas. XXX Nós morávamos em uma casa em Maryland, e como toda criança tinha meus coleguinhas. Sentia-me muito mal por não ter meu pai perto de mim naquela época, enquanto os outros tinham, lembro-me vagamente disso. Mas lembro do orgulho que senti no dia em que chegamos com o meu pai em casa e eu pude apresenta-lo para os outros garotos. RESIDÊNCIA DE SCULLY MARYLAND 2006 - Então é aqui que vocês moram? _ Mulder perguntou, enquanto Scully parava o carro na frente de uma casa, branca, com um gramado na frente. - É aqui que vamos morar. _ Scully retrucou beijando os lábios dele, e saindo do carro. - Vamos, papai! _ Andrew falou saindo do carro e correndo em direção da casa _ Eu quero te mostrar tudo. Mulder e Scully seguiram Andrew de mãos dadas, e ela abriu a porta para eles entrarem. - Vem, pai. _ Andrew falou eufórico, puxando-o pela mão e subindo as escadas. _ Vou mostrar o meu quarto para ele, mamãe. Os dois entraram em um quarto decorado em azul, com vários brinquedos espalhados pelo chão. Scully entrou em seguida, sorriu e disse. - Seu filho, Mulder. Olha a bagunça. - Ele só consegue encontrar as coisas assim, não é Andrew? - Como sabe? _ o menino perguntou curioso, pensando que talvez o pai pudesse ter algum dom dado pelos alienígenas. - É que era só assim que eu encontrava as minhas coisas. _ Mulder falou afagando os cabelos do menino. - Olha isso. _ Andrew falou mostrando um alienígena "grey" de pelúcia _ Você viu algum desses? - Não sei, garotão. Eu não lembro do que aconteceu nesses anos todos. _ Mulder falou observando o brinquedo do garoto _ Onde conseguiu isso? - Ano passado mamãe teve que ir a uma palestra em Roswell, e eu tive que ficar com a vovó. Quando ela voltou trouxe de presente para mim. - Scully? _ Mulder olhou-a admirado _ Palestra em Roswell?! Você mudou mesmo! - Tive que mudar para encontrar você. _ Scully disse sem jeito, e saiu do quarto deixando os dois sozinhos. - Olha aqui, pai! _ Andrew falou mostrando uma luva e um taco de baseball _ Eu não tinha com quem jogar baseball, aí a mamãe pediu para o tio Byers me ensinar. Mas ele é um desastre! _ ele falou divertido _ Mas a mamãe disse que quando você voltasse poderia me ensinar. - Claro! _ Mulder falou levantando, depois saiu com Andrew sentado em seu ombro, carregando o equipamento e indo para o jardim. Lá os dois começaram a jogar, e Andrew estava se divertindo, assim como Mulder. Scully olhava tudo da janela da cozinha, sorrindo. Um garoto gorducho e sardento aproximou-se e disse. - Oi, Andrew. Já voltou de viagem? Quem é esse cara? _ ele falou apontando Mulder. - Oi, Kevin. Olha, agora eu tenho com quem jogar. Esse aqui é o meu pai! _ Andrew disse orgulhoso. - Mentira. _ o gorducho falou cético, depois disse debochado _ Todo mundo sabe que você não tem pai! - Eu sempre tive pai, gorducho! _ Andrew retrucou irritado _ E agora ele voltou. E ele não é burro e velho como o seu. O menino saiu de fininho, e Mulder e Andrew voltaram a jogar baseball, rindo. XXX Meu pai foi um grande homem, um grande pai, e um grande marido para a minha mãe. Eles viveram juntos por anos e se amaram todo o tempo. Até o fim. Minha mãe também foi uma mulher maravilhosa, sem igual. Mas mesmo apesar de terem convivido por tantos anos, continuaram chamando-se pelo sobrenome. Muitas pessoas não entendiam isso, mas hoje eu entendo que para eles o sobrenome era como aqueles "apelidos" que certos casais têm. XXX Aqueles meses que passaram até eu completar seis anos passaram muito rápido, e eu fiquei ansioso pela minha festa de aniversário. A primeira que teria com uma família completa, eu, meu pai, minha mãe, minha avó, meus tios verdadeiros, meus "tios" pistoleiros. RESIDÊNCIA DE MULDER E SCULLY MARYLAND 2006 O jardim estava todo decorado com balões coloridos. Havia muitas mesas com toalhas coloridas e uma mesa maior com um grande bolo decorado, doces e salgados. Crianças corriam pelo jardim rindo felizes. De tempos em tempos Andrew aparecia com um coleguinha para apresentar ao pai. Estava radiante. Todos os presentes comentavam sobre a felicidade dos ex- agentes. Mulder e Scully recebiam os convidados juntos e não saíam de perto um do outro. _ Pai, mãe, olhem quem chegou!!! _ disse Andrew trazendo alguém pela mão_ O tio Skinner! Os ex-agentes foram cumprimentar o diretor assistente, que entregava uma bola de futebol americano de presente para o garoto. _ Puxa, obrigado tio Skinner! _falou Andrew já correndo para junto das outras crianças. _ Como está, Mulder? _ Nunca estive melhor, senhor. _ disse Mulder abraçando Scully. _ Vocês estão me devendo uma visita ao Bureau, ainda temos assuntos pendentes... Resolveram aceitar a recolocação? _ Queremos pensar mais um pouco, senhor. _ respondeu Scully_ Achamos muito cedo ainda para resolver isso. _ Tudo bem então. Mas pensem a respeito, certo? _ Claro, nós pensaremos. Skinner foi conversar com os pistoleiros e os ex-agentes sentaram-se num banco no fundo do jardim, de onde podiam observar toda a movimentação. _ E então, Scully. Acha que devemos aceitar? _ Depois a gente pensa nisso, Mulder. Agora vamos só aproveitar a festa do nosso filho, tá? _ Tudo bem. Ele está tão feliz, né? _ falou Mulder enquanto observava Andrew correndo e rindo com os coleguinhas. _ Está... Ele nunca esteve tão feliz. _disse Scully beijando Mulder _ Eu também nunca estive tão feliz... _ Eu também não! Eu amo você, sabia? _ Eu também te amo, Mulder. _ Scully...Casa comigo? _ O quê, Mulder? _ Casa comigo? Ela acariciou o rosto dele, encostou a testa na dele e sorriu. _ Sim... Os dois se beijaram apaixonadamente, mas foram interrompidos por Andrew que gritava. - Papai, vem aqui! Scully sorriu, separando-se de Mulder e disse: - Vai, papai. Ele deve estar querendo te mostrar para mais alguém. Mulder foi correndo em direção do filho. Scully ficou sentada no banco, apenas observando. XXX Eu lembro do casamento dos meus pais também. Recordo que era o único garoto que eu conhecia que foi ao casamento dos pais. Foi uma cerimônia com poucas pessoas no jardim de nossa casa em julho de 2007. Meus pais estavam radiantes, e naquele dia celebraram ao mundo o que já tinham celebrado entre eles há muito tempo. O amor que sentiam um pelo outro. Eles não tiveram mais filhos. Minha mãe dizia que eu fui a única chance deles. Que tivemos sorte. Meus pais voltaram a ser agentes do FBI. Sei que era uma coisa que eles gostavam. Era importante para eles procurar pela verdade. Mas eles nunca souberam o que aconteceu com ele durante os seis anos em que esteve fora. Hoje eu entendo que cada pessoa tem a sua Verdade, não importa qual seja. FIM